Adelson Elias Vasconcellos
Entra discurso, sai discurso, e o senhor Lula, volta e meia, vem com a mentira grotesca de acusar a oposição de haver derrubado a CPMF, razão pela qual faltaram recursos para a saúde pública. E por que digo que é mentira? Pela simples razão de que a atual oposição sequer tinha maioria suficiente para derrubar a CPMF. O tiro de misericórdia ao imposto foi dado pela base governista no Senado Federal, sem o que, e dependesse exclusivamente da oposição, o imposto estaria vivo até hoje.
A CPMF, é bom lembrar,, foi criada ainda no governo Itamar Franco, lei 9311 de 24.10.1996, e passou a vigorar a partir de 23 de janeiro de 1997. Posteriormente, o imposto “provisório” foi prorrogado em 1999 e 2002, governo de Fernando Henrique, e, por último, em 2003, já no governo Lula e vigorou até 31 de de3zembro de 2007. Quando ainda se discutia da necessidade ou não da CPMF para a saúde, aqui demonstramos que a CPMF serviu para pagar despesas que não tinham nenhuma relação com a saúde, ou seja, o próprio governo acabou desviando os recursos da CPMF para outros fins que não a saúde pública. Na época, fizemos um levantamento que resultou em cerca de R$ 160 bilhões de reais arrecadados por Lula, dos quais apenas 1/3 foram de fato investido no propósito principal para a existência do imposto.
A CPMF era um imposto maldito que, pelas inúmeras prorrogações conjugadas ao efeito cascata que provocava em todas as cadeias econômicas do país, tornou-se tremendamente impopular. Quando a base governista derrubou o imposto, o fez com olhos postos nas urnas. Se o governo do senhor Lula da Silva foi incompetente para negociar com sua própria base de apoio parlamentar a prorrogação da CPMF, problema do governo do senhor Lula da Silva. O que não pode é mentir descaradamente ao povo brasileiro na boca da urna, em 2010. Como também não querer fugir de sua responsabilidade pelo mau estado da saúde pública, dado que, teve sim os recursos de que precisava para qualificar e aprimorar o atendimento a população, o que não teve foi competência, além, como resta comprovado, desviou cerca de 2/3 de um total de R$ 160 bilhões de sua real finalidade. E até seria oportuno lembrar ao país que Dilma, uma vez eleita, vai recriar a CPMF, gostemos ou não, assunto que, aliás, vai contra as promessas que tem feito de “reduzir a carga tributária”.
No programa político da Dilma, Lula se arvorou em defender sua candidata e partiu para um ataque estúpido às oposições. Primeiro, que é a oposição quem legitima a democracia, porque em ditaduras e tiranias, simplesmente, as oposições não existem. Segundo, que o papel legítimo das oposições é justamente a de fiscalizar e, se possível, atrapalhar de vez em quando a vida de quem está no poder, impedindo que se vote projetos que mais são de cunho eleitoreiro, do que de benefício para a sociedade.
Contudo, dizer que a oposição é “do contra” e que aposta no quanto pior melhor, é de uma suprema ignorância. Lula deveria estar se olhando no próprio esoelho ao fazer tal afirmação. Porque quando esteve na oposição, Lula e seu partido, o PT, sempre se comportaram exatamente desta forma. BOICOTARAM acintosamente todos os governos democráticos a partir de 1985. Lula esteve no Congresso quando, em 1988, foi aprovada a atual constituição. Pois bem: ele reuniu a bancada petista e impediu que alguém votasse a Constituição. Mais tarde, após a queda de Collor, e para a qual o PT atuou de forma até xiita, Itamar assumindo chamou todos os partidos para uma coligação de união nacional para superar aquele momento de instabilidade institucional. Era preciso preservar o país. Itamar está até hoje esperando por Lula, que lhe disse “NÃO”. Mais adiante, durante os oitos anos do mandato de Fernando Henrique, Lula e o PT boicotaram TODOS os programas do Plano Real, inclusive as prorrogações da CPMF, garantidores da atual estabilidade econômica da qual Lula é herdeiro e principal beneficiário político. No poder, ao melhor estilo soviético, tentou apagar da história os feitos e conquistas do governo anterior, se apropriando de programas para os quais apenas mudou o nome, para parecer ser ele o dono da obra. Não por outra razão sempre o chamei de vigarista da obra alheia. Dentre as “clonagens”, destaca-se os programas sociais, que até recomendaria que Lula relesse a Medida Provisória que ele próprio assinou, em que reunião quatro dos cinco programas implantado por FHC sob o guarda chuva do BOLSA FAMÍLIA. Fora do pacote, ficou apenas o PETI, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, que continuou tendo vida própria e do qual nunca mais se ouviu falar, apesar de suas conquistas.
Portanto, quem sempre investiu no quanto pior melhor, quem sempre foi do contra, até no mesmo poder, porque investe sempre contra o seu antecessor a quem deveria agradecer por lhe entregar um país muito melhor, economicamente estabilizado, sem inflação, e com as contas públicas saneadas, é o senhor Lula e seu partido.
Dizer de forma cretina que foi seu governo quem se livrou da tutela do FMI, como ele e sua candidata não se cansam de mentir, é de uma cretinice sem comparação. Por conta do quê, por exemplo, poderia o senhor Lula responder, que o Brasil não vem agindo para impedir a rápida deterioração da balança de comercio exterior, com importações crescendo o dobro das exportações, mantendo o real artificialmente valorizado em relação ao dólar? Acontece que o Brasil vem cumprindo o papel “proposto” para os emergentes pelo Grupo dos 20 (G-20) e pelos principais dirigentes do Fundo Monetário Internacional (FMI): os superavitários deveriam depender mais do mercado interno e importar mais. Portanto, melhor faria o senhor Lula se parasse com este papo furado.
Quanto a tal dívida externa, que Dilma em arvora em dizer que o país pagou, é mentira. A dívida existe e ultrapassa a casa dos 230,0 bilhões de dólares. E parte da dívida externa paga pelo governo do senhor Lula é outra mistificação colossal. Ocorre que o governo federal tem trocado dívida externa, bem mais barata, por dívida interna bem mais cara, o que, em parte, explica praticarmos os juros mais altos do planeta Além disso, hoje, no Brasil, muitos analistas vendem a ideia de que o problema da dívida externa foi resolvido a partir do acordo fechado com o FMI. Mas ao contrário do que muitos pensam, o comprometimento do gasto público e cada vez maior e o monitoramento do FMI é total sobre o Brasil . E isto é fato, não é futrica, não é boataria. Claro que o discurso no palanque destoa da realidade. Quanto à balela de que somos “credores” do FMI, de que emprestamos dinheiro ao Fundo, é outra das mistificações muito mal explicadas internamente. Ocorre que o FMI é como uma sociedade com um determinado capital, onde cada país membro, e o Brasil é um deles, tem uma participação no capital total. Fruto desta participação, cada país goza de linhas de crédito proporcionais, sobre as quais, em situações emergenciais pode sacar dinheiro. Em razão da crise de crédito em 2007/2008, o FMI precisou aumentar seu capital para poder socorrer economias em dificuldades. Assim, TODOS os países membros aumentaram suas participações, e este é o caso do Brasil. Não emprestamos coisíssima nenhuma, apenas pagamos ao FMI nossa quota de participação no aumento do capital do fundo.
E vale um registro importante: vocês, certamente, sabem o que vem a ser superávit primário, ok? Ocorre que, todos os meses, com raras exceções, o setor público gasta mais do que arrecada, mas publica um resultado superavitário, que muitos gostam de chamar de “economia para pagar juros”. Só que essa economia, na imensa maioria das vezes, não é suficiente e o resultado real é um déficit real, que precisa ser coberto com a emissão de títulos, ou seja, com mais dívida, razão porque a dívida não para de crescer. E o que é pior: quanto mais irresponsável o governo se comporta, maior será a herança para às futuras gerações, já que tocará a elas pagarem a conta, fruto, repito, de um governo irresponsável que gasta açodadamente, sem freios, tudo para investir em seu projeto de poder. Assim, com um baixo nível de investimentos públicos, não há espaço para melhoria na qualidade dos serviços públicos. Como a tendência da dívida é só aumentar, em razão da falta de poupança do governo Lula, a situação fiscal fica comprometida, não oferecendo margem de manobra para redução da carga tributária, promessa de campanha de cinco em cada cinco candidatos. Como o governo precisará aumentar cada vez mais o volume de recursos para pagamento da dívida, também os juros internos ficam sem muito suporte para se reduzirem a níveis mundiais.
Quem adora ser futriqueiro, como se vê, é exatamente aquele que sobe no palanque para trapacear, para iludir, para acusar e caluniar adversários, e se não o faz nos palanques, se vale do aparelhamento do Estado para a montagem de dossiês falsos que sempre fez e espalhou na imprensa, acusando sem ter provas, caluniando adversários para comprar apoio popular mistificador.
Na sua aparição no programa que deveria ser da Dilma, porque a candidata é ela, e não Lula, falou todas aquelas barbaridades, disse gato e sapato, para, ao fim e ao cabo, não ter explicado o principal: a quebra dos sigilos fiscais de tucanos e pessoas ligadas ao candidato da oposição, e por que motivo tais informações foram para nas mãos dos petistas do comitê de campanha de Dilma Rousseff!!! Sua fala estúpida teve o propósito único de jogar fumaça sobre as verdades encobertas e que não lhe interessa nem mostrar tampouco explicar à sociedade.
Quanto a esta senhora, seria conveniente que passasse a ter luz própria. Se quer ser presidente do país, deveria ter um pouco mais de autonomia. Não há uma única ocasião em que, se vendo aturdida na campanha, Lula não corra em seu socorro. Ou, todas as vezes que concede entrevista à imprensa, precisa de cicerone para ampará-la. Ou, até de ponto eletrônico em comícios. A continuar assim, se eleita, Dilma se tornará a viúva Porcina às avessas da República: aquela que é, sem nunca ter exercido. Ou uma espécie de rainha da Inglaterra à brasileira: reina, mas não governa.