sexta-feira, novembro 03, 2006

A denúncia de Carlos Chagas

Denúncia de abuso de autoridade
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Por Carlos Chagas (*)
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Aposentei-me pelo INSS, como jornalista, com o início do benefício a 12 de fevereiro de 1996, mais de dez anos atrás, conforme documento anexo, depois de 37 anos de exercício da profissão, iniciada a 1 de junho de 1959, segundo declaração passada pelo O Globo (Empresa Jornalística Brasileira) constante da página 15 da Carteira de Trabalho, também anexa.
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Trata-se de nova Carteira de Trabalho, emitida em 4 de agosto de 1981, por haver-se extraviado a anterior.
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Durante os 37 anos de exercício profissional, até a aposentadoria, trabalhei em O Globo, exercendo as atividades de repórter da geral, repórter político, editor e colunista político. Recebi menção honrosa no prêmio Esso de 1961 e o Prêmio Esso de Jornalismo, o maior, em 1970. Depois, trabalhei no Estado de S. Paulo, como diretor da Sucursal de Brasília durante 16 anos, Rádio El Dorado, Ultima Hora, Fundação Universidade de Brasília, como professor titular de Ética, e TV-Manchete, como diretor em Brasília, entre outras empresas, conforme anotações na Carteira de Trabalho.
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Até a data presente, recebi normalmente os proventos da aposentadoria, conforme diversos documentos apresentados a seguir.
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Fui surpreendido a 26 do corrente mês de outubro com carta datada do anterior dia 17, pela gerência executiva da Previdência Social, em Brasília, assinada pela sra. Carla O. Carrara de Almeida, exigindo meu comparecimento "ao Grupo de Trabalho de Combate à Fraude, intimado a levar originais de Carteiras de Trabalho e todos os documentos em meu poder referente (sic) ao período de 01.6.59 a 04.1.72 trabalhado na empresa O Globo". Na referida carta, também em anexo, lê-se a ameaça de que, se em dez dias a documentação não fosse apresentada, implicaria na imediata suspensão do benefício.
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Como me encontrasse de viagem marcada, pedi à minha secretária que no dia 27 comparecesse à repartição mencionada para desfazer o que seria um evidente equívoco, levando minha Carteira de Trabalho.
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Ela foi atendida por uma recepcionista que, tomando-lhe a Carteira de Trabalho, internou-se por uma hora numa sala contígua, aparentemente para receber instruções.
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De lá saiu a referida recepcionista com a informação de que não seria considerado o período de 01.6.59 a 04.01.72 caso não apresentada documentação suplementar, apesar da declaração de O Globo a respeito de meu trabalho naquele período. Argumentou que a Carteira de Trabalho datava de 4 de agosto de 1981 e não seria, assim, considerada.
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Mais estranho ainda, a recepcionista acrescentou que seu chefe, examinando a Carteira de Trabalho, concluíra que também não aceitaria o período em que trabalhei como diretor da TV-Manchete, em Brasília, por nela não constar a respectiva baixa.
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Não adiantaram as ponderações de minha secretária de que todos os documentos foram aceitos pela Previdência Social em 1996, bem como de que a segunda via da Carteira de Trabalho produz os mesmos efeitos das anteriores e, mais, que a TV-Manchete não poderia ter dado baixa porque entrou em falência, em 2002, estando eu, até a presente, em litígio trabalhista com os sucessores da empresa, por falta de cumprimento das obrigações contratuais.
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Desdobrou-se o episódio. Acompanhado de meu advogado, dr. Guilherme Castello Branco, comparecemos na manhã do dia 31 de outubro à repartição em causa. Fomos atendidos pela funcionária Carla O. Carrara de Almeida, que alinhou uma série de argumentos frágeis: a Carteira de Trabalho era posterior ao período em que trabalhei em O Globo (ora se a original se extraviara, foi tirada depois, tendo as anotações anteriores sido copiadas e autenticadas pelas empresas onde trabalhei); as anotações contratuais não estavam em ordem cronológica.
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Kafka não escreveria melhor roteiro para o que me parece, paranóias à parte, uma evidente vindicta não propriamente da funcionária que assina a carta de exigência, mas de cidadãos bem acima de suas atribuições amanuenses. A razão fica óbvia diante dos recentes artigos publicados em jornais e de comentários no rádio e na televisão que tenho produzido nos últimos meses, já que continuo trabalhando, apesar de aposentado. Senão crítica permanente, ao menos observações contundentes tenho feito sobre certos atos e atitudes do governo atual.
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Encontro-me diante de um dilema: comparecer à repartição levando quilos de reportagens e artigos por mim elaborados nos doze anos em que trabalhei em O Globo. Seria necessário um carrinho de mão, mas indago-me se serão aceitos. A segunda hipótese envolve duas iniciativas: uma representação à Justiça Comum, na defesa de um direito que desde 14.2.1996 me é devido e religiosamente cumprido, bem como o pedido de abertura de queixa-crime contra a funcionária acima referida, por abuso de poder no exercício da função pública. Pode ser que, diante de um tribunal, a indigitada funcionária decida revelar de onde e de quem partiram tão abusivas exigências. Ou dirá, como virou moda, que não sabia de nada?

(*) Carlos Chargas - é jornalista.

O sentimento autoritário do partideco.

Escalada fascista: petista critica apresentadora por usar vestido preto!!!
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Por Reinaldo Azevedo
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Quem quiser que venda barato ao ministro Tarso Genro o perdão disfarçado que ele está pedindo pela truculência do governo com a mídia. Sim, a PF é um órgão do Executivo, ligado ao Ministério da Justiça. Como é? Eles diz ser “profundamente lamentável que alguém tenha qualquer tipo de brutalidade com relação a imprensa"??? É mesmo? Mas Tarso Genro é um dos autores intelectuais do verdadeiro clima de perseguição que está em curso. Isso está sendo estimulado pelo PT. A cada vez que este senhor disse que noticiar os desvios éticos do PT era golpe; a cada vez que ele afirmou que há gente no país querendo o terceiro turno, o que fez foi açular o que chamei aqui de “macartismo vermelho".
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Nem vem que não tem. Tanto quanto o discurso de antes era pré-eleitoral, este é pós-eleitoral. Agora, como disse Lula, “a campanha acabou”, e é preciso “pensar no Brasil”. O raciocínio é indecente porque faz supor que, numa campanha eleitoral, vale tudo. Tarso acha inaceitável, mas, vejam só, continua a atacar a mídia. Eis o PT. Não esquece nada. Não aprende nada.
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No site do partido, há três artigos tratando da necessidade de controlar os meios de comunicação de massa. Um é do petista Venício A. de Lima, cujo pé biográfico Informa: “Pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília e autor, entre outros, de Mídia: crise política e poder no Brasil (Editora Fundação Perseu Abramo, 2006)”. Esse tal NEMP funciona como um braço partidário e patrulha jornais e revistas. É um daqueles que o ombudsman da Folha leva a sério quando analisa a "isenção" do jornalismo. Pfui... Mas vá lá: Lima ainda se esforça para dar certa dimensão pública ao debate.
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Inacreditável é o texto assinado por uma certa Angélica Fernandes, identificada como membro do Diretório Nacional do PT, do Coletivo Nacional de Mulheres do PT e Secretária Estadual de Formação Política do PT-SP (Deus! que medo!!!). Há muito tempo, não lia nada tão boçal. Acho que desde aquele artigo em que Rose Marie Muraro defendeu o direito que a classe operária tem de roubar. À época, conferi a ela o prêmio Vassoura de Ouro. Está cassado. Vai agora para Angélica. A moça está brava porque a apresentadora Ana Maria Braga vestia preto na segunda-feira. Angélica entendeu isso como um sinal de luto pela reeleição de Lula. Ela escreve: “Não sei se foi intencional, mas durante todo o processo eleitoral a apresentadora apresentou-se como uma feroz defensora da mudança do comando do Brasil.” Vale dizer: quem quer que não tenha apoiado Lula deveria evitar usar roupa preta para não ser mal interpretado... Fascismo vermelho.
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Um terceiro artigo, de um certo Franze Ribeiro, “jornalista e especialista em Gerência de Marketing” faz o quê? Sim, adivinharam! Desce o pau na mídia. Tarso Genro deveria ficar calado. A escalada fascista está em curso. E é bom que todos tenhamos isso muito claro.
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Perseguição a Carlos Chagas
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Por Cláudio Humberto
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O governo Lula agora é suspeito de vingança contra Carlos Chagas, um dos mais admirados jornalistas brasileiros e crítico dos descalabros petistas. Aposentado desde 1996, mas ainda na ativa porque ganha uma ninharia, Chagas recebeu em 26 de outubro o prazo de dez dias do INSS para “provar” o que o Brasil conhece: que trabalhou no jornal O Globo, onde atuou 37 anos até se aposentar, após uma carreira brilhante e premiada.
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O INSS jogou um certo “Grupo de Trabalho de Combate à Fraude” contra Carlos Chagas, jornalista e cidadão que é exemplo de honestidade.
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A servidora que atormenta Carlos Chagas no INSS ficou “ofendida” com a suspeita de perseguição. Ameaça processá-lo por “delação caluniosa” (sic).