sexta-feira, março 09, 2012

Deputados do Maranhão têm até 18 salários ao ano, enquanto o estado tem o pior IDH do país.

Comentando a Notícia

Quando digo que os políticos brasileiros são os verdadeiros gigolôs da Nação, ainda tem quem ache exagero. Não é. O que não faltam são provas incontestes de quanto estes parasitas sugam recursos da Nação, e pouco ou quase nada retornam em benefícios. 

Abaixo, reportagem da Folha de São Paulo que comprova a tese. Enquanto o estado do Maranhão, transformado em feudo privado de um clã que domina a política do Estado há mais de 40 anos, amarga o segundo pior Índice de Desenvolvimento Humano do país, os seus deputados assaltam os cofres públicos numa voracidade impressionante, e sugam para si o máximo de regalias e privilégios imorais. É um assalto!!! Deveriam estar presos e impedidos de retornarem, para o resto da vida, à vida pública. Político que não tem consciência de seu papel, que transforma os cofres públicos numa conta corrente particular para seu uso exclusivo não tem condição moral para ficar solto no meio de gente honesta. 

Segue o texto da Folha com o mapa do país indicando o assalto que este categoria de sanguessugas pratica em cada estado. O pior que esta canalha ainda quer que a sociedade financie suas campanhas políticas. Uma ova!!! Vão ganhar a vida honestamente, cambada. 

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Os 42 deputados estaduais do Maranhão têm direito a ganhar até 18 salários por ano, informa reportagem de Aline Louise e Felipe Luchete, publicada na Folha.

Além dos 12 subsídios mensais e do 13º, os deputados dispõem de "ajuda de custo", concedida no início e no fim de cada ano, que equivale a cinco vezes o valor do salário, de R$ 20 mil.

Ao todo, os deputados podem receber R$ 361 mil, cada um, ao ano.

A justificativa é compensar "despesas de transporte e outras imprescindíveis para o comparecimento à sessão legislativa ordinária".

Editoria de arte/Folhapress



Sob Dilma, assentamentos diminuem

Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo

Em 2011, programa de reforma agrária do governo teve o pior resultado dos últimos 16 anos

SÃO PAULO - O programa de reforma agrária do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) assentou no ano passado 22.021 famílias, de acordo com números que acabam de ser divulgados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Trata-se do mais baixo índice registrado nos últimos 16 anos, que englobam também os governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O melhor índice foi registrado em 2006, quando 136.358 famílias tiveram acesso à terra.

Em Pernambuco, onde o Movimento dos Sem Terra (MST) contabiliza quase 15 mil famílias acampadas à espera de um lote de terra, o governo assentou apenas 102 famílias no ano passado. Foi o número mais baixo entre todas as unidades da federação.

“Os números comprovam que a reforma agrária não é considerada prioritária pelo atual governo. Eles são vergonhosos”, disse nesta segunda-feira, 5, José Batista de Oliveira, integrante da coordenação nacional do MST. De acordo com suas informações, do total de 22.021 assentamentos anunciados pelo governo, apenas 7 mil ocorreram em áreas que foram desapropriadas especialmente para a reforma agrária.

“Boa parte do que o governo põe na conta de assentamento é, na verdade, regularização de lotes fundiários, que estavam abandonados ou ocupados de maneira irregular”, diz o representante do MST.

Demanda menor. 
O presidente do Incra, Celso Lisboa Lacerda, tem outra avaliação. Ele disse que um dos fatores que explicam a redução no número de assentamentos é a queda na demanda. “Há muito menos famílias acampadas hoje do que no governo do presidente Lula”, afirmou.

Pelas estimativas do Incra, o total de famílias acampadas em todo o País gira em torno de 180 mil. É a metade do que existia no início do governo Lula.

Outro fator importante, ainda segundo Lacerda, é a mudança de concepção do foco de atenção que teria ocorrido no atual governo. “No governo de Fernando Henrique, a única coisa que se fazia era a distribuição de lotes. Com o Lula surgiu a preocupação em dotar os assentamentos de infraestrutura”, disse. “Houve mais investimento na construção de estradas, casas, redes de energia elétrica e de água.”

Com a ascensão de Dilma, segundo o presidente do Incra, o foco passou a ser criação de melhores condições para que os assentados produzam e gerem renda. “Boa parte da estrutura do Incra está dedicada hoje à assistência técnica, melhoria das condições de infraestrutura, regularização ambiental”, afirmou. “Isso reduziu em parte a capacidade de assentar novas famílias, mas é preciso compreender que a reforma não se resume à criação de novos assentamentos. Na verdade, a parte mais difícil vem depois da concessão do lote às famílias, que é o desafio de inserir as pessoas no processo produtivo, na agricultura familiar.”

Um terceiro fator que teria influenciado a queda dos assentamentos, segundo Lacerda, foi a demora na definição da sucessão no Incra. Ele tomou posse no final de março e as diretorias das superintendências regionais só foram completamente definidas em setembro.

A demora fez com que a maior parte do orçamento só fosse executada no final do ano. “Fizemos o pagamento de áreas para a reforma que ainda não apareceram nos números de 2011. Eles só vão aparecer nos resultados deste ano.”

O Estado que teve o maior número de assentamentos no ano passado foi o Pará, com 4.274 famílias. Isso vem se repetindo desde o governo de Fernando Henrique, porque se trata da região com maior área de terras pertencentes à União, que podem ser mais facilmente destinadas à reforma. Nos Estados do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste a obtenção de terras é mais difícil - e muito mais cara.

Homem apontado como elo entre lobistas e filha de Mantega deixa cargo

Rodrigo Rangel e Gabriel Castro, Veja online

Antônio Sérgio Lima Braga pediu exoneração da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Ele disse querer evitar constrangimentos por acusação

(Ueslei Marcelino/Reuters)
Silêncio: 
ministro Guido Mantega não comenta o assunto

Apontado como elo entre a filha do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e um grupo de lobistas com atuação em Brasília, o subsecretário de Desenvolvimento Sustentável da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência deixou o cargo no último dia 3. O caso foi revelado por VEJA há duas semanas. Antônio Sérgio Lima Braga admitiu ser amigo de Marina Mantega, mas negou que fizesse intermediação de interesses de lobistas.

Os lobistas diziam contar com a ajuda da modelo e atriz Marina Mantega para resolver problemas na estrutura do Ministério da Fazenda. Em reuniões com empresários em Brasília, eles afirmavam contar com o auxílio da filha do ministro, por exemplo, para facilitar a liberação de financiamentos para grandes empresas e nomeações para cargos em bancos públicos.

A portaria que oficializou a exoneração de Sérgio Braga, “a pedido”, foi assinada pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. O subsecretário se reuniu com o ministro Moreira Franco na última sexta-feira. Segundo a própria Secretaria de Assuntos Estratégicos, ele chegou com a decisão tomada e com a carta de demissão pronta. Argumentou que deixaria o cargo para evitar constrangimentos em função da reportagem de VEJA. O ministro Moreira Franco confirma o encontro, mas não comenta o conteúdo da carta. "Isso é uma coisa interna", diz.

Contrato - 
Um dos negócios em que o grupo de lobistas dizia estar trabalhando em parceria com Sérgio Braga e Marina Mantega é a liberação de um financiamento bilionário do Grupo Bertin, gigante dos setores de agronegócios e infraestrutura. O lobby, nesse caso, seria necessário porque o financiamento, negociado com a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES, está emperrado há mais de seis meses. O Bertin confirmou a VEJA ter contratado tanto a empresa de consultoria dos lobistas quanto uma firma do próprio Sérgio Braga. Negou, porém, que o objetivo dos contratos fosse facilitar a liberação do financiamento.

Procurado por VEJA antes da publicação da primeira reportagem, o ministro Guido Mantega limitou-se a dizer que não tinha conhecimento de que lobistas de Brasília estavam falando em nome de sua filha. Ele preferiu não responder se adotaria providências para apurar o caso. Depois, manteve o silêncio. Marina Mantega também não falou sobre o assunto.

Dilma teme virar refém da base aliada por Haddad

Veja online com Agência Estado

Para o Planalto, o momento é de o PT arregaçar as mangas e tornar o candidato escolhido pelo ex-presidente Lula mais conhecido da população

(Antônio Cruz/ABr)
Fernando Haddad, ex-ministro da educação 

A presidente Dilma Rousseff avisou a interlocutores que não está disposta a ceder à pressão de partidos aliados por cargos para fortalecer a candidatura do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Dilma está convencida de que, se fizer isso agora, quando a campanha sequer começou e Haddad tem apenas 3% da preferência dos eleitores, poderá ser obrigada a ceder à pressão mais à frente para ajudar seu candidato, ficando refém dos aliados.

O recado contra a liberação de cargos tem como primeiro alvo o PR, que quer desalojar o ministro Paulo Sérgio Passos dos Transportes para nomear um candidato que considere representativo da bancada. Em troca, o PR estaria disposto a apoiar Haddad, desistindo de ter candidatura própria. Na prática, a mensagem serve para todos os partidos da base.

A presidente cobrou pressa do PT para acelerar o ritmo da campanha de Haddad. Para o Planalto, o momento é de o partido arregaçar as mangas e trabalhar por Haddad, tornando o candidato escolhido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais conhecido da população. De acordo com a última pesquisa divulgada pelo Datafolha, só 45% dos entrevistados conhecem Haddad em São Paulo, o que lhe daria terreno para reduzir a diferença em relação ao tucano José Serra, líder no mesmo levantamento.

"A campanha do Haddad tem de começar o mais rápido possível", disse um interlocutor da presidente, acrescentando que "o PT ainda não acordou" para a necessidade de começar a trabalhar pelo candidato do partido imediatamente. Neste momento, acentuou este interlocutor, a presidente Dilma não irá atuar diretamente para ajudar Haddad ou aumentar o número de viagens à cidade com esse objetivo.

Conforme essa avaliação, o Planalto também lembra que a situação instável da saúde do ex-presidente Lula é um fator que obriga o PT se mexer o quanto antes. Como está claro que uma representativa parcela da população atestou que vota no candidato que o ex-presidente Lula apoiar, o PT precisa se apressar a colocar a campanha de Haddad na rua. "Esse é o trunfo dele", comentou outro interlocutor da presidente, para quem Haddad precisa "ter criatividade" para sair por São Paulo e se apresentar como candidato, já que o PT perdeu o tempo do programa político na televisão, cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Apesar de rechaçar a pressão por cargos em troca do apoio a Haddad, Dilma até aceita esse tipo de negociação, desde que conduzida à sua maneira. Foi assim com a nomeação na semana passada do senador Marcello Crivella (PRB-RJ) para o Ministério da Pesca, abrindo a porta para um acordo que retire a candidatura de Celso Russomanno em São Paulo. Crivella é interlocutor de confiança do Planalto e sua escolha foi considerada adequada.

Com o PR, a ideia é a mesma. Dilma até pode mexer no comando do Ministério dos Transportes, desde que o indicado seja de sua confiança e a escolha seja feita no tempo em que ela considera ideal. No caso, o plano da presidente seria o de colocar o senador Blairo Maggi (PR-MT) no primeiro escalão. O problema é que Blairo sempre resiste a aceitar o convite.

MP age para coibir uso político de festas promovidas com as verbas do Turismo

Alana Rizzo, de O Estado de S. Paulo

Auditoria da CGU comprovou irregularidades e prejuízo estimado de R$ 14 milhões

BRASÍLIA - Uma ação coordenada do Ministério Público Federal em São Paulo (MPF) quer atacar um ralo de dinheiro público que produz dividendos eleitorais: festas no interior do País promovidas com recursos do Ministério do Turismo.

Divulgação
Cartaz da edição de 2009 de festa agropecuária em Ilha Solteira

No primeiro movimento, a Procuradoria da República em Jales, noroeste do Estado, ajuizou, de uma só vez, 31 ações de improbidade administrativa contra 83 pessoas, sendo 39 prefeitos e ex-prefeitos, o ex-deputado federal Vadão Gomes (PP) e 43 intermediadores de shows para festas. A ofensiva, que será replicada em todo o País, foi apresentada à 5.ª Câmara de Coordenação e Revisão, da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, responsável pela defesa do patrimônio público.

Em ano eleitoral, as festas são um manancial de desvios, segundo procuradores. Além de irregularidades e da malversação, os eventos são usados para a promoção de candidatos. Auditoria da Controladoria-Geral da União, concluída em 2011, comprovou a extensão das irregularidades nos repasses do Ministério do Turismo para esses eventos.

Prejuízo. A Procuradoria da República de São Paulo encaminhou ofício à pasta pedindo a instauração de Tomada de Contas Especial (TCE) para cada um dos 81 convênios assinados com prefeituras do interior de São Paulo. Algumas prestações de contas já tinham sido aprovadas pelo ministério. O prejuízo estimado é de R$ 14 milhões.

Segundo as investigações, as 31 prefeituras recebiam dinheiro do ministério, muitas vezes por meio de emenda parlamentar, para as festas. Na hora da contratação, o município declarava a inexigibilidade da licitação e os acertos com artistas eram feitos por intermediários, que detinham a “exclusividade” na comercialização.

“O que ocorre nos autos é que não se tratou de contratação feita nos parâmetros legais, visto que as “cartas de exclusividade” apresentadas pelas empresas revelam, justamente, que não se trata de empresário exclusivo do aludido artista, uma vez que tais cartas se tratam, em verdade, de declarações de exclusividade daqueles especificamente para as apresentações nos dias e horários determinados para cada um dos shows”, destaca a Procuradoria da República nas ações obtidas pelo Estado.

“A empresa contratada conseguiu, junto ao empresariado do artista, uma declaração de exclusividade para a apresentação nas festividades relacionadas na data específica da apresentação na pretensão de firmar contrato administrativo através de inexigibilidade de licitação junto à municipalidade, com o evidente intuito de burlar o ordenamento jurídico, fugindo da necessária realização de processo licitatório”, completa a denúncia do procurador Thiago Lacerda Nobre.

Publicidade. O MPF também aponta irregularidades nos gastos com publicidade para as festas. Algumas prefeituras não conseguiram justificar os valores pagos à empresa contratada. Isso aconteceu, por exemplo, em Estrela D’Oeste, onde, dos R$ 550 mil recebidos para a 7.ª Expo-Estrela, R$ 136,5 mil foram destinados ao pagamento de serviços de divulgação. A nota fiscal da prefeitura não discrimina tal valor.

Nas ações, o MPF pede indisponibilidade dos bens dos envolvidos, ressarcimento integral dos danos, perda da função pública, pagamento de multa e suspensão dos direitos políticos por oito anos. Grande parte dos prefeitos denunciados concorre à reeleição e, com condenações em segunda instância, não poderão disputar as eleições por conta da Lei da Ficha Limpa.

O MPF identificou outra irregularidade em convênios: promoção ilegal de agente público. O prefeito de Jales, Humberto Parini (PT), denunciado por fraudes em sete convênios, aproveitou a 41.ª Feira Agrícola de Jales (Facip 2010) para realizar a promoção do então deputado federal Etivaldo Vadão Gomes. O vídeo em que ele é chamado à arena do rodeio foi incluído na ação. No local, toca o jingle da campanha e o político é apresentado como “o amigo de Jales”.

A assessoria do ex-deputado negou irregularidades e disse que Vadão estava no evento como empresário. O prefeito Humberto Parini não respondeu aos contatos do Estado.

PIB raquítico

Celso Ming, O Estado de São Paulo

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, iniciou 2011 prometendo crescimento econômico de 5,0%. E acabou por entregar apenas 2,7%.

Neste ano, pelo baixo nível de investimento, a história se repete. Escorado nas projeções do Ministério do Planejamento – organismo federal encarregado de elaborar o Orçamento da União –, Mantega garantia avanço de 5,0% no PIB do Brasil em 2012. Mas já passou a admitir a revisão desse número para alguma coisa entre 4,0% e 4,5%. Ainda assim, ficou bem acima do Banco Central, que trabalha com 3,5%.


Mesmo esses 3,5% parecem altos demais pelo que a economia vem produzindo. Nesta terça-feira, em nota oficial, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) avisou que, pelo andar da carruagem, o avanço de 2012 também ficará abaixo dos 3,0%. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por sua vez, não se mostra nem um pouco animada ante a falta de providências destinadas a puxar a competitividade da indústria. Tomara que ambas estejam pessimistas demais. Infelizmente, desta vez parecem mais certas do que o governo.

A situação mais paradoxal deste momento econômico é o crescimento meia-boca (“abaixo do potencial”, como vem repetindo o Banco Central) num ambiente de pleno emprego.

Mesmo os que – por puro prurido ideológico – não gostam da expressão “pleno emprego”, por dar ideia falsa de país avançado, reconhecem que nunca antes houve situação no Brasil que registrasse nível tão baixo de desocupação, hoje de 5,5% (55 em mil integrantes da força ativa).

As razões dessa desproporção ficam para outra oportunidade. Importa agora apontar novo fator que limita a expansão do produto: se o PIB crescer os 4,5% imaginados por Mantega, teremos nova rodada de aumento de custos da mão de obra.

Em 2011, o consumo das famílias subiu 4,8%, também muito acima da evolução do PIB (2,7%) e da indústria (1,6%). Resultado da atual política econômica, que privilegia o impulso interno da renda para assegurar expansão do consumo e formação de mercado interno de massa. Em seguida, para evitar que a esticada do consumo gere inflação além do suportável, o governo aciona as importações, em detrimento da indústria – que se vê obrigada a concorrer com a entrada de produtos a preços substancialmente mais baixos. E, depois de tudo, o governo Dilma ainda proclama que pratica uma política industrial que favorece o “conteúdo local”.

Na manhã desta terça, o ministro Mantega pareceu entusiasmado com a forte evolução do investimento (Formação Bruta de Capital Fixo), de 4,7%. Muitos pensam que esse investimento seja todo ele aumento da capacidade futura de produção – a semente que, lá na frente, garante mais colheita. Não é assim. No Brasil, nada menos que 41,4% desse investimento correspondem à atividade de construção civil que, hoje, pouco ajuda a produzir o amanhã. É o Minha Casa, Minha Vida que dá, sim, mais conforto ao povão – o que é bom. Mas a casa erguida não ajudará no aumento da produção futura.

CONFIRA

O gráfico mostra a evolução da poupança e do investimento no Brasil no período de 2000 a 2011.

Semear para colher. 
Para crescer 5,0% ao ano sem queimar óleo em inflação, o investimento no Brasil teria de ficar na casa dos 25% do PIB – e não só nos 19,3%, como em 2011. O problema é que, para ter investimento, é preciso poupança. E, no entanto, a política do governo Dilma, como ficou dito, privilegia o consumo em detrimento da poupança interna e tende a desestimular a externa, alegando o estrago que a entrada de dólares cria no câmbio.

O que você quer saber dos governos?

Gil Castello Branco, O Globo

Governo continua negando acesso a dados do Orçamento da União

Dizem que no Brasil as leis são como vacinas. Umas pegam, outras não. Assim, há enorme expectativa em relação ao que vai acontecer com a chamada Lei de Acesso à Informação, que entrará em vigor a partir de 16 de maio deste ano (Lei 12.527). Caso o texto aprovado no Congresso Nacional seja mesmo para valer, qualquer cidadão poderá solicitar aos órgãos públicos informações do seu interesse. E poderá fazê-lo pessoalmente, por carta, e-mail, ou até por telefone. Nem precisará dar-se ao trabalho de explicar o “porquê” do pedido.

A regra vale para Legislativo, Executivo e Judiciário, nos níveis municipal, estadual e federal. As empresas estatais, autarquias e fundações também estão incluídas. Os burocratas terão vinte dias – prorrogáveis por mais dez – para responder às indagações ou para negá-las por escrito, neste caso justificando o motivo. O servidor que se recusar a prestar informações, retardar o acesso a elas ou deliberadamente fornecer dados incorretos será punido.

A grande novidade na terra de Macunaíma já existe em outros 88 países. Na Suécia, por exemplo, há mais de 200 anos. O fato de o Brasil chegar atrasado nesta festa tem ao menos um lado bom: a Lei é moderna, muito semelhante àquelas existentes nos países que sempre levaram a sério o direito de acesso à informação. No entanto, a “jabuticaba” do texto é atribuir à Controladoria Geral da União (CGU), vinculada à Presidência da República, o papel de órgão recursal, quando o ideal teria sido a criação de agência independente.

De fato, imagine a possibilidade de solicitar informação a qualquer secretaria de um ministério. Havendo a negativa, você reenviará o pedido ao superior imediato do secretário, ou seja, ao ministro. Se este também negar, você irá recorrer à CGU, em outras palavras, a outro ministro – no mesmo nível hierárquico do que negou seu pedido anteriormente -, ambos integrantes do governo federal. Nada contra a CGU, que, aliás, tem feito ótimo trabalho em favor da transparência. Mas, institucionalmente, a raposa não deveria tomar conta do galinheiro.

De qualquer forma, pelo menos aparentemente, estamos a dois passos do paraíso, como diria o meu colega de escola, Evandro Mesquita, da banda Blitz. Em 71 dias, constataremos se a Lei de Acesso à Informação irá ou não acabar com a maratona entre seções, chefias, requerimentos, autenticações e outros obstáculos impostos a quem ousa solicitar documentos em qualquer “repartição pública”.

Na verdade, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, a Convenção da Organização das Nações Unidas contra a Corrupção, a Constituição Federal e diversas outras leis já tratavam do direito do cidadão de receber dos órgãos públicos informações do seu interesse. A Lei de Diretrizes Orçamentárias, por exemplo, há anos, autoriza o acesso de entidades não governamentais a diversos bancos de dados. A facilidade, porém, não é viabilizada pois as senhas de acesso aos referidos cadastros são sistematicamente negadas pelas Pastas com respostas evasivas.

Assim sendo, há o receio de que a implantação desta lei possa também patinar em vários subterfúgios burocráticos. O primeiro deles é que o texto legal sequer foi regulamentado. Como consequência, estados e municípios têm inúmeras dúvidas, inclusive sobre a eventual necessidade de aprovação de leis locais. Muitas outras indagações causam ansiedade. Quais serão os órgãos recursais no Legislativo e no Judiciário? Os seis meses decorrentes entre a assinatura da lei e a sua vigência efetiva foram suficientes para que os arquivos tenham sido catalogados e os servidores devidamente treinados para a nova realidade? Existem recursos disponíveis nos orçamentos federal, estaduais e municipais para a criação de setores responsáveis pelo recebimento e tratamento das informações solicitadas?

Entre os temores de o esforço acabar em pizza está a possibilidade de os gestores classificarem os documentos como “secretos”, “ultrassecretos” ou “reservados”, o que na prática torna a informação inacessível. Ou mesmo dizê-la inexistente ou indisponível.

Como somos gatos escaldados, é difícil imaginar que em 60 dias estará revogada no Brasil a “cultura do sigilo”. Mas cabe-nos lutar para que isso aconteça. Nesse sentido, foi criado o site www.queremossaber.org.br, à semelhança do inglês www.whatdotheyknow.com, para intermediar, às claras, os pedidos aos governos. A Lei 12.527, se vingar, será marco histórico em favor da cidadania. Mas essa vacina precisa pegar.

Brasileiro abastece mais com gasolina e afeta metas de mudanças climáticas

Marta Salomon e Iuri Dantas, O Estado de São Paulo

Consumo de etanol cai quase 6 bilhões de litros nos últimos dois anos e leva governo a anunciar plano estratégico para o setor

BRASÍLIA - A queda de 35%, ou quase 6 bilhões de litros, nas vendas de etanol nos últimos dois anos coloca em risco o cumprimento das metas de corte das emissões de gases de efeito estufa assumidas pelo Brasil.

O movimento surpreendeu o Ministério do Meio Ambiente, cujo cenário principal para emissão de gases de efeito estufa pressupunha uso crescente de etanol. A expansão do biocombustível seria responsável por uma redução de 79 a 89 milhões de toneladas de gás carbônico lançadas na atmosfera até 2020, numa contribuição entre 8% e 9% da meta total de corte das emissões com que o governo se comprometeu em 2009.

Grande parte do cumprimento da meta depende da redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, maior fonte dos gases de efeito estufa no País. A queda nas vendas de etanol ao consumidor torna ainda mais crucial o combate às motosserras.

Documento publicado pelo Ministério do Meio Ambiente no ano passado estima que as emissões de gás carbônico por veículos cresceriam até 2020 a uma média de 4,7% ao ano, por conta do aumento da frota de veículos no País. Esse porcentual já é maior do que a média de crescimento das emissões registrada num período de 30 anos, até 2009, ano em que o Brasil assumiu metas de redução das emissões de gases de efeito estufa para 2020.

Mas o cenário traçado pelo documento intitulado Inventário de Emissões Atmosféricas por Veículos Rodoviários apresentava como principal contribuição para a redução das emissões o programa de álcool hidratado. Na contabilidade oficial, as emissões de CO2 provocadas pelos veículos movidos a álcool são neutralizadas pela captura de carbono no processo de cultivo da cana-de-açúcar.

O aumento de venda de carros flex, que crescia sem parar desde 2003, deveria continuar no mesmo ritmo, indicou o cenário oficial. Em 2009, os flex já representavam 37% da frota de automóveis, e dominavam a venda de carros novos.

Mas esse cenário não se confirmou. No ano passado, as vendas de carros flex caíram pela primeira vez desde o lançamento dos motores com a tecnologia brasileira. Os licenciamentos de carros flex caíram para 83% do total de carros vendidos em 2011, o menor porcentual em cinco anos, conforme informou o Estado em fevereiro.

Futuro. 
A projeção do ministério de que os carros flex rodariam alternando os combustíveis numa proporção próxima a 50% também corre o risco de não se sustentar. O uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando seu preço ultrapassa 70% do valor da gasolina nas bombas. O consumidor opta pelo preço mais vantajoso na hora de abastecer, numa equação desfavorável ao etanol.

Além disso, para conter as emissões de gases de efeito estufa até 2020 no setor de energia, o governo contabilizou o aumento da oferta interna de etanol em mais de 20 bilhões de litros, como uma das principais medidas de combate ao aquecimento global.

Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostram uma explosão no consumo de gasolina a partir de 2010. Em dois anos, enquanto as vendas de etanol caíam 35%, as vendas da gasolina subiam mais de 39%. Desde 2005, as vendas de gasolina registravam aumento de 2% ao ano. Em 2010, elas cresceram 17,45%. Em 2011, 18,79%, alcançando 35,4 bilhões de litros, contra 10,7 bilhões de litros de etanol vendidos no mesmo ano.

Ok, a esquerda venceu. Venceu?

Sérgio Malbergier, Folha de São Paulo

O filho de um casal de amigos trouxe outro dia lição de casa que tinha como base um texto de uma revista de esquerda, um texto errado e tendencioso, que não resistiu a uma checagem no Google. Nem o texto nem o professor.

Em poucas clicadas, o casal descobriu que o professor era militante de um nanopartido da esquerda radical, tinha se candidatado a vereador em 2004 e agora tentava catequizar adolescentes completamente despolitizados de uma escola conhecida de São Paulo usando um texto tendencioso e com informações erradas que ainda por cima promovia um correligionário seu.

Os pais ficaram na dúvida se deveriam ir ou não à escola reclamar do que lhes pareceu claramente proselitismo político em sala de aula de adolescentes. Mas uma fonte informada da área de educação argumentou que as universidades de história e geografia de São Paulo, USP e PUC especialmente, são celeiros inesgotáveis desses professores militantes de esquerda e que era inevitável lidar com eles. Melhor ensinar o filho a filtrá-los do que combater o inevitável.

E filtros serão necessários. A narrativa histórica de esquerda, que demoniza o grande capital e o grande proprietário ao invés de explicá-los, ganha espaço crescente no Brasil desde que a ignorância da ditadura legou essa fama terrível à direita nacional e desde que o PT e aliados tomaram conta dos cargos e verbas que movimentam a produção e a difusão de conhecimento no país. Você conhece algum cineasta de direita?

Não teremos guerras culturais por aqui. A esquerda já venceu. Mas, brasileiramente, venceu sem o menor rigor, muito pelo contrário. Venceu abraçando o capitalismo. Porque no fim de nossa história, o partido sob o qual o capitalismo brasileiro prosperou foi o PT. Foi com a economia de mercado que o PT conquistou o eleitorado. Goste-se ou não, foi/é uma estratégia brilhante.

Em "Entreatos", o documentário de João Moreira Salles sobre a campanha que levou Lula e o PT à Presidência, em 2002, Lula explica assim sua maior vitória eleitoral sobre José Serra, que este ano completa dez anos "Ninguém tem a base de apoio no Brasil, o alicerce que eu tenho. Tenho grande parte da Igreja Católica, os estudantes, a CUT, é muita coisa, ninguém tem isso, teve isso."

A lista do que Lula tem cresceu muito desde então, não para de crescer. Principalmente à direita. A nomeação do bispo que não pesca para o Ministério da Pesca é a última materialização dessa compulsão antropofágica à composição do ex-presidente, que casou perfeitamente com o clientelismo local e deu no que parece ser cada vez mais uma hegemonia política sufocante e duradoura.

Com a conversão dos evangélicos, que agora comungam com os católicos, Lula, quer dizer, Dilma expande a enorme base governista. No seu governo "all inclusive", a extinção da direita prossegue por cooptação.

Mas fica só uma pergunta para além da política: afinal foi o lulo-petismo que subjugou a direita ou foi a direita que subjugou o lulo-petismo?

A lei do mínimo esforço

Carlos Brickmann, Observatório da Imprensa

Tem gente na praça que lê a notícia no jornal, escuta a notícia no rádio, vê a notícia na TV, lê a mesma notícia em dezenas de portais de Internet, e em seguida manda e-mails mais ou menos nos seguintes termos: "Por que a imprensa não conta essa história?" Certa vez, um leitor cansou de protestar contra o silêncio dos meios de comunicação com relação a Tomaz, filho de Fernando Henrique. Havia mais de um milhão de citações no Google, apenas em um verbete. Mas ele achava pouco. Que é que se há de fazer?

Mas, muitas vezes, esse pessoal tem razão, ao menos em parte. Sabemos que, após prolongadas férias, que só terminaram depois do Carnaval, quatro senadores arranjaram compromissos internacionais por nossa conta, para ficar mais algum tempo, sempre por nossa conta, recebendo sem trabalhar. Um parlamentar foi a Boston, para um evento de economistas (não, não é economista, nem fez administração de empresas, nada semelhante). Três outros foram encontrar-se com parlamentares tchecos em Praga, para trocar ideias com seus colegas de lá. A imprensa noticiou, sem muito destaque, mas noticiou. 

Só falta agora acompanhar a notícia: pedir aos gazeteiros oficiais que informem como transcorreu sua missão. Fazer a velha e boa reportagem. Este colunista é capaz de comer o mesmo cardápio do José Serra, com todos os diets, lights, integrais e folhas que o mantêm com aquela aparência saudável, se algum dos flanantes souber enfrentar um bom repórter e apresentar um resultado plausível da missão internacional que o contribuinte pagou. 

Aprazível, com certeza o resultado foi.

O exemplo Tiririca
Quem fez o levantamento foi Ilimar Franco, em O Globo. Vale transcrevê-lo:

"Com a ida do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) para o Ministério da Pesca, o Senado terá 14 suplentes no exercício do mandato, ou seja, 17% dos senadores não receberam nenhum voto."

Falaram tanto do Tiririca - e, no entanto, Tiririca chegou ao Congresso carregado por votos populares. Goste-se dele ou não, o eleitor o escolheu. 

O número de senadores sem voto (escolhidos para a suplência por sua capacidade, honradez, muito trabalho em favor do Brasil - claro: você seria capaz de imaginar que o suplente seria escolhido por motivos menos nobres?) já é aproximadamente a metade dos biônicos do regime militar, que o presidente Geisel chamava de "democracia relativa". Não falta muito para que o Brasil, tantos anos depois, festeje mudanças tão grandes que equivalham a um giro de 360 graus.

Quem anuncia se esconde
Uma próspera fabricante de cervejas, que foi capaz de comprar uma gigante como a Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser, que é capaz de negociar a aquisição de um mamute chinês da área, decide patrocinar um evento em que os maus-tratos a animais fazem parte da cena (nos rodeios e assemelhados, o touro, para entrar corcoveando na arena, tem os testículos bruscamente apertados e puxados por uma corda, chamada sedém). 

Pior: sob o silêncio da imprensa, a Brahma conseguiu incentivos da Lei Rouanet para promover o espetáculo bárbaro. Mas iriam os meios de comunicação desafiar um anunciante para proteger animais e exigir que os promotores da festa selvagem ao menos gastem seu próprio dinheiro, não o nosso? 

Não, até agora não foram. Mas há consumidores de notícias que não se conformam com isso. Aqui, por exemplo, quem fala é Sandra Pontes, indignada - e com razão - com a demonstração da empresa de insensibilidade social e de preocupação zero com o bem-estar dos animais:

"A respeito da nota sobre a Brahma (Mamãe eu quero), gostaria de manifestar claramente minha postura contra esta empresa que patrocina as vaquejadas de Barretos, um espetáculo deprimente, que apenas satisfaz o sadismo daqueles que gostam de assistir a torturas de animais. Há muito que sistematicamente boicoto a cerveja. Prefiro tomar água de torneira a comprar um produto desta empresa".

O silêncio é de ouro
Quando o Wikileaks, portal de Julian Assange, publicou matérias a respeito de conversas de jornalistas brasileiros com diplomatas estrangeiros, deu um tremendo escândalo: os jornalistas foram chamados até de espiões. Agora, que o mesmo portal Wikileaks divulga matérias sobre propinas na compra de armamento francês, a notícia morre no primeiro dia. Assange virou mentiroso de uma hora para outra? Será que ele só fala a verdade em determinados momentos, e em outros desanda a mentir por todos os dentes?

Sandro Vaia, jornalista polêmico, legítimo pig (ele e toda a família são porcos roxos, torcem para o Palmeiras), escreveu um artigo que merece ser lido. E que vai dar briga.

Os exageros
A morte de Eliana Tranchesi, que dirigiu a Daslu no seu auge, provocou algumas reações exageradas. Eliana foi presa sob acusação de crime de colarinho branco, no Governo Lula; e aí surgiram as versões de que foi Lula quem matou Eliana. Não, certamente não foi: mesmo que a doença que a matou tivesse surgido em consequência da prisão, não seria culpa do Governo, cuja obrigação é fazer cumprir a lei. E, a propósito, não foi o Governo que mandou prendê-la: foi a Justiça, a pedido de um promotor.

No caso de Eliana Tranchesi, há duas restrições sérias ao modo pelo qual foi tratada: primeiro, não havia motivo para usar trinta homens com armas longas na sua prisão. Sendo quem era, uma empresária de sucesso, sendo seu advogado quem era, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, do maior prestígio e respeitabilidade, bastaria um telefonema para ele para que apresentasse imediatamente sua cliente. Se achassem necessário mandar alguém armado buscá-la, um homem com revólver seria mais do que suficiente: as vendedoras da Daslu não atirariam araras de roupa nos invasores, nem lingerie de grife, para resistir à prisão da proprietária. Houve indiscutível uso de excesso de força.

A segunda restrição é quanto à pena. Não tem sentido condenar uma pessoa por crimes fiscais a penas tão graves quanto por homicídio. E a pena de Eliana Tranchesi foi semelhante à aplicada ao rapaz que assassinou a namorada e baleou outra jovem, depois de mantê-las por dias em cárcere privado. A gravidade das penas deve ser proporcional à gravidade do crime. 

Não podemos esquecer aquela anedota que tanto circulou nos meios jurídicos: se um cavalheiro se prepara para atirar numa capivara e surge um fiscal do Ibama, é melhor matar o fiscal do Ibama, porque no caso o crime é afiançável.

OK, agora podem vir as teses segundo as quais o criminoso de colarinho branco é mais perigoso que o assassino, porque ao apoderar-se de dinheiro público reduz a quantidade de creches e hospitais e, portanto, contribui para o aumento da mortalidade. São teses interessantes e vale discuti-las - até porque só no Brasil o homicídio é um crime menos grave que os outros. 

Código Penal: os riscos de uma mudança necessária

Gabriel Castro, Veja online

Revisão do texto, que deve incluir ortotanásia, aborto e criminalização do preconceito contra homossexuais, pode tornar a legislação ainda mais branda

Perto de completar 72 anos, o Código Penal brasileiro está em fase de revisão. Um grupo de 16 juristas convocados pelo Senado devem concluir em maio a elaboração de uma proposta para o novo texto. A comissão é presidida por Gilson Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justiça. Quando o colegiado encerrar seus trabalhos, começa o dos senadores. A mudança na legislação pode passar por temas controversos. E a discussão carrega um risco: o de tornar a legislação ainda mais liberal do que a atual – que já não combate o crime com eficácia.

O texto redigido pelos juristas ainda está em elaboração, mas as linhas gerais estão traçadas. As sugestões podem ser divididas em três eixos principais: modernização da lei, incentivo às penas alternativas e maior rigor no regime de progressão das penas. A primeira parte inclui tipificação de novos crimes. É o caso do terrorismo. Ao mesmo tempo, toca em pontos historicamente controversos, como a liberação da ortotanásia, a criminalização da chamada homofobia e a ampliação dos casos em que o aborto é permitido.

O mais provável é que, a partir de maio, a discussão sobre o Código Penal force o Congresso a debater três temas explosivos de uma só vez. A ortotanásia (interrupção do tratamento médico de um paciente sem chances de recuperação) nunca havia chegado à pauta do Parlamento. A tipificação do crime de homofobia já causa um acirrado debate envolvendo lideranças religiosas, que se dizem tolhidas.

No caso do aborto, a ideia dos juristas é permitir que a interrupção da gravidez seja autorizada, por exemplo, quando o bebê tiver um tipo grave de má-formação. Além disso, a prática pode ser liberada quando houver risco para a saúde da mãe, mesmo que não haja perigo de morte. Hoje, o aborto só é permitido em casos de estupro e risco de vida para a mãe.

O segundo eixo do texto elaborado pelos juristas trata da redução de benefícios. Entre eles, a prisão aberta, que permite a condenados viver livremente fora da cadeia e, na prática, sem qualquer monitoramento. Outra proposta é aumentar o tempo necessário para a obtenção da progressão da pena: de um sexto para um terço em crimes comuns. Em crimes hediondos, o benefício só seria obtido com metade da pena (hoje, bastam dois quintos).

O terceiro eixo é o aumento da aplicação de penas alternativas. A ideia é ir além do pagamento de cestas básicas, que mal funciona como punição. O objetivo é tornar essas medidas mais coerentes com o crime praticado e deixar a pena de encarceramento para os criminosos mais perigosos. "Nós precisamos fazer uma lipoaspiração no Código Penal", diz Pedro Taques (PDT-MT), um dos relatores da proposta no Senado.

Mais rigor - 
Tornar o código mais objetivo e eficiente é uma missão essencial. Mas, ao priorizar esse aspecto, os parlamentares podem perder uma oportunidade rara: a de aumentar as brandas penas previstas para alguns crimes. Aqui, um assassino pode pegar de 6 a 20 anos de cadeia. Na Argentina, por exemplo, um homicídio rende de 8 a 25 anos. Na Suécia, a pena mínima é de 10 anos. Na Venezuela, de 12. No Canadá, não há pena mínima e o castigo máximo é a prisão perpétua. Nos Estados Unidos, a punição pode chegar à pena de morte.

Fora uma proposta do senador Pedro Taques, que pretende criar uma pena de até 40 anos para condenados por desaparecimento de pessoas (como integrantes de grupos de extermínio que somem com os corpos das vítimas), praticamente não há sugestões de aumento das penas. Os parlamentares também não podem perder a chance de aumentar o rigor sobre a reincidência, para evitar os esdrúxulos episódios em que presos com uma ficha quilométrica continuam soltos e atuando no mundo do crime.

É possível que, no saldo final, a lei saia mais branda do que a atual. Um risco do qual o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) está ciente. Assim como Pedro Taques, o democrata é promotor de Justiça e diz que o Congresso não pode amenizar o peso da legislação. "Acho que seria temerário. A adoção de penas baixas, que é um caminho do direito moderno no Brasil, acaba sendo um atraso em relação ao mundo", diz o democrata. Ele garante: "O Pedro Taques, eu e outros senadores estamos afinados: o que sair da comissão de juristas e for na linha do abrandamento, nós vamos modificar".

Mas há um obstáculo. O governo petista e seus aliados no Congresso são uma poderosa força no sentido oposto: de forma geral, a bancada do PT é contra a redução da maioridade penal, pelo fim da pena a usuários de drogas e a favor do aborto. A Câmara dos Deputados também discute alterações no Código Penal. Escolhido relator do texto, o petista Alessandro Molon (RJ) adota por ora um discurso pragmático: "As questões polêmicas podem impedir que a reforma avance”, acredita. “Vamos optar por uma reforma pé no chão".

A discussão deve ganhar força no fim do primeiro semestre. Mas, com as eleições municipais, o debate pode acabar se estendendo para 2013.

Obsolescência - 
O texto do Código Penal brasileiro é de 1940, quando o país vivia o governo autoritário de Getúlio Vargas. A legislação não faz qualquer referência a crimes eletrônicos, por exemplo. E, como foi alterado diversas vezes ao longo das décadas, o texto traz incongruências: a pena por falsificação de cosméticos, por exemplo, é maior do que a punição por formação de quadrilha.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É bom que a sociedade brasileira acompanhe muito de perto esta discussão no Congresso. A realidade da  insegurança pública, não nos permite condescender em amaciar a vida dos criminosos, principalmente os que atentam contra a vida. 

Se é para modernizar há que se endurecer a punição, único meio de desencorajar a impunidade vigente no país. Ir em sentido oposto, e ainda com objetivos que contrariam a vontade da sociedade, como a liberação ampla do aborto, por exemplo, deve ser considerado um verdadeiro ato de traição ao país. 

Chegou a hora do nosso código de leis proteger mais as vítimas da violência do que os delinquentes que a praticam, como tem sido praxe nas últimas décadas.

Enquanto nossos “jovens” de 29 anos, brigam por meia entrada, estudantes protestam contra cortes na educação,,, na Espanha

Veja online, com agência France-Presse

De acordo com a organização do movimento estudantil, estão programadas manifestações em mais de 40 cidades espanholas durante esta quarta-feira

(Kote Rodrigo / EFE)
Estudantes espanhóis protestam nas ruas de Madri (29/02/2012) 

Com gritos de "menos cortes, mais educação", centenas de jovens estudantes e universitários protestaram nesta quarta-feira, em Madri, em um dia nacional de protestos contra os cortes na educação. "A educação é a base de tudo e é a primeira coisa que cortam. Nosso campo, a pesquisa, é o que mais está sendo cortado", denunciou Claudia Holgueras, uma estudante de ciências ambientais de 18 anos.

Além dos cortes, os espanhóis também protestam contra ações policiais contra estudantes  de Valência, no leste do país. No dia 20 de fevereiro, um protesto acabou com uma forte reação da polícia local. Estudantes alegam que foram agredidos com cassetetes e alguns chegaram a ser arrastados. "Somos estudantes, não delinquentes!", gritaram os manifestantes diante do ministério da Educação nesta quarta-feira.

"Não criamos esta crise, mas a pagamos em toda a extensão da palavra", disse à agência de notícias France-Presse o secretário-geral do sindicato nacional de estudantes, Tohil Delgado. Segundo ele, estavam previstas manifestações em cerca de 40 cidades do país.

O novo governo de direita espanhol anunciou um plano de austeridade para diminuir o déficit público que alcançou 8,51% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2011. Também implementou uma reforma para flexibilizar o mercado de trabalho e tentar criar empregos em um país onde cerca de um em cada dois jovens está desempregado.

****** COMENTANDO A NOTICIA:
E vejam isto: só em 2012, o corte orçamentário de verbas destinadas à Educação será de R$ 1,938 bilhão, o que não é pouca coisa. Porém, nossos estudantes estão mais preocupados com meia entrada em protestar pelo aumento nas tarifas de transporte coletivo. Já contra a má qualidade de ensino, que envolve um imenso número de fatores, parece que isto não os afeta. 

Não é à toa que o país se saia tão mal em provas de avaliação internacionais, e não é por falta de motivos que faltem profissionais com melhor formação no mercado. Esta falta de participação em questões que afetam diretamente a formação deles próprios, é muito preocupante. 

E não se venha alegar que os estudantes espanhóis seja um caso único. Bem mais perto do Brasil, no Chile, há protestos quase semanais de estudantes reclamando por melhor qualidade de ensino, dentre outras coisas. 

Mas nem no Chile, muito menos na Espanha, se vê estudantes protestando por conta de meia entrada. E a se registrar: a maioria destes protestos é feito justamente por aqueles que mais condições tem de pagar o valor total. Claro, que os ingressos acabam saindo muito caro, por embutirem os descontos no preço total. Assim, fica claro que o mote da gritaria acaba sendo um tiro no próprio pé. 

O óbvio é apenas o óbvio

Antonio P. Mendonça, O Estado de S. Paulo

A mudança das regras do resseguro foram feitas no meio do jogo. Agora, as empresas estão dando a volta na limitação imposta pelas resoluções do CNSP

No começo de 2011 o governo brasileiro mudou as regras do resseguro, então recentemente implantadas com a entrada em vigor da Lei Complementar 126/07 e sua posterior regulamentação. Foi um banho de água fria no mercado, mas, mais do que isto, foi uma desnecessária mudança das regras em pleno jogo, quando empresas de todos os setores afetados pelo resseguro já haviam feito seus planejamentos e iniciado seus movimentos.

Desde o começo eu fui contra as mudanças. Em primeiro lugar, pela forma como foram feitas, já que feriam a segurança jurídica dos negócios feitos no país, abrindo espaço para forte desconfiança dos agentes econômicos internacionais. Mas minhas razões iam além. E a mais pragmática é que as mudanças seriam neutralizadas no médio prazo, mas acabariam por encarecer o seguro brasileiro, contribuindo de forma negativa para a manutenção de uma praga chamada custo Brasil.

No primeiro momento, o que se viu foi a falta de sincronia entre os diversos agentes que compõem o segmento segurador se refletir no que poderia ser interpretado como uma retumbante vitória do governo. Aliás, dependendo do ângulo que se analise o problema, é possível dizer que o governo, de forma inesperada, porque não era este o seu objetivo, conseguiu rachar a representatividade das seguradoras, criando nitidamente dois grupos antagônicos, que só agora vão harmonizando suas posições.

É verdade que, num segundo momento, vários grandes grupos internacionais, que operavam no país com resseguradoras admitidas, decidiram criar resseguradoras locais, trazendo capital novo para poderem operar. Mas em nenhum momento os grandes compradores de seguros, as grandes empresas, principalmente industriais, instaladas no país apoiaram as medidas baixadas pelo governo. E não o fizeram por uma razão simples: sempre esteve claro para elas que o final da história passava forçosamente pelo aumento do custo de contratação e gestão de seus seguros.

Não foi por outra razão que a ABGR (Associação Brasileira de Gerência de Riscos), tão logo o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) baixou as Resoluções, se manifestou com um duro documento a respeito do tema, criticando as novas disposições e alertando para o risco concreto do aumento do preço dos seguros.

Agora, o óbvio se materializa. Não num passe de mágica,mas com a constatação de que o que as pessoas, que desde o começo do ano passado acompanham o caso, diziam, aconteceu. Como não poderia deixar de ser, inclusive pela impossibilidade das autoridades brasileiras terem qualquer controle sobre os negócios envolvendo eventuais resseguros brasileiros no exterior, as empresas interessadas estão dando a volta na limitação imposta a elas pelas Resoluções do CNSP no que tange a cessão de resseguros para as matrizes sediadas em outros países.

Nada mais fácil do que fazer uma triangulação. Antes das medidas baixadas em 2011, as resseguradoras pertencentes a grupos internacionais instaladas no Brasil podiam transferir o excesso de sua capacidade de retenção para suas matrizes. Com as Resoluções do CNSP este repasse ficou reduzido a 20%. O que fazer? Simples. Combina-se com outras resseguradoras e a cessão, em vez de ser feita diretamente para empresa do grupo, é feita para esta outra companhia,que, depois, repassa a maior parte do negócio para a matriz da resseguradora instalada no Brasil.

As implicações disso são as que foram levantadas pela ABGR. O seguro das grandes empresas instaladas no Brasil está mais caro. Em primeiro lugar, porque a resseguradora que recebe o excedente da cedente brasileira cobra por isso e para fazer a transferência do negócio de volta para o grupo. E, em segundo lugar, porque com isto surgem uma série de complicadores administrativos que também custam e necessitam ser precificados. Finalmente, mas não menos importante, com a triangulação, aumentam em muito as chances de surgirem problemas durante os processos de regulação de sinistros. Quer dizer, no final perdem todos.

Tentativa de censurar o dicionário “Houaiss” é delírio do politicamente correto

Ricardo Setti, Veja online

(Ilustração: Negreiros)
Patrulha do politicamente correto quer retalhar dicionário 

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Onde está o verbete “bom-senso”?

O dicionário Houaiss, o maior do país, está na mira da patrulha politicamente correta, que acredita lutar contra o preconceito apagando palavras e definições

Dicionário, diz o Aurélio, é o “conjunto de vocábulos duma língua ou de termos próprios duma ciência ou arte, dispostos, em geral, alfabeticamente, e com o respectivo significado”. Dicionário é o celeiro do idioma, o banco central da linguagem formado por palavras compiladas segundo um único critério, o de estarem em uso ou terem sido usadas no passado.

Censurar ou podar palavras dos dicionários é uma estupidez que se equipara à loucura de rasgar dinheiro por ser contra o capitalismo ou ao desatino de queimar florestas nativas para matar serpentes venenosas.
Pois foi exatamente isso que o procurador da República Cleber Eustáquio Neves, do Ministério Público Federal de Uberlândia, em Minas Gerais, tentou ao ajuizar uma ação civil pública pedindo a remoção das livrarias do dicionário Houaiss, o mais completo do país, com 228 500 verbetes, publicado pela editora Objetiva.

Procurador acolheu um pedido bizarro
Neves deu guarida a um pedido bizarro feito em 2009 por uma pessoa que sustentava que duas definições da palavra “cigano”, mesmo que devidamente registradas no dicionário como sendo de uso pejorativo, são ofensivas à etnia e devem ser banidas.

Enquanto isso não fosse feito e novas edições devidamente “higienizadas” do dicionário não fossem produzidas, o Houaiss deveria ser retirado das livrarias, e sua venda, proibida. O Houaiss registra que, pejorativamente, cigano é “aquele que trapaceia; velhaco, burlador” e “aquele que faz barganha, que é apegado ao dinheiro; agiota, sovina”.

Pode incorrer em preconceito quem utiliza a palavra cigano nas acepções acima, mas incorre em um desvio muito pior quem propõe censurar esses registros por seu potencial ofensivo.

Empobrecer o idioma é um dos instintos automáticos das mentes totalitárias.

No livro 1984, de George Orwell, um Ministério da Verdade se dedica justamente à supressão das palavras consideradas inadequadas pelos ditadores e à sua substituição por termos novos criados justamente para suprimir a verdade.

O "Dicionário Houaiss", alvo de censura absurda

“Assassinando a cultura brasileira”
“Quem pede a suspensão de uma obra por ela conter um termo considerado discriminatório está assassinando a cultura brasileira, que a cada dia é torpedeada por novas empreitadas da patrulha do politicamente correto”, diz o imortal Evanildo Bechara, membro da comissão de lexicógrafos — como são chamados os fazedores de dicionários — da Academia Brasileira de Letras.

Dicionários de outras editoras, como a Melhoramentos e a Globo, há dez anos suprimiram a informação de que a palavra “cigano” foi usada no passado com sentido pejorativo. Diz Breno Lerner, superintendente da Melhoramentos, responsável pelo dicionário Michaelis, que é contra a intervenção do procurador: “À medida que a sociedade se torna mais politicamente correta, cabe ao dicionário retratar isso com o maior rigor possível. É como a fotografia de uma paisagem — se a paisagem muda, é nosso dever fazer um novo retrato, com a maior exatidão”.

Nos tempos da KGB, polícia política da ditadura soviética, quando um político ou uma celebridade caía em desgraça com a liderança do Partido Comunista, sua figura era simplesmente apagada das fotografias antigas, uma flagrante falsificação da história.

A hierarquia católica, em momentos de puritanismo exacerbado, mandou cobrir as partes pudendas dos anjos e de outras figuras mostradas em majestosa nudez por mestres da pintura. Entre os censurados pelos prelados em guerra com os pelados esteve o grande Michelangelo. É saudável, portanto, reprimir a tentação de servir ao gosto presente simplesmente suprimindo e escondendo imagens, palavras ou dados que foram aceitáveis no passado a ponto de serem registrados para o desfrute das gerações vindouras.

A resistente tentação de reescrever o passado
O diretor-geral da Objetiva, que edita o Houaiss, Roberto Feith, não concorda com a tese de que a maneira de se atualizar passe pela higienização do conteúdo dos dicionários e de outras obras literárias ou culturais.

Os dicionaristas do Houaiss pretendem refletir as mudanças na paisagem mencionadas por Breno Lerner, não suprimindo dados do passado, mas acrescentando informações relevantes para o presente. No caso de “cigano”, as próximas edições vão informar que as definições ofensivas “resultam de antiga tradição europeia, pejorativa e xenófoba”.

A tentação de reescrever o passado é resistente. Há mais de dez anos, outra ação contra o Houaiss tentou apagar a definição pejorativa de judeu como “pessoa usurária, avarenta”. Sem sucesso. Em 2010, o Conselho Nacional de Educação condenou a obra de Monteiro Lobato, o maior autor infantil brasileiro, por ela dar vazão ao racismo.

Concebido para facilitar a comunicação entre pessoas que falavam línguas diferentes, o primeiro dicionário de que se tem notícia é o Elya, do século III a.C., com 2 094 palavras.

No Brasil, o pioneiro foi o do carioca Antonio de Moraes Silva, em 1789, o Diccionario da Lingua Portugueza, baseado em uma obra publicada em Portugal pelo padre inglês Rafael Bluteau.

Os dicionários costumam ser revistos por equipes de lexicógrafos a cada cinco ou dez anos, quando se montam novas edições que incluem palavras incorporadas ao idioma (exemplos no novo Houaiss:“blogosfera”, “tubaína”, “blogar”, “pitaco”, “empoderamento”).

Resume o acadêmico Bechara: “O dicionário tem a função de ser o espelho vivo da língua, o repertório da memória cultural e histórica do idioma”.

(Reportagem de Luís Guilherme Barrucho publicada na edição impressa de VEJA)

Função de um dicionário: documentar ou direcionar?

Bolívar Torres,  Opinião & Notícia

Ação contra suposta discriminação étnica do Houaiss provoca debate sobre papel do dicionário como reflexo de uma sociedade: uma publicação deve ignorar conotações preconceituosas de um termo, mesmo quando elas existem? 

Dicionário descreve povo cigano como 'velhaco' e 'burlador', 
entre outras definições

 “(…)aquele que trapaceia; velhaco, burlador” e “(…)aquele que faz barganha, que é apegado ao dinheiro; agiota, sovina”. Os termos usados pelo Dicionário Houaiss, um dos mais conceituados do país, para definir a palavra “cigano” provocaram uma ação civil pública para “a imediata retirada de circulação, suspensão de tiragem, venda e distribuição” da publicação, ajuizada pelo Ministério Público Federal em Uberlândia (MG). A ação, originada em 2009 depois que um cidadão de origem cigana denunciou o que julgava ser uma prática de discriminação e preconceito contra sua etnia, deverá obrigar as editoras a suprimir de suas próximas edições qualquer expressão pejorativa ao evocar a palavra. As Editoras Globo e Melhoramentos atenderam a recomendação. Já a Editora Objetiva recusou-se a cumpri-la, sob o argumento de que seu dicionário é editado pelo Instituto Houaiss, sendo apenas detentora exclusiva dos direitos de edição.

A decisão do órgão federal levantou o debate sobre a função e o papel dos dicionários. Ao fazer uma compilação das palavras de uma língua, deveriam descrever todos os seus usos, positivos e negativos? Seria sua função direcionar a linguagem ou apenas documentá-la?

O argumento do procurador Cléber Eustáquio Neves, que entrou com a ação, é de que a descrição do Houaiss poderia internalizar o uso preconceituoso do termo.

“Ao se ler em um dicionário, por sinal extremamente bem conceituado, que a nomenclatura ‘cigano’ significa aquele que trapaceia, velhaco, entre outras coisas do gênero, ainda que se deixe expresso que é uma linguagem pejorativa, ou que se trata de acepções carregadas de preconceito ou xenofobia, fica claro o caráter discriminatório assumido pela publicação”, afirmou. “Trata-se de um dicionário. Ninguém duvida da veracidade do que ali encontra. Sequer questiona. Aquele sentido, extremamente pejorativo, será internalizado, levando à formação de uma postura interna pré-concebida em relação a uma etnia que deveria, por força de lei, ser respeitada”, acrescentou o procurador.

Para Evanildo Bechara, professor, gramático e filólogo correspondente da Academia Brasileira de Letras, porém, o dicionário é o “repositório da vida espiritual política econômica de uma sociedade”. Nesse sentido, tem a obrigação de refletir as ideias de um povo. Ele lembra que, em dicionários do mundo inteiro, serão encontradas referências desairosas ao lado de referências positivas aos ciganos.

“De uns tempos para cá existe a ideia do politicamente correto, mas não se pode polir da veia de documentação de um dicionário todas estas experiências históricas. Se nos dicionários cigano podem ter referências pejorativas esteja certo que não é culpa do Houaiss: ele apenas é o registrador da concepção que está viva na sociedade”, argumenta. “Ninguém, por exemplo, pode retirar da vida espiritual da sociedade a ideia do judeu e a relação com a morte de cristo, da crucificação. Não se pode tirar da língua o verbo ‘judiar’. A palavra francesa ‘crétin’, que significa ingênuo ou lunático, deriva do latim Christianus, ou seja, cristão. Agora, vai uma distancia muito grande entre o que esta registrado no dicionário e a influência que isso pode causar nas pessoas que o leem”.

O filólogo da Academia acredita que se fixar nos termos depreciativos de uma palavra não provoca uma leitura inteligente de um dicionário. “É como ver um binóculo com a lente invertida: a visão fica diminuída”.

Mesmo que hoje a etnia cigana seja menos associada à “agiotagem” ou “barganha”, Bechara acredita que cabe aos dicionários não apenas o registro do “presente, mas também do repertorio da vida cultural através dos tempos”. “Se fizermos um dicionário contemporâneo apenas com o que se fala hoje no Brasil, não teria mais de 500 palavras”.

Nesse sentido, ao registrar concepções negativas dadas a uma etnia, o dicionário poderia até prestar serviço ao denunciar o preconceito e o racismo presente na sociedade. Não é, porém, o que pensa Mio Vacite, da União Cigana do Brasil. Vacite, um dos líderes que ajudaram a resgatar a história e riqueza cultural dos ciganos no Brasil, diz que, para acabar com o preconceito, é melhor “eliminar” qualquer relação pejorativa ao termo cigano.

“Apagar é melhor do que explicar”, avalia. “A explicação vai eternizar o preconceito. Se você não retirá-la já estará impregnada no cérebro e no inconsciente da pessoa”.

Em 1988, Vacite liderou um movimento para modificar o verbete do dicionário MEC-75, do Aurélio Buarque de Hollanda, que descrevia o cigano como um “homem errante, de vida incerta”, mas também como “bando, padilha, negociata sem escrúpulos”.

“Levou dois anos e fomos os primeiros no mundo a conseguir esta alteração”, conta Vacite. “Na Inglaterra, tentaram e não conseguiram”.

Zíngaros tropicalistas

Ivan Lessa, BBC Brasil

O Ministério Público Federal ganhou. Após ter ameaçado na terça-feira da semana passada o dicionário Houaiss com pesada multa e apreensão de toda a circulação do volume léxico em questão, dando ênfase porém à sua versão eletrônica, onde tudo é, para variar mais ou menos vago como o resto do país.

Neste fim de semana quem digitasse "cigano" na versão informatizada, disponível, no UOL, empresa controlada pela Folha, que edita o popular jornal, encontrava e ainda encontra o aviso de que a "palavra não foi encontrada".

Minha versão do Houaiss, gentil presente de um bom amigo que me mandou o CD há alguns anos, continuava, no entanto, cumprindo sua função e disponibilizando todas as acepções, positivas, neutras e pejorativas, do termo em questão, inclusive "esperto no negociar", "apegado ao dinheiro, agiota, sovina".
Na semana passada escrevi umas linhas a respeito, lembrando que "judeu", "judiaria" e "preto" e "crioulo" continuavam firmes no batente.

Fui a outros dicionários em versão eletrônica em busca de um cigano para pular o carnaval. Lá estava, direitinho, noAulete (que fim levou o Caldas?) e no Aurélio, o verbete consignado com todas suas acepções, pouco importasse o que achassem e quisessem as procuradorias do Ministério Público Federal, que qualificam sua inclusão como "crime de racismo".

O verbete "pusilanimidade" também estava em seu devido lugar sob a letra P, para que tanto o portal quanto o diretor do Instituto Antonio Houaiss, Mauro Villar, soubessem exatamente o que estavam fazendo ou deixando de fazer.

Este último, segundo a Folha teria afirmado que "não partiu dele a ordem para a retirada", acrescentando, corretamente, o que não deixa de ser curioso, que "nunca teria suprimido as definições porque elas são espelhos que refletem ocorrências na língua".

Alguém precisa explicar ao Ministério Público Federal o que quer dizer "dicionário". Ao que parece, não ocorreu a ninguém por lá consultar o próprio Houaiss, em qualquer de suas versões.

Duas outras ocorrências, beirando a ocorrência policial, rondaram como almas penadas analfabetas nosso idioma que já foi de Camões e Carlos Drummond de Andrade.

Tem início nesta segunda-feira a 8ª edição da "São Paulo Restaurant Week", onde gastrônomos de todos os matizes poderão provar, não da culinária inglesa ou americana, conforme o nome sugere, mas do mundo inteiro.

Junta-se, pois, às "Fashion Weeks" que assombram o Brasil e aos "bullies" que o atormentam "bullying".

A outra ocorrência diz respeito aos inefáveis Caetano Veloso e Gilberto Gil (ambos 69, como gosta de registrar a Folha) que ameaçam com processo judicial (foi o que entendi) a construtora Odebrecht pelo que chamam, através da imprensa, de "afronta" a construção de um "resort" (não é assim em brasileiro?) de luxo à beira-mar da Bahia com o nome de "Tropicália", que, é de se julgar, os dois músicos consideram de sua propriedade exclusiva e apenas mais uns poucos.

A Odebrecht escolheu, como "slogan" do projeto, "onde o divino se encontra com o maravilhoso", que, aí sim, por ser citação de cançoneta Caetana, haveria margem para uma chegada aos tribunais e o habitual fuzuê com que sempre os indivíduos em questão contemplam a imprensa.

O conjunto residencial da Odebrecht oferece apartamentos de 3 a 4 quartos, bem em frente a uma deslumbrante praia baiana, por módicos preços a partir de R$ 800 mil reais. O que daria fácil para os dois trovadores comprarem uns dois ou três para uso próprio e da família.

A Odebrecht respondeu, algo timidamente, que a marca "Tropicália" já vem sendo usada por 76 negócios em São Paulo e 40 no Rio.

Tudo indica que Caê e Gil, como gostam de ser chamados à distância os filósofos cantantes, proibiriam, ou botariam a boca no trombone, se tivessem ativado e participado de outros movimentos músico-filosóficos tais como "Bossa Nova", "Existencialismo" (sem o qual não haveria Emilinha Borba cantando Chiquita Bacana), "Música Disco" ou "Discothèque", "Parnasianismo", "Futurismo", "Dadaísmo", "Positivismo" (citado, por extensão, em nossa bandeira) e por aí afora.

Dicionário 'Houaiss' resistirá a patrulhamento, diz coautor

Nathalia Goulart, Veja online

Diretor do IAH afirma que obra não deve ser palco de batalhas ideológicas e que irá à Justiça para fazer o livro cumprir seu papel: registrar usos da língua

(Rafael Andrade/Folhapress)
 Mauro Villar, diretor do Instituto Antônio Houaiss 

O dicionário Houaiss vai resistir ao assédio das patrulhas ideológicas. Isso é o que garante Mauro Villar, diretor do Instuto Antônio Houaiss, que edita a obra. Na prática isso significa que o IAH pretende recorrer de eventual decisão judicial que o obrigue a apagar do volume acepções pejorativas de verbetes como cigano. Pode parecer absurdo. Mas, de fato, na semana passada, o Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais entrou com uma ação na Justiça pedindo que sejam recolhidos os exemplares do dicionário porque o tal verbete explica que a palavracigano pode assumir significados – insultuosos, bem destaca a obra – como "trapaceiro, velhaco, burlador". Isso, na visão embaralhada do MPF, ajuda a disseminar o preconceito contra os ciganos e a intolerância étnica. "Nos solidarizamos com todos os grupos que se sentem vítima de preconceito e discriminação, mas entendo que os dicionários não são palco para lutas dessa natureza", diz Villar. "Caso ela (a juíza que analisa o caso) decida acatar o pedido do MPF, acionaremos nossos advogados a iremos defender nossa posição na Justiça." Leia a seguir a entrevista que ele concedeu a VEJA.

Qual a posição do IAH diante da ação do MPF em Minas Gerais? 
Em 2010, recebemos uma notificação por intermédio da Editora Objetiva, que publica nosso dicionário. Analisamos a situação e enviamos à editora uma resposta formal, explicando nossa posição de manter o verbete cigano exatamente como está.

O que pesou na decisão? 
Não vemos razão para qualquer tipo de supressão. Nos solidarizamos com todos os grupos que se sentem vítimas de preconceito e discriminação, mas entendo que os dicionários não são palco para lutas dessa natureza. Dicionários são um espelho da sociedade. Tudo o que existe de bom e de ruim deve estar registrado ali. Nada pode ir para debaixo do tapete. Tudo o que é pejorativo ou mesmo agressivo precisa estar ali, devidamente esclarecido. É como fazem os dicionários modernos em todo o mundo.

Os verbetes cigano e negro foram retirados da versão on-line do Houaiss. Essa decisão partiu do senhor? 
Não. Foi uma decisão tomada dentro do Instituto enquanto eu estava fora do país, na semana passada. Assim que retornei, solicitei que fossem inseridos novamente os verbetes. Não vejo sentido nenhum nessa retirada.

O IAH, em parceira com a Objetiva, já prepara uma nova edição do dicionário. Ela trará mudanças? 
Era uma mudança já prevista. Não haverá alterações nas acepções. No entanto, haverá uma observação nos usos pejorativos, com explicações mais aprofundadas e o objetivo de contextualizar determinados usos.

E quanto ao andamento do processo na Justiça? 
A notícia que tenho é que a juíza da Justiça Federal de Uberlândia está analisando a ação. Caso ela decida acatar o pedido do MPF, acionaremos nossos advogados e iremos defender nossa posição na Justiça. 

Cigano, segundo o Houaiss
Confira as definições do verbete no dicionário: 

Cigano
adjetivo 
1) relativo ao ou próprio do povo cigano; zíngaro 
Ex.: música c.; vida c.; esperteza c. 
adjetivo e substantivo masculino 
2) relativo a ou indivíduo dos ciganos, povo itinerante que emigrou do Norte da Índia para o oeste (antiga Pérsia, Egito), de onde se espalhou pelos países do Ocidente; calom, zíngaro 
3)  Derivação: por extensão de sentido 
que ou aquele que tem vida incerta e errante; boêmio 
Ex.: meus parentes c. não pensam no dia de amanhã; viver como c. 
4) Derivação: por analogia. 
vendedor ambulante de quinquilharias; mascate 
5) (1899) Uso: pejorativo. 
que ou aquele que trapaceia; velhaco, burlador 
6) Uso: pejorativo. 
que ou aquele que faz barganha, que é apegado ao dinheiro; agiota, sovina 
7) que ou o que serve de guia ao rebanho (diz-se de carneiro) 

Do jeito que vai, a Petrobras poderá estar produzindo 30% menos do que o previsto em 2020. É um dos desafios para sua nova presidente

Ricardo Setti, Veja online

(Foto: Divulgação)
NACIONALISMO OBTUSO -- 
Petroleiro "João Cândido", encalhado em Pernambuco: 
revés para o conteúdo nacional 

Amigos, esse trecho de reportagem da jornalista Malu Gaspar, publicada em recente edição de VEJA, dá uma ideia do tamanho do desafio que aguarda a nova presidente da Petrobras, Graça Foster, merecedora da confiança e da amizade da presidente Dilma. O título da reportagem original é “Graça Foster: o petróleo é com ela”.
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A principal missão atribuída à nova presidente da Petrobras, Graça Foster, pela presidente da República não é desmontar o trem da alegria do sindicalismo ou tomar dos políticos o controle da empresa. A presidente quer que Graça acelere a exploração das reservas do pré-sal, capazes de transformar o Brasil em uma das dez maiores potencias petrolíferas do mundo, mas que avança em ritmo lento.

Um relatório do banco Credit Suisse demonstrou que faltam dinheiro, mão-de-obra e equipamentos para cumprir os prazos. Segundo o banco, no passo atual, a Petrobras chegará a 2020 produzindo, na melhor das hipóteses, 4,6 milhões de barris ao ano. Mais que o dobro de hoje, mas 30% menos do que o previsto.

Cumprir a missão pressupõe fazer a empresa render mais, gerando mais caixa, investindo em pessoal e, ao mesmo tempo, comprando equipamentos ao menor preço possível.

(Foto: veja.abril.com.br)
Graça Foster enfrenta vários desafios: 
no passo atual, a Petrobras chegará a 2020 produzindo 
30% menos do que o previsto 

“Em nome de objetivos do governo, a empresa sacrifica o lucro e a produtividade”

A questão é como fazer isso em uma companhia que já queimou, nos últimos oito anos, 12 bilhões de reais só com subsídios aos combustíveis, para não ter de repassar os custos do mercado internacional aos consumidores e nem os prejuízos políticos de grandes reajustes ao governo.

Durante os mandatos de Lula e Dilma, a Petrobras foi a muleta que ajudou a abrigar a inflação dentro da meta, reduzindo investimentos quando necessário para não encher a economia de dinheiro e soltando as rédeas da gastança quando o governo precisava fazer caixa para fechar suas contas.

Com tamanha sobrecarga, estatal acabou investindo 22 bilhões de reais a menos do que o previsto nos últimos três anos e também não atingiu as próprias metas de produção. “Esse é o resultado do que chamo de expropriação da Petrobras. Em nome de objetivos do governo, a empresa sacrifica o lucro e a produtividade e ainda pune seus milhares de acionistas”, diz Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

Como se não bastasse, Graça ainda terá de fazer com que as contas da estatal absorvam o impacto financeiro causado pela exigência de que seus equipamentos tenham 65% de conteúdo nacional.

A obtusa norma do “conteúdo nacional”
Criada ainda no governo Lula e caríssima à Dilma, a obtusa norma, que vale para também para as empresas privadas, visa, hipoteticamente, desenvolver a cadeia produtiva do petróleo. Mas vem produzindo um problema atrás do outro.

Dois exemplos dessa encrenca saltam aos olhos. O primeiro é o petroleiro João Cândido, construído pelo Estaleiro Atlântico Sul, com entrega atrasada em dois anos e preço já maior do que o dobro do cobrado no mercado externo.

O segundo abacaxi é a licitação de 21 sondas para o pré-sal, adiada duas vezes por causa dos altos preços apresentados pelos estaleiros nacionais. A dificuldade em comprá-las a valores razoáveis no Brasil fez[o antecessor de Graça Foster, José Sérgio] Gabrielli cogitar, acertadamente, em comprar as sondas no exterior. A ideia foi rechaçada por Dilma.

O mau exemplo da Pemex, do México
Os riscos do nacionalismo dogmático e o uso da Petrobras para ajudar a conter a inflação podem ser entendidos melhor por quem analisar o caso mexicano. Ou, mais especificamente, o que o governo do México fez com a monopolista Pemex, a estatal de petróleo que é, ainda mais que a Petrobras, um Estado dentro do Estado.

Lá, o lucro da Pemex é tomado imediatamente pelo Estado e enviado para uma espécie de caixa único. Depois, o governo manda parte para projetos sociais e parte para os investimentos da estatal.

O resultado é que a Pemex investe menos do que é necessário para reforçar suas reservas. E, embora o México seja ainda o sexto maior produtor de petróleo do mundo, suas reservas não param de diminuir.

(Foto: Agência Brasil)
PROMESSA DIFÍCIL -- 
Plataforma do pré-sal na Bacia de Campos: 
ritmo lento e preços altos atrapalham exploração

No Brasil, para conseguir recursos para extrair o óleo do pré-sal, é necessário que a Petrobras se livre dessas amarras. Do contrário, não haverá geração de caixa, financiamento ou empenho que dê jeito.

A esperança é que, quando o governo se der conta que a temperatura subiu, ameaçando explodir os ambiciosos planos do pré-sal, uma lufada de bom senso faça alterar essas regras. Esse é o ponto-chave do desafio de Graça Foster frente à Petrobras.