Adelson Elias Vasconcellos
Uma das causas mais importantes para a estabilidade econômica brasileira é, sem dúvida, a competência e eficiência da agropecuária brasileira. Apenas para se ter uma ideia, praticamente um terço de nossas exportações vem do campo. E, noves fora tudo o que se deve descontar, o sustentáculo dos expressivos superávits comerciais do comércio exterior se devem, e muito, à agropecuária, razão pela qual, quando olhamos para as reservas internacionais superiores a R$ 200 bilhões, as vemos praticamente caboclas, com cheiro de campo, de suor, de esterco.
Quando os brasileiros entram num supermercado, e correm pelas bancas de frutas e verduras, além da fartura e imensa variedade, o que mais nos fascina são os preços, poucos variáveis por conta da sazonalidade de alguns produtos, mas lá estão eles, com preços a nos garantir boa alimentação a um custo baixo.
Quando olhamos para o balcão das carnes, acontece a mesma coisa: variedade, fartura e preços estáveis. E isto pesa no bolso principalmente dos mais pobres que podem se alimentar mais e com melhor qualidade e variedade de opções.
Mas esta variedade e fartura de itens, assim como a estabilidade de preços não são conseguidos apenas pela vontade dos governantes, ou pela boa vontade dos ambientalistas. Isto exige além de muito trabalho, é claro, muita pesquisa, muita tecnologia e terras produtivas. E o conjunto destes fatores todos custam financiamentos subsidiados além do indispensável seguro agrícola, fixação de preços mínimos, dentre outros aspectos.
Para um país como o Brasil, com sua dimensão territorial ocupada por quase duzentos milhões de pessoas, a produção de alimentos no campo é indispensável. E, se ainda levarmos em conta a imensa desigualdade sócio econômica existente, a produção de alimentos a preços baixos deve ser um esforço concentrado de todos.
Mas, infelizmente, há muito porcaria se autodenominando de cientista ou especialista de droga nenhuma, que insiste em preservações de enormes nacos do território brasileiro em nome de suas teorias de pura fantasia. E há também aqueles que, devidamente sustentados por ONGs estrangeiras, atuam no território brasileiro para impedir-nos de ocuparmos espaços maiores no comércio mundial de alimentos.
E há dentro do governo, gente que parece achar que alimentos dão no ar, ou podem ser produzidos em laboratório, esquecendo-se do volume de terras necessárias para uma produção suficiente para atender apenas a demanda interna.
Assim, cada vez com maior frequência, tenta-se limitar a atividade agropecuária, reduzindo-lhes os espaços disponíveis para plantar e criar. Cada vez com maior frequência, os pequenos e médios agricultores são simplesmente expulsos de suas terras por conta de um número cada maior de reservas e áreas de preservação.
Neste artigo, pretendemos mostrar o perigo que corremos com a adoção das políticas atualmente em estudos e algumas até em execução, que tornarão a agropecuária brasileira praticamente inviável nos próximos anos,
Uma destas políticas é que a determina uma produtividade mínima fixa, em todo o território nacional, que se não atendida, autorizaria o governo federal a promover a desocupação legal destas terras.
Hoje, a produtividade brasileira em muitas culturas já é a maior do mundo, a depender principalmente da região em que as atividades são desenvolvidas. No Planalto Central, por exemplo, as grandes extensões de baixa altitude, permitem lavouras com alto índice de mecanização, o que contribui para a elevação da produtividade. Exemplos disto são os resultados obtidos nas lavouras de soja e algodão. Região em que o solo é mais acidentado, estes índices são impossíveis de serem alcançados. Assim, é de uma suprema ignorância a fixação de índices iguais para áreas desiguais em termos de geografia. Como também deve-se levar em conta a composição do solo. Além, sobretudo, as imprevisíveis intempéries climáticas.
Outro aspecto relevante, diz respeito as tais reservas legais. A fixação de índices iguais a todas as propriedades é um acinte. Aqui, deve-se levar em conta o tamanho das propriedades, e as próprias características geográficas em que cada propriedade se localiza.
Ora, o que vemos nas políticas governamentais, é a imposição cada vez maior das vozes de ambientalistas que jamais pegaram uma enxada para revirar o solo, mas que não se furtam do seu churrasquinho de final de semana, ou de seu arroz com feijão de segunda a sexta, esquecendo-se completamente de onde vieram os alimentos que colocam em suas próprias mesas.
A fixação de índices de produtividade como também o tamanho de reservas legais não pode ser feito a machado, de forma impositiva sem que se levem em conta não apenas os riscos para a atividade agropecuária como um todo, mas também sem que se considerem as vozes de seus maiores interessados que são os produtores rurais, proceder assim é manter um despotismo injustificável.
Quem perde não serão apenas os produtores, médios e pequenos principalmente, mas perde o país como um todo, porque se está enveredando pelo caminho que leva ao pior dos mundos: a inviabilização da atividade agropecuária em todo o país.
Reparem neste dado: atualmente, dos 8,5 milhões de km² do país, só de reserva indígena, já temos 1.119.424,34 hectares destinados para abrigar uma população inferior a um milhão de índios. O que jáa seria um absurdo descomunal.
Porém, devemos considerar neste cálculo, além das reservas indígenas também as demais áreas de preservação ambiental, áreas de reserva legal e de proteção permanente, totalizando incríveis 67% do território nacional. Assim, restariam apenas 33% do território brasileiro para abrigar uma população de 190 milhões de pessoas, com suas cidades, residências e produção agrícola e industrial. Pergunto: quem vai evitar o inevitável confronto?
Portanto, ou o restante da população, 190 milhões, simplesmente param de se reproduzir, ou a pressão social será tão imensa sobre os territórios “preservados” que a invasão destas áreas e sua exploração se tornará inevitável.
Não é possível que alguém no governo não veja o descomunal e estúpido erro que está cometendo com adoção destas políticas que colocará em confronto violento, em futuro próximo, as populações de um lado e de outro. Não dá para segurar 190 milhões sedentos por sua própria sobrevivência.
Portanto, está mais do que na hora do governo rever seus critérios tanto na fixação de áreas indígenas como as de preservação. As próprias reservas indígenas, muito em função do exagero na dimensão de suas áreas, estão sendo vítimas desta pressão, pela invasão constante destas reservas, seja por agricultores, seja por madeireiros, ou até garimpeiros e mineradores.
Já comprovamos que muitas das etnias atualmente presentes na Reserva Raposa do Sol, em Roraima, por exemplo, somente chegaram ali após 1988, vindas do Caribe e das Antilhas, ou seja, apenas a partir da Constituição que assegurou aos indígenas o direito à terra. Por outro lado, o governo federal não teve a menor consideração em expulsar daquelas áreas os agricultores que ali viviam honestamente há mais de um século.
E, a se confirmar a implantação da política das áreas de reserva legal na dimensão prevista, para as atuais propriedades agrícolas, a situação se tornará muito crítica para os agropecuaristas do país. Veja-se este exemplo: se for cumprida, a legislação ambiental vai gerar, só no Paraná, a perda de 12 milhões de toneladas da produção, e 1 milhão de produtores terão de deixar suas propriedades, que se tornarão inviáveis. A perda desta produção toda acarretará em escassez e inflação, porque a queda da produção será nacional, e neste caso, muitos milhões de toneladas de alimentos deixarão simplesmente de serem produzidos. O que resulta desta ação nefasta que o governo está implementando, é que os agropecuaristas estão sendo punidos por sua competência e honestidade.
Na verdade, é preciso que o país faça sua escolha: ou alimenta seu povo com quantidade suficiente de alimentos de boa qualidade e a preços baratos e estáveis, ou dá ouvidos para a idiotia dos ambientalistas cretinos e reserva seu território apenas para os jabutis, jacarés, capivaras, e outras ilustres figuras da nossa imensa fauna. Uma terceira alternativa, mas acho que o povo não sobreviveria, seria ensinar o brasileiro a viver de vento, ou aprender a comer capim como os ruminantes ambientalistas.
Preservação é uma coisa: outra, bem diferente, é a conjugação estúpida de ignorância com idiotia. Definitivamente, é impossível abrigar, com boa qualidade de vida, 190 milhões de brasileiros em apenas um terço do atual território. E este um terço de área ainda correndo o risco de ser mais reduzido em futuro próximo, com novas invencionices destes trambiqueiros do meio ambiente.
Quanto às reservas indígenas, o que se observa é total ausência de critérios. O caso da Raposa do Sol, por exemplo, é sintomático: sua demarcação obedeceu a um estudo antropológico emitido por um motorista de caminhão que nunca visitou a região. Ele próprio confessou às emissoras de televisão que o entrevistaram. Mais vigarice do que isto, impossível. Como ainda deveria o governo se socorrer da documentação histórica de que dispõe para saber com exatidão quais etnias efetivamente são brasileiras. O que está havendo de imigração de nações provenientes do Peru, da Colômbia e da Bolívia é um espanto, ou do Caribe, Guianas e Antilhas, como ocorreu na Raposa do Sol..
Por outro lado, enquanto o governo fica rifando terras gratuitas até para índios não brasileiros, cada vez mais vai expulsando os verdadeiros brasileiros não indígenas de até três gerações, em terras onde vivem honestamente de seu trabalho. Este crime um dia deverá vir à tona. Mas até lá, ainda persistirá o clima de confronto, carregados de ódio e violência, que o próprio governo está patrocinando.
