terça-feira, fevereiro 09, 2010

Como o TSE liberou, Lula usa e abusa da máquina pública

Comentando a Notícia

Como dizia o ditado que, quem tem padrinho não morre pagão, Lula e Dilma sabedores dos padrinhos fortes com quem podem contar no TSE em caso de dificuldades com o descumprimento da lei eleitoral, vão avançar ainda mais na ilegalidade.

Além dos pacmícios com direito a panfletagem explícita, dos discursos descarados de autopromoção eleitoral, do uso de recursos e instalações que deveriam ser do Estado, mas que foram, graças a política neoliberal do petismo, privatizados para o partido que se pretende único, e vão sendo usados para atividades partidárias, agora nem as páginas eletrônicas que deveriam ser informativas e institucionais serão poupadas. O site da Casa Civil sofreu uma lipoaspiração. Acharam que estavam muito ofical, republicana demais. Então, dê-lhe mais aparência eleitoral. Afinal, como o TSE nunca vê nada de mais nisto, tem praticado para com a dupla um liberou geral, então segue-se a velha máxima de Marta Suplicy: relaxe, goze, e aproveite para uma panfletagem eletrônica da campanha pró Dilma.

Nunca as instituições brasileiras passaram por tanto esculacho e foram tão torpemente reduzidas ao descalabro como agora. O pior da gente saber onde tudo isto acaba, é a falta de reação da sociedade e dentro desta, daqueles que rasgaram a história por acreditarem que aqui tudo será diferente. Uma ova, que vai!!! A Venezuela do imbecil Chavez, é o exemplo mais próximo seja pelas ações, seja pela vizinhança, como também pela proximidade histórica. Tudo faz parte de um lento processo de fragmentação, de desmobilização, de vilêndio da institucionalidade, da submissão dos canais capazes de defenderem a legalidade e a ordem, do afrouxamento moral e ético, que acabam consumando na instalação permanente da autocracia. Quando se quiser reagir diante do inevitável, tarde demais.

Mesmo que aqui não tenhamos um governante caricato ao estilo Chavez, alimenta-se no pensamento nacional, pela imprensa (ou boa parte dela), pelo movimentos do sindicalismo castrado e entidades sociais cooptadas, além da intelectualidade debilóide que só quer mamar nas gordas tetas do tesouro ao invés de trabalharem, assistimos uma idolatria cafajeste de um arrogante e analfabeto a quem se pretende lustrar a biografia com as tintas de um estadista. Ledo engano: cedo ou tarde, espero que mais cedo do que tarde, esta máscara vai cair para exigir a real face do imperador.


Com texto de Tânia Monteiro para o Estadão, temos a informação da última intervenção promovida no interior do governo, para platificar a candidatura de Dilma, sob as bênçãos e omissão cúmplices do TSE. Por enquanto, foi a Casa Civil, mas não tenhamos dúvida que logo, logo, todos os sites do governo estarão cravejados pelo brilhantismo incipiente da candidata-criatura, do pé de laranja lima de Lula, com leve sabor de limão haiti...Ou, para aqueles versados na caipirosca, com um galeguinho que azeda mais...

Casa Civil reformula site e ministra Dilma Roussef fica mais visível

 
Embora a campanha de Dilma tenha sido antecipada, ministra estava para trás na propaganda na internet

BRASÍLIA - A disputa presidencial está cada vez mais visível na internet. A Casa Civil reformulou seu site e passou a disponibilizar vídeos, discursos, fotografias, agendas e entrevistas da ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto. O banco de imagens do site contava até a tarde de segunda-feira, 8, com 51 fotos e 10 vídeos da ministra em eventos oficiais pelo País.

Embora a campanha de Dilma tenha sido antecipada no ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra estava para trás na propaganda na internet. Nos últimos meses, outros presidenciáveis passaram a investir na rede. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), já postou 1400 mensagens de até 140 caracteres no microblog Twitter, alcançando 163 mil seguidores. A senadora Marina Silva (PV-AC) e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) também entraram no Twitter. Na semana passada, Marina ainda lançou um blog.

As fotos exibidas no site da Casa Civil mostram Dilma Rousseff mais descontraída. Em uma dessas imagens, ela aparece com um boné vermelho na cabeça ao lado de moradores de um bairro pobre de Porto Alegre. A imagem guarda semelhanças com fotos tradicionais de viagens do presidente Lula pelos grotões. A Casa Civil conta agora com um fotógrafo oficial, Paulo H. Carvalho, responsável pelas imagens da ministra. Não há no site, no entanto, fotos de Dilma em eventos do PT.

A biografia de Dilma no site da Casa Civil é curta. Não há referências ao período da ditadura, quando ela participou da resistência ao regime militar. O breve currículo destaca que a "economista" formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul foi secretária da Fazenda de Porto Alegre, de 1986 a 1988, Secretaria de Estado de Energia nos anos de 1993 e 1994 e de 1999 a 2002 e ministra de Minas e Energia no governo Lula, de 2003 a 2005.

Manda-chuva do PT comanda confronto com PM

Reinaldo Azevedo

Vejam esta imagem, em noticiário da Agência Estado, e que está em todos os sites jornalísticos. Volto em seguida.


Estão vendo aquele senhor de óculos e camisa branca, quase no centro da foto? É o deputado petista Carlos Zarattini, uma espécie de braço operativo de Marta Suplicy, a petista que veste Prada. Ela, naturalmente, não vai para esses confrontos.

O deputado está à frente de uma manifestação de 200 supostos moradores de bairros alagados da Zona Leste de São Paulo, feita no Viaduto do Chá, em frente à Prefeitura. Vejam ali: a PM está usando spray de pimenta para conter os ânimos da turma. Vocês sabem, né? Eles estavam lá, todos numa reunião pacífica, e a “Polícia do Serra” — como diriam o caderno “Cotidiano” da Folha, mais o Gilberto Dimenstein e a minha musa — chegou com brutalidade…

O roteiro é conhecido. Dado o tratamento que boa parte da imprensa, inclusive a de TV, dá às enchentes, estranho é que não houvesse lá umas 10 mil pessoas. O roteiro é este mesmo: o PT mobiliza algumas vítimas e seus militantes para o confronto com a Polícia, isso vai parar na televisão e depois é usado no horário eleitoral gratuito. É a tática do PT faz tempo. Tática bem-sucedida. Os jornais televisivos da noite devem fazer a festa.

E, tudo saindo conforme o costume, não se dirá que se trata de uma manifestação política, organizada pelo PT. Como eu acho que Marta será a candidata ao governo para já começar a fazer campanha para voltar à Prefeitura em 2012, Zarattini está esquentando a massa e as notícias. Como se sabe, quando ele era o manda-chuva (!!!) da Prefeitura, não havia enchentes na cidade. Quem não se lembra daquele histórico bate-boca da então prefeita com uma moradora, vítima das cheias? Quando o PT está no governo, enchente é fatalidade; quando está na oposição, é culpa do prefeito e do governador.

Há muito a fazer, claro. Mas já foi decretado estado de calamidade pública na região, a Prefeitura cadastra moradores para retirá-los da área, que não tem futuro, e paga uma Bolsa Aluguel para os que querem sair dali. O resto é proselitismo vagabundo.

Os tucanos estão dando mole? Eu acho que sim, pra variar. Já é hora de alguém dizer com todas as letras que representantes do PT mal podem conter a felicidade com a tragédia que colheu a cidade e o estado.

A desgraça sempre será útil aos petistas. Ela excita a sua imaginação e seus delírios de poder. Preparem-se: nas TVs e nos jornais, serão as pobres vítimas contra os verdugos de uniforme.

E aqui, apresento a prova dos noves do que enuncio no post anterior

A canalha e os simplesmente cretinos vão ler o post abaixo e vão dizer: “Olhem como o Reinaldo tenta proteger o Kassab…” Pois é. Quero que vocês vejam o vídeo abaixo. Trata-se de uma reportagem do SPTV sobre a situação de um bairro de Guarulhos, que, a exemplo do Jardim Pantanal, está debaixo d’água desde dezembro. Ele também fica na várzea do Tietê. Também ali, não há o que fazer a não ser retirar as famílias. Insisto para que vejam antes de continuar a ler o texto.




Viram? Ignorem aquela conversa dos apresentadores, que fica ali no meio-fio do proselitismo e da demagogia. Como fica evidente, os que vão morar em áreas de risco contam, muitas vezes, com o… risco. E, parece, cumpriria ao estado arcar com os custos da decisão de cada um. Mas isso fica para outra hora. Nota rápida: os bairros construídos em áreas impróprias só se consolidaram em razão dos chamados “movimentos por moradia”, aparelhados adivinhem por que tipo de pensamento… Com medo dos “movimentos sociais” e também por demagogia, sucessivas administrações vão regularizando essas áreas e levando melhorias para lá em vez de simplesmente proibirem a ocupação.

Vejam que, também em Guarulhos, a Prefeitura oferece uma bolsa aluguel de R$ 300, como em São Paulo. Mas, a exemplo do que ocorre com moradores do Jardim Pantanal e áreas próximas, eles se negam a sair. Bem, tratarei da questão geral em outro texto. Agora, o que me interessa é outra coisa.

Cadê o deputado Carlos Zarattini?
Cadê os protestos?
Cadê a mobilização?
Cadê o Gilberto Dimenstein?
Cadê a minha musa das galochas?
Cadê o senador Eduardo Suplicy brandindo uma garrafa de água poluída, a exemplo do que fez com a enchente de São Paulo, naquela sua pantomima muito característica?

NADA!!!

Adivinhou quem intuiu que o prefeito de Guarulhos é do PT. Atenção: ele é tão culpado por esse desastre quanto é Kassab em São Paulo. Vale dizer: NÃO TEM CULPA NENHUMA! E não se resolve a coisa num estalar de dedos, mesmo Guarulhos sendo uma das cidades com o maior orçamento do país.

ESSE VÍDEO, A DESPEITO DA TEORIA UM TANTO ESGARÇADA DOS APRESENTADORES, EVIDENCIA A EXPLORAÇÃO POLÍTICA CANALHA A QUE ESTÁ EXPOSTA A QUESTÃO DAS CHUVAS EM SÃO PAULO.

E agora, mais um pouco de pesquisa, mas eleitoral.

Adelson Elias Vasconcellos

Vocês estar lembrados do grande show de babaquice tanto de parte dos governistas, quanto da imprensa que lhe é boa, sobre os últimos dados da pesquisa CBNT/Sensus e Vox Populi.

Comemorava-se um empate técnico, que Dilma estava sendo reconhecida como a dama do PAC, quqe finalmente o PAC estava mostrando sua cara, que o governo Lula isto e aquilo.

Muito bem: o tal do empate técnico, efusivamente comemorado, só poderia acontecer em um cenário um tanto irreal. Primeiro, precisava-se considerar a margem de erro: tres pontos para cima e outros para baixo. Assim, Dilma cresceria na meargem tres pontos, e Serra cairia outros tres. E isto considerado o fato de Ciro Gomes ser candidato. Sem Ciro na parada, Serra leva já no primeiro turno.

Ora o que leva esta gente apostar que, dentro da margem de erro, somente Dilma é quem cresce, e somente Serra é quem desce? Vá lá, tem quem queira acreditar em qualquer coisa.

Mas avançar um pouco sobre os números do Vox Populi, por exemplo.

Estes dados, por regiões, não foram divulgados de modo sistematizado. Nesta tabulação, estão apenas os números referentes a Serra e Dilma (alguém aí acredita que Ciro ainda será candidato?).

Primeiro turno
Centro-Oeste: Serra 36% e Dilma 25%
Nordeste: Serra 27% e Dilma 38%
Norte: Serra 31% e Dilma 26%
Sudeste: Serra 36% e Dilma 22%
Sul: Serra 39% e Dilma 24%

Segundo turno:
Centro-Oeste: Serra 46% e Dilma 36%
Nordeste: Serra 37% e Dilma 45%
Norte: Serra 40% e Dilma 34%
Sudeste: Serra 50% e Dilma 30%
Sul: Serra 48% e Dilma 28%

Serra só perde no Nordeste. Seu melhor desempenho é no Sul.

Calculando-se as percentagens em cima do número total de eleitores ( sobre 102 milhões de votos válidos estimados), teríamos:

Centro-Oeste, 9,3
Nordeste, 35,7
Norte, 9,6
Sudeste, 57,2
Sul, 19,7

Extraindo dele o número de abstenções e votos em branco ocorridos nas eleições do ano passado, teríamos o seguinte resultado final:

- Resultado do final das eleições:
Serra 56,79 %
Dilma 43,21 % .

Estes percentuais sobre os votos válidos na simulação ( 102.012.108 ) resulta nos seguintes totais:

Serra :  57.932.676 
Dilma : 44.079.431

Diferença pró-Serra: 13.532.245

Convenhamos que, para um propalado “empate técnico”, haja margem de erro para ser compensada !!!

Uma pesquisa sobre a economia brasileira

Adelson Elias Vasconcellos

O grande problema do governo Lula, como sempre se afirmou aqui, é a sua compulsão à menti9ra. Não se respeita nem mesmo o fato histórico real. Dentre deste padrão, há uma verdadeira histeria para manipulação de dados.

Não é por outra razão que FHC aceita comparações com o governo Lula, desde que, é claro, eles não mintam e nem manipulem. Dentre tantos exemplos que temos informados aqui, o último partiu de ninguém do que Guido Mantega, ministro da Economia e que, pela posição que ocupa, deveria ter um pouco mais de respeito com informações, e fosse um pouco menos descarado.

Em Davos, o ministro Guido Mantega incorreu em erro grotesco quando afirmou na cúpula do capitalismo que a média do crescimento nos anos FHC foi de 2,5% contra 4,2% dos anos Lula.

O ministro da Fazenda está bem enganado, ou estava mentindo para impressionar a plateia.

É por causa de números como os que vêm a seguir que FHC avisou que ninguém deve temer comparações com o governo do PT.

Estes são os índices de crescimento de 2003 para cá, conforme pesquisa em fontes oficiais:

- 8 anos do governo FHC, do PSDB, começando por 1995 e indo até 2002, em porcentagem:

1995 - 4,45
1996 - 2,15
1997 - 3,38
1998 - 0,04
1999 - 0,25
2000 - 4,31
2001 - 1,31
2002 - 2,60

-  8 anos do governo Lula, do PT, 2003 a 2010, em porcentagem:
2003 - 1,1
2004 - 5,7
2005 - 3,2
2006 - 4,0
2007 - 6,1
2008 - 5,1
2009 - menos 0,9
2010 - 5 (estimado).

Média de crescimento anual do PIB:

- Governo FHC – 2,31%
- Governo Lula – 3,65 %

O governo FHC pegou 5 crises selvagens globais em oito anos, contra apenas uma no governo Lula, que sozinha empurrou o PIB despenhadeiro abaixo (menos 0,9% no ano passado). Lula tem o mérito de seguir integralmente a cartilha econômica tucana, acrescido da vantagem de ter domado sua própria gente ensandecida.

Isto serve para desmitificar o discurso megalomaníaco de Lula. Mas há muito mais para ser comparado. Como venho afirmando desde sempre, a melhor comparação não pode ser sob o critério vigarista que Lula tenta emplacar. Deve-se analisar o Brasil que FHC recebeu e o comportamento da economia mundial durante seus dois mandatos, com o Brasil que Lula recebeu e o comportamento da mesma economia mundial durante seus mandatos. Somente dentro deste contexto qualquer comparação é válida. Mas duvido que Lula queira se sujeitar ao critério da verdade. Ele sabe que perde de goleada.

Dilma e os dados

Guilherme Fiúza, Revista Época

Dilma Rousseff voltou a defender a comparação entre os governos de Lula e de Fernando Henrique. Disse que é importante para a escolha do caminho a seguir. E que está muito à vontade para comparar, porque “estamos vendo os dados”.

Seria importante a candidata de Lula esclarecer a quais dados está se referindo. Como se sabe, essa questão de dados é sensível para ela. Em seu currículo acadêmico, por exemplo, surgiu um título biônico de doutora. Um dado preocupante.

Outro dado que deve preocupá-la é o das privatizações. O governo de FHC liquidou o Estado brasileiro, diz o refrão petista. O governo Lula, porém, mesmo criando uma série de novos cabides na máquina, não reestatizou nada.

Agora quer privatizar os aeroportos. Mas vai esperar a eleição passar. Por que será?

Se privatizasse logo, a brincadeira perderia toda a graça. Não faria tanto efeito atirar pedras no bicho-papão do neoliberalismo. O povo, esse ente distraído, ia ficar confuso.

Os dados dizem que a classe C cresceu, e a pobreza diminuiu. Quanto disso se deve à privatização da telefonia, que democratizou o celular e a internet? Dilma Rousseff não deve ter tido tempo de fazer essa conta.

A agenda da ministra-candidata é apertada. Muito comício, muito dossiê, muita história para contar. E ainda tem a agenda secreta, reservada a encontros sombrios com figuras como Anthony Garotinho e José Dirceu – o homem proscrito, banido, sem mandato, sem cargo, sem lenço e sem documento que, misteriosamente, continua mandando no PT e em Dilma.

Fernando Henrique escreveu um artigo pedindo um mínimo de honestidade na comparação entre seu governo e o do sucessor. Deve se incomodar um pouco ao ver Lula se gabar para os americanos do Proer (o plano de FH de socorro aos bancos, que o PT chamou de tramóia financista).

Se a roda da história continuar nesse ritmo, logo o filho do Brasil vira pai do Plano Real.

O que o ex-presidente parece desejar não é muito: que os aprendizes de Stalin peguem leve no copidesque da história. Já viu que Dilma é capaz até de apagar as árvores de Natal da Lagoa e do Ibirapuera em 2002. Se ninguém checar, eles vão retocando tudo.

E ainda há os relatórios acadêmicos diligentes, como esse último da FGV sobre ascensão da classe média baixa, curiosamente partindo sempre do ano de 2003 – a nova data do descobrimento do Brasil.

“Estamos vendo os dados”, disse Dilma Rousseff. Talvez seja o caso de alertá-la como se faz com criança em museu: olha, mas não mexe.

O falso êxito do PAC

Estadão

Por qualquer critério isento que se examinem os números da execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) apresentados na quinta-feira pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff ? sua principal gestora, batizada pelo presidente Lula como "mãe do PAC" ?, a conclusão é decepcionante. Sua execução é lenta, o que torna muito duvidoso que seja concluído no prazo previsto. A utilização de certos indicadores mascara seu baixo nível de execução. Seus principais resultados são frutos de programas e projetos de empresas estatais e privadas que seriam executados com ou sem ele. A necessária melhora na qualidade do gastos do governo, que deveria ser um de seus principais efeitos sobre a gestão financeira do setor público, não ocorreu até agora e não deverá ocorrer no último ano de sua vigência.

O PAC é um fracasso que, mesmo assim, a ministra-candidata transformou, com o entusiasmado apoio de seu mentor político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na principal peça de propaganda de sua campanha eleitoral lançada antes do prazo previsto pela legislação. Ao longo deste ano, seguramente muito será dito pelo governo sobre esse programa, mas o eleitor precisará estar atento para não ser enganado.

A ministra anunciou que, do total de R$ 638 bilhões em investimentos no período 2007-2010 previstos no PAC, R$ 403,8 bilhões, ou 63,3%, tinham sido aplicados até o fim do ano passado. É um dado enganoso. Se se considerar apenas as ações efetivamente concluídas, o resultado é bem menos animador. Em 36 meses de execução do PAC, nas obras encerradas foram aplicados R$ 256,9 bilhões, ou seja, 40,3% do total.

Isso significa que, por ano, o governo executou, em média, 13,4% do total. Para concluir o PAC no prazo, teria de executar 60% neste ano de 2010, ou seja, teria de multiplicar por 4,5 o ritmo da execução do programa. Mesmo que, como assegura a ministra, o governo tenha aprendido a gerir melhor o programa, não parece crível que consiga elevar tanto assim o ritmo, pois isso exigiria da atual gestão uma competência que ela nunca mostrou ter.

Do valor de R$ 403,8 bilhões anunciado pela ministra como realizado, é preciso destacar uma gorda parcela, de R$ 137,5 bilhões (34% do total), que nada tem a ver com obras, pois é formada por empréstimos habitacionais a pessoas físicas. São recursos oriundos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, do FGTS, do FAT e de outras fontes públicas.

Esses recursos são utilizados, em geral, na compra de imóveis usados, pois as políticas do governo para esses fundos privilegiam esse tipo de negócio. Economistas do setor privado observam que, ao contrário das vendas de imóveis novos, as de imóveis usados não resultam necessariamente na geração de emprego ou renda, como é o objetivo do PAC. Daí a estranheza com relação ao uso desses dados, o que pode ter sido feito apenas para inflar os resultados.

Outra parcela importante refere-se aos investimentos das estatais, de R$ 126,3 bilhões (31%). A Petrobrás responde pela maior fatia desses investimentos, que seriam feitos pelas estatais com ou sem o PAC, pois eles são elementos essenciais do planejamento estratégico dessas empresas.

A terceira fatia mais importante corresponde aos investimentos das empresas privadas, de R$ 88,8 bilhões (ou 22% do total), e sobre eles o governo nada pode decidir. Há, ainda, as contrapartidas dos Estados e municípios (R$ 11,1 bilhões, ou 3%) e os financiamentos (R$ 5,1 bilhões, ou 1%).

A fatia do PAC que cabe exclusivamente ao governo do PT, originária do Orçamento-Geral da União, totalizou apenas R$ 35 bilhões, 9% do que a ministra anunciou ter sido executado. Esses números mostram que, apesar de tudo que tem anunciado e apesar do PAC, o governo continua a investir pouco, bem menos do que as necessidades do País.

O padrão do gasto oficial, dominado pelas despesas de custeio, continua ruim para a economia brasileira e para os cidadãos. Melhorá-lo exige a redução dos gastos correntes, mas as despesas que mais crescem no governo Lula são com o funcionalismo, razão pela qual, tirante o PAC, é pequena a fatia que sobra para investir.

Em resumo, o PAC, mal gerido, está longe de suas metas.

Dentro do previsto: a pressão contra o Brasil por ao Irã já começou.

O texto de Jamil Chade e Denise Chrispim Marin, para o Estadão, não deixa dúvidas mas também não causa nenhuma surpresa: a comunidade internacional já pressiona o Brasil a tomar uma posição clara sobre as ações do Irã, ou de seu presidente, o destrambelhado Ahmadinejad. É claro que o Itamaraty e Lula vão ficar em cima do muro com aquele papo furado de que, antes de se impor sanções ao Irã, deve-se buscar a via do diálogo. Conversa mole. Não não há espaço para diálogo com quem deseja simplesmente a destruição de um país, no caso, de Israel.   E o presidente iraniano está, visivelmente, tentando empurrar a vigilância mundial sobre seu programa nuclear com a barriga, para conseguir o tempo necessário para avançar o quanto puder em busca da tecnologia para produção de armamento nuclear.

Por que alguns podem outros não, perguntam-se Lula e Celso Amorin. Pela simples razão de que, quem tem também tem juízo, e quem deseja ter, não tem juízo algum. Nada o impedirá de jogar ofensiva nuclear  contra Israel se puder fazê-lo.

Portanto, é bom o governo brasileiro tomar cuidado: ir contra a opinião e o desejo da comunidade internacional para impor sanções à Teerã, equivale a fechar muitas portas importantes para o desenvolvimento do país. No que, por exemplo, o Irã poderá ajudar-nos? Em absolutamente nada, a não em treinamento de terroristas. Portanto, esta aliança que Lula e Amorin alimentam tanto com o Irã, é puro delírio, para não se dizer outra coisa muito pior. É de se esperar que pensem, em primeiro plano, no interesse do Brasil, e não na sua ideologia partidária.

Segue o texto do Estadão.

Brasil é pressionado por apoio ao Irã

Diplomatas europeus querem voto unânime por sanções a Teerã no Conselho de Segurança da ONU, do qual País faz parte

Diplomatas europeus reclamam, nos bastidores, que a posição brasileira tem dificultado a imposição de novas sanções ao Irã pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU. A informação foi divulgada pelo jornal francês Le Monde em sua edição de ontem. Segundo a França, é necessária uma atuação em bloco dos membros do CS para que uma resolução seja aprovada. Só a unanimidade colocaria pressão sobre a China, membro permanente e com poder de veto, que não está disposta a apoiar novas sanções. EUA e França renovaram ontem a exigência de punição a Teerã, depois que os iranianos anunciaram planos para enriquecer seu próprio urânio.

Para ser aprovada, uma resolução precisa de 9 dos 15 votos do Conselho, incluindo os 5 votos dos membros permanentes - a abstenção não é considerada veto. Além do Brasil, que assumiu uma cadeira em janeiro, a Turquia e a Nigéria, países de maioria muçulmana, também membros não-permanentes, tendem a apoiar a continuação das negociações. O Líbano, cujo governo é formado por uma coalizão com o grupo xiita Hezbollah, é outro país que dificilmente votaria em favor de sanções ao Irã.

O Brasil havia assumido a posição de interlocutor entre o Irã e o Ocidente. O Itamaraty ainda defende um acordo para a troca de urânio enriquecido por combustível nuclear com o Irã. A diplomacia europeia, porém, aponta a atitude brasileira como um empecilho à aprovação de novas sanções a Teerã. Paris, Londres e Nova York estariam fazendo gestões para que o Itamaraty reveja sua posição.

Resposta
Na ONU, os franceses indicam que o tema vem sendo tratado entre a diplomacia europeia e a brasileira. O frequente contato entre o chanceler Celso Amorim e os diplomatas iranianos é visto como um canal de diálogo entre o Ocidente e Teerã, mas, para os europeus, o diálogo tem um "limite".

Em Brasília, o Itamaraty reforçou ontem sua posição em favor do diálogo entre o Irã e o Sexteto - EUA, França, Grã-Bretanha, China, Rússia e Alemanha - sobre o acordo de troca de urânio por combustível nuclear. Amorim disse que falou na semana passada com o secretário de Estado da França para Assuntos Europeus, Pierre Lellouche. Segundo o chanceler brasileiro, apesar da posição dura da França sobre o Irã, em nenhum momento ouviu de seu interlocutor que não havia mais espaço para o diálogo.

"Considero que não estão esgotadas as possibilidades de se alcançar uma posição comum entre o Irã e o Sexteto", afirmou Amorim, por meio de sua assessoria de imprensa. A posição indica que o Brasil não apoiará novas sanções no Conselho.

Para o Le Monde, apesar de não ser o único país a defender a continuidade do diálogo, o Brasil está "em primeiro plano" entre os países emergentes com assento rotativo no CS contrários às sanções. "O gigante da América Latina tem uma voz distinta do Ocidente sobre a questão nuclear iraniana", afirmou o jornal. "Ele (o Brasil) quer favorecer o diálogo e julga que pressões são contraproducentes."

O jornal lembra que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, visitou o Brasil quando estava sendo alvo de ataques por ter escondido da ONU um dos locais de enriquecimento de urânio. O jornal destaca os acordos comerciais assinados entre os dois países e a visita a Teerã do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcada para maio.

Há uma semana, o governo de Ahmadinejad afirmou ao Estado que quer o Brasil como seu "principal aliado político" nas Américas. A declaração foi dada pelo chefe do gabinete, Esfandiar Rahim Mashaie, principal assessor político do presidente.

"O Brasil é um aliado estratégico e temos uma coisa em comum: ambos lutamos pela independência", afirmou Mashaie. "O ponto central da política externa do Brasil é não deixar que ela seja ditada pelos outros."

Vai e vem da crise

25/09/2009: Irã revela que estava construindo uma usina nuclear secreta na cidade de Qom
1/10/2009: Apresentada proposta de enriquecimento de urânio iraniano na França e na Rússia
20/10/2009: Irã rejeita enviar material para a França
2/11/2009: Teerã exige "mudanças" para comprar combustível nuclear
12/12/2009: Irã aceita trocar urânio, mas segundo seus métodos e calendário
25/12/2009: Teerã propõe troca de material nuclear com Turquia
19/01/2010: Irã rejeita proposta para enviar seu urânio para ser enriquecido no exterior
2/2/2010: Irã se diz disposto a enriquecer seu urânio fora do país
3/2/2010: Agência iraniana de energia atômica inclui Brasil entre países para os quais o Irã aceitaria enviar urânio para enriquecimento
5/2/2010: Irã manifesta confiança de que em breve alcançará um acordo final para o envio de seu urânio ao exterior
7/2/2010: Ahmadinejad ordena que a agência nuclear iraniana comece a produzir urânio altamente enriquecido para usar em equipamentos médicos
8/2/2010: França e Estados Unidos pressionam por sanções mais duras contra Teerã

Educação para a Repressão

Nadir Cabral, Alerta Total

A gente comum não percebe o processo de implantação da cultura marxista nas escolas públicas do país, cujo objetivo é semelhante ao “Modelo nazista para a educação orientada para resultados”.

No Sul do país, um Promotor de Justiça tentou fazer face ao “movimento” de João Pedro Stédile e coibir nas escolas dos acampamentos “cartilhas” que ensinam táticas de guerrilhas para crianças, além de orientá-las nas ações de invasão de terras. O Promotor não obteve êxito, principalmente porque o tal “movimento”, dissimuladamente, não tem personalidade jurídica e os indivíduos do bando são, quando o são, processados individualmente. Mas, pasmem, há representantes do Judiciário brasileiro, premiando e se deixando fotografar ao lado do líder das invasões.

Contudo, a preocupação ultrapassa o que se ensina nesses campos de treinamento de guerrilheiros, ela adentra os portões escolares de todo o país e encontra as cabecinhas ingênuas e simples das crianças brasileiras, incapazes de censura, prontas para receberem o aprendizado doutrinário.

A desonestidade mesquinha e pensada de nossos “líderes” foi forjada nas cartilhas do revolucionário ateu Karl Marx. Como é difícil doutrinar pessoas mais velhas e experientes, o alvo a ser atingido é a criança.

A máxima “transforme o mundo por meio da transformação das crianças”, é ampla e ferozmente utilizada pelo Governo Federal. A líder da Liga dos Professores Nazistas, Hans Schemm orientava: “Aqueles que têm a juventude ao seu lado controlarão o futuro”; “Crie o cidadão de classe mundial”; “Crie um novo tipo de aluno”.

Essa trama de implantação de um regime comunista no país é velha e persistente, inicia-se por volta de 1935. O enredo obteve seu maior êxito após 1985, quando o Governo foi entregue aos civis.

O mais lamentável e digno de se fazer perder o sono, é a propaganda antimilitar que se faz durante todos esses anos, sem nenhuma resposta dessa Instituição indispensável a qualquer nação. Quando os dignos Generais ocuparam o cargo de Presidentes do Brasil, não aventaram para a necessidade de exposição honesta, das ações genocidas perpetradas pelos comunistas da Europa e da Ásia.

Quem hoje sabe que o “Ato Institucional n° 5”, foi editado em razão dos ataques terroristas que vitimaram dezenas de inocentes e de pessoas que nada tinham em comum com os revolucionários? Os terroristas de ontem, ocupam cargos de altíssima importância na Política Nacional de hoje e contribuem diretamente para o alijamento das liberdades individuais, por meio de uma educação a serviço de seus interesses menos louváveis.

A ”educação continuada” é mais uma demonstração da implantação desse modelo nazista no qual a criança e o adolescente sabem que podem cursar vários anos sem demonstrar qualquer desempenho intelectual, moral ou disciplinar, mas que no final receberá os seus certificados de aptidão para as próximas etapas. Resultado: analfabetos funcionais até nas escolas superiores.

O Estado, priorizando o tópico “educação para resultados”, programou direcionar o aluno para o primeiro emprego – “Programa Escola-Trabalho”, como fizeram os nazistas em tempo de quebra das Bolsas de Valores, 1929, antes da ascensão de Hitler ao poder em 1933, época de profundo desemprego na Alemanha.

A cartilha nazista do “Domínio da Aprendizagem", condiciona as crianças e jovens a abrir mão de sua individualidade, para cultivar o sentimento coletivista de servidores da sociedade. O indivíduo a serviço do Estado, subordinado às suas vontades e determinações, um “utilitário” da sociedade. A expressão “politicamente correto” surgiu na época de domínio nazista. Os professores de Munique eram orientados da seguinte forma: “De agora em diante não cabe a vocês decidir se algo é ou não verdadeiro, mas se é do interesse da revolução nacional-socialista”.

Não fazer uso da leitura é mais uma das orientações nazistas, cuja preocupação é definir resultados afetivos e não cognitivos. Parece que estamos falando do Brasil atual, onde o “conhecimento é publicamente condenado”, como na Alemanha de Hitler.

Invariavelmente estamos diante de um modelo de sociedade idêntico ao daquela época, cujo ataque ideológico aniquilou com a tradição do respeito hierárquico e autoridade familiar. "Apelou ao desejo da juventude de ser independente do mundo adulto e explorou o conflito de gerações e a tendência típica dos jovens de desafiarem as figuras de autoridade, sejam pais ou professores”.

Desorientar os jovens por meio de “ações chocantes”, como por exemplo, educação sexual, onde os “educadores” se valem de enormes órgãos genitais masculinos para ensinar as crianças a colocar o preservativo. No Maranhão, o Governo do Estado autorizou testes de AIDS em menores de idade, diga-se, crianças, sem a autorização dos pais, uma afronta à Constituição Federal, artigo 226, § 7º.

Tudo isto tem um significado incontestável: o (des)Governo e seu séquito, objetiva aniquilar a Lei Maior do país e implantar a “lei” totalitária do coletivismo da nova ordem mundial. Eles silenciaram a oposição, como também prevê a cartilha de Hitler. O Brasil não possui “direita”, a única direita que existiu, foi quando os Militares assumiram e se empenharam em desenvolver nos brasileiros espírito de patriotismo e de cidadania.

Certa vez, exaltada, indignada por tudo o que vem acontecendo questionei um amigo: - Bem, se à época do Regime Militar, alguns jornais brasileiros não publicavam notícias “censuradas” pelos Militares, e, ao invés disso, publicavam receitas de bolos, porque os Generais não “pagaram” para que fossem publicadas as verdades ocultas, a agenda oculta dos revolucionários em todo o mundo?

Eis a resposta: - “Imagino que não pagaram porque a formação militar é muito específica: estratégias de defesa, engenharia, informação, segurança, armamento. O ”inteligente”? = Golbery... da estratégia para a segurança nacional, criador do SNI, defensor da tolerância aos marxistas nas escolas superiores... O único que tinha sensibilidade filosofia, política, humanidades, era o Castelo Branco. O resto desprezava tudo isto. O Figueiredo gostava de cavalos. O Costa e Silva de jogar nos cavalos, o Médici gostava mesmo era de futebol. Eram pessoas comuns, gente honesta, sem os vícios da política.”

“E foi bem por isso que não pagaram aos jornais. Também por alheamento, desconhecimento ou desprezo dos estudos de psicologia aplicada do Bernays, depois dos Tavistock... acho que consideravam isso “frescura” de gringo. Não pagaram por ética e por uma repulsa ao que considerariam corrupção, uma repulsa característica dos governantes militares, devido a sua formação na caserna e desprezo às práticas políticas tradicionais dos oligarcas.”

Então, caros leitores, o momento da reflexão já passou. Temos de agir em defesa de nossas crianças e jovens, da propriedade e da liberdade. Conheço um indivíduo que em um dos momentos da História do Brasil, foi estudante primário e que teve uma coleguinha de sala que disse: “a fazenda de seu fulano será do meu pai (operário) se o Brizola ganhar as eleições”.

Preocupante, não?

(*) Nadir Cabral é Professora Universitária. Fonte: O Modelo Nazista Para a Educação Orientada Para Resultados - Autora: Berit Kjos.

A obsessão autoritária

Sandro Vaia (*) , Estadão

Está bem que um ex-porta-voz do governo lulista nos afiança, do alto de uma conversa confidencial com "um dos ministros mais importantes do governo Lula", que esse negócio de "controle social da imprensa" é papo furado. Para nos tranquilizar diz que podemos "tirar o cavalinho da chuva" porque esse negócio não vai rolar - pelo menos neste governo. (Quem duvida procure ler De onde vem tanto medo?, de Ricardo Kotscho, publicado no blog do autor e republicado no Observatório da Imprensa.)

Ufa, se estamos livres do perigo, como nos garante Kotscho, por que diabos vamos ficar insistindo nesse assunto?

Há pelo menos uma razão para isso: existe um grupo de pessoas que tem uma obsessão paranoica pela palavra "controle" (e todas as suas sequelas) e sempre que podem a encaixam em qualquer projeto em que procuram edificar um futuro glorioso para nós, para nossos filhos e nossos netos - embora não lhes tenhamos concedido delegação para tanto.

Vai que um dia a sociedade relaxe a vigilância e baixe a guarda, acreditando na palavra de "um dos ministros mais importantes do governo Lula", e elas consigam, enfim, emplacar o seu sonho dourado - que é não apenas o de controlar o que chamam pejorativamente de "mídia", mas controlar tudo o que lhes pareça controlável. Afinal, não existe ideologia esquerdista que não inclua no sonho terminal de sua utopia instalada o controle amplo, geral e irrestrito de todas as atividades humanas. Como só eles sabem onde mora o sol, generosamente querem que todos nós usufruamos sua luz.

Depois do fracasso da tentativa de emplacar um Conselho Nacional de Comunicação, usaram um projétil de nome insuspeito - Plano Nacional de Direitos Humanos-3 (PNDH-3) - para empacotar outra tentativa de controle. Controle é uma palavra que de suspeita se tornou insuportável, e até um dos ideólogos do jornalismo esquerdista, Bernardo Kucinski, professor da USP, recomendou aos companheiros que parem de usá-la. Nem a tentativa de enobrecê-la acoplando-a ao qualificativo "social" caiu bem. Enquanto o Houaiss continuar insistindo em definir "controle" como "poder, domínio ou autoridade sobre alguém ou algo", a parte da sociedade que preza o livre-arbítrio - tal qual o cachorro de Pavlov - vai continuar rosnando cada vez que ela for pronunciada.

O amigo de Lula pergunta, em seu artigo, de onde vem tanto medo, uma vez que o presidente nunca mexeu uma palha contra a liberdade de imprensa e nunca deu sinais de ser a favor da censura. Noves fora duas ou três bravatas verbais ambíguas disparadas a esmo em algum palanque eleitoral e a tentativa de expulsão de Larry Rohter, correspondente do jornal The New York Times, o presidente, de fato, nunca tomou nenhuma iniciativa concreta para calar a imprensa. Mas é verdade também que nunca tomou nenhuma iniciativa concreta para aplicar o programa do PT em seu governo. Ao permitir a edição desse calhamaço chamado PNDH-3, e assiná-lo embaixo, Lula parece ter feito o papel do psiquiatra que conduz seus pacientes a um desabafo catártico para aliviar-lhes os pesos da consciência. Já que nada mais fizemos do que continuar aplicando o programa econômico neoliberal de nossos antecessores, vamos despejar sobre a cabeça do País 29 mil palavras do mais puro malte petista, sem blended de nenhuma espécie. Se colar, colou.

Eis aí por que temos medo: puseram a caneta na mão dos inspetores de quarteirão - e, como se sabe, é deles que temos de ter medo, mais que dos chefes.

É a última chance - pelo menos neste governo - que os inspetores de quarteirão do petismo têm de pôr em prática suas ideias. Por isso no PNDH-3 estão as ideias recorrentes da vulgata petista, entre as quais as mais vistosas e típicas são estas:

O desprezo à democracia representativa, substituída por um arremedo de democracia direta, que são as conferências das "organizações sociais", por suposto, formadas pelos militantes dos partidos que apoiam o governo;

a tentativa de abastardamento do Poder Judiciário, substituído pela mediação das "organizações sociais" em casos de conflitos de invasões de terras;

a tentativa de criação de um ranking de empresas de mídia sob o aspecto de sua atuação em relação aos direitos humanos (com critérios ditados por quem? Claro, pelas "organizações sociais" controladas pela máquina partidária);

a criação de uma "Comissão da Verdade" para julgar as violações dos direitos humanos cometidas por uma - e só uma - das partes em conflito depois do golpe militar de 1964; a nomeação de uma instância sindical para atuar nos processos de licenciamento ambiental de empresas, oferecendo mais um criador de dificuldades para vender facilidades.

Os governistas estão indignados com a reação da imprensa e de muitos setores da sociedade contra os aspectos mais "controladores" do PNDH-3, pois, afinal de contas, dizem, as conclusões foram "tiradas" (é assim que se fala ainda, como nas velhas assembleias estudantis?) em dezenas, centenas, quase milhares de conferências locais, regionais, municipais, estaduais, nacionais, etc., das quais participaram 14 mil pessoas. E essa fica sendo a conta da peculiar democracia petista: se, num país de 190 milhões de habitantes, 14 mil militantes foram mobilizados para essa prática de democracia direta, o problema da legitimidade está resolvido. Pouco importa se os 14 mil foram tirados do mesmo embornal ideológico e que não tenham sido escolhidos por nenhum mecanismo representativo legitimado e reconhecido pelo resto da sociedade. O dedazo ideológico substitui a representatividade e quem for contra esse método é contra os direitos humanos, segundo o diktat petista.

Pode ser que nada disso seja para valer (o presidente já se cansou de teorizar sobre "bravatas", lembram-se?), mas é sempre bom ficar atento. O autoritarismo costuma instalar-se disfarçado de justiceiro.

(*) Sandro Vaia, jornalista, ex-diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo, é articulista do Instituto Millenium

Um dia, Talvez. Quem sabe?

Arlindo Montenegro, Alerta Total

Em vez de o preguiçoso coletivista ter vergonha de sua inveja, é o invejado quem deve desculpas por ser melhor. A total inversão dos valores, explica-se nos dias correntes, pela completa aniquilação do indivíduo em nome da igualdade coletivista. Os seres humanos passam a ser tratados como insetos gregários e o indivíduo que ousa destacar-se, passa a ser tratado como um inimigo da "sociedade".

O rico, que ralou para construir sua riqueza de forma honesta, estudando, pesquisando, trabalhando, criando empregos, fórmulas ou produtos para melhorar a qualidade de vida, executando trocas voluntárias e amparando os menos hábeis é execrado pelos invejosos. O sucesso individual é um chamariz para a cambada de incompetentes políticos e periferia burocrática que tem o poder, atrapalhar, impedir ou varrer qualquer empresa ou pessoa do mapa produtivo.

Poucos observadores percebem que as mentes revolucionárias não suportam nada fora dos parâmetros da burocracia que inventa controles cada dia mais estritos. E como os indivíduos, felizmente, são diferentes, muitos continuam perseguindo a excelência, o desenvolvimento da inteligência, altura, velocidade, talento musical, criatividade competitiva, caráter, dignidade, respeito, pesquisa, aplicação, disciplina, assim obtendo a renda necessária à sobrevida.

Alguém contou a história de um tenor, durante a Guerra Civil Espanhola, que enfrentou o pensamento comunista contrário às diferenças, sugerindo ao porteiro da ópera que subisse ao palco para interpretar as árias do repertório clássico, enquanto ele, tenor, naquele dia, assumiria a funções da portaria. “Todos são iguais! Eles omitem o principal: “iguais perante a Lei”.

Um destes treinadores de equipes de futebol poderia também, para exemplificar as diferenças de mérito e capacitação individual negadas pelos coletivistas, convidar um integrante das alucinadas torcidas organizadas, para dirigir o time por um mês.

Com esta moda do mérito negado, os estudantes estão conhecendo as tais “cotas raciais”. Aqui a lei é uma prática surrealista: os menos capazes e menos aplicados entram para o time. Os melhores ficam no banco de reservas. Já notou que os comunistas do mundo apreciador de Marx, Castro e Guevara deixam crescer a barba, adoram roupas na cor vermelho sangrento e se especializam em mediocridade e crueldade cavalar? Em cinismo e violência?

O fato é que os militantes da insensatez mental, prometem o paraíso terrestre, falam de opressão capitalista enquanto utilizam os recursos criados e disponibilizados livremente pela produção capitalista. Já que a produção socialista gorou e nada acrescentou às necessidades dos humanos que se multiplicam, os seguidores de Hitler e Stalin, como Chávez e outros que estão neste continente americano, encurralam os pobres de espírito e os pobres materiais com promessas de igualdade coletiva.

Promovem a luta de classes aplaudindo a destruição e ocupação de propriedades privadas, nas cidades e nos campos, assaltam as sedes de agro negócios, matam bois e destroem plantações e maquinário, depredam casas, edifícios e bens públicos. Com o beneplácito dos governantes, juízes e políticos: tudo é lícito aos “movimentos sociais”!

Tudo é licito para alcançar completa aniquilação da personalidade e pensamento individual, colocando em destaque a miragem da igualdade coletiva.

Por vezes este presidente semi-deus lembra aquele personagem da novela “Muito além do jardim” do polonês Jerzy Kosinski: utiliza parábolas, metáforas e conduz a gente a buscar significados ocultos onde não existe nenhuma substância. Diferente do personagem da novela, aqui não há candura, inocência, mas pura malícia de um retirante, colhido por uma máquina que o manobra de modo magistral. Nem ao menos teve tempo ou vontade para fazer um curso superior, como fizeram outros sindicalistas para soltar a língua com mais desenvoltura.

O hábito não faz o monge, como parece. E o povo sofrido do norte/nordeste, hoje ocupado por estrangeiros e sulistas na direção de agro empresas e indústrias produtivas, tecnologicamente avançadas, vai atravessar gerações antes de vencer a penúria educacional imposta aos “currais eleitorais”. Muitos vão continuar migrando temporariamente para o sul, como mão de obra barata. Um dia, provavelmente, outros vão libertar-se das peias do mslt e do bolsa família.

É este o Brasil da Nova Ordem Mundial! Em pauta o desafio da educação e da informação livre e soberana. A busca do sentimento de liberdade, característica de humanidade amadurecida. Em pauta o compromisso com a verdade, diferente do discurso dogmático dos fanáticos. A verdade que cada um descobre aos poucos, plural, suscetível das mudanças que a fortalecem.

Um dia a juventude barrada pelos cotistas, vai identificar as múltiplas mentiras que movem os poderosos. Um dia os moços no banco de reservas, vão estar conscientes de si mesmos e mais próximos das verdades dos que cultivam a vida e o trabalho construtivo, dos que cultivam o amor à família e à pátria. Gente alheia ao poder e suas armadilhas.

Confiança

Carlos Alberto Sardenberg, Estadão

EUA, Grécia e China têm sido os temas frequentes no noticiário econômico. Nos três casos, a questão de fundo é a mesma: as dificuldades da recuperação. Tirante isso, o resto é tudo diferente.

Nos EUA, na Grécia e na União Europeia (UE) em geral, o problema é a fragilidade do crescimento pós-crise. Já na China, é o contrário: o excesso de crescimento. Barack Obama anunciou na semana passada planos para estimular a criação de empregos. O governo chinês tomou medidas concretas - como alta de juros e cortes na concessão de crédito - para desacelerar produção, vendas no varejo e, sobretudo, compras de casas. Logo, vai gerar menos empregos do que cria no momento.

Aí o pessoal diz: se a China vai crescer menos, vai importar menos, e isso prejudica empresas que exportam para lá, entre as quais se incluem a Vale e a Petrobrás. Assim, caem as bolsas.

Entretanto, vai-se ver o tamanho do estrago chinês - e não é para isso tudo. Antes da crise, a China estava crescendo até 12% ao ano, ritmo já considerado excessivo. Veio o tsunami e fez o serviço sujo de desacelerar a máquina de Beijing.

Passou da conta e a economia chinesa caiu para um ritmo de expansão abaixo dos 8% ao ano - que é, segundo o governo local, o nível mínimo necessário para criar os empregos para os milhões de pessoas que se apresentam anualmente no mercado de trabalho urbano e industrializado. Em resposta, o governo lançou um programa de gastos em obras e determinou aos bancos estatais que abrissem os cofres para empréstimos a pessoas e empresas. Funcionou tanto, que, no final de 2009, a China voltara a crescer acima dos 10%, perto do superaquecimento, com ameaça de inflação e de bolhas financeiras.

Daí o programa de desaceleração anunciado neste início de ano e que assustou as bolsas pelo mundo afora, especialmente nos países emergentes, como o Brasil, que exportam muito para a China.

Mas convém reparar: vai desacelerar de 10,5% para 9% ao ano. E isso se eles conseguirem, o que não é fácil numa sociedade ávida por emprego, renda e consumo.

Exemplo: no ano passado, os chineses compraram 13,4 milhões de carros, uma expansão extraordinária, em boa parte por causa dos estímulos pós-crise - subsídios, crédito e redução de impostos. (Aliás, reparem, redução de imposto sobre venda de 10% para 5%, isso para carros com motor 1.6 ou menos. Agora, o imposto subiu para 7,5%. Mas mesmo o teto anterior, os 10%, seria uma mixaria aqui no Brasil.)

Para este ano, espera-se um mercado de 15 milhões de automóveis, com uma expansão entre 10% e 15%, que eles lá estão chamando de “mais moderada”. Em resumo: a China, se for um problema, é um bom problema.

Já a Grécia é encrenca ruim. O déficit nas contas públicas ultrapassou os 12% do Produto Interno Bruto (PIB). Para comparar: as regras da União Europeia estabelecem que esse déficit não pode ser superior a 3%.

A receita é aumento de impostos e corte de gastos, mas como fazer isso numa recessão, quando as pessoas estão mais pobres, as empresas faturando menos e boa parte da população demandando mais serviço público?

O governo já anunciou planos de austeridade, mas a credibilidade é baixa por causa de um passado de calotes e populismos.

Por outro lado, a Grécia está na União Europeia e, nesta, faz parte dos países que usam a moeda comum, o euro. Não seria do interesse da UE e do Banco Central Europeu deixar que um de seus membros caísse num colapso fiscal. Mas por que os demais governos, que já não navegam num mar de rosas, gastariam dinheiro de seus contribuintes para auxiliar uma administração desastrada?

O leitor e a leitora podem argumentar: não deve ser tão feio o estrago eventualmente causado pelo colapso de um país de menos de 11 milhões de habitantes, com um PIB em torno dos US$ 340 bilhões, menos de um quarto do PIB brasileiro.

Faz sentido. Mas, se a Europa não salva a Grécia, salvaria Irlanda, Espanha, Portugal e outros que sofrem problemas semelhantes, embora, ainda, menores? Ou seja, a questão é como a União Europeia vai lidar com déficits e dívidas públicas, sem atrapalhar a frágil recuperação econômica.

De todo modo, a Grécia já está pagando mais caro para se financiar. Títulos do governo grego estão pagando quase 7% de juros.

Já os títulos semelhantes do Tesouro americano pagam pouco mais de 2%. E o déficit público nos EUA chegou ao impressionante número de US$ 1,4 trilhão no ano passado. Impressiona pelo volume - reparem, o rombo é igual ao tamanho do PIB brasileiro - e pela proporção, equivalente a 10% do PIB americano. Mais ainda: para este ano, a previsão nos EUA é de um déficit nos mesmos níveis.

Pelos números, os EUA estão tão quebrados quanto a Grécia. E muito mais quebrados do que a Alemanha, por exemplo, com um déficit de 3,2% do PIB, e do que o Brasil - isso mesmo -, cujo déficit é inferior aos 3%.

E, entretanto, o governo brasileiro, quando coloca papéis lá fora, tem de pagar mais juros do que o Tesouro americano (estamos pagando algo como 4,5% em títulos de dez anos). O governo alemão paga um pouquinho mais que Washington, mesmo tendo situação fiscal muito superior.

O que explica isso?

Credibilidade. A estabilidade das regras nos EUA se conta por século. Mais de cem anos sem calote, sem ruptura dos contratos.

É por isso que, a todo momento de estresse no mercado financeiro, mesmo com a crise tendo seu epicentro nos EUA, o pessoal compra dólares para adquirir títulos do governo americano.

Ou seja, todo o mundo acredita quando Obama diz que vai cuidar do déficit mais à frente, quando a crise tiver passado.

O Brasil tem apenas uns 15 anos de estabilidade sem calotes. Mas já desfruta de vantagens da credibilidade. Eis uma lição a ser notada.

A Educação entrou numa fria

Arnaldo Niskier, site Cláudio Humberto

Segundo relato de historiadores como Pero Vaz de Caminha (o da carta), ao chegar ao Brasil, em 1500, o comandante Pedro Álvares Cabral, natural de Belmonte, Portugal, não se assustou muito com a nudez dos índios que frequentavam a praia (“nada cobria suas vergonhas”). Apesar de uma brisa constante, fazia calor pra valer. Os portugueses suavam em bicas e passaram a invejar a beleza dos naturais e a sua sem-cerimônia.

Poucos anos depois, já com a vinda dos primeiros governadores gerais, Tomé de Souza e Duarte da Costa, com eles chegaram os jesuítas que foram pioneiros da educação brasileira, Manuel da Nóbrega e José de Anchieta. Davam aulas ao ar livre, debaixo de árvores frondosas, iniciando o processo de catequização dos nossos indígenas. O calor dos trópicos era secundário. Como escreveu Caminha, “a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados.”

Não se sabe, apesar de alentadas pesquisas, do caso de algum cacique mais afoito que tenha reivindicado a colocação de ar-condicionado ou mesmo um simples ventilador, nos locais de aprendizado. Também ainda não tinham inventado os maravilhosos eletrodomésticos de hoje, nem o original sistema de financiamento em 10 vezes (ou mais).

Lembro nossas origens para depois passar por grandes educadores que viveram no Rio de Janeiro, sem o conforto dos aparelhos de ar-condicionado. Não consta da nossa história que o Instituto de Educação, glória da pedagogia fluminense, tenha precisado disso para oferecer o melhor ensino do Brasil. A ele bastava o talento de Fernando Azevedo, por exemplo, e outros saudosos educadores na sua congregação.

Anísio Teixeira criou a Universidade do Distrito Federal, matriz da UFRJ, e não há registros de que, no seu apreciado planejamento, tenha mandado adquirir aparelhos que aumentassem o conforto dos professores. Era um homem comprometido com novas ideias pedagógicas. Assim o Rio tornou-se capital do Brasil e o centro mais importante da sua educação, detendo por anos a fio o melhor índice médio de instrução do país. O Colégio Pedro II, padrão de excelência, contribuiu para isso.

Hoje, com a educação decadente e índices lamentáveis no “Prova Brasil”, especialmente em língua portuguesa, o Rio de Janeiro parece se orgulhar da compra de centenas de aparelhos de ar-condicionado para colocar em algumas escolas fluminenses. Quem vai pagar a conta do consumo, ainda não se sabe. Nem como será feita a complicada manutenção, sobretudo em cidades do interior. Sem aumentar significativamente os salários dos professores, há dois anos, alegando falta de verba, o governo compra computadores, microfones e aparelhos de ar-condicioanado, como se isso fosse melhorar a qualidade do ensino, que carece de providências estruturantes, ainda longe de serem tomadas.

Não se conhece um só caso da educação mundial em que a qualidade do ensino foi substancialmente aperfeiçoada graças `a existência de luxuosos aparelhos de ar-condicionado. Ao contrário, sempre houve crescimento quando professores e especialistas receberam melhores salários. É preciso ponderar sobre isso.

(*) Arnaldo Niskier - é da Academia Brasileira de Letras e presidente do Centro de Integração Empresa-Escola/RJ.

Enem: via-crúcis de um candidato

Mariana Mandelli e Carlos Lordelo, Estadão

Os últimos meses do aluno André Lobas se confundem com os percalços da prova; a cada etapa, um obstáculo

Se o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tivesse um rosto, poderia ser o do estudante André Lobas, de 18 anos. Seus últimos meses se confundem com os percalços enfrentados pela prova: a cada novo imprevisto do Enem, um novo problema. Das inscrições à divulgação dos resultados finais, o estudante vivenciou os tropeços de todas as etapas de implantação do novo exame.

O primeiro obstáculo chegou em julho de 2009. As tumultuadas inscrições pela internet tiraram o sono de André e de milhões de candidatos que tentavam acessar o site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). "Levei dois dias para entrar no site."

O vazamento da prova, revelado pelo Estado em outubro, mudou a data do Enem para 5 e 6 de dezembro e atrapalhou o cronograma dos vestibulares escolhidos por André. Seus principais alvos, Fuvest e PUC desistiram de usar o resultado do exame para compor as notas dos candidatos. Além disso, os novos dias coincidiram com o vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A instituição transferiu a prova para 19, 20 e 21 de dezembro, datas da segunda fase da Unesp, que André também prestaria. "Tive de optar e acabei desistindo da Unesp."

André teve ainda prejuízo financeiro. Além de perder os R$ 110 da inscrição da Unesp, a troca de passagens para Florianópolis, onde foi a prova da UFSC, custou R$ 244 a mais. "E eu tinha comprado bem antes, na promoção."

Com a troca da data veio também a mudança do local de prova: da zona norte para a sul de São Paulo. Morador do Limão, ele teve de ir ao Itaim Bibi. "Eu pude contar com a carona dos meus pais. Imagino a situação de quem não pôde." A distância triplicou: de 7 km para 21,3 km.

Após fazer a prova, André passou pelo estresse de usar o gabarito errado, divulgado pelo Inep, para corrigi-la. "Depois de tanta coisa, nem me surpreendi com isso", conta.

O congestionamento no site do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) também não foi surpresa para ele, que levou dois dias para efetuar a inscrição na Universidade Federal do ABC para Ciências e Humanidades. Ele não conseguiu a vaga e vai cursar Direito na PUC.

O saldo da experiência com o novo Enem é negativo. "Foi uma decepção porque acreditei no projeto." Para ele, o exame perdeu a credibilidade. "Agora o Enem tem de mostrar que merece novamente a confiança."

Futuro
No ano passado, o Enem deixou de ser apenas uma avaliação do aluno e de escolas para ganhar um formato que poderia ser usado como seleção unificada de instituições federais. Para educadores, os problemas desta edição não devem mudar o projeto do exame.

De acordo com o especialista em avaliações Francisco Soares, o que precisa mudar é a logística do processo, não a proposta. Já a ex-presidente do Inep Maria Helena Guimarães de Castro critica o papel assumido pelo Inep, de aplicar e corrigir provas. "Assim o MEC se descuidará de sua principal função: formular e coordenar as políticas públicas de educação", afirma Maria Helena.

Curso básico de Brasil

J.R. Guzzo, Revista Exame

Quer o calendário que coincidam, no começo de cada ano, os aumentos de impostos das prefeituras municipais com a temporada de chuvas de verão. Quis o destino que, neste ano de 2010, a prefeitura de São Paulo conseguisse juntar um dos aumentos mais infames já praticados na sombria história do imposto predial e territorial urbano com uma série devastadora de temporais, os piores que a cidade viveu nos últimos anos. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, sabia que ia aumentar o IPTU, e aumentar muito. Sabia também que ia chover. Mas não sabia que ia chover tanto, durante tantos dias seguidos, e que os prejuízos seriam tão arrasadores como foram ao longo de todo o mês de janeiro. O resultado é que as notificações do IPTU de 2010, caprichosamente, começaram a chegar aos paulistanos justo na pior hora possível: com a cidade debaixo d’água, a prefeitura impotente e a certeza de que o cidadão, em troca do mesmo serviço miserável que recebe do poder público, está pagando cada vez mais caro pelo direito de morar, trabalhar ou tocar um negócio em São Paulo.

A combinação de impostos municipais crescentes com as perdas materiais devastadoras que castigam indivíduos e empresas a cada enchente está empurrando cada vez mais para o alto o custo de São Paulo, com impacto direto na atividade econômica da maior cidade brasileira. Naturalmente, prefeitos e seus pajés da coletoria fiscal do município estão sempre atentos à lei da oferta e procura, e têm sido peritos em jogar com ela. São Paulo, para vastos setores de sua economia, continua sendo uma cidade altamente competitiva - em muitos casos, a mais competitiva do Brasil. Apesar de todos os seus custos, tem vantagens que não podem ser encontradas em outros grandes centros do país, ou atrativos superiores aos da concorrência; para um grande número de empresas, e consequentemente de cidadãos, estar em São Paulo é uma condição para a sobrevivência. O resultado, do ponto de vista fiscal, é que “sempre dá” para aumentar os impostos locais; os contribuintes, afinal, precisam da cidade. O raciocínio da prefeitura, nunca reconhecido em público e sempre exercitado na prática, poderia ser resumido no seguinte lema: “Eles acabam pagando”.

Naturalmente, essa postura de governo é servida ao público em meio a doses maciças de tapeação, a primeira das quais é sustentar, com o maior sangue-frio do mundo, que não está havendo um aumento do IPTU; na verdade, afirmase mesmo que há uma redução e, no fundo, que é uma grande sorte para todos que a prefeitura tenha sido tão bondosa nos cálculos utilizados para fixar o montante a ser pago em 2010. É assim, por exemplo, que a primeira frase da notificação de lançamento ora em vias de distribuição diz que “neste ano, mais 224 000 imóveis não pagam IPTU na Cidade de São Paulo” - ou seja, a prefeitura imagina-se capaz de convencer o contribuinte que está executando um projeto social, e não um aumento de imposto. A palavra “aumento”, aliás, não é empregada uma única vez; o que está havendo, no léxico da autoridade municipal, é uma “revisão” que “atualiza” os valores a serem pagos. Para completar, a prefeitura garante, como se estivesse fazendo um gesto de generosidade extrema, que o “reajuste” não vai ultrapassar “30%” para os imóveis residenciais e “45%” para os não residenciais. Não há nenhum aumento de custo, de uma ponta a outra da economia brasileira, remotamente comparável a esses números; que sindicato, por mais tresloucado que fosse, seria capaz de reivindicar um “reajuste” salarial de 45%? Mas os coletores de impostos de São Paulo nem sequer percebem a enormidade do que estão falando. Quanto às enchentes em si, por fim, nenhuma novidade. Desde que caiu a primeira gota de chuva, a prioridade absoluta do prefeito Kassab tem sido repetir, todos os dias: “A culpa não é nossa”.

O encontro das águas e dos impostos em São Paulo serve de excelente curso básico para aprender por que o Brasil funciona tão mal, devagar e fora do prumo.

No massacre dos trabalhadores e aposentados da Varig a verdadeira natureza do governo Lula

Pedro Porfírio

"O tempo é justiceiro e volta a pôr tudo no seu devido lugar". Voltaire, pensador francês (1694-1778)

No novo capítulo, a AGU admite que acordo era uma trapaça para evitar julgamento no STF

O crime continuado cometido pelo governo Lula contra os trabalhadores da Varig e seus aposentados e pensionistas acaba de exibir um dos seus capítulos mais perversos, reforçando tudo o que tenho dito sobre a grande fraude política implantada em nosso país por um governo que é capaz das maiores indignidades contra o povo.

É algo tão monstruoso, tão repugnante, que me obriga a pedir o julgamento sereno de todos, inclusive dos que acreditam que o governo de petistas & cooptados representou um avanço no campo das conquistas sociais.

Mostra a dupla face de um processo deliberado de massacre de uma categoria numa operação coordenada que se dá com a conivência ostensiva do sindicato, cujos cabeças foram previamente imobilizados com a concessão indevida e imoral de um benefício inscrito na Constituição de 1988 como uma reparação destinada exclusivamente aos que comprovadamente tiveram suas vidas profissionais afetadas e destruídas na ausência do regime de direito.

Refiro-me neste instante à resposta cínica da Advocacia Geral da União à consulta de Cristiane Gonçalves sobre a abertura de negociações, forçada às véspera do julgamento no STF de um processo que se arrasta há exatos 18 anos, cuja decisão seria fatalmente desfavorável ao governo, como aconteceu em 1957, em pleito semelhante reclamado pela Transbrasil.

O leilão como ponto de partida
Para você que não conhece os detalhes, vou tentar recapitular de forma sumária: desde 20 de julho de 2006, quando a Varig foi entregue de mão beijada a um fundo de investimentos norte-americano, representado pelo chinês La Chan, num leilão de 30 segundos pela existência de um único participante, seus trabalhadores foram para o olho da rua sem direito sequer aos salários atrasados.

A Varig foi a primeira empresa a ser levada ao garrote vil com a aplicação da Lei 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, votada pelo rolo compressor parlamentar capitaneado pelo PT, que excluiu os trabalhadores como credores prioritários, tal como constava no Decreto-Lei nº 7.661/45, revogado pelo artigo 200 dessa nova Lei.

Numa Vara empresarial, a questão dos trabalhadores passou a ser totalmente subordinada à nova legislação, cujo escopo era permitir o sacrifício dos direitos trabalhistas ante a eventual possibilidade de "recuperação da empresa".

O leilão foi ordenado pelo juiz Luiz Roberto Ayub, da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que trabalharia sob a égide de uma Lei ainda sem precedentes. Mas teve a concordância formal do Sindicato dos Aeronautas, cuja presidente, Graziela Baggio, gozava de uma "segunda anistia", obtida em 2004, que lhe garantia uma pensão vitalícia de R$ 7.300, reajustável anualmente e com direito aos "atrasados" de R$ 648 mil, por ter sido demitida numa greve na Vasp em 1988, tendo deliberadamente recusado a reintegração na empresa, que foi garantida em 1989 a todos os 27 punidos durante o movimento (Falarei com detalhes sobre essa impostura em outra matéria).

A dívida do governo no STF
A partir do leilão, com decisões judiciais que excluíam a Justiça Trabalhista do caso, as esperanças dos trabalhadores e aposentados se voltavam para a dívida do governo com a Varig, provocada pela defasagem tarifária do Plano Cruzado, que poderia chegar a mais de R$ 6,5 bilhões.

A Varig é devedora de quase R$ 4 bilhões ao Aerus, fundo de pensão dos seus trabalhadores, que está sob intervenção e virtualmente falido. As tratativas feitas a partir da insolvência previam que, com o a decisão sobre a dívida proferida pelo STF, o fundo teria recursos para honrar seus compromissos com 11 mil beneficiários.

No dia 24 de março de 2009, às véspera do último julgamento - Varig ganhara nas instâncias inferiores - o então advogado geral da União, José Antonio Dias Toffoli, pediu a suspensão, prometendo uma proposta de acordo num prazo de 60 dias, no que contou mais uma vez com o servil beneplácito do que resta dos sindicatos da categoria.

Pesava ainda contra o governo decisão do Superior Tribunal de Justiça, de 2006, que considerou a União responsável pela complementação do pagamento dos benefícios dos aposentados da Varig.

Passaram-se 60, 120, 240 dias e nada. A manobra torpe e desumana criou mais uma vez uma angustiante esperança entre os trabalhadores que ainda estão a ver navios e os massacrados do Aerus, que vivem uma situação de penúria desesperadora: desde a intervenção, em abril de 2006, morreram 341 beneficiários, aumentando em 41% o número de óbitos por ano. Aconteceram alguns suicídios, outros morreram de depressão profunda, muitos faleceram por falta de assistência médica adequada.

A cara cínica da torpeza
E o acordo? José Antonio Dias Toffoli catapultado ao Supremo aos 41 anos, trocou de cadeira para uma em que permanecerá até os 70, enquanto a possibilidade de uma solução que garantiria direitos elementares de trabalhadores e aposentados virou um grande e perverso engodo.

Isto ficou claro na informação prestada pela mesma Advocacia Geral da União que tomou a iniciativa de acenar com tal acordo. Numa reviravolta que não me surpreende, conhecendo as peças que estão à frente do governo, o "ouvidor" da AGU informou do sepultamento da solução prometida:

"Todavia, conforme restou demonstrado no Relatório Final do Grupo - entregue aos patronos dos sindicatos - e, sem embargo dos esforços empreendidos pelo Grupo de Trabalho, foi identificado óbice intransponível à realização do acordo, qual seja a impossibilidade de realizar qualquer transferência de recursos para o Instituto AERUS, tendo em vista a norma inserida no artigo 100, da Constituição Federal, relativa ao sistema de precatórios judiciais. No mesmo sentido, inclusive, é a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que ao interpretar o referido dispositivo constitucional, afasta qualquer possibilidade de eventual acordo judicial se sobrepor à ordem de apresentação dos créditos, decorrentes das sentenças transitadas em julgado. Assim é que, por estrita obediência às diretrizes legais e constitucionais, o Grupo de Trabalho deixou de apresentar proposta de acordo."

Diante dessa alegação, no mínimo poderíamos inferir que o ministro José Antonio Dias Toffoli e os "patronos dos sindicatos", a terem frequentado uma faculdade de Direito, sabiam de antemão desse patético desfecho, isto é, que a oferta do acordo era uma farsa destinada tão somente a tirar a matéria da pauta do STF. A própria Constituição é apontada como entrave à solução prometida "sob juramento" e com o aval dos sindicatos, como compensação pelo adiamento da decisão judicial.

Este é um fato concreto e demonstra claramente a má fé crônica dos canastrões que chegaram ao poder em nome da classe trabalhadora, mas que a traem sistematicamente, embora esperem ter o apoio das próximas urnas para nele perpetuarem-se.

A falácia da Recuperação Judicial da Varig

Paulo Resende.Comissário Aposentado da Varig.

Em 2006 quando a Varig estava em situação muito crítica houve o Leilão da Empresa no dia 20 de julho de 2006. A última reunião de credores Varig para que o Leilão fosse feito foi realizada três dias antes no Hangar da Varig no Santos Dumont. Mesmo local para a realização do Leilão da Empresa. Neste dia houve a separação da Varig em duas partes. A parte boa foi vendida para o Grupo Volo por 24 milhões de dólares. Este grupo composto por um testa de ferro chamado Lap Chan e mais sócios adquiriram a parte boa da empresa por estes 24 milhões de dólares. Nove meses depois apoiado pelo Governo Federal e pelo advogado amigo de Lula ( Roberto Teixeira ) a parte boa da Varig, que tinha sido vendida por 24 milhões de dólares para o Grupo Volo, foi revendida para o Grupo Gol ( Constantino Junior ) por 320 milhões de dólares. Uma jogada e tanto. Compra-se uma empresa por 24 milhões de dólares e nove meses depois revende esta empresa por 320 milhões de dólares.

Os funcionários da Varig que estavam na ativa começaram a serem demitidos logo no início de agosto de 2006.

O principal responsável pela Recuperação Judicial da Varig, o Exmo. Juiz Luiz Roberto Ayoub, autorizou e concordou com esta venda para o Grupo Volo. Ele em duas palestras que tive a oportunidade de assistir disse que se não houvesse esta venda e que não houvesse a Recuperação Judicial da Varig os trabalhadores da ativa pouco receberiam. Ele sempre afirma que se houvesse a falência da empresa VARIG a coisa estaria muito pior para todos os seus trabalhadores. Criou-se então com a tal Recuperação Judicial uma empresa ( Batizada de FLEX ) que é senão a Antiga Varig com a parte ruim herdada da mesma. A Flex ficou com as dividas da Antiga Varig que somavam na época mais de 7 bilhões de reais.

Esta tal Recuperação Judicial não permitiu até hoje que os Trabalhadores da Ativa recebessem suas rescisões trabalhistas. Com este Leilão e com a Antiga Varig dividida em duas partes ( boa e ruim ) os seus funcionários ficaram com uma mão na frente e outras atrás.

Vide os Aposentados do Fundo de Pensão Aerus que desde o dia 12 de abril de 2006 estão, a cada dia que passa, passando por sérias dificuldades.

Antes que a Varig fosse dividida em duas partes os trabalhadores da Varig já tinham sido atingidos por esta tragédia que foi a Intervenção e Liquidação dos Planos I e II da VARIG no Instituto Aerus. A Varig foi leiloada praticamente três meses depois da Intervenção do Fundo de Pensão Aerus.

Em menos de três meses ( Abril a Julho de 2006 ) praticamente os funcionários da VARIG ficaram e estão até hoje em situação desesperadora.

Lógico que o Exmo. Juiz Luiz Roberto Ayoub ao ler ( se chegar até ele o mesmo ) este texto vai me criticar. Pouco me importa se o Exmo. Juiz, responsável por esta falácia que é a tal da Recuperação Judicial da Varig, critique a minha pessoa.

Em 2007 ele, Exmo. Juiz Ayoub e mais convidados ( inclusive entre estes convidados estava a Presidente do SNA senhora sindicalista Graziella Baggio ) participaram do primeiro voo da nova empresa Flex.

Naquela época até eu torci para que este primeiro voo inaugural da nova empresa ( saída da antiga Varig ) desse certo e que a Flex ressurgisse das cinzas.

Que a Antiga VARIG ( agora batizada de FLEX ) ressurgisse das cinzas assim como o Fênix.

Ledo engano, pois até hoje a Flex só possui um avião ( arrendado ) e não decolou. Sabemos que a Gol está ajudando a tal de Flex a se manter. O Exmo. Juiz Ayoub responsável por esta falácia que é a tal de Recuperação Judicial não decretou até hoje a falência da empresa. Se um dos credores da Varig for na justiça e pedir a falência da antiga VARIG ( hoje FLEX ) aí a coisa vai ficar feia e muito feia. O Exmo. Juiz Ayoub mantém a tal de Recuperação Judicial da Antiga Varig mesmo que esta tal de Recuperação não tenha dado em nada.

A Varig, símbolo nacional com 79 anos de experiência no Brasil e no Mundo e que serviu ao Brasil e a seu Povo durante estas quase 8 décadas, foi massacrada e espezinhada num jogo muito bem armado e muito bem articulado. Desde jogo participaram ativamente o Governo do Senhor LULA, membros importantes do seu Governo ( O senhor José Dirceu a senhora Dilma Rousseff, o senhor José Alencar e outros menos votados), o SNA - Sindicato Nacional dos Aeronautas - com o SIM dado para a venda da VARIG para o Grupo Volo pela Presidente do SNA ( Senhora Graziella Baggio ) sem ter apresentado ressalvas a mesa que viessem a proteger os aposentados e pessoal da ativa ( Esta senhora sindicalista e seu SNA entraram com uma liminar no dia da última reunião de credores Varig, três dias antes do Leilão para o Grupo Volo, para impedir que o Grupo Trabalhadores da Varig votassem ), o último presidente da Varig senhor Marcelo Bottini e outros menos votados.

Tudo isto foi feito com a concordância do Exmo. Juiz Luiz Roberto Ayoub.

Este Juiz, que acabou dando o aval dele para a venda da Varig em 20 de julho de 2006 para o Grupo Volo, não aceitou de início, em 08 de junho de 2006, a única proposta feita neste dia pelo Grupo Trabalhadores Varig. O mesmo só veio a dar o seu aval para este primeiro leilão da Varig 11 dias depois. O primeiro leilão foi efetuado em 08 de junho de 2006 e o Exmo. Juiz Luiz Roberto Ayoub só veio dar o aval no dia 19 de junho de 2006. E logo em seguida acabou declarando que o primeiro Leilão da empresa Varig, que ele tinha dado o aval 11 dias depois, não estava válido. Voltou atrás e disse para todos que os interessados e únicos a apresentar uma proposta no Leilão do dia 08 de junho de 2006 ( Grupo Trabalhadores Varig ) não tinham o dinheiro necessário para a compra da empresa. Não tinham o dinheiro e pronto. Não há mais leilão e este leilão não mais existe. Vamos partir para outro leilão.

Quer dizer que ele, Exmo. Juiz Ayoub, concorda com a venda ( eu estava presente no Fórum da cidade do Rio de Janeiro no dia 19 de junho de 2006 ) e assisti ele dizer para o pequeno grupo de funcionários da VARIG que lá estavam presentes assim como eu que a Varig estava vendida para o Grupo Trabalhadores da Varig. Logo depois cancelou tudo e a Varig foi vendida um mês depois para o tal Grupo Volo.

Não sei ou ninguém sabe porque houve esta mudança do Exmo. Juiz Luiz Roberto Ayoub em sua primeira decisão. Não sei e ninguém sabe se ele foi chamado por autoridades do Governo para que a VARIG não fosse vendida para os seus Trabalhadores. Pode ser que ele tenha sido pressionado por altas autoridades governamentais. Mas isto é mera especulação da minha cabeça. Estou ficando maluco ou fantasiando histórias com esta tal venda da Varig em leilão e com a intervenção e liquidação dos Planos I e II da VARIG. Devo estar vendo muito fantasmas atualmente.

Para terminar digo e afirmo: Os trabalhadores da VARIG foram os mais prejudicados nesta tal venda da VARIG em leilão no dia 20 de julho de 2006 ( vai fazer 4 anos no dia 20 de julho de 2010 ). Os trabalhadores da VARIG, num governo dito dos trabalhadores, foram os mais prejudicados, espezinhados, ludibriados e humilhados.

Até hoje os demitidos da Varig não viram a cor do dinheiro de suas rescisões trabalhistas. Até hoje os trabalhadores da VARIG não sabem o que se arrecadou com a venda de obras de arte da Varig em 2007. Responsabilidade também do Exmo. Senhor Juiz Luiz Roberto Ayoub.

O Exmo. Juiz Ayoub deve estar muito bem, obrigado. Lógico que ele pode ter tido toda a boa vontade para que tudo desse certo e que os trabalhadores da Varig saissem bem desta triste história. Infelizmente, Caro e Exmo. Juiz Ayoub, o que vemos até hoje é os Trabalhadores da VARIG a cada dia que passa mais e mais prejudicados. Isto o senhor não pode me desmentir.

Realmente a tal de Recuperação Judicial, tão apregoada e defendida pelo senhor, não fez efeito até hoje. O senhor pode até achar que estou delirando e ficando maluco, mas há de concordar que a Varig ( primeira empresa a entrar na nova lei de falência - a tal da Recuperação Judicial ) até hoje não se recuperou de nada x nada. UMA FALÁCIA............

Por isto o título deste pequeno artigo se chamar:" A FALÁCIA DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA VARIG ".

PS: "Os trabalhadores da Varig continuam a passar por privações e mais privações nesta triste história". Ninguém sabe até quando. 341 já faleceram sem verem esta história, ou melhor, sem verem esta tragédia silenciosa terminar.