sábado, agosto 25, 2007

A imprensa fez a coisa certa

Editorial d’O Estado de São Paulo

Mais uma vez a imprensa foi levada ao banco dos réus por ter o jornal O Globo divulgado as mensagens de correio eletrônico entre os ministros Ricardo Lewandowski e Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), captadas pelo fotógrafo Roberto Stuckert Filho. Eles trocaram e-mails na sessão de quarta-feira da Corte, reunida para decidir se abre o processo requerido pelo procurador-geral da República contra 40 acusados de envolvimento com o mensalão. O presidente Lula falou em “invasão de privacidade”. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, ex-titular do Supremo, em “intromissão anticonstitucional em um poder da República”. O presidente da OAB, Cezar Britto, afirmou que o Brasil não pode ter um Big Brother nem cair num “estado de bisbilhotagem”. O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Walter Nunes, considerou que “a revelação das conversas entre os ministros maltrata o princípio basilar da democracia”.

A confusão é geral, diria Machado de Assis; mas não precisava ser. As democracias são regidas, entre outras, por duas leis de bronze. Uma assegura à sociedade o direito à informação. Outra assegura o direito à intimidade. Por vezes esses princípios parecem a caminho de colidir na zona de sombra de onde termina o primeiro e onde começa o segundo. Porém não - definitivamente, não - neste caso. A informação que a ordem democrática assegura diz respeito aos atos de interesse público praticados por agentes públicos, ainda mais em recintos públicos, mais ainda em eventos públicos - abertos aos “do povo”, como dizem os juristas, e àqueles cuja missão consiste em lhes dar ciência do que se passa nas instituições que sustentam e existem para servi-los. Fora disso, a vida privada é inviolável, salvo por ordem judicial em contrário, como nas autorizações para a interceptação de comunicações de suspeitos de atividades ilícitas, em inquéritos criminais ou na instrução de processos penais.

“Bisbilhotar”, para usar o termo do dia, a esfera particular de figuras públicas - ou seja, as suas atividades e relacionamentos, quando não há motivo razoável para presumir que possam afetar o apropriado exercício de suas funções - é algo inaceitável e merecedor de sanções severas. É também, na sociedade do espetáculo dos dias atuais, em toda parte, um aviltamento dos padrões elementares de decência comum sem os quais a civilidade é no máximo um simulacro. Mas não faz o menor sentido equiparar aos malefícios da cultura de massa, simbolizada por esse detrito televisivo chamado Big Brother - e muito menos à sua versão orwelliana -, o registro e a divulgação de diálogos - por que meio se dêem, ao alcance de terceiros - entre dois membros da mais elevada instância do Poder Judiciário num julgamento de interesse nacional e franqueado à mídia. Esse último fato, aliás, só engrandece o Supremo. O televisionamento dos seus debates é um exemplo reconfortante de que, apesar de tudo, as instituições funcionam.

Onde, portanto, a invasão de privacidade ou a intromissão anticonstitucional quando os ministros interlocutores, na plena condição de agentes públicos togados, trocavam idéias sobre questões públicas? A imprensa não só nada transgrediu, mas fez a coisa certa, aquela que é a sua razão de ser: desvendar para a coletividade o que ela precisa saber, como atributo de cidadania. Jornalista e jornal serviram ao público, informando-o do que pensam dois ministros do STF sobre a matéria a respeito da qual devem se pronunciar, sobre os motivos do presumível voto de um colega no mesmo caso e sobre aspectos da nomeação do eventual substituto de outro, que acabou de se aposentar. O problema - e cada qual julgue como queira se problema existe - seria a adequação da conduta dos dois magistrados, naquelas circunstâncias específicas, e o teor do que se escreveram, de forma acessível às lentes de um fotógrafo a poucos passos deles. O que conta é que os brasileiros comuns puderam conhecer algo do funcionamento da sua Corte maior.

Nas palavras do jurista Ives Gandra Martins, “foi um brilhante trabalho de jornalismo, mas, para quem vive a rotina do Judiciário, nada do que foi apresentado é novo”. Exemplifica: “Às vezes, frases agressivas são trocadas até na hora do café. Só que para o público isso não costuma ser revelado.”

O populismo das margaridas

Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil

Certamente que pecaria pelo exagero colar às convicções populistas do presidente Lula os três clássicos adjetivos que desfilam na definição das propriedades da água: insípida, incolor e inodora.

Lá é verdade que a liderança consolidada do presidente passa a impressão de que está sempre em plena campanha eleitoral, mas não costuma afirmar-se no enquadramento com os modelos da polarização ideológica do centro versus esquerda. Com freqüência, declara-se de esquerda até para não ser acusado de vira-casaca nos flertes com a banda conservadora.

A flexibilidade do jogo de cintura facilita o trânsito pelas áreas da conveniência do xadrez político. Ainda há bem pouco tempo, nos meses que se arrastaram nas intermináveis articulações, manobras, promessas, conchavos e transações para a montagem da sólida maioria parlamentar nas duas Casas do Congresso, o presidente engoliu sapos e lagartos e deu voltas na parolagem para justificar as mais estapafúrdias alianças. Lembrou o sábio conselho que mudou o seu destino, quebrando a praga de três derrotas consecutivas para abrir passagem ao corso da eleição e da reeleição consagradora com mais de 58 milhões de votos: empacar no canto do radicalismo de esquerdista era a receita de novo infortúnio nas urnas. Para ganhar a eleição teria que adoçar o discurso para torná-lo palatável à faixa que financia a campanha e molda a opinião pública e que vai dos conservadores, empresários, empreiteiros até a classe média.

Pelos rombos na lona entraram no picadeiro para participar da função, desde os salvados das CPIs do mensalão e do caixa 2 aos que escaparam, com ligeiras escoriações, do festival das absolvições da Câmara e do Senado.

Ninguém mais estranha ou cobra a rotineira presença nas rodas palacianas de inimigos da véspera ou dos perdoados nas cambalhotas do interesse: Jader Barbalho, Orestes Quércia, Paulo Maluf, Newton Cardoso e, no fim da longa fila, o novíssimo ministro-secretário e mago Mangabeira Unger.

O presidente deu uma guinada de esperto oportunismo ou do simples reconhecimento da necessidade de um ajuste no seu esquema para enfrentar o desafio do próximo ano eleitoral, com as muitas tormentas previstas para a longa travessia. As vaias do Maracanã na inauguração do Pan e que começam a se repetir, em tom menor, nas aparições públicas; as cobranças da classe média espremida pela carga tributária recordista, penalizada pelo fracasso administrativo que assume as dimensões de calamidade no apagão aéreo da bagunça de aeroportos, dos horários dos vôos; o estado lastimoso da rede rodoviária, dos portos, da segurança, da saúde pública, com a falência de hospitais em vários Estados e por todo o país - despertaram o seu agudo senso de sobrevivência.

Lula deu meia-volta e ficou de frente para o seu tesouro de votos no Norte e no Nordeste, dos que nada tinham, e 22,5 milhões (49% do total dos 45,8 milhões) foram contemplados com o Bolsa Família.

No meio das 15 mil trabalhadoras rurais que, em Brasília, desfilaram na Marcha das Margaridas, o presidente afinou o tom para a temporada de improvisos na campanha para as eleições municipais do próximo ano.

No discurso brasiliense, o ensaio para a maratona dos palanques: "Eu digo todo santo dia que sou presidente de 190 milhões de habitantes, mas não tenho dúvida de que a minha preferência é fazer política para a parte mais pobre da sociedade brasileira, que é quem precisa do Estado brasileiro".

O recado está dado. Com todas as letras. Algumas, dispensáveis.

A culpa é do coronel Moran

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

Sergio Magalhães era candidato ao governo da Guanabara em 60, contra Carlos Lacerda e Tenorio Cavalcanti. Morava na Rua Gomes Carneiro, Ipanema, em um apartamento térreo. De madrugada, um tiro partiu a vidraça de uma janela da frente, a empregada encontrou uma pequena bala no tapete. No dia seguinte, a "Ultima Hora", em pleno sucesso, gritou na manchete: "Atentado contra Sergio Magalhães".

A cidade ficou emocionada. Guardas da PM foram destacados para garantir a residência do candidato do PTB-PSB. E a "Ultima Hora" fazendo campanha, levantando pistas e exigindo investigação.

O saudoso baiano Quintino de Carvalho, redator de política desta TRIBUNA DA IMPRENSA, resolveu ironizar a onda da "Ultima Hora" com uma crônica. E contou longa história, provando que o autor do atentado era o coronel Moran, personagem de Conan Doyle na tentativa de assassinato de Sherlock Holmes.

Quintino
Eram várias as coincidências entre os dois tiros: furo na vidraça, autor não visto, bala encontrada no tapete pela empregada. Quintino escreveu a crônica e deixou sobre a mesa do redator-chefe, Luís Ernesto Caudwal.

Caudwal tinha ido naquele dia a São Paulo. Voltou à noite exausto, atarefado com o jornal e a campanha de Lacerda. Precisava arranjar a manchete da primeira página para fechar imediatamente o jornal.

Sobre a mesa, a crônica de Quintino começava assim: "Eu sei e provo. O autor do atentado contra a casa de Sergio Magalhães foi o coronel Moran".

Caudwal não leu mais nada. A manchete, sensacional, estava ali. No dia seguinte, esta TRIBUNA dava na primeira página, em enormes letras negras: "CORONEL MORAN, O AUTOR DO ATENTADO". A "barriga", fantástica, liquidou o atentado. Ninguém mais falou nele.

Mensalão
Depois de três dias de debates no Supremo, o País não teve mais dúvidas: a culpa do Mensalão é do coronel Moran. Sem argumentos para derrubarem a irrespondível denúncia do procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, e o voto exemplar do ministro relator Joaquim Barbosa, os advogados do chefão José Dirceu, de Genoino, Delubio, Silvinho, Valério, Costa Neto, João Paulo Cunha, toda a "quadrilha dos 40", da "organização criminosa" do Mensalão, só conseguiram dizer que era "uma peça de ficção".

Para os acostumados a defenderem bandidões de bilhões de dólares, como o colombiano Abadia, ou de milhões de dólares, como os "bispos" Hernandes, Fernandinho Beira-Mar, Marcola e tantos outros, um escândalo de 100 milhões de reais lhes parece história da carochinha, de literatura infantil.

Coronel Dirceu
Os 10 milhões que Duda Mendonça confessou que o PT depositou em uma conta dele no exterior para eles são uma mixaria. Os 10 milhões que Waldemar Costa Neto contou que recebeu do PT foram uma merreca. Os milhões que Marcos Valério pegou no Banco Rural e no BMG para o PT, depois dos acertos dos banqueiros com Dirceu, Genoino, Delubio, Silvinho, na Casa Civil, dentro do Palácio do Planalto, eram restos da gamela. O dinheiro do Banco do Brasil na Visanet, que o insaciável Gushiken mandou Pizzolatto dar a Valério para voltar para Delubio, foi só uma lavagenzinha do tacho.

Isso tem um nome e o País inteiro sabe: roubo, roubalheira. Não adiantou espernearem. O imperturbável procurador geral e o criterioso ministro Barbosa provaram, didaticamente, que uma "quadrilha" se organizou, criou-se uma "organização criminosa" para disfarçar o crime a serviço do PT.O chefão tinha nome. E não era o coronel Moran. Era o coronel Dirceu.

Estouro
Lúcido economista, de experiência nacional e internacional, faz as contas:

1 - Os Estados Unidos têm um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 13 trilhões. A dívida financiada no sistema imobiliário norte-americano atingiu US$ 10,2 trilhões. O "subprime" (empréstimo a clientes com lastro duvidoso) gerou o estouro atual pela falta de condições para pagamento das prestações.

2 - Hoje, o PIB das 20 principais economias do mundo representa US$ 50 trilhões. E os títulos dos chamados "mercados derivativos", onde a especulação corre solta (o mundo imobiliário é só uma parte), estão cotados no valor global de US$ 400 trilhões. Isso não pode e não vai terminar bem.

Ombudsman
Falando de Joel Silveira, a "Folha" diz que "de suas histórias com presidentes da República, de Antonio Carlos (sic) a Tancredo Neves, resultaram outros tantos livros".

Governador de Minas, Antonio Carlos nunca foi presidente da República. E a "Revolução de 30" aconteceu exatamente por isso.

Ombudsman (2)
"O Globo" publicou uma foto do deputado Henrique Alves (PMDB-RN) dizendo que é "ex-deputado" (sic). Ele não é essa Brastemp toda. Mas é deputado desde 1970, hoje o mais antigo da Câmara, com 10 mandatos, ininterruptamente. E é o líder do PMDB na Câmara. Só "O Globo" não sabe.

Marco Aurélio lamenta influência do Planalto

Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil

O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, considerou "realmente lamentável" a informação corrente de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria em negociações com o PMDB para escolher o substituto de Sepúlveda Pertence, que se aposentou, semana passada, três meses antes de completar a idade-limite de 70 anos. O presidente da República fará, neste início do segundo mandato, o sétimo dos 11 ministros do Supremo.

- O cargo de ministro do Supremo é extremamente importante e pleno de imensas responsabilidades - comentou Marco Aurélio. - Só quem não tem a exata percepção do significado do que representa tal cargo é que poderia estar discutindo esse assunto como se fosse uma simples questão de varejo político. Questões partidárias não devem pesar na indicação de um ministro do Supremo.

Ainda de acordo com Marco Aurélio, "há grandes nomes que estão sendo cogitados, todos altamente qualificados", mas "o que não tem sentido é que haja uma negociação político-partidária para indicar não importa quem seja".

O julgamento pelo STF das denúncias contra os 40 envolvidos no esquema do mensalão, esquema que financiava parlamentares do PT e da base aliada em troca de apoio político, deve acabar apenas na próxima semana.

Ministros do STF deram a entender ontem que o resultado final será proclamado, no mínimo, na segunda-feira. A expectativa é de que o julgamento consuma as demais sessões da semana. Para o ministro Celso de Mello, o ritmo de discussões e da votação é de "maratona".

- É uma maratona física, um torneio intelectual e um exercício de alta responsabilidade - afirmou Mello, referindo-se ao longo julgamento que vai definir se as denúncias encaminhadas pela Procuradoria-Geral da República devem ser aceitas ou não.

De forma semelhante pensa o ministro Marco Aurélio Mello.

- O importante é que marchamos com profunda segurança e sem açodamento.

O julgamento do caso mensalão começou na quarta-feira com a leitura do relatório do ministro Joaquim Barbosa e a defesa de cada um dos 27 advogados dos denunciados. Ontem, os ministros iniciaram a sessão de julgamento analisando e votando a denúncia que tratava de gestão fraudulenta envolvendo três dirigentes e uma ex-integrante do Banco Rural. A previsão inicial era que o julgamento duraria, no máximo, três dias. Porém, o prolongamento dos debates em torno das questões levantadas pelos advogados de defesa de alguns dos acusados acabou estendendo as sessões.

A presidente do STF, Ellen Gracie, examina a possibilidade de que, na próxima semana, as sessões ocorram apenas à tarde e não mais o dia inteiro. Uma das possibilidades é de que as sessões sejam iniciadas às 14h a partir de segunda-feira. (Com agências)

Senador volta a atacar Abril

Tribuna da Imprensa

Um dia depois de prestar esclarecimentos aos relatores do processo contra ele em curso no Conselho de Ética, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou a atacar ontem o grupo Abril, que edita a revista "Veja". Numa repetição de discursos anteriores, Renan acusou o grupo de "transação ilegal" no processo de venda da TVA para o Grupo Telefónica.

Em discurso de pouco menos de 15 minutos, Renan solicitou que seja suspensa pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o julgamento da negociação entre os dois grupos comerciais, marcado para a próxima semana. "A negociata fere os interesses nacionais, restringe a concorrência e agride o mercado", afirmou.

Segundo Renan, ao tentar transferir para a Telefónica, empresa estrangeira, o controle total da TVA, o grupo Abril desafia a legislação brasileira. Renan falou em "transação imoral". O pedido de adiamento do julgamento pela Anatel foi feito por Renan com base na possível abertura de uma CPI na Câmara para investigar a transação.

Segundo Renan, a transação da Abril com a Telefónica fere o artigo 7º da Lei do Cabo, que garante que as decisões em concessionária de TV a cabo sejam tomadas exclusivamente por brasileiros. "Outra violação à lei brasileira nessa transação está na proibição que uma empresa de telefonia detenha, na mesma aérea, concessão de TV a cabo. "É um negócio ilegal, com parte já paga, que renderá ao Grupo Abril quase R$ 1 bilhão. Merece criteriosa investigação", afirmou.

Renan disse ainda que, convidados para dar esclarecimentos na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, os dirigentes da Telefónica e do Grupo Abril "fizeram ouvidos moucos, optando pela delonga e pela procrastinação".

"Tentam desesperadamente adiar os esclarecimentos, na esperança de que uma maquiagem salvadora iluda o País e chancele essa imoralidade", discursou o presidente do Senado, mencionando "empresários gananciosos, que, ferindo o interesse nacional, fazem fortuna vendendo concessões que ganharam do Estado brasileiro ao capital estrangeiro".

O presidente do senado também comentou rapidamente seu depoimento, um dia antes, ao Conselho de Ética, e disse acreditar que "esclareceu as artificiais acusações que enfrenta, as quais procuram transformar um caso que tramitou na Vara de Família em uma crise político-institucional".

Renan é acusado de ter suas despesas pessoais pagas pelo lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo. Depois do discurso, Renan falou rapidamente sobre os outros dois processos contra ele no Conselho de Ética. Sobre o de número 2, que apura suposta interferência de Renan na Receita Federal em favor da cervejaria Schincariol, disse que a representação "não tem o menor sentido".

Já em relação à terceira investigação, sobre sociedade oculta com o usineiro João Lyra para compra de uma rádio e um jornal, limitou-se a dizer: "Cada dia a sua agonia."

Para editora, senador tenta manipular deputados
Diante de mais uma leva de críticas feitas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a Editora Abril divulgou, no início da noite de ontem, uma nota em que condena a tentativa de criação de uma CPI para apurar a venda de uma fatia na operadora de TV por assinatura TVA ao grupo Telefónica.

"É uma tentativa espúria de alguns poucos, dentro e fora do Parlamento, para manipular a Câmara dos Deputados de modo a atingir a Abril pelos fatos que "Veja" tem revelado sobre o senador Renan Calheiros", afirma o documento. O grupo Abril, que publica a revista "Veja" e controla também a TVA, vem sendo acusado pelo presidente do Senado de usá-lo para criar uma "cortina de fumaça" em torno da venda da fatia.

Após as novas declarações do senador sobre o negócio, a Telefónica e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) preferiram não se pronunciar. Apesar de Renan ter dito que a compra da operadora de TV por assinatura pela Telefónica seria apreciada pelo conselho da agência na próxima quarta-feira, a pauta da reunião ainda não foi divulgada pela Anatel.

Sonhos, delírios e utopias

por Maria Lucia Victor Barbosa , site Diego Casagrande
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Basicamente o indivíduo funciona através de sensações psíquicas e físicas que lhe proporcionam dor ou prazer, o que o faz centrado em seu hedonismo, em seu egoísmo,características, aliás, intrínsecas da humanidade que são atenuadas pelos vários controles sociais os quais "domam", em grau maior ou menor, as personalidades para que estas se adaptem às suas sociedades.

Não se pode, porém, negar que nos sofisticamos perante os outros animais no sentido de que nos movemos também por medo ou por esperança, por sonhos que sublimam uma realidade por vezes difícil de suportar, pela construção de utopias que raiam ao delírio, mas que servem como justificativas a determinadas causas.

Muitas dessas causas idealizam um paraíso que, ao ser posto em prática se transforma no inferno da tirania, da eliminação da liberdade, do nivelamento na miséria.Tome-se como exemplo de "inferno" na América Latina, Cuba, para onde o governo brasileiro, solidário a Fidel Castro, recentemente entregou em tempo recorde os dois atletas que sonhavam com outra vida possível, sem conceder-lhes asilo ou prazos legais para repatriamento que em nosso país costumam ser concedidos aos piores bandidos.

De todo modo, sem um alvo para se devotar, sem uma bandeira pela qual lutar a vida é sem graça. Esse alvos ou bandeiras costumam ser apenas o desejo da casa própria ou a vontade de ascender na carreira, mas podem também abranger algo mais complexo.

A questão é que lideranças sabem que raramente seus seguidores exercitam o raciocínio, sendo movidos mais pelas emoções, pela necessidade de um chefe que aponte o caminho ou mesmo pela precisão de sublimar sua mediocridade sentindo-se vencedores através da causa. E essa constatação faz entender melhor como são gerados os crédulos das explicações delirantes, das revoluções equivocadas, das utopias impossíveis.

José Murilo de Carvalho, em A formação das Almas, mostra que os republicanos "sonhavam com uma futura idade de ouro em que os seres humanos se realizariam plenamente no seio de uma humanidade mitificada". Todo o entusiasmo era carreado para a França. O modelo era a Revolução Francesa. "A Marselhesa o hino de guerra".

E Silva Jardim "não se esquecia de incluir o fuzilamento do conde D'Eu, o francês a quem destinava o papel do infortunado Luiz XVI, numa réplica tropical do drama de 1972".

Os republicanos através de seus propagandistas elaboraram símbolos, mitos e alegorias no sentido de construir o imaginário popular imprescindível aos que almejam conquistar e manter o poder. Passamos da monarquia para a República, mas nossa essência cultural não mudou.

Recentemente o imaginário popular foi construído pelos "intelectuais orgânicos" do PT, especialmente para legitimar a figura mitológica do presidente da República. E se o partido que antes se dizia único detentor da ética naufragou nas águas turvas da amoralidade, não faltam justificativas para legitimar seu governo e, especialmente, Lula da Silva. Neste são projetadas aspirações e interesses populares, o que faz funcionarem as emoções tão necessárias aos poderosos.Aos militantes petistas, que sustentam a cúpula partidária com seus dízimos e sua mística, a ordem é defender o neotorneiro custe o que custar. Seu hino nacional é "Lula-lá", seu símbolo a estrela, sua cor o vermelho das esquerdas mundiais. E aos devotados servidores da causa petista não faltam explicações o inexplicável, pois assim funciona a fé.

Exemplifico o modo de ser do militante petista típico com trecho de um diálogo via e-mail que travei com um deles. Como é de praxe essa pessoa confunde sociólogo com FHC, pensa que o mundo se divide em PT e PSDB, inicia sempre seu ataque verbal com insultos e se diz lulista e não petista. Como seus demais companheiros não admite que o PT copiou a "herança maldita".

Ele sentenciou que quem diz isso é "socióloga", "palhaça" ou "ignorante", me enquadrando gentilmente na última definição. Depois, ao tentar justificar a presença de Henrique Meirelles no Banco Central e dos homens de FHC que deram sustentação no Ministério da Fazenda ao Plano Real, saiu-se com essa:

"Leon Trotski construiu o glorioso e, ainda hoje poderosíssimo Exército Vermelho, com o apoio de marechais, almirantes, condes e duques do Exército czarista". Assim fez Lula, cuja diferença de Trotski é a seguinte, conforme o lulista: "Trotski (e a História ainda lhe fará plena justiça), ao final foi um líder derrotado - e seu solitário assassinato apenas significou isso. Lula, não! Ele, dando graças a Deus, já pode partir dessa vida como um líder plenamente vitorioso".

Não creio que Lula parta dessa vida a machadadas como Trotski, mas não tenho nenhuma dúvida de que permanece a intenção do lulista de me enviar ao ponto mais distante e frio da Sibéria onde seria fuzilada. Aí, quem sabe, eu faria companhia no além ao conde D'Eu.

Mais tentações totalitárias

Reinaldo Azevedo

Leiam o que escreve Daniel Castro na Folha desta terça. Volto em seguida:

O Ministério Público Federal inicia hoje uma ofensiva contra o merchandising na TV, principalmente nas novelas. Grupo de procuradores da República que atua na área de comunicação social se reúne em Brasília para finalizar estratégia e concluir o texto de uma recomendação que será enviada às TVs.
De acordo com Fernando de Almeida Martins, procurador da República em Minas Gerais e integrante do grupo, o merchandising dissimulado na programação ou em cenas de novelas é uma prática ilegal. Ele se baseia no artigo 36 do Código de Defesa do Consumidor, que diz que "a publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal". "A lei não diz que o merchandising é proibido, mas tem de haver algum alerta de que se trata de publicidade", diz Martins.
A iniciativa surpreendeu as redes, que preferem não comentar o assunto até serem notificadas. O merchandising é uma poderosa forma de obter receitas. A Globo chega a faturar mais de R$ 40 milhões só de merchandising em novelas das oito, o que paga quase todo o custo de produção.
O Ministério Público Federal primeiro irá recomendar às emissoras que tomem medidas que deixem claro que determinada cena é merchandising. "Acredito que não vai haver acordo. Isso vai acabar numa ação legalizando e restringindo essa propaganda", diz Martins.

Voltei
Vocês já se deram conta de quantas pessoas querem cuidar de nós? O ministro da Saúde quer coibir a propaganda de cerveja. Vá lá, produto alcoólico, as crianças assistem aos comerciais... Parecia até justo e inocente. A Anvisa quer limitar ao horário das 21h às 6h as peças publicitárias de produtos “com taxas elevadas de açúcar, gorduras trans e saturada e sódio” e de “bebidas com baixo teor nutricional” (refrigerantes, refrescos, chás). Mais: mesmo no horário permitido, a propaganda não poderia conter personagens infantis e desenhos. Agora, os promotores querem impedir o merchandising nas novelas.

Qual é pressuposto de cada uma dessas ações? Os brasileiros são idiotas e não sabem escolher. Com base no mesmo argumento, a turminha de José Eduardo Romão, o diretor do Departamento de Justiça, queria instituir a censura prévia no Brasil. Temos um conjunto de ações — ou, por enquanto, de pretensões — que elege a mídia como inimiga. Mas não uma mídia qualquer, é claro: só aquela maculada pelo capitalismo.

Estamos de volta a um debate, acreditem, que remonta ao fim da década de 60 e início da década de 70, quando se viam severos monstros da dominação ideológica até no Tio Patinhas. Em 1971, o chileno Ariel Dorfman e o belga Armand Mattelart escreveram um troço chamado Para Ler o Pato Donald. O livro ensinava como a ideologia burguesa e imperialista impregnava Patópolis. Todas as relações, ali, estavam pautadas pelo dinheiro. Um horror mesmo. A bobagem foi um pequeno emblema de um debate que atravessou mais de três décadas. Sua origem, evidentemente, é o marxismo.

A geração formada por este debate vesgo — que deslocou a militância política para as questões da cultura — chegou ao poder. E, impregnada por toda aquela tolice, tenta, então, impor a sua agenda. Há uma disposição, quase religiosa, para livrar a sociedade dos pecados do capital.
Escrevi ontem aqui uma resenha do novo livro de Ali Kamel, Sobre o Islã — A Afinidade entre Muçulmanos, Judeus e Cristãos e as Origens do Terrorismo (ver abaixo). Ele aponta a Irmandade Muçulmana como uma espécie de incubadora do terrorismo islâmico contemporâneo. Na origem daquele movimento, estava, sem dúvida, um “puro”: Hassan al-Banna. Ele queria os muçulmanos livres dos pecados.Kamel sustenta a tese de que os terroristas não são “fundamentalistas” — já que os fundamentos estão contra eles —, mas totalitários. No meu texto, aponto similaridades entre o pensamento e a prática das esquerdas e aquela “pureza” que redundou no terror. O demônio da esquerda é o mercado — e, por conseqüência, cedo ou tarde (sempre cedo), acaba sendo também a liberdade. Outra personagem que está na origem do terrorismo moderno, leiam lá, é Sayyd Qutb, que pretendia converter o mundo inteiro ao islamismo. Ele escrreveu: “O Islã não obriga ninguém a aceitar sua fé, mas pretende oferecer um ambiente de liberdade no qual todos possam escolher suas próprias crenças.” Parece corriqueiro, óbvio até. Mas o “ambiente de liberdade” de que ele fala supõe antes esmagar a divergência e os infiéis — porque militantes e portadores do mal.

Nada mais parecido com eles do que essa gente que quer “limpar” a televisão brasileira. Limpar do quê? Ora, da má consciência, da manipulação ideológica, de tudo aquilo que Sayyd Qutb diria "tirar a liberdade do homem". Só seríamos verdadeiramente livres para escolher depois que “eles” submetessem as coisas a serem escolhidas a uma censura prévia, a um filtro. Em nosso nome e para nos proteger, eles nos livrariam das más opções, o que, é evidente, nos conduziria, então, às escolhas corretas.

A suposição é a de que o telespectador vê a personagem numa instituição bancária ou usando um determinado cosmético e sai por aí imitando-a, contra a sua eventual vontade. Tudo porque não houve uma advertência prévia: “Isto é uma propaganda”. Trata-se de uma mentira e de uma estupidez. As pessoas são dotadas de seus próprios filtros. Não compram isso ou aquilo porque a televisão "mandou". Compram porque querem ou precisam. A mensagem comercial, no máximo, defende uma opção. Santo Deus! Houvesse esse comportamento de autômatos, bastaria que as TVs veiculassem mensagem edificantes, e a paz social seria alcançada.

Há muito tempo as novelas da Globo fazem também o merchandising social: defendem o direito dos deficientes; fazem lobby em favor do casamento gay; combatem a violência contra a mulher; incentivam a doação de sangue; discutem o racismo... As situações são inseridas nos diálogos das personagens sem um prévio aviso. Isso pode? Certamente a prática não despertou a atenção dos procuradores.

Ora, qual seria o motivo para censurar o merchandising comercial? Os telespectadores estariam desprotegidos e, nesse raciocínio perturbado, mais expostos às intenções do vendedor. Ah, é? Morais particulares à parte, alguém tente me provar que a defesa do casamento gay ou uma campanha em favor da adoção são coisas tecnicamente diferentes de vender geladeira, cosmético ou batata frita. A única diferença entre o merchandising social e o merchandising comercial é que o primeiro costuma ser gratuito. A minha pergunta: os procuradores querem defender os telespectadores da exposição a um artificialismo inserido na trama ou querem, como é mesmo?, combater o capitalismo e seus valores decadentes? Estou convicto de que é a segunda opção, embora a primeira não seja menos autoritária.

Quem compõe o grupo de procuradores que atua na área de comunicação social? Quero ver a cara dessa gente e quero saber, por exemplo, se estão vinculados a essa miríade de ONGs constituídas com o fito único de servir de policiais da mídia. Na quase totalidade dos casos, não passam de braços do petismo se fingindo de democratas vigilantes.

Os censores brasileiros estão assanhados. Ainda mais que até uma parte da mídia antes empenhada em defender a liberdade de expressão deu agora para demonizar os ricos, a classe média e o capitalismo. Os nossos Al-Banna e Sayyd Qutb estão excitadíssimos. O que tem de Robespierre e Marat dando pinta nos clubes Pinheiros e Paineiras é uma enormidade! Todos eles são “amigos do povo”.

A insana gula arrecadatória

Editorial do Jornal do Brasil

Há uma grave distância entre a justificativa protocolar para a escalada da carga tributária nos últimos anos e a realidade dos que recolheram aos cofres públicos R$ 795 bilhões em 2006, R$ 78 bilhões a mais em relação ao ano anterior. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, cumpre o script oficial. Credita ao crescimento, à recuperação da renda, aos lucros crescentes das empresas e à formalização da economia. Em parte, está certo. Mas o tom oficial, idêntico ao usado para defender a imunidade nacional ao vendaval financeiro, omite o combustível principal: gastos públicos fermentados.

O argumento palaciano discrimina aspectos quantitativos e qualitativos essenciais. Despreza a cumplicidade exponencial entre os avanços econômicos e tributários. Enquanto o país embala a expectativa de crescer 4,5% até dezembro, os cofres federais já acumulam R$ 335,6 bilhões, arrecadação 10% superior a dos sete primeiros meses de 2006.

Esta lógica irriga suposição preocupante: se o Planalto fizer o dever de casa - reduzir os gargalos de infra-estrutura - e o Brasil atingir o nível de crescimento de países emergentes, em torno de 6% ao ano, a carga tributária seguirá a trajetória de recordes. Saltará dos atuais 34,2% para 40%, ou mais, do Produto Interno Bruto (soma das riquezas nacionais). Não há fórmula matemática nem equação retórica capaz de explicar tamanho arrocho.

Ao ampliar a mordida no bolso do contribuinte, o governo cultiva perigos maiores do que o fantasma da informalidade. Reproduz a receita dos antecessores para quitar faturas gerenciais e políticas. Como se deslumbrado pelas pesquisas de opinião, ou pelos caprichos do poder, adia compromisso obrigatório: sanear as contas para aliviar a pressão asfixiante dos impostos.

Referendada pelos parlamentares, a Lei de Diretrizes Orçamentárias indica estrada inversa. O caminho da continuidade. Prevê gastos e carga tributária ascendentes nos próximos anos. A tática repetida reflete o adiamento das reformas fundamentais à conquista desenvolvimento, traduzido por melhor distribuição de renda e qualidade de vida - reais indicadores do estágio econômico e tecnológico de um país.

Asfixiada por disputas partidárias e interesses particulares, a consolidação das reformas política, tributária, trabalhista e da Previdência caduca há anos, décadas no Congresso. Um dos efeitos mais nocivos da negligência perpetuada por sucessivos mandatos parlamentares, o inchaço da máquina pública aguça a gula tributária do governo.

Para cobrir os rombos assistenciais, previdenciários e administrativos do Estado paquidérmico, os recordes de arrecadação são considerados insuficientes pelos mandarins. Ao corte das despesas em contínua expansão, preferem reforçar a receita com a prorrogação da CPMF até 2011. Contrariam as evidências para extingui-la, como determina a proposta original: o caixa federal já somou, no primeiro semestre, mais R$ 30 bilhões em relação ao período equivalente de 2006 - quase o equivalente ao recolhido com a CPMF no ano passado.

Transformada em instrumento para a geração de superávit da União, a contribuição ajuda a prolongar distorções no uso do dinheiro arrecadado. Só 1% converte-se em investimento. Um retrato eloqüente da contrapartida desproporcional ao apetite tributário.

Sintomas ideológicos

por Marcelo Scotton , site Diego Casagrande
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Acabo de colocar o dedo dentro do ouvido. Está cheio de cera. Sim, lavo o ouvido todos os dias durante o banho. Acontece que acabei de escutar o Paulo Henrique Amorim na TV. Após todo escândalo do governo, uma tropa de choque vem logo atrás tentando abafar a crise. Tentam abafar na TV, nos blogs, nos jornais, na rádio, em todas as mídias, já devidamente aparelhadas. O caos aéreo há muito virou uma arena política.

Paulo Henrique Amorim é um dos principais personagens desta tropa de choque lulo-bolivarianista na imprensa. Seu discurso pró-Lula é uma espécie de disco de vinil arranhado, agarrado em somente três trechos – e com aquela voz estridente e fanhosa: "é a mídia golpista conservadora", "os oposicionistas não admitem a legitimidade da reeleição de Lula" e "é a elite branca paulistana". Desta forma simplista, ele parece justificar todos os escândalos, do caos aéreo ao mensalão. Assim é "molezinha".

Pior do que Paulo Henrique Amorim é Marilena Chauí, filósofa de bolso do PT. Além de dizer que o mensalão é uma "construção fantasmagórica" da imprensa, recentemente ela escreveu um artigo intitulado "A invenção da crise", em referência a crise aérea. Eu não sei em qual país Chauí tem andado nem quais jornais tem lido, mas aqui mesmo em Confins, os atrasos são reais, assim como os cancelamentos de vôos. O acidente com o avião da TAM, até onde eu sei, não foi cena de cinema. Foi real e trágico.

Existem os jornalistas menos cacifados (segundo, terceiro ou até quarto escalão da mídia) que também fazem as honras de advogados partidários. Tudo em nome de uma bandeira partidária, de uma ideologia marxista ou até mesmo de um favorecimentozinho mais para frente.

É preciso enxergar os clichês dessa gente, assim como identifico os de Paulo Henrique Amorim. Um sintoma claro é defesa irrestrita de Lula. Como assim, o presidente não pode ser questionado? Ele deve ser questionado o tempo inteiro, assim como todo e qualquer político. Outro sintoma é a velha ufania combinada com o eterno sentimento de que o mundo conspira contra nós. Que interesses estrangeiros seriam estes aqui na terra do samba, suor e ouriço?

Outro sintoma claro é que toda e qualquer reação contra a corrupção ou escândalo do governo é atribuído a pessoas "fascistas e de extrema-direita", e que essa reação é a clara intenção de praticar um "golpe de estado" ou um "impeachment". As pessoas não reagem por serem "fascistas" ou terem uma ideologia a ou b. Reagem porque não tem sangue de barata, e não tem estômago para viver em um país extremamente corrupto sem levar um dedo contra. Os conformistas que me perdoem, mas é preciso protestar e indignar-se contra atitudes nefastas.

Apesar de expor alguns sintomas de jornalismo partidário, não defendo em hipótese nenhuma o boicote dos mesmos. É claro que existe espaço para todo tipo de jornalismo. Do jornalismo sério ao jornalismo moleque. Mas o que seria dos antiquários sem os elefantes brancos de porcelana? O que seria do circo sem os agitadores? O único problema disso tudo é o quanto tenho que gastar com cotonetes.

TOQUEDEPRIMA...

***** Lula usa fórmula do PAC e monta circo para prometer investimento em Segurança

O presidente Lula montou mais um circo na tarde desta segunda para o lançamento do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania). O petista defendeu que o combate à criminalidade se faz com políticas sociais. "Nós precisamos levar junto com a urbanização a escola, o posto médico, a área de lazer", sustentou.

De acordo com Lula, mesmo deixando turistas com medo, o programa de segurança dos jogos pan-americanos no Rio de Janeiro foi um exemplo muito positivo. "Poucos eventos dessa magnitude tiveram um programa de segurança que funcionou como funcionou o nosso", declarou o presidente.

O programa contará, segundo a promessa do governo, com investimentos de R$ 6,7 bilhões até 2012. Deste montante, R$ 483 milhões seriam aplicados ainda em 2007. Inicialmente, seriam priorizadas 11 regiões metropolitanas que apresentam os maiores índices de violência do Brasil: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília e Entorno (DF), Curitiba (PR), Maceió (AL), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Vitória (ES).

***** Biocombustíveis tem balanço ecológico "medíocre", diz Science

De acordo com estudo realizado pela revista Science, a utilização de biocombustíveis não vai limitar as emissões de gases que provocam o efeito estufa. O balanço ecológico dessa tecnologia, feito com base na comparação entre a energia gasta para produzi-los e aquela que eles fornecem, é "medíocre".De acordo com a revista, o saldo pode ser até negativo em muitos casos. Os autores do estudo, Rhenton Righelato e Dominick Spracklen, afirmam: "O melhor que eles teriam por fazer seria se concentrar na melhoria da eficiência energética dos combustíveis fósseis, de conservar as florestas e as savanas, e de restaurarem as florestas naturais e as pradarias em relação às terras que não são necessárias para a alimentação".

***** Tigres do Mediterrâneo

Se vingar a idéia, já nasce maior do que o Mercosul a União Mediterrânea integrando a economia e a cultura dos países europeus, africanos e do Oriente Médio que circundam o mar Mediterrâneo. O bloco comercial está sendo articulado pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, que alavancou a carreira política mandando bala nos imigrantes muçulmanos dos arredores de Paris.

***** Brasileiros começam a beber cada vez mais cedo
Veja online

Uma pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) revela que 16% dos jovens entre 14 e 17 anos já consumiram bebidas alcoólicas em “excesso” – o que, para efeito do estudo, significa cinco ou mais doses durante um dia. O trabalho, que pretende ser o mais completo sobre o tema no país, revela que 21% dos homens nessa faixa etária beberam de forma abusiva no ano anterior à pesquisa. Entre as meninas, a proporção foi menor: 11%. Os dados comprovam ainda um dado para o qual os especialistas alertavam havia tempos: os jovens brasileiros começam a consumir bebidas alcoólicas cada vez mais cedo e com maior freqüência.

Realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) entre 2005 e 2006, o Levantamento Nacional sobre Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira usou como base entrevistas feitas em mais de uma centenas de municípios em todas as regiões do país. O estudo mostra que quase metade da população brasileira (48%) não bebe. Porém, 28% dos adultos, o equivalente a 33 milhões de pessoas, apresentam um padrão de consumo excessivo.

"É um número muito expressivo”, explica a secretária-adjunta da Senad, Paulina Duarte. “E indica quantas pessoas se expuseram a situações de risco ou enfrentaram problemas provocados pelo consumo de álcool em excesso."

Jovens – O estudo mostra que entrevistados entre 14 e 17 anos iniciaram o consumo de bebida alcoólica aos 13,9 anos. No passado, a iniciação se dava mais tarde: entre entrevistados que hoje têm entre 18 e 24 anos, os primeiros contatos com as bebidas ocorreram aos 15,3 anos.

Segundo a Senad, o consumo cada vez mais precoce de bebidas não é exclusividade do Brasil. "É uma tendência mundial. Mesmo assim, existe a necessidade de aumentar os trabalhos de prevenção", completa Paulina Duarte.

***** Procurador diz que Dirceu montou "organização criminosa"

O Procurador Geral da República Antonio Fernando de Souza afirmou que o STF (Supremo Tribunal Federal) deve aceitar na íntegra sua denúncia contra os membros dos mensalão. Ele chamou o grupo de envolvidos de "organização criminosa." Souza declarou que "não é possível imaginar" que o ex-ministro José Dirceu não encabeçava o esquema.

"Estou convencido que o conjunto probatório é suficiente para sustentar a denuncia. É de conhecimento público que o denunciado José Dirceu exercia, quando ministro, intensa influência política. Ele sempre teve e tem grande importância nas deliberações do Partido dos Trabalhadores", disse Souza.

O Procurador ainda afirmou que o empresário Marcos Valério tinha "livre acesso" ao indiciado José Dirceu. Ele também acusou o ex-ministro de atuar diretamente em um dos negócios irregulares da "quadrilha", a transação de venda da Telemig pela Portugal Telecom. O procurador citou um depoimento de Roberto Jefferson, em que o presidente do PTB relata ter ouvido do ex-ministro que um grupo da Telecom e do Banco Espírito Santo, de Portugal, adiantariam oito milhões de euros, que seriam divididos entre o PT e o PMDB

***** Aprovado aumento de até 139% a cargos federais
Redação Terra

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira por 262 votos a 10 a Medida Provisória que concede reajuste de 30,06% até 139,76% para cargos federais da administração federal direta, autárquica e fundacional. Apenas um deputado se absteve da votação. A informação é da Agência Câmara.

O Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão estima que o impacto do reajuste será de R$ 282,6 milhões até o final de 2007 e de R$ 484,4 milhões por ano a partir de 2008.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que a Medida Provisória "busca compatibilizar a remuneração dos cargos e funções comissionados ao recente reajuste sobre a alta administração do Poder Executivo Federal". Neste ano, o Congresso concedeu reajuste ao presidente da República, ao vice-presidente e aos ministros.

***** Danem-se os fatos
Blog do Noblat

Um usineiro revela que Renan foi seu sócio oculto na compra de um jornal e de duas emissoras de rádio em Alagoas.

Perícia da Polícia Federal mostra que falta consistência a grande parte dos documentos de defesa de Renan.

Aparecem provas de que Renan simulava a tomada de empréstimo de dinheiro a uma empresa de um amigo - na verdade seu "laranja" em negócios.

E o que resulta disso tudo?

Renan fica mais forte entre seus colegas. Sabe que o Conselho de Ética do Senado deverá recomendar sua cassação por falta de decoro. Mas está certo de que será absolvido quando o caso for votado pelo plenário do Senado.

É espantoso, extraordinário, inconcebível?

Por aqui, não.