quinta-feira, agosto 26, 2010

O estado policial petista, ou o nosso regime de exceção

Adelson Elias Vasconcellos

Ainda durante a pré-campanha – excrescência de exclusividade nacional – a oposição acusou o PT quanto a sua indústria de dossiês. Vale lembrar que, em 2006, o partido já tentara fraudar a eleição presidencial e para o governo de São Paulo. Apanhados em flagrante delito, com uma senhora mala carregando 1,7 milhão de reais, gente da campanha de Aluísio Mercadante e do gabinete presidencial, e que foram chamados por Lula de “aloprados”, tentava comprar um dossiê fajuto para prejudicarem as campanhas de Alckmin e Serra. Pois bem, deu no que deu: ninguém foi punido e o inquérito foi arquivado. Houve o crime? Sim. Havia culpados? Ô, se havia!!! Muitos deles... O móvel do crime foi encontrado? Sim e foi divulgado, inclusive, tanto o dossiê quanto a dinheirama. E nem com tudo isso, alguém foi processado? Pois é, são coisas que só acontecem em governos petistas.

Sempre que houver campanha eleitoral com participação de petistas, estejam certos, teremos dossiês sendo “espalhados” contra seus adversários. Na maioria dos casos, para não dizer em todos os casos, tentam atingir os adversários com mentiras e calúnias. E, regra geral, o candidato nunca sabia de nada, nunca autorizava nada , e por aí vai, muito embora, seja o candidato petista o único beneficiário da trama sórdida.

Mais recentemente, nem a falecida esposa do ex-presidente Fernando Henrique, Dona Ruth Cardoso, e a quem muito deve o país no campo social, foi poupada. O dossiê contra ela, é bom registrar, teve origem exatamente na Casa Civil, quando ainda comandada por Dilma Rousseff.

Desde o ano passado, corre investigação na Receita Federal para saber-se quem e como vazaram dados do sigilo fiscal de Eduardo Jorge Caldas, vice-presidente do PSDB, e que já fora alvo de dura e maldosa perseguição por parte do PT durante o governo de FHC. E, de forma absoluta estranha, considerando-se os sistemas de segurança instalados na Receita Federal, o caso vem se arrastando de forma espantosamente ... lenta, assim como os casos dos aloprados e o dossiê contra FHC e sua esposa originado na Casa Civil. O dirigente, que já enfrentara os petistas, resolveu agir e tomar a iniciativa. Pediu à Justiça para ter acesso à investigação, o que acabou conseguindo no última dia 24. E... surpresa: descobriu-se que, não apenas Eduardo Jorge tivera seu sigilo fiscal acessado e quebrado ilegalmente. Outras três pessoas, todas ligadas ao PSDB também foram atingidas pela ação ilegal. Tão logo tomou conhecimento da violação do sigilo de outras pessoas ligadas ao PSDB, ele comunicou a campanha de José Serra. “Avisei as pessoas da campanha e os meus advogados. Agora, vou comunicar ao PSDB. O partido vai decidir o que fazer, ver se há crime eleitoral.”

Eduardo Jorge foi o quarto na lista. Todos os acessos foram feitos num mesmo computador, por uma única senha, entre 12h27 e 12h43 do dia 8 de outubro do ano passado. Informa o Estadão Online: “O terminal usado foi a da servidora Adeilda Ferreira Leão dos Santos. A senha era de Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva. Às 12h27, foi aberta a declaração de renda de 2009 de Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações do governo de Fernando Henrique Cardoso. Três minutos depois, às 12h30, acessaram os dados do empresário Gregorio Marin Preciado, casado com uma prima de José Serra. Às 12h31, a declaração de Renda de Ricardo Sérgio foi aberta. Ele é ex-diretor do Banco do Brasil no governo FHC. Às 12h43m41s daquele mesmo dia, o mesmo terminal acessou a declaração de renda de 2009 de Eduardo Jorge.”.

A sequência de “consultas” descarta a possibilidade de que o acesso aos dados de Eduardo Jorge pudesse ter uma motivação específica qualquer, desvinculada da questão política. Era o estado policial petista operando em busca de dados que lhes permitissem armar uma de suas famosas falcatruas. Como está provado, os dados sigilosos de Eduardo Jorge foram parar nas mãos da canalha que faz dossiês. E... outra surpresinha: petistas do comando de campanha de Dilma que, claro, trata de negar tudo, que não deu autorização para ninguém, etc, etc, etc e mais blá, blá e blá. Papo furado.

A revista Veja , em duas edições recentes, publicou reportagens, com a devida confissão de alguns culpados, do bunker instalado pelo PT nos subterrâneos das instituições que são de Estado, e não governo, para atingir adversários. E, já deve ter circulado declarações daquelas duas funcionárias da Receita, a dona do computador e a da senha que acessou os dados que deveriam ser sigilosos, que “nada sabiam” ou “nada fizeram”... Dentro em pouco, se criaram fatos políticos novos para tentarem abafar o caso. Porém, é bom a turma do PT ficar esperta: Eduardo Jorge não desiste fácil da luta, como bem sabe o senhor José Dirceu...

O que se lamenta não é apenas a forma criminosa como o governo Lula se utiliza do Estado para chantagear e atingir adversários políticos. E que, sendo gente do PT, os crimes nunca acabam em punição aos culpados. Vão para gaveta, com um carimbo de “SEM SOLUÇÃO”. Exemplos claros foram os aloprados, o crime da Casa Civil e, é claro, é bom não esquecer do caseiro Francenildo...

Escutas ilegais e violações de sigilo como estes que agora conhecemos, em países civilizados, quando descobertos, seus autores são imediatamente expulsos da vida pública, quando não resultam em prisão. E a lembrar do mais famoso, Watergate, culminou com a renúncia de Nixon para evitar ser cassado pelo Congresso. Apenas para registro: Nixon não invadiu e bisbilhotou ninguém, ele apenas mentiu com um “não sabia”. Por aqui, os culpados são e acabam, invariavelmente, agraciados com as regalias do poder...

Em um provável governo Dilma, não esperem que o quadro vá mudar: vai é piorar, isto sim. Dilma não tem sobre o seu partido a mesma autoridade que Lula, e falta-lhe escrúpulos para tentar coibir práticas ilegais.

Não são por outras que sempre advirto de que a democracia e o estado de direito brasileiros estão sob ameaça: a ditadura, hoje, não precisa assassinar inocentes em massa e de revoluções armadas para existir. Ela pode, no caso que se vê na América do Sul, Brasil inclusive, ser praticada por dentro das instituições. Daí porque se deve condenar o mais que se puder o aparelhamento do Estado, na forma como o governo Lula tem praticado. É o caminho mais curto para os chamados “estados de exceção”.

Ah, mas ainda temos a liberdade de expressão, afirmariam alguns, como se um só fosse um consolo. O fato, vamos recordar, é que várias foram as tentativas de tentar cercear este direito. E, já se sabe, que o programa da dona Dilma tem lá vários projetos de lei que colocaram este direito no brejo. A imprensa, tão conivente com as mentiras presidenciais, será o alvo principal destes projetos de lei, muito embora, ela tenha se apressado a escondê-los em razão da reação sofrida pela primeira versão do seu programa arquivado no TSE. Se agora os tais projetos foram retirados, não significa que deixaram de fazer parte da ação que será implementada tão a candidata seja empossada.

Para quem deseja ter uma luz de um provável governo Dilma, não apenas aquela primeira versão dá luz ao que o partido tem desenhado para o país: o decreto que Lula assinou sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos, e que depois foi obrigado a retroceder, programa aliás que teve aval pela então chefe da Casa Civil, a própria Dilma, é o próprio escopo das ações que ganharão corpo com a própria Dilma no poder.

É bom a sociedade ficar bem alerta: o estado de exceção já existe, falta apenas consagrá-lo e aprofundá-lo ainda mais. Com esta gente no trono, chegará o dia em que nosso único direito será o de não ter direitos...

As mentiras e as verdades dos números

Adelson Elias Vasconcellos

No post anterior, fizermos picadinho de mais uma mentira, dentre centenas, espalhadas por Lula. Alguém até poderia perguntar se não nos cansamos de combatê-lo. Não, até que ele se canse de mentir ao país.

Dona Dilma Roussef, a candidata do governo à sucessão, parece que quer seguir a mesma trilha de falsidade do mestre: não passa um dia sequer, sem que, de forma cínica, grotesca e hipócrita, aplique uma ou mais mentiras. E, caso seja eleita, o país estará condenado a viver quatro anos ou mais, de pura mistificação.

Já comentamos aqui a sua mentira sobre o ENEM. Afirmou a candidata que antes não havia exames de avaliação, o que não é verdade. Lindemberg Farias, militante de carteirinha do PT, foi um dos líderes do movimento do boicote petista, quando no governo FHC, o Ministério de Educação implantou o sistema de avaliações no país. E isto é fato, não mera suposição.;

Há, contudo, outras duas mentirinhas que merecem o devido reparo. A primeira diz respeito à segurança pública e a outra, foca a Educação.

No último final de semana, acompanhamos estarrecidos o tiroteio numa das áreas mais tradicionais do Rio de Janeiro, entre bandidos e policiais, culminando com a invasão de um hotel de luxo.

Segundo noticiou a Folha online, ao falar sobre o caso, em entrevista à imprensa, em Brasília, Dilma afirmou que a "polícia agiu prontamente". "O governo do Rio tem feito um combate sistemático ao crime organizado e e tem tido sucesso", disse. A candidata petista atribuiu os "grandes avanços" à parceria entre governo federal, estadual e municipal.

Dilma aproveitou o tema para criticar a proposta de seu adversário, o tucano José Serra, de criar um Ministério de Segurança Pública. "Não é o fato de eu criar um ministério que garante que eu tenha uma boa polícia, se fosse assim o crime estaria erradicado em São Paulo", afirmou.

Pois bem, segundo números do próprio Ministério da Justiça, São Paulo reduziu seus índices de criminalidade, nos últimos anos, em mais de 60 %. Nenhum outro estado chegou a tanto. Se os números paulistas fossem seguidos pelos demais estados, a criminalidade no Brasil, se reduziria, neste momento, a um terço dos atuais índices. Portanto, como se nota, o combate ao crime promovido em São Paulo tem-se demonstrado extremamente eficiente, e não encontra nada parecido no restante do país. Parece que, ao lado da mentira que tenta impor no noticiário, dona Dilma age ao melhor estilo petista: cínica e com absoluta má fé. Deveria se informar melhor a ex-chefe da Casa Civil!

Volto ao tema educação. Lula exaltou ontem a sua condição de não -universitário que mais criou universidades. Será verdade? Vamos aos números, dados, aliás, que são disponibilizados pelo Ministério da Educação, pelo IBGE e estão bem à mostra no PNAD. Por exemplo, a Unipampa (Universidade Federal do Pampa), no Rio Grande do Sul. Há quatro anos, divide-se em instalações provisórias, espalhadas em 10 cidades. Alunos e professores ficam zanzando entre os campi, onde faltam salas e laboratórios.

Funcionam em prédios improvisados a Universidade Federal do Oeste do Paraná (Ufopa), a Federal de Alfenas (MG) e a Universidade federal Tecnológica do Paraná. O mesmo vai acontecer com a Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), que terá campus em Foz do Iguaçu (PR), com projeto de Oscar Niemeyer. Temporariamente, vai operar no Parque Tecnológico de Itaipu.

Outra boa pauta é a Ufersa (Universidade Federal Rural do Semi-árido), no Rio Grande do Norte. Eis aí: é só o rebatismo da Escola Superior de Agricultura de Mossoró, criada em 1967. O governo quadruplicou as vagas — as vagas! — em quatro anos e prometeu dois novos campi, que só existem no papel. Alunos reclamam que em laboratórios projetados para 20 alunos estão abrigando 50.

Em pleno horário eleitoral de Dilma, apareceu lá: “O governo Lula criou o Fundeb”. Mentira da grossa! O atual governo nada mais fez do que mudarem 2007 o nome do Fundef — assim como já fizera mudando o nome do Bolsa Família e do Luz para Todos, ambos já existentes, além de muitos outros em diferentes áreas. Aliás é o maior exemplo da clonagem de obras de governos passados e que Lula, em seu primeiro mandato, interrompeu a todos, retomando só no segundo mandato, sob o manto asqueroso de PAC para posar como autor das obras, quando, na verdade, não passou de mero vigarista da obra alheia.

Em relação ao FUNDEF, alterado por Lula para FUNDEB, além de atender ao ensino fundamental (como fazia o Fundef), o Fundeb se propôs também a auxiliar o ensino médio e o ensino infantil.

Querem saber o resultado da esperteza? No ensino médio — área afeita aos governos de Estado, mas sob monitoramento do Ministério da Educação, que pode atuar —, o desastre é assombroso. Nos oito anos de governo FHC, houve uma expansão de 80%; nos seis primeiros anos de governo Lula, apenas 16%. Em 1995, 33% dos jovens brasileiros entre 15 e 17 anos estavam fora da escola. Em 2002, esse número havia caído para 18% — uma redução de 15 pontos percentuais. Em 2008, eram ainda 16% — redução de ridículos dois pontos.

Querem conhecer com maior profundidade o desastre do programa educacional do governo Lula? Falemos, por exemplo da política de alfabetização.

Cresceu o número de analfabetos no país sob o governo Lula. Os números estão estampados no PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), do IBGE. No governo FHC, a redução do número de analfabetos avançou num ritmo de 0,5% ao ano; na primeira metade do governo Lula, já caiu a 0,35% - E FOI DE APENAS 0,1% ENTRE 2007 E 2008. Sabem o que isso significa? Crescimento do número absoluto de analfabetos no país.

O combate ao analfabetismo é uma responsabilidade federal. Em 2003, o próprio governo lançou o programa “Brasil Alfabetizado” como estandarte de sua política educacional. Uma dinheirama foi transferida para as ONGs sem resultado — isso a imprensa noticiou. O MEC foi deixando a coisa de lado e acabou passando a tarefa aos municípios, Sabem no que resultaram estas ações? O índice de analfabetismo brasileiro é o pior da América do Sul. Só isso...

Adicione-se, agora, o desastre do Enem, as mentiras sobre o ensino técnico, do relaxamento da aferição da qualidade do ensino superior privado, a porcentagem do PIB investido em educação, e vocês terão diante dos olhos o verdadeiro caos em que a Educação brasileira está sendo mergulhada.

Dito isto, alguém poderia questionar: e que importância tem isso, a Dilma pode ganhar no primeiro turno? Agora perguntem a qualquer brasileiro, mesmo osw beneficiados pelos programas ditos sociais do governo Lula se estão satisfeitos com o nível da educação das escolas públicas, se acham uma maravilha a qualidade da saúde pública, da segurança, das estradas, do transporte público, e vocês terão um dado muito interessante: apesar de sua enorme aprovação, a gestão do governo quando avaliada por áreas específicas de atuação mal chega a 50%, e em alguns, bem menos do que isso. E o que isto quer dizer? Que o governo tem sido extremamente eficaz com sua máquina de propaganda. Vende ao país um Brasil que não existe, e como não é contestado nem pela oposição nem pela mídia – exceção de uns poucos jornalistas ainda independentes - apesar do xororó de sempre, a mensagem acaba calcando no imaginário popular que, por fim, acaba comprando gato por lebre.

Mas aonde o governo Lula faz desastre maior não se situa apenas nos campos da educação, saúde, segurança e infraestrutura. O grande desastre que está ocorrendo desde 2003 é no campo institucional. As ações ilegais de uso do Estado em proveito imoral de um partido político, assunto que trataremos no post seguinte..

Educação: o desastre do governo Lula

Adelson Elias Vasconcellos

Educação sempre foi um tema que tratei com muito carinho. Independente de ideologias, qualquer candidato político ou a reeleger-se como tal, deveria, em primeiríssimo lugar, dedicar-se a estudar, carinhosamente, de forma prioritária, os problemas e as carências que envolvem o processo de ensino brasileiro e, a partir do diagnóstico a que chegasse, traçar o número de seus programas, caso eleito fosse.

Não é preciso ser profissional de ensino para sabermos que esta deveria ser a prioridade número um de qualquer governante e, repito, independente de coloração política.

E a razão é muito simples: não há país civilizado ou de primeiro mundo no planeta com um povo analfabeto.

Nos últimos 30 anos, exemplos não faltam para consagrar esta máxima. Todos os países que priorizaram a educação e, mediante um trabalho sério e aplicação extrema ao propósito de educar primeiro o seu povo, promovendo verdadeiras revoluções neste campo, resultaram em países melhores, mais desenvolvidos com elevada qualidade de vida.

Este tema já foi e continuará sendo aqui com a importância que merece. Infelizmente, o mesmo não se pode dizer do governo Lula. A educação, neste governo, jamais foi levada a sério. Não me importa quantas mentiras tanto ele quanto sua ungida à sua sucessão estejam contando na campanha eleitoral. Se o país não reage, não rebate e não confronta as falsidades que ambos espalham, azar do país. Mais atraso irá colher. Se a parte boa da imprensa, a que não se ajoelha em reverência mil à sua majestade, não se preocupa em pelo menos confrontar os números para, depois, desmentir e mostrar para a sociedade o quanto está sendo enganada, isto é lá problema da imprensa. Cedo ou tarde, alguém vai lembrar qual deveria ser o seu papel e o quanto ela própria distanciou-se. E isto significa, perda de credibilidade.

Aqui, como em alguns outros blogs resistentes à mistificação, a verdade sempre terá prioridade, mesmo que ela sirva para desmascarar o ídolo de barro que se tenta criar entre nós.

Há questão de um ano, atrás, publiquei aqui trechos de um livro pequeno em extensão, mas cujo conteúdo é uma verdadeira aula sobre o nazismo tratava sua publicidade oficial, a forma como ela foi usada para adormecer a população inteira de um país e acabar naquilo que o mundo inteiro já sabe. O nome do livro é DOSSIÊ HITLER, de Sérgio Pereira Couto, da Universo dos Livros Editora. Vale a leitura para quem quer se vacinar...

Transportando-se aquele pedaço da História para os nossos dias, as similaridades não obra do mero acaso. Os mesmos são os mesmos, os princípios são idênticos, e os objetivos finais são exatamente iguais. Tenta-se pela propaganda, primeiro, calar as vozes contrárias, segundo, criar-se um clima de “glórias” jamais vistas comandadas pelo “grande guia”, e terceiro, torna-se irrelevante e até total falta de patriotismo, qualquer oposição.

Mas voltemos ao tema central deste artigo, a Educação.

Várias vezes, por pesquisas feitas pelo blog, e em artigos cujos autores merecem o máximo respeito e credibilidade, demonstramos o quão distante é o discurso do governo Lula sobre seus feitos na área da educação (nunca esquecendo seu escudeiro ministro Haddad),e a realidade presente. Chega a ser espantoso que a manipulação vergonhosa de números e feitos não maior confronto e desmentido seja por parte da oposição, seja por parte da mídia em geral. E deveria sê-los, pois a um governante nem tudo é permitido, seja Lula ou outro qualquer.

Nesta semana, dois momentos, protagonizados pela candidata Dilma e seu mentor eleitoral, Lula, demonstram bem o engodo que vigora entre nós. E, principalmente Lula, agora devidamente complementada por Dilma, continua a sua trilha de se apropriar indevida e desonestamente da obra alheio para se mostrar como o maior presidente de nossa história, o que, mal grado o desejo, a ambição e a vaidade, está muito longe de acontecer. Já disse repetidas vezes que, cedo ou tarde, quando a verdadeira História do Brasil de nossos dias for contada, Lula terá sua máscara arrancada.

Vamos aos fatos. Primeiro, Lula, bem ao seu estilo, afirmou nesta terça (24) durante a inauguração da Universidade Federal de Dourados (MS), diante de quase dois mil estudantes, que será o homem "mais feliz do mundo" quando deixar o cargo. "Eu vou olhar para mim e dizer que não tenho curso superior, mas fui o presidente que mais abriu universidade no Brasil." Lula lembrou ainda que, durante seu governo, quebrou todos os paradigmas, principalmente relacionados ao preconceito. "Quando fui candidato ao governo de São Paulo, os pobres não queriam votar em um cara como eu, também pobre", disse.

Se os ouvintes não tivessem os “verdadeiros” números a disposição, ouviriam a balela e, claro, sairiam da solenidade comentando entre si: “Este é o CARA”. Mas qual seria a realidade?

Permitam-me socorrer-me do blog do jornalista Reinaldo Azevedo que, de forma simples e direta colocou a verdade em seu devido lugar. Leiam:

“(...)Agora há os fatos — e o que segue abaixo é elaborado com dados do próprio Ministério da Educação.

1 - Lula afirma por aí ter criado 13 universidades federais. É mentira! Com boa vontade, pode-se afirmar que criou apenas seis; com rigor, quatro. Por quê? A maioria das instituições que ele chama “novas universidades” nasceu de meros rearranjos de instituições, marcados por desmembramentos e fusões. Algumas universidades “criadas” ainda estão no papel. E isso, que é um fato, está espelhado nos números, que são do Ministério da Educação;

2 - Poucos sabem, certa imprensa não diz, mas o fato é que a taxa média de crescimento de matrículas nas universidades federais entre 1995 e 2002 (governo FHC) foi de 6% ao ano, contra 3,2% entre 2003 e 2008 - seis anos de mandato de Lula;

3 - Só no segundo mandato de FHC, entre 1998 e 2003, houve 158.461 novas matrículas nas universidades federais, contra 76.000 em seis anos de governo Lula (2003 a 2008);

4 - Nos oito anos de governo FHC, as vagas em cursos noturnos, nas federais, cresceram 100%; entre 2003 e 2008, 15%;

5 - Sabem o que cresceu para valer no governo Lula? As vagas ociosas em razão de um planejamento porco. Eu provo: em 2003, as federais tiveram 84.341 formandos; em 2008, 84.036;

6 - O que aumentou brutalmente no governo Lula foi a evasão: as vagas ociosas passaram de 0,73% em 2003 para 4,35% em 2008. As matrículas trancadas, desligamentos e afastamentos saltaram de 44.023 em 2003 para 57.802 em 2008;

7 - Sim, há mesmo a preocupação de exibir números gordos. Isso faz com que a expansão das federais, dada como se vê acima, se faça à matroca. Erguem-se escolas sem preocupação com a qualidade e as condições de funcionamento, o que leva os estudantes a desistir do curso. A Universidade Federal do ABC perdeu 42% dos alunos entre 2006 e 2009.

8 - Também cresceu espetacularmente no governo Lula a máquina “companheira”. Eram 62 mil os professores das federais em 2008 - 35% a mais do que em 2002. O número de alunos cresceu apenas 21% no período;

9 - No governo FHC, a relação aluno por docente passou de 8,2 para 11,9 em 2003. No governo Lula, caiu para 10,4 (2008). É uma relação escandalosa! Nas melhores universidades americanas, a relação é de, no mínimo, 16 alunos por professor. Lula transformou as universidades federais numa máquina de empreguismo.(...)”.

Retornando: claro, talvez um ou outro jornalista, querendo agradar o patrão, publique uma notinha desmentindo Lula, e alguém do poder, querendo defender o “grande líder”, resolva dizer que não é bem assim.

O fato é que é bem assim. Haddad, que diz cuidar do Ministério da Educação não tem como desmentir dados oficiais. E não se trata apenas de questões eleitorais. A verdade existe em qualquer tempo, com ou sem eleição. Quem se vale da eleição para mentir e manipular, tentando enganar a opinião pública, é Lula.

Portanto, e uma vez mais, fica comprovado o péssimo governo quando visto por dentro das suas verdadeiras realizações, espantando-se o brilho da publicidade oficial.

Deste modo, se alguém insiste em dar crédito ao mentiroso que responda diretamente à sua própria consciência. Mas, neste caso, não terá direito a se dizer enganado amanhã. Dias atrás reproduzimos aqui uma declaração infeliz de uma eleitora de Alagoas, ao referir-se sobre sua preferência em Fernando Collor:”(...) Mesmo roubando, eu voto nele(...)”.

E “isto”, senhores, é bem representativo dos truques e artimanhas empregados pelo governo e seu partido: o país perdeu a noção da realidade, desapareceram o senso crítico, da realidade e do ridículo. Quando alguém chega ao ponto de faz a afirmação acima, acreditem, abaixo não resta mais fundo do poço para ser atingido.

E, nesta balada, segue a senhora Dilma Rousseff que, tentando defender o ENEM, afirmou de forma imbecil que, antes de Lula, não havia exame de avaliação, o que é uma mentira das grotescas. Quem criou os exames de avaliação do ensino no Brasil foi o governo FHC. Lamentavelmente, o governo Lula tentando reescrever distorceu seus objetivos e, quando não pode mudar o nome e “relançar os programas” alheios, modificou-os para pior. O ENEM é um típico exemplo desta farsa.

Mas voltarei a falar desta senhora e suas mentiras asquerosas, no próximo post. Há mais sobre educação, segurança e o estado policial implantado pelo PT no Estado brasileiro. Diante de tantas mentiras e falsidades, haja espaço para rebater!!!

A verdade sobre o Bolsa Família, ou quem criou o quê!!!!

Comentando a Notícia

Já falei e comprovei inúmeras vezes que, em matéria de programas sociais, o governo Lula foi um copista mal comportado. Juntou o que já existia em um único programa, deu-lhe uma nova denominação, e posou para a foto como o cérebro criador do “maior programa social do mundo”.

De certa forma, alguns setores da imprensa reagem à mentira e trazem à tona quem criou o quê. Porém, raros os que confrontam o que Lula dizia antes sobre os programas de transferência de renda, com exigências que tiveram forte impacto em indicadores importantes como redução de pobreza, universalização do ensino básico, queda da mortalidade4 infantil e redução drástica no número de crianças exploradas pelo trabalho infantil. E, mais raros ainda os que demonstram que a redução da miséria no país ocorreu em índices bem mais elevados justamente no período de governo de FHC, muito mais do que com Lula.

E, quanto mais as pesquisas apontam Dilma vencendo até no primeiro turno, parece que tal fato acentua em Lula em desejos mórbidos de endossar e até aumentar a incrível coletânea de mentiras com que tem desfilado desde 2003.

Dona Dilma, sua ungida, parece que adorou o estilo e tem caprichado com apuro e requinte em mentir desbragadamente. Adiante, em três posts, desmascaramos algumas destas pilantragens.

Abaixo, reproduzimos artigo do jornalista Reinaldo Azevedo sobre a verdadeira história do Bolsa Família, e os discursos de Lula de antes e depois. Impossível não reconhecer o oportunismo eleitoreiro e, sobretudo, como a mentira, produzido por um genial ator da arte cênica, ou palanqueira, pode acabar criando um mito.

Um mínimo de escrúpulo e de compromisso com a verdade esta gente deveria manter. Mas qual?! O vício de mentir em ambos chega a ser patológico. Porém, o amor à verdade é o nosso ópio, portanto, esteja Dilma quase eleita e Lula com quase 100% de aprovação, isto não lhes confere o direito de mentir ao país todo, sem que haja um mínimo de confrontação.

Segue o texto do Reinaldo Azevedo.

O discurso em que Lula afirma que Bolsa Família deixa o sujeito vagabundo, sem vontade de plantar macaxeira!!! E a prova documental de quem foi o criador do programa

Como é mesmo? Segundo um novo Datafolha, a diferença entre Dilma e Serra oscilou para 20 pontos? Os petralhas não descansam nem de madrugada — creiam (devem ganhar bem!) — e anunciam que eu já perdi a eleição? Então eu vou lhes mostrar como me comporto em meio àqueles que já disputam o seu lugar à grama. E por que vou fazer o que segue? Por apreço à verdade. E porque, como escrevi naquele texto quanto estava em Dois Córregos, Corisco só se entrega na morte de parabelo na mão, hehe.

Ontem, na impressionante coleção de invencionices a que se entregou em cima do palanque, Lula afirmou que setores “elitistas” o criticaram por causa do Bolsa Família. Também é mentira. O único “elitista” contrário ao programa era… Lula!!! E dá para provar. Quando o Babalorixá chegou ao poder, inventou que o Brasil padecia de uma fome africana — que já havia sido superado havia duas décadas ao menos. E criou o natimorto programa Fome Zero, lembram-se? O que era mero golpe publicitário de Duda Mendonça virou estandarte do governo. Havia quatro programas de renda do governo FHC: Auxílio-Gás, Bolsa Alimentação, Bolsa Escola e Bolsa Renda. Lula os juntou depois e os chamou de Bolsa Família. Isso é história. Mas, antes de fazê-lo, falou muita bobagem. E depois também.

No dia 9 de abril de 2003, com o Fome Zero empacado, Lula fez um discurso no semi-árido nordestino, na presença de Ciro Gomes, em que disse com todas as letras que acreditava que os programas que geraram o Bolsa Família levavam os assistidos à vagabundagem. Querem ler? Pois não!

Eu, um dia desses, Ciro [Gomes, ministro da Integração Nacional], estava em Cabedelo, na Paraíba, e tinha um encontro com os trabalhadores rurais, Manoel Serra [presidente da Contag - Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], e um deles falava assim para mim: “Lula, sabe o que está acontecendo aqui, na nossa região? O povo está acostumado a receber muita coisa de favor. Antigamente, quando chovia, o povo logo corria para plantar o seu feijão, o seu milho, a sua macaxeira, porque ele sabia que ia colher, alguns meses depois. E, agora, tem gente que já não quer mais isso porque fica esperando o ‘vale-isso’, o ‘vale-aquilo’, as coisas que o Governo criou para dar para as pessoas.” Acho que isso não contribui com as reformas estruturais que o Brasil precisa ter para que as pessoas possam viver condignamente, às custas do seu trabalho. Eu sempre disse que não há nada mais digno para um homem e para uma mulher do que levantar de manhã, trabalhar e, no final do mês ou no final da colheita, poder comer às custas do seu trabalho, às custas daquilo que produziu, às custas daquilo que plantou. Isso é o que dá dignidade. Isso é o que faz as pessoas andarem de cabeça erguida. Isso é o que faz as pessoas aprenderem a escolher melhor quem é seu candidato a vereador, a prefeito, a deputado, a senador, a governador, a presidente da República. Isso é o que motiva as pessoas a quererem aprender um pouco mais.

Notaram a verdade de suas palavras? A convicção profunda? Então…

No dia 27 de fevereiro de 2003, Lula já tinha mudando o nome do programa Bolsa Renda, que dava R$ 60 ao assistido, para “Cartão Alimentação”. Vocês devem se lembrar da confusão que o assunto gerou: o cartão serviria só para comprar alimentos?; seria permitido ou não comprar cachaça com ele?; o beneficiado teria de retirar tudo em espécie ou poderia pegar o dinheiro e fazer o que bem entendesse?

A questão se arrastou por meses. O tal programa Fome Zero, coitado!, não saía do papel. Capa de uma edição da revista Primeira Leitura da época: “O Fome Zero não existe”. A imprensa petista chiou pra chuchu.

No dia 20 de outubro, aquele mesmo Lula que acreditava que os programas de renda do governo FHC geravam vagabundos, que não queriam mais plantar macaxeira, fez o quê? Editou uma Medida Provisória e criou o Bolsa Família? E o que era o Bolsa Família? A reunião de todos os programas que ele atacara em um só. Assaltava o cofre dos programas alheios, afirmando ter descoberto a pólvora. O texto da MP não deixa a menor dúvida:

(…) programa de que trata o caput tem por finalidade a unificação dos procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal, especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação - “Bolsa Escola”, instituído pela Lei n.° 10.219, de ir de abril de 1001, do Programa Nacional de Acesso à Alimentação - PNAA, criado pela Lei n.° 10.689, de 13 de junho de 2003, do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Saúde - “Bolsa Alimentação”, instituído pela medida provisória n.° 2.206-1, de 6 de setembro de 2001, do Programa Auxílio-Gás, instituído pelo Decreto n.° 4.102, de 24 de janeiro de 2002, e do Cadastramento Único do Governo Federal, instituído pelo Decreto n.° 3.877, de 24 de julho de 2001.

Compreenderam? Bastaram sete meses para que o programa que impedia o trabalhador de fazer a sua rocinha virasse a salvação da lavoura de Lula. E os assistidos passariam a receber dinheiro vivo. Contrapartidas: que as crianças freqüentassem a escola, como já exigia o Bolsa Escola, e que fossem vacinadas, como já exigia o Bolsa Alimentação, que cobrava também que as gestantes fizessem o pré-natal! Esse programa era do Ministério da Saúde e foi implementado por Serra.

E qual passou a ser, então, o discurso de Lula? Ora, Lula passou a atacar aqueles que diziam que programas de renda acomodavam os plantadores de macaxeira, tornando-os vagabundos, como se aquele não fosse rigorosamente o seu próprio discurso.

No dia 23 de março de 2005, em Cuiabá, atirava contra as pessoas supostamente contrárias ao Bolsa Família. Leiam e confrontem com o que ele próprio dizia em 2003:

Eu sei que tem gente que fala: “Não, mas esse presidente está com essa política do programa Fome Zero, do Bolsa Família, isso é proselitismo, isso é esmola.” Eu sei que tem gente que fala assim. Lógico, o cidadão que toma café de manhã, almoça e janta todo santo dia, para ele Bolsa Família não significa nada, ele não precisa. E ainda mais se ele puder fazer uma crítica a mim tomando uma Coca-Cola em um bar, um uísque ou uma cerveja. Agora, tem pessoas que, se a gente não der essa ajuda, não conseguem comer as calorias e as proteínas necessárias à vida humana. E se for uma criança de antes de seis anos de idade, nós sabemos que essa criança poderá ter o seu cérebro atrofiado e nunca mais se recuperar.

Quando eu vou parar de evidenciar as mistificações de Lula? Nunca! Quanto mais “popular” ele fica, mais considero este trabalho uma obrigação moral.

Governos submissos, Nação conivente

Luiz Eduardo Rocha Paiva (*)- O Estado de S.Paulo

"...se não te apercebes para integrar a Amazônia na tua civilização, ela, mais cedo ou mais tarde, se distanciará, naturalmente, como se desprega um mundo de uma nebulosa - pela expansão centrífuga de seu próprio movimento" - Euclides da Cunha

Um princípio fundamental à boa condução do Estado é a coerência entre políticas, estratégias e ações efetivamente adotadas, mas não é assim no Brasil. Ao mesmo tempo que anunciam a Amazônia como prioridade nacional e bravateiam - "a Amazônia é nossa" -, os governos tomam decisões que comprometem a soberania e a integridade territorial na região, submetendo-se a pressões externas. Isso ficou claro quando o príncipe Charles, filho do presidente de honra da WWF, se envolveu pessoalmente na questão da Terra Indígena (TI) Raposa-Serra do Sol, realizando reuniões na Europa e visitas ao Brasil antes das sessões decisórias do Supremo Tribunal Federal sobre a demarcação daquela TI, chegando a ser recebido pelo presidente da República na véspera da última sessão do tribunal. O resultado dessa pressão explícita demonstra a submissão da liderança nacional, iniciada na demarcação da TI ianomâmi em 1991, imposta pelos EUA e aliados. O interesse inglês em Roraima vem da Questão do Pirara (1835-1904) e ressurge como ameaça.

A perda do Acre pela Bolívia, em 1903, é um alerta ao Brasil, pois as semelhanças entre o evento passado e o presente amazônico são evidentes, em particular no tocante às TIs. A Bolívia no Acre, por dificuldade, e o Brasil na Amazônia, por omissão, exemplificam vazios de poder pela fraca presença do Estado e de população nacional em regiões ricas e cobiçadas. O Acre, vazio de bolivianos, era povoado por seringalistas e seringueiros brasileiros, respectivamente líderes e liderados, sem nenhuma ligação afetiva com a Bolívia. No Brasil, ONGs internacionais lideram os indígenas e procuram conscientizá-los de serem povos e nações não-brasileiros, com o apoio da comunidade mundial. Assim, no século 19 uma crescente população brasileira estava segregada na Bolívia e hoje o mesmo ocorre com a crescente população indígena do Brasil nas TIs, ambas sob lideranças sem compromisso algum com os países hospedeiros, e sim com atores externos. Ao delegarem autoridade e responsabilidades a ONGs ligadas a atores alienígenas, nossos governos autolimitaram sua soberania, como fez a Bolívia ao arrendar o Acre ao Bolivian Syndicate, binacional anglo-americana com amplos poderes e autonomia para administrá-lo. Décadas de erros estratégicos enfraqueceram a soberania boliviana no Acre, direito não consumado, pois aqueles brasileiros se revoltaram e o separaram da Bolívia, que o vendeu ao Brasil. Não é que a História se repita, mas situações semelhantes em momentos distintos costumam ter desfechos parecidos, para o bem ou para o mal, se as decisões adotadas forem similares. Um cenário de perda, semelhante à sofrida pela Bolívia, desenha-se na calha norte do Rio Amazonas, na faixa de fronteira, com destaque para Roraima.

A História tem outros exemplos semelhantes. Na ex-província sérvia do Kosovo, cerca de 90% da população não era nacional, mas albanesa separatista. Em 1974 o Kosovo recebera autonomia, cuja cassação em 1999 revoltou sua população. Ante a violenta reação da Sérvia, e não tendo seu aval para entrar com forças de paz na região, a Otan moveu uma campanha aérea arrasadora, dobrando aquele país. O direito de soberania sérvia, reconhecido no mandato da ONU que autorizou a intervenção de uma força de paz, não impediu a independência do Kosovo em 2008.

Conclusão: num país onde uma região rica é um vazio de poder, sem população nacional, ocupada por população segregada, considerada estrangeira e sob liderança alienígena ligada a outros países, projeta-se um cenário de perda de soberania e integridade territorial, a despeito do direito internacional. Ao contrário de Bolívia, Brasil e Sérvia, a China povoou Xinjiang com etnia han, neutralizando o separatismo dos uigures. Sua liderança aprendeu com a História a resistir a pressões estrangeiras.

A Amazônia brasileira nos pertence por direito, mas só a ocupação e a integração efetivarão a sua posse. Em poucas décadas haverá grandes populações indígenas desnacionalizadas e segregadas, ocupando imensas terras e dispostas a requerer autonomia com base na Declaração de Direitos dos Povos Indígenas, aprovada na ONU com apoio do Brasil. Se não atendidas, solicitarão a intervenção das Nações Unidas com base na Responsabilidade de Proteger, resolução de 2005. Um sem-número de TIs, com mais autonomia que os Estados da Federação, comprometerão a governabilidade e a integridade territorial num país ainda em formação, pois a Amazônia não está totalmente integrada.

Hoje, é forte a pressão para transformar TIs em territórios autônomos administrados por índios, iniciativa que reúne atores externos e a quinta-coluna de órgãos governamentais e da sociedade, agindo em consonância com interesses alienígenas. Há indícios de omissão e acomodação de órgãos dos Poderes da União à constituição de polícias indígenas nas TIs. Ou seria apoio implícito? Essa polícia ilegal, paralelamente às ações ditas de segurança pública, já está achacando os índios nas aldeias, sendo possível que, em breve, façam aliança com grupos ilícitos transnacionais, o narcotráfico ou a narcoguerrilha das Farc. Poderão, ainda, compor a milícia indígena dos pretensos territórios autônomos supracitados, não como forças policiais, mas sim embrião de uma guerrilha separatista com reconhecimento internacional.

Povo e nação em território com organização política, social, jurídica e militar, haja vista a Declaração de Direitos dos Povos Indígenas, e com autonomia reconhecida nacional e internacionalmente é Estado-nação independente. Assim seja! Só merece um bem quem o ama e defende.

(*) GENERAL DA RESERVA, MEMBRO DA ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL, PROFESSOR EMÉRITO E EX-COMANDANTE DA ESCOLA DE COMANDO E ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO .

Lula e Geisel, crises anunciadas

Carlos Alberto Sardenberg, O Globo

O programa de grandes obras do governo Lula parece, sim, com o do regime militar iniciado no período do presidente Geisel.

São obras faraônicas, como eram, por exemplo, a Transamazônica, a Ferrovia do Aço e o programa de construção de nada menos que 12 usinas nucleares, entre outros projetos que ficaram pelo caminho.

São caríssimas já no lançamento e que ficam cada vez mais caras durante a execução.

O trem-bala, por exemplo, tornou-se mais caro ainda na fase do edital. Quando foi incluído no PAC, em 2008, custaria uns R$ 20 bilhões, seria licitado em 2009 e rodaria em 2014, a tempo da Copa.

Dois anos depois, o edital projeta um custo de R$ 33 bilhões um aumento de mais de 50% quando a coisa nem saiu do papel.

Não é estranhar que especialistas duvidem solenemente desse último preço. Como aliás duvidam do preço de outra megaobra, a usina de Belo Monte.

Como no programa do regime militar, o financiamento dessas obras é essencialmente do governo. É um sinal de que o equilíbrio econômico só existe com dinheiro público. As empresas privadas entram quase como contratadas para entregar determinados serviços, mas não colocam seu capital para correr o risco dos projetos.

Mesmo assim, podem se dar mal.

No período militar, várias empresas foram turbinadas pelas obras públicas, mas como não conseguiram ir além disso acabaram quebrando quando os projetos pararam.

E por que pararam? Por uma enorme crise nas contas públicas. Ou simplesmente, a moleza do dinheiro barato, pago pelos contribuintes, acabou.

O regime militar acreditou que o dinheiro barato do financiamento internacional, os petrodólares, estaria sempre à disposição. Quando foi embora, o Brasil, como outros países latinoamericanos, ficou com a dívida externa, as obras paradas e as empresas viúvas do Tesouro.

O governo Lula se baseia tanto no aumento da arrecadação de impostos quanto no financiamento internacional barato. Mas mesmo que essas condições permanecessem por muitos anos, os projetos de Lula têm problemas específicos de viabilidade e, no geral, exigem um esforço financeiro além da capacidade (e das necessidades) do país.

A proposta é na base do voluntarismo que atropela o próprio governo e suas estatais, passando por cima da análise técnica.

A Petrobras é um caso exemplar.

No último 9 de junho, em Natal, o presidente Lula disse que as refinarias de petróleo em construção no país não seriam feitas se a decisão dependesse da Petrobras. O parecer técnico da estatal, segundo o presidente, sustentava que as refinarias existentes já davam conta da demanda.

E esse é mesmo um ponto de vista bem espalhado não apenas no Brasil, mas no mundo de que há capacidade suficiente nas refinarias.

Mas Lula mandou fazer. Em Natal, disse que foi uma decisão de governo.

Mas algum tempo atrás, em entrevista ao jornal Valor Econômico, menos modesto, havia dito que ele mandara mudar os planos da Petrobras.

Segundo o presidente, as refinarias são necessárias para gerar atividade econômica no país e para a exportação.

Mas o que ocorre se o parecer técnico da Petrobras estiver correto, de que haverá excesso de capacidade? As refinarias ou não serão concluídas ou ficarão ociosas, em qualquer caso, dinheiro jogado onde não havia prioridade.

Em resumo, Lula está impondo enormes tarefas e, pois, investimentos ao governo e às estatais (como o caso da Eletrobrás com Belo Monte), que vão se endividar.

Mas, como no caso do regime militar, o problema aparece mais à frente.

Quem pagou pela crise foram os governos democráticos.

Lula certamente colocará a culpa nos derrotistas.

COBRANÇA
O presidente Lula reagiu com veemência às dúvidas levantadas acerca dos riscos da exploração de petróleo do pré-sal. A questão tinha a ver com o vazamento no Golfo do México, ocorrido em um poço de uma companhia, a BP, que até então tinha o prestígio de ser uma das melhores petrolíferas do mundo, cuidadosa com as questões ambientais.

Lula, porém, decretou que o pessoal lá era incompetente, ao contrário da Petrobras, que teria capacidade acima de qualquer dúvida. A propósito, leitores e ouvintes atentos lembraram de um outro momento em que Lula se fiou na capacidade da estatal brasileira.

Foi quando do acidente do Airbus da Air France, que caiu no Atlântico, costa brasileira. O presidente disse então que se a Petrobras achava petróleo a 5 mil metros, estava claro que os brasileiros saberiam encontrar a caixa preta do jato.

Não foi encontrada. Culpa dos franceses, por certo.

DONOS DO BOLSA FAMÍLIA
Sobre essa disputa em torno da autoria do Bolsa Família, convém observar alguns dados concretos, como diria o presidente Lula.

O programa foi criado pela Lei 10.836, de 9 de janeiro de 2004. No parágrafo do primeiro artigo se diz que o Bolsa Família tem por finalidade a unificação do Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Auxílio Gás e o Cadastramento Único, todos os quatro programas instalados no governo FHC.

A parte de Lula foi ampliar o número de beneficiários, além de elevar o valor das bolsas (e fazer uma certa vista grossa para as condicionalidades).

O mesmo vale para o salário-mínimo, que é também o piso do INSS. A política de elevação real do salário foi iniciada no momento mesmo do lançamento do Plano Real. De novo, Lula acelerou os aumentos e o gasto público.

A máquina

Merval Pereira, O Globo

Agora ficamos sabendo, graças ao jornalismo da grande imprensa que o governo Lula tenta constranger justamente para que fatos como este não sejam divulgados, que o vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, não foi o único tucano a ter o sigilo fiscal quebrado dentro da Receita Federal. Outros três personagens, ligados de alguma maneira a José Serra, candidato tucano à Presidência da República, também tiveram seus dados acessados irregularmente no dia 8 outubro, em 16 minutos de atividades através de um mesmo computador e com a utilização da mesma senha.

O processo aberto na Receita Federal, que ainda não foi divulgado oficialmente, demonstra que, sem motivação profissional, as declarações de Imposto de Renda do ex-ministro das Comunicações do governo de Fernando Henrique Cardoso Luiz Carlos Mendonça de Barros, do ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio e de Gregório Marin Preciado, casado com uma prima de Serra, também foram acessadas.

A quebra de sigilo de "adversários" políticos é apenas uma faceta do aparelhamento do Estado posto em prática pelo governo.

Uma análise aprofundada dessa máquina está no livro "A elite dirigente do governo Lula", da cientista política Maria Celina D’Araujo, atualmente professora na PUC do Rio de Janeiro.

O próximo presidente da República vai herdar uma máquina pública "experiente e bem formada", com fortes vínculos políticos com o PT e a CUT, relação aprofundada no governo Lula.

Segundo o estudo, uma máquina formada por pessoas altamente escolarizadas, com experiência profissional, a maioria proveniente do serviço público, com fortes vínculos com movimentos sociais, partidos políticos, especialmente o PT, sindicatos e centrais sindicais, principalmente a CUT.

Na análise de Maria Celina, os integrantes das carreiras públicas estão majoritariamente filiados a sindicatos e têm preferencialmente adotado o PT, "de forma que mesmo que o governo seja de outro partido, a máquina pública irá refletir essa tendência".

Esse "sindicalismo de classe média", onde predominam professores e bancários, tem sua base no funcionalismo público, fundamental para reativar o sindicalismo brasileiro a partir da redemocratização nos anos 1980, e está na origem do Partido dos Trabalhadores.

Dados oficiais indicam que em julho de 2009 havia 47.500 cargos e funções de confiança na administração direta, autárquica ou em fundações, que podiam ser preenchidos discricionariamente pelo Poder Executivo federal.

É essa máquina, dominada pelos sindicalistas, que atua nas sombras para produzir dossiês ou comprá-los com dinheiro escuso de que até agora não se sabe a origem, como no caso dos "aloprados", de 2006, que pagaram com montanhas de dinheiro vivo um dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo, o mesmo José Serra que hoje concorre à Presidência da República.

Dossiês e insinuações contra Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio ou Gregório Marin Preciado surgem desde a campanha eleitoral de 2002, especialmente por conta das privatizações.

Mas Mendonça de Barros, o ex-presidente da Anatel Renato Guerreiro e dois ex-presidentes do BNDES, André Lara Resende e José Pio Borges, foram absolvidos, depois de dez anos de insinuações e acusações, que agora a Justiça diz serem infundadas.

O dossiê contra Eduardo Jorge foi descoberto pela "Folha de S. Paulo" e, no decorrer das investigações sobre o caso, descobre-se agora que mais pessoas foram "investigadas".

O comitê de campanha de Dilma Rousseff, onde circulava o dossiê sobre Eduardo Jorge, é o mesmo que se viu envolvido em espionagens e contratações de arapongas para grampear telefones de adversários da campanha de Serra, inclusive o próprio, segundo declaração de um policial que foi sondado para a tarefa.

Vista calças

Olavo de Carvalho, Mídia Sem Máscara

Pelas estatísticas de rendimento escolar e de criminalidade, o Brasil já é o país mais burro e assassino do mundo. Terá se tornado também o mais covarde?

A quota de mendacidade dos nossos governantes já ultrapassou os limites do que seria tolerável num mitômano doente sem esperança de cura. E a quota de servilismo com que as lideranças empresariais, jornalísticas, militares e eclesiásticas deste país aceitam como normal e respeitável essa conduta obscena já ultrapassou o nível do que se poderia admitir num escravo amarrado e chicoteado, que o feitor, por mero sadismo, obrigasse a concordar que as vacas botam ovos e as galinhas dão leite.

A desenvoltura cínica de uns e a pusilanimidade de outros formam um quadro de abjeção moral imotivada, gratuita, voluntária, deleitosa, lúbrica, como nunca se viu no mundo. Os primeiros sabem que são trapaceiros, mas se orgulham disso. Os segundos sabem que cedem por puro medo, mas, disfarçando mal e porcamente o temor, juram que desfrutam de total liberdade num ambiente de segurança jurídica exemplar.

A ordem democrática, neste País, consiste na igualitária distribuição da perversidade. Liberdade, igualdade, fraternidade e semvergonhice.

O pior é que nada, nada obriga esses indivíduos a serem assim.

Uns têm todo o poder, não precisam se comportar como baratas se escondendo pelos cantos, fugindo da luz como da peste. Os outros não sofrem perseguição que justifique tanto acovardamento, apenas cedem antecipadamente ante riscos imaginários, numa apoteose de pusilanimidade. Do lado do governo, os recentes progressos da cara de pau são inconcebíveis.

Depois de o sr. presidente ter expressado seu "repúdio" à crueldade das Farc, sugerindo como castigo aquilo que até uma criança de cinco anos percebe ser o melhor dos prêmios; depois de o sr. Michel Temer ter assegurado que o ilustre mandatário nunca fez isso, mas que o fez com a melhor das intenções (entenda quem puder), ainda vem esse aspirante a Tiririca, o sr. Valter Pomar, querer impingir-nos, com a cara mais bisonha do universo, a mentirinha pueril de que as Farc nunca participaram do Foro de São Paulo.

Quer dizer então, ó figura, que o Raul Reyes mentiu ao dizer que presidira a uma assembléia do Foro ao lado de Lula? Quer dizer que o Hugo Chávez estava delirando ao dizer que conhecera Raul Reyes e Lula numa reunião do Foro? Quer dizer que o expediente da revista America Libre é todo falsificado?

Quer dizer que as Atas do Foro foram inventadas por mim, que ainda tive o requinte de escrevê-las em espanhol? Ora, vá lamber sabão.

Quando chamo esse cavalheiro de aspirante a Tiririca, não faço isso por pura piada. Na escala dos níveis de consciência, o sr. Pomar está muito abaixo da abestada criatura.

Tiririca tem autoconhecimento: sabe que é um palhaço. O sr. Pomar necessitaria de muitas vidas, se as houvesse, para elevar-se a tão iluminada compreensão de si.

Mas o que me espanta não é que esses sujeitos se lambuzem na sua porcaria mental ao ponto de se tornar impossível, em certos momentos, distingui-los de um rato emergido do esgoto.

O que me espanta é o ar de veneração, o temor reverencial com que a opinião pública os escuta, mesmo e principalmente quando sabe que mentem como meninos pegos em flagrante travessura.

Só ante o cano de uma metralhadora tem o homem o direito de acovardar-se a esse ponto, aviltando-se ainda mais do que aqueles que o aviltam. Mas cadê as metralhadoras? A única arma de que a casta governante dispõe para intimidar a nação, no momento, são caretas de despeito - aquele blefe moral, aquela fingida ostentação de superioridade que é a marca inconfundível dos fracos presunçosos. Como é possível que um povo inteiro se deixe assustar por isso, chegando à degradação suprema de fingir apreço a condutas que obviamente só merecem desprezo?

Pelas estatísticas de rendimento escolar e de criminalidade, o Brasil já é o país mais burro e mais assassino do mundo. Terá se tornado também o mais covarde? O mais sicofanta? O mais subserviente?

Meu falecido sogro, Fábio de Andrade, apresentou-se como voluntário na Revolução de 1932, aos quinze anos de idade, porque sentiu vergonha ao ler, por acaso, a mensagem enviada pelo comando revolucionário aos homens adultos que recusassem alistar-se: "Vista saias."

Mas os tempos mudaram. Essa mensagem não é mais apropriada aos dias que correm. É preciso substituí-la por: "Vista calças."

Muitos tremem ante a perspectiva dessa experiência inédita.

P. S. - Nunca fui admirador do sr. José Serra. Sua mania antitabagista, suas concessões ao politicamente correto, fizeram dele, para mim, um anti-exemplo. No entanto, seus últimos pronunciamentos de campanha - dele e do seu vice Índio da Costa - mostraram que ainda há algumas reservas de testosterona neste país (ver o comentário de José Nivaldo Cordeiro em http://www.youtube.com/watch?v=xURrDqLFg2g).

Ganharam o meu voto e, mais do que isso, o meu respeito.

A menor graça

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

Deve-se aos programas de humor e à mobilização dos humoristas a contestação de uma das mais graves distorções institucionais na Lei Eleitoral em vigor desde 1997: a abolição do exercício da crítica política no rádio e na televisão nos três meses que antecedem a eleição.

De lá para cá foram realizadas seis eleições, sendo três presidenciais.

Por isso, os rapazes e as moças do humor já mereceriam assento junto aos idealizadores do projeto Ficha Limpa, numa hipotética premiação a iniciativas para melhorar os meios e os modos da tão antiquada política brasileira.

Posto o mérito, é preciso dispor alguns equívocos. Há desorientação e falta de informação na campanha, cujo primeiro ato público foi uma passeata na praia de Copacabana.

Delícia, mas é preciso falar mais sério e certo.

Muita gente ainda acha que a proibição atinge apenas os programas humorísticos e que é uma inovação da Justiça Eleitoral.

Os organizadores cometem seus deslizes. Abriram um abaixo-assinado para ser enviado ao ministro da Cultura pedindo a revogação da lei. Dizem que essa é a maneira de repetir a trajetória do projeto Ficha Limpa.

O veto a candidaturas de gente condenada por tribunal foi obtido pela aprovação de uma lei no Congresso, cujo projeto teve iniciativa popular. Nada a ver com o Poder Executivo, com ministros nem presidentes de autarquias.

Aliás, cumpre ressaltar que se dependesse do Poder Executivo o projeto não teria sido aprovado. Acabou sendo pela conjugação de dois fatores: a pressão social e a certeza de muitos congressistas e palacianos de que a lei não entraria em vigor neste ano ou seria derrubada na Justiça por inconstitucionalidade.

O caminho correto, portanto, é o Legislativo. Seja por intermédio de algum parlamentar ou mediante apresentação de projeto de lei com o apoio de 1 milhão de cidadãos.

A proibição, que fique claro, pois, não foi uma invenção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas consta de uma lei aprovada em 1997 e que não visa apenas, mas também, a atingir os humorísticos.

Suspende de um modo geral a vigência do artigo da Constituição que assegura a liberdade de expressão, uma vez que proíbe que as pessoas - jornalista, humorista, qualquer um - façam juízo de valor sobre candidatos, partidos ou coligações.

Deu para entender? É proibido dar opinião. Talvez fosse o caso de pedir ao Ministério Público para entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade.

Excelente os humoristas terem aberto esse caminho. Só assim alguém - além de jornalistas que sempre podem ser acusados de advogar em causa própria - prestou atenção nesse aspecto da lei.

Por isso mesmo é necessário entrar na luta de modo correto, com as informações certas, para não acabar pedindo ajuda na casa do inimigo.

Partilha. Quanto mais as pesquisas mostram o favoritismo de Dilma Rousseff, mais abertamente o PMDB trata da divisão do latifúndio público federal.

No domingo o presidente do partido e candidato a vice de Dilma, Michel Temer, divulgou nota oficial negando essa intenção. Foi a terceira negativa nesse sentido no último mês. Nas primeiras duas vezes Temer desmentiu a si mesmo: em uma delas, disse que o PMDB seria "protagonista" no governo e, na segunda, discorreu a senadores a respeito do compartilhamento de espaços.

No lugar de divulgar notas à imprensa, mais eficaz seria Temer tentar conter o ímpeto da tropa.

Antigamente. Logo depois de eleito, em outubro de 2002, Lula fez um pronunciamento público em que, entre outros agradecimentos, dizia-se grato ao então presidente Fernando Henrique Cardoso por sua "imparcialidade" durante o processo eleitoral.

Segundo Lula, a conduta de FH e a Justiça Eleitoral "contribuíram para que os resultados das eleições representassem a verdadeira vontade do povo brasileiro".

Respostas infalíveis

Olavo de Carvalho, Mídia Sem Máscara

O aparato político-ideológico da esquerda conseguiu dominar tão bem o universo mental da nacionalidade que já ninguém, dentro do território pátrio, pode desviar-se um só milímetro da semântica oficial.

Em 2002, tivemos uma disputa presidencial entre quatro candidatos que em uníssono alardeavam a condição de esquerdistas como o seu mais elevado título de glória. Tão perfeita homogeneidade ideológica, que nem mesmo os militares tinham ousado impor ao cenário político nacional, só se vira, antes, nas eleições soviéticas ou chinesas, mas a "grande mídia" inteira fez questão de abafar a estranheza do fenômeno e, com aquela mistura de cinismo e estupidez genuína que tão bem a caracteriza, celebrou o pleito como uma apoteose da democracia.

Em 2006, o candidato tido como de direita por seu adversário rejeitava esse rótulo e, provando-se bom menino, evitava qualquer demonstração de anti-esquerdismo, por tímida que fosse. O simples fato de que ele tampouco se declarasse esquerdista foi aceito universalmente como prova cabal de "pluralismo". Quod erat demonstrandum.

Finalmente, em 2010, chegamos ao ponto em que todas as precauções retóricas já se revelam desnecessárias: o próprio presidente da República sente-se à vontade para proclamar a completa ausência de direitistas entre os candidatos à sucessão como sinal de perfeição democrática. A democracia, segundo S. Excia. e a unanimidade das mentes iluminadas que nos guiam, consiste portanto numa assembléia de esquerdistas que se xingam uns aos outros de direitistas. That's all. Que mais se poderia desejar? Toda aspiração diversa é extremismo, saudades da ditadura, racismo, fanatismo genocida ou, como na velha União Soviética, sintoma de desequilíbrio mental. Um momento. Eu disse "aspiração"? Não é preciso nem isso. Basta que você, sem nenhuma divergência ideológica, se sinta um pouco incomodado com a aliança PT-Farc, e todo o repertório dos insultos autoprobantes será despejado sobre a sua cabeça, sem que lhe reste, diante de tão irrespondíveis argumentos, senão o último recurso dos bate-bocas infantis: macaquear a ofensa, chamar o acusador de direitista.

Se a administração estatal logrou controlar a economia ao ponto de emitir notas fiscais antes que algum comerciante tenha a ousadia de fazê-lo, o aparato político-ideológico da esquerda conseguiu dominar tão bem o universo mental da nacionalidade que já ninguém, dentro do território pátrio, pode desviar-se um só milímetro da semântica oficial, ou ao menos não pode fazê-lo sem o sentimento constrangedor de ter cometido uma gafe imperdoável, talvez um crime hediondo.

Para maior felicidade geral, o fato de que esse estado de coisas coincida, no tempo, com a prosperidade dos grandes grupos econômicos que têm negócios com o governo é festejado como prova de sucesso do capitalismo nacional, embora, na ciência econômica e no são entendimento humano, ele defina precisamente o socialismo. Mas os brasileiros já se habituaram tão confortavelmente a chamar as coisas pelos nomes inversos que já nem reparam nesse detalhe. Por exemplo: decorridos vinte anos da fundação do Foro de São Paulo, o fato de que esse monstrengo domine uma dúzia de países e ocupe a presidência da OEA é evidência irrefutável de que ele é apenas um bando de velhinhos saudosistas, sem força ou periculosidade que mereçam atenção. Experimente lançar dúvida sobre essa certeza augusta num encontro de empresários, e agüente, se puder, os olhares de desprezo.

Nada, nenhuma demonstração lógica, evidência factual ou desgraça espetacular - nem mesmo a tragédia rotineira dos cinqüenta mil brasileiros assassinados por ano -- parece capaz de despertar as nossas classes rechonchudas do seu otimismo beócio, sustentado nos quatro pilares da ortodoxia elegante, quatro fórmulas infalíveis que a tudo respondem como se tivessem saído fresquinhas da oficina literária de Bouvard e Pécuchet:

1. "Lula mudou."

2. "O comunismo acabou."

3. "Direita e esquerda não existem."

4. "Você quer voltar aos tempos da Guerra Fria."

Quem, diante de tamanha sapiência, ousaria discutir?

Educação no Brasil

Por Nelson Valente, Blog Cláudio Humberto

Educação no Brasil é pior do que no Paraguai, Equador e Bolívia

Desconfiemos da simplificação da mídia. Sem dúvida, mas ela é com certeza muito útil para tornar claras certas coisas.

Os candidatos à presidência da República e aos governos de estados da federação, falam sobre a educação brasileira com convicção e clareza, como do alto de suas cátedras, gesticulando as mãos em bom italiano. Sempre à cata de uma referência erudita ou de uma metáfora mais apropriada.

Os candidatos penetram no mundo das palavras como se entrasse num mosteiro com devoção, quase obsessivamente. É pouco dizer que eles são eruditos: são curiosos do tipo patológico, acrescido de um perfeccionismo obstinado. Esses homens e mulheres brilham no exemplo negativo do falar bonito. E o povo fica babando diante de tais promessas e ainda comentam: - “O (a) candidato (a) é muito inteligente.”

Estou cada vez mais convencido da possibilidade de que tais candidatos não existem, de que eles nada mais são do que um produto de suas próprias linguagens: uns se julgam Jânio e outras Jânio de saias.

Em vista de tantos idiotas que rodeiam, ia sentir-me culpado de tê-los imaginado. Prefiro acreditar que eles existam independentemente de minha responsabilidade pessoal.

A candidata do governo e seu projeto de governo estão presos a ásperas condições sociais, e a seus sonhos de pouca relação com a realidade da educação brasileira. O Brasil tem o terceiro pior índice de desigualdade no mundo e, apesar do aumento dos gastos sociais nos últimos dez anos, apresenta uma baixa mobilidade social e qualidade educacional entre gerações. Os dados estão no primeiro relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre América Latina e Caribe. Educação no Brasil é pior do que o de Paraguai, Equador e Bolívia.

Enfim, a pior do mundo em todos os níveis e modalidades de ensino. Ao analisar o cumprimento das quatro principais metas estabelecidas pela Unesco, constata-se que o Brasil não tem um bom desempenho no que se refere à alfabetização, ao acesso ao ensino fundamental e à igualdade de gênero. Tem um baixo desempenho quando se analisa o percentual de alunos que conseguem passar do 5° ano do ensino fundamental, cujos objetivos são: ler, escrever e contar. O relatório aponta que o Brasil apresenta alta repetência e baixos índices de conclusão da educação básica. Na região da América Latina e Caribe, a taxa de repetência média para todas as séries do ensino fundamental é de 4,4%. Mas no Brasil, o índice é de 18, 7% - o maior de todos os países da região.

A candidata e os candidatos estão em boa companhia, com relação a esse equívoco, pois os demais planos de governo (pelo menos os conhecidos) também parecem feitos para um país que não é o nosso.

(*) Nelson Valente - é professor universitário, jornalista e escritor.

O PT e o pó

Guilherme Fiúza, Revista Época

O PT está indignado com a acusação de que tem ligações com as Farc e o narcotráfico. A explicação é simples: o partido pensava que aquele pó branco que os companheiros colombianos vendem era açúcar.

O PT não tem nada a ver com a cocaína. Adriano Imperador e Vagner Love também não. Todos eles só gostam de passear ao lado de traficantes armados até os dentes, conversar com eles por telefone, unir forças contra os agentes do mal.

Essa doce revolução do oprimido levou, por acaso, o líder narcoguerrilheiro Raul Reyes a escrever várias cartas a Lula. Todas devidamente recebidas pelo presidente brasileiro, porque trazidas em segurança por parlamentares do PT. Não há notícia de qualquer palavra de Lula de repúdio, crítica ou mesmo desconforto com essa situação.

Ninguém jamais ouviu o presidente brasileiro esclarecer, em alto e bom som: não mantenho e não manterei diálogo com terroristas financiados pelo narcotráfico.

Não. Os companheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia são interlocutores do PT, já até tomaram assento juntos em colóquios formais, à luz do dia. Nessas ocasiões, possivelmente os bravos correligionários de Lula ainda pensavam que cocaína é açúcar.

O mais novo indignado com as acusações de ligação com as Farc é Hugo Chávez. O presidente venezuelano criou mais uma crise internacional para sua coleção, rompendo relações com a Colômbia. Ficou zangado porque disseram que há gente das Farc abrigada na Venezuela.

Deu a louca nos bolivarianos de butique. Tendo a seu lado o grande Diego Armando Maradona – que também não sabe diferenciar açúcar de cocaína –, Chávez protestou contra a afirmação de que há narcoguerrilheiros colombianos instalados em seu território. O que terá ele feito com seus hóspedes das Farc? Terá exportado a turma para algum acampamento seguro do MST?

Não está dando para entender a esquerda sul-americana. No Brasil, depois de anos e anos de flerte com os revolucionários do pó branco, o PT fica chateado com uma frase de Indio da Costa sobre a poética narcótica da relação. Esses amantes são mesmo suscetíveis.

Do jeito que as coisas vão, daqui a pouco o partido de Lula vai dizer que não conhece Dilma Rousseff. Ou que só a conhece socialmente, assim como os fuzis e o açúcar que passarinho não cheira.

Fidel Castro, Lula e a “Faixa de Gaza”

Ipojuca Pontes, Blog Cláudio Humberto

O JORNAL “O Globo” tem um fascínio todo especial pelo ditador cubano Fidel Castro, a quem trata, habitualmente, por “El Comandante”. De fato, não se passa uma semana, ou quinzena, sem que os entusiastas de Fidel, acantonadas no jornal dos irmãos Marinho, deixem de assegurar espaço para acomodar, com boa dose de simpatia (e alguns senões), a figura do sinistro ditador cubano.

Na edição de 08/08/2010, “El Comandante” aparece em foto discursando na Assembléia Nacional de Havana para uma platéia, segundo o jornal amestrado, “lotada”. Na matéria, “O Globo” desce a detalhes e informa que Fidel, trajando uniforme verde-oliva, falou apenas doze minutos, quem sabe nostálgico dos tempos em que discursava por mais de dez horas consecutivas para multidões que viviam, ontem como hoje, obrigadas a ouvir os seus sermões sob pena de severos castigos (entre os quais, por exemplo, o de sofrerem confisco nas cotas mensais de alimentos anotados nas célebres “cadernetas”).

Embora tenha discursado por pouco tempo, Fidel continua obcecado pelo fantasma do “imperialismo ianque” que, a bem da verdade, agora sob o manto de Barack Obama (tido como um traidor por boa parte da população norte-americana), nem de longe representa o temível império de outras eras (haja vista os insultos sistemáticos que recebe do desclassificado coronel Hugo Chávez, sem esboçar a menor reação).

Na sua charla psicótica, Fidel alerta o mundo contra uma provável guerra atômica, a cair dos ares caso os Estados Unidos ataquem o Irã e o seu criminoso programa nuclear – uma guerra, de resto, capaz de deixar o Drácula do Caribe feliz como pinto no lixo.

Fidel Castro completou 84 anos neste dia 13 de agosto. É uma vida malsinada, repleta de larga soma de crimes e malefícios (mais de 120 mil mortos), a começar pela ruína moral e material a que submeteu o seu pobre povo. (A propósito, convém lembrar que a filha de Fidel, Alina Fernandes, no seu livro de memórias, declara que na adolescência sofria pelo temor de herdar os maus instintos da família paterna, cujo avô, Angel Castro (pai de Fidel), não passava de um renomado sicário).

Há algum tempo, por ser inútil, já tinha feito uma promessa de não mais gastar tempo e papel com o mentor (juntamente com Luiz Inácio) do Foro de São Paulo. No entanto, diante de sua “ressurreição”, em má hora promovida pela mídia amestrada, é de bom alvitre, à guisa de lembrete, amaldiçoá-lo ainda uma vez:

- Vade Retro, satanás!

2 - NO BRASIL, quando o cidadão imagina que já viu de tudo, sempre aparece mais uma. Está circulando pela internet um vídeo extraordinário, que anda fazendo furor. Ele foi distribuído por um blogueiro do Rio de Janeiro chamado Ricardo Gama.

O vídeo foi rodado na base da câmera oculta, “pegadinha” típica, durante uma visita de Lula e o governador Sérgio Cabral ao Conjunto Habitacional Nelson Mandela, em Manguinhos, Rio de Janeiro, território conhecido pelo nome de “Faixa de Gaza”, onde funcionam tráficos de droga e armas.

Lula e Cabral, bem nutridos, cheios de empáfia, aparecem cercados por dezenas de policiais e aspones, quando se estabelece o instrutivo diálogo entre as duas genuínas autoridades populistas e um garoto, negro, de nome Leandro, morador local. A refrega, um quase interrogatório, no qual o garoto enfrenta os dois inquiridores, prima pela virulência. Leia a transcrição:

Cabral: ... Vai ver nem joga futebol...

Lula: (interrompendo, em tom grosseiro) Não, não, não, não. Esquece. Qual é teu esporte, porra?...

Garoto negro: (em tom amistoso) É tênis.

Lula: E por que você não treina, porra?

Garoto negro: Porque aqui não tem tênis.

Lula: (mais agressivo) Tênis é jogo pra burguesia, porra... Me diz uma coisa... e natação?

Garoto negro: (sem pestanejar) A gente não pode entrar na piscina.

Cabral: (irritado) Por quê?...

Garoto negro: (conclusivo) Porque não abre para a população.

Cabral: (vulgar, de olho em Lula) Que não abre pra população, rapaz!

Garoto negro: (firme) Eu já fui lá perguntar. Não senhor, não abre. Pergunte por ai.

Há um clima de estupor geral. O diálogo (quase interrogatório) é travado sob um sol brabo. Lula, esbaforido, já esquentado, volta-se para Sérgio Cabral e para o Secretário de Obras do Estado, Ítalo Moreno, que fica mudo.

Lula: (dedo em riste) No dia que a imprensa vier ai e pegar num final de semana essa porra fechada o prejuízo político será infinitamente maior do que se pegar dois guardas e botar pra tomar conta. (Baixando o tom) Coloca aí dois bombeiros...

Mas o Garoto negro não dá refresco. No mesmo diapasão, volta-se para as duas autoridades populistas – o presidente e o governador:

Garoto negro: E a gente já acorda de manhã com dois “Caveirão” na nossa porta. Eu tenho um vídeo meu... se achar aqui... “Caveirão”, sim...

Cabral: (nervoso, falando aos borbotões, atropelando as palavras, irônico) E o tráfico... E o tráfico?... Não tem tráfico na tua rua?... Não tem troca de metralhadora?..

Garoto negro: Na minha rua, não. Eu não consumo.

Cabral: Não tem não, né?...

Garoto negro: Ter, tem. Mas eu não comparticipo... eu não comparticipo... eu moro aqui, gente ... é a “Faixa de Gaza”...

Cabral: (engrolando as palavras, por trás de um Lula congestionado): Você diz que não é otário... pra fazer discurso de otário... Que é isso, cara?...

Voz de aspone: Como é teu nome?

Garoto negro: Meu nome é Leandro.

Cabral: Oh, tu não me engana, não! Bota essa inteligência pra estudar, seu sacana.

Garoto negro: Eu vou para a escola técnica...

Cabral: Leandro... vai estudar, cara.

Garoto negro: Eu vou para a escola, sempre.

O vídeo disponível no YouTube é irresistível. Diante dele presenciamos uma cena que reúne, a um só tempo, medo, hipocrisia, cinismo, prepotência, oportunismo, tensão nervosa, estupidez, além do excepcional comportamento de um garoto de comunidade que leva ao pânico um presidente da República inconsciente e um governador de Estado moralmente acovardado.

Conclusão: Se quiserem, de agora em diante as populações faveladas já têm como desmascarar a demagogia dos políticos em tempo de eleições: o apelo à câmara oculta, uma arma letal para se flagrar a dura tessitura da vida real!

Delírios imperiais do PT

Nivaldo Cordeiro, Mídia Sem Máscara

O delírio imperialista do PT e dos ideólogos como Samuel Pinheiro Guimarães está criando um clima de horror para os pequenos empresários em nossa economia. O desastre é certo.

Mesmo o brasileiro mais desatento pode perceber, a olhos nus, os movimentos diplomáticos desastrados que Lula e o PT impuseram ao Brasil nos últimos anos. Alucinação completa: apoio ao Irã e à sua bomba atômica, apoio incondicional a Cuba de Fidel (com desprezo acintoso pelos direitos humanos), apoio ao Hamas e demais movimentos armados palestinos contra Israel, tutela e apoio incondicional a Hugo Chávez (com direito a hostilizar a Colômbia), apoio a Evo Morales, ao bispo polígamo do Paraguai, ao delirante revolucionário do Equador, a desastrosa tentativa de intervenção em Honduras, a cumplicidade com as FARC no âmbito do Foro de São Paulo e, por tabela, com o tráfico de drogas realizado pelos terroristas tornados narcotraficantes.

Não se pode esquecer do deliberado afastamento dos EUA, tanto no que se refere à linha política, quanto ao comércio bilateral. Neste ano aquele país deixou de ser o principal parceiro comercial brasileiro, dando lugar à China, fato que coincidiu com o ápice da perda de mercado dos manufaturados na nossa balança comercial. A China, se compra matérias primas e alimentos, é também uma feroz e desleal concorrente no segmento dos manufaturados. Está destruindo a nossa indústria, a começar pela fatia que tinha no mercado internacional.

Nada ao acaso. Li hoje um longo e esclarecedor artigo de Samuel Pinheiro Guimarães (A América do Sul em 2022) no qual, em 69 parágrafos, o ideólogo máximo da política externa brasileira expressa sua inadequada e pornográfica visão de futuro da nossa diplomacia, que é a visão a ser seguida em caso de vitória da candidata governista, Dilma Rousseff. O resumo de suas teses é que o Brasil deve se comportar com os vizinhos com bonomia e liberalidade, financiando e dando infra-estrutura em nome da integração. Ao mesmo tempo, fazendo da China e da Índia seus parceiros comerciais preferenciais, ignorando por completo os EUA e a União Européia. Em todo o texto um incontido ódio a esses parceiros tradicionais é manifestado. Nas suas palavras:

"Em uma economia mundial em que países como a Índia e a China detêm cerca de 30% da população mundial, com índices de consumo de calorias extremamente baixos, e com economias em rápida e contínua expansão, já que a China cresceu a 10% a.a. em média nos últimos 30 anos e a Índia a 8% a.a. nos últimos dez anos, com escassez crescente de minérios e alimentos, em um contexto de acirrada disputa mundial por recursos, a América do Sul é vista como uma fonte especialmente importante desses recursos".

O ideólogo do PT se esquece que, qualquer que seja o cenário para os próximos anos, EUA e Europa continuarão a ser o centro propulsor da economia mundial e mais faria sentido se aproximar deles, propiciar a integração e fazer da política comercial um instrumento para o bem estar geral dos brasileiros. Na parte final do texto, pomposamente apelidada de "Um plano para a América do Sul", Samuel vai ao limite do delírio quixotesco ao fazer um paralelo entre a situação atual da América do Sul com a Europa de depois da Segunda Guerra Mundial. O recurso sofístico é comparar indicadores econômicos e sociais, como se aqui tivesse havido uma destruição em larga escala, como os escombros daquela guerra chagavam a Europa de então. Propõe algo equivalente ao Plano Marshall, com o principal papel cabendo ao Brasil, naturalmente. Nas suas palavras:

"Os países da região maiores e mais avançados, econômica e industrialmente, terão de articular programas de desenvolvimento econômico para estimular e financiar a transformação econômica dos países menores; abrir, sem exigir reciprocidade, seus mercados e financiar a construção da infraestrutura desses países e sua interligação continental. O Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul - FOCEM é um primeiro passo nesse sentido, ao reconhecer a especial responsabilidade dos países maiores no desenvolvimento do Mercosul e seus princípios podem servir como base para um programa, que terá de ser muito mais amplo, no âmbito sul-americano".

A pergunta que não quer calar: com que dinheiro? O que os brasileiros que não são filiados ao PT ganhariam com isso? O que fazer com os nossos próprios bolsões de pobreza? Claro, na mente do delirante Samuel tudo se passa no mundo do "como se": como se o Brasil fosse rico, como se pudesse exportar capitais em larga escala, como se os países vizinhos quisessem nosso imperialismo de bonomia, como se os EUA fossem ficar de braços cruzados, como se o mundo coubesse na sua pornográfica imaginação.

Essa política já está em curso, como podemos ver na decisão de construir grandes conglomerados empresariais brasileiros, basicamente financiados e protegidos pelo Estado. Veja-se o que está sendo feito com os recursos do BNDES, conforme estampado como manchete principal do jornal Folha de São Paulo de hoje (Doze grupos ficam com 57% dos repasses do BNDES). É o capitalismo dos compadres, que faz do Estado o maior incentivador da concentração empresarial que se tem notícia, destruindo no caminho milhões de pequenas empresas, asfixiadas, por um lado, pelos enormes impostos e regulamentações incumpríveis e, do outro, pela competição desleal dos grandes grupos empresariais subsidiados pelo governo.

O delírio imperialista do PT e dos ideólogos como Samuel Pinheiro Guimarães está criando um clima de horror para os pequenos empresários em nossa economia. O desastre é certo. O PT é o pai e a mãe dos monopólios e oligopólios que matam as pequenas empresas e esfolam os consumidores. É isso que explica porque Dilma Rousseff é a candidata de gente como Abílio Diniz, Lilly Marinho, grandes banqueiros, empresas de Telecom, e todos os setores altamente oligopolizados. Estão esculpindo os delírios mais espúrios de teóricos como Lênin e Hilferding. Estes imaginaram que assim seria o estágio final do capitalismo oligopolista. O PT resolveu materializá-lo, matando as pequenas empresas e esfolando os consumidores, patrocinando o grande final do capitalismo em grande estilo. E sonhando em dominar com bonomia e consentimento os vizinhos latino-americanos.