quinta-feira, maio 24, 2007

TOQUEDEPRIMA...

PF: filho de João Alves recebeu maiores propinas
De O Globo

"O relatório reservado da Polícia Federal aponta o empresário João Alves Neto, filho do ex-governador de Sergipe João Alves Filho, como destinatário das maiores propinas pagas pelo empresário Zuleido Veras, acusado pela Polícia Federal de chefiar o esquema de corrupção de políticos e autoridades públicas desvendado pela Operação Navalha. O documento, em poder da ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), descreve vários casos de pagamento de propina a João Alves Neto, num deles o valor do suborno chegaria a R$ 330 mil. Mas a cifra pode passar de R$ 500 mil. Essa teria sido a propina mais alta paga por Zuleido captada pelas escutas de 2006 até hoje.

João Alves está entre os 46 integrantes do suposto esquema de Zuleido presos quinta-feira passada. Segundo a Polícia Federal, num determinado momento Zuleido decidiu até fazer pagamentos mensais a João Alves, em troca da liberação de verbas para a construção de uma adutora do Rio São Francisco, em Sergipe. Orçada em mais de R$ 28 milhões, essa obra estava a cargo da Gautama, empresa de Zuleido. João Alves não ocupava cargo público, mas, segundo a Polícia Fede$, era ele quem mandava nas finanças do estado, governado pelo pai até o fim do ano passado."

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Indústrias já estudam suspender exportações
Jornal do Brasil

Empresas do setor calçadista já cogitam a possibilidade de suspender pedidos do mercado externo por causa do dólar baixo, afirmou o vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Milton Cardoso.

- Os reflexos da queda do dólar sobre o setor são nefastos. Temos notícias de que há um número importante de fábricas dedicadas em grande parte à exportação considerando seriamente a hipótese de encerrar as vendas ao mercado externo por absoluta inviabilidade do negócio - disse.

A possibilidade é estudada também no setor têxtil, segundo o diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel.

- Com esse câmbio, algumas empresas, estruturalmente, vão manter a produção para a exportação, mas na realidade o que vai ocorrer, sem sombra de dúvida, é uma interrupção das vendas externas. E o Brasil pode regredir - garantiu.

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Prefeito petista atuou para Caixa liberar empréstimo para Zuleido
José Alberto Bomig e Rubens Valente, Folha S.Paulo

Nos últimos dias de sua gestão, o então prefeito de Mauá (Grande SP), Oswaldo Dias (PT). atuou para liberar dois empréstimos no valor total de R$ 42,7 milhões da Caixa Econômica Federal para a empresa Ecosama, pertencente ao empreiteiro Zuleido Soares Veras, 62, preso na semana passada pela Polícia Federal durante a Operação Navalha.
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O ex-prefeito assinou em 23 de dezembro de 2004 contratos mantidos entre a Caixa e a empresa na qualidade de "interveniente anuente", pelos quais a prefeitura passou a ser uma parte do negócio. Na prática, significa que a Caixa poderá punir a prefeitura caso ela rompa a concessão que mantém com a Ecosama para os serviços de esgoto do município. A ruptura poderia afetar o pagamento ao banco, pela empresa, das parcelas do financiamento.O atual prefeito de Mauá, Leonel Damo (PV), disse ontem que "precisa respeitar" o que está nos contratos, mas que não os aprova. "Se eu estivesse no cargo na época, não faria um acordo como esse", afirmou.Segundo ele, a assessoria jurídica da prefeitura deverá decidir hoje se poderá romper a concessão ou intervir na administração da Ecosama, em virtude principalmente de um bloqueio das contas bancárias da empresa decretado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) a pedido da Polícia Federal.

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R$ 3 milhões por pontes que não serão concluídas
De O Globo

"O governo do Maranhão pagou à Gautama R$ 3,4 milhões por obras em duas pontes que não poderão ser concluídas. Esses serviços integram um contrato no valor de R$ 143,2 milhões, vencido pela empreiteira em março de 2004 para a construção de 119 pontes. Uma delas, sobre o rio Munim, foi orçada inicialmente em R$ 5,9 milhões. Até agora, o governo do estado pagou R$ 2,5 milhões, ou 42,6% do total. A outra obra é sobre o Rio Pericumã, estimada em R$ 13,5 milhões, dos quais R$ 955 mil já foram desembolsados — ou 7%.

O secretário-adjunto de Infra-Estrutura do governo do Maranhão, João de Luna, explicou que as pontes não poderão ser concluídas por problemas técnicos. A licitação para as 119 pontes baseou-se apenas em projetos básicos, e não executivos, que são bem mais detalhados. Por isso, quando a empresa começou a fazer as pontes descobriu que, no caso da obra sobre o Rio Munim, precisaria elevá-la em mais sete metros. Isso porque barcos passam naquele local. O projeto inicial, se fosse seguido, não permitiria a navegação. Seriam necessários então mais R$ 7 milhões, o que elevaria o custo para R$ 13 milhões.

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Gautama teve apoio da família Calheiros
Luciana Nunes Leal e Expedito Filho, Estadão

As 347 conversas telefônicas gravadas durante as investigações da Operação Navalha, com autorização judicial, mostram que o empenho da família Calheiros, tradicional na política alagoana, e do governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) foram fundamentais para que a construtora Gautama conquistasse obras públicas no Estado.Embora não tenham sido captadas conversas do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), ou de Teotônio com os suspeitos, os seus nomes são citados várias vezes pelo dono da Gautama, Zuleido Veras. Gente próxima aos políticos também freqüenta o mundo das negociações da Gautama, captadas pela operação.Do lado do presidente do Senado, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), seu irmão, é citado por supostamente ter facilitado a apresentação de emendas ao Orçamento. Teotônio, por sua vez, tem em Enéas Alencastro - amigo e representante de seu governo em Brasília - um funcionário que, pelos grampos, parecia mais preocupado com os interesses da empreiteira.Em um das conversas, de 14 de fevereiro, Zuleido diz à diretora comercial da Gautama, Maria de Fátima Palmeira, que Olavo “ofereceu” uma emenda para beneficiar a empresa. Zuleido não fala em benefício para “Olavinho”, mas deixa claro que o deputado mudou de atitude após o empresário ter ido a Maceió. “O Olavinho passou aquela emenda que tem para a gente”, diz Zuleido a Fátima, que ri. Depois, ele comenta que foi “muito bom” ter ido a Maceió: “Você vê que mudou tudo, né?” Fátima afirma: “Ele é fogo.”

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Perguntar não ofende
José Paulo Kupfer, NoMínimo

O leitor Felipe Rodrigues acha que a discussão do “dólar justo” (aspas dele) é uma lengalenga. Para ele, o dólar é o que é. Quando quase chegou a R$ 4, nas vésperas da primeira eleição de Lula, embutia um tipo de risco. Agora, quando desaba para R$ 1,94, é porque o risco diminuiu e a liquidez abunda. Felipe Rodrigues conclama: “vamos focar os esforços e as reclamações no Custo Brasil”.

Legal. Queria saber o que vocês acham: a taxa de juros também é o que é? A taxa de juros faz parte do “custo Brasil”?

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Trapalhada da Anvisa
Cláudio Humberto
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve ter irritado o presidente Lula ontem, novamente. A agência "avançou o sinal" e anunciou, durante a solenidade de lançamento da Política Nacional sobre o álcool, quais serão as regras para a limitação do horário de propaganda de bebidas de baixo teor alcoólico. Se a nota já trazia as definições, o Presidente da República nem precisava assinar o decreto.
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Curiosidades sobre as badernas e os baderneiros

Do blog do Reinaldo Azevedo, extraímos algumas informações sobre os números da badernas e arruação protagonizadas pela minorias das minorias, que ao seu modo, andam à cata de sangue inocente para vingar seu apetite por tirania e canalhice. Claro que há um comando central que determina o modus operandi desta turma, muito embora o Mefistópeles travestido de estadista, sempre e invariavelmente diga que nada sabe.

Os trechos de informações a seguir estão dispersos em várias postagens do Reinaldo em seu blog, e nos dão bem a dimensão do que estamos enfrentando. É apenas o começo da intentona comuno-fascista que eles estão reservando no cardápio do segundo reinado.

Greve é decidida por 4,78% de burgueses do capital alheio
A greve é dos professores das USP? Não. A greve é dos petistas da Adusp, a associação dos docentes, braço do partido de Lula. Há 5.222 professores na universidade. Estiveram presentes à assembléia, segundo os próprios membros do partido disfarçados de sindicalistas, 250 pessoas. Ainda que a votação tenha sido unânime, isso corresponde a 4,78% do corpo docente. Talvez mais gente pare. Pô, é uma boa chance de fazer um “frila” por aí e ganhar uns trocos a mais, já que a tradição é pagar os dias parados.

Na Unicamp, 6% de burgueses do capital alheio decidem greve
Ah, sim: uma assembléia de professores na Unicamp também decidiu pela greve. Na Universidade de Campinas, há 1.500 docentes, e havia 90 na assembléia. Vale dizer: 6% decidiram pelo conjunto.

Juiz restabelece direito de ir e vir em São Carlos
Segue trecho de uma determinação da Justiça que garante o livre acesso à USP em São Carlos, protegido pela polícia militar, e estabelece multa para quem tentar impedir. Por que foi necessário recorrer à Justiça? Porque, como vimos, os comuno-fascistas consideram “burguês” o direito de ir e vir e estavam tentados a fechar os portões da universidade.
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"Dada a relevância dos fundamentos fáticos e de direito deduzidos na inicial, concedo a liminar para garantir aos autores (e a todos aqueles que por livre opção não aderiram ao movimento grevista) o livre acesso e permanência no Campus I e II da USP e ao CDCC. Caso tenho havido obstrução da entrada, a PM providenciará a remoção dos obstáculos, garantindo aos autores e reflexivamente aos demais interessados em trabalhar "pleno acesso àquelas dependências".

Saldo da manifestação da tropa de choque da Apeoesp: 21 policiais feridos
Informei abaixo que policiais militares haviam sido feridos pelos professores. Não tinha o número. O Jornal da Globo acaba de informar: 21. E quantos manifestantes? Nenhum. Nenhuma entidade de defesa dos direitos humanos vai protestar. Nenhum jurista dirá que houve exagero.

Congresso mais perto da CPI
Tanto governo como oposição estavam e estão em transe com essa história. Sobretudo porque a PF fala na existência de uma lista, até agora não-divulgada, de parlamentares envolvidos. Pois bem. PT e oposições estavam quietos. Ou melhor: mais ou menos quietos.
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Embora a lambança já tenha derrubado um ministro de Lula e cite ao menos três governadores do PT (além de um prefeito preso e de um senador do partido tendo de se explicar), os petistas se apressaram em pautar os jornalistas com a seguinte “informação”: o DEM e o PSDB é que estão com medo da CPI. Aloizio Mercadante, aquele que considera a CPI inevitável, até agora, não assinou o requerimento.
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Não sei se entenderam o truque: o PT não quer investigar nada, como sempre desde que é governo, mas queria jogar a responsabilidade nas costas dos adversários. Na Câmara, até o fim da noite, havia 143 assinaturas. São necessárias 171. O Senado já tem as 27 necessárias.

Sala de controle de Tucuruí foi desocupada. E uma lição
Viram só? O governo entrou com o pedido de reintegração de posse no dia mesmo da invasão. A Tia Suely Vilela, reitora da USP — ela ainda não renunciou de direito, já que renunciou de fato? —, demorou 12 dias para fazê-lo. E, como sabemos, negociou com os rebelados. Mais: Lula despachou pra lá as tropas e deixou claro que o pau iria comer.
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Sei bem. Energia elétrica é coisa séria, já os fefelechentos... Mas uma coisa está clara. Os esquerdistas não toleram bagunça desautorizada em seu quintal. O que eles gostam é de promover bagunça no quintal alheio.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Vejam que os tais “movimentos sociais” não passam de caricatura de seu verdadeiro traço comuno-facista, a serviço de um partido político, cuja idéia central é não entregar o poder para ninguém, nem tampouco deixar que aqueles que se lhes opõem possam manifestar-se contrariando seus interesses e ... apetites. A rota desta turma é uma só: fazer vingar sua ideologia conspiratória às liberdades. Para eles devemos servir para reverenciá-los e exaltá-los na sua grandeza tão ridícula quanto patética. Onde vocês leram algum dia que a democracia é a vontade da maioria sobre a minoria, leiam que o Brasil está criando o regime medíocre da minoria mentecapta sobre a maioria racional. É a ciência política tupiniquim andando de quatro. Como bons ambientalistas que são eles adoram o pasto servido como prato principal, mesmo que para isto se tenha que derramar um pouco de sangue inocente... Exagero ? De modo algum, basta vocês rememorarem todos os protestos que esta gente promove: é sempre provocando quebradeira, agredindo pessoas, mesmo que não policiais, basta ser contrário à ideologia nauseabunda com que entorpecem suas mentes doentias. Tente contrariá-los, mesmo na mais irrelevante questão, e vocês serão torpedeados com agressões verbais ao menos, sem conta e imbecis. E estejam certos de uma coisa: eles apenas estão começando a praticarem seu terrorismo inconseqüente. Vem muito mais baderna e confronto por aí. É bom rezarmos para que o prejuízo seja apenas material, porque, a se ver as ações truculentas empregadas pelos “rebelados”, não me surpreenderia que de repente estas ações provocassem vítimas. Para eles, tudo é válido para vingar sua delinqüência...

Os privilégios dos burgueses do capital alheio

Reinaldo Azevedo

Tenho publicado textos de alunos inconformados com a esquerdopatia da Fefeléchi. Sempre excelentes. Há uma curiosa coincidência entre a alfabetização e a resistência ao comuno-fascismo. Este que vai abaixo é ímpar, exemplar.A minha correspondente realmente sabe o que diz — e até fez uma concordância rara, hehe, “bastantes”. Ela toca numa questão em que prometo entrar tão logo baixe a poeira: as sinecuras de alguns professores universitários. Vocês têm o direito de saber a farra com dinheiro público que financia “viagens para pesquisa”. Mais: vocês têm o direito de comparar o quanto trabalham esses valentes por ano na comparação com o brasileiro comum. Segue o texto da minha correspondente. Passem adiante. Façam com que caia na rede. Eis caracterizados os burgueses do capital alheio:
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Reinaldo, meu nome é (...), também sou aluna de Letras (...). Peço, porém, que esses detalhes não sejam publicados, cuidado que você já vem tomando.
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O clima de "luta" na universidade é latente, sempre estimulado por umas poucas figuras que, como você bem sabe, tornaram-se folclóricas na categoria "estudantes profissionais". Mesmo assim, como ressaltou minha colega publicada aí acima, costuma ser ignorado pela maior parte dos alunos, que ou têm mais o que fazer, como trabalhar, ou simplesmente não estão nem aí.
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É lamentável que os arruaceiros façam o que façam, mas, jovens e bobos, talvez percebam algum dia que foram levados apenas pelo entusiasmo, como lembrou do alto da kombi Fábio Konder Comparato, hoje tão bem assentado em seu escritório no Alto da Lapa.
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O mais curioso, porém, é ver como esses professores fefelechianos, no mundo autista que criaram ali entre árvores, acham-se "vítimas" por terem escolhido um trabalho que lhes dá dois meses de férias, salário garantido, estabilidade no emprego, direito de greve, cesta básica e possibilidade de se aposentar mais cedo. Fora as mamatas editoriais que irrigam os bolsinhos marxistas das roupas que eles compram em viagens ao exterior bancadas por órgãos de fomento que usam imposto pago por toda a sociedade.
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Não acho errado (pelo contrário) que o dinheiro que o governo arrecada da sociedade sirva também à pesquisa. Apenas estranho que os beneficiários desses recursos vejam na sociedade uma ameaça tão grande, um monstro disforme alimentado pelo capitalismo. O que seria dessa gente se não houvesse bestas dispostas a sair à rua para trabalhar e gerar recursos pro estado? Com um pensamento tão peculiar, não é de admirar que queiram pra si mesmos tanta imunidade.
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Sem falar nos pobres-coitados terceirizados que limpam as pichações vergonhosas do prédio e do popular banheiro das Letras. (...) Seria bom que provássemos primeiro a capacidade de gerir o patrimônio parco a que temos direito antes de exigir mais. O chiqueiro ideológico em que se transformou a faculdade de Letras da USP é fruto em grande parte do descaso e/ou da má-fé de pessoas muito bem nutridas que a freqüentam.
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Há, porém, bastantes professores que não assinaram a lista de apoio ao vandalismo e à irracionalidade (há até alguns que assinaram, coitados) que dão duro todos os dias para que o nosso curso algum dia seja reconhecido mais por suas imensas capacidades acadêmicas do que por criar e nutrir aqueles que sempre se adiantam para atropelar o direito da maioria.

O que falta é vergonha

por Villas-Bôas Corrêa, no Jornal do Brasil
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O jogo de empurra entre os três poderes, com jeito de terminar em empate com o novo escândalo da roubalheira investigado pela Operação Navalha, da Polícia Federal, pode não ser o maior de todos os tempos, mas é que o mais amplamente expõe a endêmica falta de vergonha que assola o Congresso.
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É desqualificante a apelação ao coro das escusas oficiais que ignora a gravidade alarmante da podridão que corrói a administração pública para jogar a culpa no passado ou, mais exatamente nos oito anos do mandato bisado do presidente Fernando Henrique Cardoso e esquivar-se com o subterfúgio de que "o governo não rouba nem deixa roubar" e estimula a apuração.
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O Judiciário agiria com sensatez e objetividade se colocasse a toga de molho e partisse para a cobrança pública e enérgica ao Legislativo da reforma de códigos notoriamente defasados. Cerimônias, excesso de zelo, o respeito à autonomia do Congresso não podem engessar o Supremo Tribunal Federal (STF) diante da ameaça de crise institucional cada vez mais próxima e sem saída. Por conta própria, os parlamentares não se mexem. Não têm tempo na semana de três dias úteis, com tantos interesses pessoais a cuidar.
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Do Executivo pouco se pode esperar enquanto a onda da desmoralização que varre o país não salpicar nos índices de popularidade do maior presidente de todos os tempos. Mãos lavadas nem precisam ser enxutas: os outros que apurem os saques ao cofre da Viúva, pois sempre sobra algum para iniciar as obras do PAC.
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Realmente o que causa espanto é a insensibilidade do Congresso, centro do escândalo, o mais atingido pela podridão que mancha vários parlamentares; pela patuscada das CPIs que dão em nada, com a absolvição em massa da borra dos acusados que não escapam pela malha grossa.
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A sociedade puxou o badalo do alarme com o desmoralizante índice de 1,1% de confiança na massa falida da recente pesquisa. Como a eleição para a renovação dos mandatos está longe, há tempo para continuar na gandaia antes de pensar no voto.
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Depois, o povo acaba votando no embalo da indiferença e enxágua a alma despejando milhares de votos em candidatos emporcalhados por notórias falcatruas ou tipos que se destacam pela excentricidade e o grotesco.
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Está passando a hora de cair na realidade, com os cuidados para não fraturar o pescoço e enfrentar o desafio na sua contundente objetividade. É preciso cortar na carne e não apenas esticar as pelancas. Nem o bisturi mágico de Ivo Pitanguy transformaria o monstrengo em gente com cara respeitável.
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Antes de ir adiante, as lideranças parlamentares e seus satélites necessitam dar uma meia-trava nas recorrentes desconversas sobre a reforma político-eleitoral e aterrar na escala das prioridades.
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O financiamento público de campanha fecha algumas gavetas generosas na barganha do apoio sonante por favores sabidos.
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Tal como a fidelidade partidária, mesinha recomendável para o troca-troca de partidos nos acertos para compor a maioria partidária de apoio do sonho de todo governo. E muitos outros remendos para esconder os fundilhos rotos.
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Mas quem quiser ir à raiz da crise para extirpá-la não terá como escapulir da realidade que salta aos olhos: o Poder Legislativo vem perdendo a credibilidade e o respeito do país desde que reduziu ao mínimo a rotina de trabalho. A extravagância clama aos céus: três dias semanais de sessões com quorum; o privilégio de não morar no local de trabalho e passar o fim de semana na sua base eleitoral, com passagens aéreas pagas e mais a indecorosa verba indenizatória de R$ 15 mil mensais para ressarcir as despesas das folgas, as exorbitantes verbas de gabinete e demais miçangas da malandragem.
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A sarna é contagiosa. Pega e pode matar o doente.

Freebooter

por Ralph J. Hofmann, Blog Diego Casagrande
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A palavra “freebooter” pode ser traduzida por “filibusteiro”. Pense em “Piratas do Caribe”, com Johnny Depp. Homens que pilham, roubam, afundam navios inimigos, fazem donzelas caminhar na prancha até cair no mar, Capitão Gancho. Há outra palavra que vem à mente: “freeloader”. Essa descreve o sujeito bicão, aquele que se amarra numa teta. Aproveita-se de ambientes onde pode consumir, se servir, ser servido. Talvez Beto Rockefeller?
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O ambiente que nos cerca nesta “Terra Descoberta Por Cabral” está cheio de filibusteiros e bicões. E mais. São tão incompetentes, que numa sociedade com o mínimo pudor, os mesmos poderiam passar a vida inteira prosperando qual cupins na mais deliciosa madeira. O cupim quando encontra uma madeira macia e apetitosa faz um furinho ou dois. Depois, quando você começa a achar bolinhas de madeira no chão, percebe que tem um móvel oco cercado de duas finas lâminas externas de madeira.
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Assim, uma ministra e um governador fazem um passeio de um barco, supondo que ninguém vai notar que foi emprestado por um corruptor. Ou então, nem a ministra nem o governador dão a mínima. No primeiro caso são filibusteiros. Tomam o que querem e tem a força para fazê-lo. No segundo, os bicões estão de tal forma acostumados a mamar na teta que nem questionam as conseqüências. Há vinte e cinco anos, sempre que precisam de um avião, de um carro blindado, este aparece à porta. Antigamente se preocupavam um pouco mais.
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Nos tempos de militância na clandestinidade tinham de sacar dinheiro dos bancos usando armas de fogo. E usavam o dinheiro como lhes aprouvesse. Havia bancos em todas as cidades. E dinheiro roubado dispensa prestações de contas.Portanto a palavra de ordem vem de Alfred Neumann, o garoto da capa da revista MAD: “ What? Me worry?”; “O que? Eu me preocupar?”.
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A turma não está nem aí para nós meus amigos.

PA: governo autoriza uso do Exército em Tucuruí

Jeferson Ribeiro, Redação Terra com agências

O uso das Forças Armadas para conter a manifestação na usina hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, foi autorizado nesta quarta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Homens do Exército e da Polícia Federal serão deslocados para o local, que é ocupado desde a madrugada de hoje por integrantes de movimentos sociais. O Ministério da Defesa e o Ministério da Justiça ainda não informaram o contingente que será utilizado e nem quando as tropas serão deslocadas para a usina.

Os manifestantes são de vários movimentos, entre eles Via Campesina, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). De acordo com a coordenação do MAB, 600 pessoas participam da ocupação.

Os movimentos reivindicam a implementação de projetos de desenvolvimento para atingidos por barragens, educação de qualidade no campo, melhor atendimento de saúde pública, construção de poços artesianos, instalação de telefones públicos em zonas rurais e mudanças na política econômica do governo. Há também reivindicações relacionadas à energia elétrica, como redução dos preços e instalação de rede elétrica para populações que vivem as margens das barragens.

Para discutir a desocupação, os manifestantes querem a presença de um grupo formado por órgãos do governo federal, como Ministério de Minas e Energia e Casa Civil. "Eles viabilizando tudo isso vamos desocupar, enquanto não fizerem permanecemos aqui", diz a coordenadora nacional do MAB, Elvanice de Jesus.

A Eletronorte afirma que, apesar de ter sido ocupada uma sala de comando da usina, as operações de fornecimento de energia não estão interrompidas e até o momento não há risco de desabastecimento. Na avaliação da empresa, entre 200 e 250 pessoas ocupam Tucuruí.

Além de atender os Estados do Pará, Maranhão e Tocantins, a hidrelétrica de Tucuruí exporta energia para os sistemas Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. A usina é parte essencial do Sistema Elétrico Interligado Nacional (SIN).

COMENTANDO A NOTÍCIA: Ah, estes esquerdistas e suas manobras exclusivistas? Reparem que em São Paulo, já de posse de ordem judicial para retirar os invasores do prédio da Reitoria da USP, a PM teme um confronto com os sindicalistas e picaretas acampados lá dentro (parece que há até alguns que são alunos da USP, parece...).

Do outro lado, os “rebelados” fazem mil e uma ameaças, claro estão a cata de alguma vítima para exibir em sua causa !

Já os esquerdistas que estão no poder, sem nenhum temor, mandam o Exército para desocupar a usina invadida e não se vê uma crítica acusando o governo de retrocesso. Já sei: eles não querem baderna no seu próprio puleiro. Já no puleiro alheio...

TOQUEDEPRIMA...

Ministério do Planejamento aprova projetos de US$ 5 bi

O Ministério do Planejamento aprovou US$ 5,056 bilhões em projetos parcialmente financiados com recursos externos, nas áreas de energia, transporte, saneamento e modernização da gestão. Desse total, US$ 1,593 bilhão será de empréstimos internacionais. A maior parte, US$ 3,462 bilhões, corresponde à parcela paga pelo órgão responsável pela obra ou programa, chamada contrapartida.

Dos projetos aprovados, o que conta com maior volume de empréstimo externo é o da estatal Furnas Centrais Elétricas. Ela vai tomar US$ 273,6 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para um programa de modernização de usinas hidrelétricas.

No total, o projeto vai custar US$ 593,4 milhões. O valor da contrapartida paga pela estatal é US$ 319,8 milhões. Em infra-estrutura, também foi aprovado um projeto de US$ 1,290 bilhão para ampliar as rodovias que compõem o Corredor do Mercosul. Desse total, US$ 100 milhões virão do BID e o restante, do Orçamento.

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Prefeitos de sete cidades protestam contra o Ibama

Prefeitos de sete municípios do Sul de São Paulo e do Norte do Paraná se juntaram ontem para protestar contra o cancelamento de audiências públicas previstas para o licenciamento da hidrelétrica do Tijuco Alto, no rio Ribeira. Marcadas para a última sexta-feira, as quatro audiências foram canceladas por causa da greve dos servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O projeto da hidrelétrica, da Companhia Brasileira de Alumínio, empresa do grupo Votorantim, prevê a construção da barragem na divisa entre os dois estados, e tramita nos órgãos ambientais há mais de 15 anos. Os prefeitos das cidades paranaenses de Adrianópolis, Cerro Azul e Doutor Ulysses, e de Ribeira, Itapirapuã Paulista, Apiaí e Eldorado, no Estado de São Paulo, decidiram enviar um ofício ao diretor de licenciamento ambiental do Ibama, Valter Muchagata, no qual manifestam "indignação" pela suspensão das audiências 24 horas antes do horário previsto. Informam que toda a região havia se mobilizado "fortemente" para participar das reuniões.

"O cancelamento mais uma vez protela a discussão pública e aberta de um projeto que julgamos de grande importância para nossa região", diz o ofício. Os prefeitos pedem que as novas audiências sejam marcadas "com a máxima urgência".

O Ibama informou que a suspensão foi uma conseqüência da greve dos servidores e que as novas datas serão definidas assim que o expediente for normalizado.

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Príncipe Charles quer que Camilla seja rainha
EFE

O príncipe Charles, herdeiro da Coroa britânica, quer conseguir o apoio da população para que Camilla Parker Bowles seja coroada rainha e não princesa consorte quando ele chegar ao trono, segundo um documentário da emissora de TV Channel 4.

De acordo com o programa, que será exibido no dia 31, o príncipe de Gales faz uma campanha secreta para que ele e sua mulher, Camilla, duquesa da Cornualha, sejam coroados juntos na Abadia de Westminster.

Até agora, fontes ligadas ao herdeiro da Coroa insistiram em que Camilla será conhecida simplesmente como princesa consorte quando Charles suceder a rainha Elizabeth II.

Esta posição foi conhecida por ocasião do casamento do príncipe e de Camilla - celebrado em Windsor, em abril de 2005 - e diante da aparente oposição da população em relação à duquesa, culpada por muitas pessoas pelo fracasso matrimonial entre Charles e Diana de Gales.

No entanto, especialistas constitucionais insistiram em que, em teoria, a duquesa da Cornualha deve receber automaticamente o título de rainha quando seu marido se tornar rei.

Muitos críticos consideram que Camilla nunca deveria ser rainha, já que sua relação com Charles foi durante muito tempo adúltera, assinala o jornal Daily Mail.

De acordo com o documentário, intitulado "Rainha Camilla", o príncipe de Gales acredita que conseguirá apoio suficiente da população para que sua mulher possa ser rainha.

Aparentemente, sua campanha está centrada em destacar a duquesa como um membro muito trabalhador da Família Real, diz o tablóide Daily Express.

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Justiça prorroga prisão de 40 acusados de crimes ambientais

CUIABÁ - A Justiça Federal de Mato Grosso prorrogou ontem a prisão temporária de 40 acusados de praticarem crimes ambientais detidos semana passada na Operação Mapinguari, da Polícia Federal. Na mesma decisão, o juiz da 1ª Vara, Julier Sebastião de Silva, relaxou a prisão de seis acusados de extração, transporte e comercialização ilegal de madeira no Parque Indígena do Xingu, no Norte de Mato Grosso. Seis índios da etnia Trumai, considerados "aculturados" pela Justiça, continuam presos.

Empresários, produtores rurais e funcionários públicos foram presos nos estados de Goiás, Mato Grosso, Paraná Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. De acordo com a investigação, a exploração ilegal de madeira no Parque do Xingu contava com o apoio de um grupo de índios que, em troca, recebia dinheiro dos madeireiros.

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Um tempo de maturação

Os superintendentes do Ibama entregaram ao presidente interino, Bazileu Margarido, uma proposta conciliatória para tentar pôr fim à greve que paralisa o órgão. Eles sugerem uma série de mudanças na formatação do Instituto Chico Mendes. A principal delas: que o instituto passe a existir formalmente somente daqui a um ano. Eles acreditam que a forma repentina como o ICM foi anunciado deu a entender que o governo estava intervindo na gestão do IBAMA e esse prazo serviria para que as mudanças fossem, aos poucos, digeridas pelos funcionários do instituto. Margarido ficou de levar a proposta à ministra Marina Silva e marcar nova reunião com os dirigentes. No início do mês, os 27 superintendentes tentaram articular uma demissão coletiva como forma de protesto à divisão do instituto em duas novas estruturas.

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PF: vice-diretor acusado de vazar informação

A denúncia de vazamento de informações sigilosas da PF pelo seu vice-diretor, Zulmar Pimentel, repercutiu entre os policiais. O relatório reservado da Divisão de Contra-Inteligência, publicado hoje pelo jornal O Globo, acusa o segundo homem da PF de informar a colegas suspeitos de participação em fraudes que eles estavam sendo investigados. E cita como beneficiados com as informações o então superintendente regional da PF no Ceará, João Batista Paiva Santana, o atual secretário de Segurança Pública da Bahia, Paulo Bezerra, e o superintendente da PF na Bahia, César Nunes, além do delegado Rubem Patury. Segundo o relatório, os vazamentos teriam alertado os suspeitos e inviabilizado as investigações sobre a participação de alguns policiais no esquema que deu origem à Operação Navalha. O vice-diretor Zulmar Pimentel negou ao jornal o vazamento das informações e disse desconhecer ser alvo de investigação, mas afirmou que não teme nada na vida dele.

Os idiotas de sempre

Antonio Sepulveda, escritor

Álvaro Vargas Llosa, jornalista e ensaísta peruano, filho do renomado Mário Vargas Llosa, é co-autor do Guia do perfeito idiota latino-americano, em parceria com o colombiano Plinio Apuleyo Mendoza e o cubano Carlos Alberto Montaner. O livro investe contra aventureiros típicos da zona tropical que abraçam ideologias comprovadamente malsucedidas até em plagas temperadas; e conclui que esses idiotas são responsáveis pelo subdesenvolvimento da região. As contumazes mazelas latinas - revolução, nacionalismo econômico, rancor contra os Estados Unidos, fé no governo como um agente de justiça social, submissão ao Estado e preferência por ditaduras em detrimento da legalidade - seriam uma fábrica laboriosa de nossa mediocridade política. A conclusão do argumento é o retrato da realidade.

Ao longo do século 20, o populismo latino-americano brandiu bandeiras totalitárias e idéias marxistas, berrou clichês estéreis contra imperialistas estrangeiros e prometeu livrar os povos da pobreza. Uma após outra, as políticas movidas a ideologia mostraram-se míopes e indolentes. Os fracassos sucessivos provocaram uma retirada provisória dos ditadores; mas uma nova geração de revolucionários de estilo bizarro tenta restaurar o flagelo deixado pela escória de seus predecessores. São os idiotas de sempre.

Dois idiotas em especial, hoje em dia, inspiram outros idiotas delirantes: "el presidente" Hugo Chávez, da Venezuela, e "el presidente" Evo Morales, da Bolívia. Chávez é visto como um sucessor perfeito para o famigerado ditador cubano, Fidel Castro, também reverenciado por uma chusma de idiotas vocacionais. Ao contrário de Fidel, que jamais aprovou a realização de eleições livres, Chávez, tal e qual Adolf Hitler, o nacional-socialista alemão, foi eleito pelos idiotas, e os idiotas o consideram o mais progressista de toda essa matulagem neo-socialista.

Evo Morales baixa decretos e se apropria de nossas refinarias sob o olhar compreensivo do governo brasileiro que não deseja criar antagonismos com um companheiro de verve socialista; fosse Morales liberal e defensor do livre mercado, e o Planalto não faria tantas concessões inaceitáveis. Logicamente, liberais não estatizam; mas a comparação serve para demonstrar a tendência da lealdade das esquerdas, que se sobrepõe aos interesses da pátria; tamanho é o sectarismo ideológico desses idiotas.

Teóricos e militantes marxistas dão crédito a essa alienação e querem ressuscitar idéias que nos pareciam justamente extintas. O ódio irracional contra a livre iniciativa lhes propicia uma experiência de imenso gozo espiritual. Não percebem a sutil falsidade de sua premissa maior: o populismo latino-americano não tem qualquer ligação com as aspirações à tão almejada justiça social.

A praga populista começou com a reação dos caudilhos à frente de movimentos de massa contra as oligarquias do século 19. Culpavam as nações ricas européias pelo atraso da América Latina. Buscavam sua precária legitimidade no voluntarismo político, em substituição ao império da lei; no protecionismo e na redistribuição de renda, por meio da impugnação da oligarquia vigente e a criação de outra oligarquia ainda mais voraz e concentradora; na denúncia do neocolonialismo, elegendo-se os Estados Unidos como o império do mal; na projeção sobre as relações internacionais da luta de classes entre ricos e pobres; na idolatria estatal que os idiotas transformaram em força redentora dos oprimidos; no autoritarismo fantasiado de segurança nacional; e na abominação do clientelismo, com base na crença disparatada de que o empreguismo - não a criação de riquezas - é o conduto da mobilidade social e a maneira eficaz de se manterem votos cativos para as eleições seguintes.

Resultado de tudo isso, hoje visível: governos inchados, burocracia asfixiante, subserviência das instituições jurídicas ao poder político, muita corrupção, economias parasíticas e, pior ainda, uma edição indigenista das cruezas do socialismo.

O revólver do PT

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

Eram estudantes, muito jovens, recém-chegados à nova, pequena e pacata Belo Horizonte da década de 40. Um de Diamantina, 1920. O outro de Montes Claros, 1922. Um, Celso Brant. O outro, Darcy Ribeiro. Dividiam um quarto numa pensão da Rua Ceará. Darcy vivia inventando histórias de jagunços lá do seu norte de Minas, sempre dizendo que carregava nas veias o sangue destemido e a coragem indômita daqueles sertanejos. Celso, seresteiro e introvertido, cansado daquelas bazófias, desafiou o amigo: - Pára com isso, Darcy. Você é um sujeito de paz, não mata uma mosca.- Pois você está muito enganado. Se cruzar no meu caminho, atiro.

Darcy
Celso sabia que o também estudante e companheiro de pensão Geraldo Correia tinha um revólver escondido no quarto, embaixo do colchão. Foi lá, pegou a arma, entregou a Darcy, desabotoou a camisa, mostrou o peito: - Vamos lá, Darcy. Quero ver se você atira mesmo. Pode atirar aqui! Darcy pegou o revólver sem jeito e, com a arma em punho, mirou bem, começou a suar frio, encostou-se no guarda-roupa e deu uma gargalhada: - Atirar eu atiro. Só não sei em quê. Em gente é que não sei atirar.

A dona da pensão apareceu exatamente na hora, deu um grito, caiu no chão desmaiada, saiu carregada pelos dois. E os expulsou da pensão.

Dirceu
Ao contrário do saudoso e magistral Darcy, o PT desde o começo aprendeu em quem atirar: no dinheiro público. Houve dinheiro público, o PT mira, atira e acerta. E não é como pensa Lula, que tudo no Brasil começou com ele e o PT. É evidente que a corrupção no País não nasceu com o PT.

Mas com o PT é que a corrupção se tornou uma opção ideológica, um método oficializado, uma prática inexorável de partido e de governo. Outros, tantos, sempre se corromperam. Mas individualmente. Com o PT é que veio a corrupção em massa, sistemática, como projeto político, como programa para chegar ao poder. Uma corrupção ampla, geral, irrestrita e anistiada.

Desde que ganhou as primeiras prefeituras importantes, no País e sobretudo em São Paulo, a partir da década de 80, o PT nelas instalou, em cada uma, sem exceção, máquinas de fazer dinheiro para financiar o caminho do poder: São Paulo, Porto Alegre, Goiânia, Santos, Ribeirão Preto, Campinas, Santo André, Mauá, Contagem (MG), Camaçari (BA), Jaguaquara (BA), etc.

E o gênio de José Dirceu "chefiando a quadrilha", como denunciou o procurador geral. Estavam plantando as primeiras roças de mensalão.

Zuleido
Na operação navalha pela independência, competência e firmeza da Polícia Federal, voltou aos jornais o escândalo de Mauá, em São Paulo, uma das ricas cidades do PT, já entre 2001 e 2005 (com Osvaldo Dias):

"Dois bancários do Banco Santander em Mauá, no ABC paulista, contaram ao Ministério Público que a secretária de Finanças da prefeitura petista, Valdirene Dardin, sacou R$ 230 mil no caixa, em dinheiro, de uma conta da prefeitura. Pegou, levou e não deixou nenhum documento para explicar ou justificar o saque" ("Folha", setembro de 2005).

Agora, "o Tribunal de Contas do Estado (de São Paulo) julgou irregular e o Ministério Público pode pedir a anulação da licitação de R$ 1,6 bilhão para serviços de captação e tratamento de esgoto com duração de 30 anos, ganha (em 2002) pela empresa Ecosama (com esse nome de pomada para pereba), pertencente à Gautama de Zuleido Veras" ("O Globo").

Wagner
Como é que uma nova, pequena e desconhecida empresa, lá da distante Bahia, filial de outra também desconhecida, ganha fraudulentamente uma concorrência de um bilhão e meio, numa prefeitura do interior de São Paulo? Que referências e ligações poderia ter? Aí é que está o ovo da serpente.

Em 2002, o atual governador da Bahia, Jaques Wagner, que disputava pela primeira vez o governo do Estado, era deputado federal do PT, eleito desde 90 por Camaçari, onde tinha sido presidente do Sindicato Petroquímico. Foi candidato à prefeitura em 2002, conseguindo 31% dos votos, apoiado pelo ex-prefeito Luís Caetano, também do PT, que foi novamente eleito em 2004.

Nesse tempo todo, Wagner e Caetano tiveram o fácil apoio financeiro de um dileto amigo dos dois, Zuleido Veras, empreiteiro de suspeitosas obras públicas em vários estados do Norte e do Nordeste, na Prefeitura de Camaçari e também na Prefeitura de Mauá (SP), dois feudos políticos do PT. Quem levou Zuleido para Mauá em 2002? Macacos nos mordam se não foram eles. Zuleido e Caetano estão presos e Wagner sumiu como avião fora do radar.

Propinas
Experiente advogado de cabeludas causas me dizia ontem: "No Brasil, empresário só dá propina, a assessores e segundo escalão, de até R$ 10 mil. Daí para cima, vai para quem decide, assina e publica no Diario Oficial".

TOQUEDEPRIMA...

Pendurando a batina

Em dezembro, quando faz 75 anos, sai a aposentadoria de D. Eusébio Oscar Scheid, o cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro que falou mal do presidente Lula no Vaticano. Disse que Lula era "caótico, não católico".

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Kenneth Maxwell: “Lula já perdeu meio ano”
Na Folha de São Paulo

O historiador britânico Kenneth Maxwell, 66, diretor do Programa de Estudos Brasileiros na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "está demorando muito tempo para montar o governo" de seu segundo mandato, a ponto de não ser possível ainda "saber o que querem fazer nos próximos três anos e meio"."Perdeu-se quase meio ano, já estamos em maio. Há falta de ação em vários níveis e assuntos importantes para o Brasil. Todas essas coisas estão demorando muito", diz, apontando como consenso entre especialistas a necessidade de uma reforma tributária e de ações na área de segurança pública. Para Maxwell, é de toda forma um traço distintivo da política brasileira certa morosidade no arranjo de coalizões e na proposta de programas e leis que afetem o dia-a-dia dos cidadãos.

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Minas e Energia ficará com bancada do PMDB no Senado, diz Temer

O presidente do PMDB, Michel Temer (SP), disse nesta quarta que acredita na permanência do Ministério de Minas e Energia na cota do PMDB do Senado. Ele afirmou que a decisão cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que a expectativa entre os senadores do partido é grande para ficar com o controle da pasta.
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"Isso é uma decisão do presidente. Mas suponho que o presidente vai deixar esse cargo para o PMDB. E proximamente o PMDB indicará um nome se assim for provocado pelo presidente Lula", declarou.
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O PMDB está se articulando para decidir até o fim de semana quem será substituto de Silas Rondeau. O partido planeja indicar alguém com perfil técnico, mas que também tenha autoridade política. "Pode ser um técnico ou político que possa comandar técnicos. O PMDB tem nomes que podem ajudar o governo no Ministério", disse.

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Gilmar Mendes parte para cima da PF

Do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes sobre o vazamento de informações sigilosas da Operação Navalha, da Polícia Federal, a quem ele acusa de práticas fascistas:

- É responsabilidade do ministro da Justiça (Tarso Genro) responder por esses vazamentos. Eu disse hoje ao ministro Tarso que esse tipo de prática revela uma canalhice. Não podemos brincar com as pessoas sérias do País.

E continuou o desabafo:

- É cinismo falar em segredo de Justiça neste momento. Cínico é o quadro que vivemos no País. É uma lógica absolutamente totalitária. Então rasguem a Constituição.

Agora, o motivo do desabafo: na lista de quem recebeu mimos da Gautama está Gilmar Mendes. De acordo com o Superior Tribunal de Justiça, o Gilmar Mendes citado nos documentos da Gautama é um homônimo do ministro.

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Simon: “Estamos precisando de uma Operação Mãos Limpas”

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse em entrevista a uma rádio que deseja ver os políticos corruptos na cadeia. “No Brasil, estamos precisando de uma Operação Mãos Limpas, como ocorreu na Itália, onde políticos, empresários foram para a cadeia; onde o Judiciário foi atingido e fizeram uma limpa para valer”, afirmou.
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O parlamentar gaúcho ainda reclamou que não é nomeado para CPI´s há muito tempo. “Só se nomeia as pessoas da absoluta confiança do governo que leva, faz de conta, finge, mente e não resolve nada.” Simon defendeu o fim das emendas individuais, punição para os crimes de colarinho branco, o término do foro especial e a Criação de uma Corte Especial para julgar os casos que chegam ao Supremo Tribunal Federal e são engavetados.

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Líder do Democratas não acredita em movimento anticorrupção proposto por Chinaglia

O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) afirmou que não acredita na eficiência da iniciativa “anticorrupção”, do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). O petista se reuniu com líderes partidários em sua casa para anunciar medidas que evitem novos casos de corrupção no Congresso.
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“As medidas passarão pelas mazelas de todos os poderes”, disse Onyx, se referindo ao Executivo, Legislativo e Judiciário. Chinaglia não divulgou nenhuma nova medida e marcou nova reunião para próxima terça-feira. O deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE), líder do governo, afirmou: "Foi a melhor reunião que já tivemos. Precisamos tirar a ferramenta para que não façam o que estão fazendo."

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Corrupção viola direitos humanos, diz Anistia

A Anistia Internacional divulgou nesta quarta-feira relatório afirmando que a corrupção política e o mau uso de verbas públicas no Brasil comprometeram a capacidade das autoridades de garantir os direitos humanos da população. "Investigações de corrupção ressaltaram as ligações diretas e indiretas com a erosão da proteção aos direitos humanos", disse a organização.
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"Houve amplos relatos de malversação de verbas públicas em todos os níveis do Executivo e Legislativo, algo que diminuiu a capacidade das autoridades de garantir direitos humanos fundamentais através de serviços sociais e aumentou a perda da confiança pública nas instituições do Estado", afirma o relatório.
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Tim Cahill, pesquisador da Anistia sobre o país, afirma que "a corrupção e o desvio de verbas limitam a possibilidade dos governos de potencializar os recursos destinados (à preservação) dos direitos humanos".
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A Anistia ainda diz que o fato de autoridades participarem de atividades criminosas resulta em violações aos direitos humanos e um incentivo ao avanço do crime organizado por todo o País.
"Autoridades ligadas à lei estiveram aparentemente envolvidas em comércio de drogas, venda de armas e contrabando de armamentos, telefones celulares e drogas para membros de grupos criminosos detidos", afirmou.

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Lula assina decreto que limita propaganda de bebidas alcoólicas

O governo federal lançou nesta quarta-feira a Política Nacional sobre Álcool assinando um decreto que limita a publicidade de bebidas alcoólicas nos meios de comunicação. A regulamentação precisa ser aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
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O decreto proíbe veiculação de comerciais de bebidas com teor alcoólico superior a 13% entre 6h e 21h. No caso de cervejas e bebidas mais leves, fica liberada a propaganda entre 20h e 8h.
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No Brasil, o 2º Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas, promovido pela Senad (Secretaria Nacional Antidrogas), em 2005, aponta que 12,3% das pessoas, com idades entre 12 e 65 anos, são portadores de alcoolismo e cerca de 75% já beberam alguma vez na vida.

TRAPOS & FARRAPOS...

ELES ENGOLIRAM O NOSSO FUTURO...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Quem assistiu aos noticiários da noite, depois de um longo dia de trabalho, deve ter imaginado que se encontrava em outro pais que não aquele que exibia imagens de violência geradas e ocorridas de norte a sul do Brasil. De fato, chega a ser inacreditável tanto quanto mais sensato ainda é, estas manifestações que sacudiram o país.

Mas vejamos antes de prosseguir que manifestações eram estas e contra quem e o quê elas aconteciam.

Primeiro, tivemos a invasão em Tucuruí, com direito a bomba caseira, quebra -quebra e tomada das salas de controle da Usina. O que de tão ruim a usina fez para o tamanho da revolta ? Nada. Absolutamente nada. A revolta eram por razões domésticas, aquelas vigarices que já cansaram pelas mentiras que pregam. Depois tivemos uma no Recife, com INSS ou melhor, os funcionários do INSS de braços cruzados, mandando às favas aqueles a quem deveriam atender, e que no fim, afinal pagam os seus salários.

Tivemos em São Paulo, onde tentaram invadir a Assembléia Legislativa, além da palhaçada e desbaratada invasão do prédio da Reitoria da USP, sobre argumento nenhum, conforme já noticiamos em post anterior.

Tivemos em Santa Catarina e também em Porto Alegre. Todas elas os protagonistas eram os mesmos, MSTs, Vila Campesina, PSDTU, PSOL e claro, os sindicatos de vagabundos que vivem mercê o capital e trabalho alheios. Além dos protagonistas serem das mesmas correntes de baderneiros compulsivos, a assemelhar-se as causas, grande maioria posicionando contrárias às reformas da previdência,sindical, trabalhista, etc. Ah, apesar de causas nacionais, eles só promoveram as suas arruaças em solo governado por oposicionista a Lula e ao PT. Inclusive no sul de Minas, um dos manifestantes entrevistados pela reportagem foi claro na enumeração da sua ordem do dia: não havia sequer uma mísera reivindicação que pudesse ser cobrada do governo do Estado. Na de São Paulo, então chega a ser surrealista: o governo criou uma previdência melhor da que a que eles tem. Tentaram ( e até conseguiram em parte) sucesso na empreitada: a Assembléia paulista adiou a votação do projeto.

O que tudo isto quer significar ? Pelo menos duas coisas importantes: uma, que já denunciamos aqui, contida em documento do PT, convocando seus militantes a desestabilização dos governos estaduais comandados por democratas e tucanos. A segundo, a de o país mergulhou definitivamente no regime da falta de autoridade governamental. A ausência de respeito a direitos dos outros, as agressões criminosas que é praticada por este bando de imbecis contra a sociedade organizada, que quer trabalhar, viver em paz e tocar sua vida de forma harmoniosa, está cada dia mais tornando o Brasil uma pátria sem , lei, sem ordem, anarquia, violência e corrupção tomando conta de tudo.

Talvez este caos que estão produzindo no dia a dia do país, seja até produto de um método, para provocar uma reação do próprio Estado no sentido de se recuperar a normalidade: já que está tudo despencando, dá-se um golpe no regime de leis, fecham-se as instituições como Congresso e Judiciário, e instala-se o regime de “exceção”. A Venezuela foi assim, e a exceção do Chile, todos os demais países que adotaram o socialismo por partido hegemônico, seguem nesta mesma esteira, praticando os mesmos absurdos, instalando as mesmas tiranias no poder.

O que irrita é que tudo isto foi previsto e informado com enorme antecedência. Porém, como ninguém acreditasse que todo este horror fosse verdade, deixaram a banda passar. Agora, é ela quem dá o tom para todos.

Junte-se a bagunça que virou a segurança pública no Rio, e a desagregação social e institucional já se vê estarem bastante perto de nós.

Nos posts que se seguirão, os amigos leitores do COMENTANDO A NOTÍCIA irão encontrar o noticiário sobre este quadro caótico que o Brasil está vivendo, apesar do garganta do diabo arrotar que “nunca dantez nestepaís”. Com efeito, nunca dantez este país esteve tão anarquizado, a vida humana e a decência e dignidade já foram tão vilipendiadas, que será difícil alguém superar esta maluquice toda em que o país foi jogado, em tão curto espaço de tempo assim. Lula como presidente perdeu não apenas a moral, mas jogou no lixo toda e qualquer forma de autoridade que o alguém lhe exige. Para ele, as benesses de que desfruta no poder, o estão fazendo dar às costas para realidade que atormenta o cotidiano do brasileiro. O mundo em que Lula vive não é nem de longe algo parecido com o Brasil. É um verdadeiro Alice no País das Maravilhas. Deslumbrado e alienado total, comporta-se como um delinqüente que se considera o dono do pedaço. Á sua volta, contudo, o chão treme e a balbúrdia vai fazendo espetáculos deprimentes longe da consciência presidencial.

De outra parte, a sociedade brasileira parece que vai aceitando esta doideira como que achando que nada disto lhe diz respeito. Segue seduzida pela canção da flauta mágica, embevecida pelo esplendor da carruagem imperial que lhe segue à frente, mas não consegue conscientizar-se minimamente da ruptura social que vai-se esgarçando dia após dia. A idiotia, a cegueira e a imbecilidade vai sendo empurradas para dentro das mentes de forma quase incontrolável, e os brasileiros vão perdendo a noção da moral, da harmonia, da decência, da honestidade, e de que este país é seu, e não do Lula e seus sequazes.

Mão sei no que isto tudo vai dar e desaguar. O que sei é que a ruptura tantas vezes anunciada está acontecendo debaixo dos nossos narizes, sem que nos apercebamos do perigo que ela representa. A representatividade política perdeu todos os espaços de que desfrutava. Jogaram na lama sua caricata figura hodierna, roubando todas as energias para cobrar-lhe o cumprimento de seu comezinho dever. A honra e o caráter deste ignóbeis dementados foram expurgados de vez, e o povo assiste a tudo como se toda esta mistificação fosse natural. Falta pouco para o ciclo desfechar seu círculo encantado: o império da violência sem limites que já tomou conta de tantos nacos de chão do Brasil, agora ameaça propagar-se feito câncer, sem controle e sem cura. Era tudo isto que eles projetaram em seu famigerado projeto de poder. E não é que está dando certo ? Pobre país, engoliram o teu futuro...

Fomos sitiados pelo bando de selvagens que querem retornar às cavernas, arrastando consigo mais de 180,0 milhões de pobres inúteis. Resta saber até que ponto o povo brasileiro continuará manobrado por Mefistófeles e sua flauta mágica a caminho da Cornuália, o império decadente onde a gandaia corre livre, leve e solta...

Os últimos dias da voz de oposição

Nina Negrón AFP

CARACAS. A rede venezuelana privada de televisão, RCTV, fortemente alinhada à oposição, sai do ar daqui a uma semana, depois de 53 anos de transmissões. A não-renovação da concessão do canal é considerada uma das decisões mais polêmicas dos oito anos de governo do presidente Hugo Chávez.

A Radio Caracas Televisão (RCTV), que combina os segmentos de informação e opinião com os de entretenimento 24 horas por dia, é a única cadeia televisiva de alcance nacional, em banda VHF, que ainda mantinha uma linha editorial de oposição ao governo Chávez.

O outro canal de linha crítica, Globovisión, uma estação de notícias 24 horas, tem alcance limitado, na banda UHF, a Caracas e à próxima cidade de Valencia.

O cancelamento da licença de transmissão da RCTV, anunciada pelo próprio Chávez em dezembro, é até agora a medida mais impopular do presidente, com crítica de 70% a 80% da população. Segundo as pesquisas, a maioria dos venezuelanos considera a medida do líder "arbitrária e pessoal".

Eduardo Sapene, diretor do canal, sustenta que as únicas razões capazes de motivar o fechamento da RCTV são as políticas.

- É contra quem pensa diferente do governo, é uma atitude ilegal e arbitrária. Isto se chama abuso de poder e totalitarismo - completa Sapene.

O governo, entretanto, afirma que precisa da freqüência para cedê-la a um novo canal de serviço público, que começará a operar no dia 28, dez ou quinze minutos depois de acabar o sinal da RCTV.

Andrés Izarra, ex-ministro de Comunicação e atual diretor da rede televisiva multiestatal Telesur, explica que o espectro radiolétrico é um "bem limitado" e com esta decisão ganha-se um espaço para "democratizar a comunicação na Venezuela".

- O que era antes um bem privado explorado por uma família será agora um espaço no qual possam se desenvolver atores distintos do panorama comunicacional - disse Izarra.

Para o diretor, "não se perde muito pouco" com a saída do ar da RCTV, porque "a televisão de péssima qualidade é o que dominava nesses espaços de puro entretenimento".

Para ocupar o espaço vazio que a RCTV deixará, o governo de Hugo Chávez criou uma fundação chamada Teves, que receberá um capital inicial de US$ 4 milhões (R$ 7,8 milhões) e cuja junta diretiva será nomeada pelo ministério de Comunicação e Informação. Entretanto, ainda não se sabe quem fará parte da junta diretiva e qual será a programação inicial do novo canal.

Com a criação da Teves, o Estado controlará os canais de alcance nacional na freqüência VHF, e outros três continuarão a ser privados.

Sobre o fato de o governo incidir diretamente na formação do novo canal, Izarra opinou que "um serviço público não pode nascer sem apoio do Estado". Em referência à nomeação dos diretores, lembrou que na França existe o Conselho Superior Audiovisual, para o qual o presidente, o Senado e a Assembléia Nacional nomeiam três membros cada um:

- Os meios de comunicação são um reflexo da situação política de um país - completou.

Sobre o risco de perda de palco para a expressão de idéias contrárias à linha oficial, o ministro Andrés Izarra assinalou que o "espaço natural de confluência de fatores na democracia é na Assembléia Nacional":

- A oposição decidiu não ir às eleições legislativas de 2005. Se fizeram um harakiri, não é problema nosso. Eles que decidiram isso - ironizou. - Se nem sequer comparecem aos espaços mais elementares de debate político, os naturais, o que vão dizer dos meios de comunicação? A mídia é um espaço de expressão das opiniões políticas, mas não é um ator político.

A oposição realizou ontem uma grande marcha em Caracas contra o fim da concessão da RCTV, enquanto o ministro de Comunicação, Willian Lara, anuncia uma "festa popular em toda Venezuela" para as noites de 27 e 28 de maio.

Para diretor da RCTV, mídia está "assustada"

Única rede da televisão aberta de alcance nacional que se mantém na oposição na Venezuela, a RCTV antes tinha companhia dos canais Venevisión, do magnata Gustavo Cisneros, também dono da DirectTV, e da Televen, do grupo Camero. Mas os dois últimos mudaram suas linha editorias desde 2005.
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O diretor geral da RCTV, Marcel Granier, contou que Omar Camero "se sente muito assustado".

- O governo tem praticado uma política de intimidação de jornalistas e meios de comunicação. No caso dos jornalistas, não teve êxito, mas nas direções das empresas muitos se deixaram intimidar - diz Granier. - Este é um governo que demonstrou uma grande capacidade para violar direitos humanos. Compreendo que muita gente tenha medo deste maquinário político-militar.

Granier contou que não conversou sobre o fim da concessão do seu canal com o seu colega e concunhado Cisneros, que abandonou o confronto logo depois de uma reunião com Chávez, antes do referendo de revogação do mandato presidencial, em 2005. O presidente ganhou nas urnas o direito de continuar no poder.

Granier disse que a única testemunha da reunião de Cisneros com Chávez é o ex-presidente dos Estados Unidos, James Carter, e ironizou que portanto só ele poderia responder sobre se houve tal encontro. O diretor disse ainda que não conversou com Cisneros sobre a situação atual, porque "ele não mora na Venezuela, e sim em Miami".

- Mas acredito que ele deve ter muitas opiniões sobre o fim do canal - acrescentou.

Mesmo prestes a perder a RCTV, Marcel Granier diz não se sentir isolado.

- Sinto uma grande solidariedade e imenso respaldo dos trabalhadores de rádio e televisão. O que está acontecendo é uma agressão contra a liberdade de expressão e informação, contra o direito dos jornalistas de exercer seu trabalho e o direito do público de escolher os programas de que mais gosta - lamentou.

Para a censura: bola preta, sempre

Pedro do Couto, Tribuna da Imprensa
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O jornalista Diogo Mainardi - leio sempre - publicou na "Veja" que está nas bancas artigo contra a portaria 264 do Ministério da Justiça que estabelece apreciação prévia dos programas de televisão de conteúdo artístico ou de divertimento. Qual poderá ser o objetivo? Fazer uma seleção? Só se for para as emissoras colocarem o aviso de desaconselhável. Vá lá, isso é natural. Mas se a condicionante visar alguma restrição, terá sido um erro enorme que o ministro Tarso Genro necessita corrigir de imediato.

Logo ele, que costuma deslocar o debate de idéias para o plano filosófico, como fez, por exemplo, no artigo que publicou na "Folha de S. Paulo", recentemente, quando fixou sua posição contrária à participação do Exército, Marinha e Aeronáutica no combate ao crime no Rio de Janeiro.

Exatamente pelo seu pensamento, deve levar em consideração uma realidade irrefutável: ao longo da história, em quaisquer épocas, não há caso em que uma obra de arte, censurada ou proibida em determinado instante, depois não tenha sido exibida ou veiculada integral e livremente. Até vem sempre na frente.

Isso porque a moral muda com o tempo. Da mesma forma a pintura, a música, a literatura, o teatro, o cinema. A ética não. Atravessa os séculos e até milênios, é eterna. O romance "O amante de lady Chaterley", de HD Lawrence, por exemplo, lançado em 1928, foi proibido na Inglaterra e colocado no Índex do Vaticano. Aliás, abolido pelo papa Paulo VI em 1965. Escrito no crepúsculo da década de 20, no país de origem, foi liberado na alvorada de 1950 em todos os países.

O filme "A mulher do padeiro", 1941, só podia ser assistido por maiores de 21 nos. Hoje, passa com censura completamente livre. "Les amants", de Louis Malle, 1959, foi igualmente proibido para menores de idade. Até o deputado Carlos Lacerda, em artigo aqui na TRIBUNA DA IMPRENSA, atacou o filme. O cardeal dom Jaime Câmara, arcebispo do Rio de Janeiro, condenou a obra. Hoje, está liberada para maiores de, digamos, 10 anos. Aliás, nem liberada. É apenas desaconselhável.

Por causa de "Guernica", Pablo Picasso teve que deixar a Espanha e a ela não retornou até o ditador Franco morrer. O mural famoso focaliza o bombardeio da cidade espanhola pela aviação nazista. "Perdoa-me por me traíres", 1956, peça de Nelson Rodrigues, provocou um escândalo na estréia no Teatro Municipal. Hoje não escandaliza mais ninguém. "Gata em teto de zinco quente", 56, atuação de Cacilda Becker, direção de Ziembinsky, provocou forte impacto. Não choca mais a ninguém. "Laranja mecânica", dirigida por Stanley Kubrick, também.

Os exemplos são infindáveis. Tão eternos quanto os diamantes. Nem vale a pena prosseguir na seqüência. O máximo, nos tempos modernos, para lembrar Chaplin, é desaconselhável. Desaconselhável não é proibido. Mesmo porque o inciso 9º do artigo 5º da Constituição Federal determina: "É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença". O ministro Tarso Genro conhece o texto, certamente. E mais uma coisa: o Estado não pode substituir os pais e as mães no aconselhamento de seus filhos. Não tem procuração para isso.

Desaconselhável é o suficiente, apenas. Nada mais. Vamos ser realistas. Vivemos no século XXI.

Cito o "filósofo" Ibrahim Sued, como ele dizia nas páginas de "O Globo". Para a censura, acrescento, bola preta. Sempre. Está invariavelmente na contramão do tempo. Quanto aos filmes e novelas na TV, Mainardi, portanto, está certo. Mas não relativamente ao ponto em que ele diz na sua coluna, que a portaria ameaça, indiretamente, os programas jornalísticos. Não é isso exatamente. Como não pode deixar de ser, o ato do ministro da Justiça libera os jornais televisados e os coloca dentro dos princípios da lei.

Esta matéria é regulada pelo inciso 5º do mesmo artigo da portaria 264. Não censura, muito menos impede. Garante o direito de resposta e de indenização nos casos da calúnia, injúria ou difamação. É lógico. Está correto. Nós, jornalistas, não podemos ser inimputáveis ou irresponsáveis. Caberá à Justiça decidir os conflitos legais que surjam em torno deste dispositivo. Porém não por juízes, juízas, desembargadores corruptos. Mas sim por magistrados honestos e dignos que são a larga maioria do Poder Judiciário. Não se pode generalizar.
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Tampouco confundir a expressão de arte com as manifestações jornalísticas, que têm de ser absolutamente livres, porém responsáveis. A arte não tem limite. Flutua na história, será sempre uma ruptura. Os fatos têm comprovado que o jornalismo tem sido oportuno, vigilante, responsável. Tem ido ao encontro da opinião pública. Jornalistas denunciaram o atentado do Riocentro (mancha na história do Exército), o atentado a esta TRIBUNA DA IMPRENSA (omissão das autoridades), torturas da ditadura militar, os escândalos de Collor de Mello, das privatizações, do mensalão, do Valerioduto e agora de Zuleido Veras. As denúncias foram comprovadas. A liberdade de imprensa é o maior alicerce da democracia.

Por isso, sobretudo, exige solidez. Esta solidez está aí aos olhos de todos. A diferença entre arte e jornalismo, penso, acabei de definir

A falta de censura prévia no Primeiro Mundo

Nove democracias onde não há censura prévia, mas auto-regulação
Reinaldo Azevedo
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A grande pilantragem intelectual da hora é justificar a censura prévia, operada pelo estado, evocando o exemplo de outros países. Trata-se de uma farsa. O modelo que querem implantar no Brasil está mais próximo do Irã e da China do que dos Estados Unidos ou da Inglaterra. Leitores me pediram que dissesse como é em outros países. Abaixo, há nove sólidas democracias. EM NENHUMA DELAS existe um órgão estatal como o idealizado pelo governo brasileiro. Nas nove democracias, existe é a auto-regulação.
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Austrália – O setor de TV aberta tem o Commercial Television Industry Code of Practice. As redes nacionais australianas ABC e SBS notificam a ACMA (ver abaixo) de seus padrões (cada rede tem seu próprio código de conduta, que é publicado no seu “site” na internet). O Broadcasting Services Act requer revisões periódicas dos códigos. Não há uma classificação prévia para cada programa.
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Quem faz a classificação? As emissoras.
Há controle anterior à transmissão? Não
Há controle posterior? Só se alguém reclamar
Quem avalia a reclamação? Australian Communications and Media Authority – ACMA
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Canadá – Apesar de voluntários (auto-regulação), o respeito aos códigos é um critério para obtenção de concessões. A CRTC (ver abaixo) encoraja o CBSC (conselho das empresas) a resolver diretamente as reclamações da audiência. Trata-se de auto-regulação.
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Quem faz a classificação? As emissoras.
Há controle anterior à transmissão? Não
Há controle posterior? Só se alguém reclamar
Quem avalia a reclamação? - Canadian Radiotelevisison and Telecocmmunication Comission – CRTC.
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Espanha - As televisões TVE, Antena 3, Telecinco e Sogecable estabeleceram o “Código de Autorregulación sobre contenidos televisivos e infancia”.
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Quem faz a classificação? As emissoras.
Há controle anterior à transmissão? Não
Há controle posterior? Só se alguém reclamar
Quem avalia a reclamação? Ministério de Fomento e Autoridades das Comunidades Autônomas
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EUA - O Conselho “TV Parental Guidelines Monotoring Board” estabelece os indicadores, e o seu manual “TV Parental Guidelines” orienta sobre a classificação feita pelas emissoras. O “Board” é formado por entidades representativas do setor: NAB (National Association of Broadcasters), NCTA (National Cable Television Association) e MPAA (Motion Picture Association of America). Um “V-chip” (instalado em todas as TVs maiores do que 13 polegadas) lê eletronicamente a classificação e permite que os familiares bloqueiem os programas considerados impróprios.

Há controle anterior à transmissão? Não
Há controle posterior? Só se alguém reclamar
Quem avalia a reclamação? Federal Communications Comission – FCC
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Japão - A legislação obriga a publicação dos padrões individuais das emissoras. E todo radiodifusor deve ter uma área responsável pelo cumprimento dos padrões adotados (“Consultative Organization of Broadcast Programs”). Não há um comitê estatal encarregado de fazer a vigilância prévia.

Há controle anterior à transmissão? Não
Há controle posterior? Só se alguém reclamar
Quem avalia a reclamação? Ministry of Internal Affairs and Communications - MIC
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Portugal - As emissoras privadas e públicas têm o “Acordo de Auto-regulação sobre Divulgação da Violência. O nome já se autodefine.
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Há controle anterior à transmissão? Não
Há controle posterior? Só se alguém reclamar
Quem avalia a reclamação? Entidade Reguladora para Comunicação Social –
RC
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Reino Unido - A Ofcom pode oferecer alguma ajuda de caráter na interpretação do “Ofcom Broadcasting Code”, mas a interpretação e a classificação são responsabilidades exclusivas das emissoras.
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Há controle anterior à transmissão? Não
Há controle posterior? Só se alguém reclamar
Quem avalia a reclamação? Office of Communications – Ofcom
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França - As emissoras fazem sua classificação com base nos critérios do CSA, através de um comitê interno criado para esta finalidade; o CSA é Informado da composição desse comitê. As leis francesas estabelecem princípios gerais sobre o conteúdo, que são detalhados pelo CSA nos “implementation guidelines” (“The protection of children and adolescents on French television - CSA Brochures, May 2005”) e nos contratos de outorga.
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Há controle anterior à transmissão? Não
Há controle posterior? Só se alguém reclamar
Quem avalia a reclamação? Counseil Superieur de l’Audiovisual – CSA
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Alemanha - A FSF (Freiwillige Selbstkontrolle Fernsehen) é uma organização voluntária de auto-regulamentação à qual a maioria dos radiodifusores comerciais está afiliada. Os filmes são submetidos à FSF, com as indicações de como pretendem transmiti-los (horário, cortes, etc).
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Há controle anterior à transmissão? Sim, mas não pelo Estado
Quem faz? Peritos contratados pelas emissoras e pela FSF
Há controle posterior? Só se alguém reclamar
Quem avalia a reclamação? Comission for Protection of Minors in the Media – KJM

Projeto de controle da Internet está na pauta da CCJ

Redação Terra

O projeto substitutivo do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) que tipifica crimes praticados com o auxílio da informática está na pauta de votação desta quarta-feira da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Contudo, a proposta é o sexto item da pauta e, para ser votada, os senadores precisam antes fazer três sabatinas de indicações do governo e votar outros dois projetos.

O projeto original, apresentado no ano passado, foi retirado da pauta de votação em novembro após causar polêmica devido à exigência que os usuários preenchessem um cadastro eletrônico para pode acessar a Internet. Essa proposta foi retirada do substitutivo.

O projeto reformulado, porém, provocou reação da Associação Brasileira de Provedores de Internet (Abranet) devido ao ponto que obriga aos provedores de Internet a denunciar à polícia indícios de práticas criminosas que ocorram em suas redes. "Estão querendo que os provedores passem a ter um posicionamento de polícia. Isso não compete aos provedores. Entregamos as informações quando requisitados pela Justiça", afirmou o presidente da Abranet, Eduardo Parajo.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Poucos dias atrás dissemos que isto iria acontecer. Pelo visto, não foi preciso esperar muito para a manobra canalha ser posta em execução. Acreditem que todo o movimento para imposição da censura no país parte de uma única mente, perturbada e sociopata, mas ainda assim uma só. Como Mefistófeles é o rei deste imenso império de canalhas, ele os usa para manifestar e impor suas vontades. Sempre haverá um seborrento prestes a servir ao seu amo e senhor: tudo por um carguinho merreca qualquer para defender alguma vigarice em prol da comunidade familiar do diabo-laranja. Ou prá que vocês acham que serve esta mistificação chamada “coalizão”? Só para calar as oposições ? Não, de jeito nenhum, também está a serviço para que o senhor do império imponha seus regras fedendo a enxofre.

TRAPOS & FARRAPOS...

A censura prévia é o caminho aberto da ditadura.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia.

Ainda do Blog do Reinaldo Azevedo, fomos buscar um artigo dando conta de como se processam em países de primeiro mundo, as relações entre as emissoras de televisão e o Estado, quanto às normas vigentes em relação à a programação das emissoras. Aliás, foi um achado. Estávamos desde domingo pesquisando justamente sobre assunto.

Isto vem de encontro ao posicionamento visceralmente contrário à tentativa do governo Lula de mais uma vez atentar contra os princípios que regem um país que se deseja democrática em toda a sua essência. Conforme temos dito, esta não será a primeira nem tampouco a última tentativa de Lula querer impor censuras à liberdade de expressão. Claro que as justificativa que pelo lado do governo tem sido apresentadas, são canalhas por completo. Sempre que se tratar de ações absolutamente características de um estado autoritário e tirano, estes defensores do atraso estarão delirantemente se expressando na linguagem de “defesa” da democracia e da ampliação de seu espaço. Se o Estado é democrático por excelência, ele dispensa esta ampliação de espaços. No fundo a balela do papo furado oficial se está mascarando a tentação autoritária de se limitar liberdades e direitos aos cidadãos. Estado vigilante de direito não se coaduna com democracia. Em tempo algum, em lugar nenhum, sob hipótese alguma.

Vocês devem estar lembrados dos artigos que o Diogo Mainardi escreveu para a Revista VEJA sobre mais esta facada de Lula, e que o COMENTANDO A NOTICIA reproduziu aqui. Tomaram conhecimento, também, da criação de um departamento a quem caberá julgar por nós o que devemos assistir e a que horas poderá ser. A invencionice de Lula foi jogada no Ministério que um dia foi de Justiça, agora sob orientação do rolando lero do planalto, Tarso Genro.

Hoje, o Mainardi avançou um pouco mais e o Reinaldo nos traz o curriculum do “moço” a quem caberá julgar e decidir por nós. Tudo isso vocês poderão ler nos posts seguintes, como também o que está acontecendo na Venezuela do milico Chavez, onde foi implantado idêntico aparato cretino de censura.

Ouvi algumas pessoas comentando que não se importam muito com esta censura prévia. Perguntei-lhes que idade tinham quando o país viveu os duros tempos do regime militar. Nenhuma tinha idade suficiente para conhecer os prejuízos para o pensamento do país que a tal censura prévia é capaz de provocar. Ah, sim, as esquerdas também reclamaram, dizem eles que lutaram para o restabelecimento de todas as liberdades individuais, inclusive às de expressão. Fica difícil de se acreditar no engodo. Oportunista, se valeram da onda e dos anseios populares de retornar à normalidade democrática, para se aproximarem do povo e cultuar-lhes simpatia. Na verdade, os cretinos não tiveram foi coragem para dizerem que, quanto a censura, eles propriamente nada tinham a opor. A prova está justamente agora que, estando no poder, eles batalham e dão um duro danado para devolver-nos às trevas e à desinformação. Para eles, povo informado não é lá muito do seu interesse cretino. Prova é que, dentre todos os países do primeiro mundo, onde se sabe haver povo desenvolvido, culto e informado, nenhum faz apologia à censura. E a China ? Reparem que falamos de povo culto, desenvolvido e informado. A China apesar de sua exuberante expansão econômica nos últimos, ainda não atingiu o estágio em relação ao seu povo às qualidades de desenvolvido, culto e informado. E tanto quanto se saiba, qualquer movimento que se levantar com a bandeira democrática tremulando por aquelas bandas, a gente até sabe como acaba...

Querem outro exemplo ? Vocês sabem o que foi a censura na antiga URSS. Com o débâcle do império comunista, a Rússia conservou muito do antigo depósito de autoritarismos. E um deles foi a censura prévia. Vocês querem saber o que povo russo pensa a respeito ? Leiam a notícia seguinte, da Tribuna da Imprensa:

Manifestantes russos pedem fim de censura na mídia

MOSCOU - Centenas de manifestantes reuniram-se diante da principal estação de TV da capital russa para protestar contra o que qualificam como "mentiras e censura" na mídia televisiva, que é largamente controlada ou influenciada pelo governo.

A passeata pacífica, da qual participaram cerca de 300 pessoas, se dá em meio a crescentes queixas com relação à liberdade de informação na Rússia. A questão ganhou destaque na última semana com a demissão de jornalistas da agência notícias, Russian News Service, que protestavam contra informações segundo as quais seria lançada uma diretriz editorial de gerar metade do material a favor do governo.

"Estamos muito preocupados e perturbados e pedimos um protesto contra as mentiras na televisão, contra a vulgaridade e a falta de profissionalismo na televisão, contra a censura política na televisão", disse o líder do partido Yabloko, de oposição, Grigory Yavlinsky, diante do complexo Ostankino, na Zona Norte de Moscou.

O Ostankino abriga os escritórios e estúdios de diversos canais de TV, inclusive uma torre de transmissão de 540 metros de altura considerada a estrutura artificial mais alta da Europa
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Aliás, não perdemos por esperar: vem aí a tevê pública que Lula qualifica como indispensável para o debate das grandes causas nacionais que as tevês comerciais não promovem. Na opinião dele, logicamente. E seguirá exatamente o mesmo script da televisão russa: impor ao povo uma ideologia alicerçada na mentira, que pouco a pouco, está se tornando o grande referencial filosófica da república petista-lulista, consagrada pela maciça propaganda oficial. Bem, tanto os russos da antiga URSS, quanto os alemães conheceram na carne estes “regimes democráticos”...

Portanto, dêem o nome que se quiser dar, coloquem o lixo a comandar o novo DOPS que se colocar, mas é preciso ter em mente o seguinte: quem ama a liberdade, quem aspira democracia, de bom grado jamais aceitaria uma incumbência destas de sentar no trono de um departamento que irá impor seu chicote nas nossas escolhas individuais. Tanto, como o próprio Reinaldo assinala, o moço parece não ser muito chegado em televisão... De fato, Lula parece ter escolhido o homem da tesoura certo e talhado para a função. Aliás, o movimento que o rapaz defende com grande prazer interior é o do Direito de Rua !!! Vocês que porcaria é esta ? Pois bem, basta assinalar um dos postulados do novo “Direito”: “(...)O Direito achado na rua é uma linha de pesquisa do Núcleo de Estudos para a Paz e Direitos Humanos. Baseado na Nova Escola Jurídica Brasileira (NAIR), de Roberto Lyra Filho, o Direito achado na rua é o encontro dos Novos Movimentos Sociais e o Direito, indo além do legalismo, procurando encontrar o direito na 'rua', no espaço público, nas reivindicações do povo(...)”. Meus amigos, ir além do legalismo representa nada mais nada menos do que colocar-se acima do pleno estado de direito. O movimento em questão assinala na sua auto-definição sua própria mendicância, seu pensamento degenerado, sua delinqüência comportamental, sua marginalidade espúria. E o cara que vai comandar o novo DOPS é chegado nesta linha de pensamento. Vocês acham o que da figura que joga no lixo a legalidade para impor a prática marginal nascida dos esgotos ? De fato, a figura é chegada ao tiranismo. Como dissemos, censura, seja sob o nome e a causa que representar, é indicativo de um processo de aniquilação das instituições democráticas de qualquer país. O patrocinador desta causa, não apenas flerta com o autoritarismo: ele é o próprio tirano.

As misérias da política nacional

Editorial d’O Estado de São Paulo

O que menos importa a esta altura dos desdobramentos da Operação Navalha é o destino pessoal do engenheiro Silas Rondeau, o fidelíssimo afilhado político do senador José Sarney, a quem deve a ida para o Ministério de Minas e Energia, numa indicação compartilhada com o atual presidente do Senado, Renan Calheiros. O mais graduado suspeito, no âmbito do Executivo, de participar da máfia tentacular identificada pela Polícia Federal, Rondeau teria recebido da Construtora Gautama, do agora notório Zuleido Veras, propina de R$ 100 mil por tê-la ajudado a vencer uma licitação viciada no programa Luz para Todos. O seu afastamento do cargo era previsível desde a primeira hora, apesar das suas juras de inocência em relação a ambas as acusações.
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O que importa são duas questões que incidem diretamente sobre as misérias da política nacional. Uma diz respeito ao “preço”, como disse o presidente Lula na entrevista coletiva da semana passada, das alianças formadas para ganhar eleições e dar ao vencedor maioria parlamentar. Outra é a das reações corporativas no Senado ao escândalo que levou à berlinda os nomes de sete dos seus atuais ou ex-integrantes, além de assessores, por alguma forma de conexão com o empreiteiro inescrupuloso. Em relação ao primeiro ponto, está em jogo a responsabilidade objetiva do governante, qualquer que seja e em qualquer instância federativa, pela conduta dos seus principais auxiliares, quando indicados pelos partidos da aliança, na costumeira partilha dos cargos mais cobiçados da administração.
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Na citada entrevista, Lula também disse: “O presidente da República não governa com as forças que (sic) gostaria de governar. Ele governa com as forças vivas que compõem as organizações políticas da sociedade civil e dos partidos políticos. Isso vale para um prefeito, vale para um governador e vale para o presidente da República.” Vale lembrar que eles sabem sempre por que “as forças vivas” - ou vivíssimas - preferem certos cargos a outros, de mesmo nível. É pela projeção política própria da função, a quantidade e qualidade dos favores que permite distribuir à cupinchada e pela amplitude proporcionada ao toma-lá, dá-cá com fornecedores de bens e serviços ao setor público, fontes inestimáveis de contribuições eleitorais por cima ou por baixo dos panos. Em suma, o poder como investimento.
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Ciente disso, Lula não poderia desconhecer que o “preço” que lhe tocaria pagar variaria na razão direta do tamanho do seu governo de coalizão - o que abre, por si só, o apetite dos coligados - e da formidável escala do loteamento da cúpula do aparelho administrativo. Não poderia alegar, portanto, nem que não terá nada com o que possam aprontar os indicados dos partidos, nem tampouco, quando aprontarem, que foi traído, nem mesmo, enfim, que aceitou nomeá-los porque, ao passar pelo crivo dos órgãos de informação do governo, os seus currículos não revelaram, nas entrelinhas, prontuários e folhas corridas. Na mesa do presidente americano Harry Truman havia uma placa: The buck stops here. “É comigo mesmo”, em tradução livre. Aos 5 meses incompletos do segundo mandato, Lula tem tempo para se inspirar nisso, antes que um próximo escândalo torne a apanhá-lo desprevenido.
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Já a segunda questão de relevo mencionada no início deste texto - a convergência suprapartidária dos senadores, em causa própria - é de enrubescer até um Zuleido. Diante da iniciativa de dois deputados do PPS e do PSB, dois dos nove partidos feridos pela lâmina da Polícia Federal, por uma CPI mista sobre o escândalo, o líder do DEM (ex-PFL) no Senado, Agripino Maia, proclamou que “a crise é do Executivo e não devemos trazê-la para cá”. Como se ela não tivesse um forte componente legislativo embutido nas emendas parlamentares ao Orçamento. São peças essenciais na cadeia produtiva das falcatruas que começam com a escolha das obras a realizar, passam por licitações viciadas e contratos superfaturados, continuam na labuta para a liberação das verbas e culminam com o dinheiro sujo que as Gautamas distribuem aos políticos e aderentes pelos excelentes serviços prestados.
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No momento, a CPI pode ser prematura. Mas o lavar de mãos dos aflitos senadores é nada menos do que um escândalo dentro do escândalo.

Como somos vistos no exterior

Financial Times: novo escândalo no país do ‘rouba, mas faz’
Agência Estado
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O recente escândalo de corrupção no Brasil que levou à demissão do ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, provocou uma crescente indignação popular com a classe política num país “onde a frase ‘rouba, mas faz’ é comumente usada como sinal de aprovação”, afirma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal britânico Financial Times.
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A reportagem observa que “o escândalo é mais um de uma série de acusações de corrupção no alto escalão a atingir o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.
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Mas o jornal comenta que, ao contrário do principal escândalo de corrupção a atingir o governo no primeiro mandato de Lula, pelo qual membros do Partido dos Trabalhadores eram acusados, desta vez ele atinge “tanto a oposição quanto membros do governo”.
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O Financial Times conclui afirmando que “os escândalos provocaram pedidos por uma reforma do sistema político brasileiro, pelo qual os legisladores não têm de prestar contas nem aos eleitores nem aos seus partidos e têm garantida ampla imunidade de processos”.
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Escândalos impunes
A renúncia de Rondeau também foi tema de reportagem publicada pelo diário argentino La Nación, que observa que ele “apresentou sua renúncia irrevogável” ao se ver “envolvido em um amplo escândalo de corrupção que salpica o governo de Luiz Inácio Lula da Silva”.
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Em um outro texto, o jornal explica como funcionava o esquema para fraudar licitações públicas desbaratado pela Polícia Federal e diz que “o modus operandi remete no Brasil a uma série de escândalos que, segundo a percepção popular, permanecem impunes”.
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O jornal cita desde os casos mais antigos, como o dos “Anões do Orçamento”, em 1993, aos mais recentes, como os do “Mensalão” ou dos “Sanguessugas”.
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O americano Miami Herald, por sua vez, comenta que esta é “a quarta vez nos últimos anos que membros do governo Lula foram forçados a renunciar por causa de acusações de corrupção, mas Lula permaneceu intocado pelos escândalos”.O jornal observa ainda que “ao contrário dos escândalos de corrupção anteriores, que abalaram os mercados financeiros, a polêmica envolvendo Rondeau teve pouco impacto sobre os investidores, que permanecem convencidos de que Lula não mudará sua política econômica”.
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Porém para o diário econômico francês Les Echos, o novo escândalo de corrupção “ameaça estragar a festa” da economia brasileira num momento em que o país “quer acreditar num novo milagre econômico”.
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Mas ainda assim o jornal avalia que “será necessário mais do que isso, sem dúvida, para perturbar o clima de otimismo num momento em que os principais indicadores brasileiros se mostram positivos”.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Isto é vergonhoso para qualquer cidadão de qualquer país: sermos visto sob a ótica da desonestidade. Em absoluta nada, é isto que torna nossa situação vexatória, a reportagem vai além da realidade que conhecemos. E o que torna nossa posição mais constrangedora além de enfrentar de fato esta realidade, é sabermos que a depender dos governantes que nos desgovernam, nada vai mudar. Até pelo contrário: tudo tende a ser pior ainda que já é. Ao escolhermos um presidente, fizemos a opção não de um operário trabalhador, mas de jagunço delinqüente, agitador e mentiroso.