terça-feira, dezembro 04, 2012

A gangue do atraso e da rapinagem


Adelson Elias Vasconcellos


Nas hostes petistas como quem vai batendo um desespero total.  Só não é pior porque a oposição entrou em férias há uns 7 ou 8 anos, e ainda não retornou para reassumir o papel que lhe cabe dentro do latifúndio democrático brasileiro. Neste final semana, diante de tanta bandalheira, permissividade, imoralidade, roubo, corrupção ativa e passiva em primeiro, segundo e terceiro graus, um pais que já, de forma estúpida e incompetente, jogando fora as maiores oportunidades que a história que lhe ofereceu vai vendo o bonde passar à sua frente sem embarcar nesta onda. Como que uma imensa onda de indignação vai tomando conta da nação, por não ser mais tolerar os lulas, os dirceus, as dilmas, as roses, as erenices, os paloccis, os delúbios, e todo um imenso batalhão de petistas larápios que encharcaram a república com degradação moral e ética.

Creio que o ponto de saturação até que está demorando em acontecer e explodir numa raiva, num protesto que varra o Brasil de norte a sul pedindo cabeças e mudanças. Não há mais espaço para mentiras cotidianas, mistificações permanentes, escárnio constante sobre as leis, a ordem democrática, o estado de direito, as instituições. O PT, em 10 anos de poder, misturou tudo isso, borrifou no caldeirão o que de pior pode haver na vida política de uma nação, e quer agora obrigar o Brasil aceitar sua canalhice como princípio básico da existência.

Tenta de forma vigarista reescrever a história, tenta ser construtor de uma modernidade contra a qual ele próprio se indispôs pelos meios ilegais, com violência e atropelos de toda a ordem.

Não, não foi por isso que o Brasil lutou para reconquistar sua democracia. Não foi por isso que o país atravessou mais de quinhentos anos de existência para ser submetido por uma gangue de estrupícios, delinquentes e bandoleiros, e para usar um termo da moda, de políticos mequetrefes.   

Dilma Rousseff até pode conquistar mais um mandato, Lula até pode continuar a misturar o público com o privado e se deleitar numa popularidade canalha.  Mas, cedo ou tarde, assim como os brasileiros se livraram dos ditadores militares, livrar-se-á, também, do crime organizado no poder e a toda a sorte de vigarices, imoralidades e mentiras com que o PT se cercou para manter-se no comando do país.

O movimento de indignação recém está começando. Tivéssemos um líder na oposição e, certamente, o PT seria varrido da história política do país. Gentalha como são, seu lugar é o lixo, onde sua falta de princípios encontra o ambiente propício para existir.  

Haverá resistências? Por certo que sim, eles não entregarão o ouro sem esperneio. Eles não pensam no bem do país, pensam apenas em continuar escravizando com sua imoralidade toda uma nação. Mas, por mais que resistam, o Brasil é mais forte e saberá livrar-se desta corja de larápios e assaltantes do poder.

Mas não é apenas no campo da degradação da política que a gangue presta um desserviço ao país. No campo institucional, a tentativa de colocar a atuação dos poderes da república sob o crivo e submissão de um partido, a coisa chega a ser constrangedora para quem lutou pela reconquista do estado democrático.  O PT que vemos e que exibe sua essência criminosa, jamais foi democrático e sim totalitário. O sonho da gangue sempre foi instalar no Brasil um modelo totalitário guiado pelo regime cubano. Não por outra, seus laços com os sanguinários irmãos Castro, Raul e Fidel, jamais sofreram qualquer abalo. São amigos íntimos e com eles se aconselham sobre como podem degradar a ordem institucional brasileira um pouco mais.

Mas a economia intervencionista, estatista, centralizadora de poderes, é outra marca dominante e que pouco a pouco vai engessando nosso dinamismo, e aniquilando a organização federativa.  Nunca o país pagou tanto para receber quase nada. Os recursos que geramos acabam dominados em mãos de tão poucos, gente de origem dos sindicatos e centrais sindicais cujo enorme maioria apenas mama nas tetas gordas do tesouro sem nada produzir ou contribuir para o desenvolvimento do país.

São inimigos do lucro. Para a gangue, o lucro é sinônimo de pecado mortal. Acham em sua mediocridade que é preciso controlar preços e quantidades. Querem fixar o retorno de investimentos tabelando-o por decreto. Este governo, tanto quanto o anterior, nunca teve a menor noção do que seja um projeto de país. Falta-lhes competência gerencial, falta-lhes formação técnica, jamais saíram da sua surda ignorância medieval.  O quanto o país pôde crescer entre 2003 e 2008, foi muito mais pelos bons ventos  da economia mundial que, no primeiro soluço, mostrou toda a  nossa fragilidade. 

Acham que os dólares que entram são para investimento direto, quando na verdade a maior parte está sendo usado para uma brutal desnacionalização da nossa indústria e das principais empresas de comércio e serviços. 

Ao centrarem suas preocupações apenas no consumo, o fazem com o único propósito de aumentar a arrecadação de impostos, da qual grande parte que será desviada pela elite de servidores cujo objetivo é as benesses da vida de marajás. Nossos gigolôs não têm limites em suas ambições e ostentação. Por mais patrimônio que somem para si, continuam em crônica pobreza de espírito, vulgares, mal educados, ignorantes, analfabetos morais, deformados em caráter. Porém, e isto vem sendo dito há muito tempo, todo este esplendor de consumo está gerando riquezas lá fora, empregos e renda lá fora, já que esta demanda em sua maioria tem sido atendida com importados, pelo péssimo ambiente de negócios criado por estes governinhos medíocres que se sucederam desde 2003. 

Os apagões se sucedem em todas as direções em que esta corriola sem caráter de corrompidos e vigaristas põe sua mão. Mesmo com a arrecadação menor de impostos nos últimos meses, não cansa de criar cargos inúteis para vagabundos mais inúteis ainda, através de novas estruturas mais inúteis ainda que os mentecaptos que as conceberam.

Assim, o protesto geral que ora se vê na imprensa, vindo mesmo daqueles que ainda toleravam as barbaridades cometidas pela gangue, vai encontrando seu ponto extremo de suporte. A indignação e a repugnância tem sido geral. 

Queremos um país livre, o PT não.
Queremos um povo educado, o PT não.
Queremos serviços públicos decentes, o PT não.
Queremos uma carga tributária mais justa e menor, o PT não.
Queremos um Estado a serviço de todos, o PT o quer apenas a serviço de seus interesses e conveniências partidárias de puro lixo e ranço ideológico.

Queremos os bons ventos da democracia, queremos o pleno estado de direito, queremos justiça para todos, queremos um ambiente político saudável, ético, responsável. Para o PT quanto pior melhor, quanto mais dividida a nação melhor, quanto mais degradados os hábitos e costumes sociais, melhor. 

Portanto, se o Brasil deseja realizar seus sonhos como nação próspera, desenvolvida, educada, civilizada, ordeira  e livre, já sabe que para tanto precisará se livrar do PT. Com ele no poder, com a gangue a dar as cartas, o nosso país só conhecerá o obscurantismo, o atraso, a ignorância, a imoralidade. 

Muitos se perguntam por que o investimento cai, ao invés de subir diante de uma carga expropriatória de tributos? É simples, pela única razão de que o PT não para de aparelhar a máquina pública com vagabundos e larápios. Eles não estão lá para nos servir, estão lá para achacar. Só isso.  Eles não têm fome de justiça social como preconizam. Sua fome é tomarem para si apenas o dinheiro que é de todos.

Uma sugestão ao senhor Mantega: comece a se preocupar rapidamente com a inflação. Este dragão dá dando pistas de que pode voltar com seu apetite voraz a qualquer momento. É injustificável esta tolerância com a inflação pelo governo Dilma. E este dragão pode ser a pá de cal no projeto de poder dos petistas. O aviso foi dado.

Como perguntar não ofende, eis uma questão para a Polícia Federal responder: Quanto Rose gastava, mensalmente, no cartão de crédito corporativo que ela usava na chefia de gabinete da Presidência da República, em São Paulo? Eis um tema que pode dar bom caldo para algum jornalista curioso...

Onde mora o respeito.
Hoje, o governador Eduardo Campos, Pernambuco, afirmou que "O Presidente Lula merece, Do Brasil, respeito”. E acrescentou:  "Vamos compreender o papel de Lula como o do ex-presidente FHC na história, de líderes que têm imperfeições, mas que legaram ao Brasil algo que é importante para a vida brasileira...".

Tudo certo, tudo bonitinho. Mas há uma ressalva: antes do Brasil “respeitar” Lula, melhor faria Lula se respeitasse o Brasil, suas instituições, sua democracia, seu estado de direito e, principalmente, sua própria história. Se ele deseja ser respeitado pelos demais cidadãos, brasileiros ou não, aconselha-se que se dê o respeito, e pare de misturar o publico com o privado, de mentir e mistificar, e tentar colocar-se acima do próprio país que um dia ele teve a honra de governar. 

A inútil discussão entre o STF e a Câmara sobre os deputados condenados


Comentando a Notícia

Em seu blog, o jornalista Reinaldo Azevedo postou um texto que vai de encontro ao nosso pensamento sobre este pretenso impasse criado em torno da condenação de parlamentares com mandatos em vigor na  Câmara de Deputados. Mais ao final, tomaremos emprestado do Reinaldo algumas colocações interessantes.

O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT/RS), afirmou com todas as letras que cabe à Câmara a prerrogativa exclusiva de  cassação   de deputados,  e ponto final. O STF, a seu turno, agendou sessão para quarta feira discutir que parlamentar condenado, com sentença definitiva  transitada, perde o mandato automaticamente.

E muitos acham que o impasse está criado. E, modestamente, entendo ser esta uma discussão inútil. A perda do  mandato por condenação nada tem a ver com a cassação que o Congresso venha aplicar sobre seus pares. A lei diz que ela é automática em caso de condenação. Pronto, nada mais há que se discutir. Qualquer parlamentar pode ter seu mandato cassado mesmo que não venha ser condenado. Afinal, não foi isto que foi feito com José Dirceu e Roberto Jefferson?  E, no entanto, ambos foram condenados apenas alguns depois de suas cassações.

Mas uma condenação pelo STF, sem que haja outra instância  superior para recorrer, atende o texto constitucional. Ora, se até para ser simples candidato é preciso ter “ficha limpa”, o que se dizer do parlamentar que venha ser condenado pela Justiça em último grau de recurso e com a perda de direitos políticos?

Portanto, a Câmara ou Congresso não perdem nenhuma prerrogativa legal se algum parlamentar perder o mandato em função de condenação definitiva com a perda dos direitos políticos. Tal fato se dá porque quando ocorre a condenação, o parlamentar já não ao abrigo do Congresso. 

A meu ver, se os mais apressados atentarem unicamente para o que diz a lei, e fizerem a devida distinção do que significa ser cassado e ser condenado, já não haverá mais impasse algum. A condenação é um passo adiante da simples cassação, e sua abrangência é da competência exclusiva do STF, daí porque a decisão pela qual se inclina a maioria dos ministros da Corte Suprema, a de que a condenação (que não é cassação apenas), implica na perda imediata do mandato, além de atender perfeitamente os dispositivos constitucionais e sobre a qual nem a Câmara nem o Senado terão poder de mudar, porque, no fundo, não se trata de cassação pura e simples e sim perda de mandato por condenação judicial.

O jornalista Reinaldo segue na mesma direção e acrescenta:

Leiam o que estabelece o Inciso III do Artigo 15 da Constituição:

Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:
(…)
III – condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos.

Bem, até aqui, não há dúvida, certo? A “cassação” dos direitos políticos se dará em caso de condenação criminal transitada em julgado. Como, no caso em espécie, o STF é a instância definitiva, então se tem o óbvio: os três deputados tiveram seus direitos políticos cassados. Ponto!

Onde começa a confusão? No Artigo 55. Leiam:

Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:
I – que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior;
II – cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;
III – que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada;
IV – que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;
V – quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta Constituição;
VI – que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado.

§ 1º – É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no regimento interno, o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas.

§ 2º – Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por voto secreto e maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.

§ 3º – Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.

§ 4º A renúncia de parlamentar submetido a processo que vise ou possa levar à perda do mandato, nos termos deste artigo, terá seus efeitos suspensos até as deliberações finais de que tratam os §§ 2º e 3º

E segue, dizendo que :”... Não fosse a leitura lógica da Constituição a indicar que os mandatos estão cassados, há o Parágrafo 4º do Artigo 37 da Constituição, a saber:

§ 4º – Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.”

Peculato e corrupção, por exemplo, são atos de improbidade administrativa.

Além da Constituição, há também o bom senso. Tenho algumas indagações:

1: alguém que perdeu seus direitos políticos pode conservar o seu mandato?

2: poderemos, então, ter três deputados destituídos de direitos políticos, é isso?

3: ministros do Supremo que votaram a favor do Ficha Limpa teriam, agora, a coragem de votar contra a cassação dos preclaros pelo tribunal? Quer dizer que disseram “sim” a uma lei que cassa direitos políticos de quem nem teve a sentença transitada em julgado, mas se negariam a fazê-lo de quem já teve? ”.

Para finalizar: Marco Maia pode espernear e afirmar o que bem entender. Quetão de opinião dele. Porém, sendo quem é e ocupando o posto de Presidente da Câmara tem o dever de se manifestar acima de sua emoção e torcida pessoais. Aqui tanto a vaidade quanto a arrogância devem ceder lugar à razão. Neste caso, e tendo a casa uma procuradoria que acredito seja ocupada por profissionais do direito bem formados, melhor faria o senhor Maia se olhasse a questão sob o espectro do que entende os assessores jurídicos da Câmara. Evitaria afirmar tolices.  

Elétricas vão ter indenização extra


Comentando a Notícia

O texto a seguir é de Eduardo Rodrigues, da Agência Estado. Ele encerra uma verdade sobre o governo Dilma sobre o qual o país precisa ter atenção constante para que o interesse do país não seja superado por outros interesses maléficos para o próprio Brasil.  Retornaremos depois para comentar:

*****

Um dia antes de vencer o prazo para a renovação das concessões, governo baixa decreto reconhecendo investimentos feitos no passado

BRASÍLIA - Para tentar dar um último impulso às companhias do setor elétrico, na véspera do prazo final para a assinatura dos contratos de renovação das concessões, o governo publicou nesta segunda-feira, 03, decreto garantindo às companhias de geração uma indenização extra pelos investimentos feitos ao longo dos contratos antigos, e que ainda não tinham sido contabilizados. As autoridades ainda precisam definir a forma como isso será pago às empresas.

A medida saiu por meio de uma edição extra do Diário Oficial da União, editada durante o fim de semana com data da última sexta-feira, e definiu que as companhias que aceitarem a renovação dos contratos terão de apresentar até o fim de 2013 os cálculos de melhorias nas concessões durante a vigência dos contratos antigos. Após esse período, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai descontar a desvalorização desses investimentos para calcular então o quanto o governo terá de pagar para cada companhia.

De acordo com o decreto, nessa segunda fase de compensação serão consideradas as ampliações, reformas, melhorias e modernizações feitas pelas empresas. Esses investimentos posteriores não foram considerados no cálculo original das indenizações, que contabilizava apenas o chamado Valor Novo de Reposição (VNR) - o custo atual para a construção do projeto básico das usinas. Esses investimentos também não foram considerados pelo governo ao definir as novas tarifas que serão aplicadas pelas empresas.

Pelas primeiras contas apresentadas pelo governo, o setor de geração receberia apenas R$ 7,07 bilhões dos cerca de R$ 20 bilhões totais oferecidos pelo governo pelos ativos não amortizados - somados aos valores destinados à transmissão. Esse valor já foi corrigido no fim da última semana, após um erro nas contas da Aneel sobre a depreciação de alguns ativos. Com o novo decreto, o total a ser gasto com indenizações pode ser substancialmente aumentado até o fim do próximo ano.

Pagamento
O decreto, por outro lado, jogou uma decisão importante para o futuro. De acordo com o texto, o reconhecimento pelos investimentos feitos pelas companhias de geração poderá ser feito pelo governo tanto por meio de indenizações, quanto nas tarifas desses concessionários. Caso as autoridades do setor escolham a primeira alternativa, o Tesouro fatalmente terá de realizar um novo aporte de recursos, visto que os fundos setoriais que garantem uma espécie de reserva para a quitação de indenizações já estarão quase esvaziados, por conta do primeiro pacote de compensações.

Por outro lado, se a escolha for o reforço tarifário, o tão prometido desconto nas contas de luz das indústrias e dos consumidores ficará parcialmente comprometido em um curto prazo, não resistindo mais do que cinco anos - prazo para a primeira revisão das geradoras.

Eletrobrás
O diretor financeiro e de relações com investidores da Eletrobrás, Armando Casado, considerou importante a publicação do decreto nesta segunda-feira. "Esses investimentos nunca deixaram de ser feitos pela Eletrobrás e aumentaram a vida útil dos bens da concessão. Mas como medida é muito recente, ainda não é possível estimar valores", completou o executivo.

Na semana passada, o governo já havia adotado outra medida para diminuir a resistência das empresas com redução de tarifas e receitas. Foi incluída na lista de possíveis indenizações, os investimentos feitos pelas empresas de transmissão referendados em contratos assinados antes de 2000. No texto original da MP, esses ativos não podiam ser incluídos.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O negócio é o seguinte:  este é um governo não apenas ruim de serviço, mas se comprova mau caráter. Dilma teimou o quanto o pode com sua MP vigarista com a qual pretendia dar uma rasteira nas concessionárias. Mediante uma indenização merreca, que não cobria os investimentos não depreciados, queria rasgar os contratos atuais e impor uma antecipação das renovações. Afirmou inúmeras vezes que não voltaria atrás chegando ao cúmulo de dizer (e aqui a criticamos por conta da tolice) , que a MP 579 era aquilo mesmo, “...que era pegar ou largar...”. A afirmação não era tola apenas, também estupidamente totalitária.

O resultado foi o derretimento das ações da Eletrobrás que, em torno de 10 dias, acabou perdendo 70% do seu valor de mercado. Além disto, as demais concessionárias começaram a acenar com ações na justiça, o que tornaria a MP mera peça de ficção.

Vendo que intransigência não está contribuindo em nada, deu um passo atrás. E autorização que as indenizações fossem revistas, chegando-se a divulgar uma tabela em que elas apareciam mais altas.

Contudo, outras questões permaneceram de difícil digestão,  a tal ponto que a CESP disse não ao governo Dilma.  Seus acionistas não são caudatários do governo federal nem seus investimentos foram achados no lixo. Na Eletrobrás a queda de braço se resolveu de forma fácil: como a União é a acionista majoritária, sua vontade canalha acabou prevalecendo.

Porém, a questão não se resolveu por aí. Ainda é imensa a resistência contra a MP 579. Assim, a um dia de vencer o prazo o que fez o governo? Prometeu novo reajuste nas indenizações.

Ou seja, se as concessionárias tivessem concordado na versão inicial proposta pelo governo, veriam seus investimentos serem amarrotados por valores irrisórios. É aí fica bem clara a má intenção inicial de dona Dilma. Agora, corre atrás do relógio para tentar recuperar a confiança que jogou fora por absoluta intransigência e arrogância. Ainda pode resultar em boa coisa esta MP 579, mas este tema ainda vai render muito caldo. Cadê a redução do ICMS, tributo maior das faturas de energia, e que até agora os governos estaduais insistem em continuar assaltando os contribuintes? Silêncio total, tanto que não se ouviu de parte do Planalto nenhuma agenda de negociação em andamento. Ou seja, como dissemos aqui há uma semana, pimenta no fuleco alheio, tem outro gosto. Quem mais deveria colaborar para reduzir as tarifas é quem menos irá contribuir para que isto aconteça. 

Uma coisa positiva que nasce desta discussão sobre a MP 579 é que, aos poucos, a sociedade brasileira vai aprendendo a dizer “não” para o governante de plantão. Porque está provado que, nem tudo que é bom para o governo petista, é necessariamente bom para o país. Sinal de que estamos aprendendo, às duras penas, a nos conscientizarmos de que é a sociedade quem faz o governo, e não ao contrário como imaginam os esquerdistas. 

A República da vassoura, de Erenice a Rosemary


Guilherme Fiuza
Revista Época

A República só não desmorona porque o Brasil tem Dilma, vassoura, pano de chão e memória de protozoário

O Brasil que aprovou Dilma Rousseff quis esquecer Erenice Guerra. Quis esquecer a pessoa que Dilma preparou para comandar seu governo – e caiu antes hora, ao transformar o Ministério da Casa Civil em bazar de interesses particulares.

O Brasil quis esquecer que Erenice era braço direito de Dilma, ou mais que isso, era o estilo Dilma de administração. De nada adiantou o esquecimento, porque o espírito está em Dilma – e, se não é Erenice, é Rosemary.

Chega a ser patético o sobressalto dos brasileiros com o escândalo na representação da Presidência da República em São Paulo. O gigante adormecido, decididamente, não presta atenção no filme.

Rosemary Noronha, chefe de gabinete de Dilma na capital paulista, protegida da presidente, do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, e de José Dirceu é apanhada com a boca na botija.

O que fazia Rosemary? Exatamente o mesmo que Erenice. E também que Dirceu e mensaleiros associados: tráfico de influência. Uso do palácio para a montagem de negócios privados.

A ficha ainda não caiu. O público continua meio confuso, já querendo aplaudir a presidente pela demissão da delinquente. Chegará o dia em que Dilma demitirá solenemente a si mesma – e chegará a 100% de aprovação popular.

Lula criou a representação da Presidência em São Paulo, e Dilma, então ministra chefe da Casa Civil, nomeou Rosemary como chefe de gabinete. Eleita presidente, Dilma manteve Rosemary no cargo.

Alto zelo com a titular de um gabinete que, segundo o líder do governo no Senado, Eduardo Braga, “não é usado”. Por que a proteção por tantos anos a uma funcionária de uma repartição que não serve para nada?

Aí está o engano. O tal gabinete era muito útil. Ali se fechavam excelentes negócios particulares. A venda de pareceres de agências reguladoras para empresários ampliou a função desses órgãos técnicos.

Como se sabe, eles foram criados no governo Fernando Henrique para acabar com a interferência política dos ministérios nas decisões sobre infraestrutura.

No governo Lula, as agências se tornaram importantíssimas para abrigar companheiros e seus afilhados. Criadas para acabar com a politicagem, elas se tornaram a própria politicagem. Continuaram seguindo estritamente critérios técnicos – a técnica do cabide.

A venda dos pareceres – R$ 300 mil um laudo da Agência Nacional de Aviação (Anac) – tornou esses órgão técnicos ainda mais lucrativos. Por coincidência, Erenice também intermediava bons negócios com a Anac, onde seu filho trabalhava.

A filha de Rosemary também estava empregada nessa agência, dirigida por um comparsa da chefe de gabinete da Presidência, segundo a Polícia Federal.

Dilma está demitindo todo mundo horrorizada. Ela nem podia imaginar quantas maldades essa turma andava fazendo. É bem verdade que Rosemary falava quase diariamente com Lula. Mas Dilma nem se lembra direito quem é Lula.

Não se lembra que nomeou Rosemary, nem que a manteve no cargo, assim como o Brasil não se lembra de Erenice. A memória dos brasileiros só alcança o momento em que Dilma resolveu extinguir a representação da Presidência em São Paulo. Afinal, ela não servia para nada. Quase nada.

No embalo, a faxineira poderia extinguir também a Advocacia-Geral da União, cujo subchefe está entre os suspeitos no caso Rosemary.

Quem sabe Dilma não devesse extinguir também o Ministério do Desenvolvimento, cuja principal finalidade hoje é abrigar Fernando Pimentel, o consultor fantasma? Pimentel arrecadou R$ 2 milhões por seus belos olhos de amigo da presidente e estava em reuniões intermediadas por Rosemary no gabinete fantasma.

A única coisa palpável entre tantos fantasmas é o lucro privado dos guerrilheiros estatais.

A demissão do diretor da Anac, flagrado no esquema de Rosemary, mostra como o governo Dilma está preparando bem os aeroportos para a Copa do Mundo, daqui a um ano e meio. Pode-se imaginar a festa que foram as concessões para as empresas que administrarão o setor.

Dilma não tem nada a ver com isso.

De Erenice a Rosemary, o governo do PT é repleto de parasitas por um acidente natural, uma espécie de Furacão Sandy do fisiologismo.

A República só não desmorona porque o Brasil tem Dilma, vassoura, pano de chão e memória de protozoário.

Melancolia e revolta


Fernando Henrique Cardoso
O Estado de S.Paulo

Não sou propenso a queixas nem a desânimos. Entretanto, ao pensar sobre o que dizer neste artigo senti certa melancolia. Escrever outra vez sobre o "mensalão" e sobre o papel seminal do Supremo Tribunal Federal? Já tudo se sabe e foi dito. Entrar no novo escândalo, o do gabinete da Presidência da República em São Paulo? Não faz meu estilo, não tenho gosto por garimpar malfeitos e jogar mais pedras em quem, nessa matéria, já se desmoralizou bastante.

Tentei mudar de foco indo para o econômico. Mas de que vale repetir críticas aos equívocos da política petrolífera, que começaram com a redefinição das normas para a exploração do pré-sal? As novas regras criaram um sistema de partilha que se apresentou como inspirado no "modelo norueguês" - no qual os resultados da riqueza petrolífera ficam num fundo soberano, longe dos gastos locais, para assegurar bem-estar às gerações futuras -, quando, na verdade, se assemelha ao modelo adotado em países com regimes autoritários. Até aqui o novo modelo gerou apenas atrasos, custos excessivos e estagnação na produção de petróleo, além de uma briga inglória (e injusta para com os Estados produtores) a respeito de royalties que ainda não existem e que, quando existirem, serão uma torneira aberta para gastos correntes e pressões inflacionárias. A contenção do preço da gasolina já se tornou rotina, mesmo que afete a rentabilidade da Petrobrás e desorganize a produção de etanol. O objetivo é segurar a inflação por meio de artifícios e garantir a satisfação dos usuários. Calo sobre os efeitos da redução continuada do IPI para veículos e do combustível artificialmente barato. Os prefeitos que cuidem de aumentar ruas e avenidas para dar cabida a tanto bem-estar... E os moradores das grandes cidades que se munam de ainda maior paciência para enfrentar mais congestionamentos.

E que dizer da tentativa de cortar o custo da energia elétrica, que teve como resultado imediato a perda de valor das ações das empresas? E essa agora de altos funcionários desdizerem o anunciado e, sem qualquer segurança sobre como será ajustado o valor do patrimônio das empresas do setor elétrico, provocarem súbitas altas nas ações? O pior é que ninguém será responsabilizado por eventuais ganhos de especulação advindos da falta de compostura verbal. Valerá a pena insistir em que o trem-bala é um desvario na atual conjuntura, pois terminará sendo pago pelos contribuintes, como estão sendo pagas as usinas mal licitadas? Para a construção destas, pelas condições estabelecidas pelo próprio governo, praticamente só acorrem empresas estatais financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com dinheiro transferido do Tesouro, quer dizer, seu, meu, nosso. E as rodovias e os aeroportos? Uma novela que já vai longe, numa trama desencontrada. Tomara ainda tenhamos final feliz...

Olhando em retrocesso, nos anos da grande ilusão, lá pelos finais de 1970 e meados dos 1980, os "projetos-impacto", como a Transamazônica, a Ferrovia do Aço e outros tantos, feitos a partir de decisões tecnocráticas nos gabinetes ministeriais, nos estarreciam. Clamávamos também contra indícios de corrupção. Não poderíamos imaginar que, depois das greves de São Bernardo do Campo e das Diretas-Já, as mesmas distorções seriam praticadas por alguns que então as combatiam. Criticava-se tanto o nepotismo e o compadrio, a falta de profissionalismo na administração e de transparência nas decisões, e se imaginava com tanta fé que o Congresso Nacional livre daria cobro aos desmandos, que é difícil esconder a desilusão. As proezas de cinismo e leniência praticadas por alguns dos personagens que apareciam como heróis-salvadores são chocantes. Dá lástima ver hoje uns e outros confundidos na coorte de dúbios personagens que alegam nada saber dos malfeitos.

O que entristece, porém, não é somente a conduta de algumas pessoas. É o silêncio das instituições democráticas. A mídia fala e cumpre o seu papel. Cumpre-o tão bem que é confundida pelos que sustentam os malfeitos como se fosse ela, e não a polícia, quem descobre os desatinos ou como se servisse à oposição interessada em desgastar o governo. Recentemente, algumas instituições de Estado começaram a agir responsavelmente: o Ministério Público pouco a pouco perdeu o ranço ideológico para se concentrar no que lhe é devido, a defesa da lei em nome da sociedade. Os tribunais, especialmente depois de o Conselho Nacional de Justiça ser organizado, começam a sacudir a poeira e a julgar, dando-lhes igual o réu ser potentado ou pobretão. Mas o Congresso e os partidos estão longe de corresponder aos anseios dos que escrevemos a Constituição de 1988.

O Congresso, que na Carta de 88, por sua inspiração inicial parlamentarista, ficou com responsabilidades enormes de fiscalização, prefere calar e se submeter docilmente ao Executivo. Voltamos aos tempos da República Velha, com eleições a bico de pena e as Comissões de Verificação dos Poderes, que cassavam os oposicionistas. Só que agora somos "modernos": não se frauda o voto, asseguram-se maiorias pelos balcões ministeriais ricos em contratos e por emendas parlamentares distorcidas. Com maiorias de 80% parece até injusto pedir que a oposição atue. Como?

De qualquer maneira, é preciso bradar e mostrar indignação e revolta, ainda que pouco se consiga de prático, mesmo sem esperança de vitória ou retribuição imediata, como se fazia no tempo do autoritarismo. Não há bem que sempre dure nem mal que não acabe. Chegará o momento, como chegou nos anos 1980, em que, com toda a aparência de poder, o sistema fará água. Entre as centenas, talvez milhares de pessoas que se beneficiam da máquina do poder e os milhões de pessoas "emergentes" ávidas por melhorar sua condição de vida por este Brasil afora, há espaço para novas pregações? Novas ilusões? Quem sabe... Mas, sem elas, é a rotina do já visto, das malfeitorias e dos "não sei, não vi, não me comprometo".

O bonde não para


 J.R. Guzzo
Revista Veja

O escândalo dos “bebês de Rosemary” serve uma das melhores fotografias jamais tiradas do dia a dia da governança petista, tal como ela é na vida real

Que sina infeliz é essa que parece perseguir sem descanso o ex-ministro, ex-deputado e ex-todo-poderoso José Dirceu? O homem não tem sossego.

Passou a vida inteira numa luta desesperada para chegar ao poder; quando chegou, enfim, não conseguiu ficar lá mais que dois anos, quando foi jogado para fora sem a menor cerimônia pelo ex-presidente Lula, em quem tinha apostado até seu último tostão.

Tudo dá errado para ele. Lula, conforme os fatos não param de provar, trouxe para o centro do governo brasileiro, dez anos atrás, uma tropa de batedores de carteira como raramente se viu neste país; qualquer exame de laboratório mostra que está aí, quando se raspa o verniz da propaganda, o DNA de sua passagem pela política nacional.

Esse bonde não para. Começou a andar em 2003, antes de se completar o primeiro mês de governo Lula, com a dupla Marcos Valério-Delúbio Soares já funcionando a toda na montagem da coleção de crimes à qual se deu o nome de mensalão.

Continua andando até hoje; sua última aparição é neste miserável escândalo dos “bebês de Rosemary”, episódio que serve como uma das melhores fotografias jamais tiradas do dia a dia da governança petista, tal como ela é na vida real.

Mas a verdade é que vivemos num mundo imperfeito. Lula conserva seus belos 100% de popularidade, já é apontado como próximo governador de São Paulo e continua sendo considerado por seus admiradores como o homem mais perfeito que o mundo conheceu desde Adão e Eva.

Já o seu sócio Dirceu, que não fez nem mais do que ele, hoje é apenas um cidadão condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha, com uma sentença de onze anos de cadeia nas costas.

Mal pode sair à rua. Sua prioridade, no momento, é tentar manter-se do lado de fora do sistema penitenciário.

A última coisa de que Dirceu precisava, a esta altura, era mais um caso de ladroagem no governo – mas é justamente o que acaba de lhe acontecer, ao ver seu nome metido logo na cena inicial do escândalo do dia.

A Rosemary dessa história é uma certa Rosemary Nóvoa de Noronha, chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo até ser posta na rua dias atrás, e seus bebês são os irmãos Paulo e Rubens Vieira, que encaixou em cargos com alto potencial de rentabilidade no governo e hoje estão no xadrez – todos indiciados pela Polícia Federal por grossas suspeitas de corrupção, tráfico de influência, falsificação e sabe-se lá o que mais ainda.

Rosemary, ou Rose, é produto de procedência garantida: trata-se de puro Lula, que a nomeou para o cargo em 2003, levou consigo em trinta viagens internacionais e aceitava suas indicações para empregos gordos na administração pública.

Sua traficância não se fazia num subúrbio remoto do poder, mas praticamente dentro do gabinete de Lula e da presidente Dilma Rousseff.

Nestes dez anos de bonança, junto com a dupla de irmãos, transformou o escritório paulista da Presidência num bazar de compra e venda onde oferecia à sua clientela uma extensa gama de mercadorias – licenças, pareceres, cargos, senhas de acesso, verbas, documentos falsos e por aí afora, em troca de dinheiro ou de presentes como cirurgias plásticas, camarotes de carnaval ou cruzeiros marítimos.

Era uma operação multimarcas: negociava-se ali com contêineres, celulose, privatização de ilhas, faculdades particulares, terminais portuários.

Rose também não se esqueceu, é claro, de socar uma penca de parentes em empregos no governo.

Quem diz Rose, diz Lula, mas sobrou, como de costume, para José Dirceu.

Mal se falou o nome dessa nova heroína do PT e já vinha junto o carimbo “JD” – a moça trabalhou durante 12 anos na copa e cozinha de Dirceu. E foi ele o primeiro protetor a quem Rose telefonou quando apareceu a polícia.

Desta vez o ex-homem forte nem teve ânimo para fingir que continua forte; disse apenas que não podia ajudar em nada.

E Lula? Como sempre acontece nessas horas, ele sumiu do mapa e deixou claro que a amiga deve se virar sozinha; não pediu que Dilma a segurasse na cadeira, e se pediu não foi atendido, nem insistiu.

Porque haveria de fazer algo diferente?

Vai ficar tudo na conta de Zé Dirceu, ou da “mídia golpista”, embora, desta vez, a mídia não tenha tido a menor ideia do que estava acontecendo – foi a própria presidente quem fez o rapa na área, antes que saísse uma única palavra na imprensa.

Tanto faz. O que interessa a Lula é uma coisa só: que todos continuem fazendo de conta que ele não tem nada a ver com a usina de corrupção inaugurada no Brasil em janeiro de 2003. É tudo culpa do Zé.

Cordas vocais


Dora Kramer
O Estado de S.Paulo

Não fosse a completa desmoralização do instrumento, seria o caso de o Congresso propor a criação de uma comissão de inquérito para investigar o esquema de corrupção envolvendo a Advocacia-Geral da União, o escritório da Presidência da República em São Paulo e agências reguladoras.

Mas como ninguém mais acredita em CPIs, a começar pelos parlamentares, tudo indica que seria proposta destinada ao fracasso. Assim perde-se o foro primordial para debate desse tipo de assunto e fica-se na dependência de "vazamentos" do inquérito policial para saber mais sobre o que aconteceu debaixo do nariz de uma presidente celebrada por aludido rigor ético.

É - ou pelo menos era - nas comissões de inquérito que os detalhes de episódios nebulosos podem vir à tona da maneira mais adequada em sociedades maduras: por intermédio do Legislativo no exercício de sua função de fiscalizar o Executivo.

Se o governo cala e o Parlamento por omissão consente, a tendência é que as ilicitudes cometidas no âmbito do poder público caiam no vazio e logo venham outras.

Quis o acaso que a Operação Porto Seguro revelasse as traficâncias da protegida número 1 de Lula e do número 2 da advocacia da Presidência com os irmãos Vieira, no momento em que o instituto das comissões de inquérito não vale uma Cibalena vencida.

Isso deixa o Congresso sem ação. Depoimentos seletivos desse ou daquele ministro ou mesmo de suspeitos podem render alguns momentos de glória para a oposição, mas acabam sendo palco para meras justificativas bovinamente aceitas pela maioria governista. Foi assim com os convocados na época da "faxina" em vários ministérios.

O Planalto por sua vez faz pose de impávido colosso com demissões inevitáveis e comissões de sindicâncias de eficácia questionável. O ex-presidente, avalista da atual governante, não se manifesta nem para negar que a amiga Rose estivesse autorizada a falar em seu nome para obter vantagens.

De onde as cordas vocais da sociedade estão nas comissões de inquérito. É por intermédio delas que as coisas chegam ao público sem subterfúgios. Consequências de escândalos só ocorrem quando há CPI.

Ou a denúncia de Roberto Jefferson teria ido adiante sem a comissão de inquérito? Mais provável é que o mensalão tivesse cumprido o rito da profecia de Delúbio Soares e fosse hoje nada além de uma piada contada nos salões da República.

Voltemos no tempo: Fernando Collor teria completado seu mandato não houvesse a CPI do PC Farias. Muitas comissões deram em coisa alguma, mas na ausência delas são diminutas ou quase nulas as chances de se elucidar determinados casos e fazer com que gerem resultados práticos.

Não obstante a gravidade das denúncias relativas a mais uma quadrilha atuante nos altos escalões do poder, o desmonte da força do Parlamento conspira contra a revelação da verdade dos fatos.

Voto aberto. 
A proposta do fim do voto secreto para cassação de mandatos parlamentares caminhou mais um passo.

O relator na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, deputado Alessandro Molon, deu parecer favorável à emenda que deve ir ao plenário no primeiro semestre de 2013.

Já aprovada no Senado, deve passar sem dificuldade. A não ser que haja mudança de orientação nas bancadas governistas se o Supremo deixar para a Câmara a palavra final sobre a perda dos mandatos dos parlamentares condenados.

Entreato.
 José Serra embarcou quinta-feira para Nova York para conversar na universidade de Colúmbia sobre uma série de palestras.

A política continua no horizonte, mas por enquanto o clima é de "curtir a indecisão" sobre o passo seguinte.

Sim, eles podem


Eliane Cantanhêde
Folha de São Paulo

BRASÍLIA - Reservo a última coluna antes de rápidas férias para tratar da mania de certos governantes e seus partidos de se sentirem donos do governo e do próprio país. 

Quando Marisa Letícia mandou a cadelinha passear em carro oficial, desenhou uma imensa estrela vermelha no Alvorada e pôs os amigos dos filhos para fazer turismo em avião e prédio públicos, estava dizendo que se sentia "em casa" e sinalizando para os vários escalões do PT que sim, nós podemos. Quer dizer: eles podem.

Foi assim, a partir de miudezas cheias de significados, que os governos do partido foram se imiscuindo nos gabinetes, vulgarizando decisões, aparelhando estatais, relativizando o conceito de ética e corrompendo seus quadros.

A chegada ao poder incluiu milhões de pessoas e rendeu recordes de popularidade e aplausos no mundo inteiro para Lula, mas inflou o seu ego e foi letal para o partido. Desfez-se a aura, foram-se as ilusões, exauriram-se os iludidos. Os espertos correram a tirar suas casquinhas.

As histórias memoráveis, a guerra contra a corrupção, a paixão da militância, as lágrimas torrenciais na derrota de Lula para Collor, em 1989, tudo foi por água abaixo e o partido patina no mesmo lodo dos demais.

Poucas vezes, como no escândalo Rose, adversários e aliados de diferentes tendências condenaram tanto a confusão entre público e privado, citada em 9 entre 10 artigos de opinião. Ninguém tem nada a ver com a vida privada de ninguém, desde que não invada o bem público, fira princípios elementares de gestão e confira poderes extraterrestres a meros(as) terráqueos(as).

O que começa com cadelinhas para lá e para cá usando carro, motorista e gasolina públicos é o que acaba em passaportes especiais, nomeações esdrúxulas, apartamentos fantásticos e... mensalões. Não foi para isso, convenhamos, que o PT foi criado e subiu a rampa do Planalto.

Déjà-vu


Alexandre Schwartsman
Folha de S.Paulo

Existem sinais cada vez mais fortes de que o mercado de trabalho se encontra apertado

Quando o próprio governo reconhece que o regime cambial é de “flutuação suja”, é porque não restou flutuação, só sujeira.

Nos últimos seis meses (127 dias úteis), o dólar ficou no intervalo de R$ 2,00 a R$ 2,05 em nada menos do que 106 dias, mais do que 80% do tempo. Como na história de Cachinhos de Ouro, o mingau era muito frio abaixo de R$ 2,00 (apenas 8 observações) e muito quente acima de R$ 2,05 (modestas 13 observações). Apenas naquele intervalo é que as autoridades pareciam confortáveis.

Os motivos eram claros. Abaixo de R$ 2,00, recomeça a choradeira do setor industrial, à qual o governo não consegue resistir. Já o câmbio acima de R$ 2,05 parecia gerar certo receio, talvez acerca da inflação, muito embora na lista de prioridades do governo ela apareça logo após o programa de corte das garras das harpias nos parques federais.

Resta saber se esse estado de coisas seria duradouro. Desenvolvimentos recentes mostraram que não, em razão do que vem ocorrendo no mercado de trabalho e do parco desenvolvimento no campo da produtividade.

Como tenho insistido há tempos, existem sinais cada vez mais fortes de que o mercado de trabalho se encontra apertado. Apesar de o ritmo de criação de empregos ter se reduzido, em particular no segmento do trabalho formal, os salários prosseguem crescendo aceleradamente, algo como 8% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Já o crescimento da produtividade, tomado ao pé da letra, tem sido negativo, pelo mesmo até o segundo trimestre.

Na minha interpretação, mais caridosa, a tendência de expansão da produtividade é da ordem de 1,5% ao ano, positiva, mas ainda assim insuficiente para compensar o aumento de custos advindo da pressão salarial.
Nesse aspecto, a salvação da lavoura, principalmente para o setor industrial, foi a depreciação da moeda. Medido em dólares, o salário médio caiu de US$ 990 no terceiro trimestre de 2011 (o mais elevado da série) para cerca de US$ 860 no mesmo período de 2012 (-13%).

Todavia, a se manter o ritmo de crescimento dos salários, em um ano seu valor em dólar já estará ao redor de US$ 930 caso a taxa de câmbio permaneça inalterada, erodindo novamente a competitividade do setor industrial.

Posto de outra forma, passa a ser questão de tempo para que o BC, guiado pelo Ministério da Fazenda, seja obrigado a migrar a taxa de câmbio para novo patamar, de modo a manter salários nacionais (ajustados à diferença de produtividade) alinhados aos dos concorrentes internacionais.

Caso haja sensação de déjà-vu, não se espante: trata-se da mesma política cambial adotada na década de 1970 e com implicações similares.

Por um lado, desvalorizações periódicas permitirão o repasse de preços internacionais, assim como observamos recentemente no caso das commodities agrícolas.

Por outro lado, o aperto no mercado de trabalho deve garantir que salários continuem subindo acima da inflação. Em particular isso implica que a inflação de serviços deve seguir rodando acima da inflação de bens.

Visto por outro ângulo, à medida que a economia se aproxima do pleno emprego, a taxa de câmbio teria que se apreciar para aumentar as importações líquidas e, portanto, a oferta total de bens e serviços.

Caso, porém, a política cambial não permita que tal ajuste se dê pelo barateamento do dólar, a apreciação ocorrerá pelo encarecimento do produto local.

A alternativa a essa política envolveria, por um lado, um controle mais estrito dos gastos públicos, em particular dos gastos correntes, e, por outro, um conjunto de políticas dirigido à aceleração do crescimento da produtividade.

Considerando o que foi feito nessas áreas até o momento, contudo, consigo até entender por que a preocupação com a inflação vem depois da manicure das harpias: sob esse regime, deve ser mais difícil trazê-la de volta à meta do que tentar apanhar os pássaros na unha.

Ano Perdido


Merval Pereira 
O Globo

Mesmo com sinais importantes de que a política adotada não está dando certo, como o crescimento pífio do PIB do terceiro trimestre sinalizando um ano praticamente perdido em termos econômicos, o Ministério da Fazenda parece disposto a persistir no mesmo caminho, insistindo em ampliar o papel do BNDES de indutor de investimentos no país e em estímulos setoriais.

Nunca o Tesouro deu tanto dinheiro para o BNDES, quase R$ 400 bilhões, mas, quanto mais repassa ao banco, mais piora o investimento do país. Na análise de especialistas, esse modelo deu certo no auge da crise, porque o BNDES foi bem eficiente como “hospital”, salvou grandes empresas e bancos, mas agora não consegue o mesmo desempenho para alcançar o crescimento.

Defendeu muito bem, mas não consegue atacar e fazer gol, numa metáfora futebolística apropriada para o momento.

Além do mais, essa estratégia custa muito caro, como alertou o TCU há pouco — por ano, duas vezes o Bolsa Família. E tem efeitos colaterais de abrir brechas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o que afeta o já combalido equilíbrio fiscal do país, como advertiu o TCU em decisão aprovada no último dia 14.
O Tesouro repassa “subvenções econômicas” ao BNDES, mas não apresenta os cálculos dos subsídios embutidos nessa decisão nem adota medidas de compensação, o que representa “severa afronta ao objetivo principal da LRF”, segundo relatório.

Outro aspecto questionável das políticas pontuais do governo são as desonerações tributárias, duramente criticadas pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, em reunião com os prefeitos eleitos pelo PSB.

Potencial candidato à Presidência da República em 2014, ele lembrou que tais desonerações de IPI e IR têm efeito direto na formação do Fundo de Participação dos Estados e no dos Municípios, que perdem a capacidade de investimento com recursos reduzidos pelos frequentes “pacotes de bondade” do governo para setores industriais como o automobilístico ou o de aparelhos domésticos.

O governador lembrou que algumas indústrias alavancam o desenvolvimento em certas regiões, e não afetam outras, mas os efeitos da desoneração atingem indistintamente as regiões.

Seria necessário, então, que outras indústrias, mais regionais, também fossem beneficiadas por medidas do governo para compensar esses efeitos negativos.

Há também muitas críticas em relação ao centralismo de decisões da presidente Dilma, que estaria atravancando os investimentos. O já célebre receio de seus assessores, incluindo aí ministros de todos os níveis, de discordarem da presidente, também seria outro fator que trava as decisões.

Exemplar dessa situação seria o caso de repartições que estiveram envolvidas em denúncias de corrupção no início do governo, como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que hoje teria uma estrutura burocrática de controle tão forte que de fato dificulta muito a corrupção, mas também não estimula a realização de obras no ritmo desejável.

Nunca tivemos juros reais tão baixos, câmbio tão alto e economia tão mal, o que contraria a profissão de fé da esmagadora maioria do empresariado e dos economistas desenvolvimentistas de que as condições estariam dadas para o crescimento, como insiste o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sempre jogando para o trimestre seguinte a realização de suas previsões.

O que parece estar em jogo é a gestão da área econômica de um governo que até agora tem insistido em que não são necessárias reformas para que o país cresça.

Na opinião do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, essa política de “micromecanismos de administração e incentivo à demanda, especialmente ao consumo e ao emprego”, não tem conseguido viabilizar o desenvolvimento do país.

A ideia de que reformas estruturais não são necessárias perde força, e o governo parte para uma aposta ultra-arriscada de manter essa mesma linha de ajustes pontuais, que pode levar o cenário a piorar ainda mais.

Velho truque


Olavo De Carvalho 
Mídia Sem Máscara (*)

“Hegemonia” é isso: o domínio  e insensível exercido sobre as consciências pela força da repetição e do hábito impregnado na linguagem, nas rotinas, no “senso comum” (no sentido gramsciano do termo).

Um dos mais velhos truques da propaganda comunista no Brasil é esconder-se por trás de algum comunista americano desconhecido nestas plagas e cantar vitória: “Está  vendo? Até os ianques dizem que...” Partindo da premissa popular de que ser americano é um atestado de anticomunismo, até a voz da KGB em inglês soa como uma potente confirmação direitista de qualquer mentira pró-comunista que se pretenda impingir ao cândido leitor brasileiro.

Sempre foi assim. Quando eu era adolescente, esfregavam-me no nariz os artigos de Drew Pearson e me esmagavam com o argumento fulminante: “Está  vendo? Até os ianques dizem que...” Acabei, é lógico, acreditando, sem saber que as fontes de informações de Pearson eram dois agentes soviéticos -- coisa que só chegou ao meu conhecimento quatro décadas depois, mas ainda é totalmente ignorada pelo público maior, o qual já nem lembra quem foi Pearson e que tremenda influência teve na política americana.

O engodo tornava-se ainda mais persuasivo quando reforçado por um constante bombardeio de artigos e estudos eruditíssimos que nos provavam por a + b que a mídia americana inteira era um instrumento de propaganda imperialista. Qualquer agente comunista minimamente treinado sabe que a maneira mais eficaz de persuadir a platéia não é usar de um argumento lógico continuado, mas jogar com a tensão entre dois argumentos aparentemente opostos (em geral um implícito, o outro explícito). Quando até os imperialistas admitiam que Fidel Castro era um combatente pela democracia ou que os vietcongues eram patriotas sem um pingo de ideologia comunista nas veias, que brasileiro teria a ousadia de dizer o contrário?

Sempre foi assim. A diferença é que agora esse truque, antigamente usado apenas na imprensa comunista, se tornou norma de redação na grande mídia e multiplicou por mil o seu poder de confundir e ludibriar.

Façam uma revisão do que leram nos jornais brasileiros a respeito de Barack Hussein Obama ao longo das campanhas eleitorais de 2008 e 2012 e verão que, com exceções infinitesimais, as opiniões aí expressas foram de dois tipos e somente dois:

(a) Barack Obama é um progressista moderado, a voz da América esclarecida em luta contra o obscurantismo reacionário e racista.

(b) Barack Obama, sob a aparência de bom moço, é um imperialista ianque como qualquer outro, um “falcão” empenhado em esmagar o pobre mundo sob as patas do Império americano. A única diferença entre ele e John McCain, ou Mitt Romney, é que pelo menos ele não é um caipirão racista como eles.

Forçado a escolher entre o bem absoluto e o mal menor, nos dois casos o “idiota padrão”, que é como nas redações se denomina o leitor médio, acabava sempre ficando com Barack Obama. Se as eleições fossem no Brasil, o candidato democrata teria 99 por cento dos votos sem precisar adulterar as maquininhas como fez em Ohio e na Pensilvânia.

O benefício secundário dessa técnica é habituar o leitor a escolher entre duas opiniões esquerdistas e a acreditar que com isso está desfrutando de um dos prazeres maiores de viver numa democracia, que é o de poder tomar posição livremente nos debates públicos. Com isso, pouco a pouco a democracia vai se reduzindo ao “centralismo democrático” leninista – a livre discussão dentro do Partido --, sem que a multidão bocó perceba a diferença.

Por fim, a coisa mais maravilhosa: com o tempo, os jornalistas sem filiação ideológica explícita se adaptam ao modelo, por mera imitação dos colegas mais velhos, e acabam por se tornar os mais eficientes colaboradores da manobra  comunista, justamente porque não têm nenhuma consciência de estar a serviço dela e rejeitam, com esgares de indignação ou trejeitos de sarcasmo, a hipótese de que estão servindo de idiotas úteis. Aliás é precisamente por essa razão que são chamados de idiotas úteis.

“Hegemonia” é isso: o domínio invisível e insensível exercido sobre as consciências pela força da repetição e do hábito impregnado na linguagem, nas rotinas, no “senso comum” (no sentido gramsciano do termo). Construí-la é, por definição, obra de muitas décadas, apoiada na passagem das gerações e no esquecimento coletivo. Só um conhecimento muito fino da história cultural e psicológica da sociedade em que vivemos, aliada a um rigoroso exame retrospectivo da nossa própria biografia interior e à firme disposição de encontrar a verdade para além de toda a pressão do nosso grupo de referência, pode nos libertar de uma influência grudenta e anestésica que se impregna em nossas almas como uma segunda natureza. As pessoas habilitadas a fazer esse exame contam-se nos dedos das mãos, e são ainda mais raras na classe universitária, onde a adaptação ao vocabulário e aos cacoetes mentais do ambiente são condições necessárias da sobrevivência escolar e profissional. A construção da hegemonia aposta na estupidez, na preguiça, no espírito de imitação e na covardia intelectual, qualidades que raramente faltam aos jovens universitários ávidos de reconhecimento.

  P. S. Alguém me envia cópias de e-mails que circulam numa lista de discussões entre “professores de lógica” das universidades brasileiras. O objeto da discussão é a minha pessoa. Todos ali se consideram importantes demais para discutir comigo em público, mas têm tempo de sobra para fofocar a meu respeito pelas costas, a salvo da possibilidade de um revide. Um dia talvez eu comente aqui o conteúdo das fofocas, coisa de uma miséria intelectual (e moral) capaz de levar o leitor às lágrimas.

(*) Publicado no Diário do Comércio.

Lula deve explicações, e não é sobre a alcova


Josias de Souza

Deve a conduta sexual ser levada em conta na hora de avaliar o desempenho de um chefe de Estado? A resposta é obviamente negativa. O político –como o advogado, o jornalista, o operário, o gari ou qualquer outro— não está livre de ser emboscado pelos impulsos biológicos. É tolice associar as pulsões sexuais ao desempenho funcional de uma pessoa. No caso de um presidente, deseja-se um bom gestor, não um santo.
Informações de alcova sempre se imiscuíram no cotidiano da política. Nos EUA, uma pulada de cerca pode fulminar uma carreira promissora. O caso com uma estagiária da Casa Branca quase custou a Clinton a Presidência. Houve conjunção carnal ou ficou só no charuto?, perguntaram-se os americanos durante meses a fio.

Antes de Clinton, para ficar apenas nos presidentes, houve Kennedy, que se dividia entre Jacqueline e Marilyn. Houve também Roosevelt, que oscilava entre Eleanor e uma secretária. Na França, só à beira da morte Mitterrand trouxe à luz a amante Anne Pingeot, reconhecendo a filha que tivera com ela.

No Brasil, os travesseiros e os lençóis frequentam a biografia de homens públicos desde o Império. Dom Pedro 1o impôs a marquesa de Santos à imperatriz Leopoldina. João Pinheiro Neto contou em livro detalhes do amor secreto que Juscelino nutria por Maria Lúcia Pedroso. Os diários de Getúlio mencionam uma “bem-amada.”

Em 89, Collor mergulhou a campanha presidencial na sarjeta ao trazer para o centro da disputa Lurian, a filha de uma aventura amorosa de Lula. A baixaria foi ao verbete da enciclopédia como um lance torpe. Eleito, Collor teria a hipocrisia desnudada quando se descobriu que ele se recusava a emprestar o nome a um filho que tivera fora do casamento.

Ironicamente, o esquema político que deu suporte a Lula na sucessão de 1998 recorreria ao mesmo expediente sujo. O PDT, partido de Brizola, vice na chapa do PT, levou à sua página na internet um artigo sobre o ‘filho’ de FHC com uma jornalista. Só recentemente, após a morte de Ruth Cardoso, um exame de DNA revelou que a paternidade presumida era falsa.

De repente, ganha o noticiário o relacionamento extra-funcional de Lula com Rosemary Noronha, a Rose, chefe exonerada do escritório da Presidência em São Paulo. Muita gente sabia, inclusive repórteres. Mas a coisa jamais fora guindada às manchetes. Por quê? No Brasil, diferentemente do que ocorre em países como os EUA, a vida privada dos políticos não é tida como tema de interesse público. E é ótimo que seja assim.

O que fez de Rose um assunto incontornável não foi o relacionamento dela com Lula. O que converteu Rose em notícia foi a descoberta de que ela usava a intimidade com o chefe para acomodar malfeitores e familiares na folha do governo e para acomodar nas costas da Viúva negócio$ e vantagen$ pessoais.

Responsável pela introdução de Rose no universo rentável do petismo, José Dirceu apressou-se em fazer sua própria leitura do episódio. Uma leitura enviesada. Para ele, está em curso a “Operação Mensalão 2”. Heimm?!? É “um novo udenismo, que age como no passado, de novo a serviço do conservadorismo e dos privilégios de certa elite que não se conforma e não aceita as mudanças empreendidas no país pelos governos do PT, porque teme perder seu poder e riqueza, acumulada à sombra e às custas do Estado.”

Condenado a dez anos e dez meses de cadeia, Dirceu está na bica de perder a liberdade. Tomado pelas palavras, já perdeu também o senso de realidade. Deve-se a denúncia que levou ao Rosegate ao udenismo de um ex-auditor do TCU. A coisa foi esmiuçada numa investigação da elitista Polícia Federal, em parceria com o conservador Ministério Público.

Rose é, hoje, uma indiciada por corrupção passiva, tráfico de influência e falsidade ideológica. Quem mandou a super-assessora e os protegidos dela para o olho da rua foi Dilma Rousseff. Agiu assim por temer que sua boa imagem fosse tisnada pelas evidências de que uma quadrilha acumulava poder e riqueza à sombra e às custas do Estado.

Dirceu ainda não se deu conta, mas o companheiro Lula tornou-se, de novo, devedor de explicações. Nada a ver com a forma como distribui sua afeição. O que a plateia espera é que o ex-soberano diga meia dúzia de palavras sobre a facilidade com que Rose virava as maçanetas oficiais. O que precisa ser explicado é por que Lula gastou a tinta de sua caneta para nomear os protegidos de sua protegida. O velho bordão do ‘eu não sabia’ ofende a inteligência média.

Quadrilha se reuniu na cúpula da AGU


Leandro Mazzini
Opinião & Notícia

O inquérito revela que foram cooptados os consultores dos principais órgãos que liberariam o porto

(Reprodução/Internet)
O inquérito da PF indica que se deu no segundo escalão
 da Advocacia Geral da União 

O inquérito da PF indica que se deu no segundo escalão da Advocacia Geral da União a negociação sobre parecer jurídico que libera porto de R$ 2 bilhões, do ex-senador Gilberto Miranda, preso na operação Porto Seguro. Dia 7 de junho deste ano, num telefone de Paulo Vieira (ex-diretor da ANA), o nº 2 da AGU, José Weber de Holanda, marca reunião na sua sala com os investigados e justifica: “À tarde para mim é melhor, porque acho que o chefe não vai estar lá à tarde e é mais tranquilo”. Na sexta, apareceram na sede da AGU Paulo Vieira, Miranda e Glauco Moreira (Procurador da Antaq) para encontro com Weber. O AGU Luís Adams não é citado nem monitorado. A investigação se concentrou no seu sub.

Casa de Geraldo Miranda em Barcelona

Estratégia
O inquérito revela que foram cooptados os consultores dos principais órgãos que liberariam o porto: Agências de Águas, de Transportes Aquaviários e Secretaria do Patrimônio da União.

Tiro de Canhão
Com a demora dos pareceres, dia 25 de Outubro, Gilberto pede a Paulo para “encher o saco de Weber” e dar “um tiro de canhão” para apressar o caso. E diz: “tem coisa maior vindo”.

Blindagem
Sob fogo cruzado dentro da própria AGU, Adams foi mantido pela presidente Dilma porque ela soube do ministro da Justiça que tudo pode ter sido feito à revelia dele.

Falta explicar
O que o Planalto não entende é como Adams assinou os pareceres, agora anulados, sem conhecer a complexidade no projeto bilionário, o sonho de Miranda.


Jato de Geraldo Miranda

Ovelha no Churrasco..
Teve ovelha no churrasco ou churrasco de ovelha. Dia 25 de Outubro, Weber fala com interlocutor HNI – Homem Não Identificado. Mandou chamar “turma do cinema” para um “churrasco na casa do AGU” (Adams) no domingo (28), para acompanhar o resultado das eleições municipais. Inclusive o ministro do TCU José Múcio. HNI diz ainda que levará “a ovelha”..

Palestrante Oculto
Dia 29 Weber aparece nas gravações falando ter “uma notícia boa” e que “ele confirmou a palestra”. Não se sabe quem é “ele”. Minutos depois, a PF flagra Paulo Vieira e Gilberto Miranda. Diz o ex-senador: “Pelo amor de Deus, tenta convencer o homem amanhã”, sobre o caso Ilha de Bagres.

Bobo da corte?
O servidor do TCU Cyonil Borges, o delator do esquema que teria negado propina, revela ansiedade em e-mails trocados com investigados. Insiste em pedir “publicações”, reclama fazer “papel de otário” pelo silêncio. Véspera do Réveillon (30/12/10) pedia publicações para “emergência”.

Gol contra
Em Fevereiro de 2011, num e-mail interceptado, Cyonil afirma que teve “pane intestinal por causa da vitória do Coringão”.

Pulou fora
O ministro José Múcio era o responsável no TCU do processo envolvendo o servidor Cyonil Borges, o delator do esquema, e meses atrás deixou a relatoria por questões de foro íntimo.

Bunker
O restaurante do subsolo do Hotel Naoum, em Brasília, era o ponto de encontro. Dia 30 de Outubro, Paulo, Gilberto e Evangelina Pinho se viram ali. Ela era da Secretaria de Patrimônio da União e teria dado parecer para obra na Ilha das Cabras, de Miranda, em Ilhabela (SP).

Base aérea
A base secreta era o Naoum. Evangelina tinha suíte no hotel. No dia seguinte, ela pegou carona no jatinho Citation VII prefixo PT-XFG de Miranda, para Congonhas (SP). Além dela e Miranda, foi o advogado consultor jurídico dos investigados. 

Na cola
Na lista de endereços do ex-senador para prisão, constava o endereço da casa de Miranda em Barcelona, no bairro nobre de Matadepera. Foi monitorado também em endereços das salas em São Paulo e no seu apartamento nos Jardins. 

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Não sei que outros motivos Dilma Roussef espera reunir para demitir o senhor Adams da Advocacia Geral da União. Mesmo que todo o esquema sequer fosse de seu conhecimento, mas da forma como ele foi montado nas suas barbas, revela uma total incompetência do senhor Adams para o cargo. Aliás, não só para cargo público, mas qualquer cargo que exija um mínimo de comando responsável.

E pensar que o senhor Luís Adams chegou a ter seu nome cogitado para uma das vagas do STF!!! Nesta aí quem se deu bem foi o incompetente ministro Dias Toffolli que o país terá que aturar por muito tempo...

A herança maldita


Ferreira Gullar
Folha de São Paulo

A coisa mudou: quem for pego com a boca na botija será defenestrado sem choro nem vela

Não pertenço a nenhum partido político nem tenho compromisso com nenhum deles, quer apoiem ou se oponham ao governo. Por isso, quando opino acerca de fatos políticos e critico ações de decisões governamentais, faço-o na condição de cidadão que, há muitos anos, observa e reflete sobre a vida política nacional.

Nessas condições, seria quase impossível calar-me diante do que tem ocorrido no Brasil nestes últimos anos, como é o caso do mensalão, que se tornou um episódio dominante no cenário nacional. Tanto mais depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal, que não deixou dúvidas quanto ao comprometimento dos processados nele envolvidos.

Esse julgamento, como nenhum outro, foi feito às claras, transmitido na íntegra pela televisão, sem nada esconder. Resultado: José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e quase todos os demais foram condenados a penas cuja dosimetria os ministros discutiram acaloradamente. Não obstante, o PT e os sentenciados, sem qualquer pudor, passaram a afirmar que foram injustiçados por um julgamento político, e não jurídico. E decidiram promover uma campanha nacional para denunciar essa injustiça.

Isso certamente não ocorrerá, mesmo porque, no dia seguinte àquela manifestação do PT, um novo escândalo tomou conta do noticiário: a Polícia Federal acusou Rosemary Nóvoa de Noronha, chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, indiciada por corrupção ativa.

Rosemary foi nomeada para esse cargo pelo então presidente Lula e o acompanhava nas viagens que fazia. Bastante estranho, não? Antes, nos anos 1990, assessorava José Dirceu, que a apresentou a Lula.

No início do governo deste, em 2003, foi nomeada assessora especial do gabinete pessoal da Presidência da República, antes de ser alçada à direção do escritório presidencial em São Paulo.

A pedido de Lula, Dilma a manteve no cargo, e é nesse escritório que Lula e Dilma se encontram para acertar os ponteiros quando a situação política o exige.

Pois bem, naquela sexta-feira, a Polícia Federal prendeu seis pessoas e indiciou outras 12, acusadas de participar de um esquema que fraudava pareceres técnicos em agências reguladoras e órgãos federais. Entre os presos, estão os irmãos Paulo Rodrigues Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Rubens Carlos Vieira, diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação (Anac) e Marcelo Rodrigues Vieira. Os irmãos Vieira foram indicados para aqueles cargos por Rosemary, que mantinha com eles estreita ligação no esquema de fraudes descoberto pela PF.

Além de Rosemary, foram indiciados 11 servidores, entre os quais o advogado-geral da União adjunto, José Weber Holanda, o segundo na Advocacia Geral da União (AGU), órgão diretamente ligado à Presidência da República.

Em face de tamanho escândalo, envolvendo ocupantes de importantes cargos de confiança do governo federal, a presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião de emergência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e as ministras Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti, para avaliar a situação. Disso resultou a exoneração imediata de Rosemary e o afastamento dos irmãos Vieira de seus cargos. Dada a estreita ligação de Lula com Rosemary, foi a ele comunicada a sua exoneração, antes que se efetuasse.

Desta vez, Dilma agiu mais rápido do que quando demitiu os ministros corruptos que Lula lhe deixara como herança maldita. Naquela ocasião, ela chegou a defender alguns dos acusados e só os demitiu quando a situação se tornou insustentável. Agora, porém, em face do desgaste sofrido com o julgamento do mensalão e a condenação de dirigentes petistas, a coisa mudou: quem for pego com a boca na botija será defenestrado, de imediato, sem choro nem vela.

A verdade é que mais uma vez Dilma foi surpreendida por "malfeitos" envolvendo pessoas de sua equipe vinculadas ao ex-presidente Lula, que teria se queixado ao saber do novo escândalo: "Fui apunhalado pelas costas", expressão semelhante à que pronunciou por ocasião da descoberta do mensalão, em 2005. Por isso, não se surpreendam se, amanhã, ele vier a afirmar que tudo isso não passou de uma farsa, inventada pela imprensa.

Seguremos as pedras


João Ubaldo Ribeiro
O Globo

Os envolvidos em corrupção e crimes correlatos não foram os primeiros, são herdeiros de uma velha tradição nossa

Os prejudicados pelo julgamento do mensalão não têm conseguido armar boas defesas, perante a chamada opinião pública. É muito natural que protestem e argumentem, no que, além disso, exercem direito indiscutível. E mais natural ainda é que se eximam de qualquer culpa e procurem outros responsáveis pela trapalhada que aprontaram. Sei, sem ironia, que comparo mal, mas, quando eu era estudante de Direito, a gente visitava penitenciárias e quase todos os detentos nos contavam histórias, às vezes mais tristes que “Tornei-me um ébrio”, sobre sua inocência. Na verdade, acredito que alguns dos condenados, como alguns daqueles detentos, se achem honestamente inocentes ou, no máximo, vítimas da conjunção maligna de circunstâncias adversas.

Mas imagino que, para consumo interno, eles e seus amigos e aliados estejam fazendo uma autocriticazinha, não é possível que não estejam. Devem estar examinando os inúmeros erros de avaliação e de estratégia em que incorreram, as posturas que se revelaram equivocadas, os momentos em que se deixaram tomar por voluntarismo ou soberba, as barbeiragens que cometeram. Mediram outros com sua própria régua e tomaram sustos, como o que lhes deram ministros do Supremo nomeados por eles. Continuo a achar óbvio que o que fizeram deu no que deu porque foi desastrado e mal concebido desde o começo, ou não teria resultado tão fragorosamente catastrófico. Realmente é chato inventariar erros, mas com certeza é o único jeito de ver os acontecimentos numa perspectiva desapaixonada e pelo menos aprender com eles.

Para consumo externo, a situação tem sido mais difícil. A tese de linchamento não cola, principalmente diante da aprovação generalizada da ação do Supremo. A atribuição de responsabilidade à mídia é uma besteira cediça, que lembra o tempo em que o imperialismo norte-americano era responsável até pelas secas. A mídia não está por trás, que eu saiba, dos escândalos do gabinete da Presidência em São Paulo ou da Advocacia-Geral da União. Se ninguém tivesse feito nada errado, não haveria mídia que conseguisse levar alguém a uma condenação criminal. E novos erros de avaliação, ou pelo menos sinais de descontrole, se evidenciam nas inoportunas menções às deficiências de nosso sistema penitenciário, que vão desde as afirmações do ministro da Justiça a um projeto de lei delirante sobre presos no Brasil. Para quem observa os fatos com o olho cínico que já se habituou à nossa realidade, essa inopinada preocupação é sinal de que, na hora em que os bacanas vão em cana dura, aparece logo alguém para amaciar.

A conclusão a que acabei chegando surpreendeu a mim mesmo, o mundo dá muitas voltas. No tribunal, eles foram condenados, mas, fora dele, está disponível uma explicação muito mais persuasiva que o chororô sobre as tais elites que ninguém sabe quais são, conspirações golpistas e demais besteiras, a saída consuetudinária. Acho que quem primeiro a invocou, embora não com esta designação, foi o ex-presidente Lula, quando alegou, mais de uma vez, que determinadas práticas — como, se não me engano, o caixa dois — são habituais no Brasil. Ou seja, uma maneira de dizer: “Sou, mas quem não é?”

Claro, o errado não se torna certo por ser prática de muitos, ou até de quase todos. Mas não apenas quem sai aos seus não degenera como, mais ainda, mesmo quem não é cristão há de ver sabedoria na observação segundo a qual, antes de criticarmos o cisco no olho do próximo, devemos cuidar da trave em nosso próprio olho. Não nos beneficiaremos nunca do julgamento que está sendo chamado de histórico, se acharmos que ele condenou gente diferente de nós, saída sabe-se lá de que buraco. Não é nada disso, são brasileiros como nós, aqui criados e educados, dentro da mesma História e da mesma cultura. O “sou, mas quem não é” pode ser cara de pau, mas não é descabido.

Vamos, naturalmente, excluir o gentil leitor e a encantadora leitora, bem como as senhoras suas mães. De resto, o nosso povo e, naturalmente, os políticos que dele emergem mantêm uma tradição de desdém pela lei, de jeitinhos, de tráfico de influência e pistolão, de assalto e desrespeito aos bens públicos, de clientelismo e de todas as outras iniquidades a que já nem prestamos muita atenção, de tão habituais. Mas não existe um “eles” à parte de nós, somos nós mesmos. Nosso comportamento é de plateia, mas somos atores. E não é em algum país remoto, é aqui no nosso.

Agora mesmo, somado ao vasto rol de falcatruas que vemos aumentar todo dia, descobriram uma quadrilha que vendia dados sigilosos. Ou seja, quem confiou no Estado — e quase nunca há escolha — e lhe forneceu seus dados, na verdade os pôs no mercado, onde, por seu turno, comprador também criminoso é o que não falta. E foi lançada a novidade do “kit concordata”, destinado a fraudar a lei em série, como numa linha de montagem. Lá se vai também a transposição das águas do Rio São Francisco, com as obras abandonadas e caindo aos pedaços, depois de anos de desperdício, incompetência e possivelmente ladroagem. E é assim em toda parte.

Os envolvidos em corrupção e crimes correlatos não foram os primeiros, são herdeiros de uma velha tradição nossa. Não são exceções inusitadas. Antes, são a regra, tanto entre antecessores quanto entre contemporâneos. O inusitado são as punições. Mas não achemos que, punindo-os como se o que fizeram não estivesse de acordo com nossos costumes, vamos finalmente viver sob o império da lei e da ética, sem ter mudado nossa relação frouxa com valores básicos, fingindo que não vemos nossa cumplicidade compreensiva e tolerante. Ponhamos a mão na consciência e reconheçamos a verdade. Não podemos atirar a primeira pedra, porque o pecado começa conosco.