segunda-feira, maio 16, 2011

A pretexto do novo Código Florestal

Ricardo Galuppo (*) - Brasil Econômico

Entrar na discussão do Código Florestal - que prosseguirá na semana que vem no Congresso Nacional - exige coragem. A questão, por vezes, parece mais emaranhada do que os cipoais das matas que se pretende preservar - e todas as exceções criadas visam beneficiar, exatamente, aqueles que até aqui têm se comportado como grandes depredadores.

Explico: quando se fala em destruição do meio ambiente pelo agronegócio, todos os dedos ambientalistas apontam ao mesmo tempo para o ex-governador do Mato Grosso Blairo Maggi.

Pode ser que seja mesmo. Acontece, no entanto, que não existem provas concretas desse fato e, pelo sim, pelo não, Maggi tem carregado uma culpa nunca comprovada.

Creio, inclusive, que um levantamento isento mostraria que a devastação causada por Maggi e por todo o agronegócio brasileiro somado é inferior à destruição provocada pelo conjunto das pequenas propriedades rurais que exploram a chamada agricultura familiar. Esse é um dos muitos estudos que deveriam ser realizados para esclarecer questões delicadas e, no entanto, nunca foram.

A única utilidade das conclusões a que ele chegasse seria pôr fim a uma velha mania brasileira de tratar questões como essa de forma maniqueísta - opondo os grandes aos pequenos, como se não houvesse possibilidade de coexistência civilizada entre eles.

O certo é que o novo código contém, de um lado, uma série de exceções que beneficiam a agricultura familiar e, do outro, é essencialmente rigoroso com o agronegócio.

Como um cidadão que passou quase toda a vida em grandes cidades, sinto-me obrigado a declarar que, no meu caso específico, não quero saber se quem emporcalha o lençol freático de onde sai a água que vou beber é um grande agricultor que utiliza agrotóxicos ou um pequeno proprietário que ganha o pão com o suor do próprio rosto na pequena gleba que herdou dos pais. O que eu quero é beber água limpa.

Não quero saber se a queimada que prejudica a qualidade do ar que eu respiro foi causada por um latifundiário ou por 15 pequenos proprietários. O que eu quero é que todos deem sua cota de contribuição para a qualidade do ar que eu respiro. Ponto final.

É lógico que, antes de pensar em medidas punitivas, deve existir um exaustivo trabalho de educação voltado a explicar a todos (grandes e pequenos) as vantagens de um manejo responsável do solo.

E também é lógico que deveriam ser adotadas - além de um limite restritivo que fosse racional e igual para todos, grandes e pequenos - medidas de estímulo a quem preservasse o meio ambiente. Sem fechar os olhos para os problemas sociais que precisa resolver, o Brasil deve, com urgência, se dar conta de que o discurso maniqueísta acaba por proteger gente como os "militantes" do MST.

Um novo crime dessa gente foi revelado pela última edição da revista Veja. A reportagem mostra que o MST rouba eucalipto de florestas da Fibria, da Suzano e da Veracel para assar em carvoarias clandestinas e vender às siderúrgicas. O Brasil só vai melhorar mesmo no dia em que todos forem iguais perante a lei. Todos mesmo.

(*) Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico