segunda-feira, abril 07, 2008

Melô do cartão corporativo: ouvir é de graça

Esta vem lá da página do Cláudio Humberto. Já que o assunto do momento é o cartão corporativo, com ou sem dossiê, o bom é dar risada, porque a CPI, com o rolo compressor do governo Lula para jogar tudo debaixo do tapete, tem tudo para terminar do jeitinho que a gente já sabe que terminam as investigações sobre o governo Lula e suas mutretagens: em pizza.

Tem tudo para virar a trilha sonora de 2008. "O samba do cartãozinho" é um sucesso na internet. Ótima para desopilar o fígado de quem não tem um, ou seja, a maioria dos mortais, que pena para pagar os juros no final do mês se atrasa a fatura. A turma da melô, nem isso.
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Clique aqui para ver o clip musical do momento.

Ministério da Saúde virou ministério da doença

Adelson Elias Vasconcellos

Desde 2006 estamos alertando para o desmonte que o governo Lula vem provocando no Ministério que um dia cuidava da Saúde dos brasileiros.

A estratégia de se aparelhar o Estado com companheiros e sindicalistas, sem competência e qualificação para os cargos que ocupam, é uma das maiores calamidades que o governo atual tem praticado.

A desculpa que hoje Lula tenta impor de que o caos na saúde pública é decorrência da não aprovação da CPMF é uma daquelas mentiras incapazes de se sustentar. Pela simples razão de que, com CPMF irrigando os cofres do governo durante cinco anos, ele não conseguiu evitar a situação caótica que assume, cada dia mais, contornos de calamidade nacional. E que fique claro: o governo Lula arrecadou com CPMF desde janeiro de 2003 até janeiro de 2008, já que os valores remanescentes de dezembro de 2007, chegaram ao Tesouro em janeiro deste ano. E o que governo atual fez com os quase R$ 160,0 bilhões que recebeu para cuidar da saúde dos brasileiros? Com a palavra o TCU, cujos relatórios estão aí para quem quiser pesquisar, e neles se apontam gastos com o dinheiro da CPMF em muita porcaria que nada tinha a ver com saúde. Portanto, Lula jamais poderá alegar falta de dinheiro. O que faltou, repito, foi competência mesmo.

Ontem, publicamos reportagem do Estadão informando que, nos últimos dois anos, registraram-se 489 surtos de doenças no Brasil, desde casos de beribéri até mal de Chagas. E o atestado de incompetência e desídia do governo no cumprimento deste que é um dos seus deveres básicos, pode ainda se tornar pior do que já está. Especialistas já detectaram no norte do país, a presença do vírus da Dengue tipo 4, muitíssimo mais letal do aquele que atormenta o Rio de Janeiro, que é do tipo2. Muito bem, diante do alerta, o senhor José Temporão faz o quê? Simplesmente trata de ignorar o alerta, dá as costas para o problema, e ainda se jacta com uma competência até aqui não demonstrada à frente do Ministério pelo qual deveria ser responsável, para simplesmente desqualificar o estudo feito.

Quando o país começou a ficar em alerta diante dos primeiros casos de febre amarela, novamente o comportamento do senhor Temporão foi a de pouco caso e de muitas desculpas que não convencem talvez nem a ele mesmo.

Pois bem, hoje, reportagem de Sérgio Torres, da Folha de São Paulo, traz uma entrevista com o clínico Antonio Sérgio Almeida Fonseca, da Fiocruz, que informa e, principalmente, faz um alerta às autoridades de saúde do país, para a iminência de uma epidemia da dengue tipo 4, e que não é registrada no Brasil desde 1982. E ainda reforça o alerta: a febre amarela urbana, que é transmitida pelo mesmo mosquito da dengue, pode voltar, condição aliás que ele considera inevitável. Vale registrar que a febre amarela em sua forma urbana teve sua última ocorrência ainda na distante década de 50. E vocês ainda acham exagero quando afirmo que o governo Lula mata? Lembro ainda que a CPMF é uma contribuição criada na metade da década de 90. Portanto, não foi com aquela que ficamos livre de tanta doença por 30 ou mais anos.

Resta saber se o ministro da Doença continuará com sua teimosia arrogante cujo estrago é o que se vê nos hospitais públicos do Rio de Janeiro, que de resto, é similar em todo o país.

A entrevista do clínico da Fiocruz deve ser leitura obrigatória para todos os brasileiros. Pelo menos, poderemos nos livrar de muitas doenças por iniciativa própria, apesar do governo fazer uma força danada para que elas nos atormentem e se transformem em epidemia.

A entrevista está no post abaixo deste.

Se nada for feito, febre amarela urbana deve voltar

Sergio Torres, Folha de São Paulo

Médico da Fiocruz avalia que país está próximo de uma epidemia de dengue 4, mais grave que a atual, no Rio

A população brasileira está "totalmente exposta" às doenças ao mosquito Aedes aegypti.

A febre amarela urbana ameaça Rio e São Paulo, avalia o clínico Antônio Sérgio Almeida Fonseca, médico que em 1986 examinou em Nova Iguaçu (cidade na região metropolitana do Rio) o primeiro caso de dengue após décadas sem registros. A falta de eficácia do poder público no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor das duas doenças, trará de volta, inevitavelmente, a febre amarela em sua forma urbana, estima o especialista.

Em entrevista a Folha, Fonseca, 51, assessor da Vice-Presidência de Serviços de Referência e Ambiente da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) alerta sobre o risco de retorno da febre amarela urbana.

Além disso, o especialista prevê que muito em breve haverá, em alguma grande cidade brasileira, uma epidemia de dengue mais grave do que a atual, em curso no Rio. Desta vez provocada pelo vírus tipo 4, existente em países fronteiriços e no Caribe e que não é registrado no Brasil desde 1982. "Se estivesse sendo feita alguma coisa não teria voltado o 2", disse ele, referindo-se à epidemia no Rio, responsável pela morte de 44 pessoas até sexta-feira no Rio e 67 em todo o Estado.

FOLHA - O sr. fala que essa epidemia demonstra o despreparo das autoridades de saúde. Por quê?

ANTÔNIO SÉRGIO DA FONSECA - Uma doença como a dengue tem mecanismo de transmissão conhecido. Tem as formas de prevenir, de atuar, conhecidas. Tem previsibilidade do que pode vir a acontecer. Logo, você tem de tentar montar uma estratégia que seja mais eficaz.

Por mais que se esperasse, havia um despreparo completo. Isso é fundamental. Certamente nossa rede não estava preparada para isso. Em tese, era de se esperar que não houvesse nenhum óbito.

Se a gente pegar a história desde quando começou, em 1986, há uma série de elementos que vão prevendo a sucessão de coisas que aconteceram nesses 22 anos. No final da década de 70 já se falava sobre o risco da urbanização da febre amarela, por conta do ressurgimento do Aedes aegypti e da população que vinha aumentando. Existia a preocupação da entrada da febre amarela. Um mosquito que tinha sido eliminado foi reintroduzido.

Em 1986, em Nova Iguaçu, nos primeiros casos, que tive oportunidade de atender, achávamos até que era febre tifóide. Era uma família inteira, todas próximas do mesmo local. A gente não estava acostumado. Dengue a gente sabia de livro.

Até que o vírus foi isolado na Fiocruz, era o dengue 1. Isso se estendeu rapidamente pelo município do Rio.

FOLHA - Por que sempre no Rio?

FONSECA - O Rio apresenta algumas condições que favorecem isso. É cidade com problema habitacional sério. Um não-acesso de grande parte da população à água encanada, principalmente em favelas. O Rio tem a característica de ter uma periferia central. Você tem no centro morro da Providência, morro do Estácio. Na zona sul, morro do Chapéu Mangueira, Pavãozinho. As cidades se organizam e as periferias vão ficando cada vez mais afastadas. No Rio, ela está dentro.

FOLHA - Então não tem jeito?

FONSECA - É uma situação que permite o surgimento de criadouros. Além das condições climáticas, que são favoráveis. Em 1986 foram casos relativamente simples, com muita sintomatologia, mas sem maior gravidade. Uma epidemia volumosa, mas de certa forma benigna, como a maioria dos casos de dengue. O que se temia, pelos estudos, é que a sucessão de entrada de outros vírus em períodos curtos permite o surgimento de formas mais graves da doença. Dois anos depois entrou outro vírus, o 2, que está circulando atualmente. Fez uma segunda epidemia. Aí apareceram os primeiros casos de febre hemorrágica da dengue. A partir do Rio essas epidemias foram nacionalizadas, atingiu o Brasil como um todo. A partir daí tivemos epidemias sucessivas em Estados diferentes.

FOLHA - Se era previsível porque não se impediu a propagação da doença?

FONSECA
- As estratégias foram muito voltadas para a propaganda. A estratégia montada ao longo desses 22 anos foi focada na destruição dos criadouros. Mas ela é muito informativa. Ela recomendava fazer isso. Existe uma precarização clara da contratação dos profissionais que já foram chamados de mata-mosquitos, hoje agentes de endemias. Eles têm contratos precários. É leviano para mim falar da questão da formação, mas acredito que essa formação talvez não seja a mais adequada. E existe uma desarticulação completa da estrutura do trabalho dos agentes de endemias, da área de vigilância sanitária, com a área do atendimento básico.

Ao longo desses anos o Brasil investiu em proposta de mudança do modelo assistencial, trabalhando a atenção básica com a estratégia de saúde da família, atingindo índices de cobertura ótimos, o que não existe no Rio. Aqui é muito baixo, 8%. A gente sabe que nas grandes cidades é mais difícil. Atingir uma cobertura completa na cidade menor é muito mais fácil. Agora, no Rio existe um aparelho público estatal grande de saúde. Modificar esse modelo é mais difícil. Rio e São Paulo tiveram grandes dificuldades.

FOLHA - Isso foi fundamental para a atual epidemia?

FONSECA -
Uma cobertura baixa do programa de saúde da família. Uma cidade onde você tem uma periferia central. Uma cidade que foi vítima da entrada dos três vírus, sucessivas epidemias, clima favorável, déficit habitacional. O Rio tem atenção básica, mas no modelo convencional, o posto de saúde. O saúde da família vai aonde o indivíduo está e trabalha com membros da própria comunidade. Vai ter uma possibilidade de transformação muito maior.

FOLHA - Por que não se adotou uma estratégia específica?

FONSECA -
Ela foi muito focada na responsabilização do cidadão. "O culpado é você porque tem bromélia, o culpado é você porque deixa água empoçada, que não tampa as caixas d'água". É falho.

Outra coisa falha é que as medidas têm que ser contínuas e acompanhadas de grandes exemplos. Quando você identifica um depósito de carros oficiais abandonado com água dentro, ora, como você vai poder falar com uma mãe que tem que botar terrinha no vaso? Ela faz isso, e a filha fica doente porque do outro lado o poder público não deu conta de eliminar um grande criador.

FOLHA - O vírus 4 já ameaça?

FONSECA -
A epidemia de dengue de 2002 entrou em janeiro. Quando voltei para trabalhar depois do Ano Novo eu estranhei: vai estourar alguma coisa. Em 2002 a coisa foi muito mais explosiva. Era a entrada de um vírus. A população toda está exposta. É o risco que a gente corre com a entrada do 4.

FOLHA - E quando chega o 4?

FONSECA -
Está batendo na trave, a gente pode dizer isso. A qualquer momento. Roraima é perto da Venezuela, do Caribe, onde o vírus circula. A população brasileira está totalmente exposta. Talvez ainda não tenha tido essa explosão porque o vírus está em área de baixa densidade demográfica. Uma epidemia dessa monta certamente vai começar na região Sudeste. Ou nas capitais do Nordeste. Ela precisa de um aglomerado urbano importante. A entrada de um novo vírus é algo esperado. Desde 1986 eles têm entrado sucessivamente.

FOLHA - O que está sendo feito pelas autoridades em relação ao 4?

FONSECA -
Acho que se estivesse sendo feita alguma coisa não teria voltado o 2. Acho que está sendo feito muito pouco. Tem coisas de longo prazo, que dizem respeito a articulações entre os diversos setores; em envolvimento de poder público, privado e comunitário. Tem que haver no poder público a articulação entre as esferas federais, estaduais e municipais. Nas municipais, articulação de educação, saúde, saneamento, habitação.

FOLHA - Mas isso não existe?

FONSECA - É muito pouco, estamos engatinhando.

FOLHA - Só no Rio?

FONSECA -
Diria que nos país inteiro. Alguns locais estão mais avançados, pelo menos no campo da saúde existem alguns avanços. A estruturação de um sistema de saúde, com atenção básica eficaz, ações articuladas no setor público, envolvendo a participação da comunidade.

FOLHA - O alto número de mortes mostra que o médico, de um modo geral, não estava preparado para diagnosticar a doença?

FONSECA - É uma análise difícil. A teoria é uma, a prática, outra. Sabíamos de ler, de literatura, o manejo do dengue em criança, mas só fomos ter experiência prática agora. Por outro lado, isso vai um pouco além da preparação do profissional. A forma de vinculação dele com o conhecimento do que é uma rede, o despreparo da atenção básica. Está faltando uma qualidade no nosso filtro. O filtro é a atenção básica.

FOLHA - Por que a febre amarela urbana não chegou ainda?

FONSECA - A urbanização da febre amarela é outro capítulo. É doença de primatas, silvícola. O homem entra acidentalmente quando penetra nesses ambientes. Para ter a urbanização, precisa, primeiramente, uma quantidade de pessoas contaminadas vindas dessas áreas e uma população maior de Aedes do que tem hoje. O que a gente costuma dizer é que se nada for feito daqui a alguns anos será inevitável a urbanização.

FOLHA - Inevitável em quantos anos?

FONSECA - Se você não monitorar a população de Aedes, se você não fizer investimento no controle das migrações... A diferença da febre amarela é que existe uma vacina eficaz, que protege por dez anos. Se a gente não tiver controle rígido dessas migrações, é inevitável. Rio e São Paulo são os dois grandes riscos, pois têm uma população explosiva em termos de densidade demográfica e baixa cobertura vacinal para febre amarela.

A tevê de propaganda do petismo

Adelson Elias Vasconcellos

Sobre a TV Pública que Lula “inventou”, procurei até hoje mais observar do que analisar e criticar. Não se pode tecer julgamentos precipitados sobre algo que nem existe, não da forma como o Governo Lula quis nos fazer crer. Algumas conclusões, contudo, já se pode ter.

A começar pelo investimento inicial: se no início paguei pra ver, continuo cético. Toda as vezes que governos se aventuram a navegar por oceanos desconhecidos, entrando em atividades que não lhe dizem respeito, as chances da aventura virar porcaria são enormes. E o que é pior: uma porcaria cara demais e que será difícil para terminar.

Há no governo Lula, um contingente enorme de partidários do pensamento estatizante. Faz parte do DNA das esquerdas. Para esta boa gente, quanto mais governo, melhor. Não aceitam a idéia de alguém, além deles próprios, possam ter lucro com atividades produtivas, isto provoca o empobrecimento dos trabalhadores, e o enriquecimento dos “burgueses”. A cretinice míope dos vigaristas não consegue dar-se conta que é o lucro que faz com que hajam novas empresas, novos empregos, maior geração de renda, maior arrecadação de impostos e que, ao final, é o que empresta qualidade de vida ao cidadão.

Assim, houve um tempo no Brasil, não muito distante, em que o governo era dono inclusive de hotéis, só para se dar um exemplo. Leio no Globo que o governo Lula agora abriu até uma fábrica de camisinhas, isto mesmo, preservativos, a VENUSBRÁS. Ridículo é o mínimo que se pode dizer.

Geralmente, estas aventuras acabam dando com os burros n’água, e o final da novela é sempre o mesmo: empresas afogadas em prejuízos que acabam sendo engolidos pelo Tesouro, centenas quando não milhares de empregos de compadrio, além da péssima gestão, ou gestão de risco, uma vez que não tem compromisso com resultados (a não ser para os pendurados nas mamatas).

Aliás, as esquerdas adoram mamatas. No caso tupiniquim, a versão segue a fio o script dos sindicalistas: por estarem nas diretorias dos sindicatos, não precisam trabalhar, tem salário e empregos garantidos sem precisarem trabalhar. Mais gigolô do que isso, impossível.

No caso da TV Pública não será e nem está sendo diferente. Todos que já estão empregados chegaram sem prestar uma miserável prova de avaliação a não ser a de amor ao lulo-petismo. Competência é coisa secundária, o importante, é falar e escrever, e bem, sobre as glórias do senhor, no caso, o senhor chama-se Lula. No meu tempo de garoto, chamávamos esta turma de baba-ovo. Hoje são qualquer coisa parecida com seguidores, militantes, companheiros, etc.

Anunciou-se que o investimento inicial seria de R$ 350,0 milhões. Uma ova que fique apenas nisso. Não que o valor não seja suficiente, levando-se em conta que se montará o novo sistema a partir de uma estrutura já existente. Porém, investimentos públicos regra geral acabam sendo duplicados no correr do tempo. E, pelo orçamento de 2008, já foram adicionados mais R$ 150,0 milhões para a manutenção da tal TV.

O apelo inicial era de que a tv seria um modelo a se guiar pela BBC inglesa. Para quem pode assistir tv a cabo, meu caso, e conhece bem a qualidade dos documentários da BBC, seria inimaginável tivéssemos aqui algo sequer parecido. Contudo, sonhar não é pecado, portanto, poderíamos até dar crédito para a “intenção”. Porém, considerando-se as pessoas que lá estão, a intenção será apenas uma quimera, um sonho caro.

Assim, como curioso, de quando em quando procuro sintonizar em horários alternados o que estão exibindo. Diante da expectativa de que a tv se constituiria em veiculo de governo, e não de estado, o que se vê na telinha não difere desta expectativa. É isto mesmo. E nem poderia ser diferente. Sabemos que há uma tendência repugnante, de parte do governo Lula, de se “enquadrar” a mídia brasileira no que os esquerdista chamam de “democratização dos meios de comunicação”, e que, de maneira mais simples, prefiro chamar “censura”. Publica-se e noticia-se apenas aquilo que é do interesse do governo. Não interessa o povo, este é visto pelos brucutus apenas como massa de manobra, alvo das políticas públicas de supressão das vontades individuais e do senso crítico. Povo, para eles, tem mais é que aplaudir o governo.

Sabia-se que o projeto da tv pública tinha este sinal, de converter-se em instrumento de governo, mais especificamente em instrumento do petismo, do que outra coisa. E não é diferente. Não se precisa informar que a audiência magnífica é apenas um mero traço no IBOPE. Assim, a emissora do petê é, inegável constatar, um instrumento de propaganda partidária. Nada mais.

Quem bem resume este desperdício de dinheiro público, considerado aqui em relação ao interesse público, é o Reinaldo Azevedo:

"E sabem o que é o pior de tudo? Ninguém assiste à tal TV Pública. Tenta-se manipular o noticiário para dar traço no Ibope? Daqui a pouco, esse negócio é só mais um desses elefantes brancos, com milhares de empregados que jamais poderão ser demitidos. Logo, seus atuais dirigentes se aboletam numa associação qualquer de funcionários da própria TV Pública e viram diretores de sindicato. E estarão com a vida ganha para sempre."

"Nós pagamos a conta."

É preciso lembrar ainda que a idéia só brilhou a cabeça de Lula e dos petistas a partir do escândalo do mensalão, quando o governo se viu entrincheirado, não por culpa da imprensa, que apenas cumpria seu dever de informar. Ocorre que para esta gente, a “informação” significa apenas manipular. A informação deve ser veículo de propaganda. Como as tentativas do governo de cerceamento à liberdade de expressão, manifestadas em duas ocasiões ainda no primeiro mandato, acabou resultando em forte reação contrária, a idéia foi deixada de lado, porém, jamais abandonada. Haverá novas tentativas, e por certo, novos confrontos. A torcida é para a vitória do direito expresso na Constituição.

Não há mais espaço no mundo, pelo menos no democrático e livre, para governos autoritários, ou com aspirações autoritárias, criarem o modelo nazista de propaganda. Ou, ao estilo linha dura implantada pelo regime militar no Brasil, durante o período 64-85.

Contudo, como a verdade por mais que a sufoquem, cedo ou tarde, acaba prevalecendo e dando o ar de sua graça, mesmo sem ainda estar estruturada, a tal TV pública, dá mostras a que veio, e qual realmente é o conceito que irá imperar, tornando-a em instrumento de propaganda política do petismo, e que servirá para “premiar” os companheiros jornalistas submetidos ao tacão estatal.

No post seguinte, Luiz Lobo, primeiro âncora da tevê do petê, conta o que acontece naquele subterrâneo ao Daniel Castro da Folha de São Paulo. Em duas outras reportagens, ambas versando sobre o mesmo tema, o relato de Eugênio Bucci, que comandava a estatal Radiobrás durante o primeiro mandato de Lula, em reportagens do Estadão e Tribuna da Imprensa, demonstrando e deixando bastante claro p inferno que viveu e alguns “detalhes” do pensamento imperial do governo Lula e sua tendência cretina de manipular a informação. Leitura obrigatória para quem pretende fazer uma adequada leitura dos riscos que pairam sobre as liberdades garantidas em lei, mas que o governo atual tentará converte-las às suas conveniências de cunho exclusivamente partidário, Não há como negar que, a ideologia que vigora nas entranhas do governo, é a que segue a linha autoritária de poder. E isto tem nome, e não se chama democracia. Ah, isto não, de jeito nenhum !!!

Jornalista acusa Planalto de interferir na TV Brasil

Daniel Castro, Folha de São Paulo

"Não podíamos falar dossiê, mas "levantamento sobre uso dos cartões", diz Luiz Lobo

De acordo com Lobo, nas reportagens sobre Planalto, Presidência, economia e política, "há um cuidado que vai além do jornalístico"

Primeiro âncora da TV Brasil, o jornalista Luiz Lobo, 42, afirma que o Palácio do Planalto interfere no jornalismo praticado pela TV pública federal, lançada pelo governo Lula, em dezembro, com a promessa de que não seria uma emissora chapa-branca. "Existe, sim, interferência do Planalto lá dentro. Há um cuidado que vai além do jornalístico", afirma.

Lobo foi demitido na última sexta-feira, segundo ele, por ter resistido às interferências. Afirma que o Planalto controla o conteúdo das reportagens por meio da jornalista Jaqueline Paiva, mulher do também jornalista Nelson Breve, assessor de imprensa da Presidência da República. Lobo era também editor-chefe do "Repórter Brasil", primeiro e único, até agora, programa da TV Brasil. Jaqueline ocupa o cargo de coordenadora de telejornais.

Lobo diz que a "pressão" aumentou nas últimas duas semanas, quando a crise dos cartões corporativos atingiu a ministra Dilma Rousseff, com o vazamento de um dossiê, elaborado pela Casa Civil, de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher, Ruth Cardoso.

"Não podíamos falar em dossiê, mas em "levantamento sobre uso dos cartões". Depois, a orientação era falar "suposto dossiê'", relata Lobo.

Autonomia
"Todo texto sobre Planalto, Presidência, política e economia tem que passar por ela [Jaqueline Paiva]. É ela quem edita, faz as cabeças [a introdução das reportagens de televisão, lida pelo apresentador]. Existe um poder dentro daquela redação. Eu era editor-chefe, mas perdi autonomia até para fazer a escalada [as manchetes de um telejornal]. A Jaqueline muda os textos dos repórteres freqüentemente. Há muita insatisfação entre os jornalistas", afirma.

Outro exemplo de interferência, de acordo com Lobo, foi a orientação para, nas reportagens sobre deficiências da saúde pública, informar que o setor sofreu um corte orçamentário devido ao fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). A derrubada da CPMF foi uma vitória da oposição.

"Fizemos uma reportagem falando que a verba do SUS [Sistema Único de Saúde] acabaria antes do fim do ano. A Helena [Chagas, diretora de jornalismo da TV Brasil] me chamou na sala dela e disse que era um absurdo uma matéria daquelas ir ao ar, porque em nenhum momento mencionava a falta dos bilhões da CPMF", diz.

Lobo e Jaqueline Paiva travavam embates quase diários na redação de Brasília da TV Brasil. Para o jornalista, a função de Jaqueline deveria ser a de dar direcionamento ao telejornal, não a de editá-lo. "Nunca gravei nem uma nota que ela [Jaqueline Paiva] não revisasse. Não vou dizer que fui um editor-chefe de faz-de-conta porque lutei muito", afirma.

Para Lobo, o espaço dado à oposição na TV Brasil é um disfarce. "A forma que se encontrou para mostrar que a TV não era chapa-branca foi ouvir os dois lados. Mas isso é obrigatório no jornalismo."

A demissão de Lobo ocorreu dois dias depois de ele, como conta, ter relatado interferências a Orlando Senna, diretor-geral da TV Brasil.

O jornalista, que trabalhou durante seis anos na PBS (TV pública americana), afirma que continua acreditando no projeto: "Sou defensor da TV Brasil. Ainda acredito no projeto de uma TV pública. Mas de domínio público, não estatal".

Livro revela pressões de Lula, Dirceu e Berzoini sobre Radiobrás

Daniel Bramatti , Estadão

No dia 15 de junho de 2004, o então todo-poderoso ministro José Dirceu mandou um bilhete para seu colega Luiz Gushiken para se queixar de que a Radiobrás, empresa de comunicação do governo, havia se transformado em um órgão de “oposição”. Um ano depois, também por escrito, o mesmo Gushiken recebeu de Ricardo Berzoini, então ministro da Previdência, uma reclamação semelhante: na cobertura de uma paralisação de servidores federais, a estatal estaria fazendo “propaganda” de um movimento “puxado pelo PSTU e PFL”.

Em dezembro de 2005, o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou - não pela primeira vez - sua contrariedade com a Agência Brasil, órgão oficial cujas chamadas estariam “piores que as manchetes dos jornais que mais criticam o governo”.

O alvo das pressões era o presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, que desde 2003 se dedicava a uma tarefa tão complexa quanto inusitada: combater, nas entranhas de uma empresa do próprio governo, o chamado jornalismo chapa-branca - governista, de tom bajulatório e promocional - e promover, em vez disso, o apartidarismo e a impessoalidade na produção do noticiário. Para Bucci, a Radiobrás deveria atender não às autoridades, mas aos cidadãos e ao seu direito à informação.

Apoiada por Gushiken, a iniciativa foi bombardeada por outras estrelas da cúpula do PT e por pelo menos um dos especialistas em comunicação do partido, que assessorava o próprio Lula. Era vista, no mínimo, como “ingênua” por petistas que viam a prática de jornalismo crítico como um reforço para o arsenal dos adversários.

Mas Bucci manteve o rumo. Diferentemente de muitos de seus detratores, permaneceu no cargo durante todo o tempo que quis - quatro anos e meio - e indicou o sucessor. Ele relata as resistências que encontrou e os avanços que pôde promover no livro Em Brasília, 19 horas (Editora Record), que chega às livrarias nos próximos dias e tem como subtítulo A guerra entre a chapa-branca e o direito à informação no primeiro governo Lula.

O ex-presidente da Radiobrás afirma que Lula dava apoio ao seu projeto ao manifestar, em repetidas ocasiões, que o que é verdade tem de ser publicado. “Nunca o presidente pediu que a Radiobrás deixasse de dar alguma notícia, nem sugeriu que direcionássemos o noticiário para proteger as autoridades.” Mas o próprio livro mostra que o petista reclamava de notícias verdadeiras que incomodavam o governo.

“Pô, Eugênio, como é que a Radiobrás foi dar aquela declaração do Nilmário?

...) As pessoas vêm reclamar comigo, me perguntam se não tem ninguém lá de confiança que olhe isso.” Foi assim que Lula reagiu, no final de 2003, a uma dessas notícias incômodas.

O presidente se referia a uma entrevista de Nilmário Miranda, então secretário de Direitos Humanos, na qual ele atribuía o aumento do trabalho infantil no início da gestão Lula ao ajuste econômico promovido pelo governo. Publicadas pela Agência Brasil, as declarações logo repercutiram. “Ponderei que, se a Radiobrás tivesse de manter em seus quadros equipes para avaliar a pertinência da fala de ministros, uma sandice ganharia institucionalidade”, relata o autor no livro.

Por ignorar o lobby pela instalação de um “filtro governista” na estatal, Bucci poderia ter caído em desgraça, mas manteve seu prestígio no Planalto. Em setembro de 2004, foi convidado a escrever o discurso que Lula leria em um evento da Associação Nacional de Jornais. Com uma enfática defesa da liberdade de imprensa, o discurso repercutiu positivamente, na avaliação do governo. No dia seguinte, o presidente telefonou a Bucci para agradecer.

No livro, o ex-presidente da Radiobrás dá uma possível explicação para sua sobrevivência, apesar de ter vivido “sob fogo cerrado do governo” - título de um dos capítulos da obra. “Tenho absoluta consciência de que, se me mantive no cargo até 2006, devo isso à constância do presidente, que não cedeu a pressões que tinham por objetivo me destituir e quebrar a coluna vertebral da minha gestão. No fim das contas, não descarto a hipótese de o Café com o presidente, epicentro da ambigüidade em que tive de navegar, ter ajudado na sustentação que acabei por merecer.”

O Café com o presidente é um programa semanal de rádio produzido pela Radiobrás e veiculado em diversas emissoras. Seu conteúdo costuma repercutir em jornais e TVs. Lula é entrevistado no programa, mas a pauta é previamente discutida - só fala o que quer, quando quer.

“O prestígio (junto ao Planalto) gerado pelo Café não decorria dos seus alegados méritos jornalísticos, mas dos seus efeitos propagandísticos. Com isso, ele valorizou a Radiobrás, mas, ao mesmo tempo, contribuiu para que ela fosse vista como parte da máquina de propaganda do governo”, reconhece Bucci no capítulo intitulado O cafezinho da ambigüidade.

Para implantar seu projeto, Bucci não enfrentou apenas pressões políticas. Foi preciso mudar os padrões de apuração e redação de notícias e convencer os funcionários de que sua função não era servir as autoridades - um processo nada simples, já que, “aos olhos da direita e da esquerda, era assim porque sempre tinha sido assim”. Nas palavras de Bucci, o governismo era uma “cultura ancestral tão pesada quanto um continente”. Na semana passada, uma das manchetes no site da Agência Brasil era Líder do PSDB quer explicações de Dilma sobre autoria do dossiê. Ou seja, a agência de notícias do governo chama de dossiê o que o próprio governo nega ser dossiê - sinal de que algo mudou na “cultura ancestral”.

Assessor de Lula quis pautar Agência Brasil

Tribuna da Imprensa

SÃO PAULO - Eugênio Bucci tem uma teoria para explicar a difícil convivência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a imprensa no primeiro mandato - período em que deu poucas entrevistas coletivas, ameaçou expulsar o correspondente do "New York Times" e foi acusado de tentar cercear a atuação dos jornalistas ao propor que a profissão fosse fiscalizada por um conselho.

Para o ex-presidente da Radiobrás, a "dieta informativa" servida ao presidente todas as manhãs colaborou na formação de um clima de animosidade. "Ela se chamava Carta Crítica e consistia num documento confidencial de aproximadamente duas páginas em papel ofício. A pretexto de analisar o noticiário do dia, lançava reprovações severas aos métodos dos repórteres, ao pensamento dos colunistas e aos donos de jornais", descreve Bucci.

O relatório, encaminhado a Lula de 2003 a 2006, era produzido por Bernardo Kucinski, militante do PT e professor da Escola de Comunicação e Artes da USP. Criticava não apenas o noticiário da "grande mídia", mas também o produzido pela Radiobrás.

Segundo Bucci, que teve acesso a algumas edições da Carta Crítica, ela continha "algumas das manifestações mais explícitas da mentalidade autoritária" que se opôs ao projeto de tirar o tom governista do jornalismo da empresa.

No final de 2004, Bucci teve acesso a uma Carta Crítica que censurava a Agência Brasil por não cobrir a chegada de reforços para as tropas brasileiras no Haiti - omitindo o fato de que a Agência vinha dando extensa cobertura à atuação dos militares brasileiros no país.

O relatório também criticava a agência por ter noticiado a ida de uma delegação do PT ao Haiti, o que teria dado "munição" para que a imprensa estrangeira especulasse sobre uma suposta tentativa do Brasil de trazer o país para a órbita da esquerda latino-americana.

No livro, Bucci rebate as acusações e se inspira nesse exemplo para descrever o que chamou de "sete pecados capitais do autoritarismo de esquerda". Em julho de 2005, Kucinski enviou a Gilberto Carvalho, assessor de Lula, uma carta para manifestar seu desagrado com a "postura editorial equivocada" da Agência Brasil e mostrar como deveria ocorrer a edição.

Segundo a receita, o ideal seria dar destaque a "quatro pautas positivas", que "quebrariam o enquadramento negativo da mídia nacional do que se passa no país". E acrescentou: "Registre, para todos os efeitos, que a direção da Radiobrás imprimiu uma determinada direção à cobertura da Agência Brasil, chamadas por eles de jornalismo público, que, além de executada de modo incompetente e não atender nossas necessidades de comunicação, nunca recebeu mandato explícito do governo".

Kucinski não quis comentar o relato de Bucci. Os "sete pecados capitais do autoritarismo de esquerda", segundo Bucci, são:

1. O esquecimento proposital - Sonegar a história e ocultar os fatos que não convêm ao argumento;

2. O coletivo compulsório - Dizer "nós" para impor obediência e intimidar a divergência;

3. A futrica instrumental - Semear a intriga palaciana para prejudicar os que pensam diferente;

4. A apologia do aparelhismo - Promover - abertamente ou, se necessário, de forma dissimulada - o uso dos meios de comunicação públicos para fins do grupo de governo;

5. O ódio à imprensa - Banir a reportagem e profetizar que todo jornalismo será castigado;

6. A arrogância sem substância - Desdenhar do outro para desqualificá-lo;

7. Condenar a priori - Acusar pelas costas, na escuridão, sem provas e sem tolerar o direito de defesa.