Há muita coisa em jogo na próxima escolha de presidente da Câmara de Deputados. Tentaremos abordar algumas.
Em razão da saúde de José Alencar, eu diria que o Presidente da Câmara passou a ser quase que um vice-presidente. A insistência do partido em ter uma candidatura própria, (e por trás dela aparece a impoluta figura do Zeca Diabo Dirceu, é bom lembrar) é visando ocupar este espaço. Imagine o PT tendo, numa situação de impedimento por motivos de saúde de José Alencar, Presidente e Vice, além do presidente da Câmara ! Imagine o tamanho do salto alto que eles usarão ! Claro que a anistia para José Dirceu é um primeiro passo importante, com o Chinaglia (lembrem que foi o Dirceu que empurrou a candidatura do petista)como presidente da Câmara. Porém, considerando ainda o impedimento de José Alencar, Dirceu passaria a ter uma força política extraordinária, capaz até de peitar Lula, coisa que aliás ele tá doidinho prá fazer. Daí também a insistência do Lula com o Aldo, porque pode manter Dirceu à distância, foco de toda a lambança que fez desandar o primeiro mandato. Lula só respirou aliviado quando viu Dirceu sair cassado. Acreditem, senhores, todo o arranca-rabo nesta disputa se centra nestas questões. O resto é perfumaria.
Também, há um grupo defendendo uma terceira alternativa. E querem saber de uma coisa? Esta "terceira via" não a vejo como o anti-candidato, não. Eu a vejo como a candidatura pró-Congresso, capaz de quebrar a espinha dorsal do corporativismo que impera naquela casa há muito tempo, e que só a tem desmoralizado ao longo dos anos. Está mais do que na hora do Legislativo voltar a ser um poder independente, um poder que pode sim impor o respeito que merece (pelo menos o constitucional) com uma das mais importantes bases da república. Espero, espero mesmo, que eles tomem um chá de bom senso e se dêem conta do porquê foram eleitos e deixem de ser meros capachos do Executivo. Esta ditadurazinha mórbida que vivemos tem que ter um ponto final para o país tomar o caminho da moralidade, ou pelo menos, da legalidade.
Circula hoje uma pesquisa dando conta de que o povo adere a democracia, mas não confia nas instituições. Sejam partidos políticos, Congresso Nacional, governo, Justiça e polícia. E esta desconfiança vem aumentando com o passar do tempo. “O recado é muito claro: os cidadãos não se sentem, de forma alguma, representados por suas instituições”.
Daí porque entendo ser imprescindível que o Congresso volte a ter luz própria. E para tanto, nem Aldo nem Chinaglia representam esta independência. Este cabresto que o Legislativo permite lhe seja imposto pelo Executivo não é coisa de agora. Desde a ditadura militar, o Congresso comporta-se como um departamento atrelado à vontade do Executivo. Porém, a partir de Lula, coincidência ou não, o Legislativo resolveu reduzir-se e apequenar-se às vontades e manhas do Executivo. Isto não é república ! A constituição de 1988 instituiu a figura da Medida Provisória (em substituição aos famigerados decretos-leis da ditadura). Claro que a justificativa se consuma na medida em que, situações de emergência, conferem ao Presidente da República instrumentos para ações rápidas em decorrência dos fatos. Porém, o Executivo sentindo o gosto da arbitrariedade, tem se valido das MP’s até para comprar ração prá cachorro. E mais: Lula, com seu viés autoritário detesta ser contrariado. Seria um problemão ter na Presidência da Câmara alguém que não estivesse sintonizado com o “amém” que sempre espera ouvir do outro lado do balcão. Percebam que Lula não concede à oposição aquilo que sempre foi sua marca registrada quando oposição: o direito de contrariar, de dizer não, de discordar. Oposição boa, para Lula, é a de papel. Só.
E mais do que nunca, esta independência se faz imprescindível quando o Executivo se prepara para enviar uma série de medidas atreladas ao tal PAC, muitas das quais necessárias de mudanças constitucionais. Maior razão não há para a independência. Quanto mais ampla a discussão no seio da sociedade, e somente o Legislativo é capaz de representá-la em profundidade e também sentir de perto a opinião que varre nas ruas, maior probabilidade desta medidas favorecerem o país. A própria pesquisa a que nos referimos, coordenada pelos cientistas políticos José Álvaro Moisés, da Universidade de São Paulo (USP), e Rachel Meneguello, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), serve como recado direto e indiscutível, uma vez que, mesmo sem pesquisa alguma, o que dela se ressalta é a voz corrente da Sociedade. E, por mais paradoxal que possa parecer, uma Câmara independente, passar a ser boa até para Lula. As reformas que pretende implantar, poderão ser amplamente discutidas, e terão assim, para o bem ou para o mal, uma co-responsabilidade saudável.
Nas notícias seguintes, a importância da presidência da Câmara e as razões para ser alvo de tanta cobiça, por Natuza Nery, para Reuters, bem uma reportagem do Estadão sobre a de uma terceira via, totalmente liberta de ligações com o Planalto, além de soberana para impor no Legislativo uma nova cultura de atuação, com o objetivo de recuperar parte de sua imagem como instituição democrática de confiança popular. Indispensável para o aperfeiçoamento de nossa democracia.
Em razão da saúde de José Alencar, eu diria que o Presidente da Câmara passou a ser quase que um vice-presidente. A insistência do partido em ter uma candidatura própria, (e por trás dela aparece a impoluta figura do Zeca Diabo Dirceu, é bom lembrar) é visando ocupar este espaço. Imagine o PT tendo, numa situação de impedimento por motivos de saúde de José Alencar, Presidente e Vice, além do presidente da Câmara ! Imagine o tamanho do salto alto que eles usarão ! Claro que a anistia para José Dirceu é um primeiro passo importante, com o Chinaglia (lembrem que foi o Dirceu que empurrou a candidatura do petista)como presidente da Câmara. Porém, considerando ainda o impedimento de José Alencar, Dirceu passaria a ter uma força política extraordinária, capaz até de peitar Lula, coisa que aliás ele tá doidinho prá fazer. Daí também a insistência do Lula com o Aldo, porque pode manter Dirceu à distância, foco de toda a lambança que fez desandar o primeiro mandato. Lula só respirou aliviado quando viu Dirceu sair cassado. Acreditem, senhores, todo o arranca-rabo nesta disputa se centra nestas questões. O resto é perfumaria.
Também, há um grupo defendendo uma terceira alternativa. E querem saber de uma coisa? Esta "terceira via" não a vejo como o anti-candidato, não. Eu a vejo como a candidatura pró-Congresso, capaz de quebrar a espinha dorsal do corporativismo que impera naquela casa há muito tempo, e que só a tem desmoralizado ao longo dos anos. Está mais do que na hora do Legislativo voltar a ser um poder independente, um poder que pode sim impor o respeito que merece (pelo menos o constitucional) com uma das mais importantes bases da república. Espero, espero mesmo, que eles tomem um chá de bom senso e se dêem conta do porquê foram eleitos e deixem de ser meros capachos do Executivo. Esta ditadurazinha mórbida que vivemos tem que ter um ponto final para o país tomar o caminho da moralidade, ou pelo menos, da legalidade.
Circula hoje uma pesquisa dando conta de que o povo adere a democracia, mas não confia nas instituições. Sejam partidos políticos, Congresso Nacional, governo, Justiça e polícia. E esta desconfiança vem aumentando com o passar do tempo. “O recado é muito claro: os cidadãos não se sentem, de forma alguma, representados por suas instituições”.
Daí porque entendo ser imprescindível que o Congresso volte a ter luz própria. E para tanto, nem Aldo nem Chinaglia representam esta independência. Este cabresto que o Legislativo permite lhe seja imposto pelo Executivo não é coisa de agora. Desde a ditadura militar, o Congresso comporta-se como um departamento atrelado à vontade do Executivo. Porém, a partir de Lula, coincidência ou não, o Legislativo resolveu reduzir-se e apequenar-se às vontades e manhas do Executivo. Isto não é república ! A constituição de 1988 instituiu a figura da Medida Provisória (em substituição aos famigerados decretos-leis da ditadura). Claro que a justificativa se consuma na medida em que, situações de emergência, conferem ao Presidente da República instrumentos para ações rápidas em decorrência dos fatos. Porém, o Executivo sentindo o gosto da arbitrariedade, tem se valido das MP’s até para comprar ração prá cachorro. E mais: Lula, com seu viés autoritário detesta ser contrariado. Seria um problemão ter na Presidência da Câmara alguém que não estivesse sintonizado com o “amém” que sempre espera ouvir do outro lado do balcão. Percebam que Lula não concede à oposição aquilo que sempre foi sua marca registrada quando oposição: o direito de contrariar, de dizer não, de discordar. Oposição boa, para Lula, é a de papel. Só.
E mais do que nunca, esta independência se faz imprescindível quando o Executivo se prepara para enviar uma série de medidas atreladas ao tal PAC, muitas das quais necessárias de mudanças constitucionais. Maior razão não há para a independência. Quanto mais ampla a discussão no seio da sociedade, e somente o Legislativo é capaz de representá-la em profundidade e também sentir de perto a opinião que varre nas ruas, maior probabilidade desta medidas favorecerem o país. A própria pesquisa a que nos referimos, coordenada pelos cientistas políticos José Álvaro Moisés, da Universidade de São Paulo (USP), e Rachel Meneguello, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), serve como recado direto e indiscutível, uma vez que, mesmo sem pesquisa alguma, o que dela se ressalta é a voz corrente da Sociedade. E, por mais paradoxal que possa parecer, uma Câmara independente, passar a ser boa até para Lula. As reformas que pretende implantar, poderão ser amplamente discutidas, e terão assim, para o bem ou para o mal, uma co-responsabilidade saudável.
Nas notícias seguintes, a importância da presidência da Câmara e as razões para ser alvo de tanta cobiça, por Natuza Nery, para Reuters, bem uma reportagem do Estadão sobre a de uma terceira via, totalmente liberta de ligações com o Planalto, além de soberana para impor no Legislativo uma nova cultura de atuação, com o objetivo de recuperar parte de sua imagem como instituição democrática de confiança popular. Indispensável para o aperfeiçoamento de nossa democracia.