terça-feira, julho 09, 2013

Dilma pensa que é presidente de Cuba

Adelson Elias Vasconcellos

Dilma ainda precisa aprender um mandamento básico para qualquer gestor, seja ele público ou privado: a pressa sempre foi péssima conselheira.

Certa vez, já sugeri que o governo Dilma, antes de levar ao público qualquer medida, consultasse não seu marqueteiro, mas a Advocacia Geral da União. O que se tem expedido de Medida Provisória afrontando as leis do país, é um espanto. E, regra geral, sempre há aquelas MP que agridem a própria constituição.

Após consultar os astros distraída, mas sem deixar de dar pinceladas marqueteiras, de cunho estupidamente demagógico, a soberana resolveu lançar mais um daqueles programas que tem tudo para encantar a plateia, mas corre o risco de ou não vingar, ou ficar pelo meio do caminho. 

Para corrigir a péssima qualidade da saúde pública que, em seu desgoverno se deteriorou ainda amais, a resposta da presidente foi a pior possível. Quer colocar a má estrutura da área, que depende da ação governamental, no colo de toda uma classe profissional que mereceria, ao menos de parte da presidente, um pouco mais de respeito,. Afinal, graças à medicina brasileira, que ela mesma pode assumir a presidência, e seu antecessor consegue se manter vivo como caixeiro viajante de grandes empresas, ou seja, virou lobista da elite.    

A exemplo do que o governo Dilma pretende impor para os estudantes de Direito, que “estagiem” em órgãos públicos por um certo tempo, o que em si já é uma estupidez, também para os formandos de medicina se pretende impor a obrigatoriedade de “estagiarem” por dois anos na rede do SUS. Trata-se de uma ideia maluca cujo objetivo é desviar a atenção da incompetência  do governo na área da saúde.

Nas condições em que se encontra, a rede pública não vai humanizar ninguém. Pelo contrário. Vai transgredir qualquer senso de humanismo, quando os médicos se veem na contingência de escolher entre quem tratar e quem deixar morrer. Esta, senhores, é hoje a triste realidade da maioria das unidades de saúde do SUS. 

A questão da saúde pública brasileira é muito mais estrutural do que o governo Dilma imagina. Não há apenas carência de médicos por falta de profissionais. Claro que há uma enorme distorção na distribuição dos profissionais no país. Provavelmente, o número deles seja até insuficiente para dar conta da demanda, mesmo que venham a ser distribuídos de forma mais racional. Porém, o que qualquer profissional busca, e não apenas os da medicina, é atuarem em ambientes decentes, com remuneração adequada, e em localidades que tenham ou estejam o mais próximo possível de institutos de pesquisa e centros de aperfeiçoamento profissional. O tal “Mais médicos” não passa de feitiçaria ilegal. Não oferece nem melhores condições de trabalho, nem remuneração condizente, tampouco permite aos profissionais se aperfeiçoarem. É um estágio para ingresso no inferno que se transformou a rede pública.

Reafirmo o que já disse quando veio a público a notícia de que o governo estudava a importação destes profissionais para atender as regiões em que a carência é absoluta. Sou favorável,porém, não se pode oferecer condições diferenciadas para estrangeiros, em detrimento dos brasileiros, apenas pelo fato de serem estrangeiros. As condições devem ser semelhantes, assim como os diplomas dos que vierem de fora deverão ser revalidados, como, aliás, se faz em qualquer outro país. O país precisa de profissionais qualificados, não de “meio-médico”.

Contudo, o governo deve construir um plano de contingência para readequar as unidades de saúde, caindo aos pedaços grande número delas, assim como ampliar a própria rede de hospitais em regiões mais remotas para que o atendimento à população fique o mais próximo possível.

Prover tais unidades com o material básico para atendimento, também, e por incrível que pareça, é uma condição indispensável, porque no bafo ou no cuspe, ninguém cura ou trata ninguém. São seres humanos que merecem receber o melhor que a medicina lhes possa fornecer para uma vida saudável e digna. Como desconhecer que aparelhos de Raio-X, por exemplo, fiquem parados meses a fio, por estarem quebrados e não haver recursos para seu conserto e manutenção adequada? E o que dizer da falta de gaze e esparadrapo nas enfermarias?

Dentro deste plano, além de fixar prazos e metas, também deve haver rigoroso acompanhamento das ações, fiscalização e cobranças pelos resultados. 

Quanto aos profissionais de saúde, fica a pergunta: será que a tabela do SUS está ajustada ao valor de mercado destes profissionais?  Será que a baixa remuneração, excesso de carga horária e falta de estrutura física e ambulatorial das unidades de saúde não estariam contribuindo para afastar os profissionais de atenderem também pelo SUS?

Quanto a tal obrigatoriedade do estágio de dois anos no SUS, creio que é uma ideia que sofrerá enorme resistência. Quanto mais penso na sua viabilidade, mais ela me parece inconstitucional, a exemplo do que acontece com os formandos de direito. 

Este rompante autoritário – e é autoritário por impor a quem é livre cerceamento à sua liberdade – até seria admissível para alunos cotistas, ou com PROUNI a lhes garantir a frequência, oriundos de faculdades públicas. Seria uma espécie de contrapartida à sociedade que lhes está garantindo sua formação. Porém, é intolerável impor a mesma condição para quem estudou em faculdade privada, e paga com dinheiro do próprio bolso. 

Mais uma vez, o governo Dilma incentiva à inversão da lógica escolar: ao invés de privilegiar investir no ensino básico, que é a fórmula de sucesso dos países que fizeram sua revolução no ensino e são hoje exemplos de excelência, vamos continuar dando atenção maior ao ensino superior, último degrau de quem já chega mal formado. 

Portanto, e nem precisaria nos restringir aos formandos de medicina e direito como pretende o governo, qualquer aluno formado em universidade pública, ou que tenha estudado sob regime de cotas e financiamento do PROUNI, em qualquer carreira, teria de cumprir dois anos de estágio no serviço público antes de serem diplomados. Afinal quem bancou os estudos desta moçada merece um tipo de contraprestação, não é mesmo? Creio que, se a opção do governo seguisse essa orientação, ela encontraria bem pouca resistência, seria mais palatável e o argumento da obrigatoriedade se imporia com maior facilidade. Da forma como pretende o governo, trata-se de um autoritarismo que não se justifica e com poucas chances de ser aceito e compreendido pela sociedade.  Estatizar alunos do ensino privado, que se formaram sem apoio nenhum dos cofres públicos?  Isto é o que vamos ver.

Já a importação de médicos, num primeiro momento, me mostrei favorável desde que esta importação obedecesse a certos critérios, principalmente a da revalidação dos diplomas. E não faria esta importação aos milhares como se está pretendendo. Faria em lotes menores, escolhendo certas regiões mais pobres para integrá-los e acompanhá-los. Assim, como o governo está pretendendo, metendo os pés pelos pés, uma boa ideia pode resultar em nada. Até para por em prática uma boa ideia, Dilma consegue ser péssima. Valha-nos Deus, que o povo brasileiro não caia na besteira de reeleger esta mulher como presidente do país. Basta de feiticeiros e feiticeiras comandando e desgovernando o Brasil.

Portanto, a crítica que faço não é apelando para o chavão “não vai dar certo”, por não acreditar no programa. Critico este lançamento pueril por ele ser absolutamente ilegal em sua essência, primeiro por querer privatizar profissionais que não dependeram das bolsas do governo para se formarem e, segundo, por querer submeter todos os seus formandos a um regime de semiescravidão, amputando-lhes o sagrado direito de ir e vir, cláusula pétrea da constituição federal. E fazer esta maçaroca via Medida Provisória, convenhamos, é muito autoritarismo para um governo eleito democraticamente. Aliás, Dilma para ser empossada como tal, precisou jurar cumprir e fazer cumprir a constituição do país. Está na hora de fazê-lo, sob pena e risco de ser criminalmente responsabilizada.

Dilma ainda precisa aprender um mandamento básico para qualquer gestor, seja ele público ou privado: a pressa sempre foi péssima conselheira.

Porque se diz que a reforma é golpe

Adelson Elias Vasconcellos

A atual legislação eleitoral pode ter suas imperfeições, mas de certa forma ela bloqueia o abuso do poder, seja ele econômico ou político. Assim, certos favores são proibidos justamente para evitar que o dinheiro compre votos, ou, que as máquinas públicas sejam utilizadas em favor de candidatos que já estão empossados em cargos públicos.

Na reforma política pretendida por Dilma Rousseff, que a deseja ver aplicada já nas eleições de 2014, até agora não ficou claro a razão de tanta pressa para um processo de mudança que exige, antes de tudo, debate e esclarecimentos entre a classe política e a sociedade.

Dilma tenta passar a ideia de que o povo não precisa de muitos esclarecimentos e que ele já amplo domínio dos temas que estão em jogo. Isto num país em que 2/3 da população é analfabeta funcional e completamente analfabeta é um pecado. 

Não se pode achar que este contingente saiba a distinção entre voto proporcional, voto distrital puro ou misto. Ou que ele tenha ideia do custo de uma campanha política totalmente financiado pelo poder público. Ou ainda o que vem a ser o tal voto em lista fechada. Sem ampla campanha de esclarecimento de um destes pontos,  não se pode seguir. Aliás, a presidente do TSE, ministra Carmem Lúcia, ao responder consulta de Dilma Rousseff sobre plebiscito, deixou bem claro esta condição.

No Congresso perambulam mais de cem projetos de reforma política, algumas com anos de engavetamento e sem sair do lugar. Mas especialmente uma para a qual a presidente flerta com incrível simpatia. Ela é autoria (que surpresa!!!) de um deputado do PT, Cândido Vacarezza que, em nome de “simplificar “ o processo pretende restaurar aquilo que o TSE conseguiu coibir: o abuso do poder político. 

Vamos a alguns detalhes.  O PL 5.735/13 afrouxa a prestação de contas e permite que candidatos inaugurem obras durante a campanha – o que é proibido hoje e pode beneficiar diretamente a presidente Dilma e governadores que tentarão a reeleição. 

O PL inclui dois parágrafos no Artigo 28 da Lei 9.504/97, e dispensa de prestação de contas as doações em dinheiro entre candidatos, partidos ou comitês, tradicionalmente milionárias e feitas por transferências online. 

Segundo o texto do projeto, a prestação dessas doações em dinheiro deve ser justificada na planilha de gasto do doador, não do candidato. Artigo 36A: durante campanhas, ‘Não será considerada propaganda eleitoral comparecimento de agentes públicos em inauguração de obras’, mas sem pedir votos.

Assim, Dilma Rousseff, caso a ideia golpista prospere, estaria livre para inaugurar quanto as obras pretendesse apenas durante a campanha eleitoral, o que representaria um palanque muito além do tempo de tevê que, em outro projeto, também a beneficiaria enormemente.  Em 2011, vamos lembrar, Dilma Rousseff afirmou que ““Vamos fazer o diabo na hora de eleição”.  Sem dúvida que, em se aprovando, dentro da reforma pretendida as ideias acima, e mais aquilo que o PT entregou a Dilma como projeto em pontos muito seletivos em favor do PT, o diabo andar à mil em 2014. 

Razão pela qual se entende tanta pressa, tanta falta de compostura por parte da presidente da República que deveria ser a primeira a respeitar as instituições, a Constituição e a Legislação Eleitoral. Em  nome de um cretino projeto  de poder político hegemônico em favor de seu partido, Dilma resolveu abraçar o diabo e mandar as favas qualquer escrúpulo. 

Quem anda dando apito para índio? 
Seria interessante que o governo, através de seus órgãos de investigação, mandasse apurar quem anda por trás destes conflitos que várias tribos indígenas resolveram abrir nos últimos meses.  Canteiros de obras e prédios  públicos  invadidos, técnicos do próprio governo sequestrados e mantidos em cárcere privado, invasão de propriedades privadas com depredação e vandalismo, bloqueio de rodovias, etc. 

É claro que a política indigenista do governo petista é uma farsa.  Mas isto não justifica a ação violenta que temos verificado nos últimos meses. 

Não contentes em já deterem  mais de 13% do território nacional, para uma população de pouco mais de 800 mil índios, eles agora partem para ameaça de ações judiciais  contra integrantes do próprio governo. 

O escolhido de agora é nada menos do que o secretário da Presidência, Gilberto Carvalho,  com base em uma nota que pretensamente teria sido expedida pelo ministro, que sem citar nomes acusou "alguns" índios de envolvimento com garimpo ilegal de ouro no rio Tapajós. O grupo pede provas sob a ameaça de entrarem com uma ação criminal contra o ministro por calúnia e difamação. A nota dizia ainda que "pretensas lideranças" da etnia se comportam sem honestidade. E concluía afirmando que "um dos principais porta-vozes [dos indígenas] é proprietário de seis balsas de garimpo ilegal".

Para os leitores do blog, sou conhecido como severo crítico dos petistas, especialmente o senhor Gilberto Carvalho. Não tenho procuração para defendê-lo, nem ele precisa, mas se, de fato, o ministro distribuiu nota com tais afirmações, elas só poderiam ser resultado de informações muito robustas. Gilberto é conhecido por sua aspereza contra a oposição, não contra minorias e organizações sociais. 

“Alguém” ou alguma organização se esconde por detrás desta movimentação, seja na repetição de atos violentos seja em relação à uma atitude de interpelação judicial, coisa da qual os indígenas não teriam nenhuma afinidade. 

Há alguma podridão e interesses muito escusos apoiando a movimentação dos índios brasileiros. E antes que mal maior aconteça, seria bom o governo mandar investigar. 

E a ABIN, hein, que vergonha!!!
Há um enorme rebuliço no governo e no Itamaraty quanto as tais acusações de Edward Snowden que os Estados Unidos teriam espionado ligações telefônicas e e-mails de brasileiros. Seriam na casa dos milhares as interceptações.  

Bem, se de fato as acusações são procedentes  - é preciso confirmar - fica difícil para a ABIN tentar justificar não apenas sua ignorância sobre o assunto, mas até sua própria existência. Não é segredo para ninguém a enorme surpresa com que as manifestações de rua, em  junho, apanharam políticos e o governo Dilma. Tamanho agito não poderia ser  percebido minimamente pela ABIN? 

Mas não só a ABIN precisa explicar-se: a ANATEL, a agência reguladora das telecomunicações no país, precisa explicar direitinho como tais interceptações telefônicas puderam ser feitas em linhas telefônicas aqui dentro. 

O interessante é que tais acusações apareçam assim do nada, justo no momento em que Dilma dava sinais claros de maior aproximação com o gigante do norte. Porém, antes de se atirar a esmo contra os americanos que espionam, é bom lembrarmos que vários foram os terroristas presos por aqui e mandados de volta. Nem todos, claro. O italiano Cesare Battisti está entre nós, recebido que foi de braços abertos pelas nossas esquerdas estúpidas, que confundem terrorismo com crime comum. Contudo, prefiro aguardar o desenrolar dos acontecimentos para ter um juízo de valor. Há muitas questões em aberto em busca de respostas coerentes. Porém, aqui vai um detalhe: mesmo em sendo verdadeira as acusações de espionagem, elas não poderiam nos estranhar tanto. O Brasil, por suas riquezas, é cobiçado há séculos. Não são apenas os Estados Unidos, mas todos os países ricos olham para cá com certa surpresa, dada as inúmeras conquistas surpreendentes que temos feitos ao longo dos anos. Ou alguém aí é capaz de negar que não haja cobiça sobre a Amazônia?   

Assim, que o país exija explicações é uma coisa, um direito que nos cabe pedir das autoridades norte-americanas. Porém, este ar de espanto, de surpresa está um pouco fora de lugar.  Mas vamos devagar  com este andor: a fonte de onde emanaram tais acusações não é confiável. Portanto, um pouco de cautela e de equilíbrio é o mais prudente, do que acusações levianas e irresponsáveis. Primeiro, confirme-se a informação, para depois, se for o caso, jogarmos as pedras. 

E quanto a ABIN, já que não consegue cumprir sua função, que se feche esta birosca logo e parem de desperdiçar dinheiro público que anda faltando em áreas mais essenciais para a população.

Ainda sem explicação
Semana passa informamos de um assalto ocorrido com um assessor do presidente da Câmara, que afirmou ter sido vítima de um assalto em que lhe foi furtada uma mala contendo 100 mil reais. De vítima, o tal assessor pode passar a investigado. Wellington Ferreira da Costa, secretário parlamentar de Henrique Alves, que alega ter sido assaltado, em Brasília, por ocupantes de um Fiat Strada que fecharam seu Ômega e, armados, roubaram-lhe R$ 100 mil de origem ainda não explicada. A polícia ficou desconfiada após Wellington alegar “stress” para não prestar depoimento, quinta (4), e viajar “em férias”. Se continuar evitando a policia, poderá ser conduzido “coercitivamente”.

Silêncio constrangedor
A respeito do brutal assassinato do menino boliviano nos braços de sua mãe, alguém ouviu alguma manifestação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República? Acaso dona Maria do Rosário está em recesso ou viagem de férias?  

Silêncio absoluto e constrangedor. 

O crime do Estado contra a VARIG

Adelson Elias Vasconcellos

Critiquei no domingo, a decisão estúpida do ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, que negou uma antecipação de tutela para que a União assumisse o pagamento das aposentadorias e pensões, em função do ganho quase certo da Varig e seu fundo de pensão em uma ação de R$ 6 ou 7 bilhões em defasagem tarifária pelos desastrados planos econômicos entre 1985 e 1992.

Porém, mais culpado, ainda, é o governo petista que não se contentou em enviar a VARIG para o buraco, quando teve o poder de salvar a companhia. Este socorro não seria nada gratuito. Bastava que a União, naquela época, pagasse ou quitasse sua dívida ajuizada e vencida em todas as instância do Judiciário por onde transitou para com aquela companhia. 

Ao tempo de sua liquidação, o total da dívida era de cerca de R$ 7,0 bilhões, sendo que metade dela para com o próprio governo. Ou seja, se o governo Lula naquela época tivesse pago a dívida, no fundo, precisaria sacar apenas metade do valor devido, liberando o restante que seria o suficiente para sanar a situação econômico-financeira difícil pela qual a VARIG passava.

Não houve jeito. Mesmo que seus controladores tivesse pedido que o governo liberasse apenas cerca de R$ 180 milhões via BNDES, e este pedido caiu em mãos de dona Dilma, à época chefe da Casa Civil, suficiente para que a companhia continuasse suas operações. O governo não se comoveu negando a liberação do empréstimo ponte via BNDES.

Mais, numa operação criminosa, o governo aprontou um pacote de venda da VARIG para a GOL, e que depois quase deu de graça para o atual dono da Azul Transportes Aéreos.  

Para que o leitor tenha uma ideia da sacanagem petista, a transferência do controle da VARIG para a GOL se deu no valor de R$ 320,0 milhões, mesmo que a TAM tivesse apresentado uma proposta muito superior, R$ 738,0 milhões. Por que se preferiu a proposta menor é um mistério que até hoje ninguém respondeu. Não que não exista resposta, mas sua divulgação por certo levaria à cadeia um bocado de gente, gente que ainda está no governo, diga-se de passagem. 

O ministro Barbosa não poderia ter tomado a decisão que tomou. O voto, da relatora Ministra Carmem Lúcia era claro, lúcido e muito bem embasado para dar suporte que a decisão do presidente não significasse uma apunhalada traiçoeira para os aposentados e pensionistas do Fundo Aerus, que congrega justamente os profissionais das extintas VARIG e Transbrasil.

Porém, antes da decisão de Joaquim Barbosa, mais condenável sem dúvida é a decisão irascível e criminosa do governo Dilma. Tivesse esta presidente poste um pingo de juízo, de vergonha na cara, de decência e compostura e respeito para com os trabalhadores, mandava imediatamente suspender a ação do STF, chamava seu ministro da Fazenda e o mandava preencher o cheque do valor devido, dando o assunto por encerrado. Mas, qual, e onde fica o cretinismo doentio de uma presidente que, como Chefe da Casa Civil integrou a quadrilha disposta a tudo para levar à bancarrota a mais importante companhia aérea nacional, cuja excelência de serviços jamais foi sequer alcançada quanto mais superada por nenhuma outra porcaria tão, privilegiada por este mesmo governo delinquente.

E, no entanto, no poço sem fundo, feito de promessas mas sem resultado prático nenhum, chamado Eike Batista, grande provedor de recursos para as arcas do partido, este mesmo bando não se constrangeu em enterrar mais de R$ 10 bilhões, dinheiro que dificilmente retornará aos cofres públicos.  

Se o leitor quiser conhecer a fundo parte deste crime, pode digitar no campo de pesquisa do blog a expressão “VARIG”, e terá acesso cerca de 30 textos contando uma das páginas mais tristes e horrendas da história brasileira, especialmente protagonizada por um governante, no caso,dois governantes. É inacreditável!!! 

Infelizmente, os aposentados ex-funcionários da antiga VARIG não podem contar com um advogado de grande “penetração” no STF  para agirem seu nome.  Estão, como dissemos aqui, morrendo de fome. Também não podem contar com alguma destas centrais milionárias, aliadas do poder, verdadeiras arapucas a extorquir dinheiro dos trabalhadores, de forma impiedosa, na forma de imposto sindical, para levantar a bandeira em nome da justiça que é devida a estes profissionais que sacrificaram vidas inteiras para servirem aos brasileiros e que se acham hoje esquecidos e abandonados.  

Assim, que Lula, Dilma e seu bando de delinquentes, aos quais ora se junta o ministro Joaquim Barbosa, podem transcrever em suas biografias o triste episódio sobre a morte da VARIG e a de seus antigos colaboradores. Em suas mãos, correm a vida e a morte daquela que foi a empresa que soube não apenas representar bem o país no exterior, mas que foi exemplo de prestação de serviço na história da aviação comercial mundial. 

A história do trabalhismo brasileiro se acha manchada por esta mácula imperdoável. Esta história somente poderá ser depurada no dia em que este crime for desfeito e a história dos cafajestes que a construíram for do conhecimento público.  

Este governo não tem moral nenhuma para tentar criar comissões da verdade, enquanto sua própria verdade no crime contra a VARIG e seus ex-funcionários não for devidamente contada e publicada.   

Curso de Medicina passará de 6 para 8 anos em 2015

Exame.com
Lígia Formenti, Estadão Conteúdo

Definida numa Medida Provisória, a ampliação deverá ser regulamentada pelo Conselho Nacional de Educação, num prazo de 180 dias

Concluído o curso de seis anos, o estudante passa para um segundo ciclo, 
de dois anos, onde terá de atuar em serviços públicos de saúde

Brasília - O curso de Medicina passará de 6 para 8 anos a partir de 2015. A mudança integra um pacote de medidas anunciado nesta segunda-feira, 8, pela presidente Dilma Rousseff para ampliar a oferta de médicos no país e melhorar a formação dos profissionais.

Definida numa Medida Provisória, a ampliação deverá ser regulamentada pelo Conselho Nacional de Educação, num prazo de 180 dias.

O programa, batizado de Mais Médicos, inclui ainda o recrutamento de profissionais estrangeiros para trabalhar em áreas prioritárias, a abertura de 11.447 novas vagas para graduação e outros 12.376 postos de especialização em áreas consideradas prioritárias até 2017.

O novo formato do curso de Medicina é inspirado no modelo existente em países como Inglaterra e Suécia, diz o Ministério da Saúde.

Concluído o curso de seis anos, o estudante passa para um segundo ciclo, de dois anos, onde terá de atuar em serviços públicos de saúde. A exigência do segundo ciclo será universal: tanto para estudantes de instituições da rede pública quanto privada de ensino.

No período em que trabalharem nos serviços públicos de saúde, estudantes receberão uma bolsa, financiada pelo Ministério da Saúde. Os valores ainda não foram definidos. O governo calcula, no entanto, que ela ficará entre o que é concedido para as residências médicas (R$ 2,9 mil mensais) e o que é pago para profissionais inscritos no Provab (R$ 8 mil).

No primeiro ano, estudantes vão atuar na rede de atenção básica. No segundo ano, o trabalho será feito nos serviços de urgência e emergência. Os alunos continuarão vinculados à instituição de ensino onde foi feita a graduação e, assim como ocorre com a residência, serão avaliados. A carga horária ainda não foi definida.

Pela proposta, o segundo ciclo poderá ser aproveitado para abater um ano de curso de residência em especialidades básicas, como medicina de família, ginecologia, obstetrícia, pediatria e cirurgia geral. Há também a possibilidade de o período ser incluído na contagem para cursos de mestrado. A forma como isso será feito também está nas mãos do Conselho Nacional de Educação.

O formato de oito anos poderá ser revisto num curto prazo. Há a possibilidade de o primeiro ciclo, atualmente de seis anos, ser reduzido para cinco. O assunto, no entanto, ainda terá de ser debatido pelo Conselho Nacional de Educação. A intenção é se aproximar do modelo inglês, onde a duração do primeiro ciclo varia entre 4 a 6 anos, treinamento supervisionado dura outros dois anos e a especialidade médica, 3 a 8 anos.

Para atuar no segundo ciclo, os alunos receberão um registro provisório. A instituição de ensino deverá estar ligada a uma rede de serviços públicos de saúde, onde seus alunos vão desempenhar as atividades. Caberá à instituição definir o local de trabalho do estudante.

A ideia é que o aluno seja supervisionado por professores. A forma como isso será feito também será definida pelo Conselho Nacional de Educação. Também não está acertado como será feito o reembolso das instituições de ensino pelo trabalho de supervisão.

O aluno receberá o diploma somente depois de completar os oito anos de formação. Só aí receberá a inscrição permanente. De acordo com o Ministério da Saúde, o modelo proposto prevê que o profissional com registro provisório, mesmo sem diploma, responderá caso cometa uma infração ética ou erro no atendimento do paciente.

A criação do segundo ciclo não vai dispensar o internato, realizado atualmente no quinto e sexto ano. Nesta etapa, o estudante não tem autonomia. Durante o treinamento da segunda etapa, o estudante aos poucos ganha mais autonomia.

A expansão da duração do curso de medicina, de acordo com o governo, não tem como objetivo principal a ampliação da oferta de médicos. A meta, de acordo com ministérios da Saúde e da Educação, é ampliar a formação do profissional e driblar um problema que o governo julga enfrentar atualmente, que é a especialização precoce. Na avaliação do governo, a partir do 4º ano, estudantes concentram suas atenção nas áreas com que têm mais afinidade, deixando de lado pontos considerados essenciais para o atendimento do paciente.

Embora detalhes ainda não estejam definidos, o governo já decidiu que durante o ciclo de dois anos, o estudante terá permissão para atuar apenas nos locais indicados pela instituição de ensino a que ele está ligado. Não será permitida a realização de plantões ou atuação em outros serviços.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Comentarei mais esta ação medíocre do governo Dilma ao final da edição. Dilma não renega seu passado de terrorista: agora, na presidência de um país democrático, adora agir e flertar com um totalitarismo escandaloso. Deve imaginar que preside Cuba, e não o Brasil. O conteúdo de seu programa e a forma escolhida para colocá-lo em prática diz tudo. 

3 novidades que vão dar o que falar do "Mais Médicos"

Amanda Previdelli
Exame.com

Governo apresentou hoje parceria entre Ministério da Educação e da Saúde para investimentos em saúde no Brasil, sem recuar em "importação" de estrangeiros

Marcos Santos/USP Imagens 
Saúde: governo promete mais vagas em faculdades, mais residências 
e mais hospitais, mas não recua em "importação" de estrangeiros

São Paulo – O governo anunciou hoje o projeto “Mais Médicos para o Brasil Mais Saúde para Você”, com propostas para a Saúde no Brasil. Através de uma parceria entre o Ministério da Educação e da Saúde, o palácio do Planalto anuncia a criação de mais vagas nas faculdades de medicina, mais instituições de ensino e mais hospitais no país, especialmente em regiões onde há escassez de médicos por mil habitantes. 

Entre as novidades, os ministros Aloizio Mercadante, da Educação, e Alexandre Padilha, da Saúde, anunciaram a criação de 12 mil vagas de residência, cinco novos hospitais universitários até 2018 e um investimento de R$ 2,7 bilhões para a construção de seis mil novas unidades de saúde básica. 

Nos discursos, os ministros reiteraram que o Brasil precisa de mais médicos, e precisa de uma distribuição mais “equilibrada” entre municípios. Segundo Padilha, há no país pelo menos 700 municípios que não têm sequer um médico atuando.

Dentre as propostas do projeto, três se destacam e acabam sendo pontos mais polêmicos. Confira:

Médicos estrangeiros
A proposta de parceria para “importação” de médicos estrangeiros, a mais polêmica do projeto e amplamente criticada pela comunidade médica brasileira, permanece. Entretanto, Alexandre Padilha reiterou que as 10 mil vagas criadas em periferias e regiões como Norte e Nordeste do Brasil serão prioritariamente preenchidas por brasileiros.

Para os médicos dispostos a atuar em áreas mais necessitadas, o Ministério da Saúde vai oferecer salários de R$ 10 mil mensais, além de auxílio deslocamento que pode variar de R$ 10 mil a R$ 30 mil. 

Segundo o ministro da Saúde, após a chamada por médicos brasileiros, apenas se não forem preenchidas as dez mil vagas o Ministério vai buscar profissionais estrangeiros. Esses médicos terão necessariamente de ter uma habilitação para exercício da medicina em seu país de origem, conhecimento da língua portuguesa e ser proveniente de um país com mais médicos por mil habitantes que o Brasil.

“Nós não temos preconceitos. Às vezes se tenta fazer um debate ideológico para a Saúde e a única ideologia que se tem de ter na medicina é de salvar vidas”, afirmou Padilha, em resposta às críticas ao programa.

O governo reiterou que não vai usar o Revalide, exame nacional de revalidação de diplomas de médicos estrangeiros, para testar os profissionais de fora do Brasil. De acordo com Padilha, a revalidação do diploma permitiria que esses médicos atuassem em qualquer lugar do país. Com o programa, eles terão de permanecer nos locais indicados, as regiões mais necessitadas de médicos.

No discurso, Alexandre Padilha ainda explicou que haverá um período de acolhimento desses profissionais – brasileiros ou estrangeiros – por universidades públicas, que vão acompanhar a atuação dos médicos durante todo o período em que eles atuarem no programa.

Estudantes formados terão de passar por um ciclo de dois anos no SUS
Outra novidade que vem com o projeto é a criação do que o governo chama de “segundo ciclo de graduação”. Atualmente, os médicos passam por seis anos de graduação para então seguirem residência em uma área específica.

A proposta do “Mais Médicos” é de que, após os seis anos de graduação, todo estudante formado de medicina ficaria por dois anos atuando na saúde popular do SUS. Esses graduados receberão bolsas de estudos e esse período poderá ser aproveitado como o programa de residência médica, de acordo com Mercadante. Se passar pelo Congresso, a mudança passa a valer para os estudantes que ingressarem a partir de 2015.

“Buscamos, assim, uma formação mais humanizada e voltada à realidade”, explicou o ministro.

Novos critérios para abertura de cursos
De acordo com Mercadante, ministro da Educação, o governo vai incentivar com editais a criação de novas instituições de ensino, especialmente nas regiões que mais precisam de médicos. 

Entretanto, novos critérios serão adotados pelo MEC para permitir a abertura dos cursos. Dentre eles, a exigência de que as faculdades possuam no mínimo três residências disponíveis nas áreas prioritárias de medicina, como obstetrícia e pediatria, por exemplo.

Governo quer obrigar estudante de medicina a trabalhar dois anos no SUS para obter canudo

Josias de Souza


Às vezes o governo passa a impressão de que deseja levar tudo às últimas inconsequências. Foi lançado no Planalto o programa ‘Mais Médicos’. Além da importação de médicos, que já havia sido anunciada com antecedência, a iniciativa inclui uma novidade até então ignorada: a partir de janeiro de 2015, alunos de medicina serão obrigados a trabalhar dois anos no SUS. Sob pena de ficarem sem o diploma. O curso passa dos atuais seis anos para oito anos.

Reza a Constituição brasileira que todos são iguais perante a lei. Assim, cabe perguntar: por que só os médicos? Por que não obrigar os estudantes de psicologia, de odontologia e até de veterinária a suar a camisa pelo governo por dois anos? Por que não direcionar a rapaziada da engenharia para as obras públicas? Invertendo-se a lógica oficial, pode-se indagar também: por que não seduzir os jovens médicos oferecendo-lhes salários convidativos e condições de trabalho decentes no SUS?

O programa de Dilma Rousseff foi baixado por medida provisória. Significa dizer que entra em vigor imediatamente. Mas terá de ser aprovado pelo Congresso. A OAB e entidades médicas apressam-se em dizer que é inconstitucional a exigir dos estudantes que trabalhem no SUS. Considerando-se as divisões observadas no condomínio governista, não são negligenciáveis as chances de o Congresso modificar a proposta de Dilma.

Alheia aos riscos, a presidente não cansa de desafiar a sorte. Após recuar da Constituinte, bateu o pé em relação ao plebiscito já. Não terá. Agora, tenta impor aos estudantes de medicina uma espécie de segundo serviço militar obrigatório. Nesse ritmo, Dilma acaba convocando uma rede nacional de rádio e tevê para anunciar que seu governo irá  desfritar um ovo.

CFM ameaça ir ao STF se MP dos Médicos passar pelo Congresso

Marcela Mattos
Veja online

Segundo presidente do Conselho Federal de Medicina, há ilegalidades na medida provisória divulgada nesta segunda-feira pelo governo federal

(Biel Fagundes/Ag. BAPress/Folhapress) 
Médicos protestam no Largo do Campo Grande em Salvador 

Em entrevista coletiva no início da noite desta segunda-feira, o Conselho Federal de Medicina (CFM) criticou duramente as propostas apresentadas pelos ministérios da Saúde e da Educação. De acordo com o CFM, as medidas do programa Mais Médicos são "eleitoreiras” e “enganadoras”. A entidade afirmou ainda que avaliará a medida provisória e que estuda a possibilidade de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para derrubá-la, caso ela seja aprovada pelo Congresso Nacional. 

“É um programa vazio, sem consistência. Faltou aquilo que há muito tempo estamos solicitando do governo federal: investimento definitivo na saúde pública, não medidas paliativas", afirma o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Ávila. "Queremos 10% da receita bruta da União para a saúde e uma carreira de estado. O que faltam são ações estruturantes para fixar o médico no interior e o investimento em saúde publica. Esse governo, revelando sua eterna surdez e seus interesses absolutamente pessoais, vem com essa medida que é uma enganação da população brasileira”, completa ele. 

Faltando pouco mais de um ano para as próximas eleições, Roberto Luiz d’Ávila afirmou que há fortes interesses políticos por trás do pacto da saúde. “Esse país não investe dinheiro na saúde pública; não se falou uma medida importante hoje. Saúde não é prioridade, é apenas uma mera questão eleitoreira porque esse governo se aproveitou de um congresso de secretários municipais de saúde e de uma marcha de prefeitos [que ocorrerá nesta terça, em Brasília] para lançar uma medida puramente eleitoreira”, afirmou. 

Grade curricular — 
Também foi alvo de críticas a iniciativa do governo de mudar a grade curricular de medicina, aumentando-a em dois anos, para obrigar estudantes de faculdades públicas e privadas a atuar no SUS. “Os países totalitários fazem isso, os sérios não. Países sérios criam condições para que os seus recém-formados possam ir espontaneamente trabalhar no interior. É muito triste um país que precisa usar a força para obrigar os recém-formados a trabalharem. Eu quero afirmar que se derem as condições e uma carreira os médicos estarão em todos os lugares deste país”, alegou o presidente do CFM. 

O CFM já avisou que, de antemão, observou algumas ilegalidades na MP apresentada na tarde dessa segunda-feira e que trabalhará para que a proposta seja rejeitada pelo Congresso Nacional. Se aprovada, a entidade pretende recorrer ao STF para derrubá-la. 

Mais Médicos — 
No anúncio dessa segunda, o governo respondeu aos pedidos populares por melhorias no sistema público de saúde com a criação de mais vagas para médicos — da graduação até cargos efetivos —, a obrigatoriedade para estudantes atuarem por dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS) e uma bolsa de 10 000 reais para os profissionais dispostos a trabalhar nos rincões do país — se essas vagas não forem preenchidas, elas serão ocupadas por profissionais estrangeiros.

Entidades médicas criticam ações do governo para a saúde e se dizem surpresas

Bruno Deiro e Davi Lira
O Estado de S. Paulo

Segundo representantes de classe, as principais demandas dos profissionais não foram ouvidas

As principais entidades médicas de classe afirmam ter recebido com surpresa as mudanças propostas pelo Ministério da Saúde para os cursos de Medicina no País. Segundo dirigentes, apesar de longas reuniões e dos grupos de estudos formados em conjunto com o governo para discutir a questão da saúde, as medidas anunciadas foram tomadas de forma unilateral. Nesta segunda-feira (8),  entre outras ações, foi anunciado um plano para que os cursos passem de 6 para 8 anos a partir de 2015 e que os estudantes dediquem dois anos de trabalho aos serviços públicos de saúde.

“Ficamos bastante surpresos, pois não houve discussão sobre estas ações específicas com a classe médica”, afirma Renato Azevedo Junior, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). “São propostas paliativas e demagógicas, que não combatem o problema principal, que é a falta de estrutura.” Segundo ele, as medidas deixam de lado exigências básicas para que se consiga fixar médicos em regiões pouco atendidas, como melhores condições de trabalho e um plano de carreira bem estabelecido.

Florentino Cardoso, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), afirma que as sugestões feitas pelas entidades não foram ouvidas. “O governo anotou tudo o que dissemos, mas fez tudo à maneira dele, do jeito que quis”, diz Cardoso.

Para o dirigente, a ampliação do tempo de formação e a obrigatoriedade de atuação no SUS não resolvem os três problemas principais: falta de financiamento, gestão precária e corrupção na alocação de recurso. “Precisamos cumprir a lei, e não se pode obrigar médicos, que já passam 6 anos se dedicando em tempo integral, a passar por mais dois sob condições precárias, onde não quer. E só faltam médicos nesta comunidades mais remotas? E outras profissões? Por que só os médicos?”, questiona.

Ensino ampliado. 
A ampliação no prazo de duração do curso é alvo de críticas por parte de alguns estudantes. “A maioria dos alunos faz um ano de cursinho, agora seriam mais 8 anos de graduação, além dos 2 a 4 anos de residência. O tempo para se formar fica muito longo", diz Flora Goldemberg, de 20 anos, presidente do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, que representa os alunos de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Flora ainda critica o valor da remuneração proposto pelo governo – ainda não definido, mas que ficaria em torno do valor concedido hoje para os médicos residentes(R$ 2,9 mil mensais). "O que é pago hoje já é alvo de crítica dos residentes. É uma remuneração ainda baixa" diz a estudante.

As diretrizes dessas modificações, no entanto, ainda serão definidas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). "Vamos realizar audiências públicas, chamaremos as universidades, os conselhos de medicina e nomearemos uma comissão para propormos da melhor forma possível as medidas operacionais que vão nortear essas mudanças", afirma José Fernandes de Lima, presidente do CNE.

Entidades médicas vão questionar programa Mais Médicos na Justiça

Evandro Éboli e Larissa Ferrari
O Globo

Federação Nacional dos Médicos fala em greve geral contra programa anunciado por Dilma e compara medidas ao trabalho escravo

BRASÍLIA e RIO - O Conselho Federal de Medicina (CFM), em conjunto com entidades da saúde, anunciou nesta segunda-feira que nos próximos dias as medidas do programa Mais Médicos, anunciado nesta segunda-feira pela presidente Dilma Rousseff, serão questionadas na Justiça, por contrariarem a Constituição ao estipularem “cidadãos de segunda categoria, atendidos por pessoas cuja formação profissional suscita dúvidas”. Além disso, o presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNM), Geraldo Ferreira, fez duras críticas ao programa e falou que pode haver uma greve geral da categoria contra as medidas anunciadas. Ferreira afirmou que no próximo dia 11 a categoria vai participar de uma manifestação em que vai discutir a possibilidade de uma greve geral.

— Precisamos dar uma resposta forte ao governo. O sentimento do médico é de que o governo procura confronto — disse o dirigente.

Para Ferreira, o programa precariza o trabalho do médico brasileiro e explora a mão de obra do profissional. O dirigente comparou as medidas à exploração de trabalho escravo.

— Lamentamos profundamente a contratação do médico de forma precarizada como foi anunciada. O que o governo deveria fazer era realizar concursos e pagar decentemente o profissional, e não oferecer uma bolsa de R$ 10 mil, o que desrespeita a legislação trabalhista. Causa revolta — disse Ferreira.

Na carta, assinada pela Associação Médica Brasileira (AMB), Associação Nacional De Médicos Residentes (ANMR), Conselho Federal De Medicina (CFM) e Federação Nacional Dos Médicos (FNM), as entidades reconhecem que o governo precisa melhorar o acesso à saúde, mas avaliam que as medidas anunciadas mostram “incompreensão das autoridades à expectativa real da população”, e não “medidas paliativas, inócuas ou de resultado duvidoso”. Elas avaliam como “irresponsáveis” a vinda de médicos estrangeiros sem aprovação no Revalida e a abertura de mais vagas em escolas médicas “sem qualidade”.

Além da importação de médicos, o plano anunciado em Brasília prevê que curso de medicina terá mais 2 anos, com serviço obrigatório no Sistema Único de Saúde. O estudante receberá bolsa pelos serviços e a medida deve valer em 2015. As entidades da área de saúde questionaram o aumento em dois anos do tempo de formação dos médicos, o que eles chamam de “manobra que favorece a exploração de mão de obra”.

Fereira também criticou também a contratação de médicos estrangeiros sem necessidade do Revalida, o exame de reconhecimento do diploma.

— O Revalida é o atestado desse médico. Sem ele não teremos a menor condição de saber se o profissional tem uma formação adequada. O pior de tudo é que o governo quer trazer sem o Revalida e fixá-lo num lugar de onde ele não poderá sair. Isso é trabalho escravo. Vamos denunciar na OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Ferreira criticou também a ampliação de seis para oito anos o curso de Medicina, com a exigências que nesses dois últimos anos o profissional se dedique ao SUS.

— Essa é outra exploração grosseria do trabalho médico. Não sei quem foi o cérebro que pensou nisso. É indecente. O médico não completa o curso em seis anos. Ele faz mais três ou cinco de especialização para poder entrar no mercado. Ou seja, vai pular de 11 para 13 anos de formação. É um contrassenso — disse.

Para presidente da SBMFC, é questionável medida do governo
O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), Nulvio Lermen Junior, disse nesta segunda-feira que é duvidosa a medida do governo de obrigar recém-formados em Medicina a trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS) por dois anos para obter diploma. Para ele, o SUS precisa de profissionais já qualificados. A SBMFC representa os médicos que prestam serviços de Atenção Primária em Saúde, como o Programa de Saúde da Família (PSF).

Nulvio Lermen Junior reconhece a necessidade de prover médicos em algumas regiões brasileiras, como o Norte e o Nordeste. Segundo Lermen, que também é coordenador da residência em Medicina de Família e Comunidade do município do Rio de Janeiro, o problema que causa a carência de médicos nas periferias das grandes cidades e no interior do país é multifatorial.

— O governo tem que melhorar a infraestrutura, criar um plano de carreira adequado, oferecer condições de vida apropriadas para os profissionais e para a família e, claro, com salário condizente, que não precisa ser muito diferente das outras regiões. Não adianta atender a só um desses itens. Do contrário, a pessoa pode até ir se aventurar, mas acabar logo desistindo. Não há alguém que aguente viver por muito tempo sem esses fatores envolvidos — declarou Lermen.

A SBMFC não enxerga restrições na contratação de médicos estrangeiros. No entanto, o presidente da entidade defende a aplicação de um exame de validação do profissional estrangeiro para que este possa atuar no país, de forma que garanta a saúde do paciente. Lermen acredita que essa importação de médicos pode ajudar a sanar o déficit existente nesses locais, mas considera que muitos brasileiros poderiam se interessar por essas vagas se o emprego apresentasse melhores condições.

Segundo Nulvio Lermen Junior, profissionais de organizações que realizam trabalhos de cunho social em lugares tão longe, como os Médicos Sem Fronteira, não seriam suficientes para a demanda. Além disso, para Lermen, é pessoal a explicação sobre por que esses médicos escolhem se dedicar a outros países para ações humanitárias ao invés do Brasil.

— Eles se fixariam nesses lugares sem problema algum, mas sabemos que são poucos médicos que se propõem a trabalhar nessas condições e são poucos os médicos dispostos a sair para missões, que são de curta duração. A proposta do governo não é esta, mas sim de um ano, dois anos ou mais. Ações como Médicos Sem Fronteira não seriam a resposta para o problema que o governo quer enfrentar — afirmou Lermen.

Na cidade do Rio de Janeiro, Nulvio Lermen Junior conta que o principal motivo que desestimula a categoria é a violência. Ele relata que médicos já não veem com tanto receio a atuação em comunidades, desde que estas estejam pacificadas. Lermen cita o Complexo da Maré como um dos locais onde faltam profissionais.

Para o presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Renato Azevedo Jr., o governo federal não pode obrigar onde um estudante de Medicina deverá atuar. Ele lembra que a Constituição garante o direito do indivíduo escolher a sua profissão e área de atuação. Na avaliação dele, essa proposta deveria ser melhor discutida entre o governo federal e entidades da categoria. Segundo ele, a iniciativa nunca foi objeto de debate com entidades médicas.

— A Constituição Federal garante o direito de ir e vir. Não se pode fazer uma coisa obrigatória. Com essas propostas demagógicas, o país acaba escamoteando o tema do subfinanciamento da saúde pública. Nós exigimos que se trate realmente da saúde como prioridade, não com retórica pré-eleitoral — criticou.

O plebiscito

Arnaldo Jabor  
O Estado de S.Paulo


Pai, o que é plebiscito? - assim perguntava o menino, no conto de Artur Azevedo, em 1890. O mesmo aconteceu comigo.

Estava na sala e de repente meu filho levanta a cabeça e pergunta:

- Pai, o que é plebiscito?

Eu fechei os olhos imediatamente para fingir que dormia. O menino insiste:

- Papai? O que é?

Não tenho remédio senão abrir os olhos.

-Ora essa, rapaz, tens treze anos e não sabes ainda o que é plebiscito?

- Se soubesse, não perguntava.

- Plebiscito, meu filho, é quando o governo pergunta ao povo o que ele acha de determinado assunto importante para o país. Voltou à tona depois que houve as manifestações de rua, com mais de um milhão de pessoas protestando contra o caos brasileiro.

- Que pergunta é importante para o Brasil?

- São muitas perguntas meu filho... quer exemplos? Muito bem... vamos a isso:

-Você é contra ou a favor de 15 bilhões para estádios de futebol, dinheiro que dava para fazer 50 hospitais ou 75 quilômetros de metrô em São Paulo? Você é a favor da reforma politica? Você sabe o que é voto distrital comum ou misto? É contra ou a favor? Aliás, você sabe o que é isso, filho?

-Se você explicar...

-Também não sei, filho... mas, vamos lá... Você é contra ou a favor de haver 28 mil cargos de confiança no governo, se a Inglaterra tem apenas 800 e os Estados Unidos, 2 mil? O Brasil tem mais de 5.700 municípios, com prefeitos, vice prefeitos, 513 deputados federais, 39 ministérios. Não dava para cortar tudo pela metade? E o PAC? Que fez o PAC até hoje? Com a corrupção deslavada, o PAC acabou fazendo pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, esgotos à flor da pele, tudo proclamado como plano de aceleração do crescimento.

Os melhores economistas do mundo dizem que temos de abandonar a politica econômica de estimular demanda e atentar para o crescimento da oferta, pela redução de gastos do Estado, que se apropria de 36% da renda nacional mas investe menos de 3% e consome grande parte dos recursos para sua própria operação. Você entendeu o que falei? Um dia, entenderá.

Você é contra ou a favor de investigar por que a Petrobrás comprou uma refinaria no Texas por US$ 1 bilhão, se ela vale apenas US$ 100 milhões? Você é contra ou a favor da ferrovia Norte Sul que está sendo construída há 27 anos, com mil roubalheiras e ainda quer mais 100 milhões para cobrir o que a Valec desviou quando o Juquinha, afilhado do eterno Sarney, era o chefão?

- Quem é Sarney?

- É o comandante do atraso.

- Ah, legal...

- Você é contra ou a favor da CPI que fez o Cachoeira sumir do mapa para não criar problemas para o Executivo e suas empreiteiras? Você lembra das operações da Policia Federal, com lindos nomes? Cavalo de Troia, Caixa de Pandora (do Arruda), Anaconda, das mil ambulâncias dos sanguessugas? E tantas outras. Quantos estão presos hoje? Você é contra ou a favor de reforma do Código de Processo Penal? Aliás, por que o PT quer tanto o plebiscito? Ele lucra com isso? Sim ou não?

O Lula sumiu de cena mas já declarou que as manifestações são " coisa da direita ". E o PT? É peronista de direita ou de esquerda? Com a volta da inflação, você é contra ou a favor da correção monetária para o Bolsa Família? Você não acha que é fundamental a privatização (ohhh, desculpe, "concessão") de ferrovias, aeroportos e rodovias?

Por que uma das maiores secas de nossa história não é analisada pelo governo? Para não criticar os donos da indústria da seca, por motivos eleitorais? Alias, o que aconteceu com o Rio São Francisco, que disseram que iam canalizar? Parou? Sim ou não?

Sem dúvida, Sergio Cabral foi quem mais se queimou nisso tudo. Mas, pergunto, que será do Estado do Rio de Janeiro com o Lindenberg Farias, ex-prefeito de Nova Iguaçu, com o sigilo quebrado pelo STF, governando o Estado até 2018? Será que o Pão de Açúcar fica em pé?

Você acha legal ou não a importação de médicos cubanos para o País?

Você é contra ou a favor do "trem bala" que custará (na avaliação inicial) cerca de 30 bilhões de reais, que davam para renovar toda a malha ferroviária comum? Aliás, nessa velocidade, qual a altura que ele vai voar, quando os traficantes do Rio puserem pedras nos trilhos?

Você acha que os "mensaleiros" ficaram contentes com o fim da PEC 37 que o Congresso, apavorado, rejeitou?

Você acha normal que o Brasil cobre R$ 36 de impostos sobre cada R$ 100 produzidos? Você não acha o Palocci muito melhor que o Mantega? Por que não chamam o Palocci? Quem é? É o melhor cara do PT, que impediu a destruição do Plano Real durante os quatro anos do primeiro mandato do Lula.

Você entende, meu filho, o governo do Brasil tenta com sua ideia de mudança constitucional transformar problemas administrativos em problemas institucionais. Você não acha que querem disfarçar sua incompetência administrativa? Afinal, quem governou o país nos últimos dez anos? Agora, parece que descobriram que o país precisa de reformas, que o PT não fez nem deixou fazer por 10 anos. Agora, gritam todos: reforma! Por isso, pergunto: será que os intelectuais não veem que a democracia conquistada há 20 anos está sendo roída pelos ratos da velha política? Você acha que a Dilma está com ódio do Lula, por ter finalmente descoberto o tamanho da herança maldita que deixou para ela? Mas Lula não liga. "Ela que se vire..." - ele pensa, em seu egoísmo, secretamente até querendo que ela se dane, para ele voltar em 2014. Você acha, meu filho, que o Lula vai ser candidato de novo? E será eleito como "pai do povo" , para salvar o País que ele destruiu?

E que você acha de todas essas perguntas, filho? Qual a sua opinião?

- Pai, o povo já respondeu a todas essas perguntas. Então, para que perguntar de novo?

- É técnica de marketing, meu filho. Ideia do Lula, para dar a impressão de que o governo não sabia de nada. Como ele nunca soube.

Tempos difíceis

Fernando Henrique Cardoso
O Estado de SPaulo

Já se disse tudo, ou quase tudo, sobre os atos públicos em curso. Para quem acompanha as transformações das sociedades contemporâneas não surpreende a forma repentina e espontânea das manifestações.

Em artigo publicado nesta coluna, há dois meses, resumi estudos de Manuel Castells e de Moisés Naím sobre as demonstrações na Islândia, na Tunísia, no Egito, na Espanha, na Itália e nos Estados Unidos. As causas e os estopins que provocaram os protestos variaram: em uns, a crise econômico-social deu ânimo à reação das massas; em outros, o desemprego elevado e a opressão política foram os motivos subjacentes aos protestos.

Tampouco as consequências foram idênticas. Em algumas sociedades onde havia o propósito específico de derrubar governos autoritários, o movimento conseguiu contagiar a sociedade inteira, obtendo sucesso. Resolver uma crise econômico-social profunda, como nos países europeus, torna-se mais difícil. Em certas circunstâncias, consegue-se até mesmo alterar instituições políticas, como na Islândia. Em todos os casos mencionados, os protestos afetaram a conjuntura política e, quando não vitoriosos em seus propósitos imediatos, acentuaram a falta de legitimidade do sistema de poder.

Os fatos que desencadeiam esses protestos são variáveis e não necessariamente se prendem à tradicional motivação da luta de classes. Mesmo em movimentos anteriores, como a "revolução de maio" em Paris (1968), que se originou do protesto estudantil "por um mundo melhor", tratava-se mais de uma reação de jovens que alcançou setores médios da sociedade, sobretudo os ligados às áreas da cultura, do entretenimento, da comunicação social e do ensino, embora tivesse apoiado depois as reivindicações sindicais. Algo do mesmo tipo se deu na luta pelas Diretas-Já. Embora antecedida pelas greves operárias, ela também se desenvolveu a partir de setores médios e mesmo altos da sociedade, aparecendo como um movimento "de todos". Não há, portanto, por que estranhar ou desqualificar as mobilizações atuais por serem movidas por jovens, sobretudo das classes médias e médias altas, nem, muito menos, de só por isso considerá-las como vindas "da direita".

O mais plausível é que haja uma mistura de motivos, desde os ligados à má qualidade de vida nas cidades (transportes deficientes, insegurança, criminalidade), que afetam a maioria, até os processos que atingem especialmente os mais pobres, como dificuldade de acesso à educação e à saúde e, sobretudo, baixa qualidade de serviços públicos nos bairros onde moram e dos transportes urbanos. Na linguagem atual das ruas, é "padrão Fifa" para uns e padrão burocrático-governamental para a maioria. Portanto, desigualdade social. E, no contexto, um grito parado no ar contra a corrupção - as preferências dos manifestantes por Joaquim Barbosa (ministro presidente do Supremo Tribunal Federal) não significam outra coisa. O estopim foi o custo e a deficiência dos transportes públicos, com o complemento sempre presente da reação policial acima do razoável. Mas se a fagulha provocou fogo foi porque havia muita palha no paiol.

A novidade, em comparação com o que ocorreu no passado brasileiro (nisso nosso movimento se assemelha aos europeus e norte-africanos), é que a mobilização se deu pela internet, pelos twitters e pelos celulares, sem intermediação de partidos ou organizações e, consequentemente, sem líderes ostensivos, sem manifestos, panfletos, tribunas ou tribunos. Correlatamente, os alvos dos protestos são difusos e não põem em causa de imediato o poder constituído nem visam questões macroeconômicas, o que não quer dizer que esses aspectos não permeiem a irritação popular.

Complicador de natureza imediatamente política foi o modo como as autoridades federais reagiram. Um movimento que era "local" - mexendo mais com os prefeitos e governadores - se tornou nacional a partir do momento em que a presidenta chamou a si a questão e a qualificou primordialmente, no dizer de Joaquim Barbosa, como uma questão de falta de legitimidade. A tal ponto que o Planalto pensou em convocar uma Constituinte e agora, diante da impossibilidade constitucional disso, pensa resolver o impasse por meio de plebiscito. Impasse, portanto, que não veio das ruas.

A partir daí o enredo virou outro: o da relação entre Congresso Nacional, Poder Executivo e Judiciário e a disputa para ver quem encaminha a solução do impasse institucional, ou seja, quem e como se faz uma "reforma eleitoral e partidária". Assunto importante e complexo, que, se apenas desviasse a atenção das ruas para os palácios do Planalto Central e não desnudasse a fragilidade destes, talvez fosse bom golpe de marketing. Mas, não. Os titubeios do Executivo e as manobras no Congresso não resolvem a carestia, a baixa qualidade dos empregos criados, o encolhimento das indústrias, os gargalos na infraestrutura, as barbeiragens na energia, e assim por diante.

O foco nos aspectos políticos da crise - sem que se negue a importância deles - antes agrava do que soluciona o "mal-estar", criado pelos "malfeitos" na política econômica e na gestão do governo. O afunilamento de tudo numa crise institucional (que, embora em germe, não amadurecera na consciência das pessoas) pode aumentar a crise, em lugar de superá-la.

A ver. Tudo dependerá da condução política do processo em curso e da paciência das pessoas diante de suas carências práticas, às quais o governo federal preferiu não dirigir preferencialmente a atenção. E dependerá também da evolução da conjuntura econômica. Esta revela a cada passo as insuficiências advindas do mau manejo da gestão pública e da falta de uma estratégia econômica condizente com os desafios de um mundo globalizado.

A voz do povo

João Ubaldo Ribeiro
O Globo

Na qualidade de presidenta disso tudo aqui, apresentava logo tudo completamente resolvido, atendendo a todos os pedidos com grande satisfação e rapidez

Logo que as manifestações de rua começaram, Zecamunista, entremeando a fala com alguns suspiros nostálgicos, surpreendeu todos os presentes no Bar de Espanha, ao revelar que não iria a Salvador, tomar parte nos protestos. A cruel verdade era que o vigor combativo de sua juventude já o abandonava e longe, muito longe, iam os dias gloriosos em que, por exemplo, foi preso por ter planejado, comandado e quase concluído com êxito um plano de ação gastrointestinal, para neutralizar a Polícia Militar do Estado da Bahia e assim evitar a repressão de uma das muitas passeatas subversivas em que saía, desde o tempo de Getúlio. 

Na madrugada antes da passeata, à frente da Guarda Proletária do Alto das Pombas, esteve prestes a despejar, nas caixas d’água dos quartéis, um extrato concentradíssimo de erva-cagona que o finado Vavá Paparrão conseguiu nos matos da Ilha dos Porcos, capaz de levar a vítima a comparecer ao trono de cinco em cinco minutos, não se dedicando a mais nada durante pelo menos um dia ou dois.

— Mas fui traído, me dedaram, mataram a revolução brasileira no nascedouro — lembrou ele, com certo amargor. — E quase me enquadram como terrorista e mais uma porção de coisas e, se meu advogado não fosse o grande dr. Mococa, eu podia ter pegado uma cana feia. Mas o dr. Mococa defendeu a tese de que erva-cagona era arma de efeito moral e, se a PM podia usar armas de efeito moral, o cidadão também podia. Dr. Mococa é muito bom e o juiz era linha auxiliar do partidão, de maneira que me soltaram, só me enfiaram um funil na boca e entornaram aqui dentro meia caneca de óleo de rícino, antes de eu sair da cadeia. Naquela época isso era besteira e em alguns o funil nem era na boca, meu santo é forte. No tempo do petróleo é nosso, foi muito pior, uma vez me deram um banho de mergulho em petróleo cru que eu levei semanas para tirar todo, o pessoal da repressão engrossava numa boa.

Agora não. Chegara a pensar em fazer um esforço e aparecer nem que fosse para constar, mas podia até atrapalhar, já não era homem de linha de frente, o bom agitador deve reconhecer suas limitações e não comprometer o êxito da luta revolucionária. Mas isso não significava que ele estava abdicando de suas convicções, nada mais distante da realidade. Já se encontrava na ilha, por ele constituído e em treinamento por ele ministrado, o grupo das voluntárias avançadas do Memededê, o Movimento das Mulheres-Damas Democráticas, composto pela fina flor do Lupanar do Moura, tradicional estabelecimento do ramo, em Nazaré das Farinhas, além de diversas amadoras politizadas e ansiosas por participar da vida nacional, projeto de alto impacto. Além disso, diante da notícia do plebiscito, tinha decidido colaborar no esclarecimento dos eleitores itaparicanos. Se houver plebiscito, não podemos fazer feio, temos que mostrar preparo. Já ia até começar umas pesquisas preliminares e, para não dizerem que escolhia a seu bel-prazer, tinha preferido sortear um cidadão para entrevistar.

Sorteio é sorteio e quiseram os fados que o sorteado fosse Tucão de Evilásia, neto de finado Bidu da Misericórdia. Versado em várias artes, da pintura de paredes e da limpeza de pescado à colheita de mangas e à capinação, Tucão é pessoa por todos estimada na coletividade, pelo seu trato gentil, conduta incriticável e disposição prestimosa. Mas, ponderaram diversos, nunca se destacou muito pela cultura e há quem garanta que a professora Sazinha pediu aposentadoria depois de ter ficado repuxada dos nervos, por ter tido Tucão como aluno durante uns dez anos, sem que ele saísse do curso primário. Não haveria como Zecamunista escolher outro, um Ary de Maninha ou um Jacob Branco, campeões da oratória e do conhecimento? Zeca negou-se a fazer a troca, o sorteio estava sacramentado e era à prova de mutreta, o governo não se metia e nada de medalhões e elitismo. O objetivo era traçar o perfil do eleitor e ninguém podia negar que Tucão era um cidadão normal, como qualquer outro.

Falai no Mendes, à porta o tendes, já diziam os antigos. Eis que, nesse mesmo instante, assoma à entrada a figura afável de Tucão. Ainda bem que conseguira chegar antes de Manolo ficar com sono às seis horas da tarde e botar todo mundo para fora do bar. Estivera entretido com a televisão, vendo os protestos. E se detivera um pouquinho mais, para prestar atenção na explicação do plesbicítio.

— Plebiscito — corrigiu Zeca.

— Plebliscito — disse Tucão.

— Ple-bis-ci-to.

— Plesbicito.

— Plebiscito!

— É minha língua que não dá, mas eu sei como é — explicou Tucão. — Eu sempre tive esse problema da língua preguiçosa. Professora Sazinha…

— Tudo bem, mas pelo menos você já sabe o que é.

— Claro que eu sei, a televisão explicou. O pessoal saiu nos protestos, aquele sufoco medonho, bomba, porrada, todo mundo pedindo providências para os problemas, e aí chega a presidenta e discursa que ficou sabendo desses problemas que antes ela não tinha resolvido porque desconhecia e agora passou a conhecer e, na qualidade de presidenta disso tudo aqui, apresentava logo tudo completamente resolvido, atendendo a todos os pedidos com grande satisfação e rapidez, o qual atendimento era esse que hoje está tão falado.

— O plebiscito — disse Zeca.

— Isso mesmo, o plesbicíntio — disse Tucão, caprichando na pronúncia. — Ninguém pode dizer que não resolveu tudo, é ou não é?

Povo cá, governo lá

Celso Ming  
O Estado de S.Paulo

As manifestações demonstraram que a agenda deste governo está divorciada da agenda da população.

Pode-se argumentar que o povo nem sempre sabe o que quer, reivindica por vias transversas a satisfação de suas necessidades e que, até mesmo nas democracias, cabe aos dirigentes interpretar seus anseios e tratar de satisfazê-los, no que der, já que a política é a arte do possível.

No entanto, ao longo deste governo, em tantas e tantas áreas, não há essa interpretação. A maneira como os atuais dirigentes orientam as despesas públicas nada tem a ver com as aspirações da população.

Nos grandes centros urbanos, por exemplo, o trabalhador leva horas e horas diárias espremido em trens e ônibus ruins, sujeitos a paralisações e congestionamentos, que pioram todos os dias. Transporte público é uma indiscutível prioridade nacional.

E quais são as políticas do governo? É incentivar o crédito e reduzir impostos para compra de automóveis, que entulham ruas e avenidas das grandes cidades, à proporção de quase mil por dia só em São Paulo. É subsidiar o consumo de gasolina, um dos fatores que sangram inexoravelmente o caixa da Petrobrás, cujo resultado é mais congestionamento de trânsito e mais horas perdidas dentro de um veículo.

Em vez de mais metrô, mais ferrovias, mais rodovias e mais portos, o governo empurra o projeto do trem-bala que vai levar mais R$ 35 bilhões.

A população quer melhora dos serviços públicos. Em vez disso, o governo prefere despejar bilhões de reais no sustento de 39 ministérios, na construção e na ampliação de estádios de futebol, estes sim, no padrão Fifa de qualidade. Em vez disso, o governo prefere injetar R$ 10 bilhões do BNDES, que por sua vez, recebe transfusões diretas do Tesouro Nacional, para alimentar os projetos delirantes do grupo Eike Batista, até agora, como a presidente Dilma declarara em 2012, motivo de orgulho e exemplo a ser seguido pelo Brasil.

A população não pede necessariamente mais verbas para saúde e educação. Pede que os enormes recursos injetados nessas áreas sejam gastos com qualidade. Mas isso requer também qualidade de gerenciamento das despesas públicas, hoje altamente precária.

Como ficou claro nas manifestações, a população quer mão pesada contra a corrupção, que inferniza a administração pública e aumenta substancialmente os dispêndios nos investimentos do Estado. No entanto, a resposta do governo é a pretendida instituição do financiamento das campanhas eleitorais com recursos públicos. Com que resultado prático? Será que, além do financiamento privado e suas mazelas, que não terminarão, teremos o financiamento das campanhas eleitorais com recursos que, em última análise, serão tirados da educação, da saúde, de outros custeios e de investimentos públicos?

Antes de chegar ao governo federal, o PT proclamava a excelência do orçamento participativo, que determinava democraticamente a prioridade das despesas públicas. Uma vez lá chegando, desconsiderou as recomendações anteriores. As prioridades orçamentárias passaram a ser determinadas não mais pelas legítimas demandas do contribuinte, mas por fatores que reforçam a percepção de que o objetivo é a perpetuação no poder.

O clamor das ruas e o cabelereiro

Roberto Pompeu de Toledo
Revista  VEJA

Ora, direis, é uma mera conta do cabeleireiro. Se a conta do cabeleireiro, tão simples de calcular, é administrada desse jeito, imagine-se a da transposição do São Francisco.

Torturar o eleitorado com um plebiscito sobre reforma política equivale a repassar-lhe um problema de física. Plebiscitos se fazem com enunciados simples, que envolvem no máximo rudimentares cálculos aritméticos. Por exemplo:

Em nove oportunidades, uma cliente pagou 400 reais ao profissional que lhe fez o penteado e a maquiagem. Na décima, pelo mesmo serviço, foram-lhe propostos 3 125 reais. A cliente deve concordar com a proposta?

Sim ou não?

Dizer que reforma política não é problema a apresentar ao eleitorado não é menosprezá-lo. Ninguém é obrigado a saber o que é voto distrital, voto distrital misto, lista fechada, lista aberta, cláusula de barreira, financiamento público de campanha ou coligações em eleição proporcional.

Isso para não falar em quociente eleitoral e em método de d’hondt, que a qualquer momento também podem entrar em campo. Para bem votar num plebiscito desses, o eleitor precisaria fazer um curso de direito constitucional. (Atenção, donos de cursinhos: eis uma oportunidade.) Não basta, porém, saber o que significa tal palavrório.

Para complicar, cada coisa implica outras. Tome-se o tão alardeado voto distrital. De que forma viria ele — convivendo com os atuais limites máximo e mínimo de deputados para cada estado? Ou seriam revistos tais limites?

Para quem não sabe (vamos começar nós mesmos o cursinho), a Constituição prevê que nenhum Estado pode ter menos de oito deputados nem mais de setenta. A consequência é uma grande distorção na representação da população. Cada um dos setenta deputados de São Paulo vale 600.000 habitantes (população de 42 milhões dividida por setenta), enquanto cada um de Roraima vale 58.750 (população de 470.000 dividida por oito).

Adotado o voto distrital, e mantidos os limites máximo e mínimo, a distorção continua igual na aritmética, mas no plano simbólico assume enormes proporções: haverá deputados de distrito de 600.000 pessoas e outros de distrito de 58.750.

Deputados que valem mais e valem menos. Os de inquestionáveis credenciais e os questionáveis. O eleitor consciente, antes de cravar “sim” no voto distrital, precisa saber se os limites máximo e mínimo vão ser mantidos. Se vão, recomenda-se que caia fora.

(Nos EUA, onde a representação é mais ajustada às populações, nove Estados, além do distrito de Colúmbia, elegem apenas um deputado. No Brasil, dez Estados pouco populosos, além do Distrito Federal, estão super-representados com oito deputados cada um.)

É duvidoso que vingue a ideia do plebiscito, como não vingou a da tal “Constituinte exclusiva”. Reforma política é assunto que, como nem o Executivo, nem o Congresso, nem o Supremo Tribunal conseguem resolver, o governo tenta agora enfiar goela do eleitor abaixo. Se o plebiscito vingar, arrisca gerar um monstrengo constitucional das proporções de bicho pré-histórico.

Acresce que a proposta foi engendrada não como resposta, mas como tergiversação ao clamor das ruas. Bem auscultada, a voz da rua não é difícil de ser decifrada.

Tirante os grupelhos que, à esquerda, por puro reflexo condicionado, se conduzem pela miragem de abalar o capitalismo e, à direita, por confundir democracia com má gestão e roubalheira, flertam com ditadura militar, o que a rua pede é um governo decente, que não se acumplicie com a corrupção, cuide bem do erário e invista nas coisas certas.

(Foto: Divulgação)
Celso Kamura e a imagem da presidente:
 "ora, direis, é uma mera conta do cabeleireiro" 

Vale dizer que o tema não é a política, mas a administração. Ou, mais precisamente: não é o arcabouço constitucional das instituições políticas, mas os métodos administrativos.

Daí não ser à toa que esteja posta, aí em cima, a história dos preços do cabeleireiro. A história é real. A cliente em questão é a presidente Dilma Rousseff, e os preços foram apurados pela reportagem da Folha de S.Paulo.

Em nove ocasiões, desde o início do mandato de Dilma, a Presidência pagou 400 reais pela preparação de seu visual, antes das aparições na televisão. Na décima, em dezembro do ano passado, foi-lhe apresentada uma conta de 3.125 reais. O governo disse sim ou não?

Adivinhe o leitor.

Adivinhou: disse sim.

E continuou dizendo sim nas duas vezes seguintes, a última das quais na semana passada, quando pagou os mesmos 3.125 reais.

Ora, direis, é uma mera conta do cabeleireiro. Se a conta do cabeleireiro, tão simples de calcular, é administrada desse jeito, imagine-se a da transposição do São Francisco.

Freio de arrumação

Dora Kramer 
 O Estado de S.Paulo

Há um mês, desde que saíram as primeiras pesquisas de opinião registrando queda na avaliação positiva da presidente Dilma Rousseff - inicialmente de sete e, em seguida aos protestos, de 27 pontos porcentuais - o governo vive sob o efeito de um choque de realidade ao qual ainda não se adaptou.

A popularidade não era inabalável nem a aliança política tão sólida quanto desenhava o cenário de reeleição garantida. A esse novo quadro é que, na avaliação corrente nas bancadas do PT na Câmara e no Senado, o Palácio do Planalto não está dando as respostas adequadas.

O governo caiu das nuvens, mas ainda não conseguiu firmar os pés no chão. Continua operando no modo antigo, trabalhando com tentativas irrealistas de mudar de assunto e de compartilhar responsabilidades sem se concentrar na questão principal que emergiu das manifestações.

E qual é a questão? A existência de um "sentimento oposicionista" (a expressão é de um petista) que atinge os políticos e governantes de modo geral, os de oposição inclusive, mas prejudica muito mais quem detém mais poder e, portanto tem mais a perder: o governo federal.

Por enquanto o referido oposicionismo é difuso e não foi para lugar algum. "Pode ir para qualquer um", diz um deputado referindo-se às forças políticas que disputarão em 2014.

O receio de parlamentares do PT, no entanto, é que esse capital não possa ser recuperado pelo partido se o governo não se concentrar em tomar medidas concretas (e consistentes) na gestão da economia, na melhoria dos serviços públicos, na reconstrução do ambiente de confiança para o investidor, na segurança para o empresário.

De acordo com os que pensam assim, a hora não é de alimentar apelos pela candidatura do ex-presidente Lula - "é ruim para ele, para o governo e para o partido" - nem de insistir em propostas inexequíveis como a do plebiscito sobre reforma política em ritmo de passe de mágica, muito menos de se atritar com o Congresso.

O momento requer um freio de arrumação: parar de escrever por linhas tortas e and ar em linha reta para reconquistar a sociedade governando melhor. A recuperação da competitividade eleitoral e a reconstrução das alianças políticas seriam consequências naturais.

Testemunho. 
Militar aposentado, Athos Cardoso envia a seguinte mensagem a propósito do uso de aviões da Força Aérea Brasileira por autoridades que se sentem autorizadas a cometer qualquer tipo de abuso.

"Como coronel da ativa comandei o 4º Batalhão Especial de Fronteiras, guarnição mais a Oeste do Brasil, sediada em Rio Branco-AC. Foi de 1985 a 1988. A capital era a única do Brasil não ligada ao restante do Brasil por estrada asfaltada.

"Na época da terrível temporada de chuva amazônica, intransitável a rodovia, o rio ainda sem vazão para transporte fluvial; a cidade, isolada, só recebia suprimentos por via aérea. Faltava do óleo diesel ao papel higiênico.

"A família militar, com raríssimas exceções, passava quase dois anos na cidade sem viajar nas férias. As distâncias eram longas, as passagens aéreas inacessíveis. De 'caronas' pela FAB, nunca soube. Eu, o coronel comandante, viajava de Manaus para o Rio, com a passagem mais barata que existia. A do famoso 'Corujão'.

"Assisto, indignado, à postura do senador Renan, político profissional, rico, cheio de mordomias, viajando de carona na FAB. Ele finge não ouvir o clamor das ruas. Enfrenta e afronta a opinião pública. Pergunto: pode um político como ele comandar as mudanças políticas de que o Brasil precisa?".

Não poderia, não deveria nem estar onde está se o Congresso tivesse mais respeito pela opinião do público.