Adelson Elias Vasconcellos
Sempre sou confrontado em relação a minha posição conceitual sobre o governo Lula. Apesar das maravilhas contadas e cantadas em verso e prosa pela publicidade oficial, além, como convém a alguns, de enaltecidas pela imprensa genuflexa, aquela que sobrevive sem leitores mas se sustenta com verbas estatais generosas, e apesar, ainda, dos 64% de aprovação popular, continuo vendo este governo de outro modo.
Senão, vejamos: no que é aplaudido e aprovado, convenhamos, de bom mesmo tivemos apenas a continuidade. Qual a base que sustenta tanta aprovação? Programas sociais e estabilidade econômica, correto? Pois, bem, a estabilidade foi conseguida graças a um conjunto de medidas e ações, implementadas no governo anterior, muitas das quais tremendamente impopulares, mas todas condenadas pelo atual governo que se opôs tenazmente afirmando que todas estavam destinadas ao fracasso. E só não se avançou mais em razão da oposição levada a efeito pela bancada petista e seus seguidores de aluguel. Mas o básico foi conseguido, e a meta foi alcançada. A partir daí, e estritamente no plano econômico, não se avançou mais.
Quanto aos programas sociais, é só voltar no passado e concluir que, quem de fato implementou uma rede de proteção social fazendo jus ao nome, foi o governo anterior, através do Comunidade Solidária, comandada pela falecida Ruth Cardoso, esposa de FHC. O governo atual apenas reuniu os programas sociais existentes ao abrigo de apenas um, mudou-lhe o nome e, irresponsavelmente ampliou sem garantias e sem objetividade alguma, a não ser a garantia do voto a favor.
Contudo, e isto afirmei aqui há dois dias atrás, os campos em que o país avançou no período 1995-2002, e que precisavam ser consolidados, como educação, saúde e segurança, não há como negar que regredimos. Do ponto de vista que se analisar, esta é uma constatação irrefutável. E reparem: foram as áreas para as quais o governo pode contar com abundância de recursos, além de programas convenientemente implantados e que precisavam apenas de continuidade e ajustes pontuais. Contudo, tentando fazer terra arrasada do governo anterior, Lula atrasou o progresso destas três áreas e ainda não conseguiu mostrar resultados sequer satisfatórios.
E isto fica muito claro quando uma estatística mais ou menos séria se debruça sobre indicadores que propaganda alguma consegue mascarar. Observem este conjunto de dados:
* Brasil está atrás de Bolívia e Suriname nas taxas de analfabetismo
As taxas de analfabetismo no País registraram queda de 0,4% em 2007, segundo dados divulgados hoje pela Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad). Mesmo assim, com 10% de analfabetos (14,1 milhões de pessoas) em sua população de mais de 15 anos, o Brasil segue atrás de outros países da América Latina, como Bolívia (9,7%), Suriname (9,6%) e Paraguai (6,3%), estando ainda muito longe dos níveis de alfabetização da vizinha Argentina (2,4%).
Sempre sou confrontado em relação a minha posição conceitual sobre o governo Lula. Apesar das maravilhas contadas e cantadas em verso e prosa pela publicidade oficial, além, como convém a alguns, de enaltecidas pela imprensa genuflexa, aquela que sobrevive sem leitores mas se sustenta com verbas estatais generosas, e apesar, ainda, dos 64% de aprovação popular, continuo vendo este governo de outro modo.
Senão, vejamos: no que é aplaudido e aprovado, convenhamos, de bom mesmo tivemos apenas a continuidade. Qual a base que sustenta tanta aprovação? Programas sociais e estabilidade econômica, correto? Pois, bem, a estabilidade foi conseguida graças a um conjunto de medidas e ações, implementadas no governo anterior, muitas das quais tremendamente impopulares, mas todas condenadas pelo atual governo que se opôs tenazmente afirmando que todas estavam destinadas ao fracasso. E só não se avançou mais em razão da oposição levada a efeito pela bancada petista e seus seguidores de aluguel. Mas o básico foi conseguido, e a meta foi alcançada. A partir daí, e estritamente no plano econômico, não se avançou mais.
Quanto aos programas sociais, é só voltar no passado e concluir que, quem de fato implementou uma rede de proteção social fazendo jus ao nome, foi o governo anterior, através do Comunidade Solidária, comandada pela falecida Ruth Cardoso, esposa de FHC. O governo atual apenas reuniu os programas sociais existentes ao abrigo de apenas um, mudou-lhe o nome e, irresponsavelmente ampliou sem garantias e sem objetividade alguma, a não ser a garantia do voto a favor.
Contudo, e isto afirmei aqui há dois dias atrás, os campos em que o país avançou no período 1995-2002, e que precisavam ser consolidados, como educação, saúde e segurança, não há como negar que regredimos. Do ponto de vista que se analisar, esta é uma constatação irrefutável. E reparem: foram as áreas para as quais o governo pode contar com abundância de recursos, além de programas convenientemente implantados e que precisavam apenas de continuidade e ajustes pontuais. Contudo, tentando fazer terra arrasada do governo anterior, Lula atrasou o progresso destas três áreas e ainda não conseguiu mostrar resultados sequer satisfatórios.
E isto fica muito claro quando uma estatística mais ou menos séria se debruça sobre indicadores que propaganda alguma consegue mascarar. Observem este conjunto de dados:
* Brasil está atrás de Bolívia e Suriname nas taxas de analfabetismo
As taxas de analfabetismo no País registraram queda de 0,4% em 2007, segundo dados divulgados hoje pela Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad). Mesmo assim, com 10% de analfabetos (14,1 milhões de pessoas) em sua população de mais de 15 anos, o Brasil segue atrás de outros países da América Latina, como Bolívia (9,7%), Suriname (9,6%) e Paraguai (6,3%), estando ainda muito longe dos níveis de alfabetização da vizinha Argentina (2,4%).
Há uma grande variação entre os números registrados nas diferentes regiões do País. Enquanto a região Sul tem 5,4% de sua população com mais de 15 anos analfabeta, o Nordeste chega a 19,9%. A taxa de analfabetismo da região Sudeste é de 5,7%, enquanto as regiões Norte e Centro-Oeste atingem 10,8% e 8,1%, respectivamente.
* Banda larga do Brasil é uma das piores do mundo, diz estudo
Segundo estudo das Universidades de Oxford e Oviedo, o Brasil está em 38º lugar na qualidade de internet banda larga entre 42 países avaliados. O país ficou à frente apenas de China, Índia, Chipre e México. O Japão faturou o primeiro lugar. "O Brasil está pior do que a gente gostaria", disse Pedro Ripper, presidente da Cisco do Brasil, empresa que encomendou a pesquisa.O estudo considerou as velocidades de download, upload (envio de dados) e a latência (tempo que um pacote de dados leva da fonte ao seu destino) nas conexões de internet dos países. O preço e a densidade de usuários não foram levados em conta.
* Trabalhador brasileiro está mais qualificado, mas ganhando menos
No ano passado, o trabalhador brasileiro estava mais qualificado mas ainda ganhava menos do que em 1997, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2007 (Pnad 2007) do IBGE. De 2006 para 2007 caiu a parcela dos trabalhadores ocupados que estudaram até sete anos e aumentou o percentual de pessoas que estudaram de oito e dez anos (+5,4%) e 11 anos ou mais (+ 5,9%). No entanto, mesmo com aumento da escolaridade, o rendimento médio mensal do trabalhador em 2007 ainda é menor do que era em 1997: diminuiu de R$ 1011 para R$ 960 no período. Mesmo assim, o resultado observado no ano passado ainda apresentou o maior ganho médio desde 1999. Na comparação 2007/2006, o rendimento das pessoas ocupadas cresceu 3,2%.
* Brasil tolera violência policial, diz ONU
Relatório da ONU divulgado ontem ataca as políticas de segurança do Brasil e chama a atenção para a violência policial e "as execuções extrajudiciais" no país, que, diz o estudo, tem um dos índices de homicídios mais altos do mundo.
O relator Philip Alston, autor do documento, inspecionou o Brasil por dez dias em novembro de 2007, quando esteve com autoridades e ativistas e visitou favelas e presídios. Sua conclusão é a de que a violência policial é tolerada pelos governantes e por boa parte da população. Sua principal crítica é em relação às mortes de pessoas já rendidas por policiais. "O assassinato não é uma técnica aceitável nem eficaz de controle do crime", condena Alston.
Alston aponta ainda que o Brasil não evoluiu desde o último relatório, de 2004. Naquela época, segundo o relatório, o índice de homicídios estava "entre 45 e 50 mil por ano", como atualmente [dados do governo federal, divulgados em janeiro deste ano, indicam que o total de homicídios no país caiu 5,11% em 2004, 1,65% em 2005 e 1,93% em 2006, sempre em relação ao ano anterior].
Também afirma, a exemplo do estudo anterior, que hoje grande parte dos assassinatos é cometida por policiais. "No Rio de Janeiro, a polícia mata três pessoas por dia", diz Alston. "Eles são responsáveis por um em cada cinco assassinatos."
Para o relator, há pouco alarme público em relação à violência policial porque a maioria admite que a lei é pouco para combater o crime. O principal motivo para que muitos policiais se envolvam em milícias ou esquadrões da morte é o baixo salário, conclui o relatório.
Quanto à saúde, bem, está a vista de todos: total descalabro. Enquanto este governo nos campos acima não produzir resultados positivos, não me venham com “índices de aprovação”. E, melhor faria o governo Lula se, ao invés de torrar tanto dinheiro público em propaganda mentirosa, o investisse nas escolas caindo aos pedaços ou para colocar em funcionamento hospitais já prontos porém parados por falta de recursos. Aliás, neste campo, até hoje o governo não prestou contas ao país dos R$ 150 bilhões arrecadados a título de CPMF durante cinco anos e que deveriam ir para a saúde !
Por fim, e por favor, parem com esta cascata asquerosa e humilhante de considerar como de “classe média” o cidadão que ganha três salários mínimos por mês. Baixar o padrão salarial para “engordar” a categoria, convenhamos, é sacanagem pura. Já chega que os trabalhadores, conforme a própria estatística do IBGE demonstra acima, ainda estão abaixo da renda média de 11 anos atrás!
E já nem entro no mérito do grande atraso institucional, esta de exclusiva lavra de Lula e seu camburão de lavradazes petistas. É atraso que, para ser recuperado, consumirá de duas a tres décadas, pelo menos.
Assim, não posso aplaudir um governo que, no que tem de positivo para mostrar, recebeu pronto e embalado, e cinicamente se exibe cumprimentando com o chapéu alheio. E, no que tinha a obrigação de evoluir, andou ao ritmo de caranguejo.
Portanto, marquem aí: faço parte da minoria que gira em torno de pouco mais de 10% que lascou ruim ou péssimo. Nem sempre pertencer a minoria, remando contra a corrente, significou burrice. Até pelo contrário...