sábado, junho 30, 2012

Superávit está abaixo da meta pela 1ª vez desde fevereiro de 2011


Gabriela Valente
O Globo

Economia para pagar juros equivale a 2,97% do PIB em 12 meses até maio; meta é 3,1%

BRASÍLIA - A arrecadação de impostos enfraquecida por causa da crise e o aumento de despesas fizeram o governo poupar menos para pagar juros da dívida. O superávit primário nos últimos 12 meses caiu de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2,97% do PIB. Foi a primeira vez desde fevereiro do ano passado em que esse indicador fica abaixo da meta que corresponde a 3,1% do PIB. O setor público economizou somente R$ 2,6 bilhões. Faltaram R$ 16,1 bilhões para pagar os juros no mês: foi o pior déficit nominal desde quando o Banco Central (BC) começou a registrar os dados em 2001.

- Resultados mensais estão sujeitos à oscilação. Foi um resultado abaixo do padrão para o mês de maio – afirmou o chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel.

O déficit nominal nos últimos 12 meses aumentou: passou de 2,42% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2,44% do PIB. O país acumula R$ 104 bilhões de rombo nas contas públicas. No entanto, a previsão do BC é que ele caia em relação ao tamanho da economia. Como a autarquia revisou sua projeção para o desempenho do país, a estimativa de déficit nominal aumentou de 1,2% para 1,4% em 2012. Será o menor déficit da história.

Nos cinco primeiros meses do ano, União, estados e municípios pouparam R$ 62,9 bilhões. É menos do que o verificado no mesmo período do ano passado quando o superávit primário era de R$ 64,8 bilhões.

Mesmo com uma economia menor, a relação entre a dívida e o PIB caiu de 35,7% para 35%. Como o Brasil é credor em dólar – tem mais ativos em moeda americana do que endividamento – ganha com a alta da cotação como ocorreu no mês passado. A estimativa é que – pelo mesmo motivo – haja uma nova queda neste mês para 34,% do PIB. No entanto, este número deve subir para 35% no fim do ano. A conta leva em consideração uma possível alta do dólar porque é feita com as apostas dos economistas do mercado financeiro.

E a previsão do BC para os gastos com juros ao fim do ano subiu de 4,3% do PIB para 4,5% do PIB.