sexta-feira, abril 06, 2018

Ministro do STJ nega pedido de Lula para evitar prisão

Eduardo Bresciani 
O Globo

Ex-presidente tem até as 17h para se apresentar voluntariamente à PF

  Foto: Divulgação - Agência O Globo
O ministro Félix Fischer. 

BRASÍLIA — O ministro Félix Fischer, relator responsável pelos processos da Lava-Jato no Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou nesta sexta-feira o pedido de habeas corpus para evitar a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O juiz Sergio Moro decretou a prisão do ex-presidente e concedeu “a oportunidade” para que ele se apresente até as 17h desta sexta-feira para começar a cumprir pena. Fischer pediu um parecer sobre o caso ao Ministério Público Federal (MPF).

A defesa de Lula fez três pedidos no habeas corpus protocolado no STJ. O primeiro era que a prisão fosse suspensa até o julgamento do mérito do habeas corpus na quinta turma do STJ. O segundo era para que fosse impedida a prisão até que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) analise a admissibilidade de recursos extraordinários que poderiam vir a ser apresentados. O terceiro era para que se aguardasse ao menos até a análise dos chamados "embargos dos embargos", cujo prazo para apresentação vence na próxima terça-feira, dia 10.

O argumento principal da defesa foi que a 8ª turma do TRF4 não poderia ter encaminhado a ordem a informação de que o trâmite naquele órgão estava encerrado. Foi este documento que autorizou Moto a expedir o mandado de prisão.

"O cenário em questão, além de demonstrar uma ímpar agilidade dos órgãos jurisdicionais envolvidos, evidencia o ilegal constrangimento imposto ao Paciente, na medida em que contraria a própria determinação do Tribunal Regional no julgamento da apelação criminal, eis que de acordo com a Súmula 122 da Corte Regional, a qual determina que "Encerrada a jurisdição criminal de segundo grau, deve ter início a execução da pena imposta ao réu, independentemente da eventual interposição de recurso especial ou extraordinário", o – indevido – início antecipado da pena se dará após encerrada a jurisdição criminal. No presente caso, não houve exaurimento da jurisdição daquela Corte", sustenta a defesa.

Lula também teve o pedido de habeas corpus negado pela maioria do Supremo Tribunal Federal (STF), na quarta-feira, o que manteve a possibilidade de sua prisão após a condenação em segunda instância. Moro condenou o ex-presidente por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. O TRF-4 confirmou a sentença condenatória e aumentou a pena do petista para 12 anos e um mês de prisão.

Em nota divulgada após a expedição do mandado de prisão, os advogados do ex-presidente alegaram que ainda há recursos pendentes no TRF-4. Por isso, o petista ainda não poderia ser preso. Para a defesa, a ordem de prisão é ilegal.

Segundo aliados, o ex-presidente cogita não se entregar. Mas ainda não houve ainda um posicionamento oficial da defesa de Lula. Mesmo que o ex-presidente não se entregue voluntariamente, a PF quer evitar confronto. Um avião está em São Paulo à disposição dele caso queira se entregar na capital paulista.

Assessoria do STJ nega que tribunal tenha emitido decisão sobre habeas corpus de Lula

Por G1

Advogado do ex-presidente havia afirmado à GloboNews que o pedido foi negado, mas depois disse que se confundiu. 

Defesa acionou o STJ para evitar prisão de Lula.

Habeas corpus rejeitado pelo STJ 
seria um pedido por um cidadão comum

A assessoria do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou no início da tarde desta sexta-feira (6) que o tribunal já tenha emitido decisão sobre pedido da defesa de Luiz Inácio Lula da Silva para evitar a prisão do ex-presidente.

Por determinação do juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal, Lula deverá se apresentar à Polícia Federal até 17h desta sexta. O ex-presidente foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região (segunda instância da Justiça), a 12 anos e 1 mês de cadeia pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Mais cedo, um dos advogados de Lula, Sepúlveda Pertence, afirmou à GloboNews que o habeas corpus havia sido negado. Pouco depois, Sepúlveda disse que havia se confundido.

O gabinete do ministro Félix Fischer, relator do pedido da defesa no STJ, também disse que ainda não há decisão no caso.

A defesa acionou o STJ por volta das 7h e argumentou que ainda não foram esgotados todos os prazos no TRF-4. Por esse motivo, segundo os advogados de Lula, a prisão do ex-presidente é ilegal.

STJ nega novo habeas corpus de Lula

Exame.com


O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) negou novo habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a Globo News. A informação foi passada pelo advogado de Lula, Sepúlveda Pertence.

Os advogados de Lula apresentaram o pedido para evitar que ele seja preso nesta sexta-feira, como determinou o juiz federal Sérgio Moro.

Se Lula não se apresentar, será 'resistência à prisão' e sua liberdade ficará mais remota

Míriam Leitão
O Globo


Se o ex-presidente Lula não se apresentar, será considerado “resistência à prisão” e isso complica muito a sua situação jurídica, tornando ainda mais remota a chance de liberdade. Se houver algum incidente de violência que atinja quem quer se seja, será considerado sua responsabilidade.

A lei prevê punições para uma situação como essa de não se respeitar a ordem judicial de se apresentar.

Nas outras ações penas que estão tramitando na Justiça podem ocorrer prisões preventivas. Além do mais, o benefício da sala do “estado maior” pode ser revisto dependendo dos desdobramentos. Essas são informações de juristas que acompanham o caso em detalhes.

Prisão de Lula reforça o estado de direito

Editorial
O Globo

Cumpre-se um ciclo na política brasileira quando a Constituição enquadra um líder populista

Rejeitado o pedido de habeas corpus em favor de Lula no início da madrugada de ontem, pelo Supremo, o juiz Sergio Moro, responsável pela condenação do ex-presidente em primeira instância, determinou, no fim da tarde, que ele se entregue à Polícia Federal, em Curitiba, até as 17h de hoje, para começar a cumprir a pena de 12 anos e um mês de prisão, em regime fechado, por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Fecha-se um ciclo na política brasileira, no momento em que um líder populista esbarra na Constituição. O mandado de prisão, independentemente do desfecho que terão os recursos que a defesa de Lula impetrará, é o primeiro, na história brasileira, contra um ex-presidente da República. Haja o que houver, o ineditismo está garantido.

Outro aspecto relevante está no fato de que o condenado é um líder, ainda de alta popularidade apesar de todo o desgaste com as acusações comprovadas de participar de esquemas de roubo do dinheiro público, e que se preparava para lançar a candidatura na tentativa de voltar pela terceira vez ao Planalto. Em outros tempos, seriam credenciais suficientes para agentes públicos recuarem diante do político.

Mas o momento do país é bem outro, e o mandado de prisão contra Lula confirma, por si só, que os alicerces republicanos da democracia brasileira se fortaleceram. A própria Lei da Ficha Limpa impede que Lula, condenado em duas instâncias, registre candidatura, porque está inelegível durante oito anos. Ele arguirá o veto na Justiça. Porém, mais do que nunca, vale a máxima republicana de que a Justiça é para todos.

Mas nada é simples. As dificuldades enfrentadas nas investigações de esquemas de corrupção, por meio da Lava-Jato e de outras operações, assim como os embates no Judiciário para se fazer valer o veredicto de condenação de Lula, mostram como ainda é difícil cumprir a lei contra criminosos de colarinho branco de alta estirpe. Mesmo que tudo, é o caso de Lula, tramite no estrito cumprimento da lei: condenação por Sergio Moro, em Curitiba; confirmação da condenação por unanimidade, em julgamento por três desembargadores, no tribunal de segunda instância, o TRF-4, de Porto Alegre; rejeição de pedido de habeas corpus por todos os cinco ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e, depois de dura sessão, idêntica decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal, por um voto. A defesa de Lula não pode reclamar de não exercer todos os direitos.

Outra boa notícia é que o mandado de prisão do ex-presidente reafirma a vigência do estado democrático de direito. Enquanto a ordem de prisão de Lula, por sua vez, é o ponto mais alto de um processo de limpeza ética por que passa a vida pública do país, a partir do fortalecimento de instituições de Estado — Ministério Público, Judiciário, Polícia Federal —, renovadas por gerações recém-chegadas de servidores profissionais.

A Constituição de 88 passou a permitir que promotores, do Ministério Público, atuassem com autonomia, ao lado de juízes e policiais federais, na repressão à corrupção, independentemente do partido que se encontrasse no poder. Há, é óbvio, grande resistência em elevados escalões de governos e dentro do Congresso, mas a ação contra corruptos de todos os partidos continua a avançar.

Essa é uma história iniciada com o julgamento do mensalão petista, em 2012, tem sequência com a Lava-Jato, operação lançada em março de 2014, para investigar doleiros e que terminou desarticulando o petrolão, esquema destinado a desviar dinheiro público da Petrobras, com a conivência de empreiteiras, sob as bênçãos de Lula. PT, PMDB e PP, nesta ordem, estiveram à frente deste saque.

Os desdobramentos de investigações apanharam tucanos, Aécio Neves à frente, e, no Rio de Janeiro, desarticularam um grupo comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral, do PMDB, que demonstrou imensa voracidade no roubo do dinheiro público, pelo clássico método de superfaturar contratos para receber de fornecedores do estado propinas de diversas formas, idealizadas pelos chamados operadores financeiros: no exterior, internamente em dinheiro vivo etc.

A condenação de Lula pode se repetir, porque o ex-presidente ainda responde a outros processos. Há, por exemplo, o do sítio de Atibaia, em São Paulo, registrado em nome de laranjas, segundo procuradores. Delações premiadas da OAS — empreiteira também do tríplex, cujo ex-presidente, Leo Pinheiro, já preso, condenado no caso do apartamento do Guarujá — e testemunhos da Odebrecht, incluindo de Marcelo Odebrecht, implicam o ex-presidente em vultosos gastos na reforma do sítio, em troca de facilidades em negócios na Petrobras.

Especialistas em vitimização, Lula e PT tentam há tempos construir o papel de mártires diante de tenebrosas conspirações “da direita”. Uma consulta serena a depoimentos e provas, apenas nesses dois processos, mostra como Lula usou o poder para elevar o padrão de vida. Como disse um dos desembargadores no julgamento na segunda instância, em Porto Alegre: “infelizmente, Lula se corrompeu”.

Lula foi preso na ditadura militar, em 1980, por 31 dias. Fortaleceu bastante a imagem de líder na resistência ao regime ditatorial e multiplicou o cacife para entrar na política partidária, à frente do PT, fundado naquele mesmo ano. Depois de 38 anos, recebe mandado de prisão por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Uma história típica de ascensão e queda, por responsabilidade própria. Logo no primeiro mandato presidencial, correu riscos quando, em 2005, o então aliado Roberto Jefferson (PTB-RJ), um dos mensaleiros, se sentiu ameaçado pelo braço direito do presidente, José Dirceu, chefe da Casa Civil, e denunciou o mensalão. Agiu como homem-bomba. Foi cassado, como Dirceu, que era deputado federal pelo PT de São Paulo. Ambos passaram algum tempo presos, mas Lula, que não poderia deixar de saber que dinheiro do Banco do Brasil era desviado para o pagamento de mesadas a políticos, escapou.

Fragilizado, chegou a acenar para a oposição que não tentaria a reeleição, se o PSDB não liderasse o pedido de seu impeachment. A economia se recuperou, devido à terapia “neoliberal” que aceitou aplicar, o Brasil decolou, e Lula se reelegeu, levando-o a colocar no Planalto, mais adiante, uma desconhecida, Dilma Rousseff. Pela força de sua popularidade.

Mas a Lava-Jato destamparia o baú de falcatruas lideradas por Lula e PT. Longe de envergonhar o país, como acha o ministro do STF Gilmar Mendes, a condenação de um ex-presidente demonstra a força das suas instituições.

O futuro chegou

Merval Pereira
O Globo

A decretação da prisão do ex-presidente Lula trouxe a preços presentes as consequências políticas que estavam sendo aguardadas para um futuro não tão imediato. O Tribunal Regional Federal de Porto Alegre (TRF-4), repetindo decisões anteriores, negou antecipadamente os chamados “embargos dos embargos” que a defesa de Lula prometia encaminhar até o dia 10, teoricamente o prazo regimental a que teria direito.

Acontece que, como afirma o desembargador Leandro Paulsen, presidente da 8ª Turma, são descabidos embargos infringentes de acórdão unânime. Ou, como disse o Juiz Sérgio Moro, esses embargos abusivos fazem parte de uma “patologia protelatória” que precisa acabar.

 Também é tarefa ingrata a impetração de novo habeas corpus no TRF-4 contra a prisão, assim como no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que já denegou anteriormente o habeas corpus preventivo. No STF, o eventual habeas corpus chegará às mãos do ministro Edson Facchin, que não precisará mais levar a plenário para negá-lo.

Todos os recursos cabíveis e incabíveis foram tentados, e não há como Lula escapar de ir para a prisão a partir das 17 horas de hoje. A não ser que decida partir para a confrontação física com o sistema judicial, pois na retórica ele já faz isso há muito tempo, recusando-se a se entregar ou incitando seus militantes a reagirem à ordem de prisão quando a Polícia Federal for buscá-lo.

Não parece provável que Lula se disponha a se transformar em um líder político revolucionário, desistindo do caminho do voto, que lhe foi vedado por seus atos punidos pela Justiça, para trilhar o caminho da insurreição.

Se aparentemente não lhe faltam votos para uma disputa eleitoral, claramente faltam-lhe condições materiais para uma resistência ilegal. Pode ser que entre nos planos agora mostrar-se uma vítima de um sistema injusto, obrigando a que a Polícia Federal vá buscá-lo em São Bernardo.

Mas esse cenário não pode ir além de certo limite, senão o PT perderá a chance de indicar um substituto de Lula na urna eletrônica, para tentar transformar-se no avesso das FARCs colombianas, que saíram da guerrilha para a luta eleitoral nas urnas. Mesmo com o exército do Stedile do MST e também os militantes do MTST de Boulos, não há massa de manobra suficiente, convenhamos, para iniciar uma revolução sob o comando dos Lindeberghs e Gleisis da vida.

O mais provável é que Lula se entregue à Polícia Federal em Curitiba e passe os primeiros dias em uma prisão classe A, sem grades, com todas as regalias que merece um ex-presidente da República. Mais cedo ou mais tarde ele será liberado, provavelmente para uma prisão domiciliar com medidas cautelares como tornozeleira eletrônica – que ele já disse que não aceitaria – e restrição a encontros políticos.

Dependendo do clima político, o Supremo pode levar a julgamento as Ações Declaratórias de Constitucionalidade, as hoje famosas ADCs. O ministro Marco Aurélio, que se empenha, às vezes perdendo a lhaneza, em aprovar o fim da prisão em segunda instância, promete levar na quarta-feira à mesa uma liminar apresentada em nome do Partido Ecológico Nacional (PEN) que pede que, até julgamento do mérito da ADC, a execução provisória da pena ocorra somente após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

 Os advogados da causa tinham a esperança de que o ministro Marco Aurélio concedesse a liminar ontem mesmo, o que impediria que Lula fosse preso, mas ele preferiu levar o caso para o plenário. Não é certo que o faça, e nem que a liminar seja colocada em votação pela ministra Carmem Lucia. E nem mesmo é certo que exista uma nova maioria para rever o assunto, já que há ministros que consideram que ele não deve ser levado a julgamento neste momento, quando o plenário acabou de confirmar pela quarta vez desde 2016 a possibilidade de prisão em segunda instância.

Lula decide não ir para Curitiba

Ricardo Kotscho
Folha de São Paulo

O juiz Sergio Moro ordenou que o petista se apresente à sede da PF até 17h desta sexta-feira
Às 8h30 da manhã desta sexta-feira (6), a decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) era não ir a Curitiba para se entregar à Polícia Federal.

Lula passou a noite no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), em companhia dos filhos, amigos e dirigentes do partido, e lá pretende ficar durante o dia.

Em rápida conversa telefônica, Lula disse à Folha que estava tranquilo, bem disposto, e que já tinha feito seus exercícios matinais como faz todos os dias. 

O juiz Sergio Moro ordenou, na tarde desta quinta (5), que o petista se apresente à Polícia Federal em Curitiba até as 17h desta sexta-feira (6). 

A decisão de Moro foi tomada após o magistrado receber ofício do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), na tarde desta quinta (5), autorizando a prisão de Lula.

A ordem de prisão foi a mais rápida entre condenados da Lava Jato que estavam soltos. O ex-presidente será preso nove meses após sentença, enquanto os outros casos duraram de 18 a 30 meses. 
A pena definida pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) é de 12 anos e 1 mês de prisão, com início em regime fechado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex de Guarujá (SP).

Republiqueta de banana?

Eliane Cantanhêde
O Estado de S.Paulo

A prisão de Lula é um aviso: quem comete crimes que ponha as barbas de molho

Muitos comemoram, muitos choram, mas não há o que comemorar nem chorar na prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, homem com biografia vibrante, que saiu do horror da miséria, sacudiu num pau de arara, virou o maior líder sindical da história recente, chegou à Presidência e saiu dela com 80% de aprovação. Mas fez tudo o que fez ao chegar ao poder.

Para o ministro Gilmar Mendes, a prisão de Lula “mancha a imagem do País”. Para a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, transforma o Brasil numa “republiqueta de bananas” aos olhos do mundo. É verdade que há grande mobilização das esquerdas brasileiras em defesa de Lula junto a governos, líderes e sociedades. Mas não é verdade que Lula seja uma “vítima das elites”, “um perseguido político”.

Assim como não se pode classificar de “golpe” o impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, não se pode chamar de “golpe” as sucessivas decisões que condenaram Lula a 12 anos e 1 mês de prisão.

Dilma se mostrou incompetente para gerir a política, a economia e as contas do País e efetivamente fez as “pedaladas” – deixou de transferir recursos do Tesouro para os bancos públicos pagarem os programas sociais. Por quê? Para mascarar o rombo das contas públicas e, pior, continuar gastando em ano eleitoral. É crime.

Quanto a Lula: a primeira condenação é pelo seu caso mais simples, o do triplex do Guarujá, mas isso está inserido num contexto muito mais complexo, que envolve várias outras ações, pelo sítio em Atibaia, pela Operação Zelotes, pelo Instituto Lula... E, principalmente, pela evidência (até pela fala do ex-ministro Antonio Palocci) de que Lula institucionalizou a corrupção. Corrupção sempre houve, mas articulada e operacionalizada a partir do Planalto e do Ministério da Fazenda?

O impeachment de Dilma seguiu todos os trâmites legais: o Supremo definiu o rito, a Câmara votou em dois turnos, o Senado também, a sessão final foi presidida pelo então presidente do Supremo. Tudo foi transmitido ao vivo para a população, sem uma só restrição às liberdades individuais.

E a prisão de Lula, por mais triste que seja, e é, seguiu todos os trâmites legais: investigação da Polícia Federal, do Ministério Público, da Receita, com julgamento em primeira instância, confirmada pelo TRF-4 e após tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto o próprio Supremo Tribunal Federal negarem o pedido de habeas corpus apresentado por advogados de grande respeitabilidade.

Golpe? Que golpe? Lula apenas se tornou o foco e a síntese de um intenso debate que divide o Supremo, o Planalto, o Congresso, os partidos, os formadores de opinião e toda a sociedade brasileira. Deixar Lula livre em nome de sua biografia e de seu prestígio internacional, ou prosseguir firmemente num processo histórico de combate a uma corrupção estratosférica? Deixar Lula livre em nome de não se criminalizar todo o sistema político, ou manter o processo de depuração das instituições e dos quadros políticos? É disso que se trata.

Essas questões remetem para o voto do ministro Luís Roberto Barroso durante o julgamento no Supremo: um país não é justo quando garotos pobres com um baseado de maconha são jogados nas prisões, mas ricos, poderosos e famosos matam, roubam, corrompem e são corrompidos e nada acontece com eles. 

A presidente do PT defende o regime Maduro e acusa o Brasil de “republiqueta de banana”, mas é exatamente o oposto. O que se pretende é justamente que a justiça valha para todos e que o Brasil deixe de ser uma republiqueta que massacra os pobres e endeusa os poderosos.

A prisão de Lula, aliás, é um aviso: quem comete crimes que ponha as barbas de molho. Fim da farra.

Mais que uma quarta-feira

Fernando Gabeira*, 
O Estado de S.Paulo

Foi uma semana de muita tensão. Teremos virado uma página? Não creio...

O que estava em jogo na quarta-feira era uma questão central para o País: romper ou não com um sistema de corrupção que se alimenta da lentidão da Justiça. O Brasil estava se tornando um país bizarro, com um vaivém de cadeiras de rodas nas cadeias. Era tão difícil prender alguém, no labirinto de agravos e recursos, que já chegava bem velho.

Como somos sentimentais, depois de algumas semanas todos acabam em prisão domiciliar. E essa seria a tendência dominante se prevalecesse a tese de impedimento da prisão após sentença de segunda instância.

A ideia básica da presunção de inocência é muito poderosa, até por sua beleza filosófica. No entanto, depois de duas condenações é razoável que sofra um abalo. Além disso, há outra ideia forte em jogo: a eficácia da Justiça. Se via recursos e caros advogados os réus podem prolongar sua liberdade, as vítimas não recebem o que merecem: justiça.

A proposta de Gilmar Mendes era obscena, pois previa uma votação contrária à expectativa popular e, logo em seguida, uma acomodação da opinião pública. Mas ninguém se vai acomodar. Nem os petistas, agora que Lula se aproxima da prisão. No meu entender, isso os levará a gastar menos energia com Lula e a pensar nos caminhos do País. A condenação do Lula e sua grande capacidade de mobilizar acabaram ofuscando o debate sobre os rumos da reconstrução.

O PT passou por diversas palavras de ordem, quase todas defensivas: não ao golpe, eleição sem Lula é fraude, liberdade para Lula... Mas tudo indica que as eleições serão sem Lula candidato – apesar de sua capacidade de transferência de votos. Nada impede que um partido boicote as eleições, mas a experiência mostra que se ganha muito mais participando do que boicotando.

Teremos virado uma página? Não creio. O debate sobre o tema não envolve apenas Lula. Ele só encarnou um drama que para alguns, como Eduardo Cunha e outros presos, precisava de um símbolo mais poderoso.

Ao longo destes anos, o sistema político sempre buscou uma fórmula de neutralizar a Lava Jato. A resistência de Lula é antiga, desde que definiu a “república de Curitiba”. Ele se colocou na linha de frente e os grampos mostram isso. Num momento questionava a covardia do Supremo ante o processo, noutro lamentava a passividade dos políticos, que pareciam ignorar a tragédia que se abateria sobre eles.

O MDB também se importava com isso. A célebre frase de Romero Jucá “é preciso estancar a sangria” revela a ansiedade diante do avanço da Lava Jato. No Congresso foram muitas as tentativas de retaliar as investigações. Era mesmo impensável que um esquema tão complexo de dominação fosse render-se sem peripécias.

O último dos combatentes é Temer. Coube-lhe fazer alguma coisa. Ele tentou. Até escolheu um diretor da Polícia Federal tão fiel que acabou caindo por excesso de fidelidade.

Temer tem uma tática própria: não bate de frente com a Lava Jato, como Lula, ele diz publicamente que a apoia. Suas intervenções são mais no sentido de defender direitos individuais, respeito ao processo legal. Apesar de tudo, consegue pequenas vitórias. Esse coronel Lima, por exemplo, é apontado como seu operador, mas nunca depôs na Polícia Federal. Todas as convocações foram negadas, sob o argumento de que sua saúde não permitia. O coronel foi preso apenas para depor e, mesmo assim, não falou nada.

Com forte base de apoio no Supremo, a resistência à Lava Jato e suas consequências não estão esgotadas. A operação mesmo está na fase final. O que está em jogo é o futuro. De um lado, como montar um esquema de corrupção tão sólido e durável como esse que se está dissolvendo? De outro, como reduzir a corrupção a níveis mínimos?

Depois de tantos anos da Lava Jato, tudo parecia ir bem nesse campo. O papel da política seria interpretar esse sucesso e produzir um conjunto de leis que a completasse. Mas, de repente, uma discussão sobre o destino de Lula no STF põe o rumo em xeque. Voltaríamos ao velho poderoso esquema de corrupção com a impunidade garantida por um sistema judicial?

Tanto um lado como o outro acharam que tudo estaria perdido caso os juízes apontassem em direção contrária à sua expectativa. A verdade é que vitória e derrota nesse julgamento não significam um dado absoluto. O processo continua, deságua nas eleições e está sujeito a recaídas.

O problema central nesse confronto é saber que posição tem mais viabilidade histórica. Controle maior da corrupção, processos mais rápidos e eficazes, a ideia de que a lei vale para todos são elementos de uma tendência mais promissora. É a que aponta para o que existe em países mais avançados, mas isso não significa garantia de vitória. Depende de muito esforço, mas, felizmente, esta semana muitos compreenderam isso.

Foi uma semana de muita tensão. Cármen Lúcia pediu serenidade. Comandantes do Exército e da Aeronáutica se pronunciaram. Houve quem visse nisso tudo um clima de 1964, que precede a intervenção militar. Na verdade, houve uma boa discussão, talvez um pouco longa, talvez um pouco complicada, mas, de qualquer maneira, ficou claro para todos o que estava em jogo.

Alguns juízes que rejeitam o populismo insistem em que não votam pela pressão das ruas. Estão certos. Mas à medida que as discussões se tornam um pouco mais compreensíveis e são transmitidas ao vivo, é inevitável que maior número de pessoas opine, e com argumentos. Ainda que não sejam argumentos rebuscados como os dos juízes, são um forte indício de que as pessoas comuns querem tomar nas suas mãos o destino do País.

Potencialmente, o processo de politização dos últimos anos pode levar a um interesse maior pelas eleições e a uma demanda mais firme por projetos de governo. Quem comemora vitórias nesse caso precisa ser discreto, pois novos e difíceis momentos podem surgir para sustentar o velho esquema de corrupção.

Da mesma forma, quem amarga a derrota deve levar em conta que o campo da esquerda segue forte, apesar de seus erros táticos e estratégicos. Que venha mais uma campanha presidencial. Em outros países, a esta altura ela já seria o centro do debate.

* Fernando Gabeira é jornalista

Prisão de Lula afunda Brasil em ‘caos político’, diz Washington Post

Da redação
Veja online

Jornal americano vê situação como positiva apesar do caos momentâneo; outros veículos internacionais também já divulgam o caso

(//Reprodução)
Repercussão da prisão do ex-presidente Lula no Washington Post 

Poucos minutos após o anúncio de que o juiz Sergio Moro havia emitido um mandado de prisão contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a imprensa internacional começou a noticiar o fato. As primeiras notas vieram das agências internacionais de notícia Reuters (do Reino Unido) e Associated Press (também chamada de AP, dos Estados Unidos).

Ambas agências emitiram as notas em caráter de urgência para veículos de imprensa do mundo todo.
O texto da Reuters, em inglês, é sucinto e resume as informações conhecidas até aqui. Com o título de “Juiz brasileiro ordena que ex-presidente Lula seja preso até sexta-feira à tarde”, a agência destaca que Moro deu até o fim da tarde do dia 5 de abril para que Lula se entregue voluntariamente à Justiça.
Já o principal jornal da França e dos países de língua francesa, o Le Monde, destacou a emissão do mandado de prisão na capa de seu site em francês. Na notícia, o periódico explica que “condenado a doze anos e um mês de prisão por corrupção, o ícone da esquerda brasileira tem até sexta-feira à tarde para se apresentar à polícia”

O jornal francês diz que “Lula, presidente de 2003 a 2010, segue sendo o personagem político mais popular do Brasil, apesar de sua condenação em seis outros processos por corrupção impetrados contra ele”.

O influente jornal britânico de economia Financial Times também destacou o mandado de prisão, citando trechos traduzidos da ordem judicial expedida por Moro.

Em artigo intitulado “Com Lula fora, liderança do Brasil está totalmente em aberto”, a revista Forbes afirma que “se as chances do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de um terceiro mandato presidencial era de uma em dez, a decisão de ontem pelo STF agora a reduz a zero”. A Forbes ainda chama o Brasil de “terra dos recursos [judiciais]”.

Em extenso artigo, o jornal americano The Washington Post destaca que o mandado de Sergio Moro foi uma “atitude surpreendente que deve estimular amplos protestos em um país já balançado pela decisão do Supremo Tribunal Federal mais cedo durante o dia”.

O artigo, intitulado “Lula é condenado à prisão, afundando o Brasil em caos político antes de eleições presidenciais”, afirma que “a decisão dividida do STF reflete a opinião pública polarizada quanto a Lula, 72, uma figura carismática a quem se credita ter retirado 20 milhões da pobreza durante seus oito anos como presidente, mas quem também está envolto por acusações de crime”.

O artigo do periódico americano conclui, entretanto, que apesar do caos político momentâneo e da falta de liderança clara na esquerda brasileira para as eleições presidenciais de novembro, a decisão do STF de quinta-feira que abriu caminho para o pedido de prisão emitido por Moro, com o tempo, “trará a clareza esperada no cenário político do Brasil, que estava obscurecida por conta das incertezas sobre o destino de Lula”.

A manobra fracassada

Editorial
O Estado de S.Paulo 

Os ministros Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski tentaram ganhar no grito o que não puderam ganhar por meio da argumentação e da estratégia

Se o julgamento do habeas corpus do sr. Lula da Silva mostrou que é possível o bom senso prevalecer no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), a sessão de quarta-feira passada também revelou até onde pode ir a ousadia de alguns ministros na tentativa de livrar o ex-presidente petista das consequências da lei. É normal haver num tribunal divergência de opiniões, mas o que os ministros Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski fizeram ao longo do julgamento do mérito do habeas corpus foi muito mais do que expor suas posições jurídicas. Tentaram ganhar no grito o que não puderam ganhar por meio da argumentação e da estratégia.

Desde o início da sessão, ficou evidente a tentativa de manobra dos ministros Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski. Em vez de julgar o processo que estava em pauta – o habeas corpus n.º 152.752 do ex-presidente Lula contra decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) –, eles queriam usar a sessão para realizar uma revisão geral da atual jurisprudência do STF, que considera plenamente constitucional a possibilidade de dar início à execução da pena após decisão de segunda instância. Tinham a expectativa de que a ampliação do escopo do julgamento de quarta-feira pudesse, de algum modo, dar sobrevida à tese – tão cara aos criminosos – de que a aplicação da pena precisa aguardar o trânsito em julgado da sentença.

A tentativa de manobra foi realizada sem pudor. Repetidas vezes o ministro Marco Aurélio afrontou, ao longo do julgamento, a autoridade da presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, exigindo que fosse pautado o que ele queria, e não apenas o habeas corpus de Lula da Silva. A ministra Cármen Lúcia foi de exemplar firmeza e serenidade, sem se curvar aos caprichos e deboches do ministro.

Especialmente constrangedora foi a reação de Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski durante o voto da ministra Rosa Weber. Quando perceberam que ela não se alinharia à posição em benefício do ex-presidente Lula, os dois ministros cobraram, em explícitos maus modos, explicações da ministra. Sem se perturbar com o destempero, a ministra Rosa Weber foi quem exigiu respeito, lembrando sua longa trajetória na magistratura. “Meu voto é claro. Quem me acompanha nesses 42 anos de magistratura não deveria ter qualquer dúvida do meu voto”, disse a ministra.

“A decisão judicial deve se apoiar não nas preferências pessoais do magistrado, mas na melhor interpretação possível do direito objetivo”, afirmou a ministra Rosa Weber. Tendo em vista que o STF permite o início da execução da pena após a decisão de segunda instância, ela reconheceu que não vislumbrava nenhuma ilegalidade ou abuso na decisão do STJ contra a qual o habeas corpus de Lula se insurgia.

Aos que pretendiam impor uma mudança na orientação do STF, a ministra Rosa Weber explicou que “compreendido o tribunal como instituição, a simples mudança de composição não constitui fator suficiente para mudar jurisprudência”. Em tempos de protagonismo individual, que turva a natureza institucional da Suprema Corte, a advertência da ministra Rosa foi de especial importância.

Os ministros Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski não pareciam, no entanto, especialmente atentos às admoestações em prol da colegialidade. Até o final da sessão, estiveram empenhados na obtenção de algum benefício para o sr. Lula da Silva. Mesmo após a definição do placar de 6 a 5 contra o habeas corpus, o ministro Marco Aurélio ainda tentou que o ex-presidente petista não pudesse ser preso até a publicação do acórdão ou de eventuais embargos de declaração. A última manobra também não teve sucesso.

O papel do STF é aplicar e proteger a Constituição, e cabe a cada ministro defender, com liberdade, o que entende ser a melhor posição jurídica para cada caso que é julgado. Nessa tarefa, não cabe constranger os outros integrantes da Corte, alinhavar manobras, achincalhar a autoridade. Na quarta-feira passada, o País foi testemunha de um grande momento do Supremo, que assegurou igualdade na aplicação da lei, mas também viu atitudes que muito destoam do papel do STF. Felizmente, a artimanha foi desfeita.

MST inicia bloqueio de estradas no país em protesto contra prisão de Lula

 Da redação
Veja oline

Movimento divulgou ações na Paraíba, Sergipe, Mato Grosso, Pará, Bahia, Pernambuco e Espírito Santo

(Edson Ruiz/Coofiav/Folhapress)
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do 29º Encontro 
Estadual do MST no Parque de Exposições, em Salvador (BA) 

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou nas primeiras horas desta sexta-feira o bloqueio de rodovias na Paraíba, Sergipe, Mato Grosso, Pará, Bahia, Pernambuco e Espírito Santo. De acordo com o coordenador do movimento Alexandre Conceição, a ideia é bloquear 50 BRs em 24 Estados, em protesto contra a decretação da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT).

A conta oficial do movimento no Twitter está postando imagens do protesto. Há bloqueios na BR 230, que liga João Pessoa a Campina Grande (Paraíba), SE-270, em Itaporanga (Sergipe) e BR 155 (Pará).

Também há bloqueios feitos por sindicalistas, segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Serrinha (Bahia).

Tudo pronto para prender Lula se ele não se entregar

 Ricardo Noblat
Veja online

Agentes federais vigiam todos os seus passos

(Vagner Rosário/VEJA)
Polícia Federal 

Embora tenha se surpreendido, ontem, no final da tarde, com a ordem de prisão expedida pelo juiz Sérgio Moro, a Polícia Federal, acostumada a esse tipo de missão, passou imediatamente a monitorar Lula.

Agentes disfarçados seguiram todos os seus passos do momento em que ele encerrou o expediente no Instituto Lula, na capital paulista, e seguiu para a sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo.

O carro que conduziu Lula foi acompanhado à distância segura por outro da Polícia Federal carregado de agentes. Nas cercanias do sindicato, agentes já aguardavam a chegada dele.

Se Lula, na última hora, preferir não se entregar, será preso por um grupo volumoso de agentes que já está em São Bernardo. Tropas militares da região foram postas de sobreaviso.

Jornalistas são agredidos por manifestantes pró-Lula em São Bernardo e Brasília

O Estado de S.Paulo 

Imprensa teve que sair da sala onde estava no Sindicato dos Metalúrgicos depois de tentativa de invasão

O pedido de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, expedido pelo juiz Sérgio Moro na noite desta quinta-feira, 5, provocou agressões a jornalistas que cobriam os desdobramentos do caso. Foram registrados incidentes em São Bernardo do Campo e Brasília. 

Em São Bernardo do Campo, onde Lula passou a noite no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a imprensa teve que sair da sala onde estava, no térreo, para o terceiro andar do edifício, depois de acoados por militantes que tentaram forçar a entrada na área destinada aos profissionais.



Prisão de Lula: veja repercussão

O fotógrafo do Estado Nilton Fukuda foi atingido por ovos arremessados por um homem que vestia camiseta da Central Única dos Trabalhadores (CUT), na noite desta quinta-feira. 






Um carro do 'Correio Braziliense' foi atingido em frente à sede da CUT, na capital federal, por pelo menos 30 manifestantes que avançaram em direção ao veículo em que estavam uma repórter, uma fotógrafa e o motorista. Um vidro foi quebrado enquanto os militantes gritavam ofensas ao jornal e à imprensa de modo geral. O caso foi registrado na Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado.

 Foto: NILTON FUKUDA/ESTADAO
 Simpatizantes jogam ovos no carro do Estadão.

No mesmo local, equipes do 'SBT' e da 'Reuters' foram ameaçadas e cercadas. "Vocês vão sair daqui para o bem de vocês", ouviu um cinegrafista do canal televisivo. 

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) informou que repudia as agressões a jornalistas. "A violência contra profissionais da imprensa é inaceitável em qualquer contexto. Impedir jornalistas de exercer seu ofício é atentar contra a democracia. Os autores devem ser identificados e punidos pelas autoridades." 

Lula, ‘El Cid de São Bernardo’

O Estado de S.Paulo

Petistas trataram a decisão do STF como um atentado 'contra o País e sua soberania'

Como era previsível, os petistas trataram a decisão do Supremo Tribunal Federal de rejeitar o habeas corpus para o ex-presidente Lula da Silva como um atentado “contra o País e sua soberania, contra o processo democrático, contra o povo brasileiro”. Assim, o PT e seu chefão outra vez reafirmam sua natureza autoritária – para o partido, só são democráticas as instituições que se ajoelham perante o demiurgo de Garanhuns, pois este, segundo a mitologia lulopetista, é “o maior líder popular do País” e o “candidato da esperança” do “povo brasileiro”, conforme se lê na nota oficial do PT a respeito da nova derrota judicial, que o partido classificou como “um dia trágico para a democracia”.

A mesma nota afirma que “a Constituição foi rasgada por quem deveria defendê-la”, que “Lula é inocente” e que “isso será proclamado num julgamento justo” – como se todos os reveses sofridos em nada menos que quatro instâncias judiciais tivessem sido clamorosamente injustos. Pode-se depreender que, das duas, uma: ou Lula da Silva acredita que a justiça dos homens não está à altura de seus predicados e que só lhe resta esperar a absolvição no Juízo Final ou o ex-presidente ainda aposta que algum truque chicaneiro possa ser bem-sucedido para livrá-lo da cadeia ou para tirá-lo de lá em pouco tempo – e, de quebra, lhe permita candidatar-se a presidente da República. Nesse caso, se Lula for bem-sucedido, seria a desmoralização completa do Judiciário, mas, a julgar pela sessão do Supremo que lhe negou o habeas corpus, tal rabulice dificilmente encontrará guarida naquele tribunal – a não ser que alguns de seus ministros resolvam fazer política, e da pior espécie.

A defesa de Lula, por sua vez, informou que tem “a firme expectativa de que essa condenação será revertida por um órgão justo, imparcial e independente”, provavelmente aludindo a algum tribunal internacional no qual esses advogados pretendem denunciar a “perseguição política” a seu cliente. Para esse fim, a defesa quer demonstrar que a rejeição do habeas corpus “viola a dignidade da pessoa humana e outras garantias fundamentais”.

Foi nessa mesma linha o ex-ministro do Supremo Sepúlveda Pertence, que auxilia a defesa de Lula, ao dizer que “enterrou-se uma garantia fundamental” – referindo-se ao artigo constitucional segundo o qual ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença. Pouco importa que o próprio Sepúlveda, quando era ministro do Supremo, em 2002, tenha rejeitado habeas corpus para um réu dizendo que “a presunção constitucional de não culpabilidade (...) não inibe, porém, a execução penal provisória da sentença condenatória”, conforme a “jurisprudência sedimentada”. O que interessa, no momento, é transformar Lula em mártir de um regime “golpista”.

Sem a mais remota chance de prosperar em nenhuma corte internacional, tal libelo no entanto servirá para enxovalhar mais um pouco a imagem do País no exterior, último grande desserviço do sr. Lula da Silva ao Brasil. Não por acaso, o único gesto de solidariedade internacional que Lula recebeu até agora partiu do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e do autocrata boliviano, Evo Morales. “Não só o Brasil, o mundo inteiro te abraça, Lula. Dói a alma essa injustiça”, escreveu Maduro no Twitter. Já Morales afirmou que “a verdadeira razão da condenação do irmão Lula é impedir que ele volte a ser presidente”.

Esse deverá ser o mote do PT daqui para a frente. Mesmo que seu líder esteja preso, o partido defenderá a candidatura de Lula “nas ruas e em todas as instâncias, até as últimas consequências”. Como se fosse uma espécie de “El Cid de São Bernardo”, o cadáver político de Lula será colocado sobre o cavalo petista para desmentir o boato sobre sua morte (eleitoral) e amedrontar adversários.

Cada vez mais, contudo, da lenda em torno do “Campeador” Luiz Inácio resta apenas a figura patética do líder político que entrará para a história não como o estadista e defensor dos pobres que julga ser, mas como um oportunista condenado a vários anos de prisão por ter se lambuzado do poder.

Prisão de Lula leva pânico a políticos investigados

Coluna do Estadão


FOTO DIDA SAMPAIO/ESTADAO

A decisão do juiz Sérgio Moro de determinar a prisão a partir de hoje do ex-presidente Lula, somada ao resultado do julgamento do habeas corpus pelo Supremo, provocou pânico ontem entre políticos de Brasília. A avaliação é de que a Corte vai acelerar os processos contra quem tem prerrogativa de foro. Até agora, nenhum deputado, senador ou ministro alvo da Operação Lava Jato foi condenado. Há ainda os que são investigados em outros casos e estão pendurados em recursos como o de Lula. O raciocínio comum é: se Lula foi preso, quem escapa?

Desespero. Quem atua diretamente na Operação Lava Jato em Curitiba chamou de “miragem” o pedido de medida cautelar que o PEN apresentou no Supremo para que condenados em segunda instância só sejam presos após análise de recurso pelo STJ.

Ação e reação. O temor de que o ministro Marco Aurélio Mello concedesse a liminar, levantou suspeitas de que teria provocado a decisão do TRF-4 que deu ao juiz Sérgio Moro a chance de decretar a prisão do ex-presidente Lula antes da análise do último embargo.

Abriu precedente. Lula não é o único a obter do juiz Sérgio Moro prazo para se entregar à Polícia Federal espontaneamente antes de ser capturado.

Vai por mim. Antes do petista, o ex-vice-presidente da Engevix Gérson Almada entrou pela porta da frente da PF. Em comum, Almada e Lula foram condenados em 2.ª instância. O executivo, a 34 anos e 20 dias de prisão.

Os brutos também… O ministro Carlos Marun, da articulação política do governo Temer, admite ter sofrido um impacto com a notícia de que Lula será preso ainda hoje. “Pessoalmente é uma notícia que choca”, afirma. Ele é conhecido por seu estilo durão.

Tudo novo. Marun disse que, a partir da prisão, a Presidência vai avaliar o que deve ser feito com os oito assessores a que Lula tem direito, quatro deles são seguranças.

Lula prega "‘resistência pacífica" e cogita não se entregar à Polícia Federal

Gazeta do Povo/Estadão/Folha

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cogita não se entregar à Polícia Federal nesta sexta-feira (6) e quer “resistência pacífica” em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, no ABC paulista. Lula passou a noite no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, acompanhado dos filhos e correligionários.

Até o momento, Lula não informou se vai se entregar no prazo determinado pelo juiz Sérgio Moro, se vai aguardar o cumprimento do mandado de prisão ou se pretende resistir. Ele não discursou no carro de som durante o ato de ontem à noite, apenas acenou por volta das 2 horas da madrugada e desceu para cumprimentar alguns aliados.

A ex-presidente Dilma Rousseff, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e os candidatos à Presidência Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D'Ávila (PC do B) estiveram presentes ontem à noite no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em apoio ao petista. Moradores da ocupação do MTST em São Bernardo também fizeram caminhada até o local. Contudo, durante a madrugada, o número de apoiadores caiu. Eles prometem voltar ao local ao longo do dia. 

Este é o local onde Lula pretende estar ao final do prazo estabelecido pelo juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato em Curitiba, para que ele se apresente de maneira voluntária até as 17 horas desta sexta, na sede da PF.

Aós o anuncio de prisão, o ex-presidente avaliava se entregar, mas decidiu repensar essa possibilidade após a decisão de Moro, que expediu seu mandado de prisão nesta quinta-feira (5) antes de encerrados os embargos no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).  Mas integrantes da assessoria jurídica do ex-presidente aconselharam o petista a se entregar à PF em Curitiba, conforme determinou Moro. Por essa recomendação, Lula deixaria São Bernardo do Campo às 11 horas desta sexta-feira (6) e seguiria de carro até o Paraná.

A ideia é ter a imagem da PF entrando no sindicato para tirá-lo de lá. O local é simbólico para os petistas. Lá devem esperar que a PF busque o ex-presidente e o leve a Curitiba. Lula quer que as pessoas se mobilizem, mas não estimula nenhuma reação violenta para impedir que ele seja preso.

O diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, escalou emissários para negociar com o PT os termos para a prisão do ex-presidente. Três pessoas próximas a Lula foram procuradas com o objetivo de abrir diálogo para acertar as condições e o local do encarceramento.

O ideal para a cúpula policial é que o petista se apresente por conta própria na sede da PF, em Curitiba, onde há uma sala que foi adaptada para virar a cela que receberá o ex-presidente. Dentro dela, uma cama, uma mesa e um banheiro exclusivo.


Lula não se apresentará, diz presidente de sindicato


Anfitrião de Lula, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão, enviou uma mensagem a sindicalistas afirmando que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se apresentará à Justiça, como determinou o juiz Sergio Moro. No aviso, Wagnão revelou a intenção de impedir o acesso da polícia à sede do sindicato. A expectativa é que a noite de sono tenha acalmado os petistas e que, hoje à tarde, Lula se entregue à PF.


Líder do PT no Senado, Lindbergh Farias defende que Lula não se apresente. Segundo ele, a presença de militantes às portas do sindicato pesará para que o ex-presidente resista. "Se querem prender Lula, que executem o mandado de prisão. Vai ser que nem na ditadura, quando o Exército entrou aqui. Uma vergonha internacional", diz Lindbergh.

Coordenador do MST, João Paulo Rodrigues diz que o movimento fechará 85 rodovias nesta sexta-feira (6). Os sem-teto chegarão em 20 ônibus a São Bernardo do Campo.

O MST iniciou o bloqueio de rodovias no Mato Grosso, Bahia, Pernambuco e Espírito Santo.  Segundo o coordenador Alexandre Conceição serão trancadas nesta sexta-feira, 6, 50 Brs em 24 Estados. Os protestos são contra prisão de Lula. 









Lulistas continuam a agredir a imprensa 

O ex-presidente Lula passou a noite no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e até agora nem ele nem seus advogados informaram quando nem se ele vai cumprir a ordem do juiz Sergio Moro de se entregar à Polícia Federal.


Às 5 da madrugada, segundo a Folha de S. Paulo, “apoiadores de Lula se voltaram contra a imprensa presente no local.

Fotógrafos e repórteres foram ameaçados na rua e, quando foram conduzidos para dentro do sindicado, houve tentativa de invasão.”

Lula entra com novo habeas corpus para evitar prisão


SÃO PAULO (Reuters) - A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para evitar que ele seja preso, após determinação na quinta-feira do juiz Sérgio Moro para que ele se apresente em Curitiba até a tarde desta sexta-feira para começar a cumprir pena, disse o jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com o jornal, a defesa de Lula argumenta no pedido ao STJ que ainda há recursos a serem apresentados junto ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e que, portanto, a pena ainda não pode começar a ser cumprida até que sejam analisados esses recursos.

Moro determinou que Lula se apresente para começar a cumprir a pena de 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado no caso sobre o apartamento tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo.

O petista, que após a expedição do mandado de prisão na noite da véspera foi para o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, onde passou a noite, foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de receber o imóvel como propina paga pela empreiteira OAS em troca de contratos na Petrobras.

Ele nega ser dono do imóvel, assim como quaisquer irregularidades. Lula, que é réu em outros seis processos, afirma ser alvo de uma perseguição política promovida por setores do Ministério Público, do Judiciário e da Polícia Federal com o objetivo de impedi-lo de ser candidato.

Não há saída jurídica para Lula (em O Antagonista)

Os advogados de Lula apresentaram um pedido de habeas corpus ao STJ.

Sepúlveda Pertence, porém, sabe que a defesa já chegou “ao fim da linha” e que “não há saída jurídica” para evitar o encarceramento de seu cliente.

Ele disse ao Valor:

“Mas é uma opinião minha. Talvez meus colegas em São Paulo tenham decisão diferente”.

Se não for idiota, Lula se entrega (em O Antagonista)

Neste momento, o único cálculo que Lula e petistas estão fazendo é sobre qual a forma de o condenado ser preso que renderá menos dano à sua imagem diante dos eleitores e como não diminuir a sua chance de conseguir um benefício prisional.

Ser preso em meio a um espetáculo de “resistência” não parece ser a melhor forma, visto que, para a esmagadora maioria dos eleitores, a PF só vai buscar em casa — ou onde quer que seja — criminosos de verdade. Como traficantes, por exemplo.

Embora Lula seja um criminoso de verdade, ele — e o PT — ainda acha possível convencer que é perseguido.

Fazer o teatro da “resistência” também dificulta a concessão de um habeas corpus ou da prisão domiciliar.

A Justiça não pode mostrar condescendência com condenados que a enfrentam.

Se não for idiota, Lula se entrega.