Adelson Elias Vasconcellos
A presidente Dilma Rousseff afirmou na noite desta segunda-feira que a Petrobras não pode pagar pelo erro de um funcionário, no caso da compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).
Como seria bom, para o governo da senhora Rousseff, se os problemas que envolvem a Petrobrás pudessem ser resumidos a “um erro de um funcionário”. A vida da presidente seria bem melhor, e talvez até, quem sabe, suas noites de sonos poderiam ser mais tranquilas.
Infelizmente, senhora Rousseff, as coisas não são assim tão simplórias quanto sua declaração tenta insinuar. A começar que o “tal funcionário”não era apenas “um funcionário”. Tratava-se de nada mais nada menos que o Diretor da Área Internacional da companhia, portanto, alguém com certa autoridade dentro da estatal. Segundo, que se o Conselho de Administração decidiu pela compra de metade da refinaria baseados em relatório falho, a outra metade, quando a companhia belga foi à Justiça exigir o cumprimento do contrato, recebeu um “não” inicial da então presidente do Conselho de Administração, nada menos do que a própria senhora Rousseff. Depois, tanto a senhora Graça Foster quanto a antiga Diretoria tinha conhecimento pleno das condições de compra da refinaria pela Petrobrás, como, também, sabiam de antemão dos problemas da planta, em condições sucateadas.
Mas há mais coisas que se somam a “um erro de um funcionário”. Em 2008, quando a Justiça americana deu ganho de causa à Astra Oil, obrigando a Petrobrás comprar a outra metade por um valor exorbitante, todo o históricos de erros vieram a tona, e nem por isso, nem na qualidade de Presidente do Conselho de Administração tampouco já empossada como presidente da República, a senhora Rousseff tomou qualquer providência. E tanto foi assim, que o “tal funcionário” foi não apenas promovido para a Diretoria Financeira, como ainda foi amplamente elogiado seu desempenho.
Mas as questões que afligem a Petrobrás, senhora Rousseff, não se circunscrevem apenas à Refinaria de Pasadena? E o que se pode dizer da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco? Ou, ainda, do Complexo Petroquímico do Rio? Ou, ainda, das dificuldades de caixa por represamento no preço dos combustíveis, obrigando a estatal arcar com um prejuízo mensal em torno de R$ 1 bilhão? E o que a senhora presidente poderia nos dizer dos rombos gigantescos no fundo de pensão dos funcionários da própria Petrobrás, que foi obrigado a arcar com algumas decisões temerárias por absoluta ingerência política? E olhe que não citamos as propinas pagas por empresa holandesa a funcionários da companhia, ainda sob investigação, e nem fizemos referência às ações do agora ex-diretor Paulo Roberto que vieram a público na operação Lava-Jato da Polícia Federal!
Não, senhora Rousseff, as questões da Petrobrás não é apenas fruto do erro de um funcionários, mas de vários funcionários, diretores atuais e antigos e até da gestão temerária que vem sendo conduzida pela acionista controladora, no caso, a União, justamente sob seu governo.
Não tente fazer discursos escapistas ou distorcidos, com o objetivo de se esconder de questões e ações que foram e são de sua responsabilidade. Pare de transferir a terceiros a culpa pelos seus erro. Talvez o IBOPE até melhore com um discurso mais compromissado com a verdade.
Até porque, senhora presidente, a perda de valor de mercado em R$ 200 bilhões e queda no ranking das maiores empresas do mundo, de 12º para 120º, não foram motivadas pelo erro de um só funcionário. Foram muitos os erros e são muitos os culpados.
Sobre sua reação à queda nas pesquisas, a senhora Dilma afirmou que o povo vai querer voltar atrás. Com certeza, senhora presidente: antes que a senhora e seu partido joguem no lixo a estabilidade econômica, conquista que não pertence ao PT, o povo os quer fora do poder. Eles rejeitam seu modelo de inflação alta, crescimento baixo, controle fiscal deficiente, corrupção excessiva, serviços públicos degradados. Não fosse por estas coisinhas, talvez....
Os deles são melhores que os nossos
Vejam só como são as coisas. Lula foi diagnosticado com câncer, procurou médicos brasileiros, foi tratado e curado. Dilma, também foi diagnosticada com câncer. Procurou médicos brasileiros, foi tratada e curada. O dileto amigo de ambos, Hugo Chavez foi diagnosticado com câncer. O governo brasileiro ofereceu-lhe instalações hospitalares e médicos brasileiros para tratá-lo. Ele, porém, desfez da oferta e preferiu ir à Cuba para ser tratado pelos médicos cubanos. Voltou morto.
Agora, tentando dizer que o tal “Mais Médicos” é a panaceia criada em seu governo para tirar a saúde pública nacional da UTI, a senhora Rousseff resolveu ignorar o passado recente ao afirmar “....O relato é o de que eles (os cubanos) são mais atenciosos que os brasileiros...”. Trata-se, obviamente de uma impostura. Prá começo de conversa, a contratação de cubanos no tal programa fere, frontalmente, a legislação trabalhista brasileira. Os profissionais cubanos, coitados, estão sendo arregimentados em condição análoga à escravidão.
E, depois, desdenhar dos profissionais brasileiros de forma tão despropositada, após ela e seu padrinho político terem curado o câncer que os acometeu, é dar uma bofetada não apenas na competência dos profissionais nacionais, mas demonstra o quanto os governos petistas desprezam as coisas nossas. Para eles, qualquer porcaria que venha das ditaduras amigas, tem selo de qualidade. Ô gente hipócrita!!!!!
Assim, na próxima vez que a presidente quiser fazer seus exames de rotina, que embarque no primeiro aeroporto rumo à Cuba e vá consultar com os mesmos médicos que atenderam Hugo Chavez.
É claro que a Associação dos Médicos se manifestou repudiando a declaração leviana da senhora Rousseff. Sei não, mas acho que ela acaba de perder mais alguns votos por sua estupidez.





