Adelson Elias Vasconcellos
No ano passado, nos jogos da seleção brasileira, a FIFA cometeu e repetiu em todos as partidas, uma indelicadeza imperdoável para com o país anfitrião, assassinando o Hino Nacional. Nem se exigiria que o tocasse por inteiro, por ser longo, mas que respeitasse a integridade da primeira parte. Provavelmente, esta poda ao hino brasileiro, seja única. Os demais, o hino é tocado por inteiro. E, sendo o Brasil o anfitrião, um mínimo de delicadeza em nada prejudicaria o evento. O povo, reprovando de forma veemente a atitude antipática da dona FIFA, e não permitiu que os jogadores se desmobilizassem.
Em razão do que houve na Copa das Confederações, era de se imaginar que as autoridades brasileiras imporiam à FIFA para a Copa, a exigênica de se respeitar a execução inteira da primeira parte do hino. Ou que a própria FIFA reconheceria a mancada em 2013. Mas qual? Repetiu-se a mesma indelicadeza e o povo, primeiro vaiou e, em seguido, entoou a capela o restante do hino.
Acho que a presidente Dilma deveria chamar Blatter e dizer-lhe: se a Copa é da FIFA , o hino é do Brasil, respeitem nossa tradição e toquem o hino em toda a sua primeira parte.
Mas, antes do hino, a FIFA haveria de cumprir um papel para lá de ridículo, patético até. Não ouvi nem li nenhum comentário antes desta crítica. Representa uma opinião exclusivamente pessoal. E acho que a grande maioria de quem assistiu pela tevê a cerimônia de abertura, também deve não ter gostado do que foi apresentado. Foi uma encenação pasteurizada de uma ideia ruim sobre a cultura, a história e as tradições brasileiras.
Nesta edição, apresentamos uma reportagem do jornal O Globo sobre a cerimônia de abertura publicada no início da semana, onde a organizadora tenta se justificar a razão pela qual deixou de fora a identificação mais internacional da cultura brasileira: o samba de raízes cariocas. É em cima deste ritmo que o brasileiro construiu sua identidade mundial ao lado do futebol, este ainda assim, construído somente a partir dos anos 50 do século passado.
Tudo bem que ali não desfilassem escolas de samba, mas me respondam: em que o samba de roda é mais tradicionalmente brasileiro do que o samba carioca? Que apresentassem as diferentes manifestações culturais do país, frevo, axé, samba de roda, a dança e música regional dos gaúchos, se entende: são manifestações regionais que se incorporam às nossas raízes culturais. Mas é injustificável que o samba e o pagode dos morros e favelas cariocas tenham sido expulsos pela FIFA na cerimônia de abertura.
Que a cerimônia tenha seu apelo internacional porque a Copa, no fim de tudo, é um evento FIFA, se entende. Porém, digam lá: qual país organiza, como ninguém no planeta, um evento ao vivo com raiz popular? Espetáculo este aplaudido, admirado e elogiado no mundo inteiro. Por que não se convidou um carnavalesco para participar da organização da cerimônia de abertura? Garanto que o espetáculo teria outra cor, outro sabor, e seria elogiado pelo mundo todo. Apresentar manifestações culturais de forma tão pouco caracterizadas, numa mistureba que não transmitiu emoção nem a quem estava no estádio, convenhamos que a FIFA, mais uma vez, desrespeitou o Brasil.
Que os dirigentes da entidade máxima do futebol tenham, e com razão, suas divergências em relação ao governo brasileiro pela forma incompetente como organizou o país para o mundial, que a elr dirija suas críticas e advertências. Porém, o povo brasileiro não pode ser vitimado pela incompetência de seu governo e, pelo fato de sempre ter prestigiado o Mundial, onde quer que ele se realizasse, a cerimônia de abertura foi uma descortesia inadmissível. É o momento que os países anfitriões têm para mostrarem ao mundo a sua cara, parte de sua história, de sua cultura, de suas raízes. Neste aspecto, não conheço ninguém melhor do que nossos carnavalescos cariocas. Jamais a FIFA.
Na reportagem de O Globo destaco este trecho:
“Ao ouvir a pergunta sobre o samba, a belga Daphné Cornez, diretora-artística do espetáculo, fez uma longa pausa e, com um sorriso amarelo, alegou ser "uma responsabilidade muito grande" arriscar-se no principal ritmo do país.
— Não poderia fazer melhor do que os brasileiros — esquivou-se.”
Caramba, senhora Daphné, a troco do quê a senhora não convidou um dos carnavalescos cariocas então para participar na montagem da cerimônia? Por que teimar em ofender aos brasileiros deixando de lado seu rótulo mais mundial em termos culturais que é o samba carioca?
Infelizmente, a FIFA não aprendeu que, mesmo sendo um evento esportivo de que participarão trinta duas seleções estrangeiras, que será transmitido para todos os cantos do planeta, a organização da cerimônia de abertura deve respeitar as características de cada país. Portanto, a festa era para ser com as cores brasileiras, não pasteurizada, não descaracterizada, não pela metade. No caso específico do Brasil, temos técnica, competência e expertise suficiente para fazer um espetáculo ao vivo com qualidade superior. Basta ver os temas que as escolas de samba apresentam a cada ano, transmitindo emoção e agitando a quem assiste. E o espetáculo do carnaval é visto pelo mundo inteiro, e não precisamos deixar nada de lado só para “fazer bonito”.
Só não desmereço ainda mais o espetáculo horroroso organizado pela FIFA na abertura, é em respeito aos artistas brasileiros que se dedicaram em darem o melhor de si para representar o seu país. Afinal, eles apenas cumpriram um roteiro estranho e de péssimo gosto em relação às nossas tradições.
E fica claro, também, que a motivação politiqueira do governo brasileiro para sediar a Copa, tendo aberto mão de nossa soberania, sequer condicionou o respeito ao hino e às manifestações culturais do país. Assim, não apenas pela péssima organização do evento e a inversão de prioridades com fins eleitoreiros, mas por ter sido tão ridiculamente submissa à imposições de uma entidade estrangeira, não merece de fato governar o país. Precisamos de presidentes que governem o Brasil para os brasileiros e não para si mesmos.
Ganhando a Copa ou não, este é o único resultado que não interessa depois. A vitória em campo pertence aos jogadores, comissão técnica e torcida. Não depende de governante meia pataca nenhum. A hora do acerto de contas é em outubro. É lá que devemos dar um basta a toda a politicalha que está assentada no poder.
Uma presidente desrespeitada num estádio branco
Antes do início do jogo, as câmeras passeavam pela torcida, e não me possível contar mais do que 10 negros no estádio. Talvez até tivesse mais, mas seguramente a torcida da Croácia era mais numerosa do que a presença de pessoas negras na torcida. E este não é o público do futebol brasileiro. Nos nossos estádios existia a miscigenação que é a característica maior do nosso povo. Triste.
Mas, mais triste, lamentável foi o xingamento à presidente Dilma Rousseff. Que fosse vaiada, vá lá, faz parte da nossa tradição. O único presidente da História brasileira não vaiado em estádio de futebol, foi um general ditador, Emílio Médici. Os outros jamais foram poupados.
Porém, nada justifica a falta de educação e civilidade para a forma como a senhora Rousseff foi xingada e desrespeitada. Isto é inadmissível, quanto mais num evento transmitido para o mundo inteiro.
Aqui no blog, nunca nos furtamos a criticar a senhora Rousseff enquanto presidente, mas nunca lhe faltamos o respeito que a instituição que ela representa, requer. Ela ali está representando o país, e não foi colocada contra a vontade dos eleitores. Foi eleita democraticamente, pelo voto livre e secreto. Portanto, por mais que lhe enderecemos críticas por sua atuação como presidente, e esta crítica é democrática, jamais a ninguém cabe a licença para avançar além desta crítica, destratando e xingando de forma tão grosseira.
Seria oportuno que a imprensa desse destaque a esta descortesia e até fizesse uma campanha de esclarecimento. Tem gente no Brasil precisando aprender a ser educado. Muita gente, aliás. Democracia não contempla barbárie!
O jogo repetiu a estreia contra Turquia em 2002
Em 2002, o Brasil conquistou sua quinta estrela. Mas o jogo de estreia contra a Turquia foi ainda pior que o de hoje contra a Croácia. Ganhamos com as calças na mão. Independente do adversário, acho que a Croácia seja muitíssimo melhor do que a Turquia, o Brasil começou jogando mal, tomou o primeiro, depois virou para 2 a 1. E, coincidência das coincidências, também contou com um pênalti sem vergonha a seu favor.
Apesar disto, acho que a seleção tende a jogar melhor, na medida em que avance na Copa. Se será campeã ou não, é um detalhe. Valeu pela grande melhora de Oscar (o melhor em campo), e pelas substituições inteligentes feitas pelo Felipão no segundo tempo.
Uma dúvida: onde foi parar o futebol vistoso do Paulinho, hein? Ou ele melhora muito contra o México, ou perde o lugar. Fernandinho está pedindo passagem.
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