terça-feira, outubro 10, 2006

Questões energéticas

COMENTANDO A NOTICIA: Já há alguns meses especialistas do ramo vêm avisando e alertando as autoridades sobre as possibilidades do Brasil de vivermos a médio prazo um novo apagão. O que se ouve em Brasília é que o governo está investindo na geração para tal não ocorra. Porém, a verdade é que o governo Lula abandonou o programa deixado pelo FHC, e em 46 meses não iniciou a construção de nenhuma nova unidade geradora. Além disto, esvaziou a autoridade que a agência reguladora, a ANEEL, tinha para atrair o investimento privado. A continuar no ritmo atual, e conforme veremos numa série de notas de Adriano Pires, especialista em infra-estrutura, a possibilidade de um novo apagão já é atualmente uma possiblidade concreta.
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Indisponibilidade das Térmicas a Gás Natural
Aumenta o Risco de Apagão
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Adriano Pires
Especialista em infra-estrutura
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A indisponibilidade das térmicas a gás natural por falta do insumo é mais um componente para a avaliação do risco de faltar energia nos próximos anos. A questão será mais crítica entre 2008 e 2009, o que faz com que o setor dependa de soluções como a conversão de usinas para óleo diesel e o uso do gás natural liquefeito(GNL). Ambas soluções que irão encarecer bastante o preço da energia elétrica.
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A transferência de energia para a Região Sul durante o período de estiagem implicou em redução dos volumes dos reservatórios do Sudeste. Com isso, o despacho através das térmicas passou a ser interessante dado que seu custo marginal passou a ser igual ou menor do que o das hidrelétricas. Várias térmicas receberam determinação do ONS para despachar energia por ordem de mérito nos meses de agosto e setembro. As usinas, porém , alegaram falta de gás. Segundo a Aneel, nas duas primeiras semanas de setembro, o ONS ordenou o despacho de 5333 MW, mais foram gerados apenas 1065 MW médios, na primeira semana, e 1042 MW médios na segunda semana. O abastecimento de energia elétrica pode ficar comprometido em situações extremas, caso não se possa contar com uma oferta segura de gás natural.Além disso, o país tem o risco de explosão tarifária. Enquanto, o preço médio praticado nos leilões de energia velha era de R$60 por MWh, o valor inicial fixado para o leilão A-5 é de R$125 por MWh. Em paralelo, à evolução dos preços, há o risco do Preço de Liquidação de Diferenças(PLD) atingir patamares de R$350 por MWh no curto prazo devido a questão de indisponibilidade de gás natural.
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A Aneel estima que cerca de 4000 MW são oriundos de 11 usinas consideradas indisponíveis por falta de gás, Cuiabá, Norte Fluminense, AES Uruguaiana e Termopernambuco. Além de sete usinas da Petrobras, Ibirité, Termomacaé, Eletrobolt, Termorio, Três Lagoas, Canoas e Fafen.
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A Bolívia e o Segundo Turno
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Começaram as especulações sobre a possibilidade de adiamento das negociações com a Bolívia em função do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. Caso isso ocorra, e é o mais provável, estará consagrada a tese de que a condução da questão boliviana é estritamente política. Ou seja, o governo boliviano estaria disposto a ajudar na re-eleição do presidente Lula. Se isso é verdadeiro, qual seria a compensação que o Brasil estaria disposto a dar a Bolívia depois das eleições, no caso da vitória do presidente Lula no segundo turno? E se o Alckmin ganhar como ficam as negociações? No caso da re-eleição de Lula a compensação deverá ser a aceitação de um preço mais elevado para o gás natural e mesmo uma maior ajuda, por exemplo, através do BNDES para tentar reforçar a liderança política do presidente Lula na América Latina. Ou seja, com Lula a negociação política e partidária continuará a predominar na questão boliviana. Aliás, foi uma característica do governo Lula procurar soluções baseadas na ideologia e no partidarismo para os problemas do setor de energia.
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No caso de vitória de Alckmin o que se imagina é uma visão de mercado sobre o problema e o abandono das soluções ideológicas e partidárias. E o que significa uma visão de mercado? Significa, que as negociações serão conduzidas tendo como foco a defesa do interesse da Petrobras e dos seus acionistas e não um projeto político pessoal de liderança na América Latina.
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PREOCUPA A SITUAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA
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A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou em setembro na mídia um conjunto de cenários para o balanço entre a oferta e demanda e energia elétrica no Brasil em 2010. Foram concebidos quatro cenários que se diferenciam pela inclusão ou não das importações de energia da Argentina e retorno do lastro de gás natural da usina térmica de Uruguaiana que depende de importações de gás da Argentina. Os cenários 1 e 2 incluem importações de energia da Argentina enquanto essas não foram consideradas nos cenários 3 e 4. No cenário 1, há um lastro de 1.600 MW médios para as importações argentinas e o retorno do lastro da UTE Uruguaiana para 565 MW médios. No cenário 2, considera-se a importação da Argentina com um lastro menor de 400 MW médios e o retorno do lastro da UTE Uruguaiana para 565 MW médios. Por sua vez, o cenário 3 somente incorpora-se o lastro da UTE Uruguaiana para 565 MW médios. Por fim, no cenário 4, não são incluídas as importações de energia da Argentina, tampouco o retorno do lastro da UTE Uruguaiana para 565 MW médios. De acordo com a EPE a oferta de energia em 2010 oscilará entre 60,3 mil MW médios no cenário 1 a até 58,4 mil MW médios no Cenário 4. Com uma demanda estimada para 2010 de 58,3 mil MW médios, o balanço entre oferta e demanda seria superavitário em todos os cenários com a sobre-oferta variando entre 2 mil MW médios no cenário 1 à apenas 69 MW médios no Cenário 4.
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Os cenários da EPE levam em conta a finalização e operação de uma série de usinas hidráulicas e térmicas em construção que estão enquadradas nos relatórios de acompanhamento de setembro dos empreendimentos em geração da ANEEL como enfrentando restrições para entrada em operação até 2010. Esse é caso das usinas hidráulicas de Olho d'Água (33 MW), Barra do Braúna (39 MW), Baú I (110 MW), Barra dos Coqueiros (90 MW), Caçu (65 MW), Estreito (1087 MW), Monjolinho (67 MW) e Serra do Facão (213 MW) que enfrentam graves restrições para entrada em operação. Juntas estas usinas representam 1704 MW de capacidade instalada e aproximadamente 937 MW médios. Caso as restrições impeçam a entrada em operação destas capacidades, a sobre-oferta existente nos cenários 2,3 e 4 seria não só eliminada como também apareceria um déficit. Somente no cenário 1 haveria sobre-oferta que neste caso seria dependente das condições do mercado de energia e de gás natural na Argentina em 2010. Em suma, os cenários apresentados pela EPE sinalizam para um equilíbrio precário entre oferta e demanda de energia em 2010. É urgente a resolução das restrições que impedem a consecução de importantes projetos hídricos no Brasil. Desde 1996 foram licitados 12889,8 MW, desse total 4374,0 MW estão em operação, 2012,0 encontram-se em construção e 6503,8 MW são de obras não iniciadas. O curioso e que chama bastante atenção é que no segundo governo FHC foram licitados 8485 MW, enquanto no governo Lula apenas de 793,2 MW. É preciso que o novo governo implemente uma agenda que corrija os pontos do atual modelo que vem impedindo uma maior presença de investimentos privados em geração de energia e resolva os problemas para que se dê inicio as obras dos 6503,8 MW.
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A palavra crise não é nada agradável
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A palavra crise não é nada agradável. Sempre procuramos evitá-la na nossa vida pessoal, na atividade profissional e nunca desejamos que ocorra no país em que vivemos. O provérbio chinês que a crise significa saída é muito bonito filosoficamente, mais do ponto de vista prático nenhum de nós deseja estar diante desta situação. Portanto, quando chamamos à atenção para a possibilidade cada vez maior de ocorrerem crises de abastecimento de energia elétrica e de gás natural no Brasil, não o fazemos com alegria e muito menos com prazer como pensam muitos dos atuais membros do governo brasileiro. Ao contrário, é com pesar que verificamos que um país com o potencial energético do nosso fica desperdiçando tempo e não tomando as providências necessárias para que de uma vez por todas superemos essa triste discussão sobre quando será o próximo apagão de energia no Brasil.
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Não temos dúvidas que a atual situação é preocupante. A maior demonstração que o cenário de escassez de energia já chegou é o comportamento dos preços da energia elétrica e do gás natural. Nos primeiros leilões de energia elétrica o preço foi de R$60 Mwh para as hidrelétricas, no último leilão de junho alcançou R$125 Mwh e no próximo de outubro o governo pretende manter esse preço máximo, de forma totalmente artificial, contrariando os sinais do mercado. No setor de gás natural, entre setembro de 2005 e julho de 2006 o preço do gás boliviano apresentou um aumento acumulado de 60%. Em outubro o gás boliviano será reajustado em mais 5% e o governo já anunciou a intenção de igualar o preço do gás nacional ao boliviano no city gate das distribuidoras. Atualmente, o preço do gás nacional é cerca de 20% inferior ao boliviano. Enfim, preços de energia altos terão como principal conseqüência à perda de competitividade da indústria brasileira. Em todo caso, é melhor conviver com preços altos do que com falta física de energia. O absurdo é a política energética ter nos levado a esses dois cenários: racionamento com explosão tarifária ou explosão tarifária.
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Quem deveria dar Exemplo de Bom Pagador
é o Campeão do Calote
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A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) divulgou que as distribuidoras deixam de arrecadar R$6 bilhões anualmente por conta da inadimplência. O que chama à atenção é que o setor público apresenta um índice de inadimplência o triplo dos setores residencial, industrial e rural. Justamente, o setor que deveria dar exemplo de bom pagador é o campeão do calote. O que explica esse comportamento? A meu ver é a idéia, muito presente no atual governo, de que os chamados serviços públicos são um dever do Estado e, portanto, não seria por parte do setor público uma prioridade pagar por esses serviços. Na realidade, hospitais, universidades, empresas de saneamento, prefeituras, órgãos de governamentais das três instancias federativas, entre outros, julgam-se imunes à suspensão do fornecimento por falta de pagamento e colocam a população contra as concessionárias de energia elétrica. Essa é talvez uma herança de quando as empresas do setor elétrico eram em sua maioria estatais federais e estaduais e ninguém pagava ninguém. Para quem não se lembra, isso levou a falência do setor e a conta foi paga pela sociedade.

LEITURAS RECOMENDADAS

A MANTRA DOS MENTIROSOS
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Por Augusto Nunes
Oublicado no Jornal do Brasil
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A ladainha foi entoada, de novo, no primeiro debate do segundo turno. "Corrupção existiu em todos os governos", desconversou na TV Bandeirantes o presidente-candidato. "A diferença é que nós punimos". Na primeira fila da platéia, Marta Suplicy até conseguiu distender a musculatura facial aprisionada a cada três dias. Feliz, repetiu o mantra no fim do debate: "Só o nosso governo pune".
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Pune coisa nenhuma, informa a vida real. As evidências são muitas e penosas. O extorsionário Waldomiro Diniz, por exemplo, não foi sequer demitido. Foi exonerado "a pedido". José Dirceu viu confiscada por Roberto Jefferson a tarja de capitão do time, mas mantém o direito de ir e vir (sempre à caça de negócios espertos). O estuprador de contas bancárias Antonio Palocci, deputado eleito, vai homiziar-se numa bancada feita de mensaleiros, vampiros e sanguessugas, todos beneficiários da mão amiga da impunidade.
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O trem-pagador Paulo Okamotto ainda não sofreu a mais que recomendável quebra do sigilo bancário e fiscal, fundamental para o esclarecimento de suspeitíssimas doações à Primeira Família. Algumas o vinculam a Marcos Valério, outro que não sabe o que é dormir num catre.
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Silvinho Pereira nem explicou direito que fim levou aquele Land Rover. Delúbio Soares, o modernizador do assalto a banco, gasta o tempo em churrascos com amigos no sítio em Goiás. Poderá agora melhorar a comida: despedido do PT (e em liberdade), Jorge Lorenzetti está disponível. Liberado das maracutaias de campanha, o churrasqueiro do rei saberá cuidar da qualidade da carne oferecida aos convivas.
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A Polícia Federal tem colecionado operações que identificam bandidos. Mas o doutor Márcio está aí para poupar de dissabores os capturados em meio a patifarias necessárias ao desenvolvimento do partido e da nação.
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A polícia prende, o governo solta. Não há na cadeia um único bandido federal. Confrontado com essa evidência, Lula deu-se mal no debate. De onde veio o dinheiro para a compra do dossiê criminoso?, quis saber três vezes Geraldo Alckmin. Três vezes Lula se esquivou. Terá de esquivar-se nos próximos debates. Não há o que dizer. Resta-lhe tentar impedir que as investigações cheguem às cabeceiras do rio de lama.
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Se chegarem, Lula perderá todos debates. E a eleição.
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ASSESSORIA DE LULA PERDEU O DEBATE

Por Pedro do Coutto
Publicado na Tribuna da Imprensa

Geraldo Alckmin levou nitidamente a melhor no debate promovido pela Rede Bandeirantes na noite de domingo e este resultado ficou refletido, no final de duas horas e meia, na fisionomia de Lula e na expressão do coordenador de sua campanha, ministro Marco Aurélio Garcia. Em contrapartida, os assessores do ex-governador de São Paulo mostraram-se eufóricos. Eu me lembrei de João Saldanha: a torcida não se engana.
A assessoria do presidente da República revelou-se para baixo. As imagens, a meu ver, sintetizaram o confronto, cujo objetivo não era o de discutir teses, mas obter votos.
Luís Inácio da Silva, logo ao início, mostrou-se defensivo. Mal assessorado, não olhou de frente para as câmeras, exatamente ao contrário do que fez Alckmin. E olhar para as lentes é fitar diretamente os telespectadores: olhos nos olhos, como na bela canção do Chico Buarque. É fundamental. A audiência - me informa o diretor-presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro - foi de 20 por cento, em média.

Na meia hora final, caiu para 14 pontos. Foi alta. Vinte por cento correspondem a 11 milhões de domicílios. Pode ter influído nas pesquisas de intenção de votos. O Ibope deve divulgar uma na Rede Globo, na noite de hoje, terça-feira. Mas a opinião pública precisa de mais uns dias para digerir os fatos. É sempre assim.
Alckmin dirigiu-me direta e pessoalmente a todos os que assistiam. Partiu para o ataque focalizando o ponto mais vulnerável do governo, a corrupção que envolveu diversas figuras de peso do PT e a cobrança quanto à origem do dinheiro usado na alucinada tentativa de comprar um misterioso dossiê contra José Serra, que havia disparado em relação a Aloísio Mercadante no primeiro turno para o governo de São Paulo.
Lula, atingido por falsos aliados e amigos falsos, não se saiu bem na questão. Sua assessoria falhou, refletindo uma divisão interna de opiniões. Ele necessita reformulá-la imediatamente. Em primeiro lugar, entretanto, sair da defensiva e partir para a ofensiva.
Debate político é assim: na ofensiva se vence; na defensiva se perde. O Palácio do Planalto está em disputa, é essencial adotar-se uma postura firme. Inclusive, vale acentuar, sua atuação poderá produzir reflexos na posição de candidatos que disputam o segundo turno em vários estados e o apóiam para a reeleição. É o caso, por exemplo, de Olívio Dutra no Rio Grande do Sul; Roberto Requião no Paraná; Sérgio Cabral Filho no Rio de Janeiro; Eduardo Campos em Pernambuco. Política é assim: como a nuvem, definiu certa vez o governador Magalhães Pinto. Muda de forma e direção a todo momento.
Por falta de memória seletiva e de assessoramento, perdeu oportunidades de ouro: não levou ao debate a lamentável atuação do governador Cláudio Lembo, que foi vice de Alckmin; esqueceu o apagão elétrico de 2001, no governo FHC, quando o presidente da República chegou ao cúmulo de dizer não ter sido avisado. Na mesma ocasião, Fernando Henrique Cardoso exigiu da população brasileira um racionamento de 20 por cento no consumo, sob pena de corte no fornecimento de energia.
O povo atendeu. E o que fez o governo? Simplesmente aumentou em 20 por cento, no mesmo mês, as tarifas de eletricidade. Isso fez com que todos os consumidores, residenciais, industriais, comerciais e de serviços, pagassem o mesmo valor por um volume de serviço menor. Onde estava a assessoria de Lula? Onde estava a ex-prefeita Marta Suplicy, agora dirigindo a campanha do presidente em São Paulo? Além disso, o presidente da República não atacou de forma intensa as privatizações da desadministração FHC. A começar pela da Vale do Rio Doce, sempre apontada como exemplo de doação pelo jornalista Helio Fernandes nesta TRIBUNA DA IMPRENSA.
Não acaba aí a seqüência de absurdos. Que dizer da privatização-doação da Light? A estatal francesa EDF não investiu um centavo e ainda deixou uma dívida no BNDES de 1 bilhão e 300 milhões de dólares. Prejuízo em aberto até hoje. O que fez o governo? Aceitou a criação de uma nova empresa, da qual o BNDES tornou-se sócio de 49 por cento da inadimplência em relação a si mesmo.
Houve, ainda, incrível, a intenção de privatizar Furnas, a segunda estatal brasileira, por um valor irrisório. Verdadeira tentativa de traição ao interesse nacional. Lula cometeu uma falha na defesa do governo Evo Morales, da Bolívia, na questão do gás natural. Alckmin encaixou um golpe curto, mas efetivo.
Agora, Alckmin falhou em não abordar a questão do funcionalismo público, que, nos últimos quatro anos, recebeu reajustes que somaram 2,1 por cento para uma inflação que o IBGE apontou em torno de 20 por cento. Nos últimos anos, as reposições inflacionárias ficaram em 9 por cento. A inflação do período registra 62 por cento. De qualquer forma, a assessoria de Alckmin contabiliza saldo positivo. A de Lula resultado negativo. Lula melhorou na meia hora final, mas revelou não estar à vontade no confronto. Deixou a impressão de temer os golpes do adversário.
Se Luís Inácio da Silva repetir na Globo o desempenho que revelou na Bandeirantes, poderá perder a eleição. Que estava ganha, não fosse o episódio do dossiê paulista. Tem que partir para a ofensiva, assumindo o mesmo tom de seu adversário. Como numa luta de boxe.
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"Não vou sozinho pro inferno, levo o Lula junto"
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Do Blog de Sandra Eks
Publicado no Argumento & Prosa
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Essa promessa é atribuída a Aloizio Mercadante, o pretenso "aloprado que arquitetou a engenharia do dossiê maquiavélico", em reunião com a executiva do PT, sábado, 7 de outubro. Cartas de tarô, jogos de búzios, cartomantes, ciganas, adivinhos, pais de santo, runas e cristais declaram: Lula perde as eleições, Alckmin é o novo presidente do Brasil.
E com se não bastassem os oráculos a espantar a finada reeleição de Lula, os companheiros, de saco cheio com a mutretagem desandada, deixam o barco onde a água já bate pela bunda.
E como se não bastassem os oráculos e os companheiros de saco cheio, Lula e Alckmin tiveram uma transposição de ânimos no debate da Band: Alckmin estava revigorado, claro, seguro, enquanto Lula estava mais chocho que chuchu murcho regado a paúra e caldo de jiló. Lula está esvaziado. Precisava é de botox no cérebro.Segundo um membro da executiva petista, o escândalo do dossiê bumerangue teria deflagrado o seguinte tiroteio entre Berzoini e Mercadante:

M: Quero deixar claro para os companheiros que não vou sozinho pro inferno, levo o Lula comigo.
B: Isso é uma canalhice sua, Mercadante. O Lula não suportaria mais essa.
M: Isso é problema seu e do Lula. Eu não sou o presidente do PT que se acovardou na frente do Lula. Eu tenho mais de 10 milhões de votos, quero que me respeitem. O Lula não é minha muleta, não dependo do Lula pra sobreviver. Já dei provas de minha lealdade ao Lula, segurei todas as broncas dele no Senado, inclusive a do filho dele.
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Segundo esse mesmo membro da executiva, Lula sabia do dossiê e mandou o secretário Freud acompanhar o pagamento. Lacerda funcionou com office-boy carregador de mala e Mercadante teria tratado com a revista Isto É por 2 milhões de dólares a capa e a matéria.
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É o que rola nos corredores da mídia. Si non è vero è bene trovato, não acredito que a verdade esteja muito longe disso.

Entrevista com Reinaldo Azevedo

Jornalista chama Lula de extravagente e incompetente
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Fernando Sampaio
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Ao fazer um diagnóstico do governo Lula, Reinaldo Azevedo, jornalista, articulista político e autor do livro "Contra o consenso", não teve dúvidas: trata-se de uma gestão "extravagante na teoria e incompetente na prática". Tamanha violência crítica poder parecer estranho nestes tempos em que, por mais enfraquecido que estejam o PT e o governo, nada parecer grudar no presidente.
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Reinaldo é responsável por um dos blogs de jornalismo político de maior audiência da internet. O www.reinaldoazevedo.com.br rivaliza em importância com o de Ricardo Noblat. Concordando ou não com o jornalista, é impossível ficar indiferente às suas posições.
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Logo na abertura do blog, conceito do escritor austríaco Robert Musil, tirado de "O homem sem qualidades", alerta o leitor desavisado: "Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem".
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Ex-editor da revista "Primeira Leitura", Reinaldo define Lula como "profundamente ignorante", mas "de uma inteligência política rara. É um líder da esquerda atrasada latino-americana, hábil o bastante para se fingir de democrata. E o PT é seu instrumento".
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TRIBUNA DA IMPRENSA - O que é esta crise política?
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REINALDO AZEVEDO - A crise que está instalada se dá entre os grupamentos políticos que acatam a democracia como valor universal e como prática inegociável, condição para governança, e aqueles que a têm como meio meramente tático. O PT não é e nunca foi um partido democrático. Sua famosa "democracia interna", que nunca foi nada mais do que um arremedo do velho bolchevismo, sempre disfarçou a vocação profundamente autoritária. O PT passou 22 anos sendo sistematicamente contrário a tudo o que os sucessivos governos, tão diferentes entre si, propunham. Teve a estupidez de se opor ao Plano Real, que pôs fim ao imposto inflacionário e deu um rumo ao País, a despeito dos problemas. Quando FHC foi reeleito, no 19º dia de seu segundo mandato, o agora ministro Tarso Genro escreveu um artigo cobrando a sua renúncia e pedindo a realização de eleições gerais.
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É o mesmo que agora, ridiculamente, vem falar numa concertação política. Ora, quem quer fazer concertação? O partido que, há pouco mais de duas semanas, tentou dar um golpe nas eleições. É preciso chamar as coisas pelo nome. A armação do dossiê fajuto foi para desmoralizar José Serra. O que eles pensaram? "Lula está reeleito e precisa reformar o Brasil. Mas a oposição terá um líder, chamado Serra. Precisamos desmoralizá-lo". Foi uma tentativa de governar sem oposição, uma vez que o Congresso também está desmoralizado por sucessivos escândalos.
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A crise se dá porque existe um partido que pretende dar um "by pass" na democracia. E isso precisa ser denunciado e evidenciado. O PT acha que o Congresso atrapalha, que a oposição atrapalha. É sua vocação totalitária ganhando dimensão prática. O partido inaugurou o presente eterno na política. Age como se não tivesse passado, história. Aliás, faz o mesmo com terceiros. Veja só: transformou-se ou numa máquina de emporcalhar reputações ou numa lavanderia de biografias. É o caso de Sarney, tornado um herói da resistência por Lula e seus homens da mala preta. Já FHC, um democrata, é transformado no grande satã.
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E os escândalos? São resultado da impunidade?
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É um quadro desolador, que vai minando a confiança nas instituições brasileiras. Por que existem os escândalos? Porque o PT precisa deles. Não é que precise deles para governar. Precisa para executar o seu projeto. Ora, se eles querem transformar o Congresso numa casa irrelevante, qual é o caminho mais curto? Fechá-lo. Ocorre que Lula ainda não é ditador. Então, não pode fazê-lo. Se não pode cercar com tanques o Legislativo, então o PT manda comprar. O escândalo do mensalão é isto: uma tentativa de eliminar um dos Poderes da República.
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O terceiro Poder, que é o Judiciário, como vimos, já está politizado o bastante, sob os auspícios e o estímulo do Poder Executivo. Não custa lembrar que, até outro dia, o Supremo Tribunal Federal era presidido por um então declarado candidato a vice-presidente de Lula. A operação não saiu exatamente como eles queriam. Mas Nelson Jobim, que é de quem estamos falando, confirmada a reeleição de Lula, é candidato a suceder Márcio Thomaz Bastos no Ministério da Justiça. É vergonhoso.
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Defina o PT e seu papel nesta crise.
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Acho que já o caracterizei até aqui. O PT é um partido de esquerda e, pois, autoritário. Esquerda democrática é uma ficção inventada por alguns espertinhos para pegar trouxa. Qual é a essência de um partido de esquerda? Achar que tem a chave do futuro e que todos aqueles que se opõem a seu projeto são passadistas, reacionários, descartáveis, não entendem o sentido da evolução da história e da humanidade. Isso não sou eu que digo. É teoria política escrita.
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Gramsci, o teórico comunista italiano, num estudo que fez sobre Maquiavel, que está em "Cadernos do Cárcere", dizia que o príncipe atual, o "Moderno Príncipe", não é um homem, é o partido. O PT é gramsciano. Ele se quer este ente de razão que tudo pode, tudo sabe e tudo coordena. Gramsci dizia que o Moderno Príncipe haveria de subverter todos os princípios. E que tudo na sociedade se faria contra ou a favor o partido, de sorte que ele fosse um novo imperativo categórico.
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De certo modo, estamos experimentando isso. A política brasileira passou a ter um único eixo: o PT. Há lideranças regionais aqui e ali, mas são marginais. As únicas forças que ainda resistem, e mal, porque fazem má política, são o PSDB e o PFL. Mas os dois partidos têm o terrível vício de subestimar o PT. O PFL porque não tem a devida unidade e ainda tem muitos caciques regionais. O PSDB por conta de uma certa soberba intelectual.
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Então acontece o quê? O PT vai falando sozinho e ditando o ritmo e o rumo dos acontecimentos, embora tenha feito o governo mais corrupto de que se tem notícia. Quando se fala isso, eles perguntam: "qual o critério de comparação?" Qualquer um que se queira: quantidade de escândalos, valor envolvido nas tramóias e comprometimento das instituições com a lambança.
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O PT tentou comprar uma fatia do Congresso. Isso não é pouca coisa. Comprar mesmo, com grana. Nem era aquela prática antiga, de trocar cargo por apoio. Isso é mais ou menos corriqueiro nas democracias do mundo. Pode-se fazê-lo com ou sem acordos programáticos, de princípio. Mesmo que seja um mero arranjo de circunstância, não se trata de um crime. Já pagar um deputado ou um senador em dinheiro vivo para obter apoio ou vantagem é crime. E muito grave.
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E o governo Lula? Defina-o.
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É um governo extravagante na teoria e incompetente na prática. O governo Lula conseguiu juntar o autoritarismo da esquerda com ortodoxia econômica sem imaginação. E deu nessa porcaria que aí está. Mesmo com a economia mundial vivendo um ciclo único no pós-guerra, de estabilidade duradoura, o País terá um crescimento médio, ao longo de quatro anos, de uns 2,8%, talvez menos. Com FHC, ao longo de oito, crescemos 2,33%, a despeito de sete crises, cinco delas com potencial para derrubar governos. Cadê o Lula virtuoso?
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Não obstante, o País continua pagando juros reais escandalosos. Os juros reais nos EUA ou na União Européia não chegam a 1%. Aqui, chegam a quase 11%. É um escândalo. Em 2002, o País exportava a metade, o risco soberano era oito vezes maior, tínhamos problema de liquidez externa, e os juros reais eram de 11,2%.
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Como pode isso? Pode! Lula amarrou-se ao setor financeiro, prometeu ser fiel a seus princípios e, com isso, conseguiu o apoio de partidos conservadores, de alguns usurpadores do liberalismo. O liberalismo brasileiro foi seqüestrado pelo financismo. É um governo conduzido por idiotas de esquerda, apoiados por idiotas de direita. Tanto uns quanto os outros estão atrás de benefícios por desapego a seus respectivos princípios. Uns querem poder, sempre mais, e outros, ganhar dinheiro. Uns rifam a sua ideologia para ter apoio dos antigos inimigos, e os antigos inimigos chamam de pragmatismo o que não passa de uma mera operação financeira.
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Por que não apoiar Lula? Os títulos da dívida pública na sua mão rendem uma enormidade.
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Esse mesmo governo que condena o País ao baixo crescimento e, portanto, à reprodução do ciclo da miséria, é o que transformou os programas assistencialistas que já havia numa monumental máquina eleitoral. Basta olhar a distribuição dos votos de Lula. Ele só ganha em dois cortes: Nordeste e entre os que têm rendimento de até dois salários mínimos. Quer dizer que é um governo dos pobres? Não! É um governo do "pobrismo", que é coisa bem diferente. Lula está cevando alguns milhões de cativos, que ficarão dependentes dos programas erroneamente chamados de "distribuição de renda". Não se distribui nada. Veja o que aconteceu com os salários médios no Brasil ao longo desses quatro anos. Foram achatados. Numa economia que cresce pouco, a classe média paga o pato, ameaçada pelo desemprego e pela substituição da mão-de-obra por quem ganha menos.
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O que se chama de diminuição da desigualdade no Brasil é o empobrecimento da classe média, que perdeu qualquer chance de fazer uma poupança mínima ou de planejar o seu futuro. E o governo pega parte do que arrecada com sua carga tributária estúpida e converte em doação, sem contrapartida, aos muito pobres, em troca da fidelidade eleitoral. Quem está com fome quer comida? Quer. Mas há modos e modos de fazê-lo. Lula está transformando as potencialidades futuras do Brasil em consumo presente - se me permitem, o futuro do Brasil está virando cocô. Se esses pobres estivessem sendo capacitados para andar pelas próprias pernas, vá lá. Mas continuarão a compor a romaria de famélicos do ministro Patrus Ananias.
O Congresso naturalmente foi afetado, o que vem por aí?
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Tivemos a pior legislatura da história, e, potencialmente, o que vem por aí não é muito melhor do ponto de vista da qualidade dos representantes. Há algumas leis moralizadoras, é verdade, como a que coíbe pagamento de extras na convocação extraordinária, a que institui o voto aberto para cassações - atenção: sou favorável ao voto aberto só nesse caso; nos demais, seria jogar o Legislativo no colo do Executivo. Uma reforma política que instituísse a fidelidade partidária e o voto distrital misto contribuiria para melhorar o Congresso. Mas que se destaque: o Executivo é muito forte no Brasil. Se ele se mostrar disposto a comprar, sempre vai haver alguém disposto a vender.
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O presidente da OAB, Roberto Busato, diz que falta ética no Brasil. Falta?
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Não é só ele que diz, não é? As pessoas falam em ética sem conceituá-la. O que é ética? É um conjunto de valores que diz respeito a uma coletividade, que é partilhado por um conjunto de pessoas, à diferença da moral, que é individual. Cada indivíduo tem a sua moralidade. Ora, é claro que os valores coletivos, que organizam a vida social e política, estão em crise no Brasil.
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E se trata de uma crise particularmente grave porque liderada pelo partido que se dizia a encarnação da ética na política. Sempre que alguém vem com esse papo pra cima de mim, dou um jeito de escapar. "Ética na política" quer dizer exatamente o quê? Quem estabeleceu o tal valor como norma, como diretriz? A ética do PT não me interessa. Mas é a que eles têm a oferecer. Quando Marilena Chauí ou Wanderley Guilherme dos Santos deliram afirmando que há uma tentativa de golpe no Brasil, estão tentando nos impor a sua "ética". Eles querem dizer o seguinte: tudo o que não serve ao poder petista é potencial e realmente ruim; é contrário à ética.
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Temos uma crise de valores. Ela é ética? Acho que sim. Mas de qual ética estamos falando? Aquela que, entendo, deve servir a um Estado liberal e democrático. O petismo, por exemplo, não vive crise ética nenhuma. Eles são assim mesmo.
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Dá para alertar a sociedade para que não fiquemos chocados depois?
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Muito simples. Votar sempre contra o PT e seus aliados, objetivos ou subjetivos.
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Quais medidas deveriam ser postas em prática para coibir esse estado de coisas?
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Reforma política: fidelidade partidária, voto distrital misto, fim das emendas individuais ao Orçamento; reforma administrativa: redução drástica dos cargos de confiança; fim da estabilidade do funcionalismo; reforma econômica: privatização de todas - note bem e escreva em caixa alta: DE TODAS - as estatais. Elas são a verdadeira fonte da corrupção no País; instituição do pregão eletrônico para compras do governo.
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Como destrinchar as relações PT e o presidente Lula?
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Não há o que destrinchar. Eles são uma coisa só. O fato de o eleitorado de Lula ser maior do que o do PT não quer dizer nada. Ele não existe sem o partido e vice-versa. É uma tolice imaginar que Lula é um ingênuo assombrado por bolcheviques meio malucos. Lula é profundamente ignorante, mas é de uma inteligência política rara. Ele é o representante do Foro de São Paulo, de que é fundador, no Brasil. É um líder da esquerda atrasada latino-americana, hábil o bastante pra se fingir de democrata. E o PT é seu instrumento.
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Como o senhor define esse "dossiêgate" e seus atores?
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Já defini. Foi uma tentativa de dar um golpe nas eleições.
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E a Polícia Federal como um dos carros-chefe do marketing lulista? Como explicar isso?
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Você usou a palavra certa. A parte da PF que Márcio Thomaz Bastos comanda se especializou em ameaçar donos de cervejaria e donas de butique. Foi uma forma de dizer que os ricos também arcam com o peso da lei no País. Houve arbitrariedade naquele espetáculo todo que foi promovido para encantar a mídia. Era coisa séria? Se fosse, Bastos teria ele mesmo divulgado as imagens da dinheirama do caso do dossiê fajuto. Não teria de ser furado por um jornal, como foi. O ministro da Justiça pôs uma instituição do Estado a serviço de um projeto político.

TOQUEDEPRIMA...

Marta compara Alckmin a Collor e o
acusa de comprar deputados

Fabrício Calado Moreira
Diário de S. Paulo


SÃO PAULO - A coordenadora da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado, Marta Suplicy (PT), acusou nesta segunda-feira o candidato do PSDB a presidente, Geraldo Alckmin, de comprar deputados para impedir a instauração de CPIs na Assembléia e insinuou semelhanças entre o tucano e o presidente deposto Fernando Collor de Mello. A comparação foi feita por Marta durante discurso no calçadão de Mauá, município do ABC paulista, ao comentar o debate de domingo entre os presidenciáveis.

- O que eu vi ontem (domingo), Deus me livre. Foi picolé de chuchu virando Rambo e Exterminador do Futuro. Lembrou o filme do caçador de marajá -, ironizou a petista, lembrando o mote da campanha de Collor. Na disputa presidencial de 1989, o então candidato a presidente teve como bandeiras o combate à corrupção, à inflação e a defesa dos descamisados.
A coordenadora da campanha de Lula acusou ainda Alckmin de aliciar deputados da base aliada para engavetar os 69 pedidos de instauração de Comissões Parlamentares de Inquérito.

- Essas 69 CPIs não são de bobagem, gente, são de corrupção. Eles não deixam abrir nenhuma e depois ficam falando como se fossem donos da ética. Só a CPI da Nossa Caixa, que quer investigar os deputados que foram comprados exatamente pra votar com ele (Alckmin) e abafar todas as CPIs, essa é a mais perigosa, ele não deixa chegar nem perto.

A petista disse também que Alckmin "fica lá (como) o bastião da moralidade, o caçador de marajá, mas todas as sujeiras dele estão debaixo do tapete", e que o presidente Lula, ao contrário, "põe a Polícia Federal para investigar, doa a quem doer". E fez uma rápida citação ao episódio de venda do dossiê que comprometeria tucanos.

- Vai ver as CPIs da Febem, da Sabesp, do Rodoanel, e vai ver que bicho cabeludo que sai de lá (da Assembléia). Mas ele (Alckmin) não deixou fazer nenhuma. E o coitado do Lula lá, tendo que explicar meia dúzia de aloprados que fizeram uma besteira.

Falando a um grupo pequeno composto basicamente de militantes petistas, Marta fez críticas ao tom agressivo adotado por Alckmin no debate e disse que não foi possível saber, pelo programa, quais as propostas do tucano. A ex-prefeita de São Paulo afirmou ainda que os tucanos não são a favor do Bolsa-família, dando a entender que o programa será extinto em eventual eleição de Alckmin.

COMENTANDO A NOTICIA: Marta Suplicy parece que não aprende. Soubesse ela o mal que ela própria faz para o candidato-presidente Lula, o melhor que faria seria calar a boca. Soubesse ela o quanto sua rejeição junto ao eleitorado paulista anda nas alturas procuraria trabalhar de modo mais honesto possível, ou pelo menos parecendo ser. Mas não adianta: Marta além de leviana e tremendamente mentirosa, desce ao mais baixo nível não apenas moral mas de caráter que um ser humano pode descer. É lamentável que uma pessoa tão desclassificada e delinquente ainda tenha lugar na política. Apenas num partideco indecente como o PT é possível para Marta, a mau caráter, encontrar espaço. Esquece da fragorosa derrota em 2002 para Serra ao tentar reeleger-se. Esquece ter sido eliminada da disputa do governo paulista pelo Mercadante já por causa de sua péssima administração, reputação abaixo da linha de cintura e um índice de rejeição histórico. O interessante é que Collor é aliado do Lula e não de Alckimin. Apenas irônica coincidência, Martaxa?
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Aécio desfaz 'receio' do eleitor mineiro
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O apoio do eleitor mineiro à candidatura de Geraldo Alckmin tem tranqüilizado a cúpula da campanha tucana. No primeiro turno, o ex-governador de São Paulo ficou apenas 1 milhão de votos – no total de 13,6 milhões - atrás de Lula, no Estado que é o segundo colégio eleitoral do país. O que, na avaliação de muitos tucanos indica que o eleitor mineiro deixou de considerar uma eventual vitória de Alckmin como uma ameaça ao projeto Aécio Neves para 2010.

A resistência do eleitor mineiro foi quebrada em grande parte pelo engajamento de Aécio na campanha de Alckmin e pelas inúmeras visitas que este fez ao Estado durante o primeiro turno. Alckmin esteve em território mineiro em todas as semanas dos três meses de campanha, sendo que em algumas semanas foi duas vezes, sempre com Aécio a seu lado. No dia da votação do primeiro turno, o paulista votou e em seguida embarcou para Belo Horizonte onde passou o dia ao lado do governador local.

O poder de Aécio em seu estado é reconhecido também pelos petistas e seus aliados que tentam explorar a boa relação do governador com Lula. O ex-ministro e deputado federal eleito Ciro Gomes (PSB-CE), por exemplo, já entrou na discussão. "Quem defende Aécio em Minas deve defender Lula." Para a campanha petista, se os mineiros retomarem o sentimento de risco ao projeto 2010 Alckmin pode perder votos no Estado.

Fonte: Veja On line

COMENTANDO A NOTICIA: Se Aécio abraçar a campanha de Alckimin com real interesse, poderá levar Minas a consagrar o tucano dia 29 próximo. De Minas Gerais depende a vitória de Alckimin. As intrigas de Lula e seus capangas não conseguirão êxito. Aécio sabe que Lula não merece o mínimo crédito. Os amigos e aliados para ele são descartáveis.
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Alckmin: expressando a indignação coletiva
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Por Reinaldo Azevedo
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Por José Alberto Bombig na Folha desta terça: “O candidato do PSDB a presidente, Geraldo Alckmin, disse ontem ter dormido ‘com a consciência tranqüila’ após o debate com o petista Luiz Inácio Lula da Silva. ‘O tom não é agressivo. Eu estou absolutamente zen, absolutamente tranqüilo, dormi tranqüilo, com a consciência tranqüila. Agora, nós temos de ser verdadeiros, isso sim.’ Segundo ele, sua atuação no debate vocalizou o ‘sentimento do povo’. ‘Eu quase não consegui andar na rua hoje cedo. Acho que externei o sentimento de indignação do povo brasileiro. Acho que isso estava parado na garganta de todo mundo. Fui um instrumento do povo, mas não com raiva, mas com indignação. Nós não podemos achar que o que vem ocorrendo no Brasil, e não parou de acontecer, seja normal’, declarou. O tucano passou o dia em São Paulo ontem, em reuniões com correligionários e gravações de seus programas de TV. ‘Essa mentirada do Lula, pelas costas, de dizer que eu vou privatizar Banco do Brasil, Correios, Petrobras, Caixa Econômica, que eu vou acabar com o Bolsa Família, tudo mentira. Eu falo a verdade, frente a frente, não pelas costas. O Lula fugiu do debate no primeiro turno e ontem não respondeu de onde veio o dinheiro [do dossiê].’
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GASTOS COM CARTÕES: R$ 3,78 MILHÕES ESTE ANO
Na Tribuna da Imprensa
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BRASÍLIA - Ao prometer "transparência absoluta" na prestação de contas dos cartões corporativos do governo e cobrar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mesma atitude, o tucano Geraldo Alckmin falou de uma caixa preta que, só este ano, já envolve R$ 3,583 milhões. O presidente não quis falar no assunto. Limitou-se a dizer que os cartões corporativos foram "a única coisa boa que o Fernando Henrique Cardoso criou no governo dele".
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A Casa Civil da Presidência informou, por meio da assessoria de imprensa, que o sigilo é necessário porque envolve gastos com segurança de autoridades, inclusive o próprio presidente e sua família, e também de comitivas internacionais. Lembrou, porém, que o TCU "tem amplo acesso, a qualquer hora" a qualquer informação que solicitar ao governo.
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Segundo a Casa Civil, dois tipos de gastos são pagos com o cartão: os chamados "de pequeno vulto", desde que não ultrapassem R$ 8 mil mensais, e "peculiaridades da Presidência da República". São vetadas, segundo a assessoria, "compras de caráter pessoal".
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Esses cartões de crédito permitem a alguns servidores sacar ou fazer pagamentos de rotina com recursos da União sem a necessidade de autorização prévia. Atualmente, só na Presidência, 22 funcionários usam o cartão. Na Secretaria de Administração da Presidência da República, foram gastos entre janeiro e setembro deste ano R$ 3,678 milhões com os cartões.
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A prestação de contas no Portal da Transparência da Presidência, no entanto, revela o destino de menos de R$ 95 mil (2,6%). Os 97,4% restantes estão guardados a sete chaves sob a rubrica "informações protegidas por sigilo, nos termos da legislação, para garantia da segurança da sociedade e do Estado".
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A Secretaria de Administração é a responsável pelos gastos do dia-a-dia do Gabinete da Presidência. Os pagamentos a que se tem acesso foram para despesas com combustível, hotel, pequenos consertos, feitos por nove funcionários que têm os cartões. Para os outros gastos, não há nenhuma informação.
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"É inaceitável que esse tipo de gasto com cartão tenha tratamento de segurança nacional", protesta o deputado distrital Augusto Carvalho, eleito deputado federal pelo PPS, presidente da ONG Contas Abertas. O parlamentar lembra que, na contabilidade da União, já existe a rubrica "despesa de caráter secreto ou reservado", onde está incluída parte dos gastos das Forças Armadas e do Itamaraty.
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Dos R$ 94.987,33 relacionados no Portal da Transparência, R$ 20 mil foram saques em dinheiro e também não há informação sobre onde foram gastos. Os gastos totais do Gabinete da Presidência por meio dos cartões corporativos foram de R$ 6,839 milhões entre janeiro e setembro deste ano.
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Das seis unidades subordinadas ao gabinete, tiveram gastos secretos a Secretaria de Administração e a Agência Brasileira de Informações (Abin). No caso da Abin, foram apontados como sigilosos os R$ 3,097 milhões gastos com os cartões.
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Os gastos e saques totais com os cartões corporativos da União somam R$ 20,756 milhões este ano, incluindo todos os ministérios e a Presidência. É quase o valor do ano passado inteiro, de R$ 21,706 milhões, e 46,6% maior que os R$ 14,1 milhões gastos em 2004, segundo dados do portal da presidência.
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O cartão corporativo foi criado em 1998 para facilitar pagamentos de rotina das autoridades. Por recomendação do Tribunal de Contas da União, houve avanços na transparência, mas a prerrogativa do sigilo para garantia de segurança emperra o acesso aos dados.No ano passado, o TCU abriu investigação sobre os gastos, que ainda está em curso. Dados sigilosos divulgados na época falavam em saques de mais de R$ 1 milhão feitos por um único funcionário, em 2004. Especulava-se também sobre gastos indevidos para a primeira-dama, Marisa, e os filhos do presidente. "O que todo mundo quer saber é se está havendo compras indevidas. Quanto mais se sonega a informação, mais cresce a curiosidade e a preocupação", diz Carvalho. "Se o candidato diz que vai quebrar o sigilo do cartão, vamos cobrar amanhã", avisa.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Eis aí uma caixa preta que precisa ser aberta ao conhecimento da sociedade brasileira. Conforme já publicamos aqui, os gastos da presidência sob o comando de Lula tornaram-se uma imoralidade bastante cara. Releiam os números e avaliem por si mesmos:

* DESPESAS DO GABINETE PRESIDENCIAL.
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1995 - FHC - R$ 38,4 milhões.
2003 - Lula - R$ 318,6 milhões.
2004 - Lula - R$ 372,8 milhões (R$ 1,5 milhões por dia útil de trabalho)
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* NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS NO PALÁCIO DO PLANALTO.
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Itamar Franco - 1,8 mil
FHC - 1,1 mil
Lula - 3,3 mil.
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No Palácio da Alvorada, existem 75 empregados. O ano passado Lula assinou um decreto, de número 5.087, aumentando de 27 para 55 seus assessores especiais diretos.
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Com tanto desperdício, não há política fiscal que funcione. Com tanto dinheiro gasto em despesas inúteis e supérfluas, não há país que consiga crescer decentemente.
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Bota essa estrela no peito
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A estrela - que de vermelha foi passando a amarela em claro sinal de que os outrora inflamados petistas foram amarelando- está banida da mídia. Lula apareceu sem ela no debate. No seu lugar a bandeira brasileira, nunca dantes exposta em lapela menos indicada.
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Até a mãe de Lula cansou dele. Invocada pela milionésima vez mandou do além mensagem que não cabia na conversa. Perguntado por Alckmin sobre política externa Lula saiu com a colinha errada passada por Dona Lindu:
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- Minha mãe sempre me ensinou: cada macaco no seu galho.
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A menos que estivesse se referindo aos seus amigos Evo e Chávez esse comentário só não foi mais imbecil do que o PSDB estar no poder há 4 séculos. Alguém avise o Lula que em 1606 os únicos tucanos por aqui eram aves. Só não esqueçam de avisar o que é ave.
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Lula dá mostras de que está se tornando uma espécie de Frankenstein do PT.
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A "pseuda" Inteligência de sua campanha passou de um churrasqueiro pra uma anta que veste Prada, Martha Suplicy, que vai da gargalhada ao choro convulsivo sem mover um músculo da cara. A estratégia do PT é fazê-la comentar os debates: ouvi-la faz a gente achar o Lula instruído. Chamou Alckmin de boneco de plástico, vocês viram? Quem diria... o inesperado lado machão inflável do Chuchu despertou fantasias na sexóloga.
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Reconhecendo a derrota
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Apesar de os bajuladores passarem o dia dizendo o contrário, o próprio Lula reconheceu, na intimidade, incrédulo, que perdeu o bate-boca com Alckmin.
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Só se foi por telepatia
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Lula disse que já debateu até com Jânio Quadros, mas Nelson Valente, biógrafo do falecido, nega. A menos que tenha ocorrido em sessão espírita.
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Farra com dinheiro do contribuinte
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A Caixa é uma mãe: a vinte dias do segundo turno, dispensou licitação e fechou contrato de R$ 310 milhões com a multinacional IBM, para fornecer equipamentos por um ano e suporte técnico e manutenção por 16 meses.
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Liberou geral !
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Entra em vigor hoje a permissiva lei antidrogas, que Lula sancionou em 23 de agosto. Não é mais crime plantar maconha para “consumo próprio”.
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Senador beneficiente
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Não é piada, nem provocação: na porta do gabinete do senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que enfrenta risco de cassação por envolvimento no escândalo dos sanguessugas, está escrito: “Doe sangue”.
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Petistas sobre o debate
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De Jaques Wagner:

- Em 2002 fui candidato ao governo (da Bahia) e me disseram: ‘Se o senhor não for na garganta (do adversário), você não ganha a eleição’. O presidente Lula não sabe e não gosta de fazer isso. Se eles (Alckmin e PSDB) escolherem esse caminho, teremos uma vantagem muito maior no segundo turno. Quem vai perder são eles (...) Acho inclusive que ele (Alckmin) perdeu votos na classe média. É muito difícil alguém achar que é sério o ataque que ele fez na questão do avião (aerolula) e em outras questões. É uma pessoa que tem uma visão pequena sobre as questões de estado. É uma pegadinha de debate. Isso não é sério.
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De Lula:
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Lula se disse surpreso e decepcionado com a postura de Alckmin depois do debate de ontem na Rede Bandeirantes.
Jaques Wagner, eleito governador da Bahia, que voltou com Lula de São Paulo para Brasília, relatou que o presidente não esperava os ataques que recebeu no programa. Esperava que questões de programa de governo fossem o centro das discussões.
Diante da postura de Alckmin no primeiro debate, Lula avisou que vai se preparar melhor para rebater críticas nos próximos programas:

- Já entendi. A única coisa que eles querem é isso. Vou me preparar, embora quisesse discutir projetos -, disse Lula ao voltar para Brasília.

O próximo debate está marcado para a próxima segunda-feira na TV Gazeta. A conferir.
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De José Alencar
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De José Alencar, vice-presidente, sobre o desempenho de Alckmin no debate de ontem na Rede Bandeirantes:

- Eu acho que ele marcou um gol contra.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Se ele não gostaram é porque o debate foi ótimo para .... Geraldo Alckimin. Petista detesta o contraditório. Tudo aquilo que se opõem à sua ideologia está errado. Partido do lixo merece ser ocupado por lixo mental.
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Lula diz que não fez mágica na política econômica
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Durante discurso com para os evangélicos que foram lhe oferecer apoio à reeleição em cerimônia no Palácio da Alvorada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a atual política econômica, dizendo que não optou por soluções mágicas. "Nós resolvemos não inventar mágica. Nós resolvemos fazer nossa politicazinha arroz, feijão, bife acebolado, que todo mundo gosta, acional, internacional e ninguém reclama. Pode querer mais um bife, ou menos cebola, mas todo mundo gosta de comer", afirmou ele, salientando que "duvida" que o Brasil tenha vivido, "desde que foi proclamada a República, o momento econômico que temos hoje".
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Para o presidente Lula, "alguém pode fazer uma crítica de que o Brasil poderia estar crescendo a 5% ao invés de estar crescendo a 3%, alguém poderia fazer crítica de que os juros poderiam estar 10% e não 14%". E acentuou: "e até poderia estar, mas não está porque nós tomamos algumas medidas de não repetir erros que aconteceram no passado".
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Em seguida, Lula passou a criticar indiretamente o seu aliado, o senador pelo PMDB no Amapá, José Sarney, pela implantação do Plano Cruzado. "Os da minha idade sabem o que foi o sucesso do plano cruzado em 1986 e sabem qual foi o fracasso dele em novembro de 86 porque ele foi criado e, assim que acabou as eleições, ele acabou", atacou. "Todos sabem o que foram planos Bresser, Verão, Collor. Teve várias políticas inventadas como se fossem mágicas, como se o mundo fosse mudar a partir dali e no dia seguinte povo ficava com o prejuízo", prosseguiu o presidente, justificando que, por isso seu governo resolveu não fazer mágica. Segundo Lula, "o Brasil não tinha experiência de crescimento econômico com inflação baixa e nós estamos dizendo que isso é possível".
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COMENTANDO A NOTICIA: É isto aí seu Lula: nada como receber um país arrumado e com a economia estabilizada. Como não foi você que roeu o osso, também não sabe de que tempero é feito o angu.
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A farsa das Universidades de Lula
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O presidente Lula afirmou no debate que foram criadas vagas e novas unidades no Estado de São Paulo e em outros estados. Algumas novas universidades iniciaram aulas, mas não saíram do papel, como a Universidade Federal do ABC (UFABC), que funciona em prédio emprestado. A expansão dos campi e vagas nas universidades federais, uma das bandeiras utilizadas pelo presidente Lula no debate e em palanques durante a campanha, ganhou fôlego no último ano de seu mandato.
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A UFABC, em Santo André, foi sancionada pelo presidente em julho de 2005 e previa o início das aulas para o primeiro semestre de 2006. As aulas, no entanto, só foram iniciadas no dia 20 de setembro, onze dias antes da eleição. A exemplo do novo campi da Unifesp em Santos e da nova unidade da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) em Sorocaba, a UFABC deu início a suas atividades em prédios provisórios cedidos pelas prefeituras dessas cidades.
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No terreno cedido pela prefeitura de Santo André para a construção do campus da UFABC hoje funciona como garagem municipal. Ao todo a UFABC ofereceu 500 vagas, que devem saltar para 1.500 em maio e chegar a 23,5 mil quando estiver em pleno funcionamento. A nova unidade da UFSCAR está com 180 alunos desde março e oferecerá outras 240 vagas para o ano que vem. Acredita que em meados do ano que vem as obras do novo campus já estejam concluídas.
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Além de 200 novas vagas em Santos, que conta hoje com 190 alunos, a Unifesp vai oferecer 200 vagas para uma nova unidade em Diadema, 400 em Guarulhos e 50 em São José dos Campus. A direção da Unifesp prevê que em Guarulhos as aulas já serão ministradas no campus definitivo, em fevereiro. Em Santos e Diadema os campus devem ser entregues em 2008 - prazo definido nas licitações.
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COMENTANDO A NOTICIA: Lula ainda acredita que o que interessa é a quantidade em detrimento da qualidade. Ao baixar o nível já baixo do ensino superior, Lula colabora diretamente para provocar um maior atraso para o país em termos de conhecimento e tecnologia. Os Estados Unidos com população e extensão territorial maiores do que as do Brasil, possui apenas 200 faculdades de direito, enquanto nós já passamos da casa das 1.000 faculdades. E não se sabe que os advogados de lá sejam piores que os daqui. Até pelo contrário. Para Lula, qualquer demagogia é válida se feita com o dinheiro público e desde que lhe renda votos. Dane-se a qualidade de ensino e as necessidades e formação dos alunos. Daí porque é imprescindível que o presidente tenha sim formação. Não é uma questão de preconceito e sim de necessidade para se dirigir uma nação como o Brasil com competência, seriedade e moralidade.
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Retrocesso
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Por George Vidor
Publicado Globo On line
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O primeiro debate entre os dois candidatos mostrou que teremos um retrocesso em relação a questões importantes para o futuro desempenho da economia. O PT resolveu satanizar a privatização - pelo lado ético, se houve tantas falcataruas, por que, depois de passados tantos anos, elas não acabaram vindo à tona, com provas concretaz que pudessem ser julgadas pelos tribunais? - como causa de todos os males, e o PSDB também nem quer tocar no tema. Ao contrário, como o candidato Lula havia afirmado que seu adversário, se vitorioso, se apressaria em privatizar empresas como Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, etc, Geraldo Alckmin aproveitou para chamar o presidente de mentiroso, pois não há de fato qualquer referência à privatização em seu programa de governo, anunciado há poucas semanas.
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Mas se a privatização está sendo satanizada, pode-se deduzir que o próximo governo não recorrerá a concessões de rodovias? Não estimulará investimentos privados em outras áreas de infra-estrutura, nas quais companhias estatais ainda se façam presentes (Lula deu um pito em Alckmin por conta da venda da empresa estadual de transmissão de energia do Estado de Sâo Paulo)? E o que resta de bancos estaduais permanecerá como está? Foi terrível misturar nessa discussão uma possível privatização da Petrobras, do BB e da Caixa, pois de fato não está na agenda nem dos economistas mais liberais no Brasil. Mas agora não se vai avançar nem nos segmentos que o próprio governo Lula parecia concordar com a privatização.
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Além da privatização, os dois candidatos nem quem ouvir falar de necessidade de qualquer tipo de reforma da previdência. Ora, então o sistema continuará desatualizado diante da realidade brasileira? Isso significa que todos os segurados da previdência, sejam os que se aposentaram ou os que um dia irão se aposentar, estão correndo sério risco, pois do jeito que o déficit está evoluindo, o sistema ficará inviabilizado, e em uma situação de crise aguda os benefícios levarão uma garfada monumental.
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Maioria dos saques foi feita em São Paulo e Rio

Publicado Tribuna da Imprensa

BRASÍLIA - Levantamento feito pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostra que entre 10 e 15 de setembro, ou seja nos cinco dias anteriores à prisão de Gedimar Passos e Valdebran Padilha com R$ 1,75 milhão, foram feitos 87 saques acima de R$ 100 mil em agências do BankBoston, Safra e Bradesco em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo e Rio.

Segundo a lista, pedida pelo relator de sistematização da CPI dos Sanguessugas, Carlos Sampaio (PSDB-SP), a maioria das retiradas foi feita em agências em São Paulo (55) e no Rio (29). Há um saque em uma agência do Bradesco em Mato Grosso e dois de agências do Bradesco em Mato Grosso do Sul.

O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), integrante da CPI, afirmou que vai pedir, com Sampaio, a quebra do sigilo bancário dos 87 saques. Se for aprovada pela CPI, será possível saber os titulares das contas, os valores dos saques e o nome dos sacadores. "O universo de saques não é tão grande. É possível investigá-lo", disse.

Gabeira também vai propor que a Polícia Federal repasse à CPI os levantamentos feitos a partir da quebra de sigilos bancários e telefônicos. "É preciso dar outro rumo às investigações. No meu entender, elas estão no pântano." No relatório entregue à CPI, o Coaf informa que até o momento não localizou saques em nome de pessoas que aparecem no noticiário como envolvidos. .
Para a CPI, isso não surpreende. Assim como a PF, a comissão admite a hipótese de uso de laranjas nas operações.

Em Cuiabá, o delegado que preside as investigações sobre o dossiê, Diógenes Curado Filho, requisitou ontem à Justiça a quebra do sigilo dos cadastros de mais 650 números telefônicos identificados nas análises de ligações feitas pelos envolvidos nos dois meses que antecederam a prisão de Gedimar e Valdebran. O cadastro traz as informações sobre o proprietário da linha.

Até agora, Curado trabalha com 70 quebras de sigilo, parte de dados cadastrais e parte de extratos, que trazem a relação de todas as chamadas feitas e recebidas, caso das quebras de sigilo telefônico de Gedimar, Valdebran e Hamilton Lacerda. As informações resultantes da quebra dos sigilos telefônicos serão cruzadas com o banco de dados de operações financeiras que a Polícia Federal já possui. O delegado Luiz Flávio Zampronha, chefe da Divisão deRepressão a Crimes Financeiros, segue amanhã para Cuiabá com o banco de dados.
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Brasil precisa cobrar indenização da Bolívia
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Por George Vidor –
Publicado no O Globo On line

Cuba está até hoje submetida a bloqueio econômico dos Estados Unidos porque em 1960 Fidel Castro expropriou empresas americanas, sem pagar indenizações aos antigos proprietários. O direito internacional admite desapropriações e nacionalizações, desde que devidamente indenizadas. O valor pode ser estipulado por arbitragem ou até mesmo com base na legislação local. Não é o regime autoritário em Cuba que incomodou os Estados Unidos, mas sim a criação de um precedente na área comercial. Os soviéticos recorreram a expropriações depois da revolução de 1917, mas até recentemente a Rússia estava pagando indenizações.
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Hugo Chaves, na Venezuela, também decidiu rever contratos com companhias petrolíferas estrangeiras. As condições do novo contrato ("joint venture" compulsória com a PDVSA, a estatal petrolífera venezuelana) podem não ter agradado às empresas, mas elas foram formalmente aceitas. Duas multinacionais acabaram sendo expulsas da Venezuela, e uma outra vendeu a parte que lhe cabia para a Repsol. Chaves se valeu do fato de os exportadores de petróleo estarem hoje com a faca e o queijo na mão, devido aos elevados preços do óleo.
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Mas Evo Morales nem sequer buscou um acordo formal da Bolívia com a Petrobras, nos moldes do proposto por Chaves. Simplesmente resolveu fazer uma expropriação "a la Fidel Castro". Diferentemente dos Estados Unidos, que podia mandar Cuba às favas, o Brasil criou laços de interdependência com a Bolívia, de maneira intencional, para quebrar desconfianças em relação aos propósitos do país. Nem que quisesse, o Brasil poderia hoje promover um bloqueio econômico contra a Bolívia, pois ficaria sem o suprimento de gás natural, necessário para abastecer indústrias e usinas termoelétricas.Embora não possa recorrer a um bloqueio econômico, como represália, o Brasil não deve aceitar de maneira alguma a expropriação das refinarias, qualquer que seja o artifício usado pela Bolívia. O governo brasileiro deve assumir as dores da Petrobras e exigir a devida indenização, recorrendo a todos os foros internacionais possíveis.
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COMENTANDO A NOTICIA: É difícil esperar de um presidente safado que prefere defender o interesse do país vizinho em detrimento do interesse do País que ele preside, uma ação competente e séria. Se reeleito, não apenas Lula entregará o patrimônio da Petrobrás para o índio boliviano, como também abrirá os cofres do BNDES para um acordo de cooperação, em condições mais vantajosas do que as que são oferecidas para os empresários brasileiros. E ele ainda quer criticar Fernando Henrique pelas privatizações ! Valha-nos Deus ! Pelo menos FHC VENDEU e aplicou o dinheiro na redução da dívida, além de universalizar serviços como os datelefonia em favor do Brasil. Lula, e sua política cucaracha estão entregando nosso patrimônio de graça !!!!!