Adelson Elias Vasconcellos
Ao sair de cena, infelizmente, Joelmir Betting não nos deixou sucessor. Seu estilo era próprio, difícil de imitar, impossível de ser igualado. Num tempo em que a economia brasileira andava de cabeça para baixo, em que ministros Fazenda mais pareciam feiticeiros do que economistas, coube a Joelmir, num linguagem simples, traduzir para o brasileiro médio, leigo em economia, as agruras do seu dia a dia hiperinflacionário, das mandingas enroladas em pacotes de bruxaria, que sempre acabavam tornando pior aquilo que pretendiam melhorar.
Conciso e preciso, jamais se valeu da linguagem vulgar ou rebuscada, para identificar o certo do errado. Fará falta, sem dúvida.
E, neste Brasil que parece ter perdido o rumo e o prumo, em que escândalos vão se sucedendo a tal ponto que mal se noticia um, e logo emerge outro quentinho do forno petista de governo bagunçado, lembro da máxima do Joelmir durante o julgamento do mensalão.
“O PT nasceu como um partido de presos políticos. Vai virar um partido de políticos presos.”
Colecionado pibinhos.
Hoje saiu o PIB do terceiro trimestre de 2012. Aliás, PIB é quase força de expressão, porque na verdade é um pibinho, e sem que tenha se completado 48 horas da previsão do ministro Mantega de que ele se situaria entre 1,0% a 1,4%. Sem dúvida, em matéria de previsão, a bola de cristal do ministro há tempos que anda descalibrada.
Foram bilhões de reais jogados na economia, em forma de incentivos variados, para ver se a coisa anda. E? NADA? Nada de fazer com este trem saia do lugar e adquira velocidade. Continua lento admirando a paisagem.
Assim, antes que a maionese desande de vez, vamos aguardar novos pacotes, pacotinhos e medidas divertidas, vindas lá do Planalto em nome do crescimento. Pena que o governo continue ignorando o essencial.
Porco espinho
Se a divulgação do PIB pretendia abafar um pouco o noticiário sobre as relações perigosas reveladas pela Operação Condor, vá é tornar a avaliação , tanto do ponto de vista administrativo, quanto econômico, o país segue ladeira abaixo. O esquema revela que, abaixo dos ministros, escavou-se um túnel imenso de promiscuidade. Claro que Lula não sabia de nada, Dilma não sabia, sequer o ministro da Justiça sequer sabia do desenrolar da operação da Polícia Federal de quem ele próprio é o chefe maior.
Chegando de seu periclito do exterior, e ao ser informado da operação, Lula, prá não variar, se disse mais uma vez apunhalado pelas costas. Sei não, com tantas apunhaladas nas costas, Lula acaba se tornando porco espinho...
Mas ele alegar que não sabia de nada, convenhamos, nem chega ser novidade. Já entrou para o anedotário nacional, não é mesmo?
Operação abafa.
Sabem aquela turminha do gargarejo, a claque devidamente ensaiada para defender o governo petista, independente dos crimes que cometa, e que se localiza tanto na classe política quanto na mídia devidamente amestrada? Pois, então: já ensaiam discursos dispersivos ora para diminuir a relevância do caso, ora até para sepultarem as garras do mensalão, ora até para empurrar para os tais “inimigos” ocultos as culpas pela desgraça petista.
Nesta semana, foi Elio Gaspari quem se saiu com a pérola de que a Operação Porto Seguro supera o escândalo do mensalão. Nada a ver senhor Gaspari. Aqui o que se tem são funcionários chinfrins que, valendo-se de seus cargos e da proximidade com o poder, praticaram tráfico de influência e corrupção ativa e passiva apenas para seu proveito pessoal, ou, locupletarem-se às custas d estrutura do Estado. No mensalão, os crimes foram cometidos por gente do próprio governo, ou seja, gente do Executivo Federal, com um propósito específico de sepultar a independência de um outro poder da República, o Legislativo, e em nome de um projeto de poder visando vilipendiar a democracia brasileira. Não há comparação entre um crime e outro.
De outro lado, o que se ouve de alguns “jornalistas”, é que a dona Rosemary fez o que fez apenas para receber alguns mimos, coisinha miúda e sem importância. Até parece...
Já pelo lado dos políticos amestrados, a máxima vem de ninguém menos do que o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), ex-delegado da Polícia Federal, ao afirmar com a cara de pau que Papai do Céu lhe deu, que “tudo indica que a operação Porto Seguro foi uma encomenda”. “Tem alvo certo: o Lula, a Dilma e o Zé Dirceu”, alega.
Beleza, vai na mesma direção cretina da turma do mensalão, a de que foram submetidos a julgamento político, esquecendo-se que, oito dos 11 ministros do STF, foram indicados por Lula e Dilma...
Ao Protógenes, às vezes, falta o senso do ridículo... A que ministério a Polícia Federal acha-se subordinada, deputado? O da Justiça, certo? E quem o comanda, seria alguém da oposição, ou da imprensa golpista, ou da direita reacionária, ou seria por algum aliado insatisfeito com alguma boca rica que lhe tenha sido negada? Não, senhor Protógenes, é nada menos do que um petista de alto coturno. Portanto, que o deputado caia em si e, na falta de coisa mais útil a fazer, que nos poupe de suas tolices!
E pelo Congresso a operação abafa segue a pleno vapor: CPI nem pensar, e convocação dos envolvidos, simplesmente, nem se fala nem se toca neste assunto.
Que o leitor volte no tempo e tente se recordar do comportamento dos petistas lá no início do escândalo do Cachoeira, aquela agitação toda pela instalação da CPI, as divulgações a conta gotas das gravações interceptadas pela Polícia Federal, aquele corre-corre maluco para indiciar a imprensa, os jornalistas independentes, os políticos da oposição etc. ... Não por outra razão é que se diz: pimenta no fuleco alheio tem outro gosto!
E, senhores da imprensa, façam um favor à população brasileira: adotem a linguagem simples, precisa e sem firulas do jornalista Joelmir Betting e vamos parar com esta história de se qualificar os crimes cometidos pelo governo petista como ”mal feitos”. Não tem nada a ver. Chamem por crime aquilo que crime sempre foi, não importando o partido que o tenha cometido!



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