sábado, junho 30, 2012

Dilma adverte Venezuela para retomar fornecimento de petróleo ao Paraguai


Gerson Camarotti 
Portal G1

Antes de ser aprovada a inclusão da Venezuela ao Mercosul, a presidente presidente Dilma Rousseff fez uma advertência ao país: era preciso retomar o fornecimento de petróleo para o Paraguai. E caso fosse mantida a decisão do presidente Hugo Chávez de suspender o fornecimento de combustível, o Brasil iria fornecer petróleo para o Paraguai.

O alerta foi repassado pela diplomacia brasileira diretamente ao chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro. A posição de Dilma foi clara nas conversas em Mendoza, na Argentina: “A sanção não pode ser ao povo do Paraguai”. Nos bastidores, Dilma trabalhou diretamente para evitar sanções econômicas. Prevaleceu a tese da diplomacia brasileira de aplicar sanções políticas ao Paraguai.

As sanções políticas ao Paraguai foram definidas num café da manhã entre Dilma, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e o presidente do Uruguai, José Mujica. Para ter a segurança jurídica de suspender o Paraguai do Mercosul, a presidente Dilma importou para Mendoza, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. Ele apresentou um parecer sobre a legalidade das decisões, baseada numa cláusula do protocolo de Ushuaia, de 2001, que determina normalidade democrática para os membros do bloco.

Segundo relato de um interlocutor próximo, a grande preocupação da presidente Dilma era o de ter respaldo legal das decisões para evitar contestações. Os três conversaram para acertar uma estratégia conjunta, afinar o discurso e evitar qualquer dúvida.

Apesar de algumas críticas à inclusão da Venezuela ao Mercosul, esse interlocutor da presidente Dilma argumentou que essa foi uma decisão pragmática. “Independente do governo Chávez, o que pesou na incorporação da Venezuela ao Mercosul foi uma questão econômica. A Venezuela é um grande mercado para produtos brasileiros, principalmente em período de crise financeira internacional”, argumentou esse interlocutor.

Como o Paraguai era o único país que impedia a inclusão da Venezuela, os demais integrantes do Mercosul aproveitaram a suspensão do país para tomar essa decisão.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Dos males, o menor. Além de golpearem um governo legítimo, a suspensão castigaria muito mais a população paraguaia do que seu governo propriamente.

É bom que o Brasil leve em conta, ainda, o seguinte: 95% da população do Paraguai apoia e apoiou a ação de seu Congresso (aliás, eleito direta e democraticamente pelo povo paraguaio). Não há movimentos de quebradeira nas ruas, as instituições e a imprensa funcionam normalmente, os quartéis estão calmos e tranquilos, o presidente deposto circula livre e normalmente pelo país. Sua deposição bem ocomo o processo de impeachment foi legitimado tanto pelo Tribunal Superior quanto pelo Tribunal Eleitoral daquele país. Além disto, o processo seguiu rigorosmente o texto constitucional, que já existia antes da posse do deposto Fernando Lugo, e foi através dela que ele se elegeu. Se está previsto a deposição por ferir a letra da lei, e conforme venho dizendo, que cumpra-se a lei, e que assuma o vice.

A única coisa que me preocupa nem foi a ação canalha de Chavez no meio militar do Paraguai, mas, sim, saber quais as razões para a presidente Cristina Kirchner nutrir tanto ódio pelo país vizinho. O que o Paraguai, em passado recente, teria cometido que tenha contrariado tanto a presidente argentina, é um mistério a ser descoberto. A reação destemperada de Cristina não pode ser justificada APENAS pelo impeachment de Lugo, que serviu só como pretexto para externar sua fúria e ódio em relação ao Paraguai.  Nem tampouco o rebuliço interno causado por uma governante que compromete as liberdades de seu povo com iniciativas de agressão à imprensa e intervenção na economia que causam insegurança, fuga de investimentos, inflação e desabastecimento. 

É nítido que Cristina precisa criar um fato externo novo para desviar o foco com os problemas internos. A tentativa estúpida de querer apoderar-se das ilhas Malvinas parece que se esgotou. Depois, veio a desapropriação da Repsol e reestatização da YPF. O assunto também já saiu do noticiário. Mas o ódio e furor com que ataca o Paraguai, não se explica apenas para desviar o noticiário para um novo tema. Tem algo mais neste chilique todo. O diabo é que a diplomacia brasileira e nossa presidente, parecem ter entrado na pilha da presidente argentina. E isto é ruim para o Brasil.