terça-feira, julho 03, 2012

Em 88% dos empregos, setor público paga mais


Carolina Benevides e Antônio Gois
O Globo

Diferença se repete em profissões como médico, professor e advogado

O GLOBO / HANS VON MANTEUFFEL
A professora Maria do Carmo Alencar ganha R$ 900,00 na rede privada
 e R$ 2844,00 na rede publica municipal de Jaboatão dos Guararapes

RIO - Trabalhadores do setor público ganham mais do que os do setor privado formal em 88% das ocupações. Levantamento do GLOBO, a partir dos dados do Censo 2010, levando em conta estatutários, militares e trabalhadores com carteira assinada, aponta que, no Brasil, das 338 ocupações onde é possível a comparação, o setor público paga mais em 297. Nessas 338 ocupações, o setor público soma 3,2 milhões de funcionários; o privado, 31,6 milhões.

Advogados e juristas, por exemplo, que trabalham as mesmas 40 horas semanais ganham no governo ou no setor militar 121% a mais do que seus colegas de formação empregados com carteira assinada no setor privado: R$ 10.097 contra R$ 4.578, em média. Mesmo professores dos ensinos fundamental, médio e superior recebem mais quando não estão na iniciativa privada. No fundamental, os profissionais chegam a ganhar 11% a mais.

No Rio, os salários de funcionários do setor público também são maiores do que os dos trabalhadores da mesma ocupação no setor privado em 222 profissões, de um total de 267. Os médicos, por exemplo, ganham 8% a mais se estiverem trabalhando para o governo. Nessa conta, no entanto, não entram os profissionais que têm consultórios e tendem a ser melhor remunerados. Já os professores universitários recebem 21% a mais se não estiverem na iniciativa privada.

— O servidor público tem, em média, mais escolaridade do que o que está no setor privado e isso justifica em parte os salários maiores. Mesmo quando são levados em conta a escolaridade e o gênero, ainda assim, o servidor recebe, em média, 20% a mais do que quem está na iniciativa privada — diz Fernando Holanda Barbosa Filho, professor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV-Rio), que acredita que como os servidores têm estabilidade, “uma espécie de seguro”, deveriam ganhar menos do que os que estão no setor privado, “que correm mais risco”:

— Pode-se dizer que o funcionalismo tem uma dupla vantagem: o salário mais alto e a estabilidade.

Rotatividade reduz ganho em empresas
Segundo Breno Braga, economista da Universidade de Michigan e autor do estudo Escolaridade e diferencial de rendimentos entre o setor público e o setor privado no Brasil, com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2005, “os funcionários públicos recebem rendimento 24% maior/por hora do que os setor privado”.

No entanto, Braga explica que “o diferencial de rendimentos médio por hora de trabalho no setor público decresce com o nível de escolaridade dos trabalhadores”:

— Esse diferencial é significativamente positivo para trabalhadores que têm o ensino superior incompleto. Para os que têm ensino superior completo o diferencial é pequeno, mas ainda favorável ao setor público. No entanto, o diferencial salarial se torna favorável ao setor privado quando os trabalhadores têm pós-graduação.

Também autor do artigo, Gustavo Gonzaga, do departamento de Economia da PUC-Rio, lembra que os mais escolarizados ganham mais no setor privado, provavelmente, por conta do teto do funcionalismo, que hoje é de R$ 26, 7 mil.

— Mas se olharmos a aposentadoria, esse desequilíbrio é corrigido. No setor privado, uma pessoa que ganha R$ 30 mil vai se aposentar recebendo o teto, que não chega a R$ 4 mil. No setor público, uma pessoa muito qualificada não recebe os mesmos R$ 30 mil, mas se aposenta com o salário integral. Então, se essa pessoa fica no serviço público é porque leva em conta o salário somado com a aposentadoria — diz Gonzaga, para quem a segurança que o funcionalismo tem também é um benefício: — Esse rendimento que a estabilidade traz nem tem como ser medido no emprego privado.

Levando em consideração benefícios previdenciários e FGTS, o estudo de Braga e Gonzaga aponta que “trabalhadores de todos os níveis de escolaridade recebem em média maiores rendimentos no setor público”. Os menos qualificados, aqueles “sem nenhuma escolaridade formal”, recebem em média 37% a mais do que os trabalhadores na rede privada.

— Durante a era FH, o ajuste fiscal foi feito muito em cima do funcionalismo e os salários foram achatados. No governo Lula, houve uma recomposição dos salários. Mas o fato de o funcionalismo ganhar mais não tem oscilado muito ao longo dos anos — diz Fernando Barbosa.

Para ele, a ação dos sindicatos também contribui para que os servidores tenham melhores salários:

— O enfraquecimento dos sindicatos é universal, mas no Brasil, ainda que fracos, eles atuam mais no setor público, pressionam e isso ajuda a elevar o rendimento.

Professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp, Waldir José de Quadros lembra que os salários no setor público já são maiores no início da carreira:

— No setor privado, leva-se anos para ganhar R$ 20 mil e o trabalhador ainda pode ser trocado a qualquer momento. Agora, se a pessoa fizer concurso para a Polícia Federal, se for trabalhar no Banco Central ou no Judiciário, ela começa a carreira ganhando quase R$ 20 mil. No Brasil, neste momento, o setor privado não tem como competir com o público.

Quadros diz ainda que a alta rotatividade no setor privado contribui para que os salários sejam menores.

— Quando um profissional começa a ganhar mais, ele é demitido e o novo funcionário é contratado recebendo menos do que o anterior. É essa rotatividade que faz o funcionário público receber mais e o piso dele, em muitos casos, nem é um exagero. A questão é que o setor privado paga pouco, porque não consegue concorrer, por exemplo, com a produção chinesa, com a concorrência externa. Além disso, muitos empresários buscam uma margem de lucro exagerada e não podem criar déficit como o governo porque quebram — diz Quadros, que estuda o assunto há mais de 30 anos: — Nem sempre foi assim. Na década de 70, o setor privado pagava mais do que o setor público.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A diferença está no fato de que a irresponsabilidade fiscal e a gastança desenfreada na iniciativa privada levaria a empresa à falência. E o pouco de rentabilidade que as empresas conseguem obter, mal cobre a inflação e o aumento da carga tributária, sem falar na burocracia do atraso que o Estado impõe à sociedade. 

No serviço público não existe nada disso. Mesmo agora, somada e atendidas todas as reinvidicações salariais, o Orçamento da União teria um acréscimo de absurdos R$ 92 bilhões, mais do que o previsto para ministérios como Educação e Saúde. E se isto ocorrer, o Estado não vai à bancarrota. Se faltar dinheiro para financiar o eneriquecimento imoral da elite estatal, dá-se um jeito de se arrancar e explorar ainda o povo brasileiro.

Reparem que, sem o aumento, o Governo Federal já terá um gasto de cerca de R$ 190,0 bilhões de reais em 2012. O reajuste, portanto,  equivale a 50% deste total, isto num momento em que não há inflação, não há crescimento e o aumento da renda do trabalhador médio brasileiro mal acompanha a evolução dos preços. 

Acrescente-se ainda que, somente com a sua folha de pessoal, o governo já consome cerca de 20% de sua arrecadação em impostos. 
E, por fim, algumas categorias do funcionalismo ficaram muito mal acostumadas com a irresponsabilidade da era Lula que mandava aumentar sem critério, acima da inflação e do próprio PIB, favorecendo não a todos, apenas aos eleitos. O resultado desta farra leviana foi o comprometimento do equilíbrio fiscal, base para a manutenção da estabilidade. Esta carga onerosa fazia parte daqujilo que se convencionou chamar de herança maldita da era Lula que Dilma pretende resolver. Agora experimente você criticar estes abusos ou, até mesmo justificar que os aumentos pretendidos são irreais? O mundo cai sobre sua cabeça. 

Porém, governar é, antes de tudo, administrar e eleger prioridades e, neste caso, creio que saúde e educação sejam, no momento, as maiores necessidades do país.  

Em vista disso, dentre as diferentes categorias que reinvidicam aumentos salariais, entendo que a mais urgente sejam a dos professores. As demais, creio que, ou podem ser adiadas ou, caso seja urgente e necessário o aumento, que se conceda de maneira gradual para não comprometer as finanças públicas. Porque seria o fim da picada a falta de consciência de alguns comprometer a estabilidade econômica para o restante do país. Desta forma, seria e é inadmissível conceder aumentos para categorias já muito privilegiadas, reduzindo-se, em contrapartida, as verbas destinadas aos serviços essenciais como educação e saúde. 

De qualquer forma, o Estado brasileiro precisa rever, com urgência a desproporção existente entre trabalhos privados e públicos. Não é este o caminho para se alcançar justiça social. Mas voltarei a esta tema. 

As investidas da tigrada


O Estado de S.Paulo

É a velha história. Para se vingar do governo que resiste a dar-lhes as verbas, os cargos e a "participação" nas decisões que vivem exigindo, políticos nominalmente aliados da presidente Dilma Rousseff tratam de emplacar projetos nas áreas mais diversas, cujo traço comum é inflar o gasto público. De quebra, fazem bonito para as suas clientelas em potencial - os interesses organizados que se beneficiarão dos gastos.

O que há de novo na presente temporada de caça ao tesouro, que beira o frenesi por ser este um ano eleitoral, é que na dianteira das sortidas está o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, do mesmo PT de Dilma. Com companheiros assim, ela não precisa de adversários que deem curso a "aventuras fiscais", como disse, ou tenham "a soberba de achar que podemos brincar à beira do precipício" - a crise externa a que também o País é vulnerável.

Na própria cúpula do PT, Maia é criticado por seu "apetite de gafanhoto", noticiou o jornal Valor. O seu grupo ambicionava uma diretoria da Petrobrás, uma vice-presidência do Banco do Brasil e a presidência do fundo previdenciário da instituição, o Previ. Mas são enxames que atacam o erário. Na terça-feira, uma comissão da Câmara aprovou proposta que eleva a 10% do PIB, ao longo de dez anos, o dispêndio nacional com a educação. Atualmente é a metade disso. O impacto previsto quando a meta for alcançada é da ordem de R$ 230 bilhões por ano. O governo precisará mobilizar governadores e prefeitos para derrubar a extravagância no Senado.

No dia seguinte, o Planalto teve de despachar às pressas ao Congresso o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e a sua colega de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para sustar outra brincadeira à borda do abismo, endossada por Marco Maia. Apesar de apelos em contrário, ele havia mantido na ordem do dia o projeto que reduz de 42 para 30 horas a jornada semanal de trabalho dos profissionais de enfermagem. A redução acarretaria um gasto extra de R$ 7,2 bilhões anuais. A custo, a votação acabou adiada.

Outra bomba desativada - temporariamente - foi a votação da proposta que acaba com o fator previdenciário no cálculo das aposentadorias pelo INSS. A regra aumenta a permanência na ativa do trabalhador que pretenda obter o teto do benefício. O fator é um remendo, mas a sua abolição, desacompanhada de uma reforma da Previdência, engordará o déficit do sistema, ao provocar uma corrida às aposentadorias. Maia havia incluído a matéria na pauta da sessão de quarta-feira. O governo ficou de apresentar uma alternativa para ir a plenário em agosto.

As ameaças se multiplicam. As pragas poderão devastar até mesmo o arranjo institucional envolvendo as finanças dos Três Poderes. Na última semana, passou em surdina numa comissão especial da Câmara um projeto de emenda constitucional que acaba com o teto salarial no serviço público em todos os níveis da Federação. Atualmente, o teto é fixado pelo governo. Na mesma linha do "liberou geral", a Comissão de Finanças da Casa acaba de endossar a enormidade, aprovando duas emendas à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que subtraem poderes do Executivo, de modo a permitir o aumento de despesas sem a sua autorização.

Em um caso, Judiciário e Legislativo ficam autorizados a incluir no Orçamento da União gastos com aumentos salariais de seus membros. Os valores mencionados no texto representarão em 2013 um acréscimo de R$ 9,3 bilhões nos gastos de custeio da máquina, à revelia do Planalto. A segunda emenda à LDO cria um fundo de R$ 1 bilhão para projetos do Congresso e da Justiça sem previsão orçamentária.

Essas aberrações não estão fadadas a se consumar. A gastança sem teto, por exemplo, dependerá do apoio de 60% dos deputados e senadores em duas votações, conforme o rito regimental para a aprovação de emendas constitucionais. Mas o seu bloqueio exigirá da presidente da República mais do que exortações aos parlamentares sobre o imperativo do realismo numa conjuntura internacional adversa e duradoura. Parcelas da base aliada pouco se importam com os efeitos das "aventuras fiscais" que promovem. A ver como - ou se - Dilma conseguirá domar a tigrada.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Esta chantagem canalha tem um custo incomensurável para o País. Representa mais atrasos, menos investimentos, menos educação, menos saúde, menos segurança. Ocorre que esta categoria de bandido, não está nem aí para o interesse maior do país, para o bem estar da população que pago por serviços que não recebe, justamente porque os bandidos do Congresso - mas há outros vilões nesta história -  querem apenas sugar as entranhas da sociedade em benefício próprio.  

Trata-se de uma categoria de gente sem escrúpulos nenhum. O Editorial do Estadão os classifica como "tigrada". Isto chega a ser um baita elogio pelo desserviço que prestam ao país. Além de mau caráter, é a maior classe de gigolôs já produzida em nossa história. 

Contratações diminuem, mesmo com incentivo do governo


Paulo Justus e Lino Rodrigues
O Globo

Setores reduzem ritmo de contratação de funcionários em até 74%

BLOOMBERG NEWS / PAULO FRIDMAN 
Operários da construção civil trabalham: segmento não recebeu incentivo do governo
mas teve saldo líquido de 161 mil contratações entre janeiro e maio deste ano

SÃO PAULO - Mesmo após receber incentivos fiscais do governo federal, muitos setores registraram queda de até 74,49% no ritmo de abertura de novos postos de trabalho nos primeiros cinco meses deste ano, na comparação com o mesmo período de 2011. Os quatro setores que, desde o fim do ano passado, já usufruem da desoneração da folha de pagamentos (couro e calçados, call centers, tecnologia da informação e confecções), por exemplo, estão contratando menos. O mesmo acontece com os fabricantes de automóveis, que desde o fim de 2011 ganharam as barreiras tarifárias contra os importados, e ainda tiveram o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido, novamente, a partir do mês de maio.

— Os incentivos via desoneração da folha de pagamentos ainda são muito novos e demoram para surtir efeito. Mas as medidas ajudam a minorar o avanço do desemprego — avalia Júlio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

No caso do setor de confecções, por exemplo, que teve a folha desonerada, as contratações superaram as demissões em 3,9 mil entre janeiro e maio deste ano, enquanto no mesmo período do ano passado, a diferença foi de 10,3 mil empregos, de acordo com os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Para a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), a queda no ritmo de contratações indica que parte do setor não achou vantajosa a troca da contribuição patronal de 20% sobre a folha de pagamentos pela alíquota de 1,5% sobre o faturamento bruto, que passou a vigorar em 15 de dezembro.

— Nossas contas indicavam que o número correto seria 0,8% sobre a receita bruta. Mas foi adotada uma alíquota de 1,5%. O resultado é que a indústria está muito travada e perdendo produção nesses cinco primeiros meses de 2012, mas ainda assim está contratando — diz o diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel.

Setor de autopeças corta 5,5 mil vagas
Segundo ele, o emprego deve melhorar a partir de agosto, quando a segunda fase da desoneração entrar em vigor e a alíquota sobre o faturamento cair a 1% do faturamento. Nessa fase, outros 11 setores também terão o benefício.

Outro setor que espera melhoras é o de calçados, que também terá a correção da alíquota sobre o faturamento bruto em agosto, de 1,5% para 1%. Até o momento, o setor está entre os que criaram menos postos em 2012 do que no ano passado. De janeiro a maio, abriu 14 mil postos, menos que os 15 mil gerados no ano passado.

— Apesar dos bons incentivos para mercado interno, o setor sofre com a queda das exportações, o que levou muitas fábricas a fecharem as portas neste ano — diz Paulo Grings, vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e presidente da Piccadilly.

Mesmo a cadeia automotiva, que novamente foi contemplada pela redução do IPI, gerou menos postos de trabalho: 1.197 de janeiro a maio de 2012, contra 4.692 nos mesmos meses do ano passado.

A situação mais grave, porém, é a do setor de autopeças, que, apesar de favorecido indiretamente pelos incentivos dados às montadoras, amargou o fechamento de 5,5 mil postos de trabalho nos cinco primeiros meses do ano. No mesmo período de 2011, as contratações haviam superado as demissões em 12,8 mil.

O cenário de desaceleração do emprego já é motivo de apreensão entre os representantes dos trabalhadores. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, estima que a fábrica da General Motors na cidade já fechou 1,2 mil postos de trabalho desde abril de 2011. — Embora não tenha sido demissão, foram vagas que não foram repostas. Isso continua mesmo com os incentivos dados pelo governo — diz Antonio Ferreira dos Santos, presidente da entidade.

Em abril, a GM lançou um Programa de Demissão Voluntária (PDV) que teve 186 adesões. O programa foi reaberto há duas semanas em São José dos Campos e estendido à fábrica de São Caetano, no ABC paulista. Segundo a montadora, o PDV foi levado a São Caetano a pedido do sindicato e os fechamentos de postos em São José dos Campos se devem à eliminação de um dos turnos nas linhas de produção do Corsa, Meriva, Zafira e Classic, modelos que estão com o ritmo de vendas em baixa. A empresa informou ainda que está contratando mais pessoal nas outras unidades, em Gravataí (RS), onde está ampliando a fábrica, e em São Caetano, por conta da produção de novos modelos.

Capacidade de consumo se esgota
Os demais setores beneficiados pela redução do IPI neste ano tiveram uma leve melhora nas contratações. Os fabricantes de fogões, máquinas de lavar e secar, que ganharam mais dois meses de imposto reduzido na sexta-feira, contrataram 851 funcionários a mais do que demitiram no período, revertendo o fechamento de 384 postos de trabalho nos cinco primeiros meses de 2011. A indústria de móveis contratou 6 mil funcionários entre janeiro e maio, mais que os 5,8 mil admitidos no mesmo período do ano passado.

— Esperávamos um crescimento de 8% nas vendas no trimestre, mas tivemos uma alta de apenas 2,5% — afirmou José Luiz Diaz Fernandez, presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel).

Segundo Márcio Salvato, coordenador de Economia do Ibmec, o desempenho abaixo do esperado das reduções do IPI indica que há um esgotamento do modelo de incentivo ao consumo.

— Estamos chegando a um limite da capacidade deste consumo responder aos incentivos. O crédito já se expandiu bastante e a inadimplência também está em alta, o que indica que a capacidade de consumo das famílias está se esgotando — afirma.

Salvato diz que os incentivos concedidos a setores específicos têm o inconveniente de serem dados por um prazo determinado e adiantarem o consumo. Isso faz com que seus benefícios em termos de geração de empregos sejam limitados.

— O empresário prefere produzir mais usando horas extras do que contratando novos funcionários. Ele sabe que essa demanda é momentânea. Seria mais interessante dar reduções fiscais que fossem amplas e permanentes — diz.

Para José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os incentivos estão na direção correta. O fato de haver uma desaceleração nas contratações dos setores beneficiados pelas medidas é apenas mais um sinal de que essas indústrias precisavam de apoio.

— As medidas visam a manutenção dos empregos. Sem elas, os setores estariam pior.

Entre os que não receberam incentivos, o comércio teve queda de 88,97% no ritmo de contratações entre janeiro e maio deste ano. Já o de construção civil, intensivo em mão de obra, teve aumento de 31,06%.

Só 8% dos brasileiros confiam no Poder Judiciário. por que será?


Roberto Monteiro Pinho
Tribuna da Imprensa

O judiciário brasileiro vive a sua mais completa metamorfose, a agonia de seus integrantes deriva dos seus próprios erros, dificilmente admitidos em suas manifestações públicas, o que aumenta ainda mais a precariedade da máquina judiciária. O fato é que não existe em seus quadros uma só voz que venha responder para a sociedade pelo menos, seus dois principais entraves – a morosidade e a péssima conduta de seus magistrados no trato com advogados e partes litigantes.

A qualidade das decisões, a condução dos serviços de serventias, este último sob a chancela administrativa dos juízes, já que o quadro auxiliar está ao seu comando- estes são temas que compõe o enorme elenco de quesitos engenhados dentro do próprio judiciário. Mas seria isso que a magistratura admite? A resposta aos anseios dos 88 milhões (ou oficiosos 82 milhões), de causas, onde litigantes lutam por direitos no judiciário brasileiro, será que aceitam essa resposta?

Evidente que não, as pesquisas de opinião indicam que apenas 8% da população acreditam na justiça, e os advogados, em recente pesquisa, 93% não estão contentes com o judiciário.

JUSTIÇA TRABALHISTA
Mas o judiciário não tem orfandade, na família deste sistema híbrido está a Justiça do Trabalho, onde as mazelas surgem como ondas, numa constante, que está tomando formas para um tsunami, tal a quantidade de injunções que ocorrem no seu interior. Esta em particular não dispõe de uma legislação atualizada, assim a CLT em que pese à defesa do trabalhador, não interage com um código de processo próprio, e acaba atirada no vazio das decisões emprestadas de outros códigos (art. 769 da CLT), ao da Lei de Execução Fiscal (Lei 6.830/80) neste particular o que trata das citações e o CDC (Lei 8078/90) a despersonalização, para na maioria dos casos colidirem com a própria carta laboral.

Este descompasso é imperceptível para o leigo, mas não dos que defendem seus clientes neste judiciário. Os patronos (advogados) enfrentam decisões estapafúrdias, tenebrosas e até mesmo insolentes, quando ferem princípios de lei vigente e até mesmo a Carta Magna, como é o caso das contas de aposentadoria, salários, constrição de bem de família e desprezo a direito de terceiros legítimos.

Enquanto a reforma trabalhista em curso no Congresso, vai sofrendo uma série de enxertos, e o governo incentiva a criação de dispositivos que flexibilizem as relações de trabalho, o TST, o segundo grau (TRTs) e primeiro grau (VTs) da Justiça laboral derramam uma sequencia de decisões inovadoras, viciadas, e torpes, todas no sentido de pressionar ainda mais os empregadores.

60% DE AÇÕES ENCALHADAS
O resultado desta anomalia congênita é o mais agudo e epidêmico meio de enganar a sociedade, de que tudo está fluindo maravilhosamente bem, já que em termos reais o encalhe de ações é de 60%. Recente a JT realizou a “semana de Execução Trabalhista”, um projeto do CNJ via TST, em resposta as criticas desferidas pelos meios de comunicações a morosidade da especializada.

Mas para um quadro de julgadores que passa anos e anos sem interesse em persuadir partes à solução amigável do conflito, através da conciliação, desprezando inclusive a norma celetista. Determina o “Art. 764 – Os dissídios individuais ou coletivos submetidos à apreciação da Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos à Conciliação”, em atenção ao seu parágrafo 3° – “É lícito às partes celebrar acordo que ponha termo ao processo, ainda mesmo depois de encerrado o juízo conciliatório”, assim data venia, convenhamos, a semana da execução é reflexo contundente da sua fragilidade.

Dinheiro dos "aloprados" vai para os cofres públicos


Veja online

O juiz federal Paulo Sodré determinou que a quantia encontrada com dois afiliados do PT em 2006 vá para a União. Nove pessoas foram denunciadas por crime contra o sistema financeiro, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro

 (Reprodução) 
Escândalo dos aloprados: dinheiro, apreendido pela PF, que seria usado
 para comprar um falso dossiê contra tucanos às vésperas das eleições de 2006

A Justiça Federal determinou que sejam depositados nos cofres públicos os 1,2 milhão de reais e 248.800 dólares apreendidos em 2006 pela Polícia Federal com os chamados “aloprados do PT”. O dinheiro, encontrado com dois afiliados do Partido dos Trabalhadores nas vésperas da eleição daquele ano, seria usado para a compra de um suposto dossiê que revelaria o envolvimento de integrantes do PSDB com a organização criminosa que ficou conhecida como a“máfia dos sanguessugas”.

Segundo informações da Procuradoria-Geral da República, a decisão foi dada pelo juiz federal Paulo Sodré no dia 19 de junho, mas divulgada apenas nesta segunda-feira. A denúncia, proposta pelo Ministério Público Federal em Mato Grosso contra nove pessoas por crime contra o sistema financeiro nacional, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, é resultado de quase seis anos de investigação.

A Justiça também determinou que a quantia apreendida em dólar seja convertida pelo Banco Central e o valor atualizado pela Caixa Econômica Federal. O processo tramita na 7ª Vara da Justiça Federal.

O escândalo - 
Em 15 de setembro de 2006, a Polícia Federal prendeu dois petistas que tentavam negociar um falso dossiê para envolver no caso dos sanguessugas os tucanos José Serra, então candidato a presidente, e Geraldo Alckmin, que disputava o governo de São Paulo. O escândalo, que o então presidente Luis Inácio Lula da Silva atribuiu a um “bando de aloprados”, atingiu em cheio o adversário de Alckmin na corrida eleitoral, Aloizio Mercadante: Hamilton Lacerda, seu secretário de Comunicações, foi filmado entrando com uma mala no hotel onde a transação seria feita. O preço: 1,7 milhão de reais.

*****COMENTANDO A NOTÍCIA:
É bem possível que a grana esteja voltando de onde havia saído, não é mesmo? O bom filho à casa torna.

Mas tem uma coisa: quem ficou mal na parada foi a Polícia Federal, que aceitou a interferência do então Ministro da Justiça, Marcio Bastos, e acabou não descobrindo nada (e se descobriu, não contou prá ninguém). Interessante é que, toda a vez que os crimes se aproximaram de Lula, a PF "conseguia" não descobrir nada. 

Governo exclui acesso da sociedade a sistemas informatizados


Paulo Victor Chagas
Do Contas Abertas


A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2013 poderá restringir o acesso dos cidadãos e de entidades sem fins lucrativos a 15 sistemas informatizados do governo, como o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), Sistema de Convênios do Governo Federal (Siconv) e Sistema de Informação das Estatais (Siest), dentre outros. O parágrafo que continha a permissão dessas entidades se cadastrarem nos sistemas foi suprimido do anteprojeto enviado pela presidente Dilma Rousseff ao Congresso Nacional em abril deste ano. É a primeira vez desde 2008 que a concessão não consta na proposta do Planalto.

Na LDO de 2012, por exemplo, o artigo 99 cita diversos sistemas para os quais o objetivo é o “acompanhamento e a fiscalização orçamentária a que se refere o art. 166, § 1o, inciso II, da Constituição”. Esse “direito” ao acesso irrestrito foi assegurado aos membros e órgãos competentes dos Poderes da União, inclusive ao TCU, ao Ministério Público Federal e à Controladoria-Geral da União, para consulta a esses sistemas ou informações, bem como o recebimento de seus dados em meio digital.

Além disso, o parágrafo que permite o acesso de entidades sem fins lucrativos aos sistemas governamentais contém o seguinte texto: “Os cidadãos e as entidades sem fins lucrativos, credenciadas segundo requisitos estabelecidos pelos órgãos responsáveis, poderão ser habilitadas para consulta aos sistemas e cadastros de que trata este artigo”.

Questionada quanto à exclusão, a assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), órgão que elabora o anteprojeto da Lei, respondeu que após a edição da Lei de Acesso à Informação (12.527) essa determinação não precisava mais ser prevista na LDO. “O dispositivo foi excluído do PLDO - 2013 considerando que a Lei de Acesso à Informação já permite amplo acesso a todas as informações não sigilosas, inclusive aos sistemas. Desta forma, tornou-se desnecessário tratar desse assunto nas LDOs”, afirma em nota.

Apesar da justificativa, vários órgãos governamentais, inclusive o Planejamento, têm negado o acesso a esses sistemas por meio da própria Lei. A Associação Contas Abertas solicitou no dia 16 de maio, data em que a Lei entrou em vigor, as senhas de acesso a 11 sistemas, dois quais apenas duas foram liberadas. Para o Sistema Integrado de Administração de Serviços Gerais (Siasg), por exemplo, o MPOG interpretou por meio de portaria que apenas entidades sem fins lucrativos que recebam recursos públicos podem ter acesso aos sistemas, detalhe que não consta originalmente no parágrafo.

O Ministério do Planejamento também negou o acesso a outros sistemas com outros argumentos como restrições técnicas, falta de permissão para a “concessão de acesso a entidades externas ao setor público”, e com pedidos de prorrogação do prazo, não cumpridos de acordo com a Lei (10 dias após os 20 dias do prazo normal). 

A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) usa justamente a frase do parágrafo da LDO para negar o acesso ao Sistema de Informações Gerenciais de Arrecadação (Angela), após solicitação daAssociação Contas Abertas com base na Lei de Acesso. “O § 1º do art. 99 da Lei nº 12.465, de 2011, condiciona eventual possibilidade de habilitação para consulta a sistemas e cadastros a credenciamento, que, se viável, deverá ocorrer em conformidade com requisitos estabelecidos pelo órgão gestor do sistema” (grifo do órgão). As expressões “eventual” e “se viável” não constam no parágrafo da Lei citada pelo órgão, que vem a ser a LDO de 2012.

“Estão usando a lei do acesso para cortar o acesso. Isso é um absurdo. Em nome da transparência se tira a transparência? Eu acho que todo mundo tem que ter acesso, o que abunda não escasseia”, indignou-se o senador Cristóvam Buarque (PDT/DF), ao ser informado sobre a eliminação do artigo e a resposta do Ministério. Para o economista Paulo Brasil Correa de Melo, especialista em Orçamento e Finanças Públicas, o texto do parágrafo ao invés de suprimido poderia ter sido mais detalhado.

Paulo Brasil acredita que a palavra “poderão”, por exemplo, abre margem a diferentes interpretações, a depender do órgão e da informação que está sendo solicitada. “Mas se comparada a LDO 2012 com a proposta de LDO 2013, há um retrocesso maior, porque no parágrafo da LDO 2012 há uma abertura que pode ser regulamentada, aperfeiçoada. O ente público, na dúvida de como regulamentar, suprimiu essa parte. O caminho devido, mais democrático e transparente seria melhorar a redação e estabelecer critérios de forma que seriam analisados de forma técnica desde que não fossem utilizados para outros interesses”, explica.

“Assegurar uma série de informações de caráter sigiloso em ambiente técnico de forma a não estabelecer um critério é complicado. Por outro lado, percebe-se que caminhamos para a maior transparência de dados e recursos governamentais. Porém, essas intenções esbarram no medo de que, ao se expor, as administrações públicas fiquem cada vez mais suscetíveis a escândalos, como o do caso Cachoeira”, afirma.

No entanto, o economista acredita que poderiam ser encontradas soluções mais transparentes e não simplesmente negar os dados. “Em contrapartida, acredito que como justificativa dessa negativa eles deveriam oferecer um portal em que se dispusessem a fornecer o maior número de informações possíveis”, defende.

Prazo para mudança
Segundo a assessoria do relator do projeto de Lei da LDO 2013, senador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE), o trabalho tem sido realizado para aumentar a transparência e criar critérios objetivos para o acompanhamento das leis orçamentárias. A assessoria, no entanto, não se posicionou quanto à colocação do artigo novamente no texto.

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional está recebendo desde a última quarta-feira (20) emendas a serem apresentadas ao Projeto de Lei da LDO 2013. De acordo com o relatório preliminar do senador Valadares, aprovado na CMO na semana passada, parlamentares, comissões permanentes da Câmara e do Senado e bancadas estaduais poderão apresentar emendas ao projeto da Lei.

Caso nenhuma dessas emendas recoloque o parágrafo na Lei até o dia 28, próxima quinta-feira, quando termina o prazo, a participação dos cidadãos e de entidades sem fins lucrativos no acompanhamento das políticas públicas e ações do Governo poderá ser desvalorizada, no ano em que a Lei de Acesso à Informação entrou em vigor. 

Economia patina mesmo com pacotes


Iuri Dantas e Fernando Dantas 
O Estado de S. Paulo

Economistas criticam hiperatividade do governo e defendem medidas estruturais, como reforma tributária e redução do custo da energia

BRASÍLIA - Surpreendido com o impacto da crise internacional na economia brasileira, o governo não conseguiu calibrar as dezenas de medidas de estímulo ao tamanho do problema. Como consequência, as estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estão em queda desde o início do ano. Hoje, o Banco Central (BC) já projeta expansão de apenas 2,5%, menor que os 2,7% de 2011.

As medidas tomadas pela equipe da presidente Dilma Rousseff, a primeira economista a comandar o País, esbarram, ainda, no alto endividamento das famílias e no receio dos empresários em investir.

Diante do cenário adverso lá fora e do desânimo de consumidores e empresas no País, será difícil evitar um crescimento pífio este ano. A projeção média do mercado já caiu para 2,26%.

"Está havendo hiperatividade, o governo precisa de calma", diz o economista Luiz Eduardo de Assis, ex-diretor do BC. Ele lembra que o governo tomou uma série de medidas para depreciar o câmbio, como o IOF em captações externas. Mas este foi parcialmente revertido recentemente, por causa da forte desvalorização. No caso da desoneração da folha, ela depende do produto, o que aumenta a complicação burocrática das empresas.

"Esse tipo de medida não ajuda a criar o ambiente de estabilidade necessário aos investimentos", diz Assis.

Segundo fontes próximas ao governo, mesmo na equipe econômica há dúvidas sobre o excesso de intervenção na economia. Alguns dos seus membros acham que o efeito é pequeno, e que as frentes mais promissoras para acelerar o investimento seriam a reforma tributária e a redução do custo da energia.

Para Rodrigo Zeidan, professor de Economia da Fundação Dom Cabral, "o governo está sendo surpreendido com dados econômicos cada vez piores". Ele defende a criação de condições para o crescimento de longo prazo: "Preferia conviver com um PIB mais fraco com medidas estruturais, como essas reformas que a gente não faz desde o governo retrasado".

Na quarta-feira, o governo anunciou novo pacote de medidas para estimular a economia, desta vez focado em compras públicas de máquinas, veículos e equipamentos de saúde e educação. As medidas, que aumentaram em R$ 6,6 bilhões as despesas com compras governamentais, visam impulsionar o investimento público.

"Precisamos ver se o investimento vai de fato se efetivar, pois o que a gente viu até agora foram intenções", argumenta Mauro Rochelin, professor de economia do Ibmec.

Um dos principais componentes do fraco desempenho da economia neste ano são os investimentos, que caíram 2,1% no primeiro trimestre ante igual período de 2011. Há previsões, como a do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de que os investimentos terão crescimento nulo este ano.

Carlos Kawall, economista-chefe do banco de investimentos J. Safra e ex-diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), acha que as medidas de redução tributária que têm sido tomadas não são prejudiciais. "A carga tributária é muito alta, e é preciso fazer a desoneração nos impostos que distorcem mais", diz.

Mas, para Kawall, o mais importante seriam mudanças profundas no sistema tributário e a retomada das concessões de infraestrutura ao setor privado: "É preciso dar ao setor privado horizontes mais de médio e longo prazo, para que tenha condições de aumentar as decisões de investimento".

Fernando Sampaio, economista e sócio-diretor da LCA Consultores, diz que o desaquecimento da economia provocado pela crise internacional exige medidas pontuais. "A situação seria mais difícil se o governo se omitisse."

Sampaio lembra que o Brasil e outros países de perfil semelhante, diferentemente das nações ricas, não "queimaram todos os cartuchos" na primeira rodada da crise, depois do colapso do Lehman Brothers, em setembro de 2008. "Algumas medidas atuais são reedições, idênticas ou similares à medidas que tiveram efetividade maior na virada e ao longo de 2009".

Segundo o economista, a penetração maior de geladeiras, lavadoras de roupa e automóveis na casa do brasileiro, somada ao alto comprometimento da renda para pagamento de dívidas, limitam o impacto dos cortes de impostos adotados desde o final do ano passado.

Faxina.
Os investimentos públicos, propulsores da economia, também foram freados no governo Dilma por motivos políticos, ressalta Rochelin, do Ibmec: "Os ministérios responsáveis pelos grandes investimentos, como Transportes e Cidades, tiveram mudança de comando, o que atrasou os projetos".
Além da faxina da presidente nestes ministérios, a empresa com maior volume de contratos do PAC, a Delta Construções, entrou com pedido de recuperação judicial neste ano depois das denúncias de envolvimento da empresa no esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira, alvo de uma CPI no Congresso.

Produção industrial cai 0,9% em maio, diz IBGE


Diogo Martins 
Valor

RIO - A produção industrial brasileira apresentou retração de 0,9% em maio na comparação com abril, divulgou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF). É o pior resultado desde janeiro deste ano, quando a produção caiu 1,9%, ante dezembro.

O resultado foi pior que o recuo de 0,65% previsto na média das estimativas de 11 instituições coletadas pelo Valor Data.

Em relação ao mesmo mês do ano passado houve baixa de 4,3%, nono resultado negativo nessa base de comparação e a pior taxa desde setembro de 2009, quando houve queda de 7,6%.



Em abril, a produção cedeu 0,40% sobre março, dado revisado de queda de 0,20%.

Com o resultado do mês, a produção industrial acumula perda de 3,4% nos cinco primeiros meses de 2012 e de 1,8% nos últimos 12 meses terminados em maio.

Veículos lideram queda
O recuo na passagem de abril para maio, feitos os ajustes sazonais, foi provocado pela queda verificada pelo IBGE em 14 dos 27 ramos investigados.

O setor de veículos automotores liderou a queda da produção (-4,5%), movimento que interrompeu três meses de taxas positivas consecutivas, que tinham acumulado crescimento de 22,7%. O setor de alimentos (-3,4%) veio em segundo lugar.

Outras contribuições negativas relevantes sobre o total da indústria foram as de material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-10,9%), metalurgia básica (-2,4%), celulose, papel e produtos de papel (-3,0%), outros produtos químicos (-1,0%) e calçados e artigos de couro (-5,3%).

Entre as atividades que ampliaram a produção, os desempenhos de maior importância para o resultado global da indústria brasileira em maio foram registrados por produtos de metal (13,2%), que eliminou a perda de 6,1% acumulada em três meses de taxas negativas consecutivas, indústrias extrativas (1,5%), borracha e plástico (2,6%), máquinas e equipamentos (1,2%) e refino de petróleo e produção de álcool (0,9%).

Por segmentos
A comparação entre maio e abril mostrou queda de 1,8% na produção de bens de capital, já com ajustes sazonais. Na mesma base de comparação, a produção de bens intermediários subiu 0,20%, enquanto a de bens de consumo duráveis recuou 2,2% e a de bens de consumo semi e não duráveis cedeu 2,1%.

Em relação a maio de 2011, a produção de bens de capital caiu 12,2% e a de bens intermediários cedeu 2,7%. Já a produção de bens de consumo duráveis caiu 9,5% e de bens de consumo semi e não duráveis recuou 2,7%.

No acumulado do ano até maio, a produção de bens de capital cedeu 12%, a de bens intermediários recuou 2%; a de bens de consumo duráveis caiu 10%, e os bens de consumo semi e não duráveis ficou estável.

Nos últimos 12 meses encerrados em maio, a produção de bens de capital recuou 3,8%, a de bens intermediários cedeu 1,1%, a de bens de consumo duráveis recuou 7,1% e a de bens de consumo semi e não duráveis diminuiu 0,3%.

Comparação anual
Quando comparada a produção de maio de 2012 com o mesmo período do ano passado, a atividade recuou em 17 das 27 atividades pesquisadas e o segmento de veículos automotores também foi a maior influência negativa, com queda de 16,8%.

Houve queda na produção de aproximadamente 75% dos produtos investigados no setor, segundo o IBGE, com destaque para caminhão-trator para reboques e semirreboques, caminhões, automóveis, chassis com motor para ônibus e caminhões, motores a diesel e autopeças.

Outras contribuições negativas relevantes foram as dos setores de alimentos (-6,1%), material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-24,3%), metalurgia básica (-5,8%), fumo (-23,3%), máquinas e equipamentos (-3,9%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-9,3%), farmacêutica (-5,0%) e vestuário e acessórios (-10,6%).

Entre os dez setores que registraram taxas positivas nessa comparação, os principais impactos foram em outros equipamentos de transportes (6,3%), edição, impressão e reprodução de gravações (4,0%), outros produtos químicos (2,1%) e indústrias extrativas (2,2%), impulsionados por aviões, no primeiro ramo, livros, no segundo, herbicidas para uso na agricultura e tintas e vernizes para construção, no terceiro, e minérios de ferro e óleos brutos de petróleo no último.

Enfim, o governo vê a crise


O Estado de S.Paulo

Ao admitir, pela primeira vez, que neste ano a economia brasileira vai crescer menos do que no ano passado, o governo começa a avaliar com mais realismo a gravidade dos impactos da crise mundial sobre o País. Trata-se, por enquanto, de uma espécie de realismo limitado, ou pela metade. Enquanto em seu mais recente Relatório da Inflação - documento trimestral em que avalia as condições da economia brasileira - o Banco Central (BC) corrigiu de 3,5% para 2,5% sua projeção para o crescimento do PIB em 2012 - menos do que o aumento de 2,7% registrado em 2011-, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e seus principais auxiliares continuam a afirmar que neste ano o resultado da economia será "mais vigoroso" do que no anterior.

Após reconhecer, com atraso, a validade de argumentos e dados apresentados há vários meses por economistas do setor privado para mostrar a desaceleração da economia, o BC teve de rever para baixo a maioria das projeções que vinha fazendo para diferentes indicadores em 2012. Além da revisão de várias projeções, a redução de sua previsão de crescimento do PIB neste ano decorre de uma análise mais objetiva, e, por isso, mais pessimista, dos efeitos da crise da Europa e dos Estados Unidos sobre a economia brasileira.

O BC agora prevê que os investimentos produtivos crescerão apenas 1% neste ano, bem menos do que o aumento de 4,7% registrado no ano passado e menos ainda do que a projeção feita no relatório anterior, de 5%. O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, atribuiu a drástica redução da projeção do aumento dos investimentos ao clima de incerteza no meio empresarial. Esse clima já vinha sendo detectado há certo tempo em levantamentos realizados por diferentes instituições, como associações empresariais, sobretudo do setor industrial, e institutos de pesquisa.

Além disso, o relatório diz que a perspectiva de baixo crescimento da economia mundial deve se manter "por um período prolongado" e que a deterioração do cenário internacional se transmite para a economia brasileira, entre outros canais, pela perda de confiança dos empresários. Essa transmissão, reconhece o BC, "tem se manifestado intensamente sobre a economia real".

Como consequência inevitável da redução da estimativa de investimentos, caíram também as projeções para o crescimento dos diversos setores da economia. O BC cortou pela metade a projeção para a expansão da indústria, que agora está em 1,9%. Para o setor de serviços, projeta-se crescimento de 2,8%. A revisão mais drástica foi a da projeção para a agricultura, que, de um crescimento de 2,5% previsto no relatório anterior, passou para uma retração de 1,5%.

Em outra mudança relevante na sua avaliação da atividade econômica, o BC finalmente reconheceu o que o empresariado industrial vinha dizendo há anos: a demanda interna de bens industriais vem sendo atendida cada vez mais por produtos importados, em detrimento da produção local. Entre 2008 e 2011, o consumo aparente de bens industriais cresceu 16,7%, enquanto o PIB se expandiu 15,8%. Nesse período, enquanto a produção de bens industriais cresceu 5,9%, as importações desses itens aumentaram 45,9%.

Segundo o BC, "a participação dos importados no atendimento da expansão anual do consumo de bens industriais passou de, aproximadamente, 40% em 2008 e 2010 para 100% em 2011". Ou seja, tudo o que os brasileiros consumiram a mais em bens industriais no ano passado foi fornecido por fabricantes estrangeiros. Para o produtor local, a situação ficou ainda pior em 2012, pois, além de atender ao aumento da demanda interna, os produtos estrangeiros começam a roubar mercado dos nacionais.

Em compensação, para a inflação, que em 2011 foi de 6,5%, o BC projeta 4,7% em 2012, acima da estimativa feita no relatório do primeiro trimestre, de 4,4%, mas ainda bastante próxima da meta de 4,5% (que vem sendo mantida desde 2005 e foi fixada também para 2014). Evidentemente, a redução da inflação em 2012 é consequência do baixo crescimento da economia em decorrência das perspectivas da economia mundial, que já eram ruins e pioraram.

Balança comercial de junho acende 'sinal de alerta' no governo


Valor Econômico

O superávit comercial de junho foi o menor para o mês desde 2002, informou nesta segunda-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). O saldo comercial no mês passado foi de US$ 807 milhões. Em 2002, foi de US$ 685 milhões. O resultado do primeiro semestre do ano (US$ 7,073 bilhões) também é o pior desde 2002, quando o saldo em seis meses somou US$ 2,6 bilhões.

Esses dados, segundo a secretária de Comércio Exterior do ministério, Tatiana Prazeres, levaram o governo a acender “um sinal de alerta”. “A expectativa é que no segundo semestre melhorasse o desempenho da economia e das exportações. Se continuar dessa forma, não vai melhorar”, disse o secretário-executivo do ministério, Alessandro Teixeira.

Para o secretário, os números da balança comercial em julho, abrindo o segundo semestre, serão determinantes para deixar mais claro o comportamento do comércio exterior brasileiro no restante do ano.

No acumulado de 2012, as exportações brasileiras caíram 14,2% em relação ao mesmo período de 2011, considerando a média diária. Teixeira destacou que isso havia acontecido em 2002 (queda de 19,1%), em meio à crise da Argentina, e em 2009 (redução de 22,2%), no rastro do agravamento da crise financeira internacional.

O ministério também reforçou que nos seis primeiros meses deste ano houve forte queda nos preços de commodities, como minério de ferro e recentemente do petróleo. Além disso, as vendas de manufaturados também caíram 1% no acumulado do ano e, em junho, a queda foi de 17%. Isso foi registrado, por exemplo, com a Argentina, grande consumidor de manufaturados brasileiros, afirmou Teixeira.

Greve da Receita não pesou
A greve dos fiscais da Receita Federal pouco afetou os dados da balança comercial, na avaliação do ministério. “Isso não muda a tendência”, disse o secretário-executivo Alessandro Teixeira, em referência ao recuo de 81,8% no superávit comercial de junho, em relação ao mesmo período de 2011, para US$ 807 milhões.

O saldo de junho poderia ser um pouco maior caso não houvesse a paralisação dos fiscais, mas não se pode dizer, segundo o secretário, que o mau resultado foi causado pela greve.

A secretária Tatiana Prazeres disse ainda que “os dois lados do comércio”, importação e exportação, sofrem com a greve dos fiscais, pois mercadorias deixaram de embarcar para o exterior e produtos estrangeiros deixaram de entrar no país no período. Esse, no entanto, “é só mais um fator” do resultado da balança comercial do mês, segundo ela.

Cai lucro das 1.000 maiores empresas


Valor Econômico


O mau desempenho da indústria foi a principal causa da redução de R$ 14 bilhões no lucro das mil maiores empresas brasileiras, na comparação dos balanços de 2011 e 2010. A receita líquida, por sua vez, cresceu 15,5%, totalizando R$ 2,3 trilhões - equivalente a 55% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os números fazem parte da 12ª edição do anuário "Valor 1000", que circulará em agosto, quando serão conhecidas as empresas que tiveram o melhor desempenho em 25 setores da economia analisados pela Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (SP), em parceria com a Serasa Experian, num trabalho coordenado pelo Valor Data.

Dos 15 setores que apresentaram redução de lucro, 10 integram o segmento industrial. No conjunto das mil maiores, a redução da última linha do balanço no ano passado foi de 7,6% - de R$ 185 bilhões, em 2010, para R$ 171 bilhões. Em valores absolutos, três setores respondem por 77% das perdas: metalurgia e siderurgia (R$ 3,8 bilhões), química e petroquímica (R$ 3,9 bilhões), papel e celulose (R$ 3,1 bilhões).

O que mais pesou no desempenho desses três setores, segundo o economista Márcio Torres, responsável pela avaliação de risco de grandes empresas da Serasa Experian, foi a variação dos preços das matérias-primas ao longo do ano. No caso do setor de papel e celulose, cujo lucro apresentou o maior recuo de todos (133%), as cotações da celulose caíram 4,1% em 2011, sem que houvesse redução dos custos de produção. O preço do minério de ferro subiu 23,9%, prejudicando as empresas de metalurgia e siderurgia, de um lado, mas, de outro, empurrando para cima os lucros do setor de mineração, que cresceram 22,5%. As empresas de química e petroquímica, por sua vez, sofreram com a alta de 25,3% no preço da nafta.

(clique na imagem para ampliar) 

O endividamento total das mil maiores cresceu 16,6% em 2011 e o endividamento oneroso (aquele em que há crédito dos bancos) aumentou 19,6%. As empresas mais endividadas com os bancos pertencem, pela ordem, aos setores de comércio atacadista e exterior, alimentos, açúcar e álcool e veículos e peças. Em sentido contrário, as empresas de bebidas e fumo reduziram em 22,2% as dívidas bancárias, compensando a menor geração de caixa, o que fez saltar em 31,9% a rentabilidade sobre o patrimônio líquido.

O setor que apresentou o maior aumento no lucro (67,6%) foi o de serviços médicos, embalado pelo nível de emprego e ascensão da classe C. A receita líquida do segmento cresceu 24,3% em 2011. O bom desempenho dos hospitais está associado à expansão dos planos de saúde, cujas operadoras registraram um crescimento de 102,6% no lucro em 2010.

A regra é clara: cartão vermelho


Nelson Motta 
O Estado de S.Paulo

Certos jogos de futebol são tão ruins que parecem intermináveis, quando os comentaristas dizem que os dois times poderiam continuar jogando a noite inteira que não sairiam do 0 a 0. A metáfora de sabor alulado é perfeita para expressar a destituição de Fernando Lugo da Presidência do Paraguai, mas não pela legalidade ou velocidade com que foi goleado por 76 a 1 no Congresso e depois no Tribunal Eleitoral e na Suprema Corte: na Constituição deles a regra é clara.

Mas caso os paraguaios resolvessem instaurar uma comissão de impeachment, cumprindo todos os ritos e formalidades do barroco latino-americano, como exigem os democratas Chávez, Cristina e Correa, até os paralelepípedos das ruas de Ypacaraí sabem que eles poderiam ficar num diálogo de surdos meses a fio, como num jogo ruim de futebol, que o resultado final não seria diferente.

Então, por que perder tempo e dinheiro e parar o país? Para ouvir estrangeiros dando pitaco nos problemas dos paraguaios, alguns até dispostos a dar dinheiro e armas para os "movimentos sociais" defenderem Lugo numa guerra civil? Em time que está perdendo não se mexe?

Até seus parcos partidários sabem que Lugo se embananou, tanto que entubou resignado a sua destituição ao vivo, diante de todo o país. Além da gestão desastrosa, Lugo decepcionou seu eleitorado popular desenvolvendo uma paixão por hotéis cinco estrelas e restaurantes de luxo em suas frequentes viagens ao exterior, no mínimo uma por mês, sempre com festivas comitivas, para agendas duvidosas. Descontente com o desconforto da primeira classe nos voos comerciais, tentou que a Itaipu Binacional lhe comprasse um Aerolugo da Embraer, mas a diretoria cortou suas asas. Negociava um Challenger usado de um cartola do futebol quando foi defenestrado.

O que a nossa diplomacia companheira vai fazer agora, além de estender o tapetão para a entrada da Venezuela no Mercosul? Vão obrigar o Paraguai a desrespeitar ou a mudar a sua Constituição? Vão dar ao novo governo direito de defesa na Unasul? Ou vão dar um chapelão a Lugo e abrigá-lo na Embaixada do Brasil em Assunção?

Más notícias


Editorial
Folha de São Paulo

Num excessivo protesto contra o impeachment do presidente paraguaio, os demais membros do Mercosul --Brasil, Argentina e Uruguai-- suspenderam a participação do parceiro no bloco até que o país eleja seu próximo mandatário, em abril de 2013.

O impedimento parlamentar de Fernando Lugo atropelou o direito de defesa e os limites do razoável, mas se ateve ao estipulado pela Constituição democrática do Paraguai. Ao excesso da suspensão, os membros do Mercosul acrescentaram a inclusão da Venezuela como sócia efetiva do bloco.

Aprovada pelos demais países, sua admissão dependia do Senado paraguaio. Torna-se agora fato consumado, ainda que o Paraguai não tenha sido expulso, mas suspenso. Caso repila a Venezuela ao retornar, será revertida a decisão, já que o Mercosul delibera por consenso?

Dois pesos, duas medidas. O rigor empregado contra a pressa do impeachment paraguaio é desmentido pela complacência perante a escalada autoritária na Venezuela.

Ali, sim, sob aparências de formalidade democrática, um mesmo dirigente governa há 13 anos, a tutelar o Congresso e o Judiciário, a intimidar adversários, a cercear a imprensa, utilizando todos os recursos do Estado para perenizar seu poder pessoal.

A inclusão da Venezuela adicionará problemas ao já problemático funcionamento do Mercosul.

O bloco deveria ser uma zona de livre-comércio, na qual ficariam suprimidas barreiras e tarifas entre os países-membros. Com o tempo, evoluiria para uma união aduaneira, em que estariam obrigados a manter a mesma política comercial em relação a qualquer outro país.

Sendo união aduaneira desde o início, o Mercosul crivou-se de exceções a proteger este ou aquele setor econômico influente em cada país associado. A pretexto de que o bloco seria estratégico a longo prazo, o Brasil pagou o maior preço em concessões.

No Mercosul a Venezuela terá poder de veto sobre acordos comerciais dos colegas com terceiros. E o regime do presidente Hugo Chávez não se resume à velha inclinação de sacrificar o cerne da democracia --o direito ao dissenso-- no altar das maiorias plebiscitárias.

Reincide nas crendices econômicas da esquerda mais rudimentar, hostil ao empreendimento privado e à segurança jurídica dos contratos, avessa aos fundamentos do próprio comércio. Más notícias para o Mercosul.

A nota patética coube ao Itamaraty, que exibiu desinformação amadorística sobre a política paraguaia para depois secundar, alegando conter, a diplomacia atrabiliária ditada pelas agruras domésticas da presidente Cristina Kirchner.

Após Chávez, Cristina quer mais sócios no Mercosul


247  

Pelo twitter e pelo youtube, a presidente argentina explica, neste domingo, as decisões tomadas em relação ao Paraguai e à Venezuela na última cúpula do Mercosul, em Mendoza; em vídeo, ela homenageou Lula e defendeu uma integração maior política e econômica na América do Sul

Foto: Edição/247 

A presidente argentina Cristina Kirchner, que foi a anfitriã da recente cúpula do Mercosul realizada em Mendoza, que puniu o Paraguai e abriu as portas para a Venezuela, passou o domingo trabalhando na comunicação direta com a população argentina. Cristina, que comprou uma briga com os principais meios de comunicação do país, usa e abusa das redes sociais.

No Twitter, onde já tem mais de 1 milhão de seguidores com o perfl @CFKArgentina, ela defendeu uma ampliação do Mercosul, além da Venezuela. “Estamos convocando a toda região para que caminhe em direção a uma integração maior, política e econômica”, disse ela. “Foi isso o que nos permitiu crescer nos últimos anos”. Ela também enviou um recado ao presidente paraguaio Federico Franco, dizendo que tanto o Mercosul quanto a Unasul respeitarão a soberania do povo paraguaio, que definirá seu destino em eleições livres – só depois delas, o Paraguai voltará a recuperar seus direitos no bloco econômico.

Além do Twitter, Cristina Kirchner também postou um vídeo no YouTube explicando o que ocorreu na reunião de Mendoza. Disse que o encontro esteve muito mais focado na ampliação do Mercosul, do que na punição do Paraguai. E fez ainda uma homenagem ao ex-presidente Lula, que foi reconhecido como “cidadão do Mercosul”. 

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Há dois organismos criados para fomentar a união política da América do Sul. Primeiro, a OEA que congregaria os países das três Américas. Com tem sido vencedora a idiotia do preconceito anti-americano, burro, retrógrado, imbecil, a turma resolveu criar a tal UNASUL, com o propósito específico de alijar os Estados Unidos. Porém, tanto um quanto outro, já embutem em suas finalidades a questão política.

Ao contrário, o Mercosul foi criado especificamente como bloco econômico. Incluir nesta missão propósitos políticos, além de ferir o espírito que guiou os presidentes de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, serve também com arma letal para a existência do próprio Mercosul. 

Que a presidente da Argentina queira transformar o organismo numa palhaçada, até se entende, afinal faz bem o perfil de Cristina Kirchner esta zorra. Contudo, e inadmissível, é o Brasil entrar neste baile e se deixar levar. Questiono de novo se a política externa de Dilma Rousseff tem por principal missão atender e defender os interesses brasileiros, ou andar a reboque deste clube de caudilhos cucurachas? Pelo menos até aqui, o Brasil tem ficado em segundo plano.   

Fiesp acusa Argentina de matar Mercosul


Exame.com
Com informações da AFP

Em entrevista a uma rádio de Buenos Aires, representante da federação diz que o país será responsável pelo "fim do Mercosul"

Getty Images
Cristina Kirchner, presidente da Argentina: 
para Rubens Barbosa, da Fiesp, o país segue script 
contrário ao que é apregoado pelo Mercosul

São Paulo - O presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Rubens Barbosa, acusou neste sábado o governo argentino de ferir mortalmente o Mercosul e afirmou que o bloco deixou de lado o enfoque comercial para se tornar um instrumento de política regional.

"Nos últimos meses adotaram medidas que mataram o Mercosul. A Argentina vai ser responsável pelo fim do Mercosul", disse Rubens Barbosa à Rádio Mitre de Buenos Aires.

Segundo o empresário, "o Mercosul hoje como instrumento de política comercial acabou, não vale nada para abrir o comércio, se transformou agora em um foro político, o que vimos ontem (sexta-feira) foi o julgamento do Paraguai e a entrada da Venezuela sem negociação ou compromisso".

A cúpula do Mercosul realizada na sexta-feira na cidade argentina de Mendoza (oeste) decidiu suspender o Paraguai devido à destituição do presidente Fernando Lugo, até a realização de eleições em abril de 2013, e acertou o ingresso da Venezuela como membro pleno do bloco.

O empresário atacou as restrições impostas pela Argentina, e também citou os problemas que certos produtos argentinos enfrentam para chegar ao mercado brasileiro, como vinhos, uvas, cítricos e medicamentos, entre outros.

"A Argentina adotou medidas que vão contra o Mercosul, e agora aceitam a Venezuela sem qualquer negociação concreta", disse Rubens Barbosa, que trabalhou na chancelaria brasileira durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

Rubens Barbosa lembrou que o "Tratado de Assunção (1991 que deu origem ao Mercosul) estabelecia a abertura do comércio entre os sócios e o que ocorre agora é exatamente o inverso".

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
As razões que Rubens Barbosa aponta não apenas fazem sentido e estão corretíssimas. mas servem , também,  para levantar ao menos uma dúvida: a seriedade da política externa conduzida por Dilma Rousseff. 

Ao aliar-se à Cristina Kirchner para suspender o Paraguai do Mercosul, abrindo caminho para a inclusão no bloco da Venezuela, de Hugo Chavez, a presidente brasileira além de ferir os princípios que regem a união dos países do Mercosul, também está aceitando, passivamente,  a política econômica anti-brasileira comandada pela governante argentina. 

Esta condução, fica claro, não atende, em momento algum, aos mais altos interesses do Brasil, razão pela qual fica difícil entender para quem, afinal de contas, Dilma Rousseff pensa estar governando. 

Deterioração das contas ameaça meta do superávit


O Estado de S.Paulo

O resultado fiscal do governo central, divulgado há três dias, já permitia prever uma deterioração das contas do setor público, onde o governo central é responsável por mais de 50% do déficit nominal. Para a situação das contas públicas muito contribuiu a renúncia fiscal e o baixo crescimento econômico - as receitas do Tesouro apresentaram uma queda de 20,4% e as despesas, uma elevação de 10,6%. O problema é saber se estamos diante de uma situação excepcional que não se repetirá, ou se, realmente, a meta do superávit primário não será atingida.

A preocupação justifica-se ainda mais quando se sabe que a receita do Tesouro contou, em maio, com um aporte de R$ 1,8 bilhão das empresas estatais - 3.465,4% maior do que no mês anterior.

Considerando as necessidades de financiamento do setor público, que inclui o governo central, Estados, municípios e empresas estatais (com exceção da Petrobrás e Eletrobrás), temos um déficit nominal que passa de R$2,984 bilhões, em abril, para R$ 16,064 bilhões, em maio. Não só o governo central apresenta um forte aumento do déficit, mas também os governos regionais cujas despesas entram nas campanhas eleitorais. Não podemos esquecer de que ainda há pouco tempo o governo federal sonhava em extinguir seu déficit nominal. Hoje, o déficit é o pior registrado na série histórica iniciada em 2001.Todavia, o Banco Central (BC) continua estimando esse déficit em 1,4% do PIB (ante uma previsão de 1,2%) porcentual que, se mantido, coloca o Brasil em posição excepcionalmente boa.

O déficit seria muito menor se o Brasil pagasse juros menores. Em maio, pagou R$ 18,7 bilhões, menos do que em maio de 2011 (R$ 22,1 bilhões). O BC admite que os juros pagos representarão 4,5% do PIB no final de 2012, mas estavam em 5,41% do PIB em maio.

O superávit primário caiu de R$ 14,2 bilhões, em abril, para R$ 2,6 bilhões, em maio, lembrando que esse superávit é apenas uma figura contábil que permite reservar parte das receitas para o pagamento parcial dos juros. Continua tendo papel importante, pois, os juros não pagos elevam a dívida.

Essa queda é uma advertência que levanta uma dúvida quanto à obtenção do superávit de R$ 139 bilhões no final do ano; o montante acumulado do superávit era em maio de R$ 126 bilhões, valor inferior a todos os meses do ano.

Será certamente muito difícil atingir a meta até o final do ano, meta que o BC considera como essencial para conter a inflação.

Pedro II vive incertezas que põem em risco tradição de 174 anos


Fábio Vasconcellos
O Globo

Com expansão, colégio já tem 14 filiais, e professores concursados perdem espaço

O GLOBO / LUIZ ACKERMANN
Sem aulas, Wellington estuda sozinho no Colégio Pedro II de Caxias

RIO - Por lá passaram professores ilustres como o filólogo Aurélio Buarque de Holanda, o escritor Euclides da Cunha e o poeta Manuel Bandeira. Nomes que contribuíram para a fama e a excelência do ensino do Colégio Pedro II. Nesses 174 anos de fundação, a instituição federal, hoje com 14 unidades e mais de dez mil alunos no Rio, colheu bons indicadores, com estudantes bem classificados em vestibulares, entre os mais preparados do país. Mas se o passado é de orgulho, o futuro dessa tradicional escola carioca é de incerteza.

A política de expansão da marca Pedro II adotada pelo governo federal criou um impasse. Como os concursos para a contratação de professores não acompanham o ritmo de abertura de novas unidades — desde 2007 foram abertas mais três — , a saída tem sido a convocação de profissionais em regime temporário. O resultado foi o aumento na proporção de professores, cujo vinculo com a escola pode durar no máximo dois anos, ou ser cancelado a qualquer momento, caso os mestres optem por outro emprego. Em 2008, o percentual de temporários chegou 23%. Em seguida, caiu para 17% em 2010. No ano passado, o índice voltou a subir para 19%. Os dados de 2012 apontam para novo crescimento. Até junho, a média de temporários era de 21%.

Aliado aos problemas nas contratações, os professores do Pedro II aderiram no dia 18 à greve nacional dos servidores do ensino federal e cobram um plano de cargos e salários. Em algumas unidades, os professores apoiam a paralisação, em outras, os alunos vêm tendo aula, mas parcialmente. É o caso da Unidade de São Cristóvão, responsável pelo ensino fundamental. Num dia, tem aula às 13h, no outro, somente a partir das 16h. Já em Caxias, os alunos, às vésperas do Enem, estão sem aulas.

Com a crise, caíram as notas de 4 unidades
Aos poucos, as dificuldades no Pedro II começam a se refletir no desempenho dos alunos. Embora ainda se mantenha com notas acima dos seus concorrentes no ensino público, quatro das nove unidades da instituição que participaram da prova do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) tiveram queda nas notas. É o caso do Pedro II (Engenho Novo 2) que, em 2007, obteve 5,4 e, em 2009, 4,3. Houve queda ainda nas unidades Humaitá 1, São Cristóvão 2 e Tijuca 2.

Elizabeth Aparecida, de 42 anos, tem um filho matriculado no 5 unidade, em São Cristóvão, e teme prejuízos causados pela descontinuidade no ensino:

— No ano passado, meu filho ficou sem professor de português por uns três meses até a direção contratar um substituto. Este ano, já fomos avisados que o professor de música sairá em agosto. Esses problemas atrapalham o aprendizado. Queremos que a direção resolva essa questão. Queremos ainda que seja suspenso o calendário até que a greve termine — diz Elizabeth.

Há unidades com 37% de professores temporários
O relatório do Pedro II de 2011 mostra que, em unidades como Realengo 1 e Duque de Caxias, a proporção de professores temporários está em torno de 37%. Na unidade de Caxias, que funciona num prédio comercial desde 2007, os alunos passaram a se reunir para estudar em grupo. Eles reclamam da falta de condições do lugar. Uma nova sede começou a ser construída na cidade, mas só ficará pronta em dezembro.

— Estamos ansiosos porque vamos participar do Enem. Marcamos reuniões aqui na escola para tentar manter o estudo em dia. Mas não há como negar que sem professor fica mais difícil. Não é só por conta da greve. Este ano, ficamos meses sem professor de geografia porque o que trabalhava aqui era temporário e precisou deixar a escola — conta o aluno da unidade de Caxias, Wellington Bezerra, de 17 anos.

Na unidade do Centro, no Rio, o prédio está com problemas de conservação, e um aparelho de ar-condicionado é guardado embaixo da escada principal porque a instalação elétrica ainda não foi adaptada para receber o equipamento. Na avaliação de Teresa Ventura, diretora da Associação de Docentes do Colégio Pedro II, a instituição vive um momento de precarização:

— O colégio passa por uma precarização, uma falta de valorização, de estímulo. São muitas dificuldades em nível pedagógico e político e também de material afetam o trabalho dos técnicos, docentes e o empenho dos alunos. Na Tijuca, os alunos tiveram que ser transferidos devido a um problema na rampa de acesso.

A direção-geral do Pedro II foi procurada, mas alegou que estava envolvida no processo para debelar a greve, e que só poderia responder às perguntas do jornal esta semana.

Prejudicados pela greve. E cadê o ministro da Educação?


Paula Rocha
Revista IstoÉ

Maior paralisação das universidades federais em dez anos faz estudantes perder formatura, emprego e cursos no Exterior

INDEFINIÇÃO
Nicolas Powidayko, aluno de economia da UnB, fará um curso no Exterior
em julho, mas não sabe como ficará sua situação acadêmica no Brasil

Faltando apenas 26 dias para concluir o curso de odontologia na Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG), a estudante mineira Laíce Leão Ferreira, 24 anos, teve uma ingrata surpresa. Com a colação de grau marcada para 21 de julho, ela terá de adiar a especialização em ortodontia que planejava fazer em agosto por causa da paralisação das instituições de ensino federais. “Também estou com um emprego engatilhado em uma clínica em Salvador, mas terei de esperar meu diploma sair para começar a trabalhar”, diz a jovem. Já o estudante Nicolas Powidayko, 20 anos, aluno do sexto período de economia na Universidade de Brasília (UnB), teme perder o semestre por conta da greve. Das sete disciplinas em que está matriculado, apenas uma continua com aulas. “Em julho vou fazer um curso de verão na London School of Economics, em Londres, que só deve terminar em meados de agosto. Mas não sei como estará minha situação acadêmica quando eu voltar.”

Desde o dia 17 de maio, universidades federais, institutos federais de ensino superior e centros federais de educação tecnológica (Cefet) de todo o Brasil estão com aulas e atividades suspensas. A paralisação, de acordo com o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), tem como objetivo melhores salários e a elaboração de um plano de carreira para docentes e funcionários. Em pouco mais de 40 dias, professores e servidores de 95% das instituições federais de ensino superior do País cruzaram os braços, deixando aproximadamente 600 mil estudantes sem aulas (leia quadro). Segundo a Andes, trata-se da maior paralisação do Brasil na última década. Além de docentes e servidores, alunos de 30 universidades aderiram à greve, apoiados pela União Nacional dos Estudantes (UNE).

"Estou com um emprego engatilhado, mas terei de
esperar meu diploma sair para começar a trabalhar"
Laíce Ferreira, estudante da Unifal-MG, que ficou sem aulas,
faltando apenas 26 dias para concluir o curso de odontologia

Os problemas para aqueles que estão sem aulas vão desde o atraso na conclusão de curso até a perda de prazo de cursos de pós-graduação, no Brasil e no Exterior. Prestes a se formar, a estudante Sue Ling Silva Lopes, 24 anos, que cursa letras na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), em Minas Gerais, também teve suas aulas suspensas ainda em maio, e agora não sabe se conseguirá fazer uma pós-graduação no Exterior em 2013. “Muita gente me diz para ir mesmo sem o diploma em mãos, mas eu quero poder provar que terminei a minha graduação”, diz Sue Ling. 

Os docentes que aderiram à paralisação reivindicam a criação de uma carreira única para a categoria. Atualmente, há quatro níveis de cargos – professor-adjunto, auxiliar, assistente e associado, divididos em quatro classes cada. A proposta do grupo é criar 13 níveis remuneratórios, com variação de 5% entre eles a partir do piso para o regime de 20 horas semanais, que hoje é calculado em R$ 2.329. Já os servidores, que estão em greve desde 11 de junho, pedem aumento de 22,8% no piso salarial (R$ 1.034) e a correção de pendências da carreira. A solução do impasse, porém, só deve acontecer em 31 de julho, data em que o Ministério do Planejamento deve apresentar o plano de reestruturação de carreira para os docentes das instituições federais de ensino superior. Como informou a assessoria de imprensa do órgão, o novo acordo deve ter como referência de remuneração a carreira dos servidores do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e será elaborado em parceria com o Ministério da Educação e as entidades sindicais que representam a categoria.

MANIFESTAÇÃO
Docentes, funcionários e alunos das instituições federais protestam, na quinta-feira 28,
na avenida Paulista, em São Paulo, pelo aumento da verba para a educação

Para o professor Remi Castione, da Faculdade de Educação da UnB, as greves no setor da educação devem ser repensadas. “Paralisações só valem a pena se a sociedade apoiar a causa e se mostrar disposta a abrir mão de uma parte do orçamento, que será revertido para pagar as despesas de pessoal na área da educação”, afirma. Na opinião do estudante Nicolas, a greve atual não é um instrumento de negociação satisfatório. “A maioria dos professores aderiu à suspensão das aulas porque não teve opção. Acho que a solução para as universidades federais reside muito mais na administração eficiente do orçamento do que no aumento dos investimentos”, diz.




Fotos: Adriano Machado/ag.istoé; 
          Gabriel Lordello/Mosaico Imagem;  
          ALEXANDRE MOREIRA/AE