quinta-feira, setembro 09, 2010

O frutiqueiro, a candidata, a volta da CPMF e a dívida pública

Adelson Elias Vasconcellos

Entra discurso, sai discurso, e o senhor Lula, volta e meia, vem com a mentira grotesca de acusar a oposição de haver derrubado a CPMF, razão pela qual faltaram recursos para a saúde pública. E por que digo que é mentira? Pela simples razão de que a atual oposição sequer tinha maioria suficiente para derrubar a CPMF. O tiro de misericórdia ao imposto foi dado pela base governista no Senado Federal, sem o que, e dependesse exclusivamente da oposição, o imposto estaria vivo até hoje.

A CPMF, é bom lembrar,, foi criada ainda no governo Itamar Franco, lei 9311 de 24.10.1996, e passou a vigorar a partir de 23 de janeiro de 1997. Posteriormente, o imposto “provisório” foi prorrogado em 1999 e 2002, governo de Fernando Henrique, e, por último, em 2003, já no governo Lula e vigorou até 31 de de3zembro de 2007. Quando ainda se discutia da necessidade ou não da CPMF para a saúde, aqui demonstramos que a CPMF serviu para pagar despesas que não tinham nenhuma relação com a saúde, ou seja, o próprio governo acabou desviando os recursos da CPMF para outros fins que não a saúde pública. Na época, fizemos um levantamento que resultou em cerca de R$ 160 bilhões de reais arrecadados por Lula, dos quais apenas 1/3 foram de fato investido no propósito principal para a existência do imposto.

A CPMF era um imposto maldito que, pelas inúmeras prorrogações conjugadas ao efeito cascata que provocava em todas as cadeias econômicas do país, tornou-se tremendamente impopular. Quando a base governista derrubou o imposto, o fez com olhos postos nas urnas. Se o governo do senhor Lula da Silva foi incompetente para negociar com sua própria base de apoio parlamentar a prorrogação da CPMF, problema do governo do senhor Lula da Silva. O que não pode é mentir descaradamente ao povo brasileiro na boca da urna, em 2010. Como também não querer fugir de sua responsabilidade pelo mau estado da saúde pública, dado que, teve sim os recursos de que precisava para qualificar e aprimorar o atendimento a população, o que não teve foi competência, além, como resta comprovado, desviou cerca de 2/3 de um total de R$ 160 bilhões de sua real finalidade. E até seria oportuno lembrar ao país que Dilma, uma vez eleita, vai recriar a CPMF, gostemos ou não, assunto que, aliás, vai contra as promessas que tem feito de “reduzir a carga tributária”.

No programa político da Dilma, Lula se arvorou em defender sua candidata e partiu para um ataque estúpido às oposições. Primeiro, que é a oposição quem legitima a democracia, porque em ditaduras e tiranias, simplesmente, as oposições não existem. Segundo, que o papel legítimo das oposições é justamente a de fiscalizar e, se possível, atrapalhar de vez em quando a vida de quem está no poder, impedindo que se vote projetos que mais são de cunho eleitoreiro, do que de benefício para a sociedade.

Contudo, dizer que a oposição é “do contra” e que aposta no quanto pior melhor, é de uma suprema ignorância. Lula deveria estar se olhando no próprio esoelho ao fazer tal afirmação. Porque quando esteve na oposição, Lula e seu partido, o PT, sempre se comportaram exatamente desta forma. BOICOTARAM acintosamente todos os governos democráticos a partir de 1985. Lula esteve no Congresso quando, em 1988, foi aprovada a atual constituição. Pois bem: ele reuniu a bancada petista e impediu que alguém votasse a Constituição. Mais tarde, após a queda de Collor, e para a qual o PT atuou de forma até xiita, Itamar assumindo chamou todos os partidos para uma coligação de união nacional para superar aquele momento de instabilidade institucional. Era preciso preservar o país. Itamar está até hoje esperando por Lula, que lhe disse “NÃO”. Mais adiante, durante os oitos anos do mandato de Fernando Henrique, Lula e o PT boicotaram TODOS os programas do Plano Real, inclusive as prorrogações da CPMF, garantidores da atual estabilidade econômica da qual Lula é herdeiro e principal beneficiário político. No poder, ao melhor estilo soviético, tentou apagar da história os feitos e conquistas do governo anterior, se apropriando de programas para os quais apenas mudou o nome, para parecer ser ele o dono da obra. Não por outra razão sempre o chamei de vigarista da obra alheia. Dentre as “clonagens”, destaca-se os programas sociais, que até recomendaria que Lula relesse a Medida Provisória que ele próprio assinou, em que reunião quatro dos cinco programas implantado por FHC sob o guarda chuva do BOLSA FAMÍLIA. Fora do pacote, ficou apenas o PETI, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, que continuou tendo vida própria e do qual nunca mais se ouviu falar, apesar de suas conquistas.

Portanto, quem sempre investiu no quanto pior melhor, quem sempre foi do contra, até no mesmo poder, porque investe sempre contra o seu antecessor a quem deveria agradecer por lhe entregar um país muito melhor, economicamente estabilizado, sem inflação, e com as contas públicas saneadas, é o senhor Lula e seu partido.

Dizer de forma cretina que foi seu governo quem se livrou da tutela do FMI, como ele e sua candidata não se cansam de mentir, é de uma cretinice sem comparação. Por conta do quê, por exemplo, poderia o senhor Lula responder, que o Brasil não vem agindo para impedir a rápida deterioração da balança de comercio exterior, com importações crescendo o dobro das exportações, mantendo o real artificialmente valorizado em relação ao dólar? Acontece que o Brasil vem cumprindo o papel “proposto” para os emergentes pelo Grupo dos 20 (G-20) e pelos principais dirigentes do Fundo Monetário Internacional (FMI): os superavitários deveriam depender mais do mercado interno e importar mais. Portanto, melhor faria o senhor Lula se parasse com este papo furado.

Quanto a tal dívida externa, que Dilma em arvora em dizer que o país pagou, é mentira. A dívida existe e ultrapassa a casa dos 230,0 bilhões de dólares. E parte da dívida externa paga pelo governo do senhor Lula é outra mistificação colossal. Ocorre que o governo federal tem trocado dívida externa, bem mais barata, por dívida interna bem mais cara, o que, em parte, explica praticarmos os juros mais altos do planeta Além disso, hoje, no Brasil, muitos analistas vendem a ideia de que o problema da dívida externa foi resolvido a partir do acordo fechado com o FMI. Mas ao contrário do que muitos pensam, o comprometimento do gasto público e cada vez maior e o monitoramento do FMI é total sobre o Brasil . E isto é fato, não é futrica, não é boataria. Claro que o discurso no palanque destoa da realidade. Quanto à balela de que somos “credores” do FMI, de que emprestamos dinheiro ao Fundo, é outra das mistificações muito mal explicadas internamente. Ocorre que o FMI é como uma sociedade com um determinado capital, onde cada país membro, e o Brasil é um deles, tem uma participação no capital total. Fruto desta participação, cada país goza de linhas de crédito proporcionais, sobre as quais, em situações emergenciais pode sacar dinheiro. Em razão da crise de crédito em 2007/2008, o FMI precisou aumentar seu capital para poder socorrer economias em dificuldades. Assim, TODOS os países membros aumentaram suas participações, e este é o caso do Brasil. Não emprestamos coisíssima nenhuma, apenas pagamos ao FMI nossa quota de participação no aumento do capital do fundo.

E vale um registro importante: vocês, certamente, sabem o que vem a ser superávit primário, ok? Ocorre que, todos os meses, com raras exceções, o setor público gasta mais do que arrecada, mas publica um resultado superavitário, que muitos gostam de chamar de “economia para pagar juros”. Só que essa economia, na imensa maioria das vezes, não é suficiente e o resultado real é um déficit real, que precisa ser coberto com a emissão de títulos, ou seja, com mais dívida, razão porque a dívida não para de crescer. E o que é pior: quanto mais irresponsável o governo se comporta, maior será a herança para às futuras gerações, já que tocará a elas pagarem a conta, fruto, repito, de um governo irresponsável que gasta açodadamente, sem freios, tudo para investir em seu projeto de poder. Assim, com um baixo nível de investimentos públicos, não há espaço para melhoria na qualidade dos serviços públicos. Como a tendência da dívida é só aumentar, em razão da falta de poupança do governo Lula, a situação fiscal fica comprometida, não oferecendo margem de manobra para redução da carga tributária, promessa de campanha de cinco em cada cinco candidatos. Como o governo precisará aumentar cada vez mais o volume de recursos para pagamento da dívida, também os juros internos ficam sem muito suporte para se reduzirem a níveis mundiais.

Quem adora ser futriqueiro, como se vê, é exatamente aquele que sobe no palanque para trapacear, para iludir, para acusar e caluniar adversários, e se não o faz nos palanques, se vale do aparelhamento do Estado para a montagem de dossiês falsos que sempre fez e espalhou na imprensa, acusando sem ter provas, caluniando adversários para comprar apoio popular mistificador.

Na sua aparição no programa que deveria ser da Dilma, porque a candidata é ela, e não Lula, falou todas aquelas barbaridades, disse gato e sapato, para, ao fim e ao cabo, não ter explicado o principal: a quebra dos sigilos fiscais de tucanos e pessoas ligadas ao candidato da oposição, e por que motivo tais informações foram para nas mãos dos petistas do comitê de campanha de Dilma Rousseff!!! Sua fala estúpida teve o propósito único de jogar fumaça sobre as verdades encobertas e que não lhe interessa nem mostrar tampouco explicar à sociedade.

Quanto a esta senhora, seria conveniente que passasse a ter luz própria. Se quer ser presidente do país, deveria ter um pouco mais de autonomia. Não há uma única ocasião em que, se vendo aturdida na campanha, Lula não corra em seu socorro. Ou, todas as vezes que concede entrevista à imprensa, precisa de cicerone para ampará-la. Ou, até de ponto eletrônico em comícios. A continuar assim, se eleita, Dilma se tornará a viúva Porcina às avessas da República: aquela que é, sem nunca ter exercido. Ou uma espécie de rainha da Inglaterra à brasileira: reina, mas não governa.

Lula, segundo Ferreira Gullar

Comentando a Notícia

Ferreira Gullar vem a ser o pseudônimo de José Ribamar Ferreira, nascido em São Luís, Maranhão, em 10 de setembro de 1930). Poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo.

Segundo Mauricio Vaitsman, ao lado de Bandeira Tribuzi, Luci Teixeira, Lago Burnet, José Bento, e outros escritores, fez parte de um movimento literário difundido através da revista que lançou o pós-modernismo no Maranhão, A Ilha, da qual foi um dos fundadores.

Ganhou o concurso de poesia promovido pelo Jornal de Letras com seu poema "O Galo" em 1950. Os prêmios Molière, o Saci e outros prêmios do teatro em 1966 com "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", que é considerada uma obra prima do teatro moderno brasileiro.

Em 2002, foi indicado por nove professores dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal para o Prêmio Nobel de Literatura. Em 2007, seu livro Resmungos ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano. O livro, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, reúne crônicas de Gullar publicadas no jornal "Folha de São Paulo" no ano de 2005. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. Foi agraciado com o Prémio Camões 2010.

A exemplo da maioria dos intelectuais brasileiros de sua geração, Gullar sempre teve simpatias pelo socialismo, porém, o tempo, como ele próprio conta, o fez desiludir-se com a política tupiniquim, a tal ponto de hoje não estar ligado a nenhum partido político.

Porém, é um preocupado com as coisas do país, e escreve costumeiramente para a Folha de São Paulo. E é uma das suas crônicas que reproduziremos abaixo. É leitura obrigatória para se entender e refletir sobre quem é Lula. Gullar mantém uma linha de honestidade com a realidade do país, e por ser assim, por olhar com objetividade nossa realidade, sua opinião e, principalmente, seu olhar testemunho crítico, deveriam ser olhados por todos com muito maior apuro. De minha parte, jamais esta figura “mistificada” de Lula, nunca me enganou. Apesar do discurso, seu comportamento hipócrita, bravateiro e leviano, sempre me fez vê-lo como um dos muitos demagogos que sempre enxovalharam a vida pública brasileira.

Segue o execelente texto de Ferreira Gullar. Que bom se todos tivessem a mesma percepção!!!

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Por Ferreira Gullar, Folha de S. Paulo

Faz muitos anos já que não pertenço a nenhum partido político, muito embora me preocupe todo o tempo com os problemas do país e, na medida do possível, procure contribuir para o entendimento do que ocorre. Em função disso, formulo opiniões sobre os políticos e os partidos, buscando sempre examinar os fatos com objetividade.

Minha história com o PT é indicativa desse esforço por ver as coisas objetivamente. Na época em que se discutia o nascimento desse novo partido, alguns companheiros do Partido Comunista opunham-se drasticamente à sua criação, enquanto eu argumentava a favor, por considerar positivo um novo partido de trabalhadores. Alegava eu que, se nós, comunas, não havíamos conseguido ganhar a adesão da classe operária, devíamos apoiar o novo partido que pretendia fazê-lo e, quem sabe, o conseguiria.

Lembro-me do entusiasmo de Mário Pedrosa por Lula, em quem via o renascer da luta proletária, paixão de sua juventude. Durante a campanha pela Frente Ampla, numa reunião no Teatro Casa Grande, pela primeira vez pude ver e ouvir Lula discursar.

Não gostei muito do tom raivoso do seu discurso e, especialmente, por ter acusado "essa gente de Ipanema" de dar força à ditadura militar, quando os organizadores daquela manifestação -como grande parte da intelectualidade que lutava contra o regime militar- ou moravam em Ipanema ou frequentavam sua praia e seus bares. Pouco depois, o torneiro mecânico do ABC passou a namorar uma jovem senhora da alta burguesia carioca.

Não foi isso, porém, que me fez mudar de opinião sobre o PT, mas o que veio depois: negar-se a assinar a Constituição de 1988, opor-se ferozmente a todos os governos que se seguiram ao fim da ditadura -o de Sarney, o de Collor, o de Itamar, o de FHC. Os poucos petistas que votaram pela eleição de Tancredo foram punidos. Erundina, por ter aceito o convite de Itamar para integrar seu ministério, foi expulsa.

Durante o governo FHC, a coisa se tornou ainda pior: Lula denunciou o Plano Real como uma mera jogada eleitoreira e orientou seu partido para votar contra todas as propostas que introduziam importantes mudanças na vida do país. Os petistas votaram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e, ao perderem no Congresso, entraram com uma ação no Supremo a fim de anulá-la. As privatizações foram satanizadas, inclusive a da Telefônica, graças à qual hoje todo cidadão brasileiro possui telefone. E tudo isso em nome de um esquerdismo vazio e ultrapassado, já que programa de governo o PT nunca teve.

Ao chegar à presidência da República, Lula adotou os programas contra os quais batalhara anos a fio. Não obstante, para espanto meu e de muita gente, conquistou enorme popularidade e, agora, ameaça eleger para governar o país uma senhora, até bem pouco desconhecida de todos, que nada realizou ao longo de sua obscura carreira política.

No polo oposto da disputa está José Serra, homem público, de todos conhecido por seu desempenho ao longo das décadas e por capacidade realizadora comprovada. Enquanto ele apresenta ao eleitor uma ampla lista de realizações indiscutivelmente importantes, no plano da educação, da saúde, da ampliação dos direitos do trabalhador e da cidadania, Dilma nada tem a mostrar, uma vez que sua candidatura é tão simplesmente uma invenção do presidente Lula, que a tirou da cartola, como ilusionista de circo que sabe muito bem enganar a plateia.

A possibilidade da eleição dela é bastante preocupante, porque seria a vitória da demagogia e da farsa sobre a competência e a dedicação à coisa pública. Foi Serra quem introduziu no Brasil o medicamento genérico; tornou amplo e efetivo o tratamento das pessoas contaminadas pelo vírus da Aids, o que lhe valeu o reconhecimento internacional. Suas realizações, como prefeito e governador, são provas de indiscutível competência. E Dilma, o que a habilita a exercer a Presidência da República? Nada, a não ser a palavra de Lula, que, por razões óbvias, não merece crédito.

O povo nem sempre acerta. Por duas vezes, o Brasil elegeu presidentes surgidos do nada - Jânio e Collor. O resultado foi desastroso. Acha que vale a pena correr de novo esse risco?

A Parteira Do Atraso

Percival Puggina

Não vou abrir espaço para a personagem que dá motivo a este artigo. O que está a exigir considerações foi o que disse e por que disse. Seu tema era o mérito como forma de ascensão funcional. Para ela, não se deve avaliar o desempenho de alguém individualmente, nem em grupo, porque diferentes grupos e diferentes indivíduos são incomparáveis em suas circunstâncias, limitações e possibilidades. Todos deveriam receber um bom salário e ponto final. Ela confundia avaliação de desempenho com comparação entre pessoas.

Não preciso dizer em que ponta do time joga a companheira. Sua tese tem tudo a ver com o pensamento esquerdista que tira de quem trabalha muito e passa para quem trabalha pouco até que ninguém trabalhe mais (não estou negando a necessidade de políticas sociais). As consequências são conhecidas teórica e empiricamente. Mas a tese tem razoável penetração e acolhimento, porque, apesar da profunda perversão que produz, ela se encobre com o manto de uma suposta justiça, bordado nas cores da benevolência. No fundo é a tal absorção da ideia de justiça pela ideia de igualdade.

Falemos da vida e dos fatos da vida. Aprendi de guri, lá na minha Santana do Livramento, que os alunos mais dedicados aos estudos eram aqueles que disputavam - disputavam mesmo - os primeiros lugares da turma. Eu não estava no estressado Japão do século 21 e em nenhuma metrópole dominada pelo liberalismo. Ninguém, na turma, sonhava com ser um bamba entre os tigres asiáticos. Éramos apenas meninos e meninas dos anos 50, numa cidade interiorana. Mas estudávamos pacas, disputávamos notas. E, assim, aprendíamos muito.

Aquela experiência escolar, vivida no antigo curso primário - hoje ensino fundamental - valeu-me para a vida. Compreendi então, ainda em calças curtas, que o progresso e o sucesso têm tudo a ver com esforço e quanto maior ele for, maior será a recompensa. Foi o que me tornou resoluto adepto da valorização do mérito. A União Soviética, a extinta URSS, exigiu muito empenho dos Estados para acompanhar seus avanços tecnológicos na corrida armamentista e espacial. Por quê? Porque havia muita coisa em jogo. O resto do país era um retrato do fracasso comunista, mas havia na URSS um nível de excelência nesses dois conjuntos de atividade.

Cuba, não deixava por menos. Seus atletas eram feras em competições internacionais. Por quê? Porque na sociedade cubana, na Cuba da libreta provisória de racionamento que já leva meio século, os atletas têm acesso a proteínas que o restante da população não consegue comprar. Nos países comunistas, o mérito esportivo alivia os penares da existência. Ademais, a vitória esportiva é instrumento de propaganda de regimes que sobrevivem às custas da propaganda. Resumindo: em países sob regime totalitário de viés marxista podem surgir áreas de excelência, mas isso só ocorre se há algo sendo disputado.

Portanto, quando se automatizam as promoções funcionais, desvinculando-as do merecimento, quem resulta automatizada é a mediocridade. No mundo de qualquer época, a mediocridade é parteira do atraso.

È muito Estado para coisa nenhuma

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14 milhões ainda vivem na escuridão do conhecimento

Dilma, do alto de sua inculta fala, afirma que o Brasil teve duas datas de independência: a do 7 de setembro, quando nos desgarramos de Portugal, e a do dia em que quitamos a dívida com FMI. Tadinha, precisa se informar melhor. Porque, com 14 milhões de analfabetos, e tendo 1 em cada cinco classificados como analfabetos funcionais, não existe liberdade plena no Brasil. Independência NÃO combina com Analfabetismo! Ou seja, o contingente de pessoas, que por não saberem ler e escrever, ou que mal conseguem assinar seu próprio nome, representam bem que o Estado brasileiro ainda não conseguiu e não consegue atender às necessidades mais primárias de sua população de quase 200 milhões de pessoas.

É uma chaga que imputo a culpa não apenas aos governantes, mas a todo o Estado brasileiro, em todos os seus níveis, juntos num mesmo balaio de culpados, legislativo, judiciário e executivo. Os privilégios com que esta casta encastelada em palácios e palacetes cada vez mais nababescos, representam a triste miséria moral do país. Um estado paquidérmico e irresponsável, alienado da realidade do povo que o sustenta em larga conta, e que recebe serviços insuportavelmente indignos, para não se dizer sub-humanos.

Não se pode aceitar o velho discurso canalha da classe política que insistem em atirar as culpas de sua desídia, à uma elite fantasma. Mirem-se no espelho, senhores. A elite que explora e subjuga o povo faminto deste país é a elite política, fidalga, expropriadora que age nos subterrâneos do poder para se autoconceder privilégios em negociatas escusas, que autoalimentam pela exploração de seu próprio povo.

Assim, enquanto tantos ainda padecerem na escuridão do conhecimento, não como nos declararmos independentes. Independência não combina com Analfabetismo. É por isso que Lula tratou de criar seu próprio curra eleitoral no Nordeste: é onde menos o brasileiro tem acesso à educação e à informação.

Ainda segundo o PNAD - Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar, a situação de serviços essenciais como acesso à água potável e esgoto sanitário, deveriam envergonhar qualquer governante honesto. A falta destes serviços se transformam na raiz dos graves problemas de saúde pública que aflige a imensa maioria da população brasileira. E, neste caso, nem é preciso ir ao Nordeste e Norte do país para se defrontar com casos absurdos de descaso. No Rio de Janeiro mesmo, vive um quadro de caos e de abandono.

Dentre tantos outras razões, este descaso todo, sem dúvida, acaba se tornando a minha maior crítica não apenas ao governo Lula, que manipula estatísticas, esconde a real dimensão dos problemas do país à sua população, na tentativa de encobrir sua omissão, sua falta de ação e de projetos. Insisto em afirmar que o Brasil da fantasia da propaganda oficial não guarda a mínima relação com o Brasil real que vem a ser o país que efetivamente atormenta a todos, todos os dias. Mas critico em igualdade de condições e culpa, as “gentes” tanto do Judiciário quanto do Legislativo, que parecem viver em outro país, não atolado de dificuldades e de serviços públicos sub-humanos como os nossos. Legislam e atuam com o propósito específico de se autoconcederem privilégios em cima de privilégios, e de encastelarem em fortaleza onde a luxúria e conforto destoam do quadro miserável em que vive a imensa maioria dos brasileiros.

Não é fazendo afirmações de efeito, mas distante da realidade, que um governante conseguirá debelar as mazelas da vida nacional. Não independência enquanto a dignidade das humanas flutua no charco dos esgotos a céu aberto. Não dotando as residências de internet banda larga a preços baixos, que a água potável deixará de faltar nas mesmas residências. Portanto, o povo está longe ainda, muito longe da sua real independência. Esta só será, de fato, obtida, quando o Estado brasileiro desempenhar com responsabilidade seu verdadeiro papel, dotando os lares de milhões brasileiros com o mesmo conforto que se encontra nas centenas de repartições públicas tão inúteis quanto as centenas de milhares de pessoas que lá estão a não fazer absolutamente nada, a não ser justificar a força política de seus padrinhos que ficam mamando e sugando o fruto do trabalho de um povo tratado com absoluto descaso. Somos escravos de nossos gigolôs.

TCU aponta falhas na segurança de dados de 65% dos órgãos federais

Claudia Bomtempo Da TV Globo

Vazamento na Receita é ‘exemplo de falta de segurança’, diz secretário.
Governo informou que só vai se manifestar após receber levantamento.

Levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou falhas na segurança de dados em 65% dos órgãos públicos federais. O levantamento foi feito este ano em 265 órgãos públicos, entre hospitais, universidades, ministérios, centrais de pagamento de benefícios e tribunais.

“O caso do vazamento da Receita Federal é um exemplo de falta de segurança”, diz o secretário de Fiscalização de Tecnologia da Informação do TCU, Claudio Castello Branco. Segundo ele, 97% dos funcionários dos órgãos não têm nem treinamento para retomar o sistema depois de uma pane.

Toda a administração pública está ficando eletrônica, e é preciso combater o risco de perda de informações em processos judiciais, por exemplo”, alerta Castello Branco.

Procurado pelo G1, o Ministério do Planejamento informou que só vai se manifestar sobre o assunto quando for oficialmente informado do levantamento pelo TCU.

O TCU não divulga qual a situação de cada órgão, mas, segundo o tribunal, os que estão com melhor índice de segurança são os bancos públicos.

Os ministros do TCU apontam a necessidade de adoção de ações "urgentes" para atualizar os sistemas nos órgãos e proteger os dados sigilosos com eficiência.

Eles receberam este ano R$ 12,5 bilhões para isso. Segundo o tribunal, o “descontrole” pode ser visto como mau uso da verba do Orçamento da União.

“A fraude eletrônica hoje é a mais limpa e a mais difícil de rastrear”, diz Castello Branco. “Os sistemas de informação são o coração da administração pública. Se ela falha, tudo pode parar.”

Quando até o inferno recusa a alma de Fidel, é melhor o pecador se converter.

Adelson Elias Vasconcellos

A doença de Fidel Castro, que o afastou do poder, e o manteve a beira da morte por quase quatro anos, parece que teve o dom de fazê-lo cair em si. Os milhares de assassinatos cometidos pelo regime de terror e tirania, parecemassombrarem o velho “comandante”. Como o inferno se recusasse em receber sua alma, e diante da ameaça de rondar por aí feito zumbi, ou alma penada, melhor mesmo é o pecador se converter logo, do contrário...

Na semana passada Fidel assumiu a culpa pela perseguição que seu governo fez, durante 50 anos, aos homossexuais de seu país. Palavras de Fidel: "...Sim, foram momentos de grande injustiça, uma grande injustiça! Fomos nós que fizemos, fomos nós... Estou tentando diminuir minha responsabilidade em tudo isso...”

Surpresas das surpresas, eis que por Gustavo Chacra, Estadão, nos informa:

Fidel entra na onda e manda Ahmadinejad calar a boca

Eu não imagino que ninguém foi mais caluniado do que os judeus. Eu diria que muito mais do que os muçulmanos. Eles foram caluniados bem mais do que os muçulmanos porque eles são acusados por tudo. Ninguém acusa os muçulmanos. Os judeus vivem uma existência muito mais complicada do que a nossa. Não há nada que se compare ao Holocausto”.

“O governo iraniano precisa entender que os judeus foram expulsos de suas terras, perseguidos e maltratados em todo o mundo como aqueles que teriam matado Deus”

Fidel Castro, em entrevista a Jeffrey Goldberg, da revista The Atlantic

Perguntado se diria o mesmo ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, o líder cubano afirmou – “Estou dizendo isso para que você o comunique”.

Este foi o segundo “cala boca” que Ahmadinejad recebe nesta semana de figuras que de forma alguma podem ser consideradas próximas de Israel. O primeiro veio do porta-voz da Autoridade Palestina.

A declaração de Nabi Abu Rudeinah e agora a de Fidel Castro valem mais do que sanções econômicas ou ameaças de ataques militares contra o regime iraniano. Quem sabe o próximo a falar não será Lula.

É, mas Lula, nestas horas, está mais preocupado em agredir as vítimas do crime cometido por agentes do seu governo, cujos dados na Receita Federal foram ilegalmente violados.

Mas parece que Fidel está mesmo querendo surpreender o mundo. Perguntado se ainda valeria tentar exportar o modelo comunista cubano para outros países, respondeu:"'O modelo cubano não funciona mais nem para nós".

Faço ideia da cara de espanto que os nossos esquerdista do tipo José Dirceu, Marco Aurélio Top-Top Garcia, Samuel Pinheiro, até de Celso Amorin e Lula, devem ter feito diante destas declarações. Imaginem então o aprendiz de feiticeiro de tirano, o venezuelano Hugo Chavez, que se considerava legítimo sucessor no continente, das bandeiras do comunismo cubano!!!

Gente, será o superaquecimento que já está afetando até os miolos de Fidel Castro? Ou será que os fantasmas dos milhares de inocentes que matou e assassinou, estariam saindo dos túmulos para um processo de purificação do pecador? O que sei é que, declarações deste teor, vindas de quem vem, nos fazem refletir sobre o grau de atraso em que nossos esquerdopatas se enfiaram e tentam, desesperadamente, arrastar o Brasil. Já nem falo do que está acontecendo na Venezuela, Bolívia, Equador e, em grau menor, na Argentina. “Cada qual com seus pobrema” não é mesmo?

Mas é oportuno que o povo brasileiro reflita para o discurso de Lula e PT. quando ao projeto que defendem e querem implantar no Brasil. É tão retrógrado que até Cuba, ou mais propriamente, Fidel Castro, já o considera ultrapassado. Quando ele próprio chega a pensar assim, é porque se trata de um projeto que não interessa, definitivamente, ao nosso país, como de resto, a nenhum outro. Infelizmente, Cuba pagou muito caro - durante 50 anos - com atraso econômico, miséria, pobreza, e milhares de vítimas inocentes, para dar-se conta do grave erro cometido. Não se queira que o povo brasileiro vá viver a mesma cruel experiência.

Por que não te calas, Amorim?

Adelson Elias Vasconcellos

Lula, em sua última viagem à Cuba, chegou no exato dia em que morria um dentre centenas de dissidentes políticos cubanos, presos e torturados anos a fio, por divergirem do pensamento dos irmãos Castro, assassinos e tiranos, que mantém aquela debaixo do tacão ditatorial há cinquenta anos. Inquirido sobre sua posição, Lula simplesmente, de forma asquerosa, comparou os presos políticos daquele país aos criminosos comuns brasileiros. Recusou-se, inclusive, a receber uma carta assinada pelos muitos dissidentes, pedindo sua interseção junto à ditadura cubana em seu favor.

Passados alguns meses, a Igreja Católica e o governo da Espanha conseguiram algo que Lula se recusara sequer a pedir aos seus amigos tiranos: a libertação de alguns dissidentes, imediatamente recebidos pelo governo espanhol em total solidariedade. Nem prá isso, Lula se ofereceu, ao contrário, para este “profeta da paz”, melhor acolher narco-guerrilheiro da Farc, como Oliverio Medina, ou o terrorista italiano, Cezare Battisti.

Não demorou muito para Amorim e demais deslumbrados socialistas do Itamaraty tentarem aplicar e emplacar a mentira de que Lula tinha trabalhado pela libertação dos dissidentes cubanos. O mundo sério e desenvolvido deve ter se fartado de rir da cretinice lulista.

Em relação ao Irã, Lula não se comportou de maneira diferente. Comparou os protestos do povo iraniano pela fraude nas eleições que mantiveram Ahmadinejad no poder, à briguinhas de torcida de futebol. Por todos os santos!

Diante da indignação do mundo face a ameaça, ainda não afastada de todo, do apedrejamento de uma mulher, Lula disse se a mesma era problema para Ahmadinejad, o Brasil a receberia de braços abertos. Quanto a forma como a mesma fora julgada e condenada, associada a forma selvagem de execução, nenhuma palavra, nenhum “ai”.

Quase que o mundo inteiro se mobilizou em favor da iraniana Sakineh Ashtiani. E, quando digo “quase”, é porque no Brasil de Lula, não se viu uma única iniciativa de parte do governo, em promover passeatas de protestos em favor de Sakineh. Silêncio absoluto.

Ocorre que a Europa está mais próxima e exerce enorme influência sobre Teerã. Não apenas por sua influência econômica sobre aquele país, bem como por acolher em seus territórios um contingente fabuloso de imigrantes iranianos. Mas lá, não apenas os governos mobilizaram-se em pressionar Teerã a rever sua decisão. Também incentivaram passeatas e protestos juntos às embaixadas daquele país.

Hoje, para alegria da comunidade internacional – a decente, claro -, Teerã anunciou a suspensão da execução de Sakineh.

E, do outro lado do mundo, saído nada, eis que aparecesse o senhor Celso Amorim para dizer o quê? Isto. Comento em seguida.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quarta-feira que as "gestões" do presidente Luiz Inácio da Silva em contato com o governo do Irã tiveram "peso" na suspensão da sentença de apedrejamento de Sakineh Ashtiani.

"Não podemos atribuir só a nós, mas certamente as gestões do presidente Lula terão tido um peso, como creio que já tiveram até agora, inclusive no que já aconteceu até hoje", disse o chanceler, em Brasília.

Ou seja, Lula já não se contenta mais em roubar as obras e os feitos de Fernando Henrique aqui dentro do país. Quer roubar, no campo internacional, a cena de todos os governos, menos o dele, que pressionaram Teerã a voltar atrás. Não sei se a afirmação grotesca e cretina de Celso Amorim terá alguma repercussão internacional. Torço para tal não aconteça. Mas se a fala debiloide de Amorim se espalhar, o Brasil dará mais um passo atrás no conceito das nações séria do mundo. É muita vergonha produzida por um único ministro!!! 

Amorim não podia achincalhar ainda mais a imagem do país que já é visto lá fora com muitas reservas, apesar do discurso da dupla Luma (Lula e Dilma), insinuar aqui dentro o contrário, por conta da aproximação de Lula de forma intensa a governos onde reinam a tirania e a opressão. Poderíamos aqui, lembrar questões como Venezuela versus Colômbia, a intromissão irresponsável na questão de Honduras, a omissão vergonhosa e cúmplice ao regime cubano, como já acontecera com o genocídio praticado no Sudão (mais de 300 mil mortos), e as patetices protagonizadas por Lula com o governo teocrático do Irã.

No Brasil tem gente que diz que, em tempos de eleição, o brasileiro não dá importância às questões de política externa. Não creio. Acho que a maioria assiste noticiários e sabe separar o que é um governo democrático de uma ditadura.Duvido que, se fizessem uma pesquisa junto ao eleitorado, a grande maioria não demonstraria a noção exata do que se passa em Cuba e Venezuela, só para citar exemplos mais próximos. E esta mesma maioria repudia governos como os de Chavez e dos irmãos Castro.

Nossa importância cresceu junto à comunidade internacional, não por conta do governo Lula. E, sim, porque o país, desde a metade da década de 1990, tem se comportado de forma exemplar na condução de sua políticas econômicas e social, a tal ponto que lá fora todos não se negam em reconhecer que Lula apenas deu continuidade ao que Fernando Henrique começou e implementou.

É justamente por conta deste comportamento delinquente, protagonizado por Lula, e cumprido à risca por Amorim, que o país ainda é tratado com certa reserva. E isto, foi aqui previsto com pelo menos quatro anos de antecedência, quando disse que lá fora, dentre os países desenvolvidos, seria mais difícil para Lula conseguir mascarar sua real personalidade. Esta máscara começou a ruir exatamente a partir dos eventos citados acima, além do Itamaraty e do próprio Lula terem adotado posturas de um antiamericanismo estúpido e desnecessário.

Apenas para que se perceba a irrelevância de Lula lá fora, vale dizer que todo o resultado de suas centenas de viagens ao exterior, resultou em o país ver reduzida sua participação no comércio internacional global. Perdermos mercados, temos hoje mais importadoras do que exportadoras, o número de empresas exportadoras vem se reduzindo ano após ano, e estamos praticamente reduzidos a exportadores de matéria prima.

E, quanto a questão do contencioso com os Estados Unidos sobre os subsídios ao seus produtores de algodão, que Lula e Amorim tanto comemoram, é bom registrar o seguinte: quem denunciou os americanos à OMC foi o governo FHC, a partir do qual resultou em intensa investigação que culminou com a decisão daquela corte internacional, em aplicar retaliações comerciais de até 860 bilhões de dólares contra produtos americanos. Portanto, eles,mais uma vez, estão posando e cumprimentando com o chapéu alheio.

Aliás, leiam o post seguinte sobre certas declarações de Fidel Castro hoje divulgadas. Se até para o tirano cubano a ficha já caiu, está mais do que hora do mesmo acontecer com Lula e Amorim. Assim, diante das besteiras do nosso ministro das Relações Exteriores (ou seria de Terrores?), quando confrontadas com o resultado prático disto tudo, só nos resta gritar: por que não te calas, Amorim?

Dilma repete em 2010 o palavrório que o chefe aprendeu a ler na campanha de 2006

Augusto Nunes, Revista Veja

Os espantos protagonizados por Lula já não espantam ninguém, certo? Errado, prova em 2 minutos e 26 segundos um vídeo tão surpreendente quanto desmoralizante. Quem montou o documento histórico foi o Lucio Neto, que o divulgou em primeira mão no seu blog. A sequência de falatórios comprova que Dilma Rousseff repete em 2010 as falsidades que Lula repete, com as mesmíssimas palavras, a cada campanha eleitoral. Se os protagonistas soubessem envergonhar-se, seria um documento vergonhoso.

LULA: SÓ MUDA A ROUPA. A CARA É A MESMA

Poupança do Brasil é a menor entre os emergentes

Érica Fraga, Folha.com

Os gastos excessivos do setor público contribuem para que o Brasil divida com a Turquia o posto de país emergente com a menor taxa de poupança doméstica.

A poupança de um país engloba recursos que, em vez de serem destinados ao consumo, são economizados. Na conta, entram tanto governo como empresas e famílias.

Segundo dados da consultoria Economist Intelligence Unit (EIU), Brasil e Turquia tinham taxas de poupança doméstica próximas a 15% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2009, a menor entre 24 mercados emergentes.

O percentual baixo contrasta com números de 54,5% da China, 31,4% da Índia, 24% da Argentina e 21,7% do México.

País que poupa pouco tem baixa capacidade de financiar investimentos. Se há disposição do setor privado para investir muito, os recursos precisam vir de fora.

É exatamente o que vem ocorrendo no Brasil, onde os investimentos produtivos das empresas têm aumentado, nos últimos anos, em um ambiente de forte consumo do governo e das famílias.

A consequência da baixa poupança doméstica tem sido déficit crescentes nas chamadas transações correntes do país com o exterior.

Depois de registrar superávit em conta corrente entre 2003 e 2007, o Brasil voltou a apresentar déficit em 2008. Os déficit em conta corrente do país acumulados em 12 meses têm crescido de forma consecutiva nos últimos dez meses, alcançando 2,24% do PIB em julho.

Robert Wood, analista sênior da EIU, diz que as reformas feitas na última década para aumentar a estabilidade econômica e desenvolver os mercados de capitais criaram um melhor ambiente para que as famílias brasileiras pudessem poupar parte de sua renda.

"Mas o fato de que a poupança doméstica permanece tão baixa sugere que fatores inerciais, como temor de volta da inflação ou de confiscos, e culturais, como a baixa propensão para poupar, talvez continuem sendo determinantes", diz Wood.

SETOR PÚBLICO
Além disso, o setor público continua gastando muito mais do que arrecada: o déficit nominal alcançou 3,36% do PIB nos 12 meses terminados em julho passado contra, respectivamente, 3,23% e 2,23% no mesmo período de 2009 e 2008.

Economistas projetam que o déficit em conta corrente continuará aumentando. Mas se perguntam sobre até que ponto investidores de fora estarão dispostos a financiá-lo, pois a fatia do déficit coberta por capital de curto prazo (que pode deixar o país da noite para o dia) aumentou significativamente.

Balela do Superávit Primário

João Luiz Mauad




O Banco Central divulgou recentemente que o setor público do país, que engloba a União, os estados e os municípios, além das empresas públicas, registrou um superávit nominal da ordem de R$ 2,2 bilhões em janeiro. Segundo a informação, é o primeiro superávit nominal do governo desde o mês de outubro de 2008.

Embora janeiro seja um mês atípico, já que muitas das despesas orçadas, especialmente as que estão fora dos itens de despesas correntes, ainda não estão formalmente empenhadas e, consequentemente, seus desembolsos ainda não estão autorizados (*), não resta dúvida de que um resultado nominal positivo é sempre uma boa notícia. Melhor seria, porém, se esse resultado viesse a repetir-se todos os meses, mas esse parece ser um ideal muito distante.

O máximo a que os governos têm se proposto, já faz alguns anos, é o estabelecimento de metas de superávit primário, que vem a ser o resultado das contas públicas sem a parcela das despesas financeiras – os juros da dívida pública. Trata-se, na verdade, de uma ginástica contábil e semântica que visa tão somente a iludir os cidadãos comuns. Todos os meses, com raras exceções, como em janeiro último, o setor público gasta mais do que arrecada, mas publica um resultado superavitário, que muitos gostam de chamar de “economia para pagar juros”. Só que essa economia, na imensa maioria das vezes, não é suficiente e o resultado real é um déficit real, que precisa ser coberto com a emissão de títulos, ou seja, com mais dívida.

Qualquer um de nós, ao traçar o orçamento doméstico, lista, no rol das despesas, todos os gastos da família. Isso inclui alimentação, moradia, educação, saúde, vestuário, lazer, etc. Todas as prestações referentes a compras a prazo ou dívidas bancárias, que embutem juros, fazem parte do nosso orçamento. Dessa forma, as prestações de um carro ou de uma TV novos significam a redução de outras despesas, como lazer, por exemplo, durante um certo período. Não importa qual é o tipo de gasto, se ele é financeiro ou não, o certo é que as nossas contas precisam fechar, ou seja, nossas receitas devem ser, no mínimo, iguais às despesas, para que não precisemos lançar mão de nossas poupanças, não nos tornemos inadimplentes ou nossas dívidas não cresçam além de limites razoáveis. O mesmo raciocínio é válido para qualquer empresa que se preze, pois, do contrário, o caminho é a falência.

Infelizmente, no entanto, isso tudo vale somente para os simples mortais. Para o governo, não. Os políticos e os burocratas, como bem sabemos, estão acima do bem e do mal. Quase sempre gastam muito mais do que arrecadam e financiam seus eternos déficits através da emissão de títulos ou de moeda. No primeiro caso, forçarão a sociedade a pagar impostos sempre mais altos e, no segundo, criarão inflação, cujos efeitos de longo prazo são devastadores.

Como ninguém acha bonito gastar mais do que ganha, especialmente a maioria dos eleitores ainda não contaminados pela ideologia esquerdofrênica do Estado gastador, os políticos e burocratas criaram esse eufemismo matreiro chamado superávit primário. Eu disse eufemismo, mas trata-se de uma grande mentira, apoiada num mero artifício contábil.

Mecanismos de crédito, quando utilizados de forma coerente e inteligente, podem ser ferramentas fantásticas para o incremento dos negócios privados. Todos nós, sejamos empresários ou cidadãos comuns, estamos sempre visando a expandir um negócio ou mesmo adquirir bens e serviços para a família, como uma casa nova, um automóvel, etc. Muitas vezes, não temos condições de comprar tudo que desejamos ou de que precisamos, sem a ajuda de financiamentos. Principalmente para as pessoas mais pobres, o mecanismo de crédito pode ser de grande valia para a realização de muitos sonhos.

Mas é preciso ter cuidado. Tomar dinheiro emprestado para financiar gastos correntes, ou seja, despesas do dia-a-dia, pode ser muito perigoso. É um sinal claro de que estamos vivendo acima das nossas possibilidades, o que, a longo prazo, será fatal. E é exatamente isso que vem acontecendo com os sucessivos governos brasileiros, já faz muito tempo. A burocracia do Estado gasta aproximadamente 40% do produto interno bruto do país, mas somente perto de 2% desse valor são investimentos. Todo o resto são despesas de custeio e benefícios.

Depois da crise de 2008, impulsionados pela onda intervencionista que tomou conta do mundo e encheu o governo tupiniquim de incentivos para esbanjar o dinheiro alheio, esses gastos só fazem aumentar, numa tendência frenética, colocando em risco a solvência do Estado e comprometendo as futuras gerações, que serão quem pagará a conta. Os governantes que hoje tomam dinheiro emprestado no mercado não são os mesmos que terão que pagá-lo lá na frente.

Políticos e burocratas de hoje amanhã estarão aposentados com gordas aposentadorias, enquanto os nossos filhos e netos já iniciarão a vida com uma dívida imensa a resgatar.

Como bem disse certa vez o Senador americano Ron Paul, para os governos a emissão de títulos públicos é como um cartão de crédito sem limites, cuja fatura deve ser entregue a terceiros. Ao contrário da maioria dos mortais, que precisam apertar o cinto para pagar as contas, os governos sentem-se à vontade para esbanjar cada vez mais, pois não precisam se preocupar com a conta no fim do mês.

Tenho pena das nossas crianças...

(*) Ao contrário das empresas, as despesas do governo são contabilizadas pelo critério de caixa, ou seja, somente no momento dos efetivos desembolsos, e não, como é comum, pelo critério do período de competência. Por exemplo: se uma empresa compra um insumo a prazo, esse gasto é contabilizado no momento da compra, mesmo que o pagamento ao fornecedor venha a ser feito meses depois. Já as despesas do governo, pelo menos para efeito de apuração desses resultados, só são computadas por ocasião do efetivo desembolso.

Celso Arnaldo e a surpreendente revelação da doutora em nada: ‘Hoje é 7 de setembro”

Augusto Nunes, Revista Veja

O País do Carnaval esperava que, no último 7 de Setembro com a dupla no governo, o ministro Nelson Jobim e o presidente Lula, ambos fantasiados de brigadeiro, irrompessem nos céus de Brasília na cabine de um Rafale e anunciassem com um rasante a abertura do desfile oficial. Como os especialistas em caças negaram fogo, Dilma Rousseff aproveitou outra entrevista coletiva para flutuar na estratosfera. O implacável Celso Arnaldo, sempre de olho na doutora em nada, acompanhou a performance. O relato confirma que o eleitorado brasileiro não vai bem da cabeça:

De uma semana para cá, a estratégia virou rotina de campanha. A presidente pré-eleita irrompe diante da imprensa que faz plantão à porta de sua casa em Brasília para um “pronunciamento” sobre assunto de sua preferência. Tecnicamente, não é uma coletiva — o quinteto de microfones alinhados numa bancada informa que seus donos, repórteres das principais redes de TV do país, serão mantidos a razoável distância, evitando-se perguntas embaraçosas ou gerando perguntas inaudíveis ao espectador. É um cenário semelhante ao que enquadra os pronunciamentos do presidente Obama, nos jardins da Casa Branca, diante dos correspondentes. Ou declarações do primeiro-ministro David Cameron, em frente ao número 10 da Downing Street. Esse privilégio é cacoete e honraria de chefe de estado.

Mas Dilma, ao contrário dessas autoridades, aparece para falar não porque tenha algo importante a dizer, já que nunca é o caso – mas porque, em dia sem agenda pública no meio de uma campanha presidencial, é um risco ficar fora do noticiário do horário nobre da noite. Então, Dilma precisa dizer alguma coisa, todo dia. Dizer o quê?

É seu staff de campanha que a municia com um tema. Presumo que, antes da aparição pública, ela seja submetida a um treinamento de choque – não digo um brain wash, porque nesse caso seria preciso haver um brain. Digamos que é um intensivão de imersão e condicionamento, meio pavloviano, onde toda a camarilha – Dutra, Cardozo, etc – sugere conceitos básicos, figuras de linguagem bem simples, para sustentar o tema e a fala de Dilma. Nem sempre a ideia é criativa. Qual será o tema de 7 de setembro? Lógico: o 7 de setembro.

Para Como o ministro Nelson Jobim do Ex

Vem a candidata, com um terninho da coleção Alexandre Dunga Herchcovitch, seu consultor de estilo. E chega vestida para matar. Pronunciamento da presidente pré-eleita, Dilma Rousseff, sempre abala as estruturas – no mínimo, nos enche de renovada esperança. Sobretudo porque, a seu lado, de camisa de malandro, está seu guarda-costa, o brutamontes ZéDutra13, reserva nacional. As primeiras palavras de Dilma são indiscutivelmente marcantes:

– Hoje é 7 de setembro.

Começa bem, firme, sem erros. Hoje não é dia 6 ou 8, mas 7. E estamos em setembro. Dilma melhora a olhos vistos – como a catarata de meu pai.

Prossegue:

– Então, eu acho que 7 de setembro a gente tem de se fazê uma reflexão sobre algumas ideias-forças que tá por trás da nossa, da nossa situação nacional.

Aí complicou um pouco. Alguém, na reunião da casa, deve ter sugerido usar a expressão ideia-força ou ideias-força — jargão típico de petista que entrou na faculdade de Ciências Sociais só para aderir à greve permanente da UNE. Mas a expressão, composta, era complicada demais para a ideia-fraqueza de Dilma. E ela, para variar, depois de “se fazê” uma reflexão, tropeçou na flexão na hora de repetir o que lhe passaram: o “ideias-forças”, de fato, não caiu bem.

Mas louve-se o esforço de nossa presidente em aprimorar sua oratória: assim que ela deixou escapar “ideias-forças”, percebeu instantaneamente o erro e, com o singular de volta à ponta da língua, lascou um “que tá por trás”.

Depois, hesitou um pouco para fechar o raciocínio que começou tão promissor: atrás do quê, exatamente, estariam as ideias-forças? Enfim, saiu. “Nossa situação nacional” foi a expressão escolhida.

Acatada a sugestão: com Dilma presidente, “nossa situação nacional” será uma vergonha aos olhos do mundo. E acho que o mundo perceberá isso muito antes do próximo 7 de setembro.

O vídeo é obrigatório:

A

Impressão digital

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Um filiado ao PT diretamente envolvido na quebra de sigilo de parentes e correligionários do candidato do PSDB pode ser coincidência. Dois também, mas já fica difícil de acreditar que não seja impressão digital.

A alegação de que não se pode ligar a quebra de sigilos fiscais à campanha eleitoral porque não há conexão entre o calendário das eleições e os atos, ocorridos em 2009, é sofisma puro.

Admitir o argumento como verossímil equivale a aceitar que o presidente Luiz Inácio da Silva só tenha começado a fazer campanha para Dilma Rousseff em abril de 2010, quando ela deixou a Casa Civil para se tornar pré-candidata à Presidência da República.

Não sendo sustentadas por inépcia de raciocínio - por impossível semelhante grau de indigência mental -, determinadas hipóteses só se pode admitir que estejam pautadas pela má-fé.

Ainda assim, são divulgadas como se fossem silogismos da mais pura correção lógica.

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, por exemplo, é um que sofisma naquele sentido. Dilma é outra. Segundo ela, em abril de 2009, quando o petista (o segundo descoberto agora) Gilberto Amarante acionou as informações sigilosas de Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB, nenhuma das candidaturas hoje em disputa estava definida.

É também - mas não só - por isso que é impossível estabelecer diálogo minimamente maduro com esse pessoal que de um determinado momento em diante rompeu qualquer compromisso com a racionalidade e passou a só se relacionar com a panfletagem, para não dizer com a mentira.

Ora, então quer dizer que no ano passado o PT tinha outro nome em vista? Significa que Dutra imaginava sinceramente que o candidato do PSDB pudesse ser outro que não José Serra, candidato a presidente em 2010 desde a derrota de 2002?

O PT, o governo e a campanha estão se enrolando e pior: percebem que pegaram a trilha errada ao tentar esconder informações, influir em investigações e manipular dados porque acabaram deixando pistas desnecessárias.

Agora tentam sair da enrascada aos tropeços. Lula faz piadas de mau gosto - "sigilo, cadê esse tal de sigilo?" -, Mantega expõe a Receita à desmoralização, Dilma pede calma e tenta chamar atenção para os adversários.

Deu para reclamar que não vê divulgado algo que a "intriga": o fato de o jornalista Amaury Ribeiro trabalhar no jornal Estado de Minas na época em que investigava as pessoas que tiveram os sigilos violados, para compor um livro de denúncias sobre as privatizações no governo Fernando Henrique.

Já se divulgou isso, inclusive porque o próprio comitê da campanha do PT o fez. Dutra tocou diversas vezes no assunto no Twitter, mas, como Dilma, nunca falou claro.

Querem dizer que o Estado de Minas é uma espécie de diário oficial do governo de Minas Gerais e que, por isso, Amaury estaria fazendo um serviço a mando de Aécio Neves para atrapalhar a candidatura de Serra à Presidência dentro do PSDB.

E por que não repetem em público o que falam pelos cantos?

Porque a insinuação perderia o efeito e ainda poderiam ser chamados a provar a acusação contra o amigo Aécio.

O presidente do PT pediu para que a Polícia Federal ouça Amaury Ribeiro. Naturalmente para que ele diga que o PSDB está fazendo confusão entre dossiê e informações coletadas para a confecção do tal livro e, assim, reforce as suspeitas de que a história toda surgiu de uma briga interna entre tucanos.

Muito bem, e daí? E se tiver surgido?

O que fazia Amaury Ribeiro trabalhando para o grupo de "inteligência" da campanha de Dilma? E esses petistas envolvidos diretamente no acesso às declarações de renda Receita?

E a Receita, por que omitiu informações das investigações? E o ministro da Fazenda, por que não foi ao Congresso falar do caso e quando falou preferiu desmoralizar a Receita a estabelecer um elo mínimo que fosse com a campanha?

Essas pessoas todas, essa trapalhada que se houver gente séria nesse País acaba mal foi mobilizada dessa forma para que, para proteger os tucanos? É só o que falta ser dito.

Combinar com os eleitores

De Merval Pereira, O Globo

Não há ainda informação confiável sobre a repercussão do escândalo da quebra em série de sigilos fiscais na decisão dos eleitores, e ambos os lados da disputa anunciam números favoráveis: para os petistas, se alguma coisa se moveu foi a favor de Dilma, que teria ampliado sua diferença sobre Serra apesar dos pesares. Para os tucanos, os números já indicariam uma queda de Dilma e subida de Serra, restando confirmar se essa é uma tendência que pode levar a eleição ao segundo turno.

Assim como a iniciativa de pedir ao TSE que retirasse do ar a propaganda em que Collor aparece pedindo votos para Dilma demonstra que esse apoio não repercute bem na campanha petista, também a reação do presidente Lula é uma demonstração de que o caso da quebra continuada de sigilos por diversas repartições da Receita pelo país é um assunto potencialmente perigoso para a campanha de Dilma Rousseff.

Disse o presidente, sempre como se estivesse em um palanque eleitoral, e não na posição de líder de um país, que, da mesma forma que "armaram" contra ele em 2006, estão querendo "armar" agora para cima de sua candidata.

A relação entre um caso e outro é sintomática quando feita pelo próprio presidente, e é ruim para a campanha oficial, porque embute a aceitação de que pode acontecer o mesmo agora, com o novo caso dos "aloprados" levando a eleição para o segundo turno.

Também o raciocínio desenvolvido dentro do governo, revelado ontem pelo secretário particular de Lula, o sempre fiel escudeiro Gilberto Carvalho, espelha a fragilidade da defesa diante das evidências.

Para ele, há ligações muito "tênues" entre o PT e as quebras de sigilo, uma ligação que só ficaria evidenciada caso, em vez de "petistas da base", estivessem envolvidos petistas da direção partidária.

Ora, mais petistas da direção partidária do que os envolvidos no escândalo do mensalão, impossível. O próprio chefe do Gabinete Civil de então, José Dirceu, foi identificado pelo procurador-geral da República como o "chefe da quadrilha" que fora montada dentro do Palácio do Planalto para manipular as bancadas do Congresso Nacional.

Um ano depois, estoura o caso do dossiê contra os candidatos tucanos ao governo de São Paulo, José Serra, e subsidiariamente contra o candidato a presidente da República, Geraldo Alckmin.

Apanhados em flagrante com um punhado de dinheiro vivo dentro de um hotel em São Paulo, os "aloprados" indicaram como agentes da ação criminosa Jorge Lorenzetti, o churrasqueiro pessoal de Lula; Freud Godoy, seu segurança pessoal transformado em assessor especial; e Hamilton Lacerda, na época assessor do gabinete do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e coordenador da sua campanha ao governo estadual.

Mais ligados ao comando do partido e ao Palácio do Planalto do que isso, também é impossível.

Mas até agora nada aconteceu com nenhum dos envolvidos. Os que foram denunciados no Supremo Tribunal Federal pelo mensalão continuam atuando de uma maneira ou de outra no PT, e os "aloprados" vão levando sua vidinha, sempre ligados ao partido e ao governo.

Como um dos argumentos mais utilizados pelos governistas para tentar desqualificar as denúncias é que não interessava à campanha de Dilma quebrar sigilos fiscais quando a eleição está praticamente vencida no primeiro turno, nunca é demais lembrar que o presidente Lula chamou de "aloprados" seus amigos e correligionários que participaram daquela operação em 2006 justamente porque não havia razão para tumultuar uma eleição que caminhava para ser resolvida no primeiro turno.

Sigilo fiscal de genro de Serra também foi violado

De Leandro Colon e Rui Nogueira, do Estadão.com

O sigilo fiscal do empresário Alexandre Bourgeois, genro do candidato à Presidência José Serra (PSDB), também foi violado na Receita Federal.

Os dados dele foram vasculhados no dia 16 de outubro do ano passado, oito dias depois da violação dos sigilos de sua mulher, Verônica Serra, do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de mais três tucanos.

As informações do genro de Serra foram acessadas três vezes a partir do computador da servidora Adeildda Ferreira dos Santos.

O sigilo fiscal de Alexandre foi violado na agência da Receita em Mauá, mesmo palco dos outros acessos ilegais. Verônica Serra ainda teve sua declaração de renda violada no dia 30 de setembro por meio de uma procuração falsa.

O sigilo telefônico da servidora Adeildda será entregue ao Ministério Público Federal. Segundo informações obtidas pelo Estado, a Justiça Federal já autorizou a quebra dos dados telefônicos da funcionária do Sepro, acusada de envolvimento na violação dos dados fiscais.

A decisão da Justiça obriga três operadoras de telefonia celular a entregar o histórico de ligações telefônicas da servidora entre agosto e dezembro do ano passado.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal esperam que esses dados contribuam para investigar o envolvimento da funcionária no episódio.

Partiu do computador dela, na agência da Receita em Mauá, a violação dos dados fiscais, no dia 8 de outubro, de Eduardo Jorge e de Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Preciado, todos vinculados ao alto escalão do PSDB.

Na manhã daquele mesmo dia, os dados de Verônica Serra, filha de José Serra, foram acessados do mesmo computador, conforme revelou o Estado na segunda-feira, 6.

Adeildda nega ligação com o caso e diz que seu computador foi usado por outras pessoas.A PF já analisa o computador da funcionária. Os dados de Eduardo Jorge foram parar num dossiê que passou pelas mãos de membros da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência.

O episódio derrubou o jornalista Luiz Lanzetta, que deixou em junho a campanha da petista por ligação com o caso.

O assunto proibido da eleição

J.R. Guzzo, Revista Exame

É aceitável que candidatos à Presidência da República atravessem uma campanha eleitoral inteira e cheguem ao dia das eleições sem ter assumido nenhum compromisso preciso sobre o que pretendem fazer em relação aos impostos pagos pelos eleitores cujos votos estão pedindo? Não se trata de pouca coisa. Os candidatos não estão disputando a presidência de um clube de debates; estão solicitando que a população os coloque, simplesmente, no principal cargo público do país. Da mesma maneira, impostos não são um detalhe secundário, que possa ser entregue aos estudos de uma equipe de técnicos e deixado para ver depois. Ao contrário: envolvem interesses diretos, imediatos e permanentes do eleitor, e estão entre as questões mais críticas da economia nacional. Não deveria ser aceito como um fato normal, portanto, que a pessoa que vai estar sentada na cadeira de presidente do Brasil daqui a seis meses chegue lá sem ter dito nada de útil sobre o assunto. Não deveria, mas, salvo alguma grande surpresa, é exatamente isso o que vai acontecer.

Todos os candidatos, é claro, dizem que estão preocupados com o tema. Deploram a situação de anarquia vivida há anos pelo sistema tributário brasileiro. Prometem mais racionalidade, mais eficiência e mais justiça na cobrança dos impostos. Não resistem, obviamente, ao impulso de pregar a necessidade de um regime fiscal mais “enxuto” – eis aí uma palavra que, por alguma razão, fascina os políticos brasileiros. Em certos momentos, chegam até mesmo a dizer que o país está precisando de uma reforma fiscal – junto, naturalmente, com pelo menos mais uma dúzia de outras reformas indispensáveis e urgentes. A única coisa que não falam, em matéria de impostos, é o que realmente pretendem fazer com eles na prática. “Reforma fiscal”, na experiência brasileira, é algo que não quer dizer rigorosamente nada; por isso mesmo a expressão é utilizada com tanta frequência na vida pública, pois permite que a pessoa fique a favor do bem sem ter de assumir compromisso nenhum. Como, na verdade, o conceito de “reforma fiscal” poderia ter algum significado quando o administrador público brasileiro, como princípio supremo, só admite mexer em impostos se houver a garantia de que qualquer mudança não vá diminuir em nada a arrecadação?

Dos candidatos à Presidência, em matéria de impostos, o eleitor tem o direito de esperar três definições muito objetivas e descomplicadas. O candidato, se eleito, vai cortar quais impostos, e em quanto? Vai deixar a situação como está? Vai aumentar o número de impostos ou suas alíquotas atuais? (Fica entendido, evidentemente, que não vale suprimir um imposto ou reduzir uma alíquota e fazê-los reencarnar em outro lugar da receita.) Qualquer manifestação, por parte dos candidatos, que não responda a essas perguntas será, no fim das contas, conversa fiada – e, pelo andar da procissão até agora, é justamente conversa fiada o que o eleitorado vai ouvir até o dia 3 de outubro. Quanto às convicções reais dos dois principais concorrentes em relação ao tema, o que se pode fazer no momento é examinar seu histórico, pois eles mesmos, de viva voz, não se abriram a respeito de nenhuma das três definições mencionadas acima – e não parecem prestes a se abrir. O ex-governador José Serra é possivelmente o político brasileiro de primeiro plano que melhor conhece a administração pública brasileira; se não fala sobre redução de impostos, não é, com certeza, por não saber o que deve dizer, e sim porque a ideia não combina com seu DNA. A ex-ministra Dilma Rousseff tem apontado deficiências no sistema, sobretudo em relação a impostos em cascata, mas ao mesmo tempo não perde nenhuma oportunidade de dizer que concorda em absolutamente tudo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva; e o que se sabe das posições do presidente sobre o assunto é que ele não aceita, até hoje, o fim da CPMF, algo que trata como um crime de lesa-pátria.

No mais, é esperar e ver.

A capitalização da Petrobras e a MP 500

Adriano Pires, O Globo

A publicação da Medida Provisória 500 no D.O. de 30/08/10 representa o último ato do processo de capitalização da Petrobras antes da divulgação do preço do barril de petróleo da cessão onerosa. Toda essa engenharia da capitalização da Petrobras foi marcada por uma enorme interferência política e um total desrespeito ao acionista minoritário.

Os objetivos do governo com a capitalização da Petrobras sempre foram dois. O primeiro,  capitalizar a estatal que ficou com problemas de caixa com a crise econômica e com isso precisava de um grande reforço para conseguir realizar os investimentos no pré-sal. O segundo objetivo é aumentar a participação acionária do governo na Petrobras. O problema é que o governo percebeu que o modelo da cessão onerosa estava causando uma incompatibilidade entre os dois objetivos.

E porque isso estava acontecendo e onde estava o problema? O problema estava no valor do barril e aconteceu pelo fato das duas certificadoras terem dado preços completamente diferentes para o barril da cessão onerosa. Se o governo aceitasse o valor do barril calculado pela certificadora da Petrobras, o objetivo de capitalizar a empresa seria atingido. Porém, o objetivo de aumentar a participação acionária do governo na estatal não seria plenamente atingido. Se o governo aceitasse o valor do barril calculado pela certificadora da ANP aconteceria o contrário.

Para resolver o problema o governo em abril editou a MP 487, que amplia os mecanismos pelos quais a União pode capitalizar empresas públicas. Na semana passada o governo transferiu parte de suas ações na Petrobras para o BNDES e a Caixa Econômica Federal. E finalmente editou a MP 500, que praticamente repete os termos da MP 487(que perde validade em 5 de setembro) e que trás como grande novidade a possibilidade de usar recursos do Fundo Soberano para comprar ações de empresas de economia mista. Com a MP 500, o governo consegue aumentar a sua participação acionária na Petrobras através do BNDES, Caixa e Fundo Soberano sem afetar o superávit primário. Viabiliza a capitalização da Petrobras já que a subscrições de ações serão feitas por autarquias e instituições públicas em dinheiro. Mantém a participação da União em 29,6% pagando em títulos públicos e dá uma grande ferrada nos acionistas minoritários. Enfim, mais governo na Petrobras e a estatal ainda vai tornar-se uma imensa PDVSA.

O resultado de coação bem feita

Sabem email enviado para algumas empresas, na qual se afirmava que, apesar de não haverem contribuído para a campanha eleitoral de Lula, elas haviam se beneficiado bastante da estabilidade econômica do governo? Pois bem, parece que os empresários “avisados” entenderam bem o que significava o tom de ameaça e coação...

Por José Orenstein, para o estadão.com.br

Dilma arrecada para campanha mais que Serra e Marina juntos

TSE divulga prestação de contas parciais de candidatos das eleições de 2010

O Tribunal Superior Eleitoral divulgou neste domingo a arrecadação e os gastos de campanha declarados pelos candidatos à Presidência. Dilma Rousseff, do PT, foi a que mais arrecadou: R$ 39,5 milhões. A petista juntou mais do que José Serra, do PSDB, e Marina, do PV, juntos. O candidato tucano arrecadou R$ 26 milhões e a candidata verde R$ 12 milhões.

A prestação de contas divulgada hoje pelo TSE representa a segunda parcial da campanha. Os candidatos e partidos não precisam indicar os nomes dos doadores e os valores doados nesta fase. O site Ficha Limpa propôs aos candidatos ainda em agosto que se comprometessem a fazer uma prestação de contas semanal das campanhas, mas, entre os presidenciáveis, apenas Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, se inscreveu na página - e, ainda assim, a última prestação que divulgou, com os nomes de doadores, é de 23 de agosto.

O TSE divulgou também as prestações de contas de candidatos a governador e vice, senador e suplentes, deputado federal, deputado estadual, e dos comitês financeiros de campanha e das direções partidárias.

A entrega dos dados finais dos candidatos deve ser feita até o dia 2 de novembro para quem só disputa o primeiro turno, e até o dia 30 de novembro para quem vai ao segundo turno na corrida eleitoral.

Entre os outros candidatos à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio disse ter arrecadado R$ 46 mil, Ivan Pinheiro (PCB) R$ 31 mil; Zé Maria (PSTU) R$ 8 mil e José Maria Eymael (PSDC), R$ 6 mil; Rui Costa Pimenta (PCO) R$ 2 mil e Levy Fidelix (PRTB), mil reais.

Serra critica esvaziamento da indústria. E ele está certo!

Daniel Bramatti e Flávia Tavares - O Estado de S.Paulo

Política econômica atual levou à importação de bens de consumo e desindustrialização do País, diz tucano

José Serra voltou a criticar, ao longo da entrevista, o processo que acredita ser de desindustrialização da economia brasileira. "É o caminho que estamos trilhando. Com os nacionalistas desenvolvimentistas petistas à frente", ironizou. O tucano responsabiliza o governo Lula por aumentar a importação de bens de consumo que, anteriormente, eram produzidos aqui. E por conduzir uma política monetária "inconveniente" para o País. "O Brasil foi o único país significativo do planeta que demorou quatro meses para baixar os juros durante a crise."

No campo da Previdência, Serra defende que sejam revistas algumas benesses de aposentadorias para funcionários públicos. "Por que um juiz se aposenta com 50 anos de idade? No governo, vamos fazer essa correção no futuro", prometeu, acrescentando que para os que já têm direitos adquiridos seria criado um fundo previdenciário com reservas do pré-sal e de capital de empresas públicas.

Tese curiosa.
O déficit em conta corrente cresce vertiginosamente e nada indica que isso vá diminuir. A candidata Dilma parece não ter estudado economia, porque quando fala disso mostra seus pontos mais frágeis. Ela disse que esse crescimento se deve à importação de bens de capital, a investimento, e é óbvio que não é assim. Qualquer análise mostra que estamos importando para o consumo. Indústrias de tratores e automóveis estão importando cada vez mais coisas que antes eram produzidas aqui com muita eficiência. Há uma rigidez fiscal imensa, uma política monetária ajustada, da qual decorre uma política cambial inconveniente para o País. O Brasil foi o único país significativo que demorou quatro meses para baixar os juros durante a crise. É uma coisa para tese de mestrado como curiosidade científica.

Desindustrialização.
Estamos importando uns 40% do papel que consumimos. Estamos em franco e aberto, só não declarado, processo de desindustrialização. Via rápida para o modelo "hacia afuera", de economia primária e exportadora. Funciona em economias pequenas, mas em uma economia continental seria uma novidade. É impossível, em um país de 200 milhões de habitantes, prosperar com uma economia exportadora de commodities. É o caminho que estamos trilhando com os nacionalistas desenvolvimentistas petistas à frente. Até porque eles têm muito mais noção de interesses de grupo, pessoais, de facção, de cupinchas, do que de desenvolvimento do Brasil.

Desperdício.
Vivemos hoje um tripé perverso da maior carga tributária do mundo em desenvolvimento, a maior taxa de juros real do mundo e a menor taxa de investimento governamental do mundo entre os países mais significativos. É um tripé complicadíssimo. O próximo presidente terá de enfrentar isso. Precisamos ter políticas de juros e câmbio, e de gastos e de receitas, diferentes. Precisamos de austeridade fiscal e aí tem campo, porque tem muita gordura de desperdício.

Crescimento.
Em 2009, o PIB diminuiu. Desaparecidas as causas desse declínio, no ano seguinte a economia cresce mais. Isso não significa que seja a taxa de crescimento provável da economia nos próximos anos. Criou-se o mito de que o Brasil surfou na crise. Quem surfou foi a China, a Índia, países que têm projeto nacional.

Política monetária.
O ministro do Planejamento gasta alopradamente. O da Fazenda quer arrecadar. E o Banco Central quer subir juros. O câmbio no Brasil é flutuante só para baixo. Quero uma equipe harmônica, com objetivos comuns. Quando falei do modelo chileno, na verdade fiz um projeto no começo dos anos 90 e falei de uma junta de coordenação financeira. Não é para agora.

Política previdenciária.
Na época da Constituinte, eu queria fazer um projeto para a Previdência que valesse para os que iriam nascer. No caso de funcionário público, não foi eliminada a aposentadoria integral. O que teria sido melhor? Colocar a idade normal para se aposentar. Por que um juiz se aposenta com 50 anos de idade? Não tem cabimento. Você faria essa correção, que teria sido defensável. No governo, vamos fazer isso no futuro. E equacionar os que já têm direitos adquiridos criando um grande fundo previdenciário com reservas do pré-sal, de capital de empresas públicas. Vou apresentar isso na TV.

Reforma política.
Eu faria a eleição distrital nos municípios com mais de 200 mil eleitores, onde há segundo turno. O custo da campanha diminuiria muito e o eleitor consegue cobrar o eleito. Meu propósito é diminuir o custo da campanha, para recuperar a ética na sociedade brasileira. Pagar campanha legitima a corrupção de alguma maneira. Outra mudança é que no horário eleitoral teria só o candidato e a câmera. Poderia cair a audiência, que já é baixa, mas pelo menos não teríamos mais o candidato iogurte, o sabonete, o envelope fechado. Também tentaria encontrar uma forma de obrigar a ter debates.

Cópia
. Temos um programa de governo pronto. A dúvida é se soltamos antes ou depois do deles, porque, se soltar antes, o deles terá tudo o que o nosso tiver.

A doença holandesa ameaça o Brasil?

Eduardo Pocetti, Alerta Total

Na década de 60, a Holanda foi beneficiada pela descoberta de amplas reservas de gás natural. O preço da commoditie subiu bastante naquele período, o que resultou no aumento substancial das receitas de exportação da Holanda e na valorização da moeda local, o florim.

O que seria uma bênção transformou-se em fardo. Com a moeda apreciada, a Holanda começou a perder competitividade no mercado externo – mais especificamente, na venda de manufaturados. Teve então início a progressiva desindustrialização do país, que demorou anos para ser debelada.

No Brasil, a hipótese de doença holandesa tem sido aventada com frequência cada vez maior. Nossa exuberância na exportação de commodities, que tende a ganhar força a partir da exploração do pré-sal, é o que motiva esse tipo de preocupação.

É fundamental entender, porém, que a doença holandesa não tende a se instalar no Brasil com a intensidade ou as características observadas, por exemplo, nos países que figuram entre os maiores exportadores mundiais de petróleo. Continuamos a aumentar a produção industrial e a exportação, e as empresas industriais estão realizando investimentos e expandindo seus negócios.

Por outro lado, no período de 2002 a 2008, a elevação dos preços das commodities exportadas pelo Brasil promoveu uma grande retomada do crescimento. Isso significa que nós crescemos bastante porque tivemos uma enorme contribuição do agronegócio, e não do setor de transformação: desde 1997, as exportações brasileiras de produtos primários cresceram quase 400%, contra pouco mais de 250% de crescimento das exportações de manufaturados (244%). No mesmo período, nossas importações de produtos industrializados foram sete vezes maiores que as de commodities.

Precisamos, portanto, ficar atentos. Os responsáveis pelo direcionamento da política econômica do futuro governo devem prestar atenção nos motivos que fazem da China a maior fábrica do mundo, e da Índia, a produtora universal de softwares, enquanto o Brasil se posiciona essencialmente como um importante fornecedor de matérias-primas.

Realizar alterações na política de câmbio pode ser um caminho, mas há uma série de implicações que podem inviabilizar um planejamento cambial de longo prazo. Assim, o que nós devemos buscar, com certeza, é a concessão de incentivos à indústria, de modo a estimular sua competitividade. Um bom começo para isso seria a realização da propalada e adiada reforma tributária, que permitiria desonerar as empresas e aumentar sua capacidade de investir.

O Brasil dispõe de riquezas naturais, indústria pujante e estabilidade social, econômica e política. Não por acaso, somos hoje um dos países mais promissores do mundo. Com o planejamento correto, podemos ir muito mais longe. É este o compromisso essencial que os atuais candidatos devem assumir perante os eleitores: a atuação em prol de um desenvolvimento realmente sustentável.

(*) Eduardo Pocetti é Ceo da BDO, quinta maior rede mundial de auditoria, tributos e advisory services