Adelson Elias Vasconcellos
Falamos aqui o quanto está enganado o ministro Mantega ao reconhecer que, apesar da crise externa ser bastante grave, o Brasil era um porto seguro e que não seria tão afetado. Mantega tem vendido este “mantra” inclusive para o Luiz Inácio que, na sua peregrinação eleitoreira pelo país, prega a mesma ladainha.
Como dissemos no mesmo artigo, faz certo o governo em não cria um clima ruim para os mercados, tentando passar otimismo e tranqüilidade. Contudo, não pode é “exagerar” na cautela, e ficar se justificando com mentiras que não condizem com à própria realidade brasileira. Não pode, também, é fazer uso eleitoreiro de uma falácia como a da dívida externa.
Vale repetir: o Brasil, muito embora suas reservas de 195 bilhões de dólares alardeadas pelo governo federal, será bastante atingido se a situação externa se deteriorar. E justamente porque estas “reservas” virarão pó, da noite para o dia. A maior parte delas como vimos aqui, pertencem a não-residentes no País e se encontra aplicada nos hiper-desvalorizados títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Assim, o governo insiste com a retórica de que o Brasil será pouco afetado pela crise de crédito no sistema financeiro norte-americano. O ministro Mantega, chegou a afirmar, ontem, que “as conseqüências da crise são periféricas nos mercados de renda variável”.
O ministro garante que não ocorre, por enquanto, “nenhuma repercussão ao nível do investimento, ao nível do consumo, nem a nível da atividade econômica propriamente dita”.
Falamos aqui o quanto está enganado o ministro Mantega ao reconhecer que, apesar da crise externa ser bastante grave, o Brasil era um porto seguro e que não seria tão afetado. Mantega tem vendido este “mantra” inclusive para o Luiz Inácio que, na sua peregrinação eleitoreira pelo país, prega a mesma ladainha.
Como dissemos no mesmo artigo, faz certo o governo em não cria um clima ruim para os mercados, tentando passar otimismo e tranqüilidade. Contudo, não pode é “exagerar” na cautela, e ficar se justificando com mentiras que não condizem com à própria realidade brasileira. Não pode, também, é fazer uso eleitoreiro de uma falácia como a da dívida externa.
Vale repetir: o Brasil, muito embora suas reservas de 195 bilhões de dólares alardeadas pelo governo federal, será bastante atingido se a situação externa se deteriorar. E justamente porque estas “reservas” virarão pó, da noite para o dia. A maior parte delas como vimos aqui, pertencem a não-residentes no País e se encontra aplicada nos hiper-desvalorizados títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Assim, o governo insiste com a retórica de que o Brasil será pouco afetado pela crise de crédito no sistema financeiro norte-americano. O ministro Mantega, chegou a afirmar, ontem, que “as conseqüências da crise são periféricas nos mercados de renda variável”.
O ministro garante que não ocorre, por enquanto, “nenhuma repercussão ao nível do investimento, ao nível do consumo, nem a nível da atividade econômica propriamente dita”.
Hoje, a economista Maria da Conceição Tavares, quanto questionada sobre a repercussão da crise no Brasil, saiu-se com esta pérola: "Brasil é um dos menos ameaçados".
Quando questionada sobre a duração da crise, a economista riu e disse:
- Não tenho a menor idéia. Nem eu nem ninguém. A condição dos bancos (americanos) está cada vez pior, mas ninguém é profeta.
Ou seja, se a previsão de que não “estamos ameaçados” não se confirmar, a desculpa para o erro já está pronta: “ninguém é profeta”.
Aliás, em se tratando desta senhora, é bom ficarmos com pé atrás, porque sempre acontece o contrário do que ela prevê.
Porém, apesar dela ir de encontro ao que propaga o ministro Mantega, isto para alguns economistas, inclusive alguns ligados ao petismo, a ameaça é real e podemos ser bastante afetados.
É o caso do economista e ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Carlos Lessa, que comenta, em entrevista a Terra Magazine, o corte de 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros dos Estados Unidos. A turbulência que atingiu o mercado financeiro ontem foi causada pelo anúncio da venda do banco de investimentos Bear Stearns para o JP Morgan, por US$ 236 milhões.
Professor titular de Economia Brasileira no Instituto de Economia da UFRJ, ele acredita que o Brasil comete as "mesmas besteiras" dos EUA.
- A política monetária norte-americana está fazendo agora tudo o que eles recomendaram para nós no Brasil. Eles estão fazendo uma redução espantosa da taxa de juros, estão socorrendo de uma maneira absolutamente não-liberal. Os grandes bancos estudam um sistema de perdão. Eles estão querendo segurar o pepino deles.
Para Lessa, o Brasil está vulnerável à crise, apesar da tranqüilidade do governo brasileiro:
- Eu acho que estamos tão vulneráveis quanto (os outros países). Numa escala diferente. Primeiro, nós estamos vulneráveis porque nossa política cambial colocou o Brasil como um dominó no meio do caminho. Ou seja, na medida em que os bancos americanos enfraquecem, o primeiro impacto que dá é na Bolsa de Valores nossa. O segundo impacto é em todos aqueles que se endividaram a partir de ações da Bolsa de Valores. Então você tem uma internalização da crise financeira americana no Brasil. E sem ter nenhum mecanismo organizado de defesa, porque o Banco Central faz questão de dizer que tudo aqui está no melhor dos mundos.
O economista registra equívocos do Banco Central.
- Em segundo lugar, a defesa que o Banco Central está fazendo é empurrar pra cima a taxa de juros no Brasil, exatamente o contrário dos Estados Unidos. Pra quê? Pra reter no Brasil o capital especulativo norte-americano, que vai fugir do Brasil por causa da crise; não porque ache que o Brasil está em crise, mas porque, em crise, ele tem de ir pra lá. Em terceiro lugar, o Banco Central está tirando reservas e remunerando, da pior forma possível, porque estão aplicando em títulos do Tesouro americano - o pior papel que existe no momento - e está pagando a mais alta taxa de juros pra captar o dinheiro. Então, tá dando enorme ganho a quem traz dinheiro pro Brasil.
Lessa continua a anatomia da crise e qualifica como "loucura completa" a ampliação desordenada do crédito pessoal.
- Quarto lugar: nós estamos com uma crise de crédito em gestação na economia. Porque nos últimos dois anos, as operações de crédito pessoal cresceram de forma desordenada. A prova disso é, por exemplo: você pode comprar um automóvel pagando 70 prestações, sem o sinal. Isso já é a loucura completa. Porque, obviamente, no meio da prestação, o valor do automóvel é menor que o valor da dívida.
O crescimento do "crédito fácil", analisa Lessa, guarda semelhança com o início da crise nos EUA.
- Exatamente, proliferação de sistemas de venda a crédito por todos os lados, bancos filiando-se a operações de cheque especial, incentivando as pessoas a usar cheque especial. Porque as pessoas físicas pagam juros mais altos. É a mesma coisa que aconteceu nos Estados Unidos. Então, nós estamos, em escala tupiniquim, fazendo as mesmas besteiras que os americanos fizeram. Em bom português.
Em tempo: a renda per capita média dos americanos, já era naquele tempo, muito superior a renda média atual dos brasileiros; Ou seja, todos os “senãos” que Carlos Lessa apresenta vão de encontro a tudo o que temos dito aqui, inclusive a questão da expansão do crédito, porque não houve tanta expansão da massa salarial, tampouco houve ganhos tão elevados assim para a sustentação, a longo prazo, da política implementada pelo governo Lula. Até pelo contrário, quando comparado a 1996, a média de ganhos do trabalhador brasileiro regrediu. O que justifica o consumo, portanto, não foi o aumento de renda do trabalhador, mas sim o ingresso no mercado de um contingente elevado de pessoas de baixíssima ou nenhuma renda. E mesmo aqui, isto não se deu por expansão da economia, e sim através dos programas sociais custeados a partir de um garrote quase sufocante de carga tributária. Não se pode sequer chamar isto de “distribuição de renda”, porque não se está tirando de quem ganha mais em favor de quem ganha menos, bem como os beneficiados não estão no mercado de trabalho, absorvidos por crescimento do País. Está se tirando, isto sim, via impostos, uma carga excessiva de quem trabalha e mal ganha para sobreviver, para perenização da pobreza.
Portanto, melhor faria o governo se adotasse um discurso mais cauteloso. Melhor ainda se, ao invés de expandir os programas sociais como fez agora para jovens eleitores de 15 e 16 anos, destravasse os gargalos para que a economia pudesse crescer de acordo com o potencial do país. Porque, conforme vimos, comemorar 5,4% de crescimento do PIB para uma inflação de 4,46% anuais é apostar no ridículo. E, mesmo que a inflação fosse zero, é bom lembrar, que este crescimento só foi melhor, dentre os emergentes, do que Haiti (em longa guerra civil) e Guatemala.