por Marcelo Scotton , site Diego Casagrande
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Acabo de colocar o dedo dentro do ouvido. Está cheio de cera. Sim, lavo o ouvido todos os dias durante o banho. Acontece que acabei de escutar o Paulo Henrique Amorim na TV. Após todo escândalo do governo, uma tropa de choque vem logo atrás tentando abafar a crise. Tentam abafar na TV, nos blogs, nos jornais, na rádio, em todas as mídias, já devidamente aparelhadas. O caos aéreo há muito virou uma arena política.
Acabo de colocar o dedo dentro do ouvido. Está cheio de cera. Sim, lavo o ouvido todos os dias durante o banho. Acontece que acabei de escutar o Paulo Henrique Amorim na TV. Após todo escândalo do governo, uma tropa de choque vem logo atrás tentando abafar a crise. Tentam abafar na TV, nos blogs, nos jornais, na rádio, em todas as mídias, já devidamente aparelhadas. O caos aéreo há muito virou uma arena política.
Paulo Henrique Amorim é um dos principais personagens desta tropa de choque lulo-bolivarianista na imprensa. Seu discurso pró-Lula é uma espécie de disco de vinil arranhado, agarrado em somente três trechos – e com aquela voz estridente e fanhosa: "é a mídia golpista conservadora", "os oposicionistas não admitem a legitimidade da reeleição de Lula" e "é a elite branca paulistana". Desta forma simplista, ele parece justificar todos os escândalos, do caos aéreo ao mensalão. Assim é "molezinha".
Pior do que Paulo Henrique Amorim é Marilena Chauí, filósofa de bolso do PT. Além de dizer que o mensalão é uma "construção fantasmagórica" da imprensa, recentemente ela escreveu um artigo intitulado "A invenção da crise", em referência a crise aérea. Eu não sei em qual país Chauí tem andado nem quais jornais tem lido, mas aqui mesmo em Confins, os atrasos são reais, assim como os cancelamentos de vôos. O acidente com o avião da TAM, até onde eu sei, não foi cena de cinema. Foi real e trágico.
Existem os jornalistas menos cacifados (segundo, terceiro ou até quarto escalão da mídia) que também fazem as honras de advogados partidários. Tudo em nome de uma bandeira partidária, de uma ideologia marxista ou até mesmo de um favorecimentozinho mais para frente.
É preciso enxergar os clichês dessa gente, assim como identifico os de Paulo Henrique Amorim. Um sintoma claro é defesa irrestrita de Lula. Como assim, o presidente não pode ser questionado? Ele deve ser questionado o tempo inteiro, assim como todo e qualquer político. Outro sintoma é a velha ufania combinada com o eterno sentimento de que o mundo conspira contra nós. Que interesses estrangeiros seriam estes aqui na terra do samba, suor e ouriço?
Outro sintoma claro é que toda e qualquer reação contra a corrupção ou escândalo do governo é atribuído a pessoas "fascistas e de extrema-direita", e que essa reação é a clara intenção de praticar um "golpe de estado" ou um "impeachment". As pessoas não reagem por serem "fascistas" ou terem uma ideologia a ou b. Reagem porque não tem sangue de barata, e não tem estômago para viver em um país extremamente corrupto sem levar um dedo contra. Os conformistas que me perdoem, mas é preciso protestar e indignar-se contra atitudes nefastas.
Apesar de expor alguns sintomas de jornalismo partidário, não defendo em hipótese nenhuma o boicote dos mesmos. É claro que existe espaço para todo tipo de jornalismo. Do jornalismo sério ao jornalismo moleque. Mas o que seria dos antiquários sem os elefantes brancos de porcelana? O que seria do circo sem os agitadores? O único problema disso tudo é o quanto tenho que gastar com cotonetes.