terça-feira, janeiro 16, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Iraque: 70% dos americanos reprovam o plano
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Sete entre cada dez americanos são contra o envio de mais soldados ao Iraque, medida proposta na noite de quarta-feira pelo presidente George W. Bush. Na primeira pesquisa de opinião divulgada sobre os planos da Casa Branca, ficou clara a forte oposição do país à nova estratégia de Bush. Além dos 70% de reprovação ao reforço no número de soldados, a pesquisa revelou que 70% dos americanos não acreditam que o envio de tropas resolverá o problema.
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O levantamento divulgado nesta quinta-feira, feito pelo instituto de pesquisas Ipsos a pedido da agência de notícias Associated Press, mostrou ainda o grau de preocupação dos americanos com a guerra. No total, 38% dos entrevistados responderam espontaneamente que o maior problema atual dos EUA é a situação no Iraque - há apenas três meses, eram 24% os que respondiam dessa forma. A aprovação de Bush bateu recorde negativo: só 32%.
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"Eles estão frustrados e tristes, e isso é compreensível", disse o senador republicano John McCain, aliado de Bush e possível candidato à sucessão presidencial. "Mas se você mostrar ao público americano que há um caminho adiante que leve ao sucesso, e explicar a ele as conseqüências do fracasso, acredito que essa nova política possa ganhar apoio." Na oposição, contudo, a pesquisa só serviu para aumentar ainda mais o tom das críticas ao governo Bush.
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Repercussão
No exterior, o anúncio da nova estratégia americana para o Iraque foi recebida com ceticismo por líderes da Europa e confiança, pelos da Ásia. Principal aliada da invasão americana do Iraque, em 2003, a Grã-Bretanha anunciou nesta quinta-feira que não vai ampliar o número de soltados britânicos no Iraque, mas, sim, reduzir seu contingente atualmente estacionado em Basra, no sul do território iraquiano.
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Outra opinião negativa sobre a estratégia de Bush partiu da França – principal opositor da invasão do Iraque por forças ocidentais. O ministro das Relações Exteriores, Philippe Douste-Blazy, disse que a solução para o impasse iraquiano está "além do aumento de tropas". "É preciso a participação de todos os civis, políticos e religiosos da sociedade", disse o ministro, segundo a agência AP. "É por meio de uma maior compreensão, de uma política estratégica, que o Iraque e toda a região recuperarão estabilidade."
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O apoio a Bush veio dos aliados da Ásia. "A retirada dos Estados Unidos do Iraque causariam enormes conseqüências para a estabilidade do Oriente Médio e um grande impulso para o terrorismo em todo o mundo", disse o primeiro-ministro australiano, John Howard. A Austrália mantém 1.300 homens na região do Iraque. Ele julgou o plano de Bush "claro e realista". O ministro do Exterior do Japão, Taro Aso, foi na mesma direção. "Espero que os esforços americanos para estabilizar o Iraque tragam bons resultados", disse. "O Japão continuará a cooperar com os EUA."
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China deve anunciar crescimento de 10,5% em 2006
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A China deverá anunciar um crescimento em 2006 de 10,5%, superando a marca de 20 trilhões de yuans (US$ 2,6 trilhões). A informação foi divulgada nesta sexta-feira (12.01) pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma daquele país. A principal preocupação dos chineses agora é frear o superaquecimento da economia para evitar surtos inflacionários.
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Setores industriais, como o automobilístico e o têxtil, além do desenvolvimento de projetos imobiliários, começarão a ter restrições para novos investimentos. "A economia enfrenta contradições e problemas. A estrutura econômica é irracional e o crescimento é rude", justificou o presidente da comissão, Ma Kai, à agência de notícias Associated Press.
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Apesar de não anunciadas oficialmente, as previsões de expansão da economia chinesa para este ano, por parte dos analistas, é de 10%. O governo trabalha para fazer com que a China se torne menos dependente das exportações e dos investimentos em produção para crescer.
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Legislativo dará carta branca à propostas
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A presidente do Congresso da Venezuela, deputada Cilia Flores, afirmou que o Legislativo vai conceder poderes especiais ao presidente Hugo Chávez para realizar as reformas constitucionais que planeja. Logo depois, conduziu o juramento de Chávez, que deixou claro o rumo de seu terceiro mandato ao dizer: "Pátria, socialismo ou morte". Logo depois, Chávez fez um longo discurso perante o Congresso de seu país e prometeu que "ninguém, nem nada deterá o carro da revolução socialista da Venezuela, custe o que custar".
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Seguindo seu estilo usual de citações de Simón Bolívar, Chávez disse: " O fundamento de nosso sistema depende imediata e exclusivamente da igualdade estabelecida e praticada na Venezuela. E isso se chama socialismo. É impossível a igualdade no capitalismo". Ele prometeu investir em educação porque, a seu ver, o povo "tem sido dominado muito mais por sua ignorância do que pela força".
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Ainda remetendo-se a Bolívar, Chávez insistiu que "o sistema de governo mais perfeito é aquele que produz maior felicidade possível, maior segurança social e maior estabilidade política, e esse sistema não tem outro nome que o sistema socialista, porque o sistema capitalista gera maior infelicidade para o povo".
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Para arrematar a promessa de fundar o socialismo do Século XXI, afirmou que "chegou a hora do fim dos privilégios, do fim das desigualdades". O presidente da Venezuela também destacou que a regra de ouro é o respeito pela vontade da maioria. "Se queremos uma democracia, se acreditamos numa democracia, porque agora andam dizendo que a democracia tem que respeitar as minorias". Mas, continuou, "atrás disso estão escondendo o respeito à vontade da maioria". Hugo Chávez considera que "ainda existem vestígios da ditadura na Venezuela", a qual "pretende reverter a democracia revolucionária, que pretende impor sua vontade minoritária sobre a maioria".
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Governo terá controle total sobre petróleo e gás
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CARACAS - Na cerimônia que marcou o início de seu terceiro mandato consecutivo, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou que o Estado deve aumentar seu controle sobre a atividade petrolífera e a extração de gás na Venezuela. "Devemos recuperar o controle de todas as associações estratégicas (para exploração de gás e petróleo) na faixa (do Rio Orinoco)", disse.
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Chávez citou um artigo da Constituição venezuelana que assegura o controle estatal da atividade petrolífera, mas não da extração de gás e acrescentou que ele deveria ser modificado para incluir todos os hidrocarbonetos, sólidos, líquidos ou gasosos.
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Ele também pediu alterações no artigo que reserva ao Estado a totalidade das ações da PDVSA, porém excetua as filiais e associações estratégicas - como os acordos que a estatal petrolífera tem com empresas como a norte-americana Exxon Mobil, a francesa Total e a British Petroleum em projetos de exploração de petróleo no Orinoco. "Estamos recuperando a maior reserva petrolífera do planeta", afirmou Chávez.
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O novo mandato do presidente, que prestou juramento na Assembléia Nacional, em Caracas vai até 2013. O discurso da posse acabou com uma frase em alusão ao ditador cubano Fidel Castro: "Juro por essa maravilhosa Constituição. Pátria, socialismo ou morte", bradou Chávez.

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Reunião com controladores é manobra, afirma sindicato
Fonte: Agência Estado
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O presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo, Jorge Botelho, disse hoje que uma reunião convocada pelo Departamento do Controle do Espaço Aéreo (Decea) com controladores de vôo de todo o País é uma "manobra para dividir a categoria". O encontro teria sido convocado para propor a desmilitarização do setor, abrindo a possibilidade de profissionais militares obterem cargos civis, mas vinculados ao Comando da Aeronáutica.
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A reunião seria uma manobra, segundo Botelho, porque nenhum controlador sindicalizado teria sido convocado. Além disso, o sindicato é contra a vinculação dos profissionais ao Comando da Aeronáutica. Para Botelho, essa discussão deveria ser realizada no âmbito do grupo de trabalho criado pelo governo no último dia 20 de dezembro, que já tinha sugerido a desmilitarização da categoria.
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"Não convidaram nenhum controlador ligado a sindicatos. É um movimento para dividir o pessoal", afirmou Botelho. Até por volta das 20 horas, as informações sobre o teor da reunião eram contraditórias. Segundo uma pessoa que participou do encontro, o tema desmilitarização não teria sido abordado, embora fontes do departamento tenham confirmado que esse seria um dos temas em pauta.
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Polícia prende ex-presidente argentina Isabel Perón
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A polícia espanhola deteve nesta sexta-feira a ex-presidente da Argentina Isabel Perón em sua casa de Villanueva de la Cañada, a oeste de Madri, informaram à AFP fontes judiciais.
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"A prisão se produz como conseqüência da ordem de detenção recebida poucas horas antes pela Interpol Madri", informou em comunicado a direção-geral da polícia espanhola.
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Um magistrado da cidade de San Rafael, na província de Mendoza (oeste), ordenou quinta-feira a captura internacional de Isabel Perón, de 75 anos, acusada pelo seqüestro e o desaparecimento de um militante político durante seu governo.
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Inflação de 2006 é a menor dos últimos oito anos
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A taxa de inflação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) encerrou 2006 com crescimento de 3,14%. É o menor número desde 1998, quando fechou em 1,65%. O resultado ficou abaixo da meta estabelecida pelo governo para o ano, que era de 4,5%. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (12.01) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística).
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A boa oferta de produtos agrícolas, o câmbio, a pequena elevação das tarifas de energia elétrica e combustíveis, mais a redução dos preços da telefonia fixa foram responsáveis por este percentual.
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Os itens que exerceram maior pressão no resultado do ano foram planos de saúde (12,30%), colégios (6,79%), tarifas dos ônibus urbanos (8,11%) e salários dos empregados domésticos (10,73%).
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A região metropolitana de Belo Horizonte (4,96%) ficou com o maior índice em 2006, no entanto todas as regiões pesquisadas mostraram resultados abaixo dos de 2005. Com altas pontuais, 2006 evidenciou um histórico de convergência para a estabilidade de preços.
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Governo quer estender até os 18 anos o Bolsa-Família
Estadão
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O governo federal quer manter os jovens por mais tempo no Bolsa-Família. Duas propostas serão apresentadas até o fim deste mês ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para atender a adolescentes entre 16 e 18 anos, que hoje ficam de fora do programa. A primeira delas é permitir que eles permaneçam no Bolsa-Família até os 18 anos - três anos a mais que o limite atual. A outra é criar uma espécie de prêmio a ser pago ao estudante ou à sua família quando ele for aprovado na escola.
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Hoje, entre os 11,1 milhões de famílias atendidas, há 2,372 milhões de jovens entre 16 e 18 anos - 24% deles estão entre as famílias mais pobres. Se a proposta de incluí-los for aprovada, o custo poderia chegar num momento inicial a R$ 35,6 milhões a mais por mês, já que seriam R$ 15 a mais para cada família com um jovem nessa faixa etária. No entanto, o gasto deverá ser menor que isso, já que o Bolsa-Família paga R$ 50 para a família mais R$ 15 por filho que esteja na escola, mas só até um limite de três. Se uma família já tiver três filhos beneficiados, não receberá mais nada.
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As duas idéias são parte de um pacote de alterações que o Ministério do Desenvolvimento Social quer ver implantado a partir deste ano, mas que ainda depende da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Junto com o reajuste no valor do benefício, que já é analisado no Planalto, as alterações devem ser as principais novidades do programa.
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A ampliação do tempo de permanência no Bolsa-Família vem sendo estudada há algum tempo e foi a solução encontrada para dois problemas. Um deles é a evasão escolar de adolescentes: na faixa etária entre 15 e 17 anos, 16% dos jovens não estão na escola, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas e Estatísticas em Educação (Inep). Essa é a idade em que os jovens podem começar a trabalhar legalmente.
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Outro problema vem dos programas do próprio governo. Enquanto o Bolsa-Família só beneficia famílias com filho de até 15 anos, as ações voltadas para os jovens, como o Agente Jovem e o ProJovem, englobam os que têm a partir de 18 anos. Mesmo que ambos exijam a volta à escola, há uma lacuna de três anos, na qual esses adolescentes não são atendidos.
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A intenção é estender o pagamento da parte variável do benefício - os R$ 15 por filho - até o jovem completar 18 anos. Segundo o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, isso permitiria que os jovens defasados na escola pudessem avançar nos estudos. “E aqueles que estiverem na série correta poderão até mesmo completar o ensino médio”, afirmou.
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Renda
O valor pago a mais é baixo e dificilmente poderá competir com a renda que o jovem teria se conseguisse um emprego, já que a partir dos 16 anos pode trabalhar legalmente. Mas, explica a secretária de Renda e Cidadania do ministério, Rosani Cunha, nada impede que ele trabalhe e freqüente a escola noturna. “Não é trabalho infantil, então não há problema.” Ela, entretanto, adverte: “A renda que ele obtiver com o trabalho vai contar para a renda familiar. Se, com isso, ultrapassar a renda familiar exigida, a família pode deixar o programa.”
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Com relação ao benefício extra que se pretende dar ao aluno que for aprovado na escola - como se fosse uma poupança -, ainda não há definição de valor. A iniciativa é do Desenvolvimento Social e da Educação.
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A alteração mais rápida deve ser o reajuste no valor do benefício mensal. A proposta deve sair por decreto, mas ainda está na Casa Civil, esperando o fim das férias do presidente Lula. Nas contas do Desenvolvimento Social, o reajuste pode ser de até 15%, o que recomporia a inflação desde 2003. O dinheiro já existe. O Orçamento do programa cresceu 5% em 2007, já prevendo o reajuste.

Lula cultua tradições

Ruy Fabiano, Blog do Noblat
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Ao condicionar a escalação de seu ministério ao resultado das eleições das mesas diretoras da Câmara e do Senado, o presidente Lula desnudou as relações incestuosas entre Executivo e Legislativo. Sabe-se desde sempre que, nos termos em que funciona o sistema político brasileiro, a governabilidade depende de fisiologismo. Muito fisiologismo.
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O presidente precisa dos votos do Congresso para governar e, como não há fidelidade partidária, cada voto precisa ser conquistado no corpo a corpo. Cada parlamentar é um partido autônomo, que precisa ser convencido da necessidade de seu apoio.
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Há evidentemente quem decida seu voto a partir de critérios nobres, fundados em idéias e ideais – as tais exceções de praxe, que confirmam, em vez de negar, a regra geral. Mas há também (e como) amplos contingentes que ignoram solenemente o que isso venha a ser.
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Esses contingentes restringem-se a avaliar seus interesses pessoais e dos que financiaram suas campanhas. Prevalece a idéia de que é preciso recompensar o voto. Quanto mais crítica a matéria em pauta, maior deve ser a compensação. O Mensalão, do ponto de vista da funcionalidade, parecia perfeito. Dava-se um fixo e ganhava-se tempo com isso, na medida em que não mais seria necessário fazer cada votação ser precedida de longas e intermináveis negociações.
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Era uma espécie de piloto automático do fisiologismo. Criava-se o tal “exército de mercenários” de que falou Roberto Jefferson – aliás, responsável pelo fiasco daquela estratégia, decorrente, pelo que se apurou, de desacertos na partilha.
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E eis que, na montagem do novo governo Lula, volta-se aos padrões tradicionais de negociação.
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Há apenas uma novidade: a explicitação do fisiologismo. A vinculação do futuro ministério ao resultado da eleição interna do comando do Parlamento é inédita. O que Lula está dizendo, nas preliminares da montagem de seu governo, é que quer saber quem são de fato os caciques do Congresso, para não perder tempo conversando com quem não manda. Quer ter certeza de que, ao fatiar o bolo ministerial, distribuindo cargos e verbas aos partidos, terá a contrapartida necessária para não perder tempo com o Congresso.
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A oposição aderiu ao jogo. O PSDB, ao chancelar a candidatura de Arlindo Chinaglia, do PT, perdeu autoridade para criticar o processo (que não lhe é estranho) e inviabilizou qualquer tentativa, romântica ou não, de uma terceira via, cogitada por alguns correligionários.
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A sorte está lançada – e, a partir daí, quem quiser saber, em detalhes, os critérios que hão de prevalecer na gestão da assim chamada “coisa pública” (a Res Publica), neste segundo mandato de Lula, deve ler o livro do ex-deputado Roberto Jefferson (“Nervos de Aço”, Editora Topbooks, Rio, 2006). Um livro de alto teor pedagógico.
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Não que haja nele, a rigor, novidades. Parte substantiva de seu relato já havia sido transmitida aos taquígrafos das CPIs dos Correios e do Mensalão. Mas no livro há mais detalhes, incluindo maior ousadia na avaliação do papel de Lula em todo o processo. Jefferson não hesita em responsabilizá-lo, com todas as letras. Nas CPIs, apresentava-o como um cordeiro desinformado, cercado de lobos informadíssimos. No livro, mostra-o como o chefe da alcatéia.
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O interessante é que o Congresso é visto sempre como uma espécie de pedra no sapato dos governantes, quando, na verdade, é – deveria ser – instância de engajamento da sociedade na discussão dos atos governativos, aprimorando-os ou rejeitando-os, conforme a natureza de cada qual. É para isso, afinal, que se elegem deputados e senadores: para fiscalizar, denunciar, contribuir.
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As ditaduras silenciam essa parceria pela força; o fisiologismo, pela corrupção. O Brasil oscila entre ambas, desde Deodoro da Fonseca. E elegeu Lula e o PT na suposição de que estabeleceriam uma terceira via, fundada na ética e na transparência. Esse, afinal, era o discurso revolucionário do PT, revogado desde a posse (a primeira, em 2004).
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Prevalece mais uma vez a tradição. O segundo governo Lula é fruto de ampla coalizão partidária, capitaneada pelo PMDB. Não o PMDB de Pedro Simon, mas o de Jader Barbalho. Não há motivos para sustos: o roteiro é perfeitamente previsível. Continuaremos onde estamos.
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Ruy Fabiano é jornalista.

80 concubinas

Luis Fernando Veríssimo, O Globo
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Epiphanius era o bispo de Salamis, no Chipre, e um dos principais debatedores no grande conflito que dividia o cristianismo no fim do século quatro. Discutia-se a natureza de Deus e os princípios da fé cristã e procurava-se uma verdade única que definisse as doutrinas da Igreja, como a que acabou sendo sacramentada no Credo de Nicéia em 381, e repudiasse todas as heresias surgidas até então. E que eram exatamente oitenta, segundo Epiphanius.
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O bispo, um ortodoxo ardoroso, não tinha dúvidas sobre o número de heresias da sua lista e reforçava sua tese lembrando que eram 80 as concubinas citadas nos “Cantares de Salomão”, da Bíblia. Lá está, capítulo 6, versículo 8: “Sessenta são as rainhas e oitenta as concubinas, e as virgens sem número.” Agostinho, que dizia serem 83 as heresias, não tinha um argumento parecido.
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O “Cântico dos cânticos” sempre foi um problema para os exegetas da Bíblia. O que faz um texto erótico no meio do livro sagrado, que tem muito sexo mas nada mais tão sensual (e tão bonito) quanto os seus versos? Uma solução foi interpretar sua linguagem amorosa como linguagem críptica e suas metáforas sexuais como metáforas religiosas. Existe até uma versão da edição do rei James com cabeçalhos explicando que o diálogo poético do texto trata do amor recíproco de Cristo e da sua igreja, sem explicar o que Cristo está fazendo no Velho Testamento.
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Como tudo nos “Cânticos” era mensagem cifrada, Epiphanius podia interpretá-los como quisesse, e as 80 concubinas resistiram como prova da sua tese. Questões teológicas, ainda mais naqueles tempos em que a Igreja se definia, deviam ser um pouco como os debates sobre a economia, hoje: evidências valiam menos do que a fé.
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Hoje a ortodoxia monetarista e neoliberal é triunfante como a ortodoxia que Epiphanius representava no século quarto, apesar dos seus fracassos, e das suas teses às vezes se parecerem muito com o aval das 80 concubinas. Só faltam mais hereges para dar risada.

O Gandhi Do Dormonid

por Diogo Mainardi, na Veja
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“O Diogo está dormindo.”
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Quem me telefonou nas últimas semanas ouviu essa frase. Tenho dormido muito. Durmo antes do almoço. Durmo depois do almoço. Cochilo meia hora no fim da tarde. Durmo profundamente a noite toda.
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A idéia é transcorrer os quatro anos do segundo mandato lulista na cama. A lógica é simples: uma hora a mais de sono significa uma hora a menos de Lula. Minha resposta particular ao petismo é a narcolepsia. No primeiro mandato, antagonizei o regime com um monte de palavras, um monte de artigos, um monte de denúncias. No segundo mandato, pretendo trocar o teclado do computador pelo pijama, o discurso inflamado pelo zunido do aparelho de ar refrigerado, os perdigotos coléricos pelo fiozinho de baba escorrendo delicadamente pelo canto da boca.
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A partir de agora, meu lema é oposição REM. Os petistas roubaram? Sono neles! Os petistas compraram o Ceará? Apague a luz! Os petistas querem calar a imprensa? Cortina black-out! Os petistas entraram com mais um processo contra mim? Zzzzzzz! Ninguém me tira da cama. Ninguém me faz abrir os olhos. Quero hibernar até o fim do inverno petista. Sou o Zé Colméia do antilulismo.
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O sono natural é o melhor de todos, o mais nobre, o mais elevado. Por maior que seja meu empenho, no entanto, nem sempre é possível obtê-lo. No ataque morfético contra o petismo, todas as armas devem ser admitidas. Vale o sono natural, mas vale também o sono induzido. O maior aliado do oposicionismo comatoso é um criado-mudo abarrotado de hipnóticos e de ansiolíticos. O que importa é o resultado. O que importa é conseguir dormir pelo maior número de horas, seja durante o dia, seja durante a noite, a despeito da zoeira lulista, da britadeira lulista, da sanfona lulista.
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Grandes figuras do passado resistiram às arbitrariedades dos governos com um comportamento passivo. Escolheram enfrentar a violência com a não-violência. A agressão com a não-agressão. Meu novo modelo é esse. Durmo. Durmo o tempo inteiro. Durmo em todas as circunstâncias. Tornei-me o Mahatma Gandhi do Dormonid.
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Nas últimas semanas, o Brasil revelou toda a sua desavergonhada vagabundice. Um depois do outro, os fatos mostraram como somos ordinários, como somos baratos, como somos atrasados. Os mensaleiros reeleitos. O acidente da Gol. Os perigos do tráfego aéreo. A paralisia dos aeroportos. O aumento do salário mínimo. O aumento do Judiciário. O aumento dos deputados e dos senadores. A barganha por cargos. Arlindo Chinaglia. Aldo Rebelo. Os atentados no Rio de Janeiro. A incapacidade de reagir contra os criminosos. Os mortos em enchentes. Os desastres ambientais.
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Isso tudo dá sono. O terceiro-mundismo dá sono. O bananismo dá sono.
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Quando sinto sono, eu durmo. Pode telefonar para minha casa a qualquer hora do dia. Quem atender dirá:
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“O Diogo está dormindo. E pediu para ser acordado só daqui a quatro anos.”

TOQUEDEPRIMA...

Diferente da Câmara, disputa pelo Senado é morna
Folha Online
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Diferentemente da acirrada disputa travada pelo comando da Câmara dos Deputados, no Senado a concorrência de dois candidatos se dá no discreto campo das articulações de bastidores. "A realidade da Câmara é uma, aqui é outra. As realidades são diferentes. A perspectiva da oposição aqui no Senado é da vitória", afirmou o senador José Agripino Maia (PFL-RN).
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O candidato da oposição sequer está no Brasil desde as festividades de fim de ano. O adversário, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acredita no clima de tranqüilidade e confiança na vitória. O PMDB tem a maior bancada, com 20 senadores.
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“Eu tive só notícias boas. Acho que dá para ganhar. Essa versão de que desistiria da minha candidatura chegou a ser comentada por alguns setores. Mas há menos que mude o quadro, não há possibilidade de eu renunciar à minha candidatura”, disse Agripino à agência de notícias Folha Online.
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O pefelista criticou a decisão dos deputados do PSDB de apoiar Chinaglia. “A oposição deveria seguir na Câmara o que foi feito no Senado. A Câmara deve ter posição uniforme. Eu lamento a decisão do PSDB, eu preferia que tivéssemos uma candidatura única", alfinetou.
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Rumo a Brasília, Clodovil solta a língua e alfineta Lula
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Prestes a tomar posse como deputado federal, Clodovil Hernandez continua polêmico e com a língua bem afiada. Em entrevista à revista 'Flash', nas bancas nesta quarta-feira, o estilista atirou para todos os lados. Nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escapou do veneno.
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Novato na política, Clô chega a Brasília fazendo barulho e mostrando seu descontentamento com o governo. “Nunca estive envolvido com ladrão, como o Lula esteve”, diz ele, que não mede palavras: “Não posso respeitar um analfabeto. Ele não poderia ser nem vereador”.
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Sem bandeiras
Gay assumido, Clô não quer levantar bandeiras. “Orgulho gay? Isso não existe. Nasci para fazer história”, afirma ele, que, mais uma vez, deixa claro que seu salário como parlamentar (R$ 12 mil) é pouco. “Não dependo desse dinheiro para viver”, declara ele, que gastaria R$ 16 mil por semana com seus afazeres pessoais.
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O ex-apresentador de TV não se abala nem quando o assunto é o câncer da próstata, tratado em 2005, e sua vida sexual. “O sexo que vem da próstata ficou prejudicado. Minha preferência é homossexual. Mas não quero relacionamento físico”, garante.
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Dilma defende governo de acusação de paralisia
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A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, reagiu com irritação à idéia de que o governo federal está parado nesse início de ano. Ontem, em entrevista ao chegar para um almoço em um hotel em Brasília, a ministra disse que acusar o governo de paralisia é "uma forma totalmente superficial de crítica" e defendeu os ministros que estão em férias.
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"Eu discordo radicalmente disso. O governo está funcionando a pleno vapor. Não sou a única trabalhando. Há vários ministros em atividade", garantiu. Dilma afirmou que é "absolutamente compreensível" que alguns ministros tenham saído de férias nesse momento. "Esse é o momento em que o País tem, inclusive, uma parte dele em férias. Mas o governo está funcionando a todo vapor", disse.
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Dilma se reuniu ontem, no almoço, com a Associação Nacional de Jornais (ANJ), para quem apresentou alguns pontos do Plano de Aceleração de Crescimento que o governo deve apresentar até o final do ano. A ministra afirmou que o fato de estar ali e ter respondido várias questões sobre ações de federais é a prova de que o governo está trabalhando.
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No entanto, até agora o segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu apresentar as propostas e as ações prometidas logo depois do segundo turno das eleições. O pacote de crescimento, que seria anunciado em dezembro, foi adiado e apesar de haver uma previsão para o dia 22, ainda não há nada confirmado. Nem mesmo os ministros que hoje estão trabalhando pelo governo sabem se irão ficar. O presidente ainda não quis nem mesmo definir a sua equipe ministerial.
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MP amiga da onça
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Na calada do dia 29 de dezembro, o Presidente Lula deu um "presente de Natal" aos servidores públicos deslocados para asssumir cargos em outras sedes e que têm direito ao auxílio-moradia: a Medida Provisória Nº 341, de 29 de dezembro de 2006 restringiu o direito aos nomeados após 30 de junho de 2006. Dessa forma, centenas de servidores perderam o benefício e terão de devolver o que receberam para o custeio do aluguel de suas casas.
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Em época de eleição na Câmara, oposição é maior beneficiada
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Uma espécie de ‘surto inédito de generosidade’ do governo Lula com a oposição está coincidindo com o período de disputa pela presidência da Câmara. De acordo com levantamento da ONG Contas Abertas, os parlamentares do PSDB (R$ 19 milhões) e do PFL (R$ 15,4 milhões) foram os mais beneficiados com o empenho de emendas nos últimos 25 dias.
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No total dos dois partidos, são quase R$ 10 milhões a mais do que o governo se comprometeu a pagar para emendas de petistas (R$ 13 milhões) e de peemedebistas (R$ 11,6 milhões). “Nunca, em todos os levantamentos que fizemos, vimos intervalos em que a oposição tenha sido tão privilegiada com o empenho de emendas”, diz Gil Castelo Branco, economista da ONG.
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O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB) não quis se pronunciar sobre o assunto. Para o líder do pelotão de choque do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), a pesquisa da Contas Abertas é "absolutamente infundada" e quer "desviar o foco da política".
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Curitiba se candidata a sediar Fórum Social Mundial 2009
Fonte: Agência Estado
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A candidatura do Estado do Paraná para sediar a edição de 2009 do Fórum Social Mundial foi lançada hoje em Curitiba e recebeu o apoio do governador Roberto Requião. A proposta será apresentada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) à comissão organizadora do evento durante a realização de sua sétima edição, a partir do dia 20, em Nairóbi, no Quênia, África.
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"Esta candidatura representa a afinidade que o nosso governo tem com o Fórum. Tivemos quatro anos de ações governamentais em oposição aos modelos neoliberais. Teremos mais quatro anos perseguindo a idéia que a economia deve servir a sociedade e não contrária", diz Requião.
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Além da UNE e Ubes, outras 30 entidades já assinaram uma carta de apoio à candidatura de Curitiba, entre elas, a CUT, APP-Sindicato, UPE (União Paranaense de Estudantes), Uneap (União das Entidades Ambientalistas do Paraná), UBM (União Brasileira das Mulheres). Mais de 300 pessoas participaram do ato de lançamento da candidatura paranaense.

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PSDB troca de lado
De Sérgio Pardellas no Jornal do Brasil
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"Depois de dedicar-se durante um ano e meio, no mínimo, à apresentação de graves acusações contra ministros petistas, parlamentares e dirigentes do PT e de outros partidos aliados ao governo, o PSDB aderiu, ontem, por sua bancada na Câmara, à candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para presidente da Casa. Em troca da primeira vice-presidência da Câmara e de alianças para eleições nas assembléias legislativas de Estados governados por tucanos, a bancada do PSDB não apenas ajudou a consolidar o favoritismo de Chinaglia, como também escancarou o caminho para a reabilitação política de vários petistas que até há pouco condenava, como o ex-ministro José Dirceu.
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Dirceu, ao lado de deputados do PT paulista como João Paulo Cunha, José Mentor, Cândido Vaccarezza, Jilmar Tatto - ligado à ex-prefeita Marta Suplicy - e o presidente do PT, Ricardo Berzoini, são os principais patrocinadores e articuladores da candidatura Chinaglia."
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Alckmin reaparece: “Governo começa mal”
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Candidato derrotado à presidência da República, Geraldo Alckmin reapareceu na quinta-feira (11.01) com críticas aos primeiros movimentos do segundo mandato do governo Lula. O tucano lamentou o fato de que a eleição para o comando da Câmara "parou o país", e disse que a administração petista paralisou a reforma ministerial em função da disputa no Congresso.
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“Nós temos um governo que começa mal. Primeiro, porque condiciona a formação de um novo governo à eleição da Mesa [Diretora da Câmara]. Segundo, [porque] não tem projeto. As reformas que o país precisa não estão colocadas na mesa para debate", afirmou o ex-governador de São Paulo após palestra na Faculdade de Medicina da USP, na cidade de São Paulo.
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Ele comentou ainda considerar "desanimador" a suspensão do processo de concessão à iniciativa privada de sete trechos de rodovias federais. "O governo mandou um recado para o setor privado: não vou investir [em infra-estrutura]", alfinetou..Em meio às críticas de Alckmin sobrou até para seus pares de oposição, aos quais sugeriu serem mais contundentes. "O governo vai mal e a oposição também", admitiu. Ele repetindo o que ex-presidente da República e líder tucano Fernando Henrique Cardoso tem manifestado sobre a necessidade de uma "oposição firme".
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A frase de Aníbal
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“O PSDB precisa de mais diálogo com a sociedade, e não de uma adesão fajuta feita a partir de um acordo pouco transparente.” A declaração é de José Aníbal, deputado federal pelo PSDB de São Paulo.
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Yeda espera que PSDB reveja posição de apoio a Chinaglia
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Yeda almoçou com o governador José Serra e visitará em seguida o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Quer tratar com os dois da decisão da bancada do PSDB de apoiar a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) a presidente da Câmara dos Deputados.

- Foi uma decisão, a da bancada, que me lembrou as de antigamente do Conselho Monetário Nacional na época do ministro Delfim Netto - comparou Yeda.

Os integrantes do Conselho eram "consultados" por telefone - assim como foram na semana passada os deputados do PSDB.

- Os deputados devem votar para a eleição do presidente da Câmara orientados pelo contexto partidário e não pelo desejo de cada um - ensina Yeda.
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COMENTANDO A NOTICIA: Todos os democratas guardam a mesma expectativa, governadora. Não é possível que “todos” os políticos sejam tão iguais assim. Há de haver alguém que, pelo menos, tenha vergonha na cara, e pense no Brasil como um país livre, livre do artificialismo, da mediocridade, dos caudilhos, dos autoritários. Que deseje um país livre, soberano e democrático.
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Prioridades distorcidas
Editorial da Folha
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O governo Lula principiou 2007 emitindo sinais contraditórios a respeito de suas prioridades de investimento. No quinto dia do segundo mandato, a Presidência vetou da Lei do Saneamento sancionada precisamente dispositivos capazes de carrear bilhões de reais para os deficitários serviços de água e esgotos.
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Nunca é ocioso lembrar que mais da metade dos domicílios brasileiros carece de acesso a esgotamento sanitário. Mesmo nas cidades, um quinto da população não dispõe nem mesmo de fossas sépticas.
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Um dos vetos recaiu sobre o artigo 54 da lei votada em dezembro na Câmara. Nele se dispunha que investimentos das empresas em obras poderiam ser usados como créditos no recolhimento da Cofins e do PIS/Pasep.
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Para a Presidência, isso traria "graves repercussões para o alcance das metas do equilíbrio fiscal". Tresandam a ironia as razões do veto: "Permitir desoneração adicional de tributos significaria dificuldades para a manutenção das despesas sociais em níveis satisfatórios".
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Em outras palavras, o governo dá por intocável a escorchante carga tributária, descumpre religiosamente a obrigação de investir impostos na ampliação do saneamento e ainda fulmina uma rara iniciativa para que empresas do ramo o façam. Isso depois de ter agraciado o setor esportivo com incentivos de até R$ 300 milhões e manter intacto o R$ 1,2 bilhão reservado à cultura.
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Nada contra o esporte e a cultura, decerto. Incentivo por incentivo, porém, negar somas comparáveis a investimento que salva vidas monta a uma lamentável distorção de prioridades.
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Espera-se, agora, que o governo envie -no tão falado quanto mal delineado Plano de Aceleração do Crescimento- sinais mais esclarecedores acerca de como pretende promover a universalização do saneamento.