sexta-feira, dezembro 10, 2010

Não dá para sustentar

Celso Ming, Estadão.com

Até mesmo o ministro Guido Mantega está vacilando entre a louvação e a advertência. Um crescimento econômico de mais de 8% em 2010, como está pintando, não é um fato a ser comemorado irrestritamente porque é também fonte de problemas.

Para começar, a esse ritmo, este não é um crescimento sustentável. A contrapartida desse passo maior do que as pernas é o ressurgimento da inflação e perda da previsibilidade.



Nem mesmo a desaceleração para alguma coisa em torno dos 5% nos próximos anos, que é a velocidade com que o governo pretende conduzir a economia em 2011, é algo com que se pode contar. Para crescer não a 8% ao ano como agora, mas apenas a 5%, como o pretendido, seria preciso investimentos da ordem de 25% a 26% do PIB. E, no entanto, neste ano, vamos tendo uma Formação Bruta de Capital Fixo (o termo que os economistas dão ao investimento nacional) de apenas 19,4% do PIB, embora este seja um número recorde. No ano passado, por exemplo, os investimentos totais não passaram de 17,9% do PIB.

Não basta que os investimentos cresçam mais do que o consumo, como tentou sofismar Mantega. Têm de crescer muito, muito mais do que o consumo para assegurar o ritmo desejado.

Em segundo lugar, os números exuberantes do PIB divulgados nesta quinta-feira, “o maior crescimento mundial depois do da China”, como chegou a gabar-se o ministro Mantega, não foram obtidos apenas com um forte avanço do crédito (de 20,3%, em 12 meses). Foram obtidos principalmente com a aplicação de uma boa dose de anabolizantes. As despesas públicas cresceram neste último ano cerca de 15,7%, portanto acima da arrecadação (que evoluiu a 10,9%), e criaram renda artificial, que, por sua vez, alimentou consumo e produção que não terão condições de se manter no mesmo nível. E é essa a razão pela qual o governo Dilma já anunciou que terá de apertar os cintos e de dar prioridade ao ajuste das contas públicas.

Mais que tudo, o arranjo montado em 2010, que trouxe esse salto espantoso do PIB em tempos de forte crise mundial, atraiu de volta a inflação, deformação que não se pode tolerar, como o presidente Lula avisou.

Uma observação final. Nas duas últimas semanas, intensificaram-se as críticas à política monetária, que produz “juros escorchantes”, e à política cambial, “que tira competitividade da empresa brasileira e produz desindustrialização”, ambas de responsabilidade do Banco Central. Pois nem esses altos juros estão impedindo que a economia cresça a mais de 8% ao ano. E nem a forte valorização do real vêm impedindo que as exportações avancem a 10,8%, como indicaram as Contas Nacionais nesta quinta-feira. E tudo isso num ambiente de desemprego de apenas 6,1%, o mais baixo da série histórica do IBGE.

Em todo o caso, no exterior ninguém vai notar que esse crescimento não poderá ser repetido. O desempenho da economia brasileira será comemorado porque, junto com o dos outros países emergentes, constitui no momento um dos poucos segmentos da economia global que continuam gerando demanda. As importações estão avançando a 39,8% ao ano e isso apresenta o Brasil para o mundo como um polo dinâmico.

CONFIRA

Austeridade de menos. Desta vez, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, foi no ponto. “O descontrole dos gastos públicos deixa manco o tripé de políticas econômicas, composto também pelo sistema de metas de inflação e câmbio flutuante. Tal descompasso gera uma arquitetura econômica perniciosa de juros elevados e câmbio sobrevalorizado”, disse quarta-feira, logo depois que terminou a reunião do Copom.

Discurso mudado. É um ponto de vista diferente do externado em outras ocasiões, quando Skaf preferia dizer que o Banco Central estava errado ou que assumia uma atitude covarde demais na definição da política monetária.

É a gastança. Agora, o presidente da Fiesp reconhece que o problema é fiscal. É o governo gastando demais e deixando o Banco Central sozinho para contra-atacar a inflação. A conclusão é inevitável: quem quer juros baixos tem de trabalhar para apertar os cintos e isso reduz o campo para os negócios das empresas.

Lula não deu prioridade para a indústria, diz Abinee

Luís Artur Nogueira, de EXAME.com

Humberto Barbato afirma que o Brasil vive processo de desindustrialização

Antonio Cruz/Agência Brasil
Setor eletroeletrônico reclama que Lula não esteve de braços abertos para a indústria


São Paulo - Empresários do setor eletroeletrônico avaliam que o governo Lula foi “tímido” na missão de proteger a indústria brasileira do câmbio valorizado. “Dizer que o Lula deu prioridade para a indústria, não deu coisa nenhuma”, afirma Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Barbato, que participou nesta quinta-feira (9) do programa "Momento da Economia", na Rádio EXAME, diz que o Banco Central limitou-se a comprar divisas para segurar a cotação do dólar enquanto o Ministério do Desenvolvimento não adotava medidas compensatórias. “Se o real subiu 13% neste ano e o câmbio chinês tem uma vantagem de 40%, por que não se eleva a alíquota de importações de 12% para 35% no caso de produtos que têm similares nacionais?”

A Abinee enviou proposta ao governo para que as empresas exportadoras tivessem desoneração na folha de pagamento, mas nada foi feito. “Nós, da indústria, somos muito pouco inteligentes para fazer sugestões econômicas. O máximo que a gente sabe fazer é produzir e o Banco Central é o todo poderoso, intocável”, ironiza Barbato.

O empresário disse que apenas o BNDES e o Ministério da Ciência e Tecnologia pensaram no setor industrial, e citou o vazamento de um estudo do governo que constata um processo de desindustrialização em andamento no Brasil. “Esperamos que o governo Dilma leve isso em consideração ou vamos continuar gerando empregos na China”, afirma Barbato. “O Brasil trata com tapete vermelho o capital estrangeiro que vem explorar o diferencial de juros.”

A farra e o descontrole

O Estado de São Paulo

A farra com dinheiro público voltou às manchetes, desta vez por causa da transferência de recursos federais a entidades fantasmas. O principal artífice da farra orçamentária, o senador Gim Argello, renunciou ao posto de relator da proposta de Orçamento, mas esse episódio é apenas uma pequena parte de um enorme problema. Os desmandos são um velho costume e poderão continuar enquanto o governo for incapaz de controlar o uso das verbas transferidas a Estados, municípios e organizações privadas.

Segundo o último relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), em 31 de dezembro do ano passado havia 50.629 prestações de contas apresentadas e não analisadas pelos Ministérios.

Esses documentos correspondiam a transferências totais de R$ 19,6 bilhões. Faltava a apresentação de mais 6.132 prestações de contas, correspondentes a R$ 4,5 bilhões destinados a convênios, contratos de repasse e outras formas de cooperação entre o governo central e entidades tanto públicas - estaduais e municipais - quanto privadas.

Os números de transferências e prestações de contas apresentados no relatório do TCU sobre as finanças federais de 2009 são incompletos. Os autores do trabalho advertem para a insuficiência das informações prestadas pelo Executivo até 31 de maio deste ano. Embora a realidade seja quase certamente pior que o cenário mostrado no relatório, os dados impressionam.

Treze instituições ou fundos da União são responsáveis por 89% das contas apresentadas e não analisadas, correspondentes a 85% do valor total. O pior desempenho é o do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação, com 15.426 contas não analisadas, equivalentes a 31% das operações sob sua responsabilidade. Esses compromissos envolvem transferências de R$ 4 bilhões.

Em seguida aparecem o Fundo Nacional de Assistência Social, com 6.588 prestações de contas não examinadas; o Ministério da Saúde, com 5.732; e a Financiadora de Estudos e Projetos, com 3.587. O Ministério do Turismo, envolvido nas transferências patrocinadas pelo senador Gim Argello, fica em oitavo lugar nessa classificação, com 1.646 relatórios não verificados.

O documento do TCU mostra o número de servidores efetivos à disposição de cada um desses fundos ou entidades para o exame das contas. Nas discussões sobre a análise de prestações de contas alega-se com frequência a escassez de pessoal qualificado. Segundo diagnóstico citado no relatório do TCU, os salários baixos, a alta responsabilidade e até a possibilidade de sanções criminais estimulam a evasão de pessoal. Além disso, "há grandes dificuldades para recrutar quadros capacitados".

O diagnóstico pode ser correto, mas não se pode acusar o governo petista de haver promovido grandes cortes de pessoal. Ao contrário: esse governo se caracterizou pelo aumento dos quadros e pelo inchaço da folha de pessoal.

Mas as contratações, em grande parte marcadas pelo aparelhamento e pelo loteamento de cargos, pouco devem ter contribuído para aumentar a qualidade e a eficiência dos quadros do funcionalismo. Há uma enorme diferença entre empregar mais pessoas e empregar pessoas mais qualificadas.

Ao mencionar a insuficiência de informações do Executivo, os autores do relatório do TCU criticam o Siafi, o sistema de informações de finanças públicas administrado pelo Ministério da Fazenda. O relatório cita como ilustração o caso do Incra. O Siafi registra 598 prestações de contas não analisadas em 31 de dezembro do ano passado, enquanto documento enviado pelo Incra em 15 de março deste ano aponta um estoque de 1.713 prestações de contas.

O aumento das transferências tem sido acompanhado, segundo o TCU, de um aumento no atraso das contas apresentadas pelas entidades beneficiadas. Os desmandos tendem a ampliar-se. Os próprios critérios de transferências - mesmo quando não há fraudes - são discutíveis. Mas um controle contábil mais eficiente já seria um progresso considerável.

Emendas que alimentaram esquema fraudulento tiveram salto de 2.351%

Lu Aiko Otta e Edna Simão, de O Estado de São Paulo

Parlamentares destinaram 577 emendas para promoção de eventos e divulgação de turismo em 2010, o que fez a verba original, de R$ 32,6 milhões, subir para R$ 798,8 milhões; prática, que derrubou Gim Argello, foi identificada pelo governo

BRASÍLIA - O esquema de pagamento de verbas federais a entidades de fachada - que derrubou o senador Gim Argello (PTB-DF) da relatoria do Orçamento de 2011 após denúncia do Estado - é um verdadeiro hit entre os parlamentares. O governo obteve sinais da farra, mas não conseguiu tampar o ralo. A previsão de gastos em promoção de eventos para divulgação de turismo interno em 2010, que originalmente era de R$ 32,6 milhões, saltou para R$ 798,8 milhões após receber 577 emendas de parlamentares.

O levantamento foi realizado pela ONG Contas Abertas. Houve um aumento de 2.351% no montante das emendas.

Coisa semelhante ocorreu com as verbas para outra ação, "fomento a projetos de arte e cultura". A proposta de R$ 116,9 milhões foi turbinada para R$ 391,5 milhões, um aumento de 235%, graças a 258 emendas.


"Houve uma verdadeira febre dos parlamentares para fazer emendas nessas ações", disse o fundador e secretário-geral da Contas Abertas, Gil Castello Branco. Ele suspeita que a causa não é o inconformismo dos parlamentares com o descaso do Executivo em relação ao turismo interno e às manifestações culturais. "Elas configuram um ralo por onde há uma corrupção bilionária relacionado a repasses de verbas via ONGs."

A verba reservada este ano para repasses a entidades sem fins lucrativos, nas quais se enquadram ONGs, atinge R$ 4,5 bilhões. Desses, R$ 2,7 bilhões já foram liberados até ontem. Nessa bolada, estão misturadas entidades sérias que de fato prestam serviços à sociedade e organizações de fachada para as quais são desviados recursos públicos.

A preferência pela promoção de festas para desviar dinheiro federal tem uma explicação. "São despesas de caráter subjetivo. Quanto custa um show? Quanto custa uma festa? Qual o valor correto para a iluminação, o som, o palco?" questionou Castello Branco. É diferente de uma obra, por exemplo, na qual há critérios objetivos para determinar se ela está ou não superfaturada.

Suspeita
O escoadouro de verbas pela via da realização de eventos não é segredo na Esplanada dos Ministérios. Não é por acaso que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2011 já proibiu emendas que determinem o repasse de verbas federais para entidades privadas realizarem eventos na área de turismo. Depois das denúncias do Estado, a restrição será estendida à área de cultura.

"Avaliávamos que estava frágil, que não estava bom", disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ao comentar as proibições da LDO. Ele acrescentou que, já em 2010, o governo converteu a maior parte das emendas para patrocínio de festas pelo Ministério do Turismo em emendas voltadas a investimentos em infraestrutura turística. De fato, dos R$ 798,8 milhões que os parlamentares queriam aplicar em festas, R$ 433 milhões viraram obras.

A Controladoria-Geral da União (CGU), que fiscaliza os gastos do governo, também já havia detectado o problema.

"A realização de eventos festivos e turísticos com recursos oriundos de emendas parlamentares é bastante vulnerável e fértil em problemas", informou o órgão em nota.

A controladoria acrescentou que o Ministério do Turismo já tomou providências, como limitar o valor dos cachês de artistas e proibir gastos de difícil mensuração. O ministério checa in loco cerca de 35% dos eventos realizados. "Isso melhorou a situação, mas não eliminou as possibilidades de fraude", admitiu a CGU.

Técnicos da Comissão de Orçamento alertam que fechar a entrada para emendas em turismo e cultura não resolverá o problema. O mesmo esquema pode ser utilizado em programas de qualificação profissional, como já foi detectado.

Botox pode causar atrofia em músculo, aponta pesquisa

Guilherme Genestreti e Mariana Versolato, Folha de são Paulo

Estudo feito na Universidade de Calgary, Canadá, sugere que o uso prolongado da toxina botulínica pode causar atrofia e perda de força muscular tanto nas regiões próximas quanto nas distantes do local da aplicação.

O levantamento, que será publicado no "Journal of Biomedics", avaliou efeitos de aplicações em 20 coelhos, divididos em quatro grupos.

O grupo submetido ao maior número de doses e por mais tempo (seis meses), apresentou maior atrofia e maior perda de força e de massa musculares.

Estudos anteriores já haviam apontado que a aplicação de botox poderia causar esses mesmos efeitos. Médicos ouvidos pela Folha afirmaram que músculos próximos ao local que recebeu a aplicação podem ser afetados, ainda que isso seja raro.

No entanto, essa é a primeira pesquisa a mostrar que os efeitos podem ocorrer em áreas do corpo distantes daquela que recebeu a injeção.

No estudo com os coelhos, foram observadas atrofia e perda da força muscular nas patas que receberam a toxina e nas que não receberam.

Editoria de Arte/Folhapress

 
HUMANOS E ANIMAIS
As dosagens aplicadas na pesquisa foram similares às usadas em tratamentos terapêuticos -como em casos de espaticidade, que é uma rigidez excessiva da musculatura, sequela comum em pessoas que tiveram derrame. Essas quantidades costumam ser seis vezes maiores do que as usadas em tratamentos estéticos.

Segundo o fisioterapeuta Rafael Fortuna, autor da pesquisa, os resultados sugerem que podem ocorrer esses efeitos com o uso prolongado da toxina tanto em tratamentos terapêuticos quanto estéticos, já que a substância é a mesma, como ele diz.

Mas, segundo o pesquisador, é difícil prever que os efeitos em humanos sejam exatamente iguais aos observados em animais.

O neurologista Henrique Ballalai Ferraz, do departamento de transtornos do movimento da Academia Brasileira de Neurologia, diz que já se suspeitava da ação à distância da toxina botulínica.

Mas, segundo ele, os resultados da pesquisa só são relevantes para quem utiliza doses muito elevadas da substância, o que é incomum.

Carlos Casagrande, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, concorda.

"São feitas milhares de aplicações estéticas de botox todos os dias e não há relatos desses efeitos sistêmicos, de aplicar numa região e um músculo distante ser paralisado", diz.

Sobre as causas desse efeito, Fortuna diz que há apenas especulações. Uma é que a toxina migra de região pela corrente sanguínea.

"Como o botox é utilizado há relativamente pouco tempo [nos EUA, ele foi aprovado em 1989], há poucos estudos sobre seu uso prolongado", diz o pesquisador. Por isso, ele recomenda "cautela e bom senso" em seu uso.

Fortuna, no entanto, diz acreditar que os efeitos positivos do botox, em especial no uso terapêutico (para problemas como estrabismo, hiper-hidrose e paralisia cerebral), compensam os riscos.

Cientistas sequenciam DNA de feto no sangue da mãe

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Procedimento poderá substituir métodos invasivos de diagnóstico pré-natal

(Comstock)
Cientistas analisaram o DNA de milhares de pessoas e
identificaram diferenças genéticas que fazem alguns indivíduos mais suscetíveis à infecção


Cientistas de Hong Kong conseguiram sequenciar o genoma completo de um feto utilizando apenas uma amostra de sangue da mãe. A técnica serviu para verificar se a criança sofria de beta-talassemia - forma hereditária de anemia - e poderá substituir métodos invasivos de diagnóstico pré-natal. O plasma - líquido onde as células do sangue permanecem suspensas - forneceu o DNA usado no estudo, publicado na Science Translational Medicine.

Pesquisas anteriores já mostravam que o plasma materno contém pedaços soltos do DNA do feto circulando ao lado do DNA livre da mãe. Mas se suspeitava que a união desses fragmentos poderia oferecer um mapa incompleto do genoma. Os pesquisadores comprovaram que os genomas completos do feto e da mãe estão representados nos pedaços flutuantes de material genético do plasma. Cerca de 10% do DNA livre no plasma pertencia ao feto. Informações genéticas da mãe e do pai serviram como “andaimes” para encaixar os fragmentos do DNA do filho em um genoma completo.

Um passo muito complicado foi separar o DNA materno e fetal, misturado no plasma. Identificar o DNA fetal herdado do pai é mais simples, pois ele difere do DNA da mãe. Já o DNA do feto herdado da mãe constitui um desafio maior: como diferenciá-lo do material genético propriamente materno, também presente no plasma? Além de recorrer a complexos métodos estatísticos, os pesquisadores utilizaram um artifício: os pais que participaram do estudo recorreram também a um exame tradicional e invasivo, em que uma amostra de tecido é coletada diretamente do feto.

Os dados obtidos com base nesse exame serviram para alimentar os programas de computador que deduziram a herança materna no genoma da criança. Obviamente, em um caso real não seria possível usar a mesma estratégia. No pior cenário, seria possível reconstituir apenas a metade do genoma que corresponde à herança paterna. De qualquer forma, os autores advogam que a herança materna também poderia ser deduzida por comparação com a informação do genoma de outros familiares.

(Com Agência Estado)

Nível de stress aumenta 75% no mês de dezembro

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Sobrecarga de trabalho e compras de final de ano são algumas das razões

(George Doyle / Stockbyte)

Sobrecarga de trabalho, contas extras, férias escolares, estradas congestionadas, shoppings lotados e filas nos aeroportos. Se na prática muita gente sabe que o fim de ano é estressante, agora há uma pesquisa que comprova o aumento de ansiedade, irritação e tensão nas pessoas no último mês do ano. Em dezembro, o nível de estresse aumenta, em média, 75% em relação aos outros períodos, segundo um estudo realizado pela International Stress Management Association do Brasil (ISLA-BR) - associação que pesquisa o estresse e suas formas de prevenção.

Cerca de 700 pessoas economicamente ativas, com idade entre 25 a 55 anos, foram ouvidas para elaboração do estudo. Para 60% dos entrevistados, o excesso de tarefas no trabalho é a principal causa do estresse. Já 25% deles atribuíram os nervos à flor da pele aos gastos adicionais. "As causas disso passam pela sobrecarga de trabalho, trânsito, solidão e gastos", explica Ana Maria Rossi, presidente da instituição.

Ansiedade, irritação e tensão são justamente os principais sintomas de um quadro patológico de estresse, afirma o psicólogo Julio Peres, doutor em neurociência e comportamento pela Universidade de São Paulo (USP). "Mas cansaço, desânimo, taquicardia, sonolência, fadiga e sudorese também são sintomas", afirma o psiquiatra Jair Borges Barbosa Neto, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Para evitar as dores de cabeça do final do ano, a comissária de bordo Fabiana Paludo, de 24 anos, investe no planejamento. "Não deixo nada para fazer de última hora e, por isso, não me estresso", diz. A divisão de tarefas também é defendida pela psicoterapeuta Karina Haddad Mussa. "É preciso planejar o dia, organizar horários, evitar o trânsito e buscar técnicas de relaxamento", indica a professora de medicina comportamental da Unifesp.

Os passeios com os amigos aos finais de semana são uma espécie de "terapia" para a estudante de direito Suellen Gasen, de 18 anos. Ela diz sofrer em dezembro com as contas e os gastos extras. "É muita dívida e muita coisa para comprar, ainda mais porque meu pai faz aniversário em novembro. E ainda têm as provas da faculdade no final do semestre".

Equilibrar as finanças é outra maneira de aliviar a ansiedade. "No final do ano, as pessoas costumam gastar mais, até por conta do espírito natalino", diz a especialista em finanças Simone Domingues. "A tática é colocar tudo na ponta do lápis. É a melhor maneira para evitar o estresse financeiro", completa ela.

Naturalmente estressado -
O estresse, em doses adequadas, não é prejudicial à saúde. "É uma resposta adaptativa do ser humano. O problema está no nível de ansiedade: em excesso, pode se tornar uma doença", diz Peres. Ele atribui o estresse patológico ao modelo social. "Nos grandes centros, as pessoas estão sozinhas no meio da multidão. A cultura do imediatismo e a fragilidade dos vínculos afetivos também favorecem a ansiedade", completa.

(Com Agência Estado)

Lula "cacarejou" sobre clima, dizem Estados Unidos

Ricardo Mioto e Sabine Righetti, Folha De São Paulo

Novos documentos do site WikiLeaks, obtidos pela Folha, mostram críticas dos diplomatas americanos à atitude brasileira nas negociações internacionais do clima.

Os telegramas foram escritos entre 2008 e 2010. Em um deles, o suposto protagonismo brasileiro na cúpula do clima de Copenhague, no final de 2009, é ironizado.

Segundo a diplomata Lisa Kubiske, "Lula cacarejou" suas conquistas ambientais e sua capacidade de costurar um acordo. Para os EUA, o Brasil teria assumido uma imagem exagerada de "herói" e "cavaleiro branco".

Os documentos mostram a estratégia dos EUA para atrair o apoio brasileiro para suas propostas. O país pretendia enfraquecer o Itamaraty em favor do MMA (Ministério do Meio Ambiente).

Isso porque se, por um lado, os diplomatas brasileiros eram contra a ideia de que países em desenvolvimento assumissem metas de redução de emissões de CO2, o MMA defendia que todas as nações dividissem a responsabilidade pelos cortes, ainda que levando em conta as limitações dos mais pobres.

Segundo os papéis, o embaixador do Brasil para o clima, Sergio Serra, teria dito que "quem lidera as negociações é o Itamaraty, e Carlos Minc [então ministro do Meio Ambiente] fala apenas sobre as suas opiniões pessoais".

'PRAGMÁTICO'
Minc, que sucedeu Marina Silva (descrita como "inflexível e absolutista nas questões ambientais"), era visto como pragmático e parceiro-chave dos EUA para defender que países como China e Índia deveriam ter metas.

O embaixador Clifford Sobel fazia, porém, uma crítica a Minc: "Ele tem tendência a dizer o que gostaria que fosse verdade, e não o que de fato ocorreu". Minc teria garantido a Sobel, no começo de 2009, que a posição do Itamaraty não prevaleceria.

Ainda assim, dizia Sobel: "O MMA está muito mais preocupado em resolver a questão. O Itamaraty a vê no contexto maior da política externa e está disposto a fazer menos sacrifícios".

Carlos Minc disse à Folha que de fato havia uma divisão nítida entre seu ministério e o Itamaraty. "O conservadorismo do Itamaraty se alinhava às posições mundialmente mais atrasadas: como quem historicamente poluiu foram os ricos, eles que façam alguma coisa."

Ele diz que os diplomatas queriam afastá-lo da discussão. "Mas revertemos isso."

Ele convenceu Lula e a então ministra Dilma Rousseff e, em novembro de 2009, o Brasil anunciou metas de emissão de CO e incentivou outros países em desenvolvimento a fazerem o mesmo.

Sobel apostava, em abril daquele ano, que o fato de Dilma "aparentar ser amiga e aliada política de Minc" poderia fazer com que ele influenciasse a posição brasileira _os dois atuaram na luta armada contra a ditadura.

Minc não gostou de ser apontado como o homem de confiança dos EUA. "Não tenho nenhuma identidade com os EUA. Tenho posições duríssimas com relação a eles. Defendi posição histórica dos ambientalistas."

Mais informações sobre os papéis podem ser encontradas no site wikileaks.ch

Editoria de Arte/Folhapress

Japão busca decisão aceitável a todos para 2ª fase de Kioto

Agência EFE

País defende entrada da China e nos EUA na ampliação do Protocolo

Koichi Kamoshida/Getty Images
Poluição no Japão:
Kioto é, hoje, único acordo legal que obriga os países a reduzirem emissões

Cancún - O Japão busca na 16ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática (COP-16), realizada em Cancún (México), conseguir uma solução "aceitável" para o resto dos países em relação à tentativa de estabelecer uma segunda fase do Protocolo de Kioto, disseram nesta quinta-feira à Agência Efe fontes da delegação japonesa.

O país asiático assinalou ser partidário de buscar um acordo global e vinculante que inclua os países que mais poluem o planeta - Estados Unidos e China, não submetidos ao Protocolo -, durante a COP-16.

No entanto, essa meta japonesa parece muito distante, já que implicaria que EUA e China, com, respectivamente, 19% e 22% das emissões de gases causadores do efeito estufa, assumissem compromissos vinculantes com cortes de emissões em linha com os 37 países que há anos os têm pelo Protocolo de Kioto.

As fontes japonesas indicaram que também não veem progressos em todos os temas que se negociam. Por isso, considerou que, nesses momentos, é difícil fazer uma avaliação a fundo do estado das negociações em seu conjunto.

No entanto, a fonte considerou "positiva" a condução das mesmas nas últimas horas, pois na quarta-feira os mais de 190 ministros e representantes governamentais que participam da conferência iniciaram um processo de contatos informais que não satisfez a Bolívia, de postura crítica aos países desenvolvidos.

Anfitriã da reunião, a chanceler mexicana, Patricia Espinosa, defendeu a transparência do processo e assegurou que todos os países estão abertos ao grupo de trabalho informal.

Os tablets estão entre nós

Luiza Dalmazo, da EXAME

Os tablets finalmente chegaram ao mercado brasileiro. Mais do que inaugurar um segmento promissor, eles vêm com a promessa de impulsionar negócios diversos

Daniela Toviansky/EXAME.com
Corretora da Tecnisa:
a tablet da Apple é utilizada como ferramenta de vendas


No fim de janeiro, quando Steve Jobs deu início ao primeiro evento de mídia da Apple no ano, o mercado de tecnologia parou para ouvir um anúncio carregado de expectativa. Rumores à parte, o que se sabia oficialmente era que o encontro traria o lançamento de um dispositivo móvel. Três meses depois, em abril, os primeiros iPads chegavam ao mercado americano. E o que se seguiu foi um roteiro pouco diferente de qualquer lançamento da Apple nos últimos anos: filas de compradores nas lojas, empurra-empurra e vendas, muitas vendas. Haveria mesmo lugar para uma nova categoria de computadores pessoais, sem teclado nem mouse? Questionamentos como esse logo perderam o sentido. Em três meses, as vendas do aparelho superaram previsões para o ano inteiro, que era de cerca de 3 milhões de unidades. De lá para cá, empresas como Research in Motion, Dell, LG, HP e Lenovo correram para apresentar soluções semelhantes. O iPad ganhou concorrência, e o mercado de tablets, enfim, nasceu. Até o fim do ano, o instituto de pesquisas Gartner estima vendas de mais de 19,5 milhões de aparelhos no mundo todo. Em 2014, o número de unidades de tablets comercializadas deverá passar de 200 milhões, segundo previsões do Gartner.

Quase oito meses depois do lançamento do iPad, os tablets estão finalmente chegando ao mercado brasileiro. O primeiro foi o Galaxy Tab, lançado em novembro pela coreana Samsung. Até o final do ano, espera-se que o iPad comece a ser vendido em distribuidoras da Apple de todo o país. Oito meses pode parecer pouco. Mas, levando em conta a trajetória meteórica desses aparelhos, é um tempo razoável para algumas constatações. A primeira delas: os tablets são e continuarão sendo uma das grandes apostas do mercado editorial dos últimos anos (mais sobre isso em breve). A segunda: ao que tudo indica, eles também têm algo a oferecer para negócios dos mais diversos ramos.

Em dias de expediente, até pouco tempo, a corretora de imóveis Keila Carminhola, de São Paulo, era vista carregando fôlderes e tabelas de preços de empreendimentos da Tecnisa, construtora paulista na qual trabalha. Há um mês, a papelada foi substituída por um iPad. A tarefa de demonstrar ofertas de imóveis ganhou novos ares. "Em vez de encher a mão de clientes com fôlderes e poluir visualmente a mesa de negociação, agora uso apenas um aparelho", diz Keila. Com o tablet, a corretora pode exibir vídeos de um empreendimento e de seu entorno. Ou então mostrar imagens de plantas-baixas e áreas comuns. "Dá para perceber mais animação e envolvimento do cliente", afirma. Para dar um pontapé na estratégia, a Tecnisa alugou 15 iPads. O desenvolvimento do aplicativo custou 7 000 reais, pouco mais de 10% do valor normalmente gasto em fôlderes de propaganda impressos para cada empreendimento lançado. "Os tablets logo serão ferramentas essenciais de vendas, e cada corretor terá o seu", diz Romeo Busarello, diretor de internet da Tecnis.

A grife de roupas femininas Farm, do Rio de Janeiro, busca um caminho semelhante. Desde maio, 15 iPads estão sendo usados como uma espécie de catálogo interativo em lojas da rede. Vendedores mostram às clientes fotos com produções de peças da coleção e aproveitam para apresentar o blog da marca. "Os iPads chamam atenção até de pais e namorados, e o tempo que as clientes passam nas lojas aumentou", diz Flávia Miranda, coordenadora de marketing da empresa. Os tablets também estão nas mãos de promotoras de vendas da Procter&Gamble. A empresa comprou 50 iPads, que são utilizados em demonstrações de produtos em mais de 100 pontos de venda em todo o país. O foco são produtos que propõem mudança de hábito dos consumidores, como o lançamento de um sabão de lavar roupas líquido. "A apresentação dos benefícios dos produtos no iPad é bastante ilustrativa", diz Gabriel Ferrari, gerente de marketing da P&G.

Houve empresas que se anteciparam à chegada oficial dos tablets no país lançando aplicativos que têm como alvo os usuários domésticos (desenvolvedoras de software estimam que cerca de 100 000 brasileiros sejam usuários de iPad, residentes ou não no país). Para essas companhias, a ordem é marcar presença na nova plataforma o mais rápido possível — mesmo que com aplicativos simplórios ou pouco diferentes de páginas web. Em setembro, o Pão de Açúcar lançou uma ferramenta de compras online para iPad, uma versão otimizada de seu site. Desde outubro, a BM&F Bovespa oferece de graça um aplicativo que permite a visualização de dados do mercado de ações no tablet da Apple. Bancos como Itaú e Bradesco também correram para adaptar aplicativos bem-sucedidos em smartphones. No caso do Itaú, a estreia nos tablets se deu com uma ferramenta que permite consultas de extrato, transferências e pagamentos de contas. Em breve, o banco lançará um sistema de transação de ações. "Muitos clientes pediam para fazer transações e ter acesso à conta quando não estavam em frente ao computador", afirma Ricardo Guerra, diretor de sistemas de canais de atendimento do Itaú. "Os tablets são uma oportunidade de atender a esse desejo."

Tamanho interesse tem impulsionado outro mercado — o de desenvolvedores de aplicativos. Nos últimos anos, surgiram no país pequenas startups para criar aplicações em smartphones. Com o lançamento do iPad, muitas passaram a desenvolver soluções também para os tablets. "Recebemos mais de 20 pedidos de orçamento de aplicativos de tablet por mês", diz Márcio Pissardo, fundador da LiveTouch, desenvolvedora de aplicativos móveis fundada em 2008 e que deve terminar o ano com faturamento de 1,2 milhão de reais.

Inovações 

Até agora, no entanto, são poucas as aplicações que trazem experiências realmente inéditas para os usuários da nova plataforma. Uma exceção é a NET, maior operadora de TV paga e internet banda larga do país, que corre para lançar no início de 2011 um aplicativo para iPad que propõe uma nova dinâmica na experiência de ver televisão. "Acreditamos que os tablets vão ser o canal de interação do telespectador com o conteúdo exibido", diz Márcio Carvalho, diretor de produtos e serviços da empresa. Em uma primeira etapa, a NET oferecerá conteúdos extras e um guia de programação no iPad. Mais tarde, a ideia é que eles funcionem como substitutos dos controles remotos via sinais de Wi-Fi, explorando a interatividade e a tela sensível ao toque. Em uma etapa posterior, os assinantes poderão assistir a programas no próprio aparelho. Ao contrário de aplicativos mais básicos, usos inovadores como esse requerem estruturas de desenvolvimento complexas. "Não há solução pronta à venda no mercado para o que queremos fazer", diz Carvalho. Para desenvolver o aplicativo, a NET precisou contratar empresas de software, hardware e serviços.

Mas nenhum segmento, como era de esperar, está tão mergulhado no mundo dos tablets quanto o mercado editorial. Em todo o mundo, já são mais de 1 100 aplicativos de jornais e revistas lançados. No Brasil, praticamente todos os grandes grupos de mídia têm hoje versões de publicações para tablets, a maioria deles para iPad. O Galaxy Tab, da Samsung, chegou ao mercado brasileiro com nove títulos de jornais e revistas embarcados. A inspiração para as editoras brasileiras vem de casos de sucesso, como o aplicativo para iPad da revista americana Wired, que apenas no dia de lançamento vendeu mais de 24 000 cópias a 4,99 dólares — e hoje figura entre os mais vendidos da loja da Apple. Mas esse ainda é um terreno de muitas incertezas. Não há ainda definição, por exemplo, sobre o modelo de assinaturas a ser adotado. Como a Apple não vende assinaturas através de sua loja virtual, edições de revistas hoje são vendidas separadamente. Os jornais, até agora, têm adotado políticas de restrição de acesso a artigos de edições impressas. Durante muito tempo, houve expectativa de que a primeira banca digital de revistas fosse lançada pela Apple no iPad, mas o cenário mais provável hoje é que isso ocorra em tablets que irão rodar com o Android, sistema operacional do Google. Editoras de livros e livrarias também tentam garantir seu filão. No Brasil, a Saraiva já oferece mais de 1 400 títulos em português para tablets e leitores digitais. Ao mês, 10 000 livros digitais são vendidos, um número ainda pequeno perto do 1,4 milhão de livros em papel comercializados pela empresa mensalmente. "As possibilidades de interação e outros recursos oferecidos pelos tablets deverão ajudar a diminuir essa diferença", diz Marcílio Pousada, presidente da Saraiva.

Apesar dos prognósticos animadores, pouco se sabe de concreto sobre o futuro dos tablets. Mesmo entre os fabricantes, há discordâncias em relação a muitos aspectos-chave (telas de 7 ou 9 polegadas? Aparelhos com ou sem câmeras?). Uma das maiores dúvidas diz respeito à venda de aplicativos. No caso da Apple, fatores que foram determinantes para o sucesso das aplicações de iPhone não são garantia de consagração para o iPad. Nos dois primeiros meses de vida do aparelho, 8 500 aplicativos foram lançados, o que contribuiu para um crescimento de 21% do total de ofertas da loja virtual. Apesar disso, eles representaram apenas 3% do total de vendas no período. A tela maior em relação aos iPhones também pode ser um convite ao uso da internet pelo navegador. Até hoje, o Facebook não possui aplicativo para iPad — há poucos meses, Mark Zuckerberg declarou que os tablets não são dispositivos móveis. Sem a dinâmica de negócios gerada pela loja de aplicativos, os tablets podem até se tornar um sucesso de vendas. Mas talvez não alcancem o impacto esperado. A continuação dessa história será contada em breve — quem sabe, em um tablet.

Anatel aprova plano para evitar escassez de telefones; celulares de SP terão 9 dígitos

Sofia Fernandes e Andreza Matais, Folha de São Paulo


O conselho diretor da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou nesta quinta-feira um cronograma de medidas para evitar escassez de números de telefone no país, sobretudo em São Paulo.

A medida mais imediata será diminuir a "quarentena" de números de celular que são desativados, de 180 para 90 dias. A "quarentena" é um período de adaptação para que um número que foi desativado não caia imediatamente no domínio de outro cliente.

Outra medida, e mais impactante, é acrescentar um nono dígito nos números de telefones celulares de São Paulo. As empresas terão 24 meses para se adaptarem.

Depois, a agência vai estabelecer um cronograma para todo o país adotar o nono dígito nos números de celular.

A agência aprovou ainda uma mudança no compartilhamento de números da telefonia fixa com celulares. Ou seja, alguns números de celulares vão começar com 5 --até então exclusivo dos telefones fixos. Com isso, serão liberados 6,9 milhões de novos números.

Com essas medidas, a Anatel deixou de lado o plano de adotar um novo código para a Grande São Paulo, o 10, que iria dividir espaço com o 11.

O prefixo 11 é usado hoje por 35 milhões de pessoas, sendo que a disponibilidade é de 37 milhões.

CELULARES
Em outubro, o Brasil ultrapassou a marca de um celular por habitante. São 194,4 milhões de acessos à telefonia móvel para uma população de 193,6 milhões de habitantes, segundo os últimos dados do IBGE.

Há, portanto, 1.004 celulares para cada 1.000 habitantes, a 8ª maior densidade de telefonia móvel do mundo. O maior desempenho é o da Rússia, que apresenta atualmente 1.625 celulares para cada 1.000 habitantes.

O Brasil fica acima de países como França, Estados Unidos e Japão no ranking de densidade de celular.

O Distrito Federal é quem mais se destaca, com 1,7 celular por pessoa. Em seguida vem São Paulo, com densidade de 1,2. Depois Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, ambos com 1,1 celular por habitante.

Segundo a Anatel, apenas em São Paulo (considerando todo o Estado), há quase 48,8 milhões de celulares (pré e pós-pago), 25,09% do total do país.

Lula reconhece Estado “palestino”

Julio Severo, Mídia Sem Máscara

Sem lhes impor nenhuma condição sobre "direitos" dos homossexuais.

Lula anunciou que decidiu oficialmente reconhecer um Estado "palestino". Esse reconhecimento ocorreu em 3 de novembro de 2010.

O megalomaníaco gosta de estar no centro das atenções. E se o mundo todo está olhando para o Oriente Médio, por causa das aflições de Israel, então Lula quer um pedacinho do holofote. Ele está determinado a passar seus últimos dias na presidência chamando a atenção de todo mundo, nem que para isso ele precise plantar bananeira na ONU.

A imprensa brasileira noticiou o fato de que Lula enviou uma carta ao líder "palestino" reconhecendo o Estado da "Palestina". A mídia internacional não disse quase nada, não porque o assunto seja insignificante, mas porque Lula não tem a importância que ele mesmo dá a seu próprio umbigo.

Contudo, por que reconhecer um país dentro de outro país? Geograficamente, o que alguns chamam de "Palestina" está exatamente dentro das fronteiras históricas e bíblicas de Israel. E Israel é um país extremamente pequeno. Não faz sentido, pois, forçar um país pequeno a entregar suas poucas terras a um povo que tem hostilidade étnica, política e religiosa contra Israel.

Se Lula quer tanto terras para os "palestinos", por que não lhes dá um pedacinho do Brasil? Geograficamente, a terra de Israel é um mosquito perto do Brasil. É injusto fazer o pequeno dar o que ele quase não tem. Quem tem mais tem a obrigação moral de dar o exemplo e repartir o que tem de sobra.

Mas não é só isso. Nas terras ocupadas pelos "palestinos", os homossexuais são realmente agredidos e mortos, sem maiores problemas. Paradas gays? Nem pensar! Doutrinação anti-"homofobia" nas escolas "palestinas"? Traria pena de morte para os professores. Desde cedo, as crianças "palestinas" são ensinadas a odiar e atacar os inimigos do islamismo. Israel, é claro, é um desses inimigos. E os homossexuais também.

Tolerância e pluralidade? Esses conceitos, amplamente impostos pelo governo Lula sobre os brasileiros passivos, são abominados pelos "palestinos". Os homossexuais "palestinos" só não pedem asilo ao amigo Lula porque não dá tempo. Logo que são descobertos, os homossexuais ali são despachados.

Um Estado "palestino" bem no meio do Brasil não seria uma experiência estranha, pois crianças aprendendo a odiar é algo que o MST vem fazendo há muito tempo. O problema maior seria a "cultura palestina" influenciando a cultura brasileira. Aí o governo brasileiro teria de mudar o programa federal "Brasil Sem Homofobia" para "Brasil Sem Sodomia", exclusivamente para apaziguar e agradar aos "palestinos".

Enquanto isso não acontece, o brasileiro tem de sofrer, sendo obrigado a aceitar a doutrinação anti-"homofobia" nas escolas e a mentira de que o Brasil é campeão de assassinatos de homossexuais (como se os cristãos brasileiros estivessem matando centenas deles por dia), e ver Lula prestigiando, honrando e reconhecendo um Estado islâmico que quer não somente a destruição de Israel, mas de todos os homossexuais.

Se Lula não fosse hipócrita, ele diria ao líder dos "palestinos": "Olha, meu governo reconhece o Estado palestino, mas com uma condição: Seu governo palestino tem de fazer seu povo parar de perseguir e matar homossexuais e seu governo tem de ensinar as crianças a amar o homossexualismo como uma opção totalmente normal e saudável".

Alguém realmente crê que os "palestinos" aceitariam tal condição?

A diferença entre eles é clara. Enquanto os interesses dos "palestinos" giram em torno do islamismo e do terrorismo, os interesses de Lula giram em torno de seu próprio umbigo e daquele orifício idolatrado pelos homossexuais.

Aliás, os "palestinos" têm a sua peculiar solução ideal para os adoradores de orifícios: aumentar-lhes, a bala, o número de orifícios!

Dá para ver o que está acontecendo? Se todos os cristãos do Brasil fossem "palestinos" e principalmente islâmicos, Lula e seu governo nos respeitariam, honrariam e prestigiariam, quer ou não matássemos homossexuais.

Quem é trouxa nessa história: Lula ou o povo brasileiro?

Se Lula quiser continuar com seu umbigo nos holofotes internacionais depois da sua presidência, ele terá se disfarçar de travesti na frente de uma mesquita "palestina" e gritar: "Vocês precisam de um programa Palestina Sem Homofobia"!

O cenário seguinte seria proibido para menores de 18 anos.

O Paraguai e sua democracia frágil fazem o que o Brasil não fez: barrar a entrada da Venezuela no Mercosul

Ricardo Setti, Veja online


Presidentes de países do bloco posam para foto
ao final da cúpula realizada em agosto, na Argentina


Quem diria, o Paraguai.

O presidente Fernando Lugo precisou retirar hoje pela segunda vez do Senado, de maioria oposicionista, pedido de ratificação do ingresso da Venezuela como membro pleno do Mercosul. Os senadores de oposição não querem aprovar a entrada da Venezuela lançando mão da “cláusula democrática” do Mercosul.

A “cláusula democrática” decorre do chamado Protocolo de Ushuaia do Mercado Comum do Sul (Mercosul), assinado pelos quatro países fundadores — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — no dia 24 de agosto de 1998, na cidade de Ushuaia, na província argentina de Terra do Fogo, e diz o seguinte: “A plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados Partes do Protocolo.”

Mesmo com esse texto claríssimo e com todas as conhecidas ações antidemocráticas do presidente venezuelano Hugo Chávez, a adesão da Venezuela ao bloco, aprovada em 2006 pelos governos dos quatro membros fundadores, foi ratificada sem grandes problemas em 2008 pela Câmara dos Deputados, em Brasília, e, no ano passado, pelo Senado, em votação mais polêmica e apertada — 35 votos a 27. Os senadores da oposição alegavam que o governo Chávez constituía uma “ameaça à democracia”, mas prevaleceu a tese de que o país Venezuela não poderia ser penalizado por ações de um governo.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS), que tem orientação independente governo e de seu partido, votou a favor. Na Comissão de Constituição e Justiça, o relator do processo, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), se manifestara contrário à adesão da Venezuela, e acabou sendo substituído pelo líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), para quem as atitudes antidemocráticas de Chávez são produto de “distorções da imprensa sensacionalista”e de “campanhas internacionais”.

Os senadores de oposição a Lugo querem, na verdade, esvaziar o presidente com sua recusa, que se deve, portanto, sobretudo a razões políticas internas.

O fato, porém, é que o papel de barrar um governo cujo teor democrático é, na melhor das hipóteses, questionável não foi cumprido pelos Parlamentos democráticos de Argentina, Brasil e Uruguai. Mas o do Paraguai — que vem aperfeiçoando sua frágil democracia desde 1989, após 35 anos da feroz e corrupta ditadura do general Alfredo Stroessner — está fazendo a lição de casa.

O Paraguai, como se sabe, tem experiência no reconhecimento de falsificações.

Mudança diplomática

Folha De São Paulo - Editorial

Na primeira entrevista que concedeu logo após a vitória na disputa presidencial, Dilma Rousseff já havia ensaiado mudança de enfoque na política externa brasileira ao classificar como "bárbara" a ameaça de apedrejamento que pesa contra a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani.

A declaração voltou-se agora, de maneira explícita, contra uma decisão do Itamaraty. Em entrevista publicada pelo diário "The Washington Post", a presidente eleita disse discordar do voto do governo brasileiro, que se absteve de apoiar uma resolução da ONU condenando violações de direitos humanos no Irã.

"Não concordo com a forma como o Brasil votou", disse Dilma, em inédita divergência pública com diretrizes do governo Lula.

A presidente eleita tem razão ao sugerir uma correção de rumos. O Itamaraty acumula um histórico de intervenções seletivas e politizadas no campo dos direitos humanos, em geral marcadas pelo interesse de contrapor-se ao peso dos EUA na ONU.

Um dos setores mais bem preparados do Estado brasileiro, o Itamaraty acerta em seus objetivos de zelar pela independência diplomática e conquistar maior influência para o país nos rumos da política internacional - mas não raro erra no tom e no método para alcançá-los.

Equivoca-se, por exemplo, ao alimentar conflitos desnecessários com os EUA - país com o qual temos um contencioso amplo, que, mesmo sem a "ajuda" atabalhoada de nossa diplomacia, só tende a crescer com o maior peso comercial e político do Brasil.

O governo brasileiro não deve se relacionar com o norte-americano de maneira subalterna. Mas não pode sacrificar o zelo pelos direitos humanos em nome de um antiamericanismo sistemático.

São auspiciosos os sinais de que a nova presidente pretende promover correções de rumos na política externa, uma área que se torna cada vez mais relevante para o desenvolvimento do país.

Estamos Chocados, Chocados com a Jogatina Diplomática

Caio Blinder, Veja.com

Salah Malkawi/Getty
A serpente e o rei Abdullah 
Existe corrupção no Brasil de Lula ou no Afeganistão de Karzai. Estamos chocados, chocados. mas a não ser que apareça boiando alguma novidade realmente podre, será preciso esperar o vazamento de alguns memorandos secretos da diplomacia americana sobre os vazamentos para termos uma noção mais precisa dos embaraços e danos provocados pela pirataria eletrônica do site WikiLeaks. O site está jogando no ventilador global 250 mil documentos supostamente confidenciais. Em princípio, sobrou para todo mundo: os EUA, seus aliados e seus inimigos.

Como disse o historiador britânico Timothy Garton Ash, o vazamento é um pesadelo para o diplomata e um sonho para o historiador. Material que levaria 20 ou 30 anos para ser desclassificado ou descoberto está aí na praça digital. Alguns dos despachos vazados foram enviados há 30 semanas. Trata-se literalmente do rascunho da história. A rigor, a versão do diplomata. E mais a rigor ainda, o Departamento de Estado não é o centro decisório vital na diplomacia americana. Estes centros estão na Casa Branca, Pentágono e Congresso. Portanto, todo cuidado é pouco com o WikiLeaks e o diplomata.

O fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, é um vândalo autopromocional mascarado de cruzado moral (sobre o qual pesam acusações na Suécia de envolvimento em estupro e que está sendo procurado pela Interpol). Faz uma pregação anarquista sobre o direito do público à informação privada. Em algumas situações, como em documentos vazados sobre as guerras do Iraque e Afeganistão, ele presta algum serviço de utilidade pública, mas sua agenda essencial é vilipendiar os EUA, um país contra o qual ele trava sua guerra pessoal. Assange detesta os EUA e o que o país representa. Para ele, a diplomacia americana é essencialmente criminosa.

Existem atos criminosos na política externa de qualquer país e o zelo governista (qualquer governo) pelo segredo nem sempre é justificado, mas nem toda informação diplomática deve pertencer ao domínio público. Não é à toa que a secretária de Estado, Hillary Clinton, num momento de leveza na sua ofensiva para conter o estrago, disse numa entrevista à imprensa ter escutado o seguinte de um diplomata estrangeiro: você não imagina o se fala de você nos nossos memorandos secretos

Aliás, seria interessante se o WikiLeaks tivessse tanta sofreguidão para vazar material dos inimigos dos EUA, mas é mais difícil, pois outras diplomacias não são tão pornográficas como o Departamento de Estado que permite o acesso de centenas de milhares de pessoal ao seu fluxo de informações confidenciais (o que agora está temporariamente restringido). Assange e sua turma, porém, são engenhosos. As especulações são de que as ambições do WikiLeaks são profundas e mais globais. Entre seus próximos alvos, estariam um grande banco americano e a liderança da Rússia (país conhecido pela próspera corrupção).

Claro que para nós, voyeurs, é uma uma delícia de espetáculo, embora para quem circule nos meios da intriga internacional nem tudo é tão espetacular assim: Vladimir Putin e Dmitri Medvedev são Batman e Robin, Silvio Bercusloni é vaidoso e ineficaz, Nicolas Sarkozy é o imperador sem roupas, o líbio Muamar Khadafi (aquele que anda com a enfermeira ucraniana) é um sujeito estranho e o ex-secretário-geral do Itamarati, Samuel Pinheiro Guimarães, odeia os americanos (não adianta negar, ministro Nelson Jobim). Estamos chocados, chocados.

Nas tratativas diplomáticas, existe duplicidade. Verdade? Estamos chocados, chocados, como o capitão Renault, do filme Casablanca, quando informado que havia jogatina no clube Rick’s. Mas qual é o contexto da duplicidade e da jogatina? Sabia-se que nos bastidores, em contraste ao que falam em público, dirigentes árabes exortavam os EUA a atacarem as instalações nucleares iranianas. Ainda assim, impressiona a ênfase nas conversas privadas, com declarações do rei Abdullah, da Arábia Saudita, de que é “preciso cortar a cabeça da serpente” ou do príncipe do Abu Dhabi, Muhammad bin Zayed, de que Mahmoud Ahmadinejad é Hitler.

Estes líderes árabes parecem Benjamin Netanyahu na hora do papo privado. É um conforto saber da merecida e péssima reputação de Ahmadinejad (não que estes detratores nas sombras sejam gente fina). No entanto, como este pessoal vai se comportar caso ocorra ataque? E como é uma conversa privada do rei Abdullah com Ahmadinejad? É muito difícil montar o quebra-cabeça, quando tudo é espalhado no ventilador do WikiLeaks, embora jornais tenham tido a pretensão de editar o material.

Aliás, existe também o relato da conversa do secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, com o ex-ministro da Defesa francês, Hervé Morin, sobre um possível ataque israelense contra o Irã. Gates diz que uma ação militar apenas adiaria os planos iranianos de um a três anos, enquanto unificaria o povo iraniano contra o atacante. De onde vem esta certeza de Gates? Esqueça as intrigas e fofocas. Afinal, qual é a política americana para o Irã? Esta é a questão fundamental. Temos líderes árabes e israelenses exasperados, enquanto o leal soldado Gates coloca panos quentes e desconversa.

Os vazamentos do Wikileaks são uma festa para nossos olhos (for our eyes, only, somente os de todos nós), mas o que eles realmente revelam além de boas fofocas e perceptivas reportagens politicas escritas por diplomatas? Pensando melhor, meu caro historiador Timothy Garton Ash, talvez precisemos esperar muitos anos para entender o que está ou não está acontecendo agora.

Proposta nos EUA pode prejudicar etanol brasileiro

Exame.com e informações da Agência Estado



Os brasileiros já prometem abrir um processo contra os EUA na Organização Mundial de Comércio

DIVULGACAO
Etanol brasileiro pode ter sua tarifa de importação nos EUA dobrada

Washington - Uma proposta que circula no Congresso dos Estados Unidos com boas chances de aprovação pode, na prática, dobrar a tarifa de importação do país para o etanol do Brasil. A nova legislação é um forte revés para os fabricantes brasileiros que esperavam pelo fim do programa americano de subsídios ao etanol, previsto para ocorrer em três semanas. Se a proposta vingar, os brasileiros prometem abrir um processo contra os EUA na Organização Mundial de Comércio (OMC).

Na semana passada, o senador democrata Max Baccus, presidente do comitê de Finanças do Senado americano, propôs renovar por mais um ano o programa de apoio ao etanol, reduzindo os subsídios aos distribuidores de combustível para adicionar etanol à gasolina dos atuais US$ 0,45 por galão para US$ 0,36. Com a redução, as despesas dos EUA com esses subsídios diminuiriam de US$ 6 bilhões por ano para US$ 3,6 bilhões.

A tarifa de importação cobrada para o etanol brasileiro, no entanto, seria mantida em US$ 0,54 por galão. Como o subsídio vale para qualquer tipo de etanol, nacional ou importado, ao reduzir o subsídio sem mexer na tarifa, o Congresso americano está, na prática, aumentando a diferença entre o preço do etanol brasileiro e o americano. Hoje, a diferença entre o subsídio e a tarifa de importação é de US$ 0,09. Após as mudanças, aumentaria para US$ 0,18 - ou seja, vai dobrar, o que desestimulará a importação do etanol do Brasil.

“Agora é hora de o Brasil pôr toda a pressão possível para evitar que essa distorção continue. Temos uma chance, mas é necessário pressão de todos os lados”, disse Joel Velasco, representante da União da Indústria Canavieira (Unica) em Washington. A notícia preocupa bastante os usineiros brasileiros que organizaram um lobby profissional na capital americana para lutar pelo fim dos subsídios.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

WikiLeaks: Cuba não tem recursos para sobreviver mais de três anos

O Globo

RIO - Previsões de conselheiros comerciais do Brasil e de outros vários países, incluindo a China, apontam que a crise financeira global e a falta de capacidade de Havana de lidar com a dívida externa agravaram a situação econômica em Cuba de tal forma que "podem ser fatais em dois ou três anos". É o que indicam documentos da diplomacia americana filtrados pelo site WikiLeaks e citados nesta quinta-feira pelo jornal espanhol "El País".

O relato foi feito pela seção de interesses dos EUA em Havana em fevereiro passado, com base no que foi ouvido por um representante americano durante um jantar com sete conselheiros econômicos internacionais, de França, Japão (países credores), China (aliado político e comercial de Cuba), Espanha, Itália, Canadá e Brasil (principais investidores na ilha depois da Venezuela).

Apesar do futuro sombrio, a correspondência americana praticamente descarta uma liberalização comercial substancial. Os comentários mais fortes são do representante italiano.

"A Itália disse que suas fontes de governo de Cuba sugerem que a ilha poderia se tornar insolvente em 2011", afirma o documento, para depois ressaltar a preocupação chinesa com a rigidez cubana: "uma dor de cabeça".

Resumindo a opinião dos colegas de mesa, Jonathan D. Farrar, chefe da seção de interesses americana, afirma: "(Havana) teme as consequências políticas de mudanças muito demoradas".

Os conselheiros estimam ainda que, se "a instável Venezuela" diminuir a ajuda à ilha, o governo de Cuba pode ser forçado a aplicar reformas similares às do início dos anos 1990, quando perdeu o apoio financeiro da União Soviética e, mesmo submetendo o povo a uma série de privações, quase quebrou.