domingo, outubro 31, 2010

Hora da reza: o jogo começa agora.

Adelson Elias Vasconcellos

Muito bem, o país fez sua escolha. Fez a escolha certa? Sabe ou conhece bem a sua opção? Na minha avaliação acho que não, mas rezo para estar errado, pelo bem do país que, afinal, somos todos nós.

Creio até que 50 e tantos milhões de eleitores somente se darão conta de seu voto, dentro de uns seis a dez meses. De tal forma Lula esteve envolvido na campanha de Dilma que sou capaz de apostar que para muitos, no nordeste, principalmente, votaram muito mais por Lula do que por Dilma Rousseff. E, tal qual o mapa do primeiro turno, pesou na escolha a grandiosa maioria de beneficiados do bolsa família. Pode até ser coincidência, mas é um fato constatável sem nenhuma dúvida.

Saudável na leitura deste pleito é saber que o PSDB, o principal partido de oposição, se perdeu representatividade no Congresso, no plano nacional, contudo, e lutando contra uma poderosa máquina pública e de propaganda, fortaleceu-se e marcou seu espaço. Não foi o massacre sonhado por Lula. Serra capturou mais de dez milhões de votos além daqueles que Alckmin obtivera em 2006, e os tucanos elegeram maior contingente de governadores. E isto terá um peso relevante nas relações do governo com a oposição. Depois de três eleições cometendo erros primários, quero crer que a oposição tenha aprendido a lição de que, fundamentalmente, precisará voltar a fazer política e, para tanto, deixar de ser presa fácil e achar que somente às vésperas da campanha se iniciar, é que conseguirá se impor junto ao eleitorado. Deve hoje cumprimentar Dilma pela vitória, dizer que fará seu trabalho de colaborar para o crescimento do país mas, amanhã, sem perder tempo e nem gastar saliva com discurso inútil, deverá começar a ser aquilo que quase metade do eleitorado lhe delegou fazer: oposição ao governo federal.

Dilma talvez tenha conseguido, por tudo o que se sucedeu na campanha e antes dela, conquistar o objetivo mais fácil. Doravante, mesmo contando com a consultoria de seu padrinho, é que de fato nasce seu desafio. Primeiro, como compor com o leque de partidos que compõem sua base de apoio, a equipe a quem confiará e delegará as tarefas da governança. Isto requer, acima de tudo, capacidade de negociação política, atributo que sabidamente Dilma não tem.

Segundo, compor a agenda de ações e metas para serem cumpridas nos próximos quatro anos. Muito embora durante a campanha tenha tratado com certo desprezo questões urgentes, dado o cenário atual, ela precisará escolher e adotar um modelo de governo: de um lado, um pouco menos expansivo para garantir a estabilidade econômica, ou, de outro, comprometer esta estabilidade correndo risco, mas imprimir a mesma velocidade que Lula tocou seus dois últimos anos de governo.

Se Dilma conseguir neste primeiro ano vencer a barreira das negociações necessárias para o loteamento do poder com a ampla aliança que a apoia, e imprimir um ar mais conservador no campo econômico, tem tudo para seguir em frente sem maiores tropeços, desde que as condições externas não mudem o cenário da economia.

Mas se deseja avançar para dar sustentabilidade ao crescimento econômico e social, sua plataforma deverá atender pontos de difícil digestão: previdência, reforma política, reforma trabalhista, reforma tributária, aprimoramento da qualidade de ensino, recuperação da qualidade dos serviços de saúde e segurança, além da indispensável elevação dos investimentos públicos nas áreas de infraestrutura e saneamento. Compatibilizar os diferentes interesses de cada partido em cada um destes pontos, tendo uma base de apoio político tão amplo e diversificado, não será uma tarefa fácil. E tendo contra si estados mais importantes sob o comando da oposição, o que a obrigará a se aproximar deles, mesmo que a contragosto.

É certo que a eleição dá um novo vigor para a oposição. Ficou claro que ajustando seu discurso e contando com uma estratégia mais adequada, é possível quebrar o encanto que se instalou em torno do partido no poder.

Reafirmo não acreditar que Dilma tenha na negociação política um atributo notável. Ou precisará puxar Lula para dentro do governo como este negociador, ou precisará encontrar, e logo, uma liderança capaz de congregar estes diferentes interesses em torno de seu projeto e ideias.

Fundamental ainda que sua equipe técnica esqueça política partidária para se concentrar na resolução dos gargalos visíveis a espera de soluções urgentes. Ao partir de um índice de aprovação deixado por Lula tão elevado, precisará adotar medidas com grande precisão, para em seu governo não se instalar desconfianças.

Portanto, seja nesta passagem de bastão de Lula para Dilma, como na composição da equipe dentro do figurino moldado pela agenda de governo que pretende imprimir, o momento é de expectativa.

Dilma deve ter em mente duas questões importantes; seu governo não poderá contar com o modelo divisionista de sociedade imprimido por Lula. E, por fim, há uma sensível degradação das contas públicas que precisarão ser atacadas com urgência. Na campanha, Dilma jamais admitiu este diagnóstico. Espero que esta atitude seja apenas um comportamento de campanha e que, eleita e empossada, ela assuma que esta degradação é real e precisa ser resolvida. Se não o fizer logo, e por certo, acabará comprometendo todo o seu governo.

E para encerrar: para o bem do país Dilma terá que optar entre governar de acordo com os desafios e necessidades do país, ou governar visando atender um apelo de um projeto de poder com a qual o PT pretende conquistar maior presença. Ou, em outras palavras: escolher um projeto republicano de governar, ou um projeto de conservação do poder. No primeiro modelo, se beneficia o país e ela, em especial, do ponto de vista político, já o segundo, bem o segundo é o caminho mais próximo para o desastre. Vamos torcer para Dilma ter a sabedoria de fazer a melhor escolha.

Uma última palavra: há graves crimes de abuso de poder político e econômico que o TSE deverá julgar contra o governo Lula. Em um país civilizado onde o Judiciário não é um apêndice para atender os caprichos do Executivo, e provavelmente Dilma e Lula estariam sob a ameaça do cumprimento da lei contra si. No Brasil, todavia, com este TSE comandado pelo ministro Lewandovski e um Ministério Público Eleitoral leniente, talvez eles possam comemorar com maior segurança sua vitória. Como sempre disse, urna não é tribunal, a vitória não absolve ninguém dos crimes cometidos durante uma campanha eleitoral. Mas acredito que Lula esteja seguro de que ninguém vai lhe cobrar as transgressões, muitas delas gravíssimas, que andou praticando. Afinal, amigos são para essas horas, não é mesmo Leviandovski?

PENSE BEM ANTES DE VOTAR:

À moda da casa...

O PT Privatizou a Justiça Eleitoral.

Adelson Elias Vasconcellos


Jamais se viu na história do país, uma campanha presidencial tão sordidamente manipulada, fraudenta, ilegal, aviltada como esta que se encerra hoje. Compras de votos? Bem tanto o TSE quanto a Polícia Federal ainda recolhem provas e contraprovas às dezenas, por todo o país.

Mas o que não se explica até agora – se bem que aqui em outros artigos já apontei as razões – é a vergonhosa omissão do TSE quanto ao crime de abuso do poder político, de parte de Lula e Dilma, pelo o uso indiscriminado da máquina pública. Só não viu quem não quis ou não queria ver. Mas as provas e demonstrações estão por toda a parte. Estatais, então, tipo Caixa Econômica Federal, Petrobrás, universidades federais foram contaminadas pela campanha governista em prol de sua candidata. E o Ministério Público Eleitoral? Nada. Nenhuma palavra, nenhuma iniciativa, nenhuma providência. Para eles, é como se 2010 não passasse se ano comum, sem eleições. Ou vai ver que estavam de greve desde janeiro, e não contaram prá ninguém, vá saber!

Várias denúncias foram aqui reproduzidas, e também em blogs, em redes sociais, em portais de notícias, na imprensa em geral. Nada. Uma das poucas vezes que se viu uma atitude digamos mais truculenta, ou mais determinada, foi a apreensão de um manifesto de caráter religioso, mandado confeccionar pela Diocese de Guarulhos, devidamente assinada por três bispos, encomenda legal e encomendada em junho deste ano. Por que alguém do PT pediu sua apreensão, o senhor juiz Henrique Neves, solícito no atendimento ao pedido do partido do governo,. Enviou a Polícia Federal fazer a apreensão. Constatado o erro da decisão, e mesmo diante do pedido de devolução feito pela Diocese, até a Justiça Eleitoral não se dignou em reparar seu equívoco, talvez esperando que o PT dê a devida autorização para a Justiça devolver os manifestos, mas, claro, depois da eleição.

Contudo, esta mesma justiça tão ciosa em atender ao partido do governo, mesmo sem base legal para tanto, nãoa teve o mesmo rigor em relação aos panfletos apócrifos espalhados pelo país, patrocinados por estatais e sindicatos, ação marcantemente ilegal. E quando o fez, no caso de um jornaleco da CUT, não destacou força policial: enviou seu comunicado via ...fax.

Agora, vejam esta nota do Lauro Jardim, na Veja: "A propósito do Banco do Brasil, gente graúda do governo ficou preocupada com a maneira desenvolta com que pelo menos um vice-presidente do BB, Allan Toledo, se envolveu nas eleições, pedindo contribuições a grandes empresas. Ao menos dois gigantes do setor de carne – JBS e Marfrig – foram procurados".

Também do mesmo Lauro Jardim, ficamos sabendo de que o Delúbio, aquele mesmo, flanou leve e solto na arrecadação de fundos para o PT nesta campanha. E, para não dizer que o homem tem exclusividade com a grife petista, também ajudou seu cliente em Goiás, Iris Rezende, do PMDB. Por que lembro dele? Porque o processo do mensalão completou 5 anos, o ministro do STF sentou em cima e não tem jeito de ir em frente para punir os culpados; mais um pouco de espera, e os crimes prescreverão. Ah, o mensalão ocorreu no meio do primeiro mandato de Lula. O cara já está terminando o segundo mandato, e tudo bem, ninguém punido.

O Estadão já completou 456 dias de censura, sobre os negócios pouco republicanos de um dos filhos de José Sarney, que até desistiu da ação há mais de seis meses, e até agora o Judiciário não se dignou em retirar do jornal a mordaça que lhe aplicou, muito embora, reconheça que a Lei de Imprensa antiga não vale mais nada, e que não se deve restringir o acesso à informação e o direito de informar.

Ou seja, olhando a Justiça brasileira como um todo, convenhamos, que a gente se assusta sobre seu comportamento. A sensação que se tem é que, quem quer que seja que venha “contrariar” os interesses do partido no poder, está sujeito a ser punido, mesmo que de forma arbitrária. Já para os que se dizem amigos dos donos do poder, parece haver certa licenciosidade para delinquir, principalmente, se o crime ocorrer na esfera eleitoral.

Que Lula, PT, Dilma & Cia procedam da forma como procederam nesta campanha não deve resultar em surpresa para ninguém. Se houvesse rigorosa punição para mentira e calunia, o PT não conseguiria fazer campanha alguma. Este é seu método de fazer política, que, em linguagem de gente séria, decente e civilizada, se coaduna muito mais como prática criminosa. Agora que o Ministério Público Eleitoral e o Tribunal Superior Eleitoral, com toda a estrutura que ambos possuem, se omitam e deixem de cumprir a missão para a qual foram criados, é inadmissível e injustificável.

Se antes os costumes políticos do país já se arrastavam num vexatório mar de lama, associada prinmcipalmente a uma impunidade eterna, a partir desta campanha de 2010, o TSE e o MPE como que legislaram em favor de um vale-tudo para benefício de um único partido, mas, contrariamente, aos  opositores todo o excesso será rigorosa e drasticamente punido.

Reafirmo o que já venho dizendo há mais de um mês: não importa quem vencer, mas do ponto vista legal, na letra fria da lei, a eleição, como um todo, resultou em grande números de ilegítimos, e na esfera da presidência da república, vencendo Dilma Rousseff, justiça houvesse, seria esta vitória impugnada fosse pelos inúmeros crimes eleitorais praticados por ela, seu padrinho e associados, mas, principalmente, pelo abuso de poder político e econômico. O presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandovski carregará sobre si este peso mortal de haver consentido de forma leniente, irresponsável e quando não, também, acumpliciada, a mais ilegítima das eleições presidenciais de que se tem notícia. Não confio que tenha coragem para agir agora, até porque sua covardia anterior tenderá a justificar pelo resultado, com o chavão de não proclamar eleito no tapetão quem não teve o mesmo salvo conduto para atropelar as leis, e ainda teve contra si o peso de um Estado, entregue à deriva há exatos três meses, quando fechou-se o governo, transformado que foi em imenso comitê eleitoral pró-Dilma. Tivesse o senhor Lewandovski um mínimo de respeito para com a sociedade brasileira, envergonhado, e tão logo proclamado o resultado fraudado da eleição, entregaria seu cargo de pronto. Por certo, sabemos, que não o fará. A aliança com o poder não pode ser ferida por detalhes insignificantes que interessam às pessoas sérias e honestas deste país.

Se houve uma instituição que perdeu credibilidade andando na contramão de sua verdadeira missão ao longo dos oitos anos de Lula, sem dúvida, esta foi a Justiça Eleitoral, que marca neste ano da graça de 2010 seu enterro simbólico. O que deveria ser uma instituição do Estado, transformou-se num departamento de validação de passaportes para o crime dentro do PT. Ela, a exemplo de Petrobrás, Banco Brasil, dentre outros e outras, foram, definitivamente, privatizadas por um partido político. E quem quiser que vá reclamar para o bispo, mas só depois do aborto ao Estado brasileiro e conjunto de leis e regras democráticas.

Nem na ditadura militar, o Judiciário foi tão omisso e submisso ao poder.

PS: Manchete de destaque na Folha deste domingo: DILMA DEVE SER ELEITA 1² MULHER PRESIDENTE DO BRASIL. Ora, mesmo com todos os grosseiros erros dos institutos de pesquisas, tem quem acredite na “ciência” professada por eles. A julgar pelo comportamento da Folha e alguns outros órgãos da imprensa, mesmo antes de qualquer voto chegar à urna, na próxima eleição o eleitor nem precisará mais sair de casa. Compra cedo o jornal e já fica sabendo quem foi “eleito” pela “turma”. Depois quando tiverem que brigar contra a censura, não se queixem...

Hoje é o dia! E a nossa luta continua amanhã, como sempre!

Reinaldo Azevedo

Este blog ultrapassa neste outubro, deve estar acontecendo agora, se é que já não aconteceu, a marca de cinco milhões de páginas visitadas — no mês! Não se chega aí referendando o senso comum (numa ponta) ou o que eu poderia chamar “percepções de exceção” (na outra ponta). Talvez esse dado revele algo parecido com apreço por uma certa originalidade nos dias que correm: clareza! Este blog é claramente, indubitavelmente, sem qualquer sombra de ambigüidade, favorável à democracia e ao estado de direito. Por isso mesmo, acredita, sim, que a eleição de José Serra é o melhor para o Brasil. E sustenta isso, mesmo quando todas as pesquisas de opinião dos ditos “institutos” apontam uma diferença em favor de Dilma Rousseff que pode variar de 10 pontos (Datafolha) a 14,4 pontos (Sensus).

Este blog, pois, como se nota, não quer ganhar eleições. Também não ambiciona ser “campeão moral” de coisa nenhuma. Não disputa votos. Não disputa nada com ninguém. Não disputa nem leitores com outros blogueiros. Os mais de cinco milhões de páginas visitadas num mês indicam só a escolha de alguns valores. E a esses valores o blog continuará fiel, pouco importa o vencedor. MAS ATENÇÃO PARA O PRINCIPAL: ESTE BLOG CONTINUARÁ A AFIRMAR QUE A ELEIÇÃO DE JOSÉ SERRA TERIA SIDO O MELHOR PARA O BRASIL AINDA QUE DILMA VENÇA. Porque este blog prefere a verdade ao poder. Demagógico? A esta altura, eu poderia estar buscando alguma acomodação. Prefiro parodiar um querido poeta: “Final força é pisar com convicção”.

Conhecido o resultado, certamente escreverei bastante a respeito, o que se repetirá nos dias, meses e anos seguintes. Há muitos jornalistas que declaram, sobranceiros, não ter um agenda. Há outros tantos que a escondem. Pois eu declaro a minha, já tantas vezes enunciada aqui: democracia representativa, liberdades individuais, economia de mercado, livre expressão do pensamento. Elogio tudo o que concorre para fortalecer esse que considero ser um bom mundo e dou porrada em tudo o que — ou “todos aqueles” que — considero obstáculo à sua plena realização. Pode haver algo mais transparente, mais, como eu disse, “claro”? Creio que não!

Perdem o seu tempo, de um lado, os que tentam me convencer de que a democracia não é um bom caminho porque acabou resultando em Lula, eventualmente em Dilma. Perdem o seu tempo, de outro, os que tentam me convencer de que a democracia não é um bom caminho porque pode pôr termo às conquistas, reais ou supostas, de Lula. A minha democracia — aquela dos valores universais — não tem, em suma, qualquer intimidade com os que pretendem usar as urnas para a imposição de valores que, se revelados à luz do dia, com clareza e com verdade, seriam rejeitados pela maioria. Eu não tenho uma agenda secreta. Eu, de fato, combato aqueles que a têm.

Sem essa!
Todos sabem o que penso. Acho, sim, que a atual oposição cometeu alguns erros importantes nessa disputa — cuidei deles em muitos textos e falarei mais a respeito, pouco importa o resultado das urnas. Mas afastem de mim o “empatismo”; o “igualzismo” do “todo mundo está errado”; a afirmação vigarista, “outro-ladista”, covarde, segundo a qual as estratégias de ambos os lados — de Dilma e Serra — se igualaram moralmente. Uma ova! Ninguém me pegará nessa por uma razão simples: não pretendo entrar na fila do gargarejo na hipótese de a petista vencer a disputa. Os valores que ela põe para circular não me interessam e, creio, não são do interesse do país, ainda que milhões possam escolhê-la.

Eu sou aquele que pode, num dado momento do presente, do passado e do futuro, discordar dos “milhões”. Eu não acho que a verdade dependa do assentimento da maioria. Eu sou o ser esquisito que chega a ter certa simpatia pelos rejeitados. EU SOU UM DEMOCRATA MENOS PELO VALOR AFIRMATIVO DA DEMOCRACIA — O “SIM” À VONTADE DA MAIORIA — DO QUE POR SEU VALOR NEGATIVO: O RESPEITO ÀQUELES QUE DIZEM “NÃO”. Fossem realmente apenas 3% os que refugam o assédio de Lula — ele quer saber quem é essa gente, a exemplo daquele blogueiro pançudo —, eu faria questão de estar entre esses deserdados.

Não! Não me venham com essa conversa vagabunda de que a “baixaria tomou conta da política”. Eu desprezo mais essa postura do que a do petista cegado por suas verdades, que acredita sinceramente, coitado! — o que até Lula sabe ser falso — que os tucanos representam todos os males do mundo. Como na Epístola à Igreja de Laudicéia, no Apocalipse de São João, declaro: ”Porque tu és morno; nem és quente, nem és frio, começar-te-ei a vomitar de minha boca”. É preferível ser um petista, escolhendo, se for o caso, a injustiça, a ser um equilibrista. Estar no meio não é prova de virtude; pode ser apenas sinal de confusão mental.

Como assim?
“Baixaria dos dois lados”? Por quê? Então agora os crimes de estado cometidos por petistas, que violaram direitos resguardados pela Constituição, deverão ser equiparados — notem o escândalo! — à reação das vítimas? Até Marina Silva, a candidata a Heroína Sem Mácula da Política, resolveu censurar José Serra quando ele denunciou a maquinaria de dossiês que se tinha criado; denúncia plenamente comprovada pelas investigações, com todas as digitais do petismo presentes. Não me venha o outro-ladista com “mornidão”! Ou ainda: “O PT mentiu ao atribuir ao PSDB a intenção de privatizar a Petrobras, mas a oposição fez mal ao atribuir a Dilma a defesa da legalização do aborto”. Errado! Coisa de gente morna! Coisa que se expulsa da boca porque nem quente nem fria, mas morna.

O PT mentiu, sim, ao atribuir a intenção privatizante aos tucanos. E mentiu de novo quando atribuiu à oposição uma reação que era, e é, de amplos setores da sociedade identificados com calores cristãos. O PSDB foi, isto sim, surpreendido por uma indignação coletiva. Como denunciei aqui desde a primeira hora, os petistas é que deram um jeito de satanizar a reação dos cristãos, atribuindo-a a uma espécie de conspiração. Ademais, se é absolutamente mentirosa a acusação de que tucanos pretendem, se eleitos, privatizar a Petrobras, é absolutamente verdadeira a defesa que Dilma fez da descriminação e da legalização do aborto. Desculpo-me com meus leitores pela tautologia, mas a tanto sou obrigado: a mentira não pode ser igual á verdade. Se elas se igualam, a verdade perde, e a mentira ganha.

Não sei se Serra ganha ou perde a eleição. A se dar crédito aos institutos de pesquisa e considerando os números do primeiro turno, a chance de perder é grande. Se acontecer, à diferença do que dizem os mornos — que são só aquilo que se deve expelir —, terá sido mais pelo receio de dizer todas as verdades do que pela coragem de ter dito algumas delas — mal que, diga-se, acomete a oposição há pelo menos oito anos, mesmerizada que está por pesquisas de opinião que transformaram Lula num ser intocável, ignorando-se o fato óbvio de que a eventual aprovação do governo não deve se confundir com carta branca para falcatruas.

Hoje, ao raiar do dia 31 de outubro de 2010, quando se realiza o segundo turno das eleições presidenciais, renovo o compromisso com milhares de leitores: pouco importa quem vença a disputa, vocês me encontrarão aqui amanhã, daqui a pouco, nos dias vindouros: ou quente ou frio — morno nunca! Eu tenho lado — e jamais ignorei que o “outro lado” pode ser mais vantajoso, como “eles” sabem muito bem.

A nossa vitória é a clareza.

Imagem e semelhança

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Hoje à noite o Brasil terá novo presidente. Depois de oito anos de Presidência "irradiada" - como se dizia na era das transmissões exclusivamente radiofônicas - daqui a dois meses o País volta ao normal em termos de conduta presidencial.

A menos que Luiz Inácio da Silva pretenda substituir-se ao presidente - seja como chefe da oposição ou como tutor da chefe da Nação - e ocupe todo dia algum microfone por alguma razão, chega ao fim um período peculiar no que tange à figura de alguém que fez da Presidência um exercício de egolatria.

Daí a singularidade da campanha eleitoral que ontem chegou ao fim, exatamente no molde pretendido por Lula: uma guerra desprovida de conteúdo político (na melhor acepção do termo), na qual o que menos importou foram os atributos dos candidatos e os respectivos projetos de País.

Sinal mais expressivo é que nenhum dos dois se deu ao trabalho de expor ao eleitorado um plano de governo bem explicado e detalhado. E pelo pior dos motivos: medo de criar polêmica e, com isso, prejudicar as chances de vitória.

Embromaram no que seria substantivo e capricharam no adjetivo, no "aqui e agora" do embate. Diga-se, por sinal, que esse tipo de atitude seria impossível se o voto fosse facultativo, com os candidatos precisando lutar pelo interesse do eleitor.

Prevaleceu uma disputa na qual o eleitor foi ora espectador, ora massa de manobra, ora inocente útil, e Lula o protagonista.

A sociedade foi ativa ao provocar um segundo turno?

É relativo: o segundo turno é da regra, sempre esteve no cenário. Representou apenas um fato surpreendente em relação ao quadro de artificialismo triunfante criado pela máquina de propaganda governamental em conjunto com pesquisas, cujos números acabaram se mostrando excessivos no tocante ao favoritismo da candidata oficial.

Lula conseguiu exatamente o que queria ao se impor como a figura central da campanha. Não lhe importa a evidência de que isso significa uma deformação institucional. Por si fácil de ser entendida, mas podemos ilustrar com o exemplo mais ou menos recente da então presidente do Chile, Michelle Bachelet, que mesmo popularíssima perdeu a eleição. Só não perdeu a compostura.

Para não ir longe, mas recuando bem mais no tempo, tivemos aqui Fernando Henrique Cardoso na transição civilizada para o PT. Mérito? Só porque a comparação é com Lula, pois de verdade seria uma obrigação.

Fragilizado politicamente, José Sarney ficou distante da eleição de 1989 servindo apenas de muro de pancadas dos muitos candidatos da época.

Itamar Franco não jogou o governo na luta pelo sucessor. Fernando Collor, com toda ausência de zelo pela coisa pública e arrogância doentia, enfrentou o período de acusações, investigações e impedimento sem fazer um centésimo do que Lula fez em matéria de abuso da máquina pública.

Pintou e bordou como nunca se viu diante de parte da sociedade perplexa, parte embasbacada, parte inebriada com a chance de comprar e crente que tudo se deveu à vontade, à coragem e à sensibilidade social de Lula.

Fez e aconteceu nas barbas da Justiça Eleitoral totalmente leniente e de um Ministério Público ausente.

Usou governo, ministros, capacidade de pressão, ludibriou e ainda se fez de ofendido quando a oposição resolveu parar de apanhar calada. Conseguiu que, ao final, a impressão fosse de "baixarias de parte a parte".

Quem fez campanha ilegal por dois anos e transgrediu fora do limite de qualquer responsabilidade? Pois é.

Na regra limpa, no mano a mano, Dilma Rousseff teria chegado aonde chegou? Pois é.

Pode-se argumentar que os presidentes citados, à exceção de Itamar, foram derrotados pelas circunstâncias.

Lula saiu vencedor, no mínimo no quesito popularidade. Falta ainda esperar que a História conte a história toda: aquela parte que fala da credibilidade e fica para sempre.

Abstenção.
Hoje não é demais repetir: "O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam". Arnold Toynbee.

Lembrando Millôr Fernandes...


Frases VIII


• Tome nota, amigo: as aparências não enganam.

• As mulheres são mais irritáveis porque os homens são mais irritantes.

• Pois é, eu já estava preocupado com essa situação terrível de miseráveis do Nordeste, quando fui ainda mais abalado por uma menina ter caído num poço no interior da Cracóvia. Cheguei a uma conclusão: é insuportável assistir ao Jornal Nacional.

• O século XX nos deu o cinema, o telefone, o automóvel, o avião, a penicilina, a asa-delta, o computador, tanta coisa maravilhosa. Mas a maior invenção de todos os tempos é do século XXI, o Google. A cultura prêt-a-porter.

• Quem sai aos seus não endireita mais.

• Celebridade é um idiota qualquer que apareceu no Faustão.

• Sem essa, ô meu! Eu não cheguei até aqui na escala animal pra ser incorruptível.

• O imposto de renda aperta cada vez mais o contribuinte. E aconselha: "Relaxa e goza".

• Melhor do que dar ao companheiro um peixe é lhe dar um caniço e ensiná-lo a usar o cartão corporativo.

• E eu que nunca fui convidado a jantar pelo cético e pela circunspecta, praquelas festas infindáveis que eles dão no porão do forte abandonado, no oitavo dia da semana?

• Você pode evitar descendentes. Mas não há nenhuma pílula para evitar certos antepassados.

• Os pássaros voam porque não têm ideologia.

• De madrugada certas avenidas muito compridas desembocam no Além.

• A alma enruga antes da pele.

• Pergunta pro Presidente Lula: "Em que exato momento histórico nossa ignorância passou a ser virtude cívica?"

• Eu sei, no Brasil do século XXI: "A concordância gramatical é a primeira mostra da degradação moral do Congresso". Eu sei também: "A maior parte de nossos homens públicos pensa que a regência acabou com a proclamação da República".

• Todo governante se compõe de 3% de Lincoln e 97% de Bush.

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O Leão e a Cegonha


Já que outra vez voltou à pauta - volta sempre - o tema lobby, meto eu lá também a minha colherinha.

Que o sociólogo-mor me perdoe: lobby, segundo a The United Nations Educational Scientific and Cultural Organization, que os íntimos chamam de Unesco, é o ''contato pessoal com legisladores buscando a promulgação de leis ou a derrota ou modificação delas. Usa a técnica de proporcionar diversões - festas e similares - aos membros do Legislativo e sua família, cultivando intimidade e amizade para atingir seus objetivos''.

Já a Encyclopedia of the Social Sciences, da Macmillan (1933), nota que ''lobby é quase sempre associado ao esforço de pessoas e organizações inescrupulosas para conseguir legislação interessada. O lobby tem sido chamado de third house'' (n.M.: poder equivalente à Câmara e ao Senado). ''Suborno e outras práticas não éticas são geralmente associadas ao lobby''.

Mas como também tenho visto comentaristas e legisladores divagarem sobre a história do lobby, aqui vai:

Em janeiro de l680, o M.P. Sillius Titus fez, na Câmara dos Comuns de Londres, um discurso que ficou famoso (tanto que, abaixo, repito trecho, 300 anos depois). O parlamentar se colocou contra o rei Charles II que, mediante algumas compliances (jeitinho), pretendia que o parlamento aceitasse seu irmão James como sucessor ao trono, apesar de católico romano. Disse Sillius Titus:

''Esperemos que não sejamos tão tolos quanto as rãs, a quem Júpiter propôs uma cegonha como rainha. Elas aceitaram, politicamente, certas de que seria fácil resolver pequenos problemas posteriores como, por exemplo, a cegonha, com seu bico comprido e poderoso, querer devorá-las. Coisa tão estúpida quanto nós, agora, sabedores de que há um leão aí no lobby, votarmos a favor da entrada do leão, convencidos de que, uma vez o leão aqui dentro, será mais fácil acorrentá-lo.

A verdade é bem outra: aconselha simplesmente a fechar a porta e deixar o leão lá fora.''

É o que eu, subdesenvolvido, modestamente aconselho: deixemos a corrupção lá fora.



Vendedores de ilusões

Adelson Elias Vasconcellos



No dia 18 de agosto, portanto, bem antes de se definir o primeiro turno, escrevi um artigo sob o título “Oposição que não faz oposição, não ganha eleição” (clique aqui). Ali, faltando cerca de 45 dias para o primeiro turno, quando Dilma já se colocava um pouco à frente de Serra, e Marina sequer começara a alçar voo, tentava fazer a leitura das razões que levavam aquela virada no quadro das preferências. Afirmei que, muito mais que a campanha eleitoral antecipada pelo governo Lula, ele em particular, bem mais do que u uso ilegal da máquina pública e estatais em favor da candidata, a virada se dava muito mais por conta do papel exercido pela oposição, não durante a campanha que, na televisão sequer se iniciara. Sua posição ambígua em relação à ação de Lula em descaracterizar o precioso legado que recebera de FHC, afora a apropriação indébita de programas e projetos do governo anterior, custara ao PSDB chegar à eleição praticamente sem discurso e sem projeto alternativo.

Leiam este trecho. Retorno depois:

(...)
Ora, oposição que não faz oposição, que se omite de fiscalizar e criticar as ações do governo Lula, poderia desejar melhor sorte? E, mesmo neste preâmbulo da campanha, a oposição continua e insiste numa estratégia vazia.

Não apenas na gestão dos serviços do Estado dá para bater duro no governo Lula. No plano institucional, o que não faltaram foram inúmeros escândalos de corrupção e sempre envolvendo gente graúda do PT, muitas das quais bastante próximas e íntimas de Lula. E você não percebe ninguém da oposição martelando em cima disto. Serra tenta não criticar Lula por temer que sua popularidade acabe produzindo efeito adverso.

Mas, venham cá: é possível fechar os olhos para o mensalão, os aloprados, as cartilhas, os gastos secretos cada dia mais crescentes da presidência, a fábrica de dossiês, o aparelhamento vergonhoso do estado, as alianças espúrias com o que existe de pior no cenário político do país, a política externa em alianças com os mais detestáveis e sanguinários ditadores do planeta, a clonagem vergonhosa de programas do governo anterior com a mudança apenas de apelido, afora as reformas que não se fizeram, o crescimento menor do que os países do mesmo porte, a deterioração das contas públicas, os pacs empacados, a agressão à fiscalização do TCU, a Gamecorp, afora os cadáveres insepultos dos quais Celso Daniel é o mais representativo, afora o crescente gigantismo do Estado sufocando com seu peso opressivo a sociedade que o sustenta com uma carga extorsiva de impostos, o crescente endividamento interno, dentre tantas outras safadezas cometidas nos porões e submundo do poder, onde a quebra ilegal de sigilo fiscal e telefônico dos adversários tem sido constantes? Sem falar na infraestrurtura estrangulada do país, as repetidas tentativas de cerceamento da liberdade de expressão, a insegurança pública e jurídica, também, quase fugindo ao controle, o cada dia mais deficiente sistema público de saúde, isto tudo não é munição suficiente para colocar a candidata do governo no corner, inundando a opinião pública de informações preciosas da inconveniência de se ter Dilma na presidência? Contudo, nada disso é apresentado no discurso da oposição. (...)

E constatava, também::

(...)" É evidente que a fabulosa e milionária fábrica de propaganda do governo federal acaba vendendo à sociedade uma visão distorcida de seus atos. Como todo o auto-retrato tende a ser colorido, e como a oposição tem se omitido de servir como canal de fiscalização e informação, fica fácil Lula mentir sem ser contestado. Tanto ele quanto sua candidata-criatura, Dilma Rousseff."(...)

E concluía:
(...)
"Em terreno tão fértil, Lula vem deitando e rolando e, caso a oposição continue insistindo neste “devagar quase parando”, vai permitir a Lula empurrar, de forma imperial, goela abaixo do país, uma verdadeira impostura chamada Dilma Rousseff. E reclamar depois, já será tarde.

Passa da hora, portanto, a mudança de atitude, de discurso e de ação em favor do país por parte da oposição. Porque, se não o fizer, terá que engolir muito mais sapos gordos nos próximos quatro anos. Repito o título: oposição que não faz oposição, não ganha eleição."(...)

Retorno:
Ora, como se pode compreender que o PSDB, depois do truque que Lula aplicou em Alckimin, em 2006, sobre as privatizações, não tenha utilizado este tempo todo para difundir na sociedade as vantagens do programa de desestatização que, aliás, é bom lembrar, foi iniciado no governo Collor. Como pode ser tão primário em entrar numa campanha, contra praticamente o mesmo adversário e não haver preparado o antídoto? Não, como já perdera o tempo que teve para isto, novamente, o PT se utilizou da mesma vigarice para se impor. O caso da Petrobrás, então, é um escândalo. O governo FHC não apenas não privatizou coisíssima nenhuma, como, ainda, através do modelo de concessões, permitiu que a estatal, simplesmente, dobrasse seu volume de produção, ao passo que, com Lula, a estatal avançou apenas e tão somente 30%. Alguém ouviu Serra ou algum oposicionista lembrar da expropriação feita por Evo Morales, presidente da Bolívia, em refinarias da Petrobrás, sem que resultasse em uma única reação do governo Lula para preservar um patrimônio que,. afinal de contas, era brasileiro?

Vejam lá no alto, no trecho do artigo de agosto. Olhem quantas razões tinham as oposições para fazerem uma campanha mais eficiente! E os empréstimos dados ao mesmo Evo Morales para a construção da rodovia da coca, que, depois de processada, acaba vindo desgraçar milhares de famílias brasileiras, alguém falou? Muito de leve, quase que pedindo desculpas. Alguém se lembrou de informar a sociedade a dúzia de fracassos no campo da política externa, em que nos aliamos ao que existe de pior no planeta? E que, a rigor, a única e espetacular vitória lá fora, a briga comercial do algodão contra os Estados Unidos, foi iniciada todinha no governo de ... FHC?Alguém lembrou de, nos horários de propaganda política institucional do PSDB e do DEM, apresentar o texto da Medida Provisória, assinada por Lula, transformando quatro dos doze programas da rede de proteção social implementados por FHC no Bolsa Família? Ou de exibir a sua declaração sobre os programas sociais antes de se tornar presidente? E o que ele, Lula, dizia sobre o Plano Real, antes dele se tornar presidente?

Tentar, agora, há um mês, desmontar o discurso que Lula ensaiou e proclamou durante oito anos, convenhamos, seria querer que a sociedade fizesse, ela, o papel que competia à oposição ter feito e não fez.

Muito embora tanto pelo perfil quanto pelos valores que se embutem nos projetos que cada lado representa, Serra seja muito melhor para o país, não pode na prorrogação, esperar que a sorte lhe caia dos céus.

O governo Lula, um dia, com ele já afastado do poder, ainda terá que ter sua história reescrita pelos fatos e pelos resultados devidamente medidos pela cadeia do tempo, e sem o lustro da propaganda oficiosa. FHC pagou um alto preço político por receber um país destroçado, desacreditado aqui dentro e lá fora, sem crédito, sem projetos, totalmente falido, e ter aceitado a missão de, não apenas arrumar a casa, mas modernizá-lo e lançar as sementes da estabilidade social, política e institucional que nos recolocou de volta ao progresso e desenvolvimento. Lula foi grande beneficiário. Isto, cedo ou tarde, a história há de fazer a justiça que hoje a nação torce o nariz e não reconhece. Mas muito desta falta de reconhecimento, se deve aos erros cometidos pelo próprio PSDB que não soube reconhecer, valorizar e capitalizar politicamente o seu enorme legado em benefício do país.

Agora, Lula e Dilma vendem ilusões aos borbotões porque sabem que sua mentira tem crédito, porque toda a falsidade que construíram desde 2003, não foi confrontada e contestada.

Dilma no debate na Globo, sentiu-se acuada por ser compelida a responder pelos maus serviços públicos fruto do desgoverno Lula, e que ela prometia melhoras para o futuro, sem explicar a degradação dos mesmos serviços no presente. Lula ter 80% de aprovação chega a ser piada, diante de serviços que sequer tem 30% aprovação junto a população, e isto depois de praticamente oito anos de Lula no poder. Metade do país continua sem esgoto, mais de 45% dos jovens estão fora do ensino médio, os índices de avaliação do ensino brasileiro em provas internacionais não conseguiu subir um mísero degrau, nosso índice de corrupção continua no mesmo patamar, nosso índice de competitividade regrediu, a dívida externa não foi paga e a interna triplicou de tamanho, mais de 24% dos jovens entre 18 e 20 anos nem estudam nem trabalham, e o progresso social mais se deve ao assistencialismo do que por obra e graça do crescimento econômico que é a base verdadeira e sustentável do outro.

E o Lula e sua pupila vem para a campanha cantar marra e querer comparações? Vendem ilusões, fantasias, mistificações e tudo porque por conta da inépcia das oposições, não na campanha de 45 ou 60 dias, mas durante praticamente 8 anos, deixando de ocupar seu espaço e permitindo que Lula flanasse sem contestação.

E, se do resultado deste pleito, saírem derrotados, que tratem de se dar conta de uma coisa: é bem provável que Serra, a se considerar válidas as pesquisas, atinja cerca de 40% dos votos. Ora, isto representa cerca de 54 milhões de votos. Brincando, brincando, representa dizer que este contingente, que representa cerca de um quarto da população não aceita nem Lula, nem Petê, tampouco Dilma. Este é o espaço na sociedade que as oposições já conquistaram. Com um pouco só de esforço e competência, e com um projeto alternativo e moderno de país debaixo do braço, falta-lhe muito pouco para atingir a maioria.

É visível é a desagregação do projeto petista de governar. Por mais malabarismos, truques e artifícios que tentem esconder a verdade, este discurso de grandeza não tem como se sustentar sequer no médio prazo. Goste ou não, terá que pagar um pesado ônus político para implementar as reformas indispensáveis para a sustentação da estabilidade. A fragilização institucional que o país vem experimentando ao longo dos últimos anos, criará, sem dúvida além de gargalos de difícil e custosa solução, enorme resistência de parte da sociedade que não admite ver seus direitos e garantias ultrajados, mesmo que patrocinados pelo Lula.

A oportunidade para se reconstruir e se oferecer como solução definitiva para um futuro venturoso do país começa agora. Há enorme trabalho para ser feito e refeito. E, o que é mais importante: sem condescender minimamente com um provável governo Dilma. Nem ela merece, tampouco seu partido e associados. A maneira desta gente fazer política, é criminosa, e com bandidos gente séria não faz alianças. É tolerância zero. Pela base parlamentar conquistada, eles precisam construir parcerias com a oposição. Por quê? Porque só a admitirão quando for para empurrar para a oposição o preço política das tais reformas. E isto se chama vigarice. Querem vender sonhos e ilusões para a sociedade? Beleza, mas que arquem com as consequências que resultarem do despertar desta sociedade para a realidade do que eles realmente são.

Portanto, oposição política deve ser feita no dia a dia, com o confronto de ideias e desmistificação das falsidades patrocinadas pelo poder. Se fizerem isto, acreditem, o Brasil vai agradecer muito. O prazo de validade dos vendedores de ilusões está se esgotando.

Afinal, o que queremos?

Agência Estado

Encerra-se hoje a mais longa campanha eleitoral de que se tem notícia no País, e certamente em todo o mundo: oito anos de palanque na obstinada perseguição de um projeto de poder populista assentado sobre o carisma e a popularidade de um presidente que, se por um lado tem um saldo positivo de realizações econômico-sociais a apresentar, por outro lado, desprovido de valores democráticos sólidos, coloca em risco a sustentabilidade de suas próprias realizações na medida em que deliberadamente promove a erosão dos fundamentos institucionais republicanos. Essa é a questão vital sobre a qual deve refletir o eleitor brasileiro, hoje, ao eleger o próximo presidente da República: até onde o lulismo pode levar o Brasil?

Quanto tempo esse sentimento generalizado de que hoje se vive materialmente melhor do que antes resistirá às inevitáveis consequências da voracidade com que o aparelho estatal tem sido privatizado em benefício de interesses sindical-partidários? Tudo o que ambicionamos é o pão dos programas assistenciais e do crédito popular farto e o circo das Copas do Mundo e Olimpíada?

Lamentavelmente, as questões essenciais do País não foram contempladas em profundidade pelo pífio debate político daquela que foi certamente a mais pobre campanha eleitoral, em termos de conteúdo, de que se tem notícia no Brasil. Mais uma conquista para a galeria dos "nunca antes neste país" do presidente Lula, que nessa matéria fez de tudo. Deu a largada oficial para a corrida sucessória, mais de dois anos atrás, ao arrogar-se o direito de escolher sozinho a candidata de seu partido. Deu o tom da campanha, com a imposição da agenda - a comparação entre "nós e eles", entre o "hoje e ontem", entre o "bem e o mal" - e com o mau exemplo de seu destempero verbal.

Uma das consequências mais nefastas dessa despolitização que a era lulo-petista tem imposto ao País como condição para sua perpetuação no poder é o desinteresse - resultante talvez do desencanto -, ou pelo menos a indulgência, com que muitos brasileiros tendem a considerar a realidade política que vivemos. A aqueles que acreditam que podem se refugiar na "neutralidade", o antropólogo Roberto DaMatta se dirigiu em sua coluna dessa semana no Caderno 2: "Você fica neutro quando um presidente da República e um partido que se recusaram a assinar a Constituição e foram contra o Plano Real usam de todos os recursos do Estado que não lhes pertencem para ganhar o jogo? (...) Será que você não enxerga que o exemplo da neutralidade é fatal quando há uma óbvia ressurgência do velho autoritarismo personalista por meio do lulismo, que diz ser a ‘opinião pública’? O que você esperava de uma disputa eleitoral no contexto do governo de um partido dito ideológico, mas marcado por escândalos, aloprados e nepotismo? Você deixaria de tomar partido, mesmo quando o magistrado supremo do Estado vira um mero cabo eleitoral de uma candidata por ele inventada? É válido ser neutro quando o presidente vira dono de uma facção, como disse com precisão habitual FHC? Se o time do governo deve sempre vencer porque tem certeza absoluta de que faz o melhor, pra que eleição?"

Quatro anos atrás, nesta mesma página editorial, dizíamos que "as eleições de hoje são o ponto culminante da mais longa campanha eleitoral de que se tem notícia no Brasil. Desde 1.º de janeiro de 2003, quando assumiu a Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva não deixou, um dia sequer, de se dedicar à campanha para a reeleição. Tudo o que fez, durante seu governo (...) teve por objetivo esticar o mandato por mais quatro anos". Erramos. O horizonte descortinado por Lula era, já então, muito mais amplo. Sua ambição está custando à Nação um preço caríssimo que só poderá ser materialmente aferido mais para a frente. Mas que já se contabiliza em termos éticos, toda vez que o primeiro mandatário do País desmoraliza sua própria investidura e não se dá ao respeito. Mais uma vez, essa semana, no Rio de Janeiro, respondeu com desfaçatez a uma pergunta sobre o uso eleitoral de inaugurações: "Não posso deixar de governar o Brasil por conta das eleições." Ele que, em oito anos no poder, só pensou em eleições!

Lula já está nostálgico do poder — e, não se iludam, já em campanha para voltar

Ricardo Setti, Revista Veja




Amigos, agora falta pouco para o presidente Lula deixar o poder: dois meses.

Dois meses, e o sonho acabou para Lula: nada mais das pompas inebriantes do poder, nada da piscina do Palácio do Alvorada, suas magníficas instalações, seu cinema particular, nada de helicópteros para lá e para cá.

Não mais o Aerolula de 60 milhões de dólares viajando mundo afora, os batedores à frente do carro blindado, os rapapés de autoridades, os tapetes vermelhos, as tropas formadas em posição de sentido, os olhos e ouvidos do país, diariamente, tomados pela sua figura, pelas arengas em voz roufenha em todas as emissoras de rádio e TV.

O presidente já está mostrando, por seu comportamento, por sua emoção em pequenas e grandes solenidades, a nostalgia que já leva na alma dos 8 longos anos em que se situou no centro das atenções nacionais e de protagonista frequente e ubíquo na cena internacional.

O que fará Lula depois de deixar o poder? Especulações não faltaram.

Houve o sonho, acalentado por amigos do rei, se não por ele próprio, de ser secretário-geral da ONU. Não era impossível. Afinal, um latino-americano de muito menos cacife que Lula, o diplomata peruano Javier Pérez de Cuéllar, já ocupou o importante cargo por dez anos, até o final de 1991. O problema, se outros não houvesse, é que Lula foi queimando pontes com sua amizade calorosa com os irmãos ditadores de Cuba, com o caudilho venezuelano Hugo Chávez, seus compagnons de route da Bolívia, do Equador, da Nicarágua…

Até aí ainda não seria problema de tanta monta, mas Lula, que se acha ungido por Deus, acabou enfiando o dedo numa tomada de altíssima voltagem ao abraçar o pária internacional Mahmoud Ahmadinejad. Com isso, irritou todos os principais líderes da União Européia e, pior, tocou no plexo solar da superpotência americana — os interesses de sua segurança nacional. O Irã, como se sabe, é inimigo acérrimo dos Estados Unidos, apóia grupos terroristas xiitas em vários países, está numa corrida pela bomba atômica, acena com varrer do mapa um dia o principal aliado de Washington no Oriente Médio, Israel, e por aí vai.

Quer dizer, bye-bye ONU, definitivamente. Haveria o consolo da FAO, o organismo da ONU para agricultura e alimentação. A credencial do presidente seria o prestígio internacional que angariou no começo de seu mandato com o Fome Zero, que hoje em dia no Brasil ninguém sabe onde foi parar, diluído que se encontra nos desvãos do programa Bolsa Família, e a rede de contatos e simpatias que formou e consolidou na América Latina, no Oriente Médio, na África e em partes da Ásia.

Parece que Lula não se interessou pela FAO.

E por bons motivos. Quando deixar o poder, todas as energias do presidente estarão concentradas num objetivo: voltar a ele.

Por isso, ao deixar o poder, Lula estará onde sempre esteve, desde os anos 70: em cima de um palanque.

Antes, era o sindicato dos Metalúrgicos. Depois, vieram as campanhas para governador de São Paulo, em 1982, para deputado federal, em 1986, para presidente, em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006 e, em nome de Dilma Rousseff, em 2010.

Nos intervalos das campanhas, a partir de 1993, vieram as Caravanas da Cidadania — lembram-se? –, em que Lula percorreu o Brasil “para conhecer de perto a realidade nacional”, mas empre em cima de palanques, até quando navegou pelo Rio São Francisco e pelos rios da Amazônia.

O que vocês acham das declarações do presidente de que vai “correr o Brasil” durante o possível governo Dilma para ver o que ele próprio “deixou de fazer” de forma a que a possível presidente “faça mais e melhor do que eu”?

Ele vai estar como e onde sempre esteve: de campanha, num palanque. Até o instituto que vai criar para armazenar documentação de seu governo e ser um centro de estudos — medida correta e digna de aplausos, mas menosprezada e ridicularizada quando adotada por FHC –, não tenham dúvida, será utilizado no projeto 2014.

O problema vai ser se Dilma, eleita, fizer governo bem avaliado pela opinião pública. A presidente será ela, a caneta de nomeações, nomeações e demissões será dela, o Aerolula estará a seu dispor, o Alvorada será sua residência, a vassalagem e os rapapés estarão voltados para ela. Quererá ceder a vez ao antigo tutor?

Duvido, duvido solenemente, e assino embaixo. Quem viver, verá.

Quatro glórias nacionais

Olavo de Carvalho, Mídia Sem Máscara

Diverso é o mérito de quem faz e o de quem apenas não desfaz. Toda a ação econômica do governo Lula foi a de um pato no rio: deixar-se levar pela corrente e grasnar de autossatisfação.

Leio nas mensagens do Investor's Daily Edge, sempre interessantíssimas, que os investidores internacionais têm quatro razões sólidas para apostar o seu dinheiro no Brasil e acreditar que o País poderá superar a badalada China nas próximas décadas. São elas:

1. O Brasil já passou pelo pior e fez, de uma vez para sempre, as escolhas decisivas em matéria de estabilidade econômica.

2. O Brasil é uma economia quase autossuficiente. As exportações representam apenas 14% do nosso Produto Interno Bruto, o que significa que, na hipótese de um colapso econômico global, sairemos praticamente ilesos, enquanto a China, a Índia, a Rússia e outros autonomeados donos do futuro irão mui provavelmente para o brejo.

3. Ao contrário dos EUA, da Grécia, da Espanha, de Portugal e de tantos outros países, temos dinheiro no banco. Precisamente em razão do fator número 1, nossas reservas financeiras nos põem bem a salvo de qualquer tranco vindo de fora.

4. O Brasil tem imenso potencial agrícola não aproveitado. Enquanto aí pelo mundo as terras produtivas vão escasseando e os limites legais para a sua aquisição vão aumentando, neste País pelo menos uns duzentos e sessenta e sete milhões de acres estão prontos para ser adquiridos a baixo preço e começar a produzir imediatamente. As perspectivas são ótimas: nossa agricultura, essencialmente de livre mercado, é mais rentável que a agricultura subsidiada dos EUA e da maior parte dos países da Europa.

São glórias nada desprezíveis, não é verdade? Mas, ao contrário do que poderiam desejar os adeptos mais afoitos do triunfalismo lulista, o Investor's Daily Edge deixa claro que as de número 1, 2 e 3 não vêm do mês passado, nem do ano passado, nem, para dizer a verdade, dos últimos oito anos: são o resultado do bom trabalho feito desde a primeira metade da década de 90 pelo presidente Itamar Franco e seu ministro Cardoso, depois presidente e continuador da obra.

Se o sucessor deles, Lula, não mexeu no time que herdou nem nos planos de jogo, é apenas sinal de que não é louco ou, se o é, não rasga dinheiro. Lênin ou Mussolini, no lugar dele, também não agiriam diferente.

Por mais que a memória falhe a quem não deseja recordar, diverso é o mérito de quem faz e o de quem simplesmente não desfaz. Toda a ação econômica do governo Lula foi a de um pato no rio: deixar-se levar pela corrente e grasnar de autossatisfação.

Quanto ao fator número 4, diz respeito precisamente ao tal "agronegócio" - aquela coisa que petistas, emessetistas e malucos em geral odeiam como à peste e culpam por todos os males da nacionalidade. Bendita peste, no entanto, que alimenta o Brasil com comida barata, espalha o demônio da obesidade entre os esfaimados e ainda faz do País a menina dos olhos dos futuros investidores e um forte concorrente da China na disputa por um lugar privilegiado entre as nações.

O Brasil, em suma, só tem uma economia pujante e um belo futuro graças a três coisas que a esquerda dominante não fez e a uma quarta coisa que ela detesta.

Pensem nisso quando forem votar no próximo domingo.

Um curso de Brasil

J. R. Guzzo, Revista Exame

O caso da Refinaria Abreu e Lima, que deveria fazer história como marco da União entre Brasil e Venezuela, ilustra a farsa da “nova política externa” brasileira.


Alguém se lembra da Refinaria Abreu e Lima, obra a ser construída em Pernambuco numa sociedade entre a Petrobrás e a empresa estatal PDVSA, da Venezuela? O jornal O Estado de São Paulo se lembrou, numa edição recente, e a reportagem que fez a respeito serve como um excelente curso de atualização sobre o Brasil de hoje. Torna-se claro mais uma vez, em primeiro lugar, por que o governo insiste tanto em seus desejos de criar “mecanismos de controle social” sobre a imprensa: o que se lê em publicações como a mencionada acima é tudo o que o Palácio do Planalto não quer que se leia, se diga e se ouça no Brasil Grande criado por sua imaginação. Em segundo lugar, dá-se conhecimento ao público de mais um grande clássico na técnica de governar um país através da farsa – no caso, a farsa da “integração” Brasil-Venezuela, um dos portentos da “nova política externa” com a qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está unindo os povos e as nações do “sul” para ensinar às grandes potências como se governa este planeta. Confirma-se, por fim, que aquilo que não se sabe sobre a Petrobrás é muito mais do que sabem os seus acionistas e proprietários – “o povo brasileiro”.

Os fatos, na sua simplicidade, têm a força sempre incômoda dos fatos. Em dezembro de 2005, Lula e o companheiro Hugo Chavez, presidente da Venezuela, colocaram a pedra fundamental da Refinaria Abreu e Lima, num investimento em que a Petrobrás entraria com 60% do total e a PDVSA com os restantes 40%. O momento, pelo que prometeram os dois no palanque inaugural, deveria ser um marco histórico – Brasil e Venezuela iriam mostrar ao mundo que as suas estatais petroleiras, unidas e irmãs, são capazes de somar recursos e talentos para construir em conjunto uma refinaria destinada a processar 220 000 barris de petróleo por dia. O óleo viria de poços próprios, localizados nos dois países. O dinheiro sairia dos cofres das duas empresas. Em vez de competir entre si, elas se tornavam parceiras – uma lição de como países emergentes e soberanos devem fazer negócios hoje em dia. Na verdade, a refinaria seria o coroamento de algo muito maior, em termos de solidariedade, cooperação e alianças no continente. Meses antes, em fevereiro de 2005, Lula e Chavez tinham criado a “Aliança Estratégica entre Brasil e Venezuela” numa reunião triunfal em Caracas. Coisa de tremer a terra: nada menos que 18 ministros de Estado, 11 venezuelanos e sete brasileiros, participaram da solenidade, na qual, segundo a contabilidade de O Estado, conseguiram assinar 28 acordos e 15 protoco,lós de intenção na área energética.

Em relação à Refinaria Abreu e Lima, especificamente havia um aspecto curioso: o BNDES, o velho e bom BNDES, amigo certo para essas horas, emprestaria à PDVSA o dinheiro que a empresa precisava para pagar os seus 40% na sociedade. Quer dizer que um banco estatal brasileiro iria financiar uma empresa estatal estrangeira para que ela pudesse ficar sócia de uma empresa estatal brasileira? Sim, quer dizer isso mesmo – mas quem está interessado em ficar regulando esse tipo de pormenor? Só mesmo os derrotistas da imprensa, etc. De lá para cá, como se poderia prever em negócios que dependem do coronel Chavez, nada mais andou direito. Hoje, passados cinco anos, o que se tem de concreto é que a PDVSA não colocou até agora um único real, dólar ou Bolívar nas obras da refinaria – pois o BNDES não lhe passou nem um tostão do financiamento previsto para esse monumento à integração latino-americana. Nem poderia: depois que Lula desceu do palanque e de u por inaugurada mais essa obra de seu governo, os funcionários que têm de colocar a assinatura na reta das responsabilidades verificaram que a PDVSA simplesmente não tinha ativos no Brasil para dar em garantia do empréstimo. Grande negócio, sem dúvida.

O pre4sidente disse dias atrás que em seu governo a Petrobrás, que era uma “caixa-preta”, passou a ser uma virtuosa “caixa-branca”. Só para ele, pelo jeito.

Estrangeiros devem levar 60% das encomendas do pré-sal

O Globo



RIO - As empresas estrangeiras devem ficar com US$ 240 bilhões das encomendas de US$ 400 bilhões que o setor de petróleo vai realizar no pré-sal nos próximos dez anos, o que representa 60% dos investimentos previstos no período. A conclusão é de um estudo encomendado pela Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), segundo matéria de Bruno Villas Bôas, publicada na edição deste domingo do GLOBO. Bens e serviços para plataformas e sondas, por exemplo, serão fornecidos basicamente por empresas de países como EUA, Noruega e China.

O estudo da consultoria Booz & Company, que teve acesso ao cadastro de fornecedores da Petrobras e durante oito meses fez uma radiografia do mercado, coloca em xeque estatísticas do governo federal sobre o setor, que apontam para uma participação de 61,4% da indústria brasileira em projetos de exploração e produção de petróleo. Mesmo a estatística oficial, no entanto, tem encolhido: essa é a menor participação dos últimos seis anos.

O resultado do estudo da Booz foi apresentado ao mercado em agosto, mas o cálculo sobre a presença estrangeira no pré-sal foi excluído do relatório final. O anúncio do estudo foi feito a menos de dois meses do primeiro turno das eleições presidenciais.

- A alegação (para não divulgar) foi que as projeções tinham muitas variáveis e não poderiam ser consideradas - afirmou uma fonte.

Segundo José Velloso, vice-presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), os números são preocupantes porque revelam uma nova estatística, completamente diferente da informada oficialmente pelo governo federal:

- O risco do pré-sal é ser abastecido por estrangeiros - afirma Velloso.

Para o consultor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), os números oficiais mascaram a necessidade de adoção de incentivos para o setor.

- Não poderia ser verdade que o conteúdo nacional avançou para 60% ou 70% da noite para o dia. O governo está politizando o processo e criando factoides. É preciso tirar o pré-sal do palanque - afirma o consultor.

Pelos cálculos da consultoria, empresas brasileiras podem, no melhor cenário, fornecer metade dos equipamentos e serviços que o pré-sal vai demandar até 2020, o que aumentaria para US$ 200 bilhões a parcela da indústria local. Mas para que isso de fato aconteça, o setor precisaria eliminar gargalos e ser mais competitivo em equipamentos como compressores de ar, válvulas de controle, motores a diesel e gás e sistemas de automação.

A miséria da política

Sergio Fausto – Agência Estado

Campanhas eleitorais raramente se destacam pela discussão substantiva dos temas mais relevantes para o futuro do país. Principalmente agora que o marketing ganhou precedência sobre a política e os candidatos obedecem às orientações emanadas da "ciência" dos marqueteiros.

Essa é uma tendência em todas as democracias, que se manifesta com especial força nos países onde o peso da imprensa escrita é minúsculo comparado ao da televisão, as identidades partidárias são diluídas, a média do eleitorado tem nível de instrução baixo e a indústria do marketing e da propaganda goza de grande fama e prestígio.

Assim, não chega a surpreender a pobreza da discussão política nas eleições que hoje se encerram. Não surpreende, mas decepciona, sobretudo quando se considera a riqueza dos avanços obtidos e dos problemas gerados ou não resolvidos ao longo dos últimos 16 anos, em geral muito positivos para o País. Era de esperar que o desenvolvimento (em sentido amplo) observado nesse período se refletisse em maior qualidade do debate político. Não foi o que se viu.

A pobreza da discussão política nestas eleições foi uma escolha das campanhas e dos principais candidatos. Com a contribuição inestimável do sr. presidente da República, que entrou na disputa como chefe de torcida uniformizada.

A pobreza da campanha oficial derivou da decisão de fabricar mentiras para estigmatizar o governo Fernando Henrique Cardoso e criar mitos para engrandecer o governo atual, em doses muito além do aceitável numa disputa política minimamente comprometida com os fatos e com uma interpretação razoável a seu respeito. Já a pobreza da campanha oposicionista decorreu essencialmente da recusa - maior no primeiro do que no segundo turno - a responder às mentiras referentes ao passado e desconstruir os mitos relativos ao presente. Nessa toada, por ação ou omissão, uma e outra campanha concorreram, ainda que em graus diferentes, para distorcer o passado, mitificar o presente e embaçar o futuro.

Tome-se o exemplo do tratamento dispensado à Petrobrás e ao pré-sal. A campanha oficial procurou pregar a mentira de que o governo FHC tencionava privatizar a companhia. Lorota de pernas curtas: como se não bastasse a suposta intenção jamais ter figurado em programa, discurso ou documento do governo anterior, há carta pública do ex-presidente ao Senado comprometendo-se com a permanência da Petrobrás em mãos do Estado brasileiro, sob o regime de competição regulada estabelecido em 1997. A companhia não apenas permaneceu sob controle estatal, como se tornou muito mais competitiva sob o novo regime.

Findo o monopólio da Petrobrás, mas assegurada a propriedade da União sobre o subsolo brasileiro, com mais competição, novas empresas e maiores investimentos, a participação do setor de petróleo e gás cresceu de 2% para 12% do produto interno bruto (PIB), gerando maior renda e mais e melhores empregos. Base sólida para o candidato do PSDB passar à ofensiva e perguntar o porquê de o governo atual querer mudar, para a exploração do pré-sal, um regime que se mostrou tão bem-sucedido. Quais as vantagens e os riscos de o Estado brasileiro ingressar no comércio de barris de petróleo, em lugar de arrecadar tributos? A quem poderia interessar a entrada do Estado num negócio pouco transparente que tanta margem oferece a ganhos ilícitos? A legislação atual já não permite, por simples decreto presidencial, capturar para o Estado brasileiro os ganhos extraordinários que possam advir da exploração do pré-sal? Por que, então, fazer uma mudança atabalhoada, em regime de urgência constitucional, sem tempo para que o Congresso Nacional e a sociedade pudessem conhecê-la e discuti-la? Nenhuma dessas perguntas foi feita.

Em vez de aceitar a luta política no centro do ringue - onde se poderiam confrontar dois modelos distintos de gestão do Estado e regulação da economia -, a candidatura do PSDB escolheu os cantos do tablado, na suposição de que o embate de biografias, em torno da competência gerencial para implementar programas setoriais, lhe fosse assegurar uma "merecida vitória", como se a política fosse uma prova de méritos individuais.

Tão importante quanto discutir a Petrobrás e o pré-sal teria sido pôr em pauta o tamanho da carga tributária. Será sustentável a mobilidade social ascendente observada nos últimos anos sem uma reforma tributária que reduza responsavelmente a carga de impostos, melhore a qualidade da tributação e permita o desenvolvimento do setor de pequenas e médias empresas? Ou vamos apostar que a emergência da chamada classe C será sustentada pelo emprego e renda gerados pela expansão do Estado e pelo fortalecimento das grandes empresas, as únicas capazes de suportar a carga tributária atual e mover-se no cipoal tributário existente? Silêncio total sobre um assunto vital para o futuro do País, em que duas visões sobre o Estado, a economia e a sociedade poderiam haver se confrontado. O que se ouviu foram apenas promessas eleitorais de mais gastos públicos correntes, cujo ritmo de crescimento precisa ser contido para tornar viável a redução da carga tributária.

Conduzidas as campanhas desse modo, sobrou a falsa impressão de que a escolha se dará entre um candidato que tem notável currículo político-administrativo e se apresenta como um continuador melhorado das "proezas" que se fizeram nos últimos oito anos, embora não conte com o apoio do autor das proezas, e uma candidata com modesto currículo político-administrativo, mas que tem o vistoso apoio do chefe de sua torcida, chefe de Estado nas horas vagas.

Ainda assim é muito bom votar. Já tinha quase 30 anos quando votei pela primeira vez para presidente. Meus filhos, com menos de 20, já o fizeram neste 3 de outubro. Viva a democracia! E vamos às urnas, pois. Meu voto não é segredo: é Serra.

Ufa, a guerra acabou. Acabou?

Gaudêncio Torquato (*) – Agência Estado

Após refregas, umas mais leves, na base de tiros de espoleta, outras muito violentas, sob balas de canhão, chega ao fim uma campanha eleitoral que resvalou pelo terreno do despudor. E, ao contrário do que reza o ditado, entre mortos e feridos nenhum se salvou. Candidatos, coligações, debates, propaganda, pesquisas, redes sociais e até a figura do presidente da República saíram com a imagem chamuscada. Ao argumento de que, mais uma vez, nossas instituições políticas e sociais denotaram plena vitalidade, expõe-se um sentimento - ao que parece, generalizado - de que limites foram ultrapassados no uso de direitos e garantias, deixando ver coisas inusitadas, como ataques que passaram além da linha do bom senso, linguagem rústica e incompatível com o respeito entre pares, e, como fecho da operação que margeou o pedregoso terreno da irresponsabilidade, o desmonte da liturgia que emoldura o exercício do poder. Se há uma lição a extrair, é a de que o ritual de campanha política andou para trás, a reclamar substanciais reparos. O pleito, infelizmente, não conseguiu diminuir o fosso entre a política e a sociedade.

A cadeia de elementos nocivos que se formou ao longo da campanha é a sombra da velha política. A decrepitude dos costumes reflete-se no espelho de contrafações: o personalismo dos candidatos amortecendo programas e ideias; agentes públicos usando de maneira avassaladora as estruturas do Estado nas campanhas dos candidatos; instrumentos e processos, que foram atualizados pela legislação, sendo usados de modo enviesado. Até o Judiciário leva parte de culpa ao deixar buracos na aplicação da lei. Não se pode dizer que tenha faltado verbo no palco eleitoral. Nem verbas. De um lado e de outro ouviram-se falas para os setores que, tradicionalmente, ganham refrãos e promessas. Mas o embate entre candidatos foi tão áspero que pouco se conserva de um acervo substantivo. O descaso com escopos pode ser verificado ainda pelo fato de que apenas nesta reta final programas foram expostos ao público. Foi o que ocorreu com os 13 compromissos da candidata Dilma Rousseff. Os tucanos, por sua vez, nem um mero esboço apresentaram, contentando-se com ideias esparsas de José Serra.

Por falta de clareza e objetividade a respeito de eixos centrais - concepção de Estado, gastos públicos, desenvolvimento regional, política macroeconômica, programas de bem-estar social, entre outros -, retalhos, versões e contraversões acenderam a fogueira, incendiando o ambiente. A maneira rude como foi exposto o tema da privatização é exemplo. A pulverização de falas e o embate acalorado entre os contendores - incluindo o viés religioso trazido pelo tema do aborto - contribuíram para obnubilar questões importantes. Já a formatação dos debates televisivos incrementou a carga de desinformação. O que mais se viu na TV foram perguntas não respondidas, respostas não solicitadas, atendendo à estratégia de fustigação recíproca alinhavada por marqueteiros. Os debates, de tão previsíveis e repetitivos, cansaram. Por que não se escolheram pautas específicas para cada encontro? Cinco sessões, cobertas por todas as emissoras em cadeia, sob o patrocino de uma por vez, e em programação definida por sorteio, poderiam aprofundar as prioridades nacionais. Induzidos a discorrer exclusivamente sobre uma agenda selecionada, os candidatos propiciariam aos eleitores avaliação mais acurada de propostas. O adjetivo cederia lugar ao substantivo.

Outro setor que sai combalido é o das pesquisas. Tornaram-se alavancas de candidaturas, glória para uns, calvário para outros. A pletora de institutos e as baterias de pesquisas - alguns resultados destoaram mesmo quando feitas no mesmo período - geraram desconfiança. Deixam a impressão de que carecem de maior controle de qualidade. O fato é que não há critérios rigorosos sobre o sistema de mapeamento das intenções de voto e de expectativas sociais. Aliás, o pacote de coisas ruins acabou subindo ao sagrado espaço do Judiciário. Observação procedente de especialistas é de que a Justiça Eleitoral pecou pela permissividade. Multas aplicadas aos candidatos não foram capazes de sustar a artilharia. Nunca se viu uma campanha tão apelativa como a que se encerra. As redes da internet encheram-se de sujeira. Ferramentas foram usadas para destruir imagens e macular perfis. Ficou patente o descompasso entre a facilidade de produzir dossiês contra candidatos e a extrema dificuldade de retirá-los da infovia eletrônica. O acervo dos danos à imagem pessoal recai, assim, sobre o colo da Justiça.

Se candidatos cometeram impropriedades e campanhas extrapolaram nos abusos, parte da agenda negativa pode ser debitada a certa leniência do aparato judicial. Salta à vista a tibieza na aplicação de penas aos infratores. Será que os juízes fizeram cumprir a lei no que diz respeito aos deveres e direitos dos agentes públicos? Será que governantes - alguns como patrocinadores, outros como candidatos à reeleição - se comportaram dentro dos limites da legalidade? Se houve excessos - sob a massiva divulgação da mídia -, por que o braço da Justiça não alcançou os infratores? Não se nega o direito do servidor público, em licença, férias ou fora do horário de expediente, de poder exercer plenamente sua cidadania e participar de qualquer ato político-partidário. Mas a Justiça teve condições de verificar o que se passou nos 27 Estados da Federação?

Por último, vale observar que até a mais alta Corte do País se enrolou nos fios da teia eleitoral. Mesmo com a histórica decisão de fazer valer para este ano a Lei da Ficha Limpa, após acalorado bate-boca entre alguns ministros transparece a visão: o Brasil é mesmo o país do mais ou menos. Certos candidatos com "ficha suja" sairão do purgatório para o inferno. Outros, com a mesma ficha, irão do purgatório para o céu. A razão? Filigranas da lei. E assim a guerra, para uns acabada, deverá continuar. É o Brasil do eterno retorno.

(*) Jornalista, é Professor Titular da USP e Consultor Político e de Comunicação

Sobrou para a Emília

Guilherme Fiúza, Revista Época


A História do Brasil está sendo corrigida aos poucos. A república sindical está se encarregando de reescrever os mal-entendidos anteriores à chegada do messias do ABC.

Finalmente o país começa a conhecer sua verdadeira realidade – aquela que cabe nas cartilhas do PT, e pode ser recitada com orgulho pela militância. É a revolução cultural dos companheiros.

Há 20 anos, o jornal “O Planeta Diário” estampava a manchete profética: “Lula quer fazer reforma agrária no Sítio do Picapau Amarelo”.

O dia chegou. Com a bravura revolucionária de um Stédile, o Conselho Nacional de Educação invadiu o famoso sítio de Monteiro Lobato, disposto a acabar com aquele blábláblá literário improdutivo de direita.

O primeiro tiro atingiu em cheio as “Caçadas de Pedrinho”, uma obra tipicamente burguesa que não cabe nas cartilhas petistas. Os conselheiros de Lula entraram decididos a fazer o resgate social de Tia Nastácia – a negra confinada na cozinha por Dona Benta, agente da elite branca.

Com a decisão do Conselho Nacional de Educação de proibir “Caçadas de Pedrinho” nas escolas, a desigualdade social recebe um duro golpe.

A medida deverá ter consequências importantes, como evitar que os netos e bisnetos de Tia Nastácia se tornem favelados, à margem da sociedade de consumo. O passo seguinte talvez seja processar Monteiro Lobato por racismo.

Esta será uma medida de execução mais complexa, considerando-se a dificuldade de localizar o dono do Sítio. A esta altura, ele deve estar foragido.

Mas isso é uma questão de tempo. Não há informação que resista aos arapongas da inteligência do PT.

Todo mundo sabe que Monteiro Lobato é o pai de Emília, a boneca falante. Com um interrogatório bem feito, a bonequinha acaba entregando o paradeiro do pai, esse latifundiário racista.

Parabéns ao Conselho Nacional de Educação. E atenção, conselheiros: há outras obras perigosas nesse sítio, como “Reinações de Narizinho” e “A reforma da natureza”. Destruam tudo enquanto é tempo. No Brasil de Lula e Dilma não pode haver mais espaço para esses atentados contra o povo, disfarçados de literatura infanto-juvenil.

Deixem as escolas ensinarem a história do filho do Brasil, a obra-prima do novo Descobrimento. O resto é ideologia burguesa.

Coincidência estranha: recorde de emprego e de seguro-desemprego

Alexa Salomão, Portal Exame


Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na semana passada pelo Ministério do Trabalho, houve de janeiro a setembro deste ano um recorde – mais um – no total de contratações com carteira assinada no Brasil. O saldo positivo foi de 2,2 milhões no período. Conversei hoje com o economista Mansueto de Almeida, pesquisador do Ipea, e ele chamou a atenção para outro recorde do período: o do pagamento de seguro-desemprego. Foram liberados até 30 de setembro quase 15,9 bilhões de reais para ajudar desempregados. A expectativa é que ambos – contratação com carteira assinada e pagamento de seguro-desemprego – ampliem seus recordes até o final do ano.

Não se tem informação de que algo parecido ocorra em outros países. Comum é ver justamente o inverso: mais trabalho leva a um número menor de desocupados e, consequentemente, a uma redução no pagamento do auxílio-desemprego. Mansueto lembrou que esse descompasso, em parte, explica porque um item da contabilidade do governo, a conta de Outros Benefícios de Natureza Social, não para de aumentar, apesar de o país viver um período de crescimento econômico e apresentar uma das menores taxas de desemprego da história.

Indo além das contas públicas, o mais interessante é buscar entender a natureza social do estranho fenômeno. No Brasil, a maioria dos trabalhadores com carteira assinada ganha pouco mais de 2 salários mínimos e não tem plano de carreira. Nos momentos de aperto econômico, quando falta trabalho, o instinto de sobrevivência manda se agarrar a qualquer coisa. Mas quando há oferta de vagas em abundância – como ocorre neste momento –, prevalece o senso comum de ganhar o máximo no menor tempo possível.

O esquema é o seguinte: o empregado pede para ser demitido ou cria uma situação para ser demitido, leva os benefícios previstos em lei, como o fundo de garantia, entra com pedido de seguro-desemprego e passa a fazer bicos. Quando o prazo para o pagamento do seguro expira, volta a procurar emprego. Com essa manobra, muita gente junta dinheiro para comprar um eletroeletrônico, reformar a casa, dar entrada num carrinho usado.

Uma das razões desse comportamento é o baixo nível de escolaridade. Um número incontável de pesquisas estabelece uma relação entre nível educacional e renda individual. Se o brasileiro contasse com mais anos de estudo – e estudo de qualidade – a realidade das pessoas e das contas públicas poderia de ser diferente. O trabalhador médio seria mais qualificado, mais valorizado, mais bem pago e também teria ambição de construir uma carreira, sem precisar depender da esperteza para garantir algo mais que o pão de cada dia.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:


Talvez se o leitor clicar aqui entenderá um dos motivos para esta discrepância. O artigo em questão foi publicado no blog dia 24 de outubro.Segue um trecho:
(...)
"No ano passado, 2009, foram efetuadas nada menos que 17 milhões e 371 mil demissões no país, que causaram saques na conta global do FGTS no valor de 30,9 bilhões de reais. Três milhões e 611 mil trabalhadores e servidores públicos regidos pela CLT completaram o tempo de serviços e se aposentaram, sacando assim seus saldos. Essas duas rubricas conduzem a um montante de 37,5 bilhões aproximadamente”.

“O total de demissões sem justa causa é um indicador social muito importante, pois ele vem assinalar, sobretudo o elevado grau de mobilidade social da mão de obra brasileira, formada por praticamente 100 milhões de pessoas, quase a metade da população. Por isso, quando o governo, através do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anuncia as admissões, temos que compará-las às demissões. Estas, pelo relatório da CEF, nós sabemos que foram 17, 3 milhões. Quantas são as admissões? São anunciadas em bloco, mensalmente, como se fossem totalmente adicionais ao mercado de trabalho e não – como ocorre – parcialmente substitutivas. Ou seja: as deslocações de um emprego para outro são maiores que a criação de posto novos. Vale a pena ser feita uma pesquisa séria nesse sentido. Deixo a ideia para o IBGE.”

*****

CONCLUSÃO:
E então, o que vocês acharam? Genial, não é mesmo? Bem, dona Dilma proclamou as delícias dos 15 milhões de empregos gerados, só esqueceu este pequeno detalhe acima que, conforme os dados estatísticos um pouco estendidos, tanto em relação ao seguro desemprego quanto aos saques do FGTS não deixam a menor dúvida da, vamos dizer assim ... manipulação eleitoreira, coisa aliás, em que o PT é mestre em produzir.