Adelson Elias Vasconcellos
Ainda durante a pré-campanha – excrescência de exclusividade nacional – a oposição acusou o PT quanto a sua indústria de dossiês. Vale lembrar que, em 2006, o partido já tentara fraudar a eleição presidencial e para o governo de São Paulo. Apanhados em flagrante delito, com uma senhora mala carregando 1,7 milhão de reais, gente da campanha de Aluísio Mercadante e do gabinete presidencial, e que foram chamados por Lula de “aloprados”, tentava comprar um dossiê fajuto para prejudicarem as campanhas de Alckmin e Serra. Pois bem, deu no que deu: ninguém foi punido e o inquérito foi arquivado. Houve o crime? Sim. Havia culpados? Ô, se havia!!! Muitos deles... O móvel do crime foi encontrado? Sim e foi divulgado, inclusive, tanto o dossiê quanto a dinheirama. E nem com tudo isso, alguém foi processado? Pois é, são coisas que só acontecem em governos petistas.
Sempre que houver campanha eleitoral com participação de petistas, estejam certos, teremos dossiês sendo “espalhados” contra seus adversários. Na maioria dos casos, para não dizer em todos os casos, tentam atingir os adversários com mentiras e calúnias. E, regra geral, o candidato nunca sabia de nada, nunca autorizava nada , e por aí vai, muito embora, seja o candidato petista o único beneficiário da trama sórdida.
Mais recentemente, nem a falecida esposa do ex-presidente Fernando Henrique, Dona Ruth Cardoso, e a quem muito deve o país no campo social, foi poupada. O dossiê contra ela, é bom registrar, teve origem exatamente na Casa Civil, quando ainda comandada por Dilma Rousseff.
Desde o ano passado, corre investigação na Receita Federal para saber-se quem e como vazaram dados do sigilo fiscal de Eduardo Jorge Caldas, vice-presidente do PSDB, e que já fora alvo de dura e maldosa perseguição por parte do PT durante o governo de FHC. E, de forma absoluta estranha, considerando-se os sistemas de segurança instalados na Receita Federal, o caso vem se arrastando de forma espantosamente ... lenta, assim como os casos dos aloprados e o dossiê contra FHC e sua esposa originado na Casa Civil. O dirigente, que já enfrentara os petistas, resolveu agir e tomar a iniciativa. Pediu à Justiça para ter acesso à investigação, o que acabou conseguindo no última dia 24. E... surpresa: descobriu-se que, não apenas Eduardo Jorge tivera seu sigilo fiscal acessado e quebrado ilegalmente. Outras três pessoas, todas ligadas ao PSDB também foram atingidas pela ação ilegal. Tão logo tomou conhecimento da violação do sigilo de outras pessoas ligadas ao PSDB, ele comunicou a campanha de José Serra. “Avisei as pessoas da campanha e os meus advogados. Agora, vou comunicar ao PSDB. O partido vai decidir o que fazer, ver se há crime eleitoral.”
Eduardo Jorge foi o quarto na lista. Todos os acessos foram feitos num mesmo computador, por uma única senha, entre 12h27 e 12h43 do dia 8 de outubro do ano passado. Informa o Estadão Online: “O terminal usado foi a da servidora Adeilda Ferreira Leão dos Santos. A senha era de Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva. Às 12h27, foi aberta a declaração de renda de 2009 de Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações do governo de Fernando Henrique Cardoso. Três minutos depois, às 12h30, acessaram os dados do empresário Gregorio Marin Preciado, casado com uma prima de José Serra. Às 12h31, a declaração de Renda de Ricardo Sérgio foi aberta. Ele é ex-diretor do Banco do Brasil no governo FHC. Às 12h43m41s daquele mesmo dia, o mesmo terminal acessou a declaração de renda de 2009 de Eduardo Jorge.”.
A sequência de “consultas” descarta a possibilidade de que o acesso aos dados de Eduardo Jorge pudesse ter uma motivação específica qualquer, desvinculada da questão política. Era o estado policial petista operando em busca de dados que lhes permitissem armar uma de suas famosas falcatruas. Como está provado, os dados sigilosos de Eduardo Jorge foram parar nas mãos da canalha que faz dossiês. E... outra surpresinha: petistas do comando de campanha de Dilma que, claro, trata de negar tudo, que não deu autorização para ninguém, etc, etc, etc e mais blá, blá e blá. Papo furado.
A revista Veja , em duas edições recentes, publicou reportagens, com a devida confissão de alguns culpados, do bunker instalado pelo PT nos subterrâneos das instituições que são de Estado, e não governo, para atingir adversários. E, já deve ter circulado declarações daquelas duas funcionárias da Receita, a dona do computador e a da senha que acessou os dados que deveriam ser sigilosos, que “nada sabiam” ou “nada fizeram”... Dentro em pouco, se criaram fatos políticos novos para tentarem abafar o caso. Porém, é bom a turma do PT ficar esperta: Eduardo Jorge não desiste fácil da luta, como bem sabe o senhor José Dirceu...
O que se lamenta não é apenas a forma criminosa como o governo Lula se utiliza do Estado para chantagear e atingir adversários políticos. E que, sendo gente do PT, os crimes nunca acabam em punição aos culpados. Vão para gaveta, com um carimbo de “SEM SOLUÇÃO”. Exemplos claros foram os aloprados, o crime da Casa Civil e, é claro, é bom não esquecer do caseiro Francenildo...
Escutas ilegais e violações de sigilo como estes que agora conhecemos, em países civilizados, quando descobertos, seus autores são imediatamente expulsos da vida pública, quando não resultam em prisão. E a lembrar do mais famoso, Watergate, culminou com a renúncia de Nixon para evitar ser cassado pelo Congresso. Apenas para registro: Nixon não invadiu e bisbilhotou ninguém, ele apenas mentiu com um “não sabia”. Por aqui, os culpados são e acabam, invariavelmente, agraciados com as regalias do poder...
Em um provável governo Dilma, não esperem que o quadro vá mudar: vai é piorar, isto sim. Dilma não tem sobre o seu partido a mesma autoridade que Lula, e falta-lhe escrúpulos para tentar coibir práticas ilegais.
Não são por outras que sempre advirto de que a democracia e o estado de direito brasileiros estão sob ameaça: a ditadura, hoje, não precisa assassinar inocentes em massa e de revoluções armadas para existir. Ela pode, no caso que se vê na América do Sul, Brasil inclusive, ser praticada por dentro das instituições. Daí porque se deve condenar o mais que se puder o aparelhamento do Estado, na forma como o governo Lula tem praticado. É o caminho mais curto para os chamados “estados de exceção”.
Ah, mas ainda temos a liberdade de expressão, afirmariam alguns, como se um só fosse um consolo. O fato, vamos recordar, é que várias foram as tentativas de tentar cercear este direito. E, já se sabe, que o programa da dona Dilma tem lá vários projetos de lei que colocaram este direito no brejo. A imprensa, tão conivente com as mentiras presidenciais, será o alvo principal destes projetos de lei, muito embora, ela tenha se apressado a escondê-los em razão da reação sofrida pela primeira versão do seu programa arquivado no TSE. Se agora os tais projetos foram retirados, não significa que deixaram de fazer parte da ação que será implementada tão a candidata seja empossada.
Para quem deseja ter uma luz de um provável governo Dilma, não apenas aquela primeira versão dá luz ao que o partido tem desenhado para o país: o decreto que Lula assinou sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos, e que depois foi obrigado a retroceder, programa aliás que teve aval pela então chefe da Casa Civil, a própria Dilma, é o próprio escopo das ações que ganharão corpo com a própria Dilma no poder.
É bom a sociedade ficar bem alerta: o estado de exceção já existe, falta apenas consagrá-lo e aprofundá-lo ainda mais. Com esta gente no trono, chegará o dia em que nosso único direito será o de não ter direitos...