sábado, junho 30, 2012

Parcerias indigestas


Adelson Elias Vasconcellos

Tão logo assumiu e ensaiou os primeiros passos na política externa, o governo Dilma foi louvado pelas bandas deste lado do Atlântico. A soberana condenara a ação do Irã de levar à morte uma cidadã daquele país sob a acusação de infidelidade. Seria morta a pedradas. 

Observando bem o perfil da nova governante, e do novo chanceler das Relações Exteriores, escrevi aqui que preferia esperar para ver se a ação isolada de crítica, seria realmente mudança ou apenas aquilo mesmo, um ato isolado em favor de alguém do sexo feminino. Tinha sentido a afirmação feita, afinal o governo Dilma vem se caracterizando, entre outras coisas boas e ruins, por conceder  maior espaço feminino na vida pública brasileira.

Fui mais longe. Deixei claro que a propalada mudança somente se concretizaria como tal SE e QUANDO a presidente condenasse a ditadura cubana, colocasse um freio de arrumação na bagunça que virou o Mercosul, e se criticasse, mesmo que veladamente, as ações totalitárias de alguns líderes latinos do tipo Hugo Chavez, Evo Morales e Cristina Kirchner.

Bem, nem foi preciso esperar muito para ver que aquela crítica ao Irã se tratava, efetivamente, de um ato isolado. Se a memória não me falha o nome da cidadã iraniana é Sakineh. Que fim levou? Ninguém sabe, e quem sabe não conta e não espalha. Mas o fato é que o governo Dilma não mudou coisíssima  nenhuma na política externa destrambelhada do governo anterior. Talvez um certo afastamento em relação ao Irã, e nada muito além disso. As parcerias no continente continuam, rigorosamente, as mesmas e o o Mercosul que era para ser um bloco econômico transformou-se em um bordel de loucos desvairados, a tentar irradiar para o restante do continente a ideologia bolivariana do não menos destrambelhado Hugo Chavez. 

Creio que a régua e o compasso com que se pode medir isto tudo está na questão paraguaia com o impeachment de seu presidente Fernando Lugo. Tinha esperanças de que o Brasil jamais repetiria as bobagens cometidas no caso Honduras, com a deposição – constitucional, deixo claro – de Manuel Zelaya. Apesar de não precisar acolher o presidente deposto em sua embaixada, para que de lá ele comandasse um processo de resistência – um absurdo jamais visto em nossa história – mas o comportamento do governo brasileiro seguiu rigorosamente o mesmo script, esquecendo-se por completo de que já tivemos presidente deposto e nem por isso o Brasil acabou. Pelo contrário. Fortaleceu suas instituições, a vida seguiu em frente e a economia modernizou-se,. além de amplas conquistas sociais. 

No âmbito do Mercosul, sempre houve enorme pressão de Hugo Chavez para ter seu ingresso aprovado. O único país que se negava em aprovar este ingresso era o Paraguai. E o fazia não por birra ou por não se simpatizar com o beiçola. Não aprovava sob alegação – corretíssima – de atender ao que determina o Protocolo de Ushuaia que já em seu artigo primeiro deixa claro que “A plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados Partes do presente Protocolo”.   

O senado paraguaio sempre negou o ingresso da Venezuela calcada em motivos mais que suficientes de que aquele país não respeitava as instituições democráticas, o que, aliás, é um fato amplamente conhecido. 

Com a suspensão do Paraguai no Mercosul, promovida por Brasil, Argentina e Uruguai sob a alegação de que a deposição de Fernando Lugo foi um golpe, provocando uma ruptura democrática naquele país, o caminho para Chavez ficou livre e, no dia de hoje (29), a Venezuela teve seu ingresso aprovado no bloco. Que a Argentina quisesse retribuir os milhões de dólares que Chavez – fato comprovado até pelo empresário que levou a mala para Buenos Aires – contribuiu para sua campanha à presidência da Argentina, vá lá. Entre bandidos, uma mão sempre suja a outra. Agora o Brasil não poderia entrar nesta pilha histérica. 

Infelizmente, se vê, a política externa do governo Dilma continua sendo a mesma patetice – para não dizer coisa pior – que a de seu antecessor. Cuba, por exemplo, recebeu a presidente de braços abertos, e esta nem condenou o regime como, de presente, ainda alargou créditos via BNDES em mais de 1,2 bilhões de dólares, para a construção de um terminal portuário, enquanto os nossos portos estão minguando e chorando por investimentos. 

Já disse repetidas vezes que o Brasil não tem problema de recursos para que os investimentos governamentais aumentem a qualidade de vida do povo brasileiro. O artigo de Patrick Cruz,  publicado pela Exame (leia íntegra aqui) é bem demonstrativo da ineficiência, incompetência e má gestão destes recursos. Projetos ficam anos mofando dentro de gavetas a espera de soluções burocráticas sem cabimento.  Agora, com as carências do país, jogar mais de US$ 1,2 bilhões para construção de um porto em Cuba, não se justifica. Estamos financiando uma ditadura que mata, prende e tortura apenas os cidadãos por divergência de ideologia política. E este é o governo que instala uma Comissão da Verdade para investigar e punir os torturadores do regime militar? Com que moral?   

O que se fez com o Paraguai segue, portanto, a linha desenhada por Lula e não se espere que o ingresso da Venezuela vá impulsionar o bloco Mercosul. Pelo contrário. Vai afastar  os investidores que já perceberam as dificuldades para investirem no Brasil, e a insegurança que Chavez traz consigo de não cumprir compromissos e rasgar contratos, vai tornar estas dificuldades ainda maiores. Basta ver que a refinaria que seria construída no Pernambuco em parceira com o venezuelano, até o momento apenas o Brasil pos a mão no bolso. Sem contar as inúmeras agresões que ele comete diariamente com intervenções absurdas na economia. 

Há algumas semanas, a presidente Dilma sinalizou que rezará pela mesma cartilha de Cristina Kirchner quando o assunto for economia. Agora, colocou-se a reboque da presidente argentina na questão paraguaia. Se continuar dando as mãos para estes bandolheiros, Dilma acabará matando os atrativos que o Brasil tem oferecido para investimentos internacionais. O mundo aliás, já percebeu a mudança de ventos e vem retraindo cada dia mais estes investimentos. 

Se é  isolamento internacional que Dilma Rousseff pretende implantar no Brasil, acreditem, o começo não poderia ser melhor. Pior para o Brasil. 

É doloroso para todos nós, dada a relevante posição, a história, a economia pujante e a importância do Brasil na América do Sul, vê-lo abdicar do seu papel de protagonista para se tornar num reles coadjuvante de quinta categoria para caudilhos cucarachas. E que o governo brasileiro não se iluda: hoje, o bloco se voltou contra o Paraguai, condenando nele uma ação democrática, legal e legítima. Neste clube em que agora entra Chavez, serão todos contra o Brasil, ou será que as barreiras que a Argentina cria todo o santo dia contra os nossos produtos é sinal de amizade e cumplicidade?  

Valer-se de um discurso rombudo para suspender o Paraguai, e aproveitar-se desta suspensão para admitir a Venezuela cuja entrada sempre foi negada justamente pelo Paraguai, se isto não é golpe, é porque o termo mudou de significado. Convenhamos que o governo Dilma vem se caracterizando, na política externa, por apreciar parcerias indigestas. E isto ainda vai nos custar muito caro. Tempo ao tempo. 

Cubramo-nos de vergonha: falou-se tanto em golpe, golpe, golpe no Paraguai, e quem acabou dando um golpe fomos nós


Ricardo Setti
Veja online

(Foto: Reuters)
A reunião do Mercosul em Mendoza, Argentina: 
a "suspensão" do Paraguai foi uma óbvia malandragem para permitir ao
 governo ditadorial de Hugo Chávez, da Venezuela, ingressar no bloco 

O Senado do Paraguai — imaginemos, do Paraguai, antes motivo de piada quando se falava de democracia — vinha resistindo bravamente, há seis anos, às pressões para aprovar o ingresso da Venezuela do tirano bufão Hugo Chávez no Mercosul, bloco integrado pelo próprio Paraguai e por Brasil, Argentina e Uruguai.

O Senado paraguaio, diferentemente da maneira covarde com que se houve o Congresso brasileiro, se apegou à chamada “cláusula democrática” do Mercosul, segundo o qual só podem integrar o organismo países plenamente democráticos, com eleições livres, liberdade de imprensa, liberdade de opinião, liberdade sindical, Justiça livre e independente e respeito às minorias, entre outras exigências.

Essa cláusula, justiça se faça, foi inserida nos tratados de formação do Mercosul pelos então presidente José Sarney, do Brasil, e Raúl Alfonsín, da Argentina. Com Sarney, naquele momento, a diplomacia brasileira viveu um bom momento.

Agora, estamos vivendo um péssimo e vergonhoso momento: o Brasil participou, alegremente, da manobra que “suspendeu” o Paraguai do Mercosul até as eleições presidenciais já previstas no país para abril do próximo ano. Então, com o Paraguai “suspenso” até abril, seu Senado não pode vetar nada agora em relação ao Mercosul.

Um presentão para a camarilha “bolivariana” que pressionava para que o governo ditatorial de Chávez ingressasse no mercado comum do Sul do continente: o negócio foi fechado hoje mesmo, na mesma reunião de Mendoza, na Argentina, convocada para examinar a situação no Paraguai após o impeachment do presidente Fernando Lugo.

Um golpe na democracia e na credibilidade do Mercosul
Ou seja, a “suspensão” do Paraguai constituiu uma evidente manobra calhorda para driblar o obstáculo às pretensões de Chávez, que o Senado paraguaio impedia.

O governo tresloucado e autoritário de Cristina Kirchner na Argentina foi quem primeiro vociferou que ocorrera um “golpe” no Paraguai com o impeachment de Lugo pelo Congresso. Vários outros governos sul-americanos bateram na mesma tecla — inclusive, apesar de permanecer em cima do muro e por meias palavras, o do Brasil.

Falou-se tanto em golpe, golpe, golpe – e quem assesta um golpe na democracia, agora, são justamente os que acusavam o Paraguai disso. Um golpe na democracia que mina a credibilidade que ainda poderia restar ao Mercosul.

Como publica hoje o site de VEJA, “com alta dose de hipocrisia, os governantes do grupo, que em nenhum momento mencionaram as artimanhas de Chávez para se manter no poder, afirmaram que a suspensão do Paraguai ocorreu devido ao ‘rompimento do processo democrático’ no país – como tem sido definido por países sul-americanos o impeachment sofrido pelo presidente Fernando Lugo, ocorrido estritamente dentro das regras da Constituição paraguaia.”

“[A presidente] Dilma Rousseff, por exemplo, defendeu da seguinte forma a suspensão paraguaia: ‘Nossa posição mostra a sobriedade desta região. Há 140 anos vivemos sem guerras, conflitos étnicos ou perseguições religiosas no Mercosul. Fizemos todos os nossos organismos baseados no compromisso fundamental com a democracia, e o protocolo de Ushuaia evidencia isso’. O protocolo de Ushuaia determina que os países-membros do bloco possuam governos democráticos” (justamente o que impedia o ingresso no Mercosul do truculento regime de Chávez).

Não foi por falta de prever, como publiquei em post anterior.

Cubramo-nos de vergonha. Mais um vexame da diplomacia brasileira que, no governo Dilma, vinha se comportando melhor do que durante os oito anos do lulalato.

Não mais.

Acabou tutela de Argentina e Brasil, diz presidente do Paraguai


Folha De São Paulo
Com  AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O presidente do Paraguai, Federico Franco, afirmou nesta sexta-feira que o país está liberado para fazer negociações com outros países após a suspensão do Mercosul, imposta pelos outros países membros durante a cúpula do bloco, em Mendoza, na Argentina.

Para o mandatário, que controla o país desde o impeachment de Fernando Lugo, na última sexta (22), "acabou a tutela de Argentina e Brasil", em referência aos dois maiores países do bloco e vizinhos.

"Ao ser suspenso, o Paraguai pode tomar decisões. Vamos considerar os custos e os benefícios. Vamos fazer o que convenha aos interesses do país", afirmou Franco, em entrevista ao portal argentino infobae.com.

Ele também reforçou a intenção de sua administração de mostrar o Paraguai à comunidade internacional como "um país livre e independente" e manifestou a intenção de entregar o governo em agosto de 2013, após as eleições gerais de abril.

INDÚSTRIA
Mais cedo, o presidente da União Industrial Paraguaia, Eduardo Felippo, propôs a realização de um plebiscito para decidir sobre a saída do Paraguai do Mercosul, após o anúncio da entrada da Venezuela no bloco, aprovada durante a cúpula de Mendoza, na Argentina.

"Consideramos que não são cumpridos os estatutos e o regulamento do Mercosul. Não podem permitir o acesso de nenhum Estado sem que o Paraguai o aceite".

Para Felippo, a suspensão paraguaia e a entrada da Venezuela são "a gota d'água", após os embargos impostos aos produtos do país pelos argentinos. Ele lamentou a incorporação do país governado pelo presidente Hugo Chávez, que "tem a Argentina nas mãos e grandes negócios no Brasil".

"Nós saímos do Mercosul. Se é necessário vamos pedir que se faça um referendo nacional".

O representante da indústria mostrou sua aprovação à busca de novos acordos comerciais no mundo e afirmou que o país terá problemas com o período em que não participarão do bloco, que se estenderá até abril de 2013.

A incorporação da Venezuela foi anunciada nesta sexta-feira após a suspensão paraguaia. O país era o único que tinha pendências em relação à entrada do país caribenho, devido à rejeição do Parlamento desde 2007.

'TEATRO HIPÓCRITA'
O senador Miguel Abdón Saguier, do Partido Liberal, o mesmo de Federico Franco, afirmou que a defesa de Argentina, Brasil e Uruguai à democracia no Paraguai foi um "teatro hipócrita" com o objetivo de permitir a entrada da Venezuela com a suspensão do país.

Para Saguier, foram os três membros plenos do bloco que descumpriram o Protocolo de Ushuaia, ao não fazer consultas com o país afetado. Ele também afirmou que o Congresso paraguaio rejeitou Chávez por não considerá-lo um presidente democrático.

"O problema era Chávez, porque não tinha o título de democrático que se exigia para entrar no Mercosul, mas evidentemente era isso que eles [os sócios do Mercosul] armavam. São eles que rompem os tratados e depois com toda a hipocrisia dizem que não vão impor sanções econômicas. Sempre nos julgaram com má fé".

O verdadeiro golpe no Paraguai


Sandro Vaia
Blog do Noblat

A TV estatal do Paraguai ficou 26 minutos fora do ar por falta de energia elétrica e os alucinados constitucionalistas da Constituição alheia que cresceram como erva daninha nas redes sociais, viram isso como um sintoma de “repressão” e atentado às liberdades públicas.

Nunca se viu um golpe de Estado tão modorrento. Fora dos protestos protocolares de partidários do presidente deposto, o Paraguai continuou levando a sua vida de rotina.

O microfone da TV pública ficou aberto, o ex-presidente protestou diante de suas câmeras, o Congresso fez tudo dentro da normalidade, a Suprema Corte disse que tudo foi feito dentro da normalidade e até o advogado do deposto disse que tudo foi feito dentro da normalidade.

Mas muita gente não gosta da normalidade paraguaia e insiste em chamar de golpe uma decisão tomada por mais de 90% dos parlamentares, que se basearam rigorosamente na letra do artigo 225 da Constituição de seu país.

Dizem que foi tudo muito rápido e surpreendente. Que não houve tempo para defesa. Que o rito foi muito sumário. Mas tudo está previsto na Constituição, que dá ao Senado a atribuição de fixar o rito para o julgamento, o que foi feito através da Resolução 878.

O que resta dizer? Que a Constituição é de mau gosto e “disgusting” ao fixar um etéreo “mau desempenho” como motivo de impeachment?

Que o Legislativo paraguaio não tem polidez, educação e bons modos ao dar tão pouco prazo para a defesa do acusado?

É um pouco de cinismo e hipocrisia achar que dar mais tempo de defesa ao presidente destituído poderia salvá-lo do impeachment.

A queda dele foi resolvida por razões políticas, e nem 400 dias de prazo de defesa poderiam salvá-lo. Ele simplesmente perdeu catastroficamente o apoio político de sua base de sustentação e a votação do processo de impeachment apenas confirmou que ele perdeu as condições mínimas de governabilidade.

Se a Constituição do Paraguai tem um defeito, ele é de concepção: fixou critérios quase parlamentaristas para julgar um governo presidencialista. O presidente ganhou um voto de desconfiança – que apelidaram de “mau desempenho”- e caiu.

Como provar alguma coisa como “mau desempenho” se não através de critérios puramente políticos?

Essa é a Constituição que o Paraguai tem, não a que os palpiteiros da UNASUL acham que deveria ter.

Na Venezuela, por exemplo, casuísticas normas eleitorais permitem que 51% dos eleitores elejam 66 deputados enquanto 49% elegem 96 deputados- do partido do governo, claro. Alguém reclamou?

Enquanto a normalidade da vida democrática foi mantida no Paraguai e o próprio Lugo anunciou que pretende candidatar-se de novo nas eleições de abril de 2013, além de manifestar-se contra sanções econômicas contra seu país, a UNASUL e o Mercosul afastam o Paraguai de seu convívio, com a aquiescência bovina da diplomacia brasileira, a reboque do ativismo “bolivariano”.

É fácil concluir qual é o verdadeiro golpe no Paraguai e qual é seu objetivo: afastar o único obstáculo à entrada da Venezuela no Mercosul.

As tais “cláusulas democráticas” só valem para enquadrar os inimigos. Para os amigos, nem a lei.

Chávez tentou provocar levante militar para poupar Lugo


Carolina Freitas
Veja online 

Informação foi confirmada pela nova ministra da Defesa paraguaia. Presidente Federico Franco disse que responderá à intromissão do chanceler do imperialista bolivariano Hugo Chávez

(Leo Ramirez / AFP) 
Hugo Chávez: 
o insaciável imperialista bolivariano 

A ministra da Defesa do Paraguai, María Liz García, confirmou em entrevista à imprensa de seu país um rumor que vinha tomando corpo nos últimos dias em Assunção: o diplomata venezuelano Nícolas Maduro reuniu-se com a cúpula das Forças Armadas paraguaias no mesmo dia em que o Congresso votava o impeachment de Fernando Lugo. O chanceler tinha um pedido para fazer aos comandantes: que os militares reagissem caso Lugo fosse de fato deposto. 

 As tentativas de intervenção dos presidentes de países vizinhos causam indignação – embora os discursos se mantenham diplomáticos - entre as autoridades paraguaias desde que Federico Franco assumiu o poder na semana passada. A ousadia dos encrenqueiros latino-americanos, no entanto, chegou a seu ápice nesta sexta-feira, quando veio à tona a tentativa de golpe militar no Paraguai comandada por ninguém menos que o chanceler da Venezuela – país de Hugo Chávez. 

O principal alvo de críticas entre os paraguaios vinha sendo Christina Kirchner, por sua atitude de rejeição radical ao novo governo. Até que se confirmasse a ação do chanceler venezuelano junto ao Exército paraguaio,  Hugo Chávez não se encontrava no centro das preocupações das autoridades paraguaias, que punham as declarações igualmente inflamadas do imperialista bolivariano na conta da sua notória fanfarronice.

 A frase de um influente empresário paraguaio durante encontro com o chanceler do Paraguai, José Félix Estigarribia, na quinta-feira, resume o sentimento vigente em relação à Venezuela até ontem: “Andam por aí falando da nossa democracia quando têm sua própria democracia cheia de problemas.” A revelação da ministra da Defesa, no entanto, modifica esse quadro.

 Alto comando - O pedido do chanceler foi feito durante uma reunião na tarde da quinta-feira da semana passada, mesmo dia em que o Congresso aprovou o impeachment de Lugo. De acordo com o jornal Última Hora, o embaixador do Equador, Julio Prado, e Miguel Rojas, secretário privado de Lugo, participaram do encontro, no Palácio de López, sede do governo do Paraguai. 

 O encontro foi convocado pelo chefe do gabinete militar da Presidência, Ángel Vallovera. María Liz assegurou que o conteúdo da conversa não chegou aos quartéis. Em entrevista a uma rádio local, a ministra informou que os comandantes das Forças Militares se negaram a cumprir o pedido do chanceler da Venezuela . “Não houve qualquer tipo de sublevação. Asseguro que os chefes militares decidiram respeitar a Constituição”, afirmou María Liz. 

O presidente do Paraguai, Federico Franco, rechaçou a atitude da Venezuela, a que classificou como uma "intromissão clara nos assuntos internos" do país. "Vamos tomar medidas institucionais." Franco afirmou que agirá de forma enérgica contra os militares que tentarem agir contra a lei. "Vamos terminar com a manipulação política das Forças Armadas", afirmou o presidente. "Somos um país livre."

Mudança no Mercosul fragiliza o bloco, dizem analistas


Eliane Oliveira e Janaina Lage
O Globo

Grupo deve ganhar roupagem mais política do devido à influência do presidente Chávez

BRASÍLIA e RIO — O ingresso da Venezuela como membro pleno do Mercosul fará com que o bloco ganhe uma roupagem mais política do que econômica, devido à influência do presidente Hugo Chávez. Esta é a opinião de especialistas ouvidos pelo GLOBO, que avaliam que a mudança na composição do bloco, sem o aval de um dos seus fundadores, contribui para fragilizar a união aduaneira. Ainda assim, especialistas acreditam que o processo iniciado nesta sexta-feira é irreversível, mesmo diante do eventual retorno do Paraguai, suspenso após o impeachment do presidente Fernando Lugo.

De forma geral, a leitura feita nos bastidores nesta sexta-feira era de que os presidentes Dilma Rousseff e José Mujica (Uruguai) cederam às pressões da argentina Cristina Kirchner, ao passarem por cima do Senado paraguaio.

- Toda a lógica do processo foi dirigida por Argentina e Venezuela. O Brasil ficou a reboque. A mudança dá um matiz mais bolivariano ao Mercosul. E a Argentina é hoje cada vez mais bolivariana - afirma Eduardo Viola, professor de Relações Internacionais da UnB.

A expectativa é de que a União Europeia e outros parceiros internacionais passem a criar dificuldades em negociações para um acordo de livre comércio com o bloco sul-americano.

- Do ponto de vista político, Chávez tem uma orientação ideológica muito clara, que está explícita no bloco bolivariano, e isso certamente trará dificuldades. As negociações serão mais lentas porque não é um casamento perfeito - afirma Williams Gonçalves, professor de Relações Internacionais da Uerj.

Apesar dos entraves políticos, Gonçalves avalia que o movimento é também uma resposta favorável à criação da Aliança do Pacífico neste ano, com México, Colômbia, Peru e Chile, e pode resultar em aumento de investimentos e laços comerciais entre Brasil e Venezuela.

‘Venezuelanos não preenchem os requisitos básicos’
Para o embaixador José Botafogo Gonçalves, um dos fundadores do Mercosul e hoje presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), a notícia sobre o ingresso da Venezuela não poderia ter sido pior. Para ele, houve violência desnecessária com o Paraguai.

- A posição do Mercosul, na verdade, é contra o Senado paraguaio, que já está na berlinda. Depois, sabemos que a Venezuela não está cumprindo os requisitos básicos para entrar no Mercosul - disse Botafogo. - O problema da Venezuela entrar no Mercosul é o Chávez, que não gosta do livre comércio e quer transformar o bloco numa plataforma política.

O mesmo avalia José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Segundo ele, os venezuelanos não preenchem os requisitos básicos para entrarem no Mercosul:

- Quando o Paraguai for readmitido, terá direito a reverter o processo? Foi uma sacanagem o que fizeram com os paraguaios.

A resposta à pergunta do presidente da AEB é “não”, de acordo com o especialista em Direito Internacional Welber Barral. Embora ainda não exista um acordo de harmonização das tarifas de importação entre a Venezuela e o Mercosul, os venezuelanos passarão a ter direito a voto nas decisões do bloco.

- Acredito que o processo de harmonização de tarifas será longo - disse Barral.

Antes, a Venezuela tinha apenas direito a voz, com longos discursos de Chávez nas reuniões de cúpula. No entanto, para o presidente da Federação das Câmaras de Comércio Brasil-Venezuela, José Francisco Marcondes, o comércio entre os dois países, que em 2011 foi de quase US$ 6 bilhões, vai dobrar nos próximos três ou quatro anos:

- Lutamos muito para que isso acontecesse. Um dos resultados da entrada da Venezuela no Mercosul é que os estados do Norte e do Nordeste serão incorporados, de fato, ao bloco.

Para Pedro Cláudio Cunca, professor de Relações Internacionais da PUC, a decisão do bloco foi ditada pelo pragmatismo econômico, mas pode ser classificada como moderada por não impor sanções econômicas ao Paraguai.

Eugênio Martins, professor do Departamento de História da Universidade de Brasília, disse que a decisão tomada ontem pelos presidentes do Mercosul foi oportunista:

- A Venezuela é bem-vinda, e Chávez não. Mas não existe hoje Venezuela sem Chávez.

Industriais paraguaios querem referendo para sair do Mercosul


Veja online
Com informações da agência EFE

Empresários querem negociar com outras nações; suspensão do país foi a 'gota d'água'

 (Norberto Duarte/AFP) 
O novo presidente do Paraguai, Federico Franco

A União Industrial do Paraguai (UIP) propôs nesta sexta-feira a realização de um referendo nacional para que o país abandone o Mercosul, em resposta à suspensão temporária de Assunção do bloco e à incorporação da Venezuela, decididas somente pelos demais membros do organismo - Brasil, Argentina e Uruguai.

"Consideramos que os estatutos e as regulamentações do Mercosul não estão sendo cumpridos. Não podem permitir o acesso de nenhum Estado sem que o Paraguai o aceite", afirmou o presidente da UIP, Eduardo Felippo.

Segundo ele, as decisões tomadas em Mendoza (Argentina), onde se realizou nesta sexta-feira uma cúpula na qual não se permitiu a participação do Paraguai e cujo tema central foi a situação política nesse país, foram "a gota d'água" para os industriais paraguaios, já insatisfeitos com as barreiras comerciais de parte da Argentina.

"Nós nos retiramos do Mercosul. Se necessário, vamos pedir que se faça um referendo nacional", disse Felippo, que lamentou que tenha imperado no bloco o "poder político" da Venezuela.

Acordos - 
O titular da UIP se mostrou favorável a "buscar outros acordos no mundo" em nível comercial porque, segundo ele, embora a medida do Mercosul não seja uma sanção econômica, "vai trazer alguns problemas".

O Mercosul anunciou nesta sexta-feira que pretende incorporar a Venezuela como membro pleno em julho, sem o aval do Congresso do Paraguaio, país que foi suspenso do bloco até as eleições de abril de 2013 devido à destituição de Fernando Lugo da Presidência paraguaia durante um julgamento político no Senado do país.

A decisão foi adotada pelos presidentes de Brasil, Argentina e Uruguai na cúpula semestral do Mercosul realizada em Mendoza sem a presença de representantes do Paraguai, o quarto dos membros fundadores e plenos do grupo.

Até agora, a incorporação da Venezuela só era barrada pelo Senado paraguaio, que se negou a aceitá-la desde 2007. Mas, com a suspensão temporária de Assunção do Mercosul, a via está livre para Caracas ingressar no bloco.

Mercosul suspende o Paraguai e incorpora a Venezuela


Veja online
Com informações da agência EFE

Decisão do bloco é uma retaliação ao impeachment sofrido por Fernando Lugo

(Enrique Marcarian/REUTERS) 
Reunião do Mercosul em Mendoza, Argentina 

Uma manobra de Brasil, Argentina e Uruguai garantiu a entrada da Venezuela no Mercosul. Nesta sexta-feira, o bloco decidiu suspender temporariamente o Paraguai até a realização de novas eleições – marcadas para 2013 – e aprovou a incorporação do país governado pelo ditador Hugo Chávez a partir do próximo dia 31 de julho. A entrada da Venezuela como membro pleno no bloco estava pendente desde 2006, devido à negativa do Congresso paraguaio em ratificar o protocolo de adesão, mas a suspensão do Paraguai, destravou o processo.

O anúncio foi feito pela presidente argentina, Cristina Kirchner, durante o discurso de encerramento da Cúpula do Mercosul, na cidade de Mendoza.

"A saída do Paraguai abriu a brecha necessária para a incorporação da Venezuela, o que leva a um impasse simbólico importante, pois um dos países fundadores deu lugar a um país novo no bloco", afirma o historiador José Aparecido Rolon, professor do departamento de Relações Internacionais da Universidade Anhembi-Morumbi e autor de tese sobre democracia no Paraguai. Ele afirma que foi clara a articulação entre os membros do bloco para a entrada de Caracas.

Ainda de acordo com Rolon, o fato de o Paraguai ter sido suspenso por ter, na perspectiva do Mercosul, violado a democracia, é incoerente com a incorporação da Venezuela, país com padrões democráticos fortemente questionáveis. "Sem dúvidas, esta medida cria uma situação paradoxal."

Com alta dose de hipocrisia, os governantes do grupo, que em nenhum momento mencionaram as artimanhas de Chávez para se manter no poder, afirmaram que a suspensão do Paraguai ocorreu devido ao “rompimento do processo democrático” no país – como tem sido definido pelos sul-americanos o impeachment sofrido pelo presidente Fernando Lugo, ocorrido estritamente dentro das regras da Constituição paraguaia. 

Dilma Rousseff, por exemplo, defendeu da seguinte forma a suspensão paraguaia: “Nossa posição mostra a sobriedade desta região. Há 140 anos vivemos sem guerras, conflitos étnicos ou perseguições religiosas no Mercosul. Fizemos todos os nossos organismos baseados no compromisso fundamental com a democracia, e o protocolo de Ushuaia evidencia isso”. O protocolo de Ushuaia determina que os países-membros do bloco possuam governos democráticos.

A respeito da entrada da Venezuela no bloco, Dilma disse que o Mercosul espera que "o processo contínuo e sistemático pelo qual passou a integração da Venezuela seja concluído" no próximo mês. O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o ingresso da Venezuela no Mercosul já fazia parte da agenda da cúpula, que teve a presença do chanceler venezuelano, Nicolás Maduro. 

Impeachment - Ambas as medidas são uma retaliação ao impeachment sofrido por Fernando Lugo, na semana passada. Os países latino-americanos criticam o pouco tempo dado à defesa do ex-presidente, que foi substituído de imediato pelo vice, Federico Franco. Cristina Kirchner qualificou nesta sexta-feira como uma "paródia" o julgamento político que levou à cassação de Lugo, e pediu atenção ao que chamou de "golpes suaves" na região.

Além da governante argentina, participaram da reunião em Mendoza os presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, Uruguai, José Mujica, Peru, Ollanta Humala, Bolívia, Evo Morales, Chile, Sebastián Piñera, Equador, Rafael Correa, e Suriname, Desiré Bouterse. Colômbia, Venezuela e Guiana foram representados por chanceleres e outros altos funcionários.

Paraguai - 
O chanceler paraguaio José Fernández Estigarribia expressou, por meio de um documento oficial, que o governo do país considera sua suspensão do Mercosul como "ilegal, ilegítima e violadora do processo", informou o jornal paraguaio ABC Color.

Segundo Estigarribia, os países se basearam no protocolo de Ushuaia I para banir o Paraguai do bloco, mas desrespeitaram o artigo 4º do mesmo documento, que estabelece que se deve consultar os estados-membro antes de tomar medidas desta natureza, o que não aconteceu nesta sexta-feira em Mendoza. "Todas as decisões do Mercosul sem a participação do Paraguai carecem de validade jurídica", concluiu.

Dilma adverte Venezuela para retomar fornecimento de petróleo ao Paraguai


Gerson Camarotti 
Portal G1

Antes de ser aprovada a inclusão da Venezuela ao Mercosul, a presidente presidente Dilma Rousseff fez uma advertência ao país: era preciso retomar o fornecimento de petróleo para o Paraguai. E caso fosse mantida a decisão do presidente Hugo Chávez de suspender o fornecimento de combustível, o Brasil iria fornecer petróleo para o Paraguai.

O alerta foi repassado pela diplomacia brasileira diretamente ao chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro. A posição de Dilma foi clara nas conversas em Mendoza, na Argentina: “A sanção não pode ser ao povo do Paraguai”. Nos bastidores, Dilma trabalhou diretamente para evitar sanções econômicas. Prevaleceu a tese da diplomacia brasileira de aplicar sanções políticas ao Paraguai.

As sanções políticas ao Paraguai foram definidas num café da manhã entre Dilma, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e o presidente do Uruguai, José Mujica. Para ter a segurança jurídica de suspender o Paraguai do Mercosul, a presidente Dilma importou para Mendoza, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. Ele apresentou um parecer sobre a legalidade das decisões, baseada numa cláusula do protocolo de Ushuaia, de 2001, que determina normalidade democrática para os membros do bloco.

Segundo relato de um interlocutor próximo, a grande preocupação da presidente Dilma era o de ter respaldo legal das decisões para evitar contestações. Os três conversaram para acertar uma estratégia conjunta, afinar o discurso e evitar qualquer dúvida.

Apesar de algumas críticas à inclusão da Venezuela ao Mercosul, esse interlocutor da presidente Dilma argumentou que essa foi uma decisão pragmática. “Independente do governo Chávez, o que pesou na incorporação da Venezuela ao Mercosul foi uma questão econômica. A Venezuela é um grande mercado para produtos brasileiros, principalmente em período de crise financeira internacional”, argumentou esse interlocutor.

Como o Paraguai era o único país que impedia a inclusão da Venezuela, os demais integrantes do Mercosul aproveitaram a suspensão do país para tomar essa decisão.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Dos males, o menor. Além de golpearem um governo legítimo, a suspensão castigaria muito mais a população paraguaia do que seu governo propriamente.

É bom que o Brasil leve em conta, ainda, o seguinte: 95% da população do Paraguai apoia e apoiou a ação de seu Congresso (aliás, eleito direta e democraticamente pelo povo paraguaio). Não há movimentos de quebradeira nas ruas, as instituições e a imprensa funcionam normalmente, os quartéis estão calmos e tranquilos, o presidente deposto circula livre e normalmente pelo país. Sua deposição bem ocomo o processo de impeachment foi legitimado tanto pelo Tribunal Superior quanto pelo Tribunal Eleitoral daquele país. Além disto, o processo seguiu rigorosmente o texto constitucional, que já existia antes da posse do deposto Fernando Lugo, e foi através dela que ele se elegeu. Se está previsto a deposição por ferir a letra da lei, e conforme venho dizendo, que cumpra-se a lei, e que assuma o vice.

A única coisa que me preocupa nem foi a ação canalha de Chavez no meio militar do Paraguai, mas, sim, saber quais as razões para a presidente Cristina Kirchner nutrir tanto ódio pelo país vizinho. O que o Paraguai, em passado recente, teria cometido que tenha contrariado tanto a presidente argentina, é um mistério a ser descoberto. A reação destemperada de Cristina não pode ser justificada APENAS pelo impeachment de Lugo, que serviu só como pretexto para externar sua fúria e ódio em relação ao Paraguai.  Nem tampouco o rebuliço interno causado por uma governante que compromete as liberdades de seu povo com iniciativas de agressão à imprensa e intervenção na economia que causam insegurança, fuga de investimentos, inflação e desabastecimento. 

É nítido que Cristina precisa criar um fato externo novo para desviar o foco com os problemas internos. A tentativa estúpida de querer apoderar-se das ilhas Malvinas parece que se esgotou. Depois, veio a desapropriação da Repsol e reestatização da YPF. O assunto também já saiu do noticiário. Mas o ódio e furor com que ataca o Paraguai, não se explica apenas para desviar o noticiário para um novo tema. Tem algo mais neste chilique todo. O diabo é que a diplomacia brasileira e nossa presidente, parecem ter entrado na pilha da presidente argentina. E isto é ruim para o Brasil. 

TST divulga os salários de ministros e servidores


Josias de Souza

O Tribunal Superior do Trabalho tornou-se o primeiro tribunal brasileiro a divulgar na internet os salários que o contribuinte paga aos ministros e aos servidores. A lista foi ao ar na tarde desta sexta (29). Inclui os salários, as vantagens, as comissões e os nomes dos beneficiários.

O primeiro lotes de planilhas, disponível aqui, anota os dados dos contracheques de maio. Percorrendo-se as 61 páginas eletrônicas que compõem o levantamento, verifica-se que há no tribunal técnicos que recebem salários mais altos que os vencimentos dos ministros.

No TST, a remuneração bruta dos ministros é de R$ 25.386,97 –uma cifra 5% inferior ao vencimento dos colegas do STF. Descontados o INSS e o IR, os magistrados recebem salário líquido de R$ 17.182,72. Em alguns casos, adiciona-se a esse valor um “auxílio creche”. Coisa de R$ 710.

O ministro João Oreste Dalazen, presidente do TST, recebe um pouco mais. Além do salário bruto e do auxílio creche, ele amealha R$ 4.173,35 a título de “vantagens eventuais”. Com isso, seu contracheque soma R$ 30.270,32. Com os descontos: R$ 21.670,04. Afora o salário, Dalazen recebeu em maio R$ 18.332,45 em “diárias”.

Chama a atenção na lista do TST a presença de vários servidores com remuneração acima da dos chefes e do pé-direito do funcionalismo. Três exemplos aleatórios recolhidos das planilhas eletrônicas:

1. Luiz Carlos Torelli de Souza: exerce a função de “técnico judiciário”. Sua remuneração base é de R$ 6.420,58. A título de “vantagens pessoais”, recebe mais R$ 2.757,72. À guiza de “comissionamento” pela função, amealha mais R$ 1.379,07. O “auxílio creche” rende-lhe mais R$ 710. Sob a rubrica “vantagens eventuais”, o servidor belisca um adicional equivalente a mais de três vezes a sua remuneração básica: R$ 21.494,92. Tudo somado, o contracheque vai a R$ 32.762,29. Feitos os descontos de praxe (INSS e IR), desce à conta bancária a cifra de R$ 30.259,49. É mais do que recebem os ministros do TST e também do STF.

2. Maria Tereza de Andrade Lima Orlandi: exerce as atribuições de “analista judiciária”. O salário base é de R$ 11.087,37. A esse valor são acrescidos:  “vantagens pessoais” (R$ 3.491,89), “comissionamento” de função (R$ 3.072,36), “auxílio creche (R$ 710,00) e as notáveis “vantagens eventuais” (R$ 17.797,38). A soma vai à casa dos R$ 36.159. Com os descontos: R$ 29.325,83.

3. Úrsula Maria Borges de Freitas: é “analista judiciária”. O salário base soma R$ 10.698,64. As “vantagens pessoais”, R$ 2.348,65. O “comissionamento”, R$ 1.939,89. A ajuda para a “creche”, R$ 710. As “vantagnes eventuais”, R$ 16.985,48. Salário bruto: R$ 32.682,66. Líquido: 25.666,93.

Deve-se a veiculação dos salários do TST à nova Lei de Acesso à Informação. Por ordem de Dilma Rousseff, o Executivo já havia divulgado os seus dados na véspera. No Judiciário, porém, o tribunal do trabalho tornou-se uma alvissareira exceção.

O STF já decidiu, em sessão administrativa realizada no mês passado, que vai abrir os salários dos seus ministros e servidores. Porém, os dados ainda não foram à web. Em decisão individual, a presidente do TSE, ministra Cármen Lucia, passou a divulgar o seu próprio contracheque. Quanto aos demais, por enquanto, nada.

De resto, constituiu-se no Conselho Nacional de Justiça um grupo de trabalho para estudar como a Lei de Acesso será seguida pelos tribunais federais e estaduais. Alguns resistem à idéia de abrir os salários. Terão de fazer por pressão o que ainda não fizeram por obrigação.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
No post anterior, “Muitos impostos e pouco investimento”, Josef Barat afirma que “Para sorte dos governos, a maioria dos brasileiros não tem a menor noção de que paga tantos impostos. Aos baixos níveis de cidadania correspondem, obviamente, baixos níveis de consciência do contribuinte. Como disse o Millôr: "no Brasil não temos contribuintes, mas sim extorquidos".

Com efeito, Uma das maiores questões nacionais, e sobre a qual se busca uma resposta ao menos convincente, por que o Estado brasileiro arrecada os bilhões que arrecada, e não se consegue sequer avançar em coisas do tipo saneamento básico, que como o próprio nome diz “é básico”. Ou então, sendo a Educação a chave mestra para impulsonar o desenvolvimento de qualquer nação, como se pode pagar salários tão miseráveis aos professores e manter prédios escolares em estado de ruína? 

Quando a imprensa brasileira começou a noticiar a resistência que a Lei de Acesso à Informação estava encontrando em alguns ministérios e outros órgãos públicos, disse aqui que a razão desta resistência era porque se descobriria em que boa parte toda esta fortuna arrecadatória estaria sendo jogada. E a descoberta, como não poderia deixar de ser, acabaria por mostrar ao povo brasileiro que há uma parcela pequena desta população que engole de maneira imoral grande parte de recursos, com vantagens que são verdadeiros assaltos aos cofres públicos. 

Os casos acima relatados por Josias de Souza são apenas pequiníssimas amostras do mar de indecência que cercam os salários com seus penduricalhos de boa parte do funcionalismo estatal. Apenas para que se tenha ideia da grandeza deste descalabro, apenas no governo federal, um quinto de toda a arrecadação de impostos é destinado ao “custo com pessoal”. Durante anos critico e denuncio a sacanagem que se pratica em relação às aposentadorias no Brasil. De um lado, uma classe elitizada, que se aposenta com proventos integrais além de desfrutar de aumentos em níveis idênticos aos da turma ativa, afora certas vantagens inexistentes em qualquer lugar do mundo. De outro lado, são milhões de aposentados da iniciativa privada que melhor seria morrerem logo após serem aposentaqdos do que terem de viver com a minguada e exdrúxula aposentadoria que passarão a receber, indenpendete dos anos de contribuição e dos valores recolhidos. Ou seja, são tratados em seu país como trabalhadores de quinta categoria, apesar de serem eles que carregam o país nas costas. 

Portanto, os casos relatados acima são exemplares da maneira sórdida como o funcionalismo desvia recursos que deveriam retornar em benefícios para TODOS, mas ficam aprisionados nas mãos indecentes de poucas aves de rapina. E  se formos a fundo na investigação, descobriremos ainda milhares de outros casos que, à luz da racionalidade, são espantosamente absurdos. 

Portanto, quando alguém questiona o baixo investimento público em serviços essenciais, sempre é bom olhar duas imensas porteiras por onde escoam grande parte da arrecadação afortunada de impostos no Brasil: uma, é o volume espantoso de recursos utilizados para pagamento de juros da dívida pública que, poucos sabem, engessam de maneira infame a capacidade de investir do Estado. E esta dívida, senhores, é fruto de um governo irresponsável que gasta mais do que arrecada, apesar de que já arrecada muito. E a outra porteira é o tal custo com pessoal que, já disse recentemente, se transformou no Brasil em um verdadeiro assalto. É por aí que se entende a resistência que certas áreas do governo tem, em todos os seus níveis, para que se divulguem informações sobre o destino dado aos impostos. Não é só de corrupção que o Estado brasileiro é mal feito!   

Muitos impostos e pouco investimento


Josef Barat (*)
Brickmann & Associados Comunicação

... Para sorte dos governos, a maioria dos brasileiros não tem a menor noção de que paga tantos impostos. Aos baixos níveis de cidadania correspondem, obviamente, baixos níveis de consciência do contribuinte. Como disse o Millôr: "no Brasil não temos contribuintes, mas sim extorquidos"...

Um dos maiores desafios para o governo Dilma é o de superar o impasse entre a carga tributária extorsiva e o baixo nível de investimento público. Para desfazer os gargalos nas infraestruturas, melhorar os níveis de educação e qualificação dos brasileiros e inserir o país na vanguarda do desenvolvimento tecnológico é necessário desinchar a máquina estatal, elevar os investimentos públicos e transcender as políticas imediatistas de estímulo ao consumo. Como os recursos tributários são literalmente torrados em despesas correntes - que resultam da elefantíase estatal e do descontrole nos gastos - sobra muito pouco para investir no que é essencial para melhorar as condições de vida e tornar o país mais competitivo.

Os brasileiros comprometem parcelas crescentes dos seus rendimentos com o pagamento de impostos. Os dados do governo são inconsistentes, mas segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a carga tributária média no Brasil, entre 2000 e 2010 foi de 36% do PIB. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o contribuinte brasileiro destinou, em média, 40% do que ganha para pagar aos três níveis de governo impostos, contribuições e taxas sobre rendimentos, consumo, patrimônio e outros. Hoje se trabalha 4 meses e 29 dias para pagar tributos, o dobro do que era necessário nos anos 80. 

Além de excessivo, o sistema tributário é absolutamente ilógico e inibidor de iniciativas e inovações. O contribuinte é achacado por 63 tributos que incidem tanto de forma direta sobre rendimentos, especialmente os do trabalho (IR e contribuição previdenciária), quanto de forma indireta nos preços de bens e serviços (ICMS e IPI). Nosso sistema tributário é extremamente regressivo, incidindo mais sobre os pobres, uma vez que os impostos indiretos sobre o consumo equivalem a quase dois terços da carga tributária, o dobro dos diretos e contribuições. Os 10% mais pobres despendem 33% dos seus rendimentos com impostos sobre bens e serviços e os 10% mais ricos, apenas 22%. Tributa-se, ainda, o patrimônio (IPTU e IPVA) e cobra-se taxas de limpeza pública, coleta de lixo, emissão de documentos e iluminação pública. 

Para sorte dos governos, a maioria dos brasileiros não tem a menor noção de que paga tantos impostos. Aos baixos níveis de cidadania correspondem, obviamente, baixos níveis de consciência do contribuinte. Como disse o Millôr: "no Brasil não temos contribuintes, mas sim extorquidos". Só assim explica-se a tolerância com os sucessivos aumentos da carga tributária. O grave é que temos um nível vergonhosamente baixo de retorno dos valores arrecadados com tributos, pois os níveis de investimentos públicos não conseguem ultrapassar o limite de 3% do PIB. É claro que o problema não se restringe apenas à capacidade do governo em investir, mas a todo um contexto de baixas taxas de poupança e investimento. Em 2011, investiu-se apenas 19,3% do PIB, o que é insuficiente para dar sustentação a um crescimento mais robusto. 

Mas o busílis do problema é que uma economia fortemente dependente do governo depara-se com a baixíssima capacidade de investimento nos três níveis. Considerando apenas o governo federal, apesar da arrecadação de 36% do PIB, os investimentos (excluindo os das estatais) vêm declinando, inclusive o PAC, que se restringiu a cerca de R$ 20 bilhões (neles incluídas as despesas e subsídios do programa Minha Casa, Minha Vida), o que representou apenas 2% do PIB. 

É louvável o esforço feito com o corte de gastos federais em custeio e em despesas da Previdência. Positivo também é o esforço fiscal para redução da dívida pública e seus efeitos sobre a política monetária, que contribuiu - embora em menor proporção - para a melhoria do resultado fiscal. Mas a pergunta que não quer calar é: de onde sairão os recursos para remover os gargalos nas infraestruturas? O desafio é o de contemplar segmentos que, por não oferecerem atrativos para concessões e parcerias, precisam da continuidade de recursos públicos para manutenção e ampliação.

(*) Josef Barat, é economista, consultor de entidades públicas e privadas 

Gestão temerária e intromissão irresponsável na Petrobrás


Adelson Elias Vasconcellos

No dia 27.10.2010, escrevi um artigo (íntegra aqui) em que apontava as mentiras que Dilma Rousseff apresentara num debate com José na Rede Record. Estas mentiras, eram a repetição do discurso canalha que Lula vinha repetindo em palanques pelo país todo, devidamente amparado pelo então presidente da Petrorbrás, Sérgio Gabrielli.

Naquele artigo, comecei por desmistificar a apntomima que Lula inventara sobre a Petrobrás ao tempo de FHC. Dizia então:

Pois bem, em 2002 ao transferir o governo para Lula, a situação da Petrobrás era outra. A estatal voltara a investir, a produção dobrara, passara para 1,4 milhões de barris/dia, foi feita uma bem sucedida capitalização em nível popular, quando se permitiu que as pessoas físicas utilizassem parte do seu saldo no FGTS para a subscrição de ações (coisa que Lula tentou evitar mas teve que recuar), e com a quebra do monopólio, a Petrobrás firmara dezenas de parcerias que lhe permitiram aumentar a área explorada e a descoberta de novos campos em águas profundas, dentre os quais a camada pré-sal, da qual, estudos anteriores à era Lula, já indicavam enorme potencial.

Com efeito, foi a partir da quebra do monopólio de exploração que, não apenas aumentaram exponencialmente os investimentos nas áreas de exploração, como também fortaleceram a Petrobrás para que aumentasse sua produção.

Voltando ao debate e ao artigo de 2010. O então candidato José Serra, com propriedade e segurança, demonstrou três inverdades então contadas pela dupla Lula/Dilma. A saber:  

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Mas voltemos às acusações de Serra. Foram ao menos três: a entrega de uma das diretorias da estatal para Collor, em troca de apoio político do ex-presidente, maior número de privatizações de áreas para exploração com favorecimento a investidor privado, e privatização de área do pré-sal.

E demonstrei a correção do que dissera Serra apontando três fatos, que,em resumo, foram os seguintes:

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Fato 1. – O governo Lula, em troca de apoio político, entregou uma das diretorias à influência de Fernando Collor. Verdade ou mentira? VERDADE. O diretor de Operações e Logística da BR Distribuidora, José Zonis, foi indicado para o cargo pelo senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL). A indicação foi feita em setembro do ano passado.

Fato 2.- O governo Lula “privatizou” áreas de exploração do petróleo à iniciativa privada, em número maior do que FHC, inclusive favorecendo uma das empresas privadas em especial, a OGX, do Eike Batista. Verdade ou mentira? VERDADE. A concessão de novas áreas de exploração do petróleo à iniciativa privada ocorreu nos seis primeiros anos do governo Lula. O auge foi registrado em 2007, quando 27 empresas ganharam lotes - destas, 16 estrangeiras e 11 que estrearam no país, como operadoras. No total, 108 empresas ganharam áreas, sendo 53 estrangeiras, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Fato 3.- Favorecimento a grupos privados, inclusive na área do pré-sal. Verdade ou mentira? VERDADE. Ildo Sauer que foi diretor da estatal de 2003 a 2007, conta como Eike Batista foi favorecida por Dilma Rousseff já na área do pré-sal, e também toca num outro ponto delicadíssimo, inclusive correndo uma ação na Justiça contra o processo, de favorecimento à White Martins, na área do gás.

O noticiário dos últimos dias, praticamente dois anos passados daquele debate, vem mostrar mais uma vez que Lula/Dilma mentira desavergonhadamente para o país. Nesta edição, vejam lá, mostramos que a Petrobrás foi a petrolífera que sofreu a maior queda no valor de suas ações no mundo. Como também, ficou evidenciado que o favorecimento a Eike Batista e seu grupo “X”, não passava de uma bolha, e o prejuízo que provocou a quem nele acreditou elevam-se em milhões.

Também nesta edição, em outros artigos e reportagens,  fica claro que o país foi e continua sendo enganado. A presidente Dilma sequer tem a desculpa de que o presidente era outro. Era ela, com mão de ferro, quem dava as cartas na Petrobrás. 
E, por mais escabroso que possa parecer, o grande público ainda não conhece a missa a metade. Chegará a hora que o país vai exigir a abertura da imensa caixa preta que é aquela estatal, e tomaremos ciê4ncia de que ali se encontra um verdadeiro império, uma espécie de Brasil a parte, e de que os grandes palhaços somos todos nós. 

Especialmente no Brasil, estatal nunca cuidou dos grandes interesses nacionais. Sempre foi para servir um grupo, uma oligarquia, uma elite estatal privilegiada. A forma como o governo vem se comportando EME relação a administração desta companhia, além de abusiva e excessiva, tem sido de gestão fraudulenta e temerária, prejudicando, consciente e deliberadamente, os acionistas minoritários, roubando a capacidade financeira da estatal, montando esquemas de cambalacho para sonegar à opinião pública os interesses e a real situação financeira da Petrobrás. 

Há muito que venho acusando o governo petista de se utilizar destes esquemas de submundo para administrar a estatal e que estes esquemas já mereceriam de parte da CVM a abertura de um processo contra a administração da companhia. Eike Batista? Foi apenas um daqueles laranjas que se utiliza para acobertar tramoias de todo o tipo.

E que fique: em 2010, o desespero de Lula e petistas para fazer de Dilma a sucessora do fanfarrão, não se destinava a dar continuidade a um plano de governo iniciado com Lula, porque, a rigor, plano de governo nunca houve nenhum. Visava apenas a perpetuação no poder de um grupo que vem, nestes últimos anos, solapando o país, mentindo e explorando seu próprio povo,  porque para este gente o que realmente importa é o poder pelo poder, mesmo que para tanto, se tenha que prejudicar os interesses do país.  

Passe o tempo que passar, mas cedo ou tarde a máscara desta turma irá cair e saiam da frente porque o que iremos assistir vai chocar, e muito, os incautos, os crédulos, não aqueles que conhecem a essência e a consciência deste grupelho de assaltantes do país.  Párias que se servem do trabalho honesto de seu povo apenas para satisfazer seus interesses individuais. O Brasil que se dane! 

A sra. Graça Foster pelo tempo que já dedicou à Petrobrás tem condições de por a estatal em bom caminho, e o primeiro passo seria gerir a empresa com menos interferência política do governo. E, dar seguimento a uma política realista dentro da capacidade de investimentos que a companhia é capaz de suportar. Já por aí recuperaria a Petrobrás junto a todos os seus acionistas grande parte da credibilidade perdida sob o manto de Luiz Inácio. O Brasil precisa de trabalho honesto e seriedade, e muito, muito menos mistificação e cretinice.

Quem se importa com exportação e emprego?


Rolf Kuntz 
Observatório de Imprensa

Estagnação será a grande marca da exportação brasileira neste ano, com aumento de apenas 0,8% na receita, segundo a nova projeção do Banco Central (BC) divulgada na sexta-feira (22/6). Pela nova estimativa, o país vai faturar somente US$ 258 bilhões com as vendas ao exterior, US$ 10 bilhões abaixo da estimativa anterior. Em contrapartida, o valor gasto com a importação crescerá 6,1% e chegará a US$ 240 bilhões. O superávit previsto, US$ 18 bilhões, será US$ 3 bilhões menor que o projetado até recentemente pelo BC e US$ 10,8 bilhões inferior ao do ano passado.

Algum leitor ficou preocupado diante desses números? Se ficou, não foi por influência dos jornais. Editores e repórteres deram pouquíssima atenção – quase nenhuma, de fato – a esses detalhes da nova projeção do balanço de pagamentos, incluída no último relatório mensal das contas externas.

Nenhum dos três jornalões tradicionais de São Paulo e do Rio de Janeiro mencionou sequer os valores previstos para compras e vendas de mercadorias. O maior destaque foi para a redução do crédito externo. Os empréstimos de médio e longo prazos captados no exterior devem cair de US$ 47 bilhões em 2011 para US$ 100 milhões neste ano, com uma redução de 99,8%. Aqueles US$ 100 milhões representam quase nada, no conjunto do balanço de pagamentos. É um fato importante, sim, e explica por que o Ministério da Fazenda reduziu o imposto cobrado sobre os financiamentos obtidos no mercado internacional. A retração dos financiadores estrangeiros é mais uma das consequências da crise no mundo rico. Apesar disso, o BC manteve a projeção de Us$ 50 bilhões de investimento externo direto.

Nível de emprego
Embora a nova estimativa do crédito estrangeiro seja preocupante, a saúde econômica do país e o vigor das contas externas, no médio e longo prazos, dependem muito mais do comércio que das operações financeiras. Um bom desempenho comercial é importante para o país crescer com baixo endividamento e sem muita dependência do humor no mercado financeiro.

Muito mais relevante do que o acesso ao crédito é a atração do investimento produtivo. Nesse quesito, as contas externas continuam satisfatórias. Além do mais, solidez comercial e bons fundamentos atraem a boa vontade dos fornecedores de empréstimos, exceto, é claro, quando os banqueiros ficam apavorados diante da situação dos grandes devedores e decidem reduzir suas aplicações (operação conhecida no jargão financeiro como desalavancagem). É este o problema, neste momento, como sabem muito bem os ministros de Finanças não só da Grécia, mas também da Espanha e da Itália.

Enfim, talvez haja uma boa razão para a ênfase maior atribuída ao lado financeiro das projeções. Difícil, mesmo, é encontrar um bom argumento para justificar o desinteresse, quase desprezo, em relação às novas previsões para a conta de mercadorias. Afinal, os números conhecidos até maio já foram bastante ruins para fazer soar um sinal de alerta em todas as editorias econômicas.

Até o mês passado as exportações foram apenas 3,4% maiores que as de igual período de 2011, enquanto as importações custaram 6,4% mais do que entre janeiro e maio do ano passado. Qual será o resultado para a economia nacional – especialmente para o nível de emprego na indústria – se esse descompasso se mantiver por mais uns dois anos?

Quadro europeu
As novas projeções do balanço de pagamentos e os dados ruins da indústria foram o contraponto brasileiro ao agravamento da crise externa. O Federal Reserve (Fed), o banco central americano, reduziu a previsão de crescimento econômico dos Estados Unidos para a faixa de 1,9% a 2,4% neste ano. A projeção anterior ficava no intervalo de 2,4% a 2,9%.

Diante do novo quadro, o Fed anunciou a prorrogação por seis meses, até o fim do ano, da Operação Twist, a venda de títulos públicos de curto prazo em troca de papéis de longo prazo, para favorecer uma nova redução de juros nos financiamentos longos.

Estado de S.Paulo, Globo e Valor deram destaque ao assunto. De modo geral, os grandes jornais têm acompanhado com eficiência a crise nos Estados Unidos e na Europa, embora deixem passar, de vez em quando, alguns detalhes importantes e interessantes, como a última avaliação do quadro europeu pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Nessa avaliação, o pessoal do Fundo assumiu claramente a defesa da criação dos títulos de responsabilidade comum, os eurobônus, e a adoção e uma política bancária comum.

Exame cuidadoso
Na cobertura interna, o grande furo da semana foi dado pela Folha de S. Paulo, com o anúncio, na edição de quinta-feira (21/6), da decisão do governo de autorizar um aumento da gasolina. Nesse dia, o ministro da Fazenda e a presidente da República ainda desconversaram, quando enfrentaram perguntas sobre o assunto. Mas o aumento, embora em porcentual menor que o indicado no furo, foi confirmado na sexta-feira (22) e divulgado pelos jornais no sábado.

Valeria a pena dar mais atenção à justificativa oficial: o novo preço deverá proporcionar um reforço de caixa à Petrobras para a continuação de seu programa de investimentos. O novo plano de negócios da empresa altera as prioridades de alguns projetos. Como a Petrobras tem sido responsável, há vários anos, por cerca de 90% dos investimentos das estatais da União, seria interessante um exame mais cuidadoso de seu planejamento e dos critérios adotados pela nova direção. Há alguns sinais de inovação. Podem ser apenas aparentes, mas por que não conferir?

O 'custo Lula'


Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

Há menos de três anos, em 17 de setembro de 2009, o então presidente Lula apresentou-se triunfante em uma entrevista ao jornal “Valor Econômico”.

Entre outras coisas, contou, sem meias palavras, que a Petrobras não queria construir refinarias e ainda apresentara um plano pífio de investimentos em 2008.

“Convoquei o conselho” da empresa, contou Lula. Resultado: não uma, mas quatro refinarias no plano de investimentos, além de previsões fantásticas para a produção de óleo.

Em 25 de junho último, a Petrobras informa oficialmente aos investidores que, das quatro, apenas uma refinaria, Abreu e Lima, de Pernambuco, continua no plano com data para terminar. E, ainda assim, com atraso, aumento de custo e sem o dinheiro e óleo da PDVSA de Chávez.

Todas as metas de produção foram reduzidas. As anteriores eras “irrealistas”, disse a presidente da companhia, Graça Foster, acrescentando que faria uma revisão de processos e métodos. Entre outros equívocos, revelou que equipamentos eram comprados antes de os projetos estarem prontos e aprovados.

Nada se disse ainda sobre os custos disso tudo para a Petrobras. Graça Foster informou que a refinaria de Pernambuco começará a funcionar em novembro de 2014, com 14 meses de atraso em relação à meta anterior, e custará US$ 17 bilhões, três bi a mais. Na verdade, as metas agora revistas já haviam sido alteradas. O equívoco é muito maior.

Quando anunciada por Lula, a refinaria custaria US$ 4 bilhões e ficaria pronta antes de 2010. Como uma empresa como a Petrobras pode cometer um erro de planejamento desse tamanho? A resposta é simples: a estatal não tinha projeto algum para isso, Lula decidiu, mandou fazer e a diretoria da estatal improvisou umas plantas. Anunciaram e os presidentes fizeram várias inaugurações.

O nome disso é populismo. E custo Lula. Sim, porque o resultado é um prejuízo para os acionistas da Petrobras, do governo e do setor privado, de responsabilidade do ex-presidente e da diretoria que topou a montagem. 

Tem mais na conta. Na mesma entrevista, Lula disse que mandou o Banco do Brasil comprar o Votorantim, porque este tinha uma boa carteira de financiamento de carros usados e era preciso incentivar esse setor.

O BB comprou, salvou o Votorantim e engoliu prejuízo de mais de bilhão de reais, pois a inadimplência ultrapassou todos os padrões. Ou seja, um péssimo negócio, conforme muita gente alertava. Mas como o próprio Lula explicou: “Quando fui comprar 50% do Votorantim, tive que me lixar para a especulação.”

Quem escapou de prejuízo maior foi a Vale. Na mesma entrevista, Lula confirmou que estava, digamos, convencendo a Vale a investir em siderúrgicas e fábricas de latas de alumínio.

Quando os jornalistas comentam que a empresa talvez não topasse esses investimentos por causa do custo, Lula argumentou que a empresa privada tem seu primeiro compromisso com o nacionalismo.

A Vale topou muita coisa vinda de Lula, inclusive a troca do presidente da companhia, mas se tivesse feito as siderúrgicas estaria quebrada ou perto disso. Idem para o alumínio, cuja produção exige muita energia elétrica, que continua a mais cara do mundo.

Ou seja, não era momento, nem havia condições de fazer refinarias e siderúrgicas. Os técnicos estavam certos. Lula estava errado. As empresas privadas foram se virando, mas as estatais se curvaram.

Ressalva: o BNDES, apesar das pressões de Brasília, não emprestou dinheiro para a PDVSA colocar na refinaria de Pernambuco. Ponto para seu corpo técnico.

Quantos outros projetos e metas do governo Lula são equivocados? As obras de transposição do Rio São Francisco estão igualmente atrasadas e muito mais caras. O projeto do trem-bala começou custando R$ 10 bilhões e já passa dos 35 bi.

Assim como se fez a revisão dos planos da Petrobras, é urgente uma análise de todas as demais grandes obras. Mas há um outro ponto, político. A presidente Dilma estava no governo Lula, em posições de mando na área da Petrobras. Graça Foster era diretora da estatal. Não é possível imaginar que Graça Foster tenha feito essa incrível autocrítica sem autorização de Dilma.

Ora, será que as duas só tomaram consciência dos problemas agora? Ou sabiam perfeitamente dos erros então cometidos, mas tiveram que calar diante da força e do autoritarismo de Lula? De todo modo, o custo Lula está aparecendo mais cedo do que se imaginava. Inclusive na política.

Hora da verdade na Petrobrás


O Estado de S.Paulo

Há duas grandes novidades no plano de negócios anunciado pela presidente da Petrobrás, Graça Foster, para o período de 2012 a 2016. Em primeiro lugar, as novas metas e os cronogramas são mais realistas que os apresentados nos planos anteriores. A produção nacional de petróleo, por exemplo, deverá chegar a 2,5 milhões de barris diários em 2015, meio milhão abaixo da previsão adotada até o ano passado. Em segundo lugar, o novo planejamento consagra uma visão crítica dos padrões da administração passada e implantados no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde o início da gestão petista, como indicou a presidente da empresa, a Petrobrás jamais conseguiu alcançar as metas fixadas. Mais de uma vez, durante sua exposição, ela mencionou o apoio do "controlador" - isto é, do governo Dilma Rousseff - aos novos critérios.

Uma das condições agora levadas em conta é a convergência dos preços cobrados internamente com os preços internacionais dos combustíveis. Esse ponto foi ressaltado tanto pelo diretor financeiro, Almir Barbassa, quanto pela presidente da estatal. O recém-anunciado aumento dos preços da gasolina (7,8%) e do óleo diesel (3,9%) ficou abaixo do considerado necessário por muitos analistas. A diferença foi mal recebida no mercado de capitais e segunda-feira as ações da empresa caíram mais de 8% na bolsa, queda maior que a de novembro de 2008, no pior momento da crise financeira. Prevaleceu entre os investidores, mais uma vez, a visão de curtíssimo prazo. Se a nova administração agir de acordo com os critérios indicados na apresentação do plano, o crescimento da Petrobrás será mais seguro do que seria com os padrões dos últimos nove anos.

Para realizar os investimentos de US$ 236,5 bilhões previstos no plano de negócios a empresa precisará de preços mais realistas e, portanto, novos aumentos serão necessários, como deixaram claro os diretores da estatal. O compromisso com resultados também foi reforçado. Isso explica a revisão de cronogramas, como o do complexo petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e de outras refinarias.

Pela nova previsão, a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, só começará a funcionar em 2014, com atraso de um ano am relação à data prevista no último planejamento. O custo passará de US$ 13,4 bilhões para US$ 17 bilhões. A associação negociada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o colega venezuelano, Hugo Chávez, até agora deu em nada. Nenhum centavo foi pingado pela PDVSA. A presidente Graça Foster mantém, segundo afirmou, a esperança de ver concretizada a participação venezuelana. No entanto, ela mesma descreveu esse projeto como um exemplo a ser analisado para nunca se repetir.

Erros desse tipo só serão evitados, no entanto, se o governo brasileiro abandonar os padrões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele usou a Petrobrás para seus objetivos políticos no Brasil e no exterior. A aliança com o presidente Chávez é parte dessa história, assim como sua reação mansa e cordata quando instalações da empresa foram ocupadas militarmente na Bolívia.

Curiosamente, a nova presidente da Petrobrás defende a política de conteúdo nacional para os equipamentos comprados pela empresa. Essa política, segundo ela, atende às necessidades da empresa. Os riscos, no entanto, são tão evidentes quanto o erro de fazer da Petrobrás, uma das maiores petroleiras do mundo, um instrumento de política industrial. Em março, a presidente Graça Foster declarou-se preocupada com os atrasos na entrega de navios encomendados ao Estaleiro Atlântico Sul e com problemas tecnológicos.

O primeiro navio encomendado a esse estaleiro, o petroleiro João Cândido, foi lançado pelo presidente Lula em maio de 2010. Quase afundou, passou por reformas e só foi entregue dois anos mais tarde. Política industrial baseada em favorecimento e voluntarismo dá nisso. Se reconhecerem esse fato, a presidente Dilma Rousseff e sua amiga Graça Foster talvez consigam se livrar - e livrar o País - de alguns dos piores costumes consagrados no governo anterior, como o aparelhamento da administração, o voluntarismo, o favorecimento a grupos econômicos e a mistificação populista.

Petrobras é a petroleira mais desvalorizada do mundo na Bolsa


Brasil247

Entre as cem maiores empresas, ocupa a quarta posição, atrás só das japonesas NTT e Japan Tobacco e da russa Gazprom, companhias em sérias dificuldades em seus negócios

Foto: GERMANO LUDERS/Divulgação 


A Petrobras se encontra entre as empresas mais desvalorizadas do mundo. Entre as petroleiras, lidera o ranking da Bloomberg. Entenda o que isso representa na matéria da Folha:

A Petrobras é a petroleira mais desvalorizada do mundo na Bolsa
Por desvalorizada entenda-se o "desconto" que o investidor pede no preço das ações em relação àquilo que a companhia declara valer pelo seu conjunto de ativos -caixa, prédios, plataformas, reserva de petróleo, contratos, contas a receber etc.

No caso da Petrobras, esse "desconto" é de 30% --é negociada na Bolsa a 70% do seu valor patrimonial.

É a quarta empresa mais "descontada" entre as cem maiores do mundo, segundo a Bloomberg. Fica atrás só das japonesas NTT e Japan Tobacco e da russa Gazprom, companhias em sérias dificuldades em seus negócios.

Na contabilidade, o valor patrimonial é a soma de tudo o que a empresa tem, sem aferição de vantagens competitivas como posição monopolista no mercado, reputação e know-how conquistados.

O valor de mercado inclui esse "algo a mais" das ações, que aparece como custo de oportunidade quando uma empresa é vendida.

"É uma coisa anômala. Significa que o mercado coloca em dúvida se os ativos da Petrobras valem tudo isso", disse Marta Pelucio, professora de contabilidade da Fipecafi.

Para ela, quando há esse tipo de desconfiança, a empresa deve fazer testes para verificar se sua avaliação está correta e explicar por que é diferente da do mercado.

Para Erick Scott, analista da corretora SLW, dificilmente a Petrobras conseguiria hoje levantar dinheiro no mercado com a venda de ações, como fez em outubro de 2010.

À época, a estatal captou R$ 120 bilhões --sendo R$ 74,8 bilhões do governo por meio da cessão de petróleo.

"Não entendo como a Petrobras pode valer o mesmo que a colombiana Ecopetrol, que é um quarto dela", diz Will Landers, da Blackrock.

Nesta quarta-feira (27), a Ecopetrol valia US$ 114,6 bilhões, e a Petrobras, US$ 113,9 bilhões.

Graça Foster e o choque de realidade


Ricardo Galuppo
Brasil Econômico

O governo poderia fazer sua parte, alterando de forma séria e profunda a política fiscal

Depois de anos ouvindo das autoridades que os problemas do Brasil ficariam no passado no dia em que o óleo do pré-sal jorrasse das profundezas do oceano, o Brasil levou um chacoalhão de realidade com as palavras ditas anteontem pela presidente da Petrobras, Graça Foster.

Segundo ela, a extração dessa riqueza dará trabalho e exigirá investimentos. Ela se referia, naturalmente, não apenas ao petróleo de águas profundas, mas também ao que se encontra mais próximo da superfície.

O dinheiro que financiará a produção brasileira virá, segundo a presidente, da perseguida paridade entre os preços dos combustíveis no mercado doméstico e no mercado internacional.

Tradução: o dinheiro chegará pelo caminho conhecido, que começa na bomba de gasolina e termina no caixa da companhia. Sairá do bolso do consumidor brasileiro. E ponto final. No momento, é a única solução.

Em primeiro lugar, o mercado já não está tão favorável quanto se mostrava no primeiro semestre de 2010, quando a estatal concluiu um bem-sucedido programa de capitalização que injetou R$ 120 bilhões em seus cofres.

Outra maneira de conseguir recursos seria pela venda de parte das ações que o governo detém a companhia. Isso não faria mal nem ao país nem à Petrobras, mas é o tipo da ideia que seria atacada de todos os lados. Portanto, quem pagará a conta é o consumidor.

O grande problema não está aí. Afinal, há quase dez anos o Brasil não sabe o que é aumento no preço da gasolina e, sob esse ponto de vista, os aumentos são mais do que defensáveis.

É possível afirmar até que, se houvesse a possibilidade técnica de todo o aumento concedido à gasolina na bomba ser transformado em capital da Petrobras e destinado à produção de petróleo, tudo bem.

O problema é que o Brasil vive, quando o assunto é o preço do combustível, uma situação que beira o teatro do absurdo. A Petrobras (que prospecta, explora e refina o petróleo, além de distribuir seus derivados) recebe bem menos dinheiro do que as concorrentes internacionais que fazem a mesma coisa.

Enquanto isso, o consumidor, no posto de gasolina, paga caríssimo para encher o tanque do carro (muito mais do que pagaria em países que estão em condições semelhantes ou até melhores que o Brasil).

O problema é que, entre um e outro, tem o governo – que avança sobre os combustíveis com a voracidade tributária de sempre. Para resumir a história, ao pagar pelo combustível e, com isso, ajudar a Petrobras a vencer o desafio do pré-sal e a aumentar a exploração de petróleo, o consumidor estará, também, entregando mais dinheiro na mão do governo.

Mesmo que não tenha entrado nesse tipo de detalhe, Graça Foster foi clara quanto à necessidade de mais recursos – e sua clareza é um ingrediente a mais no novo estilo do governo, que prefere encarar os problemas com mais realismo do que prometer soluções mágicas para tudo.

O petróleo é, sim, uma riqueza real – mas explorá-la custará uma fortuna.

O governo poderia fazer sua parte, alterando de forma séria e profunda a política fiscal, abrindo mão do dinheiro de verdade, e não das migalhas que disse que abrirá ao autorizar, na semana passada, o aumento de pouco mais de 7% no preço do combustível às distribuidoras. Do contrário, ficará difícil fechar essa e outras contas.