Adelson Elias Vasconcellos
Às vezes dá vontade de sugerir ao governo petista inverter letras da sigla que identifica o Ministério da Educação, conhecido como MEC, para MCE – Ministério Contra a Educação. Não bastasse a comunização do ensino que o ministro Haddad se entregou como objetivo maior de sua pasta, não bastassem as dezenas de livros distorcidos da verdade criminalizando de forma vigarista o agronegócio, o capitalismo, dentre outros “temas", que fazem das matérias de Geografia e História uma verdadeira pregação marxista, não bastasse a politização bestial dos sindicatos dos profissionais de ensino, a gente ainda tem de aguentar livros de língua portuguesa fazendo apologia ao erro. Alguns dos textos abaixo descem o sarrafo na autora que, entrevistada, ainda tentou se justificar com um rosário de maus conceitos, demonstração inequívoca da sua estupidez e mediocridade. Mas ela defender sua “obra”, ainda vá lá: cada um tem o direito de acreditar nas teses que melhor lhe parece e apetece, ficando claro que deverá, em contrapartida, responder pelas besteiras que defende diante das críticas que certamente acontecerão. O raio é que o debate no Brasil anda tão vagabundo que, ser contra aos conceitos estúpidos que vigoram no país presentemente, corre-se o risco de ser taxado de "traidor da pátria".
Contudo, o MEC se prestar a defender o método do ensino torto e vigarista? Aí, convenhamos, não dá. Se a apologia ao erro que a “ilustre” escritora entende correta, pudesse ao menos ser compreendida, a pergunta imediata que se impõem é: prá que escola? Fosse assim, elimine-se o problema cortando o ensino do idioma do currículo escolar. Todos terão direito de falar mal e escrever errado e fica tudo bem.
O que esta senhora está longe de ter ciência, e o MEC ao endossar a tese absurda corrobora com sua ignorância, é que o idioma, na sua expressão mais culta, é um patrimônio da nação brasileira. Permitir que se ensine errado é ultrajar este patrimônio, jogá-lo no lugar para onde deveria o MEC enviar o tal livro “Por uma vida melhor”.
Nesta semana, e os textos estão na edição de 12.05 do blog, o Jornal Nacional exibiu uma série de reportagens sobre a Educação no Brasil. Vejam lá: apenas 25% da população brasileira pode ser considerada alfabetizada integral. Mais: apenas 25%, após o ensino médio, conseguem ter conhecimento mediano capaz de interpretar corretamente a leitura de textos simples.
O indecente nesta história, não é apenas o livro ser comprado com dinheiro público e remetido para as escolas. É, sobretudo, taxarem de “preconceito linguístico” aqueles que falam e escrevem certo. Nada mais absurdo: o preconceito aqui, me parece, é justamente contra a cultura, contra a sabedoria, contra o conhecimento. O saber não é apenas uma caixinha de comprimidos que você compra na farmácia mais próxima. Exige esforço e dedicação pessoais, sacrifício do próprio lazer para ser alcançado. Agora, se dona Heloisa Ramos, uma das autoras da "obra", quer preconceito, pois digo: o preconceito é contra a burrice, a ignorância assumida, a irresponsabilidade de se praticar uma apologia ao erro contra um patrimônio da nação, é aplaudir o analfabetismo, o atraso intelectual. Que dona Heloisa queira dormir abraçada à sua estupidez, é um direito que lhe assiste. Escândalo é o MEC endossar tamanha palhaçada, tamanha traição ao idioma pátrio.
Não é a toa que o Brasil se encontra na rabeira em avaliações internacionais de ensino. Não é a toa que 75% da nossa população navega na escuridão do analfabetismo funcional. E não é a toa que gente do governo, repleto de vigaristas comandados pelo PT, se prontifica tanto em trabalhar para que todo este atraso fique do jeito que está. Falam tanto de cidadania mas se esquecem, por pura conveniência, que a cidadania só se realiza e se consuma diante de um povo educado em toda a sua plenitude. Por quê? Povo culto e educado, é povo esclarecido, e não se deixa conduzir por pilantras travestidos de educadores. Não se deixa seduzir pelo vagabundo e bucéfalo discurso de políticos sem moral, sem vergonha e sem caráter.
Povo livre não é apenas aquele que pode ter um carro ou uma TV de LCD na sala. Povo livre não admite e não suporta os maus e indignos serviços públicos que o Estado lhe entrega. Povo livre não é açoitado por uma carga tributária estúpida e escorchante de forma passiva e servil. Povo livre não se deixa contaminar pelos discursos populistas, eivados de mentiras e mistificações. Povo livre é povo que se faz respeitar e impõem aos seus governantes o cumprimento pleno de suas obrigações constitucionais. E um povo livre enterra no lixo da história, educadores malandros que, à cata de exibicionismo, agridem um patrimônio para o qual lhe falta formação competente para entender, defender e valorizar.
E um povo só é livre pelo caminho da educação, educação de qualidade, plena, não distorcida, não alimentada pelo ódio de classes esculpido pelos pseudo-educadores, sepultados na sua própria obsolescência e ignorância.
Além do mais, repudio ao extremo esta coisa tosca de “preconceito linguístico”. Por que, se quando estudante, procurei aprender o correto que me foi passado por excelentes professores? Por que busco falar certo e escrever corretamente serei preconceituoso? Ora, que dona Heloisa vá catar coquinho no meio mato e lambuzar-se com sua indecência. Se preconceito houver nesta lambança é dela mesma contra aqueles que amam sua pátria, idolatram nossos valores mais sagrados, e dentre aqueles que são motivo de orgulho, está por certo o idioma belo que nos foi legado. Se dona Heloisa quer ser caipira, isto é lá problema dela, mas não venha impor sua anticultura, suas aberrações e ignorâncias extremadas aqueles tem pelo ensino correto verdadeira obsessão. Escola foi feita para ensinar o certo. Errado é colocar a educação do país a serviço do populismo mais vagabundo e nas mãos de ignorantes e vigaristas.
Que dona Heloisa e, sobretudo o MEC, tenham um pouco mais de respeito pelo idioma pátrio que nossos antepassados nos legaram. Ninguém lhes outorgou direito de chamuscá-lo com seu lixo cultural. Já nos bastam as vigarices do ENEM, que não passa de um vestibular em escala nacional, rebatisado apenas para iludir. Já chegam as censuras aos livros de Monteiro Lobato, um dos expoentes da nossa cultura. De imbecis e medíocres o país já está cheio. Não precisamos ter outros escrevendo livros didáticos de pura ignorância ou comandando o Ministério da Educação.

