terça-feira, setembro 19, 2006

Berzoini sabia de negociação de dossiê


A revista Época, da editora Globo, citada no depoimento de Gedimar Pereira Passos para a Polícia Federal, colocou uma nota de esclarecimento em seu site contando o envolvimento dos jornalistas do veículo com a polêmica dos dossiês. Segundo a revista, no PT, apenas o presidente do partido, Ricardo Berzoini, havia sido avisado do encontro com o repórter para passar informações de interesse da campanha. Berzoini, segundo Bargas, não tinha conhecimento do conteúdo do material.
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Oswaldo Bargas, ex-secretário do Ministério do Trabalho e autor do capítulo sobre Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula, ofereceu, há duas semanas, denúncias contra o candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, José Serra. No encontro, estava presente também Jorge Lorenzetti, analista de risco e mídia da campanha de Lula. Bargas afirmou ter sido procurado por alguém que tinha denúncias sérias contra políticos de renome e perguntou se havia interesse em publicá-las.
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Confira a íntegra da nota da revista:
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1) Oswaldo Bargas, ex-secretário do Ministério do Trabalho, atual responsável pelo capítulo de Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula, procurou há duas semanas o jornalista Ricardo Mendonça, de Época. Ele pediu um encontro com o repórter.
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2) O encontro foi marcado para uma suíte do hotel Crowne Plaza, em São Paulo, no final da tarde do dia 6 de setembro. Nessa reunião estava presente também Jorge Lorenzetti, analista de risco e mídia da campanha de Lula. Bargas afirmou ter sido procurado por alguém que tinha denúncias sérias contra políticos de renome. As acusações, segundo ele, poderiam ser comprovadas por meio de fotos, vídeos e de uma "farta documentação". Bargas perguntou se havia interesse da revista em publicá-las.
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3) O repórter de Época disse que tinha interesse em conhecer o teor das denúncias, mas não se comprometeria a publicá-las. Isso dependeria de uma investigação sobre a relevância e a consistência das acusações.
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4) Bargas afirmou não ter nada para mostrar naquele momento. Disse que não podia especificar quais eram as denúncias nem quem era o denunciante. Diante da insistência do repórter, ele disse apenas que as denúncias seriam fortes o suficiente para desmoralizar o candidato do PSDB ao governo do Estado de São Paulo, José Serra, e o ex-ministro da Saúde Barjas Negri.
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5) Durante o encontro, Bargas e Lorenzetti disseram várias vezes que aquela reunião nada tinha a ver com o PT nem com o governo. Aquele encontro, segundo eles, servia apenas para sondar o interesse de Época. Bargas afirmou que Aloizio Mercadante, concorrente de Serra na disputa pelo governo de São Paulo, não sabia das denúncias nem da reunião. Disse ainda que, no PT, apenas o presidente do partido, Ricardo Berzoini, havia sido avisado do encontro com o repórter para passar informações de interesse da campanha. Berzoini, segundo Bargas, não tinha conhecimento do conteúdo do material.
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6) No final da reunião, que durou cerca de 30 minutos, Bargas disse que voltaria a falar com o denunciante e depois entraria em contato com o repórter.
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7) Naquela mesma noite, Bargas telefonou para avisar que o denunciante voltara atrás e não queria mais apresentar o material, nem dar entrevista. Uma semana depois, a revista Istoé publicou a entrevista em que Darci e Luiz Antonio Vedoin, os donos da Planan, acusavam Serra e Barjas Negri.
Redação Terra

A história não termina em Freud...

Neste início de semana, a mídia nacional está ocupadíssima com o recente escândalo patrocinado novamente por integrantes do PT, e sobre o qual já abordamos no artigo “Lembram do Gregório ? Agora é Freud !” e sobre o qual ou conseqüência dele, há que se aprofundar questões ainda nebulosas e que precisam ser esclarecidas. Na verdade há uma grande ponta solta nesta história.
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É o seguinte, meu irmão: quem é Freud Godoy ? Um simples segurança, pessoal e particular do Lula, participante do comitê pró-releição, membro ativo do partido, com trânsito livre junto ao casal Lula e Dona Marisa, para quem presta serviços desde a década de 1980. Certo ?
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Tudo bem que Freud tenha lá uma empresa de segurança em São Paulo e coisa e tal, mas donde esta empresa tiraria em dinheiro vivo, assim, sem levantar nenhuma suspeita, 1,7 MILHÕES para comprar um dossiê merreca que nada vale ?
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Bem este é um mistério, mas não é ainda a ponta solta da história. Bem, para armar esta teia ridícula de dossiês, comprometendo-se e mobilizando gente do PT em Cuiabá, Mato Grosso, envolvendo gente da executiva do PT em São Paulo, a revista É acionada para entrevistar um Vedoin da vida em Cuiabá, plantar notícias em jornais e blogs alinhados, envolver Lula na entrevista armada na Band com entrega de uma pasta contendo porra nenhuma pois foi só jogo cena, trazendo um Zeca Diabo, Quércia e Mercadante para dentro do cenário para espalharem a merda até antes da circulação e edição da revista, vão me dizer que o arquiteto desta trama toda foi um mero segurança do Lula ? Ora, façam-me o favor, respeitem a inteligência alheia !
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O grampo do TSE faz parte deste cenário, disto ainda não se sabe. Então me digam: se um segurança com um cérebro privilegiado destes, capaz de envolver pessoas em diferentes estados do país e distantes entre si, de envolver esta quantidade de gente,mídia, juntar a pequena fortuna apreendida, vai ser "segurança pessoal"? Ora, um cara destes pode ser qualquer coisa na vida e talvez até fique rico com tamanha competência !!! Mas nunca se sujeitará a ser "segurança pessoal"!!! Neste caso, acho que vocês já sabem onde quero chegar: Freud "Fortunato" Godoy é o agente na história, junto com todos os demais. Ele está sendo dado em holocausto para salvar a pele de alguém, alguém graudão o suficiente para montar, arquitetar, por em andamento com mobilização intensa de gente e recursos, um plano desta dimensão. Portanto, a peça que falta: quem arquitetou o plano, arregimentou pessoas e colocou o Freud "Fortunato" Godoy para agir ? Quem é o cabeça ou o mandante ? E, em dimensão menor: por que envolver um camarada tão próximo a Lula, correndo todos os riscos do presidente ser envolvido neste enredo ? Será que não havia entre tantos milhares de militantes, alguém que oferecesse um risco menor ? Ora, para Freud ser envolvido nesta história, impossível dizer-se de que Lula não se enquadre no roteiro !!! Impossível !!! Seu segurança pessoal não seria tão idiota assim para agir por conta própria e acabar estourando uma bomba no colo de Lula !!! Após uma convivência de tantos anos, ele só agiria do modo como agiu se tivesse sido autorizado por Lula, tipo assim "...precisamos de alguém de muita confiança para levar o dinheiro..". E justo o segurança de Lula, sem que ele soubesse ou autorizasse?
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Então vamos olhar outros ângulos, porque a coisa toda é meio surreal demais para se comprar esta versão que se está querendo dar. Esta história ainda não acabou. Duvido que, pelo menos mais um ou dois robustos generais de Lula, não acabem rolando suas cabeças.
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Comecemos pelo noticiário de hoje, terça feira, 19/09/06, no Estado São Paulo:
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"Muitos dos jogos de futebol realizados na Granja de Torto eram organizados por Freud, a pedido de Lula, que o encarregava de telefonar para os convidados. Ele acompanhava o presidente desde as primeiras campanhas, como segurança.
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"Depois, estava sempre por perto para defender Lula e evitar assédios. Freud também participava de viagens - sempre que o presidente ia para São Paulo nos fins de semana, tinha cadeira cativa no avião presidencial."
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Isto reforça ainda mais a tese que defendo que o caso não acaba em Freud. Vai além. Vejam: pode um cara tão próximo a Lula, que despachava em sala própria com o presidente e sua esposa, que promovia as peladas na Granja do Torto, que o seguia feito cão fiel há tantos anos e campanhas, empregado como assessor especial, um cara desses vai correr sozinho todos os riscos de, por conta própria, agir levianamente e às escondidas de Lula ? Desculpem-me, mas não engulo esta.
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Agora, passadas mais de 72 horas do estouro da boiada, o epílogo. Leiam, está na Folha desta terça:
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"A PF não pediu ao hotel Íbis Congonhas, de São Paulo, as gravações do circuito interno de TV nem o cadastro de hóspedes. Caso solicitados, os documentos podem ajudar na identificação das pessoas que teriam entregue R$1,7 milhão para que Gedimar Pereira Passos comprasse o dossiê sobre suposto envolvimento dos tucanos Geraldo Alckmin e José Serra com os sanguessugas." .
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Só quero saber uma coisa: por quê, num ação tão primária de identificação do tal emissário, que transitou (ou se disse que havia feito) pelo interior do hotel, ninguém da PF lembrou do pequeno detalhe de requisitar as fitas de segurança para identificação do tal emissário ? Ou se está ganhando tempo para montar outras fitas ?
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Das duas uma: ou se trata de incompetência (inconcebível para uma PF tão eficiente em outras ações), ou se trata de má fé na condução do inquérito, demonstrando que se está montando outra farsa tão ou pior que o próprio dossiê que lhe deu origem.
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Alguém tem outra resposta razoável para explicar o que está havendo ?
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Isto não soa estranho ? Ora, o cara é acusado por parceiro de partido, e a PF libera esta declaração sem tomar o cuidado de investigar nas fitas de vídeo se procede a acusação ?
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Agora para meu espanto a história começa a ficar surrealista de fato. Leiam a seguir um trecho de uma notícia publicada ontem no Tribuna da Imprensa, e vejam se vocês podem tirar uma conclusão a respeito. Depois comento."Como que esquecendo-se por um segundo de que Freud Godoy é assessor de seu gabinete pessoal, com sala no mesmo andar em que está assentado o gabinete presidencial, Lula disse não entender como Berzoini não enxergoucoisas que aconteciam debaixo do seu nariz."
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Ora vejam só, é o próprio Lula que vem dizer isto? Peraí: e toda a história do "não sabia de nada" ao longo do mensalão ? Depois foi debaixo do nariz do senhor presidente não foi ? E se o Freud é seu assessor mais próximo e íntimo, como que o cara faria alguma coisa sem que Lula soubesse e autorizasse ? E sem que tivesse sido autorizado por Lula, Freud jamais faria isto, correto ?
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Agora voltemos ao noticiário. Na Folha desta terça, coluna do Jânio de Freitas:
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Não pode ser dispensado, nas investigações, o envolvimento de gente graúda do PT e do governo na transação com os Vedoin, para montagem e venda de material a ser dado como incriminatório de Serra e Alckmin. Integrante subalterno do dispositivo da Presidência da República não se meteria em jogo tão alto senão por ordem ou autorização superior. O citado até agora na trama, Freud Godoy, é um dos agentes de segurança de Lula. Em tal condição, seus reconhecidos encontros com o implicado Gedimar Passos, advogado de interesses do PT e de petistas graduados, evidencia um desencontro de representatividades funcionais que não se explica com a facilidade pretendida por Godoy.”
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Ora, há mais gente que também suspeita que a história não termina no Freud. Pelo que se depreende, há lambança das grossas por detrás destas primeiras versões.
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Vocês lembram de que o dinheirão encontrado se compunha de reais e dólares? Acompanhem o noticiário, texto de Cátia Seabra, na Folha:
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Apreendidas na última sexta pela Polícia Federal, eram novas as notas de dólares reservadas para a compra do dossiê contra o PSDB. Segundo o relatório de produção mensal do Bureau of Engraving and Printing, a casa da moeda norte-americana, as cédulas foram emitidas em abril deste ano.
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E, de acordo com auto de apresentação e apreensão da PF, os maços ainda estavam envoltos pela cinta de papel da casa da moeda "impressa na cor dourada" quando foram apreendidos. No lacre, a inscrição "BEP - one hundreds - $ 10,000" - e uma orientação sobre a numeração das notas.
Segundo um especialista consultado pela Folha, o fato de serem recém-emitidas, sem sinais de circulação, facilitaria o rastreamento do dinheiro.
Como são proibidas negociações em dólar no país, a compra legal da moeda americana passa, obrigatoriamente, por uma instituição autorizada, seja banco ou casa de câmbio, e é registrada em contrato. O Banco Central tem o controle dessas operações.
Sem o contrato de câmbio, a compra seria ilegal. Segundo esse especialista, que preferiu não se identificar, embora muito difícil, não é impossível que o dólar chegue, legalmente, ao Brasil ainda acondicionado no lacre do BEP. Apesar disso, não se descarta a hipótese de o dinheiro ter sido sacado nos Estados Unidos, sem passar pelas mãos de um doleiro.
O que chama a atenção é o volume de dinheiro apreendido - US$ 139 mil - já que o limite individual para compra de dólares para viagens ao exterior é de US$ 10 mil.
Pelo auto de apreensão, esses maços continham US$ 10 mil (R$ 21.500), em cem notas de US$ 100. Num maço, por exemplo, as notas traziam os números seqüenciais de FF79176001A a FF79176100A. Num outro, a seqüência final era de 6201A a 6300A.
Segundo o site da Casa da moeda americana, essas notas integrariam um lote emitido há cinco meses, num total de US$ 25,6 milhões produzidos. O primeiro número de série é o FF73600001A. O último FF99200000 A.
A oposição questiona a origem do dinheiro supostamente destinado à compra de material contra tucanos. Além da não identificação de doleiro, ela reclama da ausência de registro do número de celular usado pelos dois emissários presos pela Polícia Federal
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Sacaram? Então ficamos assim: se o dinheiro estava legalmente no Brasil, estes dólares seriam produto de um contrato de câmbio. Coisa fácil de investigar. Haveria outro jeito ? Sim, “...Apesar disso, não se descarta a hipótese de o dinheiro ter sido sacado nos Estados Unidos, sem passar pelas mãos de um doleiro...”
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Não seria Freud quem conseguiria montar todo este enredo. Isto está bem visto. Nesta história, à exceção dos Vedoin, pai e filho, o único ser estranho é a revista ISTO É, o que nos leva a deduzir que apenas gente do próprio PT seria capaz de arquitetar todo o esquema, e não seria gente de baixo escalão. Alguém capaz de ter ascendência sobre a militância.
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Voltemos ao texto de Jânio de Freitas, na Folha:
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Em sua ação preliminar, a Polícia Federal deixou uma decisão incomum e inexplicada. É própria das ações policiais a busca do flagrante, mas, desta vez, a PF preferiu evitá-lo, fazendo as prisões antes do ato de entrega e pagamento do material, que sabia onde, quando e com quem ocorreria. Decisão incompreensível. Compreensível é que examine, como informa, as liberações de verbas do Ministério da Saúde por ex-ministros citados pelos Vedoin. Mas tudo indica que investigações prioritárias têm que ser levadas à alta hierarquia do PT e entrar nos gabinetes da Presidência da República.”
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Vejam que há várias situações “estranhas” na ação da Polícia Federal, com o ministro Márcio Bastos à frente das investigações. A ação que evitou o flagrante, o não exame de fitas de segurança do hotel tanto quanto o livro de registro de hóspedes, são derrapadas imperdoáveis para uma PF que, como o Ministro mesmo diz, “...rebateu as críticas contra sua pessoa. "Faz parte da atmosfera eleitoral. Poderia dizer que não confio no senador [Jorge Bornhausen, que acusou Bastos de falta de confiabilidade], mas não vou dizer isto. A PF é credora da população brasileira, já desvendou quase 300 quadrilhas (...), com impessoalidade, sem perseguir e proteger."
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Só que o ministro não se dá conta de que tem sido ele a comandar toda a operação, e neste caso específico há apenas petistas envolvidos no rolo, e este escândalo pode entrar Palácio do Planalto a dentro conforme já demonstramos. Pode, não, já entrou. O citado até agora na trama, Freud Godoy, é um dos agentes de segurança de Lula. Em tal condição, seus reconhecidos encontros com o implicado Gedimar Passos, advogado de interesses do PT e de petistas graduados, evidencia um desencontro de representatividades funcionais que não se explica com a facilidade pretendida por Godoy.
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Ou como o jornalista Noblat afirma em seu blog: “...O caixa 2 do PT foi inventado pelo partido. O mensalão pelo governo. A quebra do sigilo do caseiro, também. Resta saber se o caso da compra do dossiê dos Vedoin foi obra apenas do PT ou também do governo ou de parte dele.”
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E evidente não seria um segurança pessoal do presidente o arquiteto de todo o esquema. Que o ministro tenha mais cautela no processo de investigação, fechando todas as portas abertas para a apuração, que se verifiquem os elementos à disposição no Hotel Íbis em São para certificar-se se realmente Freud Godoy lá esteve, que se esclarece a razão para se ter evitado o flagrante (imperdoável), que se exibam as escutas telefônicas que indiciam membros do partido PT, que se percorra os caminhos do dinheiro, reais e dólares, e que ao final se analise a quem o dossiê beneficiaria se divulgado na forma que inicialmente se tentou fazer. O que não se pode é partir para a paranóia de Aluízio Mercadante, ao propor “...Vamos tirar esse dossiê do palanque...". Hein? Tirar por quê ? Quem foi que o trouxe se não o seu próprio partido, senador Mercadante, e agora, quando a trapaça é descoberta e se vira integralmente para o seu PT, então vamos tira-lo de cena ? Absolutamente ! Agora é que ele lá deve permanecer.
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Da mesma forma, é inadmissível que o Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT, tenha a cara de pau de afirmar “...Consideramos a hipótese de armação contra o PT...” Ou este cara tava de porre ou está nos querendo fazer de idiotas !
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No Painel da Folha, duas notas importantes:
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Na cela da PF onde está preso em São Paulo, Gedimar tem dito que foi chamado somente para "fazer a segurança" da entrega do pagamento ao representante dos Vedoin, e que haviam lhe garantido que o dinheiro "tinha origem". Alega ter sido enganado pelo PT
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De um petista desolado com a encrenca gerada pela operação de compra do pacote dos Vedoin: "Parece que havia gente inconformada em ganhar só a eleição presidencial. Precisava vencer em SP também".
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Então, gente, taí o fio que precisamos juntar: se as fitas do hotel demonstrarem, claramente, que o emissário que levou a pasta preta e as sacolas com a dinheirama foi de fato Freud Godoy, servindo-nos da própria declaração de Lula “...debaixo do nariz...” em relação a Berzoini, o TSE já pode encontrar indícios de participação de Lula, sim !!!
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O mundo dá muitas voltas, gente, e olha como são as coisas: o destino de Lula nas mãos do primo de Fernando Collor !!! Nunca esquecer do que o PT fez no impeachment de Collor ! Mas o ministro Marco Aurélio adverte que existe a possibilidade de impugnação da candidatura do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, caso seja comprovada sua ligação no caso do dossiê contra o candidato do PSDB ao governo de São Paulo e ex-ministro da Saúde José Serra.
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Marco Aurélio disse que as investigações podem "passar de dezembro e chegar a 2007", o que não influenciaria no pleito do primeiro turno, daqui a 12 dias, e até mesmo num eventual segundo turno. Mas lembrou um parágrafo da Lei de Inelegibilidade para explicar que Lula corre o risco de perder o futuro mandato, se eleito, e se comprovada sua participação.
- Há um instrumental na Constituição que é a ação de impugnação do mandato alcançado, e alcança qualquer cidadão, pouco importando que seja o presidente - explicou o ministro."
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E não adianta Lula ficar todo nervosinho, e partindo para chantagem junto ao Poder Judiciário. É bom lembra-lo que ainda vivemos numa democracia, onde todos são iguais perante a lei, inclusive ele próprio. Que na democracia, além do estado de direito, o Poder Judiciário tem a prerrogativa legal, amparada pela Constituição em vigor, de, na forma da lei, impugnar sua candidatura sim. E o Congresso tem a prerrogativa pelos mesmos dispositivos para a aprovação de impeachment. Está na lei, senhor Lula, e tanto quanto se saiba o senhor não é nem imperador nem o ditador, e muito menos dono do país. O senhor é um mero empregado do povo, está a serviço dele, e não para dele se servir !!!!.
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E para a reflexão dos leitores, seguem a última notícia deste artigo, publicada na Tribuna de Imprensa: “...Nesse momento, segundo auxiliares, Lula disse que iria "para o pau" contra a oposição. O presidente acusou PSDB e PFL de serem "maus perdedores". Para Lula, a oposição quer ameaçá-lo com a possibilidade de impeachment no eventual segundo mandato para enfraquecê-lo. Disse que, se a oposição insistir na tese, vai chamá-la de "golpista" e buscará apoio popular.
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Pelo visto, alguém pretende fazer no Brasil o que Hugo Chavez fez na Venezuela ! Conseguirá ? O tempo vai dizer. Porém advertimos o senhor Presidente, para manter bem controlado seus demônios autoritários. O País não andará, e também não aceitará, que presidente algum, mesmo um Lula qualquer da vida, o ponha a reboque de interesses partidários, para alimentar uma particular ganância de poder. Seria bom Lula nem experimentar quebrar as regras. A resposta poderá lhe ser mais dolorosa do que ele imagina.

Leituras recomendadas

Ausência de detalhes no caso das
cartilhas favorece corrupção
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Publicado no Blog Diego Casagrande
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A denúncia de irregularidades cometidas pelo governo na distribuição e confecção de cartilhas contendo propaganda da gestão petista levanta uma nova polêmica acerca da transparência nas contas públicas. Isso porque, de 2003 até agora, a Presidência da República pagou R$ 185,7 milhões às agências de publicidade Duda Mendonça e Associados e Matisse Comunicação e Marketing, ambas citadas nas acusações.
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O problema é que a finalidade de nenhum dos pagamentos aparece detalhada com clareza no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), que registra a execução orçamentária do governo federal. Só em 2005, ano em que as revistas foram produzidas, as empresas receberam R$ 67,2 milhões dos cofres federais, não detalhados pelo Siafi. Todos os empenhos que destinam recursos para as duas empresas envolvidas no caso, independente do valor, trazem uma mesma justificativa padrão para a despesa, sem maiores detalhes.
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O site Contas Abertas procurou a Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados para cobrar mais transparência dos gastos com publicidade já no próximo ano. Os técnicos da consultoria estranharam a ausência de descrição mais específica nos empenhos. Como a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2007 ainda não foi aprovada, eles cogitaram a possibilidade de inserir no documento um dispositivo que obrigue os órgãos governamentais a detalharem no Siafi as despesas com propaganda, a partir do ano que vem.
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“A transparência amplia o controle social e reduz a corrução”, afirma Augusto Carvalho, Presidente do Contas Abertas. Ele tentou conversar com os deputados Gilmar Machado (PT-MG), presidente da Comissão Mista de Orçamento do Congresso, e Paulo Rubem Santiago (PT-PE), que coordena o Comitê de Fiscalização da Execução Orçamentária, no sentido de sensibilizá-los sobre a importância de se preservar no Siafi a descrição minuciosa dos serviços prestados e dos bens adquiridos.
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O caso das cartilhas
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A acusação contra o governo e as empresas de publicidade foi divulgada recentemente pela revista Veja, com base em um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU). A denúncia envolve a produção de cartilhas que exaltam realizações do governo Lula em 2004 e criticam o governo Fernando Henrique Cardoso. O documento acusa a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), na época administrada por Luiz Gushiken e subordinada à Presidência da República, de ter cometido irregularidades na encomenda de cinco milhões de cartilhas que custaram R$ 11 milhões aos cofres da União.
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Dois milhões de unidades não teriam comprovantes de confecção, segundo o relatório do TCU. O PT confirmou que parte das revistas foi enviada aos diretórios nacionais do partido no intuito de baratear os custos de distribuição. O material foi produzido pelas empresas dos publicitários Duda Mendonça e Paulo de Tarso Santos. O tribunal decidiu na quarta-feira (13.09) abrir uma tomada de contas especial para investigar o caso.
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O TCU encaminhará cópias do processo ao Ministério Público, para que sejam tomadas as providências cabíveis. Para o tribunal, ficou demonstrada a participação do PT na implementação dos contratos, provocando com essa conduta confusão entre a ação governamental e a ação partidária com claros objetivos promocionais do partido. O ex-ministro da Secom Luiz Gushiken, seu adjunto na época Marcos Vinícius de Flora, e as empresas citadas terão quinze dias para apresentarem defesa ou devolverem aos cofres públicos o prejuízo causado pela constatação de sobrepreço na venda de materiais gráficos e serviços não-executados.

Texto completo aqui
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SEM LULA, O MUNDO É MELHOR
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por Diogo Mainardi, na Veja
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Quero que Lula perca. Como quero que Lula perca, rejeito todas as pesquisas eleitorais. O procedimento é simples. Quase todo dia aparece uma pesquisa indicando sua vitória no primeiro turno. Consulto o Datafolha e o Ibope, cotejo os dados região por região, classe social por classe social, e passo a distorcer a realidade. Tiro 1 ponto porcentual de um candidato, dou 2 pontos a outro, depois amplio as margens de erro até conseguir subverter os resultados. Em minhas análises do Datafolha e do Ibope, Lula sempre perde. É um mundo melhor, o meu. Um mundo mais limpo.
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O resto da imprensa é igual a mim. Todos os jornalistas interpretam as pesquisas de acordo com seus desejos e simpatias. Pouco tempo atrás, o Datafolha mostrou que Lula estava praticamente empatado com Geraldo Alckmin na camada dos eleitores com renda acima de dez salários mínimos. Elio Gaspari, eleitor de Heloísa Helena, aproveitou para pontificar: "A maldição elitista do tucanato, segundo a qual o companheiro seria reeleito pela massa dos não-informados aliada aos menos escolarizados, faz água. Vai ao brejo a idéia da reeleição, pela vontade de pobres ignorantes, de um presidente ruinoso que teve quarenta malfeitores à sua volta". Quatro dias depois, o Datafolha voltou atrás, mudando radicalmente seu prognóstico. Naquela camada dos eleitores mais ricos, o empate técnico se transformou numa extraordinária vantagem de 27 pontos para Geraldo Alckmin. O discurso de Elio Gaspari foi para o brejo. Vingou a idéia de que Lula é um presidente ruinoso com quarenta malfeitores à sua volta, e que só é votado por uma massa de pobres ignorantes.
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Os pobres ignorantes são o principal tema de disputa entre os analistas de pesquisas eleitorais. Em particular, os pobres ignorantes do Nordeste. Os lulistas acreditam que os pobres do Nordeste são tão ignorantes, mas tão ignorantes, que vão acabar votando em Lula, apesar dos quarenta malfeitores. Os tucanos discordam. Eles acreditam que os pobres do Nordeste podem até declarar voto em Lula nas pesquisas eleitorais, mas são tão ignorantes, tão ignorantes, que vão apertar o botão errado na hora de votar, anulando suas escolhas. Sempre que Lula ultrapassa a barreira dos 50 pontos, sou obrigado a apelar para esse argumento.
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José Dirceu, um dos quarenta malfeitores citados por Elio Gaspari, comparou nossa imprensa aos militares golpistas de 1964. Não dá para entender José Dirceu. O triunfo eleitoral de Lula demonstra claramente que a imprensa é inofensiva. Quando ela tenta reagir, basta comprá-la. O Brasil não é dominado por uma elite má. Essa elite má só existe para gente como José Dirceu e Elio Gaspari. O Brasil é dominado por uma massa de pobres ignorantes. Eles estão decidindo por nós. E estão decidindo muito mal. Isso se não confundirem os algarismos e apertarem os botões errados.
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ÚLTIMO ESCÂNDALO
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por Villas-Bôas Corrêa, no Jornal do Brasil

Mais este fim de semana e estaremos a dois domingos da fila para digitar os votos no primeiro turno das eleições. Não é uma longa espera para tão murchas expectativas, com as pesquisas anunciando com grande antecedência a reeleição do candidato-presidente, com a ressalva de improbabilíssima catástrofe.
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O prazo curto e a dinâmica da reta de chegada devem ser suficientes para garantir à denúncia do Tribunal de Contas da União (TCU) - em relatório aprovado por unanimidade, que destaca as suspeitas de superfaturamento e desvio de dinheiro público para a farra eleitoral na confecção de cinco milhões de revistas e encartes de propaganda do governo e do candidato-presidente, distribuídos pelo PT - a honrosa classificação de último escândalo da longa série, com dezenas de brilhantes concorrentes.
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São frutos sazonais para serem colhidos no tempo certo. Tal como a marola oposicionista do impeachment do presidente Lula. Passou da hora, a fruta caiu de podre. Outra, só no bis do mandato.
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As cautelas óbvias do bom senso não impedem que se reconheça que o último escândalo do ano é de bom tamanho, nada fica a dever ao do mensalão, do caixa 2, da compra de ambulâncias superfaturadas da Operação Sanguessuga e tantos outros da safra generosa de assaltos aos cofres da viúva.
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Entre as suas virtudes não é desprezível a da desmoralização da sovada e cínica alegação de oportunismo eleitoreiro, que é imediatamente colada a toda tramóia que vem à tona nas proximidades das urnas. E tanto serve para os dribles na ética do governo como da oposição. O que sugere a urgência para a definição de um período de carência, de dias ou meses, durante o qual seja proibido aos partidos e à imprensa, denunciar irregularidades no uso dos recursos públicos, mesmo com provas e documentos.
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Enquanto a mordaça não é oficializada, vamos continuar a usufruir a contestada liberdade de imprensa. Para, no embalo, reconhecer que o caso das cartilhas é respeitável pelas suas características de trampolinagem envolvendo parceiros de alto coturno. Seu enredo, traçado por linhas curvas, começa engatado no escândalo do mensalão, que é quando pipocam as primeiras denúncias de suspeitas maroteiras com as verbas de publicidade administradas pela Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência. Desde o princípio, respingou no governo, castigando o ministro Luiz Gushiken, punido com a perda do cargo, sobrando para a Secom o rebaixamento do status de ministério. Frivolidades burocráticas.
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Daí em diante, os passos no calvário com a confirmação das suspeitas, a pilha de provas e o desmonte das explicações oficiais. A Secom, em sua defesa prévia, tentou escapulir pela porta dos fundos, alegando que as cartilhas foram distribuídas gratuitamente pelo PT para poupar o governo de uma despesa inútil.A prestimosidade espontânea do PT não comoveu o TCU. O relator, ministro Ubiratan Aguiar, pegou o pião na unha e investigou as contas e contratos da Secom, comprovando os desvios de dinheiro para a escancarada propaganda eleitoral do partido, ora pendurado no quintal do governo. Crise no PT com o esperneio dos implicados na negociata, que desemboca na aprovação unânime do relatório do ministro Aguiar.
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A encrenca espreme o ex-ministro Gushiken, que tem o prazo de 15 dias para apresentar a defesa prévia ou devolver ao erário público R$ 11,6 milhões, que é de quanto o TCU calcula o prejuízo.
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E sobram piparotes para o esquecido marqueteiro Duda Mendonça, que brilhou na campanha da eleição de Lula, e para a Matisse Comunicação e Marketing, ambos no rol de responsáveis pelas irregularidades.
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Todos - Gushiken, Duda Mendonça, a Secom e demais atores da novela - de mão no peito, negam qualquer responsabilidade no caso das cartilhas.
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Claro que a pedra rolada para tapar o buraco do escândalo deverá resistir aos frouxos empurrões da oposição. Como manda o figurino, o fio de esperança no milagre de uma subida do candidato Geraldo Alckmin nas pesquisas, levando a decisão para o segundo turno, sustará as ameaças de impeachment de Lula até a contagem dos votos.
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Daí para frente não dá para enxergar um palmo adiante do nariz.