247
Com Agência Brasil
Quem afirma é a Presidente Dilma, que destaca que o programa trará melhora nas condições de deslocamento e nos empregos que os investimentos devem gerar
Foto: UESLEI MARCELINO/REUTERS
Na véspera do Dia do Trabalho, a presidenta Dilma Rousseff disse que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a área de mobilidade urbana nas grandes cidades vai beneficiar duplamente os trabalhadores: pela melhora nas condições de deslocamento no dia a dia e pelos empregos que os investimentos devem gerar.
No programa de rádio, Café com a Presidenta, Dilma disse que o programa, anunciado na semana passada, terá como investimento R$ 32,7 bilhões, que serão gastos na construção e ampliação de metrôs, na implantação de veículos leves sobre trilhos (VLTs). Serão construídos ainda corredores exclusivos de ônibus e estações e terminais de integração.
“Esse é um primeiro passo. É uma primeira grande iniciativa para a gente enfrentar o problema da quantidade de horas que as pessoas permanecem dentro de um transporte para ir ao trabalho, a casa ou à escola”, destacou.
O programa vai beneficiar 53 milhões de pessoas em todo o país. A maior parte dos investimentos será feita em metrôs e em outros tipos de transporte sobre trilhos. “Ele vai mais rápido e leva mais passageiros de uma só vez, e é muito pouco poluente”, disse a presidenta. “Reduzir o tempo no trânsito significa dar condições para essas pessoas aproveitar as horas que não estão dentro do transporte para estudar, descansar, ficar com a família. E isso é que se chama qualidade de vida”, completou.
Além disso, com o aumento das encomendas de cimento, de trens, ônibus e outros equipamentos, as obras deverão impulsionar a economia do Brasil. “Tudo isso vai criar uma dinâmica virtuosa na nossa economia – as empresas produzem mais, geram mais emprego, geram mais renda e, com isso, a roda da economia e do bem-estar da população gira em conjunto”, afirmou a presidenta.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Quando é que a gente deve desconfiar das anunciadas boas intenções de um governo? Quando ele apanha o óbvio e sobre ele monta uma campanha publicitária. Digam lá: qual política pública, quando implementada, não traz este duplo benefício, sobre o qual a presidente agora se gaba?
É claro que já no investimento em si, o cidadão, a quem a política se destina, é o foco central de ação de governo, muito embora no Brasil, regra geral, o cidadão tem sido é o pretexto para se criar alguma coisa da qual as ratasanas se aproveitam para deitarem e rolarem. E, além disso, toda a política implementada acaba gerando empregos diretos e indiretos. Onde, então, a novidade? E prá que este populismo asqueroso quando, noi fundo,m o governo apenas cumpre uma obrigação pela qual ele arranca o sangue da sociedade na forma de impostos e contribuições as mais diversas?
Quanto ao programa em si, ele já chega com um atraso de, no mínimo, uns quatro ou cinco anos. Há muito tempo estamos cobrando de nossas autoridades algo do gênero, dado o volume de carros novos que vem sendo despejados, anualmente, nas cidades. Não há plano viário que aguente tamanho volume. Além disto, dado o sistema caótico do federalismo nacional, em que estados e municípios precisam mendigar, de chapéu na mão, qualquer liberação de verba para obras de grande porte junto à Brasilia, o governo Dilma não faz mais do que sua obrigação, até tendo em vista os compromissos assumidos pelo País para abrigar a Copa das Confederações, em 2013, a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016.
Portanto, seja para atender a demanda atual das cidades e estradas do país, seja para cumprir compromissos internacionais, não dá para negar que o programa anunciado chega com atraso, já deveria estar sendo implementado há muito mais tempo. É de se esperar que, além de se roubar menos na implementação do programa, ele também seja executado com celeridade e venha cumprir as finalidades para as quais foi anunciado. Contudo, acredito que, dada a situação miserável do transporte coletivo em todo o país, além do trânsito maluco seja nas cidades médias e grandes, seja nas rodovias, acredito que o valor anunciado - R$ 32,7 bilhões - não será suficiente. Em todo o caso, esperemos que as obras anunciadas não sejam para resolver apenas problemas presentes, mas tenham uma visão de demanda futura, coisa imprescindível para qualquer investimento público.
.jpg)