Adelson Elias Vasconcellos
No discurso em que anunciava a mudança do rendimento das cadernetas de ppoupança, a presidente Dilma citou, com energia, o tripé do mal que abala a economia brasileira: os juros altos, o câmbio supervalorizado e os impostos.
Começo por aí. O mesmo movimento que leva a presidente a bater–se contra os juros altos não foi iniciado antes por conta do quê?
Ora, é simples: porque os juros beneficiavam diretamente o financiamento dos altos gastos do próprio governo, por atrair investidores em massa para aplicarem em seus títulos. Aliás, não foi por outra razão – excesso de gastos – que a dívida pública desde 2003, triplicou de tamanho.
Só que, e aí o blog está lotado de artigos, comentários, postagens, é só pesquisar, a atração destes dólares, atraídos pelos juros nas nuvens, desequilibrou o câmbio. O enorme volume de dólares ingressados no país valorizou o real além do razoável, e foi isto, não os tsunamis monetários da Europa e Estados Unidos, que criou dificuldades às indústrias brasileiras.
E qual era o discurso do governo cada vez que se reclamava deste quadro? É que a excelência da nossa economia, com o aumento das exportações, é que provocavam o volume de dólares entrando na economia.
Pois bem, na medida em que o governo começou a diminuir os juros, o que aconteceu? É o que vemos hoje, o câmbio rapidamente saiu de R$ 1,60/dólar para R$ 1,90/dólar, e sem fazer muito esforço. Ora, isto só comprova os alertas feitos ao longo de vários anos, na verdade desde 2006: que a raiz dos nossos problemas cambiais, e que afetavam tremendamente a indústria nacional, eram, de fato, os juros altos. Portanto, o governo prá variar, esteve errado em seu diagnóstico – e desculpas – nos últimos seis anos. Nestas duas questões, nossos problemas tinham causas e soluções aqui dentro mesmo. Nada de tsunamis monetários e outras balelas mais que, tanto Lula quanto Dilma, sempre trataram em seus discursos.
Visto estas duas pontas do tripé, vamos à terceira. Reclamou a presidente dos impostos. Pois bem, e quem cuida deles? Por que o governo Dilma, como Lula já fizera antes, não trata de reduzir impostos para a toda cadeia produtiva, priorizando como tem feito, apenas meia dúzia de apaniguados? Ora, se impostos são problemas para a competitividade da indústria brasileira, por que não reduzi-los? Dá trabalho? Claro que sim. Mas para que o governo tem esta imensa estrutura de milhares de pessoas, não é justamente para trabalharem em favor da sociedade?
Outra alegação é de que uma reforma tributária no Congresso demanda tempo em demasia por conta de interesses diferenciados entre os parlamentares. Ora, qualquer projeto demanda tempo, debates, discussões, etc, etc. É do jogo democrático que seja assim. Porém, quando impera a vontade política do próprio governo para pressionar sua base aliada, os prazos são sempre encurtados.
Entretanto, quantas vezes os leitores do blog já encontraram textos nossos afirmando que o governo federal poderia praticar uma reforma tributária até sem precisar do Congresso? Vejam: o governo pode alongar prazos de recolhimento – o que já seria excelente – e pode reduzir as alíquotas dos atuais impostos e contribuições em vigor.
Pode fazer, mas não faz. E sabem por que não faz? Porque isto implicaria em reduzir gastos, grande parte inúteis e desnecessários. E tais gastos, acrescento, são necessários apenas ao projeto de poder do PT, jamais ao país.
Não venham com a conversa mole de que reduzir arrecadação afeta os investimentos. Neste ano mesmo, enquanto a arrecadação cresceu, a dívida pública também cresceu, as despesas aumentaram e os investimentos públicos, o que aconteceu a eles? DIMINUIRAM. Ora, isto prova a péssima qualidade do gasto público, o mau planejamento e escolha de prioridades.
Assim, o discurso dado hoje pela presidente Dilma ao eleger seu tripé do mal, deveria ser lido com ela refletindo-se no próprio espelho, porque nem os países ricos são culpados das nossas desventuras e dificuldades, tampouco as empresas e bancos são responsáveis pelo baixo crescimento do país.
Agora a poupança. Não sou, do ponto de vista técnico, contra a medida adotada hoje. Ela é necessária, porém, chega com um atraso de cerca de três anos. Já poderia ter sido adotada lá atrás pelo o ex-presidente Lula que não o fez por medo do custo político. Ou seja, pensou no projeto de poder do seu partido, colocando em escala menor o interesse e as necessidades do país.
Porém, da forma como as medidas foram anunciadas me deixam duas dúvidas: se e quando o governo precisar elevar novamente os juros – do futuro ninguém sabe -, as cadernetas de poupança acompanharão a taxa selic? Isto, me parece, precisa ficar bem claro, sob pena e risco dos pequenos poupadores, geralmente os menos esclarecidos da população, sentirem-se lesados pelas mudanças. E a outra questão diz respeito às retiradas. Se anuncia que as retiradas remunerarão de acordo com a nova regra. Porém, isto se o poupador fizer novos depósitos já pelas novas regras. E aqueles que não fizerem mais nenhum depósito, querendo fazer retiradas, serão remunerados por qual regra? Estas duas questões o governo precisa esclarecer melhor.
Mas, apesar disto tudo, devo aqui registrar meu reconhecimento pela coragem da presidente Dilma, logo eu, que a critico seguidamente. Comprou a briga que a covardia de Lula refugou em 2009. E, em ano eleição, adotar uma medida corajosa como esta, merece o aplauso por encarar o provável prejuízo político que a medida poderá acarretar para uma futura reeleição. Se é que, em 2014, é ela, e não “ele”, quem irá para a disputa.
Creio que a presidente Dilma poderia adotar a mesma coragem para encarar de frente o encaminhamento de outras reformas que o país tanto precisa para o seu desenvolvimento tornar-se não só virtuoso, mas sustentável. Não é possível continuarmos nesta gangorra de crescimento muito bom em um determinado ano, e dois ou três seguidos de crescimento pífio. Não precisamos inventar inimigos externos. Nossos problemas tem suas causas e soluções aqui dentro mesmo. Só precisamos de um governo com coragem de governar o país pelo bem do país, e não apenas para o bem do partido.
EM TEMPO: Fico aqui imaginando o estardalhaço que o PT faria, fossem as medidas editadas hoje por Dilma, adotadas em um governo tucano. Por certo, colocaria a sua tropa xiita nas ruas e até ameaçaria entrar na justiça para anulá-las. Não acredito que a oposição irá adotar um discurso demagógico contrário a mudanças das regras, até porque a oposição está mais entretida em se autodestruir, a exemplo do que o senador Aécio Neves fez na semana passada, ao afirmar, de forma irresponsável, que Serra teria todo o direito de concorrer em 2014, mesmo sendo eleito à Prefeitura de São Paulo.
Portanto, apesar de algum ruído aqui outro lá, a mudança em si, é bom frisar, vem consolidar o processo de mudança iniciado pelo governo Fernando Henrique que pôs fim à inflação, estabilizou a economia e implementou uma série de mudanças significativas para garantir esta estabilidade, medidas contra as quais o PT se indispôs de forma veemente e que, por ironia, atualmente garantem ao partido sua manutenção no poder.
EM TEMPO: Fico aqui imaginando o estardalhaço que o PT faria, fossem as medidas editadas hoje por Dilma, adotadas em um governo tucano. Por certo, colocaria a sua tropa xiita nas ruas e até ameaçaria entrar na justiça para anulá-las. Não acredito que a oposição irá adotar um discurso demagógico contrário a mudanças das regras, até porque a oposição está mais entretida em se autodestruir, a exemplo do que o senador Aécio Neves fez na semana passada, ao afirmar, de forma irresponsável, que Serra teria todo o direito de concorrer em 2014, mesmo sendo eleito à Prefeitura de São Paulo.
Portanto, apesar de algum ruído aqui outro lá, a mudança em si, é bom frisar, vem consolidar o processo de mudança iniciado pelo governo Fernando Henrique que pôs fim à inflação, estabilizou a economia e implementou uma série de mudanças significativas para garantir esta estabilidade, medidas contra as quais o PT se indispôs de forma veemente e que, por ironia, atualmente garantem ao partido sua manutenção no poder.



