domingo, dezembro 31, 2006

TOQUEDEPRIMA...

Petrobras anuncia descobertas em Santos, Campos e ES
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RIO - A Petrobras anunciou nesta sexta-feira a descoberta, no Brasil, de 2,1 bilhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás) em 2006. O volume, que representa cerca de 16% das reservas brasileiras atuais, está dividido em 19 novas áreas nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo. As descobertas são suficientes para repor os cerca de 750 milhões de barris de óleo equivalente produzidos durante o ano e acrescentar novas reservas ao estoque brasileiro de petróleo e gás, hoje calculado em 13,2 bilhões de barris.
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"Para manter a auto-suficiência sem perder reservas, o Brasil precisa descobrir entre 800 milhões e 1 bilhão de barris por ano", calcula o geólogo Giuseppe Bacoccoli, da UFRJ, já contando com um aumento do consumo nacional de derivados, hoje na casa dos 1,85 milhão de barris por dia.
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Este ano, além da Petrobras, a anglo-holandesa Shell anunciou a descoberta de dois novos campos no Brasil, com volume de reservas estimado entre 300 e 500 milhões de barris de óleo equivalente. Praticamente todas as descobertas foram feitas em blocos exploratórios concedidos à Petrobras antes do fim do monopólio estatal, conhecidos como blocos azuis, que estão com o prazo de avaliação vencendo. A estatal e seus parceiros, portanto, deveriam declarar a comercialidade de jazidas na região sob o risco de ter de devolver as concessões. No início do ano, a Petrobrás deve anunciar seu novo volume de reservas no país, que deve girar em torno dos 14,5 bilhões de barris de óleo equivalente.
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Bacoccoli lembra que os novos campos das duas empresas podem ter suas reservas aumentadas a partir de avaliações que serão feitas nos próximos anos. Petrobras e Shell apenas declararam a comercialidade das novas áreas à Agência Nacional do Petróleo (ANP), o que significa que se comprometem a investir na extração das reservas, mas ainda não definiram quanto vão aportar nem os projetos de engenharia dos novos campos. Na avaliação de especialistas, as novas jazidas só entrarão em operação em meados da próxima década.
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Descobertas

A Petrobras, porém, pode optar por antecipar algumas das novas descobertas, principalmente as que têm reservas de gás natural. No Espírito Santo, foram encontrados dois novos campos de gás, batizados de Carapó e Camarupim. Outras duas acumulações descobertas este ano serão anexadas aos campos de Golfinho e Canapu, descobertos nos últimos anos e já em processo de desenvolvimento. No total, foram encontrados 560 milhões de barris de óleo equivalente na região, que também teve três campos descobertos em terra.
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A maior parte das descobertas foi feita na Bacia de Campos, que terá oito novas áreas, com volumes recuperáveis estimados em 1,37 bilhão de barris de óleo equivalente. Quatro campos (Catuá, Caxaréu, Mangangá e Pirambú) estão situados no antigo bloco azul BC-60, onde já existe uma província petrolífera batizada de Parque das Baleias. O campo de Maromba foi encontrado no BC-20, onde a estatal tem parceria com a americana Chevron; Carataí e Carapicu, no BC-30. Os dois blocos também foram concedidos nos tempos de monopólio. Uma outra área será anexada ao campo de Baleia Azul, no Parque das Baleias.
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Em Santos, a empresa confirmou a existência de três reservatórios no bloco BS-500, uma de suas principais apostas recentes, batizados de Tambuatá, Pitapitanga, e Carapiá. A região, em frente ao litoral do Rio, foi palco de uma extensa campanha exploratória nos últimos anos, que encontrou acumulações de gás e petróleo de boa qualidade. Além disso, uma nova jazida de gás foi encontrada mais ao Sul, em frente a São Sebastião, e será anexada ao campo de Mexilhão, a maior descoberta do combustível nos últimos anos.
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Nenhum executivo da companhia foi encontrado para comentar as descobertas. Em nota oficial, a empresa diz que "os novos campos descobertos demonstram o acerto do programa exploratório da companhia". Segundo estimativas da área de exploração e produção, a Petrobras teria ainda cerca de 10 bilhões de barris a descobrir em seu portfólio exploratório.
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Morales diz que Fidel pediu suspensão de nacionalização
EFE
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LA PAZ - O presidente boliviano, Evo Morales, revelou nesta sexta-feira, 29, que o líder cubano Fidel Castro pediu a suspensão da nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia, decretada no dia 1º de maio, e que esperasse a Assembléia Constituinte para a implementação da medida.
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O governante fez a revelação numa entrevista à rádio "Fides", pertencente à Igreja Católica e que o elegeu como o "Homem do Ano" na Bolívia.
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Morales contou que, um pouco antes do dia 1º de maio, durante um encontro em Havana com Fidel e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comentou apenas com seu colega cubano sobre os preparativos para o ato.
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"Comentei isto com Fidel, não com Hugo Chávez, na reunião em Havana. E Fidel disse: ´Evo, suspenda a nacionalização, deixe para depois da Assembléia Constituinte. Vai cometer um erro´", lembrou Morales, afirmando que, até então, nunca tinha feito esta revelação.
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A nacionalização foi anunciada surpreendentemente em 1º de maio, no campo de San Alberto, a maior reserva de gás do país. Tal jazida é administrada pela brasileira Petrobras, que tem como sócias a hispano-argentina Repsol YPF e a francesa TotalFinaElf.
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Revelação
Morales fez o anúncio acompanhado do Exército, que ocupou todos os campos petrolíferos do país e passou a vigiar os principais escritórios das petrolíferes na Bolívia.
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"Fidel não estava de acordo com o decreto supremo", acrescentou o líder sobre a norma que concedeu ao Estado boliviano o controle do negócio dos hidrocarbonetos e obrigou as petrolíferas a assinar novos contratos para continuar operando na Bolívia.
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Morales disse que conversou com Fidel sobre os preparativos da nacionalização porque o considera "muito".
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O presidente boliviano negou que tenha tomado a decisão contra as petrolíferas na reunião realizada em 29 de abril em Havana com o líder cubano e com Chávez, conforme denunciou a oposição boliviana.
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No encontro, os três líderes assinaram acordos comerciais para incorporar a Bolívia à Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), assim como a adesão dos três países ao Tratado de Comércio dos Povos (TCP) proposto por Morales.
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Durante a entrevista, Morales enfatizou seu carinho por Fidel, que se recupera, desde 31 de julho, de uma doença mantida como segredo de Estado.
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"É um presidente inclinado a temas de saúde. Nunca me falou da revolução, de empunhar as armas, nunca", acrescentou Morales, após destacar a ajuda que Cuba oferece à Bolívia em projetos de saúde.
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"No início de 2003, convidado a uma grande conferência em Cuba, (Fidel) dizia: ´Filho, não façam o que eu fiz, não façam um levante armado, façam transformações, revoluções democráticas, o que está fazendo Chávez, a Assembléia Constituinte", lembrou Morales.
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O líder boliviano também comentou o crescimento econômico de Cuba, "de mais de 12%", e disse que a ilha pode ser "um país modelo" e ser muito melhor, se libertado do bloqueio.
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No entanto, acrescentou que não acredita que nem o "modelo" nem as políticas cubanas devam ser importadas para a Bolívia porque, segundo disse, seu país "é totalmente diferente de Cuba e da Venezuela".