quarta-feira, abril 15, 2020

"Ato de altruismo". Máscaras devem ser usadas em supermercados, farmácias e transportes

Ana Mafalda Inácio e Catarina Reis
Diário de Notícias (Lisboa)

O Ministério da Saúde voltou a mudar as orientações para o uso de máscaras: desta vez aconselha a usar em espaços fechados, como supermercados e farmácias. Especialistas vinham lançando o alerta, e pareceres de peritos assim o indicavam também.

© PAULO NOVAIS/LUSA
Máscaras recomendadas para idas ao supermercado

A ministra da Saúde anunciou esta manhã, durante a conferência de imprensa destinado a balanço epidemiológico, que após terem sido analisados vários pareceres emitidos por entidades portuguesas decidiu que o uso de máscaras se deve estender à comunidade, mas apenas em situações em que tenham necessidade de frequentar espaços fechados, nomeadamente supermercados, farmácias, transportes públicos, etc. Marta Temido alertou que estamos em estado de emergência de confinamento e é assim que a população se deve manter, mas, em caso de haver necessidade de frequentarem tais espaços, deverão usar máscara.

Na norma publicada esta tarde no site oficial da Direção-Geral da saúde (DGS) é explicado que esta decisão foi tomada tendo em conta, o princípio da precaução em Saúde Pública - ou seja, tendo em conta que um infetado pode ser transmissor dois dias antes de ter sintomas, tendo em conta que há infetados que são assintomáticos,

Daí, e tendo em conta o principio da precaução, que uma semana depois de ter alargado o uso de máscaras a cuidadores informais, a bombeiros, funcionários da morgue, a trabalhadores de entregas, que as autoridades de saúde decidiram "alargar o uso de máscaras a todas as pessoas que permaneçam em espaços interiores fechados com múltiplas pessoas, como medida de proteção adicional ao distanciamento social, à higiene das mãos e à etiqueta respiratória".

Na conferência de Imprensa desta manhã, a ministra salientou, mais uma vez, que o uso de máscara tem regras e que estas devem ser conhecidas e respeitadas por toda a população. O mesmo está assinalado na norma da DGS. "A utilização de máscaras pela população implica o conhecimento e domínio das técnicas de colocação, uso e remoção, e que a sua utilização não pode, de forma alguma, conduzir à negligência de medidas fundamentais como o distanciamento social e a higiene das mãos".
Mais. No documento da DGS é lembrado que o uso de máscaras pela população é sobretudo, um gesto de altruísmo, "já que quem a utiliza não fica mais protegido, contribuindo, isso sim, para a proteção das outras pessoas, quando utilizada como medida de proteção adicional".

Desde o início da epidemia no país, completando esta semana a sétima desde que foram registados os primeiros casos, que as autoridades de saúde têm vindo a defender que o uso de máscara pode dar uma falsa ideia de proteção. Aliás, este foi um dos argumentos usados pela Organização Mundial de Saúde e pelo Centro de Prevenção e Controlo e Doenças Europeu para a tomada de posição de que o uso de máscara não deve ser generalizado. No entanto, passo a passo, e à medida que a doença avança, esta posição tem vindo a ser alterada, até por alguns países da UE.

Nesta altura, há vários países que já definiram como obrigatório o uso de máscara na comunidade. No mundo, há experiências na Ásia, como na Coreia do Sul, Japão, Taiwan, Hong-kong e Singapura, em que esta obrigatoriedade parece estar a dar os seus resultados no combate à covid-19. Na Europa, é frequentemente dado como exemplo as medidas adotadas pela República Checa, onde o uso de máscara pela comunidade também foi uma das medidas obrigatórias desde o início.

"O uso da máscara pela população não pode diminuir a sustentabilidade de acesso a máscaras pelos doentes e profissionais de saúde, que constituem os grupos prioritários para o uso de máscaras cirúrgicas".

Portugal tem seguido até agora as orientações da OMS e do ECDC. Este último publicou na semana passada um parecer técnico a alagar o uso de máscara. No entanto, a DGS alerta para o facto de apesar tal alteração, que estes dois organismos continuam a alertar que o uso de máscara é prioritário para os profissionais de saúde, e que "o uso da máscara pela população não pode diminuir a sustentabilidade de acesso a máscaras pelos doentes e profissionais de saúde, que constituem os grupos prioritários para o uso de máscaras cirúrgicas".

A norma da DGS explica ainda estar a ser definido, em conjunto com o Infarmed, ASAE, IPQ e o CITEVE e diversos peritos, um conjunto de especificações técnicas das máscaras não cirúrgicas, comunitárias ou de uso solidário.

Recorde-se que este alargamento por parte dos grupos que devem usar máscara, surge ao fim de dias de polêmica, entre autoridades, especialistas e cientistas, sobre se o uso de máscaras deveria ou não ser generalizado. Não havendo consenso, a DGS solicitou mesmo um parecer ao Programa Nacional de Infeções à Resistência de Antimicrobianos, que acabava por indicar a necessidade de se equacionar o alargamento a quem frequenta espaços fechados.

Ao DN, fonte da DGS referiu que se esta medida não pretende alagar o uso sistemático e em todas as situações, mas apenas alertar para o uso desta medida sempre que haja necessidade de frequentar espaços confinados e frequentados por mais pessoas. Na quinta-feira da semana passada, surge então o relatório técnico do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), que aconselhava o mesmo.

A ministra alertou ainda para o facto de o uso de máscaras, até agora obrigatório para profissionais de saúde, trabalhadores de entregas, cuidadores, doentes crônicos e imunossuprimidos, não vem alterar nada dos procedimentos já usados e considerados essenciais para conter o vírus e a contaminação, como o lavar frequente das mãos.

Uma das questões levantadas por especialistas tem sido o facto de não haver este tipo de material disponível para venda ao público ou, onde há, serem praticados preços muito elevados. A denúncia tem sido feita pela Associação Nacional de Farmácias, relativamente às propostas que têm chegado às farmácias para compra deste material e com preços especulativos.

Apesar da recomendação do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, este organismo alerta que o uso das máscaras acarreta o risco de uma falsa sensação de segurança, podendo levar as pessoas a distraírem-se, por exemplo, da distância física. Além disso, frisa que é importante saber remover a máscara, para não aumentar o risco de contágio.

A questão tem levantado um impasse entre especialistas, um pouco por todo o mundo.

OMS pede que países que estão reduzindo quarentenas façam isso de forma cuidadosa e lista critérios

Paulo Beraldo, 
O Estado de S.Paulo

Organização Mundial da Saúde afirmou que mudança não pode ser de uma só vez e que é preciso cautela; entidade também destacou que coronavírus é 10 vezes mais mortal que H1N1

  Foto: REUTERS/Denis Balibouse/File Photo
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde
  
Autoridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) pediram nesta segunda-feira, 13, que os países que vão flexibilizar a quarentena o façam de maneira lenta e cuidadosa. A entidade listou ainda seis critérios que os países devem seguir ao adotar essa medida, sob o risco de verem a pandemia do novo coronavírus avançar novamente. 

"As medidas de controle de circulação devem ser tiradas lentamente e com cuidado. Não pode acontecer de uma só vez", alertou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, indicando que isso só pode ocorrer se as medidas corretas de saúde pública estiverem em vigor, como a capacidade significativa de rastreamento de pessoas que entraram em contato com pacientes contaminados. 

Tedros alertou, no entanto, que a covid-19 avança muito rápido e desacelera lentamente. "Enquanto alguns países estão pensando em como aliviar as restrições, outros estão pensando em introduzi-las, especialmente países de baixa e média renda na África, Ásia e América Latina", ressaltou. Também foi citado que o coronavírus é 10 vezes mais mortal que o vírus responsável pela gripe H1N1 e que se propaga mais rápido. 

 O diretor-geral ponderou que em países com populações pobres, os pedidos para que as pessoas fiquem em casa e outras restrições de circulação usadas em países de alta renda são difíceis de serem implementadas. "Muitas pessoas pobres, migrantes e refugiados já estão vivendo em condições de superlotação, com poucos recursos e pouco acesso aos cuidados de saúde. Como você sobrevive a um lockdown quando depende de seu trabalho diário para comer?", questionou. 

Ele afirmou que cada governo deve avaliar sua situação, protegendo todos os seus cidadãos, especialmente os mais vulneráveis. Segundo Tedros, é preciso encontrar um equilíbrio entre as medidas de restrição de circulação e os impactos socioeconômicos. 

Critérios para flexibilizar a quarentena

Para os países que querem flexibilizar as regras de quarentena, a OMS listou alguns critérios. Dois deles são a necessidade de a transmissão local estar controlada e de haver capacidade no sistema de saúde para detectar, testar, isolar e tratar os infectados pela covid-19. A entidade afirma, com isso, que os riscos de surtos são minimizados.

Também pede que os países implementem medidas preventivas em locais de trabalho e escolas, e que tomem cuidado nas fronteiras para que não haja "casos importados". A OMS afirmou que a era da globalização significa o risco de a covid-19 ser reintroduzida e ressurgir. Daí a necessidade de desenvolver e distribuir uma vacina segura para impedir completamente sua disseminação no futuro. 
Por fim, a instituição diz que a comunidade local deve estar completamente engajada e conscientizada para que se ajuste a essa nova forma de vida. A entidade publicará um documento completo com essas orientações na terça. 


Máscaras

As autoridades da OMS também ressaltaram que o uso de máscaras não serve como uma alternativa à quarentena. "A OMS vai apoiar países que querem implementar uma estratégia mais ampla de usar máscaras ou de cobrir o rosto, desde que seja parte de uma estratégia mais abrangente", disse o chefe de emergências da OMS, Michael Ryan.

A estratégia mais ampla inclui medidas como testes em massa, isolamento e tratamento dos contaminados, além de higiene das mãos e engajamento das comunidades. "Você não pode substituir uma quarentena por 'nada'. Você precisa substituir a quarentena por (ter) uma comunidade profundamente educada, comprometida e engajada", recomendou. "Teremos de ter esses comportamentos adaptados em termos de higiene pessoal e distanciamento físico por um longo tempo". 

Cloroquina

A entidade foi questionada sobre o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento ao coronavírus, mas voltou a afirmar que não há evidências científicas de que elas tratam o coronavírus. Indicações iniciais mostraram que o remédio teve efeitos positivos, mas ela está sendo testada em todo o mundo.

"A comunidade médica e científica está levando a sério o potencial da hidroxicloroquina e da cloroquina", disse Michael Ryan. "Mas não há evidências empíricas e nem evidências de testes. Os médicos estão sendo cautelosos ao olhar os efeitos colaterais e estamos aguardando os resultados dos testes". 

Em 11 dias, número de infectados por coronavírus salta de 1 para 2 milhões

Da Redação
Exame.com

Já são registradas quase 120 mil mortes pela covid-19 no mundo

 (Matthias Rietschel/Reuters)
Coronavírus: mais de 2 milhões de pessoas estão infectadas em todo o mundo

O número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus no mundo passou de 2 milhões nesta segunda-feira (13). Já são registradas quase 120.000 mortes pela covid-19.

O país mais afetado pela doença é o Estados Unidos, que contabiliza 682.619 infectados com o Sars-Cov-2 e 23.529 mortos pela doença.

Desde que a Organização Mundial da Saúde recebeu das autoridades chinesas o primeiro alerta do surto de uma nova doença respiratória na cidade de Wuhan, em 31 de dezembro de 2019, foram necessários 93 dias para o mundo chegar à marca de 1 milhão de casos confirmados de covid-19 – número atingido no dia 2 de abril. Agora, chega ao seu segundo milhão apenas 11 dias depois.

O crescimento do número de mortes segue o mesmo padrão. Demorou cerca de três meses para o mundo chegar a 50.000 mortes por covid-19, e apenas dez dias para esse número dobrar. Já são 119.483 mortes confirmadas no mundo. 

Cinco países já superaram a marca de 10.000 mortes por covid-19: Estados Unidos, Itália, Espanha, França e Reino Unido. Em todos eles, passar de 1.000 mortes para 10.000 mortes foi um processo que levou, em média, duas semanas. É um dado que serve de alerta para o Brasil, que chegou à marca de 1.000 mortes por covid-19 na última sexta-feira (10). Nesta segunda, são 23.430 infectados e 1.328 mortes no país.

Nos últimos dias, em vários estados do Brasil, incluindo São Paulo, o epicentro da pandemia no país, houve um relaxamento do isolamento social — nem sempre de acordo com o que cobram as autoridades.

Se o Brasil seguir a mesma curva observada em outros países, as próximas duas semanas serão decisivas para evitar uma explosão de casos.


Estudo preliminar indica que nem todos criam anticorpos contra coronavírus

Lucas Agrela
Exame.com

A pesquisa ainda é preliminar, mas envolveu mais de cem pessoas e algumas não criaram defesas detectáveis contra a covid-19

(Andre Coelho/Getty Images)
Coronavírus: o vírus contagioso atingiu 
quase 2 milhões de pessoas no mundo até hoje 

Em um estudo preliminar ainda não sabatinado pela comunidade científica, pesquisadores chineses da Fudan University, em Shanghai, avaliaram 130 pessoas recuperadas após o contágio do novo coronavírus e constataram que nem todas desenvolveram anticorpos detectáveis contra o vírus.

A pesquisa identificou que cerca de 8% das pessoas avaliadas não criaram as defesas contra um novo contágio. Aproximadamente, seria o mesmo que dizer que uma a cada dez pessoas não desenvolveram anticorpos para a doença chamada covid-19.

Os pacientes considerados no estudo foram apenas aqueles que tiveram sintomas leves da doença, uma vez que pessoas com quadros graves receberam transfusões sanguíneas e não se qualificaram para os parâmetros da pesquisa.

“Se esses pacientes estão em risco de uma recaída ou de uma nova infecção é algo que deverá ser explorado em estudos futuros”, escreveu a equipe de pesquisadores em um estudo divulgado na plataforma online de estudos preliminares Medrxiv.

A maioria das pessoas que não desenvolveram anticorpos detectáveis contra a covid-19 não eram idosos. Nove a cada dez pacientes que não tinha as defesas do organismo contra a doença após uma primeira infecção tinham 40 anos de idade ou menos. Foram avaliados indivíduos com idades entre 16 e 68 anos, agrupados, por faixa etária, em três grupos distintos.

Na maioria das pessoas avaliadas, os anticorpos surgiram de dez a 15 dias depois do início da doença. Outra descoberta desse estudo preliminar foi que os idosos recuperados apresentaram um maior número de anticorpos com potencial de neutralização do vírus do que os jovens.

A transfusão de plasma é uma técnica em teste para se tornar um tratamento oferecido a pessoas com a covid-19. No Canadá, mais de mil pessoas participam de um teste da técnica, aplicada em mais de 40 hospitais no país.



Respiração fora do corpo: a tecnologia que parece saída de filme e ajuda a salvar vidas na pandemia de coronavírus

BBC Brasil


 Direito de imagem JORDI RIERA Image caption
A respiração extracorpórea está salvando vidas durante a pandemia de covid-19

Parece um tratamento tirado de filmes de ficção científica: uma máquina aspira o sangue e o oxigena antes de devolvê-lo ao corpo quando os pulmões ou o coração falham.

Mas a oxigenação por uma membrana extracorpórea (ECMO, por sua sigla em inglês) é uma ferramenta na medicina moderna que está sendo cada vez mais usada devido à pandemia de covid-19.
"É uma opção de último recurso", disse à BBC News Mundo Jordi Riera, médico da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Universitário Vall d'Hebron, em Barcelona.

"Mas sem dúvida essa terapia será aplicada com mais frequência em pacientes com pneumonia por covid-19 do que em outras situações", acrescenta o também diretor do programa ECMO no hospital de Barcelona.

Vall d'Hebron forçou o mundo a tomar nota das surpreendentes possibilidades do procedimento em dezembro de 2019, quando o utilizou para ressuscitar uma mulher cujo coração parou de bater por mais de seis horas.

Até agora, ao menos 10 pacientes com covid-19 já foram beneficiados pela respiração extracorpórea no centro de saúde.

E, até o momento da publicação desta reportagem, o registro da Organização para o Suporte Vital Extracorpóreo (ELSO, por sua sigla em inglês) já representava 160 casos de ECMO em pacientes com covid-19 em todo o mundo.

 Direito de imagem GETTY IMAGES Image caption
O hospital Vall d´Hebron, em Barcelona, é um dos que utilizam 
o ECMO  no tratamento de pacientes com covid-19

O número real, no entanto, é claramente mais alto: o registro incorpora pouco mais de 10% dos 357 casos registrados pelo seu braço europeu, EuroElso, no dia 4 de abril e apenas 11 casos da Ásia, embora tenha sido na China onde começou a ser aplicada a pacientes infectados com o coronavírus.

"A covid-19 pode causar problemas respiratórios em alguns pacientes e a ECMO provou ser uma opção eficaz para apoiar certos pacientes com problemas respiratórios graves", reconhece o presidente da ELSO, Mark Ogino, no site oficial da organização.

A organização, que tem pelo menos 55 afiliadas na América Latina, está fazendo o possível para agilizar a troca de informações entre seus membros para lidar com a pandemia de coronavírus - embora, como explica o presidente do braço regional, Leonardo Salazar, a respiração extracorpórea pareça der um papel bastante limitado na América Latina.

"A disponibilidade de atendimento ao paciente na ECMO depende não apenas de quantas máquinas existem, mas também de quantas pessoas são treinadas para atender pacientes com essa tecnologia. E na América Latina há certamente um problema de acesso", disse ele à BBC News Mundo.

Mas qual é exatamente a capacidade no caso latino-americano? E como exatamente a respiração extracorpórea funciona?


Sangue oxigenado

A ECMO usa uma máquina equipada com uma bomba centrífuga, que se encarrega de movimentar o sangue, e um oxigenador que usa uma membrana de polimetilpenteno "para separar o sangue do gás, neste caso do oxigênio", explica Riera.

 Direito de imagem JORDI RIERA Image caption
Uma máquina de ECMO pode fornecer assistência 
respiratória e cardiorrespiratória simultaneamente

"E o que ele faz é adicionar oxigênio e tirar o CO2, remover dióxido de carbono", resume o especialista do hospital Vall d'Hebron.

Para isso, o dispositivo é conectado ao indivíduo através de dois acessos: um usado para extrair o sangue e outro, para introduzi-lo novamente no sistema circulatório após a passagem pelo oxigenador.

E, dependendo de onde estiver conectado esse segundo acesso, pode ser fornecida assistência respiratória - se conectada a uma veia - ou mesmo assistência cardiorrespiratória se inserida em uma artéria.

O procedimento, que começou com o uso principalmente em bebês e recém-nascidos, é de fato um dos favoritos de cirurgiões cardíacos.

"Na pandemia de covid-19 nós a usamos quando o pulmão não funciona", explica Riera. "É um contexto muito particular, muito claro, que é a pneumonia por covid: o paciente não oxigena e nós aplicamos a máquina nele."

Mas o intensivista esclarece que é um tratamento que tem de ser usado com parcimônia.

"É um tratamento complexo, invasivo e associado a complicações que podem ser importantes", diz ele à BBC News Mundo.

"Mas veja, estamos recebendo muitos pacientes na UTI com faixa etária entre 40 e 60 anos, e pacientes nessa faixa etária podem se beneficiar muito com a aplicação dessa terapia", destaca.


Acesso limitado

Riera, no entanto, também reconhece que, devido à complexidade da ECMO, as capacidades para aplicá-la adequadamente estão limitadas a alguns centros de excelência, inclusive na Espanha.

"Se a pergunta é quantas máquinas existem, a resposta é muitas, embora agora nesta situação de pandemia poucas sejam produzidas", diz ele.

"Mas se a pergunta é quantos centros têm capacidade de dar suporte, de treinar equipes conforme a proporção de enfermeiros e pacientes, etc., eles podem ser contados nos dedos das mãos", compara.

E Salazar insiste no mesmo ponto, enfatizando que a disponibilidade na América Latina ainda é muito menor.

"Fizemos um censo da disponibilidade de atendimento ao paciente na ECMO, considerando não apenas as máquinas, mas a existência de pessoal adequadamente treinado", explica o presidente da ELSO-Latam.

"E um valor aproximado — porque não foi possível obter uma resposta de todos os centros — é que, na América Latina, neste momento, de 160 a 170 pacientes podem ser tratados com segurança com o ECMO", disse ele à BBC Mundo.




Coronavírus e poluição do ar podem ser combinação perigosa

Ajit Niranjan (fa)
Deutsche Welle

Poluentes tornam as pessoas mais suscetíveis aos vírus, o que se manifesta sobretudo naquelas que já têm doenças cardiovasculares ou respiratórias.    


Os dois principais fatores que elevam os riscos de óbito em pacientes infectados pelo novo coronavírus são ter mais de 60 anos e ter o sistema imunológico enfraquecido.

A poluição do ar tem influência sobre esse segundo fator. "Quem mora numa área poluída tem os pulmões comprometidos da mesma forma que alguém que fuma. Isso também torna a pessoa mais suscetível ao coronavírus", adverte o epidemiologista Kofi Amegah, especialista em poluição atmosférica da Universidade de Cape Coast, em Gana.

A poluição do ar, que provoca mais de 7 milhões de mortes por ano, pode tornar a covid-19 mais mortal por piorar doenças crônicas que deixam os pacientes fracos diante de uma infecção por Sars-Cov-2. A Aliança Europeia de Saúde Pública afirmou que a poluição do ar provavelmente reduz as chances de sobrevivência de uma pessoa infectada.

Pesquisas sobre surtos anteriores sugerem que o ar poluído torna os vírus mais perigosos e faz com que eles se espalhem mais. Um estudo realizado com as vítimas do Sars-Cov-1, o coronavírus que causou um surto em 2003, revelou que os pacientes tinham duas vezes mais riscos de morrer em regiões onde os níveis de poluição do ar eram mais altos. Mesmo em regiões com poluição moderada, o risco ainda era 84% maior.

Se existir uma dinâmica semelhante para a covid-19, isso poderá aumentar a pressão em UTIs de hospitais de grandes cidades em todo o mundo. Também poderia significar mais riscos para as populações mais pobres, que muitas vezes queimam madeira, esterco, querosene ou carvão em ambientes fechados para cozinhar e aquecer suas casas.


Máscaras podem proteger contra a poluição do ar e evitar 
a proliferação de gotículas portadoras do vírus

Inimigo silencioso

Na cidade chinesa de Wuhan e no norte da Itália, locais com altos níveis de poluição e infecção pelo novo coronavírus, dados preliminares sugerem que o chamado material particulado pode ter influenciado na sobrecarga dos sistemas de saúde.

As partículas inaláveis finas (MP2,5), ou seja, aquelas cujo diâmetro aerodinâmico é menor ou igual a 2,5 µm – mais fino que a espessura de um fio de cabelo – podem penetrar profundamente no sistema respiratório e atingir os alvéolos pulmonares, aumentando o risco de uma pessoa desenvolver doenças cardíacas e respiratórias.

A taxa de mortalidade por covid-19 na China foi nove vezes maior para pessoas com doenças cardiovasculares e seis vezes maior para pacientes com diabete, hipertensão e doenças respiratórias do que para pessoas sem problemas de saúde, afirma um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) feito em parceria com a China no mês de fevereiro.

Na Itália, as autoridades de saúde relataram em março que 99% de uma amostra de pacientes que faleceram por covid-19 apresentava uma doença pré-existente, e quase metade das vítimas sofria de três ou mais doenças. Porém, o relatório não apresenta rigor estatístico sobre a população. Entre as doenças mais comuns estavam pressão alta, doenças cardíacas e diabete.

A Organização Mundial da Saúde afirma que a pandemia ainda é muito recente para que se possa estabelecer uma ligação entre a poluição do ar e a mortalidade por Sars-Cov-2, mas isso não deve impedir os países de agir.

"Haja ou não essa correlação entre a covid-19 e o ar poluído, precisamos reduzir a poluição do ar", diz Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde Pública, Meio Ambiente e Determinantes Sociais da Saúde da OMS. "Parar de fumar e reduzir os níveis de poluição do ar são recomendações que podemos dar, mesmo sem termos mais evidências da relação entre eles e o novo coronavírus".


Coronavírus transformou Veneza, 
e outras localidades, em cidades fantasma

Juntamente com a destruição da camada de ozônio, as partículas finas MP2,5 diminuem a expectativa de vida em quase três anos, segundo um estudo publicado mês passado pela revista Cardiovascular Research, da Universidade de Oxford. No mundo, o número de óbitos devido à poluição do ar é dez vezes maior do que a de todas as formas de violência juntas.

Além disso, cerca de nove em cada dez mortes prematuras causadas pela poluição do ar – incluindo gases tóxicos, como dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre – atingem populações de países emergentes ou subemergentes. Mesmo em cidades ricas da Europa e da América do Norte, minorias e populações marginalizadas tendem a respirar um ar mais poluído.

Na África Subsaariana, as mulheres são as mais expostas a poluentes em ambientes fechados. "O sistema pulmonar dessas mulheres está comprometido", afirma Amegah, e acrescenta que, se a covid-19 se espalhar pela região, elas estarão muito vulneráveis. "Nós oramos e mantemos os dedos cruzados para não ver os níveis de infecção que estamos vendo em outros países."

Propagação da doença

Além de enfraquecer o sistema imunológico, os poluentes transportados pelo ar poderiam até mesmo atuar como portadores do novo coronavírus, permitindo que ele sobreviva ligado às partículas poluentes, sugere uma equipe de pesquisadores italianos.

Altas concentrações de material particulado em algumas regiões do norte da Itália poderiam ter "impulsionado" a propagação da pandemia, de acordo com a Sociedade Italiana de Medicina Ambiental num documento publicado e ainda não revisado (preprint).

Mas outros cientistas levantam dúvidas sobre isso, apontando que o ser humano é o principal vetor de transmissão e que não há casos relatados de disseminação do novo coronavírus pelo ar.

"É bom reduzir a poluição do ar para melhorar a saúde, ou para ajudar a diminuir o risco de que doenças pré-existentes, como a asma, sejam agravadas, mas não vejo a poluição do ar como uma parte importante da discussão sobre a contenção do vírus", afirma o cientista Jos Lelieveld, diretor do Instituto Max Planck de Química em Mainz, na Alemanha, e autor de um estudo sobre mortes devido à poluição do ar.

Além disso, à medida que os casos de covid-19 aumentam exponencialmente em todo o mundo, as ações de isolamento para impedir a disseminação do vírus reduzem os níveis de poluição nas cidades. Os bloqueios e as medidas de isolamento fecharam fábricas e diminuíram o tráfego aéreo e nas estradas – o que levou a uma diminuição no uso de combustíveis fósseis.



Imagens de satélite mostram redução drástica 
nos níveis de dióxido de nitrogênio na China

Imagens de satélite da China e da Itália mostram quedas drásticas na concentração de dióxido de nitrogênio – um gás tóxico que inflama as vias aéreas – à medida que fábricas foram sendo fechadas e o tráfego de automóveis diminuiu drasticamente.

A redução dos níveis de poluição do ar na China pode ter salvado mais vidas do que seriam perdidas com a covid-19, sugere um estudo ainda não revisado, embora essa comparação não leve em consideração as vidas que teriam sido perdidas caso o novo coronavírus tivesse se espalhado sem controle pelo país.

A diminuição dos níveis de poluição atmosférica vista do espaço não pode ser atribuída apenas aos bloqueios e medidas de isolamento. A poluição do ar é mais alta nos meses mais frios porque as pessoas usam mais os aquecedores e se locomovem de carro com mais frequência, por isso ela tende a cair com o aumento das temperaturas, nesta época do ano, explica Christian Retscher, da Agência Espacial Europeia.

"Certamente vemos um efeito da pandemia na queda dos níveis de dióxido de nitrogênio. É um efeito adicional, pois não sabemos os números exatos", comenta. Embora as medidas de isolamento tenham ajudado a melhorar a qualidade do ar, não se sabe por quanto tempo os níveis de poluição vão se manter baixos.

"Quando a crise passar, e vemos isso na China, há uma tendência de compensar as semanas e os meses perdidos", diz Zoltan Massay-Kosubek, especialista em políticas de qualidade do ar e transporte sustentável da Aliança Europeia de Saúde Pública.

No entanto, tudo isso prova que é possível reduzir a poluição do ar pode ser reduzida, o que salva vidas, afirma Maria Neira, da OMS. "Agora precisamos manter isso - não o confinamento, mas a redução dos níveis de poluição do ar."

Acordo entre Opep e aliados evidencia horizonte crítico do setor no Brasil

Juliana Estigarribia
Exame.com

Os efeitos da crise na indústria petrolífera global devem incidir não só em empresas como a Petrobras, mas nos planos de arrecadação do governo brasileiro

(Maxim Shemetov/Reuters)
Mercado global deve ser duramente afetado 

O acordo de cortes de produção entre membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados, como Rússia e México, acertado na tarde deste domingo, 12, evidencia um problema que a indústria global não pode mais adiar: a perda de poder do setor e os efeitos negativos nas economias dos países produtores. No Brasil, os impactos não se limitam às empresas e devem incidir, inclusive, nos planos de arrecadação do governo.

Em mais uma reunião (virtual) encabeçada por Arábia Saudita, Rússia e Estados Unidos, grandes produtores de petróleo decidiram reduzir a oferta global em cerca de 10 milhões de barris por dia (bpd) de 1º de maio a 30 de junho.

Posteriormente, o corte será de 8 milhões de bpd até o final de 2020 e, de 6 milhões, até abril de 2022, em “um passo significativo para deter a velocidade com que a indústria global de petróleo caminhava para o colapso total”, disse o cartel em nota.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, participou da reunião. Segundo comunicado da pasta, ele afirmou aos outros ministros de energia que, por questões legais, “o governo brasileiro não tem influência sobre o mercado”, sendo apenas responsável pelas políticas públicas do setor.

Ele reiterou durante a conversa que a Petrobras já havia anunciado um corte de produção de 200 mil bpd, o equivalente a 20% das exportações da commodity no país.

O problema é que a decisão apenas evidencia inúmeros desafios que o setor vem tentando superar. Há alguns anos, a indústria petrolífera vem registrando aumento substancial da sua capacidade de produção, puxado sobretudo pelo avanço do shale gas nos Estados Unidos e outros tipos de extração não-convencional – o que inclui o pré-sal do Brasil e as areias betuminosas do Canadá.

O crescimento da demanda, porém, não acompanhou a velocidade de incremento da oferta.

Com o novo coronavírus, a situação do setor piorou ainda mais. Em nenhum momento da história da indústria petrolífera, houve choque de oferta e de demanda ao mesmo tempo.

Segundo projeções da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), em 2020 o consumo de petróleo deve cair pela primeira vez em mais de dez anos.

“O acordo da Opep e aliados não é suficiente para impedir uma crise no setor, mas é importante para preservar o caixa das empresas e garantir o futuro da indústria”, afirma Juarez Fontana, analista da Argusplat Consultoria especializada na área.

Para o especialista, ainda é difícil estimar a magnitude da queda do consumo neste ano, o que deve impactar toda a atividade petrolífera. “Os investimentos em óleo e gás vão ficar muito mais seletivos daqui para frente.”

Ele lembra que os últimos grandes leilões de petróleo no Brasil, em novembro do ano passado, despertaram somente o interesse da Petrobras e de duas petroleiras chinesas, um sinal de que os investidores já andavam mais seletivos.

“Ninguém sabe como a economia mundial vai se comportar no período pós-pandemia. As cifras destinadas à indústria do petróleo devem ser revisadas permanentemente”, avalia.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou, em março, a suspensão temporária da 17ª Rodada de Licitações de áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural  (no regime de concessão), em mais um desdobramento da crise do coronavírus.

“A maior parte dos investimentos em petróleo ficará suspensa, por enquanto, para que as empresas possam sobreviver a esse período”, afirma Jan-Jacob Verschoor, diretor da Oil Analytics Consultoria, de Londres.

Em um horizonte de queda dos preços do petróleo, a arrecadação de royalties despenca, os municípios e estados produtores enfrentam perda de receita, a cadeia de fornecedores sofre fortemente e os ativos do setor também tendem a se desvalorizar.

“O governo brasileiro terá que reprogramar os leilões, sob o risco de vender ativos a preços muito baixos”, diz Fontana.

Desinvestimentos

O mesmo vale para a Petrobras, que pretendia vender 8 refinarias a partir deste ano para levantar de 10 bilhões a 15 bilhões de dólares. Em teleconferência com analistas, Roberto Castello Branco, presidente da estatal, disse no final de março que a companhia não vai vender ativos “a qualquer preço”.

Embora a afirmação faça sentido, a petroleira tem como meta reduzir o endividamento e pagar investimentos recentes – como áreas no excedente da cessão onerosa – para garantir a produção no pré-sal no médio e longo prazo. Neste contexto, não ficou claro como a companhia deve tocar seus projetos daqui para frente.

“Ninguém vende ativos em época de baixa, não seria inteligente. No setor de petróleo, todos os processos de desinvestimentos terão que ser revistos, até a venda de refinarias”, avalia Fontana. “Faz mais de um século que a indústria petrolífera global não se vê diante de uma crise como essa.”

Procurada, a Petrobras informou que não vai comentar o assunto.

Economia global deve ter pior depressão desde os anos 30, diz FMI

Da redação, Exame.com
Com informações Agência Reuters

Novo coronavírus deve derrubar a economia mundial em 3% em 2020, segundo projeção do Fundo Monetário Internacional

(Bloomberg / Colaborador/Getty Images)
Recessão: As previsões do FMI assumem que os surtos do novo coronavírus
 atingirão o pico na maioria dos países durante o segundo trimestre 

A economia global deve encolher 3,0% em 2020, em um impressionante colapso da atividade impulsionado pelo novo coronavírus que marcará a pior recessão desde a Grande Depressão da década de 1930, informou o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta terça-feira.

O FMI, em seu relatório Perspectiva Econômica Global, previu uma recuperação parcial em 2021, com a economia mundial crescendo a uma taxa de 5,8%, mas disse que suas previsões foram marcadas por “extrema incerteza” e que os resultados podem ser muito piores, dependendo da situação da pandemia.

“Essa recuperação em 2021 é apenas parcial, já que o nível de atividade econômica deve permanecer abaixo do nível que projetamos para 2021, antes do impacto do vírus”, disse a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, em comunicado.

Sob o melhor cenário do Fundo, o mundo provavelmente perderá uma produção acumulada de 9 trilhões de dólares em dois anos – maior que o PIB combinado da Alemanha e do Japão, acrescentou.

As previsões do FMI assumem que os surtos do novo coronavírus atingirão o pico na maioria dos países durante o segundo trimestre e desaparecerão na segunda metade do ano, com o fechamento de negócios e outras medidas de contenção gradualmente retiradas.

Uma pandemia mais longa com duração até o terceiro trimestre pode causar uma contração adicional de 3% em 2020 e uma recuperação mais lenta em 2021, devido aos efeitos “assustadores” das falências e ao prolongado desemprego.

Um segundo surto em 2021 que force mais paralisações pode causar uma redução de 5 a 8 pontos percentuais na linha de base do Produto Interno Bruto global previsto para o próximo ano, mantendo o mundo em recessão pelo segundo ano consecutivo.

“É muito provável que este ano a economia global sofra sua pior recessão desde a Grande Depressão, superando a observada durante a crise financeira global há uma década”, disse o FMI em seu relatório. “O Grande Bloqueio, como se pode chamar, é projetado para diminuir drasticamente o crescimento global.”


Economias avançadas

A economia global contraiu 0,7% em 2009 – anteriormente a pior desaceleração desde a década de 1930 – segundo dados do FMI. Em janeiro, antes que a extensão do surto do novo coronavírus dentro e fora da China fosse conhecida, o FMI previu que a economia global cresceria 3,3% em 2020, à medida que as tensões comerciais EUA-China estavam começando a diminuir, com crescimento de 3,4% em 2021.

As economias avançadas que agora sofrem os piores surtos do vírus sofrerão o impacto da queda da atividade. A economia dos Estados Unidos contrairá 5,9% em 2020, com uma recuperação de 4,7% em 2021, no melhor cenário do FMI.

As economias da zona do euro contrairão 7,5% em 2020, com a Itália vendo seu PIB cair 9,1%, e contrações de 8,0% na Espanha, 7,0% na Alemanha e 7,2% na França, informou o Fundo. Antes a previsão das economias da área do euro como um todo correspondia ao crescimento previsto para os EUA, de 4,7% em 2021.

A China, onde o surto do novo coronavírus atingiu o pico no primeiro trimestre e as atividades comerciais estão sendo retomadas com a ajuda de grandes estímulos fiscais e monetários, manterá um crescimento positivo de 1,2% em 2020, uma redução de 6% nas previsões de janeiro do FMI. A economia da China deve crescer 9,2% em 2021, disse o FMI.

O crescimento do ano fiscal da Índia em 2020 também deverá permanecer em território positivo, mas as economias da América Latina, que ainda estão enfrentando crescentes surtos de coronavírus, sofrerão uma contração de 5,2%.

O FMI pediu que as linhas de swap de liquidez de bancos centrais fossem estendidas para países de mercados emergentes, que enfrentam um duplo problema de atividade bloqueada e condições financeiras mais severas causadas por uma saída maciça de fundos para ativos seguros, como o Treasury dos EUA.

Brasil

Segundo o FMI, a economia do Brasil deve contrair 5,3% este ano, em linha com a retração esperada para a América Latina, uma vez que a pandemia de coronavírus pressiona a atividade global.

A perspectiva de contração de 5,3% para o Brasil representa uma forte revisão contra apenas alguns meses antes –em janeiro, a projeção era de crescimento de 2,2% em 2020.

Distanciamento social para conter novo coronavírus pode ser necessário até 2022, diz estudo de Harvard

Portal G1

Medidas podem ser aplicadas de maneira intermitente, de acordo com taxa de contágio da Covid-19. Pela projeção, as autoridades de saúde devem monitorar a transmissão do vírus até 2024.

Foto: IOC/Fiocruz
Imagem de microscopia mostra o Sars-Cov-2, o novo coronavírus, 
infectando uma célula: à esquerda, imagem circular mais clara mostra 
uma célula repleta de vírus, que se multiplica no seu interior. — 

Estudo publicado na revista "Science" nesta terça-feira (14) por cinco cientistas da Universidade Harvard (Estados Unidos) mostra que medidas de isolamento social para conter a pandemia do novo coronavírus podem ser necessárias até 2022 — caso não haja vacina ou tratamento capazes de conter a Covid-19

Além disso, mesmo se houver uma eliminação aparente da doença, autoridades terão de monitorar o novo coronavírus até 2024, indicam os cenários apontados pelos pesquisadores.

Uma criança olha para a rua da janela de sua prédio em Harare, no Zimbábue, em 30 de março. O país está em isolamento por 21 dias em um esforço para conter a propagação do coronavírus — Foto: Tsvangirayi Mukwazhi/AP

O artigo ressalta que um distanciamento social adotado de forma intermitente enquanto o coronavírus circular "poderia prevenir que a capacidade das UTIs sejam excedidas". Com a capacidade atual, a pandemia de Covid-19 pode durar até 2022 desde que essas medidas de afastamento sejam adotadas para evitar uma sobrecarga no sistema de saúde.

"Pelo histórico da infecção, há uma janela de aproximadamente três semanas entre o início do distanciamento social e o pico da demanda por cuidados intensivos de saúde", diz o artigo.

Assim, os cientistas de Harvard afirmam que há duas possibilidades para reduzir a duração da pandemia e das medidas de distanciamento social:


Quais as possibilidades de imunidade?


Foto: NIAID-RML/AP
Imagem de microscópico mostra o novo coronavírus,
 responsável pela doença chamada Covid-19 — 

Os pouco mais de três meses desde o início do espalhamento da doença ainda são insuficientes para concluir se a infecção pelo novo coronavírus confere imunidade permanente ou não à Covid-19.

Se a imunidade for permanente, diz o estudo de Harvard, o vírus pode desaparecer após cinco ou mais anos depois de causar uma epidemia de grande porte. Se não for, é provável que o novo coronavírus entre em circulação regular com surtos de tempos em tempos, como ocorre com alguns causadores da gripe.

Há, ainda, a possibilidade de a infecção por outros tipos de coronavírus conferir algum grau de imunidade cruzada para a Covid-19. Nesse caso, o contágio do Sars-CoV-2 poderia sumir por até três anos até ressurgir em 2024 — isso se o novo coronavírus não desaparecer até lá.
Como o estudo foi feito?

Foto: Reprodução/TV Globo 
Imagens do laboratório da Fiocruz onde acontecem pesquisas sobre coronavírus —

Os cientistas de Harvard analisaram dados do espalhamento de outros tipos de coronavírus que circulam pelos Estados Unidos há anos e causam apenas resfriados comuns. O grupo estudou as características de imunidade e sazonalidade desses vírus — isto é, quando, durante o ano, há maior contágio.

Os cientistas assumem que o novo coronavírus (Sars-CoV-2) pode circular em qualquer momento no ano. Porém, pelos cenários observados pelo grupo, o contágio pode ter picos mais ou menos agudos a depender da estação e das características locais.



Mundo tem mais de dois milhões de infectados com coronavírus

Redação, 
O Estado de S.Paulo

Segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, em todo o mundo 128.071 pessoas morreram em decorrência da covid-19


WASHINGTON - Mais de 2 milhões de pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus em todo o mundo e 128.071 morreram, segundo atualização do levantamento da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira, 15. Consta no site da instituição que foram registrados 2.000.984 casos confirmados da covid-19.

No entanto, esse número apenas revela uma parte do total de contágios, uma vez que as políticas de detecção variam entre os países, alguns contando apenas os pacientes que precisam ser hospitalizados.

Os países mais afetados pela covid-19 segundo a Johns Hopkins são os Estados Unidos, com 609.516 casos confirmados e 24.429 mortes, seguido pela Espanha, com 177.060 casos confirmados e 18.579 mortes, e Itália, com 162.516 casos confirmados e 21.067 mortes.

França (131.875 casos confirmados e 15.729 mortes), Alemanha (132.072 casos confirmados e 3.502 mortes) e Reino Unido (94.570 casos confirmados e 12.107 mortes), vem em seguida.

Nas últimas 24 horas, o maior número de mortes causadas em decorrência do novo coronavírus ocorreu nos EUA, com 2.228 novas mortes; Reino Unido, com 717; seguido da França, com 574.

A primeira morte por Covid-19 nos Estados Unidos ocorreu no final de fevereiro. Desde então, esta cifra aumentou para 23.529, e o país registrou 682.619 contágios, com 43.482 pessoas recuperadas. Já no âmbito global, o estudo da instituição americana informa que, até o momento, 488.655 pessoas se recuperaram da Covid-19.

A Coreia do Sul, vista como exemplo no combate ao coronavírus, relatou nesta segunda-feira que ao menos 116 pessoas inicialmente recuperadas voltaram a se infectar. O país só comunicou 25 casos novos, mas o aumento de pacientes "reativados" foi interpretado como motivo de preocupação.


Autoridades ainda estão investigando a causa das recaídas aparentes, mas Jeong Eun-kyeong, diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia (KCDC), disse que o vírus pode ter sido reativado, ao invés de os pacientes terem sido reinfectados.

A China, onde a epidemia surgiu no final de dezembro, tem até o momento um total de 82.160 pessoas contagiadas, das quais 3.341 morreram e 77.663 se curaram totalmente. Nas últimas 24 horas, foram registrados 108 novos casos e 2 mortes.

Países devem atender a seis critérios para suspender isolamento, diz OMS


A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta segunda-feira seis critérios que os governos devem levar em consideração ao avaliar a suspensão de medidas de isolamento social adotadas para combater a pandemia do novo coronavírus.

Antes de decidir pela suspensão, segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, os países têm que, em primeiro lugar, assegurar que a transmissão da covid-19 está controlada. Além disso, o sistema de saúde nacional deve ser capaz de detectar, testar, isolar e tratar todos os casos, e rastrear todos os contatos dos infectados.

Os governos também devem agir para minimizar o risco de surto em instalações de saúde e casas de repouso. Medidas de prevenção devem ser adotadas em locais de trabalho, escolas e outros locais considerados essenciais.

Outro critério recomendado pela OMS é que haja um plano para evitar a importação de casos do exterior. Por fim, a entidade também sugere que a sociedade do país em questão esteja completamente educada e engajada para se adequar às novas normas. Um estudo completo com todas as orientações será publicado nesta terça-feira, segundo Tedros.

"Decisões sobre suspender e impor restrições devem ter como base a proteção da saúde humana e serem guiadas pelo que sabemos até agora sobre o vírus", disse ele.  "Isso significa que as medidas de restrição devem ser suspensas lentamente e com controle. Não podem acontecer de uma vez só."

Na Nova Zelândia, políticos reduzem seus salários em 20% por covid-19. QUE INVEJA!!!!

Tamires Vitorio
Exame.com

Primeira-ministra também terá salário reduzido por seis meses; segundo ela, decisão não vai impactar nas políticas fiscais do governo

(Hagen Hopkins / Correspondente/Getty Images)
Jacinda Ardern: primeira-ministra reduzirá próprio salário por seis meses 

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, afirmou nesta quarta-feira (15), que irá reduzir o seu próprio salário e de outros membros do governo em 20% nos próximos seis meses por causa da pandemia do coronavírus.

“Reconhecemos que os neozelandeses que dependem dos salários estão tendo os pagamentos reduzidos e perdendo seus empregos como resultado da pandemia de global de covid-19. Hoje, eu confirmo que eu, os ministros do governo e os chefes do setor público vamos reduzir nossos salários em 20% nos próximos seis meses”, afirmou ela nesta manhã em uma conferência.

O país tem 1.386 casos e 9 mortes, segundo o monitoramento em tempo real da universidade norte-americana Johns Hopkins. O governo decretou confinamento obrigatório e estado de emergência no dia 25 de março e deve decidir se a regra será mantida na próxima semana.

Segundo Ardern, a decisão não vai impactar nas políticas fiscais do governo e foi tomada para “mostrar a liderança do gabinete”
.
No fim de março, o presidente e os ministros do Uruguai também reduziram seus salários.


******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

No Brasil,  se deixarem, nossos políticos, canalhas de primeira grandeza, são capazes de inventar novas formas de auferirem ganhos maiores. |Para assaltarem os cofres públicos, nossos políticos são muito criativos. Até demais. 

Não é a toa nosso atraso, nossa desigualdade social, nossos serviços públicos indecentes, nossa educação medieval, nossa corrupção, apesar da Lava Jato, doentia ao extremo, e tudo isto comandado por elite estatal corrupta e apodrecida em todos os sentidos, principalmente no plano moral. 

No Brasil adoramos copiar o que há de pior no mundo. Exemplos como a da Nova Zelândia é desconsiderado e descartado. 

Áustria, Dinamarca, Polônia: Europa começa a afrouxar isolamento

Gabriela Ruic
Exame.com

No velho continente, o número de casos confirmados de covid-19 está próximo de um milhão, enquanto que as mortes devem chegar a 80.000

(Mikkel Berg Pedersen/Ritzau Scanpix/Reuters)
Dinamarca: aulas retomadas nesta quarta-feira 

O pior da pandemia está de fato passando na Europa? No início de março, a OMS chegou a declarar a região como “epicentro” do mundo. No velho continente, o número de casos confirmados de covid-19 está próximo de um milhão, enquanto que as mortes devem chegar a 80.000. Mas o pico parece ter ficado para trás em muitos dos países afetados. Como resultado, nesta semana, alguns já ensaiam uma retomada à normalidade. Entre eles, Dinamarca, Áustria, República Tcheca e Polônia.

Hoje é a vez da Dinamarca deixar para trás a rigidez das medidas de isolamento social. O país foi um dos primeiros a adotar medidas para obrigar o isolamento total da população. No país, que tem pouco mais de 6.000 casos confirmados e 285 mortes, escolas e creches reabrem a partir desta quarta-feira. A expectativa do governo é a de uma reabertura gradual, uma vez que o número de hospitalizações em razão da covid-19 vem caindo.

A Áustria começou a relaxar as restrições ao comércio na terça-feira. No país há 14.000 casos confirmados e 368 mortes, mas o ritmo de novos casos vem caindo consistentemente.

Se no início da epidemia entre suas fronteiras, o país imediatamente fechou escolas, bares e teatros, agora estabelecimentos comerciais de pequeno porte poderão voltar a funcionar. A partir do dia 1º de maio, a expectativa é a de que shoppings centers e grandes lojas abram suas portas.

Embora as medidas de relaxamento possam sinalizar que a situação esteja mais controlada, especialistas alertam para uma possível nova aceleração da covid-19 se as medidas de isolamento e distanciamento forem completamente relaxadas.

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a desaceleração dos novos casos na Europa é boa notícia, mas os países precisam dosar suas reaberturas. Caso contrário, há o risco de um “ressurgimento moral” do novo coronavírus. O momento exige calma.


****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Estes países podem começar a usufruir o retorno à sua vida normal, mesmo que lentamente, uma vez que, ao contrário do Brasil, seus governantes não desafiaram nem confrontaram as autoridades de saúde de seus países e seguiram a risca as recomendações da Organização Mundial da Saúde que, entre outras coisas, recomendou o isolamento social como forma de evitar a contaminação de sua população. 

No Brasil, de forma irresponsável e criminosa, o nosso presidente não apenas se considera mas médico e cientista do que os que estudaram e se formaram nestas áreas, como ainda alimenta uma corrente de ódio  que tenta a qualquer custo denegrir a imagem do Ministro da Saúde como forma de forçar sua demissão. Somos o único país em que seu presidente alimenta e incentiva carreatas em favor da pandemia. Lastimável!!!!  

Essa irresponsabilidade e molecagem presidencial ainda vai nos custar muito caro.