quinta-feira, abril 03, 2008

As verdades do dossiê

Adelson Elias Vasconcellos

Desesperadamente o governo tenta achar uma porta de saída para o rolo do dossiê, e não consegue. Quanto mais versões mentirosas são contadas, mais os aloprados se atrapalham.

O que precisa ficar claro para a opinião pública é o seguinte:

1.- O dossiê existe ?


Sim, o dossiê existe.

2.- Quem e onde foi montado o dossiê ?

O dossiê foi montado na Casa Civil, tendo participado das bisbilhotices Paulo Bernardo, do Planejamento, Múcio Monteiro das Relações Institucionais, Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Franklin Martins, da Comunicação.

3.- Qual a diferença entre dossiê que fala a oposição e banco de dados que Dilma Rousseff sustenta?

O banco de dados foi de onde se colheram as informações com que se montou o dossiê anti-FHC.

4.- O Presidente sabia do dossiê?

Não só sabia como autorizou sua montagem e coordenou a sua confecção pelos ministros. A montagem do dossiê foi uma DECISÃO DE GOVERNO.

5.- Quem vazou o dossiê?

A responsabilidade pelo vazamento das informações foi da própria Casa Civil, inclusive antes de ser liberado, muitos petistas tiveram acesso. Depois de liberado, os petistas se encarregaram de espalhar cópias. Uma destas cópias caiu em mãos da imprensa que a noticiou e em mãos de oposicionistas que o denunciaram.

6.- E o fogo amigo, isto é, alguém da base aliada querendo queimar a imagem da Dilma Rousseff, que o presidente Lula escolheu para ser sua sucessora?

Baboseira, é mais uma das versões malucas inventadas pelo governo tentando se defender e tentando descaracterizar o crime para torná-lo numa simples bisbilhotice.

7.- Por que foi criado o dossiê?

O governo montou o dossiê em duas etapas, e deixou vazar apenas alguma coisa da primeira parte, para intimidar a oposição a desistir de investigar os gastos exagerados com cartão de crédito corporativo pela Presidência no governo Lula, além do total elevado de saques em dinheiro. E a ABIN já informou que existem outros dossiês.

8.- No dossiê havia informações sobre os gastos do presidente e seus familiares?

Não, havia apenas uma seleção (com anotações manuais) de despesas efetuadas pelo ex-presidente e sua esposa.

9.- Antes de Lula as despesas eram sigilosas ?

Não, as despesas eram divulgadas normalmente, sem sigilo, até porque sua natureza não justifica que não se faça a obrigatória prestação de contas quando se tratar do uso de recurso público.

10.- Por que o ex-presidente autorizou a quebra do seu sigilo?

Para desmoralizar o dossiê e tirar-lhe o apelo de ser utilizado como instrumento de chantagem. Além do mais, nada há para ser escondido.

Portanto, para nós, os pontos que interessam são estes. Só nos restaria acrescentar que, o governo Lula, não fará questão nenhuma de descobrir quem vazou, muito embora tenha montado uma encenação neste sentido. Contudo, o que importa saber é quem montou o dossiê, e sobre isto o governo não se manifestará, tentará criar um circo para tirar a culpa dos ombros do próprio governo.


Ah, sim: quebrar sigilos de despesas cujo segredo a lei protege, se constitui em crime, lembrando que estas despesas sigilosas são da responsabilidade da Casa Civil, que é quem tem acesso. Se somente a Casa Civil tem acesso aos dados, então foi de lá que saiu.

Quanto ao fato das oposições terem tido acesso ao dossiê isto é de menor importância. A tentativa do governo de criar fumaça em torno disso, é só para espantar o seu próprio rastro. Lembramos: leiam a primeira versão contada pelo governo: Lula disse que era mentira, Dilma simplesmente negou a existência, Genro foi categórico em afirmar que era uma mentira falar-se na existência de dossiês. Agora, eles já reconhecem a existência do dito cujo, mas buscam jogar a paternidade no colo de qualquer um que não seja o próprio governo. E para encerrar: mais do que saber quem montou o dossiê, é importante que se investigue quem mandou que o dossiê fosse feito. E, neste caso, acreditem, o governo vai ficar mudo, justamente porque ele sabe e tem a resposta.

Ontem, o Luiz Inácio deu a seguinte declaração, reparem a preciosidade do estilo:

"E A CPI que apure", concluiu, referindo-se à CPI Mista dos Cartões Corporativos.

Ele não é muito engraçadinho? Primeiro, em 2003, ele próprio tratou de pôr uma tranca no cofre, tornando as despesas com cartões, sigilosas. Depois, sempre instruiu que se obstaculizasse o trabalho do TCU nas auditorias das despesas dele, família e Cia. Ainda, enviou a Dilma ao TCU com ordem expressa de que, nem as despesas deveriam ser divulgadas tampouco o resultado das auditorias. Em seguida, autorizou que a estrutura do Estado fosse utilizada para uma farra policial na produção de um dossiê que apontasse eventuais irregularidades cometidas no governo anterior. Com sua autorização, a Casa Civil produziu um dossiê, distribuiu aos petistas que compõem a CPI para que estes intimidassem e chantageassem a oposição a que não insistissem nas investigações sobre as despesas feitas com cartão do governo dele, cujo exagerado saque em dinheiro vivo e o crescimento desprorporcional do montante gasto, foram os motivos específicos para a formação da CPI. Não satisfeito, instrui os aliados sobre como obstruírem qualquer investigação que pudesse atingir o governo dele, mesmo diante da autorização do ex-presidente FHC de autorizar a quebra de seu sigilo, Lula não fez o mesmo. E, mesmo com a notícia sobre a existência do dossiê pela VEJA, ele próprio disse que era mentira. Ordenou a sua base aliada na CPI a impedir sob qualquer argumento que a Dilma fosse convocada a depor, e até agora nem ele abriu seus gastos, tampouco autorizou a quebra de seu próprio sigilo. Ou seja, com tantas ações para ocultar seus gastos, e com tantos movimentos de obstrução às investigações sobre os mesmos, dizer que “a CPI que apure” , é, para se dizer o mínimo, canalhice. Como já afirmei, tanto esforço para esconder informações e impedir a investigação sobre sua natureza, representa apenas que este governo TEM MUITA COISA PARA ESCONDER.

O resto que o governo fala é pura bravata, e desesperada tentativa de esconder da sociedade a natureza dos gastos excessivos com cartões, principalmente a justificativa para tantos saques em dinheiro.

Abrir esta porta para esta investigação, e ainda dizer quem autorizou a montagem do dossiê, são as respostas a que o governo está obrigado a dar para a sociedade. E só.

Ponto final e assunto encerrado.

O alvo a destruir é a democracia

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

Cerca de 70 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, grávidos de beligerância, não tiveram paciência para adiar por pouco mais de uma semana a invasão dos 470 hectares da Fazenda Esperança, no conflagrado Pontal do Paranapanema. O crime fora incluído na cerimônia de abertura de outro "abril vermelho" – o quarto mês do ano foi reduzido, há 10 anos, a um período de 30 dias durante os quais o direito de propriedade deixa de existir em todo o país. Consumou-se na manhã de 21 de março, sem resistência dos proprietários legais. "Nada melhor que uma Sexta-Feira Santa para decretar a morte do latifúndio e a libertação dos trabalhadores sem-terra", informou Sérgio Pantaleão, coronel do MST na região.

A subversão do calendário gregoriano não tem nada de surpreendente. Primeiro, porque não se deve esperar que trate a folhinha com bons modos gente que vive rasgando a Constituição (o artigo 5º inclui o direito à propriedade entre as chamadas "cláusulas pétreas", como o direito à vida) e atropela códigos legais com a brutalidade que merecem instrumentos do capitalismo selvagem. Segundo, porque o exemplo veio de cima há quatro anos. Em 2004, a primeira-dama Marisa Letícia foi autorizada pelo maridão a promover em julho, na Granja do Torto, uma festa junina em louvor de Santo Antônio.

Tampouco deve causar espanto a geléia retórica que mistura menções a dias santos com o jargão usado por quem também acha que a religião é o ópio do povo. Como Deus é brasileiro, não convém a nenhum compatriota – sobretudo se comunista – proclamar-se ateu. Só o arquiteto Oscar Niemeyer faz uma coisa dessas na nação em que restaram apenas socialistas. Insatisfeitos com a indigência da fantasia usada pelos comunistas que não ousam dizer seu nome, os camaradas do MST resolveram acrescentar-lhe truques que aprenderam na missa das 10. E deram de fingir que são católicos.

"Sou cristão", mentiu há cinco anos, no meio de uma entrevista, o chefão João Pedro Stédile, ajoelhado desde criancinha no altar de Joseph Stalin. Nem foi preciso pedir-lhe que recitasse a primeira parte da ave-maria. "Acredito em reencarnação", tropeçou já na frase seguinte. Fez uma pausa e completou a brusca conversão ao espiritismo: "Não só acredito como quero viver outra vida rapidinho".

Como não crê nas leis da Igreja, Stédile peca sem perder o sono. Como despreza as leis da burguesia, delinqüe com a naturalidade de mafioso de cinema. Os bons companheiros que mantém no governo saberão socorrê-lo caso seja surpreendido por improváveis ventos contrários. Não há motivos, portanto, para temer promotores públicos ou juízes,

Por ter articulado a depredação de um laboratório e um canteiro de mudas da Aracruz Celulose no Rio Grande do Sul, Stédile foi enquadrado pelo Ministério Público, há um ano, nos crimes de dano qualificado, furto qualificado, formação de quadrilha, bando, seqüestro, cárcere privado e lavagem de dinheiro. Continua em liberdade. E, compreensivelmente, cada vez mais atrevido.

Há dias, saiu sorrindo da aula magna em que explicou, numa universidade do Rio, que o paraíso concebido por Marx e Lenin continua bem de saúde – só espera, nos escombros do Muro de Berlim, por arqueólogos valentes como a turma do MST. E sorrindo continuou ao receber, de um oficial de justiça, cópia da decisão judicial que, atendendo à solicitação da Vale, proíbe o MST e Stédile de "incitar e de promover a prática de atos violentos contra o patrimônio da mineradora". A empresa foi vítima de oito ataques, alguns dos quais configuram ações nitidamente terroristas,

"Esta é uma medida desesperada de quem sabe que está em dívida com o povo brasileiro", discursou Stédile ao ler o despacho da juíza Patrícia Rodriguez, da 41ª Vara Cível do Rio de Janeiro. "Não são medidas da época da repressão, como esses falsos mecanismos policiais, que vão parar o MST. Pelo contrário, agora é que nós vamos ficar com mais raiva. Vamos multiplicar as invasões neste abril vermelho".

Exaustos da omissão de governadores e autoridades policiais, que se recusam a cumprir decisões judiciais, proprietários rurais começam a ceder a perigosas tentações. "Para resolver o problema, só a bala", exaspera-se o fazendeiro e advogado Rodrigo Leite, dono de 500 alqueires e 1.100 cabeças de gado no Pontal do Paranapanema. "Ações de reintegração de posse não adiantam. Elas nunca são cumpridas".

O governo federal finge ignorar que fazendeiros e empresas são, na visão do MST, os alvos da vez. O inimigo a liquidar, para a turma de Stédile, é a democracia. Não é difícil defendê-la. É só cumprir a lei

O poder do baronato sindical

Estadão

Ao impedir, sob pressão dos conglomerados sindicais de empregados e empregadores, que o Tribunal de Contas da União (TCU) passasse a fiscalizar o que os sindicatos, federações, confederações e centrais fazem com o dinheiro que recebem do famigerado imposto sindical - um dia de salário, descontado em folha uma vez por ano dos assalariados, sindicalizados ou não -, o presidente Lula deu aos barões do sindicalismo nacional o equivalente a uma licença para imprimir dinheiro. E sabendo perfeitamente bem disso, a ponto de dizer: ''Deus queira que tanto a categoria dos empresários quanto a categoria dos trabalhadores fiscalizem os seus sindicatos.'' Até o primeiro-lobista do setor, deputado Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, admitiu que a decisão pela qual se empenhara fortalece ''o pessoal da banda podre'' da máquina sindical, ressalvando, embora, que se trata de uma minoria.

O que o sindicalato obteve do presidente foi o veto ao artigo que atribuía ao TCU a fiscalização daqueles recursos, no recém-aprovado projeto de regulamentação das centrais. E o que a caciquia sindical fez foi aplicar um passa-moleque nas lideranças parlamentares. De fato, quando a matéria tramitava na Câmara, em troca da manutenção do imposto (instituído na era Vargas para atrelar os sindicatos ao Estado), contra o que se insurgia a oposição, os sindicalistas aceitaram que a lei obrigasse explicitamente os patrões e empregados a prestar contas ao TCU do destino dado aos recursos. Tendo conseguido o que queriam, romperam o acordo. Por sua vez, decerto docemente constrangido, Lula acedeu a seus pedidos para que fique ao deus-dará, como reconheceu, o controle do cerca de R$ 1 bilhão anual arrecadado pelo governo. Dez por cento da bolada é das centrais; outro tanto, do Ministério do Trabalho.

A justificativa para o veto - a fiscalização representaria uma interferência na liberdade e autonomia sindicais, ferindo assim a Constituição - não resiste a um sopro. É simples assim: contribuição compulsória é imposto, imposto é dinheiro público, e quem quer que o obtenha, uma vez repassado pelo governo, deve provar que o usou para fins lícitos. Em face desse princípio, que não pode ser interpretado, de boa-fé, como ingerência na vida sindical, a fiscalização nem sequer precisaria ter sido estatuída em lei, asseguram procuradores federais, citando um acórdão do TCU. (Originalmente, o artigo estabelecia o controle apenas para as centrais. Outro acordo, no Senado, estendeu-o aos sindicatos, federações e confederações.) ''O veto é imoral'', comentou o deputado Antonio Carlos Pannunzio, do PSDB paulista, autor da primeira versão. ''O presidente manda o recado de que os sindicatos não devem satisfação a ninguém.''

É verdade que Lula se afastou do sindicalismo nos anos 1980, ''quando virou político profissional'', como lembra o cientista político Leôncio Martins Rodrigues. Mas, além do fato de que, desde então, a conquista de um mandato sindical abriu para não poucos filiados as portas da carreira política, no atual governo, a expansão do poder do sindicalismo alcançou patamares inéditos. Embora apenas 14% dos brasileiros sejam hoje em dia membros de algum sindicato e embora os chamados movimentos de massa, onde se inclui o sistema sindical, tenham praticamente desaparecido do cenário político, nada menos de 45% dos cargos mais altos da administração federal são ocupados por sindicalistas, segundo uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas. Ao mesmo tempo, não por acaso, as centrais sindicais se tornaram as organizações de representação de interesses de grupos sociais provavelmente mais bem-sucedidas no governo Lula.

A legalização das centrais e a eternização do imposto sindical - contra o qual investia Lula, o metalúrgico, quando se dizia disposto a acabar com o peleguismo - é a prova mais recente de sua influência. O poder sindical reivindica, entre outras coisas, a paternidade da nova política de reajuste do salário mínimo, a correção da tabela do Imposto de Renda e as correções dos salários do funcionalismo. A nova meta é incluir sindicalistas nos conselhos de administração das estatais. As disputas ideológicas entre as centrais cessaram. Elas competem é por mais poder dentro do governo, em disputa com os partidos políticos.

Estratégico é o que funciona

Carlos Alberto Sardenberg, Estadão

Então ficamos assim: no governo Lula, os portos e os aeroportos são estratégicos e, por isso, não podem ser privatizados. Vai daí que rodovias não são estratégicas, pois esse mesmo governo concedeu uma meia dúzia delas à iniciativa privada.

Não faz sentido. Se o porto pelo qual se exporta a mercadoria é estratégico, por que não o é a estrada pela qual os caminhões chegam ao porto? Pensando bem, a rodovia é mais essencial, pois sem ela o porto não serviria para nada.

Na verdade, a diferença está em outro ponto: portos dão boas estatais, já estradas dão muito trabalho.

Mas a tese do estratégico/estatal parece ter sido um ponto definido pelo governo Lula. Na semana passada, o ministro dos Portos, Pedro Brito, confirmou que sete companhias portuárias federais, inclusive a de Santos, foram retiradas do programa de desestatização com o mesmo argumento utilizado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, para sepultar a discussão sobre a privatização da Infraero, dona dos aeroportos federais.

Segundo Brito, o equipamento portuário tem de atender à demanda de todos, dos pequenos, médios e grandes produtores, o que é óbvio.

Menos óbvia é a argumentação seguinte do ministro para justificar por que razão apenas um porto estatal cumpre essa função. Para ele, uma companhia privada exerceria de modo perverso esse monopólio, impondo restrições e determinando qual tipo de carga poderia ser transportada.
É evidente que qualquer empresa gostaria de transportar apenas cargas simples e muito rentáveis, assim como, digamos, uma companhia de telecomunicações gostaria de só instalar suas linhas nos locais mais ricos. Mas todo mundo sabe que não funciona assim.

Para ficar num só exemplo, as telefônicas brasileiras cumprem diversas obrigações, inclusive a de instalar orelhões em aldeias indígenas. Ou seja, um bom processo de privatização e uma boa regulação garantiriam o acesso universal aos portos privados.

Para se ter uma idéia do absurdo da argumentação do ministro, pense no caso de uma estrada. Imagine se uma concessionária privada resolvesse selecionar quais caminhões têm o direito de circular por aí. Mesmo que não houvesse regras, seria um escândalo impensável.

Mas o governador do Paraná, Roberto Requião, pode e simplesmente proibiu a exportação de soja transgênica pelo Porto de Paranaguá, mesmo sendo um produto inteiramente legal.

Para o ministro Brito, porém, esse caso foi episódico, local, e garantiu que seu Ministério estará atento para evitar outras ações discriminatórias.

Mas exportadores temem que o governador volte a proibir carga na safra deste ano e, por isso, têm procurado o ministro Brito.

Então, esse é o sistema bom e eficiente? Produtores legais precisam pedir ao governo federal que garanta o direito de exportar soja por um porto público? Está na cara que os exportadores estariam mais seguros se o porto fosse administrado por uma companhia privada submetida a regras claras e imune às maluquices de um governador de plantão. No mínimo, não precisariam pedir nem ficariam devendo favores ao ministro de plantão.

Mas, pelo menos, o ministro Brito diz que será mantido o sistema de terminais privados operando dentro dos portos públicos. Ele sabe que o governo não tem a menor condição de operar esses terminais, de resto muito mais eficientes onde existem. O que é, aliás, mais um argumento pela privatização. Se a iniciativa privada pode operar tantos terminais, por que não o porto inteiro?

Além disso, o governo não tem recursos para investir nos portos no ritmo necessário. Em Paranaguá, por exemplo, os operadores reclamam faz tempo de obras de melhoria, especialmente para aumentar sua profundidade de 12 metros para 15 metros. O ministro garantiu que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vai destinar verbas para obras, que ficariam prontas, talvez, possivelmente, no próximo ano.

Meios de transporte são parte essencial da infra-estrutura. São estratégicos no sentido de que são meios que apóiam o funcionamento de outras atividades e, no limite, o funcionamento do País. Vai daí que precisam funcionar bem, o que se consegue com muitos e pesados investimentos e boas regulações. Não decorre daí que precisam ser estatais.

Aliás, no caso brasileiro atual, decorre que não podem ser estatais, pela simples razão de que o setor público tem poucos recursos para investir. Do orçamento do governo federal para este ano, menos de 5% serão destinados a investimentos.Além disso, não é preciso procurar muito para encontrar exemplos de má gestão das empresas estatais. Sem contar a manipulação política dos cargos e obras.Resumindo, o que vale mais? Um porto (ou aeroporto) privado que funciona bem ou um estatal precário?

Se fossem privatizados todos os portos, a primeira coisa que acabaria seria o Ministério dos Portos, criado por Lula para atender a aliados. Sem ele o País precisaria apenas de uma agência reguladora. O ministro Brito e o partido que o apadrinhou perderiam o poder de nomear, de contratar e de, despretensiosamente, é claro, ajudar os exportadores a conseguirem colocar soja transgênica no Porto de Paranaguá.

Poderiam ao menos contar a história inteira, não é mesmo?

Os jornalistas de serviço e a lógica dos seqüestradores

Reinaldo Azevedo

É preciso que vocês saibam: a imprensa é o principal alvo do petralhismo. Embora ela também esteja infiltrada pela Al Qaeda comuno-negociante, ainda é o território em que algum aporte crítico tem voz ativa. Desde o primeiro momento, o jornalismo esteve entre as prioridades do PT: dominá-lo, domesticá-lo, fazê-lo mera correia de transmissão das vontades do partido. A canalha tentou isso pelas vias legais. Não deu certo. Então recorreu às penas de aluguel; àqueles pagos para elogiar e para tentar fazer das versões oficiais uma espécie de resistência. Não se trata de uma conspiração. É jornalismo de serviços: o governo paga, o cabra vai lá e executa a encomenda.

Parte importante dessa estratégia é acusar de brutalidade, de dureza excessiva, de agressividade desmedida os que não se vergam. Não quero dar a essa resistência um tom pateticamente heróico. É que há gente sem vocação para o nariz marrom. O que eles querem? A resposta é simples: QUEREM QUE O CRÍTICO SE INTIMIDE. Caso isso aconteça, há, então, a concórdia, certo?

Não! Caso eles sejam bem-sucedidos na investida, exigirão sempre mais, com a lógica peculiar dos seqüestradores. Os que se especializaram em negociar com os bandidos que “roubam pessoas” sabem disso: ceder a uma exigência é expor-se a novas exigências. Se você condescende aqui e ali, eles pedirão sempre mais. Querem fazer com que a servidão imposta se confunda com a servidão voluntária.

Os meliantes morais que mobilizam não estão em busca da verdade, mas de lemas e chavões. A mídia que a canalha chama “golpista” é, de fato, a do contragolpe. Antes que um ou outro dos contragolpistas reagissem aos ataques, houve a tentativa de silenciar a dissonância. Falo em meu próprio nome: ignorava certas (pequenas) reputações até que elas começassem a se incomodar com o sucesso do meu blog e partissem para a difamação. Bato, sim. Às vezes, bato pesado. Mas não saio rastejando solidariedade, qualidade que sempre compõe o perfil de um canalha.

É claro que o poder percebeu que essa gente “de serviço” estava por aí, dando sopa, vivendo o auge de sua decadência, se me permitem a antítese. Aconselham mal, pensam mal, escrevem mal. Vale dizer: estão talhadas para o trabalho sujo. Dêem-lhes trinta dinheiros, e defenderão qualquer coisa.

Nunca antes nestepaiz um governo se meteu tanto em disputas empresariais, usando o estado onipresente para impor a sua vontade por intermédio da chantagem e da prática de criar dificuldades para vender facilidades. Ora, isso requer propagandistas, que mal disfarçam a defesa de interesses privados em textos confusos, eivados de anacolutos, disfarçados, no entanto, de análise econômica ou política. O nome disso é lobby. Seus promotores são lobistas. A alguns, no esplendor da decadência, não restou senão ser o serviçal de plantão, o ordinário sem nenhum amor próprio, capaz de vender três versões diferentes em três dias. Porque, afinal, a chefe mandou.

Como sempre, José Dirceu conta tudo, não é? Vejam o que publiquei neste blog no dia 14 de junho de 2007 (em itálico – íntegra aqui):

José Dirceu falou ontem num congresso de metalúrgicos da CUT. Ele também não gosta da imprensa. Como Lula. Segundo disse, “nunca foi tão possível como agora” democratizar os meios de comunicação, usando a “regulação e a concorrência do setor”. Este democrata vê uma "profunda divisão dos formuladores de comunicação no Brasil". E convida: "Há uma possibilidade real de aproveitarmos esse momento". A “divisão" a que ele se refere deve ser o jornalismo áulico, que vive às custas da papa fina das estatais.

O governo a que pertence o Lula que não quer violência no jornalismo e o Zé que pretende usar as leis de regulação — como Chávez, na Venezuela, mas com mais suavidade — é o mesmo que pretende criar a TV oficial e reintroduzir a censura prévia no país, com a concordância cúmplice de alguns idiotas da própria mídia. “Aproveitar”, como diz o Zé, as divergências do campo democrático para impor a sua agenda é uma prática clássica da esquerda — mesmo sendo o esquerdismo petista.

Como se vê, tudo devidamente explicado. O petismo queria mais do que certa adesão preguiçosa de boa parte dos jornalistas ao PT. Queria, e está construindo, a sua própria mídia. O diabo é que essa gente faz isso com o nosso dinheiro. Se você procurar a origem da grana que sustenta os áulicos, chegará fatalmente ao dinheiro público.

A difamação produzida pelo jornalismo a soldo, como se vê, nada tem de heróica. É apenas a expressão mais deprimente e apalhaçada de um projeto de Brasil. O Davi, nesse caso, são os que resistem ao Golias que assaltou o estado. E, para manter a virtude dessa metáfora, cumpre dizer: vão perder. Se continuarmos vigilantes.

Brincando com a democracia

Editorial do Estadão

''Não se brinca com a democracia'' - disse o presidente Lula, explicando por que não aceita a idéia de um terceiro mandato. E reiterou, com maior ênfase, essa posição quando, indagado pela jornalista Maria Lydia - em recente entrevista no Em Questão, da TV Gazeta - sobre se a recusa a um terceiro mandato se devia a ''valores éticos'', respondeu: ''Mais do que isso: valores democráticos.'' Pode-se até discutir sobre a equivalência de tais valores, mas claro está que o presidente Lula quis demonstrar que associa firmemente a Democracia às regras de alternância do poder. Sendo assim, o vice-presidente José Alencar está brincando com a democracia quando defende mais tempo para Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República - por ser isso o que ''o brasileiro quer'' e porque Lula ''fez muito'', mas ainda ''há muito a fazer''. Grave não seria o que disse, se se tratasse apenas de destempero de uma cabeça. Mas tudo indica que não se trata disso. Há motivos para acreditar que não faria essas declarações sem a prévia anuência do presidente, pela simples razão de que sabia que ninguém acreditaria que não o consultara antes de fazê-las.
.
Apesar de todas as enfáticas negativas presidenciais, não é provável que Lula nunca tenha, pelo menos, acalentado a idéia de disputar o terceiro mandato que, salvo algum percalço inesperado, conquistaria tranqüilamente, dadas as extraordinárias circunstâncias em que se insere o quadro político atual, tais como: um presidente da República com os maiores índices de popularidade que já desfrutou - 58% de avaliação positiva - desde o início de sua primeira gestão; uma situação econômica, em termos de recuperação de crescimento e geração de empregos, com resultados positivos como há muito não se via - pelo menos desde o ''milagre econômico'' dos tempos da ditadura; a total concentração do poder político na pessoa do presidente, de tal forma que não se vislumbra alguém de seu partido ou de sua base aliada que seja candidato ''natural'' a sua sucessão; e o favoritismo, segundo todas as pesquisas, de um candidato oposicionista à sua sucessão - a saber, o governador tucano de São Paulo, José Serra.

Como não poderia deixar de ser, visto que as forças políticas são torrentes que de formas variadas sempre buscam desaguar em seus almejados mananciais de poder, a idéia de um terceiro mandato, em continuidade, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já extravasa em significativas manifestações populares e até num projeto legislativo defendido pelo deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), velho amigo do presidente Lula, propondo a realização de um plebiscito para que a população brasileira decida se quer ou não modificar a Constituição para dar ''mais tempo de governo'' ao presidente, como pretende o vice Alencar.

Na verdade, até a idéia de um mandato presidencial de cinco anos, sem reeleição, em torno da qual governistas e oposicionistas parecem caminhar para um consenso, pode favorecer apenas a meio velada intenção de um terceiro mandato. É que, de um lado, a fórmula poderia resolver um problema de disputa interna do PSDB - já que o governador mineiro, Aécio Neves, até agora não demonstrou abrir mão da disputa com seu colega paulista em 2010, embora pudesse fazê-lo se os tucanos lhe garantissem a candidatura presidencial de 2015. Mas, de outro lado, com essa mudança constitucional poderia estar ''zerada'' a atual restrição ao terceiro mandato contínuo, o que abriria, a Lula, as portas a um ''novo'' mandato dentro das novas regras - e em obediência à exigência ''dos brasileiros'' (auscultados pela intuição de José Alencar) de que o Programa de Aceleração do Crescimento (o PAC), que pode ter mãe incerta, mas cujo pai é conhecido, não há de ser interrompido por adversários políticos.

Depondo sobre os primeiros anos do regime militar, Carlos Lacerda dizia que o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, primeiro presidente daquele sistema, afirmou com toda a convicção: ''Aos meus amigos peço e aos meus comandados ordeno: não me falem em prorrogação (do mandato presidencial)'', mas depois de tantos e insistentes apelos, aceitou a prorrogação de seu mandato, ''docemente constrangido''.

Não há como deixar de notar que cada vez aumenta mais o cordão dos que pretendem impor ao presidente Lula um doce constrangimento.

O TCU confirmou o todo mundo já sabia: o PAC não sai do lugar, só na propaganda

Adelson Elias Vasconcellos

Na Coluna Painel, da Renata LoPrete, da Folha de São Paulo, duas excelentes notinhas que valem a leitura:

Empacou 1. Não bastasse o dossiê, há mais dor de cabeça à vista para a ministra Dilma Rousseff, "mãe do PAC". Responsável por analisar o andamento do programa a cada quadrimestre, o TCU acaba de divulgar acórdão de nova auditoria. Para o tribunal, tanto faz uma obra estar no PAC ou fora dele. A execução seria a mesma: baixa.

Empacou 2. Os dados auditados vão de maio a agosto de 2007. O TCU diz não entender como seria possível haver 80% de execução, dado apresentado pelo governo, se o desembolso orçamentário foi de apenas 12%.

Muito bem, aqui mesmo desmascaramos a farsa que o governo Lula em relação ao PAC. Dissemos e provamos que se trata de um pacotinho de bela embalagem, mas de conteúdo raso, além uma cópia pirata do BRASIL EM AÇÃO lançado ainda no primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique, em 1996. E para não restar dúvidas, indicamos um link onde constam todos os projetos constantes do programa de desenvolvimento, de onde saíram as parcerias público-privadas e através do qual se fez muita obra, porém, sem esta publicidade mentirosa que Lula lança mão.

Depois, em vários outros artigos, sempre que nos referimos ao tal PAC, sempre o fizemos como um plano de marketing de execução empacada.

Acima vocês viram, né, até o TCU desmente e desmonta a farsa armada pelo Planalto. Engraçado, o ministro Mantega querendo contar as glórias do governo, afirmou que “(...) O Brasil já é o país do futuro (...)”. Puxa, ministro, que alívio, hein: quer dizer que, apesar do Lula, o país tem futuro? Legal, pelo menos estamos no mesmo lugar que estávamos desde a década de 1950, que foi quando se cunhou a expressão. Triste, ministro, é saber que, aquele brasilzão que Lula tenta mistificar na propaganda cretina, não existe ainda! Triste constatar que Lula, apesar de tudo, continua mentindo despudoramente.

E reparem no detalhe: enquanto o governo anuncia que já executou 80% das obras, liberou apenas 12%, repito DOZE POR CENTO dos recursos? É, fica difícil fazer obra sem dinheiro !

Assim, com pacote genérico de desenvolvimento, em que se anuncia 80% de execução física contrastando com apenas 12% de recurso executado, não há dúvida de que a crítica que se faz tem fundamento.

Portanto, vamos parar com a palhaçada, de que a “gente tem coisa mais importante para fazer” ! Está visto que o governo é bom de mentiras, dossiês e propaganda mas ruim de serviço que dói!

De qualquer maneira, pela fala do ministro Mantega, é um grande alívio saber que, apesar deste desgoverno, há luz no final deste túnel. Resta saber por quanto mais teremos de esperar por este futuro, ou se antes o governo conseguirá acabar com o País, com a Auto-determinação dos Povos Indígenas, que pode fracionar o país em centenas de países ?

Temporão, por favor, fale menos e trabalhe mais.

Está passando da hora de Temporão falar menos e trabalhar e produzir mais. Aliás preveni, antes do atual Ministro da Saúde assumir a pasta, que, para omeu gosto, ele estava falando demais, e sobre assuntos se, nenhuma prioridade, mas apenas porque eram polêmicos e davam, assim, maior visibilidade. “Pimba na gorducinha” como diria famoso narrador de futebol. Não deu outra. E o Rio de Janeiro é apenas um caso representativo do que o ministro considera prioritário. Interessante é que a lei existe para todos, porém este governo alega como justificativas para apagões, os limites impostos pela legislação. Melhor faria, se assumisse seus erros e os tratasse de corrigir. Por exemplo, se em 2007, ano em que não houve eleições, tivesse o governo investido o que estava programado nos programas de prevenção, o Rio de Janeiro muito provavelmente não estaria chorando seus 67 mortos. Tivesse, ainda, o governo federal, ao invés de aparelhar o estado com os companheiros sindicalistas vagabundos, que lá estão apenas para mamar, e não para trabalhar, e o Rio de Janeiro não viveria este clima de terror que nele se instalou por conta da precariedade do sistema público de saúde. E isto não resumo todo o enredo da história, infelizmente.

Desta forma, que o ministro da saúde do mosquito se aperceba que, antes de preocupar em matar fetos, deve se preocupar em preservar vidas. Antes de sair por aí “abrindo” debates no campo da descriminalização das drogas, deve dotar a rede hospitalar de condições mínimas e dignas para atender a população de 183,0 milhões de pessoas.

Que ele saia desta calamidade mais maduro e com a lição aprendida de que deve priorizar cuidados para as carências que fazem vítimas, e neste caso, a rede hospitalar tanto quanto os postos de saúde, além da intensificação dos programas de prevenção e não apenas em relação a dengue, mas preparar-se e capacitar-se para enfrentar sem traumas, epidemias e calamidades.

Espero, ainda, que o ministro não leve muito a sério o que ele mesmo disse. Seria o fim da picada a população do Rio Janeiro ter que esperar pelo término para ser socorrida. Pelo que se saiba, não se criou no Brasil nenhuma lei que impeça os agentes públicos de salvarem vida.

Sábias são as palavras do Cláudio Humberto quando diz : Os cariocas convivem com dois fantasmas: a bala que se perde e o mosquito que se encontra.

A reportagem é da Renata Giraldi,da Folha Online

Temporão diz que combate à dengue em ano eleitoral é guerra perdida

O ministro José Gomes Temporão (Saúde) afirmou nesta quarta-feira que o combate à dengue em ano eleitoral é guerra perdida. Segundo ele, com a politização do tema, quem sai prejudicada é a população, porque são "desmobilizados os programas e demitidos os servidores que atuam na área".

O ministro advertiu ainda que além do Rio de Janeiro, outros cinco Estados estão em estado de alerta por causa do mosquito da dengue. "Todos os anos quando há disputa eleitoral nos municípios, a guerra contra a dengue perde. Se desmobilizam programas, se demitem servidores e se faz politicagem com uma coisa tão grave."

Temporão afirmou que além do Rio, Amazonas, Rondônia, Pará, Rio Grande do Norte e Bahia estão em estado de alerta por causa da dengue. "É preciso que se evite nesse locais que ocorra uma situação semelhante à que acontece no Rio. Estamos trabalhando para isso."

O ministro disse ainda que nesta quinta-feira será realizada no Rio a reunião do Conselho Nacional de Secretários de Saúde. A idéia é debater as ações de combate à doença e intensificar o remanejamento de profissionais de saúde para que trabalhem nos atendimentos aos pacientes no Estado.

Temporão disse que a idéia é tirar médicos de atividades burocráticas, aumentar a carga horária de outras, aproveitar o trabalho dos aposentados e ainda contar com a ajuda de profissionais de outros Estados.

Segundo o ministro, há ainda a possibilidade de dar uma ajuda financeira àqueles que colaborarem com essas ações, mas essa seria, por enquanto, apenas uma possibilidade. "Se necessário, sim."

Temporão lembrou ainda que o governo federal, com a ajuda do gabinete de crise instalado no Rio, faz um levantamento de todos os médicos que atuam no Estado, mas, por enquanto, não tem o número que representa o déficit de profissionais na região.

Suprema humilhação: Rio estuda pedir médicos de Cuba para tratar dengue

Diz o Cláudio Humberto: O governo do Rio vai pedir ajuda a Cuba para matar os mosquitos da dengue. Afinal, um país que mantém um ditador congelado deve entender muito de praga.

Contudo, espero que o governador carioca tenha um pingo de equilíbrio, e não cometa esta sandice de convocar médicos cubanos para tratar da epidemia de dengue que assola o Rio de Janeiro. Seria a suprema humilhação para o país. Seria como se passamos em nos mesmos um atestado de incompetência generalizada de parte de nossas autoridades. Mesmo que a incompetência seja verdadeira, não precisamos confessá-la explicitamente para o mundo inteiro,,;

Há outros meios de se conseguir fazer frente ao que resultou da omissão, desídia e irresponsabilidade de governantes municipais, estadual e federal. Tivesse, por exemplo, o governo federal, que agora quer repartir sua culpa com os outros, investido o que estava previsto para programa sde prevenção, e por certo, se teria evitado o colapso que se tem agora.

E, mesmo assim, é possível sim superar as dificuldades. Existem muitos profissionais que possa, temporariamente, serem deslocados para atendimento à população. Recorrer ao exterior, para trazer médicos quando os temos em boa e razoável, quantidade só em desesperador último caso. Até, que se esgotem todos os recursos que estiverem a mão. O que não pode continuar acontecendo, são pessoas morrendo por absoluta falta de atendimento médico a tempo de combater a doença. Como também, e esta não é a primeira vez que o sistema de saúde pública entra em colapso, a última por exemplo ocorreu no Nordeste recentemente, é as autoridades continuarem dando às costas para o problema, desviando investimentos para outras despesas totalmente inúteis, despesas que classifico de pura ostentação. No Brasil, nossas autoridades e classe política precisa se dar conta que, fazendo o simples, o feijão com arroz dos deveres do Estado para com a Sociedade já se estará fazendo mais do que a soma de todos juntos, com raríssimas e honrosas exceções.

Contudo, e pelo conjunto da obra do Luiz Inácio, já começo a me preocupar em saber qual será o próximo apagão de seu governo ?

A reportagem é de Luisa Belchior, em Colaboração para a Folha Online

O governo do Rio estuda pedir médicos de Cuba para ajudar no atendimento a pessoas com dengue na cidade do Rio, declarou o governador Sérgio Cabral. Em entrevista na manhã desta terça-feira, o governador afirmou que faltam médicos no Estado. Ele disse que vai decidir, até domingo, se fará o pedido de profissionais ao governo cubano, que já passou por epidemias de dengue.

"Cuba tem uma excelente tradição na área de saúde pública", disse.
Cabral afirmou ainda que há três tendas de hidratação --espaços montados pelo governo do Estado próximo a hospitais do Rio para auxiliar o atendimento a pacientes com dengue-- sem funcionamento por causa da falta de médicos no Estado.

"Temos carência de médicos. As tendas da Gávea [zona sul], da Penha [zona norte] e do Méier [zona norte] estão prontas esperando por profissionais", declarou.

Já no hospital de campanha montado pela Aeronáutica na Barra da Tijuca (na zona oeste, região mais afetada pela doença), o movimento é grande.

Até as 12h30 desta quarta-feira, a tenda, que tem capacidade para atender 400 pessoas, já havia atendido 159 pacientes, 121 deles com dengue diagnosticada, segundo a assessoria de imprensa da Aeronáutica. Outras 323 pessoas aguardam para ser atendidas no local.

Já no Hospital Municipal Lourenço Jorge, também na Barra, perto de onde a tenda foi montada, há menos pacientes, segundo a Aeronáutica. A Secretaria Municipal de Saúde não soube dizer o número de pessoas com suspeita de dengue atendidas hoje no Lourenço Jorge. Ontem, de acordo com o órgão, foram atendidos 309 adultos e 104 crianças com dengue.

"Guerra perdida"
O ministro José Gomes Temporão (Saúde) afirmou nesta quarta-feira que o combate à dengue em ano eleitoral é guerra perdida. Segundo ele, com a politização do tema, quem sai prejudicada é a população, porque são "desmobilizados os programas e demitidos os servidores que atuam na área".

O ministro advertiu ainda que além do Rio de Janeiro, outros cinco Estados estão em estado de alerta por causa do mosquito da dengue. "Todos os anos quando há disputa eleitoral nos municípios, a guerra contra a dengue perde. Se desmobilizam programas, se demitem servidores e se faz politicagem com uma coisa tão grave."

Temporão afirmou que além do Rio, Amazonas, Rondônia, Pará, Rio Grande do Norte e Bahia estão em estado de alerta por causa da dengue. "É preciso que se evite nesse locais que ocorra uma situação semelhante à que acontece no Rio. Estamos trabalhando para isso."

Gaúchos
Entre 15 e 20 pediatras da rede estadual do Rio Grande do Sul serão enviados ao Rio de Janeiro para ajudar no atendimento a pacientes com dengue. O governo gaúcho foi o primeiro a atender ao pedido feito pelo secretário estadual de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes, para que médicos de outros Estados auxiliem no atendimento aos doentes.

Os médicos, que pertencem a hospitais estaduais e federais gaúchos, embarcarão para o Rio no próximo domingo (6), e ficarão em unidades de saúde do Estado por cerca de duas semanas, informou a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul.