quarta-feira, maio 13, 2020

Um país sem comando

Comentando a Notícia

Rede Hospitalar já está em colapso. Serviços funerários também. Em muitos hospitais já é longa a lista de espera tanto para leitos de enfermaria e de UTI, o que comprova a gravidade da situação no enfrentamento à pandemia.  

Quando o coronavírus chegou ao Brasil, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta tomou as providências necessárias para, pelo menos, segurar o contágio tendo por meta a necessidade de se evitar este colapso no sistema de saúde. Começou um amplo diagnóstico para localizar deficiências nas unidade hospitalares e tentar, na medida do possível, capacitar estas unidades com insumos, equipamentos e EPIs.  Encontrou dificuldades para as compras por duas razões: 90% de tudo que se precisava comprar era produzido fora do país, na China especialmente. Só que o país asiático vivia o auge da pandemia e sua produção destes produtos estavam suspensos. Além disto, algumas compras já embarcadas para chegarem ao Brasil, foram sequestradas pelos Estados Unidos.

Foi por esta época que passamos a ter de conviver com outro vírus mais letal e perigoso; o vírus Bolsonaro. Além de lavar as mãos e não fornecer  o apoio qu3 seu ministro da Saúde necessitava, passou a adotar um discurso cafajeste, metendo  bala com as políticas de restrição da mobilidade que cidades e estados passaram a adotar, chegando ao ponto ridículo de ir ao Supremo para tentar fazer valer sua “autoridade”. 

Sempre que pode, Bolsonaro minimizou a pandemia, dizendo que não passava de uma “gripezinha”,  além de condenar a quarentena, recomendação da OMS como único meio de se evitar a expansão do contágio. Este presidente de araque, irresponsável na máxima potência, passou a atritar com o diretor geral da OMS. Pouco a pouco, foi incentivando a população a um relaxamento criminoso. 

Não conseguindo subverter a opinião médica e científica de seu ministro da Saúde, resolveu substituir por outro nome. 

Questões:  diante da dificuldade de ter o fornecimento garantido de insumos, equipamentos - respiradores principalmente-, EPI’s, não seria o caso do presidente empenhar-se e envolver a si mesmo e mais toda a diplomacia brasileira lotada na Ásia, para garantir este fornecimento? E que tal uma ampla campanha publicitária de esclarecimento, orientações e informações úteis, além de mostrar à população a importância  de TODOS cumprirem com a quarentena? E já que este faz-de-conta de presidente se orgulha de seu bom relacionamento com os empresários locais, por que não providenciou campanhas, programas e incentivos para a produção no país de todo material necessários para combater a pandemia dada a dificuldade de abastecer-se do exterior? 

Assim, o que de prático, este senhor fez para o país enfrentar o coronavírus no sentido de reduzir ao máximo os efeitos dolorosos na população, a mais vulnerável? Demorou-se demasiado tempo para se aprovarem programas de assistência  capazes de servir de colchão às camadas mais pobres e desempregados. E, ainda assim, o que vemos diante das agências da Caixa Econômica é a suprema sacanagem para com os mais necessitados. Por que somente a CEF foi habilitada para executar os pagamentos, quando o Banco do Brasil conta com ampla rede de agências? Este descuido resulta em pessoas pernoitando em longas filas a espera de atendimento, às vezes precisando voltar dois ou três dias, Ou seja, além de não ajudar no enfrentamento do vírus, ainda coloca a população que vai receber o tal auxílio emergencial em condição desumanas e humilhantes.   

Note-se ainda que, logo após a demissão do Mandetta, o ministério da Saúde interrompeu as entrevistas coletivas que sempre atualizava as estatísticas, passava informações, prestava contas dos atos. Coincidência ou não, foi a partir da demissão de Mandetta e com a intensificação do discurso genocida do presidente. Que as pessoas passaram a reduzir o isolamento. 

Como se tal não bastasse, nesta quinta-feira o irresponsável e desequilibrado presidente, não respeitando os mais de 135 mil infectados e quase 10.000 mortos, Bolsonaro carregou consigo uma comitiva de empresários até o STF para pressionar Dias Toffoli a rever a decisão em que o STF delegou a estados e municípios autoridade constitucional para medidas de isolamento. E o fez de maneira grosseira, deseducada e de desrespeito ao permitir, sem autorização do presidente do STF, televisionamento direto do encontro através de uma de suas redes sociais. Como se vê, Bolsonaro queria apenas cria um fato midiático. Detalhe: os empresários tinham ido a Brasília cobrar providências do governo para facilitar a liberação de créditos nos programas de socorro anunciados pela área Econômica. Eles não foram para falar de flexibilização. Quem mudou a agenda foi o presidente, por conta própria.  E que se note: não somos os únicos países do mundo que sofrerão  dificuldades econômicos. É o planeta inteiro. Um dos empresários, sem o menor pejo, disse isto: “... o CNPJ está indo para a UTI, e que depois disso irá para o cemitério...” Beleza não? Só que milhares de CPF’s nem UTI tem mais: ou morreram ou não encontram mais vagas para internação. 

Além disto, é uma falácia bolsonarista afirmar que a economia está paralisada. Alguém aí notou desabastecimento nos mercados? Todas aqueles indústrias produtoras de alimentos, material de limpeza e higiene estão a plano vapor. Indústria farmacêutica segue firme. Empresas de transporte, indústrias de embalagem, de papel e papelão, construção civil, rede de farmácias e mercados, de peças e auto peças, comércio de material de construção, além de várias indústrias que mudaram suas linhas de produção para fabricação de respiradores, luvas, máscaras e outros insumos necessários à saúde como EPI’s. Além do discurso genocida, como se nota, Bolsonaro assume um discurso mentiroso e terrorista. 

É fácil este senhor falar em tempo integral em flexibilização das medidas restritivas. Mas, repetindo as palavras de Dias Toffoli, cadê o plano para que a flexibilização aconteça? Cadê o debate com governadores, prefeitos, ministros e autoridades médicas e científicas para combater o vírus e ter um norte para a retomada da economia? É fácil para este escroto condenar a morte de CNPJ’s, mas as quase 10 mil mortes de CPFs não contam, não valem nada, não tem a menor importância!!!??? 

A grande verdade, senhores e senhoras, é que, lamentável e tristemente o Brasil nesta crise, seja de saúde ou econômica, está entregue às moscas, abandonada à própria  sorte, por ter um governo omisso, irresponsável, que não assume o seu verdadeiro papel e busca, a qualquer custo, colocar este papel em outros ombros que não os próprios. 

Se a gente der uma passada pelos países europeus, vamos notar que todos os presidentes e primeiros-ministros falavam aos seus povos, DIARIAMENTE, com orientações, com aconselhamento, com prestação de contas, de decisões e medidas providenciadas.

E a conclusão a que chegamos é mais lamentável ainda: o Brasil tem um presidente empossado, mas que decidiu não governar seu país. E não governa pelo simples fato de não ter plano ou projeto algum para o Brasil. A Bolsonaro e sua Familicia interessa apenas se manter no poder, a qualquer custo, mesmo que este custo sejam milhares de vidas de brasileiros.  É revoltante ainda mais sabermos que sequer o país atingiu o pico da pandemia  e que, na velocidade em que ela avança, o caos vai se tornar ainda muito pior, antes de avistarmos alguma luz, mesmo que tênue, no final do túnel.

A ameaça tosca – 

Foi o STF, em decisão unânime quem decidiu que prefeitos e governadores tem autoridade para decretar medidas restritivas de circulação durante a pandemia. Bolsonaro irritou-se. A mesma decisão permanece em vigor após Bolsonaro ameaçar governadores e prefeitos por descumprirem seu decreto quanto a considerar essenciais as atividades de barbearia e academias de ginástica. 

Primeiro, wque ambas atividades não são essenciais. Essencial é coleta de lixo por exemplo.  Segundo, que compete a prefeitos e governadores atender ao que determina o decreto presidencial ou não.

Terceiro, e muito importante, é que o Constituição determinou em relação ao exercício do poder. Há três poderes independentes, mas interagem entre si. E há outras tantas instituições e órgãos de controle, como a Polícia Federal., que é órgão de Estado, não de governo. Depois, existem as unidades federadas, que são os governadores e prefeitos. Com todos estes é que o poder foi distribuído. Muito embora haja um Presidente, o poder não se concentra nele exclusivamente como pensa e quer Bolsonaro.  O poder está fragmentado justamente para impedir que presidentes autoritários se tornem ditadores.

Assim, Bolsonaro pode ameaçar com judicialização a governadores e prefeitos, que não vai levar. Ele acha que é a Constituição? Errado, meu senhor, você a ela se subordina, porque no Brasil a Constituição existe independente de quem esteja no poder. Bolsonaro é só maias um. Ponto  final.

A novela dos testes vai acabar? –

A AGU informou nesta terça feira que entregará os testes do convid19 feitos por Bolsonaro, para o ministro Ricardo Lewandovski, relator da  recurso impetrado pelo jornal “O Estado de São Paulo” no STF. 

Sabemos que o presidente realizou três  testes os quais, segundo ele próprio informou, deram resultado negativo. Mas há um detalhe. Estes testes foram realizados há cerca de 2 meses e representam apenas a situação lá de trás. Seria importante que alguém, alguma instituição, quem OAB, exigisse judicialmente, que o presidente realizasse teste atual, a exemplo do que o presidente americano Donald Trump se dispôs, nos Estados Unidos: testes diários. 

Sempre é bom lembrar que muita gente no entorno do presidente já foi infectada, e ele próprio já se expos muitas vezes sem os cuidados recomendados pelo Ministério da Saúde. . 

O Brasil tem seu próprio vírus. E não é o covid-19

Comentando a Notícia

Querem conhecer um sujeito inescrupuloso, mau caráter e desclassificado? Pois não, ele atende pelo nome de Jair Messias Bolsonaro, no momento ocupando a cadeira presidencial do Brasil, onde exerce um dos papéis políticos mais repugnantes e patéticos da nossa longa história republicana.  E olha: esta cadeira já ocupada por ditador civil e ditadores militares, mas ainda o atual presidente supera a todos eles.

Creio que os discursos e atos praticados por este sujeito, em tão pouco tempo, desde que a pandemia d covid-19 chegou nestas terras de Santa Cruz, dão bem o perfil desqualificado deste cidadão.

Ah, mas não pensem que ele se contenta com o que já fez, porque ele consegue se superar, dia após dia, em novos atos e declarações  para exibir o tamanho de sua irresponsabilidade e mediocridade psicótica. 

A última e revoltante estupidez e descaso para com os quase 10 mortos , seus familiares que sequer tiveram o direito de um último adeus e a impressionante marca superior a 145.000 contaminados, como ainda a insensibilidade com o caos da rede hospitalar  e com  as filas de espera para conseguir uma vaga nas enfermarias e leitos de UTI’s, foi a insensatez proferida na saída do prédio do STF. 

Isto aconteceu besta quinta-feira quando sua grosseria costumeira foi a ponto de desrespeitar o STF, invadindo aquele prédio acompanhado de uma comitiva de empresários chorões, e obrigando uma audiência não agendada com o presidente da casa, ministro Dias Toffoli. A invasão tinha por objetivo forçar o Judiciário a afrouxar as regras de restrição emitidas por prefeitos e governadores em todo o país, como forma de combater a expansão do contágio da pandemia, recomendação passada pela OMS, medidas que foram homologadas. 

Por seu temperamento autoritário Bolsonaro não se conformou em não poder mandar em todo mundo, mesmo que as leis e a Constituição que o obrigam a dividir o poder com outros poderes e entes federados

Na saída da tal audiência, posando com um cinismo estúpido, anunciou que promoveria uma churrascada para cerca de 30 pessoas e ainda teve a petulância de convidar jornalistas para um joguinho de futebol. Pode, ao fim, parecer que o anúncio não passou de uma dentre dezenas de bravatas que Bolsonaro adora proferir.  Mas fazê-lo justo numa semana  com média diária de 600 mortos no país,  até como bravata é estupidez no seu mais alto grau.

Não só no Brasil mas pelo mundo afora, Bolsonaro construiu uma imagem de irresponsável  insuperável. Passa a ser visto como um vírus mortal, fazendo companhia inseparável ao covid-19. E, pelo andar da carruagem, parece que este vírus verde-amarelo  faz uma força danada para que seu colega, o coronavírus, para que ambos reinem absolutos na pátria amada. Se nada for feito para combatê-los, ambos reinarão entre nós por muito tempo ainda, vitimando milhares (se possível milhões), de brasileiros.  

Enquanto Brasília fervilhava no sábado com um monte de imbecis pedindo ditadura, o Congresso e o Judiciário decretaram luto oficial por 3 dias, em sinal de respeito pela morte de maias de 10.000 brasileiros. Já o Executivo, a quem “caberia” combater a covid-19 a história é outra, é de festa, passeios, fake News (fake produzida pelo Bolsonaro), a gente tinha esta manchete na Folha online: 

Bolsonaro troca churrasco por moto aquática no dia em que país passa de 10 mil mortes

Triste? Revoltante? Isto diz tudo sobre o vírus verde-amarelo que infecta o país com seu descaso e irresponsabilidade. Para o covid-19 o mundo ainda não tem nem remédio para cura tampouco vacina para evita-lo.  Para o outro vírus, o Brasil tem leis e urnas...

O marketing dos créditos para as empresas – Não são poucos os empresários que estão reclamando por não conseguirem a obtenção dos créditos do programa de socorro anunciado pelo governo federal. São tantos os óbices criados que, para um empresário médio ficas impossível por a mão na grana. 

Vai ficando claro que o tal programa foi feito sob medida para beneficiar os amigos do reino. Os demais ficarão apenas vivendo da esperança.

Não é o primeiro governo que faz anúncios bombásticos do lançamento de programas que não beneficiam quem realmente precisa, e que acabam apenas como ilustração para discursos em palanques eleitorais futuros.

Paulo Guedes não se dá conta que o Brasil vive um clima de guerra. Se ele olhasse para trás, precisamente para a crise financeira que abalou os mercados mundiais de 2008, constataria que a recuperação se deu porque as principais não mediram esforços em injetar moeda para incentivar e financiar a recuperação. E, ao contrário do que alguns economistas apregoam, não se viu inflação nestas economias. O mesmo poderia ser feito no Brasil. Mas e o medo de gastar que Guedes defende com ardor? Ministro, não é hora para tantos pruridos. Ou o governo solta as amarras do crédito, ou a recuperação da economia brasileira será bastante dolorosa, afora o custo social do alto desemprego resultante, bem mais difícil de recuperar.

Hora da diplomacia – 

O Estado São Paulo teve um embarque de 500 respiradores adquiridos da China ser bloqueado pelas autoridades daquele país. E desde março, quando a pandemia chegou no Brasil, tem sido usual a dificuldade de recebermos compras feitas  na China de insumos e equipamentos necessários para o combate à covid-19. Sabe-se que mais de 90% destes itens são produzidos pela China. E, apesar disto, idiotas tipo o ministro da Deseducação, Weintraub, e o Ministro das Más Relações Exteriores, além de um dos rebentos da Familícia Bolsonaro, não se contém em criticar de forma grosseria o país asiático. 

Não digo que os bloqueios de embarques das comprar feitas pelo Brasil pelas autoridades chinesas sejam uma forma de retaliação. Mas convenhamos, as declarações desta gente brasileira, estúpidas e desrespeitosas, só complicam, e em um momento de extrema carência por aqui na rede hospitalar. 

Assim, não seria o caso do presidente e seus ministros, mobilizando nossos diplomatas lotadas na Ásia, entrarem em campo para tentar suavizar as dificuldades e evitar os bloqueios das nossas compras?

Sabemos, contudo, que nem Bolsonaro, tampouco sua gente estão minimamente preocupados com a má sorte dos brasileiros que penam com a pandemia e com toda a dificuldade de conseguirem vaga nos hospitais. Parecem que estes estúpidos adoram criar o caos. O cretino do presidente teve coragem de dizer que é “neurose” o comportamento da pessoas diante da pandemia. Esta cara deveria ser internado num manicômio com urgência. Perdeu completamente o juízo. 

Quarentena é solução?

Comentando a Notícia


Foto que prova a “neurose” nacional  que Bolsonaro acusou existir no país

 Até hoje não se ouviu de ninguém, especialista em saúde ou simples palpiteiro, afirmar que a quarentena recomendada como forma de combater o vírus  é capaz de evitar a morte de infectados. E é justamente aí que reside o grande equívoco do debate. 

É claro que países em que a quarentena foi praticada em diferentes graus de isolamento, mortes aconteceram. Nos que não adotaram também aconteceram mortes. Com ou sem quarentena a covid-19 mata.

Um dos maiores opositores às medidas de isolamento, o ex-ministro e deputado Osmar Terra, aponta as mortes em países com medidas restritivas de circulação de pessoas como indicativo de que a quarentena é inútil. Inútil é a fala deste senhor, porque inverte os fatos e tenta enquadrar sua tese com exemplos equivocados. Comparar a Suécia, como ele faz, como exemplo de país que não adotou a quarentena e onde se obteve resultados positivos, é uma agressão `a verdade. 

Primeiro, é errado comparar a Suécia com o Brasil, e sob qualquer ângulo, é uma lamentável estupidez. Vamos ver? Vamos lá: a Suécia se localiza numa área de 449.964 km²; o Brasil  tem mais de 8,5 milhões de Km². O país nórdico tem uma população de cerca de 10,0 milhões de habitantes; o Brasil tem mais de 210,0 milhões. A Suécia tem o 5º melhor IDH do mundo, já o Brasil ocupa a vergonhosa 79º. Ou seja, num país menor, com uma população menor e um alto índice de desenvolvimento humano, bastou o governo daquele recomendar a sua população o distanciamento e a maioria atendeu. 

Já o Brasil, com um território imenso, com pelos 5 ecossistemas diferenciados, com uma péssima qualidade de vida e acesso precário a serviços públicos, com inúmeras comunidades onde grassa miséria e a pobreza, com 10/112 pessoas acomodadas em cômodos diminutos,  com uma assistência precária, todos estes dados completamente difetentes da Suécia, a comparação feita por Osmar Terra é de estupidez abissal. E um detalhe: o povo sueco, por sua qualidade vida superior, tem muito mais condições de resistir à doença do que a brasileira que ainda precisa padecer com dengue e mais uma dúzia de outras doenças, que também matam.

Quanto a quarentena qual a sua importância que justifica sua adoção? Ao contrário do que dizem ignorantes como Bolsonaro e desinformados como o ex-ministro Osmar Terra, não tem o dom de evitar mortes. A importância está no fato de reduzir o ritmo de contágio da população e, com isto, evitar o colapso do sistema de saúde e dos serviços funerários.  E mais: alguém aí é capaz de apontar qual cidade ou estado brasileiros praticam um isolamento superior a 50%? Claro que não, por aqui os índices tem variado entre 30 a 50%. O recomendável é que este índice chegue a 70%, por o contágio avança numa velocidade bem menor, o dá espaço para o sistema saúde não saturar. Sabe-se que cada infectado internado, para ser curado vai ficar internado num período de duas a três semanas. Se muitas acorrer ao mesmo tempo, faltarão leitos em enfermarias e UTI’s. E é isto detalhe que os opositores e críticos da quarentena parecem não compreender (ou não querer enxergar). 

Atualmente, no Brasil pelo 6 estados estão ou colapsados ou perto de colapsar seu sistemas de saúde além dos serviços funerários. Além disto, mesmo com quarentena total, o chamado lockdown,  basta assistir os noticiários que a população, em grnde parte, sequer atende a determinação. Grande parte da pessoas circula sem máscaras, aglomeradas, sem se importar com o perigo que estão se submetendo.  Olhem como circulam os transportes públicos. Lotados, com gente sem máscara, uma amontoada sobre a out5ra. Não há quarentena que dê desta falta total de consciência.

Registre-se: no início desta edição, reproduzimos textos demonstrando que países como Coreia do Sul, China e Alemanha voltaram a acusar novos casos. Isto significa que, mesmo que estatísticas demonstrem a superação da pandemia, os critérios  de afrouxamento não podem ser abandonadas, sob risco de se ter de conviver com a chamada “segunda onda”,

Mais: quase metade dos internados no Brasil transita na faixa etária de 20 a 59 anos, dado reflete a realidade da pirâmide demográfica do Brasil e também tem relação com baixa taxa de isolamento e desigualdade social. Isto desmente a falácia de Bolsonaro que afirma que somente as pessoas acima de 60 nos serão infectadas. Como se vê: o vírus não escolhe idade, classe social, sexo, rico ou pobre. Razão para que as pessoas mantenha a quarentena para sua segurança e dos seus familiares e amigos. 

Por todos estes fatores que analisamos até aqui, fica claro o grande equívoco de pretender-se comparar o Brasil com a Suécia. 

Circula no Congresso um projeto de lei tornando obrigatório o uso de máscara em espaços públicos em TODO O TERRITÓRIO NACIONAL. Tal medidsa já deveria ter sido adotada há pelo menos um mês ou mais. Em alguma s poucas cidades, quem circular sem motivo ou for peço sem máscara, ou será multado ou será detido. Pois bem, enquanto este tipo de punição não for utilizado em todo o território, os brasileiros, em sua grande maioria, não tomará consciência tampouco os cuidados recomendados. 

O que se objetiva aqui é mostrar, ou melhor, desmentir as desinformações espalhadas  que só causam confusão e a falta dos cuidados recomendados. 

Quarentena não evita mortes, evita que pessoas infectadas, necessitadas de assistência médica, não encontrem vagas nos hospitais e unidades de atendimento.   Quanto mais espaços na rede hospitalar melhor será o tratamento e maior chance de sobrevivência, justamente porque todos terão melhor atendimento. É disso que se trata. O resto é canalhice. 

Querem saber o que também mata? O descaso e a irresponsabilidade que observamos por parte do Executivo Federal. Enquanto Congresso e STF decretavam luto pela morte de mais 10 mil brasileiros, deixando a bandeira brasileira hasteada a meio pau, Bolsonaro foi passear de barquinho – jet ski -no lago, cumprimentar sem máscara e posar para selfies. Absurdo? Absurdo e revoltante, Bolsonaro tornou-se não só amigo da doença e cúmplice das milhares de mortes, como se transformou no pior e mais letal vírus que o Brasil precisou e precisará enfrentar. 

Um triste Dia das Mães: 

Afora o Ministro da Saúde que, em rede social, confraternizou-se com a data, lamentando pelos filhos que perderam suas mães para o vírus, não se viu do Presidente da República um único som (poderia até ter usado a Primeira Dama mas não o fez),  se solidarizando com as mães dos brasileiros, muitas mortas na pandemia, outras tantas que perderam e sequer tiveram o direito de velar em um último adeus aos filhos vitimados, ou aquelas tantas que, isoladas em casa, só puderam ser homenageadas por vídeo conferência. E este traste ainda acha que o povo está a seu lado!!! Seus seguidores lembram muito mais os tais milicianos de Hugo Chavez na Venezuela. Formam um exército de babacas e idiotizados! Bolsonaro governar apenas para estes jumentos. O r4esto que se exploda!!!!!

Com medo da penúria e da morte? Bem-vindos ao mundo real

J.P. Cuenca 
Deutsche Welle

A pandemia de covid-19 democratizou a insegurança e o receio do futuro que já afligia milhões de brasileiros. Resta saber se os abastados aprenderão alguma coisa com isso.
    


Comércio fechado em São Paulo, em 20 de março
1.
Você vai até a janela, olha para o céu, estica o braço apontando o telefone para cima, fecha o olho esquerdo, olha o céu no quadro do telefone – é o mesmo. Você tira uma fotografia, a examina, volta a olhar para o céu: as nuvens desembestaram a mudar de lugar, o sol talvez agora lhe cegue um pouco.
Mas você estava lá, e por isso publica um instantâneo daquele céu onde não havia nada de especial, apenas o panorama difuso do círculo solar por trás de nuvens em contraluz, visto por uma nesga entre edifícios e antenas de São Paulo. As pessoas vão olhar sua fotografia, cada uma dentro de cada apartamento, e ler seu nome impresso no canto esquerdo sobre a imagem do céu nos cristais dos telefones, e pensar em você, talvez olhando pela janela – talvez sentindo o mesmo pavor.

Andamos assim, silenciando no meio das frases.

Especialmente, os privilegiados que hoje podem isolar-se em cápsulas domésticas. Nas últimas semanas, nossas horas foram ocupadas por tentativas de trabalho remoto, aulas online, ativismo de internet, drinks via zoom e houseparty – e uma enevoada sensação de luto antecipado. Até que percamos o emprego, enterremos nossos mortos ou, na melhor das hipóteses, tenhamos que nos confrontar com um mundo que ainda desconhecemos do outro lado desta quarentena.

São tempos estranhos? Talvez não mais que há três semanas – a diferença é que agora todos sabemos disso.

2.
Nas últimas décadas, o capitalismo tardio promoveu mudanças climáticas irreversíveis e um aumento exponencial na concentração de renda mundial. Pouco importava aos detentores dos meios de produção e do capital financeiro – e às classes médias que votam nos representantes daqueles no governo – que a política econômica de seus países causasse desigualdade, doenças e morte aos menos favorecidos.

No Brasil, o 1% mais rico hoje concentra 28,3% da renda total do país, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) da ONU divulgado em dezembro do ano passado. É a segunda maior concentração de renda do mundo, apenas atrás do Catar, um emirado absolutista sem eleições legislativas desde os anos 1970 que usa a charia como sistema legal, onde mulheres supostamente adúlteras são punidas com chibatadas e relações homossexuais, com a pena de morte.

Essa combinação nefasta de concentração de renda e ameaças aos direitos humanos também encontra-se por aqui.

Ainda que, durante o recente ciclo do Partido dos Trabalhadores no poder, tal desigualdade tenha sido mitigada via programas de distribuição de renda e uma economia aquecida, os brasileiros moradores de periferias e favelas seguiram tendo direitos desrespeitados pelas polícias militares de todo o país, assim como os povos indígenas originários ameaçados por ruralistas, grileiros, milícias e superfaturadas obras de infraestrutura. E, se nossas favelas são guetificadas pelo Estado, o que dizer dos presídios brasileiros, verdadeiros campos de concentração para negros e pobres?

Abrindo o panorama, pesquisas do IBGE em 2017 e 2018 apontaram que 64,9% da população brasileira não têm pelo menos um dos seguintes direitos garantidos: educação, proteção social, moradia adequada, serviços de saneamento básico e comunicação (internet). A realidade é certamente pior: o relatório usa o conceito de autodeclaração e só inclui os brasileiros que tenham domicílios, excluindo moradores de rua. Entre mulheres negras ou pardas, sozinhas, e com filhos pequenos, o número é ainda maior: 81,3% . Entre idosos, são 80%. 

O Estado Democrático de Direito, garantido pela Constituição de 1988 e ameaçado pelo bolsonarismo, nunca foi democratizado no Brasil pós abertura – jamais chegou plenamente aos cantos menos favorecidos do país, mesmo sob governos supostamente de esquerda. E, com a guinada abertamente fascista da política brasileira depois do golpe de 2016, a situação, que já era trágica, piorou.

Em tempos de pandemia, talvez um pouco – apenas um pouco – do pesadelo distópico no qual já viviam milhões de brasileiros pareça agora democratizado. Insegurança financeira e ameaça constante à vida: antes tão normalizados quando no andar de baixo, agora motivos para ansiedade generalizada.

3.
A grande novidade não é a pandemia. É o fato de que as classes mais abastadas brasileiras possam enfrentar, pela primeira vez em gerações, circunstâncias em que sua casta superior não lhes oferece grande vantagem de sobrevivência.

No Brasil, hospitais particulares já sofrem estrangulamento semelhante ao SUS – e mal começamos a escalar a curva de casos e mortes. Tragédia com horizontalidade semelhante, talvez apenas durante guerras, sob bombardeio. O que nunca tivemos por aqui.

Quando isso tudo acabar, talvez a espera e o testemunho da catástrofe, a implosão do que entendíamos como vida normal, faça os abastados da Zona Sul do Rio de Janeiro e da Zona Oeste de São Paulo mais empáticos com quem convive com o medo de ver o chão abrindo sob seus pés desde que nasceu.

Mas não sei se eu apostaria nisso.
--
Escritor e cineasta, J.P. Cuenca é autor de cinco livros traduzidos para oito idiomas. Seu último romance, Descobri que estava morto, foi vencedor do Prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional e deu origem ao longa-metragem A morte de J.P. Cuenca, exibido em mais de 15 festivais internacionais. Ele hoje vive entre São Paulo e Berlim. Siga-o no Twitter, Facebook e Instagram como @jpcuenca

Mudaremos tanto por dentro após a vida de confinamento?

María Paredes
El Pais

Analisamos como a grave crise do coronavírus e o período de reclusão forçada afetarão nossos hábitos e nossa mentalidade


 “Se acabar me acostumando com isso, não me verão na rua nunca mais.” A frase foi publicada por um escritor, há alguns dias, em uma rede social. E não é o único que proclama, durante esta crise, que ficar permanentemente em casa é uma espécie de bênção (excetuando que o Apocalipse continua gritando lá fora). Também existem, no lado B, os memes que se acumulam e inundam as telas pedindo aos bares que estoquem cerveja porque o ataque que alguns prometem fazer a eles deixa o desabastecimento de papel higiênico reduzido à categoria de anedota. O que acontecerá com nossa natureza sociável quando o confinamento terminar ou for gradualmente suspenso? Obviamente, não lotaremos os bares (entre outras coisas, porque não será permitido). Mas será que nosso modo de ser e de nos relacionar mudará tanto?

Do ponto de vista da psicologia, o estilo de apego de cada um determina os mecanismos de enfrentamento da realidade. Existem pessoas mais introvertidas, mais ansiosas, mais equilibradas ou mais caóticas e impulsivas. “Esse é o fator que faz com que cada um esteja tendo uma resposta diferente à pandemia e, principalmente, às suas consequências restritivas”, afirma Carmen Soria, psicóloga sanitária e diretora da clínica Integra Terapia em Madri. Nossa resposta depois do confinamento e nossos mecanismos para suportar cada fase dependerão também desses modos de ser. “Enfrentaremos a situação, a entenderemos e, finalmente, haverá aceitação. Entenderemos que somos vulneráveis, mas não impotentes. Sem dúvida haverá mudanças, mas essas não têm por que serem todas negativas”, diz Soria. A psicóloga dá alguns exemplos: teremos aprendido que podemos manter nossos relacionamentos mesmo a distância, teremos sabido descartar quem não tem de estar em nossa vida, teremos assumido o quão vulneráveis podemos ser à mudança de hábitos e teremos ampliado nosso lazer doméstico.

Novas formas de arte nascerão

“Somos animais sociais, gregários e criativos. E adaptaremos as formas de nos comunicar aos meios que temos”, diz Soria. Além disso, o espelho da História dá pistas de como as emoções ferverão depois do confinamento. E o que existe de mais relacionado à arte do que os próprios sentimentos? Diante da peste negra medieval e seus posteriores ciclos epidêmicos, que chegaram até bem entrada a Idade Moderna, a angústia e a ansiedade coletiva da população serviram para iluminar novos ritos, como procissões de flagelantes, votos e penitências. Também se tornaram mais conscientes da fragilidade da vida humana e da condição da morte como igualadora de classes sociais, do Papa ao camponês. Prova disso é o nascimento das danças da morte, um novo gênero artístico que, através da combinação de texto literário e representação gráfica, retratava a morte como um esqueleto que arrasta pessoas de todos os estratos sociais com sua dança macabra. Hoje, o fruto da criação não deve ser tão lúgubre, mas tudo indica que terá a ver com a transformação digital, um território ainda a ser explorado por muitos artistas deste país. De fato, o primeiro museu de artistas visuais inspirados pela pandemia já nasceu. Está no Instagram, é claro.


Enquanto isso, na rua, haverá um tímido medo de nos tocarmos

Quem não ficou surpreso vendo nestes dias em um filme a imagem de um vagão de metrô lotado, com seus planos curtos de mãos segurando os balaústres e sem distância de segurança entre os passageiros aglomerados? Desconcerta observar essa calma perfeita, patrimônio anterior à covid-19. E a sensação de estranheza é potencializada para aqueles que vivem sozinhos e agora estão passando pela quinta semana sem ter nem sequer um contato físico acidental com outro ser sofredor. A imagem quando descemos para fazer as compras é real e homogênea em qualquer ponto do país: sucedem-se olhares receosos à distância dirigidos àqueles que compartilham espaço físico conosco no supermercado. Nós os tratamos com o escrúpulo da sobrevivência, agora que cada um de nós é possível vetor involuntário do vírus. E o fato é que, nessa atitude, não há nada de novo sob o sol.

Nossos ancestrais também padeceram da fuga e do medo do contágio associados à epidemia, como relata o cronista Andrés Bernáldez (1450-1513) quando aponta: “Os vivos fugiam uns dos outros, daqueles que estavam no campo, da vila, para que não fossem pegos”. O mesmo indica um autor da época, o escritor Giovanni Boccaccio, em seu livro de histórias O Decamerão. Nele, narra a saída de um grupo de jovens da cidade de Florença para uma casa de campo diante da chegada da peste em 1348. Esse tipo de medidas, de isolamento voluntário, foram aplicadas fundamentalmente por membros da aristocracia, como também foi observado em Córdoba diante da epidemia de peste declarada na cidade em 1488. Por outro lado, e como comentário esperançoso, a professora de História Medieval Margarita Cabrera lembra, em um estudo sobre aquela pandemia, que os temores sociais gerados pelo medo do contágio também conviveram com fenômenos de solidariedade social; especialmente a familiar, onde imperavam os cuidados médicos aos infectados e seu acompanhamento.

O temor vai passar... e vamos querer nos abraçar

Sobre a dúvida de se esse medo de nos tocarmos desaparecerá com o tempo, a psicóloga responde: “Continuamos a sair de férias para lugares onde aconteceram catástrofes naturais? Eu diria que sim, sem ter dados estatísticos em mãos. O cerne do problema está em quanto tempo passou desde que aconteceu o desastre até que a área fosse recuperada como turística. A questão é, mais do que se vamos ter desconfiança, até quando vamos tê-la. Este ‘até quando’ será muito condicionado pela evolução da pandemia e dos conselhos médicos”. E acrescenta: “As pessoas que levarem o distanciamento ao puro medo de se relacionar o farão, provavelmente, porque respondem a patologias anteriores, psicológicas ou psiquiátricas, e não tanto à pandemia em si”. Faça o teste com seus familiares e amigos. Adela Iglesias, professora de 57 anos, afirma: “Estou morrendo de vontade de abraçar minhas amigas, meus conhecidos e os desconhecidos que deixarem. Anseio o contato físico e não tenho medo (a menos que alguém esteja espirrando ou tossindo, mas já vivi isso no metrô e nos ônibus antes do confinamento e sobrevivi)”. Se junta aos seus desejos José Luis, um bancário aposentado de 74 anos, que está sem pisar na rua desde o anúncio do estado de alarme na Espanha: “Meu ideal seria continuar com os mesmos hábitos que eu tinha antes de começar a quarentena e fazer algo excepcional para comemorar o fim do pesadelo com a minha família”.


Os adolescentes levarão vantagem sobre nós

Desde o início da pandemia também estamos vendo mudanças importantes em nossa economia, que agora sofre uma acentuada polarização: alguns setores estão sofrendo terríveis consequências, mas outros saem fortalecidos, como é o caso de algumas plataformas como a Netflix, que se valorizaram na Bolsa. Muitos são aqueles que aproveitam a oportunidade para “ficar em dia” e assistir a uma grande quantidade de séries que diziam que já deveriam ter visto. Também nisso encontramos diferenças notáveis quando se trata de resistir melhor ou pior ao confinamento (e, portanto, aos que podem estar por vir). Nas palavras da psicóloga, “os adolescentes estão muito acostumados com esse tipo de lazer de passar horas em casa. Acredito que esse padrão possivelmente facilitou-lhes as primeiras semanas de permanência: não é algo tão diferente de seus hábitos conhecidos”. Assim, sairão menos afetados. Embora relativize: “Será necessário ver se vão se manter, porque não é a mesma coisa uma maratona de PlayStation ou de Netflix quando você tem a liberdade de fazê-lo e quando não. A saturação pode reduzir seu efeito positivo pela força do hábito”. Em relação aos jovens, Fernando Bayón, filósofo e diretor do Instituto de Lazer da Universidade de Deusto, observa: “Vamos precisar dos adolescentes. Será gerada uma educação para o lazer muito interessante no interior das famílias, o que nos obrigará a refletir. É falso que os nativos digitais sejam menos sociais. Existe muito solitário de bar. E muita gente sozinha em casa jogando videogame em companhia.”

E não poderemos baixar a guarda

Usaremos muito o espírito crítico. Não restará alternativa. Isso acontecerá, por exemplo, diante das muitas teorias da conspiração paranoicas que associam o início do contágio a uma possível guerra bacteriológica, cujo pavio acendeu, dependendo de quem opina e sempre sem provas, em um lugar ou outro do planeta, à mercê de supostos interesses econômicos e estratégicos. Ou para evitar nos contagiarmos de boatos e fake news. A angústia associada a uma situação devastadora já prejudicou nossas sociedades anteriores, que também buscaram seus próprios bodes expiatórios. Foi o caso dos judeus que, como lembra um texto do médico de papas Guy de Chauliac, foram acusados de envenenar a água dos poços durante a epidemia de peste negra. Muitos dos tristes episódios de sua perseguição que aconteceram na segunda metade do século XIV são explicados como resultado desse temor. O que nos leva à importância da empatia: é um grande momento para começar a cultivá-la.

Espetáculo constrangedor

Carlos Melo*, 
O Estado de S.Paulo

Foi desconcertante assistir a um embaraçado presidente do STF dizer a Bolsonaro, nas entrelinhas, que o presidente da República é ele, não Toffoli

Fenômeno mundial, a pandemia atinge e agrava a situação econômica em todos países. Estados Nacionais, no entanto, existem para antecipar e mitigar problemas do tipo. Sua ação é inevitável. Naturalmente, empresários de todo o planeta defendem seus interesses e querem soluções rápidas. Mas, em poucos lugares se fez tanto pelo agravamento do quadro quanto no Brasil. Aqui, foi explícito o boicote contra a única forma de abreviar o drama: a política de distanciamento social. A história é sabida, por atos e palavras, o presidente da República piorou a situação com que dizia se incomodar. Foi desserviço à própria economia.

Nesta quinta-feira, Bolsonaro talvez imaginasse atravessar o Rubicão. Mas, o que lhes sobrou foi o ato cênico de uma extravagante marcha pela Praça dos Três Poderes. Triunfo de nada, mais que inútil foi constrangedor. Gesto de enfrentamento? Talvez fosse intenção, mas restará como história do dia em que um presidente da República espontaneamente submeteu seu Poder a outro, como se Dias Toffoli fosse o verdadeiro chefe de Estado.  

Foi desconcertante assistir a um embaraçado presidente do STF dizer a Jair Bolsonaro, nas entrelinhas, que o presidente da República é ele, Jair, não Toffoli; que é tarefa do Executivo, não do Supremo, planejar ações, construir consensos, articular atores políticos e a sociedade – governadores, inclusive. Pois, quereriam mais o que aqueles senhores?

Signo do improviso, a “marcha” talvez se pretendesse “Marcha sobre Roma”, de 1922, mas foi mais um eloquente grito de amadorismo. Espetáculo constrangedor que, ao final, mais pareceu batida em retirada de tropa desorganizada, sem projeto e sem comando. Agradará aos fanáticos de sempre, mas não se comunica com a nação nem apresenta saídas. Existem lugares de onde não há volta.

*Carlos Melo, cientista político. Professor do Insper.

Pandemia expõe “necropolítica à brasileira” e uma certa elite que não vê além do umbigo

Heloísa Mendonça
El Pais

Para psicanalista Christian Dunker, desigualdade provoca distorção da realidade que atinge parte importante das classes altas

  AMANDA PEROBELLI / REUTERS
Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em uma carreata de protesto 
contra as medidas  de isolamento social para o combate à covid-19 
recomendadas pelo governador de São Paulo, João Doria.

"O pico da doença [da covid-19] já passou quando a gente analisa a classe média, classe média alta. O desafio é que o Brasil é um país com muita comunidade, muita favela, o que acaba dificultando o processo todo.” A fala de Guilherme Benchimol, presidente da corretora XP, uma importante peça no mercado financeiro brasileiro — e um dos executivos mais engajados no movimento Não Demita, incentivando empresas a manter suas equipes durante a pandemia —, aconteceu durante uma transmissão ao vivo do jornal O Estado de S. Paulo nesta semana e causou uma enxurrada de críticas e revolta nas redes sociais. Ao fatiar a gravidade da pandemia do novo coronavírus entre uma crise de pobres e outra de ricos, o bilionário mostrou a faceta mais caricata da elite brasileira, que se põe à parte frente aos mais de 8.500 mortos em decorrência da doença, o que coloca o país na 6ª posição em número de óbitos.

O próprio Benchimol veio à público se desculpar pela frase “mal construída”, que, segundo ele, foi tirada do contexto e não representa o que acredita. Mas na medida em que a população mais rica começa a se sentir confiante de que a maior ameaça― para eles ― já passou, um movimento perigoso avança no Brasil, na visão do psicanalista e professor da USP, Christian Dunker. “Há uma negação do que se sabe de outros países: de que quando chega o ponto mais crítico, o ponto de saturação do sistema de saúde público e privado, não adianta você ter dinheiro ou ser de uma classe mais alta porque não haverá sistema disponível”, afirma. Segundo a Confederação Nacional de Saúde (CNS), em ao menos seis Estados já há saturação dos sistemas públicos e privados de atendimento.

O psicanalista afirma que a onda negacionista e a percepção de estar fora de perigo abrange, sim, uma parte importante da elite nacional, e tem como base uma crença dessas pessoas de que são excepcionais, fora de grupos de riscos, já que são privilegiados. Por isso, podem relaxar regras de isolamento e até promover encontros com amigos. “Escuto muito isso no consultório. Que as pessoas se sentem especiais, que são saudáveis, atletas como Bolsonaro e que isso é uma gripezinha. O presidente repetiu à exaustão esse discurso de negação da realidade assim com várias lideranças religiosas.”

Dunker ressalta que essa narrativa se instala mais fortemente na sociedade brasileira pela negação da desigualdade social já existente. “Esta é a realidade primeira da qual nós não queremos saber”, pontua. Em seu livro Mal-estar, sofrimento e sintoma: Uma psicopatologia do Brasil entre muros, o psicanalista explica como, há anos, as classes média e alta lidam com o conflito: com a construção de um muro e a designação de seus síndicos, responsáveis por manter em dia a dia de seu status quo. “Essa ideia de negação do conflito e da diferença já estava lá em 1970, quando inventamos um Brasil em que a gente aparta a diferença. E acho que agora estamos regredindo para uma maneira de ver o mundo, até favorecida pelas medidas sanitárias, em que o mundo é o tamanho do seu condomínio”, diz.

A vida privada dos condomínios é também uma janela que expõe abismos sociais —em geral, quanto maior a renda, maior a chance de realizar trabalho remoto. Em meio à escalada do coronavírus, os locais, em geral, mudaram regras de convivência, com restrições de acesso a visitas e entregadores. Áreas de lazer e academias de uso coletivo também foram interditadas, mas, já passadas algumas semanas de isolamento, embates começam a ser travados entre vizinhos para afrouxar as medidas, o que pode colocar em riscos moradores, mas também funcionários que seguem trabalhando. “Esse trabalhadores nunca deixaram de ser invisíveis, assim como os moradores de ruas, pedintes, os informais, os precarizados. Eles são formas de vidas que não fazem parte dos ‘outros’. Mas, no contexto da pandemia, são também elementos que transmitem o vírus, o que se choca muito com essa administração imaginária do mundo ”, lembra o psicanalista. Nesta quarta, provocou debate o fato de o serviço doméstico ter sido considerado essencial em Belém, que está em regime de bloqueio total de atividades não essenciais (lockdown), já que os profissionais ficariam impedidos de fazer a quarentena ou cuidar da própria família por causa da ausência de creches e escolas. O prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB), argumentou que pessoas, como profissionais de saúde, "precisam, pela necessidade de trabalho essencial, ter alguém em casa”.


Necropolítica já estava aí

Na visão de Christian Dunker, a pandemia trouxe mais à tona a “equação obscena” da escolha entra a vida ou a economia fortemente martelada pelo empresariado. O grupo, por sua vez, tem respaldo ativo de Jair Bolsonaro. O psicanalista frisa que o movimento apenas escancara a ideia de ter vidas matáveis que já existia na necropolítica à brasileira, diz ele, citando um conceito desenvolvido em 2003 pelo intelectual camaronense Achille Mbembe, que questiona os limites da soberania do Estado na escolha de quem deve viver e quem deve morrer. “Neste momento de impasse e crise da economia, vai se comunicar com as classes mais elevadas e populares a ideia de que é melhor continuar trabalhando e ganhando do que morrer de fome. Apesar do aumento do sofrimento e da crise alimentar, obviamente a gente teria medidas de suporte para isso sem chegar a essa equação”, afirma.

A insistência no argumento de que é preciso privilegiar o funcionamento da economia em detrimento das medidas de isolamento social ficou evidente de novo nesta quinta-feira. Em mais um movimento para pressionar a retomada da atividade econômica, o presidente levou uma comitiva de empresários e ministros para a sede do Supremo Tribunal Federal (STF) para alertar o presidente da Corte, Antonio Dias Toffoli, sobre os impactos que o isolamento social tem gerado na iniciativa privada e como a paralisia econômica pode transformar o Brasil “em uma Venezuela”. “Nós devemos nos preocupar com economia, sim. Mas também com empregos”, declarou Bolsonaro. “Emprego é vida.” Na ocasião, empresários procuraram chamar a atenção dizendo que as “indústrias estão no UTI”, alheios às filas de pessoas que estão morrendo por falta de leitos em vários pontos do país.

Sairemos melhores da pandemia?

A disputa sobre o presente e como será o futuro pós-pandemia está por toda parte, não só na política. Se há os negacionistas, há também os que encaram a crise global econômica e sanitária como uma espécie de purgação, limpeza ou uma catarse que o mundo está atravessando. Na meio disso, as marcas e empresas tentam se sintonizar e se atrelar inclusive a ações positivas do combate à doença ou à crise econômica, mas nem sempre o objetivo é alcançado. Nesta semana, a marca carioca Osklen, do grupo Alpargatas, lançou uma campanha em que vendia duas máscaras de proteção por 147 reais. Para cada kit vendido, ela doaria uma cesta básica no valor de 70 reais para a comunidade do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio. A campanha, no entanto, recebeu fortes críticas nas redes sociais, já que o preço foi considerado abusivo pelos usuários. Máscaras são tecido são vendidas por menos de dez reais em São Paulo. Muitos questionavam como a marca queria lucrar em um item essencial para prevenir a doença. A empresa justificou-se dizendo que o projeto foi pensado com uma margem de retorno “que apenas viabilizaria a operação”, além da doação de comida, mas a força da crítica a fez recuar e "repensar o projeto”.

Para o psicanalista Dunker, o momento poderá, de fato, levar as pessoas a dois caminhos. Um de progredir para uma super individualização. “Eu tenho recurso, eu preciso salvar meu lucro, eu pago respirador, eu sou especial e posso sair na rua”. E outro de maior solidariedade. “A situação impõe que as pessoas olhem para o lado, se organizem a ajudar quem está numa situação pior, de se importarem com a coletividade”. Dunker acredita que há esperança de que a sociedade saia “um pouquinho melhor” dessa nova realidade imposta, mas alerta que o discurso de que o mundo se transformará em outro muito melhor, reverberado por artistas e propagandas é falacioso. “Porque está dizendo que eu preciso de uma coisa muito grande para a verdadeira transformação acontecer. As pequenas transformações surgem das pequenas diferenças”.

A falsa fé nos militares

Astrid Prange
Deutsche Welle

De onde vem a confiança inabalável de que as Forças Armadas podem pôr ordem na casa? Tropas e tanques podem até abafar crises e garantir certa ordem, mas não são capazes de solucionar problemas estruturais.
    


Caros brasileiros,

ainda se lembram da Operação Rio? Com essa "operação", o então governador do Rio de Janeiro, Marcello Alencar, queria combater a violência nas favelas da cidade maravilhosa. Em outubro de 1994, mandou tanques e tropas do Exército brasileiro aos morros. Depois de sete meses, desistiu. A "operação" era cara demais e não foi capaz de diminuir o tráfico e a violência.

Desde então, me pergunto: de onde vêm a confiança e a fé inabalável de que as Forças Armadas podem colocar ordem na casa? Será que é um sinal de desespero?

Até hoje, as Forças Armadas se mantêm como a instituição em que a população brasileira mais confia. Segundo uma pesquisa do instituto Datafolha de julho de 2019, 42% dos entrevistados disseram confiar muito nos militares, 38% confiam um pouco, e 19% não confiam.

Desde o fim da ditadura militar, as Forças Armadas foram chamadas inúmeras vezes para "socorrer" o país: no combate ao crime organizado, na Copa, nas Olimpíadas, nas UPPs, para expulsar garimpeiros de reservas indígenas. E, agora, na crise do coronavírus: o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, pediu "ajuda" dos militares a fim de reduzir a circulação de pessoas nas ruas.

Mas apesar de todos esses gritos de socorro, o crime organizado continua aterrorizando a população nas comunidades das grandes metrópoles. A invasão de garimpeiros em reservas indígenas progride, assim como a grilagem e o desmatamento ilegal na Floresta Amazônica. E, claro, as infecções por coronavírus não vão parar com o Exército nas ruas.

O balanço dos militares na história recente do Brasil não é dos melhores. Após 25 anos no poder, eles entregaram o país altamente endividado, com hiperinflação, educação pública falida e alto desemprego.

As "obras faraônicas" do "Brasil Grande", entre eles a rodovia Transamazônica, o projeto de celulose de Jari e as usinas nucleares de Angra, fizeram a dívida externa do país estourar, e custam caro ao Brasil até hoje. A "década perdida" foi uma herança pesada para a transição democrática.

Além da dívida econômica, também a repressão política e a violação de direitos humanos durante a ditadura deixaram a sociedade marcada, e as famílias das vítimas, traumatizadas. O trabalho da Comissão Nacional da Verdade não causou um grande debate nacional, os crimes contra direitos humanos não foram punidos, e as velhas narrativas sobre os militares e um suposto passado melhor continuam. O "milagre brasileiro" se sobrepõe à repressão política, ao inchaço do setor público e à corrupção.

As experiências mais recentes com operações militares também não foram muito promissoras. Ficou evidente que tropas e tanques podem até abafar crises e garantir uma certa ordem, mas não são capazes de solucionar problemas estruturais. Sem projeto político, visão estratégica e diálogo com a sociedade, esses problemas são empurrados para a frente e estouram na próxima ocasião com mais impacto ainda.

Parece que as Forças Armadas entenderam isso melhor do que o próprio presidente e seus seguidores, que participaram recentemente de protestos a favor da intervenção militar na frente do Quartel-General do Exército em Brasília.

Pode ser uma ironia do destino que um capitão reformado perca o apoio justamente dos militares que ele mesmo chamou para compor seu gabinete. E em vez de uma intervenção militar, os militares venham a intervir pela democracia. Nunca imaginei que um dia chegaria a esse tipo de raciocínio.


The Lancet: Bolsonaro é a maior ameaça no combate à covid-19 no Brasil

 Tamires Vitorio
Exame.com

Para a revista, presidente "continua a semear a confusão" e demissões de ministros e problemas políticos em meio à pandemia são "distração mortal"

 (Ueslei Marcelino/Reuters)
Bolsonaro: presidente já foi citado outra vez pela publicação

Para a The Lancet, uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (sem partido) é a maior ameaça ao combate à covid-19 no Brasil.

Na noite desta quinta-feira (7), o país atingiu 9 mil mortos e outros 135.106 infectados pela doença.

No editorial da próxima edição, que será publicada no dia 9 de maio, com o título “Covid-19 in Brazil: so what?”, a publicação repercute a frase de Bolsonaro na semana passada, quando ao ser perguntado sobre o número recorde de mortes em 24 horas no país, afirmou: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”.

“Bolsonaro não só continua a semear a confusão ao desencorajar as medidas sensatas de distanciamento social e lockdown tomadas por governadores e prefeitos, mas também perdeu dois importantes e influentes ministros nas últimas três semanas”, diz o editorial.

A The Lancet define Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, como “respeitado e querido” e Sergio Moro, ex-ministro da Justiça, como “uma das figuras mais poderosas do governo”.

Para a publicação, “tantos problemas no coração da administração é uma distração mortal no meio de uma emergência de saúde pública” e “um sinal de que a liderança do Brasil perdeu seu compasso moral, se é que já teve um”, completa.


Riscos e fragilidades

O editorial começa falando sobre a América Latina ter sido um dos últimos continentes a sofrerem com a pandemia do coronavírus. Em seguida, cita um estudo da Imperial College apontando que o Brasil tem a maior taxa de transmissão entre 48 países e define a subnotificação dos casos como “preocupante”.

“Ainda assim, talvez a maior ameaça ao combate à covid-19 no Brasil seja o próprio presidente do país, Jair Bolsonaro”, escreve a Lancet.

Apesar disso, a revista aponta que o combate teria sido complicado mesmo sem a atuação contraproducente de Bolsonaro. “Quase 13 milhões de brasileiros moram em favelas com mais de três pessoas por cômodo, e pouco acesso à água limpa. As recomendações de distância física e higiene se tornam quase impossíveis nesses ambientes”, diz.

A revista elogia iniciativas de organizações científicas brasileiras contra as decisões do presidente, assim como a carta aberta do fotojornalista Sebastião Salgado pedindo proteção às populações indígenas brasileiroas, lembrando que elas já estavam sob ameaça da mineração e do desmatamento antes mesmo da pandemia e que agora o risco é que mineradores e exploradores levem a doença.

Por outro lado, a revista vê motivos para esperança em pesquisas e na fabricação de respiradores, e kits de testes, por exemplo. “Ainda assim, a liderança no alto nível do governo é crucial em advertir rapidamente o pior resultado dessa pandemia, como é evidente em outros países”, finaliza o texto.

Bolsonaro tem pressionado por uma reabertura da economia sem apresentar uma estratégia clara para contenção de casos. A Nova Zelândia, por exemplo, só anunciou medidas para aliviar a quarentena depois de ter praticamente eliminado a transmissão comunitária.

Lugares que afrouxaram o isolamento social antes de controlar a doença, como é o caso de Santa Catarina e da Flórida, viram os números de casos subirem rapidamente.

Em agosto do ano passado, em meio ao aumento das queimadas na Amazônia, a The Lancet publicou um editorial com o título “Bolsonaro ameaça a sobrevivência da população Indígena no Brasil“, no qual afirmou que “a presidência de Bolsonaro representa a ameaça mais séria para a população Indígena Brasileira desde a Constituição de 1988”. 



(The Lancet/Reprodução)




Com 749 mortes em 24h, Brasil supera marca de 13 mil vítimas da covid-19

Gilson Garrett Jr.
Exame.com

Com mais 11.385 infectados em um dia, o país superou a França em número de casos e está na sexta posição entre os mais afetados pela doença no mundo

(Miguel Schincariol/Getty Images)
Homenagem: na terça-feira, 12, enfermeiros fizeram um protesto 
para lembrar os 84 profissionais mortos pela covid-19 no Brasil 

O Brasil tem 188.974 casos confirmados e 13.149 mortes por coronavírus, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira, 13. Depois de registrar a maior alta desde o início da pandemia, o número de óbitos caiu e foram contabilizados 749 em 24 horas.

Com mais 11.385 pessoas infectadas pela covid-19 em um dia, o Brasil passou a França em número de casos, segundo levantamento feito pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Ontem, o país já tinha ultrapassado a Alemanha.

Agora o país ocupa a sexta posição entre os mais afetados pela doença. Está atrás apenas de Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, Espanha e Itália.

Epicentro do coronavírus no Brasil, o estado de São Paulo ultrapassou os 4.000 mortos. Já são 4.118 vítimas. Em duas semanas o número de pessoas que perderam a vida dobrou. No total, há 51.097 pessoas infectadas pela covid-19.

O Rio de Janeiro, o segundo estado mais afetado, está com 18.728 casos confirmados e 2.050 óbitos. Há ainda 907 mortes em investigação, segundo a Secretaria de Saúde.


Diretriz de distanciamento adiada

Depois de prometer que divulgaria nesta quarta-feira a diretriz unificada de distanciamento social, o ministro da Saúde, Nelson Teich, cancelou a apresentação.

“O objetivo era ter um plano construído em consenso. No entanto, esse entendimento não foi obtido nas reuniões conduzidas até o momento”, disse uma nota oficial do ministério enviada à imprensa.

O ministro vem tendo dificuldade em aprovar a medida junto com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde e com o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde.

Na segunda-feira, 11, Teich apresentou um documento preliminar e se surpreendeu quando os dois conselhos decidiram não dar apoio à diretriz.

A pé e na contramão

Eliane Cantanhêde, 
O Estado de S.Paulo

Com transmissão ao vivo no STF, presidente do Executivo assumiu presidência do Judiciário

  Foto: Gabriela Biló/ Estadão
O presidente Jair Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes e empresários foram até o STF  

Quanto mais perdido na Presidência, mais Jair Bolsonaro parte para ataques e demonstrações de força, na tentativa de culpar as instituições e os governadores pelos próprios erros e dividir os ônus das múltiplas tragédias que assolam o Brasil. Os mortos vão chegando a 10 mil e os sistemas de saúde e funerário entram em colapso, mas a prioridade do presidente não são a doença e as mortes. “E daí?” A história vai lhe cobrar um alto preço.

Atravessar a Praça dos Três Poderes a pé, com empresários e ministros, para pressionar o Supremo no sentido oposto ao que defendem o ex e o atual ministros da Saúde, é mais um ato surpreendente. E o presidente do Executivo se comportou como presidente do Judiciário. Fez uma transmissão ao vivo lá de dentro e deixou o anfitrião (compulsório) como coadjuvante.

Várias vezes o ministro Dias Toffoli se dirigiu a ele ao tomar a palavra, mas Bolsonaro nem sequer virou o rosto para ouvi-lo e, com ar de enfado, olhou ostensivamente o relógio. Entrou na casa alheia, assumiu o comando e ainda demonstrou desconforto com o anfitrião. Bolsonaro sendo Bolsonaro. Ele não estava ali para ouvir, só para falar.

Ao dizer que “quase” houve uma crise institucional quando o ministro Alexandre de Moraes suspendeu a posse do delegado Alexandre Ramagem na Polícia Federal, Bolsonaro deixou no ar uma dúvida, ou ameaça: ele é capaz de desacatar o Supremo, de desobedecer a uma decisão judicial? Essa ameaça contamina o ar, já contaminado pelo coronavírus.

As pendências entre Supremo e Planalto se avolumam, centradas agora nas acusações do ex-ministro Sérgio Moro a Bolsonaro. O vídeo da reunião de 22/4 em que o presidente avisou a ministros que demitiria o diretor da PF é considerado a principal prova de Moro. Há também a convocação dos três generais do Planalto para depor e, de quebra, a intrigante resistência de Bolsonaro a cumprir decisão judicial e entregar seus testes para a covid-19.

O Planalto se atrapalhou com as versões do vídeo. Não havia, não se sabia onde estava, até Bolsonaro admitir a gravação num pendrive e AGU fazer duas sugestões: não entregar ao STF, porque haveria “questões sensíveis” nessa reunião; depois, entregar o vídeo editado, só com as partes que interessam a Bolsonaro (e não à investigação?). A trapalhada comprova a importância da prova: a “materialidade”.

Quanto à convocação dos generais Braga Netto, Luiz Eduardo Ramos e Augusto Heleno para depor, houve um excesso do decano e relator da investigação Moro-Bolsonaro, Celso de Mello. Ok, é da praxe, uma fórmula pronta, mas ele poderia ter excluído as expressões “condução coercitiva” e “debaixo de vara”. A Defesa ficou fora, porque os generais não são testemunhas enquanto militares, mas como ministros. Mas os generais manifestaram indignação ao STF.

A sociedade conta com a firme posição do Judiciário e do Legislativo contra investidas autoritárias, mas o STF precisa ser muito responsável e há dois agravantes, um de cada lado: Celso de Mello é ostensivamente crítico a Bolsonaro e não tem muito a perder, já que se aposenta em novembro, e o presidente Toffoli parece mais dedicado a compor com Bolsonaro do que com seus pares.

Em meio a tudo isso, o presidente entope o governo de militares, abre as portas para o Centrão e acaba de criar nova tensão com Paulo Guedes, ao dar sinal verde para a ampliação pelo Congresso da lista de categorias do funcionalismo com direito a reajustes, apesar da crise e da pandemia. A contrapartida dos Estados proposta pelo Ministério da Economia para a ajuda aos Estados, de R$ 130 bilhões, caiu para R$ 43 bilhões. “Inaceitável!”, berrou Guedes para sua equipe. De novo, Bolsonaro fez, Guedes chiou, Bolsonaro desfez. Até quando?

Maior parte da população aprova isolamento social para todos como medida de combate ao coronavírus

Julia Lindner, 
O Estado de S.Paulo

67,3% dos entrevistados defendem isolamento amplo, independentemente de integrar grupos de risco; maioria espera piora do emprego

  Foto: Sergio Lima/AFP
Presidente Jair Bolsonaro provoca aglomerações 
em meio à pandemia do coronavírus (18/04/2020) 

BRASÍLIA - A maior parte da população aprova o isolamento social como medida de combate ao novo coronavírus. É o que mostra pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) com o Instituto MDA divulgada nesta terça-feira, 12. O levantamento aponta ainda que a reprovação do governo do presidente Jair Bolsonaro subiu 12 pontos e, com 43%, bateu recorde em meio à pandemia.

Para 67,3% dos entrevistados, o distanciamento deve ser praticado por todos, independentemente de ser ou não do grupo de risco da doença. Outros 29,3% consideram que o isolamento social deve ser feito apenas pelas pessoas que fazem parte do grupo de risco (idosos e pessoas com doenças crônicas) e 2,6% acreditam que não deveria existir isolamento algum.

Diante das divergências na atuação do presidente e governadores, a pesquisa também consultou os entrevistados sobre as ações tomadas pelo governo federal e pelos governos estaduais durante a pandemia. Neste caso, os governadores (69,2%) têm índice de aprovação maior do que o do governo Jair Bolsonaro (51,7%).

De acordo com a pesquisa CNT/MDA, 51,7% disseram que aprovam a atuação do governo federal no combate à pandemia da covid-19, enquanto 42,3% desaprovam. Enquanto isso, 69,2% das pessoas afirmaram que aprovam a atuação do governo estadual, enquanto 26,8% desaprovam.

Maioria dos brasileiros espera piora do emprego

Ainda de acordo com a pesquisa CNT/MDA, uma parte expressiva da população (68,1%) considera que a empregabilidade vai piorar nos próximos seis meses, ante 15,1% que acreditam que vai melhorar. Outros 14,4% consideram que o cenário vai ficar igual.

A expectativa também é negativa quando a pergunta é sobre renda mensal. Para 46,7%, os rendimentos vão piorar nos próximos seis meses. Outros 41,6% acham que vai ficar igual e 8,8% acreditam que vai melhorar.

Na área da saúde, a maior parte (52,3%) dos entrevistados pela pesquisa avalia que também vai piorar, enquanto 23,3% acham que vai melhorar e 22,7% consideram que vai ficar igual.
O Ministério da Saúde prevê que o período mais crítico do novo coronavírus no Brasil deva ocorrer entre maio e agosto.

Adiamento das eleições é apoiado pela maioria

A maior parte da população considera que as eleições municipais deste ano, previstas para outubro, sejam adiadas devido ao impacto da crise do novo coronavírus. Para 62,5% dos entrevistados pela pesquisa, as eleições devem ser adiadas, enquanto 30,4% acham que o pleito deve ser mantido para a data prevista, apesar da crise. Outros 7,1% não souberam ou não quiseram responder.

Foram feitas 2.002 entrevistas por telefone, com respondentes de 494 municípios de 25 Unidades da Federação, entre os dias 7 a 10 de maio. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

Laudo da Fiocruz apresentado por Bolsonaro não tem CPF, RG nem data de nascimento; Anvisa proíbe

Rafael Moraes Moura, Lorenna Rodrigues, Mateus Vargas e Vinícius Valfré
O Estado de São Paulo

Nos dois exames do Sabin, constam codinomes (Airton Guedes e Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz), mas esses documentos informam dados pessoais do presidente da República - a data de nascimento, RG e CPF são do próprio Bolsonaro

Foto: Evaristo Sá / AFP
O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na saída do Palácio do Alvorada. 

Um dos três exames de covid-19 apresentados pelo presidente Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF) não possui CPF, RG, data de nascimento nem qualquer outra informação que vincule o laudo médico ao chefe do Executivo ou a qualquer outra pessoa. No papel da Fiocruz, atribuído pela Advocacia-Geral da União (AGU) a Bolsonaro, aparece apenas uma identificação de nome: “paciente 5”. O mesmo não ocorre nos outros dois laudos, feitos pelo laboratório Sabin.

Nos dois exames do Sabin, constam codinomes (Airton Guedes e Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz), mas esses documentos informam dados pessoais do presidente da República – a data de nascimento, RG e CPF são do próprio Bolsonaro.

Segundo a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, a legislação “impõe a correta identificação do paciente no momento da coleta de amostra biológica e da entrega do laudo, inclusive com a apresentação de documento de identidade civil”. A resolução 302/2005 da Anvisa exige que o laboratório clínico e o posto de coleta laboratorial solicitem ao paciente documento que comprove a sua identificação. O cadastro do paciente deve incluir número de registro de identificação do paciente gerado pelo laboratório, o nome dele; idade, sexo e procedência, entre outras informações.

A resolução também exige que o laudo da análise mostre “nome e registro de identificação do cliente no laboratório”, além de identificação do responsável técnico pelo exame, profissional que liberou a análise, entre outros registros.

“O que pode se dizer é que, pelo documento sozinho, não há garantia que o laudo é ou não é do presidente”, avaliou o professor de proteção de dados pessoais Alexandre Pacheco da Silva, da FGV Direito São Paulo.

Silva aponta que a vinculação do laudo do “paciente 5” ao presidente Jair Bolsonaro é feita em um outro papel, um ofício assinado pelo coordenador de Saúde da Presidência, o urologista Guilherme Guimarães Wimmer. “O que é complicado é que neste caso a gente espera receber essa informação do laboratório, que é um terceiro não interessado, e não daqueles que estão no próprio governo”, disse o especialista da FGV.

Em documento enviado à Secretaria-Geral da Presidência, Wimmer informou que recebeu em 6 de maio o resultado da Fiocruz da coleta feita em 17 de março.

“Em razão do estado de emergência em saúde pública decorrente do coronavírus e considerando a grande repercussão pela mídia sobre o estado de saúde do sr. presidente da República, foram adotadas medidas de segurança em relação aos exames, com o intuito da preservação da imagem e privacidade do presidente da República”, escreveu o médico.

“Nesse sentido os dados pessoais do presidente da República foram preservados, e o exame foi enviado ao laboratório da Fiocruz na cidade do Rio de Janeiro identificado como Paciente 05”, acrescentou Wimmer. Procurado pela reportagem, o urologista não respondeu.

No documento da Fiocruz, o solicitante do exame é o Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (LACEN-DF), vinculado ao governo do DF.

Antes do ministro Ricardo Lewandowksi determinar a divulgação dos exames, a Fiocruz informou que “recebeu e processou amostras enviadas pelo Palácio do Planalto, de acordo com o método de RT-PCR em Tempo Real”. Segundo a instituição, o material enviado “não tinha identificação” e “não constava, portanto, o nome do presidente”.

Procurada novamente pelo Estadão para comentar o modelo de divulgação dos laudos, a Fiocruz não se manifestou até a publicação deste texto.

A AGU entregou ao gabinete do ministro Ricardo Lewandowski um total de três exames, se antecipando a uma decisão do magistrado na análise de um recurso do Estadão que pedia a divulgação dos laudos. Foram feitas duas remessas. O teste da Fiocruz foi o último a ser entregue ao Supremo, na manhã desta quarta-feira./

Brasil passa de 10.000 mortes por covid-19, enquanto Bolsonaro anda de jet ski e chama pandemia de “neurose”

Breiller Pires
El Pais

Atacados por bolsonaristas em mais uma marcha, Congresso e STF decretam luto de três dias em homenagem às vítimas, enquanto o presidente fura outra vez as medidas de isolamento social

.CARL DE SOUZA / AFP
 Um funcionário do cemitério de Caju, no Rio de Janeiro, anda pelas covas 
do local neste sábado, usando roupas de proteção contra a covid-19

Um dia depois de confirmar o maior número de mortes em um dia por coronavírus desde o início da crise, o Brasil atingiu a marca de 10.627 vítimas. Assim, se tornou o sexto país com mais óbitos causados pela covid-19 no mundo, atrás dos Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Espanha e França. Segundo o Ministério da Saúde, foram notificados 730 óbitos nas últimas 24 horas, sendo que 234 mortes ocorreram nos últimos três dias. As mortes confirmadas neste sábado se aproximam do total de óbitos causados pela dengue em todo o ano de 2019 ―doença que ainda assola os brasileiros― quando morreram 782 pessoas. Das mais de 4 milhões de pessoas infectadas pelo vírus sars-cov-2 no mundo, 155.939 estão no Brasil.

Indiferente à curva ascendente da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro usou a tarde de sábado para andar de jet ski no Lago Paranoá, em Brasília. A bordo da moto aquática e sem máscara, tirou fotos com apoiadores que se aglomeraram em um deck para saudá-lo. Em vídeo gravado por tripulantes de um barco, que preparavam um churrasco e filmaram o encontro com o presidente, a autoridade máxima do país volta a menosprezar a gravidade da doença. “É uma neurose. 70% [da população] vai pegar o vírus”, disse. Porém, a curva de mortos pela covid-19 no Brasil dobrou em 10 dias: em 28 de abril, quando Bolsonaro reagiu com um “e daí?” às cifras daquele dia, eram 5.107. Último presidente a se deixar fotografar pilotando um jet ski, o senador Fernando Collor (PROS-AL) comentou de forma provocativa uma postagem que o comparava a Bolsonaro. “Se continuar assim, vai afundar.”

Bolsonaro preferiu recuar no convite que havia feito a ministros e integrantes do Governo para um churrasco no Palácio da Alvorada. Ao longo da semana, ele havia dito a apoiadores, com a presença da imprensa, que daria uma festa com o intuito de animar o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, que passa por problemas pessoais. No dia seguinte, enquanto crescia a repercussão negativa do anúncio do churrasco, disse em tom irônico para jornalistas que o evento receberia até 3.000 convidados em sua residência oficial. Porém, em seu Twitter, afirmou neste sábado pela manhã que o churrasco anunciado por ele mesmo era “fake”: atacou a imprensa e o Movimento Brasil Livre (MBL), que, depois de romper politicamente com o presidente, protocolou ação na Justiça contra o evento.

Enquanto Bolsonaro passeava de jet ski, manifestantes de ultradireita voltaram a desrespeitar as medidas de isolamento social recomendadas pela Organização Mundial da Saúde e autoridades médicas para percorrer ruas da cidade em mais uma carreata pela retomada da economia. Os principais alvos do protesto, que terminou em frente à Esplanada dos Ministérios, foram o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, agora visto como inimigo pelo Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

Às vésperas de o Brasil ultrapassar oficialmente a marca das 10.000 mortes por covid-19, o Congresso decretou luto de três dias em ato conjunto editado pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. “Este Parlamento, que representa o povo e o equilíbrio federativo desta nação, não está indiferente a este momento de perda, de tristeza e de pesar”, informa a nota assinada por líderes das casas legislativas. O STF também declarou luto em homenagem às vítimas da pandemia. “Precisamos, mais do que nunca, unir esforços, em solidariedade e fraternidade, em prol da preservação da vida e da saúde. A saída para esta crise está na união, no diálogo e na ação coordenada, amparada na ciência, entre os Poderes, as instituições, públicas e privadas, e todas as esferas da Federação desse vasto país”, afirmou o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo. 

Outra instituição que destoou do Governo neste sábado foi o Ministério Público Federal (MPF), que, por meio das Procuradorias da República de São Paulo e Rio de Janeiro, solicitou ao Ministério da Saúde um levantamento de informações sobre a taxa de ocupação dos leitos e a quantidade de respiradores pulmonares na rede privada de saúde. O órgão, que sugere a regulamentação dos pedidos de leitos privados por gestores públicos, recomenda que se torne obrigatório o registro de internações hospitalares dos casos suspeitos e confirmados de coronavírus em todos os estabelecimentos de saúde. Em nota, o MPF explica que a requisição de bens e serviços da saúde privada em uma situação de pandemia como a atual está prevista na Constituição. “Cabe ao Ministério da Saúde e secretarias locais adotarem a medida quando necessário, regulando o acesso à propriedade particular segundo as prioridades sanitárias de cada região”, aponta o comunicado.

Durante a semana, o ministro Nelson Teich afirmou ser contra a imposição de uso de leitos privados pelo Governo. Ele defende que, somente se o SUS entrar em colapso por causa das internações relacionadas ao coronavírus, o poder público deve abrir uma via de negociação com hospitais da iniciativa privada. “A gente tem que ser eficiente o bastante para fazer o SUS ser capaz de enfrentar [a pandemia]. Caso alcance o limite, tem que sentar com a saúde privada e a saúde suplementar, conversar e ver uma forma de trazer a saúde suplementar para fazer parte dessa solução como cooperação, e não como uma tomada de hospitais”, disse o ministro.