sexta-feira, fevereiro 13, 2009

É campanha fora de prazo e promoção pessoal. Cadê o TSE?

Adelson Elias Vasconcellos


Observem a foto acima e respondam: é ou não campanha eleitoral com promoção pessoal? Digam o que Lula e Dilma disserem, o fato é que se trata de uma transgressão flagrante da lei eleitoral e da própria constituição.

Nos últimos anos, o TSE tem sido quase implacável em relação a prefeitos, vereadores, governadores, combatendo o uso da máquina pública para que políticos ordinários promovam suas campanhas eleitorais.

Todo o evento que cercou a reunião de prefeitos e prefeitas em Brasília nesta semana, cheirou a campanha eleitoral explícita. A começar pelos convidados: eles não se circunscreviam apenas aos chefes dos executivos municipais, mas também, a seus familiares, assessores e secretários. Na organização do evento, o governo federal consumiu R$ 260,0 mil, além da apresentação de um pacote de bondades e discursos que beiravam a chantagem. Se o governo abria a bolsa de favores, todos ali estavam “convidados” a abraçarem a candidatura Dilma.

E onde o cheiro da sacanagem ficou mais evidente? Na tenda estendida para prefeitos, primeiras-damas e secretários municipais serem fotografados, e receberem uma fotomontagem onde aparecem entre o presidente e a ministra. Se não era uma reunião de promoção pessoal, por que a tenda da fotomontagem? Sabe-se, inclusive, que muitos políticos saíram de Brasília prometendo se empenhar para promover a imagem de Dilma em seus municípios.

E, como cretinice pouca, para esta gente, é bobagem, a data do evento foi escolhida a dedo para “coincidir” com os festejos de aniversário do PT, na mesma Brasília.

Mas não foi apenas nesta ocasião que se armou o palanque de campanha eleitoral pró-Dilma. Isto tem sido uma constante em todas as solenidades desde que Lula decidiu eleger seu sucessor (ou, no caso, sucessora).

Assim, é interessante e oportuno o comentário de um leitor no blog do Noblat, sob o título, “Para que tantos ministros” : “Se tem hidrelétrica para inaugurar é [com] Dilma; se tem 1 milhão de casas para fazer é [com] Dilma; se tem estrada para inaugurar é [com] Dilma; se tem présal é [com] Dima; se tem briga com o Meio Ambiente é com Dilma; se tem privatização de aeroporto é com Dima; se tem como evitar o desemprego é com Dilma; mas se tem crise econômica não é com Dilma.”

Somente agora, apesar de tudo o que a própria mídia nacional tem denunciado, é que os partidos de oposição resolveram acordar. Mesmo assim, foi dos democratas que partiu a iniciativa de denunciar a dupla à Justiça Eleitoral e pedir uma auditoria do TCU sobre as despesas do evento.

Por outro lado, os tucanos continuam alheios ao que se passa no país. Primeiro, que andam às turras pela reeleição seu líder. Segundo,. Discutem se farão prévias no partido para a escolha do seu candidato. Enquanto isso, a caravana eleitoral de Lula vai passando e,a continuarem os tucanos neste entrevero interno, acabarão eles, mais do que o próprio Lula, sendo os cabos eleitorais da Dilma.

Querem ver como o TSE tem sido omisso em relação a Lulae Dilma, mas muito atento a políticos de menor hierarquia, numa clara demonstração de dois pesos e duas medidas ?

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou ontem à noite, em decisão unânime, a cassação do mandato do deputado federal Juvenil Alves (PRTB-MG), por ter fraudado sua prestação de contas da campanha eleitoral de 2006. Foi mantida a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais ( TRE-MG,) que em abril de 2008 cassou o diploma do deputado.

Segundo o relator do recurso, ministro Joaquim Barbosa, ficou comprovada a existência de caixa dois na campanha de Alves por meio de correspondência eletrônica.

Em outra reportagem da Folha de São Paulo, lá está: TSE julga 8 governadores e abre debate sobre "3º turno". Portanto, se as regras são válidas para alguns, devem ser válidas para todos. Independentemente de quem as deixa de cumprir.

Não adianta Berzoini, presidente do PT, justificar que a oposição está denunciando a campanha eleitoral fora de prazo que Lula e Dilma têm feito, alegando que “...Isso tudo é só fumaça para tentar criar junto ao setor de jornais a impressão de que o presidente faz uso indevido da máquina". Se Berzoini tivesse um pingo de dignidade, voltaria um pouquinho no tempo, quando o seu partido ainda vivia na oposição, e se lembraria de que, por muito menos, o PT fez muito mais barulho e queixas. Portanto, apesar da tentativa cretina de justificar o que os fatos por si só desmentem de forma indiscutível, a dupla Lula e Dilma devem ser enquadrados sob o mesmo rigor legal.