Villas-Bôas Corrêa
Um dos programas mais badalados dos dois mandatos do ex-presidente Lula foi o Minha Casa Minha Vida, que já merece a correção para o Minha Casa Meu tormento.
A demagogia tem este defeito: o seu sucesso é movido a promessas que raramente são cumpridas. O carimbo da demagogia: o presidente, governador ou prefeito, no embalo da campanha, adoça o pedido do voto prometendo mundos e fundos. Eleito e empossado, arma o circo para engambelar o eleitor.
O Minha Casa Minha Vida é mais recente e perfeito exemplo da potoca eleitoreira. E a reação popular pipocou em Salvador, a primeira da série que esta a caminho.
Num protesto pela interrupção há um ano e meio das obras do Loteamento Residencial Bom Sucesso – que hoje parece um deboche – cerca de 500 moradores do bairro Nove Esperança bloquearam a estrada que liga o Centro Industrial de Aratu à capital baiana, provocando grande engarrafamento na Região Metropolitana de Salvador.
Um manifesto porreta, no melhor estilo baiano. O loteamento prometido virou uma potoca. Os manifestantes desfilaram com faixas apelidando de “empurra-empurra” a “enrolação” das autoridades. Aliás, bem documentada: a Caixa Econômica Federal não libera os recursos para a conclusão do loteamento, porque a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), que é o órgão estadual que executa as obras, alega que não pode executar as obras porque a CEF retém os recursos.
O projeto original do Loteamento Bom Sucesso – parece gozação – prevê a construção de 510 casas, ruas urbanizadas, áreas de lazer e outros privilégios. Mas, o que resta da enganação é apenas um cenário de abandono. Apenas 120 casas começaram a serem construídas e estão inacabadas, sem instalações elétricas ou hidráulicas. O material abandonado no mato está sendo roubado. È só o que deve estar sendo aproveitado.
A Caixa informou que vai liberar os recursos para concluir a primeira parte do investimento.
O dinheiro e o tempo perdido o gato comeu.]
Dilma renova promessas
Mas, de bravatas estamos fartos. Durou o tempo de piscar o olho, o apoio de cerca de dois mil prefeitos ao presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, que ameaçou radicalizar, caso o governo e o Congresso não resolvessem seus pleitos: a derrubada do veto do ex-presidente Lula aos royalties do petróleo para todos os estados e a liberação de R$ 1,4 bilhão de restos a pagar para obras iniciadas.
Como de praxe, a presidente Dilma foi aplaudida quando chegou acompanhada de 14 ministros e do vice Michel Temer e prometeu, como estava no programa, a liberação imediata de R$ 520 milhões, além de mais R$ 230 milhões no dia 6 de junho para obras em andamento em estados e municípios.
Outras promessas também foram aplaudidas de pé, como na opera.