Observem as fotos abaixo:
A violência de lá...
... e a violência daqui !
A agressão à Paula ocorre quando a Suíça aprova referendo ratificando que estrangeiros da União Europeia podem morar, trabalhar e circular livremente por suas fronteiras. O "sim" teve 60%. Ou seja: 40% são contra a livre circulação -e os próprios imigrantes.
No Rio, em São Paulo, em Recife e em qualquer metrópole brasileira, o risco do turista estrangeiro é ser assaltado por pivetes armados, quando não acabam assassinados. Pivetes que pelas nossas leis,estarão livres e sem antecedentes ao completarem dezoito anos...
Nada, mas absolutamente nada justifica nem a primeira nem a segunda agressão. Trata-se de pura selvageria no seu grau mais hodierno, mais primitivo. Estupidez na última potência a que se pode elevar. Os agressores são a rapa mais primitiva no caldeirão das bestas “humanas”, se que é que debilóides que praticam um ato e outro podem ser classificados como “humanos”.
Lá, a violência se dá de forma eventual, devemos admitir, por mais revoltante que nos sintamos diante do fato. Aqui, a violência se tornou corriqueira, convivemos com ela no dia a dia, e determinados episódios, muitas vezes, não nos chamam mais a atenção, tamanho o grau de indignação rotineira com que somos assaltados. Tamanha a quantidade de pessoas que são assassinadas em todo o país.
Ao comentar o caso da advogada brasileira Paula Oliveira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (12) que "o governo brasileiro não pode aceitar e não pode ficar calado diante de tamanha violência contra uma brasileira no exterior". Contudo, se trata do mesmo senhor que deu recentemente, acolhida a um criminosos italiano que foi processado, julgado e condenado pelo assassinato de 4 pessoas em seu país, Itália, país que vive sua plenitude há bem mais tempo do que o Brasil. Este mesmo presidente, há questão de alguns dias atrás, chegou a declarar que o Brasil tem lições para dar no tratamento que dispensa aos imigrnates, esquecendo-se, porém, que nesta semana, completou-se quatro anos do assassinato da missionária norte-americano, Dorothy Stang, com o presidente do TJ-PA, Rômulo Nunes, disse que Regivaldo Galvão, o Taradão, acusado de ser o mandante do crime, será julgado "se possível ainda neste semestre". Alguém no governo até poderia listar para o senhor Lula quantos estrangeiros foram seqüestrados e assassinados nos últimos 12 meses (para que a lista não se estenda tanto), em todo o Brasil, seja na Bahia, no Amazonas, no Rio de Janeiro, fossem os estrangeiros alemães, franceses ou italianos.
Não, não estou justificando a violência dos outros com a nossa barbárie. Mas é preciso, contudo, antes de se criar mais conflitos, fazermos uma reflexão profunda sobre o nosso próprio comportamento, nossas atitudes e, principalmente, em que nossas autoridades tem falhado na questão da segurança e até da educação. Priscila, a estudante que sofreu as queimaduras mostradas acima, também estava grávida, porém, ela foi uma das muitas vítimas recentes, fruto da barbárie de jovens e suas “brincadeiras” com trotes universitários. Nossa juventude, aliás, em todas as camadas sócio-econômicas, e cada vez mais com maior incidência, vão demonstrando que, no Brasil, não temos a menor perspectiva de, no curto prazo, conter a barbárie,a selvageria, a violência extrema.
Vários foram os comentários que recebemos de brasileiros residentes no exterior sobre o estado de total abandono que lhes é dado pelos serviços consulares e embaixadas brasileiras no exterior. Eles tem sido alvo de agressões, constrangimentos e humilhações pelo simples fato de serem brasileiros, e não poderem contar, sequer, com o apoio e a assistência que lhes é devida por quem, dentre outros deveres, tem o de também prestar socorro a seus cidadãos fora de nossas fronteiras.
A reação, até surpreendente de Lula e de Celso Amorim, se dá por uma única razão: a tentativa canalha de desviarem a indignação dos europeus, sobretudo italianos, pelo refúgio concedido a um assassino condenado a prisão. Amorin chegou ao ponto de afirmar que a agressão à brasileira Paula se trata de "aparência evidente" de xenofobia.
Mas o caso da advogada Paula deveria servir de importante ponto de interrogação para o atual governo nos seguintes termos: não estaria o Brasil, de alguma forma, contribuindo também para se instalar aqui, esta mesma xenofobia e racismo ?
O Brasil é um repositório formidável de episódios do gênero. Não precisamos atravessar o Atlântico para ver cenas semelhantes e até mais violentas. A péssima qualidade de ensino, a verdadeira prioridade à Educação que não existe por aqui, a falta de real investimento em segurança, a tentativa torpe de se descriminalizar as drogas, o aborto, a legislação penal que permite liberdade para criminosos hediondos, condenados em primeira instância mas que ainda contam com os benefícios de ali se encontram às dezenas, as condições indignas dos presídios brasileiros, a eterna impunidade consagrada às elites políticas. Mas não apenas isto: há muito mais. E, um exemplo bem claro e próximo podemos observar neste fato:
Em clima de campanha no interior de Pernambuco, com direito a foto em cabine de trator e uso da camisa 10 do time de futebol local, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem a Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil e preferida do presidente à sua sucessão, que "olhe na cara" do sertanejo e perceba que ele é "diferente do povo de outros Estados".
"Você percebe na cara dessa gente sofrimento, expectativa", afirmou.
Nesta altura do campeonato, coitados dos pobres do restante do país! Para Lula, o sofrimento deles parece mais ... adocicado do que o dos outros. Quando um presidente cria este clima de antagonismo entre pessoas de um mesmo país, criando um clima divisional entre pretos e brancos (caso das cotas), entre pobres e ricos (eterno discurso das esquerdas), entre norte/nordeste com o sul/sudeste, que moral pode ter este mesmo presidente para se colocar na posição de crítico da violência, se ele próprio, no país que finge governar, pratica ações públicas que mais exacerbam sentimentos de puro racismo e xenofobia?
Quantos milhões, por exemplo, são desviados para eventos de pura marketing pessoal do senhor Lula, milhões estes que deixam de ser canalizados para a educação, saúde e segurança?
Nesta semana, o mundo todo relembra e homenageia Charles Darwin e sua teoria da evolução das espécies.
Mas diante da violência brutal, bárbara, estúpida, selvagem, que acomete o mundo de nossos dias, é de se perguntar: evolução de quem ?
