Sobre o artigo em que critiquei a decisão da justiça gaúcha que acatou pedido de uma associação de lésbicas para que fossem retirados os crucifixos dos tribunais, recebi o comentário que segue abaixo e sobre o qual voltarei, em seguida, para comentar aquilo que, a meu ver, não passa de uma visão distorcida sobre o tema. Não é comum o blog dedicar espaço a comentar opinião de seus leitores. Porém, e vocês perceberão pelo texto a seguir, entendemos que “esclarecer” seria a melhor forma de colaborar com o comentário enviado. Posso estar enganado, mas é perceptível que o leitor foi inundado pelas mentiras dominantes que invadiram o país, e que tentam desviar a sociedade do destino que optou para si. Segue o comentário e, em seguida, os esclarecimentos do blog.
“ Bem, até concordo que a decisão foi um tanto exagerada. Pois o fato de ter um símbolo religioso em determinado lugar, não significa que tenho que aceitar e adorar o que ele representa.
Todavia, falar que o o crussifixo é um símbolo de humanização de nossa nação é muuuuiiiittto exagerado!
Me diga quantos índios foram mortos, tiveram suas terras invadidas e suas familias destruidas sob a benção do crussifixo? Me diga quanto negros foram escravizados, mutiliados, torturados em nome de Jesus e seus símbolos? Isso é humanização?
Desculpe, elevar o crussifixo ao patamar de simbolo de humanização é querer esconder as barbáres que foram cometidas, e ainda são, em nome de Jesus!
Se o Brasil precisa de um símbolo religioso, que seja o de Tupã o Deus dos verdadeiros donos da Terra! Ou que seja Zambi, Deus supremo dos pobres negros que aqui deixaram sua vida em troca de açoite e escravidão!
Minha opinião!
Jefferson LG”
Primeiro, aceite ou não o Jefferson, mas o certo é que o crucifixo nunca matou ninguém e nunca escravizou quem quer que seja. Quem pratica tais barbaridades é o homem, regra geral, indivíduos que não praticam o cristianismo, e sim uma espécie de fanatismo doentio criando uma espécie de mundo irreal em que tudo deve girar de acordo com seu pensamento e suas convicções, a maioria das quais de pura estupidez. Cristo jamais desceu da cruz para praticar o mal contra ninguém. E tampouco, enquanto viveu entre nós, jamais recomendou assassinatos e escravidão. Pelo contrário: justamente por pregar amor até contra seus inimigos, recomendar que se perdoasse setenta vezes sete vezes, aconselhar a prática da caridade e da absoluta tolerância entre as pessoas, é que foi amaldiçoado em seu tempo por aqueles que não o entenderam e o crucifixaram. A mola mestra daquela época era o olho por olho, o dente por dente. A repressão dos governos, reinos e impérios, era comum a todas as sociedades.
Em todas as religiões, Jefferson, e não apenas no Catolicismo, há bons e maus pregadores, bons e maus praticantes e seguidores, bons e maus pensadores. Estes maus pregadores, praticantes, seguidores e pensadores devem, por seus atos, devem condenar ao lixo as religiões que dizem praticar? É evidente que não.
Quando digo que o crucifixo, pelo que representa, sublimou e humanizou a civilização humana, não falo pelos que seus seguidores fazem de bom ou de ruim, e sim pela essência do que a mensagem cristã representou e representa para a elevação moral da humanidade. É preciso separar, portanto, a religião dos religiosos. Se você estudar o islamismo, verá que em muitos pontos ele prega e defende os mesmos princípios morais que o cristianismo. No entanto, estes atos terroristas que o mundo assiste horrorizado nos últimos anos, não se encontram descritos no Alcorão. Assim como no Evangelho cristão não se recomenda matar índios e escravizar os negros.
Porém, não perceber que foi o cristianismo, pela sua mensagem, que forneceu a chave de liberdade para o ser humano, é desconhecer e ignorar a história. Não é por outra razão que a Igreja Católica tem perdido cada vez mais infiéis, porque sua história é um campo imenso de distorções e desvios da essência cristã. Se você voltar no tempo, encontrará em Martinho Lutero um grande e talvez um dos maiores opositores a tudo que, em seu tempo, a Igreja Católica já praticava de errado. E registro: ele era católico praticante. Ali começou o grande cisma, a Reforma como ficou conhecido o movimento que acabou deflagrando a abertura de outras religiões, todas contrárias ao Catolicismo, mas sempre assentadas nos princípios Cristãos.
Portanto, Jefferson, seria recomendável separar, até por justiça, o legado cristão dos atos de maus indivíduos, que se esconderam atrás de suas igrejas e seitas para a prática do mal. A Igreja Católica, aliás, de quem sou ferrenho opositor, em determinado momento, passou a praticar exatamente tudo aquilo que Jesus Cristo já condenava em seu tempo. Encheu-se e apegou-se a um materialismo pueril, tentando ser ao mesmo tempo os dois lados de uma mesma moeda. À Deus o que é de Deus, à Cesar o que é de Cesar, com esta frase Cristo talvez tenha sido o primeiro a pregar o laicismo do Estado, separando este da religião.
Quantos crimes a gente assiste ou ouve falar todos os dias que são praticados em nome do amor, por exemplo! E quantas misérias e crimes são praticados por que alguém se considera legítimo representante da democracia, de um regime de liberdades! Repare na Coréia do Norte, uma das ditaduras mais repressivas do mundo, ela é cunhada como República Democrática da Coréia do Norte. A Alemanha Oriental, que viveu sob o jugo comunista por quase meio século, também se chamava República Democrática da Alemanha Oriental. E por acaso vamos culpar o regime democrático pelas barbaridades cometidas em seu nome? É claro que não. Princípios corretos não podem ser condenados pelo mau uso que algumas pessoas fazem sob sua suposta iluminação. Assim o amor, em nome do qual muito pilantra mata e pratica toda a sorte de maldade. E, nem por isso, o sentimento maravilhoso de amar deve ser condenado porque alguém fez mal uso dele. Assim, os que matam, pilham, estupram, mutilam são maus indivíduos ou porque são doentes, ou porque fazem escolhas erradas. Esconder-se atrás de crenças ou símbolos, denotam muito bem este desequilíbrio e o mau instinto de que são portadores.
Portanto, não culpe a cruz pelos maus indivíduos que nela buscam abrigo para seus crimes. E faça um favor a si mesmo: leia mais, se informe melhor, se instrua. A informação é a chave que liberta o indivíduo das trevas da ignorância. Sobretudo, procure conhecer um pouco a essência do cristianismo – não confundir com catolicismo – e adicione um pouco de história humana para, assim, melhor informado, poder discernir e julgar melhor, ok?
Aproveite a riqueza de conhecimentos que a internet coloca ao alcance de todos. Ninguém precisa montar uma imensa e cara biblioteca para se instruir melhor. Mas lembre-se: não basta ter o conhecimento apenas como um cofrinho onde se escondem nossas poupanças. O conhecimento sem a sua pratica diária, é inútil, nada acrescenta, nada constrói. Isto se percebe em muitos praticantes, de todas as religiões que, na hora dos cultos e cerimoniais, se demonstram crentes insuspeitos e fervorosos. Porém, no convívio direto e diário com seus semelhantes esquecem princípios que aparentemente os guiava transfigurando-se em pequenos déspotas sociais.
Há, meu caro, muita mentira, muita mistificação, muita safadeza que se conta por absoluta maldade e que acabam vingando como verdades justamente em mentes menos esclarecidas. Há muita infâmia que precisa ser desmascarada e desvendada, daí porque ser o conhecimento é o raio de sol capaz de dissipar as mais densas brumas.
No dia que você, de fato, conhecer a verdadeira simbologia da cruz, por certo concordará que, além de ter sido o aríete de humanização e elevação moral da civilização, ela se tornou o símbolo de libertação dos indivíduos de si mesmo, de seus maus instintos, pendores e impulsos animalescos. E acredite, por fim, que os princípios morais nela contidos compõem a essência de todas as religiões e de todas as filosofias virtuosas desenvolvidas pelo ser humano.
Nenhum tribunal tem o direito de atacar a história, a tradição e os costumes de uma nação. O Brasil é, gostem ou não, composto por 90% de cristãos, divididos em diferentes seitas e religiões. Nenhum juiz decide com base no que está escrito na bíblia, e sim no que está contido nas leis. A cruz, que na parede de um tribunal se encontra pendurada, não está simbolizando a crença religiosa de um juiz e, sim, serve para lembrar que ele é um servidor da sociedade e que esta é cristã em toda a sua grandeza, mesmo que dentro desta sociedade, no passado ou no presente, tenham se criado criminosos de todos os matizes. Todas as salas em que se instalem órgãos públicos são patrimônios não do Estado ou dos servidores, e sim da sociedade, e é ela, por sua imensa maioria, que deseja ver-se representada e respeitada em sua crença, daí porque a razão de ser da cruz que ali se encontra. A ninguém, seja juiz ou um colegiado deles, tem o direito de ferir e atacar esta simbologia, por ela ser de propriedade da sociedade. O Estado deve ser laico sim, porque suas decisões e ações devem se dirigir a nação, que é composta de diferentes correntes de pensamento e crenças, mas a sociedade brasileira não. Ela é, em sua imensa maioria, cristã e como tal ela deve e quer ser respeitada.
Assim, ao defender a exposição do crucifixo nas paredes de órgãos públicos, não estou defendendo a religião e, sim, a escala de valores morais que emanam daquele simbolismo e que se encontram arraigados na sociedade brasileira. Não apenas a associação de lésbicas, mas, de modo geral, todas as correntes simpatizantes das ideologias de esquerda lutam, freneticamente, para derrubarem os símbolos que representam estes valores. E o fazem com o propósito único de verem o caminho livre para sua pregação imbecilizada. Querem um exemplo? Por conta do que vocês acham que as esquerdas lutam para que os crucifixos sejam retirados das salas dos órgãos públicos? Justamente para minarem as consciências que não se deixam engambelar pelo discurso macabro de causas do tipo aborto, descriminalização das drogas, etc. E não pensem que eles são representados apenas pelos petistas. Este pensamento está impregnado em todas as instâncias da vida brasileira, na imprensa inclusive. O caminho pelo qual se guiam para atingirem a dominação do poder, segue exatamente a estratégia de varrer os símbolos que servem de escudos protetores para sociedades em que miram sua dominação. Fazem terra arrasada dos valores que entendem “conservadores” utilizando-se de todos os meios legais e ilegais. A desqualificação é uma ferramenta das mais comuns, a mentira, a mistificação e por aí vai. Em nome da liberação ampla, geral e irrestrita do aborto, espalharam a mentira – aqui desmascarada – de que no Brasil morrem por ano cerca de 200 mil mulheres vítimas de aborto. O próprio ministro da Saúde se apressou em desmoralizar a infâmia. O crucifixo é apenas um pequeno grão de areia com que se tenta destruir os valores morais que construíram a sociedade brasileira. E esta luta nada tem a ver com religião, trata-se de um projeto político de dominação, é a conquista permanente do poder, e a ideologia que os alimenta é o instrumento com o qual pretendem atingir seu objetivo.
Por isso defini o grupo que pediu a retirada da cruz, e aqueles que o acataram, de estúpidos porque o grupo quer preservar seus direitos e impor sua escala de valores a qualquer preço, mas se nega em preservar e respeitar os direitos e valores da maioria. Não se combate preconceitos e discriminações irradiando e praticando novos preconceitos e discriminações. O pedido tem, no fundo, caráter preconceituoso e discriminatório não apenas em relação a um grupo religioso, mas são praticados contra 90% da população brasileira que é cristã e tem na cruz a sua máxima expressão.
