quinta-feira, março 01, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Lula prometeu 5%, mas PIB cresce só 2,9% em 2006

A economia brasileira registrou em 2006 uma expansão de somente 2,9% em relação a 2005. A aumento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro é apenas metade do crescimento econômico mundial (5,1%, segundo estimativas do FMI). A taxa é bem distante dos 5% prometidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2006.
.
A tímida expansão da taxa do PIB (a preços de mercado acumulado no ano de 2006) resultou da elevação de 2,7% do valor adicionado a preços básicos e do aumento de 4,4% nos impostos sobre produtos. Decorreu, basicamente, do desempenho dos três setores que o compõem: agropecuária (3,2%), indústria (3,0%) e serviços (2,4%).
.
A taxa do PIB do quarto trimestre em relação ao terceiro trimestre de 2006, com ajuste sazonal, alcançou 1,1%, e, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, cresceu 3,8%.
.
Na mesma comparação, a indústria e o setor de serviços apresentaram crescimentos de 1,6% e 0,8%, respectivamente, enquanto a agropecuária registrou variação de 0,2%.
.
Em relação ao 4º trimestre de 2005, PIB cresceu 3,8%. O valor adicionado a preços básicos teve aumento de 3,6%, e os impostos sobre produtos, uma elevação de 5,6%.

***************
.
Brasil cresce abaixo da média mundial desde 1996
Fonte: BBC Brasil

Com a expansão do PIB (produto Interno Bruto) de 2,9% em 2006 anunciada nesta quarta-feira, a economia brasileira completa onze anos de crescimento abaixo da média mundial.

Entre 1996 e 2006 a economia mundial cresceu em média 4% ao ano, enquanto a brasileira teve uma expansão de 2,3% ao ano. Os valores foram calculados a partir de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em nenhum ano desse período o Brasil cresceu em ritmo superior ou igual ao da economia global. Em 2006, o FMI estima que economia mundial tenha ficado 5,1% maior.

Um estudo do FMI com 177 países também coloca o Brasil no número 142 entre no ranking de cerscimento econômico dos últimos dez anos.

Lula x FHC
Nos últimos quatro anos, primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a economia brasileira cresceu em média 2,6% ao ano.
.
Média parecida com a dos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, quando a expansão média da economia foi de 2,7% ao ano - 4% em média no primeiro mandato e 1,7% no segundo.

O crescimento brasileiro despencou a partir da década de 80, depois de manter uma média anual de 7,1% nas décadas de 50, 60 e 70.

Na década de 80, a média foi de 3%, na de 90 caiu para 1,8% e entre 2000 e 2006 o crescimento foi de 2,7% ao ano.

Brasil x América Latina
"O Brasil tem um dos crescimentos mais baixos do mundo e não tem tomado medidas para aumentar este crescimento", afirma o economista Ricardo Amorim, diretor de Pesquisa e Estratégia para América Latina do banco WestLB em Nova York.

Desde 2003, o Brasil tem crescido menos do que a América Latina todos os anos. O País também cresceu menos do que a região na média acumulada desde 1980.

Enquanto a América Latina teve uma expansão média de 2,5% ao ano, o crescimento brasileiro foi de 2,4% no mesmo período.

**************

A lógica de Banânia
Reinaldo Azevedo

Eu não sou especialista em economia, é claro. Só me interesso por textos. E por lógica.
.
Trecho do Estadão On Line: “O deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP) comentou que o crescimento do PIB de 2,9% em 2006 mostra que o Brasil consolidou a estabilidade econômica. Segundo ele, a economia brasileira hoje ‘está mais consistente’. Na avaliação do ex-ministro, o desafio agora é potencializar o crescimento econômico. Palocci destacou que as taxas de juros estão em processo de queda, a inflação está sob controle e as taxas de investimento no País estão aumentando.”
.
Ótimo. Há acima uma estrutura binária, posta numa relação de causa e efeito: o crescimento decorre da estabilidade. Fosse outro o fruto, outras seriam as condições da matriz de que ele deriva. O que seria um crescimento vindo da “instabilidade”? Ele seria de 7% ou de 1%. O leitor esperto pode responder: “Depende. Se você provoca uma bolha, pode-se crescer muito num ano e nada no seguinte, caracterizando o tal stop and go que tem marcado o Brasil: a instabilidade tanto gera crescimento que não se sustenta como baixo crescimento”. E isso é verdade, leitor sagaz. O que ainda não entendi é como 2,9% de crescimento, com uma média, em quatro anos, de 2,65%, é uma prova de virtude.
.
Li outro dia um texto de um economista muito afinado com o petismo. Ele estava inconformado com esse negócio de comparar o Brasil com o mundo. No caso da China, lembrava em que condições se faz política econômica: debaixo de uma ditadura. Também abordava a bagunça russa. Não sei se sabem: tenho um texto (para ler com tecla SAP) intitulado: “Por que quero destruir a China”. Já faz uns três anos. Assim, não tenho nenhuma simpatia pelo “Império do Mao-Mal”. Não me conformo — e considero um vício da auto-complacência — é com a máxima de que os outros países crescem mais por causa dos seus defeitos, enquanto o Brasil cresce menos por causa de seus virtudes.

Outra desculpa esfarrapada

Editorial do Estadão
.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - não há como evitar a expressão - é dose. Ele não consegue formar o Gabinete do segundo mandato porque, logo depois da reeleição, prometeu um Ministério para a ex-prefeita Marta Suplicy, descobriu tardiamente que não tinha onde encaixá-la sem criar problemas para o seu governo, enquanto o PT encampava a sua indicação; porque não sabe como contemplar o PMDB dos senadores Renan Calheiros e José Sarney sem magoar o PMDB do deputado Michel Temer, enquanto espera que o partido o substitua no comando pelo seu preferido Nelson Jobim; porque precisa dar uma vaga ao PDT, o mais novo membro da ampla coalizão lulista de 11 legendas, mas o pedetista que tem em mente não é o pedetista que os pedetistas querem ver ministro; porque, se dependesse dele, não haveria reforma ministerial, mas isso é impensável para os sôfregos partidos da base expandida; porque lhe falta aptidão para negociar, mesmo a partir da mais privilegiada das posições políticas concebíveis no presidencialismo; porque lhe falta aquela liderança que não advém exclusivamente das ruas e das urnas e que, diferentemente do que possa imaginar, não é sinônimo de popularidade; porque, em suma, tem horror a tomar decisões quando as decisões têm custo diferente de zero.
.
Mas não é nem por tudo isso que o presidente é dose. O termo se aplica em razão do seu comportamento no mais arrastado processo do gênero de que se tem notícia na história republicana. E a tônica desse comportamento é o absoluto pouco-caso com a credulidade, o discernimento e a paciência da opinião pública. Lula diz hoje uma coisa, amanhã outra, trata de espalhar versões sobre o que pretende apenas para mandar desmenti-las na primeira oportunidade, alardeia que o governo funciona que é uma beleza, quando até o mais distraído dos contínuos da Esplanada sabe que a administração parou à espera do que trará o dia seguinte, ou a semana seguinte, ou o mês seguinte. E, de volta ao velho estilo, ele culpa os outros pelo nó que mantém atado, cultivando o pensamento mágico de que o tempo se incumbirá de desfazê-lo. No mensalão, a culpa foi dos traidores que Lula não se deu ao trabalho de identificar; no dossiê Vedoin, culpados foram os aloprados do comitê central de sua campanha; agora, as nomeações não se consumam porque esses políticos ficam entrando e saindo dos partidos, deixando-o sem saber, pobre dele, com quantas divisões ficará cada qual no Congresso e, portanto, que pedaço do butim cada qual fará por merecer.
.
Assim como quis acondicionar em algodão e celofane as evidências de caixa 2 no PT, falando em 'recursos não contabilizados', agora, em vez do chulo troca-troca com que o público em geral se refere ao ir-e-vir dos deputados, Lula cunhou a elegante e eticamente neutra expressão 'processo de alinhamento' partidário. Só quando terminar 'esse movimento dentro dos partidos políticos', disse Lula no seu programa Café com o Presidente, terá 'mais tranqüilidade para definir a montagem do governo'. É dose dupla. Primeiro, porque o autodenominado paladino da moralização dos costumes políticos - mediante uma reforma que, entre outras novidades, coibiria a infidelidade partidária - trata dessa patologia do sistema como se fosse a coisa mais natural e menos reprovável do mundo. Segundo e pior ainda, porque sugere que não tem nada com isso. O Globo de ontem informava, porém, que 'o Planalto tem estimulado o crescimento de algumas legendas aliadas, principalmente o PR (ex-PL)'. O novo partido do vice José Alencar elegeu 25 deputados. Está com 33. Pretende chegar a 45. 'O governo pensa também em vitaminar o PAN, que só elegeu 1 deputado, já está com 5 e pode ganhar o reforço do ministro Walfrido Mares Guia.'
.
Descontados o eufemismo e o cinismo, o 'processo de alinhamento' é uma desculpa esfarrapada para a incapacidade presidencial de escolher o seu time. Em comparação com a esbórnia no seu primeiro governo, o processo é café pequeno. Até a denúncia do mensalão, mais de 100 dos 513 deputados foram incentivados a mudar de legenda. Agora, as trocas são da ordem de 20. Muito pouco para travar a definição de um Gabinete. Mas desde quando os fatos impediram Lula de dizer o que quer?

O governo em licença-prêmio coletiva

por Villas-bôas Corrêa, no Jornal do Brasil
.
Adepto confesso da tática escapista de empurrar as decisões com a barriga, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de justificar, com o malabarismo do jogo de palavras, os sucessivos adiamentos da reforma ministerial que rola em ladeira suave há mais de 100 dias, desde a reeleição com o recorde dos mais de 60 milhões de votos.
.
Enquanto sorvia os goles do café do seu programa radiofônico, amontoou os cascalhos das justificativas na série de lances de chefe de Estado. Mestre na nobre arte de esgrimir o vernáculo, a cada pronunciamento a fila das procrastinações coleciona um novo apelido: da consolidação da base partidária para sustentar a epopéia do Programa de Aceleração do Crescimento (consagrada na sigla eufônica de PAC) passou de raspão pela espera do troca-troca do nosso sólido sistema partidário e agora estaca, com o tranco do freio, no processo de realinhamento partidário.
.
À espera do realinhamento partidário do Congresso - que não cultiva a fidelidade às legendas de portas escancaradas, como as casas que recebem hóspedes - a remontagem do mitológico monstrengo do maior ministério de todos os tempos, com gabinetes divididos em tabiques que separam os 34 ou 35 ocupantes em ministros e secretários com status de ministro, pode demorar dias, semanas, meses.
.
Na verdade, com ou sem reforma, não está fazendo falta. O presidente encontrou uma dirimente catita para a lenta caiação: a rotina administrativa está sendo empurrada com razoável eficiência. O que não é bem assim. Por linhas cruzadas, a ressalva foi explicitada na corajosa declaração do diretor da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Waldemar Araújo, ao analisar os índices de acidentes nas rodovias federais nos seis dias da operação no período do carnaval: subiram para 2.417 acidentes contra os 2.336 do ano passado, um crescimento de 8%. Mas o diretor da CNT vai mais fundo ao desmascarar o otimismo da Polícia Rodoviária Federal sobre a melhoria das condições da rede rodoviária com a operação tapa-buraco, peça da campanha da reeleição. E bate firme na bigorna: "Não é verdade, foi uma pseudo-melhoria". E, no fecho: "O asfalto foi apenas recauchutado. O motorista pegou trechos ruins e depois, nos trechos melhores, tenta recuperar o atraso correndo muito e acaba batendo".
.
Não é tudo. Falta o melhor. Ao esticar a recauchutagem ministerial até onde o elástico suporte, o presidente está oferecendo de bandeja ao distinto público duas prendas interligadas. A que o país saboreia com gosto e gula é o recado de tranqüilidade de um governo tão sereno que se permite ao requinte de conceder-se uma informal licença-prêmio coletiva.
.
Na moita, sem alardear a sua fina sabedoria, desde a campanha eleitoral, emendando na reeleição e na posse com a transferência da faixa de uma mão para a outra, toca o expediente mínimo, com a exceção do núcleo do Planalto, comandando pela virtual presidente em exercício - a poderosa Chefe do Gabinete Civil, ministra Dilma Rousseff, que articula as manobras para a acomodação dos aliados no balaio oficial. Lula desativou o governo à meia-bomba há mais de três meses.
.
No Congresso, a crise ética que bateu os recordes de desmoralização espreme os novos dirigentes das duas Casas no constrangimento de mostrar serviço nos estreitos espaços de manobra. A vassourada para valer teria de começar pelo enxugamento da cascata das mordomias, vantagens, benefícios e outras mutretas que enfeitam o mandato parlamentar com as miçangas de um dos melhores empregos do mundo, com ganhos mensais que dançam ao redor dos R$ 100 mil.
.
Mas a verba indenizatória para ressarcir as despesas no fim de semana na base eleitoral ou a escabrosa verba para a contratação de assessores para os gabinetes de suas excelências são tão intocáveis como a semana útil de dois a três dias. O jeito é cuidar da faxina da copa e cozinha, em meio à resistência do corporativismo de gula insaciável.
.
Governo e Congresso não cuidam da opinião pública. Não duvido que o presidente acredite piamente que o minueto da troca de ministros seja um assunto apaixonante que alimenta polêmica nas esquinas, a discussão nos botecos, nas reuniões familiares e nas rodas de amigos. Com as torcidas a favor e contra lideranças do porte do deputado Geddel Vieira Lima, flor do PMDB baiano, ou do petista Walter Pinheiro - apenas exemplos colhidos ao acaso no cesto dos notáveis.

TOQUEDEPRIMA...

Só perdemos para o Haiti

O índice de repetência do Brasil agora só não é maior que o do Haiti. E o último Enem atestou que a qualidade do ensino despencou. Mas o ministro Fernando Haddad (Educação) continua fortalecido. Apesar dos péssimos indicadores, o presidente Lula não só não menciona Haddad, mas nem sequer reuniu o ministério para examinar o problema.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Nas inúmeras vezes que aqui se disse que estávamos mais próximos do Haiti e da Somália, muitos torceram o nariz. Mas a dado novo dado deste governo, mais e mais esta tendência se afirma. Estamos ficando para trás em tudo. Como já disse, com este governo, o caminho é só ladeira abaixo, mesmo !

******************

Deputados querem punir quem não respondeu à CPI dos Correios

Deputados da extinta CPI dos Correios devem cobrar na Justiça os responsáveis por órgãos públicos que ainda não responderam às recomendações feitas pela comissão. O relatório final da CPI, aprovado em abril do ano passado, indiciou mais de cem pessoas por envolvimento com o esquema do mensalão e fez uma série de recomendações ao Ministério Público e ministérios das Comunicações, da Fazenda e da Justiça.
.
Dados preliminares mostram que, das 19 autoridades que receberam o relatório, 15 não prestaram conta ao Congresso Nacional. O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), reconhece que houve atraso no envio do texto aos órgãos, mas afirma que o fato não justifica a falta de respostas.
.
“O levantamento que foi procedido indica que muito pouco se recebeu de retorno, embora haja uma lei que determine que, a cada seis meses, qualquer autoridade que tenha sido instada a tomar alguma providência precisa prestar informação à casa legislativa que promoveu a CPI”, explicou.
.
Os sub-relatores da CPMI dos Correios José Eduardo Cardozo (PT-SP) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) encaminharam ofício à presidência do Senado em busca de informações sobre o que foi efetivamente feito em relação às recomendações da comissão. Segundo Cardozo, os responsáveis pela omissão devem ser responsabilizados na Justiça.
.
“Seja quem for que tenha descumprido ou não tenha justificado o descumprimento em relação ao relatório trata o parlamento e o povo brasileiro com descaso. E nós não podemos tolerar isso. No que depender de nós, vamos agir na forma da lei, pedindo inclusive o enquadramento criminal”, afirmou o deputado.

****************

INSS: herança maldita

O ministro Nelson Machado (Previdência) quer que o Tesouro reembolse o INSS pelo que chama de renúncia concedida aos autônomos. Mas foi ele mesmo quem reduziu a contribuição dos autônomos a 50%, mantendo 100% do valor de benefício. De cara, ele criou uma renúncia, que não se sabe se será coberta pelo Tesouro, e legou às futuras gerações um novo déficit – um buraco espetacular que precisa ser tapado daqui a 35 anos.

COMENTANDO A NOTICIA: Nem se precisará esperar tanto tempo assim: em 15 anos, o rombo já começará a produzir seus efeitos danosos. Aliás, a “genialidade” deste ministro é um espanto, a tal ponto que ele consegue “achar” (aliás, só um mentecapto como ele o consegue) que, diminuindo 50% da receita mantendo a despesa intacta em 100%, tal medida pode dar certo. Omã ova, seu imbecil ! E mais imbecil ainda é querer transferir para o Tesouro o rombo provocado. E sabem por quê ? Porque agora quem pagará o prejuízo será TODA a nação. Quantos autônomos tem o país ? Pois então: dá-se um desconto de 50% para uma parte dos trabalhadores que são autônomas, ao custo de todo o restante do país pagar pela gentileza ! Um idiota deste “quilate” ser ministro do governo Lula, nenhuma surpresa. Neste governo se admite qualquer coisa idiota. Mas o manicômio donde deixaram sair esta múmia, é de espantar que não o tenham levado volta ! Acredito que as sindicatos e centrais sindicais deveriam era por a boca no trombone e berrarem contra esta indecência deste maluco, porque que será prejudicada é toda a classe trabalhadora. E cadê a oposição, santo Deus, que não diz e não faz nada ?

***************

A força das “bancadas informais”
De O Estado de S.Paulo:

"Com menos de um mês de rotina parlamentar, as bancadas informais já estão prontas para mostrar quem são os verdadeiros grandes partidos que atuam no Congresso, independentemente da sigla oficial. Há a bancada ruralista - um partido informal com 104 parlamentares; a bancada empresarial, que tem 120 representantes; a municipalista, com mais de 100; a sindicalista, barulhenta e sempre ativa, que dispõe de 60 eleitos, e a evangélica - que, envolvida em escândalos no ano passado, volta mais fraca, com apenas 36 fiéis. Já a bancada das comunicações volta bem forte, com mais de 100 participantes, entre os quais os ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor."

***************

Líderes da CUT em conflito
De O Estado de S.Paulo:

"A onda de invasões comandada pelo líder José Rainha Júnior no interior do Estado de São Paulo, durante o carnaval, pôs em conflito a direção nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e seus representantes na região. A coordenadora regional de Presidente Prudente, Sonia Auxiliadora, disse ontem que a entidade não vai se responsabilizar juridicamente pelas ações dos sindicatos que apoiaram a mobilização liderada por Rainha - na qual um total de 13 fazendas foram ocupadas no fim de semana. No fim da tarde, porém, a diretoria-executiva nacional da central divulgou nota em que apóia as ocupações realizadas no Pontal de Paranapanema, “por considerar justa a luta pela reforma agrária no Brasil”."

COMENTANDO A NOTICIA: Uma coisa é reforma agrária, outra, e bem diferente, é incitar a violência no campo com invasão de propriedades que ainda é crime segundo a lei em vigor. Deveriam era pressionar o governo federal (sempre tão defensor da reforma agrária quando na oposição), porque é que tem o poder de atender os pleitos do MSR, CUTs, CNBB. Inadmissível é invadir propriedades alheias produtivas como forma de pressão ao governo Lula. Vão lá e acampem no Palácio do Planalto ou mesmo no Palácio da Alvorada, mas deixem em paz quem tem terra, está trabalhando e produzindo o alimento nosso de cada dia.

***************

Falando asneiras:

"É esdrúxula!"
Deputado Fernando Ferro (PT-PE), sobre a PEC que extingue as medidas provisórias.

COMENTANDO A NOTICIA: É esdrúxula por que, cara pálida ? Seria a melhor coisa que poderia acontecer para o país começar a tomar jeito, ou seja, reduzir-se o poder do Executivo de legislar, e sempre, em causa própria. Se a intenção é a de devolver ao Legislativo sua função primordial, e restabelecer parte do equilíbrio entre os poderes, acabar-se com a medida provisória seria excelente. Nas democracias mais avançadas do mundo, tal figura não existe.

Há um total abuso no uso desta figura bizarra chamada de “medida provisória”. O Executivo tem na suas mãos um poder imperial que acaba anulando o chamado equilíbrio entre os poderes. Legislativo anda a cabresto do Executivo. Outra coisa que seria moralizadora é a questão do orçamento impositivo. Uma vez votado e aprovado, não seria mais alterado. Quanto a medida provisória, contudo, duvido que a bancada do PT vá deixar a idéia vingar. Quanto maior o poder de Lula, mais todos eles saem ganhando. Por vias indiretas, lógico...

Alteração da Cofins apenas acentuou distorção tributária

Editorial do Valor Econômico
.
Um dos exemplos das distorções do sistema tributário brasileiro foi expresso, de forma muito clara, na edição de segunda-feira do Valor, nos textos que analisaram o desempenho dos últimos anos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), hoje o segundo tributo de maior relevância para os cofres da União, atrás apenas do Imposto de Renda. Atualmente, a arrecadação da Cofins representa quase 25% do total recolhido pelo governo federal. Somada à de outro tributo que também incide sobre o faturamento das companhias - o PIS-Pasep -, sua participação na receita total do governo chega a 30%.
.
A evolução recente da Cofins chama a atenção pela sua velocidade: em 1992, a contribuição respondeu por 8,2% do total arrecadado, ou seja cerca de um terço do peso atual. Desde meados da década passada, medidas como elevações de alíquota, mudanças na forma de cobrança e ampliação da incidência praticamente triplicaram a participação do tributo no conjunto dos impostos federais.
.
Em 2003, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva instituiu a cobrança da Cofins sobre produtos e serviços importados, uma medida adotada supostamente para equalizar o tratamento tributário dado a mercadorias produzidas no país e no exterior. Na prática, a mudança diminuiu a competitividade dos importados no mercado nacional e rendeu à União uma arrecadação adicional, em 2004, de R$ 13,9 bilhões. Há três anos, atendendo a uma antiga demanda do setor privado, o governo tentou corrigir uma distorção da Cofins - a cumulatividade, que onera principalmente os setores da economia com cadeias produtivas mais longas e que agregam mais valor a seus produtos. Ao fazer a mudança, a Secretaria da Receita Federal, preocupada em não perder arrecadação, aumentou a alíquota da contribuição de 3% para 7,6% - um ano antes, havia feito a mesma mudança no regime de cobrança do PIS, elevando a tarifa de 0,65% para 1,65%.
.
O efeito da mudança na arrecadação foi extraordinário. Em 2002, a Cofins arrecadou R$ 52,2 bilhões. Quatro anos depois, esse resultado engordou 77%. Nenhum tributo avançou tanto no período quanto a Cofins. Ou seja, ficou evidente que houve um erro, talvez provocado por cálculos exagerados, ao se adotar uma medida que visava apenas evitar uma queda de arrecadação. Responsável pela formulação da mudança no regime de cobrança da Cofins - o assunto vinha sendo discutido desde a gestão de Fernando Henrique Cardoso -, o ex-secretário da Receita Everardo Maciel reconheceu, em entrevista ao Valor que o fisco exagerou na calibragem da alíquota.
.
Quando o governo concordou em acabar com a cumulatividade da Cofins, sabia que a mudança geraria ganhos para alguns setores e perdas para outros. Em linhas gerais, quem venceu foram os supermercados, que têm margem pequena de agregação de valor e as grandes empresas industriais. No grupo dos perdedores, estão os prestadores de serviços e o agronegócio, que agregam menos valor a seus produtos. Para esses setores, o aumento de alíquota teve impacto brutal. A situação chegou a um ponto que, recentemente, escritórios de advocacia tributária, instados por empresas do setor de serviços, solicitaram a Everardo Maciel a elaboração de uma proposta que permita ao setor voltar a pagar a Cofins de forma cumulativa. Poucas situações poderiam, dessa forma, ser mais emblemáticas de como funciona - mal - o sistema tributário no país: os próprios contribuintes querem voltar ao processo anterior de pagamento da Cofins porque as medidas que iriam resolver uma distorção acabaram por aumentá-la.
.
O caso da Cofins é apenas uma das reclamações do sistema produtivo sobre a carga tributária do país, uma das mais elevadas do mundo e que contribui de forma decisiva para que investidores internacionais procurem outras regiões para aplicar seus recursos em fábricas e outros empreendimentos. Os dados oficiais sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de 2006, que devem ser divulgados esta semana pelo IBGE, vão permitir os cálculos sobre a evolução da carga tributária no primeiro governo do presidente Lula. Infelizmente, o que se espera é - de novo - um aumento.

O chamado das bolsas

por Paulo Guedes, site Instituto Millenium

A economia globalizada, esse extraordinário organismo de crescente complexidade, é um universo em permanente expansão. Os colossais choques sistêmicos característicos de sua atual etapa neste início do século XXI são a maior disponibilidade de capitais financeiros, a abrupta elevação da oferta de trabalho e as inovações tecnológicas recorrentes, que tornaram relativamente escasso o empreendedorismo, o capital organizacional. As empresas existentes, globalmente visíveis nos mercados acionários, são doses concentradas desse escasso empreendedorismo e capital organizacional. São os veículos para a apropriação de lucros neste novo ambiente em formação.

Estes são os fundamentos, os motivos estruturais pelos quais as bolsas de valores têm subido bastante, por muito tempo e em todo o mundo. A alta ininterrupta do valor das empresas representa a expectativa de crescimento contínuo dos lucros futuros. Mas há também fatores conjunturais - porém de enorme impacto – responsáveis pela onda de liquidez que encharcou o mundo. O que explica a ameaça de uma correção nos mercados acionários pela remoção dessa extraordinária liquidez global, em campanhas de elevação dos juros pelos bancos centrais dos Estados Unidos, da Europa e do Japão.

Para o Brasil, em meio ao favorável ambiente externo, a alta das bolsas poderia sinalizar o início de um longo ciclo de crescimento, se o governo destravasse, com as reformas, suas armadilhas de caça aos empreendedores. Pois, quando o valor das fábricas existentes - embutido na avaliação das empresas em bolsas - está bem acima do custo de construção de novas fábricas, o prêmio ao empreendedorismo dispara encomendas para a construção dessas novas fábricas.

“A taxa de investimento – o ritmo em que os empreendedores desejam ampliar o estoque de capital instalado – depende da relação entre o valor atribuído ao capital existente e seu custo de reposição ou reprodução”, isto é, o custo de fabricação de novas instalações, segundo James Tobin, prêmio Nobel de Economia, em seu clássico “Uma formulação de equilíbrio geral para a teoria monetária” (1969).

O fenômeno é particularmente agudo no Brasil. Nos últimos 20 anos, os descaminhos financeiros da Nova República e a armadilha social-democrata de baixo crescimento foram letais para os empreendedores. Das 1.300 empresas listadas em bolsa no início dos anos 80, pouco mais de 300 sobreviveram. Mas agora, com a morte da inflação, a queda dos juros, o acúmulo de reservas e o câmbio flutuante, reduziu-se substancialmente o grau de incerteza dos empreendimentos no país.

“Sob o sistema de livre empresa, os homens de negócio se especializam na direção dos empreendimentos econômicos. Arregimentam uma combinação experimental de recursos – capital, trabalho, tecnologia, terra, recursos naturais -, garantindo uma renda contratual a cada um deles e assumindo os riscos do negócio. O lucro, se existir, é um retorno aos riscos incorridos”, afirma Frank Knight, em “Risco, incerteza e lucro” (1921). Por isso há uma enxurrada de novos lançamentos no mercado acionário, papéis de empresas marcando a chegada de empreendedores em resposta ao chamado das bolsas.

Lula cede à chantagem uruguaia

Mais uma sacada genial de Lula: “venceu” de novo cedendo à chantagem
Reinaldo Azevedo

O mito está de volta. Durante boa parte do primeiro mandato de Lula, a política externa brasileira, desastrada como é, era considerada a melhor área do governo, inclusive por jornalistas. Não li ainda o noticiário desta terça, mas sinto certa preguiça antecipada. Assim como a tungada da Bolívia no Brasil foi considerado um grande êxito do Apedeuta, o mesmo leremos sobre o Uruguai.Qual foi a grande vitória do Brasil? Ah, a mesma que ele conseguiu com a Bolívia: o país faz chantagem, e Lula “vence” fazendo concessões, entenderam? Desta feita, foi Tabaré Vazquez quem ameaçou: ou o Brasil cedia algumas facilidades, ou o irmão do Sul faria um acordo de livre comércio com os EUA fora do âmbito do Mercosul. Aí Lula assinou cinco acordos, que passam por investimentos brasileiros no Uruguai. E o país se comprometeu a respeitar a TEC (Tarifa Externa Comum) qualquer que seja o entendimento com os americanos — Bush estará no Uruguai dentro de 12 dias —, e fica, assim, provado, mais uma vez, que Lula realmente é dotado de poderes extraordinários.
.
Vem por aí o Paraguai. A energia de Itaipu que aquele país vende ao Brasil já se transformou em tema de campanha eleitoral.Quem diria? Somos vistos como o império de gente ainda mais miserável do que nós. Até aí, bem. O pior é o governo brasileiro acreditar nisso. O Uruguai está meio chateado porque, em 2006, o Brasil exportou pra lá US$ 1 bilhão, mas só importou US$ 618 milhões. A economia do país deve ser, assim, tão possante quanto a do bairro de Santo Amaro. E a culpa não é nossa. Aliás, a culpa nunca é de ninguém. Culpa, já escrevi aqui, serve mais à literatura. O Mercosul não é uma zona de livre comércio. Não consegue nem mesmo ser uma união aduaneira. E vai ser preciso equilibrar a balança dos países-membros?
.
Lula tem razão numa coisa: o Mercosul realmente tem sido de grande utilidade para os países mais pobres do... Mercosul. E está sendo um mau negócio ser o mais rico no meio dos pobretões.

Sobre os acordos com o Uruguai

Lula assina pacote de "generosidades" com Uruguai
.
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva levará hoje ao Uruguai sua política de "generosidade", com claro interesse de aquietar o mais insatisfeito sócio do Mercosul. A visita, devida desde 2006, dará ao presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, a chance de ver seus pleitos atendidos pelo governo brasileiro, de receber uma onda de capitais em seus parques produtivo e energético e de fechar um acordo bilateral de comércio e investimento.

Nas pouco mais de seis horas de permanência no Uruguai, Lula, em contrapartida, terá a oportunidade de arrancar do governo Vázquez alguma garantia de que não embarcará na negociação de um tratado de livre comércio com os Estados Unidos após a visita oficial a Montevidéu de George W. Bush, no próximo dia 9.

A estratégia certamente custará ao Brasil seu envolvimento na chamada guerra das papeleiras, disputa entre Uruguai e Argentina pela instalação de uma indústria de celulose na fronteira dos dois países. Vázquez receberá Lula e sua delegação na Estância de Anchorena, residência de campo da presidência uruguaia no Sul do país, próxima à área que motivou o "conflito" com os argentinos.

A visita será simultânea aos primeiros testes do maquinário da fábrica da finlandesa Botnia, o motor do conflito. Ocorrerá ainda a apenas dez dias da festejada assinatura, por Vázquez e Bush, do Acordo de Facilitação de Comércio e Investimentos entre o Uruguai e os EUA - acerto de efeito reduzido, mas visto por parte do governo uruguaio como embrião de um Tratado de Livre Comércio (TLC).

"O objetivo do Brasil será reverter o desencanto do Uruguai com o Mercosul, manter o processo de integração e permitir que todos os sócios tenham a percepção de que há equilíbrio nos benefícios gerados pelo bloco", disse o diretor do Departamento de América do Sul do Itamaraty, embaixador Ênio Cordeiro. "Se puder ser útil e facilitar os entendimentos, o Brasil estará à disposição", completou, referindo-se às papeleiras.

As queixas do Uruguai são conhecidas, se avolumam há mais de quatro anos e estão estampadas na balança comercial bilateral. Em 1998, o Uruguai exportou para o Brasil US$ 1,42 bilhão - a maior cifra histórica. O Brasil importou US$ 880,6 milhões em produtos uruguaios, o que rendeu ao vizinho um superávit de US$ 161,5 milhões. Desde então, as compras brasileiras despencaram. Só voltaram a crescer em 2006, quando chegaram a US$ 618,2 milhões. O saldo comercial, entretanto, foi negativo em US$ 387,9 milhões por conta do recorde de US$ 1,006 bilhão em exportação brasileira ao vizinho.

Os uruguaios queixam-se de legislações do Rio Grande do Sul e de controles federais, que atrapalham exportações de arroz e outros itens para o Brasil. Alegam que os órgãos reguladores brasileiros atuam em duplicidade e reclamam da tributação sobre serviços prestados no exterior - fato que inviabiliza o conserto, em estaleiros uruguaios, de navios da Petrobras.

Segundo Cordeiro, há boa vontade do governo brasileiro em resolver essas questões. Mas a tarefa não é nada simples. De efetivo, Lula deverá apresentar a Vázquez o apoio ao financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à venda de um jato Legacy para a presidência do Uruguai e de outros três aviões da Embraer para a companhia aérea Pluna, e a um projeto de estação de bombeamento de água potável.

Lula anunciará a instalação do escritório do Banco do Brasil no país - primeiro passo para a reabertura da agência, fechada há cerca de seis anos - e reforçará o interesse brasileiro em novos investimentos no Uruguai, sobretudo na área energética. A Petrobras promete construir uma usina termoelétrica com capacidade de geração de 200 megawatts no país vizinho, melhorar a distribuição do gás natural no país e instalar uma planta de desgaseificação.

O governo ainda estuda a construção de uma nova interconexão elétrica entre Candiota (RS) e San Carlos, do lado uruguaio, com capacidade de transmissão de 300 megawatts. Sexta-feira, os dois lados acertaram acordo de cooperação tecnológica brasileira na área de biodiesel, que deve ser firmado, hoje.

Na iniciativa privada brasileira há interesse na exploração de cimento no Uruguai - em especial, da Camargo Corrêa - e na reabertura de indústrias têxteis voltadas para a fabricação de fibras sintéticas. Desde o ano passado, o governo Lula tenta também convencer o Uruguai a acompanhar o Brasil na escolha do padrão japonês de TV digital, com o argumento de que a opção abriria oportunidades para o setor de software uruguaio conectar-se à cadeia brasileira.

"Todos satisfeitos"
Às vésperas da visita que fará ao Uruguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou amenizar o descontentamento do país vizinho com a evolução das relações comerciais no Mercosul. Em entrevista ao jornal "El País", o presidente disse que o Brasil tem aplicado esforços para solucionar as "assimetrias" na região e insistiu que os sócios do bloco devem estar satisfeitos. "Na visão do Brasil, todos os membros do Mercosul devem estar satisfeitos com os benefícios e vantagens obtidas dentro do bloco. Só assim permanecerão engajados no processo de integração", disse.

Lula aproveitou para manifestar a intenção de fortalecer o relacionamento bilateral com o vizinho. Mesmo assim, sugeriu que o Brasil deverá evitar um envolvimento na chamada "guerra das papeleiras", que marca disputa entre Argentina e Uruguai por investimentos no setor de papel e celulose. "Não corresponde a nós opinar sobre o que ocorre nos países vizinhos", disse Lula.

TOQUEDEPRIMA...

Gastos excessivos deixam rombo de R$ 11 bi
Veja online
.
Ao menos oito governadores e ex-governadores não cumpriram a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita os gastos públicos, e deverão ser chamados a se explicar nos Tribunais de Contas estaduais pelos gastos excessivos em 2006. Os casos mais graves são os do Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Rio, Alagoas e Minas Gerais: juntos, eles acumulam déficit de 11,3 bilhões de reais. Há problemas ainda na Paraíba e Pernambuco. Os números foram coletados pelas secretarias de fazenda estaduais e publicados nesta quarta-feira em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.

São Paulo é um dos raros casos de superávit entre as unidades da Federação: ao final de 2006, o Estado possuía 1,98 bilhão de reais em caixa. O montante, porém, chegou a ser maior no encerramento do mandato do Executivo anterior, em 2002: 3,26 bilhões reais.

Segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal, durante os últimos oito meses de governo nenhum administrador pode contrair despesa que não possa ser honrada até o fim do mandato em curso. Ele até pode deixar “restos a pagar” para o sucessor, mas desde que o dinheiro em caixa seja suficiente para quitá-los.

A regra foi introduzida com o objetivo de impedir que governantes não reeleitos esvaziassem os cofres públicos, prejudicando seus sucessores – e suas comunidades. Em 2002, 13 governadores encerraram seus mandatos deixando déficits para os sucessores, mas nenhum deles foi punido. Na época, os Tribunais de Contas interpretaram que os déficits eram “históricos” e não seria possível exigir sua eliminação imediata.

Alguns governantes que comandaram os Estados entre 2003 e 2006 conseguiram reduzir o rombo que herdaram. Em Minas, por exemplo, o tucano Aécio Neves recebeu de Itamar Franco um buraco de 4,1 bilhões de reais e reduziu-o para 2,3 bilhões de reais. Já no Rio e no Rio Grande do Sul as dívidas aumentaram, porque os governos continuaram gastando mais do que arrecadavam. No Rio, o déficit passou de 872 milhões de reais, em 2002, para 1,36 bilhão de reais, em 2006.

***************

Trabalhadores poderão vetar FGTS para infra-estrutura
Fonte: Agência Brasil

As centrais sindicais terão poder de veto sobre o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em projetos de infra-estrutura, que não tenham como foco a geração de emprego e outras contrapartidas sociais. O projeto de criação de um fundo de infra-estrutura está previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em janeiro pelo governo federal.

****************

Campanha de 2008 vai falar sobre aborto e eutanásia

SÃO PAULO - A Campanha da Fraternidade 2008 vai tocar em temas polêmicos. Com o lema "Defesa da vida", abordará assuntos relacionados à bioética e à biotecnologia, como aborto, eutanásia, uso de células embrionárias e pílula do dia seguinte.

As primeiras discussões foram levantadas no início do mês, quando um grupo de estudos formado por 16 pessoas - entre médicos, sociólogos e representantes de pastorais - reuniu-se para decidir os primeiros passos da campanha do ano que vem.

Como em todos os anos, a campanha prepara com antecedência um documento com base em reflexões teológicas e apresentação de ações sobre o tema escolhido. O texto de 2007, por exemplo, passou por dez revisões depois de pronto. Um resumo de 2008 deverá ser apresentado no fim de março. "Muitos já conhecem a posição da Igreja em relação ao tema de 2008. Mas poucos sabem que a Igreja tem propostas próprias para eles", explica o frei Antônio Moser, professor de Ética e Bioética em Petrópolis, que participa das reuniões.

De acordo com o frade, em relação ao aborto, por exemplo, a campanha não irá apenas negá-lo, mas apresentar propostas de como criar melhores condições psicológicas e materiais às mães. "Não será nada condenatório. Vamos mostrar que a Igreja não é contra ciência. Mas contra a ciência que é contra a vida", diz o frei Moser. "Não podemos nos colocar no lugar de Deus."

COMENTANDO A NOTÍCIA: Melhor fariam os senhores bispos da CNBB se ao invés de posarem de defensores da família e da moral cristã, se condenassem as ações protagonizados pelo Governo Lula no sentido de instalarem a liberdade ao aborto no país. Pior hipocrisia não pode haver quando apresentam campanhas como estas sem uma posição a quem realmente é o culpado nesta história. Qual o receio da CNBB, perder as gorjetas que recebe ?

******************

Associação americana critica brasileiros

A Associação Internacional de Pilotos de Linhas Aéreas divulgou boletim no final de janeiro alertando os pilotos associados dos riscos de voar no espaço aéreo brasileiro. A principal crítica foi para os controladores de vôo, donos de um inglês “limitado”, segundo o boletim. O documento recomenda aos pilotos que voarem no Brasil ou na fronteira do País atenção redobrada e o uso apenas de palavras ou expressões constantes no Código da Organização Internacional de Aviação Civil (Icao, em inglês), para evitar mal entendidos com os controladores de vôo. Sobrou crítica até para o governo. Segundo a associação, falta controle e fiscalização do governo brasileiro sobre o controle de tráfego aéreo.

***************

Carnaval leva R$ 87 milhões dos cofres públicos

O governo federal abriu mão, por conta da Lei Rouanet de “incentivo à cultura”, de nada menos que R$ 86,693 milhões em tributos para financiar o Carnaval deste ano. Os cofres públicos financiaram 78 “projetos carnavalescos” aprovados pelo Ministério da Cultura, de acordo com informações da Agência Brasil, o órgão oficial de imprensa do governo.
O mais beneficiado dentre os 14 estados contemplados foi, como era de se esperar, o Rio de Janeiro, que levou R$ 37,429 milhões. Isso equivale a 43% do volume de recursos. Logo depois vem São Paulo, com R$ 23,3 milhões, em terceiro Pernambuco, com R$ 9,5 milhões, e logo depois Bahia, com R$ 6,13 milhões.O “projeto carnavalesco” que contou com mais dinheiro de renúncia fiscal é o Carnaval Multicultural do Recife, que vai captar, ao todo, R$ 5,8 milhões sem pagar impostos. No entanto, 13 escolas de samba do Rio de Janeiro, juntas, foram autorizadas a arrecadar R$ 33,324 milhões isentos de tributos.

***************

Bando do Brasil

Depois de dar nomes de clientes - Joao, Paulo etc... - às suas agências o Banco do Brasil pode criar uma nova campanha para homenagear os "clientes" mais chegados ao presidente Lula, como Delúbio, Marcos Valério, Genoíno entre outros. Seria o chamado "Bando do Brasil". Nada mais apropriado.

A (in)justiça trabalhista

José Paulo Kupfer, NoMínimo

Todo mundo sabe que, no Brasil, quando o negócio é empurrar um assunto importante com a barriga, cria-se uma comissão para estudá-lo e, meses depois, oferecer um diagnóstico. Nem todos, porém, já se deram conta de que há outras maneiras de não sair do lugar, dando a impressão de que se está suando a camisa para emplacar mudanças.

Uma dessas maneiras, uma das melhores em circulação, é a das reformas. Para que nada mude mesmo, as reformas reclamadas devem ser, de preferência, completas, abrangentes, gerais e originais. Política, tributária, trabalhista, previdenciária, do Judiciário, penitenciária, do Estatuto da Criança e do Adolescente, sindical e mais uma penca de etecéteras – haja reforma para consertar o Brasil.

A Justiça do Trabalho é um bom exemplo do que se está querendo destacar. Um levantamento recente do sociólogo José Pastore, conhecido especialista em economia do trabalho, mostrou que, no Brasil, a cada ano, a Justiça do Trabalho acolhe 2 milhões de novos processos judiciais. É um recorde mundial escandaloso – nos Estados Unidos e na França o número fica pouco acima de 70 mil e no Japão mal passa de 2,5 mil por ano.

Cada juiz de primeira instância de acordo com o levantamento de Pastore, recebeu, em 2005, quase mil processos para julgar. No Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, a carga para cada magistrado chegou a absurdos 4.400 processos. De cada 100 mil habitantes, mais de mil tinham ações correndo numa das 1,3 mil varas trabalhistas instaladas no País, quase 300 tinham demandas rolando nos tribunais regionais (TRTs) e 69 em cada mil brasileiros aguardavam julgamento no TST.

Cômica, se não fosse trágica, é a estimativa de Pastore de que, para cada R$ 1 julgado, a Justiça do Trabalho gasta cerca de R$ 1,3. Quando se gasta mais para julgar do que com o julgado, não há dúvida que se bateu no fundo do poço. Em resumo, não há estrutura capaz de absorver tal avalancha de demandas.

O negócio, então, é partir para a solução mágica da reforma. É mesmo? Bem, então a reforma exigida é a da Justiça do Trabalho, certo? Claro que não. Dizem os doutos que o quadro caótico da Justiça trabalhista é conseqüência da má qualidade da legislação – anacrônica, ultrapassada, detalhista, irreal.

Conclusão dos sábios: é urgente reformar a legislação trabalhista e adequá-las ao mundo moderno e globalizado. O problema, segundo eles, não é o mau funcionamento da Justiça, mas uma legislação com direitos demais. A lógica é irretocável: menos direitos menos demandas. Será?

Agora vamos olhar o problema mais de perto – e com menos preconceitos e menos soluções prontas para ferrar com os mais indefesos. Dos 2 milhões de ações que ingressam na Justiça todos os anos, metade é resolvida por acordo na primeira instância. Hum, o problema é do excesso de direitos previstos na legislação ou da simples falta de um mecanismo de solução de conflitos que precedesse os recurso aos juízes?

Em outros países existe a figura da arbitragem, que resolve conflitos antes da instância judicial. É por isso – e nem tanto pela legislação mais “flexível” – que o número de demandas na Justiça é muito inferior ao registrado no Brasil. O curioso que aqui também tem comissão de conciliação e arbitragem (elas são chamam, pomposamente, Comissões de Conciliação Prévia – CCP). Só que não funciona – ou só funcionam, conforme o presidente da CUT, Artur Silva Santos, “como meio de advogados picaretas ganharem dinheiro”. Santos dispõe de estatísticas mostrando que 70% das ações na Justiça Trabalhista dizem respeito a isonomia de cargos e salários, horas extras e outras questões que poderiam ser resolvidas no próprio local de trabalho.

Por que as CCPs não funcionam? Porque, mesmo depois de um acordo na fase de arbitragem, as partes podem recorrer à Justiça, sem qualquer ônus ou risco. Que tal então determinar em lei que, depois da decisão acordada na fase de arbitragem, o recurso ao juiz só poderia ser feito com o depósito de uma quantia em dinheiro alta o suficiente para fazer o cidadão pensar duas vezes antes de recorrer? Ou que o ingresso na Justiça de uma causa típica de resolução em comissão de arbitragem exigiria o depósito de um bom dinheiro?

O mesmo conceito deveria valer para os recursos das sentenças de primeira instância. Os tribunais regionais estão entupidos porque recorrer a eles custa uma mixaria. Quem perde na primeira instância nem pensa um segundo: recorre. Se o custo do recurso fosse alto, é óbvio que mais acordos seriam finalizados na primeira instância ou sentenças, nesse nível, seriam cumpridas.

Outra boa sugestão para desafogar a Justiça do Trabalho: decretação de prisão preventiva do empresário que não comprovasse, em 15 dias a contar da data de entrada da reclamação, o pagamento de direitos líquidos e certos como FGTS, indenização, aviso-prévio e quetais. É enorme – e vergonhosa – a quantidade de ações que rolam anos e anos nas diversas instâncias da Justiça do Trabalho, para o simples ressarcimento de direitos incontestáveis. Só com essa providência singela o volume de demandas na Justiça do Trabalho despencaria. Com uma vantagem adicional: a famosa frase “vá procurar seus direitos na Justiça” cairia em desuso.

Medidas simples como essas reduziriam as demandas e, em conseqüência, o tempo de tramitação dos processos que, não raro, mesmo em casos simples de flagrante descumprimento da lei, podem se arrastar por 10 anos ou mais.

E agora chegamos ao ponto: ao beneficiar o infrator, como se diz no futebol, arrastando os processos, a Justiça do Trabalho é na verdade um santuário de injustiças. Dela se valem os poderosos, os que podem pagar profissionais das grandes bancas de advocacia, quando não for o caso, vamos falar claro, de subornar juízes, para descumprir obrigações contratuais e legais.
.
A esses – não aos trabalhadores – interessa uma Justiça trabalhista tartaruga, afogada em processos. Daí por que, para eles, é muito mais negócio arrotar a necessidade de uma ampla reforma na legislação “ultrapassada” e “engessada”. Reformar a legislação é, sim, uma necessidade. Mas, infelizmente, isso tem pouco a ver com o que precisa mudar na Justiça do Trabalho, para que ela faça jus ao nome.
*****

COMENTANDO A NOTICIA: Há poucos dias atrás, criticamos aqui um artigo do José Paulo quando ele quis relacionar a instalação da fábrica na Nestlé na Bahia com o “assistencialismo” promovido por Lula. Mantemos e não retiramos uma vírgula: ao nosso ver, o José Paulo estava errado em analisar a questão sob uma ótica distorcida e que incidiria em uma conclusão totalmente errada.

Como somos democráticos neste espaço, também dissemos que sempre que o José Paulo escrevesse artigos que merecessem nossa atenção e concordância, o reproduziríamos. E eis um artigo tocando num assunto e de forma integral que entendemos absolutamente correta. Mas faltou um detalhe a ser acrescido e que completa o quadro: a Justiça do Trabalho também é atropelada por uma certa indústria de “ações” que tem ganho muito dinheiro. Há um certo conluio entre advogados trabalhistas e sindicalistas que tem armado verdadeiras arapucas em que o trabalhador é quem menos ganha no final. Quem freqüenta o meio sabe do que estamos falando. A questão é: quem terá coragem suficiente para meter a mão neste vespeiro e acabar com a pilantragem ?