terça-feira, junho 05, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Fundos de pensão têm novas regras de investimentos

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou ontem mudanças nas regras de investimentos dos recursos das entidades fechadas de previdência complementar (EFPC), os chamados fundos de pensão. Entre as mudanças está a autorização para que os Fundos de Pensão invistam 100% do patrimônio do plano nos chamados fundos previdenciários, recentemente regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Esse tipo de aplicação terá "tratamento diferenciado" em relação à entidade fiscalizadora, a Secretaria de Previdência Complementar (SPC), pois bastará ao Fundo de Pensão informar em quais fundos previdenciários está aplicando os recursos.

Quando não aplicarem 100% dos recursos em fundos previdenciários, as entidades terão que abrir o carteira de investimentos desses fundos e somar às aplicações próprias para efeito de enquadramento nos limites estabelecidos na lei.

No caso de aplicação total em fundos previdenciários, o CMN estabeleceu que somente 35% dos recursos das EFPC poderão ser direcionados para os fundos que priorizam investimentos em ações.

Outra mudança foi a permissão para que os fundos de pensão comprem títulos emitidos no mercado doméstico por organismos multilaterais, como por exemplo International Finance Corporation (IFC), que planeja fazer uma emissão no País, e o Banco Mundial (Bird).

Segundo o coordenador-geral de Mercado de Capitais e de Previdência da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Silvio Holanda, esta autorização obedecerá aos limites de aplicação dos fundos de pensão em títulos de renda fixa do setor privado, que é de 80% do patrimônio de cada plano de benefícios.

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Setor aéreo: ritmo de carroça
Cláudio Humberto

A CPI do Apagão Aéreo (aquela, com aroma artificial de pizza) ainda não disse a que veio, mas desnudou o marasmo - ou o descaso - que tomou conta dos órgãos responsáveis pelo setor. A última reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) ocorreu em 2003, quando o ministro da Defesa ainda era o embaixador José Viegas. De lá para cá, poucas das 18 resoluções para o setor, determinadas no encontro, foram implementadas.

O Ministério da Defesa informa que as resoluções não implementadas no setor aéreo estão "sob análise". Em tratamento psicanalítico, certamente.

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Japão: Geração perdida
Revista EXAME

Pouco mais de três milhões de japoneses entre 25 e 34 anos vivem de subempregos ou contratos temporários -- número duas vezes maior do que o registrado há dez anos. Eles fazem parte da que ficou conhecida como geração perdida: jovens com diploma universitário que chegaram ao mercado de trabalho em meio à estagnação econômica que abalou o Japão a partir do final da década de 80. Sem oportunidades, eles trabalham por um terço do salário de um funcionário com carteira assinada e sem benefícios. Para tentar reverter esse quadro, o governo japonês está oferecendo 2 500 dólares para cada empregado que as empresas contratarem nessa faixa etária e vai dobrar para 50 o número de agências de emprego no país.
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A Palavra... OXÍMORO
Sérgio Rodrigues, NoMínimo

Oxímoro
Oxímoro (ou oximoro, cada sábio prefere uma pronúncia) é uma das figuras de linguagem mais fortes do arsenal da retórica, aquela em que um termo da expressão desmente frontalmente o outro. Encontra sua mais famosa aplicação literária em português no “contentamento descontente” de Camões. Maluquice de poeta? Não, o oxímoro nunca foi exclusividade dos artistas da língua, como lembra o teórico de literatura Massaud Moisés, citando a expressão popular “ilustre desconhecido”. Outra prova de que essa antítese concentrada pode aparecer em qualquer ramo de atividade – talvez com maior freqüência ainda no Brasil, país oximoroso – é o oxímoro de alto calibre que tem freqüentado o noticiário nos últimos dias: Conselho de Ética do Senado.

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Estatais deverão usar TV digital interativa

MATA DE SÃO JOÃO (BA) - O governo planeja colocar as estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, para incentivar a TV digital interativa, que oferece serviços parecidos com os da internet. "Se for necessário, vamos usar as estatais para lançar a interatividade, na TV pública", disse o assessor especial da Casa Civil, André Barbosa Filho. No mês passado, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, anunciou que a TV digital vai estrear em 2 de dezembro, em São Paulo, sem a interatividade.

O problema é que as normas da TV digital acabaram de ser definidas e o middleware Ginga, software desenvolvido no Brasil que permite aos serviços interativos funcionarem em qualquer aparelho, ainda precisa ser transformado de protótipo em produto "As universidades falam em quatro meses, quando as consultorias diziam que levaria um ano", destacou Barbosa, que participou do 51º Painel Telebrasil, na Costa do Sauípe (BA). "Talvez em março ou abril os conversores cheguem ao mercado."

Os conversores, ou set-top boxes, serão equipamentos para converter o sinal digital em analógico, que vão permitir aos consumidores manterem seus televisores atuais. Eles se parecem com as caixas usadas pela TV paga. Os conversores terão conectores no formato USB e poderão ser ligados a acessos de banda larga, modems de linha discada ou celulares, para terem interatividade plena, com o envio de informações da casa do espectador à emissora.

As redes comerciais de TV não estão interessadas na interatividade, por enquanto. Temem abrir espaço para serviços como o IPTV, sigla de televisão por protocolo de internet, em que o sinal de vídeo chega ao televisor por uma conexão de banda larga. Mas interatividade desperta interesse nos bancos. Duas empresas vão demonstrar serviços bancários via TV no Ciab Febraban 2007, da Federação Brasileira dos Bancos, na semana que vem, em São Paulo.

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Três cidades se destacam nas acusações de corrupção
Da Folha de S.Paulo

"Se houvesse um ranking medindo as acusações de corrupção nos municípios, Presidente Vargas (MA), Colniza (MT) e Guarujá (SP) poderiam ocupar os primeiros lugares.

Já em Milagres (BA), a prefeitura escolheu uma forma diferente de prestar contas à população -as três placas de outdoors da cidade servem para divulgar seu balanço bimestral.

Com 10,7 mil habitantes, Presidente Vargas (102 km de São Luís) viu oito dos seus noves vereadores terem a prisão preventiva decretada, em maio, pela Justiça, acusados de receber R$ 1.000 por mês do então prefeito Raimundo Bartolomeu Aguiar (PSC) para deixar de fiscalizar as contas dele.

A investigação do desvio de dinheiro resultou do inquérito que investigou o assassinato do prefeito com três tiros em março: dois dos vereadores acusados de receber propina foram denunciados por participação na morte do prefeito.

A viúva de Bartolomeu disse à polícia que viu o marido entregar o talonário de cheques assinados em branco da conta corrente da prefeitura a um deputado estadual. Durante as investigações foram localizados cheques da prefeitura usados na compra de um terreno em nome de outro deputado."

O México é exemplo para nós?

Por Marcelo Onaga, EXAME

“Nas últimas décadas, o México tem funcionado como uma espécie de laboratório à distância para a economia brasileira. Práticas adotadas pelos mexicanos tornaram-se exemplos para várias medidas implantadas mais tarde por aqui. Exemplos nem sempre sadios, é bom lembrar -- caso do desastrado calote na dívida externa, decretado em 1982 pelo então presidente José López Portillo, e copiado cinco anos depois pelo brasileiro José Sarney. Bem mais positiva foi a inspiração mexicana, no final dos anos 90, para a adoção pelo Brasil do regime de câmbio flutuante e metas de inflação após a conturbada desvalorização do real, um script semelhante ao seguido com sucesso pelo país vizinho anos antes. Agora, em meio ao intenso debate sobre a possibilidade de o Brasil conquistar o grau de investimento concedido pelas agências de avaliação de risco, o México volta a ser lembrado como modelo do que pode ocorrer na economia brasileira (...)”.

“(...) Ostentando o grau de investimento desde março de 2000, quando a agência Moody's reconheceu um aumento em sua capacidade de honrar compromissos, o México é um exemplo de que estabilidade econômica e credibilidade trazem grandes benefícios, como a queda acentuada dos juros. Mas que, sozinhas, essas melhorias não têm a capacidade de fazer a economia crescer de forma sustentável e prolongada. Desde que atingiu o grau de investimento, o México viu sua taxa básica de juro cair dos cerca de 20% ao ano no começo de 2000 para 7,5% em março deste ano. A taxa real, descontada a inflação, está em torno de 3,5% ao ano, semelhante à de muitos países desenvolvidos. Juros nesse patamar habitam os sonhos de muitos economistas e empresários brasileiros, que vêem nas taxas baixas a panacéia para problemas como o fraco crescimento da economia do país. O caso mexicano, no entanto, mostra que não é bem assim. O produto interno bruto (PIB) do México cresceu, em média, 2,9% nos últimos sete anos, já sob os efeitos da obtenção do grau de investimento. Menos que os já pífios 3,1% do Brasil no período e metade dos cerca de 6% da média dos países emergentes(...)”

“(...) Não é simples comparar diferentes países e tentar tirar ensinamentos que possam ser transportados para outra realidade. A economia brasileira é mais bem estruturada, sofisticada e diversificada, tanto em termos de atividades quanto de mercados consumidores. Os mexicanos dependem fundamentalmente da exploração de petróleo -- na verdade, de uma única empresa, a estatal Pemex, responsável por 40% da receita do governo. Para agravar o quadro, a Pemex passa atualmente por uma crise de produção, já que os gastos do governo em outras áreas têm drenado recursos de investimentos em novos poços. As diferenças surgem também nos mercados acionários. Enquanto a bolsa brasileira conta com 415 empresas listadas, há apenas 133 companhias de capital aberto no México. "Além disso, as dez maiores empresas concentram 75% do que é movimentado pela bolsa local", diz Cassiana Fernandez, economista da gestora de recursos Mauá Investimentos. "No Brasil, as dez maiores respondem por menos da metade do movimento."

(...) Cuidados à parte na hora de traçar paralelos, o fato é que o México emite sinais que merecem uma análise cuidadosa por parte dos brasileiros. Nos últimos anos, os mexicanos sentiram na pele os dois lados da globalização -- tanto os enormes benefícios que ela propicia como os muitos desafios que impõe. Depois de passar décadas patinando num misto de autoritarismo e populismo econômico, o governo mexicano deu uma guinada em 1994 com a assinatura do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, da sigla em inglês). O Nafta foi decisivo para que o país saísse de uma profunda crise econômica e atraísse empresas interessadas em investir em seu território, de olho na mão-de-obra mais barata que a de Estados Unidos e Canadá, os outros membros do bloco. O investimento estrangeiro direto triplicou, saindo de cerca de 4 bilhões de dólares em 1993 para 12 bilhões em 1994. Hoje, está na casa dos 19 bilhões de dólares, praticamente o mesmo volume captado pelo Brasil. Com a criação do Nafta, empresas condenadas ao nanismo pelo precário mercado mexicano tornaram-se potências. Caso da Mabe, hoje maior fabricante de eletrodomésticos de linha branca da América Latina, com faturamento de 3,5 bilhões de dólares. Há 20 anos, a receita da Mabe, que só vendia aos mexicanos, não chegava a 100 milhões de dólares. Mais da metade das vendas atuais da empresa, pouco mais de 1,8 bilhão de dólares, é para Estados Unidos e Canadá. Outro 1,1 bilhão sai de países da América Latina. O mercado mexicano representa apenas 14% do faturamento, com 500 milhões de dólares (...)”.

“(...) A abertura comercial e a estabilidade econômica permitiram que o México galgasse posições nos mercados internacionais e atingisse o sonhado grau de investimento. Os capitais fluíram com mais intensidade, a taxa de juro caiu e o país viveu uma verdadeira revolução em alguns setores, como o imobiliário. Mais recentemente, porém, a globalização mostrou sua outra face, mais temível. Produtos chineses passaram a invadir o mercado americano, destino de 86% das exportações do México. Com isso, a capacidade de o país crescer ficou reduzida. A sensação atual é que será muito difícil, no curto prazo, reconquistar competitividade frente aos rivais asiáticos(...)”.

“(...) No que diz respeito à abertura comercial, o Brasil tem sido muito mais tímido do que o México. "O governo brasileiro prefere negociar com a Bolívia, e sair perdendo, a negociar com os Estados Unidos", diz o economista Paulo Leme, diretor para mercados emergentes do banco Goldman Sachs nos Estados Unidos. O principal mercado comum do qual o Brasil participa, o Mercosul, vai de mal a pior. E hoje ninguém mais sequer discute a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que abriria o mercado americano às empresas brasileiras. "A falta de mais acordos limita nossa capacidade de crescer", diz Leme. Por outro lado, o Brasil tem uma pauta de exportações bem mais diversificada geograficamente, sem nem sombra da dependência mexicana de um único mercado. Além disso, o Brasil tem na China não apenas um competidor incansável mas também um importante mercado, para onde se exportam de minério de ferro da Vale a aviões da Embraer(...)”
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“(...) "A falta de reformas é o principal fator que impediu um crescimento mais vigoroso da economia mexicana", diz Luis Rubio, do Cidac. A previdenciária já foi aprovada no início do ano e a fiscal e a trabalhista devem sair até julho. Um desafio que ainda precisa ser enfrentado é o combate a monopólios e oligopólios em setores cruciais, que vão desde o energético até o de telefonia, passando pelos de cimento, cerveja e farinha de milho. Um estudo recente da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que as tarifas de banda larga no México são as mais altas de países membros da OCDE, e as de telefone, tanto fixo como celular, estão entre as três mais caras(...)”.

“(...) Resumo da ópera: a principal mensagem que o México envia ao Brasil é que, por mais importante que seja, o grau de investimento não é capaz de destravar uma economia pouco competitiva. Nesse caso, somente reformas econômicas profundas podem dar conta do recado. "O México já engatou a quarta marcha, enquanto o Brasil ainda está em ponto morto", afirma Paulo Leme, referindo-se à demora do governo brasileiro em aprovar reformas estruturais. "Se nada for feito nesse sentido, os efeitos de um eventual alcance do grau de investimento serão mínimos"(...)”.

Reportagem completa clique aqui (assinantes).

Grau de investimento não garante crescimento

Comentando a Notícia

Sob o título de “O México é exemplo para nós?”, a revista EXAME que está nas bancas, publica excelente reportagem de Marcego Onaga, onde o objetivo é demonstrar que o grau de investimento para a economia pode não representar a panacéia que se imagina.

A reportagem procura enfatizar os pontos comuns e no que diferem as economias mexicana e brasileira, e mostrar assim que, o México, apesar de contar com grau de investimento desde março de 2000, isto não apresentou para o país o salto de qualidade que se esperava. E por uma razão que se assemelha ao caso brasileiro: não se implantaram por lá as reformas necessárias para oxigenar a economia mexicana de seus gargalos e, deste modo, atrair o capital estrangeiro necessários para permitir o salto de qualidade imaginado.

A seguir, transcreveremos alguns trechos a reportagem para que o leitor possa perceber os alertas que devemos atentar, no sentido de ficarmos ao modo mexicano, sentado em cima de uma conquista que é apenas um dos muitos sinais a caracterizar uma economia como atraente ao investimento.

Um dos pontos que por aqui muito se cobra da autoridade econômica é a questão dos juros. De fato, durante muito tempo nossos juros estiveram nas nuvens e, apesar do declínio, ainda é a maior do planeta, mas já em níveis mais suportáveis.

Mas os juros só não representa o entrave maior ao nossos crescimento. É o conjunto da obra: juros conjugados com falta de segurança jurídica, burocracia asfixiante, carga tributária elevadíssima, infra-estrutura sucateada e até o baixo nível de escolaridade do trabalhador médio brasileiro. Quando se olha para o PAC do governo federal, o que se percebe é que se está atacando apenas a questão da infra-estrutura. Mas e o resto ? Apesar da queda nos juros, a carga tributária permanece inalterada, a burocracia idem e a segurança jurídica sequer se sinaliza alguma mexida. Daí porque ser o caso mexicano muito oportuno de se olhar e analisar para que não tenhamos o mesmo sentimento de frustração. Claro que para o México sair da situação em que se encontrava em 1982, passando ainda por um período de autoritarismo e populismo capenga e imbecil, chegando ao nível atual, sem dúvida que já foi um passo gigantesco de melhorias. Mas percebe-se que sem as reformas que ainda se exige, tanto lá quanto por aqui, a tendência é um ritmo muito menor do que poderia avançar, e até para aproveitar a excelente fase de bonança vivida pela economia mundial.

A transcrição dos principais trechos segue no post seguinte. Ao final, link para acessar a matéria completa (assinantes).

Brasil exporta carne ilegalmente via Europa, diz Rússia

BBC Brasil

O Brasil está usando a União Européia como plataforma para reexportar carne à Rússia, disse nesta segunda-feira o diretor do Serviço Federal de Controle Veterinário e Fitossanitário russo, Sergei Dankvert.

"Ao inspecionar empresas de processamento de carne, nossos especialistas descobriram mais de 40 certificados falsos de veterinários, com os quais mais de mil toneladas de carne brasileira foram importadas pela Rússia via Lituânia", afirmou Dankvert à agência oficial russa Itar-Tass.

"A investigação será conduzida com a participação de integrantes de um grupo de trabalho sobre fraude e contrabando que envolve representantes da Comissão Européia e do Serviço Federal de Controle Veterinário e Fitossanitário", disse o russo.

O grupo vai se encontrar em Moscou nos dias 13 e 14 de junho. Segundo o russo, o serviço brasileiro de controle veterinário não tem capacidade para garantir um controle eficiente da qualidade e da segurança dos produtos exportados.

A Rússia é o principal destino das exportações de carnes suínas brasileiras. No entanto, a carne produzida em alguns frigoríficos brasileiros, principalmente na região Centro-Oeste, está embargada na Rússia, devido à febre aftosa.

O ministério da Agricultura do Brasil está tentando negociar com a Rússia o fim do embargo de carnes.

Em 2006, as exportações de carne suína brasileiras caíram 11,8% em comparação com o ano anterior. Segundo a Confederação da Agricultura Nacional (CNA), o principal motivo foi o embargo russo.

Economia para pagar juros atinge R$ 33,8 bi até abril

Fernando Nakagawa, Jornal do Brasil

O ritmo mais forte da economia e a formalização de empresas e trabalhadores contribuíram para o resultado do governo central em abril. Números apresentados ontem mostraram que o esforço do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central para o pagamento de juros, o chamado superávit primário, cresceu 262% na comparação com março, para R$ 14,499 bilhões. Apesar desse salto, o valor é menor 1,54% menor que o registrado em abril do ano passado. No ano, o esforço fiscal soma R$ 33,879 bilhões, o equivalente a 4,34% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em abril, o resultado foi determinado pela melhora da arrecadação e, ao mesmo tempo, pela redução dos pagamentos judiciais. No Imposto de Renda da Pessoa Física, foram recolhidos R$ 2 bilhões pelo pagamento da cota única da declaração anual de ajuste. O secretário do Tesouro, Tarcísio Godoy, disse que esse valor é diretamente influenciado pela maior formalização do trabalho e o aumento da renda. Nas empresas, houve contribuição extra de R$ 1,3 bilhão em IR, Contribuição Sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Cofins. Nesse caso, a atividade econômica mais forte explica o bom desempenho. Ao todo, as receitas aumentaram 12,32% na comparação anual e acumularam R$ 54,939 bilhões.

No lado das despesas, o ritmo de expansão é maior, de 17,25% no mesmo período. No mês, o governo central gastou R$ 31,869 bilhões. Apesar do forte ritmo de expansão, as contas foram aliviadas porque os pagamentos de sentenças judiciais - sentenças e precatórios - diminuíram em R$ 4,2 bilhões na comparação com março.

Dessa forma, o resultado do mês foi gerado pelo superávit de R$ 17,449 bilhões do Tesouro e as contribuições negativas de R$ 2,864 bilhões da Previdência Social e R$ 85,1 milhões do Banco Central.

Para o ano, o governo central terá de realizar esforço R$ 53 bilhões, valor que equivale a 2,10% do PIB. Mas essa meta, na prática, é menor. Isso porque o Tesouro pode abater até R$ 11,3 bilhões do Projeto Piloto de Investimento (PPI) - ou 0,45% do PIB. Assim, a meta efetiva é de R$ 42,7 bilhões.

Godoy afirmou que a tendência é que o superávit primário se aproxime da meta com o passar dos meses até o final do ano. Ele lembra que a sazonalidade das contas públicas é afetada pelas despesas do 13º salário dos aposentados e servidores.

Oposição quer barrar Venezuela no Mercosul

Tiago Pariz Do G1,

PSDB e Democratas decidiram nesta segunda-feira (4) dificultar o andamento do termo de adesão da Venezuela ao Mercosul no Congresso.

O acordo internacional já recebeu aprovação de Paraguai e Argentina. Ainda restam a chancela de Brasil e Uruguai para que o país caribenho seja considerado membro-pleno do bloco econômico sul-americano.

O termo de adesão está parado na Comissão Mista do Mercosul e não tem data para ser votado. Antes de ser aprovado pelo plenário da Câmara, precisa passar também pelas comissões de Relações Exteriores e Finanças e Tributação.

Com o aval dos deputados, o termo de adesão vai para o Senado, onde terá de passar pela Comissão de Relações Exteriores e pelo plenário.

“O DEM e o PSDB vão criar obstáculos para a votação do termo de adesão da Venezuela até que o presidente Hugo Chávez faça uma retratação”, afirmou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).
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A tensão entre os dois países foi o tema principal da sessão desta segunda no plenário do Senado. Os senadores se revezaram na tribuna para abordar o tema. O líder do PSDB, Arthur Virgílio, propôs que seja aprovada uma moção de repúdio às declarações de Chávez.
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Com isso, a crise começa a tomar novo rumo. O senador tucano lamentou o que chamou de corrida armamentista do país vizinho. “Isso não acabará bem: Hugo Chávez vai acabar guerreando com um país vizinho”, afirmou Virgílio.
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A crise diplomática entre o Brasil e a Venezuela começou na semana passada quando o Senado aprovou uma moção sugerindo que o governo venezuelano revertesse a decisão em relação à não renovação da concessão da emissora RCTV.

Chávez, por sua vez, lamentou que o povo brasileiro tenha um Congresso que “repete como papagaio” as posições dos Estados Unidos.
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A tensão chegou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu a posição do Senado e classificou as palavras de Chávez como “manifestações que (põem) em questão a independência, a dignidade e os princípios democráticos” do Brasil.

Renan
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também deu gás à crise diplomática aberta com a Venezuela ao dizer que não há liberdade de imprensa e que há problemas com a democracia do país de Hugo Chávez.
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“Se houvesse liberdade de imprensa, nós não estaríamos discutindo o que estamos discutindo aqui, agora. E nós estamos discutindo porque a democracia, com a globalização, não tem fronteira. Onde ela tiver problemas, a sociedade daquele local ou qualquer outra sociedade têm o dever de enfrentá-los”, disse o presidente do Senado.
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O comentário contraria a posição do assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, que defendeu a decisão de Chávez de não renovar a concessão da emissora RCTV, que fazia oposição ao seu governo.
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Para o assessor, a liberdade encontrada na Venezuela é maior do que muitos países. “Em raros países, vi a imprensa falar com tanta liberdade quanto na Venezuela”, disse Garcia.

TOQUEDEPRIMA...

PF indicia irmão de Lula por tráfico de influência
Da Folha de S.Paulo

A Polícia Federal fez busca e apreensão na casa de Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo. Ele foi indiciado por tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio no Judiciário.

A ação fez parte da Operação Xeque-Mate, que prendeu ontem, até o fim da tarde, 77 pessoas acusadas de pertencer à máfia dos caça-níqueis e a um esquema de corrupção de policiais militares e civis. Oito pessoas estavam foragidas.

A Folha apurou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava na Índia, reagiu com grande irritação ao ser informado da inclusão de seu irmão na investigação da PF. Ele reclamou por não ter sido avisado com antecedência e disse a auxiliares que já havia pedido ao irmão que tomasse cuidado para não comprometê-lo. Vavá já foi motivo de constrangimento para Lula em 2005.

A PF pediu a prisão de Vavá. A Justiça indeferiu o pedido alegando que o tráfico de influência e a exploração de prestígio não beneficiaram a máfia dos caça-níqueis e que ele não faria parte da quadrilha. A polícia investiga um suposto pagamento a Vavá pelo candidato derrotado a deputado federal Nilton Cézar Servo (PSB-MS), que está foragido. Ontem Vavá não falou sobre o caso.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Interessante a irritação de Lula: quantas vezes ele gabou-se da eficiência da Polícia Federal sob seu governo ? Quantas vezes ele próprio falou em cortar na própria carne ? E quantas outras tantas vezes disse que em seu governo tudo seria apurado ? Além do mais, é interessante que precisou Lula viajar para a Índia, do outro lado do mundo, para a PF ter liberdade de ação, mesmo que fosse apenas aquele lado que se sabe republicano ! Vamos ver a explicação na volta, sabendo-se que Márcio Bastos já não comanda mais a PF! Não sei porque, mas vai sobrar prô Tarso Genro...

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Rice quer investigação sobre fechamento da RCTV

A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, solicitou à OEA (Organização dos Estados Americanos) que envie uma comissão à Venezuela para investigar o impedimento de renovação da licença de transmissão da RCTV (Radio Caracas Televisión).
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Em discurso, na primeira sessão plenária da Assembléia Geral da OEA, Rice informou que o próprio secretário-geral do organismo, José Miguel Insulza, deveria ir à Caracas para apurar o assunto, que “gerou muitos protestos.”
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"Estar em desacordo com o governo não deve ser um delito em nenhuma democracia", afirmou a diplomata republicana.

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Licitar ou não, eis a questão

O governo Lula está diante de um impasse: prorrogar ou não o milionário contrato em que três agências - Matisse, Lew Lara e Duda Mendonça - dividem sua verba espetacular de propaganda, de R$ 160 milhões. O governo não quer prorrogar o contrato de Duda, "queimado" desde o escândalo do mensalão, mas isso o obrigaria a fazer nova licitação para a totalidade da conta. E licitação é coisa que ninguém no governo aprecia.

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Petista preso pela Polícia Federal
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Assessor técnico da Empresa de Saneamento e Água da Prefeitura de Diadema (SP) administrada pelo PT, e ligado à família de Lula em São Bernardo do Campo, Dario Morelli Filho é uma das 77 pessoas presas hoje pela Polícia Federal como suspeitas de envolvimento com contrabando, tráfico de drogas e exploração de máquinas caça-níqueis. A Operação Xeque-Mate estendeu-se por cinco Estados e o Distrito Federal.

Uma vez, quando um carro de parentes de Lula foi roubado em São Bernardo, coube a Dario comparecer à delegacia de polícia local para registrar a ocorrência. A assinatura dele consta do manifesto de apoio ao ex-ministro José Dirceu lançado no início deste ano por artistas, intelectuais e militantes do PT. Dario contribuiu com a ínfima quantia de R$ 50,00 para a campanha à reeleição do senador Eduardo Suplicy (PT-SP).

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Dilma e Mangabeira
Lauro Jardim, Radar, Veja online

Não se fale do complicado Mangabeira Unger perto de Dilma Rousseff. A ministra foi um dos patrocinadores da indicação do confuso professor para a Sealopra (Secretaria Especial de Ações e Longo Prazo). Ela gosta dos livros do excêntrico Mangabeira. Mas, depois do festival de trapalhadas da semana passada, está convencida que errou.

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Vendas da indústria de transformação crescem 6,6% em abril

As vendas da indústria de transformação em abril tiveram crescimento de 6,6% em relação ao mês passado, segundo pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria). Comparando a março, as vendas reduziram 0,9% na série dessazonalizada. No acúmulo de 2007, as vendas se expandiram 4,8%A pesquisa revelou que as horas trabalhadas na produção subiram 0,8% ante março na série dessazonalizada e 6,3% na comparação abril 2007 com abril 2006. No acumulado do ano, as horas trabalhadas subiram 3,6%.

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Poder sem pudor
Cláudio Humberto

Deus no céu, ACM...

ACM detesta Fernando Henrique e tem lá suas razões. Quando presidente, FHC costumava contar uma piada ocorrida após a morte do babalaô. No Inferno, ACM tirou do sério o Diabo, que telefonou a Deus pedindo socorro:
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- Não agüento mais! ACM dá palpite em tudo, quer saber as maldades, sugere aperfeiçoamentos. Não dá. Leve ele aí pra cima.
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Deus aceitou ACM. Tempos depois, intrigado, o Demo ligou para o Céu:
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- Deus?
- Qual dos dois? - responderam do outro lado da linha.

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Finlândia: À prova de poeira
Revista EXAME

De olho no mercado não explorado de alguns países em desenvolvimento, a fabricante de celulares finlandesa Nokia anda fazendo pesquisas em lugares inusitados: ruas de terra em Mumbai, na Índia, e favelas de Nairóbi, no Quênia. A idéia é desenvolver produtos específicos para esses mercados. A iniciativa já colheu seu primeiro fruto: um telefone com teclado à prova de poeira, ideal para ser vendido em países com clima quente e seco e ruas de terra, como é o caso da Índia. Com isso, a Nokia espera manter a liderança no mercado indiano, onde faturou 3,7 bilhões de dólares em 2006.

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Dona da Voz barrada
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A bela Ivete Sangalo perdeu a chance de participar do episódio A Dona da Voz, do seriado Sob Nova Direção, previsto para ir ao ar dia 24.
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Ivete não regularizou sua situação, no Sindicato dos Artistas, para atuar. Ivete Sangalo precisaria fazer curso de interpretação para obter o registro.

Choque de realidade

Por J. R. Guzzo, Vida Real, Revista Exame

Sempre que recomeça no Brasil a discussão para descobrir se a economia está ou não indo bem e, em qualquer dos casos, por que cresce tão devagar e tão mal, não demora a aparecer um choque de realidade. O último está aí, na forma de mais um escândalo maciço envolvendo uma construtora de obras públicas, contratos para prestar serviços superfaturados ou inexistentes ao governo e a compra por atacado de políticos e altos funcionários da máquina estatal. Algumas dezenas de pessoas foram presas, incluindo o ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares, e o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, perdeu o cargo. Que debate econômico pode ser levado a sério quando os fatos deixam claro, de novo, que uma porção cada vez maior do Estado brasileiro está sob o controle de quadrilhas que o assaltam todos os dias, antes, durante e depois do expediente? É mais ou menos como no Brasil da inflação de 40%, 60% ou 80% ao mês. Era inútil, na época, ficar esquentando a cabeça com índices da economia quando o país não conseguia sequer ter uma moeda. É inútil, agora, ficar discutindo política econômica quando não se consegue mais ter um mínimo de proteção ao dinheiro público -- o que transforma numa piada questões como execução do Orçamento, realização de obras públicas, cumprimento de planos, eficácia nos gastos do governo e por aí afora.

Fica mais simples entender o tamanho da confusão quando se constata a presença, nesse episódio, do ex-governador Tavares. É um homem que vem de longe. Numa descrição admirável, o jornalista Jânio de Freitas, da Folha de S.Paulo, resume sua carreira como uma caminhada que o levou "a ministro, a parlamentar, a governador e, nesta semana, à cadeia". Foi Freitas quem descobriu, revelou e comprovou na Folha, há exatamente 20 anos, uma das negociatas mais grotescas já cometidas na administração pública brasileira -- a fraude na licitação da ferrovia Norte­Sul, durante o governo José Sarney, envolvendo contratos no valor de 2,5 bilhões de dólares. O ministro dos Transportes e responsável pela obra era José Reinaldo Tavares. Passados 20 anos, ele está aí outra vez. E, passados 20 anos, a ferrovia ainda não está pronta. É o crescimento à brasileira.

TOQUEDEPRIMA...

PT se associa a 'partido' do ditador sírio

O presidente e o secretário de Relações Internacionais do PT, Ricardo Berzoini e Valter Pomar, realizaram visita à Síria, a convite do partido Baath, que tenta dar aparência de "democracia" ao regime do ditador Bashar Al-Assad. Ele herdou o poder do pai e foi "reeleito" presidente, dia 27 passado, para mais sete anos de poder. O regime de Bashar Al-Assad é suspeito de vários atos de terrorismo, como aquele que matou o ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri. O partido Baath era o mesmo do ex-ditador iraquiano Sadam Hussein. Os dirigentes do PT e do Baath assinaram "protocolo de cooperação". Berzoini e Pomar depois seguiram para Paris, que ninguém é de ferro, para um congresso de "núcleos do PT no exterior". PT é aquele partido que logo após o escândalo do mensalão anunciou estar "quebrado". A dupla retornou ao Brasil neste domingo, mas, ainda em Paris, Berzoini elogiou a decisão do ditador Hugo Chávez de fechar a emissora independente RCTV..

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Aracilba denunciou... rondeau...
Alerta Total
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Dez meses antes de a Operação Navalha ser desencadeada, o então ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, foi alertado sobre irregularidades em licitações da Companhia Energética do Piauí (Cepisa).
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O alerta foi dado pela diretora administrativa da Eletrobrás, Aracilba Alves da Rocha, mas de nada adiantou.
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Aracilba acabou substituída no Conselho de Administração da Cepisa por José Ribamar Lobato Santana, ex-diretor do Programa Luz para Todos. Lobato Santana é acusado de envolvimento na Operação Navalha.

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Polônia: Brinde estrangeiro
Revista EXAME

Duas cervejas polonesas, Tyskie e Lech, estão fazendo sucesso nos pubs da Inglaterra. Nos últimos seis meses, elas venderam 9 milhões de litros -- um aumento de 333% no período. Para os especialistas, o crescimento deve-se principalmente à emigração de 1 milhão de poloneses para a Inglaterra a partir de 2004, quando a Polônia passou a fazer parte do grupo de países que formam a União Européia.

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Mantega anuncia Arno Augustin como novo secretário do Tesouro

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta segunda-feira que o economista Arno Augustin vai para a secretaria de Tesouro Nacional, substituindo Tarcísio Godoy. No sábado já especulava-se sobre a possível troca.Augustin já foi secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul no governo de Olívio Dutra, e já atuou como secretário-executivo-adjunto do Ministério da Fazenda à época da gestão do ministro Antonio Palocci, que foi derrubado por escândalos de corrupção.

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Chega pra lá

Hugo Chávez tem engrossado com o Brasil desde que a PDVSA perdeu para o consórcio Petrobras-Brasken-Ultra a compra dos 4.300 postos Ipiranga, inviabilizando a expansão da petrolífera venezuelana no Brasil.

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Exportação gaúcha de calçados cai 15%

As exportações brasileiras de calçados sofreram queda de 8%, em volume, no primeiro quadrimestre de 2007 com relação ao mesmo período no ano passado. Entre janeiro e abril, o País exportou 64,5 milhões de pares contra os 70,4 milhões em 2006. O faturamento passou de U$ 626,3 milhões para U$ 624,6 milhões.

No Rio Grande do Sul, de onde saem 70% dos sapatos nacionais com destino ao mercado externo, a queda foi ainda maior. Chegou a 15%, passando de 31,7 milhões de pares exportados no primeiro quadrimestre de 2006 para 27 milhões esse ano. O faturamento caiu de U$413,2 milhões para U$398,4 milhões. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

O professor de comércio internacional e consultor da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Ênio Klein, diz que a crise do setor atinge, principalmente, empresas essencialmente exportadoras que, com o real supervalorizado, não conseguem competir no mercado externo.

"As demais compensam as perdas com o mercado interno, embora sofram a concorrência dos importados, mas os que exportam a maior parte da produção são fatalmente prejudicados", diz. É o exemplo da gaúcha Reichert, maior exportadora de calçados femininos do País, que anunciou na semana passada o fechamento de suas 12 fábricas, deixando 4 mil desempregados.

Segundo o presidente da Abicalçados, Élcio Jacometti, o Brasil produz 30% além da demanda interna e, portanto, depende das exportações. Algumas empresas, no entanto, estão suspendendo pedidos internacionais, por conta do dólar baixo.

"Passou da hora do governo ter uma política industrial para os setores sensíveis da economia. Competitividade se resolve com igualdade competitiva. Índia e China têm seu câmbio administrável. O Brasil, além da moeda valorizada, tem uma carga trabalhista, tributária e fiscal incomparável com a dos concorrentes."

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Governo não envia dados a OIT desde 2003

A Organização Internacional do Trabalho edita um anuário sobre a situação dos trabalhadores no mundo, nos mais diversos aspectos. A última edição do Anuário não traz mais os dados sobre acidentes de trabalho no Brasil, pois desde que o presidente Lula assumiu o governo, deixou-se de enviar estas informações. Apesar de o repasse de informações ser voluntário, segundo constatação do Anuário Brasileiro de Proteção, a falta de dados do Brasil repercute mal no cenário internacional da saúde e segurança no trabalho, pois demonstra o descaso do país em relação ao controle estatístico de seus acidentes ocupacionais.

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Calheiros diz que democracia falha e que não há liberdade de imprensa na Venezuela

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta segunda-feira, em plenário, que não há liberdade de imprensa na Venezuela e que há sérios problemas com a democracia no país governado por Hugo Chávez.“Se houvesse liberdade de imprensa, nós não estaríamos discutindo o que estamos discutindo aqui, agora. E nós estamos discutindo porque a democracia, com a globalização, não tem fronteira. Onde ela tiver problemas, a sociedade daquele local ou qualquer outra sociedade têm o dever de enfrentá-los”, disse Calheiros.
Corrupção O parlamentar esquivou-se de responder perguntas sobre o processo de quebra de decoro parlamentar aberto no Conselho de Ética. Ele disse apenas que não tem mais nenhum documento para entregar às instâncias investigativas do Senado.

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Devastação gramscista

por Ipojuca Pontes, Blog Diego Casagrande
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Prosseguindo no exame do panorama político-ideológico predominantemente esquerdista que se abate sobre a vida cultural brasileira, há que se destacar a presença do pensamento de Antonio Gramsci, seguramente mais eficiente do que as ações do Djanovismo soviético e da Escola de Frankfurt na criação das “condições objetivas” para se chegar a um “outro mundo possível” - vale dizer, estabelecer por aqui uma sociedade comunista. Para quem não sabe, Gramsci foi o secretário-geral do PC italiano que Benito Mussolini, em 1926, instituindo o “tribunal especial para a defesa do Estado”, condenou a 24 anos de prisão, depois de considerá-lo um “cérebro perigoso”.
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Confinado na penitenciária de Turi (na província de Bari, Puglia) Gramsci - cujo pai, Francesco, foi condenado a 5 anos de prisão por peculato e extorsão - arquitetou, em 33 cadernos escritos no cárcere, o mais diabólico esquema estratégico para a tomada do poder pelos socialistas em geral e os marxistas em particular. Com efeito, embora fugindo à estratégia de assalto direto ao poder preconizado por Lenin, cujo cerne é a violência revolucionária, os objetivos gramscistas sãos os mesmos de Marx, Engels, Lênin e Fidel Castro, qual seja, destruir o capitalismo para firmar o “Estado Regulado”.
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De fato, com Antonio Gramsci - “Il Gobbo” (“O Corcunda”) - a “transição para o socialismo” ganharia novos contornos estratégicos: ao invés da “guerra de movimento” instituída por Lenin, os socialistas ocidentais, em face do fracasso da revolução bolchevique fora da Rússia, apelariam para a “guerra de posição”, metódica e segura, a ser conduzida pelo “intelectual orgânico” com o respaldo da “sociedade civil organizada”. O objetivo, a longo prazo, seria a defenestração da burguesa e suas instituições de poder, mas, agora, pela via da “revolução passiva”. Em vez do Estado burguês, a hegemonia do Estado passaria às “classes subalternas”.
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Para administrar as sucessivas crises fomentadas no Estado democrático tradicional - uma condicionante fundamental na estratégia da “transição para o socialismo”-, Gramsci aponta como obrigatória a organização das “classes subalternas” a partir da mobilização de “aparelhos privados de hegemonia” - estes, considerados alicerces básicos para a formação da nova Sociedade Civil. Por “mobilização de aparelhos privados de hegemonia”, o teórico comunista compreende as distintas ações subversivas do partido-classe, sindicatos, associações, organizações não-governamentais (Ongs), etc., todos atuando para minar as “trincheiras” e os núcleos de “defesa” da sociedade capitalista. Caberia ao intelectual “orgânico” o papel de buscar a adesão da sociedade civil pela penetração cultural e a detonação da guerra psicológica contra as instituições representativas do parelho hegemônico do Estado democrático tradicional. Na sua lógica “transformadora”, Gramsci considera todo mundo como intelectual, deste o sapateiro até o escriturário, passando pela enfermeira, etc., a formar, no fundo, a massa de manobra para servir de pasto à manipulação ideológica esquerdista.
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O intelectual “orgânico”, na nova estratégia revolucionária, deve conquistar, entre os demais integrantes da sociedade, a adesão do “intelectual tradicional” (burguês), desde que este aceite o papel preponderante do partido-classe - o “príncipe moderno”, na linguagem cifrada de Gramsci - como dirigente e formador do novo “consenso”, objeto final da “guerra de posição”, a etapa avançada de mobilização na “transição para o socialismo”.
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(O que venha ser partido-classe, o próprio Gramsci, nas suas “Notas sobre Maquiavel”, assim o define: “O moderno Príncipe desenvolve-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que o seu desenvolvimento significa, de fato, que todo o ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio príncipe moderno e serve ou para aumentar o poder ou para opor-se a ele. O príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”).
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Para estabelecer o “consenso”, o gramscismo labora dia e noite na imposição de um novo senso comum, o conjunto de valores, crenças, costumes, tradições e o modo de pensar prevalecente no seio da sociedade tradicional. A concepção monstruosa do corcunda pretende nulificar o ser humano para, em seguida, por “dentro”, dar-lhe nova formatação, gerando assim uma espécie de Frankstein coletivo.
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Hoje, não há como negar, a sociedade brasileira já sofre os efeitos deletérios da estratégia gramsciana para chegar ao governo hegemônico das “classes subalternas”. Facções de organizações não-governamentais, partidos políticos, setores universitários, meios de comunicação em geral, as artes, produção editorial, a igreja, a justiça, o governo, etc. - juntos na tarefa ingente de formar o “consenso” antes do bote final -, desmontam os valores culturais do Brasil tradicional, rearticulando novos conceitos de sociedade nacional (“sociedade civil”), de cidadão (“cidadania”), de opinião individual (opinião coletiva “politicamente correta”), de legalidade (“legitimidade”), etc., numa lavagem cerebral sem precedentes na história da nação.
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A “guerra de posição” de Gramsci, claro, não subestima a alternativa de, no momento oportuno, se associar à “guerra de movimento” preconizada por Lênin, que envolve a violência das armas. Mas prefere, em vez disso, ter como arma a incessante manipulação de aulas, discursos, palestras, livros, noticiário da imprensa, filmes, novelas, shows musicais, peças teatrais, para chegar, afinal, por outros caminhos, ao velho, totalitário e criminoso regime comunista.

TRAPOS & FARRAPOS...

VINAGRES COM O MESMO AZEDUME...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

No ENQUANTO ISSO... de sexta, 01.06, comentando a agressão de Chavez ao Congresso brasileiro, dissemos que a “(...) reação de Lula foi pífia (...)”, e que o Brasil foi o único país da América Latina a ficar em silêncio absoluto diante da ação tirânica e fascista de Chavez no fechamento da rede de televisão venezuelana RCTV. E acrescentamos: “(...)Com sua reação patética, parece que Lula teme o ditador venezuelano Chavez. Parece que o presidente brasileiro sente incomensurável prazer em ver o país que preside ser esbofeteado lá fora. Nunca na história deste país um presidente foi tão “gelatinoso” quanto Lula(...)".

No sábado, no TRAPOS & FARRAPOS, retornamos para dizer que Lula é o presidente do Brasil, mas seu pensamento não representa o pensamento dos brasileiros. Talvez de uma parte, aqueles fundamentalistas xiitas do PT cuja maior glória de suas existências seria proclamar o Brasil uma república socialista ao estilo stalinista. Dissemos ainda que não se esperasse de Lula uma crítica direta à Chavez pelo seu ataque inconseqüente ao Congresso Nacional.

E completamos justificando as “razões” para o posicionamento de Lula: “(...)E por uma razão bem simples: tudo que está sendo feito na Venezuela conta com apoio e a simpatia da turma esquerdista do lado de cá. Evo Morales fez o que fez e Lula agiu como se nada nos dissesse respeito. Pela segunda vez, Chavez agride instituições brasileiras, e de novo, Lula se comporta da maneira mais negligente possível. Qualquer tirano que agredir seu próprio povo, não receberá do Brasil uma posição crítica. Sonha-se o mesmo para o país. Os socialistas, ao modo mais fascista possível, se fundem num só pensamento, numa só ideologia, a de que os fins socialistas justificam os meios mais indecentes, truculentos e tirânicos que se empregar. Para eles, o espírito xiita de combater as instituições, as liberdades, a democracia, o estado de direito, aceita o assassinato como “bem” necessário(...)”.

Pois bem, com escassas exceções o que se leu na imprensa foi de que Lula houvera sido duro em sua crítica à Chavez. Poucos leram que Lula não fizera crítica alguma. Saiu pela tangente, como quando a Bolívia, patrocinada e apoiada por Chavez, nos roubou as usinas da Petrobrás, e se justificara com agressões ao Brasil.

Pois não demorou para cair a máscara da hipocrisia. Hoje Lula deu a tônica daquilo que ele pensa e daquilo que ele é. E referendou a afirmação que fizéramos no final do artigo de TRAPOS & FARRAPOS, a de que “(...) Sua causa está acima do interesse do Brasil. Por mais incrível que isto possa parecer...”.

Disse Lula:

Chávez tem suas razões para brigar com os Estados Unidos. E os Estados Unidos têm suas razões para brigar com a Venezuela. O Brasil não tem nenhuma razão para brigar com os Estados Unidos ou a Venezuela”.

Percebam que Lula põe na vala comum uma ditadura e uma democracia, e para ele não podemos brigar com a Venezuela. Ou seja, para o nosso “gelatinoso”, Chavez pode financiar a Bolívia a assaltar nossas refinarias, pode financiar que a Bolívia seja agora parceira comandada pela estatal venezuelana, pode atacar a mídia brasileira mesmo estando em visita ao Brasil, pode ofender o Congresso Nacional a vontade. Tudo isto para Lula não são motivos para brigar, ou sequer para criticar mais duramente o amigo (dele é claro) Chavez .

Neste caso, o leitor poderá perguntar, critica por critica que diferença isto pode fazer ? Faz toda a diferença. Primeiro, porque o que Chavez fez na Venezuela Lula quer fazer no Brasil. Seus projetos de “democratização dos meios de comunicação” passam por uma redistribuição de concessões. Depois, a censura à programação e até às notícias veiculadas nas emissoras, assunto que ainda corre no Congresso, a censura à internet que também já está no Congresso, tudo isto representa e tem gosto do mesmo azedume do vinagre que o povo venezuelano hoje está experimentando. E, claro, tem ainda o projeto magnífico da TV-Pública, que será mais uma televisão do próprio PT, porque por ele será aparelhada, bancada com dinheiro do contribuinte, até daquele que não vota em Lula nem que ele se vista de ouro.

Lula só não implanta os mesmos métodos fascistas no Brasil em relação à liberdade de imprensa, porque sabe que dará um tiro em si mesmo. Suicídio puro, mais até daquele que Vargas fez consigo próprio. Então precisa ir mais lentamente, mas sem por de lado os mesmos objetivos, a mesma causa.

Portanto, meus amigos, não se enganem: Lula tem um discurso exterior que não combina com seu pensamento. E a maneira de se descobrir a farsa é atentar para os atos do seu governo no campo das comunicações, ao modo como ele várias vezes atacou a nossa imprensa, à pouco importância que dá em prestar contas à sociedade que governa através dos meios de comunicação. E tanto que isto é verdadeiro que, em quatro anos e meio de governo, apenas em duas vezes ele deu entrevistas coletivas. E mesmo nestas ocasiões, foi visível sua irritação diante de perguntas mais sensíveis.

É fácil constatar que Chavez, Fidel Castro, Lula, Evo Morales, Rafael Correa e até Nestor Kirchner são aliados, pensam junto, comungam da mesma ideologia imunda com que tentam corroer as instituições democráticas de seus países para impor o império socialista. Cada um a seu modo, e até seguindo os mesmos caminhos que aparentemente possam parecer diferentes, mas que é preciso contrapor que o ponto de chegada de todos eles é único: esta bestialidade que chamam de socialismo moderno, tão retrógrado quanto aqueles que vitimaram milhões no século passado. As cadeias de Cuba estão cheias de democráticos que ousaram um dia discordar do pensamento do ditador Castro. Nas cadeias venezuelanas estão centenas de jovens que ousaram protestar contra o regime de censura imposto por Chavez. Este é o modo como eles se proclamam de democráticos, o regime do partido único, do pensamento único, da ideologia única, e a do direito único: a de não ter direito de discordar, só de dizer amém.

Para as esquerdas, como já afirmamos tantas vezes, não importam os meios de que se lance mãos para impor sua “belezura”. Todo o fel de sua vertente libertária se desnuda e desvanece a partir do momento em que se vê que se praticou a morte necessária, a supressão de liberdades e direitos em nome da manutenção e da consagração de seu sistema fétido.

A agressão à liberdade de imprensa que Chavez praticou contra o povo que governa, não nos afetaria tanto se, do lado de cá da fronteira, houvesse um presidente que se impusesse com firmeza e repudiasse veementemente a agressão. Porém, quando temos um presidente que aceita e por seu assessor, Marco Aurélio Garcia, até aplaude, proclamando que lá nunca dantes houve tanta “liberdade” de imprensa, então estamos diante de um fato que nos serve de alerta. Por aqui, quando se puder, vai se adotar a mesma prática, as mesmas agressões. Daí porque, quando os petistas, Lula junto, abrem a bocarra para se auto proclamarem como esquerdistas “democráticos” fica impossível dar-lhes crédito, dada a contradição existente entre uma e outra expressão. Para as esquerdas, a democracia é só uma passagem do tempo, um caminho a ser percorrido para a obtenção de sua ideologia de se aniquilar com a própria democracia. Claro que estes senhores pensadores, eles maquiam a aniquilação com termos tais como subir um degrau, aperfeiçoamento do sistema, e por aí afora. Para eles, sem exceção, sua ideologia está além da democracia, suas maravilhas são a redenção da espécie. Mesmo que se tenha que matar e esmagar os que discordarem delas.

Portanto, não esperem de Lula uma crítica ácida em relação a Chavez, não esperem uma posição mais dura do governo brasileiro contra à tirania com que o venezuelano exerce sua “presidência”: eles são parceiros, são cúmplices, são aliados. Mesmo que em barris diferentes, são vinagres com o mesmo azedume uns dos outros... São fundamentalistas nos propósitos, são xiitas nos métodos, são ditadores e tiranos forjados sob o mesmo DNA.

Brasil derrapa na diplomacia

William Waack, Portal G1

Sem dúvida há coisas bem mais sérias e sensatas na viagem de Lula à Índia do que ocupar-se com declarações de Hugo Chávez. É culpa do próprio governo brasileiro, e especialmente de assessores de Lula, que o encontro entre dois dos quatro gigantescos “Bric’s” (Brasil, Russia, Índia e China) gere manchetes sobretudo em torno dos já costumeiros deslizes verbais do presidente venezuelano.
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Chávez criou para Lula um problema de política externa, e a política externa de Lula é dúbia, ambígua e mal formulada. O mérito do presidente venezuelano, ao proferir grosseiras ofensas contra instituições brasileiras, é expor essa ambigüidade. Lula se comporta em política externa (para usar o tipo de comparação do qual ele gosta) como aqueles armandinhos de meio-campo que nem defendem e nem atacam direito -mas pegam bastante na bola.
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Chega a ser engraçado observar o sorriso amarelo de assessores de Lula quando confrontados com as ofensas que Chávez dirigiu a um Congresso dominado por uma coligação que inclui o partido do presidente, o PT, e seus principais aliados. Vários desses assessores passaram a vida acadêmica e intelectual tratando de provar sua aversão ao “imperialismo norte-americano”, para serem chamados agora de papagaios de Washington? E por Chávez, em quem alguns genuinamente enxergam um “revolucionário”?
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Há tempos observa-se um confronto de interesses entre o Brasil e a Venezuela -ressalvados os bons negócios de empresas brasileiras por lá (com um senão: já há um comitê criado na Fiesp para acudir empresários brasileiros credores de empresas venezuelanas). Ao Brasil não interessa um confronto verbal com os Estados Unidos, muito menos nos termos postulados por Chávez. Ao Brasil não interessa vizinhos pouco confiáveis, como o presidente boliviano Evo Morales, apoiado, financiado e, em boa parte, dirigido por Chávez.
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Ao Brasil não interessa um “parceiro” (como Lula insiste em chamar Chávez) que persegue apenas a sua agenda política, não importa qual seja a nossa. E há algo que precisa, sim, ser dito aqui de maneira clara, e sobre a qual a política externa de Lula é incapaz de se pronunciar: o candidato a tirano em Caracas, um político desequilibrado e famoso por suas macaquices em palanques, ao fechar a RCTV cometeu um grave atentado à liberdade de expressão, comparável apenas ao que foi feito por ditaduras de direita na América do Sul.
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É o recurso dos pobres de espírito e dos desonestos intelectuais dizer que Chávez fez algo “legal”, no sentido de estar amparado pela legislação. A História está cheia de tiranos, maiores ou menores, que tomaram “medidas legais” para coibir, oprimir ou calar vozes de dissenso, exatamente o que acontece na Venezuela agora. E aí está uma grande ambigüidade da política externa de Lula: ela não parece ser capaz de defender princípios -julga-se “esperta” por manobrar entre oportunidades.
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Que ninguém me entenda errado, mas um general como Ernesto Geisel, que os atuais ocupantes do Planalto tanto admiram (pelos motivos equivocados, aliás), sabia peitar um outro país quando se julgava atacado. Fez isso com os Estados Unidos, diga-se de passagem. A atual política externa brasileira não sabe falar nem grosso e nem suave, mas nossos vizinhos sabem que ela sempre cederá. Foi assim com a Bolívia, com a Argentina e com a Venezuela. Será assim amanhã com o Paraguai?
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É um engano brutal, típico de amadores com visão equivocada de História e relações internacionais, achar que ser bonzinho com um vizinho significa que o vizinho será bonzinho conosco. E mais uma coisa: política externa se faz também com palavras, sim. Elas ganham vida própria, pairam no ar, para o bem e para o mal.
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Dizer, como Lula disse, que “Chávez cuida da Venezuela e eu do Brasil” é como pedir desculpas por ter sido esculhambado.

Chávez, parceiro e encrenqueiro

Editorial do Jornal do Brasil

O Brasil deve ser o único país do mundo com dois ministros de Relações Exteriores - um formal e outro informal - que seguem políticas opostas simultaneamente. Enquanto o titular, Celso Amorim, trabalha freneticamente para tornar digerível o sapo em que se transformou o presidente Hugo Chávez para o Brasil, o assessor para assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, tenta convencer a população que o sapo, na realidade, sequer existe. Ou, como garante o presidente Lula, transformou-se em "parceiro". Na verdade, em qualquer hipótese, o que se ensaia é um truque de prestidigitação.

Que o venezuelano extrapolou ao referir-se ao Congresso brasileiro como "papagaio dos EUA", é tão certo quanto foi tímida a reação do governo ao episódio. Afinal, pelo menos aqui, entre os defeitos do Parlamento seguramente não está a subserviência com a qual Chávez conta. É bom lembrar, ainda, que a manifestação grosseira deriva do brutal ataque à liberdade de expressão representado pelo fechamento da rede de tevê independente RCTV.

Marco Aurélio Garcia afirma que, "do ponto de vista legal", o fechamento da RCTV não foi um ato arbitrário. Só uma leitura superficial das intenções de Chávez permitiria a exposição de um sofisma tão insustentável quanto a insistência do próprio Lula em dizer que não fala de assuntos que dizem respeito apenas à Venezuela. Como bem lembrou Augusto Nunes na coluna Sete Dias de domingo, o companheiro do PT esteve num palanque venezuelano, na inauguração de uma ponte no interior daquele país, apoiando o "parceiro" Hugo Chávez.

A estratégia do Itamaraty é a da contenção. Evitar que polêmicas inúteis abram espaço para que a liderança agressiva do regime de Caracas amplie as dificuldades de relacionamento no bloco sul-americano, prejudicando acordos bilaterais que beneficiariam o Brasil em última instância. A mesma tática vem sendo empregada com a Bolívia, com os "excelentes" resultados que o país, em especial a Petrobras, estão colhendo no altiplano, graças à prestimosa consultoria dada a Evo Morales pelo "parceiro" de Lula. Com um amigo assim, ninguém precisa de inimigos.

Na Índia, Lula defende Congresso contra Chávez

Pablo Uchoa, Folha online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo, em Nova Déli, o Congresso Nacional, acusado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de ter emitido um "comunicado grosseiro" em relação a assuntos internos venezuelanos.

"Eu acho que o Congresso não foi grosseiro, porque a nota do Congresso pede a compreensão apenas", disse Lula, ao voltar de um jantar com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.

Questionado se havia entrado em contato com o presidente venezuelano por conta do incidente, Lula esquivou-se: "Deixa eu voltar ao Brasil".

Na quinta-feira, Chávez disse que o Congresso brasileiro é um "papagaio que repete o que diz Washington" --depois que o Senado em Brasília aprovou um requerimento pedindo que o presidente venezuelano autorizasse a RCTV a voltar a funcionar.

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, também tratou de colocar panos quentes na troca de declarações entre Chávez, Lula e o Congresso.

"Para nós, isso é um incidente que fica por aqui. Nós não acreditamos que tenham sido violadas as regras básicas das instituições democráticas (na Venezuela)", ele disse.

"Para nós, não há interesse em esquentar o assunto. As parcerias entre Brasil e Venezuela na América do Sul são importantes para justificar um apaziguamento."

Etanol
O secretário procurou ainda amenizar as críticas de Chávez à iniciativa americana de incentivar a fabricação de etanol, que muitos argumentam atingir indiretamente o Brasil, já que os dois países anunciaram planos de operações conjuntas.

"O Chávez acabou se desdizendo ao confirmar um acordo de compra de US$ 300 milhões de etanol do Brasil", disse, referindo-se a um acordo feito na reunião do venezuelano com Lula na Ilha Margarita, na Venezuela, em abril deste ano.

Garcia afirmou que o Brasil tem inclusive planos de estabelecer uma produção de etanol na Venezuela. Para ele, as críticas --endossadas também pelo presidente cubano, Fidel Castro, e por ambientalistas europeus-- são resultado do "desconhecimento do programa brasileiro".

"Houve uma politização do tema", avaliou o secretário. "Não vamos fazer dos biocombustíveis combustível político."

TOQUEDEPRIMA...

Profissão: perigo
Cláudio Humberto

Dois assassinatos, um esfaqueamento, um médico espancado e torturado e dezenas ameaçados... E o ministro Luiz Marinho (Previdência) classificou o protesto dos médicos peritos de "bobagem".

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Chávez afirma ter vergonha dos universitários de oposição
Veja online

A presença de estudantes universitários em uma longa série de manifestações contra o governo irritou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. No sábado, durante marcha de apoio ao fechamento do canal RCTV, em Caracas, o líder venezuelano partiu para o ataque contra os jovens que não se juntaram ao chavismo.
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Conforme ele, os universitários que comandaram os protestos pela democracia e liberdade de expressão no país são uma "vergonha", já que defendem o "imperialismo" ao invés da "pátria". "De que eles vão ficar? Do lado do povo ou do lado da oligarquia? Do lado da pátria ou do império? Decidam!", gritava Chávez, conforme a rede BBC.
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Por causa da atuação dos jovens na oposição, a presença de estudantes favoráveis ao chavismo foi destacada na manifestação de sábado. Moças de biquíni e pintadas com as cores da bandeira venezuelana desfilavam entre a multidão enquanto Chávez pedia aos simpatizantes que trabalhassem pela "unidade" da juventude.

COMENTANDO A NOTICIA: Realmente, Chavez deve envergonhar-se de ainda ter gente que ama a democracia, a liberdade de expressão... Isto é coisa de gente reacionária...

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Costa Rica: Um exemplo para o Caribe
Revista EXAME

A escalada da violência no Caribe está atravancando o crescimento econômico da região. É o que revela um estudo conduzido pelo Banco Mundial e pela ONU. Se países como a Jamaica e a República Dominicana reduzissem as taxas de homicídios (30 pessoas por 100 000 habitantes, uma das maiores do mundo) para os níveis da Costa Rica (6 por 100 000 habitantes), eles poderiam crescer em média 5,4% ao ano. A explicação para esse fenômeno é simples: a violência espanta os estrangeiros e, assim, atrapalha a indústria do turismo, principal fonte de renda desses países. Modernizar a polícia e combater com rigor o tráfico de drogas são duas medidas recomendadas para diminuir a criminalidade.

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Caixa preta em licitação
Cláudio Humberto

A milionária Concorrência nº 03/2007 da Caixa Econômica Federal, para gerenciar seu portal na internet, pode ter apenas uma licitante: a Agência Click, que há seis anos presta esses serviços à instituição. Outras empresas alegam que o edital favorece a Click, com exigências "técnicas" que só ela pode atender - como "premiações" que só a Click tem no portfólio. A parte "técnica" renderá 1.400 pontos na licitação; a proposta em si, apenas 50.

Washington Olivetto, brilhante publicitário, jamais venceria a licitação do portal da Caixa: por não disputar prêmios, ele não exibe diploma na parede.

O vencedor da concorrência da Caixa para gerenciar seu portal na internet levará um contrato lotérico, no valor de R$ 12 milhões. Procurada pela coluna, a Caixa negou qualquer irregularidade na licitação: o edital está "dentro dos ditames legais". Sim, claro.

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Líder atacou críticos e prometeu fechar outros canais

Veja online

A manifestação governista de sábado na Venezuela foi marcada por novas ameaças do presidente Hugo Chávez contra seus adversários. Ele provocou os críticos do fim da rede RCTV e prometeu novas medidas pela "revolução". Aos outros meios de comunicação, voltou a ameaçar com o fim das concessões em caso de oposição ao governo - e lembrou que o governo pode cassar a qualquer momento as licenças de transmissão das emissoras contrárias a ele.

"Vão para o inferno, representantes da oligarquia internacional", discursou Chávez, sobre a enorme repercussão negativa do fechamento do canal mais tradicional do país. "No caso do canal da velha burguesia, nós fomos muito pacientes e esperamos até que a concessão terminasse, mas que ninguém acredite que vai ser sempre assim. Uma concessão pode terminar antes do tempo estabelecido, por violações à constituição, às leis, por terrorismo de imprensa, por muitas coisas", ameaçou.

Em meio a gritos de simpatizantes que pediam o fim de outro canal, a Globovisión, Chávez disse que "cada plano desestabilizador será respondido com uma nova ofensiva revolucionária". "Já avisei a mídia privada: não se enganem, vejam bem onde pisam. Se a burguesia da Venezuela continuar se desesperando, tentando minar a população bolivariana do país, vão continuar a perder suas posses, uma a uma. Uma a uma", afirmou o presidente do país no sábado.

COMENTANDO A NOTICIA: Lamentavelmente, enquanto o próprio Chavez incorporar o demônio em figura de gente, o inferno só será ocupado por socialistas. Neste caso, “tamo” fora meu irmão...

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Polêmica à vista
Lauro Jardim, Radar, Veja online

Vai dar o que falar uma proposta que o Instituto de Desenvolvimento do Varejo prepara para apresentar ao Congresso Nacional. A entidade, que representa 29 pesos-pesados do setor, inspirou-se num modelo chileno de co-responsabilidade para tentar combater a sonegação fiscal. A idéia é que tanto o lojista que não insiste em dar uma nota fiscal, quanto o motorista de caminhão que trafega com uma carga sem possuir comprovação, sejam imputados criminalmente do mesmo modo que os seus patrões nos casos de flagrante sonegação.

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Novo caos aéreo agendado
Alerta Total
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A empresa Sata tem até o próximo dia 17 para honrar uma dívida de R$ 64 milhões com o INSS. Até agora, a prestadora de serviços como transporte de malas e abastecimento de aeronaves nos principais aeroportos do país vem operando graças a uma liminar.
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Se a situação da Sata não for resolvida, deverá haver novo caos aéreo. A Infraero não tem um plano B para enfrentar o problema de logística nos aeroportos, se ele realmente ocorrer.

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O imponderável
Da coluna Painel da Folha de S.Paulo

"No entender do governo, o maior fator de risco embutido hoje na Operação Navalha não é o eventual sucesso da oposição em colocar de pé uma CPI mas sim a turbulência interna na Polícia Federal. O Planalto avalia que o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, perderam o controle da guerra de facções dentro da instituição, em escalada há meses e agora exposta com o afastamento do número dois de Lacerda, Zulmar Pimentel.

No palácio e entre os governistas no Congresso, prevalece o temor de que os interesses contrariados dentro da PF ditem, daqui para a frente, o ritmo e o foco dos vazamentos do vasto material ainda inédito."