segunda-feira, abril 16, 2007

ENQUANTO ISSO ...

Relatório comprova corte de verba
por Beatriz Abreu e Rui Nogueira, no Estado de S. Paulo
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Boa parte do apagão na infra-estrutura técnica dos aeroportos, agravada também pelo número insuficiente de controladores de tráfego aéreo, pode ser debitada na conta de um drástico corte de investimentos do governo federal a partir de 2003.
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Um documento do governo obtido pelo Estado, e que foi produzido no mês passado para balizar os debates internos sobre o caos no Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (Sisceab), diz textualmente que, após grande investimento nos anos de 2000, 2001 e 2002, houve uma guinada, “a partir de 2003”, sob o argumento de que os “investimentos necessários já haviam sido feitos”.O documento mostra que os níveis de investimento regrediram “ao patamar de gasto verificado entre 1997/1999”. Um resumo dos valores gastos explicita a diferença: entre 1996 e 2006 foram empenhados na ampliação, modernização e manutenção do Sisceab cerca de R$ 3,7 bilhões. Desse total, em dez anos, quase a metade, R$ 1,6 bilhão, foi aplicado no triênio 2000-2002 por causa de uma Diretriz Presidencial para Revitalização da Força Aérea Brasileira para fazer frente ao “sucateamento dos equipamentos”.
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A decisão do governo foi, na prática, uma trombada com a realidade do negócio aéreo. Exatamente a partir do ano em que o governo deu ré nos investimentos foi quando aumentou a demanda por passagens aéreas. O número de passageiros cresceu 12% só no ano passado. Nos últimos seis anos, o total de passageiros transportados pelas empresas aéreas passou de cerca de 42 milhões para 57 milhões. Só o Aeroporto de Congonhas, que em 1997 recebeu 6 milhões de passageiros para embarque e desembarque, em 2006 viu esse trânsito aumentar para 18,5 milhões.
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O relatório do governo faz um balanço geral dos investimentos e dá a entender, nas entrelinhas, que não houve falta de dinheiro para a infra-estrutura aeroportuária. Fundamenta a argumentação dizendo que sempre foi gasto o orçamento pedido. Porém, ao fazer o histórico, ano a ano, o relatório revela a leitura equivocada que o governo fez sobre o negócio da aviação civil, não levando em conta o crescimento do número de passageiros transportados, e com menos aeronaves por causa da falência da Varig - o que exigiu um esforço de logística não atendido nem pela ampliação precária dos aeroportos nem pela quantidade de controladores formados e contratados.
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O relatório revela outra agravante, o que exigiria a retomada dos investimentos ao patamar de 2000, e não a regressão para 1997/1999.

ENQUANTO ISSO...

Governo vai investir US$ 1 bi no Equador
Karla Correia , Jornal do Brasil

Brasil e Equador assinaram ontem acordo que permite participação brasileira na exploração da principal reserva de petróleo equatoriana. Localizado na região amazônica, o campo Ishpingo-Tiputini-Tambococha (ITT) já tem cinco jazidas descobertas e capacidade de produção de 190 mil barris/dia, que pode dobrar depois de quatro anos de exploração, segundo o governo do Equador. O acerto põe fim à resistência do governo equatoriano, que rejeitava parceria com a Petrobras pelo fato de a empresa brasileira não ser completamente estatal.

Em contrapartida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ontem investimentos de US$ 1 bilhão no Equador até 2010. Com o acordo, a Petrobras passa a fazer parte do consórcio de exploração do campo petrolífero junto com a estatal chilena Enap e a SIC, ligada à chinesa Sinopec. Estas duas empresas também já assinaram protocolos de intenção com a estatal PetroEcuador. O pacto foi firmado ontem durante a visita do presidente equatoriano, Rafael Correa, ao Brasil.

- Este campo é muito importante para nosso país, mas encontra-se em uma zona muito sensível ecologicamente, no Parque Nacional de Yasuni - disse Correa. - Em uma ação inovadora, o governo equatoriano disse ao mundo que a alternativa para o campo de ITT é uma exploração com redução dos impactos ambientais ou deixar o óleo cru represado na terra, mas com uma justa compensação por parte da comunidade internacional.

As empresas do consórcio devem apresentar nos próximos meses uma proposta de exploração para o governo equatoriano, incluindo medidas de atenção ao meio ambiente de acordo com a legislação equatoriana, como a utilização de resíduos de produção como combustível e plano de prospecção de novas jazidas no campo.

- Desejamos seguir participando em outros projetos que contribuem para a modernização da matriz energética equatoriana - declarou Lula.

O presidente brasileiro destacou investimentos do Brasil no corredor multimodal que ligará Manaus (AM) ao porto de Manta, no Equador. O projeto integrará os dois países com a construção de estradas e um aeroporto, facilitando a ligação entre os oceanos Pacífico e Atlântico na América do Sul. O dois presidentes também assinaram acordo de cooperação técnica para a produção de biocombustíveis no Equador, com tecnologia brasileira.

- Queremos enfrentar juntos o desafio de transformar a matriz energética mundial, mesmo sendo auto-suficientes e exportadores de petróleo - disse Lula. - Nossos países estão determinados a impulsionar a revolução de energia limpa e renovável.

Lágrimas de crocodilo

por Dora Kramer, no Estado de S. Paulo
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Durante os últimos e caóticos seis meses, os controladores de vôo, seus comandantes civis e militares não demonstraram benevolência para com os milhões de passageiros subtraídos em sua liberdade de ir e vir. Não tiveram condescendência para com as famílias das 154 pessoas mortas no desastre de 29 de setembro de 2006 - antes, se preocuparam em tirar seus corpos fora, temerosos de serem responsabilizados pela queda do avião da Gol.
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Não exibiram peso na consciência enquanto impunham prejuízos ao País, à economia, ao turismo, às vidas profissional e pessoal dos brasileiros. Agora, sob o risco de punição severa, alvos de um inquérito militar que pode lhes custar as carreiras e por conseqüência ameaçar a sobrevivência deles e de suas famílias, pedem clemência à sociedade.
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Tal como todos os personagens da crise, só se deram conta do mal que fizeram quando o perigo lhes mordeu os calcanhares. Antes disso, mantiveram-se todos impávidos, cada qual cuidando de sua circunstância.
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O governo, indiferente, prisioneiro da própria incompetência na gestão de crises e divergências internas. Os controladores, ocupados com o mau combate, gerando infortúnios em série a essa sociedade à qual agora pedem perdão.O espírito de conciliação a posteriori manifestado na nota divulgada ontem pelos controladores militares não condiz com a ferocidade da luta em defesa de seus interesses e levada a termo a poder de cinismo e dissimulação.
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As desculpas esfarrapadas se sucederam em menosprezo à inteligência e às prerrogativas alheias. Com a mesma desfaçatez que interditaram o tráfego aéreo na sexta-feira passada, apresentaram ao longo dos últimos meses repetidas justificativas de panes e falhas arquitetadas ao molde de sua guerra sindical.Agora querem anistia prévia. E, para isso, não hesitaram em vestir peles de cordeiro e escrever a nota “à sociedade”.
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Dizem: “Passado o grande trauma de 30 de março, os controladores de tráfego aéreo pedem forças para recuperar, junto à sociedade brasileira, sua confiança, seu prestígio e respeito. Reafirmamos nossa confiança, respeito ao governo federal e principalmente nas bases do militarismo: hierarquia e disciplina. Que o dia 30 de março seja lembrado como um dia de socorro dos controladores de tráfego aéreo e não como uma simples rebelião militar”.
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Há equívocos em série nesta nota, sendo o principal deles o fato óbvio de que respeito e confiança não se pede, se conquista com atos. E neste quesito do gestual não há confiabilidade possível de ser recuperada antes que os controladores demonstrem merecê-la.
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Em segundo lugar, não parecem perceber que à sociedade infelicita não a indisciplina em si (isso devem resolver com seus comandantes e com a lei), mas a ausência de espírito público dessa categoria, cuja detenção do monopólio de uma especialidade motivou seus integrantes a seqüestrarem a serenidade dos cidadãos.
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Terceiro, se a eles parece superado o trauma, para quem morreu, quem se desesperou, quem se prejudicou, quem bateu, quem apanhou, quem perdeu a confiança na segurança dos vôos, o traumatismo deixou seqüelas.
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Em quarto lugar, ao qualificar como “simples” uma rebelião militar, os controladores dão bem a medida da confiança e do respeito que alegam nutrir pela hierarquia e disciplina, para não dizer ao império da lei.
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E, por último, o equívoco de origem: suas lágrimas não enganam ninguém. Se querem solidariedade no momento difícil, deveriam ter pensado nisso antes de obrigar um País inteiro a se pôr de joelhos às suas conveniências. Por mais justas que sejam não justificam a coação.
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A concessão do crédito pedido implica antes de mais nada a quitação do débito em punições na forma da lei, fim das ameaças, sabotagens e completo restabelecimento dos direitos e garantias coletivas e individuais dos brasileiros feitos reféns da incúria do governo e da insensibilidade social dos controladores.Queira o bom senso que esse pedido extemporâneo de perdão não tenha sido engendrado em acordo com os defensores governistas da anistia como estratégia de preparação à impunidade.

Sigam o rastro da CUT: digo isso aqui há seis meses

Reinaldo Azevedo

Desde que a crise aérea começou, como vocês sabem — e basta procurar no arquivo —, este blog afirma: procurem as pegadas da CUT. Há seis meses, quando Waldir Pires (Defesa) começou com essa história de desmilitarização, escrevi que isso corresponderia a entregar os céus do Brasil à Central Única dos Trabalhadores, de que Lula ainda é o maior líder espiritual. Reportagem de Sérgio Torres, na Folha desta sexta, deixa tudo claro. Ora, alguma coisa explica que Lula tenha se comportado, ao longo desse tempo, como uma pateta.Não. Não se trata de uma conspiração, de algo tramado pelos cantos. É uma questão de universo mental, de cultura. O Babalorixá entende o mundo segundo a lógica das corporações de ofício. Na sua “maça ensefálica dentro do sélebro”, os controladores existem para quê? Ora, para lutar por melhores condições de vida... para os controladores. Essa é a alma profunda do PT. Cada “catchiguria” pensa no melhor para a sua “catchiguria”, e o país é um ajuntamento de “catchigurias”, entenderam?
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Bem, o problema foi prognosticado aqui. E, agora, já é um diagnóstico da Aeronáutica. Segue reportagem da Folha.
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Nas unidades da Aeronáutica, parte do oficialato aponta a CUT (Central Única dos Trabalhadores) como principal influência do movimento grevista dos controladores de vôo.
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A suposta ação da CUT sobre a categoria se iniciou há cerca de dois anos, de acordo com a versão difundida na Aeronáutica e passada à Folha por um tenente-coronel e um major da ativa, que trabalham na área administrada pelo 3º Comar (Comando Aéreo Regional), representação oficial da Força no Estado do Rio. A CUT nega.
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Os oficiais falaram que as lideranças militares dos controladores de vôo -sargentos, a maioria delas- foram cooptadas pela central sindical, historicamente ligada ao PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Disseram ainda que em unidades da Aeronáutica em todo o país, não só no Rio, é conhecida a versão de que a CUT estaria incentivando a ação dos controladores. No Exército, segundo a Folha apurou, a mesma versão tem ganhado força, especialmente na Vila Militar do Rio (zona oeste), que concentra batalhões e quartéis.
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O objetivo da CUT, ainda de acordo com esses oficiais, seria uma espécie de "sindicalização branca" de qualificados profissionais militares, que, por lei, não poderiam formar ou se associar a um sindicato.
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Embora subalternos na hierarquia da Aeronáutica, os sargentos controladores de vôo são considerados quase que insubstituíveis. Constituiriam, portanto, um grupamento especial de profissionais importantes, conscientes do poder que detêm.
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CUT nega
A CUT nega ter algo a ver com as entidades representativas dos controladores, sejam civis (Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo), sejam militares (Associação Brasileira dos Controladores do Tráfego Aéreo). Nenhuma delas é oficialmente filiada à CUT. Cerca de 80% dos controladores são militares.
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A Folha tentou ouvir o presidente nacional da CUT, Artur Henrique. Por meio de sua assessoria, ele informou que não falaria sobre o assunto porque a entidade não teria envolvimento algum com os personagens da crise aérea nacional.ExércitoTambém no Exército corre a versão de que existe o interesse externo de organizações de esquerda em sindicalizar militares, especialmente aqueles que não são oficiais, como sargentos, cabos e soldados.
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Há pelo menos dois dias, na Vila Militar do Rio, a crise na Aeronáutica e a atuação do governo federal e do Ministério da Defesa foram discutidas nas unidades por comandantes e oficiais superiores, conforme relatou à Folha um tenente-coronel da ativa, lotado em um quartel de pára-quedistas.
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As reuniões tiveram caráter de análise, segundo contou o oficial. De uma maneira geral, disse ele, a retomada pela Aeronáutica da administração da crise foi bem recebida pelo oficialato da ativa do Exército.

Economia brasileira patina há 15 anos

GENEBRA (Suíça) - A economia brasileira já está há mais de 15 anos patinando para tentar acompanhar o ritmo de crescimento do PIB da China, Rússia, Índia, África do Sul e México. O levantamento feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com as 35 maiores economias do mundo mostra que, desde o início dos anos 90, o crescimento médio anual brasileiro foi de 2,9%. A taxa é um pouco superior à média dos países ricos, que tradicionalmente crescem a um percentual menor que os emergentes diante do tamanho de suas economias.

O Brasil pode ter revisto o cálculo de seu Produto Interno Bruto (PIB) e, com isso, elevado sua participação entre os maiores mercados do mundo. Mas em um estudo detalhado da situação das principais economias do planeta feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) deixa claro que o País tem um longo caminho a percorrer para superar suas deficiências na área econômica e social.

Para avaliar a situação das 35 maiores economias do mundo - os 30 países desenvolvidos e China, África do Sul, Índia, Rússia e Brasil -, a OCDE publicou ontem uma coletânea de mais de 150 indicadores econômicos e sociais para permitir uma comparação nos níveis de desenvolvimento de cada economia. Os dados mostram que os desafios para o Brasil ainda são significativos.

A população cresce a taxas mais elevadas que a média dos países ricos, mas o desempenho do PIB há mais de uma década não consegue acompanhar os países emergentes. Ao mesmo tempo, o País sofre com uma falta de cientistas e pesquisa, tem um das piores taxas de cidadãos com grau universitário e sérios desafios na área ambiental.

Entre 1992 e 2005, o aumento do PIB das economias desenvolvidas foi de 2,6%. Enquanto a Coréia e Irlanda apresentaram aumentos de mais de 5% por ano em média em suas economias, outras como Alemanha, França, Itália e Japão cresceram menos de 2%. No caso do Brasil, porém, o País ficou atrás de todos os países emergentes avaliados pela OCDE.

A China apresentou um crescimento médio de 9,7%, seguido pela Índia com 6,5%, Rússia e Turquia com 3,8%, México com 3,1% e a África do Sul com 3%. O Brasil chegou a ter anos de crescimento elevado, como 1994 quando registrou uma alta de 5,9%. Mas em média teve um desempenho nos últimos 15 anos inferior ao Reino Unido, Espanha, Noruega, Grécia e Estados Unidos, que cresceu 3,2%.

Um dos fatores que é considerado como problemático no País é o nível de investimentos internos em formação de capital, seja na compra de máquinas e equipamentos, seja na construção de novas instalações para fábricas. No geral, os investimentos nessa área representam 21% do PIB nos países ricos. No Brasil, a taxa foi de 19,9% em 2005, contra mais de 43% na China, 27% na Irlanda e 29% na Espanha. O que também preocupa aos economistas da OCDE é que a taxa brasileira tem se mantido inalterada desde 1992.

Verbo, verba e patifaria cultural

Por Ipojuca Pontes, Blog Diego Casagrande
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Aos poucos, mesmo manifestando todo tipo de desprezo pela boa ou má literatura, Lula da Silva vai influenciando as letras nacionais. Como? Bem: assim como melou com eficiência o jogo da CPI do Apagão, o vosso presidente está pondo em prática projeto de cooptação literária que na certa o levará, mais cedo do que se pensa, ao panteão da Academia Brasileira de Letras. O esquema adotado por Lula para insuflar as letras nacionais é diabólico, porém objetivo: ele associa, sem nenhum pudor, o verbo e a verba, impondo na literatura o modelo levado adiante, por exemplo, com os partidos políticos da “base aliada” e o chamado “cinema nacional”.
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Para se tornar patrono das nossas letras Lula conta com aliados de peso, que atendem ao primeiro estalar de dedos, tais como a Petrobras, o dinheiro do contribuinte (via impostos lesivos) e a grana das instituições oficiais do setor. A estatal do petróleo, no seu Programa Petrobras Cultural, destinou a quantia de R$ 800 mil ao projeto de bolsas para escritores: serão repassados cerca de R$ 3 mil a cada escriba durante um ano e meio, quantia desprezível para uma empresa que cobra pelo litro da gasolina um dos preços mais caros do mundo. Até agora já se inscreveram para a bolsa mais de 420 candidatos, mas o número deve triplicar, (Num futuro próximo, quem sabe, será atingida a casa do milhão).A pergunta que me faço é a seguinte: que tipo de literatura a estatal do petróleo vai patrocinar? Ela seria capaz de financiar, por exemplo, um livro de ficção sobre a corrupção no Partido dos Trabalhadores? De investir num talento que pudesse romancear a boa vida de Palocci e seus amores na luxuosa mansão do Lago Sul de Brasília? Ou de fazer publicar um livro de contos sobre como um trabalhador brasileiro acorda às quatro horas da matina para ir ao trabalho a pé porque não tem recursos para pagar transporte, excessivamente caro em função dos altos preços do diesel cobrado pela empresa?
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Outro projeto curioso, a ser financiado pelo bolso do miserável contribuinte, é justamente o que leva o nome de “Amores Expressos”, ainda em tramitação nos escaninhos do Minc, mas que financiará 16 escritores, escolhidos a dedo, para viajar pelo mundo e, depois, cada um escrever uma “história de amor”. A coisa funcionará do seguinte modo: após embolsar R$ 10 mil e passar, com todas as despesas pagas, um mês flanando pelas calçadas da rive gauche, em Paris, o escritor felizardo poderá ter (ou não) a sua obra publicada pela Companhia das Letras ao tempo em que cede os direitos de imagem e de adaptação para o cinema da gororoba resultante dos “amores expressos”.
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Na briga de foice em que se transformou a “vida artística nacional”, o projeto de “Amores expressos” encontra resistências. Um poeta de São Paulo acha que o negócio não passa de grossa “sacanagem”, Um outro escritor, em carta a um jornalão, diz que tudo é tão somente uma “farra entre amigos”. Um outro, do Movimento pela Literatura Urgente, discorda com veemência e quer a grana pública de imediato: “Viver sempre na merda, não dá” (...) “Eu estou com o Manoel (de Barros, o poeta). Eu sempre digo: minha literatura não tem preço. Mas para todas as outras coisas, uso o meu MasterCard”. O apressado escriba tem razão: se um cineasta torra milhões de reais em filmes que ninguém vai ver, porque ele não tem direito de entrar no rega-bofe?
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Preocupado com a urgente demanda, um burocrata executivo do Plano Nacional do Livro e da Leitura, o Sr. José Castilho, informa que está prestes a “incentivar à autoria” literária, a partir da adoção de estratégia para acelerar o “desenvolvimento cultural do Brasil”. Seu primeiro passo será cadastrar os milhares de escritores em atividade e, em seguida, promover “caravanas de discussão de escritores pelo país todo”. O burocrata, no afã de torrar o inesgotável dinheiro público, é taxativo: “Estamos num mundo muito profissionalizado, a atividade criativa tem de ser remunerada condignamente, como qualquer outro trabalho”.
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O verbo e a verba – eis a senha circulante entre burocratas e pseudo-escritores no Brasil atual. Impera no meio uma visão de que o Estado não passa de “uma boa vaca para lhes fornecer leite”. Será que essa gente enlouqueceu? Ela pensa que a criação de milhares de “sinecuras literárias”, entre amigos da mesma corporação, vai possibilitar, de fato, o desenvolvimento cultural do País? Essa gente ignora, por acaso, que o dinheiro do Estado, para satisfazer suas ambições pessoais, não é do Estado, mas, sim, do bolso de quem se esfalfa para pagar os impostos sufocantes do governo?
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Perdeu-se, no Brasil da era Lula, a noção da decência e da dignidade. Açulado pelo governo corrupto e corruptor, o sujeito só pensa em causa própria, nos seus projetos pessoais, incentivado pela ação demagógica de políticos mentirosos cuja função é prometer a resolução de todos os problemas humanos – mas que, na prática, ao se apropriar dos recursos criados pelo trabalho, só faz ampliar a carga de privilégios, miséria e violência que nos cerca.O sujeito que, para escrever, exige as benesses do Estado, não é escritor, mas, sim, um borrador de tintas candidato à escravidão eterna. Rastejará sempre em torno de autoridades e ministros trapaceiros, burocratas manhosos, editores espertos em busca de financiamentos públicos, desprezíveis companheiros de ofício, críticos desonestos e políticos astuciosos. Longe da verdade, será sempre um mau escritor, jeitoso e inútil, apegado aos modismos e falsos valores, lendo os livros errados, tornando-se um escriba superficial por gastar o tempo com convenções mentirosas, e – o que é mais daninho – sendo considerado pelos pares, no final da vida, como um “grande escritor”.

Eles aprovam leis sem ler

Revista Veja

Não contentes em querer aumentar os seus próprios vencimentos, ao mesmo tempo em que diminuem sua carga horária, parlamentares brasileiros agora não se dão sequer ao trabalho de ler os projetos de lei que aprovam. No último mês de fevereiro, o Congresso Nacional votou às pressas uma série de projetos prevendo mudanças na legislação penal.

O objetivo era dar uma resposta ao clamor popular pelo endurecimento das punições aos criminosos, motivado pelo assassinato do menino João Hélio Fernandes – arrastado até a morte depois de ficar preso pelo cinto de segurança durante um assalto ao carro de sua mãe, no Rio de Janeiro.

Ocorre que, como mostrou reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, na segunda-feira, entre as medidas que os parlamentares aprovaram está uma que, proposta pelo governo, em vez de dificultar, facilita a vida de autores de crimes como seqüestro, tráfico de drogas e homicídio com crueldade.

Pela legislação anterior, bandidos acusados de um crime hediondo, como os assassinos de João Hélio, não tinham direito ao benefício da liberdade provisória, reservado apenas a autores de crimes comuns. Agora, desde o mês passado, qualquer criminoso, incluindo os assassinos do menino carioca, pode solicitar o benefício. A decisão de concedê-lo ou não, evidentemente, cabe a um juiz.

E por que uma medida dessas foi tão facilmente aprovada pelos congressistas? Simplesmente porque a maior parte dos deputados de oposição não entendeu o que estava votando. "Essa mudança é obviamente um retrocesso na nossa intenção de endurecer a legislação penal. Passou sem que fosse percebida", diz o líder dos Democratas na Câmara, Onyx Lorenzoni. "Agora, é reconhecer o erro e tentar uma nova mudança na lei.

Os apagões de Lula

por Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo
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O apagão aéreo é apenas a culminação de uma seqüência completa de outros momentos em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou-se absolutamente inapetente ou incompetente ou as duas coisas ao mesmo tempo para enfrentar crises.
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No caso da crise ética e moral, simbolizada pelo mensalão, o presidente limitou-se a afastar seu "capitão", José Dirceu, e a culpar o PT, para evitar que o escândalo respingasse ainda mais nele próprio.
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Mas não foi capaz de dar um basta ao ambiente turvo que se criou no seu entorno e em seu partido, ambiente que levou o procurador-geral da República batizar a turma de "organização criminosa".
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Tanto Lula tolerou o jeito de ser da "organização" que comportamentos obscenos reapareceriam logo depois, tanto na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Pereira como no episódio do dossiê contra tucanos. Em ambos os casos, os responsáveis foram pessoas da maior proximidade com o presidente, o que indica a cultura predominante no entorno.
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No apagão da segurança pública, o presidente chegou a qualificar de "terrorismo" o que aconteceu no Rio, no fim do ano. Ficou nisso e no envio de meia dúzia de gatos pingados da tal Força Nacional de Segurança. Solução zero, como se vê todo santo dia no noticiário dos jornais do Rio.
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No caso do apagão aéreo, a crise dos controladores vinha se arrastando havia seis meses, sem que o presidente tomasse alguma atitude que não fosse fazer promessas vazias de solução iminente, que não vinha, ou exigir prazos, que seus subordinados não cumpriam e continuam não cumprindo (e nada acontece com eles).
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Conseqüência da incompetência/inapetência: o governo se viu obrigado a render-se ante uma atitude que, agora, Lula considera "irresponsável". Quem é mais irresponsável, ante tal histórico?

Conta salário fica livre de tarifas

Tribuna da Imprensa

SÃO PAULO - A partir de hoje, os bancos estão obrigados a abrir conta salário, livre de tarifas, para todos os funcionários de empresas com as quais assinaram contrato de pagamento após 5 de setembro de 2006. Com isso, esses são os primeiros trabalhadores do setor privado que passam a ter o direito de escolher o banco onde receber o salário.

"É a alforria para esses trabalhadores", comenta Marcos Crivelaro, professor e consultor de finanças pessoais. Até agora eram as empresas que decidiam onde o trabalhador recebia o salário. "As empresas perdem a carteira de seus funcionários como moeda de troca nas suas negociações com os bancos", diz Crivelaro.

Da conta salário o dinheiro pode ser automaticamente enviado para uma conta corrente do trabalhador em outro banco, sem CPMF nem taxa de transferência (DOC), explica Jorge Higashino, superintendente de Negócios Especiais da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Basta que o trabalhador informe a opção ao banco onde tem a conta salário e o próprio banco terá de se encarregar da tarefa. O trabalhador pode ainda continuar a receber o salário na conta corrente que já tem no mesmo banco ou passar a movimentar o salário apenas por meio da conta salário.

Para os funcionários de empresas que assinaram contrato de pagamento com o banco até 5 de setembro de 2006, a grande maioria, a abertura da conta salário tem prazo até 2 de janeiro de 2009.

"O objetivo do governo é promover a concorrência e reduzir os juros", diz Amaro Gomes, chefe do Departamento de Normas do Banco Central. Para a técnica de Defesa do Consumidor do Procon-SP Renata Reis, a medida é mais efetiva que a portabilidade de crédito para alcançar esse objetivo.

"Não há complicação, o único trabalho é indicar para o banco onde se quer receber o salário." Crivelaro concorda: "A medida, simples, vai mexer bastante com o mercado, e os bancos vão ter de disputar cliente, seduzi-los com descontos de tarifas e taxas diferenciadas em empréstimos pra evitar a migração".

O Banco do Brasil, por exemplo, onde cerca de 4 milhões de clientes são trabalhadores do setor privado que recebem ali os seus salários, já iniciou campanha para fidelizar o grupo beneficiado nesta primeira etapa. Até o fim de 2006, esse grupo somava cerca de 60 mil correntistas. Uma das armas será juro baixo no crédito consignado (com parcelas debitadas no holerite) para quem permanecer correntista.

"Nessa linha estamos cobrando taxa 1 ponto porcentual abaixo da concorrência", diz Fábio Euzébio, gerente executivo de Pessoa Física do Banco do Brasil.

Como funciona
Como é livre de tarifa, a conta salário é básica, com uma série de limites e restrições de uso. Ela é isenta de tarifas até um certo número de serviços acessados (o que exceder pode ser cobrado pelo banco) e só pode ser movimentada por cartão magnético, fornecido gratuitamente. Não há direito a talão de cheque, cheque especial ou cartão de crédito. A conta não pode receber nenhum depósito além daqueles feitos pelo empregador nem pode ser feita aplicação financeira a partir dela.

O trabalhador que terá sua conta salário aberta hoje só terá de ir ao banco se optar por transferir os recursos para conta corrente em outro banco ou manter o dinheiro na própria conta salário - a opção pode ser feita a qualquer tempo, sem prazo. O salário pode ser transferido sem CPMF até mesmo para conta conjunta que o trabalhador tenha em outro banco. Caso opte pela continuidade do recebimento do salário na conta corrente que já possui no mesmo banco, o trabalhador não precisa tomar nenhuma providência; automaticamente, os bancos vão transferir o dinheiro para essa conta corrente já existente.

Crivelaro é se beneficia pela início da conta salário. Hoje, ele administra cinco contas correntes, porque dá aulas em cinco instituições que pagam salário em diferentes bancos. Por ora, ele já poderá cancelar pelo menos uma dessas contas e, em 2009, concentrar suas operações em uma só instituição.

"Hoje é difícil administrar essas cinco contas, porque há a preocupação de distribuir os recursos entre elas para obter descontos de tarifas". Se para ele, que é consultor em finanças pessoais, essa é uma tarefa difícil, imagine para os demais trabalhadores.

Juros estão altos até para o FMI

José Paulo Kpuffer, NoMínimo

O FMI soltou suas apostas de primavera (no hemisfério norte) para a economia mundial. Continuará o crescimento geral em 2007. Mais moderado, no entanto, que nos anos anteriores. A economia global avançará, na tarometria do FMI, 4,9% em 2007; os emergentes, 7,5%; a América Latina, 4,8%; e o Brasil, 4,4%.

Trata-se, no caso do Brasil, de um movimento de ajuste. No primeiro semestre do ano passado, os economistas do FMI previam um crescimento de 3,5% para 2007. No segundo semestre, avançaram para 4%. E agora chegaram aos 4,4%. A tendência é que empurrem um pouco mais para cima, nas previsões de outono (no hemisfério norte).

Interessante é que até o FMI está achando que o Banco Central brasileiro poderia tirar um pouco mais rápido a pressão da taxa de juros. “Com a inflação bem contida, haveria espaço para continuação do ciclo de flexibilização”, registra o relatório “Perspectivas Econômicas para 2007”, divulgado na quarta-feira, na linguagem rococó típica dos comunicados da instituição.

Para não dizer que só falou de flores, o FMI alerta que uma desaceleração maior do que a esperada nos EUA atingiria a América Latina de forma mais dura do que outras regiões.

COMENTANDO A NOTÍCIA: A grande questão a ser respondida é, aqueles que estão ganhando rios de dinheiro com os juros brasileiros na estratosfera, aceitariam ganhar um pouco menos ? Este governo vai arriscar reduzir os juros numa velocidade maior, sem medo de ser feliz ? Notem que o governo permanece assinalando a não mudanças na política econômica. Contudo, já estamos passando da hora de promover os ajustes necessários para que o desenvolvimento não seja afetado.

Uma das coisas que temos afirmado aqui é que Lula é mais conservador do que se imagina. Se os fundamentos estão produzindo resultados, e como não foi seu governo quem estabeleceu as atuais regras do jogo, ele apenas recebeu os benefícios da estabilidade alcançada, há um enorme receio de mexer e não dar certo, e assim, correr riscos políticos de incalculáveis prejuízos.

Mas que Lula não espere muito para promover os ajustes e as reformas que precisamos: pode ter que pagar um preço muito alto.

SOS Big Brother

Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo

A patrulha não está de brincadeira. Outro dia, no patético Big Brother Brasil, Pedro Bial chamou os participantes do programa de heróis. Foi o suficiente para estourar uma campanha na internet (ou um spam, o que dá mais ou menos no mesmo), crucificando o vibrante apresentador-jornalista.

Essa cultura politicamente correta está cada vez mais religiosa. Alvo de críticas recorrentes da sociedade esclarecida, Bial agora foi tratado como um blasfemo. Heróis de verdade são aqueles que cuidam das criancinhas desamparadas, dos pobres, dos frascos e comprimidos, bradam os autores do protesto, muito bem embalado numa coleção de slides coloridos.

Chegamos ao ponto em que chamar de heróis aqueles bobocas que ficam desfilando seus corpinhos em cativeiro é falta moral grave. Não pode mais. Só podem ser chamados de alienados, descerebrados, inúteis. Quem são os verdadeiros heróis para esses militantes do bem? São os funcionários das ONGs humanitárias.

Está lá no panfleto eletrônico uma lista de ongueiros e ativistas virtuosos, candidatos a destronar popozudas e popozudos na vaga de heróis nacionais. Mas a mensagem é um pouco mais profunda. Você, que telefonou ou deixou seu filho telefonar para votar no Alemão, também é um desmiolado, um imprestável.

Da próxima vez, calcule o dinheiro que gastará com as ligações para o Big Brother e fique longe do telefone. Envie essa quantia para uma das ONGs listadas pela organização Médicos sem Fronteiras.

Não é de hoje que a esquerda está aí para “conscientizar” os distraídos. Até pouco tempo atrás o PT punha no ar aquelas propagandas encenadas em que um Zé Povinho engajado tirava outro Zé Povinho da frente de um jogo de futebol, e provocava o seu “despertar” para a política.

Também não é de hoje que esses bons samaritanos estão alertando o povo para a fortuna que dá à Globo com essas ligações telefônicas para o Big Brother.

Mas, ainda assim, essas campanhas estão tímidas. Nesse ritmo, a salvação do mundo vai demorar um pouco mais. O certo seria convocar o povo a separar todos os tostões que gasta com besteira (futebol, circo, motel, cinema, aposta em reality show etc) e entregar tudo para um grande Fundo de Ações Politicamente Corretas, ou talvez para uma holding Forças do Bem S.A.

Seria uma ampla sistematização do caça-níqueis social, embalada por algum slogan impactante, do tipo “Bial nunca mais”.

É mais ou menos esse, o recado: se você se diverte com essa bobagem que é o Big Brother Brasil, você prejudica essa coisa nobre que são os Médicos sem Fronteira. Sem fronteira, mas com ideologia: eles estão dizendo que os heróis do Bial fazem mal à saúde. O que faz bem à saúde, do corpo e do espírito, quem sabe são eles. E é por isso que é para eles que você deve dar o seu dinheiro.

É chato lembrar, mas era mais ou menos essa a ideologia de Delúbio Soares quando começou a montar sua famosa caixinha: quem quisesse ver o bem triunfar tinha que pingar algum na conta corrente da revolução. É dispensável lembrar onde o bem foi parar no final dessa história.

O que os patrulheiros da virtude talvez jamais compreendam é que entre os mais humanitários dos valores está o livre-arbítrio. E se essa liberdade levar a um telefonema para o Big Brother, esse telefonema será sagrado.

A outra face dessa moeda é a sociedade talibã, onde a cultura é filtrada pela política. Resta esperar que as ONGs do bem digam aos brasileiros em que canal eles devem sintonizar seus espíritos.

TOQUEDEPRIMA...

Aí é que mora o perigo
Xico Vargas, NoMínimo

Dois episódios na manhã desta terça-feira mostraram em que medida o carioca assimilou a violência como parte inevitável do cotidiano, como os engarrafamentos ou as chuvas que encerram os verões.

Na Linha Vermelha, com o trânsito parado por causa de mais uma troca de tiros entre PMs e traficantes, homens e mulheres moviam-se entre os carros parados vendendo água, refrigerantes e biscoitos Globo.

Na rua do Bispo, no Rio Comprido, três homens tentaram levar a motocicleta de um policial civil. Com a troca de tiros que daí resultou, dois ladrões fugiram para o morro do Turano e o terceiro, baleado, tentou mas morreu no pátio do colégio Santa Dorotéia, ali perto.

Há alguns anos, não muitos, os dois casos seriam motivo para comoção. No primeiro, minutos após o tiroteio o congestionamento se desfez e os ambulantes voltaram a seus barracos à espera de nova reunião de consumidores. No segundo, as aulas sequer foram interrompidas. O corpo do bandido ficou ao sol por um par de horas até se recolhido pelo rabecão do IML.
O perigo é quando a barbárie invade a agenda da população.

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Governo decide: CPI do Apagão já

A estratégia dos líderes do governo na Câmara mudou. Até ontem, eles trabalhavam para barrar a CPI do Apagão Aéreo.

Hoje, começaram a correr atrás da oposição para instalar de imediato a comissão parlamentar de inquérito, sem esperar o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o assunto. Pretendem, com isso, esvaziar uma possível CPI no Senado, onde a maioria do governo é frágil.

Para fechar esse acordo, o líder do governo, deputado José Múcio (PTB-PE), começou a procurar hoje os líderes da oposição. E pelo que se ouve, a estratégia de inviabilizar uma CPI no Senado vai dar certo. É o que indica o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE):

- Se instalarem direitinho lá, não precisamos instalar aqui -, disse o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE).

A oposição no Senado passaria a fiscalizar a CPI da Câmara. Se desconfiassem de manobras do governo para evitar investigações, instalariam a CPI no Senado.

- Se lá for marmelada, temos assinatura suficiente para criar aqui-, afirmou o senador Heráclito Fortes (DEM-PI).

COMENTANDO A NOTÍCIA: Como uma oposição tão boazinha e dócil assim, talvez nem Lula esperasse contar. Ora, senhor Jereissati, por acaso vossa sabedoria deu-se conta que na Câmara, com a maioria que tem, a CPI será comandada inteiramente pelo PT ? E que em sendo assim esta CPI vai redundar em verdadeiro fracasso como tantos outras ? Não interessa a Câmara. Faça a do Senado, onde a oposição tem maioria e pode investigar a vontade e trazer as informações para o conhecimento público, principalmente aqueles assuntos relacionados às operações digamos. ... suspeitas praticadas pela INFRAERO. Vamos deixar a ingenuidade ou a burrice de lado, e trabalhar com maior seriedade !!!

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Esqueceram de nós
Blog do Noblat

Sem auxílio de seu cerimonial, Lula se embaralhou ontem à noite ao cumprimentar todos os governadores, deputados, senadores e ministros do PMDB.

Lembrou do nome dos governadores, cumprimentou deputados e senadores, mas ao chegar aos ministros, não conseguiu se lembrar dos cinco escolhidos por ele.

Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, e Reinhold Stephanes, da Agricultura, foram esquecidos. Lula os via, mas não conseguia lembrar dos nomes.

Foi salvo pelos presentes, que sopraram os nomes dos dois. Geddel fechou a cara. Stephanes nem ligou.

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Lei Crivella criminaliza pedofilia na internet

O Senado aprovou hoje o projeto de lei de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) que criminaliza a aquisição, ocultação ou posse de qualquer material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes. Quando a lei entrar em vigor, após sanção presidencial, quem acessar site de pedofilia, mesmo "alocado" em provedor no exterior, quando digitar o número do cartão de crédito será identificado e investigado pela Polícia Federal. Crivella afirmou que a pedofilia é um crime cruel, "porque mata a inocência, assassina a infância, destrói sonhos e cria feridas dificilmente cicatrizáveis".

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E o Trabalho, é pra Quando?
Giulio Sanmartini, Prosa & Política

O presidente ontem teve um dia “estafante”, foi visitar o “coleginha” Sérgio Cabral (que por acaso estava no estado que governa) e inauguraram trens, participaram de uma “importantíssima” formatura de jovens voluntários que irão participar de trabalhos nos jogos Pan Americanos, inaugurou o início da obra de uma estação do metrô, colocou bonés, andou de trem; no Maracanã , durante seu discurso, houve um tumulto entre facções do crime organizado que controlam o tráfico de drogas nas favelas e, como não podia deixar de ser, obrou mais uma de suas besteiras: "Vocês estão começando a vida, pelo amor de Deus, não desanimem. No dia em que vocês estiverem em casa desanimados com a política e estiverem pensando: o Sérgio Cabral (governador do Rio) não presta, o Lula não presta, os deputados não prestam, os vereadores não prestam; ainda assim, por favor, não desanimem, porque se nenhum de nós prestarmos (sic), quem sabe o político ideal está dentro de vocês. Entrem na política e ajudem a mudar a história deste País."Pois é, ele entrou na política e deu nisso que aí está, piorou tudo.
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Sua viagem foi de uma inutilidade dolorosa, enquanto isso a violência urbana está fora de controle, os jovens analfabetos contam-se aos milhões, não existe um sistema de saúde decente, as estradas estão intransitáveis, a crise aérea está aí mesmo sem solução, a Polícia Federal entrará em greve. Quando será que o presidente da República sentará (com perdão da palavra) o rabo em sua cadeira e pegará no lesco-lesco a sério? (G.S.)

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Lula ,Teixeira e a Fifa
Radar, Veja onlie

Ricardo Teixeira será recebido por Lula amanhã à tarde no Palácio do Planalto. Vão falar, é claro, da Copa 2014, aquela na qual o Brasil é o candidato único para sediá-la. Ou melhor, concorre com ele mesmo: tem que demonstrar competência para montar a infra-estrutura do evento. Teixeira entregará o caderno de encargos da Fifa para Lula assinar. O caderno é o documento em que o país-candidato se compromete a fazer determinadas obras de infra-estrutura para sediar a Copa - e a Fifa exige que o presidente do país o assine.

Teixeira também deve convidar Lula para comparecer a reinauguração do estádio de Wembley, no dia 1° de junho, com a partida entre Brasil e Inglaterra.

Povos da floresta em pé de guerra

Tales Faria, Informe JB
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Os aliados do ex-governador petista do Acre Jorge Viana têm-se mostrado há anos um grupo monolítico e com controle total do Estado. Forjados na luta dos seringueiros contra o desmatamento, passaram a ser chamados de os herdeiros dos "povos da floresta".
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Seus principais personagens são o próprio Jorge Viana e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, companheira de luta do mitológico Chico Mendes. Em torno deles, formaram-se outros líderes, como o senador Tião Viana, irmão do ex-governador, e o atual governador, Binho Marques.
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Mas desde que, por causa da permanência de Marina Silva no Ministério, Viana não conseguiu uma vaga no primeiro escalão do segundo mandato do presidente Lula - seriam ministros demais de um Estado, digamos, não tão importante assim - começou a trincar o relacionamento dos "povos da floresta".
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Agora, eles esboçam um racha interno no grupo que, se concretizado, pode resultar numa guerra tão grande ou maior que aquela enfrentada por Plácido de Castro e recentemente divulgada pela minissérie Amazônia.
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Se o primeiro capítulo dessa nova guerra teve como pano de fundo a reforma ministerial, o segundo capítulo gira em torno de um projeto de Tião Viana, que está causando frisson no Estado.
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O projeto permite a prospecção de petróleo e gás no Acre. Volta-se para a região do Vale do Juruá, já na fronteira com o Peru. Como grande parte da região é reserva ecológica ou território indígena, os ecologistas estão em polvorosa. A discreta Marina Silva tenta evitar o confronto, mas também não concorda.Para tentar minar resistências, Tião promoveu na quinta-feira um grande seminário em Rio Branco chamado Prospecção de derivados do petróleo no Acre e responsabilidade socioambiental. Levou o diretor da Agência Nacional de Petróleo, Newton Reis Monteiro, e até o senador Eduardo Suplicy. Mas, em sinal de protesto, nem Marina nem o governador Binho Marques compareceram.Agora, o tal projeto do Tião Viana tornou-se uma chaga aberta. Se ele vingar, o ambientalismo da ministra terá sido massacrado exatamente em sua terra e dentro de seu grupo político. Mas se Marina conseguir derrubar o projeto, o controle que os irmãos Viana exercem na política do Estado terá acabado.
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Marina x Dilma
A ministra do Meio ambiente, Marina Silva, também está sofrendo o assédio da poderosa chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. É que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) não liberou, e não tem prazo para liberar, o licenciamento da hidrelétrica do Madeira. Por causa disso, o Ministério de Minas e Energia suspendeu o leilão que estava programado para junho e não tem nova data. Ou seja, o leilão foi suspenso indefinidamente. Dilma está tiririca.
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Sobras da batalha
A guerra entre o PMDB da Câmara e o do Senado ainda deixou suas feridas. Ex-presidente do Senado, o deputado Jader Barbalho (PA) alinhou-se ao grupo de senadores do partido. Agora está reivindicando o comando da Sudam para seu primo, o ex-deputado José Priante. Mas o ministro da pasta, que comandou a guerra pelo lado dos deputados, embora seja amigo pessoal de Priante, está barrando a indicação.
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Sobras da batalha 2
Demitido da Embaixada de Lisboa pelo chanceler Celso Amorim, por telefone, o ex-presidente do PMDB Paes de Andrade não deverá ficar de mãos abanando. É candidato a uma das vice-presidências do Banco do Brasil.
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Sobras da batalha 3
O PSB corre sério risco de perder o comando da tal Secretaria dos Portos que o presidente Lula pretende criar. Os socialistas insistem em dizer que Lula prometeu à cúpula do partido entregar a secretaria ao ex-ministro interino dos Transportes Pedro Brito. Mas o atual ministro, Alfredo Nascimento (PR), quer tomá-la de assalto . "O presidente não abandonará os velhos, bons e fiéis companheiros socialistas", torce o deputado federal Rodrigo Rollemberg (DF).
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Festa surpresa
Sem muito alarde, na última quinta-feira o presidente Lula brindou a primeira-dama, Marisa Letícia, com uma festa surpresa na Granja do Torto. Estiveram presentes ministros, acompanhados de suas mulheres, e os filhos do casal.
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Sem surpresa
Na quarta-feira, enquanto o PMDB se reunia com Lula na residência do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o ex-deputado Ricardo Rique, acusado de envolvimento com a máfia dos sanguessugas, promovia uma festança no seu apartamento recém-reformado, na Asa Norte de Brasília. O evento contou também com a presença de ministros do governo e do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
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Mutirão surpresa
A turma que é favorável à redução da maioridade penal combinou de promover amanhã mesmo, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, um grande mutirão pela aprovação de um texto que atenda à maioria dos projetos sobre o assunto em tramitação no Congresso.
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Tapas de luvas
A indústria de luvas cirúrgicas de Engenheiro Paulo de Frontin, no interior do Rio de Janeiro, está sofrendo assédio das luvas importadas. "É que, para as luvas brasileiras, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige selo de certificação do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), o que não é cobrado das luvas importadas. Não sou contrário à exigência do selo, mas quero saber da Anvisa por que ele não é cobrado das luvas estrangeiras.
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Dornelles não só está fazendo um requerimento de informações à Anvisa sobre o assunto como deve chamar a turma da agência a depor na Comissão de Assuntos Econômicos.

Apagão Aéreo tem seu “Baile da Ilha Fiscal”

Este governo é mesmo uma festa. Enquanto o país todo padece diante de crises, sempre aparece uma “festeira” para rir na nossa cara de indignação, e ainda faz pouco caso das nossas surpresas diante de seus despropósitos. Assim, tivemos a “elegante” dançarina da pizza do mensalão, que por castigo, não se reelegeu. Agora, em plena greve dos controladores do tráfego aéreo, a senhora Denise Abreu, aquela colocada como diretora da ANAC, a agência que Lula criou mais para abrigar a companheirada do que para gerir o transporte aéreo, desfilava garbosa em uma festa, com seu imenso charutão, como vemos na foto. O que segue, recolhemos do blog do Reinaldo Azevedo:


A crise aérea brasileira tem o seu Baile da Ilha Fiscal. Vocês sabem, né? É aquele em que monarquia brasileira dançava minueto, enquanto a República era proclamada. Virou sinônimo de alienação da elite brasileira. Leiam trecho da reportagem de Expedito Filho, no Estadão deste domingo:

O diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, pediu desculpas, mas não foi. Ficou preso em Brasília por causa do apagão aéreo e não pôde comparecer à importante reunião marcada para a noite de sexta-feira em Salvador, que colocou na mesma mesa - ou, ao menos, em mesas muito próximas em um salão da capital baiana - dirigentes da Anac e da Infraero e executivos da Varig, da BRA e da Gol. Mas Zuanazzi se fez representar: enquanto as pistas dos aeroportos permaneciam vazias por causa da greve dos controladores de vôo, obrigando 18 mil passageiros a se amontoar nos saguões de embarque e aguardar deitados uma solução para a maior crise da história da aviação no Brasil, a diretora Denise Abreu e o secretário-geral da entidade, Henrique Gabriel, participavam do encontro no restaurante Trapiche Adelaide, onde 600 convidados ocupavam a pista com passos animados de axé, se acotovelando apenas para pegar mais um copo de uísque e celebrar o casamento da filha de Leur Lomanto, também diretor da Anac, e do sobrinho de Luiz Henrique, governador de Santa Catarina.

Visivelmente tensa, Denise tentava reorganizar o caos aéreo a partir da porta da igreja. “Os vôos internacionais são prioritários. Os nossos aviões não podem ficar parados no exterior”, dizia por celular a um interlocutor. “Somente depois disso cuidaremos dos vôos domésticos.” Ela relaxou apenas, durante a festa, quando a greve havia sido debelada e a diretora pôde circular pelo salão em seu vestido dourado, mandando sinais de paz aos aeroportos do País com a fumaça de um charuto Dona Flor.

Baile Fiscal do apagão aéreo pega mal

Por Vannildo Mendes e Sônia Filgueiras, no Estadão desta segunda:

Repercutiu mal a presença de dirigentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) numa festa de casamento em Salvador, regada a axé, uísque e iguarias, em meio ao caos do setor aéreo. Encarregada de normatizar, regular e controlar o mercado em função do usuário, a agência teve um papel tímido durante o episódio, o que não impediu três dos seus principais executivos de se esbaldarem no “baile do apagão”, enquanto 18 mil passageiros - segundo estimativa da própria Anac - padeciam nos aeroportos. O presidente da entidade, Milton Zuanazzi, só não compareceu porque perdeu o vôo.Personagem da notícia, flagrada na festa fumando charuto, a diretora da Anac Denise Abreu não considerou inoportuna a sua presença no chamado baile do apagão. “Casamentos são marcados e confirmados com antecedência. Ninguém podia prever uma crise aérea no mesmo dia”, explicou.Além disso, segundo a diretora, o problema foi causado por um motim dos controladores de vôo e, portanto, não era da alçada da agência. “Não dizia respeito à Anac, mas ao Comando da Aeronáutica”, alegou Denise.“Aquilo foi o baile da ilha fiscal do setor aéreo. Com todo o respeito ao casamento, que é uma festa importante para qualquer família, os dirigentes com responsabilidade na área deveriam estar nos seus postos trabalhando pela restauração da credibilidade e operacionalidade do sistema aéreo”, disse o deputado Júlio Redecker (PSDB-RS).

Salário de “heróis”, só no discurso

Estadão
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Chamados de “heróis” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por receberem salários de R$ 8.362,80, boa parte dos ministros recorre a um artifício para engordar seus vencimentos: ganham um extra por participar de conselhos fiscais ou de administração de estatais. Além de exigir trabalho módico - em geral os conselhos se reúnem uma vez por mês -, a remuneração mensal corresponde a até 10% do que ganham em média os diretores da empresa.
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A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff mais que dobra seus ganhos ao participar dos conselhos da Petrobras e da BR Distribuidora. Ao salário de R$ 8.362,80 se somam R$ 4.362,67 do jetom do conselho da Petrobras, um dos mais cobiçados da Esplanada dos Ministérios, e mais R$ 4.354,22 do jetom do conselho da BR Distribuidora. O total chega a R$ 17.079,69.
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Além de participar do conselho da Petrobras, o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, integra um colegiado invejado: o da Itaipu Binacional, que não tem as limitações das estatais e paga jetom de R$ 12.179. Tudo somado, ele recebe R$ 24.905,47.
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“É um subterfúgio legítimo”, diz o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Ministro da Integração Nacional no primeiro mandato de Lula, Ciro integrou o Conselho da Acesita e, mais tarde, o de Itaipu. “Ganhava o mesmo salário que tinha como ministro para participar de uma reunião por mês da estatal”, diz. “Se não fosse isso, não poderia ser ministro.”
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“Há lógica quando o ministro ocupa o conselho de uma estatal ligada a seu ministério. Mas não quando ele está em um conselho qualquer, só para elevar seus proventos”, discorda o deputado Mendes Thame (PSDB-SP). “Essa distorção custa caro, pois o ministro ocupa o cargo de alguém com mais familiaridade com o assunto.”
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Prática comum
A prática é comum no governo. Os titulares da Fazenda, Guido Mantega, de Cidades, Márcio Fortes, do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Previdência, Luiz Marinho, também ganham extras de conselhos de estatais. Fortes integra quatro conselhos: BNDES, Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame), Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A. (Trensurbe) e Companhia Brasileira de Transporte Urbano (CBTU ). Mas recebe remuneração pela participação no BNDES e na Finame.
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“Pela legislação, os ministros só podem receber remuneração por participar em dois conselhos”, explica o líder do PSDB na Câmara, Antônio Carlos Pannunzio (SP). Há um ano e meio, ele fez uma consulta ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a legalidade da participação remunerada de ministros em conselhos fiscais e de administração de empresas.
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Na época, argumentou que o artigo 39 da Constituição prevê que os ministros “serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória”. Em sessão no dia 21 de março de 2006, porém, o TCU decidiu que não há nada de ilegal no pagamento desse jetom aos ministros. “Não houve afronta ao dispositivo constitucional”, decretou.Os ministros parlamentares geralmente optam por receber o salário do Congresso. É o caso do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG), e da ministra Marina Silva, do Meio Ambiente. Os dois ganham R$ 12.720 mensais como senadores. Bernardo, que recebia salário de deputado até fevereiro, agora tem contracheque de ministro e assento no conselho da Finame. Nos próximos dias, deve ingressar no da Eletrobrás.
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NÚMEROSR$ 17 mil é o quanto ganha Dilma Rousseff, graças a R$ 4,3 mil da PetrobrásR$ 24,9 mil é o vencimento de Silas Rondeau, com extras da Petrobrás e ItaipuR$ 12,7 mil é o quanto ganham ministros que optam pelo salário de senador.


COMENTANDO A NOTÍCIA: No mesmo dia em que Lula fez sua declaração, dissemos aqui que, no fundo, o que ele desejava era, por via indireta, pedir que lhe aumentasse o salário. Claro que um cretino iria bancar o “laranja” e encaminhar um pedido neste sentido. Touché. Foi isto mesmo que aconteceu. E na mesma reportagem do Estadão fica provado que estes “heróis”, têm mais privilégios do que se imagina. E que, a declaração de Lula, seguiu pela trilha da cretinice que o caracteriza.

Brasil compra mais da Argentina

Jornal do Brasil

A Argentina tem agora menos motivos para reclamar dos resultados do intercâmbio comercial com o Brasil. As importações de produtos argentinos por brasileiros cresceram 40,5% no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado, atingindo US$ 2,28 bilhões. Já as exportações brasileiras para o país vizinho foram de US$ 2,86 bilhões, crescimento de 15,5% em relação a igual período de 2006.

O superávit brasileiro com a Argentina, portanto, totalizou US$ 581 milhões entre janeiro e março, ante um saldo positivo de US$ 855 milhões verificado nos três primeiros meses do ano passado.

Com o objetivo de fortalecer a integração da América do Sul, o governo tenta reduzir os descontentamentos dos parceiros comerciais com o tamanho do superávit comercial brasileiro. Para o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o fundamental é o intercâmbio comercial com a Argentina sempre apresentar crescimento.

- É importante o mínimo de equilíbrio - disse o chanceler.

A Argentina é o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Só fica atrás dos Estados Unidos. Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Meziat, a queda do saldo comercial do Brasil com a Argentina é benéfica, pois os vizinhos sempre se queixam às autoridades brasileiras do tamanho do saldo negativo obtido nas relações comerciais com o Brasil.

- Os resultados demonstram o acerto das nossas negociações e a recuperação da indústria argentina, o que é positivo para as relações entre os dois países - disse o secretário. - O crescimento das vendas dos argentinos é uma preocupação nossa a fim de equilibrar os negócios. (F.E)

Importações batem recorde em março

Fernando Exman , Jornal do Brasil

Em um cenário de dólar barato, o Brasil bateu em março o recorde histórico de importação em um único mês. Foram US$ 9,53 bilhões. Como as exportações chegaram a US$ 12,85 bilhões, a balança comercial registrou superávit de US$ 3,32 bilhões em março, queda de 8,56% sobre o mesmo mês do ano passado. Neste ano, as vendas ao mercado externo crescem acima das compras. No primeiro trimestre, importações e exportações subiram, respectivamente, 25,27% e 15,42%.

Entre janeiro e março, o saldo positivo da balança foi de US$ 8,69 bilhões, queda de 6,01% na comparação com o mesmo período do ano passado. O desempenho resulta de US$ 33,92 bilhões em exportações e de US$ 25,22 bilhões em importações. Ambas as cifras são recordes para o período.

Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Armando Meziat, a tendência é que o superávit deste ano seja inferior ao do ano passado, de US$ 46,1 bilhões. Ele negou que o crescimento das importações seja prejudicial para a indústria, como alegam entidades produtivas. A exceção, reconheceu, são os segmentos que enfrentam a concorrência dos produtos chineses. Meziat ressaltou, no entanto, que o ministério tem tomado providências de defesa comercial para impedir que tais áreas, como têxteis e brinquedos, sejam afetadas por preços desleais e importações irregulares.

A desvalorização do dólar incentiva sobretudo as compras de bens de consumo. No primeiro trimestre, as importações desses produtos cresceram 39%. As importações também têm crescido. O setor investe para aumentar a produção e obter maior competitividade. As importações somaram US$ 4,26 bilhões nos primeiros três meses do ano, 24,6% maior que no primeiro trimestre de 2006.

Foi a primeira vez desde 2001 que o saldo positivo em 12 meses fica menor do que no mesmo período anterior. Entre abril do ano passado e março deste ano, o superávit foi de US$ 45,53 bilhões. De abril de 2005 a março de 2006, ficou em US$ 45,65 bilhões.

No primeiro trimestre, as vendas de manufaturados somaram US$ 18,52 bilhões (alta de 13,2%), enquanto as de básicos foram de US$ 9,83 bilhões (alta de 25,1%) e as de semimanufaturados alcançaram US$ 4,88 bilhões (aumento de 22,2%).