sábado, setembro 25, 2010

Reservas, dívidas e mentiras: as ameaças à estabilidade econômica

Adelson Elias Vasconcellos

Bem, a gente tem confiar nos boletins do Banco Central, certo?

Segundo o boletim de agosto deste ano, a situação era a seguinte:

1.- Reservas internacionais; US$261,3 bilhões.

2- Dívida externa: US$235,4 bilhões.

O Luiz Inácio “disse” que o Brasil havia liquidado com a dívida externa, certo? Não liquidou, ele mentiu. O fato está registrado e disponível no site do Banco Central para quem se interessar.

Até porque, apenas por uma simples questão matemática, tivesse liquidado, não teria as reservas que tem. Certo?

Já a dívida interna aumentou mais um pouquinho: está, conforme vimos aqui, em R$ 1,6 trilhões.

Dentre a selva de relatórios do Banco Central, é possível constatar que o governo continua gastando mais do que arrecada. Cobrir a diferença só com duas alternativas, podendo ser aplicada ou uma ou outra, ou uma combinação de ambas: ou se aumenta a carga tributária gerando mais receitas para cobrir o excedente de gastos, ou se aumenta o estoque da dívida pública, com emissão de título no país e no exterior.

Há poucos dias, vimos que existe uma certa cautela quando se analisam os números da dívida pública. Em 2008, por exemplo, os gastos com a dívida (amortizações e juros) representavam 16,5% das exportações. Em dezembro passado, essa relação passou para 24,2%. Quer dizer, precisou-se de uma parcela maior das exportações para honrar os “serviços” da dívida externa. E mais: a dívida total do setor público, que em 2008 representava 42,4% da dívida externa total, passou a equivaler a 47,6%, isto é, quase à metade do endividamento.

Como no recente relatório houve acréscimo no estoque da dívida, representa dizer que não sentiremos grandes melhoras na situação acima.

Se a gente acrescentar uma pitada de pimenta nesta sopa de números, o gosto ficará meio ardido, e esta pitada seria justamente o saldo negativo nas contas externas, reparem: o déficit nas transações do Brasil com o exterior bateu novo recorde em valores nominais e alcançou o maior patamar na comparação do PIB (Produto Interno Bruto) desde o final do governo FHC.

Segundo dados do Banco Central, o resultado das transações externas, ficou negativo em US$ 2,86 bilhões no mês passado, maior valor para meses de agosto da série iniciada em 1947. Para setembro, a expectativa é de um déficit de US$ 3,8 bilhões.

No acumulado em 12 meses, o déficit chega a 2,32% do PIB, pior desde setembro de 2002 (2,57%). Em termos nominais, o resultado alcançou o recorde de US$ 45,8 bilhões.

O BC espera fechar o ano com um déficit de 2,49% do PIB ou US$ 49 bilhões. Para 2011, deve chegar a US$ 60 bilhões (2,78%).

Agora, vamos começar a embrulhar tudo isto para vermos a que conclusões podemos chegar: sabemos que o serviço da dívida pública vai consumir cerca de R$ 180 bilhões neste ano só com o serviço da dívida interna, mas o governo não informa o valor da externa..Se a gente olhar o quanto o governo arrecada com os impostos, vemos que o espaço para o investimento fica bem curtinho. Ontem, o impostômetro anunciava que a arrecadação atingira cerca de 875 bilhões. Apesar de que nos resta um trimestre cheio de arrecadação, já é possível projetar que, com o serviço da dívida interna, o país vai consumir em torno de 15% de sua arrecadação de impostos.

Mesmo que o governo realize com plenitude um superávit primário em torno de 3,0% - não vai chegar, sabemos – e tal índice já seria num cenário extremamente otimista, é possível constatar que ele será insuficiente para cobrir o serviço da dívida. Para cobrir a diferença será preciso aumentar a dívida mais ainda.

Vimos acima que o saldo nas transações externas fechará 2010 com déficit, em torno, de US$ 50 bilhões, e para 2011, este déficit fechará com cerca de US$ 60,0 bilhões.

Mas há outras preocupações: o saldo da balança de comércio exterior vem acusando rápida queda, em razão do câmbio com o real supervalorizado. As importações têm crescido em velocidade bem mais acentuada do que as exportações, e é bom lembrar que as exportações estão centradas quase que exclusivamente nas comodities, cujos preços internacionais se mantém nas nuvens.

Ou seja: olhando-se para todos estes números, mesmo que o país chegue a 7,0% de crescimento neste ano, e sabendo-se que este índice não sustentará daqui prá frente, será menor, não dá para sair achando que está tudo bem, não.

Vejam que em termos gerais, a supervalorização do real frente ao dólar, e muito além do razoável, vai trazer sérios transtornos no curto prazo. As transações correntes, por exemplo, vão continuar deficitárias, porque um dos fatores com enorme peso no saldo tem sido o crescente gasto de brasileiros no exterior, justamente em razão do câmbio. A balança comercial apresenta a mesma doença, e pode, em muito pouco tempo, no ritmo que vai indo, se tornar também deficitária. Muito embora o Banco Central não informe, o custo para que o dólar não se deprecie ainda mais, tem sido caro para o país.

Ora, se o câmbio é o problema, a solução não é tão simples assim: mexer na política cambial implica em ajustes em todas as políticas macroeconômicas atuais, e isto não se consegue sem um ajuste severo internamente. E para este ajuste ser feito, é preciso primeiro aceitar que o problema existe. Não temos isto. Até pelo contrário: o governo projeta continuar num ritmo crescente de gastos e aumento de sua participação em estatais. Assim, não fica espaço algum para reduzir juros cujo índice é um atrativo de peso para o ingresso de dólares que pressionam para cima a moeda nacional. Como também não fica espaço para reduzir carga tributária, porque, nestas condições, não é possível para o governo abrir mão de suas receitas..

Se ainda temos certa gordura para gastar diante de qualquer mudança no cenário externo, é preciso conhecer qual o custo desta gordura para o país.

Portanto, seja quem for o escolhido ou a escolhida para a sucessão, aceite ou não, goste ou não, terá que dedicar pelo menos meio mandato a corrigir a rota atual, sob pena e risco de comprometer o equilíbrio fiscal – que não é dos saudáveis – e, em consequência, comprometer a estabilidade econômica. Apesar do discurso oficial, quando digo que o equilíbrio fiscal do país não é dos mais saudáveis, é em razão de que ele só tem sido obtido mediante o emprego de malabarismo e truques contábeis, e isto tem limite.

Querem exemplo de magia nas contas públicas para “fechar” o superávit primário? É o caso presente da capitalização da Petrobrás. Olhem o detalhe: pela sua subscrição o governo deveria injetar no caixa da estatal 75 bilhões de dólares. Eu disse “deveria”. Mas... A União receberá cerca de R$ 75 bilhões pela cessão onerosa de quase cinco bilhões de barris de petróleo do pré-sal para a Petrobras. Esses recursos deveriam ser usados para capitalizar a empresa. Mas a estratégia adotada acabou sendo diferente. Como a BNDESPar também entrou na capitalização, o Tesouro não precisará desembolsar todo o valor. Ele pode emitir até R$ 45 bilhões em títulos para injetar na Petrobras. O restante será feito pela BNDESPar.

Dessa forma, na hora em que a Petrobras pagar os R$ 75 bilhões da cessão onerosa, o Tesouro terá uma sobra de R$ 30 bilhões para o superávit primário. Detalhe importante: meu amigo contribuinte, sem que você perceba, você estará pagando a conta. É isso aí... O governo eleva sua participação no capital da Petrobrás, e você, mesmo não tendo uma única ação, é quem acabará pagando a participação maior do Estado. Lula comemorou nestes termos: “É a maior capitalização de uma empresa na história do capitalismo mundial”. Esqueceu apenas de acrescentar que feita ...COM DINHEIRO PÚBLICO!

Sem dúvida: foi a maior capitalização na historia do capitalismo feita com dinheiro público... Seria de rir se não fosse trágico.

A propósito, recomendo a leitura do artigo da Miriam Leitão publicado logo abaixo, para que se tenha um quadro bastante real de como a economia do país vem sendo conduzida. E a conclusão a que chego é a seguinte: quando um carro, ladeira abaixo, ganho velocidade, freá-lo exige esforço e espaço maior para detê-lo. Se na descida, qualquer obstáculo se interpuser à nossa frente, o choque é inevitável. O governo Lula tem priorizado na área econômica, conduzir o país com medidas que fortalecem e engordam números positivos com olhos postos nas urnas. Não há compromisso com política de longo prazo em benefício da estabilidade em si. Tal direção perigosa, tem depreciado inúmeros indicadores conforme vimos acima, debilitando nosso equilíbrio fiscal, base de sustentação da estabilidade que nos garante o crescimento. Esta ação arriscada é que caracteriza o carro ladeira abaixo. Se o cenário externo se mantiver do jeito que está, teremos o tempo necessário para corrigir a rota, com certa segurança. Porém...

É bom saber que um país não pode ser governado, indefinidamente, do palanque. É preciso descer e enfrentar a realidade presente.

E Lula, agora, descobre o valor da humildade e resolve assoprar a imprensa, depois de morder. Já recorreu a essa mesma tática antes

Reinaldo Azevedo

Que o governo tenha um plano para controlar “a mídia” que vai muito além do “controle remoto”, para lembrar a piadinha de Dilma Rousseff, disso ninguém dúvida. A coisa está lá sendo gestada no Planalto, e seu operador é o companheiro Franklin Martins, cujas credenciais de amor à democracia são históricas e de todos conhecida. Os embates das duas últimas semanas, especialmente depois que as lambanças da Casa Civil vieram à tona, o provam. A conversa de José Dirceu com sindicalistas na Bahia também foram bastante emblemáticas da qualidade do debate que vai no PT: a “mídia” estaria associada ao “poder econômico” contra o partido… Imaginem! Como se os petistas tivessem deixado algum “poder econômico” para os outros…

A beligerância oficial contra o jornalismo atingiu o auge quando o presidente da República afirmou que a “mídia” era o verdadeiro partido de oposição e que ela deveria assumir que tem um candidato. Na sua cola, delinqüentes resolveram fazer um ato contra a “mídia golpista”. Alguns dos promotores da manifestação fracassada são assalariados do poder.

A sociedade civil anda meio anestesiada, mas não está morta. Entre o fim da tarde de quarta e a noite de ontem, mais de 32 mil pessoas já havia assinado o Manifesto em Defesa da Democracia. Ele não se limita a defender a liberdade de expressão; também cobra que o presidente Lula cumpra a lei e se comporte de acordo com o decoro que seu cargo exige. Em duas pesquisas de opinião, Datafolha e Ibope, a vantagem da petista Dilma Rousseff sobre seus oponentes caiu cinco pontos percentuais.

Lula, então, redescobriu o valor da humildade!

Ao discursar ontem num comício em Porto Alegre, afirmou:

“Quando a matéria dos jornais sai falando mal da gente, ninguém gosta. Quando fala bem, o ego da gente cresce. O que a gente precisa é ter humildade para nem ficar com muito ego quando fala bem nem ficar com muita raiva quando fala mal. A democracia é exatamente isso: cada um fala o que quer, escreve o que quer, transmite o que quer e o povo, na última hipótese, faz o grande julgamento”.

Fosse mesmo esse o seu pensamento, estaria QUASE tudo certo. É uma pena que este seja o Lula que acabou acuado por sua próprias palavras e que isso seja um mero recuo tático. Essas variações de humor, aliás, são típicas de um “pai” que gosta de exercer a sua “tirania amorosa”: ora afaga, ora dá porrada; o importante e demonstrar aos filhinhos quem tem a autoridade. Caia nessa conversa quem quiser. Já vimos esse filme antes.

A imprensa que ele satanizou durante duas semanas seguidas é aquela que demonstrou um propinoduto no coração de seu governo. E só por isso ele ficou tão bravo. Seus apaniguados não conseguiram nem mesmo reunir um número considerável de bate-paus para defender os ataques boçais que foram feitos à imprensa.

O “amor” do PT pela liberdade de imprensa será testado caso a criatura eleitoral de Lula seja bem-sucedida nas urnas:

1 - plano para controlar a imprensa existe; tentarão colocá-lo em prática?

2 - a delinqüência na Internet continuará a ser financiada com dinheiro público e de estatais?

3 - a verba publicitária do Ministério da Verdade continuará a ser empregada para comprar consciências e para financiar o jacobinismo a favor?

Escrevi que está QUASE tudo certo na sua fala acima — caso fosse sincera. O que há de errado nela: O POVO NÃO JULGA COISA NENHUMA, MEU SENHOR! Caso Dilma seja eleita, isso não quer dizer que a) ele concorda com a corrupção; b) que a corrupção não exista, e tudo seja mera guerra de versões, coisa da “imprensa livre”.

Qualquer que seja o resultado das urnas, a imprensa não está em julgamento, entendeu, presidente?

Operação tapa-buraco: Capitalização da Petrobras pode dar reforço de R$ 30 bi para superávit primário

Martha Beck, Gustavo Paul e Patrícia Duarte, O Globo

BRASÍLIA - A capitalização da Petrobras poderá dar ao governo um reforço de R$ 30 bilhões para o cumprimento da meta de superávit fiscal primário em 2010. Segundo técnicos do governo, a economia para o pagamento de juros da dívida pública ficará maior devido a uma triangulação do Tesouro Nacional com a BNDESPar - braço de investimentos do BNDES.

A operação foi montada pela equipe do secretário do Tesouro, Arno Augustin, diante do forte aumento dos investimentos públicos, especialmente os do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), este ano, que estão tornando difícil que se chegue aos 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) fixados para a meta.

A União receberá cerca de R$ 75 bilhões pela cessão onerosa de quase cinco bilhões de barris de petróleo do pré-sal para a Petrobras. Esses recursos deveriam ser usados para capitalizar a empresa. Mas a estratégia adotada acabou sendo diferente. Como a BNDESPar também entrou na capitalização, o Tesouro não precisará desembolsar todo o valor. Ele pode emitir até R$ 45 bilhões em títulos para injetar na Petrobras. O restante será feito pela BNDESPar.

Dessa forma, na hora em que a Petrobras pagar os R$ 75 bilhões da cessão onerosa, o Tesouro terá uma sobra de R$ 30 bilhões para o superávit primário. Segundo os técnicos, os números ainda estão sendo fechados, mas o quadro é de uma sobra significativa para a meta fiscal.

Até o fim do ano, esforço fiscal tem de dobrar
Diante dessa sobra, há quem diga na equipe econômica que, dependendo da forma como o Tesouro calibrar seus gastos este ano, ele poderá não precisar de todos os R$ 30 bilhões e ficar com uma sobra para outros fins, como dar mais fôlego ao BNDES. A emissão dos títulos para a capitalização deverá ser feita na próxima terça-feira e a liquidação, na quinta-feira.

Até julho, o superávit primário acumulado em 12 meses estava em 2,03% do PIB, ou R$ 68,64 bilhões. Quando se considera apenas o governo central (Tesouro, Previdência Social e Banco Central), a meta é de R$ 76 bilhões, mas até julho a economia para o pagamento de juros era de R$ 25,6 bilhões. Nos cinco meses seguintes, o desafio é entregar mais que o dobro do que já foi feito em sete meses.

Apesar de contar com recordes de arrecadação nos últimos meses em função do crescimento da economia, o Tesouro precisa administrar a forte elevação dos investimentos - de 63% até julho - com o crescimento natural das despesas que ocorre no fim do ano. Entre esses gastos está, por exemplo, o pagamento do décimo terceiro salário.

Outras manobras vêm sendo usadas pelos técnicos para reforçar o caixa. Entre elas está a antecipação de dividendos pagos por empresas estatais. Até agosto, esses valores chegaram a R$ 9,9 bilhões - 52% dos R$ 19,1 bilhões que o governo federal espera obter este ano. No ano passado, a estratégia foi parecida: a União recebeu R$ 10,4 bilhões no mesmo período. Historicamente, esses valores ficavam em torno de R$ 5 bilhões no primeiro semestre.

O governo considera cumprido o objetivo de elevar a participação da União na Petrobras após a capitalização da empresa, ao chegar preliminarmente a 48% do capital social, mesmo antes de fechar um lote adicional de 5% das ações. Embora os estrategistas políticos do Palácio do Planalto quisessem, por razões políticas, chegar ao controle total da empresa, com 50% mais uma das ações totais, a área técnica sempre argumentou que isso não fazia sentido econômico. Afinal, o poder de controle estava, e permanece, garantido pela participação com 57,5% das ações ordinárias (com direito a voto).

Meta era ter ao menos 45% do capital social da estatal
A meta era alcançar ao menos 45% do capital social (ações preferenciais mais as ordinárias), considerando o Tesouro e os demais entes públicos, controlados em última análise pela União (BNDES, BNDESPar, Caixa e Fundo Soberano). Sob esse aspecto, o resultado da operação foi comemorado nesta sexta-feira nos principais gabinetes do governo.

- Foi um sucesso completo. Houve grande demanda pelas ações da empresa. O governo e os agentes conseguiram ampliar sua fatia na Petrobras - disse um técnico envolvido.

Dentro da equipe econômica, avalia-se que os 48% são um resultado positivo, por duas razões. Ao aumentar sua parcela na estatal, a União receberá mais dividendos, e os minoritários não perderão sua influência.

- O governo vai receber mais dividendos. E os 48% não significam alterações fundamentais na articulação que o governo tem na estatal nem perda de influência dos demais acionistas. As obrigações com os minoritários não serão alteradas - afirmou outro técnico.

Nos bastidores, essa maior presença estatal resultante da capitalização é considerada de menor importância. Técnicos também rebateram as críticas de que o aumento da parcela pública pode ser negativo por dar maior margem a ingerências políticas na empresa:

- Quem fala isso revela um profundo desconhecimento do assunto. O governo já tinha controle do capital votante na empresa. A intenção nunca foi estatizar ou intervir.

Outra fonte lembrou que os 48% de participação podem crescer mais um pouco, já que a Petrobras pode ainda fazer mais uma oferta suplementar.

Ficha Limpa: culpem o Michel Temer, não o STF!

Adelson Elias Vasconcellos

Confesso que, apesar dos anos de vida, o pensamento brasileiro me assusta. Quem atravessou sua mocidade e juventude pelos anos 60 e 70, e assistiu a festa da reconquista da democracia nos anos 80, viu o país mergulhado numa hecatombe econômico-social na primeira metade da década de 90, para depois, emergir e depurar-se, arrumar-se e aprumar-se para iniciar um novo ciclo de crescimento e desenvolvimento de 1995 em diante, quem assistiu e presenciou o que fez o PT na oposição e seu comportamento vil no poder, não era para se surpreender com qualquer coisa.

Mas como a vida sempre nos prega peças e imprevistos, parece sempre haver espaço para a surpresa. Este é o caso da lei Ficha Limpa. Quem criou o ante-projeto e o encaminhou para o Congresso foi a população. Lá, seguiu todos os ritos que a lei determina até se chegar a um texto que foi submetido à votação para, em seguida, transformar-se em lei. Até aí, até aí ficou.

Em 2009, principalmente no segundo semestre, iniciou-se uma enorme pressão popular para que o projeto ganhasse maior velocidade. Por quê? Porque o ano seguinte, 2010, seria ano de eleições e, conforme exige a Constituição, para que a lei tivesse e produzisse efeitos agora, precisaria ser votada e aprovada no ano anterior ao pleito.

Contudo, o senhor Michel Temer, presidente da Câmara de Deputados, onde o projeto estava parado, por diferentes maneiras e vezes, afirmou que o projeto era importante sim, mas não ele não era prioritário. Este parlamentar segurou o quanto pode o encaminhamento do projeto à votação até que o ano se encerasse. E aqui, em novembro, acusei que no Congresso, tudo seria feito para retardar o Projeto Ficha Limpa até a virada do ano, para que seus efeitos não mais pudessem ser aplicados nesta eleição. Claro, sabemos que, pelo menos 1/3 do atual Congresso, é composto por gente com contas a ajustar na Justiça.

Mais pressão e, finalmente, o deputado Michel Temer, temendo prejuízo político para si mesmo, resolveu se mexer e encaminhar o projeto adiante. No Senado, o projeto seguiu a toque de caixa, foi aprovado, não sem antes, por emenda do senador Francisco Dornelles, do Rio de Janeiro, ter seu texto alterado. Tal alteração, em si, já seria suficiente para alongar o debate, no sentido de se definir se a alteração obrigava o retorno do projeto à Câmara ou seguia para a sanção presidencial.

No melhor estilo Odorico Paraguassú, vamos “deixar dos entretanto e partir pros finalmente”.

Senhores, o projeto foi aprovado e sancionado, tornando-se lei em 2010. Ela fixa regras novas para o registro de candidaturas. Se altera a regra eleitoral, deve ser submetido ao que determina a Constituição do país, e ela é clara quando fala da anualidade.

Os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso Mello e Cezar Peluzo, em seus votos, obedeceram estritamente ao texto constitucional. Todos reconhecerão a necessidade e urgência da Lei Ficha Limpa e sua importância para moralização dos costumes políticos. Todos concordam que ela deveria estar em vigor há muito tempo. Porém, ao não reconhecer para esta eleição os efeitos da lei, eles não agiram contra a sociedade como é possível se ler na imprensa e em alguns blogs, ou até em pronunciamento de alguns honoráveis, como o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, no dia de hoje.

Os ministros do STF que votaram contra, não o fizeram contrários à própria lei, mas contra a sua aplicação em 2010, por ser inconstitucional assim fazê-lo, e, em consequência, agiram em favor da própria sociedade ao preservar o cumprimento da exigência Constitucional. Como disse o ministro Marco Aurélio, em um oportuno aparte, ninguém ignora a importância da lei, contudo, não se pode aviltar a Constituição para encobrir o atraso do Congresso em votá-la. Perfeito e incontestável!!! Aliás, foi dele a pérola do dia: ao apresentou com ironia a solução para o desempate na votação: “vamos chamar o responsável pela não indicação do 11º ministro do Supremo”. Referia-se ao presidente Lula, a quem cabe a indicação.

A função suprema do STF é justamente ser guardião da Constituição, e não de tapar buracos provocados pela negligência do Poder Legislativo. É disso que se trata. É fácil imputar ao STF o carimbo de inimigo da sociedade. Mas quem assim procede, ou age por total ignorância de que, num regime democrático, o princípio básico a preservar é o estado de direito, ou pratica má fé.

Portanto, para todos o que lerem este artigo, o melhor que fazem é espalhar a informação correta, é contar a verdade dos fatos: se a Lei Ficha Limpa não pode produzir efeitos nesta eleição,culpe-se exclusivamente, o deputado Michel Temer, presidente da Câmara de Deputados, que conhecedor da Constituição, fez o que pode para retardar a votação do projeto em nome não da moralidade e probidade, e sim, para preservar do alcance da lei os aliados de sua corporação.

Porque, senhores, seria ridículo culparmos os ministros do STF, e destacadamente os cinco citados lá no alto, por terem cumprido a lei maior do país, por agirem no estrito cumprimento de sua função que é a preservação do Estado de Direito. Os demais, data vênia, que queriam que a lei já vigorasse neste pleito, não praticaram justiça, e sim, cometerem um ato de pura demagogia, um desnecessário populismo que não dignifica em nada o Poder Judiciário.

Em tempo: a propósito do senhor Michel Temer, e só para lembrar, o dito cujo vem a ser o vice-presidente da chapa de Dilma Rousseff. Se alguém quer queimar o judas da sociedade, dia 03 de outubro será uma bela oportunidade. O nosso Judas do ano de 2010 tem nome, sobrenome e número. E nem é preciso malhar a criatura em praça pública. É só não lembrá-lo na hora de votar, sacaram?

A política em estado de sofrimento

Marco Aurélio Nogueira - O Estado de S.Paulo

A poucos dias da ida de milhões de brasileiros às cabines de votação, não há festa cívica no País. Nunca antes tivemos um processo eleitoral tão insosso e despolitizado, tão vazio de elementos para que se entendam o mundo em que vivemos e o ciclo em que ingressaremos, sejam quem forem os próximos governantes.

Não vale a pena investir contra os políticos, ainda que a responsabilidade deles deva ser apontada. Talvez eles estejam sem forças, não tenham sabido reagir e deixaram engolir pela pasmaceira geral. Pode ser que somente sejam o produto da prevalência de um modo de fazer política que se deleita em disputar a atenção dos mais pobres em troca de promessas ilimitadas de abrigo e proteção - um populismo atualizado e matreiro, mas nem por isso menos deletério. Embalado pela adesão generalizada das massas e das elites do País, esse modo de fazer política encurralou a oposição democrática, fazendo dela uma caricatura, um corpo sem pernas e sem cabeça, erraticamente em busca do tempo perdido.

O mal-estar que acompanhou a campanha não é um produto mecânico da má qualidade dos políticos nem uma falha das instituições. Tem dimensão universal, pode ser sentido em outras partes do mundo. A perda de confiança na política, o desinteresse da opinião pública pelos políticos, a sensação generalizada de que trabalham mal, que mais criam do que resolvem problemas - tudo isso parece entranhado na cultura da época. Estamos perante um problema que está além de responsabilidades pessoais ou institucionais.

Há vida aqui fora. Os problemas e as dificuldades se repõem sem cessar, agravando desníveis e desigualdades. A sociedade manifesta sua insatisfação e suas contradições de diferentes maneiras, mas sua voz não assume forma política, não consegue se unir nem definir com clareza o alvo a atingir. Faltam-lhe operadores e recursos organizacionais. A política entrou em estado de sofrimento, a representação parece levitar, como se não tivesse bases de sustentação.

É o preço que se está pagando pelo ingresso da humanidade numa nova fase do capitalismo, movida a velocidade, tecnologia, consumo, fluxos ininterruptos de informação, conectividade permanente.

No caso brasileiro, para complicar, o Estado e a política estão confundidos pelo cruzamento de modernidade tardia e condição periférica: ficamos excessivamente modernos sem deixarmos de ser pobres, desiguais e atrasados. A mistura desses dois universos é terrível. Embaça tudo. As instituições políticas se mantêm, mas perdem eficácia e qualidade. Soltam-se da sociedade e passam a afastar os cidadãos das decisões referentes à coletividade. Os eleitores flutuam, sem saber ao certo o destino real de seu voto e sem compreender a lógica do sistema eleitoral.

Os políticos, por sua vez, não se mostram à altura dos tempos. Estão sem estatura técnica e intelectual, lealdade ao povo e uma ideia de País. Vítimas não inocentes desse sistema, os partidos sobrevivem, mas não participam das eleições como forças ideológicas ou programáticas coesas, não se comportam como expressão de movimentos orgânicos de opinião. Reduziram-se à luta pelo poder.

Os bons parlamentares - sim, eles existem - não parecem possuir peso e articulação suficientes para dar às Casas Legislativas a expressão que precisam ter, nem para desfazer a imagem negativa que as cerca. Com isso os cidadãos ficam despojados de uma instância confiável de representação política e de processamento democrático de demandas e reivindicações.

A propaganda eleitoral acentuou a gravidade da situação. Mais uma vez, foi marcada pelo mais puro bestialógico. Teve alguma serventia na parte dedicada aos cargos executivos, mas foi patética no caso dos candidatos às Assembleias Legislativas e ao Congresso Nacional. Apresentou-os a contragosto, como personagens secundários, aprisionados em camisas de força que os transformaram em marionetes e ventríloquos. Não deram espaço para debates que valorizassem o trabalho legislativo e explicassem sua importância para a população, ou que ao menos indicassem ao eleitor a relevância que esse ou aquele candidato tem no partido a que está vinculado.

Vista como medida de alto impacto democrático, por facilitar a comunicação dos políticos com os cidadãos e abrir espaços para todos os candidatos, a propaganda eleitoral gratuita sofre as consequências de um efeito não desejado: quanto mais é controlada e formatada pelo marketing, mais escapa do discernimento dos políticos, mais os degrada e mais rebaixa o discurso político. Apequena a política, entregando-a a jogos de cena histriônicos, acusações bombásticas, revelações sensacionalistas, traições inusitadas.

A política, no fundo, ajustou-se às exigências da época: também ela se tornou "visual" e "imagética", repleta de luzes e mercadorias. Ao fazer isso, passou a correr o risco de deixar de ser exatamente aquilo que mais se espera dela: um espaço de reflexão crítica sobre o Estado, de agregação cívica de interesses e expectativas, de firme confronto de ideias. Se a política não puder ser isso, se não privilegiar o debate público e não for uma espécie de viga que não se dobra nem à vontade dos poderosos nem aos hábitos passivos dos cidadãos, então se converte em mera luta pelo voto e em "gestão". Ou seja, vira quase nada.

Para descobrir por que as atuais eleições foram tão sem graça podemos ponderar que, diante de propostas que não lhe falaram à razão, que oscilaram entre a autoglorificação, o radicalismo verbal abstrato e o tecnicismo gerencial, que exibiram candidatos desencarnados de partidos ou correntes de ideias, o eleitor optou pela acomodação. Em vez de terem criado condições para uma reflexão coletiva sobre o País e o mundo, as eleições empurraram o cidadão para um conservadorismo defensivo e meio alienado. Talvez isso nos ajude a entender o que sairá das urnas.

(*) Professor Titular De Teoria Política da UNESP.

Lula é um exemplo de mentira e de má-fé

Adelson Elias Vasconcellos

Lula esteve em São Paulo, durante a cerimônia de início de negociação das novas ações da Petrobrás, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Leiam a notícia. Comento em seguida:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, em São Paulo, que o processo de capitalização da Petrobras foi uma das salvaguardas utilizadas pelo governo para que os recursos gerados com o petróleo e gás extraídos da camada pré-sal não fossem desperdiçados. Durante a cerimônia de início de negociação das novas ações da petrolífera, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Lula afirmou que se as riquezas tivessem sido descobertas em "outros tempos", elas poderiam ter sido "alienadas" do Estado brasileiro.

Lula afirmou que um Estado fraco nunca foi sinônimo de iniciativa privada forte e defendeu o planejamento do governo para exploração das reservas e futura utilização do dinheiro obtido com elas. O presidente disse que uma das metas será investir para que a educação pública tenha a mesma qualidade que as instituições de ensino privado.

O presidente disse que a capitalização da Petrobras serve como afirmação da empresa, de seus engenheiros e técnicos.

A pouco mais de três meses de deixar seu segundo mandato, Lula afirmou que há 10 anos passava na porta da bolsa de São Paulo e as pessoas "tremiam de medo" e o chamavam de "comedor de capitalismo".

"Nunca antes na história da humanidade tivemos um processo de capitalização da envergadura do que estamos fazendo aqui", disse Lula.

COMENTO:

Muito bem: desde que Lula assumiu em 2003, o seu esporte predileto tem sido o de demonizar o governo de Fernando Henrique, que o antecedeu no poder no período de 1995 a 2002, e terá sido esta ordem, primeiro FHC depois Lula, a razão direta para o sucesso que o país desfruta hoje.

E assim é porque jamais Lula poderia dizer o que hoje. Lula, em 1995, não teria encontrado o Brasil na situação que encontrou em 2003. Primeiro, a situação da economia mundial era débil, com média de crescimento entre 2 a 3% ao ano, e a situação econômica do país era caótica.

Teria encontrado, por certo, o Estado forte que propaga, já que o Estado brasileiro era repleto de estatais, mas nenhuma, a exceção da Petrobrás, gerava lucros ao Tesouro. Pelo contrário, seus déficits se sucediam e aumentam ano após ano. A dívida estava fora de controle, e praticamente nosso crédito era zero, o preço que se pagava pela moratória burra decretada anos antes no governo de José Sarney.

Praticamente, o melhor investimento que se podia fazer era jogar dinheiro na especulação financeira, em decorrência da correção monetária fruto de uma inflação sem controle. Tanto que, com o fim da inflação, inúmeros bancos quebraram. Não sabiam ganhar dinheiro fora dela. E quem era o indutor do descontrole e da inflação? O próprio Estado, face ao desregramento das contas públicas. A capacidade de investimento público era zero.

Nada do que está acima é opinativa. Os arquivos dos semanários e jornais estão aí mesmo para comprovar os fatos narrados.

Sorte de Lula, e do Brasil, FHC ter vindo antes e com uma equipe de técnicos competentes ter arrumado o país e dado ao Estado, a cara e a racionalidade que tem hoje.

Dentre tantas construções iniciadas e erguidas, uma foi a da quebra do monopólio da Petrobrás para exploração e prospecção de petróleo em águas profundas, coisa contra a qual Lula e o PT se rebelaram.

E não a coragem e determinação de FHC, jamais o país teria conhecido suas reservas de petróleo na camada pré-sal. Não foi a política quem descobriu a mina de ouro negro. Ele é herdeiro direto do trabalho anterior.

Jamais a Petrobrás foi alvo de qualquer processo de privatização. A quebra do monopólio foi justamente por falta de capital próprio para exploração, que exige alto investimento, e o que é pior, investimento de risco. Gasta-se uma fortuna na exploração em determinada área, sem a certeza de que ela dará o retorno necessário.

Dizer que “... se as riquezas tivessem sido descobertas em "outros tempos", elas poderiam ter sido "alienadas" do Estado brasileiro...” não apenas é uma mentira absurda: é má fé elevada ao seu grau máximo, é canalhice no seu estado mais puro. Antes de mais nada, alguém esqueceu de avisar ao presidente, de que, durante 1995 a 2002, período em que o país foi governado por FHC, a participação do governo na Petrobrás se manteve em ...50%. Com Lula e seu Estado forte, a participação caiu para 40% e agora, com a capitalização, tão exaltada, ela não irá além de 48%, se mantendo menor ainda do que era até 2002. E ao outro, contudo, é que ele acusa de alienar as riquezas do país.

Talvez, daqui alguns anos, alguém escrevendo a verdadeira historio destes tempos nebulosos, resolva expor ao Brasil sua própria realidade, e ao retirar o invólucro que encobre os fatos, as personagens, quem fez o quê, o país resgata com a decência merecida as realizações de um período de governo em que foi possível construir um futuro, aquele que Lula pode viver e alimentar-se até se empanturrar de glória. Se a Petrobrás se tornou a empresa que é hoje, não foi por consequência do trabalho ou do governo do senhor Lula da Silva. A semente do sucesso que hoje está colhendo se encontra num tempo em que ele e seu bando de chincaneros, iam para a porta da Bolsa de Valores não apenas para protestar, mas para agredir os investidores que ali entravam ou passavam. No dia em que aconteceu o leilão da Telebrás, o acesso dos investidores só foi possível porque havia forte policiamento, e mesmo assim, muitos foram agredidos de forma vil e covarde. Qual foi o resultado daquilo contra a qual Lula se rebelou? O telefone deixou de ser artigo de luxo, acabou-se o mercado negro das linhas telefônicas, e o telefone chegou aos mais pobres. Temos, hoje, mais de 190 milhões de celulares. E isto, não seria obtido com Estado forte aos tempos das estatais de telefone.

Lula pode se valer de sua extrema má fé para tentar emplacar sucessivas mentiras sobre a história brasileira. Mas os arquivos dos fatos estão à disposição para, no futuro, os fatos serem narrados na forma como se deram.

E diga-se: se a Petrobrás chegou onde chegou, se pode fortalecer-se e se tornar a segunda maior petrolífera do mundo, agradeça-se à determinação de quem, com a visão de futuro e amor ao país, soube resistir às pressões, para abrir o caminho que seria perseguido e alcançado no presente.

Não é necessário brigar com a verdade como Lula adora fazer, o próprio tempo se encarregará de mostrar que o Brasil, assim como não foi descoberto em 2003, seu processo de crescimento e modernização foram iniciados bem antes de Lula que, na época, foi seu maior opositor, e não o engenheiro construtor como tenta parecer.

Lula, num debate honesto, não resistiria nem cinco minutos quando confrontado com a verdade sobre o país e sobre si mesmo.

TSE nega liminar e mantém na internet vídeo anti-PT

Comentando a Notícia


Petismo reclama, mas em 2002 comparou rivais a ratos

O ministro Joelson Dias, do TSE, indeferiu pedido de liminar formulado pelo PT contra o vídeo que o PSDB levou à web na última quarta (22). Com sua decisão, Joelson manteve na internet a peça que a coligação de Dilma Rousseff queria retirar do ar.

Nas imagens, o PT é apresentado como "o partido que não gosta da imprensa”, Dilma é associada a José Dirceu e os petistas são comparados a cães rottweiler. (veja os vídeos abaixo)




Em sua petição, os advogados do comitê de Dilma argumentaram que o vídeo propala "informações sabidamente inverídicas e degradantes”. Anotaram que a propaganda, além de injuriosa e difamatória, “busca iludir o eleitor”.

Divulgado nesta sexta (23), o despacho do ministro Joelson responde que não ficou provado que a campanha de Serra é responsável pelo vídeo. O PT anexou à sua representação recortes de jornal. Mas o ministro considerou que “matérias jornalísticas” não constituem prova.

A decisão, por liminar, ainda depende de confirmação. A sentença definitiva só virá depois da análise do mérito da ação. Não há prazo definido.

Na prática, o PSDB já atingiu o seu propósito. Há dois dias, inquirido sobre o vídeo, Serra deu uma de João sem braço, como se diz. Declarou que seu comitê não havia encomendado o vídeo. Verdade. A encomenda é do PSDB. Afirmou que não foi informado e sequer viu as imagens. Ou seja, copiou o bordão preferencial de Lula quando seus companheiros são pegos em flagrante cometendo delitos: “eu não sabia de nada”

A coisa toda foi feita com o conhecimento do candidato, muito embora, justiça seja feita, o marqueteiro sequer admitiu a ideia de incluir os vídeos na campanha oficial do Serra.

A peça foi solicitada ao marqueteiro Adriano Gehres. O mesmo que, na campanha de 2006, ajudara a produzir comerciais contra o tucano Geraldo Alckmin, à época adversário de Lula 'Reeleitoral' da Silva.

Na propaganda, difundia-se a ideia de que Alckmin, se eleito, privatizaria estatais como o Banco do Brasil e a Petrobras.

Antes, na fase de pré-campanha de 2002, época em que Lula media forças com Serra, o mesmo PT que agora reclama da comparação com cães rottweiler levara ao ar, na TV, um comercial análogo.

Bolada pela equipe de Duda Mendonça, a publicidade associava a oposição a ratos (assista abaixo).

Agora, Dilma acusa Serra de instilar o “ódio”. Mas a baixaria vem de longe. E o PT não hesitou em lançar mão do recurso quando lhe pareceu adequado.

De minha parte, apesar dos vídeos serem de forte apelo eleitoral, eu ainda acrescentaria outros vídeos, e diretamente na campanha, esclarecendo coisas como o legado do PSDB para o PT e o que Lula manteve, a associação do governo Lula com regimes totalitários, a informação sobre o tal programa de direitos (dês)humanos lançados no final de 2009, as tentativas de cerceamento da liberdade de expressão, as quebras de sigilos fiscal em linguagem bem popular, o mensalão, os aloprados, e assim por diante. Havia muito combustível para incendiar o discurso ufanista de Dilma Rousseff. Pena que o marqueteiro Luiz Gonzales tenha preferido seguir uma estratégia inversa, que foi a de não fazer campanha.

Campanha Xô Corrupção -- 2002 / Ratos



Comentário do Reinaldo Azevedo:



PT tenta cassar vídeos com crítica política ao partido; Justiça Eleitoral nega liminar, e filmes continuam no ar

A campanha da petista Dilma Rousseff entrou ontem com um pedido no TSE para que um série de seis vídeos fossem retirados da Internet. Foi malsucedido. As peças fazem críticas ácidas ao PT e à sua candidata e são atribuídos a uma ala do PSDB. Luiz Gonzalez, marqueteiro do tucano José Serra, segundo se lê na imprensa, não gosta do trabalho. Os eleitores, pelo visto, adoraram. Em três dias, um dos arquivos saltou de pouco mais de 300 visitas para 148.729 — segundo o que se vê lá agora.

O ministro do TSE Joelson Barbosa negou a liminar pedida e disse não ser possível determinar que os vídeos sejam retirados do ar porque:

1 - A lei 9.504/97 (a Lei Eleitoral) estabelece, CATEGORICAMENTE, “que não serão admitidos cortes instantâneos ou qualquer tipo de censura prévia nos programas exibidos na televisão, no rádio ou na internet”;

2 - a propaganda na Internet “por meio de blogs, redes sociais, sítios de mensagens instantâneas e assemelhados” é autorizada;

3 - não cabe ao TSE entrar no mérito de conteúdo desse tipo de propaganda; essa atuação só é possível na “propaganda eleitoral gratuita propriamente”;

4 - ainda que estivesse provado, o que ele diz não estar, que a veiculação do vídeo é de responsabilidade da campanha de Serra, a legislação não “descarta a possibilidade de veiculação de propaganda eleitoral na Internet com atribuição indevida” - ou por outra: ele não vê lei que embase a suspensão da veiculação;

5 - o PT pede liminar alegando urgência, uma vez que haveria o risco de disseminação dos vídeos. Disseminado já está , diz o ministro.

Pois é… Além da questão técnica, exposta pelo ministro, há a moral. Os petistas reclamam de vídeos “agressivos” no YouTube, mas acham muito pudoroso que sua candidata acuse o governo anterior de ter levado as pessoas a consumir drogas, como Dilma fez ontem no debate da CNBB. Essa é a acusação mais incrivelmente estúpida feita nesta campanha. Seria o caso de tirar Dilma do ar? Ora…

Depósito bancário comprova propina de R$ 120 mil para filho de Erenice

Leandro Colon - O Estado de S.Paulo

Fábio Baracat fez a transferência para conta da consultoria de Israel Guerra 6 dias após a Anac dar permissão de voo à empresa MTA

Documentos bancários em poder da Polícia Federal, obtidos ontem pelo Estado, confirmam que o filho da ex-ministra Erenice Guerra recebeu propina de R$ 120 mil seis dias depois de a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) conceder permissão de voo à Master Top Linhas Aéreas (MTA).

Os papéis mostram ainda que Israel Guerra e seus sócios tentaram cobrar propina numa negociação para que a Infraero reduzisse, em fevereiro deste ano, uma multa de R$ 723 mil imposta à MTA por deixar um avião parado na pista por mais de 30 dias. O valor da propina, nesse caso, era de R$ 50 mil.

A polícia recebeu a documentação quinta-feira das mãos do empresário Fábio Baracat, que representava a MTA em Brasília. Pela primeira vez, documentos bancários comprovam o pagamento do lobby feito na Casa Civil. O escândalo derrubou Erenice Guerra da chefia da pasta.

O Estado teve acesso à integra das 16 páginas do depoimento prestado por Baracat e aos documentos que ele entregou à PF. O empresário disse que, num encontro com Erenice, em março deste ano, ela não cobrou o pagamento dos serviços prestados pelo filho, mas deu um "conselho" aos "presentes": "Erenice Guerra disse aos presentes que todos os compromissos assumidos, sejam políticos, pessoais ou profissionais, devem ser cumpridos".

Véspera de Natal. Um comprovante bancário mostra que, às 9h17 de 24 de dezembro de 2009, Baracat fez uma transferência eletrônica de sua conta bancária, no valor de R$ 120 mil, para a conta da Capital Assessoria, empresa de Israel Guerra e de Vinicius Castro, então assessor da Casa Civil. O pagamento foi feito seis dias depois de a Anac revogar, numa decisão emergencial, a punição que proibia a MTA de operar por falta de documentos.

E-mails entregues à PF mostram que a MTA foi orientada pelos lobistas a procurar a direção da Anac, incluindo a sua presidente, Solange Vieira. Ela já negou qualquer irregularidade no episódio. Segundo a Anac, a MTA apresentou a documentação necessária para reverter a punição.

Segundo Baracat, dos R$ 120 mil depositados na véspera de Natal, R$ 100 mil foram pelo lobby na Anac. O restante era a mensalidade que pagava aos lobistas do Palácio do Planalto desde outubro. O empresário contou que, no total, foram pagos, entre outubro e março, R$ 220 mil para a Capital - R$ 100 mil referentes ao episódio da Anac e R$ 120 mil divididos em seis parcelas mensais para as consultorias.

Os pagamentos eram feitos em dinheiro vivo e entregues em hotéis, ou na conta corrente da empresa e de Vinicius Castro. Baracat entregou à PF, além dos comprovantes de transferência, os recibos emitidos em março em nome da Capital Assessoria, com valores correspondentes a possíveis pagamentos anteriores. O empresário anexou também procurações e e-mails internos confirmando que representava os interesses da MTA, desmentindo a versão da empresa de que ele não tinha ligações profissionais com ela.

Os documentos revelam que, em fevereiro, a Capital se ofereceu para ajudar a MTA a sanear multa imposta pela Infraero por deixar um avião na pista por mais de 30 dias. Segundo o empresário, no mesmo mês a empresa "fez um pedido de isenção e encaminhou para o depoente. Que, em decorrência do serviço prestado pela Capital Assessoria houve a redução de aproximadamente 30% da multa que seria cobrada pela Infraero e o parcelamento da mesma". A multa de R$ 723 mil foi reduzida para R$ 121 mil.

Ele afirma que o filho de Erenice e seus sócios cobraram R$ 50 mil pelo serviço "extra". "O depoente entendeu que se tratava de pagamento de propina", diz o relato dele à PF. Segundo Baracat, o ex-assessor Vinicius Castro, que pediu demissão do cargo há duas semanas, disse que o dinheiro era necessário porque eles "tinham se comprometido com pessoas na Infraero e precisavam honrar com tal compromisso". Não houve, segundo ele, menção a nomes de pessoas envolvidas. A propina, disse o empresário, não foi paga e o episódio deu início ao rompimento entre eles.

O depoimento é longo e durou mais de cinco horas. Baracat foi um dos personagens da queda de Erenice Guerra da chefia da Casa Civil. Ele revelou o lobby do filho dela, Israel, dentro do governo. (Colaboraram Tânia Monteiro e Vannildo Mendes).

Lógica de palanque

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Sempre foi muito difícil conversar com Luiz Inácio da Silva e, pelo visto na entrevista ao Portal Terra, nada mudou.

Os oito anos na Presidência não serviram para que Lula aprendesse a atuar numa lógica diferente da que considera a disputa permanente o motor da vida. O mundo, as coisas para ele têm essa dimensão: há o nós, há o eles, há o objetivo e um só valor, o resultado.

O resto - os meios, os preços, a coerência, a decência, as circunstâncias, as consequências - não interessa. A dinâmica mental do presidente - isso fica nítido na esclarecedora entrevista - é apenas partidária.

Tanto que se define em um momento como "dirigente partidário", no outro diz que não exerce a Presidência com viés partidário e, no seguinte, defende seu direito de assumir "um lado" quando em época de eleições.

Lula acha que pode adaptar as regras da República à própria conveniência - uma delas a suspensão das obrigações presidenciais em períodos de campanha, sem sequer aludir à hipótese de pedir uma licença do cargo - e mede as pessoas por sua régua.

Acredita que todos competem o tempo todo. Exibe absoluta convicção de que os meios de comunicação disputam e que a informação é só um negócio de fachada.

Lula tem até razão quando defende que os veículos assumam suas posições político-eleitorais com clareza. Isso muitos fazem no mundo desenvolvido e aqui um ou outro até ensaia fazer.

Lula erra, contudo, quando generaliza e acha que toda crítica tem sentido partidário, que toda informação quando prejudica ou favorece alguém esconde uma motivação eleitoral.

Não percebe, por exemplo, que o que chama de "neutralidade disfarçada" muitas vezes ocorre exatamente por receio da patrulha e para não dar margem a desqualificações.

É manifestação da mesma visão atrasada que o faz desafiar jornais, revistas, rádios e televisões a entrarem na briga dos partidos. Se de um lado os veículos não assumem posições, de outro se o fizessem seriam alvos de acusações porque os políticos em geral - e os cidadãos também - não sabem separar o direito de opinar do dever de informar.

Ademais, há muitos, senão a maioria, que simplesmente não têm posição contra ou a favor de alguém. As pessoas podem adotar critérios que não os partidários. Por exemplo, a diferenciação entre certo e errado, legalidade e ilegalidade.

Quanto à defesa que Lula faz do próprio direito de assumir "um lado" na eleição, ninguém diz que ele não pode apoiar uma candidatura nem dar palpites.

Não pode é desrespeitar as leis, passar por cima do princípio da impessoalidade previsto na Constituição e ainda escarnecer do antecessor a quem hoje chama de "perdedor", mas a quem agradeceu a "imparcialidade" no processo, assim que foi eleito em outubro de 2002.

Contra-ataque.
A nova publicidade tucana que circula exclusivamente na internet é agressiva? Bastante. Agora, o conteúdo dos filmetes é indubitavelmente oposicionista, em tom muito diferente daquele adotado habitualmente pelo PSDB e que tem sido alvo de críticas por excessivamente ameno.

A propaganda lança mão de alegorias de tintas bem carregadas e, neste aspecto, luta com as armas adotadas desde sempre pelo PT e particularmente escolhidas para uso nesta eleição pelo presidente Lula.

Bonito de ver não é, mas em matéria de agressividade e ausência de civilidade no trato o PT e Lula são os últimos a poder reclamar.

Inclusive porque quando o trato é cortês confundem cortesia com covardia.

Dois pra lá, dois pra cá.
A rigor, a nova pesquisa Datafolha não registra "queda" nos índices de intenção de voto em Dilma Rousseff nem inversão de tendência.

Houve, para usar o jargão dos analistas, uma "oscilação para menos". O movimento parece mais uma acomodação normal à multiplicidade de posições existente no eleitorado.

Contas vermelhas

Míriam Leitão, O Globo

Quando fala em PAC, o governo e sua candidata vão além do trilhão. A verdade é outra: o Orçamento de 2010 prevê investimento de R$ 45 bilhões. Hoje, o investimento do governo federal está em 1,3% do PIB. Não mudou muito em relação ao passado. O que não para de crescer é a despesa corrente: pessoal, previdência, gastos de custeio. E a carga tributária de um terço do PIB.

Hoje, é preciso paciência para entender os indicadores das contas públicas, tal o delírio de alguns números preparados para o palanque. Além disso, os dados vão sendo mudados e não se parecem com eles mesmos, o que torna difícil qualquer comparação com anos anteriores.

As metas de superávit primário não apenas caíram, mas ficaram mais opacas, menos transparentes. Um dos inúmeros truques fiscais é ir descontando cada vez mais gastos da conta que vai se chegar à meta de superávit primário. Ouvi dois especialistas em contas públicas no programa que foi ao ar ontem na Globonews, Raul Velloso e Fábio Giambiagi, e os dois falaram desses "descontos" na meta.

— Antes, havia um rabicho na contabilidade que permitia descontar alguns gastos, mas essa possibilidade não foi usada nem no governo Fernando Henrique nem no começo do governo Lula. Agora, além da possibilidade que havia, estão sendo criadas novas fórmulas de desconto que vão tornando o número cada vez menos consistente — diz Giambiagi.

— A partir da crise, principalmente, começou uma licença para gastar e, agora, há uma licença para maquiar — diz Velloso.

Ele afirma que o problema com o gasto público é que ele "só sobe". Não há um ano em que caia. Por isso, a tendência é sempre preocupante, já que há anos de crescimento econômico e outros não. Giambiagi alerta para o momento da mudança do mundo.

— Hoje, os juros estão perto de zero no mundo, e o Brasil está com 10,75%. Parte da boa avaliação do país vem desses juros. Quando as taxas subirem lá, eles podem encarar o Brasil de outra maneira, precisamos estar preparados — diz Giambiagi.

Há uma armadilha nas contas brasileiras, segundo Raul Velloso.

— Os gastos sobem e, por isso, os juros têm de ficar altos, o que reduz o crescimento do país. Nós estamos escolhendo crescer pouco — diz.

Nenhum candidato gosta de falar onde vai cortar e, quando fala em ajuste fiscal, diz genericamente, citando apenas um hipotético "corte de desperdícios". A candidata Dilma Rousseff afirmou que falar de ajuste fiscal é burrice. O candidato José Serra prometeu aumento de 10% nas pensões e aposentadorias, além de um salário mínimo de R$ 600.

O ajuste fiscal não é burrice nem ideia rudimentar. É o que há de inteligente a fazer. Por várias razões: a carga tributária tem aumentado constantemente, o que significa que o Estado tem pedido cada vez mais ao cidadão. Nos últimos 16 anos, a carga tributária aumentou seis pontos percentuais do PIB, mas esse número, em breve, subirá, porque a queda do ano passado não é tendência. Em 2003, também caiu, mas voltou a subir no ano seguinte. Quando o cálculo da carga tributária de 2010 for divulgado, provavelmente, vai se constatar que ela subiu de novo. Se forem confirmados os números que estão sendo calculados com antecedência pelos especialistas, a carga saiu de 26% do PIB em 1995 para 35% em 2010. Uma trajetória sufocante para o contribuinte. É burrice não perceber a contradição fiscal do país: no seu melhor momento em anos, está aumentando sua carga tributária e ainda tem déficit nominal. Um país com essas características, é óbvio que precisa de um ajuste nas suas despesas.

Giambiagi mostrou no programa um gráfico impressionante. As despesas de aposentadorias e pensões, descontada a inflação, estão crescendo sistematicamente acima do crescimento do PIB, em alguns casos, o dobro do PIB. Em 2007, cresceu na mesma proporção, e o único ano em que não cresceu em termos reais foi 2008. O ano foi diferente dos outros, pelo combate do governo às fraudes no auxílio-doença. No ano passado, entretanto, para um PIB negativo ( -0,2%), o governo aumentou os gastos previdenciários em 7,5%. Uma insensatez, porque o Brasil está aumentando a carga sobre seus ombros exatamente no começo da subida do morro demográfico.

Por enquanto, alertam os especialistas, o Brasil ainda é um país de jovens, tem 25 milhões de aposentados para 190 milhões de habitantes. Esse é o começo do processo de envelhecimento da população e estamos crescendo o gasto com a previdência aceleradamente.

— Em 1988, o gasto da previdência era de 2,5% do PIB; hoje, é de 7,2%. Triplicou em 22 anos como proporção do PIB — conta Fábio Giambiagi.

Por enquanto, tudo parece bem, porque o mundo piorou tanto que, na comparação, o Brasil fica até bem. Mas isso só tranquiliza quem não vê o quadro inteiro. O país tem piorado muito mais do que aparece nos números, simplesmente porque os números vão paulatinamente deixando de ser confiáveis.

No Brasil, o Ministério da Fazenda sempre tentava controlar os gastos, enfrentando as pressões dos ministérios gastadores de todos os lados. Agora, ele passou a ser a central da gastança e, além disso, da produção de maquiagem contábil. O país conta com poucas barreiras. Esta semana, Marinus Marsico, procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, impediu que se fizesse mais uma manobra contábil para esconder os gastos, desta vez, com as renúncias fiscais.

Contexto internacional favorece a dívida externa

O Estado de S.Paulo

O estoque da dívida pública federal aumentou em agosto 1,04%, ficando equivalente a R$ 1,524 trilhão em dívida mobiliária interna e a R$ 93,5 bilhões em dívida externa. Enquanto a primeira cresceu 9% em oito meses, a segunda caiu 0,5% apenas por causa da valorização do real ante o dólar.

Atualmente se dá preferência à dívida externa, que tem prazos maiores e juros nitidamente menores, o que nos leva a considerar o efeito que poderá ter uma desvalorização da moeda nacional nas contas do governo.

No caso da dívida interna, o custo calculado sobre 12 meses passou de 10,89%, em julho, para 11%, em agosto, enquanto baixava de 4,27% para 3,23%, no caso da dívida externa. O aumento no primeiro caso parece anormal, dado o contexto de uma economia próspera em que os juros bancários baixaram. Mesmo levando em conta que o prazo médio da dívida interna aumentou de 3,43 anos para 3,64 anos, temos aí uma anomalia que se parece explicar pela importância dos títulos prefixados na composição da dívida, que acarreta uma certa rigidez do seu custo.

No caso da dívida externa a redução se explica, de um lado, pela nova valorização do real e pelo peso que teve, em agosto, a colocação soberana de bônus no exterior a custos menores. Uma desvalorização do real mudaria essa situação, embora o custo externo permanecesse abaixo do interno, que continua a refletir os anos de hiperinflação e a dúvida em relação à evolução dos preços nos próximos meses, especialmente com um novo governo.

No estoque da dívida externa pública, equivalente a US$ 93,50 bilhões, convém notar que a dívida mobiliária (em que predomina a emissão soberana de bônus) representa 78,08% do total, enquanto a dívida contratada tem participação de 20,49%. É necessário lembrar que o setor privado recorreu, nos últimos meses, em grande escala à emissão de títulos no mercado internacional, aproveitando-se de condições favoráveis - o que está produzindo uma forte elevação da dívida externa bruta total, que reduz a força das reservas do Brasil de mais de US$ 270 bilhões.

Mais uma vez é necessário destacar a necessidade de reduzir os juros não pagos por meio de um aumento do superávit primário: em agosto as emissões líquidas foram de RS 3,28 bilhões, mas o estoque da dívida cresceu muito mais com a apropriação de R$ 13,45 bilhões de juros que aumentaram a dívida pública. Ora, o único jeito de reduzir a dívida é ter um superávit primário maior, e sem truques contábeis.

Aragem de bom senso baixa a crise

Villas-Bôas Corrêa, publicado no blog do jornalista

Nada como uma noite de sono e momentos de reflexão para restabelecer o bom senso dos exaltados do governo e dos aflitos da oposição. Pois, em si mesma a contradição entrava pelos olhos e esbarrava no bom senso: não se sustenta uma campanha eleitoral com o governo, ao mesmo tempo, pedindo votos para a sua candidata Dilma Rousseff amplamente favorita e anunciando a raivosa disposição de ir para a rua defender a censura à imprensa.

O ato programado contra “a mídia golpista” reuniu em São Paulo cerca de 400 gatos-pingados no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo – que terão o resto da vida para socar no peito os murros do arrependimento. Diante do fiasco da indiferença popular, o ato virou um comício-de-bolso de apoio à candidata Dilma. E pelo menos escapou do ridículo. Na multidão que não dava para encher uma praça de subúrbio, o destaque para a presença do presidente do PCdoB, Renato Rabelo que, dono do palanque, soltou o vozeirão para a enfática repetição de frases fortes, como “Eles achavam que o candidato deles, José Serra, ia ganhar a eleição porque começou disparado”. Ninguém deve estar mais surpreendido do que o candidato tucano José Serra que jamais apareceu liderando uma pesquisa.

No mesmo embalo da língua solta, o presidente do poderoso PCdoB, incorporou a pitonisa para afirmar que a oposição “quer mesmo é uma tentativa golpista para impedir a eleição da candidata Dilma”.

O representante do Partido dos Trabalhadores não compareceu. O torneio oratório continuou com o discurso da representante do PSB-SP, a ex-petista deputado Luiza Erundina. E como a coerência é sempre uma das vítimas da oratória mambembe, a oradora virou a lógica pelo avesso: “sabem o por quê dessa reação nervosa, macartista?” Responde diante do silêncio do auditório: é por que não têm mais o controle dos meios de comunicação como tinham antes.” Mas, o Lula, o PT e o segundo time não mais esbravejam possessos na denúncia da parcialidade dos meios de comunicação, que inventam potocas como a roubalheira no Gabinete Civil da Presidência, que já fez vítimas como a sucessora de Dilma, Erenice Guerra e que arrastou a parentela no avanço ao cofre da Viúva.

Um documento lido pelo blogueiro Altamiro Borges, reclama da subprocuradora eleitoral, Sandra Cureau, uma devassa nos contratos publicitários, com a abertura das contas de empresas de comunicação como a Editora Abril, o Grupo Folha, o Estadão e a Organização Globo.

Outros oradores repetiram acusações à mídia para uma platéia que enchia uma sala. A multidão que deveria desfilar pelas avenidas e ruas de São Paulo e encher as praças, não compareceu. A noite estava fria e a oratória também.

O presidente Lula não foi visto, em Brasília, liderando a monumental marcha de milhões exigindo a censura à imprensa.

Atendeu aos conselhos do travesseiro e, muito bem disposto sobrevoou a região da BR-376 do Maringá. Antes de deixar Brasília, o presidente conversou com vários jornalistas. Lavou a alma nos desabafos. Confessou que foi enganado pela ex-ministra Erenice Guerra, que foi o braço-direito da ministra Dilma Rousseff na Casa Civil. E não foram as críticas da oposição que a derrubaram, mas as comprovadas denúncias de tráfico de influência, publicadas na imprensa, com a confirmação de documentos e testemunhos.

Lula dribla as contradições. Acha que os meios de comunicação deveriam anunciar seus partidos e candidatos – o que é o oposto da ética. E que a imprensa é livre para criticá-lo. Continuará participando da campanha de Dilma Rousseff.

“Tenho partido e tenho candidata” - num bom fecho de conversa.

Antes que seja tarde

Mauro Chaves - O Estado de S.Paulo

Inebriados ou intimidados pelos altos índices de popularidade de um chefe de Estado e governo - decorrentes das circunstâncias conjunturais favoráveis, da continuidade da política econômica do governo (adversário) anterior, da habilidade de ampliar bons programas sociais herdados e, sobretudo, da extraordinária capacidade de comunicação com as camadas mais desinformadas da população -, setores da mídia, entidades da sociedade civil e lideranças oposicionistas, uns por excesso de cautela e outros em conluio com beneficiários (financeiros, sindicais, corporativos) do neopatrimonialismo vigente, deixaram que o presidente de uma nação democrática ultrapassasse todos os limites do desrespeito civil e da desmoralização institucional, confundindo os interesses de Estado com os de seu partido e grupo de aliados.

Na obsessão de manter o poder, titereando quem inventou para a sua sucessão, não obedecendo a limite algum, no desprezo ao mínimo de escrúpulo que se exige da majestade de seu cargo, tratando com deboche exigências legais e decisões da Justiça, o presidente da República passou a torpedear a imprensa por esta ter trazido a público os indícios mais veementes de um amplo esquema de corrupção, nepotismo, tráfico de influência e crimes correlatos no núcleo central de seu governo, sua Casa Civil, estruturada e conduzida por aquela que se tornou candidata ungida à sua sucessão. É verdade que não tem sido só agora, na campanha eleitoral, que o presidente e seus áulicos - a exemplo do que se faz na Venezuela, na Argentina e na Bolívia - tentam amordaçar a imprensa, com vários projetos e mecanismos de um chamado "controle social" dos veículos de comunicação. Agora, porém, o chefe de Estado e governo foi longe demais, ao pregar, entre outras aberrações antidemocráticas, a extirpação de um partido político oposicionista e a assunção exclusiva, por sua pessoa e seu grupo partidário, da função de "opinião pública", que, nas democracias, a imprensa transmite e representa.

Se se confirmarem as projeções segundo as quais as forças governistas sairão das eleições, daqui a uma semana, com esmagadora maioria em ambas as Casas Legislativas federais, não se duvide de que mudanças substanciais nas garantias constitucionais da liberdade de expressão e de imprensa serão produzidas com singelas alterações de texto em dispositivos da Carta Magna vigente. Vejamos, a seguir, as que já devem ter sido redigidas por assessorias jurídicas de parlamentares federais integrantes da "opinião pública" oficial.

O artigo 5.º, IV, da Constituição, onde está escrito que "é livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato", ficará assim: "É livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato das fontes."

O artigo 5.º, IX, onde está escrito que "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença", ficará assim: "É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença, desde que fundamentada em informação correta e relevante interesse social."

O artigo 5.º, XIV, onde está escrito que "é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional", ficará assim: "É assegurado a todos o acesso à informação correta e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional e indispensável à segurança comunitária."

O artigo 206, onde está escrito que "o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber", ficará assim: "O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber, desde que estes não sejam incompatíveis com os ditames do interesse público e da justiça social."

O artigo 220, caput, onde está escrito que "a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição", ficará assim: "A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo legítimo ou veículo autorizado, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição." No parágrafo 1.º desse mesmo artigo, onde está que "nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social", estará que "nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade jornalística em qualquer veículo idôneo de comunicação social". E no parágrafo 2.º, onde está que "é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica ou artística", estará que "é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica ou artística, salvo se necessária ao impedimento de distorções interpretativas que possam influenciar eleitores em períodos eleitorais".

O bem redigido Manifesto em Defesa da Democracia, encabeçado por dom Paulo Evaristo Arns e subscrito por uma plêiade de intelectuais, juristas e acadêmicos de alta credibilidade pública, lido na simbólica tribuna em frente às Arcadas da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco - a mesma em que há 33 anos Goffredo da Silva Telles lançou a Carta aos Brasileiros, marco da redemocratização do País -, é uma semente de resistência, cívica e apartidária, dos que não se submetem, por que vantagens sejam, à destruição dos valores que devemos repassar às futuras gerações - entre os quais está a noção de que "acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático". É preciso impedir que destrocem esses pilares, antes que seja tarde.

(*) Jornalista, Advogado, Escritor e Administrador de Empresas

Multa de empresa teve redução de R$ 600 mil

Tânia Monteiro - O Estado de São Paulo

Infraero afirma ser comum e legal a negociação que beneficiou a MTA

Depois de negociar e questionar os valores, a MTA obteve, junto à Infraero, em março, a redução de R$ 723 mil para R$ 121 mil da taxa de armazenagem do avião DC 10/30 que ficou por 48 dias no aeroporto de Viracopos, em Campinas. O valor era devido porque a aeronave, importada pela MTA, ultrapassou os 30 dias de isenção previstos em lei para aguardar os desembaraços na Receita Federal, no pátio de Viracopos.

A Infraero informou que este tipo de negociação com as empresas é comum e legal quando elas apresentam recursos. Disse ainda que a MTA pediu isenção total da tarifa de armazenagem, o que foi negado. Pagou apenas valor proporcional ao período além dos 30 dias, previstos na portaria do Comando da Aeronáutica, "aplicável a qualquer empresa do setor". Várias outras empresas que pediram revisão de valores obtiveram a mesma redução de pagamento concedida à MTA, segundo a Infraero.

Liminares.
O governo estuda a alteração na legislação para a supressão da cobrança da taxa de armazenagem, quando se referir a aeronaves. Várias empresas já obtiveram liminares na Justiça eliminando a cobrança.

O avião da MTA pousou no aeroporto de Campinas em 5 de janeiro, mas a empresa enfrentou alguns problemas na Receita Federal para liberar a aeronave para voar no Brasil.

Primeiro, a MTA pediu prorrogação do prazo de 30 dias, para evitar o pagamento da taxa de armazenagem, o que foi negado. Depois, quando obteve a liberação do avião pela Receita, entrou com recurso na Infraero, em Brasília, em 25 de fevereiro deste ano, pedindo isenção da cobrança da tarifa de armazenagem. O recurso, segundo Fábio Baracat, foi preparado pela Capital Assessoria, do filho de Erenice. O documento, porém, só tem a assinatura da MTA.

No dia 3 de março, a gerência de cargas da Infraero de Campinas, para onde o processo foi encaminhado, deferiu parte do pedido. O final da negociação com a consequente liberação do avião para decolagem de Campinas só ocorreu em 20 de março.

A incoerência do Dirceu

Comentando a Notícia

Com o título Por uma Bienal livre e democrática, o petista José Dirceu escreveu um artigo publicado no blog do Noblat, em que protesta sobre o que, para ele, seriam dois golpes contra a democracia. Logo ele que, na Bahia, dias atrás criticou o excesso de liberdade de imprensa no Brasil. Mas do artigo, destaco um “primoroso” trecho que serve para ilustrar toda a incoerência desta gente quando se trata de discutir liberdades e direitos:

O primeiro caso é um triste exemplo. O argentino Roberto Jacoby iria apresentar a obra “El alma nunca piensa sin imagem”, na qual ele manifesta sua simpatia pela candidatura de Dilma Rousseff. Porém, o material foi retirado do evento por recomendação da Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo. Não é lógico supor que um eleitor seria influenciado a votar em candidatos petistas por causa de uma obra de arte, que jamais seria um ingrediente de desequilíbrio na disputa.

A obra do argentino é mais um estímulo para o debate político que antecede a ida às urnas, pela via artística. Poderia, inclusive, ensejar opiniões adversas, fortalecendo a discussão crítica, uma das qualidades da produção artística. Por isso, são absurdas a proibição e a repressão a essas manifestações. A decisão é, assim, despropositada.

COMENTO:
 Interessante este cidadão. Quando a Rede Globo de Televisão passou a inserir vt’s comemorativos dos seus 45 anos de existência, de que forma reagiu o PT? Pressionou pela retirada dos vt’s sob a alegação de que se tratava de propaganda subliminar em favor de Serra, cujo número na cédula (ou na urna eletrônica) está registrada como 45.

Acaso a propaganda mostrava Serra? Não. Acaso não é verdade que a Globo comemorava seus 45 anos? Sim. Então, o que uma coisa tem a ver com a outra, quando sequer a campanha havia começado? Já no caso da Bienal, se tratava de uma propaganda de Dilma Rousseff e, por mais artística que fosse a obra, era uma referência à uma candidata em campanha, portanto, com muito maior razão para ter vedada sua exibição do que os vt’s da Globo.

Portanto, sendo a favor, NÃO deve ser permitido, por razão maior do que os vt's da Rede Globo. Até porque o artista poderia ter feito sua homenagem a outra pessoa, ou personagem, como Madame Min, dos desenhos da Disney...

Mas se fosse o homenageado fosse o Serra, no caso da Bienal, por exemplo, Dirceu e PT teriam agido com os mesmos argumentos que se valeram para suspender os vt’s da Globo. A incoerência desta gente é um espanto!!!!

Do que o PT tem medo?

Comentando a Notícia

Reparem na notícia abaixo que nos traz Mônica Bergamo, Folha de S. Paulo. Comento em seguida:

PT contra exigência de dois documentos para votar

O diretório nacional do PT entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade no STF (Supremo Tribunal Federal) contra a lei que exige dois documentos (título de eleitor e outro documento oficial com foto) para que o eleitor vote no dia 3 de outubro.

O partido teme que a exigência faça aumentar a abstenção nas eleições deste ano.

A partir destas eleições, os eleitores são obrigados a apresentar o título de eleitor e um documento oficial com foto. Antes, era preciso levar apenas um dos dois.

Os eleitores têm até a próxima quinta-feira (30) para solicitar a segunda via do título. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu prorrogar por mais uma semana o prazo ao acatar, por unanimidade, sugestão do corregedor Aldir Passarinho Júnior.

Só poderão pedir a impressão do título os eleitores que se cadastraram até o dia 5 de maio.

Como documento oficial serão aceitos a carteira de identidade, carteira de trabalho ou de habilitação com foto, reservista e passaporte. Já as certidões de nascimento ou casamento não serão admitidas.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

A pergunta do título é pertinente, não? E então, vejamos:

a.- Pesquisas eleitorais: Se as pesquisas eleitorais refletem exatamente a vontade do eleitor, não havendo nenhuma manipulação, então a eleição está praticamente assegurada para a Dilma. Falta apenas a confirmação das urnas, certo? Assim, fica sem sentido o pedido de ADIN sobre a lei que pede dois documentos, um com foto, para que eleitor cumpra com seu dever/direito de votar em 03 de outubro;

b.- Urnas eletrônicas: Apesar da desconfiança mundial sobre a segurança e inviolabilidade das urnas, no Brasil, o TSE jura por todos os santos que o sistema é seguro e refletirá com 100% de certeza e segurança, o que os eleitores registrarem em 03 de outubro. Ora, neste caso, tanto faz o eleitor apresentar um ou dois documentos. A exigência de outro documento com foto, é para evitar que alguém voto mais de uma vez. Ou seja, a lei garante maior segurança à eleição, não havendo nem para preocupações, e tampouco para caracterizá-la como inconstitucional.

Então, torno a perguntar: do que tem medo o PT quanto a se acrescentar maior segurança ao pleito? Sinceramente, não vejo nenhum sentido no pedido encaminhado pelo PT ao STF.

E para os menos informados, registre-se que a lei foi aprovada há mais de um ano. E um dos homens que batalharam por ela foi o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Agora, enrolando-se na própria língua, Vacarezza desfiou uma “explicação” que não explica nada: “Na época, achamos que estaríamos promovendo uma melhoria na segurança do processo eleitoral, impressão que, depois, se mostrou errada. Eu faço a minha autocrítica por isso”. E lá vou eu com esta mania de perguntar: e o que mudou para ver na lei uma piora na segurança do pleito? Até pelo contrário, a lei acrescentou à eleição segurança e burocracia. Só. Nada além disso.

E afinal, do que o PT tem tanto medo? Mais ainda: e por que, somente a uma semana da eleição, ele pede que se declare a inconstitucionalidade da lei que ele mesmo quis aprovar? Sinceramente, mudar a regra do jogo, a 46 minutos do segundo tempo, convenhamos, não pega bem!!! A menos que...

A concentração anormal

Maria Helena R. R. de Sousa

Segundo o ministro Paulo Bernardo, há uma concentração anormal de denúncias nessa época. Ainda segundo o mesmo ministro, a publicação da denúncia é uma atividade normal da imprensa.

Puxa, que alívio!

E eu que pensava que essa concentração anormal, esse denuncismo desenfreado, fosse uma espécie de vodu! Uma mágica nova inventada e “copiraitada” pela imprensa brasileira, malvada e ingrata!

Mas não. E como palavra de ministro não volta atrás, fico tranquila. É uma atividade normal da imprensa.

Creio que o ministro deve essa explicação ao presidente Lula. O Chefe da Nação, além de estar vivendo aquele momento delicado em que vê a descida da rampa cada vez mais próxima, ainda está sofrendo por se imaginar vítima de um grupo de nove ou dez famílias que se uniram para acabar com a trajetória de sua candidata rumo ao Planalto, essencial para que a descida da já mencionada rampa não seja definitiva.

O ministro que, pelo visto, já absorveu bem o que é e para que serve a imprensa, podia aproveitar e ler para o presidente o artigo de hoje de Luiz Garcia na página 7 de O Globo, onde o Luiz explica muito bem que a “mídia! (leia-se imprensa) não é a turma da esquina que resolveu se unir contra o pobre e desprotegido governo.

Seria de bom alvitre, também (desculpem o alvitre, mas acabo de completar 73 anos e achei por bem começar a usar uma linguagem mais de acordo com minha idade), fazer ver ao presidente Lula que ou bem ele confirma que deve seu sucesso à imprensa, como foi dito por ele recentemente ao assinar a Declaração de Chapultepec, ou bem ele acusa a imprensa maligna de estar a fim de lhe usurpar a coroa. Ou sim, ou sopas.

Da minha parte, gostaria também que o presidente Lula explicasse porque acreditou piamente na informação que foi passada ao distinto público, pela imprensa, sobre as aventuras e desventuras de dona Erenice.

O presidente, após saber, repito, pela imprensa, dos feitos de dona Erenice, declarou que ela perdeu uma grande chance de ser uma grande funcionária pública.

Coitada, não?

O grupelho de nove ou dez famílias que está sempre inventando moda, incauto representante do macarthismo tupiniquim, segundo a brilhante dona Luiza Erundina, inventou essas denúncias e no ato o governo demitiu a fiel amiga de dona Dilma?

Sabemos todos que o presidente Lula, quando em palanque, incorpora o grande comunicador Chacrinha e que está ali para confundir e não para explicar, mas assim também já é exagero! A cabeça do eleitor fica inteiramente trumbicada e isso pode acabar se refletindo no dia 3 de outubro.

Quem avisa nem sempre amigo é, é verdade, mas o dado concreto é que as denúncias tinham fundamento e que o papel da imprensa está sendo brilhantemente cumprido: "a rotina de prestar serviços ao cidadão aqui fora" (ainda segundo Luiz Garcia em seu artigo “Porões e Salões”).

Em conclusão: a imprensa vai para o trono ou não vai?