domingo, dezembro 31, 2006

A Personalidade e o Fato de 2.006.

COMENTANDO A NOTÍCIA:
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Pois é, 2006 está chegando ao fim, e está na hora de fazermos uma espécie de retrospectiva das coisas boas e ruins que nos aconteceram neste ano.
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De minha parte, o bom foi justamente o nascimento do COMENTANDO A NOTÍCIA. Estamos no ar, com pretensões de crescer um pouquinho mais no ano de 2007. Nem tanto quanto o PIB do governo Lula: este quase nem se vê. Mas marcar nossa presença no mundo da informação e da opinião.
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Mas queremos aqui destacar acontecimentos e personalidades. Na edição da Revista Veja que circulará no final de semana, há uma reportagem de Ricardo Brito, e um artigo do Diogo Mainardi, os quais destacaríamos como o resumo do ano: de um lado, Mainardi, elege Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça do governo Lula, como O HOMEM DO ANO. Ao de Mainardi arrolamos nosso voto. Leiam no artigo abaixo reproduzido, os fatos que marcaram esta “triunfal” passagem do criminalista pelo ministério da Justiça. Claro que os fatos e os demais personagens do governo Lula – muito contribuíram para a excelente performance do ministro. E ele, como poucos, soube aproveitar os ventos que sopraram em sua direção e coroou sua passagem nas “hostes” governamentais com raro brilhantismo. Mesmo que este “brilhantismo” tivesse servido para aumentar a impunidade dos homens do “puder”, abençoando suas canalhices, desvios e crimes. Mas afinal, para que serve mesmo um criminalista com carreira tão profícua e produtiva na defesa da liberdade para o que a sociedade produz de mais hediondo em matéria de crimes ? Portanto, o ministro merece o galardão. E, claro, Lula do alto de sua emoção de haver conquistado um mandato sob o manto protetor do criminalista, agradece de joelhos.
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De outra parte, a sempre tão festejada brigada vermelha do petê, a Polícia Federal, somou pontos suficientes para merecer o honroso título na produção do espetáculo mais cretino do ano, a investigação do dossiegate. Em matéria de cretinice, nada superou a investigação promovida e protagonizada pela honorável instituição na questão de apurar as coisas básicas do crime: a origem do dinheiro, e o indiciamento de toda a quadrilha criminosa.
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Portanto, a reportagem da Veja vem como abençoar os “companheiros” da PF que souberam manter longe do gabinete presidencial qualquer resquício de culpabilidade. Na reportagem de Ricardo Brito, o título fez jus a traquinagem cometida. Poucas vezes se viu alguém podendo tanto, com provas materiais indiscutíveis e irrefutáveis, culpados saindo a rodo por todos os lados, sigilos telefônicos que, uma vez quebrados, revelaram toda uma rede qualificada para o cometimento de um crime, filmes, fitas, documentos e mais documentos, então, podendo tudo chegou a nada com tamanha desenvoltura. Nada mais justo do que receber o prêmio da CRETINICE – ANO 2006. Claro que tivemos muitos outros fatos que concorreram mas nenhum outro destacou-se tanto quanto a investigação da PF no caso do dossiê. Ao homem do ano e a cretinice do ano, aos vencedores, nossos parabéns. Ambos se empenharam a fundo para o merecido prêmio de destaques do ano. Até 2007 !
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FELIZ ANO NOVO!

Vai sobrar para o mordomo

Ricardo Brito, Revista Veja
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A Polícia Federal concluiu na semana passada a investigação sobre o escândalo do dossiê contra os tucanos. Só para lembrar: às vésperas do primeiro turno das eleições, petistas foram presos em São Paulo, quando se preparavam para comprar um conjunto de documentos fajutos que envolviam políticos do PSDB, como o ex-prefeito José Serra, com a máfia das sanguessugas. Os petistas presos carregavam dinheiro vivo, em reais e dólares, e tinham ligações com o comitê central da campanha do presidente Lula. Três meses depois, a polícia terminou o trabalho de investigação sem avançar um milímetro e ainda recuou sobre as evidências iniciais. O resultado é um relatório pífio, que, além de não esclarecer, ainda confunde. Muito conveniente, portanto, para os "aloprados" que montaram o esquema. O delegado Diógenes Curado, o chefe das investigações, decidiu indiciar sete pessoas – quase todas personagens secundárias da trama. A mais graúda delas é o senador Aloizio Mercadante, que disputou e perdeu as eleições ao governo de São Paulo para o tucano José Serra. Segundo o delegado, Mercadante é culpado porque seria, teoricamente, o principal beneficiário das informações contidas no dossiê. Além disso, um dos envolvidos, Hamilton Lacerda, era seu assessor de comunicação. E o dinheiro usado na compra, ora veja só, foi omitido na prestação de contas da campanha do petista, o que levou o delegado a acusar Mercadante por crime eleitoral.
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"Jogaram a responsabilidade nas minhas costas para omitir o fracasso das investigações", reagiu o senador. Mercadante tem certa razão em protestar. É, sem dúvida, uma das conclusões mais estapafúrdias produzidas pela inteligência policial brasileira. Não que não haja indícios do envolvimento do senador e de seus assessores. Hamilton Lacerda, que foi filmado levando dinheiro ao local onde seria feito o negócio, é de seu círculo íntimo. O problema é a lógica – ou a falta dela – usada pela polícia para estabelecer as conexões e responsabilidades de cada um no caso. Segundo o delegado Diógenes, os petistas demonstravam "indignação" com o rumo da CPI das Sanguessugas, que atribuía "toda a culpa da fraude" ao governo Lula, "quando se sabia que o início de tudo foi no governo Fernando Henrique Cardoso". Se essa é a gênese do crime, conforme afirma o próprio delegado responsável pela investigação, é difícil compreender o que o leva a acreditar que apenas o senador Mercadante seria beneficiado com a divulgação do dossiê. Ele desconsiderou, por exemplo, o fato de que Lula disputava a eleição com um tucano e que a maioria dos envolvidos no caso trabalhava no comitê de campanha do presidente em Brasília. Sobre o 1,7 milhão de reais apreendido com os petistas, o delegado reconhece que não foi capaz de chegar à origem do dinheiro, mas especula que ele saiu do caixa dois da campanha petista em São Paulo.
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No QG petista, em Brasília, o resultado das investigações foi recebido com satisfação, é claro. Para não complicar Lula, toda a estratégia de defesa dos envolvidos sempre foi a de tentar restringir a responsabilidade da operação de compra do dossiê à campanha de Mercadante – exatamente como acabou de fazer a Polícia Federal. Dos sete indiciados, apenas um, o ex-policial Gedimar Passos, trabalhava para o comitê reeleitoral do presidente. Mas não tinha jeito de deixá-lo de fora: ele foi preso em flagrante num quarto de hotel em São Paulo com uma mala cheia de dinheiro. Em seu primeiro depoimento, Gedimar apontou Freud Godoy, então assessor especial do presidente Lula e conhecido por dar cobertura a ações de alto risco do PT, como coordenador da operação de compra do dossiê. Gedimar foi contratado por Jorge Lorenzetti, chefe do setor de inteligência da campanha presidencial, e atuava em conjunto com Osvaldo Bargas e Expedito Veloso, outros dois integrantes do comitê de reeleição do presidente. O coordenador da campanha de Lula e chefão do grupo, o deputado Ricardo Berzoini, também estava ciente do caso. Todos confirmaram à polícia seu grau de participação na operação para obter e divulgar os documentos, mas disseram que não sabiam que se tratava de um negócio à base de dinheiro. Por isso, nenhum deles foi indiciado. Pelo jeito, a PF também acredita em duendes.
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Como explicar, então, a participação de Gedimar, o homem da mala, que não tinha nenhuma ligação com a campanha paulista? Passados alguns dias de sua prisão, já orientado por advogados, ele disse que foi torturado e induzido a acusar Freud Godoy – e se calou sobre o dinheiro. Agora, indiciado, vai ter de inventar uma outra história da carochinha para a Polícia Federal acreditar. E tudo indica que, para convencer delegados tão bonzinhos, ela não precisará ser elaborada. Afinal de contas, não havia mesmo razão para os assessores da campanha presidencial se envolverem em tamanha trapalhada. É o que os petistas sempre disseram. Quanto a Mercadante, como não há provas de sua ligação direta com a compra do dossiê fajuto, o processo não deverá seguir adiante. Fica combinado, assim, que a culpa recairá sobre o mordomo. Elementar, meu caro Diógenes.

O Homem do Ano

Diogo Mainardi, Revista Veja
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Márcio Thomaz Bastos. O Homem do Ano. A gente tinha uma democracia torta. Ficou ainda mais torta. A gente tinha um pé na ilegalidade. Agora se rendeu a ela. A gente tinha um embrutecimento institucional. Piorou.
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Siga Márcio Thomaz Bastos. Com cautela. Acompanhe o que fez o nosso Homem do Ano em 2006. Passo a passo. De intriga em intriga. De janeiro a dezembro. Ele foi o túnel que o extremismo petista escavou para fugir da cadeia. Ele foi a lima escondida dentro do bolo.
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Em janeiro, Márcio Thomaz Bastos encaminhou a Lula um projeto de lei que impedia a imprensa de divulgar o conteúdo de grampos telefônicos.
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Em fevereiro, ele foi acusado de retardar a entrega do laudo técnico que atestava a falsidade da lista de Furnas, envolvendo políticos do PSDB e do PFL.
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Em março, quando foi violado o sigilo do caseiro Francenildo Costa, ele montou a estratégia de acobertamento de Antonio Palocci.
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Em maio, Márcio Thomaz Bastos apareceu numa lista de hierarcas petistas com contas bancárias em paraísos fiscais, juntamente com Lula, José Dirceu, Luiz Gushiken e Antonio Palocci. A lista foi passada a VEJA por Daniel Dantas.
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Aqui a retrospectiva de Márcio Thomaz Bastos cruza com a minha. Testemunhei a entrega da lista a VEJA. Segui de perto todos os seus desdobramentos. Eu sempre acreditei que o ministro partiria para o ataque contra Daniel Dantas. Em vez disso, Márcio Thomaz Bastos preferiu reunir-se secretamente com ele, na casa do senador Heráclito Fortes. Perguntei a Heráclito Fortes como foi o encontro. Ele respondeu: "Daniel Dantas estava com medo do governo e o governo estava com medo de Daniel Dantas". Medo?
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Em julho, ele responsabilizou as prefeituras do PSDB e do PFL pela máfia das ambulâncias.
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Em agosto, ele prometeu acabar com os ataques do PCC em 72 horas. Depois disso, deu um depoimento a favor de Aloizio Mercadante em seu programa eleitoral.
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Em setembro, estourou o caso do dossiê contra José Serra. Desde o primeiro momento, Márcio Thomaz Bastos tratou de proteger a candidatura de Lula. Um delegado da Polícia Federal foi afastado do caso, as fotografias do dinheiro foram censuradas, um advogado ligado a ele foi acionado para defender Freud Godoy.
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Em 22 de setembro, Márcio Thomaz Bastos garantiu que a origem do dinheiro para comprar o dossiê "estava praticamente esclarecida". Em 16 de novembro, quando o caso já estava devidamente abafado, o nosso Homem do Ano disse que "era preciso ver se o fato realmente tinha uma grande gravidade".
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Márcio Thomaz Bastos está se despedindo do governo. A gente vai levar uns trinta anos para se recuperar de sua passagem pelo poder.

Sem título

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
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É do fundo do coração que me dirijo ao menino de 6 anos que perdeu sua mãe, hoje, ao caminhar de mãos dadas com ela pela Praia de Botafogo.
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Sua mãe não estava com você em lugar ermo, escuro, em hora imprópria. Sua mãe passava com você, em plena luz do dia, perto de uma cabine da Polícia Militar e por isso foi morta. Ao ouvir os tiros, ela abraçou você com força e disse: “abaixa, meu filho, e desmaiou”. Foi assim que você descreveu para sua tia a reação de sua mãe. Ela desmaiou, e você ficou sem mãe.
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Será que algum dia você nos perdoará? A nós, adultos, cidadãos, eleitores, contribuintes, que vemos nossa cidade se esvair nas mãos de políticos sem alma, sem pudor, sem compostura? E que não fazemos nada? Nem sequer exigimos mais policiamento, a tal da Guarda Nacional que se faz necessária há tanto tempo e que está sendo treinada e preservada para o PAN? Chamá-la agora para quê? Para guardar um menino de 6 anos?
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Espero que você consiga encontrar o caminho do perdão. Peço com fé, ao Menino Jesus, que o seu caminho seja bom e que seu coração reflita essa bondade e que você possa viver sem ódio, com a alminha em paz. Espero que você não sinta, minorada a dor que hoje começa a sentir e que não passará, a vergonha, a raiva, o ódio que estou sentindo, de mim, da vida, do mundo, de tudo.
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Esse ‘des-país’ onde você nasceu não honrou a suprema felicidade de ter entre os seus habitantes mais um menino de 6 anos, feliz, com sua mãe, passeando com ela, de mãos dadas, pela Praia de Botafogo, Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 2006, durante a administração de um prefeito chamado César Maia, o governo estadual de um casal chamado Garotinho, e o governo federal, reeleito, do senhor Luis Inácio Lula da Silva, fundador do Partido dos Trabalhadores.
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Menino de 6 anos, perdão. Perdão por tudo que não foi feito para preparar esta cidade e este país para acolher melhor a sua vidinha que mal se inicia. Perdão, brasileirinho de 6 anos. Perdão!

Ano-novo: os alimentos da fartura

Niza Souza, Folha de São Paulo
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Quem nunca comeu lentilha na virada do ano para dar sorte? Ou então uvas e romãs e guardou as sementes na carteira para atrair dinheiro? Acrescentar alimentos como esses na ceia de ano-novo é mais do que superstição, já é tradição que faz aumentar a demanda por esses produtos. Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), alguns dos itens que mais vendem na última semana do ano são frutas. Dezembro, diz o economista Flávio Godas, é o principal mês de vendas de uvas e romãs. 'O volume cresce 40% em relação aos outros meses.'
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No ano passado, das 700 mil caixas de 7 quilos de uva benitaka que passaram pela Ceagesp, 120 mil, ou 20%, foram negociadas em dezembro. Para dezembro deste ano, diz Godas, espera-se um crescimento de 15% no volume vendido em relação ao mesmo mês de 2005. A uva itália também é um dos destaques. Em 2005, foi vendido quase 1,9 milhão de caixas, sendo 230 mil só em dezembro.
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Aumento de vendas
Apesar do volume menor, o porcentual de romã comercializado em dezembro é maior, em comparação à uva. Conforme Godas, em 2005 a Ceagesp vendeu 25 mil caixas (de 5 quilos) de romã, durante todo o ano. Deste total, cerca de 8 mil, ou 30%, foram negociadas em dezembro, em especial nas duas últimas semanas. Para este ano, a previsão é de aumento de 5% nas vendas.
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O proprietário da Luma Comércio e Distribuição de Frutas, Airton Araújo da Silva, confirma que a venda de romã é concentrada nos 15 últimos dias do ano e na primeira semana de janeiro. Ele conta que, durante o ano, vende em torno de 400 quilos por mês da fruta e, nas últimas três semanas de dezembro, as vendas saltam para 4 toneladas.
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Como é uma fruta que também enfeita a mesa da ceia de réveillon, o consumidor é bastante exigente, diz o comerciante. 'Não temos grandes produtores de romã. Normalmente, são pequenos e familiares. Mas quem compra quer uma fruta bonita. A casca tem de ser lisa.'
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Adaptação e reciclagem
Os produtores têm de ser criativos para atender ao exigente consumidor. Apesar de ser uma planta rústica, diz o fruticultor Osmar Rogério, de Valinhos (SP), a romã deve ter cuidados. 'Usamos garrafas pets para proteger o fruto e deixar a casca lisa', diz. No sítio da família, Rogério tem a ajuda da esposa, Odete, para cuidar dos 360 pés da fruta, plantados em 1 hectare. 'A árvore produz o ano todo, mas a safra mesmo é em dezembro e janeiro', diz. A cada três meses a árvore solta uma florada, que produz 9 quilos de romãs por pé. Na safra, a produtividade chega a 30 quilos/pé.
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'A romã tem melhor preço fora da safra', diz. Nesta época, Rogério vende a caixa (de 3 quilos) por R$ 15, 'um bom preço'. Mas em julho e agosto a caixa chega a custar R$ 27. Outra vantagem, diz, é que a casca grossa permite que a fruta agüente por mais tempo no pé, o que dá mais folga na comercialização.
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No sítio vizinho, o casal Ione e Pedro Stopiglia também produz romãs. 'O pomar, com 50 pés, vai crescer em 2007, para pelo menos 300', diz Stopiglia. Em dezembro, ele vende 2 mil caixas, o dobro do que vende no restante do ano. Quando optou pela romã, o produtor diz que pensou em uma cultura que produzisse sem necessidade de contratar mão-de-obra. 'É uma planta rústica, mas há tratos culturais essenciais, como o ensacamento do fruto', diz. 'O mercado exige uma fruta bonita. Antes usávamos saquinho de papel, sem sucesso. Agora usamos caixas de leite longa-vida.'
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Superstições de ano-novo
As simpatias feitas na noite de ano-novo com lentilha, uva e romã são para atrair dinheiro.
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Lentilha -
A origem da superstição é italiana. A lentilha simboliza riqueza e por isso é um alimento que não pode faltar na ceia da passagem do ano. Bastaria comer uma colher de sopa para assegurar um ano inteiro de fartura.
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Uva -
Para os portugueses, comer três, sete ou a quantidade correspondente ao seu número de sorte, na passagem do ano, garante fartura. Para atrair dinheiro, deve-se guardar as sementes na carteira até a virada do próximo ano.
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Romã -
Diz a cultura popular que comer sete bagas de romã e guardar as sementes na carteira, na ceia de ano-novo, atrai dinheiro.

TOQUEDEPRIMA...

Marisa Monte entra na lista dos melhores do NYT
Tribuna da Imprensa
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SÃO PAULO - O disco "Infinito particular", de Marisa Monte, e a canção "Let's make love and listen to Death from above", da banda Cansei de ser sexy, foram citados na lista dos destaques do ano da música pop e do jazz do New York Times. O crítico Jon Pareles escolheu "Infinito particular" como o segundo melhor disco do ano (o primeiro foi "Return to Cookie Mountain", do TV on the Radio); "Let's make..." ficou com a quarta colocação em uma lista das cinco melhores canções do ano.
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Pareles elogiou o tom "introspectivo" de "Infinito particular" e a maneira como a voz de Marisa Monte "flutua sobre os recursos eletrônicos e os instrumentos de sopro e de cordas". Na eleição das melhores canções de 2006, os críticos do jornal americano não deram justificativas para suas escolhas.
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Além de Pareles, também fizeram suas escolhas os especialistas Kelefa Sanneh, Ben Ratliff, Natie Chinen e Sia Michael. Somando-se todas as listas, o artista mais citado foi o rapper Ghostface Killah e o disco "Fishscale", seguido por nomes como Lily Allen ("Alright, still"), Beyoncé Knowles ("B'day"), Thom Yorke ("The eraser"), Gonzalo Rubalcaba ("Solo"), Nelly Furtado ("Loose") e bandas como TV on the Radio ("Return to Cookie Mountain"), Arctic Monkeys ("Whatever people say I am, that's what I am not").
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Ghostaface Killah foi bastante elogiado por oferecer uma alternativa à "mesmice", segundo Pareles, do cenário atual do rap. "Sua temática é a mesma, mas sua visão para a vida do crime é ampla, há um olhar gráfico da comédia humana capturado neste denso jogo de palavras acompanhadas de samples exuberantes da soul music."
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Sobre TV on the Radio, Natie Chinen afirma que "Return to Cookie Mountain" consegue ser mais interessante que o primeiro disco da banda ao lidar com questões tanto pessoais como políticas. Da mesma forma, Thom Yorke, cantor do Radiohead, arrancou elogios por encontrar uma linguagem sonora original "para narrar seu ponto de vista sobre o status quo".
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Entre os artistas-solo, Gonzalo Rubalcaba impressionou Ben Ratliff por seu estilo "apimentado, preciso, um modo de tocar o piano que é um dos principais estranhos prazeres do jazz atual". Já Beyoncé Knowles ganhou espaço na lista dos melhores por conseguir unir aquilo que é muito antigo com o que há de mais novo em "B'day". A compositora inglesa Lily Allen chamou atenção pela letras de suas canções em "Alright, still". A lista dos melhores do ano pode ser vista no site www.nytimes.com
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Morre Lágrima Ríos, a dama do candombe uruguaio
EFE
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MONTEVIDÉU - A cantora uruguaia Lágrima Ríos, figura lendária de seu país, considerada a dama do candombe (dança e música de negros e escravos), morreu nesta segunda-feira à noite, aos 82 anos de idade, de uma enfermidade cardíaca, informaram nesta terça fontes familiares.
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Lágrima, que também teve destaque como cantora de tango e milonga, era muito ligada aos uruguaios descendentes de africanos e foi presidente do Mundo Afro, uma organização social de apoio à comunidade negra e de defesa das tradições culturais.
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O funeral de Lágrima Ríos no cemitério da capital uruguaia será acompanhado por um desfile de tamborins em uma improvisada Llamada - tradicional desfile carnavalesco animado por negros e brancos fantasiados de negros - em homenagem a sua trajetória.
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Nascida em 26 de setembro de 1924, na província de Durazno, desembarcou menina na capital, vivendo entre os pobres nos bairros de Sur e Palermo, onde conheceu Carlos Gardel, após uma visita ao mítico cantor na casa onde vivia.
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Carismática, não demorou a se converter na rainha das Llamadas, expoente da cultura afrouruguaia e defensora da igualdade racial.
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Autoridades governamentais e dezenas de figuras da música do Uruguai assistiram nesta Terça ao velório e participaram do cortejo que conduziu seus restos mortais até o panteão da Associação Geral dos Autores do Uruguai.
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Começa a contagem regressiva para o Oscar
Da France Presse
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As planilhas para votação nos indicados ao Oscar foram enviadas nesta terça-feira aos 5.830 membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, marcando o início de uma contagem regressiva que terminará em 25 de fevereiro, com a glamourosa cerimônia de entrega do prêmio máximo da indústria do cinema de Hollywood.
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Os membros da Academia deverão enviar seus votos para a auditora PricewaterhouseCoopers antes das cinco da tarde de sábado, 13 de janeiro, para que dez dias depois sejam anunciados os indicados, em Beverly Hills.
Depois de 23 de janeiro se celebrará outra votação, na qual cada membro deverá escolher o vencedor em cada categoria, o qual será revelado na cerimônia no Teatro Kodak, em fevereiro.
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A próxima cerimônia do Oscar promete ser disputadíssima, com alguns filmes concorrendo a prêmios em várias categorias. Entre os favoritos ao prêmio de Melhor Filme, o mais importante da festa, estão o sangrento drama criminal "Os Infiltrados", de Martin Scorsese, e o épico sobre a Segunda Guerra "Letters from Iwo Jima", de Clint Eastwood.
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Espera-se que tanto Scorsese quanto Eastwood estejam entre os indicados ao prêmio de Melhor Diretor, repetindo o duelo de 2005, quando Eastwood, com "Menina de Ouro", levou a melhor sobre Scorsese, com "O Aviador".
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Rodrigo Santoro interpreta imperador persa no filme 300
Do CorreioWeb
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O ator brasileiro Rodrigo Santoro interpreta o imperador persa Xerxes no filme 300, anteriormente batizado de Os 300 de Esparta. O filme conta a história da antiga Batalha das Termópilas, cerca de 480 anos antes de Cristo. O longa foi orçado em US$ 60 milhões e estréia no Brasil em março de 2007. A história é baseada no quadrinho 300, de Frank Miller.

TOQUEDEPRIMA...

Bem-vindo ao Rio
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O estacionamento do setor de desembarque no aeroporto do Galeão está fechado “por motivo de assalto”. Deve ser inédito no mundo.
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Rio dobra celebração da virada: festa em Copa e Ipanema
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Pela primeira vez, a festa oficial de réveillon vai unir as duas mais famosas praias do Rio, onde são esperados 2,5 milhões de pessoas. Se o cronograma for seguido à risca, sem atrasos, às 18 horas, quando o DJ André Paulo abrir a programação da noite em Copacabana, na Zona Sul, logo ao lado, na vizinha Ipanema, o DJ Harebow Lex repetirá o gesto.
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Os palcos onde os dois subirão para dar início à comemoração da última noite do ano já estão armados na areia, e pelo menos seis das oito barcas que serão usadas na queima das 24 toneladas de fogos encontram-se ancoradas no cais da Superpesa, na Ilha do Fundão, Zona Norte. No dia 31, serão rebocadas para o mar de Copacabana.
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Embora iniciem no mesmo horário, e ambas com atrações musicais, a programação prevista para os dois bairros não criam, propriamente, uma situação de rivalidade. Copacabana permanece com o melhor show de pirotecnia, e atrações como a Orquestra Tabajara. Já Ipanema desponta como uma opção de maior destaque para os adeptos da música eletrônica.
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Lá serão armados dois palcos, um no Posto 8, com atrações nacionais, como Sérgio Mendes, Funk n'Lata, e internacionais, como a banda de hip hop Black Eyed Peas; e outro no Posto 9, onde 13 DJs vão tocar até 3 horas da manhã. Mas mesmo quem decidir aproveitar a noite e a madrugada em Ipanema pode ter a chance de acompanhar uma parte do espetáculo de Copacabana, onde o show pirotécnico vai durar 16 minutos - serão mais de 19 mil bombas, com cerca de 100 efeitos especiais.
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Segundo Giancarlo Zanotto, sócio-gerente da News Fireworks do Brasil, empresa contratada pela Prefeitura para fazer a apresentação de fogos de artifício, é possível que parte da exibição seja vista de outros bairros da Zona Sul, entre eles, Ipanema. "Temos fotos que indicam que, no ano passado, foi possível ver uma parte dos fogos do Humaitá, da Lagoa e do Flamengo", afirmou ontem, ao ser perguntado sobre a possibilidade de o público de Ipanema conseguir acompanhar, pelo menos, uma parte do espetáculo de Copacabana.
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E acrescentou que os técnicos estão fazendo a montagem, em terra, da estrutura e dos tubos onde a pólvora será acondicionada. Apenas após serem transferidos para as balsas é que a empresa vai iniciar o enchimento dos tubos com explosivos. "É uma questão de segurança, pois é muito perigoso encher os tubos antes da fase de içamento", explicou ele.
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As duas praias vão concentrar mais da metade do efetivo da Guarda Municipal que vai estar de plantão na noite do réveillon. Dos 1,1 mil guardas, 660 estarão em Copacabana e Ipanema. O restante vai estar distribuído em outros sete pontos da cidade. Moradores e turistas que estiverem longe da área nobre terão também a oportunidade de usufruir da festa oficial. Serão outros seis palcos, que, segundo a Prefeitura, devem atrair em torno de 1,2 milhão de pessoas.
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Há programação na Barra da Tijuca, Ilha do Governador, Paquetá, Pedra de Guaratiba, Sepetiba e Penha. "Vamos fazer um show pirotécnico de cerca de 10 minutos, nas proximidades da Igreja da Penha. Vai ser uma festa muito bonita e, também, importante, pois há muita gente que não tem como se deslocar para a Zona Sul", ressaltou Zanotto.
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Ocupação em hotéis cariocas deve cair 8%
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A ocupação dos hotéis no réveillon deste ano deverá cair até 8% em relação a 2005 por causa da crise no setor aéreo, de acordo com previsão da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH). No ano passado, a taxa de ocupação ficou em 98% no bairro de Copacabana, na Zona Sul.
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Há 27 mil quartos de hotel disponíveis. O presidente da ABIH no Rio, Alfredo Lopes, disse ontem que, caso se confirme, o resultado "será excelente, perto do ano de crise que tivemos".
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"A gente está prevendo uma ocupação de 5% a 8% menor do que no ano passado, principalmente por causa do efeito Varig. As empresas internacionais ainda não conseguiram suprir as vagas", declarou. "Estimamos que a taxa este ano fique em torno de 90%. Além da crise no setor aéreo, o turismo rodoviário está aumentando."

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Autoria de retrato de Velázquez gera polêmica
EFE, Estadão Online
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PARIS - Um quadro tradicionalmente atribuído a Velázquez que o Museu do Louvre cedeu para uma exposição no Grande Museu de Atlanta é objeto de polêmica, devido às dúvidas levantadas entre alguns especialistas em história da arte.
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O jornal francês Libération voltou a disseminar a polêmica hoje ao publicar uma carta de resposta assinada pelo administrador-geral do Museu do Louvre de Paris, Didier Selles, que defende a autenticidade do retrato da infanta Margarita, encomendado em 1653 pela rainha da França, Ana de Áustria, a seu irmão, o rei da Espanha.
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Felipe IV encarregou Velázquez do retrato, que chegou à França em 1654 e desde então decorou o quarto da rainha durante mais de um século, só saindo do palácio (o atual Museu do Louvre) para exposições recentes, lembra Selles.
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"É reconhecido como original e, evidentemente, é exposto como tal", afirma o administrador, que argumentou que, de 53 publicações que consagraram a obra, 47 a catalogam como tendo sido pintada unicamente por Velázquez; quatro, como elaborada pelo gênio espanhol e por membros de seu ateliê; e em só duas, como tendo sido feita pelos ajudantes do pintor.
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Selles insiste ainda que "todos reconhecem a inegável qualidade do quadro", que nos últimos 15 anos foi exposto em diversas cidades fora da França, como Cidade do México, Bolonha, Moscou e Tóquio, e sempre atribuído somente a Velázquez.
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"É arriscado relegar a obra, com base em apenas três breves entrevistas, à condição de simples cópia, tendo sido ela considerada desde sua chegada ao Louvre, em 1654, um original do artista e confirmada como tal por dezenas de historiadores da arte desde então", reforça.
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"Acima de quaisquer polêmicas - afirma Selles - ´A infanta Margarita´ é um quadro cuja história se confunde com a própria história da arte. Por acaso, não teria sido diante dele que, por admiração comum, Manet e Degas se conheceram no Louvre?".
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Segundo o jornal, e pelo próprio jornalista Vincent Noce, que tinha feito ressurgir a polêmica no início do mês, defende que seu primeiro artigo limitou-se a "afirmar que o ´Velázquez´ exposto em Atlanta era até agora considerado uma cópia de ateliê".
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"O fato é que os reconhecidos especialistas (José López Rey, Javier Portus, representante do Museu do Prado, de Madri, e Juliet Wilson-Bareau, dessa vez omitida) consideram o retrato como pintura de ateliê", afirma Noce.

Como se não bastasse, Noce referiu-se ao fato de que um ex-presidente do Louvre, Pierre Rosenberg, que trabalhou por 32 anos no departamento de pinturas, tinha declarado que a ausência de Velázquez era "o buraco mais cruel" do grande museu francês.
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Beber leite é sinal da evolução
Nicholas Wade, The New York Times, Nova York
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Um caso ilustrativo da evolução humana surpreendentemente recente foi detectado entre povos do leste da África. É a capacidade para digerir leite na idade adulta conferida por mudanças genéticas que ocorreram há aproximadamente 3 mil anos, concluiu uma equipe de geneticistas.
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Essa descoberta é um exemplo notável de uma prática cultural interferindo no genoma humano. A prática cultural, no caso, é a criação de gado leiteiro. Parece também ser um dos primeiros exemplos de evolução humana convergente a ser documentado no plano genético. Evolução convergente significa duas ou mais populações adquirindo a mesma característica independentemente.
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Em praticamente toda a história humana, a capacidade para digerir a lactose, o principal açúcar do leite, desaparece após o desmame. Isso porque a enzima do gene da lactase, que separa o açúcar do leite, não é mais necessária.Mas quando o gado foi domesticado pela primeira vez, há cerca de 9 mil anos, e as pessoas depois começaram a consumir o leite e a carne do animal, uma seleção natural teria favorecido alguns com uma mutação que fez com que o gene lactase se mantivesse ativo.
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Sabe-se que essa mutação genética se manifestou entre os primeiros povos criadores de gado da cultura Funnel Beaker, que floresceu há 5 mil ou 6 mil anos na região centro-norte do continente europeu (povos do período neolítico, considerados os primeiros agricultores de uma extensa parte da Europa, que iria do sul da Noruega até a fronteira entre a Áustria e a antiga Checoslováquia e da Holanda até a Ucrânia).
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Pessoas com o gene da lactase constantemente ativado não tinham nenhum problema para digerir o leite e seriam tolerantes à lactose.
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Quase todos os holandeses e 99% dos suecos são tolerantes à lactose, mas a mutação vai ficando menos comum em europeus que vivem a distâncias cada vez maiores da antiga região onde floresceu a chamada cultura Funnel Beaker.
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Quebra-Cabeça
Os geneticistas questionavam se essa mutação, identificada em 2002, que permite a tolerância à lactose nos europeus, também teria se produzido entre povos pastores em outras regiões. Mas o que se supunha é que ela estaria quase que totalmente ausente da África, embora os povos pastores da região, no geral, apresentem um certo grau de tolerância.
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Uma pesquisa conduzida pela pesquisadora Sarah Tishkoff, da Universidade de Maryland, agora solucionou boa parte desse quebra-cabeça. Depois de realizar testes genéticos e de tolerância à lactose em 43 grupos étnicos no leste da África, ela e seus colegas encontraram três novas mutações, todas independentes entre si e da mutação européia, que mantêm o gene da lactase permanentemente ativado.
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Vantagem Seletiva
A principal mutação genética encontrada em grupos étnicos de língua saariana da região do Rio Nilo, do Quênia e da Tanzânia surgiu durante um período que varia de 2.700 a 6.800 anos atrás, de acordo com estimativas genéticas.O estudo do grupo de Tishkoff foi publicado na última edição da respeitada revista científica Nature Genetics.
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Esses dados combinam com provas arqueológicas indicando que povos pastores chegaram ao norte do Quênia há cerca de 4.500 anos e ao sul de Quênia e à Tanzânia há 3.300 anos.
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As duas outras mutações genéticas foram encontradas em povos Beja do nordeste do Sudão e em tribos afro-asiáticas no norte do Quênia, que falam a mesma língua.
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Todas as evidências genéticas mostraram que as mutações conferiram uma enorme vantagem seletiva para aqueles que as têm, permitindo que essas pessoas deixem dez vezes mais descendentes do que pessoas que não as têm.
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Essas mutações criaram “uma das mais vigorosas assinaturas genéticas de seleção natural até hoje observada em humanos”, declararam os pesquisadores no artigo publicado na revista especializada.
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Gene influencia a longevidade e protege o cérebro na velhice
Jornal do Brasil
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Viver até os 100 anos é um sonho difícil para a maioria das pessoas. Mas para os poucos que chegam ao marco centenário, uma variação genética ligada aos níveis de colesterol pode ter papel importante.
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- Procuramos razões para a longevidade em um grupo de pessoas que mostraram ter hábitos muito distintos. Por isso desconfiamos da questão genética - explicou Nir Barzilai, diretor do Instituto de Pesquisas de Idade da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York.
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Os cientistas observaram 158 descendentes de judeus da Europa Oriental, com 95 anos ou mais. Um quarto dos que viveram até a idade média de 100 anos apresentaram uma variação genética que aumenta o tamanho das partículas do "bom" colesterol (HDL) no sangue. Os premiados com a característica também preservam intactas as habilidades de pensar, aprender e lembrar, e são protegidos contra o mal de Alzheimer.
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A descoberta, publicada na revista Neurology, sinaliza que drogas futuras podem ajudar os que não têm o gene.

Ditaduras e crescimento econômico

Ricos Ou livres?
Carlos Alberto Sardemberg
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Não se trata de saber se o êxito econômico do Chile atenua o terror imposto por Pinochet. Não atenua, mesmo que o Chile fosse hoje o país mais rico do mundo. Se a receita de crescimento para países pobres fosse suprimir as liberdades e assassinar os adversários, isso seria a prova final da inviabilidade dessas nações. Teríamos que ser ou ricos ou livres?
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A história mostra, porém, todas as combinações. Para ficar nos opostos: há países ricos e livres, assim como ditaduras pobres. E há, sim, ditaduras que conseguiram bons resultados econômicos, isso medido pelo aumento da renda per capita e pela redução dos níveis de pobreza.
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China, está na cara. Mas também a Coréia do Sul alcançou grau elevado de riqueza com regime autoritário. Nos dois casos, existiu uma decisão explícita ou implícita tomada pelas lideranças: primeiro, crescer rápido e aumentar o bolo, depois distribuir e implantar a democracia, se for inevitável. Até aqui, foi na Coréia, em consequência da pressão por salários e votos, exercida por trabalhadores e classes médias formadas no processo de crescimento.
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A política econômica escolhida nesses casos funciona melhor e, não raro, só funciona com regimes autoritários. São aquelas políticas baseadas em acumulação acelerada e exportação, o que exige salários baixos, trabalho intenso e pouco consumo interno, de modo a sobrar excedentes e poupança para novos investimentos. Na China, hoje, a poupança equivale a 40% do Produto Interno Bruto. Na Coréia, já democrática, 29%. No Brasil, 20%.
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Não é possível aplicar essa política com sindicatos, partidos políticos e imprensa livres. Amplas parcelas da população não aceitariam tamanho sacrifício imediato, e dificilmente seriam convencidas de que esse seria o caminho do crescimento.
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Resta o paradoxo chinês: um partido comunista, supostamente controlado pelos trabalhadores, empenhado em implantar um capitalismo autoritário. Mas que, de fato, todo ano traz para as novas cidades e retira da pobreza milhões de pessoas que viviam no campo miserável.
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No Chile de Pinochet, o regime econômico passou por diversos momentos. No início, a partir de 1973, tratou-se inicialmente de desmontar o sistema estatizante e populista que o governo socialista havia tentado introduzir. O país já estava parado, em forte crise, e a isso se acrescentou a recessão mundial de meados dos anos 70, que derrubou praticamente todos os emergentes.
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Os salários desabaram, o desemprego chegou perto dos 40%. Não fosse a ditadura sangrenta, o governo teria caído. Prosseguiu com a introdução das reformas pró-mercado, incluindo a polêmica privatização da Previdência. Deu uma melhorada e entrou de novo em recessão no início dos anos 80, de novo sob influência de crise internacional. Isso superado, aí sim a nova economia chilena engrenou: aberta, integrada ao mundo, livre mercado, forte estímulo ao empreendedor privado, mas mantendo a maior fonte de riqueza nacional, o cobre, sob controle estatal. E com parte de suas receitas carimbada para as Forças Armadas – o regime não era militar por acaso. De todo modo, o país começou a crescer aceleradamente, ganhou renda.
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Na primeira eleição livre, depois que Pinochet perdeu o plebiscito, Patricio Aylwin, da coligação democrata-cristã/socialista, venceu Hernán Buchi, candidato do regime e que havia sido ministro da Economia nos últimos anos. Perdeu, mas fez 40% dos votos.
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No primeiro governo civil, o ministro da Economia foi Alejandro Foxley, atual chanceler, que declarou então, em 1999: “Podemos não gostar do governo anterior, mas eles fizeram muitas coisas certas. Herdamos uma economia que é um ativo”. Não reverteram as reformas, nem mesmo a da Previdência – embora agora o governo esteja tomando medidas para consertar desequilíbrios gerados.
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Mantidas as bases, a economia chilena não só preservou a capacidade de crescer, como acelerou a expansão, já agora com a introdução de programas sociais e medidas favoráveis à distribuição de renda e aumento de salários.
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Esses são os fatos. A pergunta: teria sido possível chegar a tais resultados econômicos sem a ditadura? Naquelas circunstâncias e naquela velocidade, não.
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Mas isso não quer dizer que o único caminho seja o chileno, nem mesmo que seja recomendável. Apenas aconteceu assim.
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É possível tirar um país da pobreza em regime democrático. Exemplo: Espanha. E considerada a maturidade das decisões políticas chinesas na redemocratização, é possível imaginar que o Chile teria conseguido feito semelhante.
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É possível também que um regime militar atire o país no desastre econômico. Brasil e Argentina, claro.
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Voltaremos ao assunto.
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Publicado em O Globo, 14 de dezembro de 2006.

PF esqueceu a mídia no trenó de Natal

Por Alberto Dines no Observatório de Imprensa
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O relatório final da Polícia Federal divulgado às vésperas do Natal (sexta, 22/12) ignora o principal: o móvel do crime.
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Nossos competentes "federais" levaram 96 dias para concluir o caso, mas não conseguiram descobrir a origem do equivalente a 1,7 milhão de reais apreendidos num hotel em São Paulo. Em compensação conseguiram tipificar alguns ilícitos e indiciar sete pessoas, cinco do partido do governo (um deles senador da República, Aloízio Mercadante).
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Mas o que é que Valdebran Padilha e Gedimar Passos fariam com o dinheiro que receberam do assessor de Mercadante, Hamilton Lacerda? A Polícia Federal sabe, os jornais sabem, os formadores de opinião de todas as tendências – grisalhos ou não – sabem: o dinheiro seria entregue à máfia dos Vedoin que, em troca, entregaria um dossiê com informações sobre políticos da oposição, sobretudo o então candidato do PSDB ao governo paulista, José Serra.
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O que fariam os criminosos com este dossiê?
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A PF não esclareceu, não achou importante, sequer tocou no assunto. Muito menos os três jornalões nacionais que deram no dia seguinte (sábado, 23/12) amplo destaque ao relatório.
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Comprar informações não é crime, todos os leitores de jornais e revistas compram informações. Mas comprar informações para serem publicadas num veículo de circulação nacional e difamar os candidatos da oposição é um crime que, se não pode ser enquadrado no Código Penal, precisa ser ao menos mencionado e minuciado.
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O eleitor brasileiro tem o direito de saber qual a finalidade da compra do Dossiê Vedoin para entender a dimensão de um crime que envolve diretamente um dos expoentes do partido do governo. O que pretendia a dupla de compradores com o precioso dossiê? Fazer um picadinho daquela papelada? Guardá-la para uma futura emergência?
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Ou publicá-la na revista IstoÉ antes das eleições?
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Faz-de-contas natalino
Este é o crime maior, crime que chegou a ser consumado (tanto que serviu para a propaganda do candidato Orestes Quércia). Mas esse crime final foi completamente omitido no relatório final da PF.
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Omitido pela PF ou pelos jornais que divulgaram a conclusão do inquérito?
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O móvel de um crime é tão abominável como o crime em si, tão importante quando a nomeação dos criminosos. Não se pode publicar a notícia de assalto a um banco ignorando as intenções dos assaltantes, especialmente porque estas abjetas intenções chegaram a ser materializadas.
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O crime eleitoral, o atentado ao sistema financeiro e a lavagem de dinheiro que aparecem no relatório da PF são acusações insignificantes. O senador Mercadante, devidamente indignado, está protestando inocência, mas ele sabe que crimes eleitorais (e até mesmo crimes hediondos) caem com a maior freqüência na vala comum da impunidade.
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Sem indicar a origem do dinheiro para a compra do dossiê e sem indicar o que se fez com este dossiê, o relatório da PF é um faz-de-contas natalino, não muito diferente da neve, dos veadinhos e do trenó do Papai Noel que enfeitam o nosso imaginário tropical.
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Campos diferentes
A imprensa é tão culpada como a PF pela superficialidade, insuficiência e parcialidade do relatório no que tange o móvel do crime. Se a omissão foi da PF, caberia à imprensa denunciá-la imediatamente. Ou lembrar ao leitor esquecido os detalhes e objetivos do Dossiê Vedoin.
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Nem a Folha de S.Paulo nem o Estado de S.Paulo mencionaram o nome da IstoÉ no resumo do relatório da PF ou nas matérias complementares produzidas pelas respectivas redações. Apenas O Globo o fez, e de passagem, o que não o absolve desta cumplicidade com a PF [sábado, 23/12, págs. A-4 e A-5 da Folha e do Estadão; pág. 9 do Globo)].
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Aquilo que a "imprensa grisalha" (ou engajada) tentou denunciar como "complô da mídia contra o governo" acabou transformando-se num "complô do governo com a mídia para esconder a banda podre da mídia".
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Isso é muito mais grave: porque teve total assistência da Polícia Federal (leia-se ministro da Justiça) e porque joga no mesmo saco dois poderes que, para a tranqüilidade da sociedade brasileira, deveriam estar em campos diferentes.

TOQUEDEPRIMA...

Pedido de Lula agita cerimonial, e rasga nossa história.
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BRASÍLIA - Faltando quatro dias para a posse do presidente Lula, os encarregados do cerimonial do Itamaraty e do Palácio do Planalto ainda não sabem como atender a um pedido dele. Lula quer ter a seu lado, no Rolls-Royce que o levará da Catedral de Brasília ao Congresso, a primeira-dama, Marisa Letícia, e não o vice-presidente, José Alencar, como ocorreu em 2003 e como prevêem as regras da solenidade.
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Aparentemente trivial, a mudança obrigará os organizadores da posse a inovarem também em outros aspectos da festa. O primeiro e o mais complicado é providenciar outro carro aberto para transportar Alencar logo após o Rolls-Royce do presidente. Feito isto, os encarregados também terão de incluir no ritual a mulher do vice, Mariza Alencar - que deve estar ao lado do marido no trajeto de menos de dois quilômetros.
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Mas será preciso realizar mais um ajuste. Eles terão de pedir aos presidentes da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também estejam acompanhados por suas mulheres, Rita e Verônica, quando aguardarem Lula e Marisa na rampa do Congresso.
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COMENTANDO A NOTÍCIA:
É lamentável que Lula ainda não aprendeu nada neste tempo todo. Ir ao lado Vice-Presidente representa mostrar ao povo os dois eleitos pelo mesmo povo. Só isso. Quem elegeu dona Marisa ? Ou mesmo a esposa de José de Alencar? Para aquele cortejo, para a consagração popular do desfile aberto em carro oficial, quem deve participar são as pessoas que o povo escolheu para comandá-las. Por mais respeito que dona Marisa mereça, ela está se intrometendo numa festa que não é dela, e sim de seu marido que foi quem concorreu e no voto foi escolhido, junto com seu vice-Presidente, José Alencar. Aliás, Lula bem que poderia ter mais respeito com as tradições históricas deste país até para servir como exemplo às gerações mais jovens. Chega de breguices do tipo “estrela vermelha” no gramado do Palácio ! Respeitar nossas tradições históricas, como também o bom senso, não fariam nada mal aos homens (e agora, mulheres) do Planalto. Se é para inovar comece por trabalhar em primeiro lugar e, em segundo, apresente um programa de desenvolvimento que seja mais desenvolvimento para país, com menos retórica e discursos.
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Cuiabá retoma terreno doado à Petrobras
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Os vereadores de Cuiabá revogaram a Lei 1.366, de junho de 1974, que doava um terreno a Petrobras. A estatal nunca se interessou em usar a área para promover desenvolvimento na capital do Mato Grosso. A Câmara Municipal começou a suspeitar que a Petrobras pretendia vender o terreno, por isso, retomaram a área, localizada na avenida Fernando Correa.
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OAB divulgará os cursos que recomenda
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A Comissão de Ensino Jurídico do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil anunciou que a relação das instituições de ensino brasileiras contempladas com o selo da terceira edição do OAB Recomenda será divulgada no início de janeiro de 2007. O OAB Recomenda confere uma espécie de selo de qualidade aos cursos de Direito brasileiros que apresentaram melhores desempenhos no Exame de Ordem somados a outras verificações e cuja listagem vem sendo publicada a cada três anos.
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Militares criticam a Air FAB
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Pegou mal, muito mal em setores da Aeronáutica o uso da FAB para transporte de civis, como determinou o presidente Lula, dando uma "mãozinha" à TAM. Oficiais da ativa e da reserva lembraram à coluna "a missão constitucional da Força Aérea Brasileira": ajuda humanitária ou resgate em catástrofes, como ocorreu no socorro aos brasileiros no Líbano e na busca das vítimas da tragédia da Gol. "É o fundo do poço", desabafou um deles, " a desmilitarização da FAB por decreto". O episódio não foi engolido com facilidade e promete render.
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Salto de vendas no Natal foi maior no 1º mandato de FHC

"O grande salto de consumo no Natal ocorreu nos meses de dezembro do primeiro mandato do governo Fernando Henrique Cardoso. Entre 1995 e 1998, o número de consultas para vendas à vista e a prazo aumentou, em média, 18% ao ano. É o triplo da taxa de crescimento nos quatro anos do governo Lula”.
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COMENTANDO A NOTÍCIA:
Isto demonstra algumas verdades que andavam esquecidas para a maioria da população, bem como põe por terra algumas da mentiras descaradas de Lula ao longo deste seu primeiro mandato. A primeira verdade é a inequívoca constatação de que havia vida inteligente no Brasil antes da era lulista. Aqui se trabalhava, se ganhava dinheiro, e se tinha progresso. Segunda verdade, é a de que foi o Plano Real com sua estabilidade e morte da inflação galopante, quem realmente distribui renda no país, repondo no mercado e no consumo milhões que estavam fora deles. Terceira verdade, não é com bolsa família e crédito consignados que você empurra um mercado para frente e acelera o progresso do país. É necessário investimento produtivo, de cunho privado com incentivos governamentais (regras, claras, menos burocracia, poder judiciário eficiente, juros baixos e tributação decente), além de investimentos maciços em infra-estrutura de parte do Estado. E isto gera progresso, acelera crescimento que, por conseguinte, distribui renda. Até hoje não se viu ninguém engordar por engolir discurso de políticos...
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Por fim, é preciso que ponham os devidos pingos nos seus devidos “is”. O governo Lula, a par do discurso, não conseguiu avançar nas questões que realmente travam nossa economia, até pelo contrário. Ao incentivar conforme já denunciamos repetidas um câmbio de dólar fraco (somos os únicos no mundo, é bom que se diga), estamos é impedindo a expansão do mercado interno, fechando fábricas e postos de trabalho, estamos ainda tirando a competitividade de nossos produtos lá fora, e exportando empregos, para a China por exemplo. Parece que esta simples equação ainda não foi assimilada por Lula e sua equipe econômica. Não precisamos desta política cambial capenga para manter a inflação sob controle, nem tampouco dos juros extorsivos que se praticam internamente. O resultado é o crescimento medíocre do país, comparado a si mesmo e aos demais países emergente, cuja média tem sido superior a 5% ao ano, enquanto a nossa não passa de 2,7% ! Ou Lula larga de mão esta arrogância e prepotência perniciosas, ou veremos a miséria se alastrando no país durante muitos anos ainda.

Lula opta pelo baixo crescimento

Carlos Alberto Sardemberg
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Crescer aos poucos
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A meta de crescimento de 5% para 2007 durou apenas algumas semanas. Ao decidir pelo salário mínimo de R$ 380 e, sobretudo, ao justificar sua decisão, o presidente Lula manifestou sua opção: “nós vamos distribuindo aos poucos e vamos crescendo aos poucos...”
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Para turbinar o crescimento – que deve fechar em 2006 abaixo de 3%, medíocre pelo segundo ano consecutivo – o presidente determinou que se acelerassem os investimentos públicos, pois geram empregos e criam capacidade produtiva nova. Vaí daí que, procura dinheiro aqui, procura dinheiro ali, ficou claro que era preciso escolher: ou se gastava com assistência social e com o salário mínimo (com aposentadorias, já que 17 milhões de beneficiários da Previdência ganham o mínimo) ou com novos investimentos.
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Em dinheiro: pelos cálculos dos ministérios do Planejamento e da Previdência, cada 5 reais a mais no salário mínimo elevam a despesa com aposentadorias em R$ 1 bilhão/ano. Assim, os 30 reais de aumento fechado na semana passado representam uma despesa anual de R$ 6 bilhões. Considerando que o novo valor será pago a partir de abril de 2007, o gasto no período será de R$ 4,6 bilhões.
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Isso equivale a quase dez vezes vezes o que o governo gastou em estradas neste ano. Daria para comprar oito sistemas de tráfego aéreo. Ao longo de 2006, o governo federal não está gastando nem R$ 15 bilhões em investimentos, de modo que o dinheiro do mínimo daria para um ganho de 35% no gasto com infra-estrutura.
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Mas não se pode comparar aposentadoria com radares, argumenta-se.
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Não só pode, como é necessário. Por mais meritória que se seja a política social, ela não sai de graça. Custa dinheiro, é dinheiro pago pelo contribuinte e que vai para o mesmo caixa, o Tesouro Nacional, de onde saem os recursos para todas as despesas do governo.
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Lula disse que governar é “cuidar do povo”, visão populista, paternalista, que se traduz nisso: distribuir dinheiro. Na verdade, porém, governar é escolher, definir prioridades. A prioridade de Lula não é o crescimento, mas transferência direta de renda aos mais pobres.
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Diz ele que isso não atrapalha ninguém, não bloqueia o crescimento e que todo mundo ganha. Exemplifica: “esse povo que vai ganhar mais vai comprar comida, roupa, sapato”.
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Certamente, estimula o consumo e isso movimenta toda a economia, como aliás já se viu neste ano. Mas há perdedores, sim.
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Transferência de renda significa necessariamente tirar de um e dar para outro.
Os brasileiros que pagam impostos são os fornecedores da renda que o governo distribui. Decorre daí que uma política de forte expansão das transferências e do gasto público em geral significa que o governo tem de arrecadar cada vez mais impostos. E, de fato, o orçamento para o ano que vem prevê novo aumento da carga tributária.
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Ora, o dinheiro que as empresas pagam em impostos – que chega em muitos casos a 40% do faturamento – poderia ir para novos investimentos, não é mesmo? Esses investimentos gerariam empregos e salários – e, pois, ganho generalizado de renda.
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Mas se o povo vai comprar comida, roupa e sapato, isso estimula a produção local e esta gera crescimento, tal é a tese presidencial. Na sua fala atravessada, Lula completa: “Esse dinheiro (do mínimo e das aposentadorias) nunca será comprado em dólar, vai ser comprado em comida e produto brasileiro”.
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Quem disse que será produto brasileiro? Pode ser perfeitamente produto importado e, pois, gasto em dólar. Quer ver um exemplo? O governo reduziu impostos sobre computadores e as vendas aumentaram muito, especialmente nas classes mais pobres. Ora, computador ou é importado ou tem muito componente importado. O pãozinho e o macarrão têm trigo importado.
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Na verdade, se há um estímulo forte ao consumo – e a produção local não atende – acontece uma de duas: ou há inflação ou se aumentam as importações.
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O que acontece no Brasil neste momento é o aumento da importação. O IBGE mostrou que, de janeiro a outubro último, as vendas do comércio varejista (consumo) subiram 6% em relação ao mesmo período de 2005. A produção industrial, na mesma base de comparação, aumentou 2,9%.
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A diferença foi coberta por um aumento de importações – “comprado em dólar”. Até aqui, não há problema com as importações, pois as exportações, sustentadas por um boom da economia mundial, continuam fortes. Mas importação, convém lembrar, gera emprego industrial lá fora.
O que aumenta a capacidade de produção são novos investimentos. E é isso que falta ao país. Hoje, o Brasil investe o equivalente a 20% do PIB. O setor público, esticando o número, contribui com 1,5% e os outros 18,5% vão por conta da iniciativa privada.
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Se o governo não vai aumentar sua quota – porque vai continuar gastando mais em custeio, previdência e assistência social – resta a alternativa do setor privado.
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Mas para que este invista ainda mais, seria preciso reduzir a carga tributária e a taxa de juros. Mas como reduzir impostos se o governo precisa sempre de mais dinheiro para transferir renda e cuidar do povo?
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E para que caia a taxa de juros, o governo precisaria reduzir sua dívida, hoje equivalente a 50% do PIB, quando deveria estar em 30%. Para reduzir a dívida, precisaria pagar mais juros – mas o governo está pensando justamente o contrário, cortar no pagamento de juros para gastar mais.
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Resumo da ópera: distribuir renda é meritório e é uma decisão política do presidente, que foi eleito com os votos dos beneficiários dessa distribuição.
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Mas tem custos e perdedores. Com mais consumo, sobra menos dinheiro para investimentos, e sem estes a economia cresce pouco e não gera empregos suficientes.
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Em novembro último, havia 2,2 milhões de desempregados nas regiões metropolitanas. Em novembro do ano passado, exatamente 2,2 milhões. No período, foram gerados 600 mil empregos, suficientes para atender o pessoal que chegou ao mercado, mas não para reduzir o estoque de desempregados. Eis um grupo de perdedores, porque a economia cresceu “aos poucos”.
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Publicado em O Estado de S.Paulo, 25 de dezembro de 2006

TOQUEDEPRIMA...

Governo pretende aumentar energia de termelétricas
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O Ministério de Minas e Energia, tendo em vista que o teste do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sobre a disponibilidade de gás para as usinas térmicas comprovou que boa parte delas não está gerando energia a plena carga por falta de gás natural, quer que essas usinas apresentem uma nova planilha de seus custos de geração.
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A intenção do governo é a de saber se, cobrando mais pela energia, essas usinas conseguiriam viabilizar uma geração maior do que a que foi verificada no teste. Portaria do Ministério publicada ontem no "Diário Oficial da União" estabelece que as usinas submetidas ao teste terão até o dia 10 de janeiro para apresentar ao governo "todos os parâmetros necessários para o cálculo da respectiva garantia física de energia".
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Isso significa que as usinas terão de apresentar uma nova planilha de custos e, a partir daí, definir quanto de energia conseguiriam gerar, efetivamente. A expectativa dentro do governo é de que, cobrando mais pela energia, usinas que não têm contrato firme de fornecimento de gás consigam viabilizar a compra de gás para gerar mais energia.
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A portaria estabelece ainda que, após apresentar esses dados, as usinas terão de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e se comprometer a gerar a energia que declararam, já com o novo custo. Caso alguma usina deixe de entregar a energia que declarou, sofrerá penalidades, ainda não divulgadas pelo governo.
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Governo se arma contra apagão
Fernando Exman, Jornal do Brasil
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O governo já se prepara para lidar com um racionamento de energia elétrica até 31 de dezembro de 2010. Por mais que representantes do Ministério de Minas e Energia façam questão de dizer em público que a situação do abastecimento está sob controle, no Congresso, a base do governo aprovou um instrumento emergencial que permite a destinação prioritária do gás natural para a geração de energia. Pelo mecanismo, aprovado no Senado, em caso de emergência, o governo poderá desviar o combustível de indústrias e residências para geração termelétrica.
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Tal possibilidade foi imposta pelo governo para permitir a aprovação da Lei do Gás, semana passada, na Comissão de Serviços de Infra-Estrutura do Senado. A iniciativa privada celebrou a aprovação do marco regulatório do setor, que pode tirar investimentos do papel. Mesmo assim, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que o Executivo não está satisfeito com o texto. Pretende modificá-lo na Câmara, onde tentará incluir artigos para resguardar a participação da Petrobras nos mercados de transporte e armazenagem de gás. Até a semana passada, essa disputa impedia o avanço do projeto.
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- O marco é essencial para evitar o racionamento - alertou Jucá. - As garantias ao setor privado têm de estar no texto.
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O governo decidiu colocar em ação um plano para evitar uma nova crise energética devido a alertas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No dia 28 de novembro, o órgão aprovou resolução que fixa critérios para o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) considerar a oferta de energia das térmicas do país. A resolução foi aprovada porque, em agosto e setembro, algumas usinas não operaram por falta de gás.
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Aneel autoriza empresa brasileira a exportar energia para Bolívia
Por Leonardo Goy , Agência Estado
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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou nesta terça-feira (26/12) a empresa brasileira Rede Comercializadora de Energia a exportar energia para a Bolívia. A autorização, publicada na edição de hoje do Diário Oficial da União, vale por 12 meses. De acordo com a Aneel, a empresa venderá até 270 megawatts-hora (MWh) por mês à Cooperativa de Serviços Públicos Angel Sandoval, que atende o município boliviano de San Matias. Outros 27 MWh por mês serão repassados à prefeitura da cidade boliviana de San Ignácio de Velasco.
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Banco do Brasil quer vincular crédito ao seguro rural
Renata Veríssimo , Estadão
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O novo diretor de Agronegócios do Banco do Brasil, Dercí Alcântara, afirmou que a instituição quer tornar o seguro rural compulsório na contratação do crédito rural. Segundo ele, o seguro tornaria viável o crédito. 'Quando quebra a safra, o produtor quebra junto. O seguro rural garantiria o pagamento do empréstimo', explicou.
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Ele afirmou que o seguro rural atualmente é subsidiado em 50% pelo Tesouro Nacional e que o Ministério da Agricultura está pleiteando no Orçamento de 2007 a liberação de R$ 100 milhões para subsídio ao seguro rural. Atualmente, os recursos para essa finalidade somam R$ 62 milhões.
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Alcântara informou ainda que o BB pretende, na próxima safra, lançar opções de compra no mercado futuro. Ele disse que o Banco do Brasil quer, juntamente com a BM&F, estimular o produtor a contratar a proteção contra a flutuação de preços (hedge).
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Um calote oficial de R$ 60 bi
Daniel Pereira, Jornal do Brasil
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Executivo, Legislativo e Judiciário ainda não encontraram maneira de obrigar Estados e municípios a pagarem dívida de cerca de R$ 60 bilhões em precatórios. Entre os credores estão trabalhadores, aposentados e pensionistas, que precisam dos recursos para sobreviver. A situação é de "calote oficial", como classificam ministros de tribunais superiores e integrantes do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). E tende a perdurar, pois projetos apresentados para acabar com a inadimplência generalizada dormitam no Congresso.
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Além disso, a Justiça não pune os governantes devedores. Diz não ter instrumentos para garantir a liquidação da fatura.
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- É brincadeira, é tripudiar em cima do cidadão - diz o ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o tamanho do esqueleto. - Trata-se de calote oficial.
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Precatórios são dívidas de União, Estados e municípios decorrentes de decisão judicial definitiva. Não precisam ser quitados de imediato. Pela Constituição, o poder público tem até 18 meses para saldá-los. Mesmo assim, não o faz, com exceção da União.
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- A situação não é de inadimplência, mas de calote público - declara o presidente da Comissão de Defesa dos Credores Públicos da OAB, Edgar Luiz Cavalcanti de Albuquerque.

Tanto ele como Marco Aurélio ressaltam que o cidadão não recebe o mesmo tratamento quando deixa de pagar um débito. É punido, por exemplo, com a penhora de seus bens.
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- O Estado precisa adotar uma postura mais séria. O exemplo vem de cima - lembra o ministro do Supremo.
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Relator de pedidos de intervenção federal em Estados e municípios por falta de pagamento de precatórios alimentares, Marco Aurélio foi voto vencido nos julgamentos e não conseguiu aplicar a punição solicitada pelos credores. Para a maioria dos ministros, o interventor - como governadores e prefeitos - não teria recursos para acertar as contas. Segundo o ex-ministro Nelson Jobim, seria necessário "decretar a intervenção no interventor".
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Jobim elaborou uma proposta destinada a resolver a situação. O texto aguarda votação no Senado. Na Câmara, está parada proposta de Celso Russomano (PP-SP) que considera ato de improbidade administrativa a falta de pagamento de precatório alimentar e estabelece como punição ao presidente da República, governadores e prefeitos a perda dos direitos políticos por oito anos.
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- Falta vontade política para resolver a situação - reclama Albuquerque.
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Segundo o Supremo, Estados e Distrito Federal devem R$ 42 bilhões em precatórios. Do total, R$ 23 bilhões são precatórios alimentares, que envolvem salários, proventos e pensões. Os outros R$ 19 bilhões são precatórios comuns, decorrentes, por exemplo, de desapropriação de terra e imóveis. Os débitos totais de São Paulo e Rio são de, respectivamente, R$ 12,2 bilhões e R$ 1,3 bilhão. Municípios devem R$ 20 bilhões. Os dados são do ano passado.
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Estão sujeitos à correção monetária e à incidência de juros. Por isso, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Sérgio Cavalieri Filho, calcula que o débito do Estado tenha pulado para R$ 2 bilhões este ano.
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Supremo evita punir governantes
Jornal do Brasil
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O Supremo Tribunal Federal afastou, em 2003, a possibilidade de punir governantes que não estão em dia no pagamento de precatórios alimentares. Em fevereiro daquele ano, os ministros negaram pedidos de intervenção federal no Estado de São Paulo, apresentados para garantir o acerto de contas. A maioria decidiu que a medida - prevista na Constituição em caso de descumprimento de decisão judicial - só poderia ser adotada caso comprovada a falta de vontade para saldar a dívida.
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Relator do processo, o ministro Marco Aurélio de Mello foi o único voto vencido. Diante de uma platéia de aposentados, lembrou que Estados e municípios perderam as causas, tiveram 18 meses para pagar os débitos e não o fizeram "evocando a ausência de recursos".
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- Pretende-se valer do dito: "devo, não nego, pago quando puder" .
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A decisão foi confirmada em abril do mesmo ano, quando o Supremo julgou pedidos de intervenção federal no Rio Grande do Sul. O advogado dos credores apresentou dados mostrando que o governo gaúcho - apesar do aumento crescente da dívida com precatório alimentar - reduzia a cada ano os recursos destinados aos pagamentos. Os ministros recorreram ao pragmatismo e a um argumento político para negar a intervenção.
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- Não é justo afastar um governador que foi eleito agora, sem nenhuma responsabilidade pelo feito e pelo mal feito no passado - declarou Gilmar Mendes.
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Marco Aurélio rebateu. Alegou a impossibilidade de se "personificar" os cargos públicos. Não se trataria do afastamento de fulano ou beltrano, mas de governadores de Estado em razão de descumprimento de decisão judicial. Em vão. Nelson Jobim argumentou que um interventor não dará jeito na inadimplência.
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- O interventor não sairia de Brasília com dinheiro para resolver a situação. Depois, teríamos de decretar a intervenção no interventor.

TOQUEDEPRIMA...

Governo vê risco de aumento de preço de energia
Da FolhaNews
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Para o governo, não há risco físico de falta de energia este ano no Brasil. O máximo que pode acontecer é os grandes consumidores que estavam fazendo contratos de curto prazo no mercado livre terem que pagar mais pela energia. "A energia você tem. O problema é que o preço que eles estavam obtendo não tem mais. Não é um problema de risco, o problema é o preço da energia", avalia Maurício Tolmasquim, presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética, estatal que planeja o setor).
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Segundo Tolmasquim, há duas categorias de consumidores no mercado livre: grandes (siderúrgicas, cimenteiras e produtoras de alumínio, por exemplo) e médios (como shoppings, grandes condomínios e indústrias têxteis). Ele diz que os grandes consumidores que participam do mercado livre têm contratos de longo prazo e, portanto, são menos afetados pelas oscilações. Já os médios saíram recentemente das distribuidoras de energia para aproveitar os preços baixos do mercado de curto prazo e fazem contratos menores.
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Ainda segundo com o presidente da EPE, os preços no mercado livre estavam artificialmente baixos. "Com o racionamento, houve sobra muito grande de energia, que levou a um preço artificialmente baixo. Essa sobreoferta muito grande é ruim. A empresa que saísse da distribuidora e fosse para o mercado livre ganhava muito. Claro que era uma coisa momentânea, que não era sustentável. Agora é que está caminhando para uma situação mais equilibrada", diz ele.
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Tolmasquim explicou que no planejamento do setor elétrico todo o mercado é levado em consideração, não apenas o mercado cativo (das distribuidoras de energia). "Olhamos o mercado como um todo." Segundo ele, a empresa não faz uma análise dos contratos fechados no mercado livre, e sim uma projeção de demanda com base em informações passadas pela própria indústria.
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Antônio Machado, presidente da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), concorda com a avaliação de Tolmasquim. "Sob o ponto de vista do abastecimento, não vejo problema. A energia física sempre será suprida. O risco é preço", disse.
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O ministro Silas Rondeau (Minas e Energia) disse que recebeu o ofício da Petrobras e que o ministério está analisando. Ele diz não concordar com todo o conteúdo. Ele também rechaçou o risco de falta de energia. A Petrobras, procurada, não quis se manifestar.
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Falta gás para a operação plena de termelétricas
Leonardo Goy, Estadão Online
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O teste sobre a disponibilidade de gás natural para as usinas termelétricas, realizado neste mês, confirmou o alerta feito pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no final de novembro: falta gás para que as usinas possam gerar energia a plena carga. Dados preliminares mostram que as 13 usinas termelétricas nas quais foi feita a checagem deixaram de gerar 2.700 MW médios nos 12 dias do teste, realizado entre 11 e 22 de dezembro.
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O número é próximo do déficit que havia sido apontado pela Aneel no mês passado, de 2.888 MW médios. O resultado levou o governo a reagir. Em portaria publicada no Diário Oficial, o Ministério de Minas e energia determinou que as usinas que participaram do levantamento apresentem uma nova planilha de custos de geração. A intenção é saber se, cobrando mais pela energia, as usinas que não têm contrato firme de fornecimento de gás conseguiriam viabilizar a compra do insumo para, então, ampliar a geração elétrica.
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A portaria estabelece que as usinas terão até 10 de janeiro para apresentar ao governo "todos os parâmetros necessários para o cálculo da respectiva garantia física de energia". Isso significa que, a partir da nova planilha, as usinas terão de definir quanto de energia conseguiriam gerar, efetivamente, mesmo que a um custo maior.
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Após apresentar esses dados, elas terão de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta com a Aneel e se comprometer a gerar a energia que declararam ser possível produzir com o novo preço.
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Caso alguma usina deixe de entregar a energia que declarou, sofrerá penalidades, ainda não divulgadas pelo governo.
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Segundo o balanço preliminar do teste realizado neste mês, as 13 usinas participantes do acompanhamento deveriam ter gerado 4.846 MW médios, mas geraram apenas cerca de 2.146 MW médios durante a checagem. A Aneel pretende retirar essa energia não gerada do planejamento do setor elétrico, o que pode aumentar, no mercado, a percepção de risco de um apagão nos próximos anos - e isso preocupa o governo.
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A Petrobras, principal fornecedora de gás para as termelétricas, disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que ainda está analisando os resultados do levantamento e que, por isso, não iria se pronunciar.
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Certificação digital será obrigatória no comércio exterior
Adriana Fernandes, Estadão Online
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BRASÍLIA - A partir de 1º de janeiro de 2007, todas as empresas que quiserem começar a operar com o comércio exterior no Brasil terão que ter certificação digital. O certificado digital funciona como um documento de identidade eletrônica que pode ser utilizado na internet e tem validade jurídica como uma assinatura em um papel.
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A nova regra, baixada pela Receita Federal, valerá inicialmente apenas para os novos pedidos de habilitação ao Sistema de Comércio Exterior (Siscomex). Para as empresas que já estão habilitadas (cerca de 36 mil), a Receita deu prazo até 31 de dezembro de 2007 para começarem a utilizar a certificação digital.
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Segundo o coordenador-geral da Administração Aduaneira da Receita Federal, Ronaldo Medina, o responsável legal pela empresa que começar a operar no comércio exterior somente terá acesso ao cadastro de representantes no Siscomex na internet com a certificação digital.
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A nova regra deverá ser adotada não só pelas empresas que estão iniciando as atividades de comércio exterior, mas também por aquelas cuja senha do responsável legal esteja bloqueada, expirada ou que tenha sido esquecida. Essas terão que pedir nova senha e, para reiniciarem operações, terão que estar com o certificado digital. "Essa é uma medida que vai dar mais transparência e segurança", disse Medina.
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A partir do próximo ano, a Receita vai exigir de um grupo de 180 mil empresas o uso da certificação digital para a entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), que é o documento de ajuste anual semelhante ao do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). A exigência alcança as empresas que recolhem impostos e contribuições com base no regime de tributação pelo lucro real. O período de entrega da DIPJ vai de 2 de maio a 29 de junho de 2007.

Lula e seu presente de grego

Valdo Cruz, Folha São Paulo
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Antes do Natal, Lula vestiu o figurino de Papai Noel e mostrou, claramente, que ainda não desceu do palanque eleitoral. Distribuiu benesses a seu eleitorado cativo ao conceder um reajuste para o salário mínimo --subirá em 2007 de R$ 350 para R$ 380-- que sua equipe econômica não aconselhava. Foi além ao definir correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física. Buscou ficar de bem com a classe média, que o vê com desconfiança.
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Aparentemente, são medidas até defensáveis. Afinal, R$ 380 de salário mínimo continua sendo um valor muito baixo num país de tantas desigualdades. E corrigir a tabela do IR é uma forma de evitar que o Leão da Receita devore uma fatia maior da renda dos assalariados. Só que tudo isso poderia ser adotado, mas em dose mais parcimoniosa, de forma a evitar maiores pressões sobre o quadro cada vez mais grave das contas públicas. E esse parecia ser o caminho que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iria adotar pelo menos no primeiro ano de seu segundo mandato.
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Recordo ter conversado, logo após a vitória nas urnas que garantiu a Lula mais quatro anos de mandato, com alguns membros do governo. Gente de primeiro escalão de dentro do próprio Palácio do Planalto e da equipe econômica. O discurso bem afinado era que as bondades do ano eleitoral não se repetiriam no próximo ano. Afinal, se continuassem, ficaria impossível reverter a curva ascendente das despesas públicas, inviabilizando duas medidas consideradas essenciais para a retomada sustentável do crescimento: diminuição da carga tributária e aumento dos investimentos públicos.
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Agora, na reta final do ano, Lula indicou que não quis dar ouvidos a esse grupo de assessores. Preferiu o caminho mais fácil da popularidade, experimentado ao longo desse ano, com adoção de medidas de grande repercussão eleitoral. Tanto que lhe garantiram a reeleição. O que o presidente parece não estar enxergando é que essas bondades distribuídas antes do Natal podem se transformar, num futuro próximo, num verdadeiro presente de grego.
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Hoje, ele ganhará os aplausos de boa parte de seu eleitorado. No futuro, pode ser condenado pelos filhos de seus eleitores quando descobrirem que a Previdência Social brasileira simplesmente quebrou diante da falta de coragem do atual presidente em tentar desarmar essa bomba-relógio. E, no curto prazo, o próprio Lula poderá sentir o gosto da impopularidade no final de seu segundo mandato, já que suas bondades de hoje estão reduzindo o espaço para aliviar a carga tributária das empresas de amanhã, podendo ainda sacrificar o seu tão desejado plano de elevar o investimento público.
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Em resumo: Lula opta hoje por medidas positivas, mas que não são sustentáveis no médio prazo. E põe em risco a possibilidade de o país escapar de sua história recente de taxas medíocres de crescimento. Não será o setor público que impulsionará, como no passado, a economia brasileira. Mas o privado. O presidente ainda não compreendeu essa equação.
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Dados para reflexão
Enquanto os investimentos públicos caíram de 1% do PIB (Produto Interno Bruto) em 1997 para cerca de 0,6% no ano passado, os gastos públicos saltaram, no mesmo período, de 15% para quase 19% do PIB. Resultado de uma política que podou investimentos em infra-estrutura, por exemplo, em benefícios de gastos previdenciários e de pessoal. O saldo está por aí: funcionários públicos e aposentados contentes com o presidente; estradas, portos e ferrovias operando de forma deficitária.
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Para sustentar esse apetite do governo federal, a carga tributária só fez subir desde o início dos anos 90. Saiu de 29% do PIB em 1995 para chegar na casa dos 38% no final do ano passado. Enquanto isso, o Brasil amarga o décimo-primeiro ano de crescimento econômico abaixo da média mundial. Pior. Pelo segundo ano o PIB brasileiro vai crescer cerca da metade do mundial. E para quem acha que a Previdência Social não é um grande problema, basta dar uma olhada nesses números: as despesas previdenciárias subiram de 6% do PIB em 2000 para uma taxa estimada nesse ano de 8,1% do PIB. Por sinal, o país vai terminar o ano gastando mais com a Previdência do que com juros --os 8,1% contra 7,7% em pagamento para refinanciar a dívida pública.
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Cidades
Lula deve realmente deixar para o próximo ano a remontagem de seu ministério, mas indicou a permanência de Márcio Fortes nas Cidades dentro da cota do PP no seu governo de coalizão. Na semana passada, ao receber parlamentares pepistas, o presidente fez elogios rasgados ao atual ministro. A bancada aplaudiu.

A República Corporativa

por Denis Rosenfield, no Estadão
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O bolo é um só. Se a fatia de uns é maior, a dos outros é necessariamente menor. Toda criança sabe disso. Tal verdade deveria ser do conhecimento de todos, sobretudo dos gestores públicos e dos mais altos representantes do Estado, nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. No entanto, parece que boa parte desses dirigentes faz vista grossa a uma verdade tão elementar, como se o seu trabalho valesse muito mais que o dos outros ou como se os recursos públicos fossem infinitos, cada um retirando sempre uma fatia maior. O problema, porém, reside em que o bolo é finito, e a fatia dos outros vai ficando cada vez menor. Reflexo maior disso são as incessantes discussões e os impasses relativos aos aumentos do salário mínimo e dos menores salários em geral, sempre prejudicados em função dos que mais ganham.
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O Estado brasileiro tem uma estrutura corporativa que afeta substancialmente o seu tipo de democracia. Os grupos corporativamente mais bem organizados têm maior poder de pressão para extraírem para si um quinhão maior dos recursos públicos. Sua força se faz imediatamente sentir no modo de funcionamento republicano, conseguindo impor suas condições e criando uma espécie de casta estatal. Exemplo maior disso foi o debate sobre o estabelecimento do teto para os diferentes Poderes da União.
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O Poder Judiciário foi o que melhor exerceu pressão, conseguindo com a fixação do seu teto um efeito em cascata que beneficiou todos os seus membros. Sob a bandeira aparentemente moral de coibir os excessos, que reduziria os gastos públicos, observou-se o efeito contrário, ou seja, o aumento dos salários e maiores gastos públicos. Uma medida aparentemente saneadora foi a ocasião de um aumento generalizado dos proventos dessa corporação estatal. O processo terminou se fazendo de uma forma tão “natural” que logo surgiram propostas, tanto no Supremo quanto no Conselho Nacional do Ministério Público, de furar o teto. A situação é totalmente surrealista, pois o teto foi feito para estabelecer um limite, e os mesmos que estabeleceram o limite procuram subterfúgios para não obedecerem ao tal limite. Os argumentos são os mais estranhos, pois, sob o pretexto de resolver a questão de alguns membros, toda a Nação assiste, estupefata, a como os recursos públicos são cada vez mais dirigidos em proveito de alguns poucos. A questão principal consiste em que essas propostas são feitas com a maior “naturalidade”, como se fosse “natural” esse tipo de privilégio concedido a poucos de decidirem por si mesmos o quanto estimam que devem ganhar.
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Inútil dizer que tudo isso se faz por vias legais, porque é este mesmo o problema maior, a saber, que uma República corporativa segue as vias constitucionais que foram elaboradas para beneficiar uma minoria. Na tradição filosófica clássica, o governo de alguns sobre a maioria era chamado de oligárquico. Sua característica residia na dominação de poucos sobre muitos, utilizando principalmente para isso o uso da força. A diferença, agora, consiste em que as vias legais substituíram a força como modo de exercício do poder, embora este apresente ainda outros matizes relativos à observância da lei ou, no caso do Poder Legislativo, de sua elaboração.
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Os argumentos utilizados pela Câmara dos Deputados e pelo Senado na tentativa, até agora fracassada, de aumentarem significativamente os proventos de seus parlamentares são igualmente legais, pois tal aumento deveria ser feito na mudança de uma legislatura para outra, obedecendo, ademais, à mesma preocupação no estabelecimento do teto. O teto, travestido de piso, é também a ocasião de um aumento generalizado para todos os Legislativos nas esferas estaduais e municipais. A autoconcessão é a regra, numa atitude capaz de fazer inveja a qualquer mortal: aumentar os próprios proventos a seu bel-prazer. O efeito mimético ganha, então, toda a sua força, pois, se o Judiciário pode, também pode o Legislativo. O bolo para os demais vai ficando drasticamente menor. Não espanta que o funcionalismo no Poder Executivo, nas distintas esferas da União, tenha, salvo em algumas carreiras corporativamente organizadas, os seus salários achatados. Quanto aos trabalhadores da iniciativa privada, os seus recursos mínguam. A classe média é cada vez mais prejudicada, precisamente por ser a que mais paga impostos para sustentar os altos salários do funcionalismo público. Pode vir a faltar fermento para o bolo, com os baixos índices de crescimento econômico do Estado brasileiro. No entanto, os salários não param de crescer.
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O reverso dessa situação se situa nas atitudes ilegais dos que têm aparelhado o Estado brasileiro, como se fosse também legítimo utilizar o crime para comer uma fatia do bolo. O assalto de certos sindicalistas e políticos aos cofres públicos nas operações mensalão e sanguessuga, entre outras, é um reflexo de como certos grupos terminam por considerar normal fazer uso da corrupção para se locupletarem. A imagem que está sendo vendida ao País é a de que tudo é permitido, pois, afinal, ninguém é punido e todos, de uma ou outra maneira, fazem a mesma coisa.
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Evidentemente, as vias legais e as ilegais guardam uma abissal diferença, porém a imagem que se passa é a de que poucos se aproveitam do que deveria ser utilizado em benefício de todos. A sem-cerimônia dos corruptos é uma manifestação particularmente perversa de como interesses setoriais primam sobre os interesses coletivos, porque, afinal, os maus exemplos estão aí mesmo.
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Não deve, portanto, causar surpresa que a opinião pública deste país veja com descrença cada vez maior o modo mediante o qual os recursos públicos são utilizados por determinadas corporações que usufruem posições privilegiadas. O pouco apego às instituições democráticas pode ser o resultado de tais atitudes, como se uma República corporativa não fosse uma verdadeira democracia.

A Suécia é o país que mais investe em educação no mundo

(*) Nelson Valente, no Blog CH
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A Suécia é o país que mais investe em educação. Só em 2005, gastou 7,6% do seu Produto Interno Bruto nessa área, superando os Estados Unidos, a França, o Japão e a Itália, que aplicaram índices inferiores do seu PIB no mesmo setor.
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Com uma população de 8,4 milhões de habitantes, o país passou por uma intensa reforma educacional, a partir dos anos 50. Hoje, dedica nove anos à escolarização obrigatória, que abrange alunos dos sete aos dezesseis anos de idade; dispõe de classes integradas para o ensino médio, objetivando acomodar indivíduos a partir dos 16 anos; possui um sistema municipal de educação de adultos oferecendo a mesma qualidade-padrão dada aos mais jovens; e conta com um nível superior aberto a qualquer um, com qualificações bastante diversificadas.
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Todas as crianças entram no pré-escolar pelo menos um ano antes de iniciar a escolarização obrigatória. As instituições que realizam esse trabalho não pertencem ao sistema regular de ensino, mas a programas governamentais de auxílio à criança.
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A parcela do orçamento voltada para o ensino é distribuída de tal forma que aumenta os incentivos, estimulando os estudantes. A pré-escola, a educação obrigatória e o ensino médio são controlados pelas autoridades municipais, mas os gastos com a manutenção são divididos com o Estado.
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As escolas são gratuitas e seus alunos recebem ainda o material escolar, a refeição e o transporte. Existem poucas escolas particulares. Os pais dos estudantes recebem o salário-família, que é idêntico para todos, até que os dependentes completem 16 anos. A partir daí, os jovens que desejam continuar os estudos recebem bolsas. Chegando ao nível superior, essas bolsas passam a ser empréstimos reembolsáveis. As administrações municipais proporcionam a um número cada vez maior de crianças atendimento durante todo o dia e atividade fora do horário escolar, por preços módicos. A educação em nível universitário é totalmente controlada pelo governo, existindo mais de 30 instituições que proporcionam ensino gratuito.
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Na Suécia, as pessoas com retardamento mental cursam uma escola especial, que não é apenas um direito, mas faz parte da escolarização obrigatória, na faixa dos 7 aos 21 anos. A integração entre o ensino regular e o especial cria condições para uma cooperação mútua, oferecendo aos deficientes mentais as mesmas facilidades de que dispõem os outros estudantes.
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Observando o sistema educacional sueco, nota-se uma forte preocupação em manter um currículo homogêneo, igual para todas as escolas do país. Ele contém exigências expressas quanto às tarefas escolares, de maneira que elas se adaptem às necessidades intelectuais e sociais dos alunos. O objetivo principal do governo é beneficiar o desenvolvimento da personalidade da criança, aumentar suas possibilidades de uma boa colocação no mercado de trabalho e garantir uma intensa participação na vida da comunidade. Para um país das suas dimensões, o sistema funciona de modo bastante adequado, o que resulta na posição invejável da Suécia no conceito internacional.
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(*) Nelson Valente - é professor universitário, jornalista e escritor

TOQUEDEPRIMA...

Petrobras anuncia descobertas em Santos, Campos e ES
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RIO - A Petrobras anunciou nesta sexta-feira a descoberta, no Brasil, de 2,1 bilhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás) em 2006. O volume, que representa cerca de 16% das reservas brasileiras atuais, está dividido em 19 novas áreas nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo. As descobertas são suficientes para repor os cerca de 750 milhões de barris de óleo equivalente produzidos durante o ano e acrescentar novas reservas ao estoque brasileiro de petróleo e gás, hoje calculado em 13,2 bilhões de barris.
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"Para manter a auto-suficiência sem perder reservas, o Brasil precisa descobrir entre 800 milhões e 1 bilhão de barris por ano", calcula o geólogo Giuseppe Bacoccoli, da UFRJ, já contando com um aumento do consumo nacional de derivados, hoje na casa dos 1,85 milhão de barris por dia.
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Este ano, além da Petrobras, a anglo-holandesa Shell anunciou a descoberta de dois novos campos no Brasil, com volume de reservas estimado entre 300 e 500 milhões de barris de óleo equivalente. Praticamente todas as descobertas foram feitas em blocos exploratórios concedidos à Petrobras antes do fim do monopólio estatal, conhecidos como blocos azuis, que estão com o prazo de avaliação vencendo. A estatal e seus parceiros, portanto, deveriam declarar a comercialidade de jazidas na região sob o risco de ter de devolver as concessões. No início do ano, a Petrobrás deve anunciar seu novo volume de reservas no país, que deve girar em torno dos 14,5 bilhões de barris de óleo equivalente.
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Bacoccoli lembra que os novos campos das duas empresas podem ter suas reservas aumentadas a partir de avaliações que serão feitas nos próximos anos. Petrobras e Shell apenas declararam a comercialidade das novas áreas à Agência Nacional do Petróleo (ANP), o que significa que se comprometem a investir na extração das reservas, mas ainda não definiram quanto vão aportar nem os projetos de engenharia dos novos campos. Na avaliação de especialistas, as novas jazidas só entrarão em operação em meados da próxima década.
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Descobertas

A Petrobras, porém, pode optar por antecipar algumas das novas descobertas, principalmente as que têm reservas de gás natural. No Espírito Santo, foram encontrados dois novos campos de gás, batizados de Carapó e Camarupim. Outras duas acumulações descobertas este ano serão anexadas aos campos de Golfinho e Canapu, descobertos nos últimos anos e já em processo de desenvolvimento. No total, foram encontrados 560 milhões de barris de óleo equivalente na região, que também teve três campos descobertos em terra.
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A maior parte das descobertas foi feita na Bacia de Campos, que terá oito novas áreas, com volumes recuperáveis estimados em 1,37 bilhão de barris de óleo equivalente. Quatro campos (Catuá, Caxaréu, Mangangá e Pirambú) estão situados no antigo bloco azul BC-60, onde já existe uma província petrolífera batizada de Parque das Baleias. O campo de Maromba foi encontrado no BC-20, onde a estatal tem parceria com a americana Chevron; Carataí e Carapicu, no BC-30. Os dois blocos também foram concedidos nos tempos de monopólio. Uma outra área será anexada ao campo de Baleia Azul, no Parque das Baleias.
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Em Santos, a empresa confirmou a existência de três reservatórios no bloco BS-500, uma de suas principais apostas recentes, batizados de Tambuatá, Pitapitanga, e Carapiá. A região, em frente ao litoral do Rio, foi palco de uma extensa campanha exploratória nos últimos anos, que encontrou acumulações de gás e petróleo de boa qualidade. Além disso, uma nova jazida de gás foi encontrada mais ao Sul, em frente a São Sebastião, e será anexada ao campo de Mexilhão, a maior descoberta do combustível nos últimos anos.
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Nenhum executivo da companhia foi encontrado para comentar as descobertas. Em nota oficial, a empresa diz que "os novos campos descobertos demonstram o acerto do programa exploratório da companhia". Segundo estimativas da área de exploração e produção, a Petrobras teria ainda cerca de 10 bilhões de barris a descobrir em seu portfólio exploratório.
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Morales diz que Fidel pediu suspensão de nacionalização
EFE
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LA PAZ - O presidente boliviano, Evo Morales, revelou nesta sexta-feira, 29, que o líder cubano Fidel Castro pediu a suspensão da nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia, decretada no dia 1º de maio, e que esperasse a Assembléia Constituinte para a implementação da medida.
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O governante fez a revelação numa entrevista à rádio "Fides", pertencente à Igreja Católica e que o elegeu como o "Homem do Ano" na Bolívia.
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Morales contou que, um pouco antes do dia 1º de maio, durante um encontro em Havana com Fidel e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comentou apenas com seu colega cubano sobre os preparativos para o ato.
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"Comentei isto com Fidel, não com Hugo Chávez, na reunião em Havana. E Fidel disse: ´Evo, suspenda a nacionalização, deixe para depois da Assembléia Constituinte. Vai cometer um erro´", lembrou Morales, afirmando que, até então, nunca tinha feito esta revelação.
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A nacionalização foi anunciada surpreendentemente em 1º de maio, no campo de San Alberto, a maior reserva de gás do país. Tal jazida é administrada pela brasileira Petrobras, que tem como sócias a hispano-argentina Repsol YPF e a francesa TotalFinaElf.
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Revelação
Morales fez o anúncio acompanhado do Exército, que ocupou todos os campos petrolíferos do país e passou a vigiar os principais escritórios das petrolíferes na Bolívia.
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"Fidel não estava de acordo com o decreto supremo", acrescentou o líder sobre a norma que concedeu ao Estado boliviano o controle do negócio dos hidrocarbonetos e obrigou as petrolíferas a assinar novos contratos para continuar operando na Bolívia.
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Morales disse que conversou com Fidel sobre os preparativos da nacionalização porque o considera "muito".
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O presidente boliviano negou que tenha tomado a decisão contra as petrolíferas na reunião realizada em 29 de abril em Havana com o líder cubano e com Chávez, conforme denunciou a oposição boliviana.
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No encontro, os três líderes assinaram acordos comerciais para incorporar a Bolívia à Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), assim como a adesão dos três países ao Tratado de Comércio dos Povos (TCP) proposto por Morales.
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Durante a entrevista, Morales enfatizou seu carinho por Fidel, que se recupera, desde 31 de julho, de uma doença mantida como segredo de Estado.
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"É um presidente inclinado a temas de saúde. Nunca me falou da revolução, de empunhar as armas, nunca", acrescentou Morales, após destacar a ajuda que Cuba oferece à Bolívia em projetos de saúde.
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"No início de 2003, convidado a uma grande conferência em Cuba, (Fidel) dizia: ´Filho, não façam o que eu fiz, não façam um levante armado, façam transformações, revoluções democráticas, o que está fazendo Chávez, a Assembléia Constituinte", lembrou Morales.
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O líder boliviano também comentou o crescimento econômico de Cuba, "de mais de 12%", e disse que a ilha pode ser "um país modelo" e ser muito melhor, se libertado do bloqueio.
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No entanto, acrescentou que não acredita que nem o "modelo" nem as políticas cubanas devam ser importadas para a Bolívia porque, segundo disse, seu país "é totalmente diferente de Cuba e da Venezuela".

Acusações - Nunca a suspeita chegou tão perto do poder

Jornal do Brasil
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Ministros e amigos na mira da Justiça
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A Justiça ainda não condenou nem absolveu ninguém e, em alguns casos, sequer foi acionada. Mas é certo que, em nenhum outro governo da história recente do país, tantas autoridades federais, tantas pessoas próximas ao presidente da República e tantos companheiros de partido do presidente se tornaram alvos de acusações e de denúncias por corrupção e tráfico de influência.
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Três ex-ministros foram denunciados ao Supremo Tribunal Federal (José Dirceu, Luis Gushiken e Anderson Adauto), um à Justiça Federal (Humberto Costa) e mais um está indiciado pela Polícia Federal em Brasília (Antonio Palocci). O ex-ministro da Fazenda também foi denunciado pelo Ministério Público paulista, que pediu sua prisão preventiva.
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CORRUPÇÃO
“O combate à corrupção e a defesa da ética serão objetivos centrais do meu governo"
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Dirceu e Gushiken, dois dos mais influentes auxiliares de Lula, e Anderson Adauto, ex-ministro dos Transportes, foram denunciados pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, acusados de integrarem - e de chefiar, no caso de Dirceu - uma "sofisticada organização criminosa" que praticava "tráfico político" comprando apoio de outros partidos para garantir a permanência do PT no poder.
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Além deles, três ex-dirigentes petistas (José Genoino, Delúbio Soares e Sílvio Pereira), um ex-diretor do Banco do Brasil (Henrique Pizzolato), o marqueteiro da campanha presidencial de 2002 (Duda Mendonça) e 12 deputados e ex-deputados do PT e de outros partidos aliados ao governo formam quase metade do grupo de 40 pessoas que serão chamadas a se defender no curso do Inquérito 2245, instaurado há nove meses no STF. É a etapa em que está o escândalo do "mensalão" ou do "valerioduto".
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Outra das autoridades mais poderosas do país, Antonio Palocci caiu do Ministério da Fazenda, acusado de comandar a quebra do sigilo bancário do caseiro que o acusara de freqüentar, em Brasília, mansão usada para negócios e encontros com mulheres. A Polícia Federal indiciou o ex-ministro pela prática de sete crimes. E o Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça sua prisão por formação de quadrilha, peculato e adulteração de documentos públicos - crimes que Palocci teria praticado quando prefeito de Ribeirão Preto.
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Humberto Costa, ministro da Saúde entre 2003 e 2005, foi denunciado à Justiça Federal por corrupção e formação de quadrilha. É acusado de participar da "máfia dos vampiros", quadrilha de funcionários do Ministério da Saúde e de lobistas que comprava remédios e derivados de sangue a preços superfaturados.
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Depois da "máfia dos vampiros" foi descoberta a "máfia dos sanguessugas", comandada pelos donos da empresa Planam, Darci e seu filho Luiz Antonio Vedoin, e integrada por servidores municipais ou prefeitos; funcionários ou autoridades do Ministério da Saúde; mais parlamentares e/ou assessores. A máfia ganhava dinheiro público vendendo ao Ministério da Saúde, a preços superfaturados, ambulâncias e outros equipamentos que o ministério comprava com dinheiro previsto em emendas parlamentares e transferia aos municípios.
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Um jogo de acusações recíprocas entre governistas e oposicionistas, em torno da origem dos esquemas de corrupção e de tráfico de influência, resultou no mais recente caso de envolvimento de petistas próximos ao presidente Lula em atividades suspeitas. Trata-se da participação de integrantes dos comitês das campanhas petistas à Presidência e ao governo de São Paulo na compra de dossiê que provaria ligações do ex-ministro e candidato tucano José Serra com a "máfia das ambulâncias".
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Uma CPI pediu o indiciamento de membros dos comitês petistas, e a Polícia Federal indiciou o senador e candidato derrotado ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante.
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O presidente Lula alegou que não sabia do "valerioduto"; protelou a demissão de ministros acusados; enfureceu-se diante de denúncias contra seu filho Lulinha; valeu-se de comícios para reagir à ameaça oposicionista de submetê-lo a processo de impeachment; declarou-se vítima "das elites"; considerou injusta a cassação do mandato de José Dirceu pelo plenário da Câmara "sem nenhuma prova"; condenou como "aloprados" os envolvidos na compra do suposto dossiê anti-Serra; e costuma citar as investigações do Congresso, da Polícia Federal, do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União e da Controladoria-Geral da União como provas de que não tentou evitar a apuração de denúncias de corrupção.