quinta-feira, março 01, 2012

Uma crise desnecessária.

Adelson Elias Vasconcellos

Na semana passada, os três Clubes Militares resolveram reagir às criticas feitas primeiro, pela tal secretária de Direitos Humanos, dona Maria do Rosário e, segundo, por Eleonora Menicucci, de Política para as Mulheres, quanto ao período da ditadura militar. Ocorre que não se tratou apenas de uma crítica e, sim, no caso de Maria do Rosário, ela como que esqueceu haver uma Lei de Anistia, que concedeu o perdão para os dois lados, que, aliás, permitiu que a própria Dilma Rousseff pudesse tornar-se presidente da República.

Ora, se ambas puderam expressar suas opinião com inteira liberdade, o que impediria que os clubes militares pudessem fazê-lo também? Ou será que a liberdade de expressão só pode ser exercida por um dos lados da história?

A coisa toda começou torta. Deveria a presidente Dilma ter se manifestado no sentido de advertir suas secretárias, e declarar que aquelas opiniões eram de natureza estritamente pessoal, e não representavam a posição do Estado brasileiro, até porque o próprio STF já se manifestara sobre a legitimidade da Lei de Anistia. Porém, dona Dilma ouviu suas secretarias dizerem o quem bem entendiam e calou-se. 

Já a manifestação crítica dos Clubes Militares não foi bem recebida pelo governo. Tanto, que a presidente convocou seu ministro Defesa, Celso Amorin, a pressioná-los a retirarem do ar suas críticas. Ordem dada, ordem acatada. Os presidentes dos clubes militares agiram como se estivessem à frente de agremiações subordinadas às Forças Armadas. 

Contudo, se alguém pensa que o assunto morreu por aí, enganou-se. Primeiro, porque a livre associação, caso dos clubes militares, e a liberdade de expressão são direitos previstos constitucionalmente. Não compete nem a Maria do Rosário tampouco Elenora Menicucci definir ou escolher quem poderá ou não exercê-los. Segundo, porque as falas de ambas colocam em xeque a própria razão da tal Comissão da Verdade, uma vez que o próprio governo age de forma parcial em relação à Lei da Anistia. E, terceiro, nenhuma das secretárias citadas, tampouco a própria presidente, estão minimamente autorizadas a redesenharem a história para tentar esconder de que lado estavam durante o período da ditadura. Conforme já tantas vezes comprovado, as três não lutaram por democracia, e sim por uma ditadura de viés comunista. 

Posarem de vítimas fica fácil tanto tempo depois, tentarem reescrever a história estando no poder, mais fácil ainda. O que não conseguirão, façam o que fizerem, exercendo a função pública que exercerem, é tentarem com comissões de mentira apagar a verdadeira história do Brasil  e o real papel que desempenharam naquele período. Há muitos documentos e testemunhos para desmascará-las.   

Portanto, nem Dilma tampouco Amorin, muito menos as secretárias Maria do Rosário e Eleonora Menicucci tem poder o bastante para tentar silenciar as vozes que discordam de suas posições. Discordar é um direito que cabe a qualquer um, expressar esta discordância nos termos da lei, igualmente. Porém, sob o tacão do autoritarismo brucutu, tentar silenciar estas vozes transpassa os limites a que cada um está um está enquadrado. 

Ora, tivesse real espírito democrático e, por certo, o episódio teria se esmaecido. A presidente Dilma agiu, infelizmente, ao contrário do que lhe competia: mandou seu bucéfalo ministro de Defesa silenciar os clubes militares. E aí extravasou. A reação foi imediata: na tentativa de silenciar meia dúzia, acendeu a chama de reação coletiva. Agora são 92 vozes alinhando-se com o protesto inicial. Moral da história: acendeu-se uma crise totalmente desnecessária.

Nenhuma comissão da verdade poderá ultrapassar as fronteiras do que a Lei Anistia estabeleceu. Neste sentido, as posições de dona Maria Rosário são estúpidas. Assim como seria estúpida qualquer ação revanchista contra as Forças Armadas no presente. O desmanche e obsolescência a que estão sendo submetidas ao longo dos anos é uma vergonha inadmissível. Os salários ridículos que são pagos aos militares das três armas é um escárnio. Hoje, tanto Exército, Marinha e Aeronáutica estão impedidos de exercerem e cumprirem o papel constitucional que lhes cabe. E, nem por isso, eles se rebelam em protesto.

Porém, querer calar não as Forças Armadas, mas os clubes militares, entidade privada que não deve subordinação a ninguém, é de uma estupidez atroz. Despi-los da dignidade de servir ao país tem sido tolerado ao limite do suportável. Contudo, roubar-lhes os direitos de cidadãos é uma vigarice inadmissível.

Na reunião em que Amorin exigiu o retrocesso, teria dito bem a seu estilo boçal: "A crítica à presidente é inaceitável. Foi um erro grave do Clube Militar". Pateticamente, Amorim chegou a falar em “quebra da hierarquia” contra Dilma. Pirou? Bebeu além da conta? A tese do Amorim ou de qualquer um abaixo dele não tem respaldo. Nem político e muito menos constitucional. Quem se der ao trabalho de ler o artigo 5º, inciso XVIII da Carta Magna (ainda em vigor) constatará que as associações (militares ou civis) têm direito à livre manifestação.

Vamos nos guiar, pela descrição que o Jorge Serrão, do Alerta Total expôs em sua página, acerca de legislação simplesmente ignorada pelo senhor Amorin e, creio, pela própria presidente.

A Constituição brasileira assegura a livre manifestação para todos – civis ou militares. Dilma, Amorim e militares leiam e releiam os incisos IV e IX do artigo 5º da CF: (...) IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;(...).

Por favor, Dilma, Amorim e militares leiam e releiam o Art. 220: “A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. § 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV. § 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”.

A regra é clara. Por uma questão de hierarquia, no serviço ativo, militares só podem se manifestar com a permissão de seus comandantes. Na reserva, a coisa muda. O que vale é a Constituição. No caso dos clubes militares, vale mais ainda outro preceito constitucional, claramente escrito no artigo 5º, inciso XVIII: “A criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento”.

Além da Carta de 1988, uma norma, do tempo do Presidente José Sarney, ainda em vigor, garante a livre manifestação do pessoal na reserva ou reforma. A Lei 7.524, de 17 de Julho de 1986, dispõe sobre a manifestação, por militar inativo, de pensamento e opinião políticos ou filosóficos. Logo em seu artigo 1º deixa claro que: "Respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público. Parágrafo único. A faculdade assegurada neste artigo não se aplica aos assuntos de natureza militar de caráter sigiloso e independe de filiação político-partidária”.

Quanto mais o tempo passa com os petistas no poder, mais a gente descobre o tipo de “democracia” que eles defendem, dando ensejo que se postule, de forma legítima, de que lado, afinal,  eles estavam no período da ditadura militar. Claro que tivemos heróis da resistência que se levantaram (alguns até morreram por isso) clamando por democracia. Mas havia um lado obscuro que, no fundo, desejava trocar apenas as cores do regime autoritário, da direita por um de esquerda. Alguma inverdade nisso? Em absoluto. Não haverá Comissão da Verdade capaz de mudar os fatos da forma como eles aconteceram, como também será incompetente o bastante para tentar tingir como anjos os demônios do comunismo, como foram os casos da própria presidente, e suas secretárias Maria do Rosário e Eleonora Menicucci. 

Portanto, está na hora de dona Dilma parar de tentar enganar a plateia. Que na sua juventude tenha escolhido o lado errado da história, compreende-se pelos arroubos que a juventude acaba impondo a todos nós. Porém, que no exercício da presidência de um país democrático, tenha a fineza de se informar sobre as leis vigentes e às quais ela também se subordina, e respeite os direitos que estas mesmas leis estabelecem. Autoridade não se impõem, ela é exercida e, sendo assim, deve preservar-se dos arroubos autoritários e dos excessos. Um presidente na democracia até pode muito, mas não pode tudo. Os militares inativos – caso dos Clubes Militares - têm direito assegurado tanto para associar-se livremente como, na qualidade de cidadãos legítimos, se expressarem até para discordar do governo e de seus membros. 

Inadmissível, portanto, é alguém defender uma comissão da verdade e, de modo incoerente, tentar ocultar-se das verdades sobre si mesmas, utilizando-se de uma censura descabida e ilegal. Nem Dilma, nem suas secretárias, no período da ditadura militar foram militantes e defensoras da democracia. Hoje, talvez, mas ontem, NUNCA!

É de se esperar que o assunto seja resolvido de maneira civilizada e que a crise que o incêndio inaugurado pela falta de compreensão do que seja um regime democrático, não se tente apagá-lo com gasolina como, aliás,  tem sido hábito de alguns integrantes do governo. Este bate-boca desproporcional é desnecessário. Há coisas muito mais importantes para dedicarmos tempo e energia.

Sugestão para a presidente Dilma: dê uma aulinha de democracia para suas secretarias e lhes ordene conter-se em seus arroubos.  Querer punir torturadores do regime militar só seria crível se atendida duas hipóteses:  a de que não houvesse uma lei de anistia – e há e o STF a considera constitucional - e que as esquerdas se dispusessem, também, a serem julgadas e condenadas pelos seus crimes, porque elas também mataram inocentes, roubaram e sequestraram. 

Hoje, pelos cargos públicos que ocupam, suas opiniões podem ser confundidas com as de governo quando são externadas sem a desautorização imediata e necessária. Da forma como ficaram, a presidente Dilma deu curso a que se colocasse em dúvida sua real posição quanto ao que ela própria imagina por democracia. E isto, do ponto de vista institucional, é muito ruim. É um tipo de crise que o país não precisa mais viver. 

EM TEMPO: No início da noite vem a informação de que a presidente pediu que Celso Amorin solicitasse às Forças Armadas punição para os 98 militares da reserva que assinaram a reação à censura do manifesto do Clubes Militares. O texto acima já estava escrito desde o início da tarde, mas trazia em seu encerramento uma advertência que continua valendo mais do que nunca:”... Hoje, pelos cargos públicos que ocupam, suas opiniões podem ser confundidas com as de governo quando são externadas sem a desautorização imediata e necessária. Da forma como ficaram, a presidente Dilma deu curso a que se colocasse em dúvida sua real posição quanto ao que ela própria imagina por democracia. E isto, do ponto de vista institucional, é muito ruim. É um tipo de crise que o país não precisa mais viver...”.

Presidente Dilma ponha um ponto final neste bate boca sem agredir os direitos de quem quer que seja. Não crie áreas de atrito onde elas não devem ou não precisam ser criadas. Até uma presidente pode ser alvo de críticas e delas discordar. O que não pode é tentar silenciar seu críticos no berro. Saia-se bem deste imbróglio reconhecendo o direito de livre manifestação dos militares, e desautorizando suas secretárias em suas falas por terem expressado apenas opiniões pessoais que não as de governo. E fim de papo. Partir para reprimendas públicas ou punições, só vai agravar o atrito. Use água e não gasolina para apagar o incêndio. Tenha a grandeza que o cargo lhe impõem. 

A reação à censura do manifesto do Clube Militares

A seguir, transcrevemos do Alerta Total, a reação à censura imposta pelo governo  Dilma ao manifesto dos Clubes Militares por sua posição crítica às manifestações de duas secretarias da presidente em relação aos objetivos reais da tal Comissão da Verdade, que se opõem, de forma inexplicável, a Lei da Anistia sobre a qual já há posição definida pelo Supremo Tribunal Federal.

Não faço aqui defesa de ninguém, a não ser da verdade. Fui e continuarei a ser um ferrenho crítico dos anos que asfixiaram o país conhecido por Ditadura Militar.  Contudo, serei crítico também de todos aqueles que, cinicamente, mentem sobre suas participações naquele período. Este é o caso das esquerdas.  O fato de estarem no poder não lhes autoriza reescreverem a história sobre si mesmas, tentando apagar da memória suas atuações durante a ditadura militar. No fundo, o que as esquerdas pretendiam era substituir uma ditadura por outra.  Dizerem hoje que defendiam a redemocratização naquele período, é de uma supimpa vigarice. 

Aceito que tenham mudado suas convicções e possam, ao longo do tempo,  haver se convertido em democratas, muito embora duvide desta conversão. Não admito é que ignorem seu próprio passado e se exibam sem confessarem o real projeto que apregoaram para o país naquele período. 

Dito isto, vamos ao manifesto. No post seguinte, detalho melhor esta crise, no meu modo de ver, desnecessária. Não fosse pela alma autoritária que ainda bate, com todo o vigor,  nos corações de muitos esquerdistas assentados no poder, e nada disso estaria acontecendo. A crise se instala justamente porque há muita mentira que precisa ser desmanchada, e uma delas  é sobre as reais intenções da tal comissão da verdade, além do verdadeiro papel que muitos desempenharam durante a ditadura militar. 

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"ELES QUE VENHAM. POR AQUI NÃO PASSARÃO!

Por Vários Militares

Este é um alerta à Nação brasileira, assinado por homens cuja existência foi marcada por servir à Pátria, tendo como guia o seu juramento de por ela, se preciso for, dar a própria vida. São homens que representam o Exército das gerações passadas e são os responsáveis pelos fundamentos em que se alicerça o Exército do presente.

Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do Manifesto publicado no site do Clube Militar, a partir do dia 16 de fevereiro próximo passado, e dele retirado, segundo o publicado em jornais de circulação nacional, por ordem do Ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade para fazê-lo.

O Clube Militar é uma associação civil, não subordinada a quem quer que seja, a não ser a sua Diretoria, eleita por seu quadro social, tendo mais de cento e vinte anos de gloriosa existência. Anos de luta, determinação, conquistas, vitórias e de participação efetiva em casos relevantes da História Pátria.

A fundação do Clube, em si, constituiu-se em importante fato histórico, produzindo marcas sensíveis no contexto nacional, ação empreendida por homens determinados, gerada entre os episódios sócio-políticos e militares que marcaram o final do século XIX. Ao longo do tempo, foi partícipe de ocorrências importantes como a Abolição da Escravatura, a Proclamação da República, a questão do petróleo e a Contra-revolução de 1964, apenas para citar alguns.

O Clube Militar não se intimida e continuará atento e vigilante, propugnando comportamento ético para nossos homens públicos, envolvidos em chocantes escândalos em série, defendendo a dignidade dos militares, hoje ferida e constrangida com salários aviltados e cortes orçamentários, estes últimos impedindo que tenhamos Forças Armadas (FFAA) a altura da necessária Segurança Externa e do perfil político-estratégico que o País já ostenta. FFAA que se mostram, em recente pesquisa, como Instituição da mais alta confiabilidade do Povo brasileiro (pesquisa da Escola de Direito da FGV-SP).

O Clube Militar, sem sombra de dúvida, incorpora nossos valores, nossos ideais, e tem como um de seus objetivos defender, sempre, os interesses maiores da Pátria.

Assim, esta foi a finalidade precípua do manifesto supracitado que reconhece na aprovação da Comissão da Verdade ato inconseqüente de revanchismo explícito e de afronta à lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo. 

Assinam, abaixo, os Oficiais Generais por ordem de antiguidade e os Oficiais superiores por ordem de adesão.

OFICIAIS GENERAIS
Gen Gilberto Barbosa de Figueiredo
Gen Amaury Sá Freire de Lima
Gen Cássio Cunha 
Gen Ulisses Lisboa Perazzo Lannes
Gen Marco Antonio Tilscher Saraiva
Gen Aricildes de Moraes Motta
Gen Tirteu Frota 
Gen César Augusto Nicodemus de Souza
Gen Marco Antonio Felício da Silva
Gen Bda Newton Mousinho de Albuquerque
Gen Paulo César Lima de Siqueira 
Gen Manoel Theóphilo Gaspar de Oliveira
Gen Elieser Girão Monteiro

OFICIAIS SUPERIORES
T Cel Carlos de Souza Scheliga
Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra
Cel Ronaldo Pêcego de Morais Coutinho
Capitão-de-Mar-e-Guerra Joannis Cristino Roidis 
Cel Seixas Marques
Cel Pedro Moezia de Lima
Cel Cláudio Miguez
Cel Yvo Salvany
Cel Ernesto Caruso
Cel Juvêncio Saldanha Lemos
Cel Paulo Ricardo Paiva
Cel Raul Borges
Cel Rubens Del Nero
Cel Ronaldo Pimenta Carvalho
Cel Jarbas Guimarães Pontes 
Cel Miguel Netto Armando
Cel Florimar Ferreira Coutinho
Cel Av Julio Cesar de Oliveira Medeiros 
Cel.Av.Luís Mauro Ferreira Gomes 
Cel Carlos Rodolfo Bopp
Cel Nilton Correa Lampert 
Cel Horacio de Godoy
Cel Manuel Joaquim de Araujo Goes
Cel Luiz Veríssimo de Castro 
Cel Sergio Marinho de Carvalho
Cel Antenor dos Santos Oliveira
Cel Josã de Mattos Medeiros
Cel Mario Monteiro Campos
Cel Armando Binari Wyatt
Cel Antonio Osvaldo Silvano
Cel Alédio P. Fernandes
Cel Francisco Zacarias 
Cel Paulo Baciuk
Cel Julio da Cunha Fournier 
Cel Arnaldo N. Fleury Curado
Cel Walter de Campos 
Cel Silvério Mendes
Cel Luiz Carvalho Silva
Cel Reynaldo De Biasi Silva Rocha
Cel Wadir Abbês
Cel Flavio Bisch Fabres
Cel Flavio Acauan Souto
Cel Luiz Carlos Fortes Bustamante Sá
Cel Plotino Ladeira da Matta
Cel Jacob Cesar Ribas Filho 
Cel Murilo Silva de Souza
Cel Gilson Fernandes
Cel José Leopoldino
Cel Evani Lima e Silva 
Cel Antonio Medina Filho
Cel José Eymard Bonfim Borges
Cel Dirceu Wolmann Junior
Cel Sérgio Lobo Rodrigues
Cel Jones Amaral
Cel Moacyr Mansur de Carvalho
Cel Waine Canto 
Cel Moacyr Guimarães de Oliveira
Cel Flavio Andre Teixeira
Cel Nelson Henrique Bonança de Almeida
Cel Roberto Fonseca
Cel Jose Antonio Barbosa
Cel Cav Ref Jomar Mendonça 
Cel Nilo Cardoso Daltro
Cel Carlos Sergio Maia Mondaini
Cel Nilo Cardoso Daltro
Cel Vicente Deo
Cel Av Milton Mauro Mallet Aleixo
Cel José Roberto Marques Frazão
Cel Luiz Solano
Cel Flavio Andre Teixeira
Cel Jorge Luiz Kormann
Cel Aluísio Madruga de Moura e Souza
Cel Aer Edno Marcolino
Cel Paulo Cesar Romero Castelo Branco
Cel CARLOS LEGER SHERMAN PALMER
Capitão-de-Mar-e-Guerra Cesar Augusto Santos Azevedo
TCel Osmar José de Barros Ribeiro
T Cel Mayrseu Cople Bahia
TCel José Cláudio de Carvalho Vargas
TCel Aer Jorge Ruiz Gomes.
TCel Aer Paulo Cezar Dockorn
Cap de Fragata Rafael Lopes Matos 
Maj Paulo Roberto Dias da Cunha

OFICIAIS SUBALTERNOS
2º Ten José Vargas Jiménez

STF libera parcialmente investigação do CNJ sobre patrimônio de juízes

Comentando a Notícia

Texto de Débora Santos, Portal G1. Comento em seguida.

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Uso de dados sobre 'movimentações atípicas' de juízes segue suspenso.

Apuração terá de ser feita com base no IR e na folha de pagamento.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux autorizou nesta quarta-feira (29) o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a retomar parte da investigação sobre a evolução patrimonial de magistrados e servidores do Poder Judiciário.

A apuração sobre o patrimônio de juízes e servidores de 22 tribunais foi suspensa em dezembro em decisão liminar (provisória) do ministro Ricardo Lewandowski ao julgar ação impetrada por entidades representativas de magistrados. A relatoria do caso foi passada ao ministro Luiz Fux, no início de fevereiro, porque ele já analisa uma ação semelhante.

Nesta quarta, Fux autorizou que a investigação seja feita com base em declarações de imposto de renda entregues aos tribunais e em folhas de pagamento, mas sem o uso das informações que constam de um levantamento feito pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, a pedido da Corregedoria Nacional de Justiça.

O uso do levantamento do Coaf, que apontou movimentações financeiras "atípicas" no valor de R$ 855,7 milhões, foi contestado pelas associações de magistrados, que acusaram o CNJ de quebrar o sigilo de servidores e juízes.

Ao julgar ação movida pelas entidades de juízes, o ministro Ricardo Lewandowski, em decisão liminar (provisória) suspendeu as investigações. Agora, após a decisão de Fux, o plenário do Supremo terá de analisar e decidir se houve ou não irregularidade.

Fux liberou a retomada do trabalho após pedido da corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon. Em ofício enviado ao ministro, ela argumentou que o trabalho do CNJ estaria estagnado e que essa verificação patrimonial é feita em inspeções rotineiras, desde o início da atuação do CNJ, em 2005.

A preocupação da corregedoria do CNJ é que a eventual demora em avaliar o conteúdo do relatório paralisasse por muito tempo as investigações do órgão.

Nesta segunda-feira (27), ministro Fux intimou diversas entidades que representam a categoria para se pronunciar no processo e acolheu pedido das associações de magistrados para que o Banco Central e o Coaf também sejam ouvidos. A intenção é esclarecer se houve o envio de dados sigilosos.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Sabe aquela decisão que acaba não decidindo coisa nenhuma? Pois é, foi justamente isto que o ministro Fux, fez e sem comprometer-se.

Vamos ver o seguinte: as investigações iniciadas pelo CNJ tiveram por base justamente as informações do COAF, cujo papel é justamente informar movimentações financeiras atípicas, por configurarem, na maioria das vezes, crimes de diferentes categorias. 

Ora, que sujeito seria tão estúpido em deixar pistas claras em sua declaração de renda de um enriquecimento ilícito, por exemplo? Ou declarar haver recebido X reais como pagamento de suborno, ou de venda de sentença?  Ou pedir para que estes valores sejam lançados em sua folha de pagamento, para não deixar de recolher INSS e imposto de renda na fonte sobre eles?

Ora, convenhamos, ao impedir o CNJ de ter acesso aos relatórios do Coaf, o ministro, simplesmente, impede que qualquer investigação sobre “atividades atípicas” envolvendo “pagamentos estranhos” possam ser investigados. Pode até sua maioria ser perfeitamente legal, com razões coerentes e sensatas. Porém, movimentação de mais de 800 milhões são prá lá de suspeitas e merecem uma investigação ao menos preliminar para se conhecer  suas razões e procedência.

Afinal, de que tanto temem certos juízes? O que tentam esconder da sociedade sobre movimentações financeiras milionárias, e que não encontram justificativas em seus contracheques?  Acobertar da forma como se está fazendo, é aumentar a suspeita de algo de muito podre se esconde nos porões do Judiciário. A decisão do ministro Fux, a exemplo do que seu colega, ministro Lewandovski já fizera em dezembro passado, serve apenas para jogar o Judiciário num processo de descrédito sobre seus membros. A pergunta que fica: a quem interessa desmoralizar o Judiciário?

Mais um assalto à vista: Governo vai mudar remuneração da poupança

Comentando a Notícia

No dia 08 de novembro de 2010, tão logo Dilma Rousseff foi declarada eleita como presidente do Brasil para a sucessão de Lula, publicamos aqui as intenções do governo em rever os rendimentos que são pagos à poupança. E o papo vem se desenrolando de maneira escamoteada, tanto pelo Banco Central como pelo Ministério da Fazenda. Mas o assunto já tinha seus desdobramentos anteriores à própria eleição. Só não veio a público, bem, vocês sabem por quê: mexer no rendimento da poupança, é mexer em vespeiro sem proteção alguma. O assunto é prá lá de impopular. Ninguém esquece o confisco aplicado por Collor, assim... Agora imaginem falar sobre isso em ano eleitoral!!! 

Para não parecer estelionato eleitoral, o governo Dilma vem tratando do assunto em banho maria, mas já tendo uma decisão tomada: para reduzir os juros SELIC ao patamar pretendido pela presidente, juros reais a 2%, só será possível se os rendimentos da poupança forem revistos.  Imaginem se no governo FHC alguém tivesse enviado  um projeto semelhante!!! A casa vinha abaixo, e os xiitas já estariam nas ruas batendo bumbo e provocando baderna.  Como se vê, coerência é uma virtude que esta gente não cultiva.

É justamente sobre esta intenção que trata o texto de Martha Beck e Gerson Camarotti, O Globo. 

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Mudança, que prevê correção variável, não afetaria contas já existentes

BRASÍLIA — Embora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negue oficialmente, pois sabe que o tema é polêmico, a presidente Dilma Rousseff já começou a estudar uma nova proposta da equipe econômica para alterar a correção da caderneta de poupança, fixada hoje em TR (Taxa Referencial) mais 6% ao ano. Segundo técnicos do governo, a mudança só valeria para depósitos futuros. Ou seja, os atuais poupadores não seriam prejudicados pela mudança, para não gerar reclamações nem acusações de quebra de contrato.

O novo modelo, ainda em versão preliminar, prevê que o retorno dado pela caderneta seja variável, deixando esse tipo de investimento em linha com as taxas praticadas no mercado. A ideia é manter o equilíbrio entre aplicações na poupança e demais aplicações financeiras, evitando que o movimento de queda nas taxas de juros no país provoque uma corrida dos investidores para a poupança.

Quando reduz a Selic, o Banco Central (BC) acaba afetando a remuneração dos fundos de investimentos, cujo retorno varia de acordo com os juros. Assim, a poupança está se tornando cada vez mais atraente, pois dá um retorno garantido aos seus aplicadores e ainda tem como vantagem a não incidência de Imposto de Renda (IR). Mas, caso haja uma migração em massa para a caderneta, os bancos e o próprio governo terão problemas sérios. Os bancos passariam a ter dificuldades para o cumprimento da exigência de aplicação de 65% dos depósitos em poupança na habitação.

Saída de fundo poderá afetar gestão da dívida
Além disso, a saída dos fundos também poderia afetar a administração da dívida pública do país, pois essas aplicações são compostas, em boa parte, por títulos públicos.

A presidente Dilma sabe que o assunto é delicado, especialmente em ano eleitoral. O próprio presidente Lula já havia tentado mexer na caderneta, mas acabou engavetando um projeto que previa a incidência de IR para depósitos de valor mais alto, diante das fortes críticas e risco de prejudicar a população de baixa renda, um público importante da caderneta. Mantega também vem tratando o assunto com muita cautela, pois sabe que a recepção de qualquer mudança não será positiva.

No entanto, a presidente e o próprio ministro também estão cientes de que o BC poderá ser forçado a interromper a trajetória de queda dos juros, caso nenhuma mudança seja feita nas regras da poupança. Dentro do governo, já há quem diga que a Selic, hoje fixada em 10,5% ao ano, não teria condições de cair muito mais. O limite seria 9% ao ano.

— A agenda de desenvolvimento financeiro que a presidente quer tocar começa pela poupança — disse uma fonte graduada do governo, confirmando a disposição de mudança na regras da caderneta.

Equipe quer fortalecer ação da política monetária
Num segundo momento, a equipe econômica também quer trabalhar para aumentar o poder de fogo da política monetária. Nesse caso, o que se discute é dar algum tipo de incentivo para que os aplicadores optem por investimentos em renda fixa e não por aqueles atrelados à Taxa Selic.

Isso porque quanto maior a demanda por títulos (públicos ou privados) atrelados à Selic, menos força tem a queda dos juros sobre a economia. Esse movimento de procura pelos títulos é entendido como uma defesa do mercado contra oscilações e acaba fazendo com que a oferta de crédito seja menor do que seu real potencial dentro da economia brasileira.

A reforma que o PT não deixou fazer, agora é prioritária para Dilma.

Comentando a Notícia 

No dia em que Haddad deixou o MEC, eu disse que a educação brasileira recebera duas grandes notícias. Uma boa e outra ruim. A boa, finalmente, Haddad, o ministro trapalhão, deixava a educação brasileira em paz. A ruim, o seu substituto seria Mercadante, o homem que conseguiu revogar o irrevogável. 

Em se tratando de Mercadante,  sempre é possível que a cretinice ganhe contornos carregados de humor. O homem não se emenda. A sua última proeza foi atribuir ao tamanho do Brasil a culpa pelas derrapadas do MEC em relação ao ENEM. Era só o que faltava! Se foi para ser cômico, Mercadante não poderia ter se saído melhor. Boa, Mercadante, não é todo o dia que um ministro nos fascina com um senso de humor tão fino.

Agora, falemos de coisa séria. Ainda no governo FHC, quando se buscava equilibrar as contas públicas, uma das reformas pretendidas, que resultaram em dois projetos enviados ao Congresso sobre a Previdência.   A dos trabalhadores da iniciativa privada seguiu, e foi através dela que se criou o tal fator previdenciário. A turma do PT e os sindicatos, à época, esbravejaram o quanto puderam.  Contudo o projeto vingou. Porém, quando Lula assumiu em 2003, não apenas ele manteve o fator previdenciário como ainda o projeto era duro para os trabalhadores do que o dos tucanos.

O segundo, que tratava da previdência dos servidores públicos empacou. Os petistas juntaram sua turma, houve um imenso alvoroço dos servidores cujos sindicatos se fecharam em torno do assunto, a reforma, já necessária naquela acabou não indo à frente. 

Lula jamais se interessou pelo assunto, apesar do rombo em torno de 60 bilhões que a falta tem provocado. Lula pensa apenas nos votos, pouco ligando para o benefício do país. Seu curral eleitoral é intocável. O Brasil que se dane. 

Pois bem, coube à presidente arquitetar um plano previdenciário para os servidores. O rombo nas contas públicas exige ação, não pode esperar. 

Não vou entrar no mérito do projeto da reforma, apenas elogiar a iniciativa corajosa da presidente Dilma em assumir com a coragem que faltou a Lula, que era necessário, de fato, realizar uma reforma que, de um lado, tratasse quase que igualitariamente trabalhos de um e de outro, e de outro, que o interesse do Brasil deve preceder a qualquer outro, ainda se “outro” for de cunha exclusivamente eleitoreiro. 

Mais uma vez, se vê o prejuízo que a cretinice de um mau governante trouxe ao país. A reforma que poderia ter trazido equilíbrio ao Estado, chega atrasada em mais de 12 anos. 

Na época, os tucanos ouviram o diabo por parte dos petistas. Do mesmo modo a gente tem visto ao longo destes anos todos com a chegada de Lula ao poder.  O que é bom para o país e não atrapalhava o interesse eleitoreiro de Lula ele tratou de assumir a paternidade, daquele modo vigarista tão característico dele. Porém, bastava ser impopular, Lula mandou o interesse do país às favas, sentou em cima das necessidades e trancou reformas fundamentais. 

Mas nem são flores nesta “reforma”.  Se aprovado também no Senado, será criado mais um fundo de pensão. Adivinhem quem irá aparelhá-lo?  Quanto vagabundo ganhará de presente centenas de bocas ricas para se deliciarem à custa do contribuinte!

Fico imaginando a gritaria que as esquerdas fizeram quando FHC enviou o projeto à aprovação do Congresso, e agora se calam de modo cínico.  Coisa que um petista jamais conseguirá, nem bordado de ouro, é vergonha na cara.

Cretinismo, portanto, é a marca registrada desta turma. Não tem jeito. O texto é de Maria Clara Cabral para a Folha de São Paulo.

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Câmara aprova texto-base de projeto que cria fundo para servidor

A Câmara aprovou nesta terça-feira, por 318 votos a 134, o texto principal do projeto que cria o fundo de previdência complementar do servidor público.

O projeto, que segue para análise do Senado, ainda pode sofrer modificações em nova votação marcada para amanhã.

A proposta iguala o teto das aposentadorias dos servidores públicos federais civis ao do regime privado da previdência. Com isso, o valor máximo do benefício pago pela União será de R$ 3.916,20 (atual teto do INSS) pelo desconto de 11% do salário.

Quem quiser um benefício maior terá que pagar uma contribuição à parte, que irá para um fundo complementar. O governo também contribuirá para este fundo, empatando o índice aplicado pelo funcionário, até o limite de 8,5%.

A mudança no sistema previdenciário, que valerá, obrigatoriamente, apenas para os novos servidores, é uma prioridade para o governo, que quer acabar com o deficit do setor.

Dados da equipe econômica mostram que os cerca de 950 mil aposentados e pensionistas na União, geraram, no ano passado, um deficit de cerca de R$ 60 bilhões.

Enquanto isso, no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que banca a aposentadoria do setor privado e tem mais de 20 milhões de aposentados e pensionistas, o deficit do setor é de R$ 35 bilhões.

NEGOCIAÇÕES
Para viabilizar a aprovação da proposta, o Planalto teve que fazer diversas concessões. Uma delas abriu a possibilidade de a gestão dos recursos do fundo ser feita por carteira própria, levando a oposição a criticar uma possível partidarização. Na proposta original, a administração dos ativos era repassada, obrigatoriamente, a uma instituição financeira.

Junto com o PSDB, o DEM deve tentar votar destaque que obrigue a realização de sabatina para os gestores do fundo, como alternativa para diminuir a influência política. O temor dos partidos da oposição acontece porque o fundo deve se tornar a maior entidade fechada de previdência complementar presente no mercado brasileiro.

O governo também aceitou criar um Fundo de Cobertura de Benefícios Extraordinários para arcar com aposentadorias especiais, além de abrir a possibilidade da criação de três fundos, um para cada Poder (Executivo, Legislativo e Judiciário).

Síria desaprova entrada de chefe humanitária da ONU no país, e uma secretária silencia.

Comentando a Notícia

Ela prefere criticar quem quer acabar com o massacre.

Sabem aquela senhora que diz cuidar, no governo, dos direitos humanos? Pois, então, no início da semana a tal secretária criticou os países que pretendiam impor sanções mais duras contra o regime do tirano que não tem dó de massacrar seu próprio povo para se manter no poder. 

Ontem, a ONU informou que passariam de 7.000 o número de civis mortos, incluindo-se neste montante grande quantidade de crianças, mulheres e velhos. Assad insiste na cretinice de que combate apenas terroristas. Uma ova. Os comunistas que mataram mais de 30 milhões na antiga União Soviética, alegavam a mesma coisa. 

Claro que o leitor deve imaginar que a tal secretária fez um duro ataque aos terroristas malvados que querem se ver livre do seu ditador de estimação e restabelecer um regime de liberdades em seu país. Ou, poderiam supor que a dona secretária deve ter criticado o governo sírio pela brutalidade de suas ações. Nada disso. Ela apenas “aconselha” que se busque o diálogo político para por fim à questão. 

Na segunda feira, 28, no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU)  ela criticou a forma como potências e países árabes têm pressionado o ditador Bashar Assad. Em discurso em Genebra, a ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) condenou a ideia de armar a oposição síria, bem como iniciativas diplomáticas fora do âmbito da entidade - alfinetada indireta no grupo "Amigos da Síria", formado por americanos, europeus e árabes, e pediu que a "política ocupe espaço" na crise, sem indicar como, na prática, isso seria feito. Assim, segundo a secretária, bastaria puxar um lero amigável com Assad e pronto. Fim da crise. Adoro soluções fáceis para problemas difíceis... No mundo da fantasia, então, nada melhor do que sonhar sem ter compromisso com o senso do ridículo como fez a dona secretária.

Ok, agora leiam a notícia a seguir e vejam se é possível manter diálogo decente e positivo com um ditador que se comporta como o sírio. O texto é da Folha online com informações da Associated Press. Volto depois:  

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A chefe humanitária da ONU (Organização das Nações Unidas), Valerie Amos, afirmou nesta quarta-feira que o regime sírio não aprovou sua entrada no país, apesar de diversos pedidos às autoridades locais.

Amos disse que está "profundamente desapontada" por não poder fazer um encontro com representantes do governo do ditador Bashar al Assad. De acordo com a representante da organização, a intenção era "discutir a situação humanitária e a necessidade de acesso desimpedido às pessoas que queiram fugir da violência".

Segundo diplomatas da ONU consultados pela agência de notícias Associated Press, a chefe humanitária chegou a Beirute, capital do Líbano, que faz fronteira com a Síria, para esperar o visto, mas não teve resposta.

A organização aprovou uma série de sanções e resoluções pedindo ao regime de Assad que permita a entrada de ajuda humanitária no país. O país passa por confrontos entre o governo e grupos de oposição há 11 meses. Segundo comunicado da ONU da última terça-feira (28), cerca de 7.500 pessoas morreram nos combates.

VIOLÊNCIA
A onda de violência continua na Síria nesta quarta-feira. Fontes da oposição afirmaram que os conflitos entre o regime sírio e opositores continuam no bairro de Baba Amro, na cidade de Homs, principal foco de resistência dos rebeldes.

"O Exército está tentando entrar com a infantaria vindo da direção do campo de futebol al-Bassel e violentos confrontos com rifles automáticos e metralhadoras pesadas estão acontecendo lá", afirmou o ativista Mohammad al Homsi à Reuters, de Homs.

Ele disse que militares haviam bombardeado fortemente a área na terça-feira e durante à noite antes dos ataques terrestres começarem.

Outras fontes de oposição disseram que centenas de rebeldes do Exército Síria Livre resistiam na área, situada entre Baba Amro e o distrito al-Inshaat, que também está sitiado.

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CONCLUINDO:
Então, é possível alguma negociação pacífica com um “humanista” como Assad? Alguém, em seu juízo perfeito, é capaz de apostar que o tirano aceita por fim à matança apenas para mostrar que é bonzinho com seu povo, que é pacifista? Um pouco de senso de ridículo não cairia mal nem um pouco, não é mesmo, dona secretária de direitos tido por humanos!

Aliás, os países que se alinharam à posição da dona secretária são bem um exemplo “moderno” de respeito aos direitos humanos: China, Irã e Rússia. 

Creio que a dona secretária ou muda de secretaria, mas longe de direitos humanos, ou se matricula em algum curso intensivo para saber do que realmente sua secretaria deve cuidar e tratar. E ela ainda se acha cheia de razão para exigir uma comissão da verdade no Brasil!  

A lei, a ciência e o bom-senso estão do lado do 'Houaiss'

Nathalia Goulart, Veja online

Acreditar, como faz um procurador federal, que o dicionário dissemina preconceito ao registrar diferentes usos das palavras é tão absurdo quanto achar que, ao explicar o nazismo, livros de história referendam seu horror

(Divulgação/Editora Objetiva)
Dicionário Houaiss é alvo de ação judicial em Minas Gerais 

De tempos em tempos, alguma autoridade de plantão é vencida pela tentação de tutelar a sociedade. Ela, então, tira do colete uma medida politicamente correta, que, embora nula, não raro descamba para a tentativa de censura. Foi assim em 2010, quando parecer do Conselho Nacional de Educação, órgão do Ministério da Educação, tentou banir das escolas públicas a leitura do livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato. Segundo os sábios do MEC, trechos como o seguinte expressariam racismo: "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão." Nesta segunda-feira, foi a vez do procurador federal Cléber Eustáquio Neves cair em tentação, pedindo à Justiça Federal em Uberlândia (MG) que sejam retirados de circulação as cópias do dicionário Houaiss, um dos mais conceituados do mercado. A razão: no verbete cigano, o livro informa que a palavra pode ganhar também o significado – pejorativo, como bem destaca o próprio dicionário – de "trapaceiro, velhaco, burlador". Para o MPF, ao conter tal explicação, o dicionário ajuda a disseminar o preconceito contra os ciganos e a intolerância étnica, que afrontam a Constituição. É um raciocínio tão absurdo quanto achar que, ao explicar o que foi o nazismo, os livros de história referendam seu horror.

O pedido do procurador é, em todos os sentidos, descabido, concordam juristas, dicionaristas e o bom-senso. É, por exemplo, a opinião de Ophir Cavalcanti, presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB): "A alegação me soa exagerada. Não vejo amparo legal nessa questão", diz. "Abolir determinadas significações do dicionário é uma tentativa de cercear a liberdade intelectual, é privar a sociedade de conhecer a própria língua." O Instituto Antonio Houaiss, responsável pela edição do dicionário (publicado pela editora Objetiva), ainda guarda em segredo quais medidas irá adotar. Espera-se que reaja, que busque a Justiça.

A perplexidade dos dicionaristas – os especialistas que constróem essas obras monumentais – é semelhante. "Os dicionários registram as acepções das palavras, pareçam elas positivas ou negativas, pois esses são os valores que os falantes da língua atribuem a elas. E esses significados precisam estar documentados nos dicionários: esta é a função deles", diz a dicionarista Maria Helena de Moura Neves, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

É exatamente essa função que o Houaiss cumpre ao registrar o uso pejorativo que pode ser dado ao termo cigano. De acordo com o livro, data de 1899 o uso da palavra para qualificar "aquele que trapaceia, velhaco, burlador". Ainda hoje, pode-se encontrar o mesmo emprego. Então, a dicionarista, lança uma pergunta retórica cuja resposta é demolidora para o pleito do MPF: "Se nos empenhássemos em registrar apenas as acepções positivas, teríamos um dicionário cor de rosa. Isso tornaria a sociedade menos preconceituosa ou injusta?" É quase desnecessário responder: não.

O procurador Cléber Eustáquio Neves poder perder sua batalha contra o Houaiss – a vitória da lei, da ciência e do bom-senso é o que se espera da Justiça, que ainda não tem data para julgar o caso. Mas o procurador já fez vítimas. Instada pelo MPF, a editora Melhoramentos já suprimiu das páginas de seu dicionário a acepção pejorativa do verbete cigano. "Fomos informados por meio da Justiça de que havia pessoas ofendidas com alguns dos nossos verbetes", diz Breno Lermer, superintendente da Melhoramentos. "Avaliamos que algumas definições pejorativas relativas a cigano eram antigas e já não correspondiam à realidade. Acabaram suprimidas."

A decisão abre precedente. Se surgirem mais reclamações, é possível que mais acepções sejam retiradas do dicionário? Sim, confirma Lermer. "Se entendermos que eles já não encontram correspondência com a realidade, serão retirados." Estão, portanto, em risco as definições que informam, por exemplo, que o adjetivo judeu, em sua acepção insultuosa, designa a "pessoa usurária, avarenta", ou que baiano, em situação idêntica, é o "tolo, fanfarrão". São todos usos ofensivos, preconceitusos, não há dúvida. Mas tirá-los das páginas dos dicionários seria um desserviço: melhor deixá-los ali, prestando o precioso serviço de ensinar àqueles que recorrem ao livro que o mundo não é, como lembra Maria Helena de Moura Neves, cor de rosa.

As alterações almejadas pelo procurador são, já está claro, equívocos terríveis. "Hoje, a tendência é advogar em prol do politicamente correto. É uma patrulha sem fundamento linguístico", sentencia o dicionarista Francisco Borba, da Unesp. "Dicionários não são instrumentos ideológicos ou políticos. São obras objetivas, que registram a língua. Preconceito comete aquele que faz uso de acepções pejorativas em seu cotidiano, não o dicionário."

Governo: preço do iPhone 4 é com a Apple. Então incentivo prá quê?

Comentando a Notícia.

Reportagem de O Globo informa sobre esta nova delícia do governo Dilma. Abre-se mão de impostos em troca de coisa nenhuma. Para quê serve então o incentivo? 

Ora, quando um governo reduz impostos, o mínimo que se pode esperar é que as empresas beneficiadas façam o mesmo com o preço final de seus produtos, justamente para incentivar o consumo maior pela  população que, com a carga anterior, não podia ter acesso aos bens e serviços.   

E, claro, quando o governo se dispõe a criar estes incentivos fiscais, deve cobrar de parte dos empresários alguma forma de contrapartida. Certo? No governo Dilma não é bem assim. O governo pratica uma renúncia fiscal em troca de coisa alguma.  Se algum empresário não se dispõe a cumprir alguma forma de compensação, preço e empregos, então é porque não precisa do incentivo coisa nenhuma. Volte a pagar a mesma carga que os demais  para que o Estado tenha mais recursos para investir em qualificação de serviços. Por favor, digam se há alguma incoerência nisto?

Fico a imaginar, afinal das contas, para quem o governo governa?

Antes de qualquer outro comentário (e é preciso), vejam a notícia a seguir. 

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Segundo ministério, incentivos fiscais dados à Foxconn no país não a obrigam a baixar valores para os consumidores
O GLOBO 
Iphone produzido no país custa o mesmo do que o feito no exterior

BRASÍLIA — A Foxconn conta com incentivos fiscais para fabricar o iPhone 4 da Apple no país, em sua fábrica em Jundiaí, no interior de São Paulo, mas sem nenhuma obrigação de que estes benefícios sejam repassados para os consumidores. E, segundo o governo, não existe nenhuma perspectiva de que este quadro vá mudar no curto prazo.

Nesta terça-feira, O GLOBO revelou que os preços praticados para o iPhone 4 de 8GB fabricado no país são equivalentes ao do produto importado, chegando a R$ 1.799.

O secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Virgílio Almeida, disse que em novembro de 2011 o governo enquadrou o equipamento no Processo Produtivo Básico (PPB), da Lei de Informática, e por isso seu IPI caiu de 15% para 3%. Em contrapartida, a empresa tem que investir 4% do faturamento líquido em pesquisa e desenvolvimento E tem até seis meses após a concessão do benefício para começar a produção dos aparelhos.

— A formação do preço ao consumidor final é uma questão empresarial — disse o secretário, explicando que o governo não interfere nos preços praticados no mercado.

Mas Almeida acredita que os valores ainda estão mais altos porque a produção do iPhone está começando agora, e que a tendência é de queda dos preços nos próximos meses, principalmente com o aumento da concorrência. O produto chegou às lojas das operadoras de telefonia móvel um pouco antes do Natal, custando cerca de R$ 1.600, segundo ele.

Os dois principais benefícios da lei, segundo o secretário, são a criação de empregos qualificados no Brasil e a absorção de tecnologia, por causa dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Somente na fábrica do iPhone, disse, foram criados cerca de 1.300 empregos.

Virgílio Almeida lembrou ainda que as fábricas de iPhone e de iPad da Foxconn são as duas únicas fora da China.

No mês passado, a Foxconn também recebeu o mesmo tipo de incentivo fiscal — com redução de 95% do IPI até 2014 — para fabricar o iPad.

***** COMENTANDO:
Também das alegações, também, para o preço se manter alto, segundo ainda o governo, é que o incentivo fiscal se destinava para a redução de preço dos tablets. Não estaria incluso na “contrapartida” redução de preços para iPhone e iPad.  Muito bem, então devemos supor que os tablets estejam bem mais acessíveis para o consumidor brasileiro, certo? Errado. 

Observem no texto da Folha o que aconteceu. Volto para encerrar.

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Preço de tablet feito no país cai menos que o esperado

Tablets "top de linha" produzidos no Brasil ainda não tiveram a queda de preço anunciada pelo governo federal ao conceder benefícios fiscais para a fabricação dos aparelhos no país, em maio do ano passado, informa reportagem de Luiza Bandeira e Sílvia Freire publicada na edição desta quarta-feira da Folha.

À época, o governo federal dizia estimar, com a produção nacional, uma queda de 30% a 40% no preço dos tablets na comparação com similares importados.

Mas quem compra, por exemplo, um Samsung Galaxy Tab 10.1, produzido no Brasil com incentivos fiscais paga quase o mesmo preço do importado iPad 2, da Apple.

A economia com o produto nacional é de apenas R$ 20 a R$ 30 (1% a 2%), dependendo do modelo.

Outro concorrente do iPad produzido no Brasil, o Motorola Xoom, custa até 21% a menos que o iPad 2, que paga impostos de importação.

Editoria de Arte/Folhapress

CONCLUINDO:
Fica claro que o governo concedeu incentivos em troca de coisa nenhuma. A alegação de geração de empregos também ficou a ver navios. Anunciou-se (foi o próprio quem fez a declaração em seu retorno ao Brasil), a criação de 100 mil e olhem no alto, não se chegou sequer a 10% do previsto. Até porque, na época não era de mais empregos que o país precisava. Quanto a importação de tecnologias, elas seriam muito bem vindas se o produto atendesse o mercado consumidor. Pelo preço equivalente ao importado, acaba não compensando coisa nenhuma. Sem dúvida, foi um negócio da China para chinês se deliciar de rir... 

É, leitor, cabe rir

Marco Antonio Villa, O Globo

O STF vai “emitir pareceres” sobre aspectos da Albânia, Armênia e Arzebaijão

Foi-se o tempo em que o Judiciário era o poder menos conhecido da República. Que seu funcionamento e suas mazelas eram assuntos que somente interessavam aos profissionais do Direito. Hoje – e é um fato extremamente positivo – comenta-se sobre a Justiça em qualquer lugar. Porém, pouco se fala sobre a luta travada no interior do Judiciário. Os privilégios denunciados e comprovados estão restritos a uma pequena parcela dos magistrados e funcionários. Nos juizados de primeira instância, os juízes trabalham muito, sem a mínima estrutura operacional e o número de funcionários é insuficiente para o bom andamento dos trabalhos. E estão, até hoje, aguardando receber as “vantagens eventuais”, espécie de mais-valia macunaímica. Muitos reclamam que suas sentenças condenatórias são reformadas nas cortes superiores, lançando por terra todo o trabalho realizado, além de jogar água no moinho da impunidade.

Em meio a este saudável debate, o Supremo Tribunal Federal se destaca. Suas sessões são acompanhadas pela televisão como se fosse um reality show. Os ministros adoram o som da própria voz. Os votos são intermináveis. A maior parte da argumentação poderia ser resumida em poucas páginas. Pior só o regimento interno. O parágrafo único do artigo 16 reza que os ministros “receberão o tratamento de Excelência, conservando os títulos e as honras correspondentes, mesmo após a aposentadoria”. É inacreditável. O STF não deve ter recebido a notícia que a República foi proclamada em 1889. Acredita que a denominação de ministro é um título nobiliárquico.

Um bom exemplo de como funciona aquela Corte foi a apreciação da contestação da Associação dos Magistrados Brasileiros acerca das atribuições do Conselho Nacional de Justiça. A derrota da AMB foi saudada como uma grande vitória. Foi ignorado o placar apertadíssimo da decisão: 6 a 5. E que o presidente do STF, Cezar Peluso, foi um dos vencidos (e quem assistiu a sessão deve ter ficado horrorizado com as suas constantes intervenções, atropelando falas de outros ministros, e esquecendo-se que era o presidente, e não parte ativa do debate). É sabido que Peluso também é o presidente do CNJ e adversário figadal da corregedora, ministra Eliana Calmon. Quase um mês depois da “vitória democrática”, nada mudou. O STF ainda não resolveu várias pendências envolvendo a decisão, o que, na prática, pode retirar os instrumentos investigatórios do CNJ.

O STF condensa os defeitos do Judiciário. O relatório das atividades de 2011 serve como um bom exemplo. Diferentemente do ano anterior, neste, Peluso deixou de lado o culto da personalidade. Só pôs uma foto, o que, para os seus padrões, é um enorme progresso. Porém, cometeu alguns equívocos. Como um Dr. Pangloss nativo, considerou a ação do Judiciário marcada pela “celeridade, eficiência e modernização”. Entusiasmado, escreveu duas introduções, uma delas, curiosamente, intitulada “visão de futuro”. Nesta “visão”, encerrou o texto com uma conclamação política, confusa, desnecessária e descabida para uma Suprema Corte: “O Poder Judiciário já não precisará lidar com uma sobrecarga insuportável de processos, em todas as latitudes do seu aparato burocrático, e poderá ampliar e intensificar sua valorosa contribuição ao desenvolvimento virtuoso da nação, entendido não apenas como progresso econômico, mas como avanço social, educacional e cultural, necessários à emancipação da sociedade em todos os planos das potencialidades humanas.”

A leitura do relatório, confesso, causa um certo mal-estar. Por que tantas fotografias do prédio do STF? Falta o que dizer? Quando se espera informações precisas, o leitor é surpreendido por esquecimentos. Um deles é sobre o número de funcionários. Segundo o relatório, o tribunal tem como “força de trabalho disponível” 1.119 funcionários. Foram omitidos os terceirizados: “apenas” 1.305 trabalhadores! Também chama a atenção que entre as 102 mil decisões daquela Corte, 89.074 foram, apesar de possíveis e previstas no regimento interno (que deveria ser modificado), monocráticas, de um só ministro (87%), das quais 36.754 couberam exclusivamente ao presidente.

Mais estranhas são afirmações, como as do ministro Marco Aurélio. Disse no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, que julgou, em 2011, 8.700 processos. Isso mesmo: 8.700 processos. Podemos supor que metade tenha sido julgada no mérito. Sobraram 4.350. Vamos imaginar, com benevolência, que cada processo tenha em média 500 folhas. Portanto, o ministro teve de ler 2.175.000 páginas. Se excluirmos férias forenses (e haja férias!), os finais de semana, os feriados prolongados, as licenças médicas, as viagens internacionais, as sessões plenárias, o ministro deve ter ficado com uns quatro meses para se dedicar a estes processos. Em 120 dias, portanto, teve de ler, em média, 18.125 páginas. Imaginando que tenha trabalhado 14 horas diárias leu, por hora, 1.294 páginas, das quais 21 por minuto, número invejável, digno de um curso de leitura superdinâmica. E de olhos de lince (pensei até em recomendar este “método” ao ministro Ricardo Lewandowski, que declarou ter dificuldade de ler as 600 páginas com depoimentos sobre o processo do mensalão).

É, leitor, cabe rir. Fazer o quê? Mas fique tranquilo e encha o peito de ufanismo. Li no relatório que o STF está levando sua experiência aos encontros internacionais “para emitir pareceres sobre aspectos eleitorais da Albânia, serviço alternativo e regime jurídico do estado de emergência da Armênia”, sem esquecer “os partidos políticos do Azerbaijão”.

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(Conheça o mais recente livro de Marco Antonio Villa: “A história das constituições brasileiras“)


O que o Carnaval diz do Brasil?

Roberto DaMatta, Revista Época

No Brasil, o Carnaval nos permite abandonar as hierarquias e os tabus de um sistema altamente repressivo

Toda celebração nacional tem um mito, uma história que explica e justifica a sua celebração. O melhor exemplo é o nosso “7 de setembro”. Uma arrogada realidade histórica ensina que já em agosto de 1822 Dom Pedro I rompera com Portugal declarando inimigas as tropas lusas que estavam em nosso território. Mas o mito, conforme aprendemos na escola primária, narra um gesto muito mais dramático e revelador. Em viagem a São Paulo acompanhado por sua guarda de honra (chamada de “dragões”), Dom Pedro recebe a correspondência de Portugal limitando seu poder. Reagindo à diminuição de sua liberdade, arranca do seu dólmã as fitas com as cores vermelha e azul das cortes portuguesas, desembainha a espada e grita: “Independência ou morte!”. Estava declarada nossa independência às margens do Ipiranga – um riacho de “água vermelha” (i-piranga em tupi), como mostra o quadro consagrador de Pedro Américo. O ritual que celebra esse mito repete todo ano o gesto de uma forma estilizada: há uma parada militar onde se afirma o poderio brasileiro. O grito “original” (sinal do rompimento) é substituído por discursos ou pelo canto do hino nacional. A Independência segue a norma dos ritos da ordem e tem um centro, um propósito e um personagem.

Tudo isso contrasta notavelmente com o Carnaval, que não tem um mito de origem nem é uma comemoração de algum ato ou pessoa. Na festa de Momo, temos o rito, mas não temos o mito. Trata-se de uma festa da desordem e, como tal, ela promove uma infinidade de personagens e eventos. Em contraste com a Independência, o Carnaval ocorre dentro de um tempo bíblico. O Carnaval, como o futebol, não foi inventado no Brasil e faz parte de uma tradição arcaica na qual se coloca em correspondência a mudança das estações do ano ou anomalias cósmicas (como os eclipses) e o barulho por meio da percussão, o insulto e o assassinato dos deuses. Ele ocorre antes da Quaresma, que culmina no sacrifício de Cristo, o Deus que se fez homem para salvar a humanidade, conforme reza a tradição cristã. Antes então de um período de disciplina (onde não se come a carne – donde: carne levare), permite-se o excesso que sinaliza o fim de um recreio.

No passado, o Carnaval foi uma celebração obrigatória: todos tinham de brincá-lo. Hoje, ele é um longo feriado, embora continue preservando sua escritura original que suspende e inverte as regras das rotinas mais equilibradas. A norma é esbaldar-se, brincar e pular até cair. Temos então uma revelação interessante: como uma festa baseada no “poder fazer tudo” acontece na terra do “não pode”? Um “não pode” sempre dirigido para quem não é rico, bem de vida ou faz parte do governo?

A pergunta contém sua resposta. Só existe Carnaval onde há o desejo de ver o mundo de cabeça para baixo. A permissividade planejada e permitida é, no fundo, uma licença “legal” (conforme taxamos tudo o que é bom no Brasil) para abandonar, por um curto período de tempo, as hierarquias e os tabus de um sistema altamente repressivo. Tão profundamente aristocrático e desigual que seus membros precisam de um ritual permissivo. Testemunha isso o fato de o Carnaval ter sido proibido na Espanha e em Portugal nas ditaduras de Franco e Salazar. No Brasil, as tentativas de proibi-lo sempre estiveram associadas ao elitismo intelectual que vê na festa um abuso dos bons costumes e um exemplo de “atraso” nacional. Enfim, como perda de um tempo precioso, destinado a produzir e a fazer as grandes reformas e a “revolução” de que tanto precisamos. Como o futebol, o Carnaval seria um ópio ou, na melhor hipótese, um remédio para o povo.

O que fazer com o puritanismo globalizado que manda trabalhar, poupar e ser recatado, se o Carnaval apresenta aos seus celebrantes uma verdade alternativa: aproveite enquanto pode; é hoje só, amanhã não tem mais… E, ao lado dessa mensagem, deixa que o pobre vire divindade, reduzindo o patrão ao papel de espectador de seus empregados. Não satisfeito com tais absurdos, ele faz o governo destinar verbas para suas “escolas de samba”, cujas sedes são melhores que as escolas e os hospitais. Pode-se urinar, beijar e fazer outras coisas na rua em cidades cujas vias públicas são finalmente destinadas a nós, seus cidadãos – essas ruas que, sem os nossos mortíferos automóveis, podem ser desfrutadas porque estamos num mundo sem donos e patrões.

Nada melhor do que a marchinha de Lamartine Babo, escrita em 1934, para mostrar o que o Carnaval diz do Brasil:

Quem foi que inventou o Brasil?
– Foi seu Cabral! Foi seu Cabral!
No dia 21 de abril
Dois meses depois do Carnaval!

Se o mundo diário nos obriga a pensar a festa como um resultado ou um prêmio, a música e o mito levam a ler o Brasil irremediavelmente marcado pelo Carnaval. Nele, a festa não depende do Brasil, mas, pelo contrário, é o Brasil que dela decorre. O compositor percebe como o Carnaval escapa do viés utilitário que só enxerga o mundo como controlado por partidos e classes sociais. Nessa sociedade que, até 1888, teve escravos, que até ontem teve imperadores e barões e, no seu período republicano, mais ditaduras do que regimes igualitários e livres, entende-se por que o Rei Momo vem periodicamente governar. Pois, mais do que festa, o Carnaval é o espelho pelo qual vemos a nós mesmos por meio da estética dos subordinados. Esses que amam o luxo e o enfeite adoram o exagerado e o invejável. E assim reproduzem seus superiores por meio da licença ampla concedida pela permissividade do ritual. Desse modo, abusam tanto quanto seus superiores o fazem no mundo diário, onde desfilam com suas falcatruas, mentiras e roubos da coisa pública, sem ser punidos.

Penso, pois, que o Carnaval põe o Brasil de ponta-cabeça. Num país onde a liberdade é privilégio de uns poucos e é sempre lida por seu lado legal e cívico, a festa abre nossa vida a uma liberdade sensual, nisso que o mundo burguês chama de libertinagem. Dando livre passagem ao corpo, o Carnaval destitui posicionamentos sociais fixos e rígidos, permitindo a “fantasia”, que inventa novas identidades e dá uma enorme elasticidade a todos os papéis sociais reguladores. Se Shakespeare nos visitasse, confirmaria seu famoso axioma segundo o qual o mundo é um palco. E descobriria, indo além de si mesmo, que, nesse cenário de tragédias, injustiças, sofrimento e reveses, a própria morte é convidada. Pois, no Carnaval, os homens desmoralizam a morte, cantando e dançando com ela. Reafirmando o riso como nosso único consolo. Esse riso carnavalesco que corajosamente permite rir de nossas próprias desgraças.

Parar a entrada de capitais?

Celso Ming, Estadão.com

Em depoimento nesta terça-feira na Comissão de Economia e Finanças do Senado, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, apoiou o diagnóstico do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o principal fator de valorização do real (baixa do dólar) é o despejo nunca visto de moeda nos mercados pelos grandes bancos centrais: Federal Reserve (dos Estados Unidos), Banco Central Europeu (área do euro), Banco da Inglaterra e Banco do Japão.

O objetivo preponderante desses bancos centrais é desbloquear o crédito e promover grande oferta de recursos para que os juros de longo prazo pagos pelos títulos soberanos (dívida dos Tesouros) possam se manter em níveis muito baixos, para não sobrecarregar o custo do endividamento.

(FOTO: ED FERREIRA/AE)
Tombini. Enxurrada de moeda  

Tombini não confirmou a mobilização do arsenal de medidas de que tanto fala Mantega. Em compensação, observou que os países emergentes estão acostumados a lidar com esse problema.

Para quem chega só agora ao assunto, o problema do forte afluxo de moeda estrangeira é a derrubada do câmbio interno que, por sua vez, tende a tirar competitividade do setor produtivo nacional, por encarecer em dólares o produto brasileiro e baratear em reais o importado.

Uma das propostas mais insistentes entre economistas e industriais brasileiros é erguer um dique à entrada de capitais – tática que está entre as mais empregadas pelos países emergentes, inclusive pelo Brasil, como lembrou Tombini.

Hoje, já há a imposição do Imposto sobre Operações Financeiras, de 1%, na entrada de recursos destinados a aplicações de renda fixa. É um jeito de reduzir o retorno das aplicações financeiras no mercado interno e desestimular essas operações.

Mas a maior parte desse volume ou vem como financiamento de longo prazo (emissão de bônus ou títulos) ou vem como Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs). No ano passado, apenas nessa alínea entraram US$ 66,7 bilhões, o equivalente a 26% das receitas com exportações ou 2,7% do PIB brasileiro.

É complicado, mas é possível controlar esses afluxos. Mas impor barreiras aos financiamentos externos implica fechar torneiras, justamente quando empresas brasileiras (como a Petrobrás) mais precisam de recursos baratos para reforço de capital de giro. Nos últimos sete dias, o Bradesco trouxe US$ 1,1 bilhão e o Banco do Brasil, US$ 750 milhões. Esses financiamentos não interessam ao Brasil?

E conter os IEDs exigiria imposição de critérios duvidosos – como determinar qual investimento é bom ou ruim. Por que, por exemplo, investimentos estrangeiros em serviços (como transporte, telecomunicações, supermercados) ou em agropecuária seriam indesejáveis, enquanto os destinados à indústria seriam bem-vindos? Em seguida, como controlar essas aplicações, se um grupo poderia trazer recursos novos para a indústria e usar suas reservas em outra área?

A questão mais importante, no entanto, é saber que sinais para o mundo restrições assim passariam. É ou não do interesse do País estimular investimentos, criação de empregos e aumento de produção? E por que não tirar proveito da grande disponibilidade de capitais, quando o que mais falta no País é poupança para empurrar o desenvolvimento econômico?

CONFIRA


A expansão do crédito pelos bancos segue alta, acima de 18% em 12 meses. É fator que, ao lado da expansão da massa salarial, puxa o consumo, num momento em que o setor produtivo avança mais devagar. Isso significa que as importações continuarão a ser acionadas para ajudar a suprir o consumo.

Garfo neles. O candidato socialista à presidência da França, François Hollande, pede alíquota de 75% no Imposto de Renda dos super-ricos. É proposta desenhada para mais efeito político do que arrecadatório.

A cruzada contra o MMA no Brasil

Guga Noblat – O Globo

José Mentor não gosta de MMA. Acha violento. O compara aos tempos do Coliseu. Pior ainda, José Mentor abomina o MMA. Não considera um esporte legítimo. “Rinha humana”, filosofa Mentor. 

Não haveria problema algum em José Mentor ser um critico das artes marciais mistas. Cada um que tome o controle remoto do colo da esposa e veja o que bem entender. O problema é que Mentor é deputado federal. E resolveu fazer uma caça às bruxas com o MMA. Tomou frente num projeto de lei que multa em 150 mil reais as emissoras de TV abertas ou fechadas que exibirem” lutas não olímpicas consideradas violentas”. Canais reincidentes poderiam, inclusive, sair do ar. O alvo dessa ação é somente o MMA.

A mediocridade de nossos políticos fica latente pela maneira como eles criam, desfazem e discutem leis. Mentor não tem a menor ideia dos riscos inerentes a qualquer esporte. Mas abusa da retórica ao tentar cavar argumentos para banir o MMA. Chama de incitação a violência. Compara com briga de galo. Diz que tem médicos no Canadá que querem proibir as artes marciais mistas. Um tremendo tiro no pé, perceberá num futuro breve.

O Brasil é o berço do MMA. O desafio Gracie que começou ainda nos anos 20 e sacudiu o Rio de Janeiro é a base desse esporte. O então presidente Getúlio Vargas valorizava o chamado Vale Tudo e prestigiou na década de 50 um confronto histórico do pai do jiu-jitsu moderno, o lendário Hélio Gracie, contra um dos judocas mais importantes de todos os tempos, o japonês Masahiko Kimura.

No norte, a partir de Belém do Pará e passando por Manaus, no Amazonas, a cultura do jiu-jitsu também fincou raízes desde cedo. Hoje, o MMA é um esporte mundial, mas de DNA verde e amarelo. Devia ser valorizado e defendido pelos políticos como é a capoeira. Mas Mentor tenta impor à sociedade uma visão distorcida que ele tem desse esporte. Puro preconceito respaldado por nada e com base em coisa alguma, fomentado apenas em meras impressões.

Perguntei ao ícone do MMA mundial Wanderlei Silva o que ele pensa sobre a atitude de Mentor. Resposta do atleta:

- Esses políticos ja viram algum evento de MMA? Acho que eles deviam fazer uma lei para ajudar os viciados em crack, não proibir o MMA. Isso é esporte, olha quanta gente ta sendo salva. Acho que isso é uma coisa de parlamentares que querem chamar atenção. Essas pessoas são totalmente ignorantes com relação a esse assunto.

O esporte mais arrebatador das últimas décadas tomou proporções gigantescas e trafegou um longo caminho até ser aceito pelos grotões mais conservadores da sociedade norte-americana. A mesma comparação esdrúxula de José Mentor foi feita por outro politico metido a fiscal dos bons costumes. Em 1996, o então senador americano John McCain comparou o MMA a uma rinha de galo e tomou a dianteira numa cruzada para proibir esse esporte. Mas, com alguns ajustes na regras, os eventos dos Estados Unidos passaram a ser sancionados por comissões atléticas responsáveis por regulamentar o boxe e o senador ficou sem argumento. Anos mais tarde, McCain reconheceria que o MMA é um esporte legitimo com regras que protegem os atletas. 

Mentor se vale de um argumento um tanto quanto incoerente, para não dizer tosco, na hora de justificar a caça ao MMA. O projeto de lei apresentado por ele veda a exibição de confrontos de artes marciais não reconhecidas pelo Comitê Olímpico Brasileiro, pois eles não seriam regulamentados. Chama esse esporte de brutal, mas avaliza a exibição de outros combates comprovadamente mais traumáticos do que o MMA, como é o caso do boxe.

O UFC, maior liga de artes marciais mistas, tem o aval de comissões atléticas. O evento oferece uma estrutura de ponta para os atletas e até paga um seguro médico a eles. Nunca foi registrado um incidente grave nessa organização. Em toda história do MMA desde a década de 90 houve três fatalidades por conta de traumas provocados em combates. Número bastante inferior aos mais de 70 computados no boxe nesse mesmo período. Ou às dezenas de mortes nos milionários jogos de futebol americano nos últimos 20 anos. O chefão do UFC, Dana White, sonha em tornar o MMA um esporte olímpico. Mas ai é uma questão burocrática. Depende de se formar dezenas de federações que promovam o MMA em diversos países para um dia ser aceito pelo Comitê Olímpico Internacional. Depende de lobby também. Mas o mais importante não é entrar para a lista de esportes do COI. E sim, criar e aprimorar as regras para proteger os atletas. O único estudo sério sobre traumas em lutas classificou o MMA como menos traumático para o cérebro do que o boxe. Os números mostram isso. Jonh McCain já se convenceu disso. Falta o Mentor.

Comparar um atleta de MMA que se prepara durante três meses para um combate regulamentado e assistido por médicos a uma rinha onde galos são covardemente incitados a brigar mostra o nível de despreparo de Mentor para falar do assunto. Comparar ao Coliseu onde homens eram obrigados a se matar ou eram jogados aos leões deixa exposto toda a amargura e preconceito de Mentor contra um esporte que hoje é visto por mais de 350 milhões de pessoas no mundo e movimenta mais de 5 bilhões de dólares por ano. Mas, se depender de Mentor, MMA no Brasil só pela internet. A conferir!

Brasil quer saber motivos da prisão de pastor evangélico no Irã

Priscilla Mendes, Portal G1, em Brasília

Youssef Nadarkhani, 33, converteu-se do islamismo para o cristianismo.

Bancada evangélica no Congresso pede intervenção do governo do Brasil.

Foto: Reprodução /TV Globo)
Iraniano Youssef Nadarkhani foi preso, acusado
de abandonar a fé islâmica 

A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quarta-feira (29) que o governo brasileiro entrou em contato com o Irã para saber quais motivos levaram à prisão naquele país do pastor evangélico Youssef Nadarkhani.

“Nós já temos feito contato com nosso embaixador no Irã, o Itamaraty também tem feito contato pra saber efetivamente qual é a causa da prisão e levar os nossos posicionamentos sobre a defesa dos direitos humanos”, disse a ministra nesta manhã após participar de um evento no Palácio.

O iraniano Nadarkhani, 33 anos, converteu-se do islamismo para o cristianismo aos 19 anos e três anos depois, já pastor evangélico, fundou uma pequena comunidade cristã na cidade de Rasht, a noroeste de Teerã. Nadarkhani foi preso, acusado de abandonar a fé islâmica, e recebeu a sentença máxima: morte por enforcamento.

Gleisi vai se reunir nesta tarde com parlamentares da bancada evangélica no Congresso, que pedem intervenção do governo brasileiro no caso. Às 13h30, ela receberá o deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) no Palácio do Planalto.

A ministra da Casa Civil afirmou que o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, deve elaborar um relatório detalhado sobre o caso. “A gente tendo isso [o relatório], vai ter uma manifestação formal, possivelmente do Itamaraty”, disse a ministra.

A chefe da Casa Civil disse ainda que o Brasil “não tem pretensão de ser intermediador” entre o pastor e o Irã e afirmou que o Planalto foi procurado por membros da comunidade evangélica, que pedem ação do governo no caso.

“Nós fomos procurados por um grupo de pessoas, de parlamentares da comunidade evangélica, pra que nós pudéssemos saber o que está acontecendo e também pudéssemos ajudar e manifestar solidariedade, manifestar a posição do Brasil em relação a isso”, disse.