Com as exceções que a lei brasileira já prevê, em nenhum outro caso o aborto é permitido. O governo petista, que secretamente sempre defendeu sua liberação, além das drogas e da criminalidade (sem dúvida, seu maior sucesso no poder), já percebeu, desde algum tempo, que a sociedade brasileira em sua grande maioria – e não importa se ela está preparada para a ideia ou não – repudie aquilo que o PT defende e abraça.
Na estrutura de poder montada a partir de Lula, criou-se uma Secretaria de Política para as Mulheres que, volta e meia, nos surpreende em levantar teses em favor da liberação do aborto. A nova ocupante do cargo, aliás, foi clara e direta em defender a tese e confessar, inclusive, que praticou em sua vida dois abortos.
O que esta senhora fez ou deixou de fazer em sua vida privada, é um problema pessoal que deve interessar a ela, exclusivamente, enquanto for apenas uma cidadã como qualquer outra. Porém, estando investida de cargo público, tudo o que diga ou faça, aí diz respeito à sociedade. Se era uma opinião pessoal contrária à política de governo, que guardasse sua opinião para si mesma. Mas ao defender o aborto em discurso de posse de sua nova função, bem, aí é preciso repensar aonde quer chegar ou pretende chegar o governo Dilma ao escolher alguém que em tese, ao menos, contraria o discurso e o compromisso assumido pela então candidata à sucessão de Lula, ainda durante a campanha eleitoral.
O que a mulher venha a fazer com seu próprio corpo, é um problema de foro íntimo, que apenas a ela própria diz respeito. Contudo, ao engravidar, seu corpo passa a alojar a vida de outro ser. Assim, sua liberdade de dispor do corpo termina no justo instante em que seus atos coloquem em risco o direito à existência.
Uma das muitas falácias da turma pró-aborto é a quantidade de mulheres que recorrem a abortos ilegais e, dado que o fazem de forma clandestina, colocam em risco sua própria existência, precisando recorrer ao serviço de saúde pública. Primeiro, nenhuma clínica, posto de saúde ou hospital pode negar-se em atender a mulher em condições de risco de morte fruto de abortos mal feitos. Segundo, como é falha a fiscalização de nossas autoridades, então se quer liberar um crime para resolver um problema que deveria ter sido pensado um pouco antes, e justo para compensar a incompetência das autoridades.
Ora, por que ao invés de liberar um crime, não se investe em educação e orientação para que menos mulheres se exponham ao risco de uma gravidez indesejada? Não interessa o tempo que vá levar para a conscientização da sociedade. Não se mudam hábitos e costumes da noite para o dia. Mas é preciso ter um começo. E aí justamente começam os problemas da grande chaga que infesta nossos governantes. No Brasil, infelizmente, não há nem interesse nem prioridade em educar o povo, não apenas as mulheres quanto aos riscos de gravidez indesejada, mas, regra geral, quanto a prática de sexo seguro. Tomando-se por base os discursos da turma petista no governo, para eles é mais fácil um liberou geral, dada a sua imensa incapacidade de, através de medidas socioeducativas, informar e educar o povo brasileiro, do que em implementar políticas que diminuam ao mínimo possível, os motivos que levam muitas mulheres a prática de um assassinato.
Fosse como querem os petistas, a senhora Eleonora Menicucci, em particular, todos os crimes que o Estado não consegue combater, evitar e reduzir, deveriam ser liberados. Um ladrão, ao assaltar uma residência sabe do risco que corre se for descoberto. Da mesma forma, as mulheres deveriam ter consciência do risco ao praticarem sexo sem segurança alguma.
O discurso da nova secretária, e não se poderia esperar reação diferente, já suscitou declarações até agressivas. Impertinente? Inoportuna? Sim, mas também arrogante ao simplesmente desprezar o crime que sua ideia provoca.
Se é para implementar políticas em favor das mulheres, em sua defesa e grandeza, em um país ainda carregado de preconceitos, que tal políticas devotadas para elas próprias subirem na escala moral e social, ao invés de descerem? Por que toda mulher precisa tornar-se “um ser” ainda à disposição do macho, qualquer macho, e depois, dada as consequências, negar existência a quem sequer pode defender-se? Que tal um pouco de autodisciplina para que seu prazer possa realizar-se sem a consequência de uma gravidez inoportuna?
Reparem que na crítica que faço à declaração estúpida da senhora Eleonora, em momento algum, trouxe qualquer opinião sobre se a vida humana tem seu começo na concepção ou a partir deste ou daquele mês. Por quê? Porque já na concepção todo o código genético está ali presente. Se o ovo de uma tartaruga já carrega a vida do filhote que irá nascer, e no Brasil é crime não respeitar o ovo de tartaruga, porque o feto humano deveria ter tratamento diferenciado? E a ministra, defenderia a mesma tese quanto ao aborto se sua mãe, quando grávida dela própria, a tivesse tirado do ventre sem direito de existir?
Vergonhoso saber que esta senhora irá representar o Brasil num encontro promovido pela ONU para discutir justamente sobre o tema. Alguém espera que ela defenderá posições ditas de “governo”, sem misturar suas próprias convicções que, aparentemente, destoam do discurso de dona Dilma, e também do que pensa a grande maioria da população brasileira?
Para que se tenha uma ideia do pensamento ordinário e até diria promíscuo desta senhora, seria interessante ler uma entrevista que ela concedeu, onde demonstrando certo despojo imoral, deitou falação sobre suas “experiências”. Apenas pelo que disse, já seria motivo suficiente para manter a dona Eleonora longe de qualquer cargo público. Há momentos que sua fala nos causa além de indignação, verdadeira repugnância. (Acesse a entrevista aqui)
É fácil para algumas feministas se posicionarem em torno de si mesmas, esquecendo sua própria função como ser. O corpo feminino foi moldado para a concepção, daí suas características psicofísicas distintas das do homem. Se a gravidez é um empecilho à vida digamos profissional e até amorosa, que não corram riscos ou, se o fizerem, que o façam de maneira segura, e não de forma libertina, porque, neste caso, seu prazer não justifica o sofrimento de um ser a quem o egoísmo negará existir. E não se trata de visão moralista ou religiosa sobre o tema, como alegam alguns e, sim, de uma severa e preponderante questão de direito natural: a vida.
Quem recorre em desqualificar aqueles que pensam o contrário, além do argumento tolo e estúpido de que se valem, demonstram um preconceito desmedido contra o valor maior do ser humano. A vida, senhores, é para ser realizada em sua plenitude, e a ninguém compete escolher quem deve ou não exercer este direito. Como diziam antigamente, quem não tem competência, não se estabeleça. Quem não deseja engravidar, mas não quer abdicar do sexo, responsável ou não, que tome os devidos cuidados. A regra vale ainda mais para quem pratica sexo de forma promíscua, como a entrevista de dona Eleonora deixa entrever.
Muito embora a presidente tenha afirmado, no dia seguinte ao discurso de sua amiga, após a posse na Secretaria de Política para as Mulheres, que a posição do governo era diferente, não se pode imaginar que desconhecesse suas convicções e militância em favor do aborto. Indicá-la como representante do Brasil em um encontro promovido pela ONU, corre-se o risco de ver uma mistura incoerente entre seu próprio discurso e as ideias defendidas pela nomeada. Portanto, ou Dilma mentiu e continua mentindo para todo o país quanto ao aborto, isto é, em não permitir sua liberação, ou é ingênua demais em acreditar que a senhora Eleonora trabalhará no sentido contrário do que pensa e defende.
Assim, é bom a sociedade brasileira ficar atenta. Como não acredito na hipótese de ingenuidade da presidente, ela sabe, melhor do que ninguém, o que pode esperar ou não de sua escolhida. Não o fez ao acaso. Sabia o risco que corria, ou a escolha foi feita de caso pensado? A conferir.




