quinta-feira, julho 18, 2013

Qual meta?

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

Em nome da clareza também seria bom para o debate que a presidente explicitasse a que meta de inflação se refere. Se 6% ou 6,5% ao ano estão dentro da meta, então o BC está errado em aumentar os juros

Disse ontem a presidente Dilma: "Temos certeza que vamos fechar o ano com a inflação dentro da meta".

Diz o Conselho Monetário Nacional : a meta de inflação é de 4,5%, considerando-se o índice do IBGE (o IPCA).

Logo, o Brasil chega a dezembro de 2013 com a inflação em 4,5%, certo?

Errado. Quer dizer, não é bem assim. Começa que ninguém, nem mesmo no governo, acredita que o IPCA termine o ano naquele nível. O próprio Banco Central, justamente o encarregado de acertar a meta, se compromete com um objetivo mais folgado: alcançar uma inflação menor que a do ano passado, que foi de 5,84%. Estará feliz com uns 5,80%, que é consenso entre analistas fora do governo.

Isso significa que a presidente, digamos, faltou com a verdade?

Bem, quer dizer, tem aqui um joguinho de palavras ou de conceitos. A mesma resolução do CMN que fixa a meta de 4,5% acrescenta: "com intervalo de tolerância" de dois pontos para mais ou para menos.

Quem for ao site do BC, encontrará informação com o mesmo conteúdo. Meta: 4,5%; banda, 2 pontos.

A regra, portanto, é clara. Os dois pontos são extra-meta, uma margem para acomodar momentos excepcionais em que ocorram eventos inesperados, fora do alcance dos controles do BC.

Pode ser desde uma guerra entre países do petróleo ou uma escassez de alimentos, eventos que provocam altas de preços. Nesses casos, em vez de agir imediatamente elevando juros, o BC topa conviver algum tempo com a inflação elevada.

Mas, pela lógica do sistema e pela prática mundial, inclusive brasileira, isso é necessariamente provisório. O BC deve organizar suas políticas para logo buscar de novo a meta.

Ocorre que a inflação no governo Dilma foi de 6,5% em 2011 e de 5,84% em 2012. Pela regra, comenta-se assim: a inflação esteve acima da meta mas dentro do intervalo ou banda de tolerância.

Mas aqui entra o jogo oficial de palavras: da presidente aos ministros e ao BC, passou-se a dizer que os 4,5% são o "valor central" de uma meta que vai até 6,5%. Torturaram a regra e a deixaram meio grogue.

Por isso que a presidente Dilma não dá o número. Ela diz que vamos ficar "dentro da meta". Só pela linguagem governamental passada e presente, pode-se concluir que é qualquer coisa abaixo de 6,51% - e esse é o novo objetivo oficial.

Mas por que estamos discutindo esses quase detalhes? Na verdade, a presidente tenta passar a conclusão de que a inflação está sob controle e em níveis aceitáveis.

Não está. Começa que os 4,5% já constituem uma meta elevada. Nos países emergentes, em geral, não passa de 3% - e vem sendo cumprida na maior parte dos casos. Aqui na vizinhança da América Latina, o nível mais alto depois do Brasil é do México, com 4% ao ano. (Claro, Argentina e Venezuela não contam, pela desorganização, assim como outras nações, como a Índia, pelo histórico de inflação elevada).

Além disso, uma inflação rodando a 6%, por tanto tempo, é danosa para a economia brasileira. Querem saber por que? Basta dar uma lida nos documentos recentes do BC, nos quais a instituição explica por que resolveu iniciar um processo de alta de juros. Se a inflação estivesse confortável e sob controle, o BC não precisaria elevar juros, não é mesmo?

No mesmo discurso de ontem, a presidente Dilma reclamou do "ambiente de pessimismo", criado a partir de suposta exploração de informações parciais e em "desrespeito aos dados, à lógica".

Pois em nome da clareza também seria bom para o debate que a presidente explicitasse a que meta de inflação se refere. Isso faz muita diferença. Por exemplo: se 6% ou 6,5% ao ano estão dentro da meta, então o BC está errado em aumentar os juros.

Por outro lado, se a meta é mesmo 4,5%, a taxa de juros precisa subir mais forte - e isso afetaria consumo e produção.

É exatamente a crítica que se tem feito ao governo: a falta de clareza na definição dos objetivos e na execução de política econômica.

E por falar em ambiente: todos os recentes índices de confiança, baseados em pesquisas junto ao consumidores e empresas, mostraram um aumento do pessimismo em relação à situação atual e futura da economia.

Estarão todos equivocados? Seriam todos vítimas dos críticos parciais? Ou seria melhor admitir que as pessoas sabem de si e de sua situação?

Insuportável
É evidente a necessidade de uma reforma tributária, se diz nos EUA: quem pode lidar com uma Receita Federal cujas regras ocupam 72.536 páginas (dado de 2011)?

Bom, se a gente considerar dez regras por página, teríamos 725 mil normas e uns quebrados.

Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, foram editadas no Brasil, desde a Constituição de 88, nada menos que 4,4 milhões de normas tributárias.

Tarefas de rotina para ministros de Dilma

José Nêumanne 
O Estado de SPaulo

Os ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, têm abandonado seus expedientes rotineiros para exercerem os cargos informais de espírito santo de orelha e papagaio de pirata de sua chefe, a presidente Dilma Rousseff. Nessa condição têm produzido sesquipedais ideias de jerico, tais como o golpinho sujo da Constituinte exclusiva para uma reforma política que ninguém pediu e da qual só os políticos, particularmente os petistas, se beneficiariam; e a empulhação do plebiscito prévio com igual objetivo. O máximo que conseguiram até agora foi a adesão da oposição, incompetente e alienada, que aceita a embromação de um referendo.

Melhor seria para os dois, para o governo a que servem, para a presidente a que obedecem e, sobretudo, para a sociedade, que paga com sacrifício seus salários com impostos escorchantes, que eles se dedicassem à rotina comezinha de suas funções públicas. O economista Mercadante, que se recusa a usar o sobrenome do pai, o general Oliva, serviçal da ditadura militar que assolou o País por 21 anos, de 1964 a 1985, faria um bem enorme às gerações futuras de brasileiros se resolvesse uma equação perversa que as condena à ignorância e a perder a competição na guerra planetária pelo conhecimento.

De acordo com levantamento feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), composta pelos 34 países mais ricos do mundo, o Brasil investe em educação pública 5,8% do produto interno bruto (PIB), praticamente o mesmo que Estados Unidos, Espanha e Coreia do Sul. Mas ocupa o 53.º lugar no ranking do desempenho escolar, conforme o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), exame que avalia habilidades em leitura, matemática e ciências, aplicado pela própria OCDE. Ou seja, embora mais recursos para o setor sejam bem-vindos, estes não são imprescindíveis para aprimorar a educação. Para tanto urge melhorar a gestão, e isso o ministro pode fazer já.

Não será um trabalho fácil. Mas não é uma tarefa impossível. Como difíceis, mas também possíveis, são algumas das missões de que seu colega no primeiro escalão do governo federal petista, o causídico Cardozo, não dá conta. Pode-se dar-lhe o benefício da compreensão das dificuldades que a Polícia Federal (PF), sua subordinada hierárquica, deve enfrentar para ter de desvendar crimes de toda natureza, particularmente os de colarinho branco. Mas tampouco se pode omitir o fato de que a instituição às vezes tem um desempenho exemplar em casos muito mais difíceis do que em outros, na aparência, bem mais simples, mas cuja solução tem sido adiada para as calendas.

Um exemplo desse paradoxo é o escabroso caso da compra pela Petrobrás de uma refinaria que pertencia à empresa Astra Oil em Pasadena, no Texas (EUA). Os belgas a adquiriram por US$ 42,5 milhões em 2005. Em 2006 a empresa, presidida por um ex-funcionário da estatal brasileira, vendeu metade do controle acionário dela à Petrobrás por US$ 360 milhões. O convívio entre os sócios foi perturbado pela necessidade de aporte de US$ 1,5 bilhão para a pequena refinaria, com capacidade para ínfimos 150 mil barris/dia, poder refinar o petróleo pesado extraído de poços brasileiros. Os belgas processaram a sócia e esta encerrou a questão na Justiça americana desembolsando mais US$ 839 milhões para assumir o controle total da refinaria. Ou seja, a Astra Oil embolsou, ao todo, US$ 1,199 bilhão: US$ 1,154 bilhão e quase 300 vezes mais que os US$ 42,5 milhões pagos por ela oito anos antes. O Ministério Público Federal no Estado do Rio resolveu investigar essa óbvia fraude e talvez a PF, sob as ordens do dr. Cardozo, desse uma extraordinária contribuição à Pátria se, ao cabo de uma investigação rigorosa, descobrisse quem recebeu a bilionária (em dólares) "comissão".

Outra tarefa rotineira a ser desincumbida pelo causídico Cardozo, se trocar as funções de Richelieu do Planalto por mais assiduidade no expediente no Ministério da Justiça, seria cobrar da PF a apuração rigorosa e imparcial das acusações feitas contra Rosemary Noronha na Operação Porto Seguro, que a própria PF encetou em novembro de 2012. Na ocasião, a PF informou ter flagrado as práticas de advocacia administrativa e tráfico de influência em altos escalões do governo federal. Entre os protagonistas do caso teve destaque a figura de Rosemary, dada como amiga muito íntima do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e flagrada interferindo pessoalmente na nomeação de quadrilheiros em cargos importantes da burocracia da União, inclusive uma direção da Agência Nacional de Águas. A então chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo, nomeada por Lula e mantida no cargo por Dilma a pedido do padrinho e antecessor, é acusada, entre outros malfeitos, de ter ajudado o ex-senador Gilberto Miranda a obter licenças para usar duas ilhas no litoral paulista. Essa ajuda teria sido recompensada com um cruzeiro (R$ 2.500), uma Mitsubishi Pajero TR4 (R$ 55 mil), uma cirurgia no ouvido (R$ 7.500) e móveis para a filha (R$ 5 mil).

Segundo a Veja, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, homem de confiança de Lula, teria tentado atrapalhar a investigação que a presidente mandou a chefe da Casa Civil, Gleisi Hofmann, fazer a respeito de Rosemary. Carvalho tentou se explicar no Senado. Mas a PF teria de investigar por que oligarcas da republiqueta petista foram prestimosos e atenderam aos pedidos de uma secretária de luxo.

A PF poderia ainda investigar denúncia da Folha de S.Paulo de ter a Caixa Econômica Federal liberado sem licença Bolsa Família na véspera da onda de boatos que causou corrida a agências da instituição, pela qual dignitários do governo e do PT, entre eles Dilma, acusaram adversários. É ou não é?

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Sobre o abandono da educação, acredito que os números são mais do convincentes: não o menor interesse em ver o povo brasileiro educado com qualidade. Sabem como é, povo educado se torna exigente e não aceita passivamente "isto que está aí" infestando e infernizando a vida de todos. Como Mercadante não tem mesmo a menor competência e sequer um projetinho mesmo que vagabundo, para promover um salto de qualidade à educação do país, procura se intrometer como sombra da presidente para ver se melhora o IBOPE... 

 É claro que o "garboso" Cardozo, ministro da Justiça,  pelo menos tem um discurso mais empolado do que Mercadante, e por isso, consegue mostrar competência em parecer competente...

Mas o ministro "Garboso" deveria mesmo é olhar para os números da segurança pública e se ater à sua pasta. Amanhã, demonstraremos aqui o estado lastimável da segurança pública no país. Aliás, ao lado da educação, saúde e  política econômica, segurança tem sido um dos temais mais recorrentes nas críticas aos governos petistas. 

Em seus dois mandatos, Lula lançou, de forma bombástica,  com pompa e majestade, cinco GRANDES plano para a área de segurança pública. Como o objetivo era produzir efeitos marqueteiros, não é preciso muito esforço para concluirmos que todos ficaram pelo meio do caminho. Alguns sequer saíram do papel. 

Dilma Rousseff, sua sucessora, incensada ao pedestal de grande gestora, já encaminhando para o final de seu mandato, não produziu sequer um meio plano. E o resultado, caros leitores, nós vamos exibir amanhã. A criminalidade no país, simplesmente, explodiu. O Brasil é hoje, graças aos mais de  10 anos de desgoverno petista, o sétimo país mais violento do mundo. Temos um dos piores indicadores educacionais planeta, e na área da saúde, bem, quem usa o SUS está mais perto da morte do que se não usá-lo. 

A isso eles chamam de "legado virtuoso" e sobre ele querem cantar as glórias de seu reinado. Se o que temos hoje, depois de dez anos de poder petista, é o que de melhor esta gente pode produzir, então, de fato, o povo está certíssimo em clamar por MUDANÇAS. Chega de incompetência. 


Modelo falido

Merval Pereira
O Globo

O economista Reinaldo Gonçalves, professor da UFRJ, é um crítico permanente do modelo de desenvolvimento adotado nos últimos 20 anos no país, que denomina Modelo Liberal Periférico, que na sua visão teria se agravado nos governos petistas de Lula e Dilma devido a uma política econômica equivocada e a um sistema político corrupto e clientelista.

Em seu recente trabalho “Déficit de governança e crise de legitimidade do Estado no Brasil”, Gonçalves analisa os protestos realizados no país em junho e, ao contrário da leitura predominante, atribui as suas causas não à insatisfação com as questões de mobilidade urbana, mas “a uma crise sistêmica que tem raízes estruturais e abarca graves problemas de governança e de legitimidade do Estado”. 

Ele considera “um equívoco” a exagerada a ênfase dada por pensadores de esquerda à influência do “inferno urbano” brasileiro nos protestos populares, pois “além de negligenciar as raízes estruturais da crise, este enfoque desconhece o papel dos catalisadores que são fenômeno recente e estão associados aos governos petistas (e seus aliados)”.

Esses “catalisadores” implicariam um país “invertebrado”, com a perda de legitimidade do Estado (executivo, legislativo e judiciário) e das instituições representativas da sociedade civil (partidos políticos, centrais sindicais e estudantis, organizações não-governamentais, etc.). “Trata-se de um social-liberalismo corrompido por patrimonialismo, clientelismo e corrupção e garantido pelo invertebramento e fragilidade da sociedade civil”, diz Gonçalves.

Segundo os estudos de Reinaldo Gonçalves, o Modelo Liberal Periférico tem tido fraco desempenho pelos padrões históricos brasileiros e pelos atuais padrões internacionais, inclusive durante os governos Lula e Dilma. Suas principais características são: liberalização, privatização e desregulação; subordinação e vulnerabilidade externa estrutural; e dominância do capital financeiro. Essa política gerou o que Gonçalves chama de " Brasil Negativado", que expressa a deterioração das condições econômicas e abarca o país, o governo, as empresas e as famílias. As finanças públicas se caracterizam por significativos desequilíbrios de fluxos e estoques, além, naturalmente, dos problemas epidêmicos de déficit de governança e superávit de corrupção (Gonçalves, 2013b). O aumento da dívida das empresas e famílias tem causado crescimento significativo da inadimplência. O aumento da negatividade é resultado da política de crédito fortemente expansionista no contexto de taxas de juros absurdas, fraco crescimento da renda, inoperância da atividade fiscalizadora e abuso de poder econômico por parte dos sistemas bancário e financeiro. Milhões de pessoas (pobres e classe média) estão perdendo o sono diariamente porque estão negativados, não conseguem pagar suas dívidas.. E isto causa sofrimento e revolta.

A distribuição limita-se à redistribuição incipiente da renda entre os distintos grupos da classe trabalhadora de tal forma que os interesses do grande capital são preservados, ou seja, não há mudanças na estrutura primária de distribuição de riqueza e renda no que se refere aos rendimentos da classe trabalhadora versus renda do capital.

Segundo Reinaldo Gonçalves, os governos petistas e seus aliados são os principais responsáveis por esta situação, que estaria levando o país ao que chama de “desenvolvimento às avessas”. Na visão do economista da UFRJ, “social-liberalismo corrompido só se consolidou visto que sustentado por transferências e políticas clientelistas e assistencialistas. Depois de 10 anos de governo há a falência do PT que tem sido absolutamente incapaz de realizar mudanças estruturais no país”.

Reinaldo Gonçalves diz que a probabilidade de que as revoltas populares atuais causem mudanças estruturais é pequena. Para ele, a trajetória futura é de instabilidade pelas seguintes razões: 1) a crise tem raízes estruturais; 2) a crise é sistêmica; 3) não é do interesse dos grupos dirigentes e dos setores dominantes realizar mudanças estruturais; e 4) no movimento popular não há convergência de entendimentos sobre as causas e responsabilidades da crise, nem sobre propostas de luta política.

O Brasil “entranha-se em trajetória de fraco desempenho econômico, com recorrentes momentos de instabilidade e crise, e embrenha-se em nuvens cinzentas que turvam o caminho do desenvolvimento social, político, ético e institucional em função dos problemas estruturais que não são enfrentados”, escreve Gonçalves.

Segundo seu estudo, o mais provável, é a repetição do nosso conhecido drama histórico: êxito no curto prazo da estratégia dos grupos dirigentes e dos setores dominantes, que contam com a perda de fôlego, exaustão e fadiga dos manifestantes.

"Eles me representam, sim"!

Maria Helena RR de Sousa
Brickmann & Associados Comunicação

...doloroso é o fato de Dilma Rousseff e seu Gabinete, certamente recordista em número de participantes, me representarem também. E graças a Deus que é assim. Não gostei quando não éramos representados por escolha popular. Nem um bocadinho. Aceito esse fato do qual não quero e não posso fugir...

De uns tempos para cá tenho lido, nas redes sociais, com bastante frequência quando se está falando de políticos, uma frase chavão com a opinião de leitores, cidadãos brasileiros: "ele (a) não me representa". 

Das primeiras vezes fui reler o texto. Quem sabe entrara, no meio da matéria, por um motivo qualquer, um deputado sueco ou um ministro iraniano e eu, a eterna distraída, não me dera conta? Mas não, era mesmo o que eu começara a ler: uma nota sobre um político brasileiro.

Como assim "ele não me representa"? 

Pois a mim qualquer deputado ou senador, junto com seus colegas de legislatura, me representa, sim. Porque o Congresso Nacional foi eleito pelo povo e como tal, nos representa. Para o bem, ou para o mal.

O que é ás vezes muito difícil de aguentar... Nisso eu concordo. Mas dizer que "ele (a) não me representa" é rematada tolice.

Porém mais doloroso é o fato de Dilma Rousseff e seu Gabinete, certamente recordista em número de participantes, me representarem também. E graças a Deus que é assim. Não gostei quando não éramos representados por escolha popular. Nem um bocadinho. 

Aceito esse fato do qual não quero e não posso fugir, mas isso não impede que eu reclame e até chore ao ler certas decisões que esses representantes, esquecidos do detalhe importantíssimo e voltados apenas para seus umbigos, tomam.

Por exemplo: dona Dilma, ofendida e revoltada com a humilhação sofrida pelo amigo Evo Morales, deitar falação contra as cruéis potências estrangeiras que puseram a vida do boliviano em risco ao lhe negar o direito de sobrevoar seus territórios. 

Se não fosse por um pequeno incidente, ela estaria coberta de razão: no final de 2012 o ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, foi destratado de forma ultrajante pelo governo boliviano, em um episódio que foi mantido em segredo até agora pelo governo brasileiro.

Amorim visitara La Paz e se preparava para decolar quando seu avião foi cercado e revistado, inclusive com cães farejadores, a mando do cocaleiro, desconfiado que o ex-chanceler do governo Lula levava um senador de oposição asilado na embaixada do Brasil.

A informação é de diplomatas e funcionários que não podem ser identificados, em razão de represálias.

A humilhação ao Brasil foi ainda maior, considerando que o ministro era transportado por um avião da FAB (Do blog Diário do Poder, do jornalista Cláudio Humberto)".

Realmente, não há nada como um dia atrás do outro e uma noite no meio. O ministro da Defesa do Gabinete Dilma Rousseff, que foi ministro das Relações Exteriores do Gabinete Lula, criava marolas gigantescas, sobretudo para o seu tamanho, quando alguém mencionava o Itamaraty de Celso Lafer. Lembrava logo que ele, O Amorim, nunca tirara os sapatos para nenhum oficial da Imigração dos EUA. Passava direto e com toda a deferência que merecia... 

Pois é, descalço não ficou nos States, mas teve uns bons cachorros bolivianos farejando o interior do avião onde estava e quiçá, se Deus andava atento nesse dia, também os sapatos que lhe protegiam os pés. 

Mas eu não posso ter o gosto de dizer que ele não me representa. É o ministro da Defesa de meu país e por isso, ao humilhá-lo, o Morales estava me humilhando. 

Só o que posso fazer é discordar das palavras sentidas que dona Dilma disse em meu nome também. Só isso. 

Dissimulação

Celso Ming  
O Estado de S.Paulo

A economia brasileira não está nos seus melhores dias, mas as coisas poderiam ficar um pouco mais fáceis se o governo admitisse a existência dos problemas.

Insistir em que o PIB vai cavalgar acima de 3% neste e nos próximos anos; que a inflação não é esse monstro antropófago apontado por economistas obsessivos e que, ao contrário, está em reversão; que a política fiscal não é tão expansionista quanto se propala nem geradora de serviços de baixa qualidade; que os investimentos, embora um pouco atrasados, estão sendo agilizados e mudando tudo...

Num momento de enorme déficit de confiança, essa retórica de dissimulação, que, em princípio, pretende manter elevado o moral da tropa e tudo o que consegue é esconder os problemas, dificulta o diagnóstico correto, impede a procura de soluções adequadas e aumenta o desânimo.

Parece óbvio que o potencial do crescimento da economia brasileira esbarra em obstáculos estruturais. A crise externa não pode ser tomada como a principal limitação quando o consumo interno cresce a mais de 3% ao ano (descontada a inflação) e tem de ser suprido cada vez mais com importações.

Os investimentos não fluem por diversos motivos. O principal deles é que o governo federal não sabe o que quer e sempre reluta a confiar ao setor privado os investimentos dos quais o Tesouro não consegue dar conta.

Embora algo menos aquecida do que há meses, a situação do emprego também é um limitador da expansão da atividade econômica. Se com esse crescimento aí, provavelmente inferior a 2% ao ano, a economia vive momento próximo do pleno emprego, mais apertado estaria o mercado de trabalho se o PIB se expandisse a 3,0% ou 4,0%.

A cada sinal de desaceleração, o governo reage com aumento do gasto público, como se o que faltasse fosse apenas combustível para as máquinas. E, no entanto, o motor vai queimando óleo porque a qualidade da despesa pública é ruim.

Se houve uma mensagem clara das manifestações de junho foi a de que o Estado está emperrado e é ineficiente. Como pode funcionar um governo com 39 ministérios? Que empresa privada tem tantas diretorias? E, no entanto, também aí o governo quer estar sempre com a razão e se mostra avesso a autocríticas.

Se insistir em ampliar ainda mais suas despesas, tirará eficácia à política de juros. Nessas condições, o Banco Central terá de redobrar o aperto monetário para tentar compensar com mais juros o jogo contra da política fiscal.

A falta de sinceridade das autoridades é fator adicional que mina as expectativas. Se insiste em pintar a paisagem de rosa ou em negar a verdadeira dimensão dos fatos, não há como mobilizar a sociedade para os desafios que estão aí. As incertezas parecem ainda maiores do que são, o empresário se fecha na retranca, os investidores externos se desfazem de negócios para fazer caixa e repatriar capitais. O resultado é retração da demanda e o adiamento das soluções.

O reconhecimento da existência desses problemas seria o melhor recomeço.

Que meta, presidente?

Thais Herédia 
Portal G1

A presidente Dilma Rousseff disse aos participantes da reunião de seu “conselhão” econômico ter certeza de que a inflação deste ano ficará dentro da meta. Se a presidente se refere ao intervalo de tolerância do sistema de metas para inflação adotado pelo Brasil, ela está correta. Porque a meta estipulada para este ano é de 4,5%. Se o índice oficial, o IPCA, ficar até 2 pontos percentuais acima (ou seja, até 6,5%) ou abaixo da meta, considera-se cumprida a missão do Banco Central.

Dilma também criticou quem critica o governo porque, segundo ela, “há dados concretos que desmentem análises negativas. O barulho tem sido muito maior que o fato. Temos dificuldade sim, mas temos também uma situação hoje que não se compara com nenhum momento no passado”.

Sobre a inflação, os fatos são: em 2011 o IPCA fechou em 6,5% (ufa!); em 2012 ficou em 5,84%. Para 2013, as estimativas coletadas para o BC indicam uma inflação de 5,80%. Para 2014, o próprio BC já reconheceu que ela pode chegar a 6%. Ou seja, estamos bem longe da meta de inflação, propriamente dita, neste e no ano que vem. Por isso o BC começou a subir os juros.

Ainda sobre inflação, ela seria muito maior sem as desonerações dos produtos da cesta básica, sem a redução das contas da energia elétrica e sem o reajuste dos transportes. E ainda assim ela roda hoje em 6,7%.

Dilma Rousseff tem razão quando diz que sofremos “choques” que não estão sob o nosso controle, como a quebra das safras dos grãos no exterior que gerou alta inesperada dos preços. Mas os choques acontecem e é preciso ter um certo colchão para amortecê-los, assim o custo para trazer a inflação de volta é menor. Estamos sem colchão, sem lençol e sem travesseiro.

Sobre as contas públicas, os fatos são: vamos para um segundo ano seguido de não cumprimento da meta (outra meta) de superávit primário – poupança para o pagamento dos juros. Tão grave quanto isso é a tentativa do governo de suavizar o compromisso com essa economia, criando malabarismos contábeis para justificar a não entrega do resultado.

A presidente também tem razão quando diz que a dívida pública está em melhores condições do que no passado. Mas essa vantagem só permanece se for cultivada. O que certamente não acontece quando o governo não consegue cobrir os custos do que deve sem prejudicar os investimentos.

Ainda se estivéssemos crescendo com mais “robustez”, seria menos doloroso cortar gastos (também para ajudar a inflação). Ainda que estivéssemos com a inflação dentro da meta, custaria menos à sociedade o esforço para baixá-la. Para entender o que quer o governo, seria preciso enxergar qual a meta que persegue a presidente.

A crise maior é de confiança

O Estado de S.Paulo

O governo terá de cuidar com urgência de dois problemas, se quiser comandar uma reativação econômica puxada pelo investimento. Precisará restabelecer a confiança de empresários e consumidores, fortemente reduzida depois de mais um semestre de inflação alta, baixo crescimento e muita incompetência na maior parte da administração pública.

A onda nacional de mau humor, confirmada por uma série de sondagens, como a nova pesquisa CNT/MDA, está refletida na sensível piora de avaliação do governo e da presidente Dilma Rousseff. O outro grande problema é a baixa eficiência do próprio setor público, incapaz de cumprir a maior parte de suas promessas e, de modo especial, de destravar e pôr em movimento os programas e projetos indispensáveis a uma retomada firme do crescimento.

Se a presidente e sua equipe exibirem mais seriedade e competência do que mostraram até agora, poderão mais facilmente fixar um rumo para a economia nacional e influenciar de forma positiva as expectativas dos agentes particulares. Nada conseguirão, no entanto, com mais bravatas e tentativas de enfeitar um cenário muito feio.

Três sondagens divulgadas ontem evidenciaram de novo a crise de confiança no governo e nas perspectivas da economia. Em apenas um mês, de junho para julho, a avaliação positiva da administração federal caiu de 54,2% para 31,3%, segundo a pesquisa CNT/MDA. No mesmo período, a expectativa de melhora da situação do emprego diminuiu de 39,6% para 32% e a de piora quase dobrou, passando de 11,5% para 20,4%. A esperança de aumento da renda mensal encolheu de 35,8% para 29,6%.

Outra pesquisa importante, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou uma nova queda do Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei). Com a redução de 54,8 para 49,9 pontos, o indicador chegou em julho ao nível mais baixo desde abril de 2009, quando o País ainda experimentava os efeitos da recessão iniciada no fim do ano anterior. O Icei varia de zero a 100 e valores acima de 50 indicam empresários confiantes.

Houve piora tanto da avaliação das condições atuais da economia e da empresa, comparadas com as dos seis meses anteriores, quanto da expectativa para os seis meses seguintes.

O indicador de confiança diminuiu nos três grandes segmentos industriais, mais acentuadamente no setor de transformação do que na construção e na mineração.

O quadro é perfeitamente compatível com a piora dos indicadores de produção e de emprego divulgados nas últimas semanas por entidades oficiais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e por associações privadas. Também ontem a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) apresentou os dados de emprego do mês passado.

O nível caiu 0,23% de maio para junho, descontados os fatores sazonais, e ficou 1,05% abaixo do registrado um ano antes. No primeiro semestre, o índice foi 2,31% superior ao de um ano antes, graças, em grande parte, à expectativa de reativação dos negócios. Mas antes de junho essa expectativa já começou a se esvair.

O resultado do semestre reflete o panorama da economia em 2013, com uma atividade industrial "aquém das expectativas", comentou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini. Quanto à estimativa para os meses seguintes, acrescentou, é "nada alvissareira".

Até agora, a presidente e sua equipe se mostraram preocupadas principalmente com os efeitos eleitorais da piora de sua imagem. Todas as suas respostas, até agora, foram obviamente orientadas por uma visão de marketing de campanha. Nada foi feito para motivar a recuperação da confiança na evolução da economia e, de modo especial, na gestão econômica do governo a partir deste semestre.

Ao contrário: os anúncios mais notáveis, nesse campo, foram de mais truques para maquiar as contas públicas. Como reavivar a confiança dos cidadãos, se nem o governo pode acreditar no próprio discurso?

Para Lula, problema do Brasil é o seu sucesso

Josias de Souza


Existem muitas teorias sobre o movimento que levou mais de 1 milhão de pessoas às ruas no outono brasileiro. Mas nenhuma explicação é tão extraordinária quanto a que Lula expôs em artigo distribuído pela agência de notícias do The New York Times. Para ele, o Brasil desceu ao asfalto porque é um país das maravilhas.

Lula atribuiu o tsunami de protestos ao “sucesso econômico, político e social” obtido nos dez anos de inquilinato do PT no Planalto. A pobreza e a desigualdade foram reduzidas, disse ele. Há mais jovens nas universidades. Famílias pobres compraram carro e passaram viajar de avião. E o brasileiro, tomado por uma sensação de incômoda felicidade, foi às ruas para pedir mais.

Lula teorizou: é natural que os jovens desejem mais, especialmente aqueles que têm coisas que seus pais nunca tiveram. Ele realçou: o Brasil não é o Egito nem a Tunísia. Aqui há democracia. O Brasil tampouco é a Espanha ou a Grécia. Aqui o desemprego é baixo. A expansão econômica e social não tem paralelos na história.

No Brasil das maravilhas de Lula, o número de estudantes universitários dobrou. Mas a rapaziada não aprendeu muita coisa. Os jovens não sabem o que foi a repressão da ditadura militar nos anos 60 e 70. Eles não sofreram com a inflação galopante dos anos 80. Não se lembram da estagnação e do desemprego que tisnaram os anos 90. Empunham faixas e cartazes porque o Brasil, antes de conhecer a extrema felicidade, já foi infeliz e eles não sabiam.

Políticos, cientistas e jornalistas torram os miolos em busca das explicações para o que se passou em junho. Com Lula a coisa é bem mais simples. Ele dispensa o estudo aprofundado. Dá de ombros para a exegese de coincidências e fatos obscuros. Lula manuseia verdades religiosas, quase dogmáticas. Além de chegar facilmente às explicações unificadoras, ele se autodispensa de pensar.

Lula contesta os especialistas que enxergam nas ruas uma rejeição à política. Dá-se justamente o contrário, ele acredita. Autoproclamado porta-voz do meio-fio, ele ensina que os manifestantes buscam aprofundar a democracia, incentivando as pessoas a participar do processo.

Até aqui, a participação mais efetiva da rapaziada foi a tomada das bandeiras vermelhas, a expulsão dos militantes partidários das passeatas, e a abertura do fosso que sorveu a popularidade de governantes como Dilma Rousseff. Mas Lula parece antever um futuro promissor e harmonioso.

Até porque, segundo diz, os partidos políticos não podem ser silenciados. Sempre que isso ocorreu, sobrevieram desastres: guerras, ditaduras e perseguições de minorias. Sem partidos, escreveu Lula, não há democracia verdadeira. Ele tem toda razão. Os detratores das legendas deveriam ser processados por atentado contra o regime democrático. O diabo é que os inimigos dos partidos encontram-se dentro deles. E nenhuma agremiação  se animou a processar seus filiados.

Lula não mencionou no artigo a aversão das ruas à corrupção. Natural. Além de não ornar com o excesso de felicidade, o tema mexe com os mortos. Entre eles o PT, defunto mais ilustre da era Lula. O atestado de óbito anota: “suicídio”. Daí, talvez, a dificuldade de Lula de fazer alguma coisa parecida com uma autocrítica.

Já no seu primeiro mandato, o PT adotou uma conduta estranha, algo psicótica. Perdeu a autoestima. Virou um Narciso às avessas. Cuspiu na própria imagem. No Planalto, na Esplanada, nos desvãos de autarquias e estatais, por onde passaram o PT e seus neoaliados fizeram pior o melhor que puderam.

Lula, como já ficou esclarecido, não sabia de nada daquilo que o PT fez. Aliás, coisas como o mensalão ele até hoje não acredita que tenham acontecido. É munido dessa inocência culpada -ou seria culpada inocência?- que o articulista defende a “renovação profunda” do PT. Citou no artigo a conveniência de recuperar a ligação com os movimentos sociais. Para quê? Para “oferecer novas soluções para novos problemas.”

No fundo, o que atrai no artigo de Lula não é a explicação pueril. O que encanta no texto é a simplicidade retórica. O mais extraordinário de tudo é a desobrigação de pensar. Ao falar em “novos problemas”, Lula se exclui da crise. Ele cita Dilma para dar uma “boa notícia”. Qual? Ela já “propôs um plebiscito para realizar a tão necessária reforma política”. Ah, sim, “ela também propôs um pacto para a educação, saúde e transporte público.”

O mundo pode dormir tranquilo, eis a mensagem de Lula. As ruas do Brasil protestam por causa do excesso de prosperidade. O PT deixará de ser o partido do faturo para saltar da sepultura como o partido do futuro. E o Congresso presidido pelo Renan Calheiros ajudará Dilma a colocar os seus pactos em pé.

Economia brasileira deve crescer menos que a mundial

Exame.com
Isabela Vieira, Agência Brasil

Para o economista-chefe do The Conference Board, Bart Van Ark, um dos fatores que mais dificulta o crescimento do país é a dificuldade de atrair investimentos

Marcos Santos/usp imagens 
Economia: o The Conference Board também estimou o crescimento do país 
para o período entre 2014 e 2018, em 3,2%, e para o mundo, 3,1%.

Rio de Janeiro – A economia brasileira não deve crescer mais que 2% em 2013, abaixo da projeção de crescimento mundial de 3,5%, na avaliação do economista-chefe do The Conference Board, Bart Van Ark. Com base em indicadores nacionais, a instituição projeta índices econômicos de 12 países, dentre os quais, o Brasil.

Na avaliação de Van Ark, os fatores que mais dificultam o crescimento do país são a dificuldade de atrair investimentos; de aplicar em infraestrutura; de reformar setores estruturais da economia, como mercado de trabalho – para que dê mais flexibilidade em contratações e demissões; além de fazer a reforma tributária.

"Se tem uma coisa que os membros globais reclamam quando vêm ao Brasil é a complexidade do pagamento de impostos", afirmou Van Ark. "Há uma grande necessidade de simplificar essas regras para que seja possível fazer negócios e operar no Brasil", reforçou. Investimentos em infraestrutura, como portos e estradas também precisam melhorar, destacou.

Para o economista da Fundação Getulio Vargas, Paulo Piccheti, a projeção de crescimento de 2% do The Conference é razoável no cenário atual. Segundo ele, dados recentes apontam retração da economia pela diminuição da produção industrial e das vendas do comércio. Segundo ele, sem mudanças estruturais no país, não há como alavancar no curto prazo, os indicadores.

"Dos componentes que podem induzir o crescimento, tirando o setor externo, que a gente não pode contar no curto prazo, não há continuidade da expansão do consumo das famílias nem do consumo do governo, que está enfrentando uma questão de equilíbrio fiscal, o que impede aumento dos gatos e investimentos", disse. Segundo ele, a única chance é atrair investimento privado.

O The Conference Board também estimou o crescimento do país para o período entre 2014 e 2018, em 3,2%, e para o mundo, 3,1%. Segundo Bart, o mundo cresce a taxas menores, embora reformas políticas e trabalhistas "tenham capacidade de gerar um ambiente com mais espaço para o crescimento", afirmou.

A FGV e organização americana The Conference Board lançaram hoje (17) um novo índice para medir a economia brasileira, o Indicador de Antecedente Composto da Economia (Iace), que será divulgado mensalmente a partir de agora.

Cresce o risco de déficit na balança comercial em 2013

O Estado de S.Paulo

A balança comercial brasileira apresentou, até a segunda semana de julho, um déficit de US$ 421 milhões, no mês, e de US$ 3,5 bilhões, nos primeiros seis meses e meio de 2013. Por isso, um saldo quase nulo ou negativo na balança comercial, neste ano, não é mais mero exercício de especulação, como poderia parecer até meados do segundo trimestre, e pode transformar-se em realidade.

Por ora, poucos analistas econômicos admitem esse risco. Na Pesquisa Focus, feita semanalmente pelo Banco Central junto aos principais analistas e departamentos econômicos do País, ainda se prevê um superávit comercial de US$ 6,2 bilhões no ano. Mas esse valor vem caindo ao longo do ano. Na última sexta-feira, era estimado em cerca de 40% da expectativa de 28 de dezembro do ano passado, quando se previa um superávit de US$ 15,2 bilhões no ano.

Entre os motivos para prever uma recuperação dos saldos comerciais nos próximos meses está a desvalorização do real ante o dólar: só nos últimos 30 dias, até segunda-feira, ela atingiu 5,5%. Mas o estímulo às exportações depende de o mercado externo se mostrar favorável. A retomada do crescimento nos Estados Unidos, por exemplo, é um fator positivo.

A balança comercial parece depender mais do desaquecimento da atividade doméstica. Até agora, isso não foi determinante para derrubar as importações, cuja média diária aumentou 0,4%, entre junho e julho, e 14,7%, em relação a julho do ano passado, enquanto as exportações, nas mesmas bases de comparação, caíram 14,5% e 5,4%, respectivamente. O feriado de 9 de Julho e as manifestações populares, que afetaram o acesso aos portos, foram os fatores apontados pelo Ministério do Desenvolvimento (Mdic) para justificar a fragilidade das exportações. Mas, evidentemente, não justificam o déficit comercial do ano, que é também, até agora, o pior resultado em mais de uma década.

Começa a faltar tempo para a reação da balança comercial, que seria mais fácil se a indústria ampliasse investimentos e ofertasse mais produtos no mercado interno, a preços competitivos com os importados de países que oferecem estímulos diretos e indiretos aos exportadores, cobrando menos tributos do que o Brasil dos produtores locais.

Sem dispor de bons instrumentos para estimular as exportações, resta ao governo aceitar que o câmbio estimule as vendas externas, ainda que tolha o combate à inflação.

Associação de Comércio Exterior prevê déficit de R$ 2 bilhões na balança comercial

Eliane Oliveira 
O Globo

Em dezembro, a associação estimava um superávit de US$ 14,6 bilhões em 2013

BRASÍLIA - A queda das exportações e o crescimento das importações levaram a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) a mudar radicalmente sua estimativa de resultado para a balança comercial brasileira em 2013. A entidade, que em dezembro de 2012 previa um superávit de US$ 14,620 bilhões para este ano, agora aposta num déficit de US$ 2,008 bilhões.

O Brasil não tem déficit comercial desde o ano 2000. Naquele ano, as importações superaram as exportações em 732 milhões.

Na avaliação da AEB, a redução das exportações se deve à aceleração da queda dos preços das commodities em geral, aliada à diminuição da quantidade embarcada de petróleo,óleos combustíveis, milho e algodão.

A entidade estima que neste ano as exportações deverão ficar em US$ 230,511 bilhões, valor 5% inferior ao registrado em 2012. Já os gastos no exterior atingirão US$ 232,519 bilhões, uma alta de 4,2%.

A AEB apontou alguns fatores que justificariam, pelo menos até agora, o aumento das importações. Citou a menor taxa cambial vigente, a regularização dos registros de importação de petróleo e derivados, a expectativa de expansão do consumo interno e a manutenção do elevado custo Brasil.

José Augusto de Castro, presidente da AEB, acredita que as importações crescerão menos no segundo semestre, por causa da alta do dólar e de recentes sinais de redução do consumo interno. Do lado das exportações, ele defende a adoção de medidas que aumentem a competitividade das exportações brasileiras.

- Isso é imprescindível - disse ele.

Para Castro, a tradicional volatilidade nas cotações de commodities está sendo substituída por um viés de baixa lenta e contínua. No entanto, ele observou que as projeções da AEB foram elaboradas com base no cenário atual, sujeitas a oscilações, especialmente no caso de eventual desaceleração do crescimento econômico da China e aprofundamento da crise na União Europeia. Tratam-se dos dois principais destinos das exportações brasileiras de commodities.

Inadimplência sobe 5,6% no 1º semestre, aponta Serasa

Veja online
Com Estadão Conteúdo

A instituição avalia que, apesar da alta, o consumidor tem se mostrado mais cauteloso devido ao cenário mais desfavorável ao consumidor, que enfrenta renda menor e juros maiores

(George Doyle/Stockbyte) 
De acordo com o levantamento, divulgado nesta quarta-feira, essa é a menor variação
 para o período desde 2011, quando a inadimplência do consumidor cresceu 21,6% 

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor fechou o primeiro semestre de 2013 com crescimento de 5,6% em relação a igual período do ano anterior. De acordo com o levantamento, divulgado nesta quarta-feira, essa é a menor variação para o período desde 2011, quando a inadimplência do consumidor cresceu 21,6%. Na variação mensal - junho contra maio - o índice registrou retração de 4%. Já na comparação de junho deste ano ante igual mês de 2012 o indicador caiu 3%.

Apesar da alta na inadimplência no semestre, na avaliação dos economistas da Serasa Experian o consumidor tem se mostrado mais cauteloso em relação à sua situação financeira e a inadimplência como um todo está perdendo fôlego em decorrência de um conjunto de fatores desfavoráveis ao consumidor, que enfrenta renda menor e juros maiores.

"A inflação reduziu o poder aquisitivo e o ciclo de elevação dos juros tem penalizado aqueles que utilizam intensamente o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito. Diante desse cenário, o consumidor evita novas compras a prazo e prioriza o pagamento e a renegociação das dívidas", afirma a instituição, em nota.

O que mais contribuiu para o crescimento do indicador no primeiro semestre do ano foram as dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica, água etc.), com alta de 12,6%. Já a inadimplência com bancos subiu 1,3%. Os cheques sem fundos e os títulos protestados apresentaram retração, com queda de 9,4% e 1,4%, respectivamente.

Dividido, governo avalia até desistir de cortes no Orçamento

Veja online
Com Estadão Conteúdo 

Fontes ouvidas pelo jornal 'O Estado de S. Paulo' dizem que corte de gastos seria 'último prego no caixão' do crescimento econômico brasileiro

(Fernando Bizerra Jr./EFE) 
Corte nas emendas parlamentares 
poderia trazer inimizades para a presidente Dilma Rousseff 

O governo pode desistir de um novo corte no Orçamento, dado que não há consenso de sua equipe econômica sobre o assunto. Uma fonte graduada do governo falou ao jornal O Estado de S. Paulo que o corte adicional nos gastos do governo seria "o último prego no caixão do crescimento econômico", que já se mostra minguante. Há divisões no Ministério da Fazenda e no Ministério do Planejamento, que trabalham na definição do corte.

A Casa Civil, que também compõe a Junta Orçamentária, aponta, nos bastidores, que um corte nas emendas parlamentares, previsto em 5 bilhões de reais, ou 72% de tudo o que está previsto para ser pago em emendas em 2013, poderia trazer um desconforto desnecessário entre a administração Dilma Rousseff e o Congresso.

O jornal apurou que alguns técnicos envolvidos na discussão sugerem que o governo anuncie na próxima segunda-feira um corte pequeno, na casa de 5 bilhões de reais, que serviria para sinalizar o aperto com gastos de custeio e algumas emendas, mas sem travar a economia. Na terça-feira, o Ministério da Fazenda informou que o governo nunca cogitou cortar emendas de deputados e senadores.

O compromisso fiscal seria mantido mesmo com um corte menor porque ele seria combinado com uma elevação nas receitas - no caso, com as concessões ao setor privado, que devem superar os 15 bilhões de reais inicialmente previstos no Orçamento.

Além disso, o governo pode recuar na ideia de abater apenas 45 bilhões de dólares da meta fiscal, como tem defendido desde o início do ano o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e usar todos os 65,2 bilhões de reais previstos na lei para o abatimento do superávit primário. O ministro cancelou a viagem que faria nesta quarta-feira à Rússia, onde participaria de reunião dos Brics e de ministros da Fazenda e presidentes de Bancos Centrais do G20, para fechar as mudanças que serão feitas no Orçamento.

Por enquanto, o Palácio do Planalto continua favorável a um corte maior, próximo a 12 bilhões de reais. Mas fontes graduadas da equipe econômica apontam que esse corte não seria suficiente para atingir a meta de 2,3% do PIB estipulada pelo Planalto e o único efeito seria sinalizar que o governo vai, de fato, frear a economia.

"O mercado de trabalho não deve iniciar uma recuperação firme no curto prazo, os indicadores de vendas no varejo e de produção industrial vão continuar em ritmo lento, e o BC está elevando a taxa de juros. Agora o governo vai cortar investimentos?", questiona uma fonte.

Nas contas do governo, os investimentos não conseguiriam sair impunes desse novo contingenciamento de despesas, diante da enorme dificuldade em passar a tesoura nos gastos de custeio, que são engessados. Internamente, o governo admite que a situação é complexa. Não só a presidente Dilma se comprometeu a fazer um "pacto pela responsabilidade fiscal", onde a meta de 2,3% do PIB de superávit primário era central, como o próprio Mantega afirmou, em entrevistas, que haveria um novo contingenciamento, inferior a 15 bilhões de dólares. No início, os técnicos trabalhavam com bloqueio de até 20 bilhões de dólares.

Sinais - 
O impasse se instaurou justamente por causa da sinalização que o governo dará ao setor privado ao anunciar um corte adicional nas despesas, que incluiria também alguns investimentos - ainda que, seguramente, esse ponto não fizesse parte do anúncio formal da medida. Já o mercado espera o corte como sinalização da seriedade do governo em combater a inflação.

"O cenário em Brasília, hoje, está semelhante àquele do fim de 2010, quando todo mundo passou a falar em apertar os gastos, aplicar medidas macroprudenciais para esfriar o crédito, e o BC passou a elevar os juros", disse uma fonte da equipe econômica. "Nas duas oportunidades era preciso reduzir a inflação e mostrar comprometimento fiscal. A diferença é que em 2010 o PIB crescia a 7,5%, e desta vez o freio vem com PIB de 0,9% em 2012." 

Enquanto governo discute corte de gastos, Congresso abate impostos

Adriana Fernandes e Ricardo Della Coletta
O Estado de S. Paulo

Congresso aprova extensão do programa de devolução de impostos a exportadores e novas desonerações da folha no momento em que o governo discute cortes no Orçamento 

BRASÍLIA - Enquanto o governo discute um novo corte nas despesas do Orçamento e ameaça congelar a política de redução de tributos, o Congresso Nacional aumentou o custo das desonerações para o caixa do Tesouro Nacional. De última hora, os parlamentares ampliaram por mais um ano o Reintegra, que devolve às empresas exportadoras 3% do faturamento com as vendas externas de manufaturados.

A benesse foi embutida na Medida Provisória 610, aprovada na semana passada. Outra alteração no texto da MP estendeu a desoneração da folha para empresas varejistas de comércio eletrônico e para as redes de lojas cujas vendas de alimentos superem 10% da sua receita.

As mudanças não tinham aval do governo, que começa agora a calcular seu impacto nas contas públicas. Não é a única conta. O governo está preparando um corte de gastos para aliviar a pressão sobre a inflação e dar um sinal ao mercado financeiro de que as contas públicas não vão sair do controle.

MP da Seca. A princípio, a MP 610, conhecida como MP da Seca, tratava do crédito rural a agricultores da região do semiárido atingidos pela estiagem, mas acabou incorporando itens da já caducada MP 601, que tinha como objetivo desonerar setores da construção civil e do comércio varejista.

O custo anual da ampliação do Reintegra pode superar os R$ 2,23 bilhões previstos, porque as empresas têm cinco anos para pedir ao governo o ressarcimento do crédito.

Conforme apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o governo analisa a possibilidade de ampliar o prazo do Reintegra, mas essa decisão é considerada complexa porque envolve a situação atual da indústria e um cenário de aperto fiscal.

Segundo o deputado Manoel Junior (PMDB-PB), responsável pela inclusão de setores na desoneração da folha, o objetivo era reduzir o custo Brasil. Possibilitar a troca de regime tributário para as lojas de alimentos e beneficiaria sobretudo pequenos e médios mercados.

A desoneração desses dois segmentos surpreendeu o Ministério da Fazenda. A pasta atuava para excluir as empresas que negociam unicamente pela internet e por telefone. Por ter muitas vezes um quadro de funcionários reduzido, o setor não estaria interessado no regime tributário diferenciado.

"No comércio eletrônico, as pequenas e médias empresas (PME), que trabalham de forma enxuta e estejam contribuindo pelo lucro presumido, ficarão bem insatisfeitas, devendo rever seu planejamento tributário", avalia André Jacob, da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm).

Exclusão. 
A Fazenda havia pedido a inclusão na MP 610 de um dispositivo que excluísse esses dois setores da desoneração. O deputado Manoel Junior, porém, pediu a supressão do trecho. Por se tratar de um item removido do texto, não há possibilidade de alterar a situação com um veto presidencial, por exemplo. Uma alternativa seria excluir esses dois setores da desoneração por meio de nova medida provisória. A desoneração desses setores vigora, pela MP 610, até o fim de 2014.

Não foram só as inclusões que surpreenderam. De última hora, as farmácias foram tiradas da lista dos setores desonerados. Segundo um parlamentar, as redes de farmácias não tiveram força política para negociar sua permanência na lista diante da resistência de outros setores da economia. 

Dilma ignora fatos e critica 'pessimismo' que cerca economia

Gabriel Castro, Veja online
Com Estadão Conteúdo e Reuters

Em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), a presidente tenta ocultar o óbvio e diz que o IPCA de julho virá zero

(Roberto Stuckert Filho/PR) 
A presidente Dilma Rousseff participou na manhã desta
 quarta-feira de reunião do Conselho de Desenvolvimento

A presidente Dilma Rousseff tentou ocultar o óbvio em reunião com ministros e representantes da sociedade na manhã desta quarta-feira. A despeito da crescente perda de confiança do mercado em relação à economia brasileira, a presidente afirmou que o Brasil nunca esteve tão forte para enfrentar adversidades. Ainda que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha ultrapassado o teto da meta de inflação (de 6,5%) por dez vezes durante seu governo, o superávit primário tenha caído e exigido o uso de manobras fiscais, a inadimplência tenha aumentado e os dólares tenham fugido da economia, a presidente Dilma ousou afirmar que tudo está "sob controle" e que o "barulho" do pessimismo sobre o desempenho econômico do governo é mais intenso do que a realidade.

A declaração foi dada em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), entidade que congrega representantes da sociedade e foi criada em 2003 pelo governo Lula. A presidente foi incisiva ao afirmar que a inflação ficará próximo de zero em julho e reforçou que a meta será cumprida, mesmo que beirando o teto de 6,5% no final do ano. "O barulho tem sido muito maior do que o fato. Temos dificuldades, sim, mas também temos hoje uma situação que não se compara com nenhum momento do passado, tanto no que se refere à robustez fiscal quanto no que se refere à capacidade do país de enfrentar problemas no front externo", disse a presidente.

Diante de uma plateia que incluía grandes empresários, a presidente falou por quase uma hora e defendeu a política econômica de seu governo. Contrariando as avaliações macroeconômicas de todos os órgãos respeitados sobre o Brasil, a presidente afirmou que a política fiscal é sólida e robusta - e culpou, como tem se tornado hábito, o mensageiro que transmite as notícias nem sempre tão animadoras. "É incorreto falar em descontrole da inflação ou das despesas do governo. É desrespeito aos dados a lógica, para dizer o mínimo. A informação parcial, da forma como muitas vezes é explorada, confunde a opinião pública e visa criar um ambiente de pessimismo que não interessa a nenhum de nós", disse a presidente.

Algumas manobras contábeis usadas pelo governo federal para cumprir a meta de superávit fiscal - a economia feita para o pagamento de juros da dívida - são criticadas por economistas e analistas, que têm mostrado crescente preocupação com a deterioração das contas públicas. Tanto que, no começo de junho, a agência de classificação de risco Standard & Poor's colocou o rating soberano do Brasil em perspectiva negativa, citando a política fiscal expansionista e o fraco crescimento econômico como razões para possível rebaixamento da nota.

Inflação 'superada' - 
O controle inflacionário também esteve na fala do ministro da Fazenda,Guido Mantega, que, em entrevista ao jornal Valor Econômico, disse que vê o problema da inflação como superado. "Com queda gradual dos preços dos alimentos, o mês de julho deve registrar a inflação mais baixa do ano", disse o ministro. "O problema da inflação está superado, o que não quer dizer que vamos relaxar", acrescentou. Mantega evitou comentar sobre a tendência dos juros, que, segundo ele, é "uma atribuição do BC (Banco Central)".

Com o arrefecimento da inflação, Mantega vê chance de recuperação do comércio varejista. "Com a queda da inflação, há uma recuperação do poder aquisitivo da população, o que pode significar uma recomposição da demanda, que estava fraca", disse. "A queda da inflação causa o aumento do consumo. O que não ajuda é o crédito, que está contido nos bancos privados", completou Mantega na reportagem.

Manifestações — 
Ainda em seu discurso, a presidente Dilma retomou a pauta das manifestações, apresentando ao conselho os cinco pactos nacionais que o governo propôs após os protestos, mas não apresentou novidades aos seus projetos. Ela aproveitou para defender o governo petista e criticar indiretamente a oposição: "Ninguém, nesse último mês de várias manifestações, pediu a volta ao passado", disse ela.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Alguém precisa ensinar a presidente, com urgência, que um país sério não é governado com ilusões, mentiras e fantasias. 

Este discurso que insiste em querer nos fazer crer que o país que temos não é o que vemos, já começa a irritar. Ninguém é idiota para acreditar em discursos oficiais, quando estes destoam completamente dos fatos. 

O que existe não é pessimismo, é realismo, um realismo ruim que prejudica a todos. Ou vamos começar a desconfiar de que alguém anda informando muito mal a presidente sobre a realidade econômica do país, ou ela está se tornando numa mentirosa compulsiva!!!.  

Mantega afirma que inflação está superada, segundo jornal. E por que os juros sobem, ministro?

Exame.;com
Com informações Estadão Conteúdo

Em entrevista publicada hoje pelo Valor Econômico, o ministro disse que "com queda gradual dos preços dos alimentos, o mês de julho deve registrar a inflação mais baixa do ano"

Peter Foley/Bloomberg 
Guido Mantega: "O problema da inflação está superado, 
o que não quer dizer que vamos relaxar", disse o ministro da Fazenda

São Paulo - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, vê o problema da inflação como superado. Em entrevista publicada na edição desta quarta-feira, 17, do jornal Valor Econômico, o ministro disse que "com queda gradual dos preços dos alimentos, o mês de julho deve registrar a inflação mais baixa do ano".

"O problema da inflação está superado, o que não quer dizer que vamos relaxar", acrescentou. Mantega evitou comentar sobre a tendência dos juros, que, segundo ele, é "uma atribuição do BC (Banco Central)".

O ministro também falou sobre as incertezas no cenário internacional, a desvalorização do real frente ao dólar e seus possíveis impactos na inflação. "Essa trajetória (de queda da inflação) já era esperada, ocorre todo ano e está se realizando", afirmou.

Com o arrefecimento da inflação, Mantega vê chance de recuperação do comércio varejista. "Com a queda da inflação, há uma recuperação do poder aquisitivo da população, o que pode significar uma recomposição da demanda, que estava fraca", disse.

"A queda da inflação causa o aumento do consumo. O que não ajuda é o crédito, que está contido nos bancos privados", completou Mantega na reportagem.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Quando será que o ministro Mantega vai parar com esta conversa mole de desenhar um país imaginário que só existe na cabeça dele e da presidente Dilma?

Por conta do que o Banco Central tem subido os juros, senhor ministro e senhora dona presidente? É só por sacanagem “anticíclica”? 

Quem sabe, ministro e presidente, começam a folhear as estatísticas econômicas com mais cuidado e menos paixão, para se darem conta da realidade que nos cerca!!! 

Indústria é contra súmula que adia efeito de negociações

Exame.com
Renan Carreira, Estadão Conteúdo

A medida, adotada no ano passado, garante que uma norma coletiva continue valendo após o fim de seu prazo de vigência, se não for editada nova negociação

REUTERS/Rebecca Cook 
Segundo Pazzianotto, a medida pode prejudicar quem se pretende beneficiar: os trabalhadores.
 "Espremido contra a parede, o empregador acaba demitindo os funcionários"

São Paulo - Sindicatos representantes de diversos setores da indústria brasileira participaram nesta segunda-feira, 15, de debate sobre negociações trabalhistas, na sede da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), e se posicionaram contra a Súmula 277 do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
A medida, adotada no ano passado, garante que uma norma coletiva continue valendo após o fim de seu prazo de vigência, se não for editada nova negociação.

Quem explicou a súmula em palestra no evento foi o ex-ministro do Trabalho e ex-ministro do TST Almir Pazzianotto. "Recomendei aos empresários que, a partir de agora, tenham uma cautela muito grande nas negociações porque, dependendo do que negociarem, não vão poder mais voltar atrás, ainda que o acordo tenha expirado."

Segundo Pazzianotto, a medida pode prejudicar quem se pretende beneficiar: os trabalhadores. "Espremido contra a parede, o empregador acaba demitindo os funcionários. Ele prefere arcar com os custos de uma demissão a manter benefícios que não suporta durante uma situação econômica adversa." Para o ex-ministro, a súmula é um obstáculo à negociação, pois desestimula a concessão de benefícios, uma vez que não se sabe como estará a situação econômica no decorrer do tempo.

O diretor de relações trabalhistas do Sindicato Nacional da Indústria de Máquinas (Sindimaq), Carlos Pastoriza, classificou de "barbaridade" a súmula.

"Isso é uma barbaridade porque os tempos mudam. Em um determinado ano, o empregador pode ceder mais, mas, em outro, a situação econômica muda e é preciso haver condições tanto para o empresário quanto para o trabalhador de renegociação, para poder ter essa flexibilidade dos tempos."

Promovido pelo Sindimaq e pelo Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado de São Paulo (Sinaees), o evento contou com a presença de 150 pessoas, entre elas o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, e representantes do Sindipeças e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

"A ideia era debater e levantar pontos para serem aprimorados em eventos subsequentes", afirmou Pastoriza. Ele disse que nos próximos debates quer chamar autoridades do governo para mostrar que a legislação trabalhista responde por parte da perda de competitividade das empresas. "Precisamos flexibilizar as negociações, dar condições para que ocorra sem a tutela do Estado."

O presidente do Sinaees, Humberto Barbato, também destacou a necessidade de melhorar as negociações trabalhistas. Para ele, a legislação hoje é "muito engessada". "Se continuarmos engessados, estamos inviabilizando a indústria no Brasil."

O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Cícero Mendonça, classificou o evento de "pontapé inicial salutar". "Queremos menos intervenção do Estado em cima dos acordos obtidos entre as partes."

Os médicos não são nossos escravos

Rodrigo Constantino
Época Online

Todos nós desejamos mais médicos atuando no país. Mas isso não se obtém por decreto estatal

A medida proposta pelo governo que obrigaria o formando de medicina a trabalhar por mais dois anos no SUS para obter o diploma é da maior gravidade. O precedente aberto, caso ela seja aprovada, é assustador. Trata-se do “caminho para a servidão”, de que nos alertava o Prêmio Nobel de Economia, Hayek.

A liberdade de escolha do profissional desaparece, dando lugar ao pretexto de, em nome do “interesse nacional”, o estado escravizar as pessoas para suprir suas carências. Esqueça fazendeiros que não conseguem preencher 252 itens das leis trabalhistas; o verdadeiro trabalho escravo é esse: ser obrigado a trabalhar por dois anos para o governo!

A premissa por trás disso deve ser questionada: ela é coletivista e autoritária. Ela parte da idéia de que as demandas “sociais” são mais importantes do que as escolhas individuais. Sim, é verdade que precisamos de mais médicos no interior do país. Mas isso não pode ser resolvido obrigando-se estudantes a prolongar seu já custoso e longo investimento na carreira de medicina. Isso seria tratá-los como meios sacrificáveis por um “bem-geral”. Abre-se uma brecha perigosa.

Hoje são os médicos, mas e amanhã? O que vai impedir o governo de decretar que todo professor tem de ficar dois anos dando aulas em escolas públicas do interior para conseguir seu diploma? Ou forçar engenheiros a atuarem por dois anos nas obras do PAC Brasil adentro, para só depois terem acesso ao certificado de conclusão de curso? Ou obrigar dentistas a atenderem na selva amazônica antes de finalizarem a faculdade? Percebem o risco?

Isso não é somente um problema dos médicos, e sim de todos nós. Quem ainda tem um mínimo apreço por um valor chamado liberdade individual tem que se posicionar contra esse autoritarismo sem paralelo no país. Relembro o alerta sempre válido do protestante Martin Niemoller, vítima do nazismo:

Primeiro, os nazistas vieram buscar os comunistas, mas, como eu não era comunista, eu me calei. Depois, vieram buscar os judeus, mas, como eu não era judeu, eu não protestei. Então, vieram buscar os sindicalistas, mas, como eu não era sindicalista, eu me calei. Então, eles vieram buscar os católicos e, como eu era protestante, eu me calei. Então, quando vieram me buscar… Já não restava ninguém para protestar.

Todos nós desejamos mais médicos atuando no país. Mas isso não se obtém por decreto estatal. O governo fracassou em oferecer um sistema universal de saúde decente. O SUS não é nem universal, muito menos gratuito. Ele custa caro, e tem atendimento precário. Desviar o foco da raiz do problema e tratar os médicos como bodes expiatórios não resolve nada; é apenas medida eleitoreira para acalmar as vozes das ruas.

O governo escolheu mal suas prioridades na alocação de recursos escassos. Investiu bilhões na construção de arenas esportivas que são verdadeiros “elefantes brancos”, e jamais darão retorno para os “contribuintes”. Todos sabem que faltam recursos básicos nos hospitais públicos do país, que clamam por mais investimentos. Em vez de priorizar isso, o governo optou por fornecer mais espetáculo, o velho “Pão & Circo”, e agora quer obrigar os médicos a assumirem o fardo por seus próprios erros. Injusto, e ineficiente.

A escolha pela medicina sem dúvida exige elevado grau de vocação, é quase um “chamado”, pelo sacrifício envolvido na profissão. Mas quem faz essa escolha merece não só um retorno digno, como manter sua liberdade de escolha. Não é porque o indivíduo é médico que ele deve estar sujeito aos nossos anseios e necessidades. Ele oferece um importante serviço, sem dúvida, mas deve ser remunerado de acordo com as leis de mercado, e trabalhar onde quiser.

Quem vende alimentos também atende a uma necessidade básica para nossa sobrevivência, e nem por isso temos o direito de obrigá-los a trabalhar para o governo. A comida chega ao Acre ou no interior do nordeste porque o mercado funciona, não porque o governo determina que mercados devam atuar nessas localidades. O mercado livre costuma funcionar; o intervencionismo estatal não. Isso vale para alimentos, para remédios, para bebidas, para vestimentas, e sim, para médicos.

Se o governo não criasse tantas barreiras, tantos encargos, impostos e burocracia, provavelmente haveria mais médicos no interior. E se for o caso de atender, via o sistema público, certos locais mais afastados e carentes, que isso seja feito por meio de trocas voluntárias, ou seja, oferecendo-se aos candidatos em potencial um plano de carreira vantajoso, que faça com que eles aceitem o desafio por livre e espontânea vontade. Sem dúvida haveria recursos para isso se o governo não gastasse tanto com besteiras. Somente assim poderemos manter a liberdade individual. Afinal, os médicos não são nossos escravos.

Governo chama especialistas para "aprimorar" MP dos Médicos. Por que não os chamou antes da MP?

Veja online
Com Estadão Conteúdo

Depois de encaminhar proposta para o Congresso, Aloizio Mercadante, ministro da Educação, quer ouvir uma comissão formada por diretores de faculdades de medicina

(Marcello Casal Jr/ABr) 
Agora, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, quer ouvir diretores de faculdades 
de medicina sobre a MP dos Médicos; governo já encaminhou projeto para o Congresso 

Alvo da mais nova batalha da presidente Dilma Rousseff com a classe médica, a MP dos Médicos será discutida por uma comissão formada por diretores de faculdade de medicina de universidades federais e integrantes do governo federal, informou nesta terça-feira o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. O objetivo é "aprimorar" as propostas que o governo encaminhou ao Congresso.

Conforme previsto na medida provisória, o curso de medicina passará de seis para oito anos a partir de 2015. Concluído o curso de seis anos, o estudante passa para um segundo ciclo, de dois anos, onde terá de atuar em serviços públicos de saúde. A exigência do segundo ciclo será universal: tanto para estudantes de instituições da rede pública como da rede privada da ensino.

O programa, batizado de Mais Médicos, inclui ainda o recrutamento de profissionais estrangeiros para trabalhar em áreas prioritárias. É criticado por entidades como o Conselho Federal de Medicina (CFM), em atrito com a presidente desde à sanção com vetos ao projeto do Ato Médico, que regulamenta o exercício da medicina.

"Estamos discutindo com os especialistas, (a MP do Mais Médicos) foi muito acolhida e vamos discutir no âmbito do Congresso Nacional, que terá a palavra final. Vamos lutar por essa concepção, acho que o povo precisa de mais médicos, nós precisamos melhorar a formação dos médicos", afirmou Mercadante, antecipando que a comissão será formada por integrantes da federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Ceará. "No Brasil, 1,7% dos médicos são estrangeiros, a participação é pequena."

Lembrando as discussões acaloradas com a adoção de cotas nas universidades e a implantação do ProUni (que concede bolsas em instituições privadas de ensino superior), o ministro afirmou que as "mudanças mais importantes na educação não foram fáceis".

"Sofremos todo tipo de resistência ao Enem, que hoje é uma grande conquista; a política do ProUni também foi muito difícil implantar; a política de cotas, foram 13 anos pra aprovar, e agora estamos mostrando que os estudantes cotistas têm praticamente a mesma nota que os não cotistas. Foram várias disputas difíceis e essa também é uma disputa difícil", afirmou o ministro.

Indagado se os estudantes de medicina que são de classe alta teriam preconceito contra a rede pública, o ministro desconversou: "Espero que não, acho que vão ter uma grande experiência de vida trabalhando no SUS. É um sistema generoso, solidário, poucos países do mundo têm um sistema de saúde tão amplo. Agora para ter um sistema como esse precisa de mais médicos pra atender a população."