quinta-feira, julho 18, 2013

Dilma ignora fatos e critica 'pessimismo' que cerca economia

Gabriel Castro, Veja online
Com Estadão Conteúdo e Reuters

Em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), a presidente tenta ocultar o óbvio e diz que o IPCA de julho virá zero

(Roberto Stuckert Filho/PR) 
A presidente Dilma Rousseff participou na manhã desta
 quarta-feira de reunião do Conselho de Desenvolvimento

A presidente Dilma Rousseff tentou ocultar o óbvio em reunião com ministros e representantes da sociedade na manhã desta quarta-feira. A despeito da crescente perda de confiança do mercado em relação à economia brasileira, a presidente afirmou que o Brasil nunca esteve tão forte para enfrentar adversidades. Ainda que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha ultrapassado o teto da meta de inflação (de 6,5%) por dez vezes durante seu governo, o superávit primário tenha caído e exigido o uso de manobras fiscais, a inadimplência tenha aumentado e os dólares tenham fugido da economia, a presidente Dilma ousou afirmar que tudo está "sob controle" e que o "barulho" do pessimismo sobre o desempenho econômico do governo é mais intenso do que a realidade.

A declaração foi dada em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), entidade que congrega representantes da sociedade e foi criada em 2003 pelo governo Lula. A presidente foi incisiva ao afirmar que a inflação ficará próximo de zero em julho e reforçou que a meta será cumprida, mesmo que beirando o teto de 6,5% no final do ano. "O barulho tem sido muito maior do que o fato. Temos dificuldades, sim, mas também temos hoje uma situação que não se compara com nenhum momento do passado, tanto no que se refere à robustez fiscal quanto no que se refere à capacidade do país de enfrentar problemas no front externo", disse a presidente.

Diante de uma plateia que incluía grandes empresários, a presidente falou por quase uma hora e defendeu a política econômica de seu governo. Contrariando as avaliações macroeconômicas de todos os órgãos respeitados sobre o Brasil, a presidente afirmou que a política fiscal é sólida e robusta - e culpou, como tem se tornado hábito, o mensageiro que transmite as notícias nem sempre tão animadoras. "É incorreto falar em descontrole da inflação ou das despesas do governo. É desrespeito aos dados a lógica, para dizer o mínimo. A informação parcial, da forma como muitas vezes é explorada, confunde a opinião pública e visa criar um ambiente de pessimismo que não interessa a nenhum de nós", disse a presidente.

Algumas manobras contábeis usadas pelo governo federal para cumprir a meta de superávit fiscal - a economia feita para o pagamento de juros da dívida - são criticadas por economistas e analistas, que têm mostrado crescente preocupação com a deterioração das contas públicas. Tanto que, no começo de junho, a agência de classificação de risco Standard & Poor's colocou o rating soberano do Brasil em perspectiva negativa, citando a política fiscal expansionista e o fraco crescimento econômico como razões para possível rebaixamento da nota.

Inflação 'superada' - 
O controle inflacionário também esteve na fala do ministro da Fazenda,Guido Mantega, que, em entrevista ao jornal Valor Econômico, disse que vê o problema da inflação como superado. "Com queda gradual dos preços dos alimentos, o mês de julho deve registrar a inflação mais baixa do ano", disse o ministro. "O problema da inflação está superado, o que não quer dizer que vamos relaxar", acrescentou. Mantega evitou comentar sobre a tendência dos juros, que, segundo ele, é "uma atribuição do BC (Banco Central)".

Com o arrefecimento da inflação, Mantega vê chance de recuperação do comércio varejista. "Com a queda da inflação, há uma recuperação do poder aquisitivo da população, o que pode significar uma recomposição da demanda, que estava fraca", disse. "A queda da inflação causa o aumento do consumo. O que não ajuda é o crédito, que está contido nos bancos privados", completou Mantega na reportagem.

Manifestações — 
Ainda em seu discurso, a presidente Dilma retomou a pauta das manifestações, apresentando ao conselho os cinco pactos nacionais que o governo propôs após os protestos, mas não apresentou novidades aos seus projetos. Ela aproveitou para defender o governo petista e criticar indiretamente a oposição: "Ninguém, nesse último mês de várias manifestações, pediu a volta ao passado", disse ela.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Alguém precisa ensinar a presidente, com urgência, que um país sério não é governado com ilusões, mentiras e fantasias. 

Este discurso que insiste em querer nos fazer crer que o país que temos não é o que vemos, já começa a irritar. Ninguém é idiota para acreditar em discursos oficiais, quando estes destoam completamente dos fatos. 

O que existe não é pessimismo, é realismo, um realismo ruim que prejudica a todos. Ou vamos começar a desconfiar de que alguém anda informando muito mal a presidente sobre a realidade econômica do país, ou ela está se tornando numa mentirosa compulsiva!!!.